sexta-feira, 30 de julho de 2010

Fora de época

Ok. O calendário é uma convenção, tal qual o tempo é convencionado. Foi um Papa que resolveu deixar o calendário do jeito que está, estabelecendo que um ano é o tempo que a Terra leva para dar uma volta completa em torno do sol, que um dia tem 24 horas – o tempo que o planeta leva para dar uma volta em torno de si. A semana tem 7 dias, uma relação com as fases da lua.

Agora, porque uma hora tem 60 minutos? Não sei. Se alguém quisesse que o dia fosse composto por 10 horas de 15 minutos? Poderia ser assim. De tal forma que os minutos demorariam 9,6x mais do que os minutos atuais, e isso não significa que a vida passaria mais devagar. Seria tudo igual, mas apenas convencionado de uma maneira diferente.

E os meses? Durante algum tempo alguns meses não existiam. Fevereiro foi prejudicado historicamente para que Agosto tivesse 31 dias, igual a Julho. Uma viadagem de imperadores romanos. Se tivesse passado na cabeça de um desses imperadores, que Setembro merecia ter 332 dias, os outros 33 dias seriam miseravelmente divididos entre os outros 11 meses. As pessoas se defecariam fazendo contas como “Bem, acho que a prova vai ser marcada no dia 289 de setembro. Talvez na décima-sexta feira seguinte... que será no dia... 328 de setembro?”.

Ok, eu concordo que é mais fácil aceitar as coisas como são. Um viva para as nossas modernas convenções. A questão é aceitar que seja assim, ora. Cada vez mais os nossos lares são invadidos por celebrações fora de época.

Tudo começou com os carnavais fora de época. Como se já não fosse ruim o suficiente ter um carnaval por ano, as pessoas resolveram fazer dois, três carnavais fora de época. E o que é mais grave, sem a única coisa que presta no carnaval – o feriado. Vem as bandas de axé, mas as pessoas continuam precisando trabalhar. É como se o açúcar e o leite fossem retirados do chocolate, permanecendo apenas o cacau e a gordura. Provavelmente as micaretas são obra de alguma mente demoníaca. Sua função é dar emprego para os grupos de axé.

De um tempo para cá, podemos observar um aumento das festas juninas fora de época. Se a festa tem esse nome é porque acontecem em Junho. J-u-n-h-o. Se fosse em julho, seria julhina, se fosse em agosto, agostina e em maio... não sei, fica esquisito de falar. Não tem como fazer um São João fora de época, porque São João tem o dia dele. Talvez as pessoas pudessem conversar com ele, pra ver se ele aceita mudar a data, mas acho difícil que isso aconteça.

Imagino que logo mais os publicitários vão criar um Natal fora de época. Ou uma páscoa fora de época. Setembro e novembro seriam os melhores meses. Em Janeiro temos as férias escolares, entre Fevereiro e Abril o carnaval e a páscoa, dia das mães em Maio, dos namorados em Junho, férias em Julho, dia dos pais em Agosto e crianças em Outubro. Setembro foi desprestigiado no quesito consumista. Talvez ele realmente merecesse ter 332 dias.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

A arte de falar no telefone

Há uma certa polêmica sobre a invenção do telefone. Passamos nossas vidas inteiras aprendendo que o pai do aparelho foi Graham Bell, um escocês que vivia no Canadá. Mas, recentemente, o Congresso Americano resolveu que o inventor foi Antonio Meucci, um italiano que vivia nos Estados Unidos. Claro, os americanos são muito corporativistas nestes momentos. Para eles, a feijoada só poderia ter sido inventada por um escravo americano.

Como o momento da invenção do telefone não foi filmado, é difícil saber qual é a verdade. Em todo caso, este blog aposta que o telefone foi inventado por Max Gehringer.

O telefone também está envolto em outra polêmica: Ok, inventaram o primeiro telefone. O telefone serve para fazer ligações. Se não existia outro telefone, do que adiantou a invenção do primeiro? Mais importante foi a invenção do segundo telefone, e dos cabos de transmissão. Diz a lenda que a primeira ligação foi feita para Dom Pedro II. Seria muito melhor ter dado um telefone de presente para uma pizzaria da região e assim, ter inventado o primeiro disk Pizza, com uma magnífica exclusividade.

O escritor argentino, nascido na Bélgica, Júlio Cortazar dizia sobre o relógio “Quando dão a você de presente um relógio, estão dando um pequeno inferno enfeitado. Eles não dão de presente apenas este miúdo quebra-pedras. Dão a necessidade de dar-lhe corda todos os dias, a obsessão de olhar a hora certa nas vitrines, dão o medo de que seja roubado”.

Por outras razões, o telefone também é um pequeno inferno particular. A partir do momento em que você tem um telefone, você dá as pessoas o direito de te ligarem. Seja para conversar, te dar uma notícia, pedir uma informação, oferecer um produto ou pedir a sua opinião sobre o deputado Domingos Sávio. A qualquer hora do dia. Não existem leis que proíbam que você seja telefonado de madrugada.

E você tem a obrigação de atender. Não importa se você estiver tomando banho, dormindo ou almoçando. As pessoas te questionarão com voz de juízo “porque você não atendeu”. Você terá que arrumar uma maneira de solucionar o problema. Secretárias eletrônicas, direcionamento de ligações. Mesmo assim, as pessoas nunca acreditarão que você não atendeu porque não dava. O não atendimento de um telefone é sempre interpretado como um ato maquiavélico, friamente pensado. Temos identificadores de chamada para saber se conhecemos ou não o número que nos liga, mas atendemos do mesmo jeito.

Com o celular, a coisa é pior ainda. Você está disponível o tempo todo em qualquer lugar do mundo. Pode ser facilmente localizado e monitorado. Creio que muitas pessoas seriam favoráveis a pena de morte para aqueles que não atendem o celular “pra que você tem um celular, se não atende¹” dizem.

E há ainda o lado mais estranho. Para muitas pessoas é normal, mas para mim não é. Falar no telefone. Ele foi inventado para isso, eu sei, mas é estranho. Você, em algum lugar do planeta conversa com outra pessoa que pode estar em qualquer outro lugar através de uma caixinha. Você não pode perceber a postura corporal da pessoa, o ambiente em que ela está, para ver o que ela pensa. Mesmo assim, tem que dar respostas rápidas. Não é a toa que os trotes são feitos por telefone.

Por anos, eu não conseguia falar ao telefone e tinha pavor deste momento. O toque do aparelho era algo assustador e ter que telefonar para alguém era uma tortura. Meu coração batia forte e eu suava frio nesses momentos. A cada toque, eu pensava em desistir. Meu medo acabou por assustar outras pessoas. Vinícius até hoje chora ao se lembrar de uma conversa comigo. Várias pessoas são receosas em me ligar.

Mas hoje as coisas mudaram. Atendo o telefone normalmente e consigo ligar para uma pessoa desconhecida, depois de respirar fundo. As pessoas não têm mais desejos suicidas quando falam comigo. Sou um homem recuperado. Agradeço essa recuperação a minha namorada. Obrigado.

¹ Curioso notar que uma única e mísera vez em que o celular não é atendido, é suficiente para que este fato seja tratado como um procedimento padrão de sua persona.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Podcast CH3, número 2

Pois é. Chegamos ao nosso segundo podcast. Trata de um assunto polêmico, os fetiches. Sim, tema tão recorrente no nosso blog. Aconselhamos que você escute o programa sozinho, ou então, que faça uso de fones de ouvidos. Pode ser meio constrangedor ser pego escutando pessoas falando sobre fetiche por estátuas.

