sábado, 31 de dezembro de 2016

Retrospectiva 2016

Em um futuro distante, ou próximo, quando os estudantes de então abrirem seus livros de história, acredito que eles terão um capítulo inteiro dedicado ao ano de 2016. Os garotos vão ler aquilo perplexos e exigirão explicações dos seus professores: o que aconteceu em 2016? Que ano foi esse? Acuados, os professores tergiversarão e arrumarão alguma desculpa. No final, terão que apelar para o bordão imortalizado por Kátia, a Cega: não está sendo fácil. Este não foi um ano fácil.

Vamos começar pelo fato que une todos os anos: mortes. Como morreu gente em 2016, mas muita gente mesmo. Gente que achávamos que já havia morrido, ou que nunca iria morrer, ou que não esperávamos que fosse morrer. Carrie Fisher e sua mãe, Leonard Cohen, Geneton Moraes, Muhammad Ali, Carlos Alberto Torres, Johan Cruyff, George Martin, Umberto Eco, João Havelange, Prince, Dom Paulo Evaristo Arns, George Michael, Ferreira Gullar, Guilherme Karan, Fofão, o David Bowie. Faltou a morte de uma grande personalidade mundial? Não, morreu o Fidel Castro e, goste ou odeie, não discorde que é um dos principais atores da história recente da humanidade. Faltou uma morte trágica? Não, o Domingos Montagner morreu afogado no rio São Francisco. Morreu muita gente que parecia ser legal, cujas ausências serão sentidas no mundo.

A política brasileira consumiu nossas energias ao longo do ano inteiro. Tivemos o longo processo de impeachment da Dilma Rousseff, que acabou por aumentar ainda mais o ódio em nossa sociedade. Ao fim do espetáculo midiático, tivemos a possessão de Michel Temer e o começo de uma nova série de escândalos, envolvendo uma série de ministros, reformas estruturantes que vão ferrar com a vida de muita gente. Assistimos cenas patéticas no Congresso Nacional, com deputados e senadores votando projetos polêmicos na calada da noite, transformando um pacote anticorrupção em medidas pró-corrupção, guerras institucionais, o Eduardo Cunha que finalmente foi cassado e preso, o Renan Calheiros que, quando será? Dezenas de novas fases da Lava Jato e a onipresença de Sérgio Moro. É praticamente impossível lembrar todos os fatos políticos brasileiros deste 2016 e, quer saber? Nem faz bem lembrar, para não dar úlcera.
2016 foi exatamente isso: Dilma pintada por Romero Brito

Se a situação por aqui não foi fácil, não adianta pensar que o mundo passou por dias mais tranquilos. O Donald Trump foi eleito para a presidência dos Estados Unidos. Um maníaco bufão, sem caráter, demagogo, sociopata, insolente, enfim, um lixo de ser humano. Sua escolha foi um longo processo que, como toda boa tragédia anunciada, nos recusamos a acreditar no início e vamos negando a aceitação até o momento em que não há mais como voltar atrás. A postura de Trump desde a eleição é assustadora e a contagem regressiva para sua posse se parece uma espécie de Final Countdown.

Tivemos o Brexit, a prolongada crise dos refugiados, a situação trágica na síria, o terrorismo chegando em lugares que não imaginávamos, assassinatos filmados, enfim. Temos assistido a crescente marcha do retrocesso e da intolerância, marcha que vai ganhando peso e volume e que parece nos tragar para o fundo de um lamaçal, de onde nunca iremos escapar. Vamos lá, se depois desse ano você ainda for um otimista você merece ser tema de matéria no programa da Ana Maria Braga.

Talvez o único momento de tranquilidade para os brasileiros no ano tenha sido as Olimpíadas. Durante duas semanas pudemos ficar absortos nas histórias de superação, assistindo grandes atletas, grandes histórias e pensar que tudo poderia dar certo. Mas foram apenas duas das 52 semanas do ano. O que restou para essas 50 semanas restantes? O caos, exatamente isso.

Para encerrar o ano, quando talvez ainda procurássemos algo de positivo nele, o que aconteceu? O acidente de Chapecoense. Esta tragédia sob tantos aspectos possíveis de categorizar uma tragédia foi a pá de cal, foi a mão que esmagou aquela pontinha de esperança dentro de nós, foi aquele sopro para derrubar o castelo de cartas de nossas vidas. Não há quem não tenha ficado completamente arruinado emocionalmente com esse caso.

Diante deste cenário misericordioso, o que restou a sociedade? Buscar apoio neles, que traduzem os anseios de uma geração, oferecem conforto para as nossas angústias, apontam saídas, mesmo que sem querer: os youtubers. Certamente eles têm o que comemorar em 2016.

Por essas e outras que para mim a grande personalidade do ano de 2016 e Glória Pires. Também não sou capaz de opinar sobre ele.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

De Férias com o Ex

A antiga MTV (Music Television) é um canal que fez parte da adolescência e juventude de muita gente nascida nos anos 70 e 80, se bobear até dos 90. Eram tempos em que a internet tinha um alcance limitado, Spootify e Youtube eram projeções de um filme futurista. A televisão havia definitivamente substituído o rádio como figura central das comunicações domésticas e era na MTV que você conhecia as músicas mais populares.

Era lá também que você tinha a oportunidade de conhecer músicas novas e eventualmente se aprofundar sobre a banda em um programa rudimentar de compartilhamento de arquivos e vírus. Para fazer sucesso era imprescindível um clipe que chamasse a atenção do telespectador e muitos diretores de cinema emprestaram seu talento para esta arte.

No entanto, quando a internet banda larga chegou aos lares e corações de muitas pessoas, assistir televisão em busca de clipes musicais perdeu completamente o sentido, uma vez que qualquer clipe estava ao alcance das pessoas no Youtube. Aliás, os próprios videoclipes perderam um pouco o sentido e a música voltou a ser apenas escutada. Este processo que talvez pudesse ser explicado em um artigo científico levou a MTV Brasil a encerrar suas transmissões.

Encerramento estranho, já que no dia seguinte o canal foi recriado e numa espécie de reposicionamento mundial da marca, deixou de ser o canal da música e passou a ser um canal voltado, digamos, ao público jovem, público este que não queria saber mais sobre música e quer, justamente, saber de putaria.

A atual MTV tem uma programação com a mais diversificada variedade de putaria, falada nos mais variados idiomas e produzida das mais diferentes formas. Há um programa em que um grupo de pessoas é levado para passar as férias em algum destino paradisíaco e passam algumas semanas bebendo quantidades alucinantes de álcool, transando com dezenas de pessoas e brigando pelos motivos mais escrotos pelos quais as pessoas poderiam brigar. Hipnotizante, apenas alguns segundos do programa são necessários para destruir uma série de conexões neurais do seu cérebro.

No entanto, nenhum programa consegue ser tão ultrajante quanto o famigerado De Férias Com o Ex. Neste protótipo de roteiro do apocalipse, uma quantidade enorme de pessoas é levada para uma casa em uma praia de um lugar ridiculamente turístico. Confinados, eles passam o tempo inteiro, bebendo, transando e se divertindo de uma maneira absurdamente escrota. Mas, como nem tudo na vida é diversão, aos poucos eles são surpreendidos com seus ex-namorados chegando na casa.


Em pouco tempo, todos os participantes desse Big Brother da orgia terão ex-companheiros dentro da casa. E eles vão continuar bebendo. Vão continuar transando. Imagina a merda que isso vai dar, quando álcool, ciúme e completa falta de respeito se juntam. Pessoas saem no tapa, há cusparadas, orgias, triângulos, quadriláteros amorosos. Para terminar em grande estilo, no fim do programa todos são confrontados com as imagens dos seus parceiros e ex-parceiros na casa, é possível ver quem transou com quem, que o seu ex-namorado esteve com duas meninas, que o cara que você ficou no programa inteiro também esteve com outras três mulheres e, enfim, isso proporciona uma lavagem de roupa suja que nos ajuda a mostrar que a humanidade não tem solução.

O que realmente impressiona nesse programa, é uma espécie de descoberta antropológica. Descobrimos que pessoas como os participantes do programa realmente existem, fora da nossa bolha de convivência. Gente que não se importa minimamente com os sentimentos dos outros, machistas inescrupulosos, sem qualquer distinção de gênero.

Por fim, a grande felicidade do programa é que, como o nome dele diz, as pessoas que se encontram lá são ex-namorados. Esperamos, inclusive, que nenhum dos casais furtivamente estabelecidos no programa tenha uma relação duradoura. Pessoas como eles não podem misturar seus genes por aí.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Amigo Oculto CH3 2016

Não há muito para onde escapar. O fim do ano sempre chega - exceção feita às pessoas que morreram - e os sobreviventes acabam se reunindo para festejar que mais um ano se passou, temos um ano a menos para viver. São dezenas de confraternizações com os mais diversos grupos de amigos, conhecidos, colegas, pessoas que você não gosta, mas com as quais infelizmente tem que conviver devido aos protocolos sociais.

Como se tanta convivência social assim já não fosse suficientemente desgastante, algumas pessoas tem a brilhante ideia de adicionar um charme a mais, que consiste em uma entrega de presentes aleatórios a pessoas pré-determinadas por sorteio, evento popularmente conhecido como Amigo Oculto.

No CH3 não é diferente e este ano nós chegamos a nossa 10ª edição de amigo oculto, um feito e tanto. Claro, a vontade de participar de um amigo oculto é inversamente proporcional a vontade de viver e, deus sabe - caso ele exista - as dificuldades perpassadas para realizar o AOCH3. Nos últimos anos tivemos que apelar para as mais sórdidas atitudes - Amigo Oculto Ladrão, sequestros relâmpagos, manifestações explícitas de ódio - para que o evento se concretizasse.

