segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Retrospectiva 2012

“Mais um ano se passou… estou ficando velho e acabado”.
Todo ano é marcado por alguma coisa. Mesmo que não seja um único fato, um ataque terrorista em Nova York, sempre há aquela sensação coletiva sobre o ano. “Neste ano muitos famosos morreram” ou que “grandes desastres naturais se sucederam”, o clima de ebulição popular em alguma região do planeta. Pois, 2012 não foi assim. Este ano termina com uma sensação de vazio, marcado apenas como ano em que o mundo não terminou.

Sim, o ano em que os Maias prometeram que o mundo iria acabar. E muitas pessoas acreditaram nisso, torceram por isso. Falharam miseravelmente, mas não foram os primeiros. A quantos fins do mundo já não sobrevivemos? Quantos apocalipses frustrado não presenciaremos?
Niemeyer
É claro que em 2012 nós tivemos os famosos mortos. Oscar Niemeyer, que acabou com uma das piadas mais famosas da história, tal qual o título do Corinthians na Libertadores. O álbum de figurinhas ainda é composto por Hebe Camargo, Chico Anysio, Wando, Neil Armstrong, Dicró, Trololó Guy, Joelmir Beting e outros. Mas, aposto que você nem se lembrava que eles morreram neste ano. Talvez nem soubesse que alguns deles ainda estivessem vivos. Talvez nem soubesse que sequer haviam nascido.

As tragédias ocorreram? Sim, sempre um terremoto aqui, um vulcão ali, um naufrágio acolá. Claro que algum maluco iriam metralhar alguma escola nos Estados Unidos. Líderes mundiais foram despostos? Sim, se você considerar que o presidente do Paraguai era um. As eleições não trouxeram nenhuma novidade, uma vez que até os fatos novos já eram velhos conhecidos. Corrupção na política? É claro. Mas, você se lembra qual foi o fato desse ano? Aquela sucessão de CPIs que fazem você acreditar que Demóstene Torres participou do Mensalão, aquele esquema de nepotismo cruzado. Barack Obama foi reeleito, a crise na Europa continuou, uma novela fez sucesso, but what matters?

Talvez 2012 tenha sido o ano dos memes. E, de fato, os memes ganharam o mundo, saíram da internet e foram para a televisão, para os jornais, ganharam espaço inclusive nas retrospectivas oficiais. Quem não se lembra da Luíza que nunca esteve no Canadá, da restauração de Cecília Gimenez, de Nissim Ourfali? Sim, eu gostaria que o ano de 2012 fosse reconhecido pelas futuras gerações como o ano de Nissim Ourfali. Que o Ecce Homo de Borja estivesse em todos os livros de história da arte. Mas isso jamais acontecerá. Porque os memes vão da mesma maneira como vêm. Em uma semana já são pré-históricos, no dia seguinte já são superados.

Tivemos as notícias sórdidas, claro. A mulher que esquartejou o marido, uma mulher que utilizou enchimentos na barriga para falar que estava grávida de quadrigêmos, grávida de um homem castrado. Ou a gangue de canibais de Garanhuns, que além de devorar as suas vítimas, ainda faziam salgadinhos com os restos mortais e os vendiam para os pobres transeuntes da cidade nordestina.

Este poderia ser o ano de Bóson de Higgs? Poderia. Mas quem é que entendeu o que era isso fora da comunidade científica? Poderia ser o ano dos 50 tons de cinza? Talvez. O maior fenômeno literário dos últimos anos colocou o sadomasoquismo nas rodas de bar e nas mesas da família brasileira. Mas, alguém lerá 50 tons daqui a cinco anos? Alguém vai escutar a música do Psy em seis meses?

A culpa talvez seja da nossa geração, do mundo em que vivemos. Convivemos com tantas informações que os grandes fatos e os menos importantes são confundidos e logo esquecidos pelo assunto do dia seguinte. Vivemos cada dia como se fosse o começo de uma nova história. O novo dia parece grandioso, enquanto que o dia anterior é embaralhado numa grande massa de informações difusas, em que nada faz sentido. Uma atriz famosa apareceu pelada no vaso sanitário, mas outras também já, outros ainda irão. Ocorreu a Rio+20, mas e daí, em 2022 haverá a Rio+30, aonde nada será resolvido novamente. A história começa de novo a cada dia.

Abstração representada pela música sertaneja. A cada ano a música sertaneja avança em mais fatias do mercado consumidor, com músicas que tem prazo de validade de dois meses e que são compostas em uma linha de montagem. Sílabas organizadas aleatoriamente, temas difusos, onomatopeias, nada que faça sentido. Nada que ficará para a história, nada que jamais tenha sido feito. Vivemos em um eterno dia da marmota.

Cabe a cada um escolher qual foi o seu fato marcante do ano. O título do Corinthians, do Fluminense ou a vitória do Brasil sobre a Rússia nas Olímpiadas. O julgamento do Mensalão, a eleição de um candidato do PSOL. Escolha o seu fato, nenhum deles irá marcar o ano. (Ok, talvez os títulos do Corinthians marquem esse ano, como o ano da desgraça).

Por essas e outras que 2012 é apenas o ano em que o mundo não terminou. Ele não foi o primeiro e nem será o último.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

O Mundo Antes e Depois de Sílvio Santos

Todos conhecem Silvio Santos. Sua figura marcante é reconhecida por pessoas de todos os sexos, de todos os credos, cores, opções sexuais e idades. Do Oiapoque ao Chuí, Silvio Santos é uma das primeiras palavras que qualquer cidadão aprende a falar. Vou além e chego a crer que a imagem de Senor Abravanel é reconhecida em todo o mundo. Uma espécie de líder mundial dos povos, um mago midiático, um Midas Moderno.


Sua trajetória é famosa. Sílvio era um camelô que se transformou em locutor de balsa, que passou a ser apresentador de shows, apresentador de televisão, dono de um império bilionário, que passou a ser a única unanimidade viva do nosso país. Uma trajetória impressionante, que só não virou filme porque é impossível contar a história de Sílvio Santos em um formato comercial. Quem teria coragem para escrever uma nova bíblia?

Com essas credenciais todas, parece até lógico que a passagem de Sílvio Santos por este planeta tenha mudado a forma como a sociedade enxerga uma série de coisas. Que o seu impacto na Terra seja imensurável. Existe uma clara linha que divide o mundo entre o antes e o depois de sua aparição. Citamos abaixo uma série de eventos que tiveram a sua percepção transformada pela existência de Sílvio. Ma oeee.

Andar de elevador e o fim da paz
Andar de elevador é um ato banal do nosso cotidiano. Daquelas coisas que nós nem percebemos que fazemos, exceção feita a possibilidade de você ter medo de elevador. Depois de Sílvio Santos isso mudou. Andar de elevador é um temor social, você nunca sabe se o elevador pode parar subitamente e ser invadido por zumbis, fantasmas ou vendedores de enciclopédia. Aliás, no mundo d.SS os cidadãos perderam sua paz, por temerem que a qualquer momento possam participar involuntariamente de uma câmera escondida.

Barata voa e Brasil sem miséria
Boa parte do processo de dramatização do Barata Voa pode ser atribuído ao Abravanel. Com seu método de distribuição de renda através do arremesso de aviõezinhos de dinheiro, as pessoas passaram a ficar dispostas a matar ou morrer durante a distribuição de qualquer objeto, mesmo que seja uma balinha de cereja. Isso também explica as mortes nas filas de amostra grátis. Por outro lado, Sílvio é o responsável pela cultura da distribuição de benefícios, que influenciou fortemente o Governo Federal na criação de programas sociais.

Filtro na Televisão
Ainda nos distantes anos 60, o programa de Sílvio Santos quebrou um paradigma ao mostrar uma criança falando “cu” ao vivo. Na época, crianças não falavam palavrões, palavrões não eram falados na TV e uma quebra conjunta destes dois tabus é um fato marcante. Ao longo dos anos, com a chegada da idade, Sílvio continuou avançando na falta de filtros na televisão. No seu atual programa dominical é possível vê-lo falando palavrões, insinuando já ter mantido relações sexuais com outras pessoas e discutindo o tamanho do órgão sexual masculino.

Algo estranho na foto?
Está sem microfone.
Microfone de Lapela
Silvio Santos foi o inventor do microfone de lapela, esta tecnologia que auxilia tantos programas de televisão e atores de teatro. Mesmo que seu invento tenha uma forma rudimentar e que ele utilize esta forma rudimentar até hoje.

Revolução Administrativa
A técnica administrativa de Sílvio Santos é amplamente divulgada em todo o mundo e amplamente utilizada. Isso explica boa parte da crise mundial. Enfim, não tenho mais muito por onde me alongar, só criei este post porque o nome parecia ser bom demais para ser desperdiçado.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

O Mago da Cozinha – Culinária Fresca

Felipe Bronze é um dos mais aclamados culinaristas do país. Chefe da cozinha de um suntuoso restaurante no Rio de Janeiro, ele tem 34 anos e estudou três anos em um renomado instituto alimentar de Nova York. Também estagiou em importantes restaurantes e, recentemente, ficou conhecido ao estrelar um quadro do Fantástico intitulado “O mago da cozinha”.

Programas de culinária estão na moda no Brasil e no mundo. Ao ligarmos a televisão poderemos ver o Jamie Oliver, uma ex-miss Brasil, aquele cara do ‘que marrrravilha’, enfim, uma série de pessoas cozinham em frente às câmeras. Fora a Ana Maria Braga e suas versões genéricas

Todos esses programas têm um objetivo em comum: ensinar algum prato para você. Pode parecer algo simples, algo cheio de temperos exóticos, algo diferente, algo para você fazer com o que sobrou na geladeira. Nos mais diversos graus de complexidades, esse programas mostram alguma coisa que você pode tentar fazer e, com alguma prática, é provável que um dia chegue lá.

Ainda existem outros programas de culinária em que o foco é mostrar o cotidiano de uma cozinha de grande restaurante, ou até mesmo, concursos entre cozinheiros. Neste tipo de programa, as receitas não ganham grande destaque. O que importa é estar dentro da cozinha, vendo os dramas da profissão, a correria, as relações pessoais.

O quadro do mago bronzeado se difere destes dois gêneros. Nele, não importam as relações pessoais, tampouco ensinar você a cozinhar. O Mago da Cozinha é um programa que mostra o passo a passo de receitas que você jamais conseguirá fazer. Em suma, um puro exibicionismo do cozinheiro. A começar por alguém se autodenominar ‘mago’.