Duração de 28 minutos e 15 segundos. Pois é, nos empolgamos.







http://chtres.podomatic.com/player/web/2010-07-26T12_08_59-07_00

sábado, 24 de julho de 2010

Gritos de empolgação

Lá está à roda de pagode. Daquelas profissionais, com microfones e instrumentos amplificados. A cantora principal, com um sorriso maroto no rosto, anuncia a próxima música e diz que ela é dedicada ao Carlão. Alguns gritos de “ahh” podem ser escutados isoladamente (ahh moleque, em alguns casos). O acorde inicial já produz algum frisson. Com um sorriso ainda mais maroto ela começa “Você é um negão de tirar o chapéu, não posso dar mole senão você créu”. Pronto, o ambiente é tomado por gritos de empolgação.

Gritar não é algo natural do ser humano. Você fica com dor na garganta e outras pessoas ficam com dor no ouvido. Um grito chama a atenção. Dá sustos. Gritos jamais estarão envolvidos em uma situação perfeitamente normal.

Os gritos de empolgação são de dois tipos: solitários ou coletivos.

Os Gritos solitários são de fácil entendimento. O cara conseguiu subir o Everest – começa a gritar. Passou no vestibular – “uhhhhuuuu”. A voz dentro da sua cabeça mandou – “ahhhhhh”. Você será olhado apenas como um maluco e você pode realmente ser um.

Mas, quando o ato é dado em grupo, tal qual um orgia de gritos, é que temos um fenômeno realmente interessante. Nas próprias orgias. Seriam, os gritos de prazer, sussurros de amor, e outras coisas que nos lembram músicas do Wando.

O exemplo do começo do texto trata de gritos de empolgação musical. Acontecem sempre que uma música tocada ao vivo chega ao seu ápice. No caso do pagode, é no momento mais maroto da letra. Na música sertaneja, é na parte mais corna do refrão (não consigo me lembrar sequer, qual era o nome daquela mulher, a flor da noite da boate azul). No rock costuma a ser um solo de guitarra. E até na música eletrônica este momento existe, mas eu não sei explicar. Para nós, simples mortais, a música continua igual. Mas para o grupo de especialistas é um momento sublime. Do nada, todos levantam os braços e começam a gritar.

Existem os gritos de provocação. Sua tradição surgiu do repente. Sabe como é, aquele evento em que dois nordestinos tocando instrumentos musicais se reúnem em uma praça pra ver quem consegue xingar mais a mãe do outro.


“Dizem que Severino é cabra macho
Mas eu sei que não é
Sua mulher, todo mundo sabe
Vai pra cama com José”

São os gritos de “ahhhh, não deixava!”. Esse comportamento é muito presente nos tempos de colégio. É uma motivação e tanto. Se o provocado não reagir, ele logo receberá outros gritos como “ahhhhh, vai deixar? Vai deixar” ou “bundô, bundô” até chegar ao tradicional coro de “bicha, bicha, bicha”.

Bem próximos a esse grupo, existem os gritos de humilhação. São muito parecidos, só que são mais gratuitos. Tendem a provocar uma reação, mas ela está mais próxima a um suicídio do que um homicídio. Sua maior incidência ocorre em Primavera do Leste, também conhecida como a capital nacional do Bullying.

Mas enfim, o que faz pessoas gritarem coletivamente? Não sei. Imagino que a resposta seja a mesma do porque as pessoas gritam quando a luz acaba. Psicólogos de plantão podem ajudar.

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quinta-feira, 22 de julho de 2010

Como escolher o seu candidato

Pois é, caros CHnautas. As eleições estão chegando. Estamos a pouco mais de dois meses dessa data. A festa da democracia! A escolha do futuro do seu país! Uma pinóia. A eleição é a coisa mais maçante a qual somos submetidos a cada dois anos. Logo começará a interminável campanha eleitoral com os seus gastos babilônicos de dinheiro. Candidatos desfilarão o seu discurso enfadonho por debates maçantes. As propostas são sempre iguais.

Neste cenário, é normal que você tenha dúvidas. Por isso e para isso, apresentamos as 5 melhores maneiras de escolher o seu candidato.

1) Vá na escolha do Polvo (Salvo, amado mestre)¹: É batata. Coloque uma foto dos candidatos dentro do aquário do Sea Life e veja a escolha de Paul. A decisão mais segura é colocar nosso país nas mãos, ou, nos tentáculos de um molusco. Pessoas poderiam criticar sua escolha alegando um possível corporativismo, ou uma possível rixa molusca. Mas Paul já fez escolhas que foram contra o seu país natal e contra o seu país atual, mas que logo se mostraram certeiras. Uma escolha isenta. Infelizmente, dizem que ele se aposentou e em todo caso nos temos Pai Jorginho de Ogum.

2) Farmville: Ou mesmo a Colheita Feliz. Todos os candidatos deveriam administrar sua pequena fazenda virtual. Veríamos aquele que melhor consegue aumentar a sua produção de tomates. Os que conseguem incrementar sua fazenda. Aqueles que roubam beterrabas da horta vizinha. A fazendinha é uma pequena representação da vida, afinal. E seu resultado poderá ser acompanhado por todos, em tempo real.

3) Bolão: Os candidatos deveriam participar de algum bolão de futebol. O que conseguisse somar mais pontos mostraria que entende de futebol, e entendendo o futebol, entende os problemas e anseios da nação. E assim, seria o candidato mais preparado.

4) Soletrando: Para ser sincero, não teria a menor função na escolha de um candidato. Tal qual o programa não serve para nada. Mas seria divertido. Poderíamos chamar os candidatos de burro, quando eles soletrassem Papibaquígrafo de maneira incorreta. Ficaríamos admirados quando eles acertasses Recôndito. Participação no Show do Milhão também seria interessante. “Não voto nesse cara, ele não sabe qual é a capital da Estônia!”.

5) Saber se eles lêem o CH3: É lógico. Entre nossas 4 mil visitas mensais, há de existir algum político. Uma a cada 50mil pessoas no Brasil lê o CH3. Em Cuiabá essa proporção é de uma em mil. Temos alguma proporção parecida entre os políticos, acredito eu. Aquele que ler o CH3, sem dúvida será o mais bem informado, o mais divertido, enfim, o cara certo para levar nosso país por rumos certos. Um candidato de mão forte o suficiente para abrir um lata de óleo para besuntação.

E, concluindo. Se você for para a festa da democracia, leve camisinha.

¹ Como vocês sabem, o CH3 é favorável de que se utilize Polvo com P maiúsculo, quando alguma referência a Paul for feita. A partir de agora, nós também somos favoráveis a uma louvação especial, sempre que o seu nome for pronunciado. Tal louvação deverá ser acompanhada de movimentos rítmicos sincronizados que denotem toda a felicidade do momento.

terça-feira, 20 de julho de 2010

O caso Bruno

Vez por outra, a humanidade é presenteada por um caso sórdido. Uma história tão doentia que nos faz duvidar da própria humanidade. O pai que trancou a própria filha no porão e a estuprou por anos. E... bem, teríamos muitas outras histórias dementes, mas são tantas, que acabamos por esquecer.