Esse ano, como não poderia deixar de ser, foi muito difícil novamente. Sem saídas para a organização, fui falar com o pesquisador macrobiótico colombiano Alfredo Humoyhuessos. Pedi sua ajuda, para que ele, com seus conhecimentos de diplomacia internacional e cerimonial de crise, conseguisse convencer todos a realizar deste grandioso Amigo Oculto, e é claro que ele conseguiu. Fez todos os contatos, organizou tudo e só me passou os detalhes. Perguntei para ele quanto ele cobraria pelo serviço e ele respondeu que nada, que a felicidade dos amigos e a infelicidade dos inimigos não têm preço.

Humoyhuessos resolveu seguir uma ideia apresentada aqui no CH3 no começo deste ano em um post que falava sobre outros tipos de amigos ocultos. Ele ficou encantado com a ideia do Amigo Conta, em que as pessoas vão para um bar com comandas individuais e, no final, é feito um sorteio para ver quem é que vai pagar a conta de quem. O colombiano acredita que essa é uma iniciativa inédita, um experimento social para testar as pessoas, além de possibilitar uma espécie de carma instantâneo. “Imagina um cidadão que pede o bar inteiro, já que outra pessoa vai pagar e no fim das contas ele acaba sorteando sua própria comanda. Seria fantástico”.

Rompendo o Pacto de Arizona, não nos reunimos na Casa de Diversão Noturna Carnicentas, mas sim no bar mexicano El Pancho. É um lugar com comandas individuais, opções de pratos relativamente caros, bebidas e um clima decadente, cortesia da banda vestida com sombreros cantando clássicos em portunhol.

Estivemos todos lá nesta quarta-feira. Vinícius Gressana veio direto de Curitiba - vale ressaltar que ele não está preso na Polícia Federal, Tackleberry arrumou uma brecha na sua agenda. Todos os oito membros restantes do CH3 estavam lá, além de Alfredo Humoyhuessos que não participou do amigo oculto – “questões éticas e profissionais”, ele disse. (Acho que sempre adotarei essa resposta agora) - que provavelmente nos usou como cobaias em um experimento que irá render um livro super difícil de ser entendido em um futuro breve.

Bem, conversamos durante algumas horas, discutimos com garçons que insistem em arremessar pratos no chão em momentos de empolgação, e no fim, com frio no estomago, resolvemos embaralhar todas as contas dentro de um chapéu. Alfredo Humoyhuessos já havia definido que a ordem de retirada das comandas seria a ordem alfabética “a mais antiga ordem e sobre a qual não há nenhuma contestação, pois ela já vem carregada com uma carga determinista de ancestralidade”.

Assim sendo, Alfredo Chagas, visivelmente embriagado de tequila e com um ar de bêbado melancólico, foi o primeiro. Enfiou a mão no chapeu e de lá retirou a comanda do Cão Leproso. Urrou de felicidade. Cão Leproso havia pedido apenas uma água que, rosqueada, permaneceu fechada a noite inteira. Dirigiu-se ao caixa e foi embora, até agora não sabemos se ele - felizmente - veio a falecer.

Foi a vez do Cão Leproso retirar a comanda de dentro da caixa, o que demorou um tempo constrangedor. Ele finalmente conseguiu retirar a comanda com o nome de Vinícius Gressana - surpreendente como os dois sempre se encontram nos nossos amigos ocultos. Gressana havia consumido cinco cervejas e o Cão Leproso não tem carteira nem lugares para guardar o dinheiro. Sem saída, ele resolveu urinar no pé da mesa e foi expulso do bar porque finalmente as pessoas perceberam que ele era um cachorro e que não poderia estar lá dentro.

Eu era o próximo na lista e de dentro do chapéu retirei a comanda com o nome da Hanz, o pansexual. O velho pornográfico havia comido apenas uma salada, com sua conta totalizando 29 reais. Paguei.

Hanz, o próximo na lista alfabética, retirou o nome de Alfredo Chagas que confirmou seu estado de alcoolismo, já que sua comanda registrava 17 doses de tequila. O velho pansexual foi para uma área reservada do restaurante, onde acreditamos que ele tenha pago a conta de maneira pouco usual.

Pai Jorginho de Ogum - consideramos a letra J e não o P em seu nome - foi o próximo a pegar o chapéu e retirar a comanda com o nome de seu velho amigo Marcão. Jorginho se fodeu de maneira gloriosa, porque o analfabeto pedreiro havia pedido uma série de coisas que ele nem sabia o que era e sua conta deu um valor astronômico de R$ 370. Sorte que Jorginho é um bem sucedido empresário do ramo da exploração sexual profissional e conseguiu pagar.

Marcão, por sua vez, mal tinha coordenação motora para pegar uma comanda e quando a pegou, é claro que não conseguia saber de quem era e o que havia nela. Ele pegou a minha comanda, na qual constavam dois mojitos e uma água. Como ele não costuma a ter reservas financeiras pagou a conta de R$ 40 lavando pratos.

Estávamos então com Tackleberry, que, vejam vocês, pegou a sua própria comanda. Isso acabaria acontecendo, cedo ou tarde. Ele havia bebido quatro cervejas, pagou sua conta e ainda ganhou um desconto propondo uma permuta de herbalife.

Para finalizar, Vinícius Gressana retirou a comanda de Jorginho de Ogum e é claro que Vinícius se deu mal. O pai de santo comeu um rodizio, bebeu oito drinks metidos a besta e ainda comeu duas paletas mexicanas, não é a toa que Jorginho está tão gordo e com cara de que em breve irá sofrer um infarto enquanto dorme. Vinícius poderia ter um enorme prejuízo financeiro, mas fez como todo artista faz: desenhou uma caricatura do dono do bar e dos garçons, abatendo sua dívida.

Finalizado o experimento sociológico fomos todos para nossas casas e certamente só iremos nos ver no Amigo Oculto do ano que vem.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

A era da porcentagem

Por alguma razão que eu não sei bem explicar, eu sempre gostei e sempre fui bom com os cálculos de porcentagem e estatística. Lembro bem que essa foi justamente a primeira matéria estudada em matemática, quando eu comecei a cursar o Ensino Médio e, na primeira prova daquele primeiro ano, eu tirei 10.

No entanto, essa minha facilidade não era acompanhada por boa parte da população, pelo menos não pela amostragem dos meus colegas de sala. Com dificuldades para interpretar os gráficos, ninguém repetiu minha nota. Poucos ficaram acima da média de 6 e muitos chegaram a zerar. Assim sendo, eu fui tratado como um fenômeno. Os colegas olhavam para mim em misto de admiração, ódio e inveja, pensando em como este meu aparente talento sobrenatural poderia beneficiá-los no futuro. Eu era um Einstein, pensavam.

É claro que as coisas não eram assim. Eu era um terror em todas as outras partes absurdas da matemática e sofri durante o resto do ano para me manter acima da média. Mas, as pessoas não entendiam isso e na sequência daquela fatídica prova de porcentagem elas iam me perguntar sobre trigonometria e quando eu dizia que não sabia, elas achavam que eu era um anticristo, arrogante, egoísta, metido e passavam a me tratar mal. Demorou até perceberem que eu não era um gênio das exatas.

Após esta maçante introdução acadêmico/escolar/pessoal, cuja principal intenção era mostrar a dificuldade que as pessoas sentem com relação a porcentagem - inclusive uma questão linguística, já que não há uma definição clara se devemos falar porcentagem e suas variantes como porcentual, ou se devemos usar percentagem e sua variante percentual - para constatar que vivemos numa estranha época em que o % está na boca do povo.

Creio que a música sertaneja seja atualmente o estimo musical preferido de 52% do público brasileiro. E o ritmo vem explorando este símbolo cujo significado em nível de design eu não consegui compreender direito, de acordo com a explicação da Wikipedia.

Tudo começou, muito provavelmente, quando deus disse faça-se a luz, ou digo, quando os fenícios inventaram a matemática Marcos & Belutti com a participação de Wesley Safadão - talvez seja ao contrário, lançaram “Aquele 1%”.

Você, certamente, já teve a infelicidade de escutar está fábula do falso Don Juan que cita seus hábitos de abrir a porta para as donzelas, pagar a conta do jantar, e que é 99% um anjo, perfeito, mas cujo aquele 1%, ah, aquele 1% é vagabundo, safado. E elas gostam.

Do ponto de vista aritmético não há nenhum erro, mas do ponto de vista lógico há uma série de questionamentos. Creio que seja muito difícil dividir um ser humano em escalas de porcentagem. Se formos pensar em um homem normal de 75 kg¹, 1% dele equivale a exatamente 750 gramas. Talvez seja o peso de um pênis com o saco escrotal, sinceramente não sei, nunca coloquei o pau na balança, mas se for isso, criaria uma conotação ainda mais sacana para música que talvez não tenha passado pela cabeça dos compositores. Talvez alguma parte específica do cérebro pese 750 gramas e seja responsável por essa parte vagabunda presente em Marcos & Belutti.

Aliás, em aprofundadas pesquisas no Google, descobri que Belutti - no caso, caso vocês não tenham percebido, Marcos & Belutti não é uma pessoa, mas sim, duas pessoas e Belutti é uma delas - perdeu recentemente 7 quilos, o que deve equivaler a quase uns 10% do peso dele. Caso ele pesasse os referidos 75 quilos e antes ele era 1% vagabundo, agora podemos dizer que ele é 1,1% vagabundo.

