sexta-feira, 31 de julho de 2009

O caso do espeto

O espeto de churrasco é um objeto em desuso. Uma barra, mais fina que um lápis e com meio metro de comprimento. Em vários lugares o espeto vem sendo substituído pela simples grelha, por conta da praticidade. Menos, é claro, no Rio Grande do Sul. Visto que os gaúchos acham que são o único povo do mundo capaz de fazer um churrasco de verdade.

Esse objeto portanto está em franco declínio. Entre outras coisas porque é algo difícil de ser guardado, fica encostado na parede. Mas ele tem um uso pouco usual.

Espeto na bunda

Sim. Não sei precisar (se eu quisesse eu inventava um número aqui e ninguém ia perceber) quantas pessoas tem que ser atendidas por ano, por estarem com espetos de churrascos presos na cavidade anal. O CH3 pensou um pouco e chegamos a conclusão de que essa é a situação mais constrangedora pela qual um ser humano pode passar. Dissequemos os fatos.

1 O momento: O que se passa pela pessoa que realiza um ato estapafúrdio de colocar um espeto no toba? Todos os envolvidos nessa situação alegam que começaram a sentir uma coceira intensa na região e o objeto mais próximo que satisfazia esse desejo de se coçar era um espeto de churrasco. Se empolgaram durante o ato, se excederam e aconteceu isso.

Vejamos bem. Mesmo se isso for verdade é de uma surpresa intensa que alguém tenha uma idéia idiota dessa.

2 A Ajuda: Haverá um momento em que a pessoa com o espeto preso na bunda precisara de ajuda para retirar o objeto. É um momento bem complicado, sem dúvida. Bem, a pessoa tem que aceitar que precisa tirar aquilo dali. Não dá pra viver o resto da vida nessa situação. Como é que se pede ajuda para isso? “Ae tio, me ajuda a tirar esse espeto aqui, ele ficou preso na minha bunda”.

Será um bom tempo pensando em como fazer a abordagem. A pessoa que irá ajudar vai sentir vontade de rir, sem dúvida. E antes de tentar ajudar vai perguntar “mas como é que você fez isso?”.

Provavelmente a pessoa não irá conseguir ajudar. E então vem outro momento.

3 O transporte: Convenhamos. Não é fácil transportar uma pessoa com um espeto na bunda. Ela não poderá ir sentada. E dificilmente conseguirá ir deitada. E a posição possível para o transporte é bem, bem desconfortável. A solução é ter uma picape. E torcer para que nenhum ônibus (ou outro veículo mais alto) passe pelo seu carro. A melhor solução é ligar para uma ambulância.

O que também não é fácil.
- Oi, preciso de uma ambulância aqui na rua 5.
- O motivo?
- É... meu sobrinho ele... ele está com... com um espeto preso... ahn... preso no ânus.
- Pfffff, a ambulância está a caminho.

4 O hospital: No momento em que o paciente chegar ao hospital ele será transportado em uma maca. Provavelmente um lençol será colocado para cobrir o local e que assim, ninguém tenha que ver uma pessoa com um espeto preso na bunda. Mas, isso cria outro problema que é o de as pessoas verem um pessoa com um lençol beeeeeeem estendido a cobrindo. Imaginem, o lençol vai ficar muito alto.

Todas as pessoas irão correr para ver o caso da pessoa com um espeto na bunda. Por isso, é melhor que o paciente também tenha o rosto coberto por... por qualquer coisa. Para que ele não seja reconhecido. Os médicos estagiários chegarão a sala perguntando “é aqui que tá o cara com espeto no cu?”.

Depois virá algum procedimento cirúrgico.

5 O após: A vida dessa pessoa será um inferno. Será difícil manter as amizades. Terá que excluir o Orkut. Além disso, ninguém nunca mais irá a um churrasco na sua casa.

O Churrasco

Celebração medieval que certo dia envolveu carne assada em uma brasa. Nos tempos atuais a cerveja ocupou esse local. Pessoas reunidas para beber e comer farofa ao som de música ruim, pode ser considerado um churrasco.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Confessionário moderno

Ou "pecados virtuais"

O padre (que não é o Adelir) está sentado tranquilamente. Escuta um barulho. Era o João (afinal, Joãozinho um dia cresce) querendo se confessar. O padre põe se a postos.

- Padre eu quero me confessar.
- Pois bem meu filho, o que você fez.
- Criei um Twitter fake de um ator da globo. E agora as pessoas acham que é de verdade. Os sites da internet publicam notícias com base no que eu falo.
- Sim.
- Eu também... fiz comentários anônimos maldosos no blog de uma menina da minha sala.
- Sim.
- Entrei em sites pornôs.
- O que mais?
- Baixei música de graça na internet.
- Normal.
- Bloqueei meu irmão no msn.
- Vá falando.
- Também fiz sexo virtual com uma menina via webcan. E gravei tudo e mandei para sites da internet.
- Meu Deus.
- Também tirei fotos da minha namorada pelada.
- !
- Só que nós terminamos. Então eu roubei a senha do Orkut dela e postei as fotos lá. A mãe dela tem Orkut e viu tudo nas atualizações.
- Nossa.
- Mandei vírus pro meu pai. Criei um perfil fake no Orkut para xingar as pessoas. Copiei meu trabalho de Biologia da Wikipédia. E não citei. Mandei uma redação minha como se fosse um texto do Veríssimo por e-mail. Já falei que baixei filmes pornôs?
- Ficou subentendido.
- Só isso, padre.

- Nada mais a dizer?
- Não. Ou melhor. Vendi um produto que eu não tinha pelo Mercado Livre também.
- Certo. Aceite o arquivo com as suas penitências.
- Download tá demorado. Internet não tá funfando aqui.
- Pronto. Agora eu tenho que sair para ir rezar a missa.
- Obrigado Padre.
- Fique com Deus meu filho.

Padre está offline.

*A ausência do internetês foi provocada por pura preguiça e incapacidade.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Guia CH3: Como se comportar em uma entrevista de emprego

É um assunto sempre em tona. As pessoas estão sempre procurando empregos. Até quando elas estão empregadas. E o momento da entrevista é o mais preocupante. Aquele em que Davi enfrentará Golias. Aliás, não só Golias. Diria que um Dragão cuspidor de fogo. Esse Guia CH3 irá dar dicas para que você enfrente esse momento com tranqüilidade.

Com que roupa eu vou? Essa é uma das maiores dúvidas dos entrevistados. Afinal, se você for muito arrumado não irá parecer natural, vai parecer ser outra pessoa para conquistar a vaga. Se não for arrumado, parecerá desleixado e como se pouco se importasse com a situação. O ideal é um meio-termo? Mas o que é meio-termo? Muito difícil estabelecer. Para resolver isso, vá o mais natural. Ou seja, nu. Isso mostrará toda a sua atitude e vontade com a situação.

