sábado, 31 de outubro de 2009

Capiodicofobia

Está é uma fobia normal na nossa sociedade contemporânea. Trata-se da fobia de que o seu nome se torne popular. Como o seu nome se torna popular? Simples, se ele estiver em uma música que toque bastante nas rádios. Ou que seja o nome do personagem principal da novela. E porque alguém teria medo disso?

Bem, imagine como era a vida de uma Carla quando aquela música do LS Jack fez sucesso. Qualquer lugar que ela fosse escutaria “Oh Carla!”. Ou as Inaras escutando “Inara, Inara, Inaraí, Inaraí, Inaraííí”. Ou ainda o tanto de Renatas que foram chamadas de ingratas. É ou não é um motivo para se ter medo?

O mesmo acontece se o seu nome virar o nome de algum personagem principal da novela. Imagine quantas Floras não tiveram problema para arrumar um emprego depois, ou durante a novela. Assim que ela chegasse para uma entrevista de emprego, ou dinâmica de grupo e dissesse “Oi, meu nome é Flora”, várias piadinhas infames já seriam ditas. “O, ainda bem que não tem nenhuma Donatela aqui”.

O mesmo acontece em menor grau com atores famosos.
- Oi, meu nome é Luiza...
- Hmm, Luiza Brunet?


No caso de você ter sobrenome de famoso também.
- Hmm, Guilherme Blatt, é parente do Caio Blat?
Essa pergunta me é feita sempre que eu preencho algum cadastro, tenho que mostrar algum documento. A resposta varia de acordo com o dia.
- Hehehe, não.
- Sim, ele é meu filho, posso não parecer, mas na verdade eu tenho 58 anos.

Esse medo acontecia também no colégio. Era sempre assustador para qualquer Carlos quando o livro de história aberto na página 37 falava do Rei Carlos V da França. Todos ririam e diriam apontando para o Carlos “ahhh, Rei Carlos”. É impressionante, mas, crianças tem a incrível capacidade de apontar para outras e dizer “ahhh” seguido de alguma coisa, que pode ser provocativa ou não.

Essa fobia está ainda mais comum graças a maligna propaganda do toque de celular personalizado. Aquele, que se você mandar uma mensagem SMS para tal número, com o seu nome, receberá um toque personalizado. E você poderá ficar dançando enquanto uma música “Pedrinho, te ligam, Pedrinho, te ligam” toca. Imagino como será essa música para um caso de “Reineclaudislene te ligam, Reineclaudislene te ligam”.

Se você ainda não sofria dessa fobia, é provável que a partir de agora, sofra.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Dossiê Activia: Parte 2, o direito de resposta

O assunto estaria esquecido. Era apenas mais um post na história do CH3. No caso, o post de número 444, sobre a polêmica do iogurte Activia. Seria ele feito a base fezes de grandes animais? Seria ele bom? Ele funciona? Suas propagandas são engraçadas? Constrangedoras? Pois bem.

O assunto estava realmente esquecido. Até o dia 19 de outubro de 2009 as 16h10. Foi nesse horário que Aline Almeida da Ketchum Estratégia entrou em contato com o blog, por e-mail. O que ela queria? Ela trabalha para essa empresa que faz assessoria da Danone. E ela queria esclarecer alguns pontos sobre a postagem.

Como nós somos um blog pretensamente de humor, não demos bola a princípio. Se não fosse por um detalhe. No fim do e-mail ela pedia para que as informações do e-mail também fossem publicadas em nosso veículo. Sim, em nosso veículo. O fato de o CH3 ter sido pela primeira vez chamado de veículo mexeu com nossos brios. Massageou os nossos egos. E então, para Danone do Brasil, a oportunidade bate em sua porta.

Vamos começar pelo começo então. Tudo começou no dia 6 de outubro, quando eu recebi um e-mail de uma amiga. Não citarei seu nome em respeito à ética jornalística. Ela re-encaminhou um e-mail de uma fonte sua, para falar sobre os e-mails conspiratórios. Ela me sugeria que o assunto poderia dar um post para o CH3.

A fonte no caso é um terapeuta, que defende o estilo de vida saudável. Judeu, vegetariano, santista e abomina o pão branco. O título do e-mail original é “O que é Activia?”, contendo um texto assinado pela nutricionista paulista Marília Duarte. A idéia do texto é que os bacilos DanRegularis são bactérias retiradas das fezes humanas, e o iogurte te faz cagar porque irrita o seu intestino. Talvez você já tenha recebido esse e-mail.

O texto é como tantos textos que você recebe em seu e-mail. É igual acordar na banheira com gelo e sem os rins, ser assaltado pelo vendedor de perfumes. No mundo da internet a coisa mais fácil do mundo é juntar um monte de informações sem valor, assinar como se fosse um especialista na área e mandar por e-mail. Ninguém vai parar pra conferir se as informações tem sentido, ou se a pessoa que escreveu realmente existe. O botão de encaminhar é mais rápido.

Nós mesmos, do CH3 sabemos como isso é. Uma vez que alguns textos nossos vão parar no Yahoo Respostas e em trabalhos de crianças de terceira série. Tudo isso no fundo é parte do mundo dos Leitores Que Não Lêem.

O e-mail ainda tinha mais um texto, de Patrício Jr, contando as suas experiências ao fazer o teste do Activia. É um texto de certa forma engraçado, com passagens brilhantes como “Passei, como posso dizer, a gaseificar fervorosamente os ambientes pelos quais circulava”, “um cheiro que posso descrever como o de um burro morto por envenenamento com creolina e enxofre”.

O texto então foi publicado no CH3, e imagino eu, que o blog não tenha propagado teorias conspiratórias adiante. Recebemos o e-mail, nosso ego foi massageado e começamos a pensar na resposta. E hoje é foi o dia escolhido.

Tudo porque ontem, no jornal da TV Centro América, uma matéria que durou cerca de 10 minutos falou sobre o tema da dificuldade de evacuar. Pessoas respondiam sobre a sua dificuldade em ir ao banheiro, sobre o mau humor da prisão de ventre que as deixavam enfezadas (perceberam a origem da palavra?). E a apresentadora do jornal estava muito empolgada com o assunto, demonstrando claramente que ela sofre de prisão de ventre. O interesse dela em saber sobre os efeitos do mamão foi comovente.

O médico entrevistado alertou para a importância de notar o aspecto das fezes e também da força necessária para o ato. Tudo isso na agradável hora do almoço.

Voltamos ao direito de resposta. A Danone gostaria de esclarecer que:

- A Danone tem conhecimento dessas informações que circulam por aí. Portanto, se vocês acham que eles não sabem, estão errados, porque eles sabem.
- A nutricionista que assina o texto do e-mail não existe no Conselho Regional de Nutricionistas de São Paulo. Ou seja, o texto deve ter sido feito por um Ghost Writter.
- O Activia, ao contrário do especulado, não é feito a partir de fezes humanas. Na verdade ele é feito com cepas de iogurte tradicional, com um fermento especial, os tais bacilos DanRegularis, que não irritam o estomago. Essa cepa probiótica é armazenada em Paris, que por sua vez fica na França. Confesso que tirando a parte do fato de que Paris fica na França, eu tive dificuldades em entender o resto também.

