quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Breve voltaremos

"Sinto que a vida é dividida em horrível e miserável. São essas duas categorias. O horrível é, não sei, casos terminais, pessoas cegas, com deficiência. Não sei como eles conseguem viver. É incrível para mim. O miserável é todo o resto. Então você deveria ser grato por ser miserável, pois você tem muita, muita sorte de ser miserável". Woody Allen.

Desde que esse blog surgiu em 21 de junho de 2006, ele foi atualizado pelo menos duas vezes por mês sempre - exceção feita ao maldito mês de fevereiro de 2007, quando provavelmente a situação no planeta terra era tão desgraçante que apenas um post veio a luz e não aleatoriamente ele era sobre alienígenas.

Por pouco, por muito pouco mesmo, que este mês de novembro de 2016 não repetiu esta sinistra marca. Estamos a poucas horas do fim do mês e até agora a pouco jazia aqui no CH3 apenas um post, breve post, sobre a eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos da América.

Os tempos são difíceis, não? Muita desgraça o tempo todo, total falta de fé na humanidade pelas mais diversas razões, avião da Chapecoense, pessoas morrendo, destruição, políticos em Brasília, enfim, o horrível.

Em tempos assim, tem sido difícil arrumar inspiração para escrever. Para piorar, passo por talvez a pior crise criativa de minha vida e tem sido deveras difícil escrever qualquer coisa. Vocês não tem ideia da hora em que eu comecei a escrever três parágrafos acima. É, tá foda.

Mas, esse post é para avisar que em breve voltaremos. Novembro passou, a vida não vai melhorar - é verdade, criamos expectativas demais que as coisas vão melhorar, mas a lógica e a experiência nos mostram que, ao contrário, tudo sempre tende a piorar - mas estou organizando umas ideias e, passado esse luto pelo trágico acidente da Chapecoense, o CH3 vai voltar com aquela velha ladainha de sempre. Aguardem.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Trumps Modernos


Em nossas vidas nós iremos viver diversas tragédias, grandes ou pequenas. Danos físicos ou materiais, problemas emocionais, eventuais mortes de pessoas próximas. Eventos traumáticos que teremos dificuldade em superar.

No entanto, com o tempo aprendemos que mais difícil do que o exato momento em que a tragédia acontece, ou quando sabemos que ela aconteceu, o dia seguinte é o mais difícil de todos. Na hora dos acontecimentos a adrenalina sobe, tudo se embaralha e de certa forma seu cérebro é programado para que você se preserve e não se lembre em detalhes como é que tudo ocorreu.

No dia seguinte não. Depois de colocarmos a cabeça no travesseiro e passarmos uma noite em claro, rememorando tudo o que aconteceu, tentando achar explicações e culpados, eventualmente pegarmos no sono até a hora em que acordamos. Um momento confuso. Fixamos o teto, escutamos o silêncio e todos os barulhos possíveis. Atentos a todos os detalhes, talvez como uma prova de que ainda estamos vivos. Levantar da cama é o momento mais difícil. Para não ter que encarar que sua mulher te deixou, que seu cachorro morreu, seu time perdeu a final do campeonato ou que seu carro explodiu e você não tinha seguro. Poderíamos ficar na cama para sempre e esperar que o mundo se esquecesse da nossa existência. Não saberíamos de mais nada do mundo e nem ele de nós. Sem mais problemas.

The Day After é um desses muitos filmes situados em futuros distópicos, frutos da guerra fria. Lançado em 1983, a película narra o dia seguinte a deflagração do conflito nuclear entre EUA e URSS. O dia seguinte ao apocalipse, um tema perturbador para a população de então retratado em um filme cheio de explosões e efeitos especiais. Fez muito sucesso.

Estamos em 2016 e o mundo, ao que tudo indica, está longe de um conflito nuclear, com potência mundiais investindo cada vez mais na diplomacia. Há a ameaça do terrorismo, ditadores malucos espalhados em pequenos países, mas tudo parece estar na mais perfeita tranquilidade.

Ou não. Estamos no dia 09 de novembro de 2016, o dia seguinte a eleição de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos da América. O dia seguinte àquele em que foi confirmado que um cidadão com sérios distúrbios patológicos irá comandar a maior potência econômica e militar do mundo. Estamos naquele dia em que não queremos sair da cama, em que nosso cérebro se ocupa o tempo todo em tentar achar as causas e os culpados. Isso não devia ter acontecido, isso não podia acontecer. Mas aconteceu. Estamos naquele dia que cansamos de assistir nos filmes da ficção.

Amigos, o futuro distópico chegou.