sábado, 31 de dezembro de 2011

Retrospectiva 2011


Já é uma tradição no CH3. Nós sempre fechamos o ano com uma retrospectiva, ao melhor estilo global. Vocês sabem que um ano não acaba enquanto a retrospectiva do CH3 não for publicada. E nossa retrospectiva é publicada no último momento do ano, quando os foguetes já explodem em diversos lugares do mundo. Tudo para que nenhum fato fique de fora, nem mesmo a corrida de São Silvestre. (Pra dizer a verdade, nesse ano ficou tarde demais. Eu tinha esquecido de fazer).

Creio que daqui a 100 anos, os historiadores falarão de 2011 como o ano dos cadáveres. Este foi o ano em que fomos expostos a visão do cadáver ensanguentado de Khadafi. Seu linchamento encerrou o seu regime, mas não encerrou a polêmica sobre a grafia do seu nome. Também tivemos a morte de Osama Bin Laden, com uma possível foto fake de seu cadáver. Um símbolo deste século, Bin Laden foi homenageado por vereadores do Brasil e seu corpo foi enterrado em um lugar aleatório do mar. Um trabalho danado, mas que visa evitar que seu túmulo vire ponto turístico.

Os dois não foram os únicos inimigos dos Estados Unidos a morrer. Quem também passou desta para a pior foi o ditador norte-coreano Kim Jong-Il. Para os americanos, resta torcer apenas pela morte de Hugo Chaves e Fidel Castro. Ou não. Se isso acontece, o que eles vão fazer com o exército?

A morte de Kadafi (ainda sonho em fazer um texto utilizando todas as 141 maneiras de escrever seu nome), veio na onda da Primavera Árabe. Um movimento de libertação que levou os egípcios até a praça Tahrir, de onde eles nunca mais saíram. Mesmo vazia, a praça ainda ecoa os gritos da revolução. Conflitos ocorreram na Tunísia, Egito, Líbia, Marrocos, Síria, Bahrein, enfim, em tantos países com simpáticos ditadores no poder há 40 anos.

Os protestos também chegaram à Europa. Uma crise econômica sem precedentes derrubou primeiros-ministros em todo o Velho Continente. Jovens saíram às ruas utilizando máscaras do V de Vingança. O único lugar que se manteve na mais perfeita paz foi o Reino Unido. O país parou para ver o casamento real e ninguém escutou Sex Pistols.

A única coisa que caiu mais do que ditador árabe, foi ministro do governo Dilma. Até o momento, sete ministros foram embora pelos mais diversos motivos e tantos outros também quase ficaram sem emprego. Derrubar seu próprio ministro virou sonho de consumo das principais redações brasileiras. E enquanto ministros caiam, Jair Bolsonaro pregava um discurso de amor e compreensão aos homossexuais.

Falando em Bolsonaro, 2011 também teve os seus tradicionais psicopatas. Atiradores amadores que resolvem fuzilar pessoas a esmo pelos mais diversos motivos. Tivemos um norueguês maluco, que queria impedir que a Noruega ficasse igual ao Brasil. E no Brasil nós também conseguimos produzir o nosso psicopata, o Wellington do Realengo. Além de chocar a sociedade, ele foi o responsável por colocar o Bullying na boca do povo. O Bullying virou o discurso a ser ridicularizado da vez.

Mas, não é apenas o ser humano que produz mortes em série. Tivemos as tragédias naturais de sempre. Na região serrana do Rio de Janeiro, a chuva arrasou cidades e deixou um rastro de destruição. E no Japão, um terremoto vitimou milhares e ainda trouxe o pânico de um acidente nuclear.

Tivemos os mortos famosos, como a cantora Amy Winehouse que conseguiu sobreviver até os 27 anos. O jogador Sócrates, a atriz Elizabeth Taylor, o escritor Moacir Sclyar também morreram. Assim como o messias Steve Jobs, que deixou milhares de órfãos, incluindo pessoas que jamais tiveram um iPod.

Também tivemos aqueles que não morreram, como é o caso do Oscar Niemayer ou do Zagallo, que enganam os prognósticos há algum tempo. Ou o Lula, o ex-presidente que criou uma verdadeira corrente pela sua morte, através de um eufemismo facebookiano que pedia para que ele se tratasse no SUS.

Aliás, o Facebook foi um ótimo lugar para se acompanhar os assuntos do ano no Brasil como: o Prazer Anal de Sandy (bom nome para um livro), a pedofilia extremista de Rafinha Bastos, os divórcios de Zezé di Camargo & Luciano, Fátima Bernardes & William Bonner. Ou mesmos os vídeos fofinhos da banda mais bonita da cidade (aquela que parou na timeline de todo mundo e hoje ninguém mais se lembra), ou de Eduardo & Monica. Aliás, minto, foi péssimo acompanhar isso no Facebook.

E claro, nesse ano nós tivemos a despedida de Ronaldo dos gramados. Com 180 kg, ele fez o Pacaembu tremer e chutou bolas fora do estádio. Para variar, o Brasil foi humilhado nos mais diversos segmentos esportivos. De Felipe Massa ao Santos, acho que não conquistamos nada, nem no vôlei. A seleção brasileira se mostrou a pior batedora de pênaltis da história e Neymar virou um símbolo sexual, com um cabelo escroto, imitado por criancinhas de todo o mundo. Para piorar, o Corinthians foi campeão.

Por essas e outras, é melhor imaginar que 2011 será o ano dos cadáveres mesmo. Enfim, aproveitemos, porque a partir de amanhã, ninguém mais poderá escrever idéia e seqüência. A trema vive seu último dia na legalidade.

***

O Ano do CH3.

Eu seria injusto se falasse que 2011 foi um ano ruim para o blog. No entanto, seria mentiroso se falasse que foi bom. Por um lado, nós conseguimos 47 mil visitas neste ano, o que é um recorde e recordes são recordes, diria o filósofo. Por outro lado, os comentários desapareceram de vez, as pessoas passam cada vez menos tempo por aqui, enfim, ficamos abandonados. Não nos deixem sós!

