terça-feira, 29 de março de 2016

Malhação do Judas


A Páscoa é mais uma daquelas datas que dificultam o cumprimento de metas por parte das pessoas que pretendem não estar na faixa de peso correspondente à obesidade mórbida. Tudo começa na sexta-feira, dita santa, em que sob o pretexto de que as chagas de Cristo podem aparecer em quem comer carne vermelha, as pessoas preparam elaborados pratos baseados em peixes com mais diversos acompanhamentos e os comem até sentir que mais uma garfada poderia promover um rompimento de órgãos internos.

O Gran Finale é no domingo, o da Páscoa, quando para comemorar o até hoje único caso conhecido de uma suposta ressurreição, as pessoas comem ovos de chocolate que seriam trazidos por um coelho. Não há dieta que aguenta a um regime de 4 mil calorias diárias e os dias seguintes são de muito peso na consciência, artérias entupidas e falta de disposição para qualquer leve exercício físico.

Muitas pessoas sofrem com esse excesso de ingestão de alimentos, mas entre essas pessoas nós certamente não podemos incluir uma: Judas Iscariotes. O apóstolo outsider, a ovelha negra da grande família cristã se prepara para a comilança da Páscoa com uma rotina de atividades físicas intensa, cujo ápice ocorre no sábado, o de Aleluia, quando as pessoas saem a rua para acompanhar a malhação do Judas.

A equipe do CH3 acompanhou a rotina do Judas ruim e traz aqui o exemplo para você, que quer ficar em forma depois da Páscoa ou em algum dia da sua vida.

Bitch, please
Iscariotes acorda e toma um café da manhã monstruoso. Dezesseis ovos, com casca e tudo – ricos em albumina, bons para o tônus muscular, ele afirma –, meio litro de shake de whey protein, quatro bananas e duas batatas doces. A combinação pode provocar náusea nos estômagos mais sensíveis, mas Judas afirma que esse é o café dos campeões. O costume de comer muito vem de longe, afirma. Nos tempos em que ele andava com Jesus, o filho do criador tinha o costume de multiplicar pães e peixes, fazendo a festa dos seus amigos. “Mas eu abandonei o pão, muito carboidrato, acumula muita gordura abdominal. O peixe eu ainda consumo, mas prefiro buscar outras fontes mais ricas em proteína”.

A alimentação não foi a única influência de Jesus na sua vida. O fato mais marcante da vida de Judas foi quando ele traiu a confiança do filho de Deus e o entregou para os soldados romanos pela quantia de 30 moedas de ouro. Jesus viria a ser fustigado, crucificado, voltou a viver e então finalmente ascendeu aos céus e virou símbolo máximo da religião mais popular do planeta. “Entrei em depressão, o sentimento de culpa bateu forte. Gastei todo o meu dinheiro com bebida, já que não tinha mais quem transformasse a água em vinho”.

O exercício, conta, foi uma forma de ocupar a mente e afastar os pensamentos ruins. “Se você ficar parado, não tem jeito. A mente vai longe, começa a imaginar bobeira, começa a pensar no que não deve e então, it’s a long way down. Malhando, eu mantenho a concentração, mantenho o foco. É como diz aquele ditado: Fé, Foco e Força”.

Perguntado se ele se arrepende de ter traído Jesus, a resposta é afirmativa. “Claro que eu me arrependo. Somos todos humanos, todos nós podemos nos arrepender. E acredito que o perdão está disponível para todos. Eu era muito jovem, deslumbrado, materialista. Hoje em dia eu não agiria dessa forma. Mas, acredito que tudo tem um propósito na vida. Deus não dá ponto sem nó. Se eu não tivesse entregado Jesus, talvez ele tivesse sobrevivido, vivido uma vida monótona, teria morrido velho e com filhos e sua história não teria se propagado. Hoje viveríamos em um mundo que cultua o sol e outros deuses antropomórficos. O sucesso do cristianismo, modéstia a parte, tem um pouco do meu dedo aí. Claro, não desvalorizando o trabalho dos outros, of course”.

