quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

O Ódio ao BBB

Se o Big Brother Brasil tem um mérito indiscutível, é o de despertar os sentimentos mais primitivos no povo brasileiro. Desde sua estreia em 2002 existem pessoas que odeiam, existem pessoas que amam e existem pessoas que cagam e andam para o BBB. Quer algo mais primitivo do que cagar e andar?

A única edição do programa que eu acompanhei foi a da sua estreia, mas acredito que nestes 11 anos o seu formato pouco tenha mudado. Pessoas sem muito conteúdo ficam sentadas na frente de uma piscina mostrando seu desconhecimento sobre os mais variados assuntos. O mundo entanto, acredito que mudou muito desde a época em que Kleber Bambam dava chilique em rede nacional por conta de uma boneca de lata.

Em 2002, a internet banda larga era um artigo de luxo e as pessoas que conseguiam baixar arquivos a 30k/s comemoravam e se transformavam em líderes naturais. Hoje em dia vivemos conectados 24 horas por dia e vivemos no Facebook e para o Facebook, uma rede social baseada no compartilhamento de frases motivacionais sobre imagens do pôr do sol. Uma rede em que uma foto com uma música do Peninha é mais curtida do que um trecho de Mario Quintana, sem foto. Uma rede que mostra que chegará o dia em que pessoas se comunicarão por sinais e os mímicos de semáforo serão substituídos por pessoas que saibam falar em troca de algumas moedas.

Um mundo dominado por petições online, dezenas de abaixo-assinados realizados por revolucionários de sofá que buscam exigir virtualmente que o papa não renuncie ou que o meteorito não caía mais na Rússia. Exigir, justamente, que o Big Brother Brasil saía do ar.

A lógica da ideia é estapafúrdia. Não sei de onde as pessoas acreditam que juntar um milhão de compartilhamentos de uma imagem no Facebook irá fazer a Globo tirar o BBB do ar. Que a emissora irá desistir dos seus dois milhões de telespectadores apenas na Grande São Paulo ou dos patrocínios milionários de grandes empresas para satisfazer os revolucionários virtuais.

O que mais me intriga é o porquê de as pessoas quererem tirar o Big Brother do ar, sendo que você simplesmente tem a opção de não assistir. Aliás, você nem sequer é obrigado a ter uma televisão em casa. Aliás, já existem outras emissoras com programação diferente, educativa, cultural, como a TV Cultura, que apesar de ser adorada pelo público, misteriosamente tem uma audiência risível.

O Big Brother é um programa ruim? Sim, sem dúvida. Não há nada de aproveitável nele e o apresentador é um mala? Claro. Mas nós temos dezenas de programas piores na televisão. Temos programas de “humor” com piadas grosseiras e inacreditavelmente ruins. Temos programas com pastores religiosos incentivando a cobrança de dízimo no débito automático porque às vezes o diabo faz com que a gente se esqueça de pagar. As pessoas fazem abaixo assinado para tirar esses programas do ar? Não.

Então, porque justamente o Big Brother? Acredito que seja porque falar mal do Big Brother é algo que atribui uma grandeza moral para o indivíduo. O BBB virou o sinônimo do lixo cultural na televisão brasileira e atacá-lo confere um ar de superioridade, inteligência e discernimento. Você pode olhar na cara de todos seus amigos virtuais, apontar o dedo e rir: idiotas.

Se o Facebook e as petições virtuais existissem em outros tempos, acredito que outros programas de televisão sofreriam a mesma perseguição. Imagino a elite intelectual pedindo que o Fantástico fosse retirado do ar. Que as novelas fossem proibidas. Que o programa do Chacrinha deveria ser banido. Eles ainda pediriam que a minissaia fosse abolida e que se juntássemos 200 mil compartilhamentos o tribunal romano voltaria atrás e soltaria Jesus, ao invés de Barrabás.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Por Onde anda: Mister M

O Mister M foi uma dessas figuras excêntricas que dominaram o noticiário planetário durante determinado período. Seus feitos e seus atos eram motivos de discussão nas mesas de bar e nas rodas de samba. Todo domingo a noite, as pessoas paravam para assistir ao seu quadro no Fantástico, narrado orgasticamente por Cid Moreira. No entanto, ele sumiu. Não virou um quadro fixo do Fantástico, como Dráuzio Varela ou Max Gehringer, que estão sempre lá, falando de todos os assuntos possíveis.

Ele também foi uma figura emblemática da sua época, um típico representante do final do século XX. Seu auge foi em 1999 e precisamos lembrar que naquele tempo a humanidade vivia com muitas dúvidas sobre a virada do século. Temíamos o Bug do Milênio e, nesse contexto, qualquer mascarado poderia ganhar ares messiânicos.

A função do Mister M, nome artístico de Val Valentino, que por sua vez deve ser outro nome artístico, porque seria sacanagem alguém se chamar assim, sua função era desvendar os truques dos mágicos e ilusionistas, ilusionista que ele próprio é. Foi ele quem ensinou que não, a mulher não é serrada ao meio e depois costurada e ressuscitada pelo David Cooperfield. Na verdade, trata-se apenas de uma contorcionista.

Ele também mostrou que os mágicos não conhecem o segredo da vida para tirar coelhos da cartola, não engolem espadas, não transformam mulheres em penas e tampouco detém o dom do teletransporte. Para tudo, sempre existe um truque de espelhos, bailarinas tchecas, gêmeos malabaristas e uma mão boba no canto esquerdo que desvia todo o foco do público enquanto a mágica é realizada.

Nosso senhor das trevas se caracterizava por seu vestuário esquizofrênico, ótimo para ser utilizado em festas a fantasia. Na virada do século, em todo e qualquer jogo de futebol disputado no território brasileiro, sempre haveria um cidadão vestido de Mister M. Poderia não haver os gols, poderia não haver os jogadores, nem sequer a bola e muita menos o gramado. Mas o indivíduo fantasiado estaria lá. E seria filmado pelo Globo Esporte.

Val Marchiori, digo, Valentino, também ficou famoso pela relação um tanto quanto homoafetuosa que Cid Moreira desenvolveu por ele. Os detratores diziam que Cid estava claramente se masturbando enquanto dizia “ahhhhhh Mister M! Como você fez isso, Mister M???? Ahhhhh, tesão!”. Detratores, volto a lembrar.

O fato é que tal qual Cid Moreira, o mágico mascarado está sumido. Todos nós nos perguntamos: como é que pode? Como pode um cidadão que chegou a ser apontado como futuro presidente do país, um líder mundial capaz de promover o fim dos conflitos religiosos ao redor do planeta, como pode ele desaparecer? A resposta é simples.