Não conseguimos sequer provocar polêmicas. Penso que teremos que fazer piadas hereges ou sobre o Rafinha Bastos para chamar a atenção. Cheguei até a pensar em aposentar o blog, mas o ímpeto suicida foi contido. Com menos posts, ainda continuamos na ativa, para azar da nação.

Mas, eu tenho que reconhecer que os posts caíram de qualidade. Olho para alguns períodos em 2008 e vejo um clássico da literatura mundial atrás do outro em nossas páginas. Mas enfim, não há um único assunto que não tenha sido explorado neste blog, tirando talvez a coprofagia. E há também o fato que, vejam vocês, 2011 é o primeiro ano da história em que apenas eu postei no CH3. Pois é. Todos os 174.

Mesmo assim, esperamos que na medida do possível, 2012 seja um bom ano para todos, especialmente para você. Seja você alguém que está lendo esta retrospectiva no final de 2011, ou o historiador de 2111.

Há algo mais difícil do que encerrar uma retrospectiva sem um clichê? Soltem os malditos fogos, uhu!

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Os Maias

Se há um conselho que eu posso dar para você hoje, este conselho não é “use filtro solar”. Sim, o filtro solar pode ter muitos benefícios, ele vai te proteger do câncer de pele, irá te fazer viver até os 200 anos. Mas eu não pretendo te aconselhar a escovar os dentes, comer salada, não exagerar no sal, tomar banho e limpar a parte de trás das orelhas. O CH3 não é a sua mãe.

Eu diria para você fazer tudo o que você sempre quis fazer nesta virada do ano. Realize os seus sonhos, faça tudo o que você planejou, mas jamais cumpriu. Viaje para onde você sempre quis, apronte todas as loucuras mais improváveis, toque o terror. Afinal, este será o último réveillon de nossas vidas. Todos nós sabemos que o mundo irá acabar em 20/12 de 2012, conforme os Maias nos avisaram.

Ok, é mentira. Não vá deitar pelado na mesa do seu chefe e depois colocar a culpa no CH3. O mundo não vai acabar em 2012. Convenhamos, os maias não conheciam Jesus e, portanto, eles não usariam o calendário gregoriano. O mundo deles não tinha a menor noção do que era 2012. Ainda mais, um cabalístico 20/12 de 2012.

Convenhamos, seus apocalípticos de merda. É muito óbvio que o fim do mundo maia é uma farsa. Lembremos também, de como os maias foram uma civilização fracassada. Eles não conseguiram sequer prever o fim deles e vão querer o prever o fim do resto da humanidade? Olhem para o seu quintal primeiro, oras. Aliás, vocês só conheciam o México e queriam falar sobre o resto do mundo?

Na época do colégio, nós sempre estudávamos os Incas, os Maias e os Atecas (sempre citados nesta ordem, provavelmente por conta de alguma convenção internacional). Os Incas viviam na região do Peru e tinham uma bandeira igual ao movimento LGBT. Então, os espanhóis chegaram aqui, viram que a região tinha ouro e mataram todos os índios. Já os astecas viviam na região do México. Os espanhóis chegaram e, como curtiam um genocídio básico, resolveram matar os índios. Armaram emboscadas e trouxeram pessoas com varíola, só de sacanagem.

Agora, e os maias? Os maias viveram bem antes da chegada dos espanhóis e sumiram do nada. Eles foram antecessores das outras sociedades pré-colombianas. Os espanhóis só acharam os seus restos arqueológicos, nem tiveram o prazer do extermínio. Os Maias construíram um império sensacional, com um alfabeto funcional, arquitetura avançada, enfim, eram mais evoluídos que qualquer outro povo. Mas, sumiram. Sumiram.

Eu não estranharia se, num futuro próximo, todos descobríssemos que os Maias eram alienígenas perdidos no nosso planeta. Que um dia eles vão aparecer com suas naves espaciais para provocar o Armagedom. Enfim. Concluo apenas que estes losers não tem o direito de dizer quando é que a terra vai terminar.

Não perca amanhã, se tudo der certo, a excepcional Retrospectiva anual do CH3, na voz marcante de Sergio Chapelin.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Guia CH3: Como nomear uma cidade (ou um conjunto habitacional)

Você está viajando pela estrada sem saber para onde e nem quando vai voltar. E então, passa por aquela placa verde com os dizeres: “Bem Vindo a Murutinga – A Capital do Investimento Agrícola”. Talvez, a identificação da cidade esteja naquelas grandes letras brancas afixadas no centro da rotatória de acesso. Você se pergunta de onde vieram essas letras brancas, de onde vem este nome tão exótico, esta Murutinga para os nossos ouvidos.

O que é preciso para criar uma cidade? Eu não sei. Eu poderia consultar a constituição para dar uma resposta mais exata, mas esta não é a minha intenção. O fato é que cidades surgem a cada dia, a cada ano, nos mais diversos lugares da galáxia e imagino que com essa profusão de cidades, criar um município deva ser fácil.

No Brasil existem quase seis mil municípios e nenhum tem o nome repetido. Muitos deles são do tamanho do seu bairro, mas não importa. Eles estão lá, com sua bandeira, seu brasão, seu lema e seu criativo nome. Ou seja, para pedir a independência do seu bairro não basta um cavalo, um córrego, palavras de ordem, sangue, suor e lágrimas para derrotar o poder central que não vai gostar do seu levante. É preciso de criatividade.

