sexta-feira, 29 de julho de 2011

Motivos para Guerra Civil (3)

Música em locais públicos

Esta é uma cena que todo mundo já viu. Você entra no ônibus e lá está um aluno de algum colégio escutando música em alto volume. Não, o individuo não usa fones de ouvido! Este criminoso age em plena luz do dia, com suas caixas de som! Escutando a sua música ruim! Um fone de ouvido custa menos de 20 reais, mas o cara acha que pode ouvir música alta! E nós cidadãos que pagamos nossos impostos, como é que nós ficamos? (Um dragão entra no recinto e atira sete vezes contra a cabeça do Datena).

Esta cena, exceção feita ao dragão é muito associada aos veículos de transporte coletivo. Mas, essas pessoas, pessoas que escutam música sem fone de ouvido, agem em outros lugares públicos. É possível presenciar a terrível ação destes meliantes em praças, ruas, shoppings centers e Expoagro. O caso da feira agropecuária é um incrível caso em que milhares de pessoas escutam música ruim coletivamente.

Como negociar com essas pessoas? Como negociar com aquele estudante que escuta I Gotta Feeling no ônibus das 20 horas? Como essa música resiste por tanto tempo? Você dificilmente conseguirá fazer com que ele entenda o seu manifesto por escrito. Seria preciso formar comissões diplomáticas. Seria preciso que a ONU interviesse.

Não restará outra solução. Apenas partir para o confronto físico. As pessoas de bem deverão partir para cima de quem escuta música no ônibus. Poderíamos apenas forçá-los a usar fones de ouvido. Mas isso não será suficiente. A paz futura não será suficiente para aliviar as agruras do passado. É preciso derramar o sangue dos infelizes para reparar os danos.

Fomos a um ponto de ônibus. Fizemos sinal para a linha 609 e entramos lá dentro. Logo encontramos. O estudante Rogerveson Moura estava à paisana. De dentro da sua mochila ecoava um hit dos Avassaladores cantado pela banda Calypso. Ao seu lado, dezenas de pessoas mostravam o ódio em seus olhares. Trabalhadores, donas de casa, cidadãos e cidadãs que queriam paz.

Perguntei a Rogerveson porque ele tinha esse nome escroto. Ele não me respondeu. Perguntei porque ele não usava fones de ouvido. Ele não me respondeu. Perguntei o que ele tinha achado do jogo do Flamengo. Ele me disse que Ronaldinho jogava muito.

Sugeri a Guerra Civil para os impacientes do ônibus. Eles logo aderiram a solução. Quebraram os bancos, seqüestraram o motorista e atiraram cartões de transporte sobre Rogerveson. Assustado, ele desceu do ônibus. A Polícia chegou e prendeu os revoltosos. Sim, eles foram para a cadeia, mas pude perceber um semblante calmo. De quem sentia a justiça, de quem percebia que a batalha apenas começava.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Motivos para Guerra Civil (2)

Carrinho de supermercado

Vocês sabem quanto custa um carrinho de supermercado? É provável que não. Pois eu te informo. Um carrinho de supermercado custa mais de 200 reais. Bem mais, dependendo da potência do modelo. Uma unidade reformada também custará caro. Você pode se assustar e pensar: “puta que pariu, porque tão caro?”. Te respondo que o preço do aramado usado para fabricar os pequenos veículos é alto. E, as rodinhas, ah, as rodinhas custam os olhos da cara.

Agora pense. Quantos carrinhos têm um supermercado? Digo, um supermercado de médio porte, pelo menos. Chute que são pelo menos 100 e eu acho que são ainda mais. Um patrimônio avaliado em pelo menos 20 mil reais.

Vivemos uma era de corte de gastos. O Mercado (não o supermercado) busca pessoas que cumpram mais funções por menos dinheiro e só Max Gehringer poderá te ajudar. Aboliremos os cobradores e mandaremos os motoristas dirigir e contar cédulas ao mesmo tempo. Poderá chegar um momento em que os carrinhos sejam abolidos.

Porque motivos? Não sei. Talvez eles se igualem as sacolas plásticas e sejam considerados inimigos da sustentabilidade, por essa praga do ecologicamente correto. E então, os mercados não vão renovar o seu estoque de carrinhos. Eles vão começar a ficar escassos.

Você já foi a um supermercado, em horário de pico, em que faltam carrinhos? O cenário é de caos. Ao chegar ao estabelecimento e perceber que os dispositivos facilitadores estão em falta, às pessoas ficam pasmas sem saber o que fazer. Em um mundo em que os mini-automóveis locomotores de compras estejam em falta, as pessoas irão se descontrolar. Será um ambiente ideal para matar – ou morrer, se você for um fraco.

Há ainda um fato agravante. Com os carrinhos sumindo, não haverá motivos para que os mercados mantenham os meninos que os recolhem. Os VLSR (veículos leves sobre rodas) ficarão espalhados pelo supermercado. O caos não será localizado apenas na entrada, mas sim, em todo e qualquer lugar.