Não podemos nos esquecer que o ofício oficial de Mister M era a mágica. Assim sendo, ele foi sua própria desgraça. A partir do momento em que ele expôs todos os seus truques, ele próprio perdeu o sentido. Porque alguém pagaria dinheiro para ver uma mulher se contorcendo dentro de um caixote, enquanto um indivíduo afetado simulava serrar o caixote ao meio?

Se hoje Mister M faz shows esvaziados em Las Vegas, a culpa é dele próprio. Ele cometeu um suicídio profissional.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

As categorias do Oscar

Domingo, o Teatro Kodak em Los Angeles, o Kodakão, irá receber centenas de astros de Hollywood para a cerimônia de entrega do Oscar 2013. Neste post, o CH3 irá explicar um pouco o sentido das tantas categorias prestigiadas durante o evento, para que você não se sinta tão perdido na noite do domingão.

Melhor filme: Teoricamente seria a melhor produção cinematográfica do ano, aquele filme que arrepiou até os cabelos do suvaco e fez as pessoas saírem transformadas da sala de cinema. Mas, não é assim que funciona. A Academia estabeleceu um cronograma para premiar diferentes tipos de obras, em uma ordem aparentemente aleatória, mas que segue uma lógica conhecida apenas pelos seus membros. Um ano eles premiam uma superprodução, depois um filme independente, depois um filme de roteiro confuso, voltamos a superprodução, para então premiar um musical e por aí vai. Nunca saberemos a ordem exata.

Melhor diretor: Segue a mesma lógica do melhor filme, até porque, quase sempre essa entrega é casada. No entanto, a lógica misteriosa prevê que às vezes um diretor exótico pode ganhar o premio, inesperadamente.

Melhor ator: Alguém que não seja o George Clooney, é premiado geralmente por interpretar o papel de uma bicha, de um esquizofrênico, ou de um personagem histórico. Pegue a lista dos ganhadores, é sempre assim.

Melhor atriz: Destinado a prestigiar uma mulher bonita que tenha interpretado o papel de uma mulher feia, embaixo de quilos de maquiagem. Mesmo que essa atriz seja uma integrante do elenco de Malhação. Na lógica desta categoria, boa é a atriz que consegue se sair bem mesmo sendo feia.
Hoffman interpretará Roberto Gurgel
na cinebiografia de Jô Soares

Melhor ator coadjuvante: Pense no Morgan Freeman. Pense nos seus personagens. Agora, pense em um ator que conseguiu interpretar um papel parecido da melhor forma. Então, esse cara costuma a ser Philip Seymour Hoffman. Eventualmente, o prêmio é dado para alguém que você pensa “Ué, achei que ele era o principal”.

Melhor atriz coadjuvante: Categoria criada para abrigar atrizes de seriado, atrizes veteranas e outras que nunca tiveram capacidade de ganhar o prêmio principal. O prêmio vai praquela que parecer mais necessitada.

Melhor roteiro original: Premiação para quem conseguiu criar a melhor formatação de roteiro, utilizando-se de fontes diversas, recuos arrojados e intervenções personalistas para marcar o nome dos personagens na coluna da esquerda.

Melhor roteiro adaptado: Prêmio para o plágio mais bem feito de algum livro, conto, ou post de blog do Noblat.

Melhor filme de animação: Prêmio para o melhor desenho animado do ano. Em outros tempos, os favoritos eram os musicais da Disney. Ultimamente, os desenhos melancólicos são os preferidos.

Melhor filme estrangeiro: Parte do óbvio princípio de que o melhor filme do ano será norte-americano. No entanto, como este povo é muito bondoso, eles criam uma categoria especial para premiar também os pobres cineastas que moram em outros países. Quem sabe, com sorte, um deles até consiga ir para Hollywood.

Melhor documentário em longa-metragem: Uma das categorias mais difíceis do Oscar, uma vez que a Academia tem muita dificuldade em encontrar o quórum mínimo de votantes.

Melhor documentário em curta-metragem: Em tempos remotos, apenas um cidadão era o responsável por escolher o premiado, visto que era o único que havia assistido todos os cinco concorrentes. Com o advento do Youtube, esse número aumentou e atualmente, pelo menos 16 pessoas descarregam seus votos.

Melhor curta-metragem: Leia-se: melhor vídeo do youtube.

Melhor animação em curta-metragem: Melhor desenho do Pica Pau no ano.

Melhor trilha sonora: Premiação para aquela música de fundo que você mal presta atenção e acha que são todas iguais.

Melhor canção original: A melhor canção original sempre costuma a premiar uma música meio brega, com ar de World Music e que não soa nada original.

Melhor edição de som: Se você viu o filme e não percebeu nenhuma dublagem não sincronizada, ou um barulho de explosão antes da própria explosão, a edição de som está bem feita. Enfim, só um júri formado por autistas consegue julgar o melhor.

Melhor mixagem de som: Premia o melhor DJ, em uma categoria na qual apenas três pessoas concorreram nos últimos 20 anos. David Guetta, DJ Roberto e Tiesto.

Melhor direção de arte: Responsável por premiar alguma viadagem.

Melhor fotografia: Nesta categoria, são premiados os fotógrafos que fizeram as melhores fotos utilizadas nos cartazes de divulgação do filme e também nas capas e contracapas dos DVDs e Blu-ray.

Melhor maquiagem: Premia a melhor maquiadora dos camarins do Kodakão.

Melhor figurino: Ao contrário do que muitos pensam, essa categoria não é a principal da noite, mesmo que no dia seguinte os jornais só falem das roupas das atrizes no tapete vermelho. Na verdade, este prêmio serve de consolação para aquela superprodução de época ou algum musical chato. Pelo menos eles poderão colocar na capa “Ganhador do Oscar”.

Melhor edição: Premia o cidadão que fez o melhor trabalho no Movie Maker.

Melhores efeitos visuais: Serve para premiar aquele filme de ação cheio de explosões e, também, colocar na capa “do ganhador do Oscar”. Você então olha para aquele negócio e pensa “o que? Essa merda ganhou um Oscar?” e só depois vai verificar direito o que aconteceu.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

SACH3 – Comentários de muito tempo

Mais uma edição do Serviço de Atendimento do CH3, com alguns dos melhores comentários do último ano.

Começamos com esta pequena discussão no post, Como se Tornar um Comentarista de Futebol:

Tiago Oliveira disse: “Cantor Geubert Nunes disse... Homem que nao gosta de futebol e viado.ser humano que nao faz esporte e idiota.’ Eu odeio futebol e não vivo sem mulher, adoro mulher e elas me adoram também, pois no lugar de fica feito babaca na frente da TV assistindo jogo, prefiro dar aquela atenção sexual que toda mulher de fanático tem carência”.

