terça-feira, 31 de agosto de 2010

Cala Boca

Tudo começou, para variar, com Galvão Bueno. Esse pioneiro, eterna fonte de inspiração. É quase um consenso entre os seus biógrafos de que ele esteve presente na criação do mundo em uma semana:

“Deus, tá de frente com Adão. O que é que tiiiiira? Tirou a costela amigo! Haja coração! Vamo Deus, capricha nessa! E Deus criou a mulher! O que muda, Casagrande?”.

Pois foi Galvão Bueno que, ao dançar e não parar de falar durante a apresentação da Shakira na festa de abertura da Copa, irritou os brasileiros e criou a maior manifestação popular brasileira desde a queda do Collor. Em poucos tempo a expressão “CALA BOCA GALVÃO¹” foi parar no topo dos Trending Topics, o elemento mais misterioso e obscuro do Twitter.

Brasileiros, de norte a sul, de leste a oeste, de todos os cantos, cores, credos se uniam num único desejo: mandar Galvão Bueno calar a boca. Galvão narrou todos os jogos até o fim da copa, mesmo com sua voz péssima, garganta cheia de fungos.

Logo depois foi o Tadeu Schimidt, provável vítima da moda dunguista que assolou o Brasil. Dunga se comportou como o grande ser escroto que é, falando palavrões durante uma entrevista coletiva para um jornalista da Globo que supostamente teria olhado em sua direção. E então, numa onda de nacionalismo babaca, a Globo passou a ser odiada na figura calva de Tadeu.

Sylvester Stallone foi outra vítima. Fez algumas piadinhas sobre o Brasil e lá foi ele para o topo dos Trending Topics. Fernando Alonso também. Pessoas tentaram encabeçar um CALA BOCA DILMA, mas foi em vão. Tivemos um Cala Boca Capricho, porque a brilhante revista cometeu um lapso de dar uma informação errada sobre o grupo McFly. Ontem me deparei com um Cala Boca Sabrina.

Nenhuma celebridade consegue mais dormir em paz. Sabem que a qualquer momento a sua honra pode ser mortalmente ferida por uma brava gente brasileira, que não descansa os dedos diante daquilo que a incomoda.

Os brasileiros já dominaram o Twitter. Em breve já veremos hashtags como #howbrazilianskilltwitter. A maior diversão de parte do povo brasileiros nos últimos tempos tem sido colocar besteiras nos TTs. Informações de que Lima Duarte teria morrido, que o mesmo teria ocorrido com Gugu Liberato, que Lady Gaga estaria grávida. Uma vez pode ser divertido, duas vezes simpático. Mas fazer isso todo dia é uma #semgraceira, uma #paunocuzisse.

Já existe uma conta responsável por divulgar qual é a boa do dia. “Vamos Twittar que o Justin Bieber gosta de mulher”. O pior é que há um orgulho, as pessoas se sentem orgulhosas em ter colocado o aniversário de um membro do Restart na Lista. Cala Boca Brasil?

Seria bom que todos estes jovens se preocupassem com questões mais importantes, como a eleição de velhos políticos filhos da puta da sempre, o aquecimento global, a redistribuição de renda, a besuntação aromática e a crise no mercado de escafandros.

¹ Abro espaço para que os professores de português digam se o correto é “Cala Boca” ou “Cala a boca” ou ainda “Cale a boca”. Desconfio que a maior manifestação popular da história do Brasil tenha um erro crasso de português.

domingo, 29 de agosto de 2010

Como resolver o problema do calor em Cuiabá

Muitas pessoas descrevem Cuiabá como a sala de espera do inferno¹. No entanto, modernas correntes teóricas já defende que o contrário seria o ideal. Muitos dos que por aqui passaram, chegam a pedir cobertores quando desembarcam no inferno. Afinal, ser cozinhado em grandes caldeirões de água fervente não é tão ruim, uma vez que já se está acostumado a ser torrado.

Filial do inferno, a mais velha vítima do aquecimento global, forno de microondas gigante. São várias as carinhosas denominações que Cuiabá recebe. E não é para menos. Cuiabá é muito quente. Para usar uma unidade de medida que todos conhecem, aqui faz calor pra caralho. O povo que aqui vive, ri com desdém daqueles que reclamam de 35 graus e sabe que uma manhã com 40 graus é apenas o indício de que um grande dia vem por aí.

Ok, é engraçado fazer piadas sobre o calor² e ainda mais quando a umidade do ar fica abaixo da Marina Silva nas pesquisas. E pra complicar, os focos de queimada aumentam a cada dia. Sério, é tão ruim que enquanto escrevo, eu até estou me deprimindo e pensando “porque? Porque eu vivo aqui?”. Deve haver uma maneira de resolver esse problema. E há. O CH3 conversou com seus velhos especialistas de sempre, os cânones do saber.

1 Ar Condicionado Central: Fecharíamos Cuiabá dentro de um redoma de vidro. Desde as margens do rio até o paredão da Chapada³. Colocaríamos um ar condicionado poderoso na região central e vários outros por diversos pontos da cidade. Poderíamos controlar a temperatura por volta de agradáveis 22 graus, desde que isso não seja considerado propaganda política. Quem sabe, 24º é mais fresco. Transformaríamos-nos em uma cidade produtora de vinho e substituiríamos nossas sorveterias por lojas de fondue.

2 Lavagem Cerebral: Fazer com que as pessoas esqueçam o que é o calor. Investir em cirurgias que retirem as terminações nervosas responsáveis por detectar o calor, seria outra maneira de dar conforto a população.

3 Mudar Cuiabá de posição: Muito comum nos EUA, começa a ficar popular no Brasil o método de mudar casas de lugar. Você compra um terreno e ao invés de construir uma nova casa, você muda a antiga de lugar. Arranca as suas fundações e a coloca sobre um caminhão. Um caminhão grande pra caralho, que se diga.

Cuiabá poderia ser toda recortada, colocada sobre caminhões e transportada para... não sei. Algum lugar no sul do Brasil, uma ilha deserta. Um plebiscito se faria necessário.