Passado o momento de reflexão, é hora de pegar pesado. Judas corre 20 quilômetros toda manhã. Antes, faz um bom alongamento. “É preciso alongar bem o pescoço. Um pescoço forte faz toda a diferença”. Após a corrida matinal, hora de sua primeira ida a academia do dia. “De manhã eu malho apenas a parte inferior. As pernas cansam muito ao longo do dia e de tarde pode não render muito bem. Lembrando que é sempre importante malhar as pernas para equilibrar o corpo. Essa história de Leg Day é uma besteira”, afirmou.

Judas realmente pega pesado. Levanta uma quantidade absurda de peso no Leg Press, que eu desisti de contar quando ele chegou aos 400 quilos em anilhas, que continuaram a ser colocadas até o momento em que não havia nenhuma outra disponível no estabelecimento. Para completar, um instrutor subiu em cima do aparelho. Perguntado sobre o que é importante, Judas disse “respeitar o seu corpo. E sempre limpar o suor dos aparelhos, porra”.

Depois de uma série de exercícios, Judas volta caminhando para casa, tomando sua garrafinha de whey protein. Em casa, hora de um banho e de preparar o almoço. Judas prepara todas as suas refeições, por temer que alguém possa se vingar e envenenar sua comida. “Já se passaram quase dois mil anos desde aquele mal-entendido e até hoje muitas pessoas não superaram. Pela minha segurança, é melhor tomar cuidado com o que eu como”.

O almoço foi bem servido. Dois frangos inteiros acompanhados de uma quantidade enorme de batata doces. “Não tem mistério na vida. Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Os músculos não surgem do nada, você precisa transformar os alimentos neles”. Judas não é adepto de suplementos alimentares. “É sempre melhor conseguir as calorias com o que você come. Mais saudável. Mais seguro. Body friendly”.

Depois do almoço, uma pausa para um cochilo. Depois disso, ele dedica uma hora diária para a leitura. “Como diz o ditado, corpo são, mente sã”. Seus livros preferidos são os clássicos da literatura russa. “Também gosto de romances policiais, com reviravoltas e conspirações. Não tem jeito, tá no sangue”, riu.

Hora de voltar para a academia e malhar os membros superiores. Aduções, abduções, remadas, supinos. São duas horas de muitos pesos e muito exercício, sem pausas para fotos no celular. “Não tenho redes sociais. Na vida é preciso ter um foco”.

Mas o celular tem uma importância na vida de Judas. Após os exercícios, da volta para casa e depois de mais um frango ingerido, Iscariotes aciona o celular. Seu ganha pão é como motorista do Uber em Brasília. “Esses dias um taxista me chamou de Judas, eu ri. Mas ninguém mexe comigo não, ninguém aguenta o tamanho do meu bíceps”. Algumas corridas para lá e para cá, ele volta para casa e se prepara para dormir. “Ganho apenas o suficiente para me manter. Aprendi, da pior maneira possível, que o dinheiro não é tudo na vida. Existem valores muito mais importantes”, disse, antes de subir para seu apartamento e se despedir da reportagem.

segunda-feira, 21 de março de 2016

De quem é a culpa, afinal?

Os dias da política brasileira têm sido cada vez mais complicados. Personagens participando de negociações espúrias, outros agindo por pura vingança, questionamentos sobre métodos e procedimentos, falta de caráter generalizada enquanto que a população parte para o confronto muitas vezes físico de ideias. Sim, chegamos perto dos linchamentos arbitrários, estamos pertos da tão sonhada guerra civil.
Guernica

Essa situação tem gerado uma série de comparações entre o cenário político brasileiro e a série House of Cards. No entanto, acho que a comparação mais justa seria com a brutalidade de Game of Thrones. Ou ainda, com Lost. Muita coisa acontece, ninguém entende nada e tenha certeza que o final será frustrante. Sim, o final será frustrante. Não há muito o que possa ser feito para salvar o Brasil.

Mas afinal, de quem será a culpa? Sim. Se não podemos resolver um problema, temos pelo menos a possibilidade, diria até que a obrigação de achar um culpado para tudo. Vamos a algumas hipóteses.