Um ano depois, Cantor Geubert Nunes respondeu: “sei...vc tem cara de quem pega geral mesmo,kakaka...nunca ouvi um feio asumir que e feio,todo cara que nao pega ninguem vive dizendo que e garanhao,negros reclamam que os brancos sao racistas,mais entre uma negra e uma loira eles nao pensam duas vezes p/ escolherem a loira,e mentira??entao amigao acorda!”.

Até hoje ainda esperamos a réplica do Tiago Oliveira neste debate de alto nível.

Comentários anônimos em, Os Caçadores de relíquias
“Nunca li tanta besteira em algumas linhas. o programa se chama cassadores de reliqueas e eles estão nesse neg´cio para ter lucro e para pagar essa estrutura eles tem muito custo, só pelo que é divulgado eles tem uma pessoa que fica só por conta de fazer contatos voce sabe o salário ou comissao dessa pessoa voce sabe quanto eles pagam de impostos voce sabe o custo de oportunidade de captal voce sabe qual é a dificuldade desse negocio, é muito fácil criticar as atitudes dos outros mas gostaria de ver voce trabalhar só por filantropia. Esse negócio é muito arriscado e sempre tem custos envolvidos ao qual voce não tem conhecimento, por isso não seja leviano em tentar manchar a imagem de alguel”.

Eu parei depois de ver a forma como você escreveu Caçadores de Relíquias. Você se esforçou para escrever assim, né? Foi de propósito? Diz que sim.

“Assisto qdo estou sem sono e essa prra de programa fica repetindo de madrugada, aí durmo rapidinho; 2 veados do karalho, devia mostrar eles transando tb!!! KKKKK!!!”.

Cara, no mínimo estranha a sua vontade de ver os dois transando.

“Cara, da onde vc tirou que eles são gays. Eles não são gays e nem a Danielly é sapatão, antes que o digam. O programa é bacana; os três são carismáticos. É um dos meus preferidos. Sobre a tal da exploração é assim que funciona, EM QUALQUER LUGAR DO MUNDO”.

“Gay deve ser vc..seu boiola.....os caras sao fera e mostra a historia das coisas antigas...vc deve ser um gay q nao tem ninguem pra te fdr..kkkkk”.

“você é um sem noção, com muita vocação para falar besteiras, nunca será um formador de opinião, a não ser por meia dúzia de idiotas com a mesma mesma falta de noção”.

Poxa, nunca serei um formador de opinião.

VERDADE OU DESAFIO
Anônimo disse: “Uma vez um colega mandou a minha paquera chupar a minha pik e perder a vigidade comigo niguem sabia mas eu perdi a vigidade com ela”

Gabii disse: “na verdade é de 4ª a 7ª seriee por que eu to na 4ª e ja jogo mas ja perdi o bv e o bvl com 6”

Anônimo disse: “Uma vez eu fui desafiada a beijar a cabeça do pingulinho de um menino.Depois dsso nós namoramos e eu perdi a virgindade.Trágico”

Que belas histórias, não? Gostei principalmente da menina que perdeu bv e bvl com 6. Trágico.

O Incompreendido fetiche por balões
Anônimo disse: “Ola amigo. Eu compro os balões no Ebay. E so procurar por "weather-balloons", tem varios vendedores que enviam para o Brasil. Tem tambem uma loja dos EUA que compro balões tambem. http://www.scientificsales.com/Meteorological-Balloons-Weather-Balloons-Sounding-Balloon-s/25.htm”.

Caio disse: “Olha, ja comprei baloes metereologicos e eles não valem a pena. São caros e não tem os cheiros e as cores dos balões de festa. Se quer um balão grande, procure pelo Q34 da Qualatex. Outro problema desses baloes metereologicos é que eles são dificeis de esconder, ocupam um espação, voce vai precisar de uma caixa bem grande pra guardar”.

Paulo Cesar Martins Gomes disse: “oi tenho esse fetiche desde os 5 anos de idade . teve uma vez que fiquei bravo com a minha cunhada quando ele estourou todos os baloes que eu havia pegado na festa de minha prima ela comecou com um pisando em cima dele depois biliscou outro e eu puxei a penca que eu havia pegado mas nao adiantou estava so eu e ela em casa ela esperou um pouco e disse so mais um sentou em cima do proxima e puxou um agulha e destroiu com todos sem do nem pena e disse eu adoro fazer isso com baloes dos outros. fica meu blog e www.loonersbrasil.blogsexy.com.br e email para conversar e p-cesar-gomes@bol.com.br assunto looners”.

Fica aí a dica, looners do meu Brasil. Onde comprar e com quem interagir. Nunca se esqueçam de que os balões meteorológicos são mais difíceis para guardar.
Como torturar um Looner
E para finalizar, um comentário de Litinha no lendário post dos Críticos de Cinema.
Quem entra nesse blog, já sabe de cara que está entrando em um blog de comédia. É claro, para que mais haveria um desenho do pinóquio ao lado? Eu já vi esse post em outro site, sorte deles que não havia como comentar. Crítico não é uma profissão fácil, principalmente por causa de comentários como o anônimo4 e Mestre Zen. Filme não é algo apenas para ser apreciado e sim para ser analisado. Crítico é uma profissão como qualquer outra. Fazer filme, hoje em dia, se tornou algo tão trivial como comer uma banana. Qualquer um que consegue comprar uma câmera, crackear alguns programas de edição de vídeo e tiver amigos consegue se tornar um diretor. Se forem reclamar de como o blog insultou a profissão, não reclamem aqui. É apenas um blog de comédia, seu comentário vai virar piada.

Ainda não entendi se você está me ofendendo ou me defendendo Litinha, seja mais clara.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

3 Propostas de samba-enredo

Na era do samba-enredo patrocinado, das rimas mercadológicas e dos suportes estatais, o carnaval tem se tornado um evento cada vez mais desinteressante. Assistimos escolas falando de temas como “Cavalo Mangalarga Marchador”, “Iogurte” e “Royalties do Petróleo” na Sapucaí. Mais divertido do que assistir aos estapafúrdios desfiles, é tentar adivinhar quem é o patrocinador da bagaça.

É neste cenário que o CH3 propõe três temas para samba enredo, numa tentativa de trazer de volta a irreverência, a relevância e a criatividade ao sambódromo.

1: Frango Frito.
O frango frito seria o mote principal do desfile e conseguiria um patrocínio fácil da Seara ou Sadia/Perdigão e quiçá de alguma marca de óleo. Mas, ao longo do desfile, poderíamos fazer uma série de alusões com outros temas relacionados à história do frango.

