sexta-feira, 24 de junho de 2016

Agradecimentos gerais

O encerramento de qualquer coisa tem que ter uma série de agradecimentos.

Em primeiro lugar, eu queria agradecer ao meu pai, minha mãe e a você Xuxa, que com sua pele macia besuntada em Monange eternizou a maneira correta de se agradecer alguém.

Muito obrigado ao nosso professor de economia do terceiro semestre, que se eu não me engano se chamava Wanderley. Se suas aulas não fossem tão ruins, provavelmente não teríamos criado tantas piadas que inspiraram o início do blog. Se você, querido professor, não perdesse frequentemente o ônibus que saía de Barra do Bugres com direção a Cuiabá, provavelmente nada disso existiria.

Laís, a @lais do Twitter. Ela ensinou Tackleberry a criar o blog e deu dicas de outras funcionalidades. Se, quando procurada pelo Tackle, Laís tivesse informado que estava ocupada e nunca mais respondido, talvez esses pensamentos tempestuosos de criar um blog tivessem se esvaído da cabeça do nosso Tackleberry e o CH3 jamais teria existido. Laís, aonde quer que você esteja, obrigado. Ah, você também é responsável pelo primeiro comentário da história. Obrigado.
Laís, muito provavelmente você foi a responsável por ensinar o Tackleberry a subir essa imagem e é eternamente culpada por isso aqui.

Nossos agradecimentos ao Elemento X, eterno ombudsman informal e eminência parda do blog. Obrigado ao irmão do Tackleberry, que hoje já deve ter 43 anos, mas que na época em que o CH3 surgiu tinha apenas 11 e divulgou a página pelo Japão. Obrigado também para o Bruno Mangabeira, que deus o tenha, que divulgava o blog no saguão do IL no distante ano de 2006. Mesma situação vale para o lendário Adérito Schneider. Quem mais? Também agradecemos Leidiane e Andreza, das nossas amigas de faculdade provavelmente foram as últimas a desistir de acompanhar isso aqui. Não podemos esquecer também do Zequias, eterna fonte de inspiração.

Nosso muito obrigado para Emily e Mariana, que durante muito tempo acompanhavam o CH3 e comentavam em todas as postagens. Faz muito tempo que elas sumiram, talvez porque nós as ofendemos com algum texto, talvez porque elas arrumaram um emprego, ou talvez tenham vindo a óbito. Pouco importa. Obrigado por esse apoio longínquo. Entre os comentaristas perdidos ocasionais daqui eu lembro ainda do excêntrico Zói de Tandera, o crítico pontual Tarcílio de Carvalho. Um abraço também para o Edinho Cidral, que eu não sei quem é, mas que tem o estranho hábito de comentar os nossos posts de aniversário e apenas eles.

Eterna gratidão ao cara do comentário anônimo sobre críticos de cinemas, que certamente nos fez chegar até aqui ao dizer que as coisas não são como nós dizemos que elas são. Aceno distante e sorriso cúmplice aos looners do Brasil também, sempre presentes por aqui.


Obrigado ao Luan Germano, que não sei como é que nos descobriu, mas por vezes mantinha contato com o blog por e-mail - e-mails esses que eu demorava cerca de 45 dias para responder. Luan também já agradeceu ao blog por termos o ajudado a escrever um artigo de opinião, o que certeza é o elogio mais estranho que nós já recebemos.

Agradeço também a Maíra Matos, pessoa que conheço desde que eu tenho uns sete anos, que acabou estudando no mesmo colégio em que eu estudei e acabou por ser minha caloura na faculdade e que tá até hoje por aí, eventualmente divulgando o blog, mesmo por vezes achando que ele já acabou.

Forte cumprimento ao Dado Dória, que mesmo sem qualquer tipo de remuneração já contribuiu diversas vezes com o blog e sempre me resgatou em diversos momentos de falta de assunto. Valeu.

Certamente eu devo estar esquecendo de alguém, mas que se foda. Obrigado a todos e voltamos qualquer dia.

FIM

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Post do Tackleberry

Fundador do CH3, Tackleberry foi o primeiro a perceber que isso aqui não ia dar certo e caiu fora. Desde então já empreendeu em diversas áreas, teve empresas de publicidade, de lembranças e atualmente promove a saúde mundial vendendo Herbalife.