Você pode muito bem dar uma de Guimarães Rosa e inventar palavras. Ou então, chamar sua nova cidade de “Harry Potter” ou “Tobinha Natural”, mas é provável que não pegue bem. As pessoas irão embora da cidade, envergonhadas. Por outro lado, elas se sentiriam atraídas por uma Serra da Vista Dourada. Então, para aumentar a estima dos seus soldados, digo, dos seus contribuintes, recorra aos métodos de nomeação já existentes.
- Utilize um nome indígena, mesmo que nenhum índio viva, ou jamais tenha vívido no território do novo município. Pegue um dicionário tupi e escolha uma palavra bonita. Ex: Taiobá, Calaoca, Jurutéia.
- Resolva que o lugar vai ser o “novo” alguma coisa. Mesmo que as pessoas da cidade não tenham nenhuma ligação com o antigo e nem sequer soubessem da sua existência. Dá um ar de modernidade. Ex: Nova Roterdã, Novo São João.
- Utilize a geografia. Marque dados da topografia junto com os pontos cardeais. Dá um ar de charme e (um quê de) mistério para a cidade. Ex: Planalto do Sul, Lagoa do Oeste.
- Utilize os clichês sobre riqueza ou beleza ao lado de um simpático “Vila”. Fará com que a cidade pareça um local acolhedor. Ex: Vila Bonita, Vila Rica, Vila Feliz.
- Utilize a religião. Pegue qualquer santo existente e misture com algum elemento natural. Ex: Santo Antônio das Palmeiras, Santa Ana dos Sábias.
- Misture tudo aleatoriamente. Ex: Santa Rita do Sul, Vila Rica dos Pardais, Roterdã do Leste, Nova Vitória de Santo Antão, Nova Vila Bela da Jurutéia do Sul, União do Planalto Bonito do Santo Leste.

No entanto, o mesmo não vale para um hipotético conjunto habitacional de vossa autoria. Se você resolver construir um residencial – seja do tipo casas de COHAB, seja do tipo que tem helicópteros fazendo a segurança – você deve dar um ar diferenciado de exclusividade, para satisfazer os brasileiros que vão atrás do sonho da casa própria. O rótulo é muito importante, igual aquelas latinhas coloridas de panetone.

Primeiro, escolha algum nome estrangeiro afrescalhados para o seu residencial. Coisas com Ville, Village, Belvedere, Maison, Resort, Park. No máximo, um Solar. Depois, escolha aleatoriamente algum elemento da fauna/flora local para fazer um contraponto. Escolha algo exótico como um Flamboyant, ou elementos nostálgicos como Ipês, animais locais como tuiuiús, morsas, lontras, antílopes ou ornitorrincos. Ou mesmo genéricos como “Água” e “Pedra”. O lado bom de escolher um genérico, é que facilita a nomeação das torres (atual nome dos antigos prédios), ou mesmo das ruas.

Então, faça a junção dos elementos.
Belvedere Das Palmeiras
Solar Dos Ipês.
Village Das Ametistas.
Capivaras Ville.
St. Ettiene Ville.
Flamboyant Resort.
Village Das Garças.
Solar Das Safiras.
San Juan Resort.
Solar Encontro das Águas.
Maison Dos Tuiuiús.
Fortaleza Dos Buritis.
St. Patrick’s Park.
Belvedere Das Fezes Humanas.

E então, ganhe dinheiro.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Como Você vai passar a Virada esse ano?

Agora que o Natal já passou, as pessoas podem parar de se preocupar em comprar presentes no dia 24 de tarde e em montar a sua árvore de natal com apenas 30 reais. Agora, a grande preocupação é a virada do ano. Você tem uma semana pra se programar, uma semana para que sua virada seja um sucesso.

As notícias nos informam que este ano a expectativa é que ainda mais 100 mil pessoas resolvam passar por Copacabana. E você pensa: como é que ainda cabem mais 100 mil pessoas naquela praia? Fizeram obras de ampliação da praia? Ou será que as pessoas estão adquirindo a cultura de uma ficar sentada sobre os ombros da outra? Enfim, saímos às ruas, saímos pela internet e perguntamos a pergunta que está no título deste post.

Carla Fonseca, assistencialista – Belo Horizonte: Este ano eu e meu marido nos programamos bem. Compramos passagens e iremos para Paris. Minhas amigas falam que o réveillon naquela Torre Eiffel é sensacional, coisa de primeiro mundo. Meu sonho, é que um dia todas as criancinhas pobres também possam passar o réveillon em Paris.

André Roberto, paulistano – São Paulo: Meu, esse ano, se tudo der certo eu vou passar o réveillon na estrada para Santos. Faço isso todos os anos. Pelo o que eu tenho conversado com as pessoas, se eu sair na quinta-feira, eu devo conseguir ficar na estrada durante a passagem. Ano passado eu saí três dias antes e dei azar, consegui chegar em Santos no dia 31 de tarde. Mas, se deixar pra sair no dia 31, é possível que eu nem consiga pegar a estrada e passe a virada na esquina de casa.

Roberto Andrade, gari - Rio de Janeiro: Eu vou passar em Copacabana. Nesse ano eu peguei o trabalho no dia 31 de dezembro e vou passar a virada limpando as coisas que as pessoas jogam no chão. Mas, é a minha vida, eu não reclamo.

Bóris Casoy, jornalista – São Paulo: Com certeza, passarei o ano novo melhor do que os garis. Eles, que no alto de suas vassouras ocupam o lugar mais baixo da escala de trabalho.

Rafael Maia, jornalista – São Paulo: Vou passar o réveillon na Avenida Paulista. O jornal me colocou na escala e eu vou cobrir os shows. Tenho que ver se consigo entrevistar algum artista, populares alcoolizados. Meus amigos todos me chamaram para passar a virada numa chacará em Itu, com bebida, mulheres... mas eu não reclamo, é a minha profissão. Digo, eu odeio isso. Você acha que eu vou ganhar hora extra? Você acha que eu vou folgar na segunda? Pelo menos é melhor que o pessoal da televisão, que além de tudo tem que fingir que é superdivertido narrar os foguetórios.

Rafinha Bastos, comediante stand-up – São Paulo: Vou passar o réveillon em Salvador, fazendo um show para uma empresa que me contratou.

Ítalo Camargo, vendedor – Salvador: Eu vou estar na plateia desse show. Eu odeio a minha vida.