A comissão de frente seria o grande destaque do desfile. Bailarinos coreografados por Carlinhos de Jesus estariam vestidos de coxa de frango cru. No meio da Avenida, diante das câmeras e do mundo, a surpresa: os integrantes entram no carro de apoio, que tem o formato de uma panela que solta fumaça. De lá eles saem vestidos de frango frito.

O carro abre-alas seria um enorme Frango Assado e sobre este carro várias mulheres seminuas dispostas aleatoriamente garantem a divulgação da Escola na internet.

Teríamos uma ala dedicada às origens do frango frito, provavelmente o Egito. Uma alegoria com uma pirâmide e uma pessoa representando Cleópatra, que dentro do nosso contexto, adoraria a iguaria. Logo depois, outra ala com dezenas de pessoas vestidas de celebridades que supostamente adoram um franguinho, como Amy Winehouse, Michael Jackson e Marilyn Monroe. E claro, uma homenagem a Alcione, porque ela tem cara que adora uma coxinha de galinha.

Depois, teríamos um carro alegórico com uma imensa Caravela, simbolizando que foram os portugueses que trouxeram o Frango Frito ao Brasil.

Outra ala dedicada a Galinha de Angola, o que já rende um carro dedicado aos escravos, que na ausência de frango eram obrigados a fazer feijoada com restos de porco. Dentro do carro, o mago da cozinha, Felipe Bronze, fará uma inovadora feijoada de frango, que será servida no camarote Brahma ao final do desfile.

Ainda teríamos um carro dedicado a Cidade de Deus, pegando o gancho da cena inicial com a galinha. Carro que exaltaria a malandragem do povo carioca e Seu Jorge. Teríamos uma ala dedicada aos frangos de macumba e aos pais de santo, garantindo citações dispersas a todos os orixás. A bateria estaria vestida de cachorro, em homenagem aos cães que passam o dia inteiro babando na frente das galeterias. (O frango giratório seria representado pela madrinha de bateria, uma galinha qualquer).

Alas dedicadas aos derivados do frango, como Nuggets e salsicha. Aos pratos com frango, como o Frango Xadrez, garantindo uma verba extra do governo chinês. Uma ala com o homem da roça, referência ao frango caipira. Uma ala dedicada aos acompanhamentos do frango frito, com ênfase na cerveja (Olha a Brahma ai gente). No último carro alegórico, a representação de um bar, com toda a velha guarda da escola, acenando, sorrindo e comendo frango frito.

Fim. Público ovacionando e cantando o samba.

“Porque foi lá no Egito / Que descobriram o Frango Frito / Alegria de Cleópatra e outros maiorais / Dezenas de bambas imortais / Oxalá, meu rei tomará / Embarque nessa viagem você também / Porque foi Cabral / que num 22 de abril / Tornou o frango nacional / Orgulho do meu Brasil”.

2: O Bóson de Higgs
Enredo pós-moderno que iria abordar vários aspectos da física e da existência humana.

O grande destaque do desfile seria a presença de patinadores que ficariam correndo ao redor da avenida, simulando as partículas aceleradas lá no subsolo da Suíça. E a bateria, ao invés de ficar junta no recuo, ficaria espalhada no meio das alegorias e das diversas alas. Os ritmistas seriam os elementos que dão origem a todo o resto, no caso o samba. Você pode argumentar que isso atrapalharia o andamento da escola. Mas seria o show. E show não atrapalha.

A comissão de frente seria formada por dezenas de casais seminus, simbolizando a origem da vida. O carro abre-alas seria uma representação daquele foto icônica de Einstein com a língua para fora, representando os desafios da física moderna.

Uma ala seria dedicada a Newton e a maçã que caiu sobre sua cabeça, dando espaço para uma alegoria com Adão, Eva e a maçã. Eva representada pela mulher maçã, toda nua, apenas com o corpo pintado. Para o papel de Adão, pensei em Rubens Ewald Filho. Seria um enredo ao mesmo tempo criacionista e evolucionista.

O acelerador de partículas seria simbolizado por um carro com vários pilotos, como Rubinho Barrichello e uma imagem de Ayrton Senna, garantindo a empatia do público e muitos momentos de emoção para a edição do Jornal Hoje. (Além de um aporte financeiro de grandes montadoras).

“Desde os tempos lá do Einstein / O mundo procurava o Bóson de Higgs / E para celebrar essa descoberta / Vem no batuque da Imperatriz”

3: Masturbação.
O carro abre-alas seria uma mão aberta com o nome de: “a mão divina”.

A mão divina
Depois disso, nada mais importa. Encheríamos o desfile de mulheres seminuas e um samba cheio de frases de duplo sentido com a masturbação.

“Chegou a hora de descabelar o palhaço / Todo mundo no cinco contra um, aí / Nosso samba é para quem é bom de braço / Uma explosão na Sapucaí”

Com a inestimável colaboração de @gutopera

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Ciclo de Festas

A sua vida gira em um ciclo de festas. Você sempre está frequentando determinados tipos de festas que marcam determinados períodos da sua vida. Isso não significa necessariamente que você é um baladeiro que desperdiça suas noites de sono rondando as mais fétidas e pútridas casas de diversão noturna da sua região. Nem que você goste de festas. Mas elas são parte da sua vida.

O ciclo começa com as festas de criança. Geralmente você se lembra pouco das primeiras festas, porque você passou a maior parte do tempo babando e chorando, e só se recorda dos fatos narrados por terceiros e de algumas fotos em que você está usando roupas engraçadas. Junto com você, tantos outros bebês que você nunca mais viu.

Quando você faz uns quatro anos, as coisas mudam e você começa a ter memórias. Daquelas festas cheias de crianças em que os pais precisavam arrumar um jeito de o tempo passar até a hora do bolo. Na minha época ficávamos brincando de esconde-esconde, hoje imagino que a criançada fique no videogame mesmo. Chegava o momento do bolo e, claro, dos disputados brigadeiros. Além do parabéns, seguido pelo temível “Com quem será?”.
- Com quem será? Com quem será? Com quem será que a Marcinha vai casar?
- Com o Vinícius heim!
- Não cara, comigo não! Não, sacanagem!
- Vai depender se o Vinícius vai querer!
- Não!!!!!!!!!!

As festas mais badaladas ainda tinham o papo de peru. Quantas linhas já não gastei para falar dessa experiência moldadora de caráter e os amigos que se foram neste momento.

Quando chegávamos aos 11, 12 anos, começavam os aniversários de pré-adolescente. Provavelmente o momento mais deprimente de nossa existência humana. Todos tentando se comportar como adultos, bebendo Coca-Cola enquanto contavam mentiras sobre sua ativa vida sexual.