O normal é que você seja contratado nesse exato momento. Nem que seja com a condicional de que pelamordedeus você se vista logo. Mas, caso isso não aconteça, você terá que enfrentar a entrevista.

Comece pelas preliminares. Se o entrevistador for do sexo oposto, leve um CD do Barry White. Marvin Gaye pode funcionar também. Leve também uma garrafa de champagne, boa safra. Sirva em copos finos. Se o entrevistador for do mesmo sexo que o seu, converse sobre um assunto de comum interesse. Como: futebol, novela, sexo oposto.

Sempre olhe nos olhos do entrevistador. Principalmente se você for homem e ela mulher. Há um limite para a sua nudez.

Responda a todas as perguntas com extrema convicção. Bata na mesa após cada resposta de for preciso. Deixe bem claro que suas qualidades são excepcionais. Nem que elas sejam fazer um cafezinho gostoso, ou tocar More Than Words no violão. Faça o entrevistador acreditar que o seu café é capaz de provocar a paz mundial.

Fale dos seus defeitos com convicção também. Que ninguém ronca como você ronca. Que você quando lava a louça deixa a comida acumulada no ralo. E que nunca usa fio dental. Nos dentes, para ficar bem claro.

Esteja preparado para uma guerra. Se o entrevistador fizer uma pergunta mais dura, reaja com a dureza necessária. Não hesite em humilhar o entrevistador. Se ele perguntar algo como “porque você quer esse emprego?” responda dizendo “porque sim. E porque você usa esses sapatos ridículos, seu viadaço?”. Não descarte a hipótese de partir para uma discussão física.

Apêndice – agora o guia para o entrevistador

Todos sempre fazem esses guias pensando apenas na visão do entrevistado. Não pensam que o coitado do entrevistador também pode ficar nervoso, sem saber o que perguntar, ou com remorso por ter que acabar com os sonhos de uma pessoa.

Vamos lá. A primeira coisa é que você precisa ter ódio no seu coração. Não pode ter pena de ninguém. Precisa ir lá e estraçalhar o adversário. Como se fosse um pitbull voando no braço de uma criança. Não há piedade, não há justiça, não há redenção. Existe apenas o seu poder de destruir a vida de alguém. E se isso for necessário, não hesite.

Não se preocupe com a roupa que você vai. Você não precisa se preocupar. Quem tem que se preocupar é o Mané desempregado que você vai entrevistar. Ele sim é que tem que ficar nervoso. E se a entrevista for com você, que ele fique mais nervoso ainda.

Olhe nos olhos do entrevistado. Olhe como se você tentasse olhar dentro de sua alma. Como se você quisesse destruir seu espírito. Destroçá-lo por dentro. Obrigá-lo a fazer vários anos de terapia psicológica. Lembre-se você está no poder. Você não precisa de nada.

Apêndice 2: uma dúvida

Existe entrevista de emprego para contratar entrevistadores de entrevista de emprego?

sábado, 25 de julho de 2009

Por onde andam – aqueles que somem e nós esquecemos

Se lembram da Isabella Nardoni e dos pais dela? Sim, durante um tempo eles estavam na televisão todo dia. O Jornal Nacional não fazia outra coisa além de ficar o dia inteiro na frente do apartamento da família. Os jornais só falavam disso, de maneira exagerada. O doente mental do Reinaldo Azevedo dizia que o papel da imprensa era esse mesmo. No dia da reconstituição do crime, a rua do prédio ficou lotada. Pessoas vieram da Bahia para assistir. Levaram montagens da Isabella como se fosse um anjo. O casal Nardoni sofreu várias tentativas de linchamento. Teorias eram elaboradas. As marcas de sangue no carro, os restos de tela na roupa do pai.

E daí, o que mais aconteceu? Ninguém sabe. A essa altura os pais da menina podem estar na praia, na Suécia ou lendo o CH3 na casa dos pais. Ou podem estar presos. Ninguém mais sabe o que é que aconteceu com eles. Se vão ser presos, soltos, mortos.

E o Lindenbergue? Seqüestrou a Eloá e mais uma amiga dentro de casa. A imprensa ficou por vários dias ali na frente. Psicólogos foram entrevistados para falar sobre relacionamentos possessivos. O Orkut dos dois foi descoberto pela imprensa. Scraps em massa foram enviados para eles. Ocorreu um erro de estratégia e o cara matou a menina. Nos dias seguintes mostraram as várias tentativas de linchar o Lindenbergue, os especialistas em operações policiais mostrando os erros cometidos. Começam a falar que ele tinha um comportamento difícil, que usava drogas e era violento.

E o que aconteceu com Lindenbergue? Só sei que ele virou um vírus, em que diziam que ele tinha sido morto na prisão.

E as Operações da Polícia Federal? Quem é capaz de explicar claramente o que foi a Satiagraha? A Operação Navalha? Quem fazia o que nisso? O que fazia o Daniel Dantas, o Protógenes? Os vários lobistas. E eles se juntam as CPIs. CPI dos Correios, do Mensalão, do Futebol, do Judiciário. O escândalo dos precatórios. Onde está o Roberto Jeferson? E o José Dirceu? Onde todas essas pessoas estão?

E a Suzane Von Richthofen? Os irmãos Cravinhos? O seqüestrados da filha do Silvio Santos? A Katilce que beijou o Bono Vox no show do U2? Por onde andam os ex Big Brothers? O Joãozinho 30? Onde foram parar as sub-celebridades? Onde estará Jesus Luz daqui a alguns anos? Os membros do É o Tchan? A Feiticeira? A Tiazinha e as outras capas da Playboy que ninguém conhecia?

Onde essas pessoas todas foram parar? Eu imagino que na verdade elas nunca existiram. Vieram de um planeta paralelo, espalharam o caos por um tempo por aqui e depois sumiram, voltaram para seus lugares. Foram sugados por buracos negros, entraram em túneis do tempo. Eles vieram de ÓVNIS ou foram abduzidos. Não sei.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Grandes dúvidas que não têm explicação (7)

Onde vão parar os bordões?
Esses dias eu assisti três blocos da novela Caminho das Índias. Nesse período, escutei dezenas de personagens falando centenas Are Baba. Alguém caí no chão “Are Baba” alguém vomita “Are Baba” e por aí vai. E logo a expressão acaba caindo nas graças do povo. É Are Baba por todo lugar. Are Baba é o novo inxalá.

Quem estava no colégio ali pelo ano 2000 sabe o inferno que era. Todos os colegas que não eram engraçados utilizavam a piada do “Cuecão de Couro, mano”. Coisa do pitbicha, o personagem mais sem graça que o Tom Cavalcanti já inventou. Por razões que a humanidade desconhece esse bordão pegou e todo mundo falava ele.

Assim como existiu a época do “não é brinquedo não”. A qualquer momento alguém dizia que não era brinquedo não.

