sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Pessoas que administram bem seu tempo

Se há um tipo de pessoa realmente detestável nesse mundo contemporâneo, esta é a pessoa que sabe administrar bem seu tempo. Você sabe, aquela pessoa que cumpre a jornada de trabalho de acordo com a CLT, pratica atividades físicas regularmente, cuida das crianças, estuda, mantém atividade cultural e intelectual e ainda consegue dormir oito horas diárias e manter uma alimentação balanceada.

Vivemos todos nesse caos do mundo moderno. Trabalhamos alucinadamente, perdemos boa parte do nosso dia no trânsito, os afazeres domésticos ocupam o resto do nosso tempo, comemos o que encontramos pela frente e no final do dia só nos resta cair na cama para dormir algumas poucas horas de um sono ruim.

Assim sendo, as pessoas que administram bem o tempo são ofensivas. Essas pessoas que dormem às 22h e acordam às 6h. Praticam uma hora de atividade física, comem frutas no café da manhã e chegam no trabalho rapidamente, porque moram perto do trabalho.

Batem ponto na hora certa, saem para almoçar e fazem uma refeição balanceada. Deixam os filhos na escola, meditam e leem um livro. Trabalham mais quatro horas, cumprem as metas e são promovidos. Pegam os filhos no colégio, escuta as histórias deles e joga uma partida de videogame. Faz seu próprio jantar saudável, faz seu curso de pós-graduação na internet e vai dormir novamente às 22h.

Tudo isso bebendo dois litros de água por dia e ainda fazendo sexo todos os dias.

Essas pessoas, repito, são ofensivas. Escrevem livros, dão entrevistas e viram matérias no Jornal Hoje. Perguntadas sobre os seus segredos, dizem que apenas sabem administrar bem o seu tempo. Humilham os outros mortais que mal conseguem arrumar tempo para escrever um texto singelo para um blog de humor fracassado.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Olha o Frango Frito Aí Gente

No lendário carnaval de 2013 esse blog fez uma sugestão de três sambas enredos que poderiam ser desenvolvidos por escolas de samba do Rio de Janeiro. As propostas surgiram a partir da observação de que os enredos apresentados pelas agremiações cariocas eram verdadeiramente patéticos e notáveis apenas pela sua total falta de criatividade. Os três sambas propostos eram: Frango Frito, Bóson de Higgs e Masturbação.

Muito apreciado pelos fãs do blog, o texto deixou um gostinho de quero mais na boca dos leitores. Eles não queriam apenas imaginar o desfile em seus mínimos detalhes, eles queriam também a letra dos sambas. Pois, dois anos depois, o CH3 começa a saciar essa vontade louca. Senhoras e senhores, com vocês, o samba enredo do Frango Frito.

Desde os tempos mais remotos
Ele tá na mesa da gente
Alimentando tantos povos
Os amigos e os parentes
Porque foi uma vez lá no Egito
Que descobriram o Frango Frito
Alegria de Cleópatra e outros maiorais
Dezenas de bambas imortais
Oxalá meu rei tomará
Embarque nessa viagem você também
Porque foi seu Cabral
Que num 22 de abril
Tornou o Frango Nacional
Orgulho do meu Brasil
Frito ou asado no nosso prato
Grelhado, no espeto ou ensopado
Salgadinho, bem temperado
Sozinho ou acompanhado
Com arroz, farofa ou guisado
Que delícia, o frango é adorado
Admirado ao redor do mundo
No meu Rio de Janeiro ou lá na China
Por esse frango eu vou fundo
Alegria do menino e da menina
Vem comigo vamos lá pro bar
Minha boca eu quero temperar
Com esse sabor da velha infância
Lembrar os meus tempos de criança
Requebra no balanço da morena
O frango frito é o meu poema
E para levantar essa Avenida
Nossa escola canta essa vida

Relembre o enredo: 

O frango frito seria o mote principal do desfile e conseguiria um patrocínio fácil da Seara ou Sadia/Perdigão e quiçá de alguma marca de óleo. Mas, ao longo do desfile, poderíamos fazer uma série de alusões com outros temas relacionados à história do frango.

A comissão de frente seria o grande destaque do desfile. Bailarinos coreografados por Carlinhos de Jesus estariam vestidos de coxa de frango cru. No meio da Avenida, diante das câmeras e do mundo, a surpresa: os integrantes entram no carro de apoio, que tem o formato de uma panela que solta fumaça. De lá eles saem vestidos de frango frito.

O carro abre-alas seria um enorme Frango Assado e sobre este carro várias mulheres seminuas dispostas aleatoriamente garantem a divulgação da Escola na internet.
Em breve, vamos criar o primeiro enredo vegetariano da história

Teríamos uma ala dedicada às origens do frango frito, provavelmente o Egito. Uma alegoria com uma pirâmide e uma pessoa representando Cleópatra, que dentro do nosso contexto, adoraria a iguaria. Logo depois, outra ala com dezenas de pessoas vestidas de celebridades que supostamente adoram um franguinho, como Amy Winehouse, Michael Jackson e Marilyn Monroe. E claro, uma homenagem a Alcione, porque ela tem cara que adora uma coxinha de galinha.

Depois, teríamos um carro alegórico com uma imensa Caravela, simbolizando que foram os portugueses que trouxeram o Frango Frito ao Brasil.