Depois vêm as festas de colégio, na época do ensino médio. Todo mundo começa a beber e passar os primeiros vexames, como dançar bêbado até vomitar e cair sobre o próprio vômito. E ter que ligar para o pai às 2h da manhã perguntando se ele podia te pegar. O momento mais constrangedor de nossas vidas. O amor de um pai é algo que realmente não tem explicação.

Este ciclo termina na sua formatura de colégio, uma espécie de despedida da adolescência. A Formatura do Ensino Médio tem um ar depressivo, porque, pensando bem, você não se forma em nada e não tem direito sequer a uma prisão especial. Além disso, você vai fazer Zootecnia em Campos do Jordão e nunca mais verá ninguém.

Na faculdade, as festas são experiências que duram um dia inteiro, uma noite inteira, abastecida com bebidas alcoólicas da pior qualidade possível. Invariavelmente, você termina a noite seminu na casa de alguém que você não conhece, murmurando que quer ser besuntando, antes de entrar em coma alcoólico.

Chega a sua formatura. Ou melhor, a época das formaturas. Porque seus amigos de colégio e outros conhecidos também estão terminando a faculdade. É hora de gastar o terno em buffets de nome imponente, comer lagarto ao molho madeira até ficar cansado, decorar todos os axés que estão fazendo sucesso, cansar de assistir as entradas triunfais dos formandos e as pessoas se arrastando no chão, quando tudo terminar.

Ao invés de jujubas, um casamento
Mal termina o ciclo de formaturas, começa o ciclo de casamentos. Não necessariamente o seu casamento, mas o casamento dos seus amigos da faculdade, colégio, colegas de trabalho, primos. Hora de peregrinar por diversas igrejas escutando os mais variados sermões, presenciar o ataque à mesa de doces e o momento do buquê. Este sublime momento em que as mulheres voltam a se comportar como as crianças embaixo do papo de peru. Presenciar a tensão no rosto dos homens e ver o desespero estampado na face do cidadão que viu sua namorada agarrar o buquê depois de quebrar a costela de três oponentes. Além da clássica pergunta: “e você? Casa quando?”.

Aí então acontece a mágica na vida das pessoas. Como se você estivesse no eterno dia da marmota, o ciclo se reinicia e nós voltamos às festas de criança.

As festas dos filhos dos seus amigos, seu sobrinho. A festa do seu filho, dos colegas de sala dos seus filhos. Crianças que passam de mão em mão, enquanto rola aquela preocupação se elas não vão se matar no escorregador.

Começam as festas de adolescente do seu filho e dessa vez é você que vai ficar acordado até às duas horas da manhã esperando um pedido de busca. Começam as formaturas do seu filho, dos seus sobrinhos, com você entediado, esperando o jantar para ir embora. Os outrora recém-nascidos se casam e têm filhos e você vai ao aniversário dos seus netos. Cuidado com o vovô!

Se você tiver sorte, verá seus netos se formando, quem sabe se casando. Com mais sorte ainda, verá o aniversário dos seus bisnetos.

Até o dia em que você encontra seus amigos em uma última celebração.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Cuiabá no Dia em que a Mangueira Entrou


A humanidade sempre pode ser dividida em dois grupos distintos, em toda e qualquer situação. Não foi diferente nesta última segunda-feira, 11 de fevereiro de 2012, o dia em que Cuiabá viu a Mangueira entrar. Sim, no dia em que a gloriosa Estação Primeira desfilou seu enredo sobre a cidade verde, nenhum cuiabano de nascimento ou adoção ficou a margem do embate. Os críticos ferinos do desfile e os deslumbrados com a cidade desfilada em verde e rosa passaram a andar de lados diferentes da rua.

Na segunda-feira Cuiabá amanheceu diferente, era possível sentir o cheiro da pólvora no ar. Nas ruas, não se falava de outra coisa. Era sobre isso que conversavam os motoristas de ônibus, os flanelinhas do centro da cidade, as pessoas nas filas do supermercado. Nos churrascos com a presença de tios piadistas, a piada que dá título a esse post foi repetido à exaustão, provocando alguns cismas familiares. Você gostou? Você vai chorar? De emoção? De raiva? Perguntas, perguntas.

A princípio era muito mais fácil estar do lado dos críticos. Por todo o dinheiro gasto com o desfile do carnaval em outra cidade, o enredo pífio da Mangueira, com uma letra genérica que poderia homenagear qualquer cidade terminada em Á. Por outro lado, os defensores do desfile adquiriram um aspecto de passividade quase bovina. Poderiam argumentar que o desfile fomentaria o turismo na capital, mas o principal argumento era o bairrismo. E, contra o bairrismo não há argumentos.

Bateu-se o recorde de vendas de pacotes para o Rio de Janeiro. Creio que 10 mil pessoas deixaram Cuiabá para passar o carnaval na cidade maravilhosa. No sábado de carnaval, criou-se um sentimento de confusão no momento em que metade da sua timeline estava tomando sol em Copacabana, ou no Leblon. No Rio de Janeiro, as pessoas se perguntavam se estava ocorrendo um novo êxodo.

O desfile em si, foi uma espécie de show de desinformação sobre Cuiabá. As coisas já começaram mal por conta do fuso horário que fez com que por aqui, a Mangueira só entrasse no momento em que ela já estava saindo da Sapucaí.

Antes do desfile começar, alguns integrantes da escola foram entrevistados, rendendo momentos inesquecíveis. Perguntada se já conhecia Cuiabá, uma senhora disse que não, mas que esse era o seu sonho. Uma outra disse imaginar Cuiabá como um lugar no meio da floresta. Uma passista informou que representava as riquezas de Cuiabá, no caso o ouro, a natureza e o Caju.

Os responsáveis pela transmissão não se mostraram mais conhecedores dos fatos. Glenda Kowlsozlki em certo momento afirmou que o cerrado era vizinho de Cuiabá. E alertou aos possíveis aventureiros que pensem em vir à Cuiabá, para não comerem a cabeça de Pacu. "Cuidado, se comer a cabeça do Pacu, você casa lá e não saí nunca mais de lá!". A Globo, aliás, passou mais tempo preocupada em mostrar as duas baterias da Mangueira, o grande espetáculo que ninguém entendeu direito. Ah sim, a Gracyanne Barbosa também foi filmada em seus mínimos atributos.

O samba-enredo também não ajudou. O fio condutor da história era um suposto trem que os cuiabanos esperam há 150  anos. Cuiabanos de todo o mundo ficaram chocados quando foram informados que todos esperavam o trem. Fomos mostrados como um povo fracassado que há 150 anos fica fitando o horizonte com olhos perdidos, esperando o dia em que um trem surgirá, lá longe, trazendo o desenvolvimento. Mas, ele nunca veio. Afinal, como disse o G1, Cuiabá é uma cidade colonizada na era da mineração e que permanece estagnada desde o início do século XX.