4 Excluir a palavra “calor” do dicionário: Nosso atual governador, ou o futuro governador, poderia excluir a palavra calor, e mais do que isso, proibi-la de ser dita no território mato-grossense. Assim sendo, as pessoas deixariam de sentir calor porque essa sensação não existiria e seria também irregular.

O CH3 continuará com a série algum dia. Digas o que te afliges, que nóis resorve, hehe.

¹Isso explicaria os índices de violência de Cuiabá e os péssimos políticos que nos assolam em profusão.
²Nada não. Só tava querendo atrapalhar a sua leitura.
³ E a partir daí pensaríamos em como resolver o problema do calor em Várzea Grande.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

A Arte de Adulterar Santinhos

Os santinhos podem parecer apenas um desperdício de papel. Mas, na verdade, eles são uma possibilidade de iniciação artística. Quem nunca adulterou um santinho? Ao receber aqueles 300 santinhos em sua casa, pegou uma caneta e realizou os mais diversos desenhos em seu rosto. Uma arte marginal que nunca foi parar no Louvre. Mas aqui no CH3 nós levamos essa milenar arte a sério e a mostraremos em suas mais diversas vertentes. Preparem-se para se confrontar com os limites da mente humana.

Começamos com um tradicional Santinho. Nosso candidato, no caso, será o Guilerme.



Uma adulteração bem simples é o desenho de óculos escuros. Facilitados, pelo fato de que Guilerme já usa óculos.



Também temos a tradicional possibilidade de desenhar um bigodinho maroto.


Que logo pode evoluir para um cavanhaque, meio gay.


Outra evolução bem simples é o visual peludão. Praticamente um Tony Ramos.


Com o auxílio de uma caneta vermelha, o visual traveco.


Se você tiver uma borracha, o visual rosto apagado. O homem sem face, completamente antenado com o perfil de vários políticos.


Você pode até evoluir, com o uso de caneta preta e errorex, para este Mister M.

Existem ainda outras possibilidades. Com uma tesoura, você pode juntar faces de políticos diferentes. E por aí vai.

Vamos lá. Solte sua criatividade e crie os seus santinhos. O CH3 pretende realizar em breve a primeira exposição nacional (quem sabe local) de santinhos adulterados. Nos mandem as suas versões.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Joguinhos Idiotas

Pêra, uva, maçã, salada mista. Essa brincadeira de criança, eternizada na letra do Molejão tem uma influência gigante e praticamente imperceptível na nossa sociedade contemporânea. Existe uma grande possibilidade, ainda não estudada pelos nossos antropólogos, de que esse jogo tenha originado uma série de joguinhos idiotas no Orkut.

O Orkut era uma rede social. Pessoas adicionavam os seus amigos, se juntavam em comunidades de assuntos em comum e discutiam sobre esse assunto. Com o tempo, o Orkut mudou, virou uma sociedade fechada e as comunidades perderam o seu sentido. Muitas foram dominadas por joguinhos idiotas e, pasmem, algumas comunidades foram criadas apenas para que joguinhos idiotas fossem realizados.

A maior delas tem incríveis 120 mil membros. Maior que a população de Sinop. O CH3 desvenda aqui os mistérios e desafios de alguns dos mais de 3918 jogos catalogados pela Associação Brasileira de Joguinhos do Orkut (ABRAJO).

Pego – Fico – Noivo – Caso – Mato – Passo: Um dos inúmeros jogos em que as pessoas têm que dizer o que fariam com a pessoa acima. No geral, o tópico é composto por vários homens comentando sob perfis de outros homens, com uma certa repulsa. Vez por outra alguma menina posta, dando a oportunidade de que alguém diga “Pego!”. Como era de se esperar do perfil de alguém que participa de uma comunidade dessa, algum rolo acontece e a pessoa apaga o seu profile após um tempo, deixando inúmeros buracos ao longo das páginas. Anos depois vemos apenas homens dizendo que pegariam outros homens.

O mais bonito da página: Pessoas são desafiadas a eleger quem é a pessoa mais bonita da última página de mensagens. Esse jogo ainda tem uma variação, muito mais desafiadora, na qual a pessoa tem que eleger não apenas uma, mas sim, três pessoas mais bonitas. Essa variação se chama “Os 3 mais bonitos da página”.

Qual a idade da pessoa acima?: Nesse jogo, os participantes têm a difícil tarefa de dizer qual é a idade da última pessoa a ter postado. Temos então 500 páginas apenas com números do tipo “21” – “19” – “87”. Um desavisado poderia pensar que são apostas no jogo do bicho.

A Cobra Picou: Talvez um jogo com influência do RPG e da literatura realista do século XIX. As pessoas dizem um lugar em que teriam sido picadas por uma cobra e se a pessoa abaixo chuparia o veneno para salvar a sua vida. Este jogo também cria todo um ambiente de sensualidade. Não muito raro, podemos ver pessoas sugerindo picadas na virilha, na orelha e imagino que até no saco escrotal. Existem muitos outros jogos de cunho sexual. Geralmente, este é o mais próximo que os seus jogadores chegam da prática. Nesses jogos há uma certa rivalidade. Sempre que uma pessoa é respondida por alguém do mesmo sexo, ela se sente na obrigação de responder novamente para continuar tendo a oportunidade de ser respondida por alguém do sexo oposto.

Qual é a música: A pessoa deixa o trecho de uma música, e a pessoa logo abaixo tem que descobrir que música é essa. Como sabemos, qualquer idiota pode saber até uma letra do The Redwalls com a ajuda do Google. A grande dificuldade é traduzir o que as pessoas realmente queriam dizer.

Você besuntaria a pessoa acima?: Jogo instrutivo no qual as pessoas são convidadas a responder se besuntariam a pessoa acima. Este jogo dá um grande espaço para a imaginação, uma vez que o indivíduo besuntador pode até escolher com que substância besuntaria o sujeito.

Que pensador explicaria a foto da pessoa?: Jogo um tanto quanto idiota no qual as pessoas têm que, utilizando dos pensamentos de um notório intelectual, criar uma tese de no mínimo 10mil caracteres sobre a foto da pessoa acima. Alguns moderadores carrascos gostam de criar dificuldades extras, proibindo que Luan Santana e Justin Bieber sejam incluídos no hall de pensadores modernos.