Na primeira vez em que eu vi o seu quadro, eu estava dentro do avião, o que já reforçou em mim essa confiança de que o programa servia para se exibir. Ninguém dentro de um avião irá conseguir anotar uma receita tão complexa. Depois, basta ver a sua cozinha. Não é uma cozinha. É praticamente um laboratório científico, com utensílios que ninguém nem conhece o nome.

Felipe fez uma releitura do Pato a Tucupi, famoso prato amazônico. Para chegar ao seu resultado final ele passou por processos como:
- Embalar o pato à vácuo e deixar cozinhando num aparelho esquisito por 72horas.
- Criar uma espuma do tucupi em um processo surreal.
- Após tudo isso, servir o prato disposto como se fosse vômito de cachorro.

Buscando pelo seu programa, é possível ver todas as suas receitas e todos os seus pratos. Frescuras inomináveis como “carvão comestível”, “cheiro de churrasco” e... enfim. Todas suas receitas ficam parecendo bolinhas coloridas, igual aquela comida falsa do filme do Peter Pan.

Para piorar a situação, todos os pratos servidos por Felipe são experimentados por alguém especialista no prato original. A opinião é sempre unânime “é bem parecido com o igual”. Porra, você deixa um pato cozinhando por três dias para ficar igual ao que é feito tradicionalmente? É muita frescura.

Em entrevistas pela internet, Felipe crítica àqueles que falam mal do seu estilo de cozinha “molecular”, atribuindo as críticas a ignorância sobre o que é culinária. Também fala que ele cria para aqueles que acham que comida também é diversão. Mas, eu pergunto: como é que alguém pode se divertir cozinhando durante dias inteiros? Ninguém.

Ovo Frito do Mago.
Pegue um ovo e um pouco de manteiga gastronômica. Embale a manteiga a vácuo e a deixe cozinhando em fogo baixíssimo no termodinamizador. Separe o ovo e a gema. Bata a casca em um retrodifiquador junto com óleo de trufa. Pegue um maçarico e cozinhe o ovo. Unte a frigideira de titânio com a manteiga e leve a fogo ultrabaixo por 1 dia. Então, despeje o creme de casca de ovo. Após dois dias, coloque a gema e o ovo por cima. Jogue um pouco de espuma de orégano e pronto. O resultado é bem semelhante a um ovo frito normal.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

A Magia do Natal

“A Magia do Natal” é uma destas expressões de contornos metafísicos, praticamente uma entidade que acompanha o Espírito Natalino, o Chester e os especiais de fim de ano da Globo. Eu, pelo menos, acho estranha esta idéia¹ de um espírito aparecer nessa época do ano.

Para dar mais sentido a essa expressão vazia, consultamos Ele, Pai Jorginho de Ogum, o mago, o Mestre do Destino. Ele nos ensinou algumas receitas, demonstrações práticas de mágicas natalinas.

1) O Chester do Rei
Cansado de ter o seu fim de ano estragado por aquelas canções enfadonhas do Roberto Carlos? Tudo o que você vai precisar é de um Chester Sadia e de um LP compacto de “Então é Natal” da Simone.

Na noite do dia 24, descongele o Chester e tempere-o à sua preferência, sal a gosto. Leve-o ao forno médio e aguarde. Enquanto isso, separe o LP da Simone e coloque-o na vitrola. No momento em que soar o apito mágico do Chester, coloque a música para tocar. Sinta a magia da voz marcante de Simone, grite palavras de ordem e arremesse um punhado de sal (a gosto) em cima do Roberto Carlos. Ele automaticamente se transformará na Simone. Você descobrirá que os dois são a mesma pessoa e, de posse deste segredo, poderá chantageá-los.

Detalhe: Roberto Carlos precisa estar na sua casa na noite do natal.

2) Presentes do Papai Noel.
Papai Noel não existe? Bobagem. Com seis caixas de Coca Cola, uma filmadora e um Papai Noel de Shopping, você irá ganhar os presentes que sempre quis.
Cuidado com a sua escolha
Vá até um shopping e encontre o Papai Noel do estabelecimento. Convide-o para sair com você. Em caso de resistência, insista no convite, cada vez mais enfático. Se preciso, utilize-se de força moderada. Coloque o Papai Noel no seu carro, amordaçado ou não. Pare em frente a uma loja e diga o que você quer ganhar. Neste momento, aponte a arma para ele. A câmera pode te ajudar a praticar a extorsão. Repita o procedimento quantas vezes forem necessárias.

Ah, as latas de Coca são para despistar os policiais.

McGyver aprovaria
3) Compras tranquilas.
Já é véspera de natal e você ainda tem que comprar o presente para o seu pai, sua mãe, o avô, avó materna e paterna, tia, tio, cunhado, esposa, filho, primo, prima de segundo grau que está de férias na sua casa, afilhado, padrinho, amigo oculto do trabalho. E ainda terá que enfrentar as catastróficas filas de toda e qualquer loja em que você passar. Com uma chave de fenda e um jaleco, você resolve o problema.

Vá até um restaurante no shopping. Apresente-se como um fiscal da prefeitura que precisa conferir o lacre da bomba de chope. Desparafuse-a e diga que está tudo Ok. Em alguns minutos, o cano de gás da máquina irá se soltar, provocando um barulho semelhante ao de uma explosão. Aproveite o tumulto e a fuga das pessoas para fazer suas compras sem filas.

Galetinho de Peru
4) Transformando o Frango em Peru.
No natal, todo mundo só quer peru. Nada de frango, só peru. O problema é que o peru custa muito mais do que um frango, talvez não tanto quanto um faisão.

Para resolver este problema, vá até um mercado e compre um frango bem grande. Vague pelos depósitos e lixos do mercado e da cidade até arrumar uma embalagem de Peru. Faça o transplante dentro do seu carro. Chegue em casa, reúna os familiares e anuncie que você comprou o peru. Receba os aplausos. Sirva o frango como se fosse um peru. Perceba que ninguém perceberá a diferença.

Sinta a magia do natal.

¹O Acordo ortográfico foi postergado. Estamos liberados para escrever idéia, Coréia e Assembléia.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Semana do Apocalipse: O fim em tempo real

Companheiros e companheiras, é com muito orgulho que o CH3 chega enfim ao seu último post. Dentro de alguns instantes, alguns segundos, alguns minutos, horas, no máximo, o mundo vai acabar. Dia 21 de dezembro de 2012, o tão esperado dia, finalmente chegou. Já estamos na expectativa pelos maremotos, terremotos, vulcões e invasões extraterrestres.

Para acompanhar esta data tão especial da melhor maneira possível, o CH3 resolveu fazer uma cobertura em tempo real do evento, trazendo as grandes novidades deste grande dia. A melhor maneira de levar até você os fatos, as personalidades, as declarações que marcam o último dia das nossas vidas. Voltem ao longo do dia, que nós teremos novidades.

07h27: Em sua conta no Twitter o cantor Lobão, principal ombudsman da humanidade, atribuiu o fim do mundo a Perry Farrel, a nova MPB, Luan Santana, Luciano Huck, governo do PT, Chico Buarque, João Gilberto e Os Paralamas do Sucesso. "O mundo é um gueto de jecas e beira a demência", afirmou. Lobão ainda afirmou que existe uma lucianohuckzação do apocalipse.

09h46: Pego no dia do Juízo Final, Luciano Huck afirmou que é amplamente favorável a realização de apocalipses. Huck também disse ser um grande admirador da cultura maia.

10h26: Recebemos uma ligação dos nossos correspondentes na Austrália, onde o dia do fim do mundo já está acabando. Eles nos informaram que está tudo bem. Pedi para ele confirmar se estava tudo bem e ele falou "Tudo bem não, está uma merda como sempre. Mas está tudo normal".

10h45: Enquanto as pessoas retomam suas atividades normais após o alarme falso de apocalipse, Vinícius Gressana parece não ligar muito. Populares acabam de avistá-lo correndo seminu, só de meias, no centro de Cuiabá.

11h05: Populares revoltados com o cancelamento do fim do mundo começam a fazer manifestações no centro da cidade, exigindo explicações dos Maias. A entidade Maia afirmou que ainda não há nada oficial sobre o cancelamento e pediu para que as pessoas mantenham-se em seus postos. Procurado pela reportagem, Nuno Leal Maia não quis se pronunciar sobre o assunto.



11h11: "É um absurdo! Dei calote nos meus credores acreditando que o mundo ia acabar! E agora, o que eu faço?" questiona um senhor de bigodes. "Peguei AIDS e contaminei pelo menos vinte mulheres, por saber que não teria maiores consequências", afirma outro. As pessoas que viveram a vida loucamente estão desesperadas. Vinícius Gressana continua correndo nu nas ruas de Cuiabá.

11h47: Empresas que compraram o direito de transmissão do fim do mundo ameaçam processar os maias. Os maias, por sua vez, garantem que nunca negociaram dinheiro nenhum. Informações preliminares dão conta de que o emissário maia que negociou os direitos já fugiu para as Bahamas.

14h15: Fizemos uma pausa para o almoço. O mundo ainda não acabou.

14h56: Informações extra-oficiais de bastidores, dão conta de que o STF poderá interromper o seu recesso a qualquer momento, para julgar todas as questões referentes ao apocalipse maia, em um juízo final paralelo. Algumas revistas de circulação nacional informam que durante o julgamento, Ricardo Lewandoski irá se revelar como o próprio satanás. Os denunciadores da mídia golpista afirmam que tal papel já vem sendo desenvolvido por Joaquim Barbosa.

15h22: Nesse momento, começa a chover em Cuiabá. É, o fim do mundo está chegando, os maias estavam certos, o céu está ficando escuro, é o começo do fim.

16h08: A chuva, intensa e apocalíptica já terminou, com sobreviventes. Nas ruas, as pessoas ainda parecem estar na dúvida se o mundo vai acabar ou não.

16h56: Parece que o mundo não vai acabar mesmo. Hora de começar a lembrar de outras previsões fracassadas que já foram feitas.

18h25: Em 1999, dezenas de pessoas entraram em pânico devido ao fim do mundo previsto por Nostradamus e o mundo não acabou. O fim do mundo já foi previsto por muita gente, incluindo Jesus. Mas nenhum fim do mundo se compara ao que foi previsto por Pai Jorginho de Ogum. Enfim, era uma longa e intrincada história, mas o mundo não acabou. O que podemos concluir é que esse pessoal que faz previsões chuta pra caramba. E no geral o Mundo já está ganhando de 98x0 das previsões.

20h: A cúpula do CH3 acaba de se reunir para deliberar sobre assuntos diversos. Chegamos a conclusão de que o mundo não vai acabar, interrompendo assim, a nossa cobertura. Voltamos segunda-feira com um post novo. Malditos maias, não tinha planejado nenhum post para os próximos dias. Obrigado pela audiência.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Semana do Apocalipse: Porque?