Outra ala dedicada a Galinha de Angola, o que já rende um carro dedicado aos escravos, que na ausência de frango eram obrigados a fazer feijoada com restos de porco. Dentro do carro, o mago da cozinha, Felipe Bronze, fará uma inovadora feijoada de frango, que será servida no camarote Brahma ao final do desfile.

Ainda teríamos um carro dedicado a Cidade de Deus, pegando o gancho da cena inicial com a galinha. Carro que exaltaria a malandragem do povo carioca e Seu Jorge. Teríamos uma ala dedicada aos frangos de macumba e aos pais de santo, garantindo citações dispersas a todos os orixás. A bateria estaria vestida de cachorro, em homenagem aos cães que passam o dia inteiro babando na frente das galeterias. (O frango giratório seria representado pela madrinha de bateria, uma galinha qualquer).

Alas dedicadas aos derivados do frango, como Nuggets e salsicha. Aos pratos com frango, como o Frango Xadrez, garantindo uma verba extra do governo chinês. Uma ala com o homem da roça, referência ao frango caipira. Uma ala dedicada aos acompanhamentos do frango frito, com ênfase na cerveja (Olha a Brahma ai gente). No último carro alegórico, a representação de um bar, com toda a velha guarda da escola, acenando, sorrindo e comendo frango frito.

Fim. Público ovacionando e cantando o samba.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Sempre é possível arrumar uma desculpa

Se você é um ser humano adulto dotado de todas as suas faculdades intelectuais, ou mesmo que não seja, invariavelmente você será convidado para participar de eventos sociais. A quantidade de convites dependerá de uma série de fatores relacionados a sua personalidade e outras características pessoais. Independentemente do número de eventos que requerem sua participação, a única certeza absoluta é que você não terá energia o suficiente para participar de todos eles.

São aniversários, casamentos, batizados, almoços dançantes, happy hours, despedidas de solteiros, open houses e uma série de outros termos que são inventados por aí. Pode ser legal ir em um ou outro aqui e ali, mas muitas vezes tudo o que você gostaria de fazer é ir para a sua casa e dormir, ou sofrer um lento processo de lobotomia em frente da televisão. Então, por vezes nós simplesmente não vamos a lugares para os quais fomos convidados.
Cara, tenho que ir visitar minha sobrinha hoje a noite

Infelizmente, no mundo adulto, nós não somos preparados para conviver com respostas negativas. Se alguém te convidar para fumar haxixe na casa dele, você não poderá simplesmente dizer que não vai porque não quer. Isso soará como uma ofensa que fará com que o anfitrião corte relações completas com você, incluindo a amizade no Facebook. Você terá que inventar uma desculpa para justificar a sua ausência.

As melhores desculpas são aquelas que envolvem outras pessoas, supostos compromissos pré-estabelecidos que vão impossibilitar sua presença no local. De preferência, com pessoas que não sejam conhecidas dos responsáveis pelo convite, para evitar que sua desculpa seja desmascarada.

- Uns amigos meus vão lá em casa.
- Tenho um aniversário para ir.

Uma coisa importante é não repetir as desculpas, para não gerar desconfiança. Ter que terminar uma importante tarefa do trabalho pode funcionar uma vez, duas vezes, mas depois vai parecer desculpa furada. Claro, não vale se utilizar desse expediente para furar compromissos com pessoas do seu trabalho, porque eles saberão que é uma mentira deslavada.

Compromissos religiosos são uma boa, desde que você seja realmente religioso. Todo mundo tende a não questionar profundamente a religião dos outros, pelo menos não no ambiente de convites para festas. Estes questionamentos são realizados apenas em campos de guerra e envolvem homens com explosivos e outras coisas. No entanto, nenhuma religião apoia a mentira e no caso dos católicos, um dos dez mandamentos diz justamente que é pra você não mentir. Portanto, a utilização desse recurso em longo prazo irá te levar para o inferno.
Cara, vou na igreja e depois tenho que terminar um trabalho

Compromissos envolvendo os pais, ou avós também são sagrados. No entanto, escolhe parentescos realmente próximos. Aniversário de tio, visita de um primo, casamento do sobrinho. Não invente expedientes esdrúxulos, como despedida do primo da minha namorada, chá de bebê da tia do meu cunhado, aniversário do vizinho do meu melhor amigo. Essas certamente não são boas desculpas e você ficará com má fama no seu círculo social.

Claro que depois de um tempo a estratégia irá ruir, porque nenhuma mentira se sustenta por tanto tempo. Então as pessoas começarão a te fazer o convite e irão afirmar:
- Dessa vez não tem como você arrumar desculpa.

Ah, mas sempre tem. Sempre é possível arrumar uma desculpa. Era assim no tempo do colégio, quando animais de estimação comiam trabalhos escolares, porque não será assim na vida adulta? Tudo bem que a professora nunca aceitava sua argumentação naquela época, mas enfim. A desculpa é infalível, ela sempre vai existir.

Post dedicado vagamente ao Tackleberry.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

O ET de Varginha

Há 20 anos o Brasil foi tomado de assalto pelas notícias, algo desencontradas, sobre a aparição de um extraterrestre no município de Varginha. Tanto tempo depois, o mistério ufólogo entrou para o imaginário popular e sempre é lembrado com um ar de anedota, como uma grande piada, fruto da inocência da população do pequeno município mineiro.

Vinte anos depois o caso volta a ser relembrado e agora, com a frieza dos acontecimentos e uma análise realista dos fatos, é possível afirmar: sim, alguma coisa aconteceu na cidade do sul de Minas de 1996.