Se o aspecto for moral, é ainda mais difícil equalizar esta conta. A vida não é um teste de Facebook que consegue apontar defeitos e qualidades morais em porcentagens exatas.

Anos depois - na verdade, creio que se passaram apenas alguns meses - Maiara e Maraísa, a dupla de irmãs gêmeas tocantinenses que está levando a sofrência feminina para o Brasil, estourou nas rádios com o hit "10%". No caso a música relata um diálogo com um garçom - personagem clássico do universo de sofrimento brega, e acusa este funcionário de agir com má-fé para obrigar os clientes a sofrerem e beberem mais, provocando um aumento na gorjeta dos referidos profissionais, o famoso 10%.

Sim, não é impressionante que em menos de um ano duas músicas sertanejas com % toquem na rádio? neste universo que há pouco tempo era acostumado com onomatopeias sem sentido? Neste mundo cujo único % possível era o de 100% jesus nos para-choques de caminhões, nos adesivos grudados nos vidros traseiros de alguns carros dirigidos por pessoas que se sentem agraciadas pelo bom deus, na faixa presa na testa do atleta Neymar no momento em que ele recebe uma medalha de ouro olímpica? Curioso.

Eis que agora, estreia a primeira série brasileira no Netflix e qual é o nome dela? 3%. Olha a porra da porcentagem aí de novo. O princípio da série é a de um mundo pós-apocalíptico no qual apenas 3% da população tem direito a uma vida digna em uma ilha. No Brasil, de acordo com a expectativa do Censo para 2016, isso equivaleria a 6.182.443 pessoas. Isso equivale mais ou menos a população da cidade do Rio de Janeiro sem o bairro de Campo Grande.

Ainda é cedo para dizer que reflexos isso terá para a população brasileira, mas só posso imaginar que eles serão terríveis. Todo e qualquer conteúdo emanado por cantores sertanejos, que tenha no sertanejo universitário a sua força motriz será um conteúdo de devastação e miséria moral que levará o povo para o abismo da existência.

¹Com isso, eu não quero dizer que pessoas que não pesem 75 kg não sejam consideradas normais. Pessoas normais pesam os mais variados pesos e existem muitos anormais com 75 kg também. O valor foi escolhido por sorteio realizado na sede da Caixa Econômica Federal.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Breve voltaremos

"Sinto que a vida é dividida em horrível e miserável. São essas duas categorias. O horrível é, não sei, casos terminais, pessoas cegas, com deficiência. Não sei como eles conseguem viver. É incrível para mim. O miserável é todo o resto. Então você deveria ser grato por ser miserável, pois você tem muita, muita sorte de ser miserável". Woody Allen.

Desde que esse blog surgiu em 21 de junho de 2006, ele foi atualizado pelo menos duas vezes por mês sempre - exceção feita ao maldito mês de fevereiro de 2007, quando provavelmente a situação no planeta terra era tão desgraçante que apenas um post veio a luz e não aleatoriamente ele era sobre alienígenas.

Por pouco, por muito pouco mesmo, que este mês de novembro de 2016 não repetiu esta sinistra marca. Estamos a poucas horas do fim do mês e até agora a pouco jazia aqui no CH3 apenas um post, breve post, sobre a eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos da América.

Os tempos são difíceis, não? Muita desgraça o tempo todo, total falta de fé na humanidade pelas mais diversas razões, avião da Chapecoense, pessoas morrendo, destruição, políticos em Brasília, enfim, o horrível.

Em tempos assim, tem sido difícil arrumar inspiração para escrever. Para piorar, passo por talvez a pior crise criativa de minha vida e tem sido deveras difícil escrever qualquer coisa. Vocês não tem ideia da hora em que eu comecei a escrever três parágrafos acima. É, tá foda.

Mas, esse post é para avisar que em breve voltaremos. Novembro passou, a vida não vai melhorar - é verdade, criamos expectativas demais que as coisas vão melhorar, mas a lógica e a experiência nos mostram que, ao contrário, tudo sempre tende a piorar - mas estou organizando umas ideias e, passado esse luto pelo trágico acidente da Chapecoense, o CH3 vai voltar com aquela velha ladainha de sempre. Aguardem.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Trumps Modernos


Em nossas vidas nós iremos viver diversas tragédias, grandes ou pequenas. Danos físicos ou materiais, problemas emocionais, eventuais mortes de pessoas próximas. Eventos traumáticos que teremos dificuldade em superar.

No entanto, com o tempo aprendemos que mais difícil do que o exato momento em que a tragédia acontece, ou quando sabemos que ela aconteceu, o dia seguinte é o mais difícil de todos. Na hora dos acontecimentos a adrenalina sobe, tudo se embaralha e de certa forma seu cérebro é programado para que você se preserve e não se lembre em detalhes como é que tudo ocorreu.

No dia seguinte não. Depois de colocarmos a cabeça no travesseiro e passarmos uma noite em claro, rememorando tudo o que aconteceu, tentando achar explicações e culpados, eventualmente pegarmos no sono até a hora em que acordamos. Um momento confuso. Fixamos o teto, escutamos o silêncio e todos os barulhos possíveis. Atentos a todos os detalhes, talvez como uma prova de que ainda estamos vivos. Levantar da cama é o momento mais difícil. Para não ter que encarar que sua mulher te deixou, que seu cachorro morreu, seu time perdeu a final do campeonato ou que seu carro explodiu e você não tinha seguro. Poderíamos ficar na cama para sempre e esperar que o mundo se esquecesse da nossa existência. Não saberíamos de mais nada do mundo e nem ele de nós. Sem mais problemas.

The Day After é um desses muitos filmes situados em futuros distópicos, frutos da guerra fria. Lançado em 1983, a película narra o dia seguinte a deflagração do conflito nuclear entre EUA e URSS. O dia seguinte ao apocalipse, um tema perturbador para a população de então retratado em um filme cheio de explosões e efeitos especiais. Fez muito sucesso.

Estamos em 2016 e o mundo, ao que tudo indica, está longe de um conflito nuclear, com potência mundiais investindo cada vez mais na diplomacia. Há a ameaça do terrorismo, ditadores malucos espalhados em pequenos países, mas tudo parece estar na mais perfeita tranquilidade.

Ou não. Estamos no dia 09 de novembro de 2016, o dia seguinte a eleição de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos da América. O dia seguinte àquele em que foi confirmado que um cidadão com sérios distúrbios patológicos irá comandar a maior potência econômica e militar do mundo. Estamos naquele dia em que não queremos sair da cama, em que nosso cérebro se ocupa o tempo todo em tentar achar as causas e os culpados. Isso não devia ter acontecido, isso não podia acontecer. Mas aconteceu. Estamos naquele dia que cansamos de assistir nos filmes da ficção.

Amigos, o futuro distópico chegou.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Oktober Fest

A Oktober Fest é um dos eventos culturais mais tradicionais e populares da região de Munique, na Alemanha. Diz a lenda, que a festa foi criada pelo rei Ludwig I da Baviera em 1810, com o objetivo de celebrar o seu casamento. A festa fez tanto sucesso, que resolveram repeti-la novamente no ano seguinte e no outro ano e no outro, e assim vem sendo desde então. Durante duas semanas ou mais, a população bávara mergulha em uma espiral alcoólica, consumindo intermináveis jarras de chope e cerveja até chegar ao estado de falência emocional.

Por uma dessas razões que nos fazem duvidar de Deus, a Oktober Fest, cuja tradução literal é - vocês vão se surpreender - Festa de Outubro, não acontece no mês de outubro na Alemanha, mas sim em Setembro. Geralmente ela se estende por alguns poucos dias de outubro, o que faz com que esse nome seja uma enorme ironia.

Como a premissa da festa é um tanto quanto agradável - beber cerveja indiscriminadamente, ficar muito louco, cometer atrocidades morais e fazer tudo isso dentro da lei e junto com várias outras pessoas também amparadas pela lei, a Oktober Fest se espalhou pelo mundo e hoje diversas cidades em dezenas de países realizam suas próprias edições da festa. Ao contrário da festa original, as suas variações costumam a ocorrer em outubro mesmo, porque seria muito difícil vender esse produto mercadológico e convencer as populações que não convivem com essa tradição esquizofrênica do mês errado a participar da festa.

O Brasil não poderia fizer de fora dessa tendência e desde 1978 a colônia alemã em Santa Catarina realiza sua Oktober Fest, essa sim em outubro mesmo. A cidade que recebe a celebração é Blumenau, cidade com aproximadamente 350 mil habitantes no norte de SC. A festa dura duas semanas e é a mais tradicional Oktober Fest do Brasil, uma vez que hoje me dia temos OFs particulares até em quintais de pessoas mais abastadas financeiramente.


Um dos grandes momentos da festa é o desfile realizado no centro da cidade no sábado, o dia que mais atraí visitantes interessados em vivenciar essa experiência. A avenida XV de Novembro é tomada pelos participantes dos desfiles, enquanto as calçadas ficam lotada com moradores, amigos, familiares, curiosos e os tradicionais vendedores ambulantes.

O clima é de cultura alemã, ou de simulacro dela. Para cima e para baixo, pessoas desfilam em trajes considerados típicos, que consistem em: calça, bermuda, suspensórios, chapéu, sapatos e meias até os joelhos para os homens; um vestido com um decote abastado para as mulheres e eventuais tranças no cabelo, ou coroa de flores na cabeça.