Sempre que nós deparamos com a possibilidade de um fim, passamos a nos perguntar porque? Porque o mundo vai acabar? Porque os alienígenas irão explodir o nosso planeta? Porque o pai do Simba tinha que morrer? O CH3 levanta algumas hipóteses para o assunto apocalíptico. De quem é a culpa, afinal?

E eça de Queiroz escreveu os
 maias. A raiz do problema?
1) Os Maias escreveram e isso basta.
Os maias seriam uma espécie de grandes guiadores do universo, capazes de determinar o destino da humanidade. Se eles escrevessem que em 21 de dezembro de 2012 borboletas gelatinosas iriam sair das orelhas de todos os seres humanos, isso aconteceria e todos nós estaríamos comprando cotonetes agora. Mas, eles preferiram que o mundo fosse acabar. Porque? Eles simplesmente querem.

Curioso que, o mundo realmente já acabou para os maias, há pelo menos mil anos. E ninguém sabe porque.

2) A culpa é dos programas esportivos.
Se você ligar a televisão na Bandeirantes na hora do almoço, você irá assistir um programa esportivo que tem o Neto como principal comentarista. Todos os dias do ano. Não há como aguentar isso. Inclusive os extraterrestres que recebem o sinal da tv brasileira via satélite. Apostamos inclusive, que o fim do mundo ocorrerá durante o horário de exibição do Jogo Aberto.

3) O consumo de literatura de péssima qualidade.
Primeiro foram os livros de Dan Brown. Depois vieram os de Augusto Cury. Aquela série de livros com frases feitas de padres. Centenas de livros de autoajuda que trazem a mesma mensagem sob títulos diferentes. Finalmente chegamos até a atual moda da literatura pornô soft. O mundo tinha que acabar mesmo, antes que os livros de autoajuda erótica comecem a fazer sucesso.

4) A Culpa é do CH3.
A culpa é da enorme quantidade de textos publicados neste blog. Nossa falta de informação, nossa falta de noção e incrível capacidade de falar besteira, aliada ao fato de que eu nunca serei um formador de opinião. O CH3 é o mordomo do apocalipse.

Todas boas hipóteses, acredito. Possibilidades que encontrarão defensores nos mais variados setores da humanidade. A maçonaria pode acreditar em alguma coisa, os illuminati em outra. Ainda encontraremos diferentes opiniões entre os físicos, químicos, biólogos e vendedores de cremosinho.

Mas, acho que hoje o motivo do fim do mundo está claro. Roberto Carlos, o rei, cantará “Ai, se eu te pego”, o clássico de Michel Teló, em seu tradicional especial de fim de ano. O fato de um dos piores e mais superestimados cantores da história, cantar uma das mais irritantes canções jamais escritas, no mais enfadonho programa de televisão de todos os tempos na noite de Natal justifica o apocalipse. É para acabar, literalmente.

Tomara que os maias realmente estejam certos.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Semana do Apocalipse: o começo do fim

Os leitores deste blog já devem ter percebido que o CH3 tem fortes tendências apocalípticas. E a hora está chegando. Esperamos seja um fim do mundo completo, que não sobre nada. Chato mesmo é aquele apocalipse seletivo em que apenas um grupo de pessoas sobrevive nas ruínas, precisando superar traumas e obstáculos em busca da difícil sobrevivência.

Pela televisão eu vi as imagens de pessoas pulando, se contorcendo no meio das mais movimentadas ruas de São Paulo. Uma multidão de pessoas vestidas de preto marchava pelas ruas. Poderiam ser os cavaleiros do apocalipse, e talvez realmente fossem, mas eram apenas os torcedores do Corinthians comemorando o título mundial. Um sinal.

Senhoras e senhores, como diria a filósofa Marli: não há para onde escapar e não há para onde correr. O mundo vai acabar nesta sexta-feira. O fatídico dia previsto pelos maias mil anos atrás. Pode parecer triste, mas, vendo pelo lado positivo, esta foi a última segunda-feira de nossas vidas. Em breve, não veremos mais montagens de gatinhos sorridentes com a sexta-feira no Facebook.

Há menos de quatro dias do último dia de nossas vidas, não há muito mais o que fazer, além de sentar, tomar um bom drink e apreciar este belo espetáculo. Mas, ok. O mundo vai acabar e algumas perguntas ficam em aberto no melhor estilo lead jornalístico.

O porquê fica para o próximo post, pois a nossa questão aqui é: como o mundo vai acabar? Sim, o mundo vai acabar, todo mundo sabe, mas como? Existirá uma maneira para que ele acabe. As coisas não deixam de existir, simplesmente. Um copo não se quebra sozinho, algo faz com que ele quebre. O mundo é um copo.

Talvez o título corintiano seja o começo do fim. Os adversários reagirão a base da pauladas e o time do Tigre não voltará para o segundo tempo. A crise repercutirá no Japão e em todos outros lugares onde existam corintianos. Logo, chegaremos uma guerra nuclear, tão temida pelos nossos antepassados e pelos editores da Veja. O problema, é que sempre existe a possibilidade de que uma pessoa sobreviva e saía de seu abrigo antinuclear daqui a 40 anos.

Não considero muito a ideia de uma mudança brusca no clima. Em um dia? Não daria tempo. Teria que ser um processo mais longo. Opa, que vento frio é esse agora?

Um meteoro. É a hipótese mais clássica e a mais plausível. Um pedaço de rocha se deslocando rapidamente no espaço atinge a terra, antes que o Bruce Willis pudesse fazer qualquer coisa, antes mesmo que o Aerosmith conseguisse plugar seus instrumentos. Só que, provavelmente a Nasa já teria detectado algum corpo estranho no espaço. Mais fácil seria se fosse o meteoro do Luan Santana.

Terremotos simultâneos em todo o planeta, seguido de maremotos? Talvez. Mas lugares como Cuiabá não sofreriam com os maremotos.

Assim sendo, a hipótese mais possível é que extraterrestres disparem um raio laser gigante e fervam toda a Terra, matando todas as espécies vivas do planeta, exceção feita as baratas. Os alienígenas chegariam ao nosso planeta e encontrariam tudo devastado. Mas, logo que encontrassem as baratas e, diante da impossibilidade de mata-las, eles acabariam desistindo.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Amigo Oculto CH3 2012

Escrevo este post tarde da noite por um motivo nobre. Foi realizada nesta sexta-feira a Edição 2012 do Amigo Oculto do CH3. Devido a desmobilização do blog nos últimos tempos, nossa tradicional confraternização quase não aconteceu. No entanto, resolvemos nos encontrar porque chegamos à conclusão de que talvez não tivéssemos outra oportunidade. Afinal, o mundo acaba semana que vem.

Para variar, Alfredo Chagas tentou tumultuar o processo sugerindo o nefasto método do Amigo Ladrão. Evocamos a Convenção de Genebra¹, uma vez que a jurisprudência já estava ao nosso lado. Mas, sendo que a festa deste ano seria realizada na casa de Alfredo, ele usou como argumento o Protocolo de Kyoto². Levamos o caso até o STF e Joaquim Barbosa deu ganho de causa para a ala genebrista e condenou Alfredo Chagas a assistir Carlinhos Brown no The Voice Brasil por 72 horas consecutivas, pelo crime de causar espécie.

Chegamos hoje a casa de Alfredo Chagas e ele se mostrava abatido. Não nos serviu nem um copo d’água. A sorte é que Pai Jorginho sempre é capaz de transformar a água em vinho. Ou melhor, esse é Jesus. Pai Jorginho apenas tem cachaças de péssima qualidade em sua bolsa.

Com uma hora de atraso, Tackleberry chegou até a casa de Alfredo Chagas em seu helicóptero, acompanhado de dois seguranças e um assessor pessoal. Fez o tradicional discurso de abertura do evento, destacando que neste ano, nossa empresa se consolidou com uma das maiores referências na área da produção de softwares. Acho que ele se confundiu.

Alfredo Chagas pegou o microfone, mas, desta vez nós não poderíamos detê-lo, porque sendo o anfitrião, ele é o responsável pela abertura dos pacotes. Alfredo dedicou a noite a memória de Oscar Niemeyer, seu companheiro de luta pela subversão da ordem concreta. Alfredo ainda discursou sobre a Primavera Árabe, conclamando os povos para a luta pacífica. Após quatro horas, finalmente revelou seu amigo.

Era o Cão Leproso. Alfredo sacaneou o pobre cachorro, entregando-lhe um presente com laço. Era um canivete. “Comprei no camelô”, afirmou Alfredo Chagas

Cão Leproso, para variar, insistiu em fazer mímicas para revelar o seu amigo secreto. Era Vinícius. Em um momento de emoção, criador e criatura se abraçaram. Cão Leproso disse que sentia saudades de Vinícius. Constrangido, Vinícius abriu seu pacote e encontrou um DVD pirata com um show do Metallica em 1988.

Vinícius se disse feliz, este ano, porque pela primeira vez na história do AOC (Amigo Oculto CH3), ele não havia sorteado ou sido sorteado pro Hanz, o pansexual. Seu amigo secreto era Guilerme. O presente era um pedaço de isopor novo para o braço de Guilerme, que está apodrecendo.

Guilerme não disse muito coisa e apenas entregou seu presente para Hans o Pansexual. Tratava-se de uma coleção de selos da antiga União Soviética.

Hans, o pansexual estava com o microfone na mão e aqueles que ainda não haviam sido sorteados ficaram com medo. Pior para Tackleberry, que ganhou uma lagosta de pelúcia. “Eu já a molestei”, afirmou o tarado germânico, antes de usar o microfone com fins sexuais. A cena foi horrível e o barulho também, acreditem.

A partir daí, as coisas ficaram tranquilas. Tackleberry entregou um jogo de talheres Tramontina para Pai Jorginho de Ogum, que presenteou Marcão com um desentupidor de privada “você está precisando”, que me entregou um pôster da menina fantasma do Silvio Santos. Sem mistérios, anunciei que havia sorteado Alfredo Chagas. Entreguei-lhe um banco e pedaço de corda. Ele me chamou de porco midiático subserviente.

Dessa vez, os Benga Boys não tocaram ao final da festa. Dizem que eles morreram em um acidente de carro na estrada de Jangada, mas que continuam fazendo shows assim mesmo. Alfredo Chagas não os convidou porque não quis.

Conversamos sobre o tempo e voltamos para as nossas casas, no silêncio da noite, juntando o antes o agora e depois, sozinhos. Malditas músicas escolhidas por Alfredo Chagas.