E então todas essas expressões somem. Onde elas vão parar? Em certa época eles eram ditos em uníssono nas fétidas ruas desse nosso país. Onde é que as pessoas que falavam isso vão parar? Elas não eram engraçadas?

Pois é.

Como parte da burocracia do Brasil, existem depósitos onde esses bordões são armazenados. Faz parte da lei 4.509 da Constituição Federal aprovada em 1988. No inciso 4º, no 7º parágrafo é dito “os bordões sem graça utilizados na televisão são de responsabilidade do Estado. Cabe ao Estado cuidar deles e guardá-los”.

Um desses depósitos fica na cidade de Paranatinga. Visitei o local recentemente. Na entrada você veste uma roupa de astronauta para que não corra o risco de ser contaminado com eles. E de que assim eles possam voltar e se espalhar na sociedade. Existe uma ala específica para os bordões de novela, outra para os bordões dos programas de humor. E uma última com os bordões de comercial de cerveja. Essa área, (in)felizmente é completamente isolada. Enterrada num porão fundo, dentro de barris de chumbo e concreto. Eles são muito perigosos.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Sufoque-me, por favor

Quando a causa da morte de David Carradine foi revelada, a reação da maioria das pessoas foi dizer “que doente”. Afinal, o lendário homem do Kung Fu, o Bill, morreu durante uma prática sinistra de masturbação. Ao invés de entrar num site da internet qualquer, Carradine preferiu fazer uso da auto-asfixia erótica.

Esse é o nome dessa prática demente. Também conhecida como Asfixiofilia. Consiste basicamente em amarrar uma corda no pescoço durante a masturbação. Dizem que a falta de oxigênio no cérebro causa um prazer ainda maior. Como meio de segurança, os praticantes dessa sandice, colocam um limão na boca. A razão do limão? Na hora que a corda apertar muito e a mandíbula travar, a pessoa morde o limão e o ácido do limão faz com que ela recobre a consciência.

Também existem outros métodos de fazer isso, como, inalando CO², colocando a cabeça dentro de um saco plástico, dentro de uma piscina, ou então fora da atmosfera. Não é preciso dizer que são todas práticas muito perigosas. E eu não recomendaria fazer isso. Primeiro, porque é doentio, segundo porque existe o sério risco de acontecer algum acidente durante o ato. E morrer por isso, é humilhante.

Voltamos ao caso de David. O limão caiu da boca dele, ele não conseguiu acordar e acabou morrendo num hotel na Tailândia. Saiba você, que por ano 1000 pessoas morrem assim apenas nos EUA. Sim, 1000 pessoas. Projetando esses dados para o mundo, poderíamos dizer que anualmente 24 mil pessoas morrem assim no mundo. Dá mais de 60 por dia.

Desde o último post do CH3, 120 pessoas já morreram assim. 120 famílias já sofreram essa humilhação, 120 funerais em que os participantes pensavam em rir quando viam o defunto.

Uma a cada 25 mil pessoas tentará essa prática durante a vida. Ou seja, quando você estiver num estádio de futebol, duas ou três pessoas ali dentro já podem ter tentado isso.

Há pouco que possa ser feito para evitar isso. Uma das soluções seria criar locais específicos para essa prática. O sujeito vai até o local, pega a chave de uma cabine e essas cabines são monitoradas por alguém. Se o ocupante da cabine sete ficar desacordado, em poucos segundos os paramédicos chegariam para fazer o resgate.

Outra possível solução é conscientizar os praticantes a chamar alguém (um amigo, um vizinho, um parente) para ficar por perto durante o ato. Algo como, o cara fica lá amarrado, enquanto o tio fica na cozinha fazendo um café e de vez em quando dá uma olhada para ver se está tudo certo.

Existiria ainda uma última solução, que é marcar os praticantes dessa (me faltam adjetivos depreciativos). Assim, as pessoas ao seu redor saberiam com quem estavam lidando. Principalmente os donos de hotéis, que ficariam atentos e impediriam essas mortes.

Mas, pensando bem. Não há nada fazer. A única forma é aceitar que esse é um dos passos para a seleção natural.

domingo, 19 de julho de 2009

A arte de fazer compras

Tente comprar Nescau no supermercado. É uma tarefa complicada. Você encontrará o Nescau normal, o light, o maxi, o júnior, o com actigen E. Mas isso não é exclusividade do Nescau. Molho de tomate também é complicado. Tem molho de tomate nos mais variados sabores. Com fungos, com queijo. E pense nas rações de cachorro. Tem para cachorro pequeno, cachorro médio e grande. Filhote e velho. Com problema de pelo, com problema no rim, ração Premium, Super Premium, Premium Gold, com nuggets, sabor de carne, frango e vegetais. É preciso fazer um questionário com o cachorro pra saber o que ele precisa.

Provavelmente é a pós-modernidade dos sabores. São todos fracionados, diversificados. Mas, diversificaram tanto, que hoje você não sabe o que comprar.

O caso mais complicado é realmente o do papel higiênico. Folhas duplas, texturizadas, com cheiro e se bobear até com sabor. Ah sim, também tem os papeis coloridos.

E o simples polenguinho? Existe nos sabores de requeijão, provolone, pizza, gorgonzola, cheddar e gruyere. Além dos bizarros chocolate e morango que acho que já saíram de produção. Queijo sabor chocolate era o fim, realmente. O Skinny também sofreu com essa variação de sabores. O chocolate Bis também.

Aliás, o chocolate é o caso mais fácil. O pessoal decide lançar uma versão sabor morango do Bis. Como edição especial. Portanto, se as pessoas gostarem eles depois atendem aos pedidos e mantém a mercadoria. Se for muito ruim e ninguém gostar, eles param de fazer, afinal, era apenas uma edição especial.

Daí surgem as idéias bizarras. Chocolate Alpino é bom. Suflair também. Porque não misturar os dois? Então eles fazem isso. Que fica bom, mas não era bom como os originais. E acaba que no futuro fica impossível arrumar um chocolate tradicional. Assim como os sorvetes. É difícil arrumar um sorvete simplesmente sabor chocolate. Você vai arrumar diamante negro, sonho de valsa e etc. Mas chocolate só, difícil.

É preciso acabar com isso. Antes que lancem sorvete sabor pizza, chocolate sabor queijo, papel higiênico com aroma de ração de cachorro e xampu feito de papel.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

A arte de ser polêmico

Existem pessoas que conseguem criar polêmica com qualquer coisa. Até com um assunto banal como “Kibe é ou não é salgadinho?”. É lógico que não é, mas, é possível criar um debate polêmico sobre isso. Nesse texto iremos abordar maneiras de ser polêmico. Para que você talvez seja igual ao Diogo Mainardi, que vive disso.

Alguns assuntos têm um grande potencial para criar polêmica. São eles: a música, o futebol, política e as cidades.