Ou resumindo, o Activia não é feito de merda, a nutricionista não existe e o bacilo do Activia é normal. Para mais informações vocês podem acessar o www.activiadanone.com.br ou ligar para o DAC 0800 701 7561. Ou talvez, consultar o seu farmacêutico.

Agora nos só esperamos o contato da nutricionista inexistente, para que ela possa dar o seu direito de resposta. E dessa maneira, esse tema jamais será encerrado.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

A stripper do bolo-surpresa

Quem nunca teve um aniversário com um bolo gigante e de dentro desse bolo saiu uma stripper? Ou que isso tenha acontecido em uma despedida de solteiro. Ou até mesmo no seu batizado. Ou... bem, de fato isso nunca aconteceu comigo. E provavelmente não aconteceu com você. Entre outras coisas porque deve ser difícil construir um bolo gigante onde seja possível colocar uma stripper.

Talvez poderia ser construído apenas um bolo fictício, um grande suporte de papelão em forma de bolo, para que a stripper fosse lá depositada. Mas, convenhamos que não teria graça comer a stripper se você não puder comer o bolo. Ou vai me dizer que você não gosta de bolo?

Mas enfim, realmente existiram momentos na história da humanidade em que amigos resolveram fazer uma surpresa para outro, colocando uma stripper dentro do bolo. E foi isso o que um grupo de amigos resolveu fazer em 30 de agosto de 1997 na cidade de Cosenza na Calábria, Itália.

Na cidade de 180 mil habitantes, os amigos comemoravam o aniversário de 26 anos de Luigi Fachetto, provavelmente comendo uma pizza Calabresa. Acompanhado de um bom vinho tradicional da região. Talvez estivesse frio, talvez estivesse quente. Chegou a hora sempre superestimada dos parabéns e os amigos trouxeram o bolo.

Ao ver aquele bolo gigante, Luigi disse “oras, o que vocês colocaram dentro desse bolo!”. Ele falou isso gesticulando loucamente, assim como todos os italianos fazem. Os amigos disfarçaram com um sorriso maroto. Cantaram os Parabéns, e assim que as 26 velinhas foram apagadas sofregamente, todos disseram: “Sorpresa!”. E nada aconteceu.

Repetiram o grito novamente. E a surpresa novamente não aconteceu. É claro que a essa altura a surpresa já estava estragada e o amigo gay com roupas de lantejoula já lamentava esse fracasso. Chorava escandalosamente “è tutto l'errato!”. Alguns mais raivosos já queriam encher a stripper desatenta de porrada. Bateram na tampa do bolo. Mas nenhuma reação aconteceu.

Começaram a pensar então se por um acaso eles haviam esquecido de colocar a stripper lá dentro. Se eles haviam esquecido de pagar ela e ela fugiu. Se eles haviam esquecido de ir procurar uma stripper disposta a fazer o serviço.

Pensaram durante um tempo e resolveram abrir o bolo, para garantir que ela realmente não estava lá dentro. Abriram e a viram deitada no fundo “Sonno profondo di catsu!”. Balançaram ela e ela não acordou. Até que perceberam o fato: ela estava morta.

Gina Lalapola, cidadã napolitana morreu dentro de um bolo, sufocada. Ficou uma hora presa lá dentro.

Estragou assim o aniversário e a vida dos que tiveram a idéia. E também estragou a vida do menino que adorava bolo, que pretendia comer o bolo, mesmo o bolo já tendo sito um depósito de cadáver. Mas não deixaram e jogaram o bolo fora. Falaram que ele não poderia gostar tanto assim de bolo. E ele, em pé ao lado do bolo, disse “vocês não sabem o que eu já fiz por bolo”. E permaneceu em pé.

domingo, 25 de outubro de 2009

Grandes dúvidas que não têm explicação (8)

Alfaces decorativas

Foi esses dias que eu estava em um estabelecimento alimentício e ao receber uma porção de batatas fritas, a mesma veio com uma folha de alface em baixo. Aliás, o sanduíche veio com uma folha de alface embaixo. Não tenho certeza se os refrigerantes vieram apoiados em folhas de alface também.

E esse costume não é exclusividade de tal estabelecimento. Por mais que as alfaces decorativas não sejam tão intrigantes ao ponto de serem comparadas ao morango decorativo de Alto Caparaó, elas me intrigam assim mesmo.

Alguém poderá vir aqui e me dizer “você não pensou no que era óbvio, era um simples enfeite de sua refeição, que era comestível, ou seja, você poderia comê-lo”. Sim, isso é óbvio. Mas ao ver a tal alface decorativa, eu me posto como se fosse um cientista observando um objeto de estudo.

Bem, sobre a parte comestível. Eu duvido que alguém realmente vá comer uma alface dessas. Não imagino que alguém olhe aquela folha verde toda queimada pelo calor da batata e pense “vô mandá essa delicinha pra dentro, hehe”. Aliás, até imagino encontros de amigos e eles apostando “duvido que você é homem de comer essa alface”.

E quanto a parte decorativa, imaginem quantas folhas de alface não são jogadas foras diariamente apenas para servirem de decoração para bandejas de petiscos. Imaginem a decepção da folha quando ela é avisada “você vai ficar escorando batata frita, enquanto todas as outras folhas vão pra salada”. E quantas pessoas essas folhas não poderiam alimentar? Bem, talvez não muitas, já que alface não é a coisa que mais enche barriga nesse mundo.

E outra coisa é o ponto de vista estético. Eu não me sinto mais tentado a comer a porção de batata frita por ter uma folha de alface queimada em uma borda.

Alfaces poderiam ser usadas, talvez, para decorar ambientes. Ramos de alface em cima de mesas. A noiva jogando um buquê de alfaces para trás. Folhas de alfaces grudadas nas paredes. Restaurantes futuristas cuja arquitetura foi baseada em uma alface. Pés de alface como brindes de jantares de gala.

E o mundo então seria um pé de alface.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

This is War

O War é um jogo de tabuleiro que promove a integração entre as pessoas. Eu nunca joguei, e sei que isso pode parecer assustador. Mas eu digo também que só joguei banco imobiliário duas vezes.

O jogo de War pode trazer algumas situações constrangedoras. Há o famoso caso que aconteceu com um membro desse blog (que vocês sabem, não sou eu) que estava jogando com alguns amigos. Todos foram na cozinha e quando voltaram havia um tolete em cima do tabuleiro. O que, é claro, é uma sacanagem para/com a diversão dos outros. Além de ser uma imundice. O jogo não prosseguiu.

Vários incidentes diplomáticos já foram causados quando chefes de Estado resolvem brincar com o jogo. Empolgados eles dizem “vou invadir a União Soviética!”. A frase e o contexto vão sendo mudados lentamente, através do famoso processo de telefone sem fio e quando a informação chega à União Soviética, a guerra está de declarada. A sorte de todos é que ela não existe mais.