¹ Em Dezembro de 2007, antes do primeiro amigo oculto do CH3, a equipe do blog se reuniu na padaria Genebra, próxima a casa de Pai Jorginho de Ogum. Lá, acertamos todo o regulamento do evento, incluindo o rodízio residencial, que contemplaria todos os participantes. A ordem das casas só é conhecida por nós, para evitar atentados terroristas. O pacto tem uma validade de nove anos.

² Para solucionar alguns problemas organizacionais constatados após a primeira edição do evento, as lideranças do blog se encontraram na Boate Kyoto e assinaram um protocolo, estabelecendo que o dono da casa seria o responsável pela organização dos Amigos Ocultos.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Niemeyer: Vida e Obra

Pode parecer meio estranho que este blog faça um post sobre o icônico arquiteto Oscar Niemeyer apenas uma semana depois de sua morte. Quase na missa de sétimo dia (um baita desrespeito para/com um ateu). Mas, este blog não é preocupado com a velocidade. Nossa preocupação é em fazer o melhor post possível no tempo que for necessário. Arrepiei.

Oscar Ribeiro de Almeida Niemeyer Soares Filho nasceu no Rio de Janeiro em ano não identificado. Não existia nenhum órgão competente para fazer o registro. Logo após seu nascimento, Niemeyer criou a luz e viu que era bom. Criou a água e viu que era bom. Criou o ornitorrinco e achou divertido pacas.

Fundou os rios Tigres e Eufrates, trabalhou no Egito antigo projetando a Esfinge e as curiosas Pirâmides. As areias do deserto mostravam seu gosto por espaços amplos. Sempre que falavam que os extraterrestres haviam projetado as pirâmides, Niemeyer ria silenciosamente.

Contemporâneo de Sócrates, Platão, Sófocles, Aristóteles, Niemeyer foi o responsável por projetar obras marcantes da Grécia antiga, apesar de se sentir frustrado com a tecnologia da época, reduzida as colunas dóricas, jônicas e coríntias. Também projetou o cavalo de troia e o navio de Ulisses.

Os arcos romanos lhe deram alguma liberdade de trabalho, mas Oscar brigou com os governantes locais depois que Nero incendiou as suas principais obras. Percebendo o período de fanatismo religioso que se avizinhava, Niemeyer fugiu para o Japão e logo depois descobriu a América. Mostrou para os Astecas o projeto de algumas pirâmides modernas, que chamaram bastante a atenção.
Niemeyer projetou a curiosa logo do Carrefour

Voltou para a Europa no período renascentista, onde ganhou a vida servindo de modelo vivo para grandes artistas. Niemeyer está representado na Mona Lisa e na Pietá, por exemplo.

Quando soube que os países ibéricos estavam colonizando a América Latina, Niemeyer resolveu ir para o Brasil. Projetou cidades como Paraty, Salvador e o centro histórico do Rio de Janeiro.

Visitava a Europa periodicamente, momentos em que projetou a Torre Eiffel e o Big Ben. Em um encontro com dois alemães barbudos, sugeriu que eles escrevessem um livro sobre um novo sistema econômico, mais tardiamente chamado de comunismo.

A partir do século XX, seu trabalho passou a ser reconhecido. Pampulha, Edifício Copan, Museu em Niterói e os anos tendo que explicar que se você tem dificuldades de explicar o seu endereço e de se localizar em Brasília, a culpa não era dele e sim do Lúcio Costa.

Niemeyer decidiu deixar a Terra. Alguns dizem que ele morreu, mas a verdade é que ele resolveu colonizar Marte e criar novos projetos por lá, aproveitando a gravidade diferenciada. Quem sabe, um dia ele vá para Saturno, rever os anéis que ele mesmo projetou.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Pais Cruéis

Criar um filho não deve ser das tarefas mais fáceis, acho eu. Além dos custos financeiros de pagar escola, roupa, tratamentos médicos, curso de inglês, natação ou balé, há o desgaste moral. Você tem que ensinar aquela pequena criaturinha o que é certo é errado. Que é bom dizer obrigado e por favor, mas que, por outro lado, não é bom subir em cima da pia e arremessar todos os objetos no chão, ou nas visitas.

Tudo para não criar um monstro. Uma criança que chama o pai de viado no meio do supermercado. Que maltrata os coleguinhas de colégio, ofende os professores e começa a gritar no meio da sala de recepção do oftalmologista. Uma criança que se tornará um futuro psicopata que disseca os cadáveres que ele matou.

Há varias metodologias para criar um filho. Desde os mais radicais e criminosos que não dispensam uma chinelada, uma cintada, golpes de bambu quando uma criança faz uma malcriação, até os mais modernos que acham que a criança tem que ficar sentada em uma almofada refletindo o que fez de errado.

E existem os pais cruéis. Não, não vamos falar de pais que coloquem seus filhos em rituais de magia negra que resultam na criança com 137 agulhas dentro do corpo. Falamos de pais que se utilizam de palavras duras para convencer os seus filhos do que é certo e errado. Patriarcas que não poupam a força da palavra.

Por exemplo, quando uma criança deixa muita comida no prato, ele não tenta realizar aviõezinhos ou proibir a sobremesa. Ele simplesmente fala:
- Essa comida que você está deixando no prato alimentaria uma criança africana. O fato de você não estar comendo essa comida está matando uma centena de crianças famintas. A culpa da fome na África é sua.
O filho raspa o prato e pensa até em comer a ração do cachorro.


A criança deixa um vaso cair no chão
- Meu deus! Esse vaso que veio com nossos antepassados da Itália em 1748. Que passou de geração em geração até mim. Agora ele está quebrado por sua causa. Seu desastrado. Você destruiu toda a história de uma família. Agora nós estamos arruinados.

O filho tira uma nota baixa no colégio.
- Céus, a mensalidade caríssima da escola que eu pago todo mês, com muito suor, me sacrificando, está sendo desperdiçada. Acho melhor você desistir de estudar, porque não tem futuro amanhã. Amanhã mesmo vamos procurar um emprego para você. Não reclame. Sete anos é uma boa idade para o trabalho.

A criança quer passar o dia inteiro no videogame.
- Dá essa porcaria aqui.
E joga o videogame pela janela do décimo sétimo andar.
- Vai fazer alguma coisa de útil agora.

Claro, existem aqueles pais que são ainda mais cruéis e que mandam os filhos para Gaúcha do Norte quando eles completam oito anos e que fazem o filho desfilar vestido de mamífero da Parmalat quando ele come com os cotovelos sobre a mesa. Mas, estes são os pais do menino Fabinho.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

E se a vida fosse como um filme pornô?


*Texto em homenagem ao nosso colaborador Roberval.

Muitas pessoas imaginariam que viver em um filme pornô seria uma espécie de sonho. Uma espécie de parque de diversão para adultos, em que ao invés de se andar de montanha russa e roda-gigante, você faria sexo o tempo inteiro com mulheres esculturais e insaciáveis. Uma Disney sem Mickeys gigantes. Mas, nem tudo seria tão perfeito assim.

Em um filme pornô, as pessoas fazem sexo o tempo inteiro, sem qualquer pretexto. Não precisa ter pintado um clima, uma vontade. As coisas simplesmente acontecem. Um homem e uma mulher sozinhos já é o suficiente. Ou duas mulheres e um homem, dois homens e uma mulher, três homens, uma mulher, um anão e um cachorro. Enfim, numa vida assim, você viveria algumas situações chatas.

Você chegaria em casa e, invariavelmente, encontraria sua mulher na cama com outro cara, provavelmente um negão superdotado que foi cortar a grama. E ao invés de ficar revoltado com a situação, dividido entre a vontade de pegar uma arma, dar um tiro na mulher, outro no amante e mais um em você, ou, chamar seu irmão para uma dupla sertaneja, você simplesmente tiraria a roupa iria para o bacanal. Isso aconteceria com uma frequência enorme. Se você tivesse o azar de estar num dia de filme bissexual, o negão bem dotado iria te comer e você ainda ia gostar.
Nesse caso, ia ocorrer um bacanal

Uma simples consulta no médico seria um problema, porque terminaria com sexo. A consulta poderia não ser de toda ruim, mas o tempo de espera seria alarmante. Também seria desagradável ser atendido por uma dentista, sem ter certeza de onde estava a sua mão poucos minutos antes. Onde aqueles objetos todos passaram.

Com certeza seria mais difícil cumprir seus horários. Pois você estaria ocupado fazendo sexo com a sua empregada, com a menina que você encontrou na academia, que você encontrou no ponto de ônibus. E nada de apenas mulheres esculturais. O mercado pornô atende a uma grande diversidade de fetiches.

Para as mulheres, a situação também não seria fácil. Creio que não seria legal viver em um mundo no qual você está sempre sem calcinha e que todos, eu disse, todos os homens irão te comer. O limpador de piscina, o entregador de pizza, o motoboy da farmácia, o vizinho, o mecânico, um de cada vez ou ao mesmo tempo. Um mundo em que passar na frente de dois caras sentados num banco é um convite para o gangbang.

O mundo dos filmes pornôs seria também um mundo mais inseguro. Um mundo de ruas vazias, locais vazios. Você vai deixar os documentos em uma repartição pública e no lugar existe apenas uma secretária sem calcinha. A mulher vai ao bar onde está apenas um garçom tarado. Um mundo em que poderia ocorrer uma explosão da violência. E, para piorar, seu cadáver ainda seria estuprado, esquartejado e estuprado novamente. Eu falei que o mercado pornô atende a uma grande diversidade de fetiches.

O mundo dos filmes pornôs seria um mundo em que todo programa termina em sexo. Um cineminha, uma sinuquinha, uma caminhada no parque, uma passada na drogaria para comprar os remédios de hemorroida da sua avó, o comercial do Activia. Um mundo cheio de doenças venéreas. Seria antes de qualquer coisa, um mundo no qual nós precisaríamos olhar bem para o lugar em que nos sentamos.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

A Repórter da Pasta de Dente

A cena é comum e costuma a invadir nossas casas diariamente durante os intervalos comerciais dos mais variados programas televisivos. Um cidadão está no aconchego do seu banheiro se utilizando de algum produto de higiene pessoal, escovando os dentes, fazendo a barba, passando um desodorante. Abruptamente uma equipe de reportagem invade o seu banheiro.