A pessoa acima tem cara de que gosta de...: Inúmeras oportunidades. Pode ser baseado em algum estilo musical, algum filme. Diferentes traduções de Tolstoi ou Goethe. Ou simplesmente se a pessoa tem cara de que gosta de Piroca, Abacate, cueca com o elástico estourado. Uma oportunidade para que as pessoas usem o seu sexto sentido, o seu dom premonitório ou alguma informação privilegiada.

Em breve a Editora CH3 lançara um compêndio com todos os 3985 jogos já criados e praticados com freqüência no Orkut. Sim, 3985, o mundo é rápido e já surgiram alguns outros jogos enquanto você lia esse texto.

Apêndice – Versão do Diretor, por 41f®3dº CH@G@5.
Vamos falar a verdade. Jogos do Orkut são idiotas. No fundo eles são apenas uma boa tese para evolucionistas e criacionistas. Aqueles de Deus podem dizer “isso prova que evolução é bobagem” enquanto que aqueles de Darwin podem retrucar “se Deus realmente existisse, não permitiria que essas pessoas existissem. Rsrsrs.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Podcast CH3, Número 3

No nosso marcante terceiro episódio, realizamos um trabalho de fôlego jornalístico. Praticamente o jornalismo gonzo. Demos nosso suor e convivemos durante alguns meses nos submundos das academias de ginástica, para trazer esse relato, duro e cruel.

Ou não. Na verdade o CH3 entrou para a geração saúde e traz aqui uma visão bem humorada sobre as bizarrices da Academia de Ginástica. Relaxem, não há risco de que seu pai entre na sala durante um momento constrangedor.

sábado, 21 de agosto de 2010

Bom Português

Galvão Bueno concedeu várias entrevistas para vários veículos de comunicação na última semana. O que motivou tais eventos jornalísticos, foi o lançamento de um vinho com o nome da voz eterna da locução esportiva brasileira. Galvão é um apreciador da bebida, daqueles que gostam de perceber tons amadeirados que remetem ao ar bucólico do parreiral.

Acontece, que ninguém entrevistaria Galvão Bueno para saber sobre o seu vinho. Todos aproveitaram a situação para perguntar sobre tópicos mais importantes, como o “Cala Boca Galvão” e sua voz falha nas transmissões da Copa do Mundo. Em um depoimento emocionante, haja coração amigo, Galvão disse ter descoberto, após a copa, que estava com fungos nas cordas vocais. Na partida contra a Holanda, sua voz travou. Cléber Machado ficou a postos, ou não, para assumir o controle. Galvão pensou estar acabado, ou como ele disse “pensei, em bom português, fudeu!”.

Sim, é algo curioso de nossa sociedade. Sempre que alguém vai citar algo em bom português, faz uso de palavrões.
- Cara me dei mal. Pra falar em bom português, tomei no cu.
- Esse cara não presta. É um filha da puta, pra falar em bom português.

Curioso, porque teoricamente seria ao contrário. O bom português deveria ser a norma culta da palavra. Algo refinado.
- Acabei tomando no cu. Em bom português, fui adentrado no meu ânus.
- Fudeu. Praticou a cópula, em bom português.

O bom português deveria ser falado apenas em jantares chiques, com várias entradas, pratos principais, secundários e terciários. Em mesas longas com pessoas usando fraque e perucas escrotas. Mas, não. O bom português é falado indiscriminadamente em ruas, avenidas, travessas, vielas e servidões.

Fica apenas a dúvida: como seria então o mau português? Sim se o bom português é repleto de palavrões, o mau português deve ser algo assim:
- Tomei no cu. Ou, em mau português, tive minhas pregas anais arrombadas por javalis sedentos por sexo.
- Que filho da Puta! Um bastardo parido por um puta esgarçada por 300 jumentos, em mau português.
- Vai se foder! Pra usar o mau português, vai colocar uma garrafa quebrada no meio desse teu cu largo!

Mau português também pode ser um patrício que tenha cometido um grave delito.

Como vocês podem ter percebido, em um primeiro momento podia se ter entendido que o texto seria sobre bons habitantes de Portugal. Em um segundo momento, o texto poderia ser sobre vinhos portugueses. E num terceiro momento, tudo mudou.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

O segredo das empresas

Com certeza você já foi mal-atendido alguma vez em sua vida. Passou horas em uma fila e quando finalmente chegou a sua vez de ser atendido, o sistema estava fora do ar. Ou então, a taxa que você tinha que pagar sofreu um aumento. Ou o seu pedido ainda não estava pronto, mesmo vencidos cinco dias do prazo. Ou então, você se esqueceu de levar os cinco códigos de barra de produtos Nestlé.

Você então pensa “oh deus dos miseráveis! Porque? Porque? Eu sou muito azarado, céus”. Nada disso. Todo esse seu sofrimento não é um mero acaso divino. Sua martirização foi friamente pensada pelo outro lado. Os funcionários da empresa que atravanca sua vida, foram treinados, monitorados e capacitados para que pudessem atrasar ao máximo o seu dia.

Fui falar com Alfredo Humoyhuessos, filólogo e agricultor colombiano. Ele está trabalhando na tradução da obra completa de Dostoievski para aramaico, mas concedeu um espaço em sua agenda antes de ir jogar pôquer com Max Gehringer e Barak Obama. Como vocês já devem saber, Frédito (para os íntimos) é a maior mente da história da humana, apelidado de Google Humano. Com G e H maiúsculos.

De tão inteligente que é, vive rodando o mundo dando palestras sobre os mais variados temas. Amanhã mesmo, ele dará uma palestra sobre “A Arte de Palestrar”. Estarão na platéia, entre outros, Bill Clinton, Al Gore e Pedro Nadaf.

Empresas vivem noticiando suas palestrar motivacionais. “O Segredo do Sucesso” e outros títulos que parecem saído das prateleiras de livros de auto-ajuda. Mas, elas não propagandeiam aquelas que são as suas palestras mais importantes. Aquelas que podem parecer antipáticas ao grande público, mas que são as que verdadeiramente norteiam os seus ideais.

Alfredo me mostrou algumas delas. Ou melhor, apenas os temas. Porque todas as suas palestras são feitas no improviso. Humoyhuessos pode falar sobre qualquer tema, de improviso, e por contas horas forem necessárias.