Quem conseguir possuir um carrinho, irá o defender com unhas e dentes. Eles poderão ficar espalhados pelos corredores, servirão como trincheiras, vazadas, mas trincheiras. Pessoas andarão com sangue nos olhos, em busca da facilidade. A batalha pode ocorrer em qualquer setor. Na seção de hortifruti, na seção de doces e se você tiver azar, na seção de garrafas.

Numa Guerra Civil, qualquer objeto pode ser usado como uma arma. Qualquer momento é o momento de combate. Pessoas podem te matar com pepinos, berinjelas, salsinha, açafrão, barras de cereal, pão integral, refrigerante light, vinho chileno, requeijão, alpiste, papel higiênico, pasta de dente, copinhos plásticos, salsichas, frango congelado, lasanha congelada, nuggets congelados, iogurte, tupperware, batatas, mortadela sadia, mortadela perdigão, gel lubrificante, negresco, danoninho e a edição mais recente de Caras.

Pelo lado positivo, você pode usar esses objetos para matar também.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Motivos para Guerra Civil (1)

Caminhantes e corredores

Eu costumo a caminhar no parque. Sei que essa frase pode ter parecido a confissão de uma menininha. Mas, aqui no CH3 já foi realizado um podcast sobre a vida nas academias. Não devia ser uma surpresa.

Pois bem. Quando eu vou para a academia, tem um parque no meio do caminho. Então, eu passo por esse parque, entenderam? Eu não fico caminhando com os braços abertos, pisando sobre as folhas caídas, escutando Raindrops Keep Falling On My Head. Eu apenas corto o caminho, caminhando. Às vezes eu corria. Mas, desisti porque tem uma subida no meio do caminho e um sol me queimando. Não vale a pena.

Na minha longa experiência de observação do comportamento das pessoas no parque, já observei que algumas pessoas correm e outras só caminham, entenderam? Só caminha. Entre os mais populares caminhantes, estão as senhoras de meia idade, com calças de lycra e roupas folgadas. Também estão algumas jovens de boné. Alguns senhores que usam shorts que não são usados desde a Copa de 86.

Muitos jovens estão entre os corredores. O que eles procuram? Portas? Creio que não. Correr parece um ato de humilhação. Aqueles que correm, correm com a certeza de que estão humilhando os caminhantes. Como se falassem “seus gordos inúteis. Vejam como eu corro rápido, seus perdedores!”.

Tudo parece sob controle, mas sei que um dia essa situação se agravará. Cansados da humilhação, os caminhantes partirão para o ataque. Andando, é claro. Começará a guerra civil. Os caminhantes podem partir para as emboscadas. Aos corredores, restará fugir. Correndo. Engolindo sua arrogância com o amargo gosto de humilhação.

As duas categorias podem até se juntar para atacar os motoristas. Partir para cima daqueles que não param na faixa dos pedestres, estacionam sobre a calçada. A velha e famosa justiça com as próprias mãos, desaconselhada pelos advogados, mas que tanto prazer nos provoca.

Sei que essa nova batalha pode ocasionar outros problemas. Porque existem os que vão caminhar no parque a pé. E aqueles que vão de carro. Os que vão de carro podem ser considerados traidores? Agentes duplos? Um racha entre os manifestantes que ocasionará uma sangria. Afinal, a guerra civil pode acontecer a qualquer momento.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

A Volta ao Mundo em 6 dias

Aterrissou hoje de manhã, na cidade argentina de La Plata, a bola que foi chutada por Elano na decisão de pênaltis entre Brasil e Paraguai, no último sábado. A aterrissagem foi acompanhada por uma multidão de curiosos e veículos de imprensa, ofuscando a chegada de uma nave espacial americana.

O fabricante da bola explicou a emoção. “Naves, balões, aviões, barcos, carros, bicicletas. Todo mundo já deu a volta ao mundo em diversas maneiras. Mas esta é a primeira vez em que uma bola consegue girar o mundo. E em um tempo muito bom. Creio que isso prova a eficácia do material que nós produzimos”.

Ao se reencontrarem, Elano e a bola se abraçaram emocionados. Elano explicou a importância do feito. “Uma Copa América pode ser ganha, ou perdida a cada quatro anos. Eu mesmo já fui campeão, todos podem ser. Agora, fazer com que uma bola consiga circuncidar o planeta terra é um feito para poucos, que espero que demore até ser batido”. Galvão Bueno, presente ao local, disse que espera que um argentino bata o recorde.

A bola também contou um pouco das suas peripécias. “Cruzei com várias pessoas. Soube que a bola do André Santos vinha logo atrás de mim, mas que ele foi atingida por um bueiro enquanto sobrevoava o Rio de Janeiro”. A bola também afirmou ter visto o corpo de Bin Laden.

Agora ela espera que Elano aprenda a bater pênaltis.

Presente no local, o empresário Roberto Justus disse que pretende estrelar um novo reality show, no qual jogadores brasileiros têm que acertar o gol contra um goleiro paraguaio. O programa será uma parceria com Eike Baptista, que fornecerá as inúmeras bolas necessárias. O programa deve se chamar PênaltiX.