Falamos de uma equipe de reportagem completa. Uma repórter um cinegrafista e um auxiliar que carrega um microfone ambiente, mesmo que a repórter também tenha um microfone. Ele provavelmente que captar todos os sons possíveis dentro do banheiro.
E porque eles usam jalecos brancos?
A repórter, sempre uma mulher, então coloca o microfone próximo do cidadão que estava escovando os dentes e faz alguma pergunta idiota para ele: “Você sabia que apenas o creme dental Colgate Plus protege seus dentes de 28 tipos de males que atacam as bocas das pessoas?”. O cidadão, meio assustado responde que não. Eu também não saberia responder. Acho que gritaria para que essas pessoas se afastem de mim. Porque invadiram minha casa e vieram no meu banheiro? E se eu estivesse quebrando um paradigma? Acho que eu ligaria para a polícia. Ficaria catatônico.

Entra então o VT mostrando a ação da pasta de dente e um especialista, sempre eles, explicando porque ele recomenda aquele creme dental. O cidadão que teve a casa invadida se mostra convencido de que deve usar essa pasta até para fazer a barba e limpar a bunda. A equipe de reportagem deixa o banheiro do cidadão repentinamente, como se nada tivesse acontecido. E o cidadão irá trancar a porta do banheiro durante o resto da sua vida. Mas, não sei se adianta, a equipe de reportagem dá a impressão de que poderia entrar pela janela, ou mesmo pela tubulação, se fosse preciso.

Bem, a situação é patética e o comercial é ridículo. Mas eu penso por outro lado. Pense no lado da repórter, como é que ela vive. O cinegrafista e o auxiliar também sofrem, mas estes profissionais geralmente topam qualquer parada. A repórter, imagino que não.

Imagine ele acordando de manhã. Acordando com a frustração. Ela pensa “mais um dia em que eu invadirei o banheiro de um cidadão comum para flagrá-lo escovando os dentes e fazer uma pergunta idiota”. Ela pensa então nos quatro anos em que cursou jornalismo. Que ela sonhava em substituir a Fátima Bernardes no Jornal Nacional, viajar o mundo, fazer grandes reportagens, ser feliz com sua profissão. Mas não. Ela invade banheiros.

Pense no dilema existencial. Não deve ser fácil invadir o banheiro de alguém. Nenhuma pessoa gostaria de ter o seu banheiro invadido. “E se fosse comigo”. Fora o medo. Vai que o cidadão não gosta da situação é que está armado. Reage matando a equipe de reportagem a tiros. Depois, iria sair no jornal “Repórteres do banheiro são assassinados durante trabalho”. E as pessoas iam achar até que era bom.

Pense na repórter do banheiro. Pense na sua rotina. Como será a relação com o seu chefe. Com os amigos. Como ela explica para a família o que ela faz. Pense na sua situação profissional.

Pensando bem, acho que todos esses questionamentos dos últimos três parágrafos se aplicam a qualquer jornalista. Substituindo apenas a parte do invadir o banheiro pela sua ocupação real como “entrevistando celebridades”, “entrevistando vereadores”, “cobrindo assassinatos” ou “assessorando um jogador de futebol”.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

O ataque à mesa de doces

Tenho reparado algo curioso nos casamentos, formaturas, batizados, bar mitzvah em que tenho ido. Bem, principalmente nos casamentos. No momento em que é liberado o acesso a mesa de doces, com bombons, coisas cremosas e outras esquisitices, como diriam os espanhóis, começa uma correria desenfreada, uma batalha pelas guloseimas.

Analisemos: primeiro há a mesa de entradas, salaminhos, queijinhos, pastas e afins. As pessoas comem, fazem filas, normalmente. Depois, vem o jantar, esperado com ansiedade e longas filas. Mas, até aí, as pessoas se comportam de maneira normal, contidos, civilizados.

Pouco depois do jantar, a mesa de doces que estava ali, sendo namorada pelas crianças desde o começo da festa é finalmente liberada. E aí, é o pandemônio. Crianças se amontoam em volta da mesa, tentando comer a maior quantidade de doces no menor tempo possível. Até aí poderia ser relevado, porque crianças adoram doces e vocês não imaginam o que muitas dessas crianças já fizeram para conseguir um pedaço de bolo.

Mas o pior é situação dos adultos. Vemos cidadãos de gravata folgada voltando para suas mesas com um monte de bombons na mão, tendo que equilibrá-los contra o corpo, chegando a derrubar um ou outro, de tão cheias que estão suas mãos. Alguns levam copos, pratos, chapéus, bolsas, para conseguir a maior quantidade de doces possíveis.

Com tanta gana, tanta volúpia por glicose, a mesa de doces é logo esvaziada. Em menos de cinco minutos não há mais nada e se você queria um simples brigadeiro para adocicar sua boca e sua vida, esqueça. Você teria que ter ido para a batalha mais cedo, correndo o risco de tomar uma cotovelada, um chute, uma joelhada, cair no chão em dores e ser empurrada para baixo da mesa. Teria que brigar com crianças, adultos, tudo em nome de um bombom.

Porque isso ocorre? Porque o ser humano perde o seu controle, seu bom senso, o senso de ridículo diante de uma porção de docinhos empilhados?

Talvez seja porque o ser humano é um animal que sempre corre o risco de perder o controle. É como o trânsito. É como naquele filme “Um Dia de Fúria”. Nesse caso, uma noite de fúria que se repete todas as noites em diversos buffets do nosso país.

Talvez seja porque as pessoas são realmente fanáticas por doce. Esses adultos que hoje se acotovelam por uma mousse de maracujá, foram daquelas crianças que chegaram a dar o cu por conta de bolo e que revelaram esse constrangedor segredo no momento em que suas progenitoras afirmavam que o garoto nem gostava de bolo.

Talvez, as pessoas briguem tanto pelo doce porque querem acumular sobremesa em casa durante a próxima semana. Sobremesa talvez seja o maior símbolo de poder para algumas pessoas.

Ou, ainda talvez, o doce seja o ópio do nosso povo. Um dia, algum país estrangeiro invadirá o país e dominará o nosso povo oferecendo brigadeiros. Farão barbaridades e roubarão todas nossas riquezas enquanto toda a população permanece enlouquecida saboreando alguns docinhos.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

As 5 piores tatuagens que alguém pode fazer

Tatuagem vem do tupi tatu-agê, que significa “desenhos ou marcas que uma pessoa resolve fazer em sua pele, aplicando uma tinta especial que jamais irá sair da sua pele. Por isso, as pessoas devem ter cuidado antes de fazer uma tatuagem, porque as marcas serão eternas”. Sim, os tupis tinha um poder de síntese enorme. Se eles fossem alemães, precisariam de uma parede inteira para falar isso.

Como bem diz a sabedoria tupi, é preciso tomar cuidado quando você for fazer uma tatuagem, justamente porque aquele desenho ficará marcado em sua pele pelo todo sempre, marcada como ferro e fogo em sua carne. Até existem procedimentos cirúrgicos para retirar tatuagens, mas eles são caros e dolorosos, não valem a pena. O CH3 lista aqui as piores tatuagens que alguém pode fazer, evite-as.


Que filme? Essa é a minha filha.
1 O Rosto de Alguém
Não importa de quem é o rosto. Se é o seu próprio rosto, o rosto da sua mãe, do seu pai, da sua irmã ou da sua namorada. Se é o seu filho, seu vizinho, seu chefe ou sua empregada. Se é a Scarlett Johansson. Tatuar o rosto de alguém nunca vai dar certo, por um simples motivo: é difícil desenhar um rosto em seus mínimos detalhes. Até mesmo Leonardo da Vinci, Michelangelo e Picasso teriam dificuldades em reproduzir o rosto de alguém em traços, porque o tatuador da esquina não teria? A chance do rosto da sua mulher ficar igual ao da menina do exorcista é enorme.

2 Frases de efeito
Tatuar uma frase, seja ela de Jesus, Clarice Lispector, Machado de Assis ou José Mayer não é uma boa ideia. Uma frase de três letras pode até passar, desde que não seja no cóccix. O problema é quando alguém resolve tatuar uma letra inteira do Iron Maiden, um poema de Camões ou um capítulo da Bíblia nas costas. Além de ser constrangedor que alguém fique lendo suas costas, há uma enorme chance de que o tatuador cometa algum erro de português, fazendo com que você fique com as marcas da ignorância para sempre em seu corpo.

3 Uma tatuagem feita por Cecília Gimenez
Porque exposta na parede de uma igreja desconhecida de uma cidade insólita do interior da Espanha, o rosto do Jesus LOL pode ser uma obra excêntrica e apreciada por fãs de arte moderna e gozadores em geral. No seu antebraço não vai ser assim. Será só motivo de piada e humilhação.

4 Caralhos com asa
Certo que os caralhos com asa estão entre as formas mais desenhadas pelos seres humanos. Mas, esta arte marginal tem seu lugar nas portas de banheiro e nos cadernos do seu colega de escola, principalmente na contracapa, ou em todas as folhas de sua agenda. Não no seu antebraço. Muito menos ao lado da sua boca. Não queira passar o resto da sua vida pagando um boquete voador imaginário.

5 Tatuagem com os dizeres, Madson – O Foda
Não importa se você se chama Madson e nem se você é realmente foda. Nunca faça um tatuagem assim. Principalmente se você se chamar Madson e for um jogador medíocre com menos de um metro e meio de altura que parece um ser abissal de filmes de terror. Se você não se chamar Madson, pior ainda.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Guia CH3 de Etiqueta


Muitas pessoas podem pensar que a etiqueta é apenas aquele papelzinho que fica preso nas camisetas e dá um trabalho danado para tirar, se você não tiver uma tesoura. Nada disso. A etiqueta é um conjunto de regras sobre o comportamento, modos e atitudes, que podem fazer a diferença na sua vida. Uma boa etiqueta é o que pode te separar de viver no circuito Roma, Paris, Bruxelas, Nova York e Milão, ou de morrer amargurado em uma estrada rumo a Taubaté enquanto tudo gira e a Berenice não segura em nada.

Pensando nisso, o CH3 resolveu bolar este guia definitivo de etiqueta, tirando aquelas dúvidas simples, por vezes ridículas, que muitas pessoas não entendem.

Fui convidado para uma festa de gala. Como eu devo me comportar?
Quando você receber um convite para uma festa que será realizada em algum castelo com nome de bebida em uma região turística da França, não se sinta surpreso. Não ligue para os seus amigos, não coloque no status do seu Facebook. Atue com naturalidade, finja que isso acontece com você todos os dias, pense que você terá que arrumar um espaço na sua agenda para comparecer. No dia da festa, opte por roupas sóbrias. Evite ternos laranja, cocares indígenas, folhas de samambaia penduradas em volta da cintura. Vá a uma loja de aluguel de roupas, diga o que você tem e a mulher irá te ajudar. Na festa, lembre-se de jamais apagar as luzes e gritar “Ninguém é de ninguém”. Sempre segure em suas mãos uma taça cheia de champanhe, apenas por aparência.