Os Fatos
1) Três meninas viram um ser estranho, de pele marrom e olhos vermelhos, agachado próximo a um muro na tarde do dia 20 de janeiro de 1996. Saíram correndo e ao voltarem ao local foram informadas por um pedreiro que o bicho já tinha sido levado pelos bombeiros.

2) O Corpo de Bombeiros de Varginha recebeu uma ligação afirmando que um animal estranho estava pelas redondezas do bairro Santana. O mesmo bairro em que as três meninas viram o bicho. Duas testemunhas afirmam que viram os bombeiros saindo da região com sacos plásticos. Um caminhão do exército também parou na região.

3) A diretora do zoológico de Varginha foi informada que os bombeiros queriam entregar um animal para ela. Como ela não estava no zoológico no momento, a entrega jamais foi feita. Existem relatos de moradores que avistaram um animal esquisito na região.

4) Ocorreu uma grande movimentação no hospital da cidade, incluindo a chegada de várias viaturas militares. Um policial da cidade que teria participado da ação morreu em circunstâncias misteriosas, dois meses depois, com uma infecção inexplicável.

5) Um casal viu um objeto luminoso indo em direção a rodovia Fernão Dias. Um piloto de avião viu um objeto caindo nos arredores da rodovia Fernão Dias. Disse que ao chegar lá encontrou a área cercada por militares e foi retirado do local.

Controvérsias
Há muitos pontos da história que podem ser contestados. O objeto luminoso no céu pode ser qualquer coisa. O relato do piloto de avião é duvidoso, porque os militares teriam que ser muito velozes e eficientes para chegar até o local da queda do disco voador tão rapidamente.

Muitas memórias sobre aquele dia que mexeu com o imaginário popular da cidade podem ser memórias adquiridas, aquelas que as pessoas passam a achar que viveram de tanto que escutaram sobre.

O relato das meninas também pode ser de uma forma desmoralizado. Crianças não sabem o que dizem. Mas é aí que está o fato principal da noite.

Polêmica
Em 1917 em um pequeno vilarejo português três crianças, e apenas elas, viram Nossa Senhora de Fátima algumas vezes e a santa revelou alguns segredos para elas. Esse é um dos principais mistérios da fé cristã e foram referendados pela Igreja Católica. Não há muita diferença em relação as três meninas de Varginha, tirando o fato que as mineiras tem uma vantagem.

As crianças portuguesas eram realmente crianças, a mais velha tinha dez anos, idade em que ainda se conversa com brinquedos como se eles tivessem vida. Em Varginha, a mais nova tinha 14 anos e a mais velha tinha 22, idade em que já é possível ter um bom discernimento entre o mundo real e o mundo imaginário, exceção feita aos casos em que se está sob os efeitos de substâncias ilícitas e alucinógenas.

O relato de Varginha apenas não tem uma grande instituição para dar fé e ratificar o caso como verdadeiro. Por isso acreditamos que uma imagem mais clara que o sol apareceu sobre uma árvore na roça portuguesa, mas duvidamos de um ser estranho na roça brasileira.

Fatores Desmoralizantes
Provavelmente, um dos principais fatores para o descrédito da aparição dos extraterrestres é o fato de ela ter acontecido em um pacato município do interior de Minas Gerais. Mas, ao contrário do que as pessoas imaginam, os extraterrestres não têm noção da geopolítica do planeta terra e a chance de um incidente interplanetário ocorrer no sertão da Paraíba, no centro de Nova York ou na Sibéria, é exatamente a mesma.

Mas certamente, o que mais contribuiu para o descrédito do incidente foi a superexposição midiática. Principalmente do programa do Gugu. Gugu Liberato é uma espécie de Midas oposto e tudo em que ele toca se transforma em merda. Todos os assuntos abordados de maneira jornalística por ele acabam caindo em uma espécie de redemoinho da mediocridade e são condenados a infâmia.

Explicação Oficial
De acordo com o exército, nada aconteceu. As meninas provavelmente viram um louquinho de bairro, conhecido como Mudinho, que tinha o hábito de ficar agachado próximos a muros. Não ficou bem claro se os bombeiros foram acionados para capturá-los. A movimentação próximo ao hospital teria acontecido por conta do parto de uma anã, naquela que é a explicação mais bizarra da história.

Alguma Coisa Aconteceu (no meu coração que só quando a Ipiranga)
Uma leitura sobre os fatos, vinte anos depois, indica que alguma coisa estranha aconteceu no município mineiro naquele dia. Não é possível afirmar que seriam alienígenas, mas é possível dizer que as crianças viram alguma coisa estranha, outras pessoas viram alguma coisa estranha, os bombeiros foram acionados e o que quer que eles tenham encontrado acabou por chamar a atenção do exército.

Pena que não existia Whatsapp na época.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Brasil é o sétimo país mais babaca do mundo aponta pesquisa

Pesquisa realizada pelo International Research Institute de Massachussets mostra que o Brasil é o sétimo país mais babaca do mundo. A pesquisa foi realizada em 98 países de todos os continentes e mostrou comportamentos culturais e sociais presentes no cotidiano da população e que estão intrinsecamente ligados a babaquice.

Os pesquisadores norte-americanos apontaram como principais fatores da babaquice brasileira a expressão “no tempo da ditadura essas coisas não aconteciam”, as caixas de comentários do G1, as propagandas de cerveja e as piadas sobre pavê.