“É uma questão muito simples. A bola, a marca, o gol. O goleiro no meio. São 17 metros quadrados para a bola entrar. Parece fácil, mas muitos ficam nervosos”, disse Eike, momentos antes de ser atingindo por um BueiroX.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Barata da Vizinha

Este clássico do pagode dos anos 90, que conseqüentemente se transformou em um clássico de churrascos e rodas de amigos, em geral, tem um importante papel na sociedade brasileira. Seus versos parecem simples. Toda vez que o “indivíduo A” chega em casa, a barata da vizinha está na cama dele. Ele então pergunta a um interlocutor o que ele faria. Este, responde que usaria, digamos, um chinelo para se defender. Logo, ele vai dar uma chinelada na barata dela.

O primeiro papel desta canção está na integração da sociedade. Seus versos caem facilmente na boca do povo. Quando ela toca em um churrasco, não há quem não participe. Brancos, pretos, amarelos, vermelhos, azuis, heterossexuais, homossexuais, bissexuais, pansexuais, altos, baixos, anões, gordos, magros, aleijados, eunucos, flamenguistas, judeus, palestinos, nazistas, jornalistas, tailandeses, todos se juntam em uníssono para matar a barata. Exceção feita ao seu vizinho mudo.

Cedo ou tarde, você será chamado para agir contra a barata. Um chamado que é mais importante do que o chamado da pátria. Você terá que tomar uma ação. Você terá poucos segundos para pensar no que fazer com a barata. Esta pródiga canção estimula o raciocínio rápido, algo que pode ser útil para a sua vida. Para dificultar ainda mais, você não pode repetir o objeto já utilizado anteriormente por alguém.

Ou seja, as diversas formas para se matar uma barata estimulam o trabalho em equipe. Matar a barata deixa de ser apenas um ato isolado de um indivíduo enraivecido, para se transformar numa ação entre amigos. Este clássico ainda ajuda as pessoas a conjugar verbos, formar palavras. O chicote para uma chicotada. O sapato para uma sapatada. A bola para uma bolada. Uma bigorna para uma bigornada. Um escafandro para uma escafandrada. Criamos neologismos, como se Guimarães Rosa fossemos.

Apresentados todos estes aspectos, a se lembrar: a velocidade de pensamento; o trabalho em grupo; e o ensino da língua; concluo que a música da barata da vizinha é uma aula de vida. Ela deveria estar na grade curricular de todas as faculdades, e mais, ser ensinada na pré-escola. Creio que os professores deveriam realizar a atividade entre eles, para que eles possam se capacitar. Assim, formaríamos seres humanos melhores.

Claro que nem tudo é perfeito. Algumas questões contrárias a esta teoria podem ser levantadas. A primeira, é que ela pode provocar o famoso bullying. Principalmente se, omitidos alguns versos, as crianças digam que alguém vai apenas “dar”. Sim, é chato. Mas é algo que pode ser evitado pelo trabalho entre os professores.

Outra importante questão é: devemos realmente unir tantos esforços para matar uma reles barata? Estes seres merecem uma morte cruel? Eles não têm direito a vida? Esta atividade não estimula a violência desnecessária? Oras, não sejamos tão radicais. Encaremos este exercício no sentido figurado e tentemos aproveitar os seus aspectos positivos, seus viadinhos.

Dedicado a Renê Dióz.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Soluções Vaziamente Alternativas

Em 2009, o vereador Antônio Fernandes, aqui em Cuiabá, fez uma proposta polêmica. Ele queria que os usuários de motéis fossem cadastrados, que preenchessem fichas, como em qualquer outro hotel. Porque ele queria fazer isso? Para evitar que assassinatos fossem cometidos anonimamente dentro de motéis. Para combater a pedofilia.

Surgiram algumas questões sobre isso. A primeira é que, muito provavelmente, o movimento nos motéis cairia muito. Afinal, boa parte de seus usuários quer tudo, menos ser identificado. Depois, como esse cadastro seria feito? As pessoas teriam que ir até uma recepção para assinar a folha? Isso poderia criar algumas situações constrangedoras. Como:

- Papai!?
- Filha! O que você faz aqui?!
- Eu... quem é esse que está com você pai!?
- É...

A conversa seria interrompida por um cachorro entrando no local ao lado de um constrangido deputado federal.

Mas existe outra questão. O assassinato, por si só, já não é proibido? E a pedofilia também não? Tentar fichar as pessoas no motel faria com que as pessoas cometessem assassinatos em terrenos baldios. Que façam sexo com menores de idade em seus apartamentos.

Trata-se de uma solução alternativa, mas que é vazia. Uma tentativa de cortar o mal pela raiz, mas que não atinge seu objetivo principal. Não chega a ser uma solução hardcore, típica da China. Nestes casos, acaba se resolvendo o problema. Mesmo que de uma maneira um tanto quanto cruel e exagerada. As soluções alternativas não mudam nada.

No mês passado, um transeunte florianopolitano estava na Praça da Figueira, quando foi atacado por um andarilho que o atingiu com uma caneta na cabeça. A caneta ficou presa na careca do cidadão.

Outra situação que levanta muitas questões. A principal é, que raio de caneta é essa? Seria aquela caneta do Polishop, descendente direta das facas ginsu? Se eu tentar enfiar minha BIC na cabeça de um careca, capaz de quebrar a mão e a caneta. Capaz de apanhar também.