Como eu devo segurar os talheres em uma festa de gala?
Com as mãos, de preferência. Segurar talheres com os pés ou coloca-los atrás das orelhas é sempre um problema. Olhe para uma pessoa que pareça segura e veja em que momento ela segura cada um dos talheres, principalmente aqueles esquisitos, para peixes. Evite limpar os dedos engordurados de canapés na toalha, na aba do paletó ou na saia da anfitriã. Não lamba os pratos depois de terminada a refeição e não palite os dentes na mesa.
Agora, se a festa for japonesa, ferrou.

Tenho que ir a um velório de um conhecido, mas que não é íntimo. Como devo me vestir?
Com roupas, é um bom começo. Nunca pega bem ir pelado em um velório. Mesmo vestido, evite roupas com mensagens engraçadinhas como “Don’t Worry, be Happy”. Pode ofender a família. Vá com alguma camisa de tom bem sóbrio. Evite ir com um vestido preto e com um chapéu com véu negro cobrindo o rosto. Principalmente se você for homem ou, se não for a viúva.

Vou a um churrasco da minha empresa, na casa do meu patrão. E eu já peguei a esposa do patrão, o que faço?
Talvez, seja um bom dia para você pegar uma virose indecifrável que lhe impeça de sair da cama. Caso seja muito necessário ir, lembre-se, o passado está no passado. Não tente manter relações sexuais – consentidas ou não – com os familiares do seu chefe, ou com ele próprio. Ria das piadas do patrão, elogie o seu churrasco e não tente fingir que a linguiça é a extensão do seu pênis. Não urine em lugares públicos.

Fui convidado para uma festa e 15 anos, o que eu devo fazer? Presentes, roupa.
É sempre complicado para um homem saber o que dar para uma menina que está fazendo 15 anos. Se a festa for grande, é provável que exista uma lista de presentes em algum lugar. Caso o contrário, pergunte a alguma amiga o que você poderia dar, uma vez que está amiga já teve 15 anos um dia. Evite presentear a garota com um garoto de programa. Também evite vibradores ou material de bondage, mesmo que ela seja fã de 50 tons de cinza. Pode pegar mal para a família. A dica sobre a roupa é: vá com uma camisa social e deixe um terno e uma gravata no carro. Chegue ao local, sinta o clima e faça a sua escolha. Agora, se a festa de 15 anos for na casa da aniversariante mesmo, evite frescuras.

Vou participar de minha primeira suruba. Quais critérios devo utilizar para estabelecer limites?
Em uma suruba, o limite do outro é o seu limite. Não enfie nada no orifício de alguém, se este alguém não parecer disposto a isso. Da mesma forma, não deixe ninguém enfiar nada em algum orifício seu, se você não estiver disposto. Tente utilizar camisinha, caso a festa não exija exame de AIDS para os participantes.

Esperamos ter esclarecido algumas dúvidas. Se você tiver mais alguma, nos mande, que nós responderemos na medida do possível.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

O Futuro da Seleção Brasileira

Como todos vocês já devem saber, Mano Menezes não é mais o técnico da seleção brasileira de futebol. O treinador foi demitido após ganhar o “Superclássico” das Américas e de uma série invicta em amistosos. Prova de que os dirigentes da CBF deviam estar mais felizes quando a seleção perdeu as Olimpíadas  ou quando tomou um ferro de Alemanha, da Argentina, França. Vá entender os dirigentes.

Perdeu, Mano
O fato é que a demissão gerou muitas divisões na sociedade brasileira. Um setor organizou festas nababescas, um verdadeiro desbunde regado a muito champanhe e discursos reacionários para comemorar a queda do treinador. Outro setor da sociedade se une ao técnico e começa uma revolução silenciosa, colocando “Mano Menezes” em seus nomes no Facebook. Um terceiro setor da sociedade não deu a mínima.

A pergunta que fica é: como fica a seleção brasileira? A Copa do Mundo começa daqui a 19 meses e como é que fica o Brasil? Será que perderemos a Copa em casa para a Argentina? Para a Alemanha? Para a Espanha? Para a Tchecoslováquia? O futuro da seleção, pois bem, depende de quem será o técnico escolhido para substituir Mano no comando do escrete nacional.

Consultamos Pai Jorginho de Ogum para saber quem é este nome. Ele me disse que o novo técnico será o Felipão. Perguntei se aquilo era uma previsão, uma opinião, ou uma vontade. Ele me respondeu que todas essas palavras são sinônimos de futuro em seu dicionário. Não é de hoje que o dicionário de Pai Jorginho tem alguns problemas.

Pois bem, passamos então a trabalhar com a hipótese de que Luís Felipe Scolari, o Felipão será o comandante da seleção brasileira, 10 anos após a conquista do penta.

O treinador será apresentado em janeiro e fará sua primeira convocação para um amistoso contra a Inglaterra. Sua lista tem surpresas, como a volta de Anderson Polga e a convocação do atacante Luan do Palmeiras. O resultado é um 0x0 medonho, saudado por Galvão Bueno como uma mudança de postura na seleção. “Não se ganha uma Copa sem vontade, amigo, e vontade é o que a gente viu hoje em campo”.

Segue-se uma série de amistosos contra seleções do terceiro escalão mundial, com vitórias apertadas, 2x0 na Malásia, 1x0 no Uzbequistão e 2x1 na Moldávia. O espírito guerreiro da equipe é saudado.

Chega a disputa da Copa das Confederações e o Brasil acaba eliminado na primeira fase, após uma derrota constrangedora para a Nova Zelândia. A pressão aumenta e a torcida passa a exigir a convocação de Ronaldinho Gaúcho, arrebentando no Atlético-MG. Ao invés disso, Felipão prefere convocar o senil Marcos Assunção e alguns jogadores do Coritiba.

Sua campanha segue com vitórias sobre seleções medíocres e empates contra seleções pavorosas. Em janeiro de 2014, o presidente da CBF José Maria Marin, diz publicamente que Ronaldinho merece uma vaga na seleção, mas Felipão faz que não escuta. A opinião pública pede Fred de centroavante, mas Felipão aposta em Nilmar, recuperado de sua 12ª cirurgia no joelho e que disputa o campeonato chinês.

Famiglia Scolari II
Às vésperas da Copa, Felipão anuncia uma mudança no esquema do Brasil, que passará a jogar com três zagueiros: Thiago Silva, David Luiz e Gilberto Silva. Uma vitória por 2x0 sobre a Bolívia e outra por 5x0 sobre a Rep. Dominicana acalmam os ânimos da torcida. Na lista final para a Copa, Felipão deixa de fora Ronaldinho Gaúcho, eleito novamente o melhor jogador do mundo, atuando no Brasil.

O Brasil estreia na Copa contra a Bósnia Herzegovina, jogo considerado duro. A escalação do Brasil é: Deola; Thiago Silva, Gilberto Silva e David Luiz; Daniel Alves, Diguinho, Marcos Assunção, Oscar e Carlinhos; Luan e Nilmar. Neymar fica no banco, como opção de velocidade para o segundo tempo. O Brasil consegue uma vitória de virada, mas a crítica reclama da atuação pífia da seleção, principalmente de Luan, atualmente reserva da Ponte Preta.

Felipão mantém o mesmo time, que supera Uzbequistão e Honduras na primeira fase. Marcos Assunção marca de falta o gol da vitória contra o Uruguai nas oitavas. Nas quartas, vitória contra a Espanha em jogo duro, no qual brilhou a estrela de Nilmar. Na semifinal, vitória contra a surpreendente seleção da Bélgica. E na final contra a Argentina, Luan marca o gol do hexacampeonato no único chute a gol do Brasil, aos 40 minutos do segundo tempo.

Felipão é aclamado como um gênio e o capitão Diguinho levanta a taça no Maracanã lotado. Scolari anuncia sua aposentadoria do futebol para abrir uma churrascaria em Santana do Livramento.

Fim.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Sim, Roberto é o Rei

Tempos atrás escrevi um post neste blog, defendendo a tese de um amigo, que questionava o reinado de Roberto Carlos. Porque ele era considerado o rei se a maior parte das pessoas não conhecia sequer 10 músicas dele? Fora isso, um cara que escrevia um rap chamado “Seres Humanos”, um dos piores números musicais da história, jamais poderia ser considerado rei de nada.

Digo que muito refleti sobre o assunto desde então, passei por várias situações e, aproveito aqui o sucesso que Roberto está fazendo com sua nova canção “Esse Cara Sou Eu”, para voltar atrás nas minhas convicções e admitir que sim, Roberto Carlos é o rei mesmo.

Pessoas que se emocionam com isso
Não, não é pela qualidade da música que faço essa afirmação. “Esse Cara Sou Eu” tem mais uma interpretação pavorosa do Rei Roberto e uma letra pífia, para variar. Sim, vamos dizer que há um sério problema com as mulheres do mundo quando elas se derretem imaginando um homem que no meio da noite te chama pra dizer que te ama. A letra é um monumento a breguice.

Mas aí é que está. O povo é brega. É isso que nós precisamos admitir. A maior parte do povo brasileiro é brega. São pessoas que gostam de Odair José e Wando, pessoas que choram escutando Chitãozinho e Xororó cantando “quem esqueceu não chora, quem chora ainda lembra”, pessoas que falam em beijar na boca e fazer amor gostoso escutando Zezé di Camargo e Luciano. Pessoas que um dia usaram ombreiras, pessoas que hoje utilizam roupas floridas e botas ortopédicas disfarçadas com um nome mais bonito em inglês.

Aí precisamos reconhecer o mérito de Roberto Carlos. No meio desse mundo brega de pessoas que se emocionam pensando no fio de cabelo que já esteve preso em nosso suor, ou na flor da noite da boate azul, enfim, dessas pessoas que escutam as letras que relatam as maiores dores de corno, as declarações mais piegas do mundo, nesse mundo, Roberto é Rei.

As letras de Roberto Carlos para alguém acostumado a escutar Leonardo, Daniel, Bruno e Marrone, são poesia pura. São letras complexas, que por vezes tem que ser escutadas com atenção, pensadas, refletidas. Quem está acostumado a ouvir “eu dormi na praça, pensando nela”, é levado a refletir quando escuta “você procura o meu retrato, mas da moldura não sou eu quem lhe sorri, mas você vê o meu sorriso mesmo assim”. Complexo, não?

Roberto Carlos é pura poesia, é reflexão. Um Shakespeare contemporâneo, deve ter sido ele que escreveu aquelas séries de sonetos em que um deles fala que o amor deve ser eterno enquanto dure.