Para a Semana CH3, Tackleberry voltaria em um post fenomenal e épico e a porra tudo. No entanto, ele ainda não resolveu o problema da obesidade mórbida mundial e o post não ficou pronto a tempo.

Tal qual Vinícius Gressana, Tackleberry é um homem de palavra, ok, mais ou menos, mas acreditamos que um dia esse post ficará pronto e ganhará as páginas do blog.

A imagem também não tem muita relação com nada e foi recebida via whatsapp.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Post do Vinícius

Dando continuidade a Semana CH3, ficou combinado que Vinicius Gressana faria um post de retorno/despedida ao blog.
Infelizmente,  ele anda muito ocupado em seus processos de desenho e ainda não enviou o material, cujo conteúdo ele mantém em segredo.
Sabemos que Vinicius é uma pessoa de palavra e em breve irá disponibilizar seu post. No entanto, é preciso marcar presença aqui porque, afinal, a Semana CH3 prevê um post por dia.
Assim que o post chegar, ele entra aqui. Ou não.
* Para os neófitos desavisados, antes de conquistar o mundo com seu Café do Feliz, Vinícius Gressana foi fundador do CH3. Ao longo de uns três anos ele contribuiu periodicamente por aqui com grandes textos.
** a imagem é meramente ilustrativa.

terça-feira, 21 de junho de 2016

Os Dez Anos do CH3

Poderia reviver meus passos naquele dia 21 de junho de 2006. Estávamos em uma quarta-feira e, se minha memória não falha, às quartas-feiras nós tínhamos aulas de Língua Portuguesa 3. Eu, Vinícius e Tackleberry estávamos no terceiro semestre do curso de Comunicação Social da UFMT e o saguão do IL era nossa segunda casa.

As aulas de português terminavam cedo, porque a professora não curtia muito esse negócio de dar aula. Ela chegava com uma hora de atraso, dividia a sala em grupos de oito pessoas e pedia para produzir um texto de dois parágrafos sobre uma reportagem qualquer da Veja. As aulas nunca avançavam além das dez da manhã.

Sei que eu estive no saguão da IL nesse dia porque as fotos comprovam. Achei nos meus arquivos essa foto extremamente mal tirada por mim que mostra Vinícius Gressana no saguão do IL exatamente no dia 21 de junho.
Por curiosidade, também tenho essa foto de Gressana no dia 22 de junho, que mostra que a simples criação do CH3 já piorou o seu estado mental, fazendo com que ele passasse a urinar em locais públicos.

Bem, voltando a criação. Acredito que eu voltei logo para casa, porque estávamos em época de Copa do Mundo. Peguei algum ônibus, talvez o 612, ou o 605, o 607, o raro 2008. Almocei na casa da minha tia e a tarde assisti a um monótono Argentina 0x0 Holanda.

Naquela noite, eu seria avisado pelo Tackleberry que ele havia criado um blog chamado CH3. Tinha um fundo preto e três postagens, com alguns desenhos e piadas que o Tackle provavelmente recebeu via MSN. Postei pela primeira vez no dia seguinte e Vinícius dois dias depois.

Desde então já se foram 1.529 posts. Uma marca expressiva que mostra como o tempo passou. A verdade é que quando o CH3 começou eu era um jovem de 18 anos, que interagia de maneira excêntrica com obras de arte complexas.

Tackleberry tinha o costume de tirar fotos apontando para buracos no teto.

E Vinícius usava costeletas e fazia uma cara de maníaco quando andava em carrinhos bate-bate.

Tantos anos depois, entre idas e vindas e tudo mais, creio que há motivo para se orgulhar do CH3. Dizer que esse negócio está aí, há tanto tempo, em um mundo cada vez mais instantâneo. Somos sobreviventes inacreditáveis da era digital. Posso dizer que passei um terço da minha vida tocando esse blog, meu grande legado para o mundo. Pobre mundo.

Um brinde pelos nossos dez anos.
Crianças, vocês não imaginam como era difícil tirar uma foto dessas. Era preciso programar o timing da máquina, sair correndo para sua posição e torcer para que tudo desse certo.




