Mulher Pessego, mulher-fruta – Rio de Janeiro: Vou estar na festa de um ricaço numa suíte do Copacabana Palace. Ainda não sei se eu vou dar para o filho dele ou se é para ele mesmo. Ou se para os dois. O valor do meu cachê foi bem alto.

José Stalin, comunista – Feira de Santana: Eu sou comunista e não acredito que Jesus nasceu no dia 31 de dezembro. Fora isso, é uma data capitalista. Vai ser um dia como todos os outros. Vou ficar no meu quarto me masturbando.

Walter James, piloto de avião – Manaus: Vou passar o réveillon na ponte aérea Manaus/Porto Alegre. Quando chegar a meia noite eu vou passar a minha mensagem para os passageiros: “Senhoras e senhores, informamos que chegamos a meia-noite e já estamos em 2012! O capitão Walter James e sua equipe desejam um feliz ano novo para todos os passageiros. Ladies and Gentlemen, we inform to you that we come to midnight e we’re already in 2012! The captain Walter James and his equip hope a happy new year for all the passengers!” De vez em quando nós brindamos com algum champanhe, mas alguns passageiros não gostam muito dessa ideia. Mal sabem que eu piloto melhor depois de beber.

Justin Bieber, cantor pop canadense – Canadá: Réveillon? O que é réveillon? Não conheço essa palavra.

Cão Leproso, cachorro sem braços – Cuiabá: Vou ficar em casa. Sozinho. Na Chuva.

E não se esqueça! O CH3 estará promovendo uma grande festa de ano novo na… não, não vai estar.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Versões Natalinas

Americanos têm um estranho fetiche. Eles adoram discos natalinos. Enquanto aqui no Brasil esses discos são usados apenas por administradores de Shopping Center, nos Estados Unidos eles são uma febre. De Bob Dylan a Justin Bieber, de Aimee Mann a Lady Gaga, todos esses artistas lançaram CDs especiais de Natal.

Esses discos consistem em versões de velhos clássicos como “Jingle Bells” ou “White Xmas” até versões próprias, produzidas pelos próprios cantores. Parece improvável que alguém ainda escreva uma música sobre o natal, mas, sim, isso acontece.

Imagine como seria se os artistas brasileiros resolvessem seguir a moda? Até Hoje, Simone é a única cantora que resolveu se enveredar por esses meios, o que talvez explique seu interminável sucesso em 25 de dezembro.

Chitãozinho e Xororó
O Natal deixaria de ser uma data de confraternização e renovação de esperanças para se transformar em um período de lamentação pela merda da mulher amada.
“O Sino que agora está batendo
Neste 25 de dezembro
Já foi o símbolo do nosso amor
Mas, para a minha dor
Foi em um Natal que você foi embora
E só me resta chorar agora”
Funk
O Funk consiste em putaria ilimitada. Assim sendo, qualquer MC seria capaz de cantar as sacanagens ocultas desta data.
“Os mulek tá dançando
Com as rena tá chegando
É a rena, éarenaéarenaéarenaéarena, é a rena!
Ih! Fudeu! Papai Noel Dançando o Créu
Papai Noel Dançando o Créu!
Créu! Créu! Vai! Vai! Vai!
Balança o saco Papai Noel!

Ivete Sangalo
Trazendo a onda da Micareta Natalina, Ivete Sangalo lançaria um disco ao vivo sobre o tema. Aliás, todas as músicas de Axé só têm versão ao vivo ou é impressão minha?
“Tira o pé do chão galera!
Escrevi minha cartinha para o Papai Noel
Disse que esse ano eu me comportei bem
Vem Comigo!
E o que eu quero ganhar?
Beijo na Boca! Beijo na Boca! Beijo na Boca, quero ganhar!"

É o Tchan
É com um misto de satisfação e lamentação que nós percebemos que o É o Tchan, sempre tão temático, jamais fez canções sobre o Natal.
“O Duende Chegou na Bahia junto com a Rena
Pra montar fábrica de brinquedo
E a Morena foi ralar o tchan lá na Lapônia
E todo mundo dançou junto
Na Mistura Brasil com Pólo Norte
Papai Noel em Salvador
É o Tchan no Natal! Tuduturupá!

João Gilberto

Comemorando seus 115 anos, João Gilberto homenagearia seus fãs com um disco simples, no valor de R$ 500.
“Pego meu banquinho e meu violão
E escrevo uma canção
Dentro de poucos minutos o Papai Noel estará no Galeão
A morena caminhando em Ipanema
Balançando como um poema
Ela é o presente que eu quero”
Ainda poderíamos ter versões de Michel Teló, fazendo algum trocadilho genial incorporado a uma coreografia de duplo sentido, enfim. É um mundo amplo.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Profissionais de folga

Um médico é uma figura estranha, diria que transcendental. Em nossa cabeça, imaginamos que os médicos trabalham 24 horas por dia. Que enquanto você dorme, ele está lá abrindo a barriga de algum convalescente. Que enquanto você dorme, ele está de plantão receitando analgésicos para alguém. Que enquanto você está esperando a consulta, ele está... bem, consultando as pessoas que chegaram antes que você e como demora porque você já está esperando há duas horas.

Quando encontramos um médico que não está em serviço, que está em horário de folga, parecemos não acreditar. Diante daquele cidadão de bermuda e camisa pólo, acreditamos que ele ainda está trabalhando, ainda o vemos com o jaleco branco. Então, na mesa do bar, resolvemos consultar o doutor.
- Ah, você é médico! Sabe que eu tenho uma dor no joelho, que todo dia quando eu acordo de manhã eu mal saio da cama. Depois de um tempo passa, mas se eu volto a ficar parado, dói de novo. O que será que é?
- Olha, você vai morrer.

Não nos importamos em saber a especialidade do médico, se ele é psiquiatra, geriatra, urologista, oftalmologista, cardiologista ou oncologista. Queremos um diagnóstico rápido e preciso na mesa do bar. Parece uma ótima oportunidade de resolver a sua vida sem gastar um tostão sequer. Aquela dorzinha chata que você acha que não vale a pena ir ao médico para resolver.