As lojas vendem produtos relacionados à celebração, como as próprias tiaras decoradas com flores, camisetas e canecas de metal com o símbolo da festa em diferentes tamanhos: desde as pequenas até as enormes, para as quais seriam necessárias algumas garrafas de chope para que fiquem cheias.

Uma loja em específico tocava músicas que tentavam ser alemãs e outras que nada mais eram do que cidadãos falando com um sotaque alemão cantando músicas em mais diversos ritmos. Havia até um pagode chamado “dança do caneco”. Sempre com muitas referências aos Fritz e às Fridas imaginários. Pude observar também uma enorme quantidade de músicas que utilizavam uma base eletrônica que podemos classificar como brega, e um hino informal cujo refrão dizia “zig zag, zig zag, oi oi oi”. Sim, era um pouco deprimente.



O desfile começou em algum horário próximo às 16h, com a presença de um Papai Noel em um jipe militar. Atrás dele, pessoas fantasiadas de renas, ursos polares e outros animais que vivem em regiões frias, faziam uma coreografia ritmada com a música do Papai Noel do jipe militar. Haviam também meninas que interpretavam os duendes ajudantes do bom velhinho. Não dava para negar que era um começo promissor pela carga de surrealismo.

Depois começam a chegar os vários grupos participantes do desfile que de certa forma se assemelham a blocos de carnaval. O desfile da Oktober Fest no fundo é isso, uma grande micareta em que quem desfila provavelmente se diverte muito mais do que quem apenas assiste. Saem os abadás, entram os trajes típicos.

Há grupos com nomes excêntricos e que tentam repassar um pouco das tradições germânicas, como o carro “cultura dos cristais” – com direito a cidadãos moldando cristais ao vivo, ou ainda o “maquinários agrícolas” e outros relacionados a culinária. No entanto, a enorme maioria é formada por participantes de grupos, dos clubes de caça e tiro, de lanchonetes, restaurantes, lojas. Todos fantasiados de Fritz e Fridas, segurando enormes copos de cerveja em suas mãos que eram abastecidos ao longo de todo o percurso. Os que desfilam gritam, dançam, falam coisas sem sentido e riem, o que, convenhamos, é uma característica normal de quem está bêbado.

O consumo de cerveja chega a ser opressor - um consumo realmente paquidérmico. Certa hora fui a uma lanchonete e pedi uma água e senti que poderia apanhar por não estar bebendo cerveja. É possível observar ainda uma enorme tendência ao alcoolismo juvenil, com a presença de adolescentes, crianças e bebês nessa cachaçada fenomenal. Flagrei inclusive um pai mergulhando a ponta da chupeta na cerveja, quase em um gesto fraternal de perpetuação das tradições.

Quando o desfile finalmente acaba e as pessoas já estão suficientemente bêbadas, elas partem em direção a vila germânica, o local em que a festa realmente se desenvolve. Adquirindo ingressos com preços módicos, é possível entrar dentro do pavilhão e... beber ainda mais cerveja, escutar mais música com sotaque alemão e ver pessoas em trajes típicos bebendo cerveja, rir disso tudo, começar a falar coisas sem sentido, dançar, beber mais, eventualmente praticar o nudismo em público, perder levemente os sentidos, ver as coisas meio turvas, desfalecer lentamente, ser levado para um pronto atendimento e receber soro na veia, acordar com uma dor de cabeça terrível e vomitar tudo durante o dia inteiro seguinte.

(Pequena curiosidade. Uma dos blocos desfilantes era dedicado a arte de tomar chope por metro, em enormes e impressionantes canecas com um metro de comprimento de aspecto afunilado. Pois toda essa frescura era para tomar Schinchariol, a patrocinadora oficial da festa).

De acordo com os dados dos organizadores, mais de 700 mil pessoas estiveram dispostas a participar disso tudo nas duas semanas do evento. Elas chegam em enormes carreatas, em ônibus animados nos quais as pessoas gritam sem parar. E o que mais me surpreendeu na hora de ir embora, é que não presenciei uma única blitz da lei seca.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Moda Pastoral

(Eu iria começar esse texto chamando o cidadão de “Pastor Valdemiro”, mas as buscas no Google me mostraram que ele, na verdade, é conhecido como “Apóstolo Valdemiro”, o que me parece de uma presunção sem fim).

O Apóstolo Valdemiro é mais uma dessas celebridades do mundo gospel, que, assim como vários outros popstars desse mundo contemporâneo, é muito importante para uma quantidade enorme de pessoas e totalmente desconhecido para inúmeras outras. Seu nome apenas repercutiu entre os outros mortais quando ele aparece envolvido em uma polêmica, do tipo, sonegação de imposto e compra de fazenda milionária no interior de Mato Grosso, ou em uma dessas brigas do Game of Thrones Pentecostal.

Quando Valdemiro apareceu pela primeira vez às massas que não estão engajadas no meio evangélico, na polêmica da fazenda, todos os sites reproduziram variações de uma fotografia sua, pregando para uma multidão em um lugar aberto, utilizando um chapéu de caubói. Ainda hoje, essa é provavelmente a sua fotografia mais popular, como mostra uma busca no Google.

Segui, felizmente, sem ter notícias do cara. No entanto, de um tempo para cá eu comecei a vê-lo algumas vezes, quando ligo a TV por assinatura e passo por um dos 1.823 canais que mostram cultos conduzidos por esses religiosos-celebridades. E o que mais me chamou a atenção foram as roupas que o Senhor Valdemiro usa em um tempo recente de sua vida.

Nada de terno claro, camisa azul e gravata vermelha, visual tão comum para esse segmento do mercado. Valdemiro utiliza cada vez mais roupas espalhafatosas, provavelmente adquiridas no setor hipster de uma loja de departamento, o que muito provavelmente o transforma em uma espécie de Augustinho Carrara do mundo religioso.
Vejo até alguma semelhança dele com o Mr. Catra nessa foto


Também é possível afirmar que em muitas ocasiões o nosso Valdemiro se assemelha em muito a um sambista carioca. Posso até vê-lo puxar um “Alô comunidade de Nilópolis! A hora é essa”, nessa foto.


Assim como posso imaginá-lo cantando um pagodinho romântico, algo do Pixote, olhando nos olhos de uma fiel seguidora comprometida que foi colocada em um complexo dilema moral diante da situação. Não se meta Valdirene.


No entanto, ainda nestes tantos canais religiosos que a Sky nos proporciona o prazer de pagar para nunca assistir, pude perceber que os pastores/apóstolos de todo o Brasil trilham um caminho único no terreno da moda. Um dia, descobri este cidadão.

Me espantei com sua roupa e pensei que esse fosse algum culto de teatro amador, em que ele representaria, sei lá, o pastor do Obelix, ou que a roupa tivesse alguma ligação com o figurino trash de peças de época sobre a vida de Jesus Cristo que dispunham de baixos recursos orçamentários.

De fato, descobri que o ator amador se chama Agenor Duque e que ele é também um apóstolo, que já trilhou carreira na Igreja Universal e na Igreja Mundial, mas que recentemente aderiu ao empreendedorismo e abriu a sua própria igreja, o que pode ser um grande exemplo para muitas pessoas nesse momento de crise: Agenor Duque resolveu se arriscar e garantir seu futuro e seu sustento pela livre iniciativa.

Esta sua roupa bizarra é propositalmente bizarra e tenta reproduzir as vestes de um mendigo - ainda assim um mendigo de teatro amador, haja vista que nem os piores mendigos utilizam um colete-vestido mal feito e claramente apertado para esse cidadão com barriga portentosa. Mas, a intenção de Agenor Duque ao se vestir de simulacro de mendigo é passar a ideia de humildade.

Ideia desmistificada por algumas reportantes disponíveis na internet que mostram que ele mora em grandes casas, dirige grandes e caros carros importados e fora dos palcos utiliza roupas da Hugo Boss e outras grandes marcas sempre populares na moda pastoral.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

7 perfis de candidatos

Candidato Jovem

Cidadão que geralmente já não é tão jovem assim – talvez o tenha sido um dia, mas tenta manter uma aparência de jovialidade com o uso de sapatênis, camisas Dudalina, e uma eventual barba por fazer. Seu mandato será baseado na criação de oportunidades para os jovens, mesmo que ele não se pareça em nada com um jovem que busca por oportunidades. A maior semelhança é com algum jovem que porventura sofra de sérias limitações intelectuais.

Candidato da Família

Muito provavelmente ligado a alguma instituição religiosa, defende os abstratos interesses de uma imaginária família, muito provavelmente, a família do candidato, uma família temente a deus, pai todo poderoso, única família possível longe da aberração homossexual defendida pelos esquerdopatas. Se eleito, ele irá lutar contra todos os agressores da família brasileira, exceto aqueles que agridem fisicamente os integrantes da família brasileira.

A Força da Mulher

Candidata que tem como principal atributo o fato de ter nascido com um cromossomo XX e assim, ter toda a experiência possível de ser filha, mãe, irmã, avó, tia, enfim, mulher, guerreira. Geralmente entrou pelo sistema de cotas, ou é filha, mãe, irmã, avó, tia de algum político que infelizmente está impedido de concorrer ao cargo eletivo em questões por problemas de ordem judicial.

Saúde, Segurança e Educação

Espécie de mantra, santíssima trindade do discurso político, afinal, ninguém vai negar a importância, da saúde, da segurança e da educação. Mesmo quem é atendido apenas em um Sírio Libanês da vida e nem sabe o endereço de uma policlínica, dirá que a saúde está caótica e é preciso fazer mais por ela. Muitos candidatos a vereador levantam esse tripé como sua principal bandeira e, infelizmente, eles não podem fazer nada por isso.