O caso Bruno é mais uma dessas tantas histórias. Primeiro porque envolve uma figura sensacional, como o goleiro Bruno. Se o mundo fosse um lugar mais justo, Bruno seria reconhecido como o grande frasista que é. Um Oscar Wilde contemporâneo.

Certa vez, Bruno pulou nu no mar para comemorar o título carioca do Flamengo. Já deixou o campo chorando e dizendo que uma derrota não tinha explicação. Já subiu ao palco do prêmio craque do Brasileirão sobre gritos de que “puta que o pariu, é o melhor goleiro do Brasil” e sorrindo confiante da sua vitória. Ao ser anunciado como terceiro colocado, desceu do palco rindo debochado e não esperou o anúncio do vencedor. Ao ser vaiado pelos mesmos torcedores disse que “estava se lixando para a torcida”. Já organizou uma festa num sítio com garotas de programa e a festa teve que ser interrompida porque um dos seus colegas, também jogador do Flamengo, estava espancando uma prostituta. Bruno também entrou para a história ao questionar colegas jornalistas “quem nunca discutiu, até mesmo não saiu na mão com uma mulher?” ao defender seu amigo Adriano, que teria mandado amarrar a namorada em uma árvore.

Tempo para tomar um fôlego depois do último parágrafo.

O goleiro é o personagem principal dessa história que também tem outros nomes interessantes. Como Macarrão, amigo de Bruno que fez uma tatuagem escrita “Bruno e Maka. Nem a morte vai separar essa amizade verdadeira. Amor Eterno”. No fundo é a maior declaração pederasta, jamais vista, gravada na própria pele.

Temos ainda um Coxinha, um ex policial chamado Bola, um primo do Bruno, um adolescente que vivia na casa do goleiro, tantos amantes – homens e mulheres – e claro, Eliza Samudio. A ex-atriz pornô que também protagoniza o caso. Foi deixada pela mãe e criada pelo seu pai, que é acusado de ter estuprado uma filha de 10 anos, fruto de um relacionamento extraconjugal com a cunhada. Ele embebedava a criança para consolidar o ato.

Bruno poderia ter escrito um livro “como destruir a sua carreira em alguns passos”. Nada de coisas amadoras como “seja encontrado com três travestis em um motel na Barra da Tijuca”. Bruno engravidou Eliza, como acontece com freqüência. Sexo sem proteção e etc. Acho que seria impossível fazer uma pequena lista de jogadores que tiveram filhos em casos extraconjugais. Paga-se então uma pensão alimentícia. Você para na cadeia se não pagar, mas enfim, você tem que ter a responsabilidade na história. Como diria Bruno “onde come um, come dois, come três, come quatro”. Pensão é como uma orgia.

O resto da história é aquilo. Pediu para Eliza abortar, ela foi morta e seus restos mortais jogados para cachorros comerem. A história pode mudar, é claro. Samudio pode ser encontrada fazendo compras em Marrakesh. Macarrão pode assumir a culpa, alegando que foi um crime passional. O advogado do goleiro pode ser um gênio da oratória e talvez convença o júri de que Eliza mereceu morrer porque era uma Puta.

Mas o fato, é que talvez até o Tarantino se sentiria desconfortável em filmar uma história com estes personagens e com esta trama.


*Esta história é ficcional. Qualquer semelhança com a coincidência é mera realidade. O CH3 não tem conhecimento da existência, ou não, deste nomes e fatos e nem sequer de um time chamado Flamengo.

domingo, 18 de julho de 2010

A Era Glacial

Aconteceu. Para muitos, esta é a prova de que o mundo está acabando. Nos últimos dias, Cuiabá está presenciando o seu maior frio em pelo menos 10 anos. As temperaturas baixaram dos 10 graus e o povo de Cuiabá foi pego literalmente de calças curtas. Várias pessoas pegaram todas as roupas de frio que tinha no armário e elas não foram suficientes. Verdadeiras procissões foram montadas rumo aos shopping centers. Informantes do blog que lá estiveram, disseram ter presenciado uma guerra.

Mulheres se estapeavam em busca dos últimos pares de meias-calças. Jaquetas grossas valiam o mesmo que um carro 0km e homicídios foram cometidos em busca de pares de bota. Pessoas agachadas no chão tentavam pegar os gorros e cachecóis caídos debaixo das prateleiras. Durante a noite, o Sinuelo conseguiu o maior lucro de sua história.

Na Chapada dos Guimarães, acontecia um show do cantor Armadinho e o frio estava lá, como se para lembrar os espectadores de que desgraça pouca não é bobagem. A fumaça dos baseados se misturava na névoa que cobria a cidade serrana. E outras pessoas se entregavam ao alcoolismo, como forma de diminuir o frio que sentiam até a sua alma. Que endurecia e quebrava os seus ossos.

A equipe do blog se reuniu ontem para dar continuidade a alguns projetos do blog. Cão leproso estava empolgado porque, segundos as palavras dele “eu fico muito sexy com camisas de manga longa”. O problema é que Vinícius Gressana não chegava nunca. Com meia hora de atraso, o sempre pontual Gressana explicou que havia perdido muito tempo tirando a neve que encobria o seu carro e impedia que ele conseguisse abrir o seu portão.

Uma fina camada de gelo encobria o estúdio onde gravaríamos o nosso podcast. Precisamos criar uma fogueira com folhas de papel e rolos de fita antigos. Mas isso só serviu para quase provocar um incêndio. Fomos embora e percebemos ao longe que a Estátua da Liberdade estava apenas com a tocha de fora, o resto estava coberto pela neve e pelo gelo. Percebemos então que era apenas uma TV em alta definição exibindo um desses filmes norte-americanos, muito provavelmente “O dia depois de amanhã”.

Encontramos pessoas desoladas, por onde passamos. Pessoas que procuravam um raio de sol, uma fonte de calor, que as fizessem lembrar da velha Cuiabá. A noite foi chegando e o frio só aumentou. Notícias corriam de mendigos que preferiam ser queimados vivos, porque estavam morrendo de frio. E pessoas loucas procurando carros com aquecedores.

Hoje o dia continua frio, não tanto como antes. É possível que ele logo termine, assim como é possível que ele seja eterno. Mas este é apenas mais um pequeno aviso de que o fim está próximo.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Injustiçados

O juiz Luiz Carlos Costa da Vara de Sucessão e Famílias de Cuiabá se transformou em uma personalidade mundial por conta de suas sentenças, em que ele utiliza gírias e até mesmo letras de música. No caso mais famoso, ele fez a seguinte citação “A Carta Magna cantarola: Isso é pra você aprender a nunca mais me esnobar” (KEY, Kelly in Baba Baby).

O caso suscitou dezenas de polêmicas e é debatido em várias faculdades de direito da capital e também do resto do mundo. Até o Polvo¹ está sendo consultado para dizer se isto é certo ou errado. Há quem ache fantástico que o magistrado resolva se aproximar da linguagem popular e há quem ache uma palhaçada. Juízes deveriam continuar a se comunicar em uma linguagem que poucas pessoas conseguem entender.

Longe de nós querer discutir o linguajar da justiça. O blog ainda não é adepto de temas tão densos assim. Assim sendo, depois dessa longa introdução o tema desse nosso post só poderia ser a Kelly Key. Ou melhor, a música da Kelly Key.