De acordo com Edward Skoglund, um dos líderes da pesquisa, o Brasil tem situações babacas endêmicas, que só podem ser encontradas em nosso território. “Um dos fatores mais curiosos que percebemos no Brasil é a presença dos tios velhos piadistas. Diria que eles são uma espécie de patrimônio nacional brasileiro, uma vez que não foi encontrado em nenhum dos outros 97 países em que a pesquisa foi conduzida”.

Apesar de a situação ser alarmante e a babaquice brasileira estar em um nível quase incontrolável, Skoglund ainda vê o Brasil na vantagem em relação a outros países pesquisados. Ele explica que geralmente, no mundo inteiro, a babaquice é uma questão cultural que dificilmente será mudada em média ou longo prazo. “É uma questão de orgulho nacional em alguns lugares”.

No entanto, segundo o pesquisador, se o Brasil conseguisse se livrar de Eduardo Cunha a babaquice brasileira poderia ser considerada sob controle e o país apareceria apenas na 36ª colocação desse ranking. “O Congresso Nacional e boa parte dos políticos brasileiros respondem por uma grande parcela da babaquice brasileira e vocês incrivelmente tem a oportunidade de mudar isso a cada dois anos. Como percebemos que, apesar da oportunidade, a situação permanece inalterada, isso potencializou a escrotidão nacional. Portanto, enquanto não houver mudanças, vocês tem mais é que se foder mesmo”, afirmou.

Fomos as ruas para flagrar algumas cenas de babaquice, acompanhados do antropólogo baiano Josemar Caetano Calvacante. Flagramos um motorista estacionando o carro em uma vaga para deficientes. Perguntamos para ele porque é que ele estava estacionando ali, ele começou a mancar e disse que era rapidinho.

Perguntamos ao doutor Josemar porque é que o brasileiro se comportava de maneira tão babaca. Ele nos mandou tomar no cu e foi embora, cuspindo na cara de uma velhinha.

No ranking o Brasil ficou atrás da Colômbia, onde o cuecão é ensinado nas escolas públicas, da Suécia onde as pessoas não tem senso de humor e dos Estados Unidos, os responsáveis por fazer essa pesquisa. A lista ainda tem mais quatro países na frente do Brasil, mas eu não vou falar quem são.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Marcha para Satanás

Neste domingo, as ruas do Brasil foram tomadas por um evento curioso. A Marcha para Satanás reuniu dezenas de admiradores do belzebu, cidadãos obscurantistas, curiosos e manifestantes contra a influência das instituições religiosas na política. Os manifestantes apresentaram uma extensa pauta de reivindicações, mas em todo momento ficou claro que a zoeira também estaria presente.

Em São Paulo, indivíduos com o corpo pintado de vermelho e chifres postiços na cabeça cantaram palavras inteligíveis por toda a Avenida Paulista. O evento transcorreu de maneira pacífica, na medida do possível, até que um grupo de black blocks começou a girar a cabeça em 360º, andar de maneira confusa e vomitar uma espuma verde muito semelhante a um creme de ervilhas.

A polícia interviu com violência, mas vários policiais foram queimados vivos, sugados por uma cratera que se abriu em frente ao Masp e outros ficaram intoxicados pelo enxofre. No momento mais marcante da noite, um grupo de cavaleiros alados sobrevoou o prédio da TV Gazeta tocando os últimos sucessos do sertanejo universitário.

No Rio de Janeiro, a manifestação aconteceu na praia de Copacabana. Um enorme pentagrama invertido foi desenhado na areia na altura do posto 3. Após um ritual conduzido por um cidadão que babava sangue, o sol se apagou por alguns segundos e uma enorme fenda surgiu, de onde criaturas parecidas com os bonecos de lama dos Power Rangers saíram e começaram a atacar transeuntes. Após a atuação da polícia, os seres correram para dentro de uma unidade da Assembleia de Deus da região.

Em Fortaleza um grupo de góticos sacrificou 46 bodes na Avenida Santos Dummont, provocando um cheiro horrível e aparição do diabo em pessoa. Cercado por curiosos, o demônio tocou saxofone e afirmou que resolveu aparecer na capital cearense porque gosta muito de frequentar o Beach Park. Após engravidar uma jornalista, Lúcifer voltou a desaparecer.

Em Porto Alegre a Marcha foi interrompida antes do previsto, quando os manifestantes passaram em frente a uma oficina de exorcismo realizada na Usina do Gasômetro. Em Curitiba o evento teve que ser cancelado porque as pessoas não estavam com vontade de sair de casa. Em Belo Horizonte, os manifestantes foram atropelados por uma carreta desgovernada. Em Cuiabá, o evento contou com a presença de seis manifestantes, oito policiais e 29 jornalistas.

No final da tarde, o Tinhoso concedeu uma entrevista coletiva em Brasília para falar sobre a repercussão do evento. Bastante despojado, fumando um charuto, o capeta disse que considerava o evento um sucesso, que mostrava que muitos brasileiros estavam ao seu lado na busca por um Brasil melhor.