Pior ainda, é quando o caso é de outra pessoa.
- Sabe, minha avó, ela fica gripada facilmente. E sempre que ela fica gripada, ela soluça muito. Será que é grave?
- Sim, ela vai morrer.

Outra pessoa que sofre com isso são os técnicos de informática. Pode dizer, você tem algum amigo com alguma formação em computação e sempre pergunta para ele qual é o problema do seu computador. Nem que essa formação seja um curso de digitação da Datacontrol.
- Cara, quando eu abro o Real Player, meu computador trava, desliga sozinho, o que será que é?
- Bem, ele quebrou.

Pior, é que o cidadão é formado em ciências da computação. Passou boa parte da sua vida estudando matemática pura e bruta. Mesmo assim, você não pedira palpites apenas sobre computadores. Pedirá para ele controlar sua calculadora, seu relógio, seu videocassete, seu toca vinil, sua pulseirinha do equilíbrio. Como se ele fosse um técnico reparador de tudo.

Imaginem se fosse assim com outras profissões? Como com os jornalistas?
- Ah, legal, jornalista. Pô, você podia... ahn, o que o jornalista faz? Você podia me dar boa noite.

Bem, esse é um sinal dos tempos. Os dois maiores problemas que sofremos atualmente estão no nosso corpo e nas nossas máquinas. Sempre precisamos resolver algum problema com elas.

No máximo, quem também sofre com isso são os artistas. Quando alguém desenha, compõe, escreve, as pessoas logo pensam que ele fará isso a qualquer momento. Imagino alguém encontrando van Gogh no bar e dizendo:
- Pô, faz um quadro aí pra mim.

Na sequência, ele cortou a orelha.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Amigo Oculto CH3 2011

O ano está chegando ao final e um ano não pode terminar sem os tradicionais amigos ocultos. E não há um amigo oculto que se compare ao que é realizado por nós do Blog CH3. Um evento midiático, acompanhado por pessoas do mundo inteiro. O momento de revelação é aguardado por ansiedade. Os presentes, comemorados como se fossem gols de qualquer time contra o Corinthians.

Andava pelas ruas e as pessoas me perguntavam “e aí, esse ano não vai ter amigo oculto?”. Respondia reticente. Os conflitos na agenda podiam impedir a sua realização. No entanto, contratamos uma empresa de assessoria jurídica, que entrou em contato com os advogados de cada membro do blog e conseguiu se estabelecer uma agenda em comum para a troca dos presentes.

Começou-se então uma discussão sobre a metodologia a ser utilizada no evento. Um grupo dissidente, liderado por Alfredo Chagas, pedia a realização do amigo oculto no estilo “ladrão”, para garantir mais emoção ao espetáculo. Outro grupo, encabeçado por Hanz, o pansexual, queria um amigo oculto do sexo. Idéia rechaçada por todos. Hanz ficou decepcionado, mas tudo bem, felizmente ele ainda está fora do Brasil.

A ala tradicionalista evocou o acordo assinado na Convenção de Genebra¹ e conseguiu vencer a batalha nos tribunais, garantindo o amigo oculto tradicional. O sorteio dos nomes foi feito na sede da Caixa Economica Federal, com papeizinhos embalados a vácuo. E então, munidos de seus presentes, todos nos encontramos na casa do Cão Leproso, o nome da vez no rodízio de casas estabelecido na Convenção de Genebra¹.

Como o Cão Leproso é um cachorro vira-latas sem braço, nós nos reunimos debaixo de uma mangueira localizada ao lado da Casa de Diversão Noturna Carnicentas. Tackleberry fez o tradicional discurso do presidente. Um discurso constrangedor, no qual ele confundiu o nome dos presentes. Agradeceu ao pedreiro Hanz, ao pai-de-santo Marcão de Ogum e ao pansexual Jorginho Chagas, entre outros.

Alfredo Chagas, é claro, pediu o microfone. Pediu um minuto de silêncio em homenagem ao nosso companheiro Bin Laden, que passou para o outro lado. Também protestou contra o formato do Amigo Oculto e ameaçou atirar fogo contra o seu próprio corpo. Para o azar de todos, ele não tinha nenhum palito de fósforo.

Cão Leproso agradeceu a presença de todos em sua humilde residência e deu início aos trabalhos. O momento é sempre aguardado. Cão Leproso sempre escolhe bons presentes. Pelo menos em comparação com os outros presentes dados nessa cerimônia. Cão Leproso pigarreou, engasgou e anunciou que eu era seu amigo oculto.

Levantei com aquela cara surpresa de quem ganha um Oscar. Deve ter sido a oitava vez que o Cão Leproso me presenteia, em cinco amigos ocultos. Ganhei um par de fones de ouvidos e o álbum de figurinhas da Copa de 74, autografado por Beckenbauer.

Agradeci o presente e logo anunciei o meu sorteado. Odeio tergiversar nesses momentos. E era Tackleberry o meu escolhido. Presenteei-o com um pen-drive de 16 gigas que ganhei em uma rifa no mês passado. Tackleberry, por sua vez, havia tirado Pai Jorginho de Ogum. O pai-de-santo disse “eu já sabia” e tirou de dentro da sacola um DVD com as melhores narrações de Galvão Bueno.

Pai Jorginho de Ogum se disse aliviado com o fato de que o seu amigo oculto não estava ali. Ele era Hanz, o Pansexual. Para quem não se lembra, o velho tarado foi até o México cobrir os Jogos Pan-Americanos, com apenas uma passagem de ida comprada pelo blog. Desde então, ele está voltando para o Brasil em veículos alternativos. A última notícia é que ele estava montado em uma lhama na Nicarágua.