Como Burocratizar o ServiçoPalestra adorada em muitos serviços públicos. Humoyhuessos explica passo a passo as melhores maneiras de criar novos guichês para atravancar o serviço. É preciso ir no caixa, depois no segundo andar pegar um carimbo e finalmente voltar ao guichê inicial. E sempre tendo que pegar senhas.

Deixando o seu cliente em eterno estado de tensão
Workshop que mostra como se comportar. Ao terminar de atender uma pessoa, nada de chamar outro imediatamente. Levante para tomar uma água, arrume sua gola, jogue uma partida de paciência no computador. Isso fará com que o próximo da senha entre em estado de nervos.

Como manter um website cheio de informações equivocadasPalestra para os programadores. Ensina as melhores maneiras de deixar o site oficial da empresa com informações dúbias e/ou ultrapassadas. Valores errados, localizações erradas, horários equivocados. Faça o usuário chegar ao local cheio de informações equivocadas e que assim, ele tenha que voltar outro dia.

Como fazer com que papéis demorem para ser despachados
Cria um sistema engenhoso para que um produto demore o máximo tempo possível. Gavetas, caixas, setores. Em cada lugar, um carimbo, uma pessoa e um dia. Poderia ficar pronto no mesmo dia, mas graças a esse sistema, irá demorar 2 semanas.

Desculpas protocolares
Ensina aos funcionários as melhores desculpas. Desde o protocolar “o sistema está fora do ar” até desculpas mais criativas como “está em falta no fornecedor”.

Humoyhuessos fará uma palestra sobre esse assunto para os visitantes do Chnautas. Conseguimos duas horas em sua agenda no dia 28 de Outubro de 2017. Se preparem!

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Como resolver o problema do trânsito em Cuiabá

Começa hoje a propaganda eleitoral obrigatória. Este ano, o CH3 não irá lança candidato a cargo algum, porque repetir a piada três vezes é sacanagem. Iremos então, entrar no ramo do jornalismo comunitário, de braços dados com a comunidade. O primeiro problema é o trânsito.

É uma rotina para quem vive em Cuiabá. As principais ruas da cidade estão congestionadas. As poucas alternativas também tem um trânsito complicado. A visão da Fernando Correa, ou da Avenida do CPA é a visão do caos. Uma enorme fila de carros que se perdem até o horizonte, num mar ruidoso de automóveis cinzas. A solução é cortar caminhos pelas esburacadas ruas de bairro, que muitas vezes não se interligam.

Buzinas, fumaça, motores, motos cortando os carros, ônibus que insistem em andar na faixa da esquerda, mesmo que tenham que parar na faixa da direita a cada 200 metros.

Num ambiente de quase tortura, a situação sai de controle. O ser humano surta. Não existem leis, não existem leis, virou briga de rua. Semáforos sendo furados, motoqueiros passando por sobre o canteiro central, fechadas, esbarrões. A cada mês, mais de mil carros são colocados em nossas estreitas ruas. A situação é incontrolável. Em pouco tempo as ruas ficarão entupidas. Haverá um dia em que tudo ficará entupido e sem espaço para fazer um retorno.

Problema sem solução, não? Copa de 2014 vem aí e a promessa é de construir viadutos e alargar avenidas ao custo de indenizações milionárias, uma vez que não há calçada em Cuiabá que não tenha uma loja de autopeças. Todas medidas paliativas.

O que precisa ser feito de verdade é: diminuir o número de carros nas ruas. De nada adianta alargas as ruas hoje, se daqui a alguns anos existirem carros para entupi-las. Existem algumas maneiras de diminuir o número de carros nas ruas.

1) Investir no transporte público: No espaço em que um ônibus pode carregar 45 pessoas, três carros podem carregar 15. Mas, na verdade, neste espaço o ônibus carrega 80 e três carros levam no máximo 4. Ou seja, uma fila de 100 carros, com ali, boa vontade, 150 pessoas, poderia ser substituída por 4 ônibus. Ocupando 8x menos espaço.

Essa alternativa é um tanto óbvia, mas tem algumas restrições. A primeira, é justamente o fato de que ela é óbvia e portanto, não tem aquele ar de grande solução pública inventada por um político brilhante. A segunda, é que no geral, os ônibus são horríveis e associados à pobreza. Fazem trajetos ruins que obrigam a longas caminhadas e tem cheiro ruim. Seria preciso trocar todos os ônibus, tê-los em maior quantidade, com mais linhas em mais lugares. Talvez fosse de bom tom dar incentivos fiscais a quem anda de ônibus.

Muitas pessoas são favoráveis a bicicleta. Como se fosse fácil pra alguém pedalar por 20km. Mas também pode ser algo a se pensar.

2) Fazer com que as pessoas fiquem em casa: As pessoas só saem de casa, porque precisam. Existem muitos trabalhos idiotas que as pessoas poderiam fazer no conforto do seu lar. Porém, por razões exclusas, essas pessoas são obrigadas a irem até seus trabalhos. Mais pessoas em casa, menos trânsito. Videoconferência para o lugar das aulas e reuniões. Há a questão do lazer. Para isso, os principais criminosos da cidade poderiam ser liberados novamente as ruas, criando um ambiente de tensão que faça com que todos permaneçam em casa.

3) Proibir a circulação de carros: Um decreto, simples, rápido e objetivo. Quem for pego dirigindo um carro será condenado a morte. As pessoas que arrumem outra maneira de chegar em casa. Proibir a venda de combustíveis ainda evitaria que ônibus, motos e até mesmo helicópteros saiam por aí. Em pouco tempo estaríamos assim.

4) Dificultar o acesso aos carros: Seria melhor se, ao invés de uma volta na quadra a 20km/h e realizar uma prova retardada, os órgãos responsáveis realmente avaliassem a capacidade de um ser humano dirigir um carro. Acabar com a corrupção por lá também seria um passo importante. Outra medida é fechar as concessionárias. Os funcionários demitidos já seriam menos pessoas nas ruas.