Se disse envaidecido com as mensagens de apoio que recebeu e que se sente tranquilo, uma vez que vários admiradores seus ocupam cargos de prestígio no poder público. “Infelizmente eles se escondem por trás de outros gostos para defender meus interesses e confundem um pouco a população. Mas a confusão faz parte do jogo político”, afirmou, antes de confirmar o lançamento de uma nova comédia nacional com Leandro Hassun e desaparecer.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Outros tipos de Amigo Oculto

Todo final de ano a cena se repete. Um grupo de amigos resolve promover um Amigo Oculto - também conhecido como amigo secreto em alguns locais - estipulam uma cota e marcam um dia para se decepcionar mutuamente e aumentar o saldo negativo no banco. Todo ano é a mesma coisa e deve ser por isso que nos últimos anos os mais diversos setores da sociedade começaram a propor maneiras diferentes de realizar esse ritual profano. São algumas delas:

Amigo Oculto Ladrão, também conhecido como Amigo da Onça: Não é feito um sorteio prévio e as pessoas apenas levam algum presente. Na hora, os presentes sorteiam números e o indivíduo que receber o número 1 se dirige até a mesa e escolhe um pacote, sem saber o que é. Depois é a vez do indivíduo com o número 2 se dirigir até a mesa. No entanto, caso ele goste do presente em posse do primeiro sorteado, o segundo poderá roubar esse presente para si próprio. Assim vai até o último número, que tem uma espécie de senha master do universo e pode roubar qualquer presente de qualquer pessoa ou escolher o último pacote. Além de todo o dilema ético - esse recreação diz muito sobre o caráter das pessoas, sobre quem é capaz de roubar, de matar pelos mais torpes motivos - o AOL gera muita confusão. Não há um consenso se os presentes devem ser bons ou se devem ser de sacanagem e assim uma pessoa pode sair de lá com uma piroca de chocolate enquanto outra sai com um DVD do Chico Buarque (a escolha sobre quem se deu bem é estritamente pessoal).
Dizem que essa é a modalidade preferida do Congresso Nacional

Inimigo Oculto: Uma boa alternativa, porque se é pra se humilhar é melhor se humilhar com estilo e criar rancores eternos que irão romper laços afetivos e, com sorte, evitar que os amigos ocultos voltem a se repetir no próximo ano.

Amigo Chocolate: Também usado na Páscoa, as pessoas trocam chocolates entre elas próprias naquela que deve ser a pior confraternização do mundo.

Amigo Havaiana: Nesse caso as pessoas trocam havaianas entre elas próprias e eu acabei de mudar o meu conceito sobre qual é a pior confraternização do mundo.

Amigo Livro: Pessoas trocam livros entre elas. Podia ser melhor, mas podia ser pior.

Imagino que ainda existam outras trocas temáticas, mas esse post aqui veio para sugerir. Sei que você está pensando “que porra, a era dos amigos ocultos já passou porque você está escrevendo isso só agora”, ou ainda “que porra, que enrolação do caralho para chegar até onde você queria”. Mas esse texto pode servir para você que ainda vai participar um amigo oculto atrasado ou extemporâneo, ou para você se planejar para o fim de ano. Ou para você que vai participar de um hoje, seja lá que dia hoje for para você, afinal, a internet é eterna.

Amigo Discurso
Todos nós sabemos que a pior parte do Amigo Oculto é a fala com as dicas sobre quem a pessoa é. Nessa modalidade, nós não teríamos presentes, apenas discursos. Cláudio tirou a Roberta, vai no meio da roda e começa a falar sobre as características da pessoa em um discurso longo, emotivo e constrangedor. No final os amigos se abraçam e apenas isso. Poderia ser chamado também de Amigo Abraço e poderia ter uma variação um pouco pior que seria o Amigo Mimica.

Amigo Conta
Um grupo de amigos sai para confraternizar em um bar com comandas individuais e ao final da noite, cada um paga a conta do seu amigo oculto. Para aumentar a tensão e evitar tentativas de envenenamento, homicídio ou suicídio, o sorteio seria feito só na hora em que a conta estivesse fechada. Seria um bom teste de caráter, para saber se as pessoas iriam consumir muito já que não irão pagar, ou se irão consumir pouco na tentativa de que isso de alguma forma cármica funcione positivamente. Ah, nesse caso, não teria problema se alguém tirasse o próprio nome.

Amigo Oral
Cada um tira um nome e você terá que fazer sexo oral no seu amigo oculto. Como no modelo tradicional, algumas pessoas vão se dar bem e outras vão se dar bem mal. Indicado para maiores de idade, pessoas livres de doenças venéreas, não comprometidas ou em relacionamentos abertos, de preferência bissexuais ou sem nenhum preconceito.

Bem, você também pode pensar em outras formas de entreter os amigos. Um Amigo Escravidão, quem sabe. Amigo Prestação do Cartão de Crédito, Amigo Verdade ou Desafio, Amigo Vamos Fazer um Churrasco Qualquer Dia Desses É Só Marcar. É tudo uma questão de planejamento.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Força Militar contra a Dengue

Alguns grupos da sociedade consideram que os militares são a solução para todos os problemas do país. Se tivéssemos mais soldados na política, na Justiça, no trânsito ou no meio de campo da seleção brasileira, menos problemas e aborrecimentos nós teríamos.

Não é a toa que entre as suas muitas atribuições, o exército tem sido utilizado no combate ao mosquito da dengue. Infelizmente, não é aquele combate que nós imaginamos. Na verdade, o grupo de homens camuflados perambula por aí destruindo possíveis focos e atuando como covers de agentes de saúde. Seria muito melhor se os militares combatessem a dengue da melhor maneira que eles sabem atuar: com o uso da força bruta.