Música – Falar mal de uma banda sempre gera polêmica. Pode ser até a polêmica barata como falar “CPM22 é uma merda” ou “NXZero devia ser banido da face da terra”. Logo depois de escrever isso, vários fãs de 14 anos virão dizer “seu merda, faça melhor antes de criticar. Você tem inveja do sucesso deles” ou “você sabia que os discos deles vendem muito? Que eles têm muitos fãs? Que os shows dele vão muita gente?”. Mas isso não é uma polêmica assim.

Falamos de um grau superior. Experimente dizer “Acho Ramones overrated”. Se você falar isso para um amigo fã de Ramones, ele talvez nunca mais fale com você de novo. No meio de um grupo de fãs, você pode apanhar. Em uma comunidade do Orkut você pode sofrer invasão do seu scrapbook. Agora, diga algo como “sério, as músicas deles são sempre iguais, os mesmos acordes, é muito chato” no meio de um show punk. Será o começo de uma nova guerra mundial.

Outras boas frases são “Heavy Metal não é música”. “Raul Seixas era chato pra caralho” ou “Jimi Hendrix era pura masturbação mental na guitarra”.

Futebol – O futebol é uma situação na qual o ser humano fica irracional. Por isso, qualquer coisa vira polêmica. Ainda mais que existem programas de TV especializados em chamar pessoas que só servem para criar polêmica. Basta dizer “acho que o juiz acertou em marcar o pênalti”. Já é uma polêmica.

Política – Vocês sabem que é fácil criar uma polêmica sobre isso. Levante entre os amigos politizados o assunto “Governo Lula”. A conversa jamais irá terminar. Ou irá terminar no momento em que o SAMU chegar para socorrer uma vítima de esfaqueamento. Outros bons assuntos são “José Sarney não tem culpa”, “Ralf Leite foi uma vítima da imprensa” ou “Não deram tempo ao Collor”.

Cidades – Mexer com o bairrismo dos outros é sempre complicado. Qualquer coisa dita sobre uma cidade, estado, país, pode criar polêmica. Um simples comentário como “não achei nenhum restaurante bom em Alto Caparaó” é o suficiente para criar uma manifestação na cidade, e uma resposta sobre a felicidade do povo local e a qualidade da sua comida.

Uma piada sobre o calor em Cuiabá gera polêmica também. Sobre a estrutura da cidade, mais ainda. Imagine então falar algo como “Campo Grande é uma cidade deplorável. Não faria a menor falta para a humanidade se essa cidade nefasta fosse completamente varrida do mapa mundi”. Discussões podem surgir sobre temas como “belezas naturais do Amapá”, “culinária gaúcha”. Aliás, qualquer assunto que tenha gaúcho no meio cria polêmica. Fale que o churrasco gaúcho não é bom, pra você ver.

Agora, comecem a criar polêmica por aí.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Guia CH3: Como salvar o seu blog

Existe um momento em que o seu blog entra no vácuo. Os assuntos se esgotam, as pessoas param de comentar, você se sente sozinho postando. Nesse momento você tem duas opções. 1) largar mão de tudo; 2) salvar o seu blog. Largar a mão é mais fácil. Você para de postar e condena o seu blog a ser um túmulo aberto e inerte na internet. E você jamais irá conseguir ressuscitá-lo. Assim como organismos vivos, não existe vida após a morte na internet.

Salvar o seu blog é muito mais complicado. Irá exigir esforço, tempo e paciência. Algumas tarefas podem ser executadas. A primeira coisa é continuar produzindo para o seu blog. Continue escrevendo. Para isso utilize alguns métodos.

Aproveite as idéias antigas. Provavelmente você tem idéias de postagens que não foram a frente num primeiro momento e devem estar guardadas em algum lugar. Aproveite-as. Utilize alguma piada padrão para completar o post. Talvez não fique absolutamente bom, mas você dificilmente conseguiria algo melhor. E assim, você salvou o blog.

Aproveite textos de outros lugares. Aquela resenha bem humorada que você entregou na faculdade, um texto que você publicou em algum outro lugar. Arrume um detalhe ou outro e poste no blog.

Faça experiências. Publique posts diferentes. Se o blog é de humor, poste alguma reflexão sobre o cotidiano não tão engraçada. Publique um vídeo. Procure alternativas para a linha editorial padrão do blog. Mas não tão alternativas assim. Algo que seja próximo ao normal. Assim você amplia os horizontes, dificulta uma morte futura. E também ajuda a ampliar ainda mais os horizontes se isso for preciso um dia.

Mude o visual. Não trata de uma mudança total do visual. Arrume a lista dos links. Adicione uma imagem qualquer na lateral. Arrume os marcadores. Faça coisas simples que tomem algum tempo. Isso irá te fazer sentir útil. Vai te motivar a seguir com o blog, entende.

Expanda. Crie uma conta no Twitter. Publique arquivos no Slide Share. Faça vídeos no youtube. Qualquer coisa diferente que vá te motivar também.

Preste atenção em tudo. Nas conversas. Nas notícias. Em qualquer lugar poderá estar a idéia para a sua postagem. O humor necessário pode estar desde a manchete da internet até a conversa que você viu no ponto de ônibus.

Pense. É claro que você pensa o dia inteiro. Mas existem momentos nos quais você pode pensar sem nenhuma pressão. Enquanto está tomando banho, calçando as meias, ou na fila do caixa do supermercado. Nessa hora as idéias podem vir a sua cabeça. O normal é que depois você se esqueça delas. Mas tente se lembrar. Anote no celular, num papel. Os grandes posts acontecem de idéias surgidas no banho.

Procedendo assim, você tem boas oportunidades de salvar o seu blog.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Rock!

Hoje é o dia mundial do Rock. Iremos falar um pouco desse estilo musical assaz interessante que é preferência dos donos do blog.

Quem foi o pai do rock? Raul Seixas jurava que era o diabo. Mas cada um tem sua teoria sobre o responsável. Elvis Presley, Little Richard ou Chuck Berry. Ou ainda outro qualquer que ficou à margem do processo histórico.

O fato é que surgiu e animou a juventude. O pessoal quebrava os cinemas quando assistiam o Bill Holley (usava um pega-rapaz sinistro) tocando Rock Around the Clock. No Brasil o filme foi chamado brilhantemente de “O Balanço das Horas”. Hoje em dia ninguém quebra cinema, nem se os Benga Boys tocarem. Mas na época aquilo era muito empolgante. Os pais ficavam revoltados com aquela pornografia toda. A seguir algumas histórias.

Beatles: Eram garotos de terno. Fumaram cocaína, cheiraram LSD e colocaram maconha na veia. Viraram doidões psicodélicos usando roupas coloridas.