Mas o que pode ser feito nessa condição. A polícia poderia sugerir que as pessoas utilizassem bonés. Evitaria que a caneta fosse fincada na testa? Sim, sem dúvida. Podia até rasgar o boné, mas o estrago seria menor. Só que o cidadão possuído poderia enfiar a caneta nos olhos. Na barriga.

Um vereador manézinho, poderia então, sugerir a proibição da venda de canetas. Sem dúvida, com a proibição das canetas, ninguém enfiaria mais canetas em lugar nenhum. Crianças não morreriam mais engasgadas com as tampas. Mas loucos poderiam enfiar facas, gravetos, lápis, lapiseiras e tantos outros objetos utilizados para se espancar José Serra. Cabides? Porque não? Poderia se matar a mordidas.

Proibir quinas faria com que as pessoas não dessem mais topadas nelas? Sim. Mas como ficariam os degraus? As topadas dadas aleatoriamente em lugares planos por puro retardo mental? Se alguém é morto dentro de um supermercado, deve se proibir os mercados ou aumentar a segurança, prender o criminoso? Transformar todos os homens em eunucos vai acabar com os estupros? Sim. Mas vai acabar com a humanidade. É como aquele velho questionamento. Se você encontra sua mulher com outro no sofá. Você vende o sofá?

Afinal, existem muitas maneiras de se fazer merda com a vida das outras pessoas. Pode-se evitar a merda, mas não as maneiras. Beijos, e preservem a natureza.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Entendendo: o Tour de France

Sempre nessa época do ano ele está lá: o Tour de France. O nome parece chique, como tudo em francês parece chique. Trata-se apenas de uma corrida de bicicletas. Sim, bicicletas. Sim, isso mesmo. Pessoas sobem em suas bicicletas e começam a pedalar. Pedalar. Pedalar. Mas, ao contrário de vocês, eles não vão apenas até o colégio. Eles pedalam por toda a França, ao longo de dias, em etapas muito longas.

A tradição teve início em 1903. Cansado de sofrer sozinho, o jornalista Henri Desgrange resolveu criar uma corrida de bicicletas que percorresse mais de 3 mil km. A idéia era louca, mas assim que ela chegou a um sanatório, dezenas de pessoas vestidas de Napoleão curtiram a idéia. E o Tour teve seu começo.

Certo, andar de bicicleta a gente nunca esquece. Por algum motivo, essa metáfora monopolizou nossa memória sobre memória. Existem dezenas de outras coisas que nós nunca esquecemos como é que se faz. Respirar, por exemplo. Sim, é verdade que não nos esquecemos como é que se anda de bicicleta. Podemos ficar dez anos sem subir em uma, mas no momento em que o fizermos a mágica estará feita. Andar-lhe-emos. Só que, dez anos depois, você ficará muito cansado. Extremamente cansado. Ficamos cansados apenas em ver as pessoas pedalando até a eternidade.

Fora isso, as etapas são sempre iguais. Mais de 50 km de prova. Um cara dispara na frente. Ele abre minutos de vantagem. Lidera 48 km. Um gás impressionante. Vai ganhar! Não. Vai perder. Sempre o cara que lidera a corrida toda perde no final. Acaba em nonagésimo sétimo. Na corrida seguinte o mesmo cara vai fazer a mesma coisa e vai perder de novo. A vontade é falar para ele: “meu filho, muda isso!”. É como se em todo jogo de futebol, um time saísse na frente só pra tomar a virada no final.

Como tudo na França é muito fresco, o Tour também se destaca pela moda. Essa coisa desprezível. Os corredores são identificados pelas coloridas camisas que eles usam. Para se entender:

Camisa Amarela: A amarelinha, tão sagrada, idolatrada por Zagallo! É utilizada pelo líder da competição para que todos possam se sentir humilhados ao vê-lo.

Camisa Verde: É utilizada pelo líder... só que o líder em um outro critério, entende? Pois é, eu também não.

Camisa Branca: É dada para o líder entre os mais jovens. Tem a cor branca para lembrar que todos eles são virgens e pueris. Ao final da competição, com a fama conquistada, eles não poderão mais utilizá-la.

Camisa Branca com Bolinhas Vermelhas: Este modelo gay é dado para o melhor corredor de montanha. Para lembrar o que é que acontece quando alguém se perde nas montanhas.

Camiseta Azul: Não é mais utilizada. É dos tempos remotos em que os corredores acampavam na beira da estrada durante o tour. A camisa azul ia praquele que armava a barraca mais rapidamente.

Camisa Bege: Dada para o ciclista que ficar mais tempo sem tomar banho na competição. Como muitos franceses participam, geralmente são distribuídas 58 dessas camisetas por ano.

Camisa Vermelha com listras pretas: Semelhante ao modelo utilizado pelo Flamengo, essa camisa é dada para o ciclista que conseguir assaltar mais pedestres e fugir durante o caminho.

Existem ainda: o Dorsal Vermelho, dado para o ciclista mais combativo, aquele que não desiste nunca, enche os participantes de porrada e é barrigudo; o bracelete dourado para o ciclista que andar na bicicleta sem selim; a cinta-liga roxa para a mulher mais fiel e a bermuda laranja. Não por nenhum motivo especial, é que a loja tava em liquidação. A fita prateada, para o ciclista que não se dopasse durante o tour não é distribuída há 25 anos.