Mas, de fato, chefes de Estado e políticos governantes em geral gostam do jogo de estratégia. Eles imaginam o território do seu país como se fosse um grande tabuleiro. Vocês sabem porque a capital do Brasil mudou do Rio de Janeiro para Brasília? Porque o lugar onde Brasília fica é considerado mais estratégico. O Rio de Janeiro ficava a beira do mar e era mais vulnerável do que Brasília. Vulnerável a que? A possíveis ataques militares aéreos de outros países. Sim, parece meio estranho que alguém quisesse atacar o Brasil e que por isso fosse tão importante ir a Brasília.

Mas de fato, se alguém quiser atacar o Brasil, terá que fazer uma baita viagem por sobre o território brasileiro. Ou então terá que se contentar em explodir o Rio de Janeiro, enquanto os políticos estarão tranqüilos tomando uísque no centro do país.

O Brasil tem atualmente 5564 municípios. Mas até o fim dessa frase o de número 5565 poderá ter sido criado. Perto de 1/5 desses municípios fica no estado de Minas Gerais e boa parte desses não tem restaurantes bons.

Quase todos os municípios do Brasil têm uma localização estratégica. Foram ali posicionados porque um dia alguém olhando o mapa pensou “Sim. É aqui. Entre o Rio Codorna e o Monte das Oliveiras que vamos criar um novo município. Criar dezenas de cargos públicos e empregar meus parentes”.

Por isso, não ache estranho quando você encontrar um município no meio do nada e que aparentemente é inútil. Ele está lá cumprindo uma função cívica no nosso país. Que é a de estar ocupando um lugar estratégico entre rios e morros. Impedindo assim que a tropa Soviética, o exército Nazista ou os Incas Venusianos incomodem a paz reinante no território brasileiro.

Fique de pé e cante o hino nacional, agora.

O tema desse post foi uma sugestão de Adérito Schneider (nota: pronuncia-se: Adérito Schneider). Envie sua sugestão de matéria para o nosso e-mail, ou nos siga através do Twitter. Em Cuiabá neste momento o céu está parcialmente nublado e a temperatura é de 29,6 graus Celsius.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Apelido

Foi um tempo atrás. Veio a notícia que durante uma ação policial em uma favela, um dos chefes do tráfico na região foi morto. Um homem cruel e sanguinário chamado: Geléia.

Eu não sei vocês, mas eu não ficaria intimidado diante de um homem com esse apelido. Ou melhor, acharia até humilhante ser morto por um cara chamado assim. Imagine você, se você tivesse cometido alguma besteira no morro.
- Qualé Mané, agora tu vai vê neguim, tu vai morrer. Geléia vai caba coce!
- Geléia? Pfffffff.
Seria muito mais digno se você fosse morto por um cara chamado Marcelo Três Coco, Roberto Ranca-Olho ou Toninho do Diabo.

Um apelido pode trazer respeito ou indiferença a sua vida. Imagine se Bill Gates fosse se apresentar em suas reuniões de negócio.
- Olá, meu nome é Bill Gates. Mas pode me chamar de Cuequinha.
Sim, ele não teria ganho nem mil dólares.

De vez em quando no canal Sportv passam algumas propagandas sobre a Luta Livre. Aquele esporte nefasto no qual homens de sunga se agarram e se espancam no chão. E os lutadores são anunciados. Rodrigo Minotauro, Brutamonte, Felipe Shogun e... William Parrudinho. O Parrudinho já entra pra luta com uma clara desvantagem. Ele já entra desmoralizado. É até possível imaginar o momento em que esse apelido surgiu. O William devia estar malhando na academia quando um amigo passou.
- Ae William tá malhando heim... ah... tá parrudinho rapá!
Todos começaram a rir e a chamar ele de parrudinho.

Qual é a respeitabilidade que alguém chamado Xereca? Um pai deixaria sua filha namorar um cara chamado Xereca? Ou ainda um cara com apelido de bebida alcoólica?
- Pai esse é o meu namorado. O Xoxota.
- Que, como, quando, onde? – engasga e enfarta.

É como o caso de um amigo meu, que certa vez eu vi ligando para um outro amigo.
- Ae Ursão, aqui é o Mãozinha, vai ver o jogo aonde?
Qual é o peso de ter um filho apelidado de Mãozinha? Sendo que ele nem era maneta, ou tinha a mão atrofiada.

Por outro lado, um apelido pode te trazer muita respeitabilidade. Quem iria mexer com um cara cujo apelido é Caveira? Ou, Cemitério? Franky Quatro Dedos? Eu é que não.
- Cara, você mexeu com a namorada do Caveira. Sabe porque esse é o apelido dele?
- Não, porquê?
- Ele tem um esqueleto completo só com as vitimas dele. Um osso por vítima.

Normalmente alguém lhe dá um apelido. Existem pessoas que são especialistas em apelidar os outros. Pessoas que apenas batem o olho em alguém e dizem “Manteiga. Teu apelido é manteiga” e o apelido pega. Nada é pior do que um apelido frustrado.

Frustradas costumam a ser as tentativas de se auto-apelidar.
- Oi, meu nome é Antônio mas todo mundo me chama de Júpiter.
- Júpiter... nada haver.
- Mas eu gosto que me chamem de Júpiter.
- Nada haver Boizinho.
- Boizinho?
- Sim, você tem cara de boizinho.
O Antônio sem dúvida vai colocar no MSN e até fazer um e-mail júpiter@hotmail.com na vã tentativa de que todos o chamem assim, mas isso jamais vai acontecer.

Carlinhos diz:
- Fala Boizinho!
Júpiter diz:
- ¬ ¬

E você... você tem cara de Lamparina!

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Analisando Sandy & Júnior

Sandy e Júnior tinham sete e seis anos respectivamente. Eram filhos do Chitãozinho, ou seria do Xororó? Ou ainda, seriam eles filhos dos dois? Enfim, eles iam cantar no programa do Faustão e todo mundo achava bonitinho aquelas duas criancinhas cantando aquelas músicas bobinhas.

Bobinhas? Nem pensar. Eram músicas absurdas para crianças de sete anos. Exagero? Nem tanto. O CH3 analisa a letra de duas delas, as duas mais famosas.

Aniversário do Tatu
A música começa com um verso simples. “Todo mundo no aniversário do Tatu”. Simples se não fosse a pronúncia. Procurem no youtube e percebam que eles cantam “todo mundo nu... aniversário do Tatu”. Ou seja, era uma festa do cabide.

E um verdadeiro bacanal animal. Situações como “o camaleão quer namorar a onça” e a onça dançou no primeiro beijo, que o tamanduá abraçou o pavão e que o macaco sentou na formiga. Além de ter bolo espalhado no chão. Uma situação sórdida, que teve que ser interrompida pela polícia. Porque a polícia interromperia uma festa inocente? Pois é. Provavelmente os vizinhos denunciaram a suruba. E crianças de sete anos cantavam essa situação sórdida.