*Este post está publicado exatamente às 19h35, o exato horário do primeiro post do blog. Sim, você vai clicar lá nele agora e perceber que o horário mostrado é 20h35, mas naquela época os nossos posts eram registrados no horário de Brasília. Sim, você descobriu agora que os posts são registrados no horário de Cuiabá. Pois é, não sei como eu nunca tive a ideia de fazer um post de aniversário nesse horário em nossos nove aniversários anteriores.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

O Mundo Pré-CH3

Se amanhã o CH3 completa dez anos, uma análise simplista nos leva a constatação de que há exatos dez anos, no dia 20 de junho de 2006, o mundo vivenciou seu último dia antes da existência do blog. Podemos dizer que aquele foi o último dia da era Pré-CH3, um período da história que também é popularmente conhecido como Idade das Trevas.
Robespierre foi um dos principais defensores do surgimento do CH3, mas acabou assassinado antes da Queda de Gressana.

Dez anos parece ser muito tempo, e realmente é, do ponto de vista formal. No entanto, a ciência provavelmente já comprovou que o tempo passa mais rápido a cada segundo, sensação provocada muito provavelmente pela velocidade dos meios de comunicação e a quantidade de informação a que nós somos submetidos. Do ponto de vista emocional, dez anos se passam muito rápido. Por outro lado, o mundo mudou completamente nesse período, o que cria uma espécie de paradoxo do tempo.

O mundo pré-CH3 era muito diferente do mundo atual, vocês, crianças, nem imaginam como. O iPhone foi lançado apenas em junho de 2007, iniciando a popularização dos smartphones em nossa sociedade. Até então, nós convivíamos com celulares rudimentares que continham o jogo da cobrinha, acessavam a internet por meio do WAP, que consumia todo o seu crédito pré-pago com poucos segundos de navegação. Pode parecer coincidência que os Smartphones surgiram depois do CH3, não é mesmo? Eu acho que não.

O meio mais popular de comunicação eram as paleozoicas mensagens de SMS e elas custavam 31 centavos por envio. O Youtube era um site de poucos vídeos e o Google só resolveu compra-lo no fim de 2006, exatamente depois da criação do CH3. A maneira mais popular de compartilhar músicas, vídeos e coisas engraçadas era via MSN – um software de troca de mensagens online da Microsoft. Existiam inclusive textos de humor que eram compartilhados em arquivos de bloco de notas. Para quem não sabe, bloco de notas é uma ferramenta do Windows.

Para stalkear alguém, você tinha que ir até o seu computador.

Por mais curioso que possa parecer existiam muitos serviços de streaming de música em sites como Terra e Uol. Eles desapareceram por bons anos por serem considerados ultrapassados, até que misteriosamente voltaram.

Nas rádios o grande sucesso do momento era Gnarls Barkleys, ou algo parecido com isso, e sua música Crazy. Outro que tocava muito nesse mundo era o James Blunt. Mas, depois que o CH3 surgiu, ele nunca mais fez sucesso. O mesmo aconteceu no Brasil com o cantor (?) Armandinho. Agradeçam ao CH3.

A TV Brasileira passava programas como Zorra Total, Domingão do Faustão e Luciano Huck. Não conseguimos resolver todos os problemas do mundo.

Os cinemas de Cuiabá ainda exibiam filmes legendados. Mas, apesar disso, o mundo era um lugar pior.

É claro que amanhã tudo isso vai mudar, que amanhã teremos dez anos e um dia de distância desse mundo pré-histórico. Mas é sempre bom termos essas lembranças.

domingo, 19 de junho de 2016

Questões sobre o aniversário

Se há um evento frequente em nossas vidas sociais, este evento é o aniversário de alguém. Presenciamos uma gravidez repentina, alguns casamentos e formaturas, um velório aqui e ali, mas aniversários nãos. Eles se repetem todos os anos e ocorrem quase todos os dias. O Facebook está aí para nos lembrar disso, quando nos manda notificações diárias de que alguém que você nem se importa tem um ano a mais de vida.

Assim sendo, deveríamos estar completamente habituados ao processo de parabenizar alguém. Chegar em alguém e desejar sinceros e profundos parabéns por mais essa etapa percorrida, mais essa vitória contra todos os prognósticos de uma morte precoce. No entanto, isso não acontece. Falhamos. Sempre.