Cuiabá abraçou o mundo no desfile, ganhando um ar de destino insólito. Destaque para pacus radioativos, botos, o minhocão do Pari que ganhou ares de monstro do Lago Ness. Referências às flores e peixes amazônicos (800 km ao norte de Cuiabá), ao Eldorado. Assombrações pouco convincentes, porque como diria Glenda Kolwosziyck, a lenda da mulher de branco existe até no seu condomínio. Cadê a viola de cocho no desfile? O Siriri e o Cururu? Porque o chá com bolo virou bolinho de arroz com café?

Claro que existiram boas referências. O carro do artesanato local estava muito bonito e foi sem dúvida nenhuma, a alegoria com a qual o povo cuiabano mais se identificou. A citação ao Clínio Moura, ou os cajus de João Sebastião. Tudo que passou discretamente, porque o carnaval é uma máquina de exibir mulheres com plumas e carros alegóricos com palha, com referências místicas.

No fundo, toda cidade é igual no carnaval. Lá, a cidade é retratada como os outros a enxergam. Neste caso, a Cuiabá dos jacarés nas ruas.

Terminado o desfile, os grupos permaneceram em lados opostos, cada vez mais extremados, porque mudar de opinião é para os fracos. Os envergonhados (certa maioria) e os orgulhosos se atacavam. Creio que chegou a se propor que quem não tivesse gostado do desfile deveria mudar de cidade. Ainda apareceram os velhos conciliadores, querendo que todos dessem as mãos, mas não deu certo. A Guerra Civil deve começar qualquer dia.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

CH9 - A Tortura em Vídeo

Então é carnaval, o CH3 tem cada vez menos visitas e nós resolvemos publicar este vídeo.

É muito ruim. Nem eu conseguir assistir ao final, sendo que fui eu que fiz.

Quem conseguir assistir tudo ganha um prêmio.

Boa sorte.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Guia CH3: Enredos das Escolas de Samba 2013

Um Guia para você aproveitar o melhor do desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro em 2013. Só do Rio, porque carnaval em São Paulo é palhaçada.

DOMINGO
Inocentes de Belford Roxo (21h)
Escola que não é nem um pouco famosa, mas que tem um nome deveras engraçado. Cantará sobre os 50 anos de imigração sul-coreana no Brasil. Um enredo nem um pouco carismático que deverá explorar, sei lá, o Psy e as lojas da Avenida Paulista.
Melhor trecho do samba: “Sinto a emoção em cada expressão da cultura popular”. O cara faz o que? Chora no Gangnam Style?

Salgueiro (22h05)
A escola, famosa por ser o habitat natural de Eri Johnson, aposta no enredo “Fama”. Um tema bastante genérico que irá oferecer ao carnavalesco Renato Lage a oportunidade de montar carros alegóricos extravagantes e explorar os mais diversos temas, porque tudo se relaciona com a fama. Aposte que você irá ver um carro com referências ao Egito explicando que a fama começou com Cleópatra.
Melhor trecho do samba: “Pra ver o que? O traço do pintor, que o ‘astro’ Rei Luís retratou”. Imperdível o trocadilho de “astro” pra falar de Luís XIV, o Rei Sol.

Unidos da Tijuca (23h10)
O carnavalesco Paulo Barros irá utilizar a alta tecnologia para falar sobre a Alemanha, num enredo que tem Thor no título. Não sei o que esperar desse desfile, além de uma comissão de frente surpreendente. Quem sabe alguma homenagem a Hitler.
Melhor trecho do samba: “No mundo da imaginação era uma vez, o conto de fadas, no reino encantado. A infância mais feliz quem fez? Eu vi a criança em sua ilusão erguer um castelo, brinquedo na mão”. Onde entra a Alemanha na história? 

União da Ilha (00h15)
Famosa por seus sambas alegres e por nunca ganhar nada. Irá homenagear o centenário de Vinícius de Moraes, se utilizando de junções aleatórias dos seus versos com referências obscuras a Bahia e uma enigmática pergunta: “onde anda você, poetinha?”. Morto, eu diria. Espere por Helô Pinheiro.
Melhor trecho do samba: “Menininha me chamou, vou pra Bahia. Sou da linha de xangô, Caô meu guia. Odoyá... Iemenjá! A benção meu pai Oxalá”. Realmente, a vida de compositor de samba é fácil.

Mocidade (1h20)
Escola que caiu em desgraça desde que seu mecenas, Castor de Andrade, foi para um mundo melhor. Vão cantar sobre o Rock in Rio, uma oportunidade de mostrar uma visão estereotipada do rock em um enredo nem um pouco carismático e, quem sabe, Pepeu Gomes tocando guitarra.
Melhor trecho do samba: “Cantei a paz a igualdade. Estrelas mudam de lugar”. Foi o Paulo Ricardo que compôs? 

Portela (2h25)
Tradicional agremiação que conta com a simpatia de muitos sambistas famosos e que não ganha nada há muito tempo. O enredo será sobre Madureira, bairro de origem da escola. Esperem referências a sambistas tradicionais, escravos e a águia do carro abre alas, que a cada ano fica maior e mais tecnológica.
Melhor trecho do samba: “Abre a roda, chegou Madureira. A poeira vai levantar, o batuque ginga ioiô, ginga iaiá”. #wandoeterno.

SEGUNDA
São Clemente (21h)
Escola famosa por não ser famosa e que tem o enigmático enredo “Horário Nobre”. Claro, uma boa oportunidade para o carnavalesco fumar maconha e imaginar tudo o que possa ser relacionado a um assunto tão amplo. A Globo irá adorar as referências as suas novelas.
Melhor trecho do samba: “Olha quem chegou, sinhozinho Malta. Viúva Porcina, sambando igual mulata”. Tente não rir imaginando Regina Duarte rebolando.

Mangueira (22h05)
A gloriosa Estação Primeira irá cantar sobre Cuiabá, isso mesmo, um paraíso no Centro da América. O samba se destaca por ser uma união de clichês que tem apenas três menções a cidade em 30 versos. Fosse Araxá, Itanhangá, Guarujá, ou qualquer outra cidade que rimasse com Jacarandá, o samba seria o mesmo. Poderia até ser o Alphaville, se mudassem a árvore para Bougainville.
Melhor trecho do samba: “O apito a tocar, preste atenção. Mistérios e lendas de assombração”. Lendas de assombração é teu cu cara. A letra é tão pavorosa que merecia um post a parte.