O Novo

Não precisa exatamente ser jovem, ser uma figura desconhecida que nunca antes se aventurou na política. Ao novo importa apenas a imagem, o discurso e o desejo de mudança, seja lá exatamente que mudança for essa.

Trabalho Comprovado

Contraponto perfeito ao novo. Político experiente, que em 40 anos de vida pública já construiu viadutos, avenidas, aeroportos, escolas, creches, hospitais, piscinões, patrimônio particular incompatível com a renda e, enfim, ele conta com a sua ajuda para fazer ainda mais.

Pela Comunidade

Candidato que vai trabalhar muito forte pela sua comunidade, garantindo melhorias na vida de todos os moradores do bairro. Líder comunitário, advindo de um bairro carente – você nunca verá ninguém trabalhando pela comunidade de Higienópolis, de Ipanema, aliás, esses bairros não são chamados de comunidades – ele irá eventualmente se anunciar como a força da renovação, mas também pode ter trabalho comprovado. O que ele vai buscar? Saúde, segurança e educação para o povo do Jardim Arapuã.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Game Go

Fruto de uma polêmica recente, o jogo para celulares Pokemon Go não irá merecer nenhuma linha deste célebre blog. Não iremos discutir se esse jogo que tem como objetivo capturar personagens de um antigo desenho animado japonês, se esse jogo é uma alienação maçante proposta para nerds fracassados que não tem perspectiva de vida e consequentemente vão morrer pela própria desgraça intelectual, ou se ele é um jogo que estimular a exploração urbana e o contato com novas pessoas que podem eventualmente morrer porque a vida é assim, um dia ela termina.

Neste post temos apenas um objetivo que é citar outros jogos que poderiam ganhar suas versões em realidade aumentada.

Super Mario Go
De olho no celular, o jogador percorreria o reino do cogumelo, povoados de seres que dão choques e de tartarugas. Após cumprir uma série de objetivos iniciais, o jogador poderia partir em busca do objetivo final que é resgatar uma princesa, indicada pelo mapa. No fim das contas é preciso achar um machado que derruba uma ponte. Pode eventualmente provocar prisões por invasão de propriedade privada e depredação do patrimônio público.


Mário Kart Go
Spin-off do jogo acima, esse é para jogar exclusivamente quando você estiver dirigindo, contribuindo para o trânsito seguro na cidade. Coloque o celular no volante e comece a dirigir ziguezagueando por aí em busca de prêmios virtuais especiais. Também seria possível competir com outras pessoas, em uma modalidade já popularmente conhecida no Brasil como “racha”.

Carmageddon Go
Parecido com o Mário Kart, exceção feita ao fato que o objetivo é atropelar pedestres virtuais e para isso você tem que subir na calçada, no canteiro central e eventualmente invadir lojas e, acidentalmente, acabar atropelando pedestres que realmente estavam na calçada inocentemente sem saber do risco a que estavam sendo submetidos.

Sonic Go
Jogo que estimula o atletismo de velocidade, em que você irá percorrer ruas e avenidas buscando anéis dourados e caixas mágicas que lhe fazem somar mais pontos e correr ainda mais rápido (esteroides anabolizantes). O jogo apresenta uma novidade que é a utilização da câmara frontal do celular, onde é possível ver que enquanto você está jogando você é stalkeado por uma raposa voadora e melancólica – uma metáfora para a NSA. Depois de concluído o longo percurso, o jogador chegará à fase final em que é preciso acertar oito pulos na cabeça de uma figura de bigodes popularmente conhecida como chefão. Será um tanto ridículo para quem estiver olhando aquilo aleatoriamente e pode provocar algumas fraturas e mortes. Mas enfim, é isso que nós chamamos de realidade aumentada.

Counter Strike Go
Apenas uma palavra para esse jogo: tenso. Assim como o Call of Duty Go.


Mortal Kombat Go
Jogo que será lançado em breve, quando a evolução dos softwares de realidade aumentada faça com que os celulares sejam capazes de proporcionar novas experiências, como a sensação de ser congelado, ter a sua pele corroída por ácido, ser atingido por raios ou mesmo fatiado em pedaços por um açougueiro sem muita ética e com traços de psicopatia.

GTA Go
Também conhecido como um dia normal na vida da Polícia Militar do Rio de Janeiro.

Minecraft Go
Esse jogo já é praticado diariamente por centenas de pessoas das mais variadas qualificações profissionais e é popularmente conhecido como “Construção Civil”. A diferença do game é que você teria que erguer paredes e a porra toda olhando pela tela do celular o que é certamente bem mais difícil.


Confira em breve os novos “Tetris Go”, “Paciência Spider Go” e “Jogo da Cobrinha dos Antigos Celulares Nokia Go”.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Jardinagem Política

Não sei se vocês já tiveram a oportunidade de morar em uma casa que tenha um quintal com uma faixa de terra coberta por grama. Não importa muito o tamanho, se é um gramado de poucos metros quadrados ou um campo de futebol. Se você não for um cidadão abastado o suficiente para contratar um profissional responsável por cuidar da grama – um jardineiro que não chega a mexer com jardins, será um grameiro? – você acaba cuidando do gramado.

Em termos gerais, a grama não dá muito trabalho. Ela cresce, às vezes cresce muito e precisa ser cortada. No período da seca, você precisa regar o gramado com alguma frequência para evitar uma inanição vegetal. Por outro lado, uma semana de chuva é o suficiente para que a grama volte a crescer verde e cheia de vitalidade.

Portanto, a grama não dá muito trabalho. Chato mesmo é o mato.

Quando pensamos em mato, automaticamente pensamos naqueles que crescem em terrenos baldios até atingir alturas estratosféricas. No entanto, existem diversas espécies diferentes de matos, ervas daninhas, ou como quer que eles se chamem.

Alguns se parecem com a grama, principalmente quando as folhagens ainda são pequenas. Só quando crescem você consegue perceber a armadilha que aquele mato é e vai sofrer bastante para conseguir retirá-lo da terra. Por vezes é preciso utilizar outros artefatos.

Existem folhagens rasteiras, fáceis de serem retirados se você não deixar elas cresceram muito, fincando raízes profundas. Há outras, que só dá pra tirar a parte de cima, mas a raiz permanece e ela volta a nascer. Alguns matos mesmo quando você acha que os removeu completamente, deixam uma parte da raiz oculta na terra e renascem.

Tem mato que chega a ser bonito, que chega a se parecer com alguma flor e em um momento de compaixão você corre o risco de se deixar enganar e pensar que aquilo ali não é apenas um organismo que utiliza o mínimo de energia para crescer e sugar as forças dos que estão ao seu redor.

Sobram ainda umas pequenas e incontáveis folhagens que crescem aos montes. Sempre muito próximas. Você pode passar horas retirando-as do chão e nunca chegam ao fim. Parece que quando você tira um, surgem outros dois.

Mas, o pior mesmo é que, não adianta o que você faça, o mato sempre vai voltar. Você pode, em um esforço hercúleo, retirar todos do seu gramado. Perder alguns dias fazendo isso até que você olhe cada milímetro de terra e se certifique que não há uma única erva daninha espalhada por ali. Não adianta, o mato vai voltar. Por força de insetos, aves, ou pela simples vontade de deus, ele vai voltar.

Pense no Eduardo Cunha. Políticos como ele são como o mato. Aqueles que parecem bons no início, mas que depois de revelam imprestáveis e é difícil retirá-los. Políticos rasteiros, que precisam ser retirados logo. Aqueles que fincam raízes, os que chegam a parecer até bonitos, mas que são apenas organismos que sugam forças dos que estão ao seu redor. Sem contar aqueles milhares, que se multiplicam. Quando você tira um, surgem dois.

E o pior, é que eles sempre vão voltar. Não há o que você possa fazer para evitar isso. Não há esforço suficiente para evitar que um novo corrupto chegue ao cenário político, pela razão que seja.

Parece que o Eduardo Cunha foi exterminado, mas outros como ele vão aparecer. Não há o que fazer.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Professora Dilma

Durante todo o longo e extenuante processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, o que mais me chamou a atenção foi a seguinte frase, dita por um de seus correligionários.

“Vamos destacar a questão da inabilitação. Caso contrário, a presidente Dilma será impossibilitada de ter um emprego público, será impossibilitada de receber qualquer tipo de recurso de estatal e de exercer o papel de professora universitária, por exemplo, e de ter a possibilidade de disputar outros mandatos”,

Ele se referia a um pequeno desmembramento do processo de impeachment, em que os senadores que formavam a antiga base de sustentação petista pediam que fossem feitas duas votações: uma para definir se Dilma deveria deixar o cargo e outra para decidir se ela deveria ou não perder os seus direitos políticos pelos próximos oito anos. Foi exatamente isso o que aconteceu e Dilma acabou destituída do cargo mas conseguiu manter o direito de ocupar cargos públicos.

Apesar de ter o direito de disputar as próximas eleições, esse não deve ser o objetivo de Dilma, visto que o seu desgaste é tão grande que ele teria dificuldades em se eleger para fazer parte de comissão de formatura de colégio. Conforme revelou o senador amigo da ex-presidente, o sonho de Dilma é dar aulas. Sim, nossa ex-mandatária sonha em ir para o lado quadro negro da força e lecionar alguma disciplina em alguma universidade pública do país.

Dilma é economista por formação e apesar da tragédia financeira de seu governo, acredita-se que ela deve ter uma boa base teórica para repassar aos seus alunos. No entanto, se há algo pelo o qual a ex-nº1 do Brasil é famosa, é por sua total incapacidade de se comunicar de maneira clara e coerente. Os discursos de Dilma Rousseff são mundialmente conhecidos pela confusão mental que ela estabelece, pela confusão sintáxica condensada em uma pílula de treze segundos de duração.