Maria Chiquinha
Essa música é um verdadeiro absurdo. Blasfêmia!

A letra descreve uma situação de relação extraconjugal. E que envolve sexo selvagem. Maria Chiquinha foi pro mato com um homem, e tentava explicar ao Genaro (por céus, quem se chama Genaro?) que não era um homem e sim uma mulher. E que elas comiam Jamelão.

Jamelão por sua vez era um famoso intérprete de samba da Mangueira. E teve uma possível situação de sodomização exposta humilhantemente nessa letra.

Já o Genaro era um ciumento doente possessivo. O que ele faz? Mata Maria Chiquinha de maneira hedionda. Um crime hediondo. Ele corta a cabeça da mulher. Ele poderia ter dado um tiro, mas preferiu agir dessa maneira, como se fosse nos tempos da revolução francesa.

E como se a situação já não fosse terrível, ainda há um caso de necrofilia. Visto que Genaro respondendo o questionamento de Maria Chiquinha, sobre o que ele faria com o resto do seu corpo, sem a cabeça, Genaro anuncia com um ar malicioso que irá aproveitar! Ou seja, fará sexo com um corpo sem cabeça.

Traição, sexo selvagem, sodomia, crime hediondo e necrofilia. Tudo isso cantado por crianças de seis ou sete anos. Idade na qual você ainda andava de bicicleta. Por tudo isso, posso concluir que Sandy & Júnior são os quatro cavaleiros do apocalipse. E que por isso eles mereceram a humilhação imposta por Silvio Santos naquela famosa pegadinha do Topa Tudo por Dinheiro.

sábado, 17 de outubro de 2009

O mundo perdido

Existem textos e textos no CH3. Temos aqueles que são escritos em poucas horas, às vezes em poucos minutos. E temos aqueles que podem demorar anos. Não que eles sejam trabalhados diariamente durantes anos. É que muitas vezes esses textos ficam perdidos num arquivo de Word até o momento em que uma inspiração maior os faça progredir. É o caso do texto sobre os ditos populares frustrados, que demorou mais de 3 anos entre sua concepção e sua evolução final.

O CH3 revela agora muitos desses textos perdidos, que podem ficar eternamente esquecidos ou quem sabe, serem postados depois de amanhã.

Um dos textos mais antigos é o sobre cantadas infalíveis. É um assunto bem clichê é que provavelmente muitas pessoas já fizeram melhor.

“A abordagem homem/mulher é sempre complicada. É um processo que requer estudos, cálculos matemáticos, pesquisas de campo e leituras filosóficas. E pode dar tudo errado”.

Tenho também textos sobre:
- Grandes Nomes da História (Rooney) (os vários Rooneys que se fundem em apenas um)
- A máfia das bandejas (a polêmica das bandejas marcadas do Shopping Pantanal)
- Sobre dirigir um carro velho é pequeno (ninguém respeita você no trânsito, quando você está em um Gurgel)
- Foco Errado (pessoas que dão notícias com o foco errado)
- Humilhação e constrangimento (Aqueles que humilham e os que são humilhados)
- O Seu Cérebro (e suas várias partes)
- A terceira parte da trilogia sobre Zé Gotinha.
- Lo Portuñol
- Funcionário do Mês (todo o humor contido nessas fotos)
- A Arte de falar sério sobre coisas tolas
- Genética é uma merda (você só herda coisas ruins)
- Datas que não pegam (quem se lembra do dia da avó?)
- Comparações (pessoas que tem mania de fazer comparações o tempo todo)
- Guia CH3: Como se Livrar de vendedores
- Underground (matéria especial)
- Grandes dúvidas (porque o material escolar some?)
- Livros para não gostar de ler (Editora CH3)
- Pena de Morte
- Terrorismo (não lembro o que eu pretendia com esses dois posts)
- Hinos (que você decora sem saber o que significam)
- Tem no Youtube? (pergunta freqüente)
- Guia CH3: Como ser demitido do seu emprego
- Coisas que saíram de moda (agenda eletrônica e capa de celular)
- Fale Agora ou case-se para sempre (especial sobre o casamento)
- Os bastidores do caso Nelsinho Piquet
- A vida segundo Galvão Bueno
- Concurso Público (porque o homem nasce, cresce, estuda pra passar em concursos e morre)

Bem, o que eu queria com esse post?
1) Elencar minhas idéias perdidas.
2) Pensei que talvez postando esses assuntos, eu poderia voltar a refletir e desenvolver eles.
3) Publicar o vídeo abaixo.

Esse vídeo faz parte do mundo perdido. Sua concepção demorou mais de 6 meses. Trabalhei no texto, nas idéias sobre as imagens, na trilha. Mas nunca ficaria bom o suficiente. Porque a idéia não era assim tão boa (como as idéias acima podem não boas também). Resolvi finalizar logo de qualquer jeito, e me livrar de uma idéia que jamais seria concluída. O resultado é esse. Com um texto fraco e sem graça e a trilha sonora fora do contexto.


quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Personagens clássicos

Durante sua vida você provavelmente conheceu algum desses.

Escola
O cara de boné para trás: Era uma figura mística que sentava no fundo da sala com seu boné virado para trás. Em alguns momentos ele possivelmente babava. Pelo menos cinco vezes durante o dia, algum professor pedia para que ele retirasse o boné. Sempre era um momento de provocação quando alguém pegava o boné dele e começava a jogar de um lado para o outro da sala.

O cara que chamava todo mundo de viado: Viado para ele poderia ser tanto uma palavra ofensiva quanto carinhosa. Ele te chamaria de viado se você pisasse no pé dele, ou se estivesse te pedindo cola. Vinte anos depois de formado ele provavelmente ainda te chamaria de viado se te encontrasse na rua. É possível que ele chame o seu próprio filho assim.

A menina mais bonita da turma: A musa das pequenas enquetes, com a qual todos ficavam vermelhos ao conversar. Emprestar uma caneta para ela era motivo de orgulho. E a possibilidade que ela soubesse dessa admiração era motivo de terror.

O futuro gay: Quando você estava na terceira série esse rapaz era motivo de humilhação e era apelidado de “Bofe”, “Sarita”, “Vera Verão”. Anos depois você encontra ele e percebe que ele realmente é gay. Você fica com peso na consciência, por sua maldade inconseqüente no passado.

O bobão reprovado: Já era reprovado três vezes e por isso era muito mais alto que o resto da turma. Quando todos descobriam a masturbação, ele já ia no puteiro. Quando todos começavam a fazer a barba, ele já tinha filhos. Ria de tudo e era amigo dos professores, de tanto tempo em que eles já se conheciam. Se bobear ele tinha estudado com um deles.

O cara que comia merda: Sempre uma figura detestável e que vivia isolada dos outros.