Agora que você já sabe tudo sobre o Tour de France, não percam essa emocionante competição, em suas belas paisagens. A quadragésima etapa está acontecendo hoje. Os ciclistas já percorreram 78 km e dentro de cinco horas devem cruzar a linha de chegada.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Guia Ofensivo das Profissões

Este guia foi desenvolvido durante o período da faculdade, por todos os integrantes do CH3. Sim, todos os três. Eles realizaram um simpósio no qual listaram as mais diversas profissões que são ofertadas no ensino superior. Logo depois, chegaram a uma conclusão do porque o curso x seria inútil, apontando o triste fim de Policarpo Quaresma. Digo, o triste fim daqueles que se formam. Ou seja, você estuda tanto tempo para aprender coisas ridículas.

Administração: Pra que passar tanto tempo estudando se no fim você não consegue explicar o que você tem que fazer? Vai aprender a fazer lista de compras no mercado?
Agronomia: Anos e anos de estudo pra aprender a fazer uma hortinha no fundo do quintal.
Arquitetura: Você aprende a pregar uns quadros na parede.
Biblioteconomia: Meu, pra que um curso desse se as bibliotecas tem sistema de busca? E se de qualquer forma, você nunca encontra os livros?
Ciência da Computação: Tanto tempo pra conseguir zerar Campo Minado.
Ciências Contábeis: Porra, aprender a contar? Você devia ter aprendido isso na primeira série!
Ciências Sociais: É mais fácil se filiar no PCdoB.
Comércio Exterior: Curso pra traficante.
Direito: Você fica cinco anos na faculdade, pra no fim não passar na OAB. A única utilidade é usar a piadinha marota “só nós fazemos direito”.
Educação Física: Você aprende que deve chegar no colégio e falar: “meninas pro vôlei, meninos pro futebol”. E claro, quem não quiser, pode dar uma volta ao redor da quadra.
Economia: Aprender a juntar moedinhas.
Enfermagem: Pra que fazer um curso pra aprender a fazer curativos e cortar esparadrapos?
Engenharia de Alimentos: Até onde eu saiba, o arroz nasceu assim. Você não pode projetá-lo.
Engenharia Civil: Você termina como pedreiro.
Engenharia Elétrica: Cinco anos na faculdade pra aprender a trocar uma lâmpada?
Engenharia Florestal: Versão extensa daquela experiência de plantar o feijão no algodão.
Engenharia Mecânica: Aprendendo a fazer diagnósticos errados sobre o problema do carro.
Engenharia Sanitária: Humilhante demais. Você vai desenhar privadas?
Farmácia: Precisa de curso pra ensinar a encontrar os remédios na prateleira?
Filosofia: Preciso pensar na utilidade desse curso.
Geografia: Aprende a decorar as capitais européias e pintar mapas de vegetação.
História: Mesmo depois de formado, você não será um Forrest Gump.
Hotelaria: Porra, um curso pra aprender a arrumar cama?
Jornalismo: E lá está você numa banca de jornal, em que 70% dos clientes querem comprar cigarros.
Letras: São 26. Qual é a dificuldade?
Matemática: Pra que, se já existe calculadora?
Medicina: Existem outras maneiras de poder se vestir de branco nas ruas.
Música: Você termina como compositor de trilha sonora de call center.
Nutrição: Cozinhar. Bem se vê que é um curso em que só tem mulheres.
Pedagogia: É até sacanagem querer sacanear pedagogia.
Psicologia: Anos e mais anos para decorar que o seu paciente quer comer a própria mãe.
Publicidade: Precisa estudar pra distribuir panfleto no semáforo?
Radialismo: Basta ter uma voz bonita pra anunciar os preços do motel.

Em breve nas livrarias, mais completo.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Era Melhor Ter Morrido

Era um argentino, que chamaremos de Diego. Como se ele fosse mais um desses argentinos que foram batizados em homenagem a Maradona. Seu chefe o ordenou: pegue a minha Ferrari e leve para a concessionária. Nada de mais, era apenas uma revisão programada. Diego pegou a Ferrari do patrão e rumou para a oficina.

Diego nunca deve ter pilotado uma Ferrari antes. Não estava acostumado com a sua tração integral, nem com a potência do motor. Mas devia estar empolgado com a situação. Acelerou demais o carro na pista molhada, perdeu o controle do automóvel e invadiu a pista contrária, batendo em um Gol. Um carro que devia custar o valor das rodas do modelo 456 que Diego pilotava. Ambos ficaram destroçados.

Os pilotos dos dois carros sofreram ferimentos graves e foram levados para o hospital. Mas sobreviveram. Quando finalmente abriu os olhos, Diego deve ter perguntado “aqui é o céu? Ou o inferno?”. Ao que o médico respondeu. “No, no tieme nada. Usted esta vivo, esta es la enfermaria del hospital”. Diego começou a chorar. Não, não era a emoção de ter sobrevivido. Diego balbuciava “era melhor ter morrido”. Os médicos o impediram de se enforcar com o fio do soro.