É tudo muito fácil. Aproveite o espaço dos comentários para deixar a sua opinião e as suas soluções. Vamos todos contribuir para enriquecer o debate e construir o conhecimento. E assim iremos, todos, caminhar e cantar e ouvir a canção.

domingo, 15 de agosto de 2010

Monarquia alternativa

A república foi proclamada no Brasil no dia 15 de novembro de 1889 pelo famoso padre e poeta Marechal Deodoro. Antes disso o Brasil era governado no sistema monárquico. Dom Pedro I foi o primeiro imperador e Dom Pedro II foi o segundo. São dessas coincidências que nos fazem acreditar em deus.

A Monarquia é um sistema muito legal, principalmente se você for o rei. Você pode construir palácios, dar um teatro de presente para a mulher, como forma de pedir desculpas e ainda ter um nome que não cabe na lista telefônica. Mas, para o restante da população a existência de um monarca é chata. Geralmente eles são veados velhos egocêntricos megalomaníacos que querem brincar de administrar um país.

É algo tão ruim, que atualmente existem cerca de 70 monarquias no país, e na maioria delas, o rei é apenas uma figura inoperante. Um senhor simpático que usa roupas frescas e comparece a jantares, bailes. O rei ocupa um cargo de recepcionista geral da nação.

Mesmo assim, aqui no Brasil, ainda existe um movimento monarquista. Eles têm um site, que promove eventos monarcas – um evento doentio, cheio de pessoas com hábitos e comportamentos do século retrasado. Você pode não saber, mas o Brasil ainda tem um príncipe. O tatatatatatatatatataraneto de Dom Pedro I, que anda nas ruas de Petrópolis sobre cavalos e as pessoas dizem “olha lá o príncipe”. Alguns aplaudem, outros atiram garrafas. Existe a princesa que faz propaganda de copos da revista Caras. A monarquia é muito ruim, entre outras coisas, porque você precisa fazer um curso superior para entender a ordem dinástica deles, as sucessões, ramos, cargo, genealogia e como tudo isso continua existindo, mesmo que a monarquia não exista mais.

A chamada monarquia oficial não tem muitos adeptos no Brasil. Mas, nós vivemos num regime de monarquia alternativa. Temos em nosso solo tupiniquim, milhares de reis.

Tudo começou com Pelé, o Rei do futebol. Assim como o Rei Roberto Carlos. Temos o Rei do Rádio. Rei da Borracha, Rei do Piso, Rei do Pastel, Rei do Drible, Rei do Boliche, Rei da Pedalada, Rei do Gado, Rainha do Rebolado, Rainha da Sucata, Rei do Suingue. E os seus herdeiros, Príncipe da Pamonha, Princesa do Solimões, Príncipe da Casa do Caralho.

Porque não existe um “Presidente do Samba”? Quem sabe uma “Primeira-Ministra do Bumbum” ou “Chanceler dos Tijolos”?

Tese 1) O povo é nostálgico. Não se faz mais feijão como antigamente, as músicas antigas eram melhores, o povo era mais educado. Hoje, tudo era uma merda. Por isso, bom era no tempo do rei.

Tese 2) Para inaugurar um Presidente da Batata Frita, seria preciso abrir eleições para decidir o nome de quem ocuparia o cargo. Como o rei é um poder hereditário, concedido por deus, você pode ser rei de qualquer coisa. Basta colocar um crucifixo na parede.

Tese 3) O cara acha legal “Rei, rei, soa bem” e resolver colocar lá. Fica mais fácil pra fazer a logomarca, é só colocar uma coroa estilizada sob o nome do empreendimento.

E afinal, que rei sou eu?

Agradecimentos a Eduardo Doria.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

A arte de falar sério sobre coisas tolas

Dois amigos se encontram

- Rapaz, pois eu fui tomar uma Coca Cola ontem no bar do Zé e a garrafa tinha ficado mais cara. Passou de 1,50 pra 1,70.
- Isto é grave heim. Mais uma prova deste cenário inflacionário alavancado pelo qual passamos.
- De fato, o Zé está tentando explorar um nicho estratégico saturado. Mas desse jeito, ele foi se transformar apenas em um Case Macro-oligopolista.
- Isso me irrita muito. O que ele quer? Um superávit contábil extraordinário?
- Não sei. Para mim ele é um burocrata auto-organizacional em busca de uma variância estimativa relativa.
- Sabe, para mim este é um dado cumulativo mensurável. Não sei no que esses 20 centavos irão influir. Talvez ele vá tentar investir em publicidade, mas com esse dinheiro ele não financia nem um spot promocional erótico.
- Até porque, ele ocupa uma faixa rotativa segmentada. Ele teria que buscar um modelo assimétrico corporativo para, quem sabe, começar uma atividade de suporte protocolar junto ao seu público.
- Mas sabe que fora isso, ele colocou uns quadros novos na parede, feitos pela mulher dele.
- Ah, eu vi. Ela busca uma estética introspectiva imagética mas não consegue nenhuma empatia geométrica onírica com o lugar. E ela acha que está com uma superprodução independente antropomórfica.
- Mas fala isso? Ela vai começar com aquele repertório tragicômico brechtiano. Acho isso de uma conotação tonal fática.
- Não consigo formular nenhuma hipótese estóica patrística para isso.
- Ah, para mim é um problema de formação disciplinar catequética. Tenho uma fonte impessoal confiável que confirmaria essa minha observação.
- Hahaha, mas ele é feliz naquele grupo bio-alternativo. Cheio de vírus orgânico-hibrídos.
- Acho que o Zé deve ter alguma anomalia androgênica autossômica.
- Pois é. Mas, será que chove?
- Ouvi falar que tem uma massa atmosférica instável chegando. Pode formar uma perturbação úmida semi-estacionária, e aí já viu, né?
- É, melhor se preparar. Prevejo um pulsar massivo em colapso.
- Leu isso no horóscopo? Só falta dizer que passa por um período cósmico harmonioso. Que gera um transe mental cabalístico.
- Ah, fala pra piranha da sua mulher me fazer uma masturbação semifrontal lúdica.
- Já apelou? Isso é típico dessa sua categoria feudal aculturada. Você acha que faz parte de uma ordem pensante manifesta mas não passa de coalizão tecnocrática maleável.
- Só fala isso porque você é de uma linha histórica revisionista. Vive nesse seu estado autoritário policialesco com sua força reformista intransigente.
- Pois é você que está nesta alienação auto dominadora. Se achando o lábaro estrelado do novo mundo.
- Fala isso porque é evangélico. Essa sua pregação ascética terrena em nada tem a acrescentar objetivo participativo racional que tentamos criar.
- Você não tem capacidade sistêmica multimodal para me criticar. Filho da puta.
- Perder a cabeça é a sua crença mágica sazonal. É a sua projeção hedonista polimorfa. É o seu surto anal exibicionista. É a sua antítese conflitante irreal.