O principal problema da dengue é que a maioria dos focos do mosquito está dentro da casa das pessoas. De nada adianta as matérias no jornal, as campanhas educativas, os doentes que agonizam até a morte. Uma parte da população continua acumulando lixo no quintal, permitindo a proliferação do Aedes aegipty e bradando que o governo não faz nada para acabar com a dengue.

O Bope poderia resolver o problema ao melhor estilo Bope. Um helicóptero da polícia militar poderia sobrevoar os bairros e ao avistar um terreno com muito lixo, caixas d'água destampadas, vasos de planta com água acumulada - acredito que o Bope tem binóculos poderosos para enxergar isso, uma operação seria desencadeada. O caveirão chegaria até a rua do incidente. Homens de preto e fortemente armados andariam próximos ao muro e invadiriam a casa.

Em poucos segundos os focos seriam destruídos, os responsáveis seriam presos e sob tortura iriam confessar onde estão os outros focos. Acredito que em um dia um bairro inteiro poderia ser limpo. Quem tentasse interromper o trabalho e não colaborasse seria apagado.

Nos casos mais difíceis, homens poderiam saltar de paraquedas, já atirando, é claro. O Exército também poderia ajudar. Caças Mirage sobrevoariam e disparariam bombas contra focos muito grandes e onde houver resistência dos moradores. Se o Brasil desenvolver a tecnologia da bomba atômica (ainda há tempo, Enéas), não descarto a utilização de uma. Com uma bomba de potência média, todos os focos do mosquito da dengue seriam destruídos em um raio de 15 km, assim como o número de pessoas suscetíveis a doença iria cair de maneira radical.

A experiência bem sucedida poderia gerar um filme, um Tropa de Elite 3, quem sabe. O inimigo agora é outro. Numa cena final épica, soldados do bope saiem a rua com fumacês e derrotam os mosquitos.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Pizzas Caridosas

Em algum momento de sua vida é provável que você tenha chegado a um ponto tão baixo em que precisou vender pizzas por alguma coisa. Pode ter sido para sua formatura no colégio, ou na faculdade, para reformar alguma coisa, pagar uma cirurgia ou financiar sua startup. Curiosamente, a venda de pizzas se mantém há anos como uma das mais seguras formas de arrecadar fundos para uma causa.

Confesso que não achei nenhuma foto dessa pizzas na internet.
Talvez porque eu não saiba pesquisar, ou porque ninguém
tenha tido coragem de fotografá-las. Sabe como é. Diante de
uma tragédia pronta diante dos nossos olhos, ninguém tem
coragem de tirar fotos. Fica então minha homenagem para
o David Bowie
Dia desses mesmo, aliás, em vários dos últimos dias, tenho encontrado um grupo de jovens que certamente nasceu depois do tetracampeonato, vendendo pizzas em um semáforo para sustentar alguma coisa na qual eles se envolveram que tem alguma relação com o catolicismo. Nunca comprei, o que talvez garanta minha vaga para o inferno, mas o que me chamou o interesse é o preço das pizzas: dez reais.

Quando eu me formei no colégio no já distante ano de 2004 eu vendi pizzas pelo exato valor de dez reais. Já era barato na época, quando uma pizza na pizzaria deveria custar uns 28 reais. As pizzas já eram ruins naquela época e você, pobre estudante de ensino médio, só conseguia vendê-las para os seus familiares, os únicos dispostos a comprar aquela porcaria para te ajudar. Família é para isso, afinal.

Nos tempos atuais, em que as pizzas já superam a casa dos 50 reais, uma pizza custar 10 reais chega a ser algo absurdo, diria que até ridículo. No mundo moderno, praticamente mais nada custa dez reais. E aí é que cabe um questionamento: do que são feitas essas pizzas?

Pense comigo, se um produto é vendido por 10 reais ao seu consumidor final, isso significa que ele custou menos do que isso, caso o contrário, ele não faria sentido. No caso das pizzas de caridade, elas precisam custar bem menos. Não faria sentido que alguém que quer pagar um evento cuja cota custe uns quatro mil reais venda um produto no qual ele vai ter dois reais de lucro. Diria que o lucro deve ser pelo menos de 50% o que significa que seu preço de venda original seja de cinco reais. Sim, porque a pizza não é fabricada pelo cidadão que está lá no semáforo. Alguém fabrica essa pizza e acaba vendendo-a para alguém que precisa de dinheiro que a revende por dez reais. Portanto, se essa pizza foi vendida originalmente por cinco reais, eu diria que o seu custo de produção não deve superar os três reais por unidade.

Tente fazer uma pizza por três reais, na sua casa. Você talvez consiga, mas o resultado provavelmente será uma porcaria. Mas, tudo bem, não é muito diferente do que já acontece com essas pizzas de caridade. Elas já são horríveis por natureza e nós apenas a compramos porque realmente queremos ajudar uma pessoa que realmente está precisando muito disso.

Invariavelmente, na época em que vendíamos essa pizza no colégio, nossos pais acabavam comprando metade delas e ficávamos com aquela quantidade absurda de pizzas ruins estocadas no congelador, pensando no que é que iríamos fazer com elas.