Sim, essa é uma típica situação na qual seria melhor ter morrido. Claro, a Ferrari do patrão deve ter seguro. Mas como ele vai voltar a trabalhar? Provavelmente, Diego será escravizado, submetido as mais cruéis torturas. Tudo para poder pagar o seu chefe. De fato, existem situações nas quais, seria melhor ter morrido.

A situação mais comum, na qual as pessoas pensam que seria melhor ter morrido e no dia seguinte ao qual o seu time é massacrado por um rival. Você acorda de manhã e não quer levantar da cama. Pensa se poderia se sufocar no lençol. Claro que é uma situação grave, tão grave quanto o dia no qual você passa no vestibular para Comunicação Social. Mas são situações nas quais você não teve nenhum ferimento físico.

Não, não teve. Os gols do adversário não fraturaram seus ossos. Seu nome na lista não cortou sua garganta. A dor é apenas moral, psicológica. É você que se tortura nos seus pensamentos. Talvez isso seja pior do que decepar a ponta do mindinho? Provável. Mas você não escapou da morte.

Uma situação na qual você realmente pensa que seria melhor ter morrido, ao invés de ter sobrevivido, é quando você acorda no hospital, cm dores no ânus, as unhas machucadas. Os médicos lhe informam que você foi encontrado no córrego 8 de Abril, com as calças arriadas.

Sim, você logo chega a conclusão de que seria melhor ter morrido. Como? Não sei. Se afogado naquele esgoto a céu aberto, morrendo intoxicado. Mas não. Sua vida estará eternamente atrelada a este fato desgraçadamente marcante.

Contribuam, com outras situações nas quais você pensa: seria melhor ter morrido.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

A vida segundo Galvão Bueno

Galvão é a figura mais marcante da sociedade contemporânea. Este homem de estatura mediana carrega em si a pós-modernidade. É até difícil imaginar como era a vida antes do dia em que ele entrou em nossas vidas. Talvez ele seja o brasileiro do século. Deste, do próximo e do anterior.

O mundo de Galvão Bueno tem algumas peculiaridades. Nele, as coisas teimam em acontecer em volta dos brasileiros. Choveu? Bom para o Brasil. Ventou? Ruim para os brasileiros. Os estrangeiros estão sempre prontos para atacar o país. GB tem a alma de um estadista adormecido. Com ele no comando, o Brasil teria ganhado a Segunda Guerra Mundial. Sozinho.

Galvão vê emoção em tudo. Um cadarço amarrado é emocionante. O mundo de Galvão Bueno é emocionante. Um mundo ruim para os cardíacos. Bom para os surdos. Um mundo de bordões e fantasia. Como já dizia Platão, existem dois mundos. Galvão está nos dois.

É possível imaginar que Galvão Bueno tenha estado em todos os momentos da história. Um Forrest Gump alternativo, que ao invés de apenas contar histórias, narra-as. Se fosse possível armazenar todas as suas falas, teríamos uma visão diferente do universo, da vida e de tudo o mais.

Porque Galvão estava lá, quando o mundo foi criado.
Bem amigos da Rede Globo, estamos aqui direto do paraíso, onde dentro de instantes Deus vai começar a criar o mundo. Ele já está a postos e amigo, não sei como ele vai fazer isso. Ele não tá com nada amigo, com nada. (Ou talvez: Bem amigos da Rede Globo, estamos aqui no meio do nada, onde dentro de instantes a matéria vai surgir”).

Galvão Bueno também estava lá quando os dinossauros foram extintos.
Acabou! Acabou! Extintos! Extintos! Os dinossauros estão extintos da face da terra.

Galvão no nascimento de Jesus
Voltamos em definitivo para a manjedoura em Belém. Onde vai ser dada a largada. Passa a estrela guia, chegam os reis magos, sobem os gritos da criança.

Galvão e a queda do muro de Berlin
Amigo, o povo está revoltado. Eles vão derrubar esse muro. Escuta o que eu to falando, eles vão derrubar esse muro! E se derrubar vai ser bom pro Rubinho. Vai ser bom pro Brasil! Alguém me chamou? Pedro Bial, é com você.

Galvão e o homem na lua
Que grande momento! Haja coração! O homem está para chegar na lua, é coisa de outro mundo amigo. Ele começa a descer a escada, na ponta dos pés, com todo o cuidado do mundo. Vai pro último degrau (That’s one small step for man, one giant leap for mankind)! O que ele disse no rádio Burti?
- Galvão, eu não entendi muito bem, mas é algo como “um pequeno passo para o homem, mas um grande salto para a humanidade”.
Um pequeno passo para o homem, mas um grande salto para a humanidade! Faltam poucos metros para a consagração. Vai pisar na lua, na lua! Neil, Neil, Neil Arrrrmstrrrrrong dos Estados Unidos, pisa na lua! O primeiro homem a conseguir a façanha! Vamos para um breve intervalo, e na volta veremos a cerimônia de fixação da bandeira no solo lunar.