O primeiro problema é saber quem parabenizar. Em um mundo perfeito, poderíamos parabenizar impunemente qualquer pessoa no momento em que nós quiséssemos e a justificativa seria ainda mais plausível no caso do aniversário de alguém. Mas as coisas não funcionam assim. Somos mesquinhos, praticantes dos sete pecados capitais e julgamos silenciosamente as pessoas. Escolhemos friamente aquelas que devemos parabenizar.

Fulana não, porque ela é uma destruidora de lares. Esse cara é um babaca desagregador no trabalho. Esse daí eu posso dizer que achava que ia acabar encontrando com ele no trabalho e, portanto não preciso escrever nada no Facebook. Não vejo desde que me formei no colégio. Só acompanho virtualmente desde a formatura na faculdade e naquela época eu já não gostava dele. Vou pensar mais um pouco se merece e antes de perceber o dia já acabou.

Existem as pessoas óbvias como os parentes, amigos próximos e pessoas que você invariavelmente vai encontrar ao longo do dia, não há o que fazer para escapar. Só que essas pessoas deveriam receber um cumprimento real, não? Pelo menos um telefonema? Às vezes até trabalhamos com essa perspectiva, mas antes de percebamos, o dia, novamente ele, já acabou e aí? Vai ligar no dia seguinte pedindo desculpas pelo atraso?

Mas há, sempre elas, as pessoas que vivem no meio termo das nossas relações pessoais. Aquele colega com quem você tinha boa relação no Ensino Médio, mas que o tempo acabou afastando. Seu amigo de infância, que você realmente gostaria que você feliz apesar da depressão pela sexualidade reprimida, mas que enfim, hoje mora em Cataguases e você tem certeza que ele nem lembra mais de você. O que fazer nesses casos?

Geralmente, optamos pelo silêncio, porque imaginamos que a pessoa não vai perceber nossa ausência. Mas, e se ela ficar fortemente magoada porque esperava pela nossa lembrança? Ou se escrevermos e a pessoa pensar que somos falsos que só se lembram dela quando faz aniversário, mas que nos outros 364 (por vezes 365) dias do ano o ignoram?

Você pode desejar um aniversário realmente feliz para uma pessoa, confessar que a considera um exemplo de vida e que ela está presente todos os dias em suas orações e a pessoa nem se lembrar quem você é. Por outro lado, um seco parabéns pode ser uma amarga decepção para alguém que te considerava a única razão para não cometer suicídio de maneira dramática.

Nunca saberemos como parabenizar uma pessoa, da mesma forma que nunca saberemos o que fazer quando as pessoas cantam parabéns para você, ou mesmo te parabenizam no dia a dia. Isso é uma merda.

Na última etapa da problematização aniversariante há as pessoas que não gostam de ser parabenizadas. Comunistas, ateus, cavaleiros templários ou membros de outras seitas que não vem sentido em comemorar mais uma passagem de ano desde o dia em que você nasceu. Essas são as piores pessoas do mundo. Você deseja um parabéns, ela responde com um discurso político de 43 minutos e você ainda sai pedindo desculpas.

Na dúvida, só parabenize a pessoa quando você a encontrar pessoalmente e ela fique te olhando na expectativa de receber os cumprimentos.

sábado, 18 de junho de 2016

Horóscopo da Semana CH3

Alguns anos atrás o CH3 prometeu que nunca mais iria elaborar um horóscopo. No entanto, promessas existem para ser quebradas e nossa palavra não vale muito mais do que um cacho de banana e resolvemos abrir essa exceção hoje. Por que estamos fazendo isso? Simples! Está começando hoje, neste sábado, mais uma gloriosa semana CH3. A Semana em que comemoramos aniversário e nesse caso um aniversário especial e inesquecível: dez anos. Uma ótima oportunidade para quebrar promessas.

Vamos lá e vejam nosso horóscopo especial, que irá trazer os prognósticos, spoilers do futuro, sobre vossas vidas ao longo dessa Semana CH3.
Não clica em porra nenhuma não, essa imagem é só ilustrativa seu imbecil!