A primeira vez que eu ouvi falar sobre essa cidadã foi no programa vídeo-show. Ela era um jovem desconhecida que devia estar mantendo relações sexuais com algum executivo da Globo, e por isso ganhou destaque na programação. Logo ela estaria com um sucesso nas rádios brasileiras, a música Baba Baby.

Ela fazia uma abordagem densa sobre a sua enigmática letra. Ela seria uma resposta provocativa a um professor de Educação Física que ministrou aulas para Kelly, quando ela tinha 14/15 anos. Ela era apaixonada por esse professor e o professor não deu bola para ela. Ela cresceu e resolveu se vingar do fora que levou. Sendo que pouco depois, quando tinha 16 anos, ela engravidou do Latino. O que nos leva a crer na hipótese de que era o Latino que mantinha relações sexuais com algum executivo da Globo.

Entramos então no personagem da nossa postagem. O professor de Kelly Key. Com o sucesso da música, ele foi tema de várias reportagens, apareceu em programas de TV. Era ridicularizado. Mané, Tremendo Vacilão. Teve a menina na mão e a perdeu. Os programas praticamente o forçavam a se lamentar por não ter comido a cantora.

Dois fatos precisam ser abordados. Primeiro, é que Kelly Key não era nenhuma musa, deusa da sedução, antes da fama. Foi a base de cirurgias plásticas que ela conseguiu sair na Playboy e outras revistas do gênero.

E, segundo, mas ainda mais importante: ela era menor de idade! O professor, pobre coitado, teve uma atitude honesta, ética. Falou pra menina de 14 anos “olha, você é muita nova pra mim”, provavelmente de uma maneira educada. E o que este exemplo de cidadão ganha em troca? Uma música que o ridiculariza e o escárnio nacional. Era preferível que ele tivesse agido como tantos professores por aí, que saem com alunas em troca de nota. Era preferível ter sido um pedófilo.

O CH3 deixa aqui as suas palmas para o professor de Educação Física. Nobre cidadão e injustiçado.

¹ Nota, o CH3 é favorável a idéia de que Polvo, com P maiúsculo seja usado apenas em referência a Paul.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

O que é o suicídio virtual?

Ozzy Osbourne já pregava que a solução estava no suicídio. Beber até morrer. Música que levou várias pessoas a cometerem suicídio, por conta de supostas mensagens subliminares, você já sabe disso caso tenha escutado o nosso sensacional primeiro podcast. Não iremos aqui pregar uma solução suicida e nem mesmo falar do suicídio em si. É um tema muito delicado.

Vivemos em uma era virtual. Primeiro foi o Orkut e depois tantas outras redes sociais se popularizaram. Facebook, Twitter. E até mesmo aqueles fracassados como Gazzag e HI5. Fora isso, você pode ter cadastro em fóruns, tem os seus e-mails o seu MSN.

Cada perfil que você faz é uma representação de você próprio. Você deixa de ser você e passa a ser uma foto com uma descrição. As pessoas, ou, a representação das outras pessoas irão conversar com a sua representação. E será cobrado por respostas. Caso você não esteja usando o Orkut, ou esteja viajando, não importa. Existem inúmeros casos em que o seu Eu Virtual é muito mais interessante.

A vida virtual traz os seus problemas. Existem pessoas que levam a sério essa história da representação virtual e esquecem que aquilo não é uma vida paralela. Se representa algo, esse algo é a própria pessoa. O cara com namorada fica paquerando uma menina que mora no condomínio, o funcionário entra na comunidade “Eu quero matar meu chefe” ou “eu já comi a mulher do chefe” ou “eu já caguei na mesa do meu chefe”. O aluno resolve admitir que colou, ou teve acesso privilegiado a uma prova de matemática.

Isto será descoberto. Não adianta. Tudo o que você faz no Orkut é descoberto de uma maneira ou de outra. No Twitter então... bem, não imagino que alguém imagine planejar um assassinato em segredo no Twitter. Mas, se o Orkut tem alguma função hoje em dia ela é a de te informar quando os seus amigos fazem aniversário. Bem, também, mas na verdade eu ia dizer que essa função era a de um controle social. Seus chefes, parentes, pessoas interessadas, pode ter certeza que elas seguem os seus passos no Orkut.

E aí vem o suicídio virtual. Há pessoas que cometem o suicídio apenas com essa notícia de que tudo o que ele faz está sendo observado. Mas, geralmente, o suicídio é uma resposta a descoberta em si. Um scrap da namorada “Paulinho seu safado, eu to olhando”. Ou do chefe dizendo “ah, comeu minha mulher, é? Vamos conversar amanhã”.

As pessoas poderiam apelar para a desculpa de que, há, era uma pegadinha do Mallandro. Ou que alguém havia roubado a sua senha no Orkut. Ou que você tinha entrado na comunidade “Eu adoro Bon Jovi” e alguém de sacanagem mudou o nome da comunidade. Mas, é claro que essa desculpa não vai colar. Então num ato de desespero a pessoa deleta a sua conta. Para dizer “eu nem tenho Orkut, você não tem como provar! Ahhh!”. Acontece que hoje em dia, existe o Print Screen.

No final o suicídio acaba sendo o caminho mais fácil. Aposto que o índice de suicídios virtuais é maior entre suicidas reais fracassados. É um ato que no fim, não requer muita coragem. Ou não. Ao contrário do suicídio de verdade, neste há espaço para o arrependimento. E você continuará convivendo com o problema.

Existem pessoas que cometem o suicídio com outras desculpas. “Ah, o Orkut virou uma rede de idiotas” – “O Facebook já não é tão bom como antigamente” ou ainda que você está saindo do Twitter para ter mais tempo para estudar, ele está tirando o seu tempo. Para mim, essa é a pior desculpa. Eu não acredito que uma pessoa realmente deixe de sair de casa para ficar acompanhando o Twitter.

No geral, a melhor desculpa para o suicídio virtual é a desilusão. Sim, no Orkut você perde a sua fé sobre a raça humana. Vê tantas pessoas se comportando de maneira irracional, desrespeitando qualquer norma de convivência que você pensa “não, não é possível que essa pessoa tenha a mesma base genética que eu tenho”.

Outra desculpa aceitável vem de um conhecido de um dos membros do blog. Ele entrou em seu Orkut e viu um recado de um cara sem camisa e com cara de pedófilo dizendo “Oi”. No mesmo momento ele pensou “este cara está olhando meu Orkut” e chegou a conclusões nojentas sobre as atitudes que o cara sem camisa estava tendo diante do seu perfil. Na mesma hora, o conhecido do blog excluiu sua conta, quebrou seu computador e se jogou pela janela.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Balanço da Copa 2010

E aqui estamos nós. Alemanha e Uruguai fizeram uma partida divertida e a Espanha derrotou os cavalos do carrossel holandês para ser campeã mundial. Vamos ao balanço da competição e uma série de top 5.