Bairro
Vizinha evangélica: Aquela que nos sábados de manhã lavava a casa escutando aos berros as músicas de louvação.

O Bêbado do fim da rua: Figura simpática, que morava no fim da rua, lugar praticamente inabitado e inóspito. Sempre era cumprimentado pelos outros vizinhos. Morreu sem dar notícias.

Vizinha escandalosa: Chamava o filho aos gritos. Brigava com o marido de maneira que toda a vizinhança pudesse escutar. Costuma a ter cachorros pincher que latem quando você espirra.

Os vizinhos da casa misteriosa: Nunca saiam de casa. Eram poucas vezes vistos. Se você cumprimentasse o filho da casa ele sairia correndo. Um dia eles se mudariam, sem que ninguém percebesse.

Drogado da rua do lado: O famoso drogado da rua do lado que servia de exemplo para que você não entrasse no mundo das drogas. Engravidou uma menina de 14 anos, destruiu a vida da família e cometeu suicídio aos 21 anos escutando um disco do Nirvana.

Aprendiz de guitarrista: Aquele vizinho que passava horas do domingo tentando acertar o riff de Come as You Are. Ele nunca conseguia.

Louquinho de bairro: Figura já mencionada por aqui. Aquele ser bizarro que se vestia de maneira esquisita, que tinha hábitos estranhos como: contar canudinhos, falar com passarinhos, ou fazer previsões sobre o futuro. Vivia no bar a procura de um ombro embriagado que pudesse escutar suas histórias e sua mãe te alertava para não falar com ele e sequer olhar em seus olhos. Normalmente era irmão de algum político, ou de alguma família rica que tinha vergonha dele e o sustentava à distância.

Faculdade
Participante do movimento estudantil: Fazia discursos solitários no saguão. Apresentava anualmente sua chapa para o DCE, sempre com as mesmas propostas. Criticava a apatia dos outros por... suas notas baixas.

Homossexual com roupas de lantejoula: Figura controversa e enrustida que tinha hábitos estranhos e falsas amizades com todos.

Guardinha Tarado: Guarda que vivia no maior apuro e era capaz de fazer comentários maliciosos sobre um maracujá. Mesmo que esse maracujá tivesse pernas, usasse mini-saia e trabalhasse no bloco do lado.

Tiozinho da Xerox: Figura amistosa, que tinha certa eficiência em seu trabalho. Conquistava os clientes com a conversa e balas de menta.

Lerdinha da Xerox: Pessoa que te fez perder muitas horas na fila. Ela não conseguia achar os papéis, não conseguia mexer na máquina, fazia o trabalho lentamente e ainda tinha dificuldades em fazer as contas sobre os valores.

Ainda existiriam muitos outros, e em vários outros lugares. Mas isso tornaria o post ainda mais extenso.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

A era do fake

Alguém te passa um vídeo do Youtube. Você assiste e acha engraçado e vai ver o que outras pessoas comentaram sobre o vídeo. Certamente você encontrará alguém dizendo “Fake.”. E várias outras pessoas discutindo se aquele vídeo é verdadeiro ou não.

Você entra em um blog que conta com Tolices do Orkut. Morre de rir com a besteira alheia dita por algum incluído digital. Vai ver os comentários e lá está – alguém dizendo que aquilo é fake.

Não importa o quão engraçado possa ser o material. O que importa é discutir se é fake ou não. E por vezes, não importa o quão óbvio seja que o vídeo em questão realmente seja fake. Vejam esse vídeo abaixo.




Engraçado não? Então, ele é fake. Foi todo gravado em estúdio. As pessoas que participam dele são todos atores profissionais contratados. Nada disso é real. Essa entrevista de emprego jamais aconteceu e o endereço mencionado no final não existe. Sim, lamento ter acabado com seus sonhos e falsas ilusões. Mas todos os filmes que você já assistiu, com a possível exceção de alguns documentários, são fakes, eles não são de verdade.

Não existe um ser humano que ao ser picado por uma aranha adquiriu os seus poderes. Os extraterrestres não invadiram os EUA no dia da Independência e a novela Caminho das Índias foi toda filmada em um estúdio no Rio de Janeiro. Sim, os cenários eram fakes.

E a única pergunta que fica é: afinal, o que importa? Você vai perder sua vida refletindo se algo engraçado é fake ou não?

Os fakes já dominam o mundo. E agora falo dos perfis fakes do Orkut. Todo mundo tem um. E eles são moderadores de comunidades, as pessoas mais engraçadas e prováveis formadores de opinião. Ser um fake é muito melhor do que ser você mesmo.

O mesmo acontece no Twitter. Os perfis fakes de personalidades muitas vezes são mais interessantes do que as pessoas verdadeiras. Vitor Fasano deve ter se tornado uma pessoa mais popular por conta do seu fake. Que aliás, é obviamente um fake também, mas muitas pessoas devem olhar esse perfil e apontar impiedosamente: fake.

Quem diz fake, provavelmente se sente um justiceiro. Alguém que no meio de um mar de cegos e inocentes, é uma ilha de discernimento, o único capaz de enxergar o que é verdadeiro e o que é falso. Alguém que sem remorsos é capaz de olhar para algo, analisar e apontar: fake! E assim acabar com os sonhos da resto da humanidade miserável que acredita em qualquer coisa. Aqueles que dizem fake são um lastro de sapiência.

Sim, senhoras e senhores. Vivemos a era do fake. E é bom que aqueles que dizem fake a aproveitam logo, porque em breve eles serão substituídos e perderão seu lugar de bastiões da moralidade para aqueles que dizem fail. Aliás, acho que isso já está acontecendo.

domingo, 11 de outubro de 2009

Conversando com robôs

Não, não falo de ir no site da Petrobras conversar com o robozinho Ed.


Nos tempos atuais nós vivemos conversando com robôs. Não que nós conversamos com eles. Mas ele falam conosco. E não cabe aqui nenhum tipo de teoria conspiratória, na qual uma ordem superior de robôs habita o planeta terra e convive amistosamente com os humanos, na expectativa de um dia subjugar toda a nossa raça.

Os robôs falam conosco quando nós pegamos o ticket do estacionamento. As vezes estamos estressados.
- Aperte o botão para...
- Já sei, sua piranha.
- Retire o ticket no local ind...
- Cala a boca!
- Entrada li...
O carro já arrancou.

Um dia talvez a maquininha do ticket poderia se vingar.

- Aperte o botão para...
- Já sei sua piranha,
- Não fale assim comigo, escroto. Não vou te dar porra nenhuma de ticket. Vou enguiçar aqui e você vai ter que voltar de ré na rampa, otário, ahah.

Mas é verdade que essa máquinas já se vingam de nós, quando elas fazem o papel de menu eletrônico dos sistemas de atendimento por telefone dos bancos. As frases ditas monocordiamente são impossíveis de entender.