Dilma, Lula e a roubalheira do PT: o Brasil vivia sobre o signo da graça divina até o ano de 2002, ano em que um sapo barbudo, encarnação do demônio, assumiu o poder e alojou uma quadrilha comunista no Palácio do Planalto. Com seus poderes diabólicos, o grupo conseguiu se manter no poder dando início a uma era de roubos e no qual o país deixou de ser o paraíso dos unicórnios dourados para se tornar um mar de lama tóxica. Se Arnold Schwarzenegger voltasse no tempo e matasse o Lula de fome lá em Garanhuns, nada disso teria acontecido e hoje seríamos a Suécia da América Latina.

Mídia Golpista: que só notícia quando é contra o PT e se esquece do Mensalão do DEM, do Mensalão Tucano, do Trensalão, do esquema de Furnas, da privataria e do meu caralho de asa. A Família Marinho, escoltada pelos crápulas dos Civita, Mesquita e Frias, além do Silvio Santos, são os responsáveis pelo subdesenvolvimento intelectual do nosso país que nos leva para a miséria e o escárnio. Para piorar, a Rede Globo de Televisão é responsável por atos irresponsáveis, como a exibição daquele filme “O Campeão”, em plena sessão da tarde. O campeão não poderia ter morrido e nós crianças não tínhamos o intelecto e a estrutura emocional necessária para crescer com esse trauma.

Imperialismo Norte-Americano: que corrompe nossos políticos e nossos padrões de consumo, gerando a inflação e a violência urbana e a porra toda que transforma a nossa vida em um inferno.

Getúlio Vargas: ditador populista que criou uma padrão maldito de comportamento político nacional que se estende até hoje e sabe-se lá porque é que até hoje ainda é admirado por todo mundo. Pra piorar, esse porra ainda meteu uma bala no peito, se transformou em mártir e não pode ser julgado por todas as merdas que fez em vida.

José de Alencar: ficou escrevendo uns malditos livros com índios que lutavam contra tigres, sendo que o tigre nem faz parte do nosso ecossistema. Criou um ciclo maldito em que nossas crianças precisam ficar estudando essas bobagens que ele escreveu ao invés de dedicar seu tempo para uma leitura mais útil, ou para qualquer atividade mais útil. O que acontece? A criança cresce e vira um vagabundo. Morte a Peri, Ceci, Iracema e tudo mais! Morte aos índios!

Dom Pedro I: estávamos aqui, de boa, produzindo pau-brasil e outras matérias primas e mandando tudo para Portugal. Por conta de uma crise familiar besta, pura revolta juvenil, Dom Pedro I resolveu pedir a independência, criou esse problema todo e estamos até hoje produzindo matérias primas e mandando para outros países, com o ônus de termos que nos organizar internamente e sem bônus nenhum.

Este post está sendo inteiramente ilustrado por Romero Britto para mostra o nosso ponto de miséria moral
Pedro Álvares Cabral: o Brasil foi descoberto pelo pior navegador da história, o que é um sinal inequívoco de que um futuro amaldiçoado nos esperava. O cara queria parar na Índia, errou o caminho e veio parar por aqui! Atrapalhou os índios que estavam pacificamente em suas ocas, caçando e colhendo, eventualmente praticando o canibalismo, mas enfim. Depois foi essa merda toda aqui, provavelmente porque só retardados que nem esse cara que erra um lugar por mais de 10 mil quilômetros vieram nos colonizar.

Deus: temos a maior população católica do mundo, um monte de evangélicos que pagam dízimo fielmente e rezam todos os dias. O que deus nos dá em troca? Eduardo Cunha. Dilma. Aécio. PMDB. Paulinho da Força. Zika. De vez em quando um carro pra alguém, uma promoção de emprego aqui, a cura da calvície ali. Mas e o Macro, Deus? Dá pra pensar numa estratégia Macro, ao invés de ficar só resolvendo questõezinhas individuais que não vão nos levar a lugar nenhum?