Áries: Seu sol está translucido em mercúrio, deixando um leve gosto amargo no fundo da boca, com algumas notas de baunilha. Uma boa semana para você, que já é um anticristo por natureza, infernizar a vida de todos os que estão a sua volta. Você irá descer escadas em posições ortodoxas, girar o pescoço em 180 graus e vomitar substâncias esverdeadas. O terreno está fértil para o amor, portanto, enterre-o vivo.

Touro: Os próximos dias são propícios para você colocar em dia seu velho projeto de engordar morbidamente até explodir. Coma bastante, durma muito, coma mais, durma ainda mais, até que os alimentos comecem a sair por suas orelhas. De preferência para as comidas altamente gordurosas, que irão facilitar esse projeto, e evite os exercícios físicos. Profissionalmente, a semana será péssima, porque ninguém quer saber de uma pessoa que só come e dorme.

Gêmeos: Seu lado ambíguo estará destacado ao longo dessa semana. Portanto, imprima este horóscopo e utilize-o para conseguir habeas corpus. Participe de sessões de sexo grupal, traia a confiança dos seus melhores amigos, dê indiretas no Facebook e cometa atos de vandalismo contra prédios de organizações não governamentais.

Câncer: A vida será muito cruel com você nessa semana, portanto, recomendo que você não saia de casa e já fique em posição fetal aguardando o momento certo para chorar. No amor, a vida não será fácil e você será abandonado por sua alma-gêmea. No trabalho, é bom arrumar um atestado médico falso para justificar as faltas consecutivas. No entanto, se acalme: a próxima semana será ainda pior.

Leão: Signo de fogo, característico de pessoas expansivas, ditatoriais e com fortes inclinações para a violação dos direitos humanos. Escravize as pessoas a sua volta para que elas lhe ajudem a conquistar os seus principais objetivos: bens materiais. Matricule-se em um curso de teatro amador e não hesite em humilhar os seus colegas de palco.

Virgem: Pense muito bem em tudo o que você tem que fazer para essa semana, anote todos os seus compromissos em uma folha de papel, enumere-os por ordem de importância, esqueça esse papel em casa, volte no meio do caminho para busca-lo, descubra que escreveu tudo errado, rasgue o papel, comece tudo de novo e descubra os primeiros sintomas do transtorno obsessivo-compulsivo.

Libra: Coloque tudo na balança, exceto você mesmo que está precisando perder uns bons oito quilos para ser aceito socialmente novamente. Valorize as pessoas que te amam e faça muito sexo com todas elas, várias vezes ao dia. Não se esqueça dos métodos contraceptivos e cuidado com o surto de sífilis que ataca o país. Tarde demais.

Escorpião: Utilize sua capacidade de persuadir as pessoas para iniciar um grande projeto maligno que resultará na extinção da raça humana. O processo poderá ser longo e demorado, portanto, aproveite bem o tempo que lhe resta conferindo a sessão de classificados no jornal, principalmente na sessão de massagistas.

Sagitário: A semana será muito frutífera no campo da eutanásia. Se dedique a pesquisas sobre o tema e participe de congresso sobre quiropraxia. Faça a viagem dos seus sonhos e se arrependa ao descobrir que o lugar era merda. Coma um peixe e se surpreenda ao descobrir que tudo era um sonho.

Capricórnio: Comece a planejar seu futuro. Plante a árvore que no futuro irá conceder os frutos que irão te alimentar. Literalmente. Comece lendo sobre o assunto na internet, assistindo o globo rural e comprando revistas especializadas no tema. Compre bons fertilizantes e fique atento ao período correto de irrigação.

Aquário: Monte sua própria instalação artística que compreenderá apenas o seu corpo nu fazendo movimentos lentos e sensuais em frente a uma banheira cheia de ácido sulfúrico. No momento de maior êxtase da apresentação, você se equilibrará sobre as bordas da banheira e flertará com a morte de maneira vanguardista.