Galvão e o fim dos Beatles.
Não era o dia do rock britânico! Os Beatles chegam ao fim, o sonho acabou. Em quem você aposta a culpa, Reginaldo?
- Olha, eu vou arriscar e apostar na Yoko.
Mas é em quem você sempre aposta Reginaldo, ai não vale. Vamos ver a nossa equipe. Burti na Yoko, nosso produtor também aposta na Yoko. Mariana no Paul, o câmera no Paul. Vou arriscar. Vou dizer que a culpa é do Ringo!

Galvão e o World Trade Center.
Quem é que sooooooobe? Tem que tirar esse avião daí, tem que tirar esse avião daí! (silêncio). Eu disse. Eu avisei. Tava na cara que isso ia acontecer. Tava escrito e ensaiado que esse prédio ia cair. Isso não é terrorismo Arnaldo?
- A regra é clara Galvão.

Olha o que ele fez, olha o que ele fez, olha que ele fez! Postado!

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Cartilha do Big Brother

O Deputado Federal, professor e ex-BBB, Jean Willys apresentou ontem no Congresso Nacional, um projeto que visa regulamentar o posto de “ex-participante do Big Brother Brasil” como uma das profissões reconhecidas pelo Ministério do Trabalho.

Jean Willys fez um discurso inflamado. Ele argumenta que os ex-participantes do Reality Show são uma das classes que mais sofrem preconceito no país. “Olhem na internet. Existem dezenas de sites especializados em ridicularizar a nossa categoria! Porque não ridicularizam os outros. Apenas nós? Ai é mais fácil”. Como prova de quão desgraçante é a profissão de ex-BBB, Willys apresentou uma cópia de um texto do blog CH3.

O projeto incluí aposentadoria após seis meses de atividade e a distribuição de cartilhas nos colégios públicos. Essas cartilhas ensinariam os professores a lidar com os filhos de ex-Big Brothers e teria vídeos ensinando as crianças a conviver com estes seres. O material mais polêmico contém os vídeos-teste dos participantes do programa. Há ainda uma edição de 15 segundos mostrando os melhores momentos do programa. De todos os 10. Ou seriam 11?

A proposta de Willys gerou polêmica no Congresso Nacional. Nem tanto pela aposentadoria precoce, já que todos os deputados concordaram que este é um direito justo. Mas sim, pela cartilha escolar. Um enorme embate foi travado pela ala conservadora e a ala das baianas.

O deputado Jair Bolsonaro afirmou que a proposta é um absurdo. “Onde já se viu? Querem ensinar nossos filhos a se transformarem em participantes do Big Brother! Já quiseram que eles fossem homossexuais e canhotos. E agora?”. Ainda prosseguiu afirmando que nenhum pai gostaria de ter um filho nessa condição. Já a ala das baianas rodopiou.

No mesmo momento, o CQC Danilo Gentili fez uma piada sobre o assunto no Twitter. A piada foi muito engraçada e retuítada por 89 mil pessoas.

Se o projeto for aprovado na Câmara, ele irá para o Senado. O Senado pode promover alterações para aprovar a lei. O que pode causar um mau relacionamento com a casa vizinha. Caberá então a presidenta Dilma Rousseff sancionar a lei. Caso ela resolva vetar o projeto, o Congresso pode derrubar o veto. O que faz com que a aprovação da presidenta seja algo meio idiota, não?

Os Ex-BBBs planejam realizar uma marcha no planalto central. Eles conversam com diretores locais, para tentar alugar uma avenida. Há a possibilidade de que eles consigam 40 minutos entre a Marcha da Lambada e a Marcha do Uísque, desde que os organizadores da Marcha do Silêncio, Marcha do Bode e Marcha do Descendente Uzbeque cancelem seus protestos.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

A Arte de Alongar Textos

Nunca foi fácil fazer uma redação no colégio. Se não bastassem os temas diversos como “aquecimento global”, “globalização” ou “minhas férias”, o texto tinha que ter um tamanho específico. Pelo menos 25 linhas (em alguns colégios linha-dura, essa meta chegava a 30, 35). E 25 linhas podem ser uma benção ou uma maldição, se você tiver letra grande, ou letra pequena.

E então, nós sempre nos preocupamos com o tamanho do texto. Se ele está muito grande, muito pequeno, pelamordedeus o que é que eu devo fazer? Esse problema é muito grave, resulta em morte e stress e atinge cerca de 97% da população da Malásia, segundo dados da ONU.

Cortar textos é mais fácil. São os famosos resumos. Alongar um texto não é tão simples. Você precisa de muito vocabulário, muita arte em suma.

Você tem o seguinte fato: “Ontem, eu fui na casa do meu primo Walter”. Para que esse simples fato se transforme em um texto de x linhas, você precisa, primeiro, contextualizar os porquês de você ter ido à casa do seu primo Walter. Logo temos:

“Ontem eu estava na minha casa sem nada para fazer. Meu primo Walter me chamou para ir comer uma lasanha na casa dele. Então, eu fui”.

Se estenda nos motivos:

“Eu estava sem nada para fazer ontem. Passava pelos canais de televisão e não encontrava nada para assistir. Não tinha uma revista nova, um filme novo. Então, meu primo Walter me telefonou. Ele me avisava que estava fazendo uma lasanha na casa dele. Como não tinha mais nada para fazer, fui para a casa dele”.