Alienígenas: Preguiçosos, que mesmo com suas civilizações avançadas ficam lá na puta que o pariu do espaço coçando o saco ao invés de chegar aqui, invadir o Brasil dizimar nossa população com raios poderosos e acabar com todo esse problema. Malditos!

segunda-feira, 14 de março de 2016

Novos Tempos

No princípio Deus criou o céu e a terra, a terra era vazia e vivia nas trevas. Deus disse “haja luz” e luz houve. Depois as coisas começaram a ser criadas de uma maneira um tanto quanto aleatória e acabaram saindo controle, gerando guerras por território, fome em massa, destruição, caos, mortes e todo e qualquer tipo de miséria e desgraça que a humanidade possa viver. É nesse estágio em que o mundo ainda se encontra até os tempos atuais.

No fim, parece que haverá um evento conhecido como Juízo Final, uma espécie de grande sessão do Supremo Tribunal Federal em que todo mundo será condenado a arder para sempre nos mármores do inferno, podendo ser eventualmente perdoado se tomar uma série de medidas drásticas ao longo de suas vidas. Enquanto esse dia não chega e segue sem uma data confirmada, vivemos naquela situação já citada: guerras, fome, destruição, caos, mortes, miséria e desgraça.

Essa visão bíblica do planeta pode ser estendida para vários outros assuntos cotidianos. Nossa vida, por exemplo, é parecida. No princípio somos uma minúscula bola de células, completamente desprovidos de qualquer faculdade mental, começamos a crescer de maneira um tanto quanto aleatória e quando vamos ver, vivemos uma vida de fome, miséria, desgraça e caos. Até o dia em que temos nosso Juízo Final particular e morremos, fazendo com que nosso corpo se torne um mero problema sanitário.

Podemos dizer que assim é a vida de um blog também. Ele surge do nada, cria um monte de coisas mirabolantes, passa por um caos infinito até o dia em que ele acaba. Acredito que o CH3 não chegou ainda em seu juízo final - Todos sendo condenados ao inferno, exceção feita ao Cão Leproso e talvez Hanz o Pansexual, cuja habitação no inferno seria negada e ele vagaria na terra por sempre -, mas estamos embrenhados nessa fase de caos.

Vocês, seis leitores do CH3, devem ter percebido que nos últimos tempos a programação de posts clássica do CH3 dos últimos anos (segunda, quarta e sexta), foi por água abaixo. Estamos com posts quase sempre na segunda, muito frequentes na quarta, por vezes na quinta e cada vez mais raros na sexta. O motivo? Oras, as dificuldades de se escrever um texto e arrumar assuntos para serem discutidos, com o agravante de encontrar um tempo para desenvolver o texto. É bem difícil, vocês nem imaginam. Ou talvez, imaginem, não sei o que escrever nesse parágrafo.

Nos últimos tempos, tem sido mais difícil, cada vez mais difícil. Por muito tempo eu pari textos de última hora apenas para manter a tradição dos três textos semanais, mas tem hora que não dá. Não que seja absolutamente impossível postar três textos em uma semana, mas há a questão da qualidade. Cansei de, nos últimos meses, publicar textos simplesmente ridículos e completamente esquecíveis apenas para marcar presença. Cansei de enrolar o público leitor e de enganar a mim mesmo, fazendo uma coisa que não me dava prazer, quase que pelo transtorno obsessivo compulsivo de cumprir a meta dos três textos semanais.

Poderia deixar como estar, simplesmente não postar em um dia para estranheza dos cinco leitores do CH3, ou dar uma desculpa qualquer no Twitter, dizendo que o cachorro comeu meu texto novo, ou que os alienígenas invadiram meu quintal e levaram meu computador e por isso não vai ter texto hoje. Mas este blog, essa porra aqui, tem compromisso com os seus quatro leitores e com a transparência. São compromissos morais com a vida e com o planeta e é por isso que eu quero ser seu próximo presidente da república. Para dizer a verdade, é por isso apenas que escrevo este texto, longo texto que já reduziu o nosso número de leitores para apenas três.