Bob Dylan: Fanho, cantava músicas paradas apenas com seu violão e sua gaita. Era normal dormir em shows dele. Um dia ele resolveu ligar uma guitarra, misturou folk com rock. Foi chamado de Judas, mas depois disso, podia se misturar o que se quisesse.

The Who: Surgiram na cola dos Beatles, usando ternos. Escreviam músicas sobre a frustração da juventude. Também surtaram, e passaram a tocar músicas épicas de oito minutos, e lançar discos conceituais sobre um garoto surdo cego e mudo, além de outros temas que ninguém entendia.

Velvet Underground: Fizeram discos que combinavam músicas legais com músicas inaudíveis. Pouca gente escutou, mas influenciou todo mundo. Até quem nunca escutou.

Brian Wilson: Um dos tantos surtados da música. De gênio criativo dos Beach Boys até um autista no canto do palco.

Woodstock: Jovens desiludidos se juntaram numa fazenda. Passaram uma semana usando drogas e fazendo sexo em público. Ah sim, alguns shows aconteceram. Depois vários desses músicos morreram de maneiras constrangedoras (engasgados com o próprio vômito).

Badfinger: A banda com a história mais desgraçada da história do Rock. Foram apadrinhados pelos Beatles no começo e contratados pela Apple. Os Beatles acabaram, e cansaram de apadrinhar outras bandas. Mesmo assim eles ainda fizeram algum sucesso. Foi então que o empresário da banda roubou todo o dinheiro e fugiu. Eles ficaram pobres, e o guitarrista Pete Ham se enforcou na sua garagem. Sete anos depois o baixista Tom Evans também se enforcou em seu jardim, depois de discutir com o guitarrista Joey Molland. Para piorar, Mariah Carey fez sucesso destruindo uma música deles.

Psicodélicos: Por algum motivo sempre se imagina que Rock Psicodélico seja legal. Mas no entanto, costuma a ser quase impossível de escutar.

Rock Progressivo: Apareceram recursos de estúdio que permitiam elaborar mais as músicas. Alguns artistas se empolgaram e fizeram músicas de meia hora, com sintetizadores, temáticas sobre duendes e outras coisas ridículas.

Punk: Era difícil arrumar um emprego, você era jovem e além disso, as bandas da época faziam música de temas que você não entendia. Surgiu o punk, um movimento de visual ridículo. Os mais famosos eram os Ramones (suas músicas sempre tem “I Wanna” no refrão), os Sex Pistols (que não sabiam nem tocar) e o The Clash. Depois o Clash começou a tocar Reggar, Ska e foram pra Jamaica. Aliás, Mick Jones e Joe Strummer foram para a Jamaica e não chamaram Paul Simonon. Paul ficou eternamente chateado com isso.

Anos 80: A década negra do Rock. Existiram bandas boas, mas infelizmente ninguém escutava elas. Quem fazia sucesso era o Duran-Duran, Tears for Fears e outras bandas com sintetizadores e efeitos bregas. Fora que foi a década do Pop. Ninguém se importava com guitarras, apenas em dançar.

Rock Nacional: Fez sucesso nos anos 80. Época dos Paralamas do Sucesso, Titãs, Legião Urbana e etc. Aqueles que sobreviveram tocam até hoje. Hoje as bandas que fazem sucesso são uma porcaria. As melhores vivem no underground, sobrevivendo de migalhas.

Grunge: Foi quando o visual das festas juninas tomou conta do rock. Em Seattle, um monte de depressivos suicidas fizeram sucesso.

Weezer: O sonho. Um grupo de nerds que fez sucesso com músicas sobre a sua falta de habilidade com o sexo.

Radiohead e o Eletrônico: Na época da depressão eles eram muito bons e ninguém dava a mínima. Lançaram discos eletrônicos insuportáveis. Desde então, qualquer banda que lance discos com músicas eletrônicas misturadas ao rock é elogiada.

Críticos: Uns Chatos. Querem que as bandas se reinventem o tempo todo. E só gostam de coisas chatas. Se é impossível de ouvir, os críticos gostam.

Alternativo: O circuito alternativo já é dominado por algumas pessoas. Já existe até um alternativo ao alternativo.

Emo: O pior momento da história da humanidade.

Revival: De tempos em tempos vem essas ondas. Bandas que emulam os anos 60, os anos 70. Recentemente está na moda os anos 80. E tentam fazer essa década parecer importante.


Já estamos esperando as críticas.

sábado, 11 de julho de 2009

A fabulosa história de Frank Maus

Frank Maus era um alemão comum. Morador da cidade de Stuttgart, casado e com dois filhos. Levava uma vida pacata. Trabalhava durante a semana, no fim de semana brincava com os filhos enquanto a mulher fazia o almoço. Levava o lixo pra fora e provavelmente passeava com o cachorro.

A vida de Frank mudou graças aos seus vizinhos Demetrius Soupolos e Traute. Claro que todos costumam a ter vizinhos indesejáveis, mas este não era bem o caso. Eles não escutavam música ruim em volume alto.

O casal Soupolos também tinha uma vida normal. Ela devia cozinhar e ele levava o lixo pro lado de fora. Até mesmo no inverno, com o frio danado. No entanto havia algo de diferente nesse casal. Demetrius além de ter um nome grego, era estéril. Ou seja, ele não poderia ter filhos.

Acontece que o casal queria ter filhos. E como não conseguiram, tentaram um caminho diferente. Ao invés de procurar ajuda médica, simplesmente bateram na porta do seu vizinho Frank Maus. Afinal, ele já tinha dois filhos. Provavelmente teria boas chances de engravidar Traute. A proposta era diferente, mas Frank deve ter achado interessante receber 2mil¹ euros para manter relações sexuais com sua vizinha. Infelizmente, não há nenhuma foto de Traute. A mulher de Frank não reclamou da história. Misteriosamente.

Frank então foi ao trabalho. Imagine a cena:
-Ae demetrius? Tudo certo? A Traute tá lá dentro?
-Tá sim, tá te esperando.
Frank tentou por seis meses engravidar Traute. Nesse período, tentou dia-sim-dia-não. Na mesma freqüência de posts do CH3². Foi ai que Demetrius achou que havia alguma coisa estranha. Provavelmente ele já tava cansado do Frank chegando dia-sim-dia-não em sua casa para comer sua mulher. E enquanto o ato acontecia o Demetrius ficava na sala lendo um jornal, vendo um filme. Já a mulher de Frank não reclamou que seu marido estivesse durante seis meses mantendo relações sexuais com outra mulher.

Tentaram convencer Frank a fazer exames. Mas ele não queria, afinal, tinha dois filhos. E provavelmente ele estava gostando do seu trabalho. Mas um dia finalmente aconteceu. Frank fez o exame e descobriu que também era estéril.