Geralmente agíamos com boa fé diante da primeira pizza. Dávamos uma chance para o destino e encontrávamos aquele apresuntado salpicado sobre uma massa dura e sem gosto, com um queijo que talvez não mereça esse adjetivo - caso mudemos as regras do português e decretemos que queijo passe a ser um adjetivo a partir de agora - e invariavelmente uns tomates alegóricos que tinham o gosto da morte depois de tantos anos no congelador, além do fato de que provavelmente eles foram obtidos em hortas clandestinas, montados sobre solo provavelmente contaminado com urânio enriquecido.

Para as pizzas seguintes, era a hora de usar a imaginação e depositar quantidades enormes de queijo sobre aquela pizza sem graça. Também ia um pouco de óregano, quem sabe umas azeitonas e os tomates eram substituídos por frutos verdadeiros. Não funcionava muito bem e logo você estava apelando para uma saída mais fácil: o catupiry.

Não, não iria dar certo. Esse é o momento em que você descobre que não há como essas pizzas ficarem boas. Não há como você obter algum prazer a partir dessas pizzas, elas serão eternamente ruins apenas para te lembrar que você não fez aquilo por prazer, mas pela vontade de ajudar alguém. Essas pizzas são uma prova do seu esforço e quem sabe uma forma de penitência que irá garantir seu lugar diretamente no céu. Irei amanhã mesmo comprar umas cinco com os meninos da igreja do semáforo.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

A nova tabela periódica

Uma organização importante que rege as regras que regem a tabela periódica, anunciou que o instrumento de tortura de alunos do Ensino Médio irá ganhar quatro novos elementos. Com 113, 115, 117 e 118 átomos cada, os novos elementos ainda sem nome irão completar a sétima fila da tabela.

O noticiário dá conta de que um dos elementos foi descoberto por um grupo de japoneses inúteis, enquanto que os outros três foram encontrados por um consórcio de cientistas russos e norte-americanos desocupados.

A tabela periódica, vocês devem lembrar, é uma estrutura organizacional complexa, separada por linhas, colunas e cores que identificam a quantidade de átomos na última fileira, os nomes e os tipos de diversos materiais. Temos os gases nobres, os metais pesados, as piadas com o elemento de número 29 e as frases prontas para decorar cada uma das colunas.

A maior parte dos elementos da tabela pode ser encontrada na natureza, com maior ou menor simplicidade. O hidrogênio está por aí, assim como o oxigênio. O carbono está em tudo, o hélio está nos balões infláveis, o néon em letreiros, o flúor nos consultórios de dentistas, o estanho em montanhas depredadas, o césio em cápsulas eventualmente abandonadas em lugares impróprios. Os novos quatro elementos não estão em lugar nenhum.

Aliás, isso não é uma novidade. Quase todos os elementos da parte final da tabela periódica não existem em condições normais. São aqueles com nomes bem escrotos, como Mendelévio e Ruterfórdio. Eles foram sintetizados em modernos laboratórios com a utilização de avançadas máquinas aceleradoras de partículas. Esses elementos são instáveis, existem por poucos segundos antes de se dissolverem novamente.

Ou seja, a pergunta que fica é: qual é o sentido disso tudo. Por que cientistas gastam tubos de dinheiros brincando em aceleradores de partículas para criar elementos que não são estáveis, que não vão existir naturalmente e que teoricamente não tem função nenhuma para nada. Tudo isso só para ter o prazer de colocar seu nome numa inutilidade dessa?

Aliás, o CH3 inicia aqui uma campanha para que os elementos sejam chamados da seguinte forme: Huguinho, Zézinho, Luizinho e Leprosinho.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Promessas para o novo ano

Certa vez, o poeta e mímico Vinícius Gressana vaticinou: “o ano novo é uma segunda-feira de grandes proporções”. Tal frase é uma verdade absoluta e todas as palavras da sentença são sagradas. Diria que nunca antes na história do universo algo tão certo foi dito por alguém e essas nove palavras poderiam resumir toda e qualquer obra da literatura jamais escrita, inclusive a bíblia.

Todos os dias, centenas de pessoas prometem a si próprias que irão começar uma nova vida e adquirir novos hábitos a partir da próxima segunda-feira. Essas promessas e metas são hiperdimensionadas para o ano novo. Aquele mágico instante em que o ponteiro do relógio se muda decretando que um ano novo começou teria o misterioso poder revigorante de transformar vidas.

Claro que as pessoas podem ter suas prioridades, mas algumas das promessas são recorrentes.

1) Emagrecer. Por algum motivo inexplicável, as pessoas acreditam que a mudança do ano é uma boa oportunidade para perder peso, se livrar de alguns quilinhos e sair da faixa de obesidade mórbida. Uma expectativa irreal, uma vez que o fim de ano é uma época propícia para engordar doentiamente, comer até passar mal e ficar ainda mais longe da sua meta de peso ideal, o que é um fator de extrema desmotivação para os seus objetivos.
Parar de tocar alaúdes no campo, utilizando roupas e penteados ridículos ao lado de mulheres gordas e nuas.

2) Parar de beber. Novamente, as pessoas acham que é isso, que o ano mudou e agora todos os males do mundo vão ficar no passado, que tudo mudou, que tudo recomeçou do zero. O fim do ano é uma época de abusos, uma época de beber até a morte aparecer como uma sombra duplicada em suas vistas. Para piorar, os brindes são feitos já no ano novo, o que invalida a porra da sua promessa.

3) Parar de Fumar. Porque é claro, que é só o ano novo começar que todo o vício e necessidade de fumar que você sente irá acabar.