- Olá bem vindo ao Banco Cascatinha para falar com um de nossos atendentes tecle zero para serviços referentes ao cartão de crédito tecle um para desbloqueio de talões de cheque tecle dois para transferências tecle três para abertura de contas tecle quatro para empréstimos tecle cinco para contratar um de nossos serviços adicionais tecle seis para escutar uma mensagem motivacional tecle sete para outras informações tecle oito e para escutar esse menu novamente tecle nove.

Você tecla o zero na expectativa de falar logo com um atendente e se livrar dessa máquina maluca.

- Para consultas referentes ao seu extrato bancário tecle zero para informações sobre outros produtos tecle um se você não sabe o que quer fazer aqui tecle dois e aguarde na linha.

Com o tempo as frases vão ficando mais difíceis ainda de entender.

- Pa ra se be sun tar com a voz se xy de u ma de nos sas a ten den tes te cle ze ro pa ra es cu tar um com to e ró ti co te cle um

Há também o caso dos sistemas que pedem para que você confirme o que você disse. Do tipo:
- Diga o seu destino pau-sa-da-men-te.
- Rua Estevão de Mendonça.
- Você quis dizer Rua Estevão de Mendonça. Diga sim caso a informação seja verdadeira.
- Sim.
- Você disse Sim.
- Sim.

Sim.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Dossiê CH3: A polêmica do Activia

Antigamente, muito antigamente as pessoas não iam ao banheiro. Porque os banheiros não existiam, e talvez o eufemismo para cagar utilizado pelos homens da caverna fosse algo como “Uga buga cabuga” ou “vou ali no matinho”. Ir passar um fax, quebrar o paradigma e coisas parecidas também não faziam parte do vocabulário das cavernas.

Talvez a evolução do ser humano tenha dificultado a questão de ir ao banheiro. A prisão de ventre parece que se tornou algo genético, uma maldição levada de geração a geração. Conseguir se aliviar com regularidade e sem sofrimento parece ser um objetivo de vida. Defecar virou um dos momentos máximos de uma vida, um prazer tão único que as crianças preferem o fazer na casa do Pedrinho, porque lá tem o spray cheirosinho. Sem spray cheirosinho esse momento sublime (provável marca de papel higiênico) não será tão bom.

E é nesse mundo que surgem as propagandas que estimulam o consumo de papel higiênico. Existe a propaganda do Lacto Purga, menos comentada e menos assistida, mas que mostram pessoas gargalhando ao sair do banheiro por terem usado Lacto Purga. Sim, esse remédio é um laxante. E laxantes tem efeitos devastadores. Mas as pessoas gargalham, como se laxante fosse Prozac.

E é claro, temos as propagandas do Activia. A primeira vez que eu vi uma propaganda desse iogurte, fiquei parado por alguns segundos olhando aquilo. E tentando acreditar que eu realmente havia visto aquilo. No mundo que eu conheço, uma propaganda com esse conteúdo e linguagem só teria espaço nos comerciais da CH3 TV.

Mulheres falando abertamente sobre sua freqüência no banheiro. Utilizando roupas largas e brancas, na beira de um lago, demonstrando a leveza. A insustentável leveza do ser, após cagar.

Veio o desafio Activia, algo como “cague ou tenha seu dinheiro de volta”. E a sensacional propaganda do casal que poderia ter o slogan de “casal feliz defeca unido”. Esse comercial tem a sensacional cena em que o marido faz cara de quem tinha que fazer força no vaso. E tudo isso passava no intervalo do Jornal Hoje, entre uma e outra piada da Sandra e do Evaristo sobre uso de produtos de beleza.

E ah, além de forçar sua ida ao banheiro, o iogurte ainda era capaz de transformar seu acumulo de gordura em uma barriga definida, automaticamente.

O produto fez sucesso. O que me fez perceber que a realidade do mundo realmente é cruel e existem milhares de pessoas com prisão de ventre clamando pela liberdade. Uma vez vi um homem no supermercado comprando 2kg de carne, 10 potes de Activia, pão e 16 rolos de papel higiênico. Provavelmente seria um dia movimentado.

Pois bem. Só que nem tudo são flores. Grupos naturalistas que pregam uma alimentação a base de fibras e culpam o pão branco pelos males do mundo questionam o produto. Dizem que as bactérias reguladoras anunciadas na propaganda são bactérias encontradas apenas nas fezes de grandes animais. O que, assim, para os indianos seria normal, se as fezes forem de vacas. Enfim. Basicamente é um iogurte de merda, sem qualquer juízo de valor.

Algumas pessoas dizem que fizeram o tal desafio e quase morreram. Foram internadas, isoladas debaixo de metros de concreto e de chumbo e receberam a extrema-unção. Afinal, qual é a verdade disso tudo? Não sei.

Para tirar qualquer dúvida, colocamos a equipe CH3 para fazer o desafio. Pai Jorginho de Ogum, Marcão, Hanz e o Cão Leproso foram se entupir de iogurte. Passada uma semana, perguntei-os como eles estavam. Eles disseram que estavam normais, iam ao banheiro todo dia. Quer dizer que funciona, perguntei. Responderam-me que não sabem, porque eles já faziam isso todo dia, normalmente.


Pois é, eu deveria ter escolhido melhores os voluntários. Mas como é que eu poderia escolher? Deveria ter saído as ruas perguntando "oi, com que frequência você caga?". Bem, de fato nossa pesquisa não havia chegado a ponto nenhum. Ou melhor, até tinha.

- Na verdade num to bem não, dotô – me revelou Marcão. Perguntei o porque. Ao que ele me respondeu.

- Esse negóci é ruim pa caraí. – os outros assentiram com a cabeça – próxima vez traiz um di morango ou chocolate.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

A ética das pequenas coisas

O mundo é cheio de convenções acertadas e estabelecidas em papeis timbrados e lavrados em cartórios. O comportamento humano também. Somos criados de acordo com certo guia de comportamentos, uma ética que nos impede e nos desencoraja de sair pelado nas ruas. De esfregar comida pelo corpo, ou de perguntar a uma pessoa qual é a idade dela.

Mas existe a ética comportamental das pequenas coisas. Coisas tão insignificantes no nosso cotidiano, que nem pensamos ou nem sabemos o porquê nos comportamos dessa maneira.

Sentar em bancos de shoppings ou de outros lugares públicos (por mais que sentar em banco de praça seja coisa de cidade pequena. Numa cidade grande as praças já estarão ocupadas por fezes pombais, hippies vendedores de pulseiras e louquinhos de bairro que cheiram cola) por exemplo.

Você não senta em qualquer banco no shopping, quando você está a esperar alguém fazendo compras. Claro, você dá preferência a algum banco perto do lugar onde essa pessoa esteja. Mas você tem que observar uma série de fatores. Ou melhor, um fator em especial. Se este banco está ocupado ou não.

Se uma pessoa estiver sentada no banco você não irá sentar nele. Não importa. Não falamos nem em sentar ao lado dessa pessoa – o que seria permitido pela lei, mas alguém poderia considerar um atentado ao pudor – e sim de se sentar do lado oposto da pessoa. É provável que a outra pessoa saísse do banco te olhando com um ar desagradável. Ou então os dois permaneceriam calados, tentando ao máximo não invadir a privacidade do outro.