Ok, uma infelicidade do destino. Talvez fosse a água da rua em que eles moravam que causasse a esterilidade. A matemática talvez explique as chances estatísticas de que isso ocorresse. Não fosse por um detalhe? E os filhos do Frank? Seus dois filhos? Como ele pode ter tido esses filhos?

A mulher de Frank então teve que confessar. Os filhos não eram de Frank. Eram de outro homem. Para completar, Demetrius resolveu processar Frank por não cumprir o seu trabalho.

Agora decida quem se deu pior nessa história³?

Demetrius Soupolos: Contratou um vizinho para comer a própria mulher, demorou seis meses para perceber que alguma coisa estava errada e ainda expôs sua situação com um processo judicial.
Frank Maus: Tinha uma vida normal, foi contratado para fazer sexo, mas de uma vez só descobriu que era broxa e corno. E talvez ainda vá ter que devolver o dinheiro que ganhou.
Traute Soupolos: Só arruma homem estéril. Ficou seis meses fazendo sexo com um estranho em vão.
Sra Maus: Corneava o marido, enganou ele por anos, aceitou o emprego do marido (afinal, ela não poderia se opor ao fato do marido fazer sexo com outra, já que tinha a consciência pesada) e acabou tendo que revelar seus segredos.

Inquietações
¹Sim. Quem é que além de preferir o vizinho a um médico, ainda pagaria 2 mil euros para que um estranho mantivesse relações sexuais com sua esposa?
²O Demetrius demorou seis meses para perceber que tinha alguma coisa errada. Seis meses com o vizinho comendo a mulher, e o cara achando normal.
³Claro. Existe a possibilidade de que essa história seja apenas uma piada sem noção que publicações estrangeiras fazem no primeiro de abril, e que acabam virando verdade por aqui. Basta ver que a primeira referencia a essa história que eu vi na internet foi do dia 7 de abril. Mas mesmo assim, ela foi reproduzida por veículos sérios. E de qualquer fato a história é tão sensacional, que mesmo se for mentira, valeu esse post do CH3.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Sobre mulheres e nomenclaturas maldosas

Cachorra, galinha, piranha, vadia, biscate, vaca, meretriz. Vocês sabem o que isso significa. Quando se chama uma mulher por esse nome, você quer chamar de puta. Mas, puta é meio pesado, então você chama de galinha.

Já estamos tão acostumados com isso, que nem prestamos atenção e nem queremos saber o porque de chamamos alguém por esse nome. E ah, que fique bem claro. As prostitutas não são galinhas. Quando queremos dizer que uma mulher tem atitudes de uma prostituta é que nós a chamamos de galinha.

Eu também não quero saber o porquê que começaram a chamar as mulheres com esse comportamento assim. Mas sim, fazer uma pequena reflexão.

Piranha: Tudo bem. Piranhas caem em cima de qualquer coisa que elas vêem balançando. Faz sentido.

Galinha: Pessoas com as quais conversei sobre o assunto me disseram – “já viu como galinha faz sexo? Não? Então, a galinha tá lá paradona, ciscando, comendo agachada. O galo vem por trás, e em uns três segundos faz o serviço. É o cúmulo da rapidinha”. Ou seja, a galinha é uma coitada que é rapidamente coitada e nem tem culpa nenhuma.

Vaca: Oras, veja bem esse animal.

Veja de novo.


Mais uma vez.

Você imagina que esse pobre, pacato e singelo bicho tenha um comportamento tão indigno assim?

Cachorra: A cadela entra no cio a cada seis meses mais ou menos. Nessa época ela solta feromônios que chamam a atenção do macho. Ok, ela faz de tudo pra chamar a atenção do macho, mas depois disso vários machos ficam seguindo e cheirando suas partes íntimas. E depois do ato ela ainda anda enganchada na rua com os outros machos. E coitada, ela também não tem culpa. É uma coisa da sua natureza animal.

Mulher de vida fácil: Esse é o mais inexplicável. “Ah, é fácil ficar dando pra ganhar dinheiro”. Agora, imagine que ela faça programa com 3 caras numa noite. O primeiro é o Zé que não toma banho, depois o Ludson que é meio violento com mulheres, e no final o Mackson que tem fetiches estranhos. Se isso é fácil, imagina o difícil.

Agora, se você procurar a questão semântica das coisas, procure no blog do Professor Pasquale. Ou talvez no Twitter dele.

Falando em Twitter, o CH3 agora tem um também.
http://twitter.com/blogchtres, atualizado diariamente pelo Pai Jorginho de Ogum. Sigam-nos, os bons.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Eu não recomendo: O som do coração

Pense num filme ruim. Por pior que ele seja, ele não pode ser tão ruim quanto O Som do coração.

O dia em que eu vi esse filme foi um dia de muita decepção. Eu fui ao cinema crente de que assistiria “Onde os fracos não tem vez” um filme de machos, cruel, duro. No entanto, uma das pessoas que iria ver o filme já o havia visto. Restava apenas uma opção que era assistir “O Som do Coração”.

Logo que eu vi o cartaz eu disse que o filme seria ruim. Aparecia uma criancinha feliz nas costas do Robin Williams. Filmes com cartazes de criancinhas felizes não podem ser bons. Se essa criancinha estiver nas costas do Robin Williams, as chances são menores ainda. Disse as pessoas que o filme seria ruim, e expliquei o motivo. Brigaram comigo por isso.

E não deu outra. O filme é realmente péssimo. Resumirei a história com uma visão bem crítica.

Começa com dois personagens. Lyla e Louis. Lyla toca violino e Louis é guitarrista vocalista de uma banda mela cueca. Um dia os dois se encontram. Louis come Lyla. No dia seguinte o pai manda a menina pra outro lugar. Então ela descobre que está grávida, o pai discute com ela, ela saiu nervosa de um café, é atropelada e levada ao hospital. Onde dizem que ela perdeu o seu filho.

Certo. Passam-se uns oito anos nessa história. Nesse período a vida do Louis e da Lyla foram uma merda. Ela... sei lá o que ela fez. Já ele virou um empresário bem sucedido e cheio de dinheiro. Mas, os dois ainda tem dentro de sim o amargor, uma vida infeliz, por conta de uma foda de uma noite.

Eis que aparece então o August Rush. Um garotinho que vive num orfanato. Um dia ele acaba se perdendo na cidade, e acaba indo viver com o Robin Williams. Que faz um personagem escroto que se veste de maneira escrota e ensina criancinhas a tocar música. Para depois explorá-las.

Louis então encontra o antigo baterista da sua banda, que agora é taxista. Eles discutem e Louis percebe que sua vida é uma merda. Ele então resolve largar a sua vida, volta a vestir roupas rasgadas e a tocar numa banda mela cueca. Sendo que ele já está com uns 30 anos. Já Lyla volta a tocar violino. Todos buscando recuperar a felicidade perdida numa noite. Provavelmente foi o melhor sexo já feito em todos os tempos.