Os 5 melhores jogadores
5 David Villa: A Espanha sofria com uma dificuldade crônica para fazer gols. Coube a Davil Villa fazer quase todos eles. A aposta mais segura no bolão era: Espanha 1x0, gol de Villa.
4 Thomas Müller: O jovem alemão passou a ser chamado de “Deus do Futebol” em seu país. Não é para menos. Ele era apenas um coadjuvante do Bayern de Munique, mas foi uma das estrelas da Copa. Foi decisivo nos jogos contra Argentina e Inglaterra e desfalcou seu país no jogo da eliminação. Zagallo gostou do camisa 13.
3 Wesley Sneijder: O careca holandês, que sempre nos faz lembrar de Wesley Snipes, foi o cara da Holanda. A qualquer momento ele poderia chutar uma bola de longe e a bola poderia desviar em algum adversário e entrar no gol. Três dos seus cinco gols foram assim. Mas o que importa é que foram gols. Também deu vários passes precisos, para que o outro careca, Robben, perdesse gols.
2 Andrés Iniesta: Iniesta corre, marca, cruza, passa, participa do jogo intensamente o tempo todo. Seu defeito é não chutar ao gol. Foi o melhor em campo em dois jogos antes da final. Na final foi o mesmo de sempre, inclusive no defeito. Até que ele chutasse a bola do título. Seu defeito foi perdoado.
1 Diego Forlán: O uruguaio teve uma atuação mitológica. Se todos reclamavam da bola, ele não teve problema. O problema ficou com os goleiros. Forlán fez gols decisivos, quase sempre de fora da área. E quando foi de dentro da área foi um golaço. Carregou uma seleção medíocre até as semifinais. Armou e finalizou as jogadas. Um mito, uma lenda. O senhor Jabulani.

Os 5 piores jogadores
5 Sani Kaita: Seu time estava vencendo quando ele resolveu chutar um adversário fora do campo e foi expulso. Seu time perdeu, para a Grécia.
4 Sidney Govou: Sua presença em campo foi inexplicável. Nem mesmo um romance foi assumido entre ele e o treinador. Govou não corria, não marcava, não chutava. Você até se esquecia que ele estava em campo. Mesmo assim, “participou” dos três jogos franceses na copa.
3 Ri Kwan-Chong: No pífio time da Coréia do Norte, o lateral esquerdo se destacou. Conseguiu ser o ponto mais fraco do time. Todas as derrotas foram construídas as suas costas.
2 Jon Dahl Tomasson: O cover de David Bowie teve uma atuação rídicula. Finalizou várias vezes e sempre muito mal. Furou uma bola na pequena área e marcou apenas um gol. No rebote do pênalti que ele havia perdido. Pra piorar, se machucou no lance.
1 Abdelkader Ghezzal: Um mito argelino. Entrou em campo aos 14 do segundo tempo. Três minutos depois recebeu um cartão amarelo. E aos 28 do segundo tempo colocou a mão na bola, dentro da área, em um lance completamente retardado. Foi expulso. Aposto até que ele enfia o sorvete na testa.

Os 5 melhores jogos
5 Camarões 1x2 Dinamarca: Um jogo surpreendente. As duas defesas se mostraram péssimas e as chances de gol aparecem em abundância. Foram algumas bolas nas traves, os goleiros tiveram que trabalhar muito. Foi o jogo mais movimentado do mundial.
4 Uruguai 2x3 Holanda: O quase aposentado van Bronckhorst abriu o placar em um chute espetacular e o mito Forlán empatou. Bronckhorst salvou uma bola em cima da linha e o Uruguai jogava pra cacete, os caras pareciam alucinados atrás da bola. Sneijder marcou um dos seus tradicionais gols cagados, Robben aumentou. E quase no fim o Uruguai diminuiu. Os últimos minutos foram de tensão absoluta.
3 Uruguai 1x1 Gana: Foi um jogo interessante, porém arrastado, com um gol pra cada lado até que veio o lance final, o lance mais impressionante de todos os tempos. Falaremos dele mais abaixo. Nos pênaltis, o Uruguai passou.
2 Eslováquia 3x2 Itália: A Eslováquia fez 2x0 na Itália, surpreendente. Era difícil acreditar que veríamos a Itália ali, morta diante dos nossos olhos. Mas os italianos diminuíram. A Eslováquia voltou a marcar um gol, para aumentar nossa incredulidade. Mas a Itália diminuiu de novo. E no último lance do jogo, Pepe teve a chance de marcar o gol da classificação. Chutou pra fora.
1 Alemanha 4x1 Inglaterra: Um dos melhores jogos da história do futebol. Para fazer com que todos os nostálgicos que acham que futebol só teve graça até 1970 se mordam de ódio. A Alemanha começou massacrante e fez 2x0. A Inglaterra cresceu no jogo, diminuiu, empatou mas o juiz não deu. Mas os ingleses continuaram em cima, mandaram bola na trave, fizeram o goleiro alemão trabalhar. E em dois contra-ataques, Thomas Müller matou o jogo. Os ingleses ainda lutaram, mas não deu. Até me arrepiei lembrando aqui.

Os 5 piores jogos
5 Uruguai 0x0 França: Govou perdeu um gol embaixo da trave, Forlán finalizou uma bola próxima ao gol. E só.
4 Suíça 0x0 Honduras: O goleiro suíço Benaglio fez um milagre. Honduras teve diversas chances, mas nunca criou perigo de verdade. Os dois times eram muito ruins, puta merda.
3 Inglaterra 0x0 Argélia: A Argélia jogou um futebol digno de Argélia. E a Inglaterra também.
2 Paraguai 0x0 Nova Zelândia: Os dois melhores lances do jogo, foram duas bolas chutadas pelo lateral-direito reserva do Paraguai. Chutes de longe que passaram longe do gol.
1 Argélia 0x1 Eslovênia: Os dois times jogaram pelo empate. E iam conseguindo isso, se não fosse o goleiro Chaouchi que engoliu um frango monstruoso. Nem o lance do gol teve algum perigo.

As 5 surpresas
5 Lee Chung-Yong: Jovem coreano, foi o melhor jogador do time na competição. A Coréia surpreendeu com sua eterna velocidade e chegou as oitavas de final.
4 Vincent Enyeama: O goleiro nigeriano fez uma série de milagres nos dois primeiros jogos. Parecia que estávamos diante de uma muralha. Até que ele falhou e o time perdeu para a Grécia. Mas vale a lembrança, pela impressão inicial.
3 Asamoah Gyan: Atacante rápido, se movimenta muito e perde muitos gols. Perdeu o pior de todos, no último minuto. Mas foi o melhor jogador africano do torneio.
2 Keisuke Honda: Eu achei que o Japão seria humilhado no torneio. Mas não. Honda, ao lado de Matsui, liderou os surpreendentes japoneses no torneio. O Japão foi o time que jogou mais próximo do seu máximo no torneio.
1 Landon Donovan: Os americanos realmente aprenderam a jogar bola. E não só isso, empolgaram os torcedores. Donovan foi um dos melhores jogadores do torneio enquanto esteve nele.