Muitas de suas frases estão no anedotário nacional. A figura oculta do cachorro, a saudação a mandioca, a afirmação de que o senador Wellington Dias costuma a pular por janelas, a constatação de que quem ganhar e quem perder, que todos vão perder. Dilma é uma mestre na arte de se expressar mal e executa essa atribuição de uma forma que poucas pessoas conseguiriam.
Essa bola é uma bola eu fiz o teste e ela quica e isso nos faz sermos homens ou mulheres sapiens

Essas armadilhas intelectuais embutidas em suas frases já provocam extrema confusão quando ela tenta falar de coisas simples como a amizade entre crianças e animais ou sobre a certeza de que todos nós vamos morrer um dia e não há nada que possamos fazer para evitar isso. Agora, imaginem Dilma Vana Rousseff dentro de uma sala de aula lecionando um assunto extremamente complexo, como é o caso da economia. Esse mundo cheio de superávits, déficits, variações cambiais e dezenas de pensadores alemães que fizeram elaboradas constatações sobre o crescimento global.

Imaginem Dilma tentando entregar todas essas informações complexas para uma massa de alunos sedentos por conhecimento. Dilma tentando explicar matemática complexa e raciocinando sobre a matemática para seus discípulos.

Isso não vai dar certo, quem ganhar e quem perder vai perder.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

TV Guga Kuerten

Daqui a alguns anos, quando todos nos lembrarmos dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro de 2016, as principais lembranças não serão as grandes vitórias, os dramas, as medalhas, as disputas nas quadras, tatames e demais arenas de disputa. Em um ano distantemente utópico, a competição carioca será lembrada por um único homem: Gustavo Kuerten.

No momento em que o ex-tenista (ex-número 1 do mundo) foi anunciado para participar da equipe globo de comentaristas, ninguém deu muita bola. Lembrávamos do Guga, aquele atleta que transbordava emoção, que conseguiu vitórias impactantes sempre com sorriso no rosto e lágrimas nos olhos. Mas, somos vacinados com relação ao desempenho patético de ex-jogadores na função de comentaristas.

Mas o Brasil não sabia o quanto amava esse homem. Guga ganhou o carinhoso apelido de labrador humano por sua simpatia sem fim e por encarar a vida de braços abertos. Para melhorar, Kuerten ainda demonstrou ser um ótimo comentarista de tênis, alguém capaz de explicar os contextos humanos que envolvem a partida.

Essas características o levaram a marcar presença na transmissão dos mais variados esportes. Guga estava lá no futebol, no basquete, no vôlei, no tênis de mesa, no badminton, na canoagem, no tiro esportivo. O nosso ídolo sempre seria capaz de transmitir a dimensão humana daquele feito, os desafios psicológicos do atleta, a grandiosidade da representação nacional aplicada a uma disputa em uma cachoeira artificial. Até da porra do pentatlo moderno ele poderia comentar. Até sobre o psicológico do cavalo na prova de adestramento. Sempre com um sorriso imensurável.

Guga é capaz, simplesmente, de comentar todos os assuntos possíveis, com naturalidade, carisma e simpatia. Eu mesmo faço parte de um grupo de pessoas que gostaria de ter uma TV Guga Kuerten, com ele comentando todos os assuntos possíveis. Como sabemos que é muito difícil conseguir uma concessão de televisão, e aproveitando que ele é contratado da Globo, acho que GK poderia estar lá na vênus platinada comentando tudo.

Gostaria muito que ele substituísse Miriam Leitão nos comentários de economia. Ao invés de vermos o pessimismo latente da especialista, dizendo que o Brasil caminha para a recessão que redundantemente resultará no caos monetário seguido pela guerra civil, teríamos alguém capaz de explicar as implicações psicológicas na tomada de decisão dos economistas e como o dólar pode variar de um dia para o outro por mínimos detalhes.

Ele poderia ainda substituir o Alexandre Garcia, e assim não teríamos que ver este cidadão falando que chegamos ao fundo do poço da história da humanidade, que logo seremos devorados por ratos.

Guga poderia comentar o processo de impeachment e todos os duelos entre os parlamentares. Ele poderia substituir Rodrigo Pimentel nas falas sobre operações policiais. Teria um minuto no jornal nacional para uma crônica do dia. Substituiria o Pedro Bial, o Thiago Leifert e essa legião de malas. Teria seu próprio talk show, seu programa de variedades, de culinária, de saúde. Seria o presidente do Brasil.


Isso, é claro, desde que o mundo fosse um lugar ideal.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Balanço das Olimpíadas 2016


Vamos relembrar os grandes momentos dos Jogos Olímpicos com a ajuda dos nossos especialistas de sempre.

Atletismo
Usain Bolt já era uma lenda do esporte mundial e veio ao Brasil para ratificar essa condição, caso alguém ainda duvidasse dele. “Correr lá fora é muito fácil, quero ver é correr aqui no Brasil tendo que competir quarta-e-domingo-quarta-e-domingo”, disse o técnico Muricy Ramalho. Bolt ganhou as três provas que disputou e se tornou triplo tricampeão. Também esbanjou simpatia, magnetizou o público, dominou o Snapchat, passou o rodo e se aposentou.

O grande momento brasileiro na competição aconteceu quando Thiago Braz, um desconhecido para o brasileiro médio, conquistou a medalha de ouro no salto com vara. Thiago foi superando o sarrafo em todas as alturas, até que sobrassem apenas ele e o francês recordista mundial. Em um momento de ousadia e alegria, o atleta brasileiro pediu para que o sarrafo fosse colocado em uma altura inimaginável para ele, mas ele foi lá, pulou, superou e deu início a um quase incidente diplomático com o francês que ficou transtornado com a derrota.

Natação
Depois de se afundar nas drogas e no drama de uma vida sem sentido, Michael Phelps voltou a nadar para sobreviver. Uma vez que a piscina era sua vida, Phelps conseguiu cinco medalhas de ouro e conseguiu parecer ainda mais sobre-humano do que já era.

Já o seu eterno concorrente Ryan Lochte não foi bem nas provas em que nadou e ainda tentou reeditar uma versão vida real de Se Beber Não Case. Aprontou altas confusões na madrugada, depredou um posto de gasolina, brigou com seguranças e ainda disse que foi assaltado. Perdeu patrocínios e ganhou a imagem de babaca.

Ainda nas piscinas, destaque para Katie Ledecky e Katinka Hosszu. Duas nadadoras que quebraram recordes e dominaram amplamente as provas que disputaram. “Hungria e Estados Unidos, Estados Unidos e Hungria. Dois países. Duas mulheres. Duas nacionalidades. Muitas vitórias”, disse Eric Faria.

Ginástica
Simone Biles tem apenas 1,40m de altura, mas isso não impede que ela quase alcance a estratosfera durante suas apresentações. Elástica, acrobática e veloz, Simone supera a capacidade de percepção do olhar humano e faz com que suas adversárias pareçam amadoras que não mereciam estar na competição.

O Brasil teve sua melhor participação na história, com três medalhas na categoria. Destaque para Diego Hypólito, que após conhecer o inferno nas últimas duas olimpíadas, superou as adversidades e conseguiu uma medalha que parecia que nunca seria sua.

Tiro
Ninguém esperava que o Brasil conseguiria uma medalha no tiro, ainda mais a sua primeira medalha na competição. Repentinamente a televisão informou que Felipe Wu Almeida estava conseguindo uma medalha e todos nos vimos lá assistindo aqueles homens com caras de psicopatas atirando em alvos não humanos. Wu conseguiu a medalha e ninguém disse que esperava que ele servisse de exemplo para que os jovens praticassem esportes.

Luta
O Brasil conseguiu medalha no judô, no boxe e no tae-kwon-do, mostrando que somos um país bom de briga. Mas, talvez não tão bom quanto o Azerbaijão que conseguiu uma porrada de medalhas apenas nos esportes em que é preciso ser monstro pra vencer.
Work, work, work, work. Work, work, You See me I be work, work, work. Work, work.



A torcida brasileira nas modalidades que envolvem combate físico não-letal foi um dos grandes destaques. Lutadores eram recebidos com gritos de “uh, vai morrer”, eram incentivados a cometer o homicídio. O publicou torceu para o juiz. Puxou em coro uma música dos Mamonas Assassinas para incentivar o boxeador Mina. Inesquecível.

Futebol
A tão falada medalha de ouro no futebol enfim chegou, após uma disputa de pênaltis que consagrou o goleiro Weverton ao improvável posto de herói nacional. O título não veio, é claro, sem um começo pífio e um turning point após uma bronca pública de Galvão Bueno, que se transformou em motivação para que os atletas fossem em busca da vitória. No futebol feminino, infelizmente não deu.

Vôlei
Após uma primeira fase tensa que resultou em uma quase eliminação precipitada, o Brasil se recuperou e conseguiu o título que parecia improvável. Na competição feminina, a China seguiu o mesmo roteiro, mostrando que às vezes é importante sofrer derrotas educadoras na fase inicial do torneio, para crescer na dor e conseguir o êxito final. “Umas boas palmadas, um pouco de fustigação e penitência são bem prazerosas”, opinou Hanz, o pansexual.