Foi então que um dos dois descobriu que o outro tinha uma arma.

* Homenagem do CH3 ao Manual do Cara-de-Pau, livro lançado 20 anos atrás por Carlos Queiroz Telles.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Grandes dúvidas que não têm explicação (13)

Quem é o figurinista do Faustão?

Tal afirmação soa estranha, quiçá absurda. É inimaginável pensar nisso. Mas, existem muitas pessoas que garantem que Fausto Silva já foi engraçado. Tal fato teria ocorrido na metade dos anos 80, época em que ele apresentava o programa “Perdidos na Noite” na Bandeirantes. Sua graça o levou até a TV Globo, onde ele apresenta o Domingão do Faustão desde 1989.

Desde então ele desfilou sua principal característica: ser chato. Faustão é um cara muito chato, incrivelmente chato, imagino que não existam quatro pessoas mais chatas que ele no mundo. Você olha para ele e o imagina fazendo piadas desagradáveis sobre a aparência de alguém. Imagina que ele poderia fazer isso a qualquer momento.

O Domingão do Faustão é caracterizado por alguns quadros marcantes. O melhor, as Olimpíadas do Faustão, prova surreal que colocava várias pessoas em situações absurdas. As famosas vídeo-cacetadas que deixaram de ser engraçadas há 15 anos, o arquivo confidencial com seus closes em olhos marejados. Mais recentemente, a dança dos famosos.

Tudo, entremeado pela chatice do Faustão que, meu deus como é chato, permeia as atrações com as suas já citadas piadas desagradáveis. Várias piadas com o caçulinha e principalmente seu quase bordão “olha lá o tamanho da criança” que ele usava toda vez que uma pessoa, principalmente uma mulher, gorda se quebrava toda em uma vídeo-cacetada.

Esta frase é repleta de ironia pelo fato de que Faustão sempre foi gordo. As pessoas poderiam até dizer que sua chatice era proporcional a isso. Até que houve uma mudança, ele fez uma cirurgia de estomago, perdeu vários quilos e mostrou que sua chatice independia disso.

E aí que entra a nova faceta do Fausto. Agora ele pode usufruir das facilidades do mundo dos Magros e entre elas, usar camisetas vendidas em loja. Nada de modelos feitos sobre medida. Agora, Faustão pode ir a uma loja qualquer e experimentar modelos que os sirvam. E aí que entra a dúvida. Quem é que escolhe os modelos que Faustão usa?

No começo ele primava apenas pelo excesso de brilhos e gravuras.


Aos poucos ele foi inovando e partiu para os botões duplos e, pasmem, botões triplos.

E como se um limite já não tivesse sido atingido, Faustão começou a misturar essas belas camisas com jaquetas. Foi durante o torpedão campeão da copa. Faustão usou uma jaqueta branca com detalhes em vinho que era algo pavoroso. Não postarei a imagem para preservar a saúde de vocês. Ele ainda usou jaquetas de Brim Azul e Laranja, possivelmente numa homenagem a Holanda. Melhor do que assistir aos jogos da copa, era assistir o comercial para saber que roupa o Fausto usaria.

E aí, quem é o seu figurinista? Ele próprio. Faustão é quem comete esses crimes contra si próprio. Ele diz que ele próprio compra suas roupas quando vai a Miami ou na Itália, mostrando que mau gosto pode ser adquirido longe de casa. Ele também nunca repete uma camisa duas vezes e fica nervoso com as críticas. Disse até que apresentaria o programa nu, para que ninguém reclamasse.

A ONU prometeu intervir no programa, caso isso aconteça.

Imagens retiradas do ótimo http://camisasdofaustao.tumblr.com/

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Guia CH3 – Como Tocar Violão

O violão é um instrumento musical. Ou seja, um objeto utilizado para produzir música. Será mais difícil tentar definir o que é música. O formato do violão lembra em muito o número 8, só que com um espeto na parte de cima. Como se sabe, o número 8 é o número mais sensual do planeta, com suas formas arredondadas, entrelaçadas e infinitas.

Por conta desta sensualidade, o violão é muitas vezes utilizado como ponto de comparação ao corpo feminino. “A mulher tem um corpo de violão”, ou seja, gostosa.

Violões e mulheres têm uma ligação bem íntima. É quase um consenso de que o inventor do violão, apenas o inventou para fazer sucessos com as mulheres. Sua primeira composição tinha o nome de uma namorada. Por conta disso, ao longo dos séculos, milhares de jovens têm tentado aprender a arte de tocar um violão. Pode parecer simples, mas não é.

Ou melhor, tocar um violão é simples. Basta ir a uma loja de instrumentos musicais, ver um violão e levar os seus dedos ao encontro da superfície do violão. Pronto, você terá tocado. Se preferir, você pode ir à casa de um amigo que tenha um. Agora, se você quiser tocar o seu violão, você precisará ter um pra chamar de seu.

Você pode roubar um, o que é difícil, porque é difícil esconder um violão e até mesmo sair correndo com um em suas costas. Uma vez que isso é uma contravenção, que pode resultar em cadeia, recomendamos que você compre um violão. Para isso você precisará ter dinheiro – existem diversas formas de arrumar dinheiro, algumas são mais legais outras nem tanto.

Uma vez que você tenha dinheiro, basta ir comprar o seu violão na loja de instrumentos musicais. Procure onde ela fica na lista telefônica, ou na internet. Peça indicação a algum amigo. Escolha o modelo que cabe ao seu orçamento e efetue o pagamento. Volte com o violão para sua casa, se você tiver uma.