Já o garotinho August mostra um talento absurdo com a música. Toca violão de uma maneira espantosa. O escroto do Robin Williams continua explorando ele até que um dia a polícia invade o lugar onde as crianças ficam. Ele foge. Acaba parando em uma igreja, onde ele vê o coral cantando. Acaba ficando por lá.

O Louis resolve encontrar a Lyla. Sabe-se lá porque ele demorou oito anos pra procurar o nome dela na lista telefônica, se ele gostava dela tanto assim. Já a Lyla recebe a notícia do seu pai: seu filho não morreu, foi levado a adoção. Numa das interpretações mais patéticas da história.

Os dados então se cruzam. August é o filho dos dois. Filho de dois músicos ele herdou um talento absurdo para a música. Tão absurdo que ele compõe uma sinfonia a partir do barulho dos meninos jogando basquete na quadra. Aliás, ele sabe até desenhar as notas. E é levado para uma escola de música.

O filme fica naquela babaquice então. O Louis procurando a Lyla, que procura o August que não procura porra nenhuma. Quer só ficar com a cara de bobo dele compondo músicas. Quem procura o August é o escroto pedófilo do Robin Williams, que quer de alguma maneira ganhar dinheiro em cima do moleque. Em uma cena patética o Louis faz um Jam session com o August, sem saber que é o seu filho.

Tá, a história segue até a cena final. Trata-se de um concerto no Central Park. Que terá a Lyla fazendo um solo, mesmo depois de ficar oito anos sem tocar violino, e a sinfonia do muleque de oito anos. O Robin Williams já chora desgostoso a perca do dinheiro com o August.

E a tal cena final é ridícula. Me da enjoo só de lembrar. Lyla toca e começa a ir embora. Começa a sinfonia do August. Ela olha pra trás e começa a andar em direção ao palco. O Louis está numa bebedeira dentro do carro com os amigos, quando vê a placa anunciando que a Lyla estava tocando. Ele vê o moleque que tocou com ele na praça em cima do palco e vai em direção dele também.

A sinfonia acaba. E nesse momento o August olha pra trás e vê o Louis e a Lyla lado-a-lado. Os dois olham pro lado e se encontram. O August sorri. Por algum motivo ele sente que os dois são seus pais. E o filme acaba.

O fim é sem dúvida o melhor momento. É um alivio. Aliás, para não ser injusto o filme tem outra coisa boa. Ou teve no dia. O sistema de som do cinema estava péssimo e os atores pareciam estar falando na frente de um ventilador. Pelo menos isso garantiu umas risadas.

domingo, 5 de julho de 2009

Coisas que eu não consigo entender

Vale ressaltar que esse post não tem nenhuma ligação com a música do Jota Quest.

Sem dúvida existem coisas que você não entende. Não falo de entender o funcionamento do sistema digestivo de um babuíno, ou do processo de montagem de um grampeador. E sim aquelas coisas que você vê vez por outra. Que de vez em quando aparece na sua vida e você diz “não entendo isso”.

Eu, por exemplo, não entendo o jogo de baseball. De vez em quando passa na TV sobre um jogo de beisebol. São várias entradas. Um cara joga a bola. Outro rebate. E um outro fica agachado com uma roupa ridícula. Se o cara consegue rebater, todos começam a correr de um lado para o outro de maneira louca. Agora, como se pontua... não sei. Além disso o jogo tem umas estatísticas bizarras, que são impossíveis de entender. “Ele é o cara que mais vezes fechou jogos na história” “mais rebatidas nesse campo” e etc.

Nos tempos de colégio, eu nunca entendi direito trigonometria. Sério, até hoje eu não entendo. E não sei qual é a importância de crianças da oitava série saberem isso! Porque alguém com 14 anos precisa saber fazer esses cálculos? Isso era pra ser coisa de engenheiro!

Eu também não entendo... a existência dos pepinos do mar! Os bichos parecem uns cagalhões bizarros. Não é possível que no meu mundo essas aberrações existam. E digo o mesmo sobre os peixes abissais, as estrelas do mar e outros bichos escrotos.

Eu também não entendo as pizzas de estrogonofe. Oras, se você quiser comer estrogonofe que vá comer estrogonofe. É o mesmo que pedir uma pizza de feijoada, uma pizza de picanha ou uma pizza de macarrão.

Assim como eu não entendo o rodízio de sopas. Sim, isso existe nos lugares mais frios. Quem é que sai de casa pra tomar sopa? Sopa só se toma em casa ou quando se está doente. Agora... sair de casa pra tomar vários tipos de sopa? Sopa é tudo igual.

Eu não entendo, e nem sequer consigo imaginar, o momento em que um pai resolver chamar o filho de Keirrison, Wonarllevyston, Óleude, Adalgamir.

Eu não entendo como é que o Eduardo Costa é titular no time do São Paulo.

Não sei por que é que o feijão nunca esquenta o suficiente no micro-ondas.

E porque é que as pessoas vão ao rodízio de pizza e tomam refrigerante light? Vão na churrascaria e tomam suco com adoçante.

Eu não entendo o cravo no beijinho! Pra que dar o trabalho de ter que tirar ele! E ele deixa seu gosto impregnado no doce.

Sim, eu também não entendo outras coisas. Mas eu não me lembro de todas elas. Agora, digam. O que vocês também não entendem? Ou por um acaso vocês entendem alguns desses itens que eu não entendo?

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Trabalhos escolares

Na minha época (começar um texto assim denota uma sensação de muita velhice) fazer um trabalho escolar não era fácil. Isso lá pela terceira série, quando a professora de programa de saúde mandava fazer um trabalho sobre doenças transmitidas por vírus. Você arrumava uma enciclopédia na casa de uma tia, abria na página “raiva” e copiava o que a enciclopédia dizia. Copiava a mão numa folha de papel almaço.

Sim, você copiava tudo, mas copiava a mão, tendo que ler. Era um trabalho. Lá pela quinta série, os computadores se popularizavam e você começava a fazer a mesma coisa pelo computador. Alguns professores paranóicos na época não aceitavam trabalhos digitados, sob a justificativa de que não era possível saber quem era o autor. Precavidos demais. Isso era a época em que o Cadê era o buscador mais utilizado e que alguém dizia “conhece o Google, parece que ele é bom”. As pessoas nem sabiam direito da função do copia e cola.

E, claro, a internet era discada. E nem existiam tantos sites bons assim sobre qualquer assunto. Só lá pela época do primeiro/segundo ano (2002, 2003) que mais pessoas começaram a ter a tal banda larga. Nessa época, as tradicionais cartolinas de trabalho em grupo, aquelas que você se reunia antes da aula, colava umas fotos, e ficava discutindo quem tinha letra mais bonita pra escrever, elas foram substituídas pelas apresentações de slide em Power Point. Era sempre bom fazer grupo com alguém que soubesse mexer no Power Point. E, é claro, o disquete sempre dava problema. Eram poucas pessoas que tinham gravador de CD. E um CD-RW era objeto de desejo “sei de uma loja que vende CD-RW por 6 reais só”.