Jorginho entregou um livro “10 motivos para permanecer na América Central”, de autoria de Sidney Sheldon para o advogado de Hanz, que o representava na festa. Este misterioso advogado comunicou que o amigo oculto de seu cliente era Vinicius Carlos Gressana. Vinícius não acreditou naquilo. Quis encerrar a confraternização, afinal, todo ano ele era sorteado por Hanz. Foi convencido a voltar atrás, lembrado que pelo menos o velho nojento não estava por lá. Aceitou. Recebeu de presente um sombreiro peniano.

Vinícius disse que seu amigo secreto era como um filho para ele. Era Guilerme. Não se abraçaram, devido a fragilidade física do boneco de isopor. O presente era um conjunto de cartolina e isopor, para uma futura reforma do Original. Guilerme, por sua vez, sorteou Marcão. Presenteou-o com uma camisa pólo vermelha da Riachuelo. Marcão chorou, emocionado.

Marcão, por sua vez, disse que seu inimigo oculto era o chato do Alfredo Chagas. Alfredo recebeu o pacote e gerou confusão ao querer roubar o pen-drive de Tackleberry. Ele gritava que iria estabelecer o regime autoritário do amigo oculto ladrão contra tudo e contra todos e que iria iniciar uma nova hegemonia a base da força. Foi contido pelos seguranças. Alfredo abriu o pacote e tratava-se de uma boina da Nike, com o símbolo da Adidas. Disse que usaria aquele presente para limpar a bunda e anunciou Cão Leproso, o anfitrião como amigo oculto.

Cão Leproso ganhou uma caixa, de onde saiu um forno microondas e uma raquete de tênis. Deu pulo de alegrias e perdeu uma unha do pé.

Não houve tempo para o show dos Benga Boys, até porque, eles estão realizando uma turnê em distritos de Santo Antonio do Leverger. Encerrado o evento, todos voltaram para suas casas, acompanhados de seus seguranças em seus carros blindados. O Cão Leproso ficou só, debaixo da mangueira.

¹ Em Dezembro de 2007, antes do primeiro amigo oculto do CH3, a equipe do blog se reuniu na padaria Genebra, próxima a casa de Pai Jorginho de Ogum. Lá, acertamos todo o regulamento do evento, incluindo o rodízio residencial, que contemplaria todos os participantes. A ordem das casas só é conhecida por nós, para evitar atentados terroristas. O pacto tem uma validade de nove anos.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Um Natal de Terror

De repente o trânsito para. Todas as pistas ficam congestionadas, o tráfego não pode fluir. Não há escapatória. Não há como se locomover. Você começa a imaginar o que é que aconteceu. Será que foi um acidente de grandes proporções? Um semáforo quebrado? Alguma passeata? O tão esperado apocalipse zumbi que fará com que em breve você tenha que descer do carro para correr no sentido oposto?

Na verdade, é uma mera entrada de Shopping Center. Naquele momento, todos os carros que estão a sua frente (e todos que estão atrás), têm um único desejo: entrar no shopping para fazer compras. Para isso, eles atravessarão faixas, trancarão o trânsito, cometerão assassinatos e deixarão de lado toda a bondade, a esperança e esses negócios que se renovam em nossa alma nessa época do ano.

Você começa a pensar no que fazer. E de fato, não há nada para fazer além de esperar. Até porque, você também pretende ir ao shopping. Talvez, a única coisa que reste fazer é esperar eternamente. Escutar todo o seu pen drive de 16 gigas e esperar pela morte. Escrever o seu testamento e torcer para que seu corpo seja encontrado naquele monte de carros.

Mas, acalme-se. Você conseguirá entrar no shopping alguma hora, muitas horas depois. Só que isso não significa o fim do drama. Você terá que encontrar uma vaga dentro daquele estacionamento. Um estacionamento gigantesco, mas que incrivelmente não tem vagas. Quando você vê um espaço vazio, pode ter certeza que é uma vaga de idoso. Outro espaço vago, mas não dá pra parar, porque o infeliz do motorista da picape do lado parou o carro torto e ocupou três vagas com um só carro.

Conheço relato de pessoas que perderam seus familiares assim. Mulheres que foram deixadas na porta do shopping por seus maridos e viram eles irem em busca de uma vaga e nunca mais voltarem. Hoje, seus rostos estão estampados em botijões de gás. Mas, físicos entendem que estacionamentos de shopping são uma passagem secreta para um mundo paralelo. Um ponto fundamental para entender a origem do universo.

Depois que você tiver conseguido parar seu carro (se isso for possível), você terá que caminhar longos quilômetros até chegar a porta de entrada do grande estabelecimento comercial. Ao seu lado, você verá pessoas com shorts curtos e tênis correndo maratonas. E, se você tiver azar, ainda poderá ser agarrado por um padre irlandês que queira tirar você da liderança.

Assim que você conseguir entrar no shopping terá que enfrentar um mar de pessoas. Crianças correndo em buscas de seus pais. Adultos, que se perderam dos seus pais no Natal de 1976 e até hoje não os encontraram e vagam pelos corredores com roupas apertadas. Pessoas tirando fotos de seus filhos chorando no colo do Papai Noel, prêmios que serão distribuídos e ocupam os corredores.

E claro, os presentes. Você vagará pelos corredores até encontrar o que queria comprar. Terá que se acotovelar, participar de alguns duelos, para conseguir o último exemplar daquele livro que você quer dar para seu avô. E enfrentar a fila.

Já presenciei alguns casos de partos que aconteceram na fila da Lojas Americanas. E os recém-nascidos saíram da loja direto para a matrícula no colégio. Gerações se revezaram na fila, a espera da oportunidade de passar aquela coleção de DVDs que estava em uma promoção imperdível que vai satisfazer em cheio os desejos e anseios do seu sorteado do amigo oculto.

Esse processo se repetirá em várias lojas. Quando você conseguir sair do shopping, às4h da manhã, estará com sua roupa rasgada, a barba por fazer e a sensação de que foi batido dentro de um Juicer Walita, logo após ser pisoteado por rinocerontes bêbados e sádicos.