Lembrem-se, estamos aqui falando daquelas pessoas que escutam Kenny G e André Rieu, achando que estão escutando música clássica, música sofisticada e de bom gosto. Estamos falando de casais que vão a um bar de qualidade duvidosa, a mulher com vestido curto, o homem tem uma crise de ciúme, os dois discutem e depois disso eles se entregam a paixão e contam a história todas aos amigos, falando que fizeram amor gostoso.
Pessoas que escolhem uma foto dessa para ser capa do seu disco

Para esse mundo cão em que nós vivemos, Roberto Carlos é o rei sim. O Rei do Brega, talvez do brega de bom gosto, do brega que está dentro de um limite aceitável. Ainda acredito que ele seja uma farsa, mas tenho que aceitar que a coroa lhe deve ser concedida. Ele tem seus súditos.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Interpretador Pornográfico

Olá, meu nome é Roberval. Evitem trocadilhos com meu nome, eu agradeço.

Eu tenho problemas sérios, dos quais venho tentando me tratar com os mais diversos médicos, tomando uma enorme variedade de remédios controlados, tarja preta. Coisa pesada mesmo. E até difícil explicar o que eu tenho, as pessoas sentem asco quando eu relato meu problema. Mas, eu interpreto todas as situações de maneira pornográfica. Toda e qualquer coisa que eu vejo, eu interpreto que irá terminar em sexo.

Meu problema começou na minha adolescência, quando eu fui viciado em filmes pornôs. Assistia vários em sequência, aproveitando minhas tardes vazias. E olha que naquela época a internet ainda era incipiente, tudo o que eu conseguia era nas bancas de jornal e locadoras de vídeo, graças a uma carteirinha falsificada. Tempos inocentes. Na época, minha maior preocupação era com pomadas para minhas mãos assadas e não com remédios tarja preta.

Juro que há algum tempo, alguns anos, bem, alguns meses vá lá, eu não assisto mais filmes pornôs. Percebi que aquilo estava me atrapalhando. Mas as imagens de tantos títulos do gêneros continuam na minha cabeça. Bem, talvez vocês ainda não tenham entendido qual é o meu problema.

Vocês sabem como funciona o roteiro básico de um filme pornô. O homem e a mulher se encontram em alguma situação. Na sala da casa, no parque, no shopping, na piscina, na praia. Eles podem nem se conhecer, mas na cena seguinte eles estarão fazendo sexo. Não precisa muito de diálogo. E qualquer conversa, sugere o sexo. Se o carteiro vai entregar uma correspondência, ele é atendido por uma mulher utilizando trajes que você até dúvida que realmente sejam vendidos.
- Vim trazer uma carta.
- Ai, você não quer colocar em cima da mesa para mim.
- Sim senhora.
- Que carteiro gostoso.
Pronto, agora é o sexo.

Entendem? O meu vício fez com que cada vez que eu veja um homem e uma mulher eu imagine que eles vão fazer sexo. Durante o jornal da TV, quando a mulher sorri para o homem, logo imagino que ele vai traçar a apresentadora ali em cima do balcão mesmo. Em qualquer comercial eu imagino que vai terminar com sexo. Cena de novela, cena de filme. Vou ao cinema assistir uma comédia e passo o filme inteiro achando que vai rolar sexo.
vai começar a sacanagem

O principal problema é na vida real mesmo. No meu emprego. Quando minha chefe diz que quer ter uma conversa em particular comigo eu já começo a imaginar que o Roberval vai terminar nu sobre a mesa da chefe. Quando pego um elevador junto com outra mulher. Quando sou atendido por uma mulher no shopping, quando passo as compras com a caixa do supermercado, sempre imagino que vou fazer sexo. Imagino isso quando vejo outros casais, mesmo que casais involuntários. O sexo está em tudo o que eu vejo, em tudo o que eu faço. O sexo imaginário, entendam.

Até mesmo agora, enquanto escrevo este texto convidado pelo CH3, imagino que uma leitora do blog irá bater a minha porta e que faremos sexo selvagem. Eu preciso de ajuda. Meu nome é Roberval, tenho 28 anos.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

O que acontece com os personagens da Disney?

As histórias da Disney se passam em um cenário orwelliano, nos quais os animais estão no poder. Eles utilizam roupas, tomam banho e enrolam toalhas na cintura, dirigem carros, aviões, participam de grandes negociações financeiras. Claro, um cenário um pouco estranho com os cachorros, porque enquanto alguns dirigem carros, outros ficam apenas latindo e sonhando com ossos dentro das suas casas de madeira.

Se um dia o ser humano retornasse ao poder, como é que ficariam alguns dos principais personagens da Disney? O CH3 faz esse exercício futurológico.

Mickey Mouse: Mickey e sua namorada Minnie não seriam bem vistos pela sociedade, uma vez que ratos são animais considerados repugnantes por boa parte da população. Assim sendo, eles não resistiriam à primeira aplicação de raticida no apartamento em que eles vivem.

Pato Donald: Todo o núcleo penoso da Disney teria que voltar correndo para os lagos de Patópolis, que voltaria a ser conhecida como Nova York. Seriam vítima de caçadores e de pessoas famintas em uma nova ordem social que estaria sendo reestabelecida. Suas penas poderiam fazer travesseiros, sua gordura ajudaria com a energia e sua carne seria frita. Já o Tio Patinhas, seria engordado com a ajuda de sondas para que seu fígado apodrecesse e servisse o apreciado foie gras. A fortuna do Tio Patinhas iria ajudar a financiar alguma guerra contra algum país árabe, inclusive a primeira moedinha.

Pateta: Pateta seria domesticado por alguma família abastada, uma vez que ele era um cachorro muito engraçado e que também fala. Provavelmente seria criado junto com o Pluto, que aproveitaria o momento para descontar todas as diferenças sociais que eles viveram nos últimos anos.

Clarabela: Seria abatida e transformada em filé mignon, maminha, fraldinha, costela, alcatra, coxão mole e tantos outros cortes.

Coronel Cintra: Provavelmente seria abatido a tiros pela população assustada que não reconheceria este animal assustador vestido de policial.

Professor Pardal: Provavelmente bolaria algum plano para tentar escapar do domínio humano, mas é claro que esse plano não daria certo. Ele acabaria comendo alpiste em praças públicas.

Urtigão: O único humano da história, seria considerado esquizofrênico por conversar com animais. Terminaria em um hospício, ou morreria em algum confronto de sem terras.

Zé Carioca: Terminaria a vida dizendo ‘dá o pé loro’ em alguma gaiola do Brasil. Seus colegas acabariam sendo vítimas da violência durante o processo de reocupação da Vila Xurupita.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Razões para não postar

No início não havia uma única razão plausível para que não se postasse. Sempre era possível. Você poderia postar no seu leito de morte, numa brecha da reunião com seu chefe, enquanto você fazia o Enem, aproveitando os últimos minutos de carga do seu notebook antes que o seu cruzeiro de férias afundasse. Postar era um comprometimento e uma vez que você o tinha, não havia problema algum.

Com o tempo, essa ideia vai mudando. Tanto mudou, que idéia perdeu o acento e até hoje eu me sinto um retardado quando tenha que escrever essa palavra de acordo com a nova ortografia. Postar passa a ser uma vontade. Uma vez que você tem vontade, você vai lá e faz. Posta e saí pra comemorar com a galera.

Assim sendo, você pode curtir aquele dia na praia e aproveitar os últimos segundos de bateria do seu computador para salvar seus trabalhos. Mas, ainda não existe uma razão para não se postar. Porque sempre, sempre se encontrará algum motivo para que algum post surja das profundezas abissais para assustar a pobre população pacata e inocente.

Um dia isso muda. Aparece uma razão para não postar. E aí o que se faz? Simplesmente não se posta. Aconteceu comigo, este é um testemunho real que trago aqui. Esta semana, eu simplesmente não postei.
Anticorpos entrincheirados

A minha razão é simples. Inúmeras, indeterminadas e indefinidas infecções virais me derrubaram, impedindo que eu permanecesse sentado por tempo suficiente para escrever alguma coisa. Impediam-me que eu ficasse acordado pelo tempo necessário para conseguir ter uma ideia (argh), desenvolvê-la e transcrevê-la. E aí, o que eu fiz? Não postei, simplesmente não tinha como. Não postei na segunda e não postei na quarta e, mesmo estando levemente recuperado hoje, pensei até agora a pouco se eu deveria postar.

Sei que este pode ser o começo de um ciclo e que daqui para a frente eu arrume diversas razões para não postar. É feriado e eu vou tomar banho de rio, simplesmente não posto. Está chovendo, isso acabou com meu humor e eu não posto. Meu time perdeu, peço que respeitem a minha dor e eu não posto. A crise econômica mundial me sensibilizou e eu não posto. O Coldplay lançou um disco novo e é impossível fazer graça depois de uma tragédia dessa, eu não posto.

Quem sabe, são apenas teorias.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

O 1000º Post

O dia começou com um telefonema de Barack Obama. Chorando, ele agradeceu ao apoio que o CH3 deu para a sua campanha. Logo depois, Mitt Romney também nos ligou, amistosamente, cumprimentando por nossa postura na campanha eleitoral. Assim foi o dia todo. Sylvester Stallone, Madre Teresa, seu Juca da Paçoca, Lula, Getúlio Vargas, Geysi Arruda, Renato Russo, Wagner Moura, todos nos telefonaram, oferecendo efusivas abraços e ingressos para o show da Lady Gaga.

O motivo, vocês já devem ter entendido logo no começo. Esta postagem aqui, publicada neste 313º dia do sagrado ano da graça de 2012, é o milésimo post do CH3.

Publicar mil post em um blog, não é uma tarefa fácil, principalmente quando você não é adepto das montagens de desenhos estranhos. O CH3 já deve ter, a esta altura, mais conteúdo do que uma dessas enciclopédias baratas vendidas em encartes de jornais vagabundos.

Veja, quando nosso primeiro post foi publicado, Túlio Maravilha já estava em sua insana busca pelo milésimo gol. Nós nunca buscamos o milésimo post, mas alcançamos a marca antes de Túlio. Este blog de fato, nunca buscou cumprir objetivos, mas cumpriu-os assim mesmo. Chupa, Túlio.

Não irei me alongar muito. Creio que este post de número deva ficar aqui apenas como um registro histórico. De que história, eu não sei. Mas, para que as pessoas apenas olhem seu título e saibam o que ele é, o que ele significou, saibam do que se trata.