Beija-Flor (23h10)
Eterna campeã do carnaval carioca, a escola de Neguinho da Beija-Flor cantará sobre a história do cavalo Mangalarga. Algo que parece muito específico e insólito, mas dará aos carnavalescos a chance de contar a história da humanidade junto com a história do cavalo. Aposte em alas homenageando os escravos, que vieram juntos com cavalos, alguma menção a “em cavalo dado não se olha os dentes” e ao Cavalo de Tróia.
Melhor trecho do samba: “Eu vou cavalgar pra encontrar a minha história neste mundo de meu Deus! Venho de longe de uma era milenar”. Trecho que avisa que vai valer de tudo no desfile.

Grande Rio (00h15)
Escola que ficou famosa por abrigar atrizes globais seminuas, o que é uma das maiores atrações do carnaval. Seu enredo é “Amo o Rio e vou à luta: Ouro negro sem disputa… Contra a injustiça em defesa do Rio”. Títulos grandes não costumam a dizer muita coisa e dão liberdade para o carnavalesco explorar a história dos escravos, imigrantes, personalidades históricas.
Melhor trecho do samba: “Vou jogar a rede e puxar, vem me dá um beijo amor, na praça, ouvindo o sino tocar. Preservar é dar valor”. Não entendi se o trecho é favorável ou contrário à pesca predatória ou se é sobre sexo seguro.

Imperatriz (1h20)
Escola famosa por ter Luíza Brunet, sempre em seu último carnaval, se despedindo do cargo de madrinha da bateria. Irá cantar o enredo “Pará - O Muiraquitã do Brasil - Sob a nudez forte da verdade, o manto diáfano da fantasia”. Um enredo completamente aleatório, que irá explorar a baianidade nagô.
Melhor trecho do samba:Raiou Cuará! Oby aos olhos de quem vê”. Não me perguntem o sentido disso. Mas, pelo menos o autor do samba realmente fez algumas referências ao Pará.

Vila Isabel (2h25)
Curiosamente, a escola de Martinho da Vila. O enredo é “A Vila canta o Brasil celeiro do mundo - Água no Feijão que chegou mais um”. Enredo genérico que permite homenagens aos escravos, rima entre “samba” e “bamba” e uma citação a Kizomba, maior samba da história da escola. Eles fazem isso todos os anos, mesmo se estiverem homenageando a Noruega.
Melhor trecho do samba:Preciso investir, conhecer, progredir, partilhar, proteger...”. Adorei o tom reflexivo deste verso.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

#hipster

Vez por outra, a sociedade inventa um termo para designar um segmento social excêntrico, que nós tratamos como uma escória e que gostaríamos que não saíssem de casa para que não nos fizessem passar vergonha. Atualmente, este grupo responde pelo termo “hipster”.

Você que mantém alguma vida social na internet já deve ter escutado falar deles e sabe que é difícil definir o que eles fazem. Se saíssemos às ruas para apontar os hipsters, faríamos isso sem convicção. Uma pessoa que parece que é um hipster faz uma piada sobre hipsters, mas será que ser autodepreciativo não é uma característica dos hipsters? Enfim é uma confusão danada.

O termo “hipster” surgiu nos anos 40, para definir os jovens brancos que queriam se comportar como os negros que faziam sucesso com o Jazz. Desde então, eles vivem tentando ser o que eles não são, sob a desculpa de que são autênticos.

Faz parte da “cultura” hipster atual escutar músicas (de merda) que ninguém escuta, assistir filmes (de merda) que ninguém assiste, (fingir) ler livros que ninguém lê. Os hipsters também são famosos por superestimar o bacon, tirar fotos “artísticas” (medíocres) e colocar no instagram e, principalmente, se vestir de uma maneira incrivelmente ridícula e chamar o seu mau-gosto de estilo. Faz parte do “jeito de ser” dos hipsters se vestir com o guarda-roupas da avó (inclusive no caso dos homens) e usar óculos bizarros. Sim, óculos que você se sente mal só de ver na vitrine da loja, mas que essas pessoas colocam em suas próprias caras. Enfim, uma escória da humanidade que nós gostaríamos que não saíssem de casa.

Os hipsters, é claro, não são pioneiros nesta posição. No final dos anos 70 e começo dos anos 80 nós tínhamos os Yuppies, que eram os jovens executivos impulsionados pelo liberalismo da era Reagan. Os Yuppies eram egoístas alienados que vestiam ternos o tempo todo e iam à Studio 54 (ainda de terno) e ficavam sentados em sofás, tomando gim tônica com uma cara de enfado workaholic, buscando alguma forma de prazer material. Eram o oposto dos Hippies, os famosos maconheiros que faziam sexo ao ar livre, propagando a paz mundial e tendo sequelas cerebrais severas.

Contemporâneos dos Yuppies, os Preppies eram sujeitos de classe média alta que passavam gel no cabelo e utilizavam camisas polo Lacoste e praticavam esportes ao ar livre, como canoagem e golfe. Frequentavam clubes sociais e, imagino, amarravam o suéter em volta do pescoço. Se existisse Facebook naquela época, o mundo seria um inferno.

Cantem comigo: "I still believe in your
 eyes"  e sintam o ritmo da noite
Muitos desses “movimentos”, ou “tribos urbanas” se caracterizam por compartilharem o mesmo gosto musical. Como não se lembrar dos Emos com suas roupas pretas e roxas, cortes de cabelo que inspiraram Neymar e o gosto por bandas que choravam cantando? Então, até cinco anos atrás, eles representavam um enorme risco para a sociedade. E os Clubbers e seus óculos de lentes claras coloridas, roupas florescentes e gosto por músicas iguais divididas em subgêneros indecifráveis, como Techno, Trance e Psy. Ou ainda os góticos, punks, mods.

Esse gosto por caracterizar a escória é antigo. Nos anos 40 surgiram os beatniks, poetas marginais que moravam com a mãe e eventualmente saíam pela costa oeste americana utilizando boinas e substâncias ilícitas (cigarros franceses), querendo viver como os criminosos da época. E as flappers? Mulheres dos anos 20 que escutavam jazz, bebiam, utilizavam saias, dirigiam carros, escutavam jazz, faziam sexo e chocavam seus contemporâneos.

Ainda no século XIX existiam os dândis, homens que não pertenciam a nobreza, mas que tinham apurado gosto estético. Sensíveis (homossexuais), dedicavam o seu tempo ao ócio, atividades lúdicas e a produção de frases de efeito. Jamais perdiam a pose. (Imagine Oscar Wilde).