Agora você precisará aprender a fazer música com ele. Aí é complicado. Você comprará livrinhos, entrará na internet, mas de nada vai funcionar. Você achará chato e logo pensará que jamais vai aprender. É preciso disciplina, exercícios diários. Contrate um bom professor e pratique. E mesmo assim, o chato é que se você não tiver talento, você realmente não vai conseguir fazer nada demais.

Mas talvez, consiga o básico para tocar More Than Words, duas ou três do Djavan, Jota Quest e outras que te satisfaçam no seu objetivo inicial.


Ou, quem sabe, você pode virar um gênio. Um ás da guitarra, personagem do Guitar Hero. Começar a tocar outros instrumentos, baixo, piano, saxofone, gaita de foles. Quando você se tornar um ícone multimidiático, se lembre de nós.

sábado, 7 de agosto de 2010

Teoria sobre o Axé

Convenhamos que não é muito difícil compor a letra de uma música de sucesso. Tudo dependerá apenas do estilo que você pretende seguir. Não é preciso ser original, nem é preciso ser muito criativo.

Para compor um funk, basta juntar palavrões aleatórios em seu sentido original, dentro de uma sórdida história sexual. Caralho pra lá, buceta pra cá. Traições. Orgias. Quase a vida de um jogador de futebol.

O sertanejo varia entre a linha “corno amargurado” – aquele que dorme na praça, e o corno redimido – aquele que sabe que no fundo ela paga pau. O forró versa sobre a alegria de cantar e dançar um forrózão. Mesmo o Heavy Metal costuma a juntar elementos místicos, com fatos históricos, deus e o diabo, a escuridão, a morte.

Mas nada é como o Axé. Basicamente você tem que fazer rimas de duplo sentido. Ralando na boquinha da garrafa, cuidado com a cabeça do pimpolho. Também é só fazer rimas com calcinha e colocar um verso sobre “beijar na boca”.

Mas é claro, isso se você quiser ter o trabalho de compor uma letra de Axé. É muito mais fácil pegar uma música qualquer e transformá-la em Axé. Sim, qualquer música pode ser transformada em Axé.

A primeira vez que percebi isso foi escutando Ivete Sangalo cantando aquela música de que “A semana inteira, fiquei te esperando pra te ver sorrindo, pra te ver cantando”. Pois foi que em outro dia eu escutei aquela música do Wando “Você é luz, é raio estrela e luar” em ritmo de axé. Depois escutei a macabra “Super Fantástico” do Balão Mágico em ritmo de axé. E também a música do He-Man. A não menos diabólica Ilariê E nem lembro mais quais outras. Mas qualquer uma pode.

Todo axé é igual. Uma batida firme e um ritmo agitado para que a cantora possa gritar “tira o pé do chão galera!”. Metais podem dar uma animada maior no ritmo. Basta a música começar calma, primeiro verso praticamente declamado. E depois as pessoas começam a pular.

Chico Buarque poderia virar Axé. “Todo dia ela faz tudo sempre igual, me sacode as seis horas da manhã, me sorri um sorriso pontual e me beija com a boca de hortelã”. Há palavras como “sacode”, “sorriso” e “beija” que faria todo mundo suar o abada. Até mesmo a ultra-depressiva “Vento no Litoral” do Legião Urbana poderia ser cantada em ritmo de axé. E aí então, versos como “Eu deixo a onda me acertar e o vento vai levando tudo embora” farão as pessoas pular.

O CH3 irá em breve lançar uma banda de Axé sobre composições clássicas da Música Popular Brasileira como “Pra não dizer que não falei das flores”. Nosso objetivo? Sim, ganhar dinheiro.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Debatam-se

Acontecerá hoje na TV Bandeirantes, o primeiro debate entre os candidatos a presidência da república. Lá estarão Dilma, Serra, Marina e Plínio. Todos em pé, atrás de púlpitos e folhas de papel. Outros cinco candidatos não participarão do debate. Três comunistas, um outro cara de bigode e o lendário Eymael (o democrata cristão)¹.

Nós do CH3 poderíamos propor aqui uma cobertura ao vivo deste evento, marco da democracia. Mas não faremos isso por um simples motivo: debates são um saco.

Recentemente nós assistimos a morte do debate. Existiu um tempo em que os debates eram verdadeiros acontecimentos públicos. Todos assistiam e comentavam no dia seguinte. Um claro vencedor era eleito. Repercutiam as perguntas estúpidas e as respostas ridículas, mas, principalmente, as polêmicas.

Eram bons os tempos em que víamos um Garotinho efervescente fazendo comentários maldosos sobre os seus concorrentes. Maluf ironizando sua adversária, que aos gritos pedia um direito de resposta, que sempre era negado. O mediador tinha que pedir para que o microfone do sujeito gritante fosse cortado. Mas nem sempre adiantava. Tínhamos a impressão de que a qualquer momento eles poderiam partir para uma briga de rua.

Mas o debate morreu. Eu que era um fã deles, digo isso com lamentação. O candidato favorito tende a não comparecer. Ele não precisa se complicar. Fora isso, temos um show de perguntas marcadas e um festival de respostas decoradas. Imagino os candidatos decorando frases prontas sobre saúde, educação, emprego e habitação.

Não teremos gritos, não teremos nenhum candidato mostrando um calhamaço de papel encadernado, dizendo que ali estão documentos que comprometem a moral pública do seu oponente. O mediador não terá que interromper ninguém. E não haverá nenhum pedido de direito de resposta². Parece que os candidatos entram para o cenário diante de um pacto de não agressão.

O debate perdeu a sua importância. Transformou-se em mais um fato enfadonho de uma cansativa campanha eleitoral. O debate é tão chato como os jingles, os políticos abraçando pobres, criancinhas cantando.

É preciso fazer algo para que os debates voltem a se transformar em um evento. Uma mulher seminua apresentando, talvez. Uma variedade maior de perguntas. Nada de “o que o senhor pensa sobre a questão da moradia pública” ou “o que você pretende fazer a respeito da saúde”. Porque não, pedir para que ele cite o último filme que assistiu? Que comente a final da última Copa do Mundo. “Candidato, você coloca feijão sobre ou sob o arroz?”. Questões que humanizariam o candidato.