Os 5 lances inesquecíveis

5 De Jong e o golpe de caratê: Entre tantos lances violentos na competição, o de Jong na final se destacou. Um pé no peito do espanhol Xabi Alonso. O juiz deu apenas cartão amarelo e declarou o nocaute.
4 Os pênaltis perdidos de Paraguai e Espanha: As duas equipes faziam um jogo travado e chato. Até que houve um pênalti para o Paraguai. Cardozo cobrou para a defesa de Casillas, que armou o contra-ataque e.. pênalti para a Espanha. Xabi Alonso faz o gol mas o juiz mandou voltar. Ele bateu de novo e perdeu. No rebote, novo pênalti, só que dessa vez o juiz não deu.
3 O gol perdido por Yakubo: Yakubo recebeu cruzamento de Ayila. Ele estava livre na risca da pequena área. Teria apenas o trabalho de empurrar para o gol e empatar a partida. Yakubo, a bola e o gol. Pois ele acertou a garrafinha de água do goleiro, no lado de fora do gol. Era muito mais difícil não fazer o gol do que fazer. E ele conseguiu. Vinícius Gressana se orgulharia.
2 O não-gol de Lampard: Vocês que leram a história das copas, sabem. A Inglaterra foi campeã mundial em 66, contra a Alemanha, graças a um chute de Hurst, em que a bola quicou fora do gol e o juiz deu o gol. Inglaterra a Alemanha jogavam novamente, alemães vencendo por 2x1. Frank Lampard chuta a bola encobrindo o goleiro. Ela bate no travessão e quica 40 cm dentro do gol. Empate? Não. O juiz não deu o gol. A vingança é um prato que realmente se come frio.
1 A mão salvadora de Luiz Suárez: Gana e Uruguai empatavam por 1x1. Falta para Gana, no último minuto da prorrogação. O goleiro sai mal do gol e Appiah chuta, Suárez salva o gol com os pés. No rebote, Adyiah cabeceia e Suárez salva novamente, desta vez com a mão. Um pênalti, no último minuto da prorrogação, depois de um bate-rebate sensacional. Asamoah Gyan se posiciona para bater o pênalti, que poderia pela primeira vez classificar um time africano para a semifinal de uma copa. Suárez deixa o campo chorando, desolado com a visível desclassificação. Gyan bate no travessão e o juiz apita o fim do jogo. Nos pênaltis, o Uruguai se classificou. Suárez volta ao campo como herói e Gyan deixa o gramado chorando copiosamente.

Os 5 nomes
5 Mick Jagger: Hmm, olha o Mick Jagger. O cantor dos Rolling Stones se transformou em uma atração. Foi visto em vários estádios, torcendo para vários times e esses times sempre perdiam. Ele nos ligou, dizendo que torcia para ser o nome da copa.
4 Larissa Riquelme: Melhor colocar uma foto para aumentar as visitas.
3 Jabulani: A bola foi chamada de sobrenatural, patricinha, bola de supermercado. Mas, de tanto falarem mal dela, o nome pegou. É capaz de que vire uma espécie de Gilete.
2 Vuvuzela: Desde o primeiro jogo lá estavam elas. Cornetas barulhentas tocadas efusivamente pelo povo sul-africano. No final, todos já tinham se acostumado com elas.
1 Paul, o Polvo: O mestre dos mares. O senhor do destino. Me faltam palavras para descrever o comandante do universo. Aquele que acertou tudo o que disse. Estamos em negociação com o aquário Sea Life. Enviaremos Pai Jorginho de Ogum para lá, pra ver se ele aprende.

Seleção da copa:
Cassilas; Lahm, Juan, Friedrich e Fucile; Schweinsteiger e Kevin Boateng; Thomas Müller, Sneijder e Iniesta; Diego Forlán. T: Oscar Tábarez.

Seleção dos piores da copa.
Chaouchi; Jonás Gutiérrez, Abidal, Lukovic e Ri-Kwan Chon; Sani Kaita e Christian Poulsen; Govou, Nacho Gonzáles e Tomasson; Abdelkader Ghezzal. T: Raymond Domenech.

E assim, encerramos nossa brilhante cobertura sobre a copa de 2010. Clique na tag aí embaixo e aproveite. Ano que vem voltaremos com nossa mais ambiciosa cobertura esportiva. Enviaremos Hanz, o pansexual para o México. Será a série “Hanz, o Pansexual nos jogos Pan-Americanos” ou simplesmente “O pan no pan”. Estamos próximos de conseguir o dinheiro para a passagem de ida, e apenas de ida.

sábado, 10 de julho de 2010

Sugestão de pauta para uma conversa intelectual

Aconteceu. Quando você se dá conta, lá está você. Sentado em um café esfumaçado ao redor de várias pessoas com óculos de armação grossa. Sim, você está no meio de uma conversa intelectual. Você provavelmente estará perdido, sem saber por onde começar. Você talvez, não precise se queimar mostrando sua falta de conhecimento em assuntos discutidos em conversas intelectuais. Tente lançar os temas e deixe que os outros se matem.

1) Futebol é o ópio do povo: Imagino que a expressão tenha surgido da época da Guerra do Ópio, conflito que envolveu chineses e britânico há 200 anos. Vários chineses eram viciados em ópio e deixavam de trabalhar por conta disso. Levantar a questão sobre o futebol poderá levar a um debate de pelo menos quatro horas e meia. Bem, talvez menos. Porque em uma roda de intelectuais jamais haverá um comentário favorável ao futebol.

2) Cinema Europeu: Lance a pedra sobre os melhores filmes húngaros da década. O cinema francês através dos séculos. A maravilhosa fotografia do cinema polonês. A sensibilidade búlgara. A Espanha se vendendo a Hollywood. Os dilemas do cinema inglês. Há futuro para o decadente cinema tcheco? São várias as possibilidade.

3) Literatura russa: Cite alguma obra de Dostoievski para que se abra o debate. Mas faço isso logo. Como é de conhecimento geral, Dostoievski é o autor preferido de 5 entre 10 brasileiros. Não há um brasileiro que jamais tenha lido o russo e logo teremos “Irmãos Karamazov” como novela das 8.

4) Música Sertaneja: Ok. Pode parecer que não, mas dependendo das pessoas que estejam a sua volta este tema pode render. Não se trata de uma discussão sobre autores favoritos, mas sim, sobre os valores do gênero. Teria a música sertaneja de raiz o seu valor? Seria um gênero popular que foi transformado pela cultura de massa? Seria tudo um lixo? Seria direito do povo escutar o que ele quer? Chitãozinho e Xororó podem ser considerados música de raiz, nos tempos atuais? Sendo que eles foram produtos da cultura de massa, seria a indústria cultural capaz de enraizar costumes nas tradições populares? Uau.

5) Kibe: Kibe, é ou não é salgadinho? Em uma festa de aniversário, temos vários salgadinhos feitos com massa e tudo mais. E lá está o kibe, perdido no meio de croquetes e risoles. E sempre sobra muito mais kibe em relação aos outros. É algo da ordem do horror que os kibinhos façam sucesso.

6) Freud: Falando em ordem do horror, discussões freudianas podem durar dez horas, pelo menos. Podem provocar mortes. Freud explica tudo, afinal? Ele apenas inventou desculpas para as suas perversões sexuais? Como Freud explicaria o caso do goleiro Bruno? E o polvo Paul? Leve pipoca para não passar fome.

Ok. Agora vamos procurar uma sugestão de pauta para a próxima postagem do CH3.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Grandes nomes da história (8)

Na verdade, Paul era a morsa. Ou, a morsa era Paul. Era o que dizia John Lennon na letra de “Glass Onion”. Essa afirmação pode parecer estranha, uma vez que o próprio John é que cantava “Eu sou a morsa”. Mas, Paul era a morsa no clipe da música. O único que aceitou usar uma fantasia bizarra de Walrus.

Mas aqui, não falamos da morsa, e sim do polvo. Sim, o polvo Paul. Em um planeta com bilhões de seres humanos, milhares de especialistas em futebol que fazem as suas apostas, apenas um ser é infalível: Paul, o polvo.