Se você se sentar em um banco onde outras duas pessoas estão sentadas, isso soará como se você fosse um bisbilhoteiro. Se você chegar com outra pessoa em um banco onde uma pessoa está, é um claro sinal de que essa pessoa está sendo expulsa. Se duas pessoas chegarem num banco onde duas pessoas estão sentadas, não há solução. É briga.

Outra situação, presente apenas na vida dos homens (assim eu imagino) é a ida ao banheiro e a decisão por qual mictório usar. Não é fácil. Nos poucos segundos entre a caminhada da porta ao mictório, é preciso calcular a posição mais distante de qualquer outro homem. E também imaginar pelo estereótipo quais são aqueles do qual é preciso manter distância, para evitar constrangimentos.

No entanto, existem aquelas situações para as quais nenhum ser humano está preparado. Aquelas para as quais não há uma convenção ou uma solução rápida.

Falo é claro, do momento em que se dá de cara com outra pessoa no meio do caminho. Vocês param, você faz que vai pra direita e a pessoa também. Ambos então ao mesmo tempo resolvem ir para a esquerda. E poderiam ficar nessa dança durante o resto da eternidade. Talvez fosse o momento de ter uma decisão madura e conversar “é o seguinte, eu vou por esse lado e você vai para o outro e a gente resolve o problema”. Mas é difícil. Essa é uma situação na qual o ser humano encara os seus mais profundos medos.

Por isso, o CH3 chama a atenção. É preciso que as autoridades dos países e a ONU tomem uma atitudes com relação a essa situação que há séculos aflige a humanidade. É preciso que nossas crianças sejam ensinadas desde a mais tenra infância a saber o que fazer nesse momento. Sugerimos algo simples como “nessa hora, cada um tem que sair para a sua direita”. Chega de sofrimento.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Gressana Way of Life

Hoje é aniversário do Vinícius. Apesar de ser um pouco baixo, ele é uma grande pessoa. Dois anos atrás quando ele fez aniversário (por uma incrível coincidência, as pessoas sempre fazem aniversário no mesmo dia do ano) publiquei uma Xerox de faculdade, intitulada Gressana Way of Life. Como forma de homenagem ao homem que escreveu sobre o fetiche por balões, eu, aqui representando o CH3, publico uma versão resumida dessa obra. Se alguém se interessasse, até poderia publicar as 15 páginas originais.


Introdução

Por séculos a mídia divulgou dezenas de estudos relacionados aos mais perigosos acertos temáticos. Seja lá o que isso signifique. Mas eu pelo menos sempre achei que a introdução de qualquer coisa, seja um livro, uma monografia ou uma relação sexual, deveria começar com essa frase, apenas para causar mais impacto. Posso até ver agora o quão impactado estão os leitores com essa leitura.
Dito isso irei agora explicitar os motivos e temas da obra a seguir apresentada. O tema é Vinícius Gressana, sua obra sua vida e suas inúmeras esquisitices. Não necessariamente nessa ordem. E não nessa ênfase.
Digo apenas que recomendo aos leitores desse texto que o façam sentados ou deitados. Também é recomendada a não ingestão desse material, a não introdução desse material no ânus, e também que não se mergulhe isso na água. Muito menos ainda que se realize teste com ácidos.

Parte 1: O Gressana, esse estranho
Uma biografia não autorizada Resumidamente posso dizer que Vinicius nasceu, cresceu (não muito) e ainda não se reproduziu (pelo menos não que se tenha notícias) e tão pouco está morto. Nisso ele se equipara a qualquer um desses seres que aparecem nos livros de biologia. No colégio, seus amigos eram aqueles velhos estereótipos de sempre. O cara que usava boné, o cara que xingava todo mundo de viado, o cara que comia merda e também o cara que fazia sexo com coelhos. Participava de festas em que as pessoas cagavam nos cantos dos quartos.
Vinícius se tornou popularmente famoso graças à internet. Chegou até a ser o capitão do time de futebol americano e namorar a líder de torcida. Ele é estrela de quatro filmes na internet, algumas produções menores. Uma vez que existe o vídeo do homem celular, um vídeo extraordinário. Fantástico. Fodido. Católicos e protestantes, judeus e muçulmanos, todos pararam e se abraçaram para assistir essa cena.

Parte 2: Os aspectos do Gressana’s Way of Life

I - A interminável besuntação do ser

"Besuntara-se com o chantilly próximo, como se não houvesse chantilly amanhã. Infelizes os que não se besuntam, pois nunca conhecerão a felicidade
plena”.

Para quem não sabe, besuntar-se consiste no ato de untar-se que é o mesmo que lambuzar-se, só que de maneira muito mais erótica.

II - A intrínseca relação com os escafandros
“Usará escafandro sempre. Não importando o clima, a situação. Usará pois esse é o traje sagrado que lhe foi destinado”.

III - Patos e Ornitorrincos, muito além de uma paixão
“Louvará patos e ornitorrincos sempre. Alisará vossos bicos e guardará suas penas, nadará com eles e os protegerá do Flamengo”.

Qualquer pessoa pode olhar um pato e logo pensar “grande merda” ou ainda “daria uma bela feijoada”. Mas na verdade tem uma admiração velada, escondida e amarga por esses animais.
IIII - Podolatria: O mundo a seu alcance
“Se te derem um chute, peça para ser chutado com o outro pé também. Nunca despreze qualquer oportunidade de contato”.

V - O sagrado liquido pingado
“Tomaras pingado todos os dias. Tomai todos e bebei. Esta é a caneca do liquido sagrado”.

IVX - Olhai as batatas dos campos
“Comerá batatas, louvará batatas, esfregará purê de batata pelo corpo, sempre”.
Até uma segunda ordem as batatas são vegetais.
VII - A questão do nudismo e do seminudismo
“Andarás nu. Só conhecerá a felicidade se sentir o vento nas bolas. Tomaras banho seminu, só com meias”.

IIX - O papibaquigráfo e a Guatemala
“Papibaquigrafarás os papibaquigráfos, pois os papibaquigrafinhos foram bem papibaquigrafados”.

VIIII - A relação de Vinícius com o Acre

Absolutamente nenhuma.

VV - Reflexões sobre o comunismo
“Comunistas fedem. E não comem criancinhas. Na verdade, eles dão para as criancinhas, pois também são homossexuais".

VIV - Anões são amigos, e não comidas
“Criarás um anão. Como se fosse o seu animal de estimação”.
IIIIIIIIIIII - Toba, simplesmente toba
“Mais vale um toba na mão, do que dois voando”

sábado, 3 de outubro de 2009

Como serão as Olimpíadas no Brasil?

Logo depois que o Brasil foi anunciado como sede da Copa do Mundo de 2014, o CH3 mostrou como será a competição no Brasil. Com as Olimpíadas não poderia ser diferente. Ainda mais porque o CH3 é um blog especialista na competição. Lideramos pesquisas no Google e influenciamos dezenas de trabalhos escolares Brasil afora.