Mas como isso não vai acontecer, é melhor arrumar alguma coisa mais interessante para se fazer no horário.

¹Cante o jingle.
²”Bem mais que o tempo, que nós perdemos”.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Pessoas constrangedoras, volume 7

Pessoas que querem que você se lembre de algo que você não lembra.

Ao longo de sua vida, você conheceu muitas pessoas. Você não se lembra da maioria delas. Você é capaz de se lembrar dos seus 27 colegas de turma na Terceira Série? Não. Por mais que você tenha tido uma boa convivência com alguns. Você também não se lembra de todos os restaurantes em que foi a sua vida. Nem você, nem ninguém. Enfim, ninguém se lembra de tudo.

Mas existem essas pessoas que querem que você se lembre. Ou melhor, que insistem que você tenha que se lembrar de algo que ele mesmo não se lembra direito. Vamos aos exemplos.

1. Pessoas
- Cara, como é que era o nome daquela loirinha, amiga da Milena.
- Não sei.
- Ela andava também com Ângela.
- Não sei, não.
- Loira, olhos verdes, baixinha.
- Não sei cara.
- Era irmã daquele cara que jogava no time de handebol.
- Não sei, juro.
- Porra cara, sentava na segunda fileira, do lado da Rosana.
- Não lembro po.

A situação pode se dar de outro jeito.

- Cara, encontrei a Maísa hoje no Shopping.
- Quem?
- Aquela amiga da Milena e da Ângela.
- Não lembro.
- Baixinha, olhos verdes, loira.
- Sei não.

2. Lugares
- Cara, sabe onde fica o Casarão Mineiro?
- Quem?
- Restaurante de comida mineira.
- Não sei não.
- Ali na Antônio Maria, perto da Barão.
- Nunca fui.
- Mas sabe onde é?
- Não, nunca vi.
- Portão amarelo, letreiro grande em verde.
- Não sei cara.
- Ali do lado do bar do Seu João.
- Não conheço.

2.1 Nomes dos lugares
- Como é que era o nome daquele restaurante turco que a gente foi uma vez?
- Hmm, lembro não.
- Lembra, ali na Estrada do Moinho.
- Sim, eu lembro.
- O dono falava sem parar.
- To lembrado.
- Tinha um arroz com amêndoas, ótimo.
- Sim, sim.
- Acho que a gente foi num feriado.
- 7 de setembro, provavelmente.
- Então, como é que é o nome.
- Não lembro cara.
- Po, acho que é “tenda alguma coisa”.
- Não sei.
- Ou era um nome turco?
- Não sei, caralho.

3. Situações
- Hahahaha, isso me lembrou aquele filme do Tom Hanks, sabe?
- Não.
- Aquele, recente até.
- Não sei.
- Que ele passe num aeroporto, sabe o nome?
- Não cara.
- Po, nunca viu? Acho que é “O Terminal”.
- Nunca vi.
- Como não cara? A gente viu junto.
- Eu não vi não po.
- Viu sim.
- Não vi, porra.
- Então, tem uma cena que é assim, sabe?
- Não sei, eu não vi o filme.
- Sabe a hora que ele chega na lojinha?
- EU NÃO SEI, CARALHO. EU NUNCA VI A PORRA DESSE FILME!

Porque é irritante ser uma pessoa constrangedora.

domingo, 1 de agosto de 2010

Profissões desgraçantes – Figurante Assassinado

O vilão acabou de inventar uma arma de destruição em massa. Bem, talvez não de massa, mas uma arma altamente letal. Um disparador de raios eletromagnéticos capaz de destruir a sua vítima. Alta precisão. Uma mosca pode ser acertada a mais de 1km de distância. Tudo perfeito, do ponto de vista do vilão. Mas ele ainda precisa testar a sua arma. Poderia testar em uma lata de lixo (com todo o respeito que as latas de lixo merecem) ou mesmo num espantalho.

Claro que não. Como ele é um vilão malvado, ele mostrará a capacidade da arma contra uma pessoa, afinal ela foi feita pra matar gente. Ele irá então apontar sua arma contra um pobre transeunte qualquer, que estiver passeando pela rua. Com o apertar de um botão, a vitima será desintegrada.

Ninguém saberá o nome dessa vítima. Se era rico ou pobre. Se tinha filhos, sustentava a mãe com uma doença incurável. Nenhum super herói se arriscou para tentar salvá-lo. O figurante assassinado foi apenas uma vítima do cruel sistema, sua função foi morrer. Mais tarde, todos se desesperarão com a possibilidade de que o herói ou de que a mocinha morra. Mas ninguém se lamentou pelo figurante. Na verdade, as pessoas chegaram a vibrar com sua morte, impressionadas com a capacidade do vilão.

É provável que tenham existidos figurantes assassinados ao longo da história. Dizem que após percorrer o mundo, Marco Pólo estava empolgado com a pólvora. Para mostrar sua funcionalidade, pegou uma arma e atirou num pobre qualquer que estava por perto. Todos ficaram espantando com o que aquela revolver poderia fazer, enquanto o cadáver da vítima jazia estendido pelo chão, derramando o seu sangue. Imagino que muitos coitados tenham servido de cobaia para mostrar o poder de espadas e bazucas.

Nos filmes, não tenha dúvida que o figurante assassinado será um hispânico, que muito provavelmente use bigodes. Mexicanos são as vítimas preferenciais de assassinos cinematográficos.

Aposto que é o mesmo ator. Ele mostra seu currículo “Eu já fui morto em Exterminador do Futuro, Godzilla, Homem de Ferro, Rambo I, II, III e IV, Desejo de Matar e Jogos Mortais IV”. É um ganha pão, sem dúvida. Mas imagino que o assassinado deve sentir depressão em alguns momentos.

Recebe um telefonema “queremos que você morra na continuação de Missão Impossível”. Outro telefonema “tem espaço na agenda? Queremos que você seja assassinado na primeira cena do novo filme do Steven Seagal”. E ele então vai para estúdio, para ser atropelado em uma perseguição de automóveis em Velozes e Furiosos.

Até que esse cara alcança um papel principal na sua vida. No Linha Direta, aquele programa em que os protagonistas sempre morrem.