Polvos são moluscos. Na minha teoria, polvos deveriam ser classificados como “Animais escrotos”, pois eles realmente são animais escrotos, repugnantes. É impossível olhar para a foto de um polvo por mais de três segundos. Polvos também são canibais e são constantemente utilizados em animações pornográficas japonesas. Bem, isso diz mais sobre os japoneses do que sobre os polvos. Mas, mesmo assim eu ainda me pergunto como é que tem pessoas que tem coragem de comer esse animal.

Pois, Paul, o polvo, seria mais um desses animais escrotos. Nasceu como nascem os polvos e foi viver no aquário Sea Life na cidade alemã de Oberhausen, na grande Düsseldorf. Ele tem apenas dois anos.

Um dia, alguém resolveu fazer uma brincadeira com ele. Não sei como é que alguém teve essa idéia. Iria acontecer um jogo de futebol. Colocaram um recipiente de vidro dentro do aquário. Dentro do recipiente, a bandeira do país envolvido na partida e um pedaço de molusco. O recipiente que o polvo escolhesse primeiro, seria o vencedor.

Era apenas uma brincadeira, mas isso realmente aconteceu. Poderia ser uma coincidência, mas não. A prova foi repetida várias vezes e invariavelmente Paul estava certo.

Hans, o Pansexual, acha Paul muito sexy. Já Pai Jorginho de Ogum diz que o polvo foi seu discípulo, que até hoje costuma a fazer telefonemas para o mestre.

O fato é que o polvo se transformou no grande nome dessa copa e conseqüentemente, num dos grandes nomes da história. Na estréia da seleção alemã, ele apostou que a Alemanha derrotaria a Austrália. Tudo bem, todo mundo sabia disso. Depois ele apostou que a Sérvia derrotaria a Alemanha. Paul foi humilhado por algumas horas, até que para surpresa do mundo – isso realmente aconteceu.

Na seqüência, o polvo acertou que a Alemanha derrotaria Gana, Inglaterra e Argentina. Ele já era uma celebridade, um oráculo do mundo moderno. Capa da revista People, páginas amarelas da revista Veja, editor do Fantástico. Veio então o seu maior desafio: Espanha x Alemanha. O momento em que ele escolheria o vencedor foi transmitido ao vivo pela televisão alemã. Ele havia passado a semana pressionado sobre a sua escolha.

A audiência do momento foi maior do que a de qualquer jogo na história. A tensão aumentava a cada segundo. E Paul escolheu a Espanha. Festa nas ruas espanholas. Choro dos alemães. Pôsteres de Paul foram queimados pelas ruas de Berlim. Tentaram desmerecer a trajetória de vida de Paul.

Mas o polvo fala a verdade. Não é possível saber se os alemães confundiram as coisas. Se entenderam que, ao invés de um palpite feito por um molusco, a vitória espanhola era uma vontade Paul. O desejo de uma espécie de comandante da vida no planeta, um guia do universo.

A Alemanha foi dominada pela Espanha desde o começo do jogo e o gol de cabeça de Puyol classificou os espanhóis para a sua primeira final na história. Os alemães pareciam ter aceitado a derrota, ou estarem com medo de contrariar o polvo. Na final, os ibéricos enfrentarão os Neerlandeses. A Holanda derrotou o Uruguai por 3x2, jogo emocionante em que os holandeses contaram com a sorte. Paul sabia disso.

Nas últimas horas, um cerco foi montado em volta do Sea Life. Centemas de alemãs querem matar Paul, fritá-lo e devorá-lo, temperado com sal, pimenta e limão. É possível que Paul tenha que pedir asilo político nas próximas horas e a segurança do local foi reforçada.

Porque, em breve, Paul irá decidir o vencedor da decisão de terceiro lugar e, mais importante, o grande campeão. É o grande momento da vida deste, que é considerado o ser invertebrado mais inteligente do planeta. O evento será transmitido ao vivo para todos os países envolvidos.

A escolha de Paul decidirá se ele entrará definitivamente para a história, ou se ele era apenas um aventureiro oportuno. Não é possível saber a escolha de Paul. Mas, sem dúvida, o preterido já entra derrotado em campo.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Aparições Misteriosas

Vocês devem se lembrar desse caso. Em uma pacata cidade do Paraná, era Paraná se eu não me engano, uma família limpava alegremente a janela da casa. Até que, devido a má-qualidade do produto de limpeza, uma mancha se fez na janela. Isso acontece às vezes. Quem estava limpando a janela deve até ter dito um palavrão do tipo “puta que o pariu” antes de perceber: a mancha na janela era a imagem de Nossa Senhora.

Seria apenas um caso bizarro. Mas a família, que era muito religiosa, achou aquilo fantástico. Chamaram a imprensa. A janela manchada com Nossa Senhora apareceu no Jornal Nacional. Parapsicólogos foram chamados para provar que não, a Virgem Maria não estava naquela janela. Mas aí já era tarde. Uma multidão se aglomerou diante da casa na expectativa de poder ver a imagem santa. Chegou-se a pensar num sala tour, que levaria uns poucos endinheirados a um tour pela casa com direito a vista da janela.

Não sei o fim que o caso teve. Provavelmente a TV se cansou daquilo, os curiosos foram embora e a família teve que arrumar alguma maneira de limpar melhor a sua janela.

Casos assim não são uma raridade. Nossa Senhora já apareceu em alguns lugares exóticos, segundo algumas pessoas. Em um azulejo quebrado ou em uma infiltração na parede. Até mesmo em um sanduíche. Sim, esse é o caso mais bizarro de todos. Uma mulher de Hollywood fez um sanduíche. Comeu meio pão e ficou satisfeita. Dia seguinte ela resolveu esquentar o meio sanduíche para comer. E ao esquentá-lo, a surpresa – apareceu Nossa Senhora. Não me pergunte como, mas o fato é que ela queria 20 mil dólares no e-bay pelo sanduíche santo.

Há quem já tenha visto Jesus no fundo de uma xícara ou o demônio num corte de alcatra. Mas as imagens de cunho religioso devem ter alguma grande explicação na psique humana. Deve ter alguma explicação com o ambiente de religiosidade. Se a mancha santa tivesse ocorrido na janela da casa de uma família islâmica, era capaz de que pensassem “olha, parece uma mulher de burca. Sabe como faz pra apagar?”.

Existem pessoas que enxergam mapas em todos os lugares. As pessoas chamam isso de Cartacoethes. O mapa da Austrália entre azulejos quebrados, a América do sul numa abóbora e a Inglaterra num papel amassado. Existem pessoas que enxergam imagens fálicas em tudo o que vêem.

Eu poderia ficar aqui inventando casos bizarros, de pessoas que já viram São Benedito num molho de alcaparras. Ou dos policiais que viram o rosto de Charles Bronson no peito de um traficante baleado. Porque é muito provável que tudo isso já tenha acontecido. Afinal, cada um enxerga o que quer.