O último desafio hercúleo ao qual você será submetido é o de encontrar o seu carro. Lembrar qual das 34 saídas do Shopping é a mais próxima do local em que você estacionou o seu carro. E se você o estacionou no setor A ou B ou C ou D ou E ou F ou G do setor amarelo ou vermelho ou azul ou verde do primeiro, do segundo ou do terceiro andar do bloco 1 ou do bloco 2.

Provavelmente, seu carro será o último que ainda estará lá estacionado. A tsunami humana de poucas horas antes será substituída por um vazio desértico de pessoas. Seu carro estará lá abandonado. E todos nós sabemos que um estacionamento deserto é uma cena para assassinatos. Com certeza, algum homicida, serial killer, ser sobrenatural estará te esperando. Pelo menos, no mínimo, seu carro explodirá e as imagens do circuito interno vão desaparecer.

E ai, finalmente, você chegará em casa, a tempo de tomar banho e voltar para o trabalho. E, é nesse momento que você lembrará que esqueceu de comprar aquele presente para o seu pai.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Pesquisadores Desocupados

Comer picanha ajuda a memória. A novidade foi descoberta por pesquisadores do Instituto de Ciência e Tecnologia Aplicada a Alimentação da Universidade de Cambridge. Para chegar até esse resultado, eles alimentaram ratos com picanha durante seis meses e perceberam que os roedores alimentados com a carne memorizavam caminhos de maneira melhor do que os que se alimentavam apenas com ração.

Esta pesquisa não é verdadeira, mas bem que poderia. O tempo todo nós somos bombardeados por descobertas revolucionárias, experimentos de cientistas estrangeiros que irão mudar sua vida. Mais sobre isso, você poderá ver no próximo Globo Repórter.

Por exemplo. Nos últimos meses os cientistas descobriram que: ver o logo da Apple deixa você mais criativo, que ruivos têm mais medo de ir ao dentista, que destros não gostam de reggae, que cachorros preferem passear com mulheres e tantas mudanças que irão tirar o seu sono de noite.

A grande pergunta é: como os cientistas resolvem pesquisar uma coisa dessa?
- Cara, que dia monótono né...
- Pois é... a gente podia fazer alguma coisa.
- É... já sei! Que tal fazer uma pesquisa?
- Uma pesquisa? Legal! Sobre o que?
- Hmm... que tal fazer algo sobre algum bicho... um bicho diferente.
- Já sei! Ornitorrincos. Ninguém faz pesquisas sobre ornitorrincos.
- Exatamente! Vamos colocar os ornitorrincos para comer... batatas!
- Boa... e a partir disso vamos ver se a batata aumenta a potência sexual deles!
- Vou ligar para a Luciana e pedir para ela marcar as passagens. Amanhã nós vamos para a Nova Zelândia com um saco de batatas na mala.

Seis meses depois eles publicam o relatório. “Batatas interferem no relacionamento sexual dos ornitorrincos”. Os pesquisadores da Universidade de Copenhague descobriram que os ornitorrincos que se alimentam apenas de batatas mostram menos interesse sexual por suas parceiras e tendem a ficar mais solitários e deprimidos. Segundo os cientistas, isso poderia estar ligado ao gene H81K, presente na batata.

É realmente um desafio entender como funciona a cabeça desses pesquisadores. Como alguém tem essas idéias?
- Cara... esse símbolo da Apple. Será que ele deixa a gente mais criativo?
- Será que meu cachorro gostaria de passear mais com a minha vizinha ou com o meu vizinho?
- Temos que descobrir alguma coisa positiva em comer pizza, beber cerveja e praticar sexo com várias parceiras!
- Se eu, através de uma seringa, introduzir geléia dentro do meu pênis, será que isso aumentaria meu desempenho sexual? E qual sabor traria mais resultados?
- Será que existe uma nanoparticula responsável por impulsionar toda a massa do universo? Que tal criarmos uma máquina de 15km de extensão pra ver? Heim?

É possível notar que cientista não tem muita coisa pra fazer.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Grandes Farsas da Humanidade

E então é Natal. E o que você fez? Ano após ano Simone invade nossas casas com essas indagações um tanto quanto deselegantes. Oras, não devemos prestar esclarecimentos para você Simone! Que espécie de agente inquisitória você pensa que é? Mas enfim, é natal. Nossas cidades são invadidas por luzes, velhos barbados, as ruas ficam movimentadas, todo mundo vai às compras.

E surgem aqueles produtos que só existem nessa época do ano. Como é o caso do Chester. O que será que a ciência faz para que o Chester exista apenas no fim do ano? Será que ele demora exatamente um ano para ser abatido? Ou que todos os Chesters já foram abatidos e comemos o seu estoque há séculos? Ou ele seria apenas um frango metido a besta que a gente come achando que é algo importante?

É o caso do Roberto Carlos também, outro ser que existe apenas durante essa época. E é o caso do panetone. Aquele bolo azedo cheio de repugnantes frutas cristalizadas, cheio de historinhas sobre o tal do Toni que teria inventado essa iguaria às avessas.

Pensando no segmento normal da sociedade, que tem uma verdadeira aversão pelas frutas cristalizadas, a indústria criou o chocotone. Ao invés de similares de uva passa, temos chocolate, numa invenção que teria tudo para ser uma das mais importantes da história da humanidade. Mas, apenas teria. Porque o chocotone é uma farsa.

O que vemos quando a propaganda de chocotone é exibida na televisão? Aquele maravilhoso bolo com rios de chocolate escorrendo de suas entranhas. Na sua caixa vemos a foto de um suculento bolo com fartas gotas de chocolate cremoso, prontas para derreter em sua boca.

No entanto, quando compramos o chocotone, a decepção é imediata. Precisamos de alguns anos, precisamos realizar buscas subterrâneas para encontrar o chocolate. Que no geral é constituído por micro pedaços de um chocolate duro e levemente amargo. Um chocolate ressecado, que parece ter sido produzido no natal de 1979. A vontade é de jogar o bolo fora, esfregá-lo na cara de seus fabricantes, ir para a Praça Tahrir e tudo mais.