Peixes: Essa é uma boa semana para acreditar que sua vida vai melhorar. Acredite nos seus amigos, acredite no seu amor, acredite no seu trabalho. Acredite na classe política, acredite que as coisas podem melhorar. E então seja feito de trouxa por todos, se arrependa e viva o resto dos seus dias amargurados. Até semana que vem, quando você voltará a acreditar em todo mundo.

terça-feira, 7 de junho de 2016

Gay Charles

O mundo ficou espantado quando na semana passada um jornal britânico publicou supostas fotos de um homem que supostamente seria o Príncipe Charles, supostamente beijando um outro homem - também suposto. Com o título de Gay Charles, a matéria citava o fato de que o Príncipe de Gales estaria saindo do armário aos 67 anos de idade. Saindo do armário para entra na história.

A repercussão nos dias seguintes foi extremamente péssima para a imagem do monarca. Sua mulher, a Duquesa da Cornualha - certamente o melhor título de nobreza jamais inventado, estaria pedindo uma quantia milionária a título de indenização para não se divorciar. Sua mãe estaria pensando em deserdá-lo e se bobear o pequeno príncipe George já rejeita as fotos do vovô, uma prova de que, ao contrário do que o Bolsonaro e seus seguidores propagam, não é tão fácil assim ser um gay no mundo atual.

(Lembramos aqui que tudo não pode passar de uma grande confusão, que a foto seja uma montagem ou mostre alguém apenas bem parecido com o Príncipe Charles, ou que na verdade ele esteja beijando uma mulher de cabelos curtos e pomo de adão, ou ainda não esteja beijando, apenas fazendo uma piada sobre um antigo cumprimento cossaco e que na verdade o príncipe Charles seja muito macho, straight, penetrador de vaginas).

Pense bem em qual é o sentido da existência de um rei no mundo moderno. Existem atualmente apenas três monarcas com amplos poderes no planeta, sendo que um deles é o papa. Nos outros países em que há a existência de um rei, seus poderes são limitados e sua figura é meramente decorativa.

A rotina de um rei deve ser extremamente monótona. Dorme em lençóis macios, toma banho em banheiras mornas, come frutas frescas, utiliza roupas luxuosas e adorna sua cabeça com uma coroa cheia de brilhantes. Comparece a algum evento público e boceja solenemente, dia após dia. O rei talvez pensasse em fazer alguma coisa louca para apimentar sua relação com a própria vida, mas o preço a pagar pela loucura momentânea é a difamação pública.
Nesse momento, Charles não gostaria de estar com essa roupa ridícula ao lado de seus familiares chatos. Ele queria estar vestido cheio de plumas, indo até o chão ao som de um hit do Abba. Pensamentos vagos, bobos.


Em termos gerais, um rei só serve para apenas uma coisa: se procriar. Produzir seus espermatozoides monárquicos, que irão fazer com que a dinastia continue e que o trono não seja declarado vago, o que poderia provocar uma enorme crise de identidade nacional e abrir espaço para uma guerra civil.

Dessa forma, um rei gay é um desastre para toda uma tradição. Um rei que não goste de mulheres e que não pretenda espalhar sua célula reprodutiva no útero de sua esposa é um imprestável. Pior que isso, apenas um rei brocha, com disfunção erétil ou com alguma deficiência que tenha lhe tornado estéril. Porque o monarca homossexual ainda poderia buscar algum estímulo para espalhar seus espermatozoides por aí, mas o rei brocha seria o fim concreto de uma dinastia.

Pense então no sofrimento do Charles de Gales, caso seja confirmado que ele realmente curte rapazes. Sua condição vai contra a única função a qual ele se destina em sua vida. Uma vida inteira presa no armário, utilizando aquelas roupas cafonas e tendo que se relacionar com mulheres apenas para evitar alguma punição divina contra uma dinastia que abriga sodomitas. Quase 70 anos para finalmente poder sair por aí, beijando galalaus (passei minha vida inteira esperando o momento de utilizar o termo 'galalau' em um texto). Toda aquela monotonia e toda a sua sexualidade reprimida. Sinceramente, que vida de merda Charles.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Orgulho Profissional

Ande com um taxista em qualquer cidade do Brasil e a chance de que ele puxe conversa com você é mais certa do que a morte. Os assuntos discutidos são previsíveis: o governo atual é muito ruim, a vida hoje tá ruim, antes era melhor, violações dos direitos humanos. Para todos esses assuntos, a recomendação sempre será: concorde monossilabicamente, não crie atritos.