Primeiro é preciso dizer duas coisas:

1) As Olimpíadas no Brasil farão muito bem a uma parcela da população. Presidente do COB e políticos locais principalmente. O governador do Rio chorou mais do que criança que apanhou. Ele deve estar realmente muito alegre. Ou muito triste porque não será o governador em 2016.

2) As principais promessas para os jogos são: despoluir a baia de Guanabara, a lagoa Rodrigo de Freitas, construir metrô e transformar o esporte brasileiro. Basicamente são as mesmas promessas feitas para os jogos Pan Americanos de 2007. Daí pode se concluir sobre a competência dos organizadores.

A população está em festa. O que eles comemoram? Não sei. Não sei se no momento do anúncio eles se abraçaram gritando “metrô! Metrô!” ou se urravam “aha-uhu o saneamento básico é nosso”, ou então se eles vibram pensando que Michael Phelps, Michael Jordan e, porque não, Michael Jackson virão participar dos jogos. “Que festa! Que festa!”.

Em 2016.

Obras
Serão todas superfaturadas, como qualquer obra é superfaturada no Brasil. Com a contemporaneidade dos jogos com a Copa, vai ser tanto superfaturamento que seria preciso ter um jornal exclusivo para isso. No final todas as obras não estarão prontas. O mar vai continuar poluído e sei lá mais o que. Mas será dado um jeito de realizar.

Violência
Será copiada a idéia da Copa do Mundo. A violência no Rio de Janeiro vai estar controlada após a criação do bolsa-assalto, projeto social em que os cidadãos cadastrados recebem um valor de 80 reais mensais apenas para serem assaltados. Os assaltantes serão cadastrados e darão recibo do valor roubado, o que garante a imunidade daqueles que já foram assaltados durante um mês. Um acordo de paz será selado e os traficantes promoverão tiroteios apenas nas noites em que medalhas de ouro, sempre poucas, forem conquistadas pelo Brasil.

Os locais das competições
Serão construídos ginásios gigantescos e faraônicos. Completamente novos, sem aproveitar nada do que foi usado anteriormente. O Rio de Janeiro ficará assim com dois velódromos, duas arenas de Ginástica, dois campos de tiro, uma porrada de piscinas olímpicas. E claro, todas ficarão abandonas no fim da competição.

Os jogos em si
A abertura terá batucada do Olodum. O Brasil irá empolgar a torcida em todas as modalidades, até mesmo no tiro com arco. E irá ganhar algo como sete medalhas de ouro e 22 no total, o que será o seu maior desempenho olímpico da história. Os brasileiros irão vaiar os argentinos em qualquer competição. O Brasil terá que montar equipes de pólo e de outros esportes que você nem sabe que são disputados nas Olimpíadas. No final será tudo uma festa onde o povo brasileiro mostrou sua alegria. Depois nas paraolimpíadas é capaz do Brasil liderar o ranking de medalha, despertando na população aquele sentimento de “porra, os aleijados é que são bons!”. Carlos Arthur Nuzman irá entregar todas as medalhas de ouro para os brasileiros, mas ninguém o verá quando um brasileiro chegar em trigésimo nono.

Dinheiro
Os brasileiros não terão. Alguns ingressos terão que ser distribuídos, para que as arquibancadas estejam cheias durante as emocionantes finais do pólo, do beisebol (se ele for disputado) e da esgrima. Ou alguém vai pagar 100 reais pra ver um Romênia x Hungria na final do pólo aquático?

E o CH3?
Estará lá. Ou aqui. Ou em lugar nenhum. Dizem até que o mundo vai terminar em 2012, quem se importa.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Horóscopo Emo

*Agora com a libra incluída

Áries
Quando vi minha constelaçããããããão
Corteeeeeei meus pulsoooooooooos
Isso afetaaa minha emoçãããããããão
Choreeeeei com razãããããããããããão

Touro
Eu pensaaaaaaaaava em vocêêêêêê
Mas vênus foi te escondeeeeeeeeeer
A lágrima caiu dos meus olhoooooos
Não sei o que faaaazeeeeeeeeeeeer

Gêmeos
Você foi embooooooraaaaaaaaaa
Ainda não eeeeera horaaaaaaaaa
Nossas estrelas se batiaaaaaaam
Agora elas me maaquiaaaaaaaam

Câncer
Só meeeeee restaaaaaaa a solidããããããão
Me deixaaaaaaaram soooozinhoooooooooo
Meu planetaaaaaa eeera plutãããããããããão
Agora ele não existe, estou sozinhoooooo

Leão (versão screamo gutural)
Sei que um dia vocêêêêêêê vai encontraaaaaaaar
Alguém melhor paaaaaaaara vocêêêêêêêêêêêêêê
Alguém para quem o horóscopo vai contaaaaaaaar
Que teeeeeeenha ascendência em Júpiteeeeeeeer (JúpiteeeeeeeeeeeeeeEEEEEEEEEERRR!!!!)

Virgem
Tudo o que eu quis foi te aaaamaaaaaar
Mas você quis meeeeeeee deixaaaaaaar
Porque a lua retroagiu em eclipseeeeee
Isso me deixaaaaaaa tristeeeeeeeeeeee

Libra
Esta na época do seu aniversáááááááááriooooo
Época boa para sair do armáááááááááááárioooo
Até porqueeeeee láááá vive o Máááááriooooooo
E eleeeee éééé muitooo azaraaaaadooooooooo

Escorpião
Seu namorado é um idiotaaaaaaaaaaaa
Termineeeeeeeeeeee com eleeeeeeeee
Achei que vocêêêêêêê seriaaaaaaaaaaa
O que o horóscopo meeeeee diriaaaaaa

Sagitário
Não choreeeeeeeeeeeeeeeeeeeee
Porque eu já choro bastanteeeeee
Miguxo do coreeeeeeeeeeeeeeeee
A sorte esta na sua estanteeeeee

Capricórnio
Vocêêêêêêêê me deeeeeeeeixooooooou
Cortei meus pulsos na banheiraaaaaaaa
O queeeeeeeee me restooooouuuuuuuu?
Além de uma frieiraaaaaaaaa? (tudo bem isso não foi muito horoscopal)

Aquários
Diaaaaaaaaaaaaaas atráaaaaaaaaas
Eu pensaaaaaaaaava em vocêêêêêêê
Marte me dava um gáááááááááááááás
Agora só me restou a sorteeeeeeeeee
Mas emos não tem sorteeeeeeeeeee

Peixes
Sempre é muito azaaaaaaaaaaaaaaaaar
Ser do signo de peixeeeeeeeeeeeeeeees
É o horóscopo menos criativooooooooo
É difícil aaaaaaaaté de rimaaaaaaaaaaar
Mas rimas não são importaaaaaaaaaantes
Você não vai ganhar na loteriaaaaaaaaa


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