4) Começar um curso, uma faculdade. Eis aqui um ponto mais factível, uma vez que a maior parte dos cursos e faculdades seguem o calendário anual para estabelecer o ano letivo e assim sendo, você tem que esperar a oportunidade para conseguir. No entanto, em muitos casos as matrículas ou provas para o ingresso foram realizadas no ano anterior e assim sendo, você já perdeu a oportunidade.

5) Ser uma pessoa completamente diferente. Ser mais paciente, menos chato, mais organizado, menos pervertido sexualmente, arrumar um relacionamento duradouro. Esqueça, você não vai conseguir. Você é o que é, para todos os benefícios e malefícios e a melhor coisa que você pode fazer sobre esses assuntos é se aceitar do jeito que você é.

6) Parar de se prostituir. Difícil, uma vez que é uma profissão que deixa a pessoa marcada, coibindo a entrada em outros mercados profissionais.

Além do mais, para mim promessas teriam que necessariamente envolver algum tipo de penitência sagrada. Ou seja, caminhar por algum trajeto de joelhos, carregando um crucifixo e etc. Se essa premissa fosse seguida, um número menor de pessoas faria promessas.

Puta que pariu, que final de texto horrível.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

As previsões para 2016

Nos últimos anos não foi nada fácil conseguir publicar as tradicionais previsões feitas por Pai Jorginho de Ogum para o ano vindouro. Na tentativa de fugir um pouco do óbvio e conseguir obter mais do velho pai-de-santo, acabei me envolvendo em uma série de confusões com uma galerinha da pesada que não se cansa de aprontar. Me envolvi num filme da sessão da tarde, pra resumir.

Dessa vez, resolvi retornar as velhas tradições de sempre. Nas primeiras horas do primeiro dia do ano, me desloquei até a casa de Jorginho de Ogum no glorioso bairro do Jardim Leblon. Encontrei aquelas cenas dantescas de sempre, com Cão Leproso urinando em um muro podre, Marcão dormindo abraçado em um osso de pernil e Alfredo Chagas sonhando acordado com a revolução da inércia.

Pai Jorginho estava acordado, como de costume. Ele mantém o hábito de acordar cedo. Diria até que ele nunca dorme, pois em seu sono ele incorpora os sonhos de outras pessoas, trazendo a pessoa amada de volta e essas coisas que encontramos em postes de luz.

Ele sabia porque eu estava ali, não porque ele tenha esse dom clarividente, mas simplesmente porque eu sempre costumo a ir lá com esse objetivo e porque eu havia mandado um Whatsapp para ele, para que ele se preparasse e eu não o flagrasse em alguma cena constrangedora com uma garrafa de cachaça ou uma galinha, por exemplo.

Fui direto com o velho charlatão e pedi para que ele mandasse logo quais eram as previsões para o novo ano. Pedi, inclusive, para que ele fosse bem direto e específico e evitasse aqueles rodeios do tipo "atletas ganharão medalhas nas provas de atletismo das Olimpíadas", "os Estados Unidos irão escolher seu novo líder" e coisas que já estão previstas em constituições nacionais e regulamentos esportivos.

Desafiado, Jorginho de Ogum soltou as seguintes dez previsões. Sim, pedi dez porque nesses tempos de internet o que importa é fazer uma lista.

1) Quem teve um 2015 de merda terá um 2016 de merda. Segundo Jorginho, ele tem certeza absoluta disso. Garantiu que essas pessoas também terão um 2017, um 2018, um 2019 de merda e por aí adiante, até que elas morram, porque o problema não são os anos, mas sim as pessoas.

2) Você vai se ferrar muito nesse ano. Ele disse exatamente isso. Você vai se ferrar muito, sim, você mesmo. Se prepare para a desgraça, pois certamente ela virá.

3) Famosos irão morrer. Pessoas anônimas também. Certamente uma pessoa que você conhece pessoalmente, por ouvir falar, por livre e espontâneo stalkeamento, ou pela televisão, certamente uma dessas pessoas irá morrer e você irá lamentar que ela era tão jovem, ou que foi tão de repente, mesmo que essa pessoa seja um senhor de 98 anos que lutava contra o câncer desde 1987.

4) A Revista Veja vai publicar 33 capas com pessoas que são esperanças para o Brasil e todas elas serão cedo ou tarde envolvidas em algum escândalo de corrupção.

5) Você não vai ganhar na Mega-Sena. Porque você está lendo esse blog ao invés de jogar na Mega-Sena e você não ganha na porra da loteria se você não jogar nela, não enfrentar uma puta fila em que o esforço talvez não valha alguns milhões de reais.

6) Você vai fazer menos sexo do que gostaria. Porque nós somos sempre insatisfeitos.

7) Na Eslovênia, um senhor de 67 anos irá parar em um semáforo, vai olhar para os dois lados antes de atravessar a rua e no meio do caminho sentirá um mau presságio. Nada irá ocorrer até o domingo seguinte, quando ele sofrerá uma convulsão.

8) O Brasil não vai ganhar o ouro olímpico no futebol.

9) Um deputado será acusado de receber propina em um esquema envolvendo uma empresa estatal, ele vai negar e nada vai acontecer.

10) Uma dessas previsões será fatal para os envolvidos.

Agradeci Jorginho e me despedi. Disse que no fim do ano iria cobrá-lo, inclusive com truculência, sobre os resultados.