Em determinado momento a conversa poderá variar para outro tema: carteira de clientes. Ele já dirigiu para alguém da sua cidade, ou de alguma cidade que ele acha que é próxima a sua. Geralmente os taxistas sempre têm alguns clientes famosos: atores globais, políticos, figuras importantes no cenário nacional. O taxista contará suas corridas com eles, para onde já os levou e certamente serviu a um deles nos últimos dias.


Você há de pensar que isso em pouco interessa a sua vida e de fato pouco interessa. Pouco importa quem já esteve sentado no banco de trás daquele táxi. Tudo o que você quer é que ele te leve ao seu destino final em segurança, sem dar voltas pela cidade e, ah ilusão, sem dar opiniões sobre o cenário político-econômico atual. Mas pense: os clientes famosos são a única forma que o taxista encontra para demonstrar o seu orgulho profissional.

A vida é algo difícil de ser explicada. Surgimos a partir de células reprodutivas que começam a crescer de maneira misteriosa, se multiplicam e formam complexos sistemas que movem nosso corpo. Então, passaremos alguns anos crescendo até estabilizarmos e começarmos um período de declínio que resultará em nossa morte. Neste período, que pode ser breve ou muito longo, passaremos por várias experiências, sentiremos várias coisas e muitas vezes não encontraremos nenhum sentido para isso. Por que estamos aqui? Nessa tarde quente e desgraçada esperando o horário de bater o ponto e ir embora para casa? Deus. Não é a toa que as religiões são tão populares. É muito mais fácil tentar encontrar um propósito divino para a nossa existência terrena e acreditar que no fim teremos uma vida eterna e consagradora ao lado do criador.

No entanto, a espera por um final feliz nem sempre é suficiente. É preciso encontrar um sentido mais próximo para o que estamos fazendo. Geralmente buscamos dar uma sentido para o que fazemos, tentamos acreditar que somos uma peça fundamental para a engrenagem que move o mundo. Geralmente é o contrário: a imensa maioria de nós irá viver e morrer sendo notados por uma quantidade miserável de pessoas e seremos brevemente esquecidos assim que morrermos.

Nossa profissão é um dos motivos de orgulho. Sempre tentamos listar nossos feitos profissionais para mostrarmos como somos importantes para a existência humana e nos confortar com algum sentido para tudo isso. Médicos podem listar os procedimentos que fizeram e salvaram vidas. Bombeiros, policiais também podem falar sobre vidas que não foram perdidas graças a sua atuação. Profissionais da área de direito podem citar a justiça que eles promoveram. Jornalistas podem dizer que fizeram uma matéria importante para denunciar desmandos. Publicitários falam de campanhas que conscientizaram as pessoas sobre diversos malefícios – e propositalmente omitem que já fizeram pessoas morrer de câncer de pulmão. Garis evitaram enchentes retirando lixo das ruas. E os taxistas?

Ele jamais poderá demonstrar seu orgulho citando alguma grande corrida que ele teria feito. “Ontem eu saí lá do Sumaré, passei em Santana e fui levar o meu cliente no Jabaquara. Saindo dali foi correndo no Brás e fiz uma corrida para Vila Madalena”. Grande merda, não? Dificilmente alguém entrará em seu carro e dirá “siga aquele ônibus, porque o amor da minha vida está lá dentro”.

O que resta para o taxista? Citar os seus clientes famosos. O juiz Sérgio Moro, a Cristiane Torloni, um jogador de futebol. Acreditar que aquele dia em que a celebridade entrou em seu carro em Higienópolis e foi transportado até o viaduto do chá foi fundamental para destinar os rumos da nação. “Sabe aquele Oscar da Fernanda Montenegro? Ela conseguiu aquele nível de atuação depois que eu fiz uma corrida com ela e fui daqui até Guarulhos elogiando as obras do Maluf. Sergio Moro deflagrou a Lava Jato depois que eu levei ele para uma palestra em Taboão da Serra. Acho que eu o influenciei com meus apontamentos sobre a corrupção no Brasil. Sabe quem eu levei para embarcar para a Copa do Mundo? O Felipe Melo” e por aí vai.