Outros Esportes
Muitas vitórias de Chineses, de britânicos, de americanos, um brasileiro na canoagem, decepção no handebol, e que se foda o golfe.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Observações Olímpicas Aleatórias

Os comentaristas

No sábado passado, um brasileiro enfrentava um norte-americano nas quartas-de-final de uma dessas tantas categorias do boxe olímpico. A partir dessas Olimpíadas, o esporte mudou e ao invés de o vencedor ser definido pela quantidade de golpes certos, ele é escolhido por juízes que decidem quem venceu cada round e ao final das três etapas da luta uma conta complexa define o vencedor.

Esse post certamente vai fazer sucesso, disse Popó
Pois bem, depois de um primeiro round até equilibrado, o brasileiro foi espancado duramente pelo norte-americano na segunda etapa do combate. Em certos momentos, parecia até que eu assistia a luta entre Apollo Creed e Ivan Drago. A dinâmica se manteve até o fim da luta e naquele momento que precede a decisão final dos juízes, o mundo inteiro sabia que o norte-americano havia ganho, exceção feita a uma pessoa: Acelino Popó Freitas, o brasileiro campeão mundial de boxe e ex-deputado federal. Para Popó, comentarista do Sportv, tudo poderia acontecer na decisão dos juízes e era isso aí, o Brasil estava forte. Obviamente, o americano venceu por unanimidade.

Grande parte dos esportes olímpicos permanece inteligível para grande parte dos seres humanos. Para nos familiarizarmos com eles, os canais de TV contratam comentaristas especializados, pessoas que vivenciaram intensamente aquele esporte, alguém que poderá explicar o que está acontecendo por trás de todos aqueles movimentos específicos do esporte. Assim sendo, nada seria melhor do que chamar um ex-atleta dessa categoria, não é mesmo?

O problema é que assim como Popó, muitos desses ex-atletas comentaristas não trazem nenhuma nuance específica do esporte. São apenas cidadãos embebidos em nacionalismo, torcendo pelo Brasil de maneira completamente irracional, criando uma barreira que os impede de enxergar a realidade. Todos se perdem na paranoia ufanista de Galvão Bueno que tenta nos fazer acreditar que vai dar Brasil, mesmo quando o barco brasileiro está afundado no fundo do mar.

Cito também o exemplo de Dayane dos Santos, campeã mundial de ginástica. Nesta semana ela era a única pessoa que realmente acreditava que Arthur Zanetti conquistaria medalha de ouro na prova das argolas, enquanto que o mundo inteiro reverenciava uma apresentação impecável de um grego com um nome obviamente difícil.

Qual é o problema disso? Quem assistiu os comentários de Dayane deve ter criado a vã expectativa de uma medalha de ouro e ao constatar que o mesmo não ocorreu deve ter pensado que o Brasil foi roubado. Ou que o nosso atleta é um fraco. Enfim, gerou desinformação.
Realmente Galvão, a roupa dela está muito bonita

É claro que nem todos são assim. Me surpreendi ao ver o Ricardo, do vôlei de praia, comentando o esporte. Claro, torcendo pelo Brasil, mas tentando explicar o que é que se passava dentro da quadra, as estratégias que poderiam ser utilizadas. Porque, afinal, se for apenas para torcer, eu mesmo torço em casa. Se for pra ficar falando que “é isso aí, é manter a cabeça no lugar, jogar sério que o Brasil vai conseguir a vitória”, é melhor se matar.

Há também o caso Guga. Que comentou os jogos de tênis muito bem, praticamente levando o espectador para dentro da quadra, interpretando os sentimentos do atleta, mas que além disso é o rei do carisma e acreditamos que ele poderia dominar a televisão brasileira. Acho que farei um post sobre isso em um próximo dia.

A Casa dos Atletas

Se por algum acaso um dia eu tivesse um filho que se tornasse atleta e chegasse a competir em uma Olimpíada, a última coisa que eu permitiria é que uma equipe de TV viesse acompanhar a minha reação na minha casa. Isso dá um azar danado.

Pode perceber: se a TV foi até a casa de uma atleta brasileira que “tá na briga pela medalha de ouro”, certamente ela não irá ganhar o que esperava. Vai passar longe do pódio. Vai ter um mal súbito, que a impedirá de prosseguir na luta pelo “tão sonhado ouro”.

"Estamos aqui na casa do Ryan Lochte e parece que ele está
muito louco"
Seriamente, acredito que mais do que o azar dos repórteres de TV, esses “fracassos” são provocados pelo desconhecimento da cobertura esportiva. O brasileiro tem muita dificuldade em aceitar a mudança e acredita que as coisas serão como sempre foram. Em 2012, ninguém estava enchendo o saco da família do Zanetti que era um desconhecido com boas chances de medalhas. Ele foi lá e ganhou. Quatro anos depois, ele vira o “ouro certo”. Todos vão lá captar as lágrimas do ouro certo e ele não vem, porque quatro anos é tempo demais e bicampeonatos olímpicos são bem raros. Aconteceu com o César Cielo, com a Maureen Maggi.

De maneira geral, o perfil do atleta brasileiro medalhista de ouro em modalidades individuais é a do cara que tem boas marcas no cenário mundial, mas que não ganhou nada em competições anteriores e entra sem pressão nas Olimpíadas. Sem ninguém enchendo o saco ele vai lá e ganha.

Atletas eternos

Boa parte dessa nossa dificuldade em aceitar as mudanças do esporte se passa também pelo fato de que muitos dos nossos atletas são eternos. Tem uma brasileira no Salto Sincronizado, avisa a TV. Sim, claro que é ela, a Juliana Veloso, que disputou os jogos de Sidney. Olha a Daniele Hypólito que praticamente fundou a ginástica artística no Brasil. Hugo Hoyama jogou tênis de mesa até ser interditado por familiares próximos. Álvaro Miranda, o Doda, tá aí perdendo competições de Hipismo desde 2004 pelo menos. Vez por outra eu me surpreendo ao saber que Vicente Lenílson não nos representa mais no revezamento do atletismo. E quando foi que o Sebastian Cuattrin parou de remar? Tenho certeza que nos jogos de Dubai, em 2028, Yane Marques ainda será nossa representante no pentatlo moderno e escutaremos a história de Serginho, o líbero brasileiro que será avô durante a competição.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Phelpslândia


A cada vez que Michael Phelps caia na piscina e conquista mais uma medalha, os veículos especializados na cobertura esportiva não encontravam palavras para contextualizar os tamanhos do seu feito. Se não mudar de ideia, Phelps encerrará sua carreira olímpica com 23 medalhas de ouro e esse número é muito superior a qualquer outro atleta olímpico em todos os tempos. Não dá para simplesmente comparar com ninguém e assim ele foi elevado a condição de unidade nacional: se Michael Phelps fosse um país, ele seria o 38º maior medalhista de todos os tempos.

Mas, a vida de Phelps não seria fácil caso ele resolvesse se transformar em um país. Ele precisaria montar todo um aparato burocrático para sustentar a Phelpslândia, além de definir fronteiras, estratégias de segurança nacional. Um enorme gasto de energia que dificultaria em muito sua tarefa primordial de nadar e ganhar medalhas.

Talvez Phelps conseguisse juntar um grupo de amigos e fazer com que eles se transformassem na sua guarda nacional, responsável por impedir que ele sofresse ataques e garantissem sua integridade nacional. Definir um idioma seria fácil, era só colocar o inglês. Mas não tão simples seria estabelecer uma moeda, instituir uma casa da moeda e uma instituição financeira para gerir a sua economia. Qual seria a taxa de juros da Phelpslândia?

Phelps ainda perderia muito tempo percorrendo órgãos diplomáticos internacionais para se reconhecer enquanto país, participaria de muitas reuniões intermináveis e inúteis e não conseguiria treinar o suficiente para ganhar todas as medalhas que ele ganhou.

Se Phelps resolvesse que seu país seria uma ditadura, ele teria que criar leis, executá-las e ainda julgar as pessoas, perdendo ainda mais tempo. Se optasse por um sistema democrático, teria que compor um Legislativo, convocar eleições para decidir quem iria administrá-lo. Fazer negociações políticas. Montar um sistema de previdência social, enfim. Não é fácil ser um país.

Por fim, haverá o dia em que Phelps morrerá. Será extremamente estranho que um país passe por uma necropsia, um velório, seja eventualmente cremado e a briga pelo seu espólio será ainda maior do que é de costume. Portanto, podemos concluir que países só podem dar errado.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Guia Básico dos Esportes Olímpicos

O dia chegou, finalmente. Após sete anos de espera, os jogos Olímpicos do Rio de Janeiro começam logo mais com a suntuosa cerimônia de abertura realizada no estádio do Maracanã. Ao longo de intermináveis horas, incontáveis delegações desfilarão pelo gramado, enquanto as mais diversas alegorias inexplicáveis tentam contar uma história de formação nacional.

Caso você esteja com alguma dúvida sobre os esportes disputados, publicamos aqui um guia simplista para que você entenda as modalidades disputadas, mesmo que você seja uma lesma acéfala de seis meses.

Atletismo: Milhares de atletas irão correr em retas, em curvas e estradas, enquanto que outros irão pular, pular de maneira elaborada, arremessar variados objetos a distâncias consideráveis.

Badminton: Pessoas separadas por uma rede utilizam-se de uma raquete para passar uma peteca de um lado para o outro, tentando impedir que ela toque o solo.

Basquete: Grupos de pessoas tentam arremessar uma bola dentro de uma pequena circunferência adornada por uma rede.

Boxe: Dois homens sobem em um espaço quadrado delimitado por cortas e desferem socos um contra o outro, evitando apenas a linha abaixo da cintura.