A partir de agora, os três textos semanais passam a ser uma meta utópica, que invariavelmente será atingida e em muitas outras vezes não. Trabalho com a perspectiva mais realística de entregar dois textos para os dois leitores do blog. Espero que na segunda-feira um e o outro na quarta, na quinta ou ainda na sexta. Por vezes pode aparecer algum na terça-feira. Não sei. Apenas garanto que os sábados e domingos continuarão abolidos, exceção feita a algum possível motivo extraterreno. E é isso.

Abraços do único leitor do blog.

quarta-feira, 9 de março de 2016

Por onde anda: Felipe Dylon

O verão de 2004 ficou eternamente marcado por uma tragédia que pouco tinha a ver com as condições climáticas. Enquanto que em anos anteriores e posteriores a população de vários lugares foi castigada por chuvas que provocaram enchentes, alagamentos, deslizamento de terra e centenas de mortos, em 2004 o Brasil inteiro foi agredido pela música de Felipe Dylon. Para piorar ninguém morreu por conta disso, todos nós sobrevivemos e ficamos aqui escutando aquela porcaria.
Pensei aqui em fazer uma montagem com a palavra "procurado" nessa foto. No entanto, além de montagens não serem exatamente o meu forte, eu acho que é melhor ninguém procurar esse cara não. Vai que ele aparece.

O carro chefe do álbum de estreia do carioca de então 16 anos foi seu, felizmente, único sucesso até hoje: Deixa Disso, cujos versos diziam “o menina deixa disso, quero te conhecer, vê se me dá uma chance, estou afim de você” numa letra sobre um jovem stalker em busca de um relacionamento abusivo com uma garota que certa apareceu de maneira misteriosa. Como bom adolescente, ele morria na punheta como confessava nos versos “Eu fico o dia inteiro só pensando em você na minha cama, no chuveiro”.

O clipe era um apanhado da imagem do aspirante a sex symbol surfando, se queimando de sol na praia e fazendo poses homoeróticas na arrebentação das ondas. Felipe parou nas capas da Capricho, nos programas da MTV e nos pôsteres pendurados nas paredes dos quartos de muitas garotas que na época tinham no máximo 14 anos e que hoje devem sofrer um constrangimento interno quando o nome de Dylon é citado e chegam a negar que um dia tenham ouvido falar dele.

Felipe Priolli Dylong nasceu no Rio de Janeiro em 1987 e tem um sobrenome extremamente engraçado. Filho de um surfista e de uma bailarina, ele se interessou pela música desde criança e infelizmente ninguém conseguiu interromper essa ameaça.

Após gravar uma série de demos, Dylong finalmente lançou seu primeiro disco em 2003 adotando o nome de uma persona artística que excluiu o hilário g no final de seu nome. Fez muito sucesso com Deixa Disso, alguma repercussão com Musa do Verão e depois desapareceu. Felizmente.

Mas, eu sei que você quer saber o que é que aconteceu com esse cara que surgiu do nada, infernizou nossas vidas e desapareceu assim, sem deixar nenhuma compensação para os que sobreviveram. Foi atrás dessas informações que nós, do CH3, empreendemos um enorme esforço jornalístico. Ao longo de alguns dias, nossa equipe foi para as ruas e então entrou em lan houses e fez diversas buscas no Google.

Após o sucesso, Felipe Dylon gravou dois discos, que ninguém ouviu. Um suposto quarto trabalho vem sendo anunciado desde meados de 2009 e para o bem da nação, não se concretizou. Talvez tenha se concretizado, mas não existem informações conclusivas sobre a existência destes Objetos Musicais Não Identificados.

Como todo adolescente sem talento que repentinamente se vê fazendo sucesso e começa a chamar a atenção das pessoas, Dylon sucumbiu a pressão criada pela expectativa do show business e se entregou as drogas. Chegou a ser internado em uma clínica de dependentes, mas mais tarde afirmou que enfrentou apenas um surto de stress. “Acordei meio desmotivado e minha mãe achou melhor me levar para um clínica”, foi mais ou menos o que ele disse em uma entrevista que eu ouso aqui traduzir. O cantor também parou de tomar banho, assumiu vistosos Dread Locks e engordou uns 40 quilos, adquirindo um visual seboso.
Além de tudo, como essa foto comprova, Dylon virou um amante dos animais, capaz de beijar cachorros na boca e esteve a um passo da zoofilia.