O único caso realmente surpreendente sobre isso aconteceu na última sexta-feira. Ao voltar ao vestiário, o holandês Arjen Robben foi verificar sua perna que havia sido pisada por Felipe Melo. E qual foi a sua surpresa, ao perceber que as travas da chuteira formaram o rosto de Felipe em sua coxa.

domingo, 4 de julho de 2010

O fim

Como vocês já devem saber, o Brasil foi eliminado da Copa do Mundo na última sexta-feira. A derrota de virada para a Holanda acabou com as chances da seleção no torneio. Depois de um bom primeiro tempo, a equipe voltou apática. De tanto gritar “a gente é guerreiro!” parece que o time voltou sem forças e apenas Felipe Melo fez o que dele se espera. Pisou em um adversário e foi expulso. Na saída do campo ainda alegou que a jogada não havia sido violenta, porque ele não havia quebrado a perna do adversário. E se ele quisesse, poderia ter quebrado. Pensamos até em mudar o nome do blog de CH3 para FM1 depois dessa, porque There’s Only One Felipe Melo.

Podemos dizer que pelo menos nós nos livramos do Felipe Melo, Dunga, Olodum, Galvão Bueno, comercial da Brahma sobre os guerreiros. Agora as vuvuzelas tem menos chances de virar moda, não gastamos mais dinheiro com lingüiça e também não temos que agüentar as opiniões abalizadas de Max de Castro, Denílson, Dani Bananinha e Júnior sobre os jogos.

Mas nem tudo é festa. Temos que agüentar pessoas escrotas que começam a rir e dizer “O Brasil se fudeu” e os discursos em tom de lamentação.

Fui a casa de Pai Jorginho de Ogum para saber como ele estava reagindo a derrota. Afinal, ele já foi jogador profissional e em toda a sua vida havia acertado apenas um drible em sua carreira, num amistoso contra o time júnior do Internacional em 1978. O drible foi sobre Dunga. O jogo terminou 18x0 para o Internacional e Dunga foi expulso.

Encontrei Pai Jorginho em cacos. Parecia ter bebido muito e caído no chão com uma garrafa. Pedaços de vidro pelo chão e Pai Jorginho dormindo sobre eles. Insólito. Fui até a sala e me deparei com Marcão e o começo do jogo entre Uruguai e Gana. Resolvi assistir o jogo na TV LED 42” que havia no local. Me perguntei como é que, morando naquele barraco, Pai Jorginho tinha uma televisão daquele tamanho.

O jogo seguiu tenso e terminou empatado em 1x1. Foi para a prorrogação. Ao meu lado, Marcão estava muito mais tenso. Quis saber porque tanta tensão e ele me contou. Havia entrado em um bolão valendo o toba. Havia apostado que a semifinal seria entre Brasil e Uruguai. Se Gana ganhasse o jogo, Marcão perdia o bolão.

No último lance do jogo, uma confusão danada na área e pênalti para Gana. Marcão começou a chorar compulsivamente. Recebeu uma mensagem em seu celular, cheia de risadas de um tal “Max Muleta”. Mas o milagre aconteceu e Gana perdeu o pênalti, Asamoah Gyan bateu na trave e poupou Marcão. Nos pênaltis o Uruguai se classificou e o velho pedreiro começou a sorrir.

Fui embora e percebi Pai Jorginho de Ogum acordando. Perguntei o que havia acontecido. O Senhor do Futuro me disse que não se sentia tão triste assim há muito tempo, desde o fim de Lost. Disse que não fazia tanto tempo assim que Lost havia acabado e ele me disse “como não, eu vi em 1978”. Achei estranho.

Quem ficou feliz foi Hanz, o pansexual. Sua Alemanha natal massacrou a Argentina. Sem dó. Jogou para ganhar, e não somente ganhar, para destruir, aniquilar, trucidar o adversário. Ele estava ainda mais feliz porque os alemães jogaram todos de preto “parrecem os rrroupas de látex que ya usa”. A humanidade ficou feliz, de certa maneira, porque assim Maradona não ficaria nu.

Mas a humanidade se entristeceu mais tarde com o jogo do Paraguai. Não pelo fato de que os paraguaios fizeram uma boa partida e que até mereciam ter ganho da Espanha. É que com a derrota paraguaia, a musa da copa, Larissa Riquelme, não mais irá ficar nua em homenagem a sua seleção. Ok, as pessoas não deveriam ficar tão tristes assim, não é tão difícil que ela fique nua. Falando nisso, liguei para Gressana e ele estava triste. Já havia até comprando meias novas para desfilar semi nu no dia do título do Brasil. Foi o tema de nosso terceiro post na história, procura lá.


E o CH3 continua aqui, torcendo para que a Alemanha seja campeã, apenas para confirmar a nossa previsão inicial e que assim possamos ficar contando vantagem de que nós entendemos muito de futebol. Mas futebol não é previsível como novela. Não haverá nenhum casamento e nem nenhum Baby Boom no final.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Programas Nojentos

Não. Este não é um post sobre utilizar os serviços da casa de diversão noturna Carnicentas.

A hora do almoço acaba por ser uma hora de convivência. As pessoas aproveitam este momento de folga para conversar, assistir televisão. No fundo, o grande objetivo é apenas um: se alimentar. Conseguir obter energia para manter o corpo em funcionamento. Para se alimentar, a melhor coisa é ter apetite. Fome. Um bom ambiente para isso ajuda.

Você talvez conheça alguém que seja especialista em contar piadas nojentas na hora do almoço. Que no momento em que todos comem uma lasanha cremosa, conta aquela piada sobre limpar o vaso do sanatório de tuberculosos em Barbacena. Caso você não conheça essa piada, talvez seja melhor não saber. Você pode nunca mais querer comer na sua vida.

Existem pessoas que são mais sensíveis. Que se alguém fala “merda” a mesa, a pessoa não come mais. Porque? Porque ela pensa em um cagalhão e resolve não comer mais, porque merda e comida não combinam. Cada uma tem a sua hora. Nesses casos, são pessoas mais sensíveis. É péssimo ter pessoas assim no seu círculo social.

Mas, conforme foi dito, temos a televisão. Na hora do almoço está passando o jornal local, ou talvez o Jornal Hoje. No geral é um programa descontraído, leve e etc. Claro, você pode ficar sem apetite vendo a Sandra Annenberg fazendo piadinhas insuportáveis e o Evaristo se engasgando em risadas insuportáveis.

O problema é o conteúdo. Dia desses passou uma matéria sobre uma Madre. Quatro anos depois da morte dela, abriram o caixão e... surpresa! O corpo estava intacto. Seria um milagre nordestino. O corpo dela agora estava exposto em uma igreja. Tudo bem, se não fosse o fato de que eles mostravam o corpo da mulher. Queiram ou não, era um defunto. E mostrar closes de um corpo morto há quatro anos na hora do almoço é... complicado.

O Jornal local também é especialista nisso. Já vimos matérias sobre intestino preso, com direito a entrevistas com pessoas falando de seus hábitos intestinais. Já tivemos matérias sobre gangrena com imagens de pessoas com feridas. Tá, não era sobre gangrena, mas mostrava pessoas com machucados nos pés.

Gangrena, aliás, é uma palavra nojenta. Tal qual catarro e gonorréia. Espero que você não esteja comendo e lendo esse post.

Estamos começando uma campanha agora, que pede por mais sensibilidade dos editores dos telejornais da hora do almoço. Sem defuntos, sem feridas, sem merda, sem Sandra Annenberg. Já foi bom que hoje o pisão do Felipe Melo não foi transmitido no almoço.

Bem, talvez seja melhor desligar a TV.