Resta saber qual será o próximo grupo, o que irá substituir os hipsters na função de segmento-com-gosto-estético-esquizofrênico-que-se-dedica-a-contemplação-e-que-a-sociedade-prefiria-que-eles-não existissem.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Bang with friends



Poucos dias atrás, foi lançado um novo aplicativo no Facebook, o Bang With Friends. Poderia ser apenas mais um entre os milhares de aplicativos inúteis que o Facebook tem, igual àqueles que seus primos mais novos vivem lhe convidando para jogar. No entanto, o objetivo do BWF é mais adulto: sexo. Você marca um(a) amigo(a), com quem gostaria de fazer sexo. Se ele também te marcou, vocês dois recebem um e-mail e pronto: basta marcar o local.

O método de funcionamento do programa é muito similar a uma funcionalidade do lendário e saudoso Orkut. Na melhor rede social de todos os tempos, você podia marcar as pessoas nas quais você estivesse interessado, mesmo que não fosse interesse meramente sexual. Se o interesse fosse recíproco, você recebia um e-mail sensacional.

Sei que a esta altura você já deve estar tão interessado que até abandonou a leitura deste texto para logar no Face e marcar todas as mulheres que você tem adicionadas por lá. Mas eu, pelo menos, vejo uma série de complicações na sua utilização. O constrangimento é o de menos, porque quem entra no Bang With Friends deve ser bem desinibido.

O principal problema deste programa é se você resolver marcar todas as pessoas, apenas para descobrir aquelas que querem trepar com você. Algo normal. Às vezes, mais do que fazer sexo, você quer saber dos interesses alheios. Em uma dessas você descobre que...

- Seu chefe quer. E como você vai explicar para ele, que você não é gay. Ou como você vai explicar para ela, que era uma brincadeira. Ou com você vai explicar para ele, que você é comprometida. Como é que vocês vão dividir o ambiente de trabalho? Complicado saber que seu chefe realmente quer foder contigo.

- Sua irmã quer. Na verdade, ela também era apenas curiosa e marcou todos os contatos. Agora, os irmãos terão que conviver com essa incerteza sobre o incesto durante o resto das suas vidas. Sem conseguir se olhar nos olhos, evitando os jantares de família. Porque na verdade, nenhum dos dois se interessa, mas acha que o outro está interessado e não tem coragem para tocar no assunto tabu.

- Seu melhor amigo quer. Cara, não é nada disso do que você está pensando. Você é gay? Não, eu não sou. Foi um engano. Cara, para com isso, porra.

- Aquela pessoa estranha que te adicionou uma vez e você nem sabe de onde. Então, ela quer te comer. E agora ela irá te perseguir. Até conseguir o objetivo dela.

- Seu irmão quer, seu melhor amigo quer, seu chefe quer. Opa! Esse aqui é o Facebook da minha mulher!

- Ninguém quer fazer sexo com você.

Há ainda um outro problema sério. Nessa onda de vírus por e-mail, é bem provável que logo inventem um spam sobre o assunto. Então você recebe um e-mail dizendo que a Creuza quer bang with você. Então você começa a conversar com a Creuza e nada. Pode terminar em agressão.

Do mesmo modo, isso pode acontecer com você. Entrou na Lan House, espalhou e-mails dizendo que quer transar com as pessoas. Então, repentinamente homens e mulheres começam a jogar conversa com você, te convidar para jantar e fazer visitas noturnas em suas casas.

Bang With Friends. Isso ainda será um problema na sua vida. (Imaginem no dia do Gang Bang With Friends).

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Como o Facebook substituiu nossa vida

Tente por um momento se lembrar como era navegar na internet há cinco anos. Você entrava no seu e-mail para ver se alguém havia lhe mandado mensagens, entrava na sua rede social (Orkut) para ver as fotos e stalkear alguém, conectava no MSN para conversar com os amigos, dava uma passada nos sites para ver se tinha alguma novidade, quem sabe o youtube para ver se tinha algum vídeo divertido.

Pensar não é mais condição
sine qua non para existir
Agora pense como é que você usa a internet hoje. Você entra e se conecta no Facebook. Ele é a sua rede social em que você pode ver fotos dos outros e stalkear vidas alheias. Nele, você vê se alguém lhe mandou uma mensagem, um convite de casamento, talvez uma proposta de emprego. Você irá conversar com seus amigos através do bate-papo. Também no Facebook, você irá assistir vídeos engraçados e acompanhar notícias com direito aos comentários dos seus amigos. E você ainda pode levá-lo no seu próprio celular, 24 horas por dia.

Pense. O Facebook é a única aplicação útil do seu computador. Ele substituiu todos os outros sites da internet e em breve estará substituindo a sua vida inteira.

Em um futuro não muito distante, você não precisará mais sair da sua casa para nada. Você só precisará estar conectado ao Facebook. Quer comprar alguma coisa? Entra na fanpage do Submarino e faça suas compras. Está com fome? Peça um Big Mag no chat com um atendente. Peça uma prostituta pelo Facefuck. Conecte-se a webcam. A sua vida será baseada em curtidas aleatórias. (Infelizmente, se você for o entregador de pizza, você ainda terá que sair de casa até o dia em que robôs controlados pelo Facebook consigam realizar as entregas).

Existirão cafeteiras conectadas ao Facebook. Basta postar uma atualização desejando um café, que ela começará a prepará-lo. Nos dias frios, bastará um desejo de ir ao banheiro para que a privada comece a aquecer o seu assento. Pode parecer um mundo irreal, mas imagino que já existam eletrodomésticos com acesso a internet.

O Facebook consolidou o processo que substituiu a sua existência por um Eu Virtual. A sua cara não é mais a cara que você olha no espelho, mas a cara que você colocou no seu perfil. Se, por algum acaso, você colocar uma foto do Brad Pitt na sua página, as pessoas imaginarão que você é o Brad Pitt.
A fantástica página do CH3 no Facebook. Lá, nós somos um blog
fracassado e essa fama pegou na vida real.
Sua existência só é confirmada pelas atualizações de página no site. Se você mantiver uma rotina de agito social e viagens, mas não postar nada no Facebook, as pessoas te perguntarão por que você está sumido. Em compensação, se você morrer e o seu assassino continuar alimentando a sua página, as pessoas nem perceberão que você não vai mais ao trabalho e não sai mais com os amigos.

Claro que o Facebook deverá passar pelo seu momento de queda. Chegará ao fim do ciclo da rede social que consiste em nascer, ser ignorada, ser descoberta, se popularizar, mudar, ser xingada, ser abandonada e morrer. Ou não, talvez não, talvez o Facebook jamais morra e com 80 anos ainda compartilharemos fotos dos tempos de faculdade. O fato é que hoje em dia você é o seu Facebook, você não é nada sem ele. Parafraseando, Descartes, “Atualizo, logo existo”.