Siga evoluindo, até que você terá um texto como esse.

“Ontem estava sendo um dia monótono. Daqueles dias em que você não vê nada de interessante para ser feito. Zapeei pelos canais de televisão e não encontrei nada de interessante para ver. Veja você, pago caro por uma televisão a cabo e, mesmo com todos aqueles canais, não havia um único mísero programa que me fosse interessante.

Olhei então para as prateleiras do meu quarto. Percebi que já havia lido todos os livros que lá estavam dispostos. Já havia visto todos os filmes e não havia uma única revista nova, para distrair a minha monotonia. Para tornar minha situação ainda pior, eu estava sem internet. Meu computador estava na manutenção, por um desses motivos diversos, que fazem um computador quebrar. Em suma, eu estava entregue ao mais inebriante dos tédios.

Não sabia o que fazer. Não havia escapatória para uma tarde de domingo. O jogo da seleção brasileira, por incrível que pareça, não era a pior coisa do meu dia. Meu tédio superava aquele que estava estampado na cara do Robinho. Estampado em seu topete enfadonho. Foi então que o telefone tocou.

Logo pensei: quem será que pode ser à uma hora dessas? Não havia combinado nada com ninguém, não estava esperando por nada. Cheguei a temer pelo pior. Atendi ao telefone com um pé atrás. E para minha surpresa era o meu primo Walter. Há muito tempo que eu não falava com ele. Perguntei ao meu primo, quais seriam as boas novas que faziam com que ele me telefonasse.

Ele me disse então, que sua mãe estava fazendo uma lasanha. E ele se lembrava que eu gostava muito de lasanha. Perguntou então, se eu não queria ir a casa dele, comer a iguaria italiana e aproveitar, igualmente, para colocar a conversa em dia. Agradeci o convite e disse que logo estava indo para lá.

A lasanha estava muito boa, e meu primo Walter também estava bem. Aproveitei para rever a família e jogar conversa fora. Acabou que este fato deu um saldo positivo para o meu dia, quem diria. Eu que considerava o domingo perdido, acabei dormindo feliz graças a lasanha que comi na casa do meu primo Walter”.

Você ainda pode se estender mais. Usar o truque de utilizar palavras mais longas (a clássica troca de “mas” por “no entanto”). Pode colocar mais os seus pensamentos, preencher as lacunas entre o momento em que você aceita o convite e o momento em que você come a lasanha. Dar detalhes da conversa. E, logo, seu domingo enfadonho se transforma em Ulysses de James Joyce.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Soluções para o churrasco

- E ai cara.
- Opa, e aí?
- Beleza?
- Tudo certo.
- Pô, tempão que a gente não se vê.
- Sim. Tempão que não falo com o pessoal.
- A gente podia combinar de se ver um dia.
- Po podia mesmo. Vamos sim.
- Bora fazer um churrasco?
- Opa, vamos sim.
- Que dia?
- Ah, tanto faz cara. No dia que você quiser.
- Mas você não quer fazer também?
- Pô, quero sim.
- Então diz um dia aí.
- Tanto faz cara.
- Tem que dizer um dia. Senão, não vai pra frente.
- Sei lá cara, domingo.
- Beleza então. Domingo.
- Beleza...
- Vai ser aonde.
- Ah, não sei cara, tem que ver.
- Vamos ver agora. Essa história de vamos ver, vamos ver, ninguém sabe onde ir, não dá em nada.
- Ah cara.
- Pode ser na sua casa?
- Ah, não dá porque...
- Porque você não quer ver o pessoal.
- Não cara, não é isso...
- Ok, então vai ser na sua casa.
- Mas...
- Tá bom, na minha. Só que na minha casa não tem piscina.
- Ah, mas tá frio mesmo.
- Beleza. Então tá, você compra as coisas e eu ligo pro pessoal.
- Mas...
- Ou você quer que eu compre?
- Ah, pode ser.
- Ok, eu compro e você liga pro pessoal.
- Beleza.
- Mas liga mesmo cara. Seu tele fone ainda é 9551-4855?
- Sim.
- Beleza, você liga pro pessoal. Mas liga no máximo até amanhã.
- Ok.
- Amanhã de noite eu ligo pra você pra confirmar.
- Pode deixar.
- Me passa dez reais.
- Ahn?
- Dinheiro da cota, pô. Quer que eu faça o investimento do meu bolso pra que depois todo mundo dê desculpas diversas e eu fique com o maior prejuízo da história?
- Mas, ah...
- Quem vier depois, paga depois, mas você que eu to vendo agora, paga agora. Como é que o churrasco sai sem dinheiro?
- É que eu...
- Sim, você não quer nada.
- Claro seu filha da puta chato do caralho, a última coisa que eu queria era ter encontrado você por aqui, seu lazarento.

Várias coisas podem ser concluídas a partir dessa história.
1º Sempre dá pra fazer amanhã, o que não precisa ser feito hoje. Tentamos ao máximo postergar as nossas decisões.
2º Passado um tempo, você não que mais saber de pessoas que você via tempos atrás.
3º Sempre encontramos as pessoas chatas.
10º A verdade só aparece quando o dinheiro entra na história.

Dedicado a memória de Vinícius Gressana.