Apresentou programas na MTV e isso explica um pouco porque o canal faliu. Também atuou em peças infantis e sua vida depois é um mistério. A Wikipedia chega a informar que ele é atualmente dono de um zoológico em Manaus, cujo mascote, o leão Adamastor, morreu recentemente. A informação não é confirmada em lugar nenhum, o que é uma pena. Seria algo bem interessante. De toda forma, esperamos que o Adamastor, caso realmente exista, esteja bem.

Casado com uma atriz desde 2011, ao que tudo indica Felipe Dylon segue sua carreira de músico. Sua página no Facebook com 29 mil curtidas anuncia sua agenda ostensiva por todo o Brasil, divulgando o telefone de contato (21 3344-9000). Por esse telefone também é possível contratá-lo para fazer presenças VIPs - provavelmente o melhor investimento que você vai fazer na sua vida, convenhamos, quem não gostaria de ter Felipe Dylon fazendo presença VIP na sua festa? - e “eventos em geral”.

Realmente gostaria de saber que eventos são esses. Se eu quiser, posso contratar o Dylong para ser garçom em festa do cabide? Para desfilar com uma corneta enfiada no toba em um disputa de xadrez?

E, é isso. Felype Dilon virou uma espécie de Emmerson Nogueira e segue levando sua arte aos mais diversos rincões do Brasil, carregando um violão nas costas e andando na praia. Vejo nele um grande potencial para substituir a lacuna que Eri Johnson deixará no dia em que ele morrer, daqui alguns anos.

segunda-feira, 7 de março de 2016

Os reflexos da crise econômica

Os acontecimentos registrados na última sexta-feira no Brasil são a prova cabal de que atravessamos uma grande crise. Não uma crise política, ou uma crise institucional, crise de democracia ou o que quer que possa ter sido provocada pela condução coercitiva de um ex-presidente da república. Falo mesmo é da crise financeira que há tempos dizem que se abate sobre o Brasil. Na última sexta-feira pudemos conferir a materialização desse momento ruim.

Milhares de pessoas foram às ruas em várias das cidades brasileiras para se manifestar sobre a enésima fase da Operação Lava Jato. Era manhã ainda e a televisão já mostrava centenas de pessoas em frente da casa do Lula. Outras tantas no aeroporto onde ele prestava depoimento. Olhei no relógio e conferi que em São Paulo já era mais de nove horas. Horário em que as pessoas já deveriam estar trabalhando.

Não há outra explicação que não seja o desemprego para que pessoas saiam de casa para se manifestar contra ou a favor de um cara que está depondo para a Polícia Federal em um aeroporto. Entendo que as pessoas saiam de casa para se manifestar, entrar em conflito físico ou até mesmo pegar em armas para defender seu lado em um momento crucial para o país. Não é o caso da condução coercitiva do Lula.

Pense em você, cidadão que tem a sorte de ter um emprego fixo. Você conseguiria justificar para o seu chefe que não foi trabalhar de manhã porque estava no aeroporto ostentando faixas pedindo a prisão seguida de esquartejamento de uma pessoa? Ou que você estava lá gritando que o cidadão é um guerreiro, orgulho do povo brasileiro? Certamente não, o chefe só teria a opção de te mandar embora e te substituir por uma pessoa responsável que não deixe de cumprir suas obrigações empregatícias para ficar gritando palavras de ordem na frente da casa de uma pessoa.

Entenda que não há aqui justificativa ou defesa, de dizer que opositores ou apoiadores possam estar mais corretos em sua posição. Ninguém está certo. Os oposicionistas diriam que quem apoia o ex-presidente o faz porque é um vagabundo que sobrevive do bolsa-esmola, bancado pelos cidadãos de bem que trabalham. Mas o que esses cidadãos de bem estariam fazendo lá, clamando pela prisão imediata do Lula? Seria uma vingança, uma decisão por não mais trabalhar e desta forma não mais bancar as pessoas que vivem as custas do governo?