Enfim, as coisas mudaram. Hoje todo mundo tem internet banda larga (aliás, é difícil imaginar como é que as pessoas viveram tanto tempo sem isso), qualquer criança sabe usar o Power Point, o Google te leva a qualquer lugar do mundo, e os pen-drives acabaram praticamente com o problema de compatibilidade. Qualquer coisa, você pode mandar o trabalho pelo e-mail, eles tem capacidade liberada. Quem se lembra do tempo em que você tinha que viver esvaziando a caixa de e-mails porque o limite era de 6 megas?

Enfim. Essa longa introdução foi para chegar nesse ponto. O Google leva você a qualquer assunto. Pesquise por “raiva” no Google. Vários resultados, que parecem confiáveis. Agora pesquise por “O Brasil nas Olimpíadas”. Tantos outros resultados que parecem confiáveis também. Opa, peraí! O CH3 é o segundo resultado! Como assim? A professora passa um trabalhinho pros alunos sobre o Brasil nas Olimpíadas, e a criança caí aqui no CH3. Copia, cola e manda pra professora.

A professora então vai ler coisas como “os atletas brasileiros são sempre cagados”. Bem, isso já aconteceu. Um garoto da quarta série de um colégio do rio de janeiro publicou o começo do texto num slide de Power Point com a foto do Alexandre Pato. É um texto mais inocente sem dúvida.

Triste, é o que aconteceu com o menino Fabinho. A professora pediu um trabalho sobre como acabar com o mosquito da dengue, ele procurou no Google, caiu no CH3 e entregou pra professora. A professora começou a ler “observe como o mosquito age. Veja a hora que ele sai pra trabalhar, se volta pra casa pra almoçar”. A professora então disse “que porra de trabalho é esse Fabinho?”

Começou a ler o trabalho em voz alta para a turma. Pediu para que as outras crianças apontassem o dedo para o menino e rissem dele. Depois Fabinho foi obrigado a usar uma roupa de mosquito e lamber o chão.

Duas semanas depois a professora passou um trabalho sobre doenças perigosas. Fabinho caiu no CH3 novamente (menino burro também) e entregou para a professora um trabalho sobre o distúrbio tobamaníaco. Novamente, a professora o humilhou e o mandou... bem, nem vou dizer o que a professora mandou ele fazer.

O pior, é que semana passada ele teve um novo trabalho. Dessa vez sobre a gripe suína. Não, ele não caiu no post das máscaras. Pesquisou na Wikipédia, na Larrouse e na Barsa. Entrevistou médicos do instituto Adolf Lutz. Mesmo assim, a professora humilhou ele, rasgou o trabalho e mandou ele passar o dia inteiro mastigando o conteúdo da lixeira da sala, como um porco. Pobre menino Fabinho. Ele tem só 9 anos.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Percepções paternas

Lembro de uma vez, se não me engano em um profissão repórter da Globo. Era um programa sobre jovens promessas do futebol brasileiro que logo vão jogar no exterior. Certa hora entrevistaram o pai do Alexandre Pato. Ele disse “percebi que meu filho seria jogador de futebol quando ele tinha três anos e eu dei uma bola pra ele e ele chutou”.

Bonito, não? Todo o sentimento, a intuição paterna que nunca falha, certo? Não. Oras, qualquer criança chuta uma bola com essa idade. Eu mesmo chutava, e o máximo que consegui foi ser reconhecido pelo padre do colégio como o melhor jogador do time numa partida das Olimpíadas da escola. E eu era o goleiro.

Até hoje só escutei um único depoimento relevante sobre bolas e intuições. Foi de um travesti num programa de televisão. Perguntaram quando ele soube que era gay e ele respondeu “quando meu pai me deu uma bola pra chutar, eu peguei no colo e ninei”.

Mas o fato é que depois que os filhos crescem e fazem sucesso, os pais começam a tentar achar nas coisas mais bobas da infância os sinais de que o futuro estava traçado. Aposto que o pai do Felipe Massa deve dizer “percebi que ele seria piloto quando ele tinha três anos e ele brincava de carrinho, e haha, acredita, ele ainda fazia o barulho dos carros!”. Ou o pai do Niemayer dizendo “percebi esse talento nele quando ele era pequeno e brincava com blocos de montar”.

Quantas pessoas não brincavam com carrinhos e depois reprovaram três vezes na prova do DETRAN? Ou que brincavam com Lego, mas não sabem desenhar uma linha reta. Ainda se o Felipe Massa com três anos soubesse tirar o carro da garagem, ou que o Niemayer tivesse feito um prédio com colheres aos dois anos.

Ou seja, esses depoimentos paternos não podem ser levados muito a sério. Certo que a imprensa adora essas coisas, mas, elas só devem ser consideradas relevantes quando forem algo parecido com os seguintes exemplos. Todos eles fictícios.

“Percebi que meu filho seria advogado quando ele tinha dois anos. Ele quebrou um carrinho dele, disse que a culpa era da empregada, juntou provas, incriminou a empregada e a fez comprar uma bicicleta como ressarcimento” – Pai de Jumar Dentes.

“Percebi que meu filho seria publicitário quando ele tinha cinco anos. Ele vendeu todos os apitinhos do aniversário dele pros amigos, por 50 reais cada um, dizendo que era possível escutar eles da lua”.

“Vi que meu filho seria jornalista quando ele era pequeno. Passou três horas estudando pra uma prova, e a prova não aconteceu. Ai ele cresceu, fez quatro anos de curso, e veja só, não serviu pra nada”.

“Percebi que meu filho seria jogador de basquete porque ele tinha 1,80 com 5 anos de idade. Quebrava um galho pra limpar o ventilador...” – Pai de Bebê Cômico.

“Ficou claro que ele seria psicólogo quando ele começou a me culpar por tudo. Ele tinha só seis anos”. – Mãe do Freud.

“Logo percebi que ele faria ciências sociais. Com cinco anos ele foi na casa do vizinho rico e distribuiu todos os carrinhos dele na vizinhança. Com seis anos, sempre que eu mandava ele tomar banho, ou escovar os dentes, ele fazia um panelaço. Com sete anos ele queimou os pneus da bicicleta dele em protesto contra o dever de casa”.

“Vi que ele ia fazer engenharia elétrica porque com 11 anos ele trocava todas as lâmpadas da casa. E depois ele colocava elas na bunda”.

“Percebi que ela seria assim, com 8 anos ela esfaqueava todas as bonecas dela” – Mãe da Nardoni.

“Percebi que meu filho faria filosofia quando ele tinha 27 anos e não tinha passado em nenhum curso vestibular”.