Canoagem: Pessoas sobem em um barco e fazem movimentos braçais ritmados na tentativa de cruzar o trecho de um lago mais rapidamente possível.

Ciclismo: Atletas montam em cima de bicicletas e tentam superar montanhas, estradas, pistas cheias de rampas ou alcançar, ao lado de outros colegas bicicleteiros, outro grupo que pedala em uma pista oval feita inteiramente de madeira.

Esgrima: Cidadãos trajados em roupas bizarras tentam atingir um oponente, também trajado de forma bizarra, utilizando diferentes tipos de espada, sem poder, infelizmente, transpassar o seu adversário.

Futebol: Grupos de onze homens tentam fazer com que uma bola entre em um espaço retangular de quase 18 metros quadrados sem utilizar as mãos.

Ginástica Artística: Cidadãos fazem piruetas em espaços abertos ou se utilizando dos mais diferentes artefatos aleatórios, tomando o devido cuidado para não cair no chão ou bater a cabeça.

Ginástica Rítmica: Cidadãs fazem piruetas se utilizando de fitas e outros objetos aleatórios.

Golfe: Pessoas se utilizam de um taco para atingir uma bola que deve entrar em um minúsculo buraco localizado em um enorme gramado, aparentemente porque eles não têm nada melhor para fazer.

Handebol: Seres humanos divididas em duas equipes tentam fazer com que uma bola entre em um espaço retangular utilizando apenas as mãos, podendo, eventualmente, colidir com outros seres humanos.

Hipismo: Cavalos são levados a mostrar qual deles é o mais submisso a um ser humano e capaz de realizar tarefas acrobáticas diversas.

Hóquei Sobre Grama: Pessoas que utilizam tacos fazem alguma coisa sobre um gramado, mas ninguém realmente se importa com esse esporte.

Iatismo: Humanos dos mais variados tipos sobem em barcos dos mais variados tipos e enfrentam ondas, correntezas e ventos na busca pela graça de conseguir desviar de boias e completar um percurso sem morrerem afogados.

Judô: Lutadores trajados em quimonos ficam se agarrando de múltiplas formas na busca por uma falha que permita derrubar o adversário de costas no chão.

Levantamento de Peso: Pessoas levantam peso, quem levantar mais ganha.

Luta Olímpica: Cidadãos desgraçados pela vida se utilizando de macacões justos se atracam no chão até que o juiz decida que alguém mereceu vencer.

Nado Sincronizado: Meninas com prendedores de roupa no nariz e roupas estranhas nadam de maneira aparentemente sincronizada dentro de uma piscina, tentando convencer os jurados que elas realmente são boas nisso, mas geralmente os jurados acham que não.

Natação: Atletas pulam na água e nadam de diferentes formas e por diferentes distâncias com o objetivo de serem mais rápidos e não engolirem água em quantidade suficiente para provocar um afogamento.

Pentatlo Moderno: Por razões até hoje inexplicáveis, atletas são obrigados a montar cavalos, nadar, correr, brigar com espadas, correr e atirar com armas de fogo.

Polo Aquático: Cidadãos lutam contra a força da água e contra a força do adversário para introduzir uma bola dentro de um gol flutuante.

Remo: A mesma coisa que acontece na canoagem, mas em barcos diferentes e com quantidades diferentes de pessoas dentro deste barco.

Rúgby: Um objeto oval é solto e as pessoas correm com elas na mão, caem no chão, se batem, pulam um em cima do outro e quem conseguir chegar do outro lado mais vezes ganha.

Saltos Ornamentais: Pessoas pulam na água tentando fazer com que este ato tenha alguma beleza artística e tomando cuidado para não bater a cabeça na borda da piscina.

Tawkwondo: Lutadores ficam pulando em círculos esperando que o milagre da fé conceda a eles um ponto.

Tênis: cidadãos separados por uma rede utilizam-se de raquetes para bater uma minúscula bola amarela de um lado para o outro, até que a bola se torne inalcançável para o oponente.

Tênis de Mesa: dois chineses ficam em lados opostos de uma mesa e ao que tudo indica há uma bola pingando entre eles.

Tiro com arco: Uma flecha é colocada em um arco e alguma espécie de força física a projeta em direção a um alvo, que oferece diferentes quantidades de pontos.

Tiro Esportivo: Criminosos se utilizam de diferentes tipos de pistola para acertar diferentes tipos de objetos. Completamente desnecessário.

Triatlo: Pessoas pulam no mar e nadam, saem do mar, sobem em bicicletas, pedalam, deixam as bicicletas de lado e passam a correr no que poderia ser uma fuga desesperada mas é apenas um esporte.

Vôlei: Pessoas são divididas por uma rede e devem em até três toques fazer com que uma bola caia em um espaço delimitado preenchido parcialmente pelos jogadores do time adversário.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Grandes dúvidas que não tem explicação (24)

Por que o cabo de vassoura é pior do que cenoura? Por que é preciso ter cuidado para não se dar mal?

No ano de 1997 o Brasil foi invadido por uma febre musical incontrolável que colocou pessoas de todas as idades para dançar. O Grupo Molejo, que até então fazia sucesso restritos nos círculos ligados ao movimento pagodeiro com hits como “Paparico”, “Cilada” e “Samba Diferente” estourou em todo Brasil com “Brincadeira de Criança”, canção lúdica que lembrava o universo da putaria infanto-juvenil de maneira nostálgica¹, com seu forma pergunta-resposta em que o vocalista de dentes excêntricos insistia que que seu interlocutor ainda não havia acertado qual era a brincadeira que ele mais gostava.
- Andrezão! Sabe qual é a brincadeira que eu mais gosto?

Ao final o grupo resumia: bom é ser feliz com o Molejão e foi isso que o Brasil fez. Fomos todos sermos felizes com o molejão e mal havíamos superado esse impacto inicial quando o grupo carioca ressurgiu com a Dança da Vassoura².

A letra aparentemente não faz muito sentido, poderia ser alguma fábula romântica de dois garis, um pretexto aleatório para o livre rebolado. Mas eis que em um determinado momento vinha o imortal verso. “Piti pi piti pi piti pau. Piti pi piti pi piti pau. Mas tome cuidado com o cabo da vassoura, é pior do que cenoura e você pode se dar mal”.

Depois de uma série de onomatopeias desconexas, provável herança das raízes africanas da música brasileira, a canção entoava um alerta relacionado a cabos de vassouras, que no caso, seriam piores do que cenouras, o que poderia gerar terríveis consequências para os desavisados sobre este perigo. Ai está a dúvida: por que o cabo de vassoura é pior do que uma cenoura?

Cabos de vassoura são objetos cilíndricos, construídos em madeira, alumínio ou plástico e servem justamente para dar um suporte a parte da vassoura que exerce a atividade fim: varrer. Já a cenoura é uma raiz de cor alaranjada, comumente servida como salada ou ralada no meio do arroz, às vezes no recheio de um bife à rolê, enfim, tem fins culinários. A única semelhança entre uma cenoura e um cabo de vassoura é em seu formato, uma é cilíndrica e a outra é cônica.

Não precisamos fazer nenhum esforço mental para saber que a literatura humorística brasileira traça diversos paralelos entre estes tipos de objetos e a possibilidade de introduzi-los de maneira prazerosa, ou não, no seu próprio ânus ou no ânus de outra pessoa. Então, poderíamos concluir que é pior enfiar um cabo de vassoura no próprio cu do que fazer isso com uma cenoura?


Perguntamos a alguns especialistas no assunto e quase todos foram unânimes em afirmar que a cenoura é pior para esses fins, uma vez que ela costuma a ser mais grossa, com um formato irregular – o que pode proporcionar lesões, além de ser mais suscetível a quebras durante o ato, fazendo com que você acabe internado em um hospital com pedaços de cenoura presos dentro da bunda.

Contra o cabo de vassoura, pesa a possibilidade de que ele solte farpas durante o movimento, provocando uma dor imensurável. Ele também é mais comprido, mas os especialistas afirmam que nesse momento a espessura é muito mais importante do que o comprimento. Em todo caso, os especialistas sugerem que preservativos sejam utilizados para evitar acidentes mais graves, doenças e gravidez indesejada.

De toda forma, mesmo que Andrezão e a rapaziada por experiência própria saibam que é pior enfiar um cabo de vassoura no bunda, ao invés de enfiar uma cenoura, há outra questão aparentemente inexplicável que é o tom de advertência do período. “Cuidado com o cabo de vassoura”. Por que é preciso ter cuidado com ele? As chances de sofrer um acidente doméstico que termine com um pedaço de madeira enfiado até a metade dentro da sua bunda são mínimas. Muito provavelmente, pessoas que acabaram empaladas por cabo de vassouras o fizeram por livre e espontânea vontade ou durante algum ato de submissão sexual e assim sendo não há razões para se ter cuidado com esse assunto.

O Pagode dos anos 90, vocês podem perceber, guardam muitos mistérios.

¹Um aspecto importante do Brasil nos anos 90 é que as crianças eram expostas as mais diversas putarias na televisão brasileira. As bandas de axé falavam de temas extremamente pornográficos com um linguajar abusivamente infantil e colocavam as crianças para fazer danças sensuais disfarçadas de inocência. Não é a toa que essa geração cresceu e virou esse grupo de pessoas deprimidas e desconectadas da realidade.

²Os compositores dos anos 90 gostavam de criar danças para os mais variados assuntos. Tivemos danças coreografadas para carrinhos de mão, para caçambas, para pranchas, para tsunamis, para garrafas, pirulitos, enfim. Tudo com uma imagem pornográfica lúdica.