A televisão mostrava pessoas de terno e gravata com os braços estendidos e gritando alguma coisa. Provavelmente apenas uma fantasia que a pessoa usa para cumprir algum papel social. Apenas pessoas obrigadas pelo trabalho utilizam terno e gravata e pessoas que trabalham, certamente não estão no meio da tarde num lugar tão distante quanto São Bernardo para xingar ou elogiar alguém.

A crise pegou. Em breve, seremos todos zumbis vagando pelas ruas em horário comercial para apedrejar as pessoas.

quinta-feira, 3 de março de 2016

O futuro da transmissão do Oscar

Depois que a participação apoteótica de Glória Pires na transmissão da cerimônia do Oscar abalou as estruturas do poder econômico, muitas pessoas tem discutido como será o futuro da transmissão televisiva do prêmio. Há praticamente um consenso de que seria impossível repetir o padrão de qualidade apresentado em 2015, que mesmo que Glória repita seus comentários em 2016, eles soarão forçados, repetitivos, imitações dela própria, sem a alma, o entusiasmo e o pioneirismo de suas primeiras intervenções.

Pensando nisso, o CH3 segue a escola Fernando Vanucci de pensamento, pela qual é preciso mudar, mas mudar de vez, derrubar o castelo de areia antes que viremos comida de leões. Nos próximos anos, a Rede Globo de Televisão deve investir pesado em novos comentaristas que darão um Up na audiência.

Galvão Bueno: Não sei como até hoje ninguém nunca pensou em colocar Galvão Bueno comandando a transmissão do Oscar. Imaginem o drama que ele colocaria. A clássica frase “and the Oscar goes to...” seria traduzida como “quem é que soooooobe” no palco. O ápice ocorreria quando um filme brasileiro, ou qualquer pessoa ligada ao Brasil ou a Argentina estivesse disputando. Haja coração amigo, não era o dia do cinema brasileiro.
Ééééééé amigo, os mexicanos são perigosos, eles tem evoluído e sempre complicam pro Brasil

Claro que o pacote Galvão Bueno incluiria Arnaldo Cezar Coelho comentando a decisão dos julgadores, explicando que a regra é clara, seja lá que regra for essa.

Craque Neto: Numa jogada ousada e arriscada, a Vênus Platinada arrancaria o craque Neto da Bandeirantes para comentar o Oscar. Certamente Neto nunca deve ter visto um filme que não seja do Mazarópi o que o qualifica prontamente a comentar a cerimônia. Seus comentários não seriam muito diferentes do que ele já faz no futebol, explicando a maneira correta de bater uma falta, dizendo que viu uma agressão física no meio da plateia e a cada close em um ator mais velho diria “esse era craque, atua mais do que qualquer um de hoje em dia”.

Eduardo Cunha: Porque esse cara entende tudo de atuação.

Carla Pérez: Do alto de sua experiência cinematográfica, como protagonista do clássico Cinderela Baiana, Carla Pérez poderia destilar a sua já decantada cultura geral. Vale ressaltar que ela seria a segunda protagonista de Cinderela Baiana a comentar o Oscar, uma vez que Lázaro Ramos já esteve nos estúdios da Globo em 2015.

Donald Trump: Na verdade, ele deveria ser chamado apenas para fazer comentários especiais na hora da entrega do prêmio para o melhor filme estrangeiro e uma aparição esporádica para falar sobre um diretor mexicano que por acaso tenha ganho algum prêmio.

Vinícius Gressana: Tenho absoluta certeza que Vinícius seria capaz de fazer comentários inapropriados ao momento e constrangeria a todos com sua opinião forte.

Chacrinha: O lendário apresentador de TV já está morto e é isso que torna sua participação na transmissão extremamente interessante.

Pedro Bial: Seria muito legal se o velho Bial fosse instigado a fazer algum texto poético sobre os ganhadores e perdedores. Poderia ficar filosofando sobre a vida e falando sobre a fala dos premiados, trazendo um charme anárquico a transmissão do prêmio hollywoodiano.