P.S. Para melhorar, nosso milésimo post acontece no dia do aniversário de Zequias. A lenda viva, o mito, o brasileiro do século, deste e dos próximos. O destino não poderia ter nos presenteado de maneira melhor.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

O superdimensionamento midiático do pôquer

Não me julguem mal, eu já joguei pôquer. Joguei pôquer em uma época na qual o jogo de cartas não passava na televisão e não funcionava como uma indústria milionária. Não quero aqui parecer saudosista, me lembrando dos nostálgicos tempos do pôquer moleque, nascido na rua. Até porque, eu nunca fui nenhum entusiasta do “esporte”. Ele era uma diversão apenas. Hoje, o pôquer é um saco.

Foi se o tempo em que o pôquer era apenas um jogo de cartas, como o buraco, truco ou canastra. Um jogo rápido, com as rodadas resolvidas rapidamente sem que ninguém precisasse ficar gritando. Tempo em que ele era um passatempo, como uma partida de sinuca ou de ping pong. Entendam, o pôquer não era nada demais.

Hoje, ele ganhou status de esporte. Tem várias competições ao longo do ano, com vários atletas profissionais que ganham milhares de dólares em um circuito mundial. Jamais imaginamos que alguém iria ganhar a vida jogando truco espanhol, mas com o pôquer isso é possível.

Perceba que os principais torneios de pôquer são transmitidos na televisão. Eu me recuso a acreditar que alguém realmente pare para assistir isso, madrugada adentro. Se já é chato ver seus tios bêbados jogando baralho num churrasco, imagina assistir o carteado pela televisão sem que ninguém esteja alcoolizado?

O pôquer é uma indústria. Existem centenas de sites em que você pode jogar de maneira gratuita, com pessoas de qualquer lugar do mundo. Os comerciais desses sites passam em todos os canais esportivos do mundo e mostram as principais celebridades de outros esportes jogando pôquer, como o Rafael Nadal. Você acha que ele ganharia tantos títulos se ficasse metade da semana jogando pôquer?

É possível jogar uma partida até mesmo pelo celular, pelo celular, entenderam? Sério que alguém realmente faz isso?

Sim, é sério. Temos um número cada vez maior de pessoas que querem se profissionalizar no esporte. Cidadãos normais que tiram um dia da semana para jogar pôquer. Dedicam algumas horas do seu dia pra ficar treinando na internet. O pôquer virou o sonho do dinheiro fácil, do primeiro milhão. O pôquer é praticado por aquelas pessoas que liam “Como Ganhar Dinheiro na Bolsa de Valores”.

Ou seja, hoje o pôquer é praticado por algumas das piores pessoas do mundo. Por uma corja de inúteis que sonham em passar a vida sem fazer nada, sem esforço nenhum. Pessoas que usam camisa polo com brasão e que atacam de DJ na hora vaga.

Eu não sei, deve ter algum esquema estranho por trás disso tudo.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

O Partido dos Homens

No Brasil atual, existem 30 partidos políticos. Agremiações que defendem conceitos diversos como populismo, humanismo e trabalhismo, entre outros, escondidos atrás de siglas estranhas que fazem referências ao republicanismo, socialdemocracia e progressismo. Nós já temos muitos partidos políticos e boa parte deles não tem a menor função, que não seja a de lutar por qualquer forma de poder.

Ainda assim, não satisfeitos, outros grupos se organizam para terem a sua representação partidária, escondidos atrás de conceitos de reorganização, ecologia ou democracia. Se fossemos para ficar apenas na sopa de palavras, proporíamos logo a criação do Partido da Vanguarda Reacionária (PVR). Um partido que defenderia a preparação do futuro, sem menosprezar o passado. Uma quebra de paradigmas, mas sem radicalismo.

Mas nós não queremos isso. Queremos um partido que defenda aquilo que se propõe. Que seja claro em suas ideias e em seus objetivos. Por isso, nós propomos o partido dos homens. Um partido para defender os homens, seus direitos e suas vontades.

A principal bandeira do nosso partido é o fim do déficit de assentos em lojas de departamento e nos demais espaços dedicados às compras. Queremos o fim daquela incomoda sensação de ter que ficar em pé, ou, humilhantemente buscando um degrau de escada para poder descansar as pernas enquanto uma mulher está alucinada fazendo compras. Não queremos mais a sensação de estar atrapalhando as pessoas que estão provando sapatos.
Eles só querem um lugar para sentar.
Somos também pelo fim dos bancos em shoppings. Eles ocupam muito espaço e acabam sendo ocupados por apenas uma pessoa. Pela maior disponibilidade de lugares individuais para se sentar, já! Queremos apoio das costas! Pela livre disponibilização de poltronas nos shoppings! Nosso dinheiro do estacionamento tem que servir para alguma coisa.

Também lutaremos pela criação de leis que impeçam que as pessoas sejam forçadas a dar palpites no visual de outras pessoas. Todos terão o direito a permanecem em silêncio quando forem consultados e não poderão ser repreendidos por esta opção.

Lutaremos por leis que beneficiarão toda a sociedade. Queremos que os consultórios médicos disponibilizem uma maior variedade de revistas para o usufruto dos pacientes. Queremos o fim da dinastia das revistas de fofocas! E aquelas revistas que surgem do nada e só existem nos consultórios? Mais variedade já, mais cultura para a nossa população!

Incluiremos o estudo da história do futebol na grade curricular dos nossos colégios, acabando com a evasão escolar. Contaremos com enorme apoio popular e iremos construir uma nova história para o nosso país. Contribua conosco e nos ajude a traçar o nosso plano de governo. Até a vitória.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Comando de Voz

A primeira vez que eu vi um celular com comando de voz foi em 2004 acho, minha mãe comprou um que tinha essa função. Era uma dificuldade tão grande fazer o negócio funcionar, que mais valia a pena digitar os números. Lembro que naquele mesmo ano, um amigo meu também comprou o mesmo modelo e deu uma demonstração prática de como o sistema funcionava.
- Marcos
- Você quis dizer: Márcio?
- Não.
- Repita o nome.
- Marcos.
- Você quis dizer: Marcos?
- Sim.
- Repita o nome.
- Marcos.
- Você quis dizer: Marcos?
- Sim.
- Você confirma que quis dizer Marcos?
- Sim.
Finalmente o telefone começava a tocar.

O fato é que em pleno 2012, os sistemas de comando de voz continuam sendo uma porcaria. Se você depender dele para registrar alguma ideia, alguma frase, está perdido.

Claro, se você for um fodão da internet, poderá alegar aqui que eu sou um retardado e que o problema é a dicção de quem fala. É preciso ter uma dicção perfeita para que os sistema funcione. Oras, não é preciso ter uma dicção perfeita nem sequer para governar o país! Se o sistema fosse realmente bom, ele poderia ser usado por outras pessoas, que não apenas o William Bonner ou sua professora de fonoaudiologia.
A sensação é a mesma
Se grandes personalidades da história tivessem resolvido gravar suas frases através desse sistema de reconhecimento de palavras, o resultado seria terrível. O histórico dia do fico ficaria registrado como:
“I have para o bem de todos e felicidade geral da nação estão prontos tigrão ao povo que eu fico”.

E a histórica estrofe final do hino nacional?
“Serra dourada emtu 3008 brasil apótema da dos filhos deste solo és mãe gentil pátria amada brasil”.

Ou mesmo o primeiro parágrafo deste texto?
“A primeira vez que vi um celular com comando de voz foi em 2004 ac clima em confronto tinha sena dificuldade tão grande fazer negócio funciona imagenes benedita dos nomes lembra naquele mesmo ano nome do meu ta me comprometi modelos de homônimo seção prático de como sistema funciona”.

Ou seja, em pleno 2012 os jornalistas ainda se fodem incrivelmente quando tem que decupar uma entrevista longa.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Grandes Nomes da História – Furacão Sandy

Ninguém sabe direito qual é a diferença entre ciclone, tornado, furacão e tufão. Teóricos perdem muitas horas de suas vidas divergindo sobre aspectos técnicos, tão criteriosos, que o cidadão normal jamais entenderá o que é cada um. Numa definição mais simples, podemos dizer que todos são grandes perturbações na atmosfera terrestre. Uma grande perturbação, essa é a definição para um furacão.

Cuidado, Sandy, do seu lado
Dentro dessa definição, Sandy pode ser enquadrada muito bem. Ela vem perturbando a atmosfera terrestre nesses seus quase 30 anos de vida. Desde quando ela era uma criança de oito anos e fazia dupla com seu irmão, Júnior, que então se assemelhava a um extraterrestre de mullets. Na mais tenra infância eles já nos perturbavam com a sórdida canção da Maria Chiquinha, aquela trama rodriguiana de amor, sexo, traição, chiste, homicídio, esquartejamento e necrofilia.

Na medida em que Sandy foi crescendo, a perturbação ficou ainda maior. Como não se lembrar de Dig-dig-joy? Até chegarmos ao ápice que foi a clássica “Imortal” com seus ainda mais clássicos versos “o que é imortal, não morre no final”. As músicas de Sandy Júnior deixavam suas colegas de sétima série suspirando.

Ao mesmo tempo em que o furacão e seu irmão conquistavam o mundo com versões nacionais pavorosas de músicas internacionais (igualmente pavorosas), criava-se um mito sobre sua virgindade. Mito que começou, sei lá, quando ela tinha apenas 12 anos e já cantava sobre como é bom beijar. Creio que até hoje, as pessoas ainda perguntem para ela se ela é virgem e se toparia leiloar sua castidade na internet.

Com o tempo, as pessoas perceberam que o Júnior era apenas um apêndice na dupla e os dois se separaram em um processo não cirúrgico. Mas, como se fossem queijo e goiabada, nunca conseguiram repetir, separados, o sucesso que fazem juntos. Desde então, notícias sobre Sandy têm sido raras e ocasionais.

Como no caso em que ela deu uma entrevista a playboy e afirmou que achava possível que as pessoas sentissem prazer anal. Declaração que caiu feio uma bomba na internet e pessoas do mundo inteiro passaram a acreditar que Sandy era um furacão na cama, sem limites para o prazer. Logo, ela foi levada a fazer um comercial da cerveja Devassa, no qual ela dança em cima de um balcão, enquanto sua voz em off diz que todo mundo tem um lado devassa. Sua atuação não convenceu ninguém e passou a impressão de que ela chorou em posição fetal logo após a gravação ter sido concluída.

E como agora, quando Sandy finalmente chega aos Estados Unidos. Coisa que ela nunca conseguiu e olha que ela tentou enquanto fazia a dupla com seu irmão. Sandy chegou para arrasar. Para provocar uma grande perturbação na atmosfera. E jamais voltará a ser esquecida. Quanto ao Júnior, não tenho a mesma certeza.
Cuidado árvore, na sua frente!