Felizmente para o chocotone e infelizmente para o restante da humanidade, este infame bolo/farsa-natalino não é a única grande mentira inventada pelas grandes corporações que querem transformar seus filhos em homossexuais.

Outra grande farsa ocorre toda vez que você vai no banheiro de algum estabelecimento público. Na hora de enxugar as mãos nos deparamos com aqueles puxadores de papel com a intimidadora frase “mãos suavemente secas com duas folhas”. Uma breve explicação informa que aquele não é um simples papel, é celulose da mais alta tecnologia, detentora de uma grande capacidade de absorção e que você, seu bastardo, não deverá em hipótese alguma puxar mais do que duas folhas. Isso se as folhas de papel não tiverem sido substituídas por aquelas malditas máquinas de vapor quente.

Mas, em toda a história da humanidade, jamais foi registrado um único caso em que as mãos tenham ficado minimamente secas com apenas duas folhas de papel. Geralmente, as duas folhas de papel já ficam ensopadas com um simples contato. Isso, quando elas já não se rasgam no próprio puxador. Se essas folhas de alta absorção realmente existirem, elas só devem ser disponibilizadas apenas nos banheiros da NASA, Microsoft e FBI.

Outra grande farsa da humanidade é a noção de que sucos são mais saudáveis. Você conhece, aquelas pessoas que em qualquer lugar que vão pedem um suco. Pode parecer um simples pedido, um simples gosto, mas quando uma pessoa pede um suco num restaurante ela quer dizer: “haha, se fode ai seu loser maldito, eu tomo suco, seu retardado doente. Eu sou saudável Mané”.

Nem que para isso seja preciso pedir um suco em lata. Só que esses sucos em lata têm mais açúcar, mais calorias, mais conservantes do que o mais maldito dos refrigerantes. Já os sucos naturais, feitos na hora, costumam a ter coliformes fecais, apenas. Daí, essa noção de que “eu tomo suco, eu sou saudável”, é uma farsa.

Outras grandes farsas da humanidade estarão no meu livro: “Grandes Farsas da Humanidade”, em breve, nas padarias mais próximas de você.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

A vida de José Mayer


José Mayer nasceu em 3 de Outubro de 1949 no município de Jaguaraçu, na região do Vale do Aço em Minas Gerais. Jaguaraçu é um nome de origem tupi-guarani que significa Onça Grande. Mayer nasceu com um aspecto diferente dos demais recém-nascidos. Ele já nasceu com cabelos grisalhos e um olhar sedutor que mais tarde inspirou uma famosa canção de Paulo Ricardo e o seu RPM.

Tanto charme foi irresistível para a sua parteira, Helena. A primeira de muitas conquistas de sua vida. Mas, o seu primeiro amor foi o usual de muitos garotos. Era sua professora de primeira série. Uma mulher loira, que em muito lembrava a Vera Fischer. Zezinho levou uma maçã para a sua professora. E a levou para a cama.

Aos poucos, a pequena Jaguaraçu foi ficando pequena. José Mayer teve todas as mulheres da cidade em seus braços. Mulheres das cidades vizinhas e até mesmo de outros distante pontos de Minas Gerais, do Brasil e do mundo, iam até o interior mineiro para conhecer seus lençóis. Os transtornos fizeram Mayer partir para um centro maior. Pelas estradas em que passou conquistou corações e colecionou calcinhas.

Com pouco mais de 20 anos, ele começou a atuar. Foi tentar um emprego na televisão. Foi atendido por uma sexy morena, que se chamava Helena e tinha a aparência de Cristiane Torloni. Conquistou seu coração e foi contratado.

Sua grande ascensão começou no momento em que ele conheceu Manoel Carlos em um jantar. O diretor ficou impressionado com o fato de que Mayer seduziu todas as mulheres de sua família em pouco menos de meia-hora. Maneco oficializou o ator no papel de homem de meia idade sedutor.

Desde então, ele já foi o responsável por fazer par romântico e levar para a cama atrizes como Vera Fischer, Cristiane Torloni, Thais Araújo, Deborah Secco, Cléo Pires, Angelina Jolie, Marilyn Monroe, Mel Lisboa, Glória Pires, Camila Pitanga, entre outras. Na sua vida pessoal também já teve casos com as mais cobiçadas mulheres, como Cleópatra, Gisele Bundchen, Valeska Popozuda, Maria Sharapova e Emilinha Borba.

Entra as passagens curiosas da sua vida, está uma visita feita a Albânia em 1976. Logo depois, uma pesquisa histórica da ONU relatou que as mulheres albanesas eram as mais felizes do mundo. Nos últimos anos, ele deixou de visitar a Europa, o que muitos pesquisadores apontam como fato primordial para a queda das taxas de natalidade no continente.

Recentemente, José Mayer se converteu ao vegetarianismo. Tal fato foi responsável pelo surgimento de diversas mulheres-frutas em nosso país.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

15 minutos de fama

Se eu não me engano foi o Andy Warhol. Se não foi ele, foi um desses outros gays frasistas famosos que cunhou a imortal passagem: “No futuro todos terão os seus 15 minutos de fama”. Uma frase que é adorada por jornalistas discípulos de Pedro Bial, metidos a fazer textos inúteis com roupagens poéticas. Quando um vagabundo qualquer tem alguma aparição esdrúxula sempre vem um babaca falar “como já disse Andy Warhol...”.

Uma frase que, convenhamos, é bem retardada. Que porra de futuro é esse? E que todas as pessoas são essas? Nem por um caralho que todo mundo vai ter 15 minutos de fama um dia. A imensa maioria de nossa humanidade terá uma existência insignificante neste planeta e morrerá isolada, lembrada apenas por seus poucos familiares e amigos. E não venha me falar da simbologia da frase, ela é idiota e acabou.

Mas, enfim, eu não vou negar que algumas pessoas têm sim os seus minutos de fama. Não muitos, mas alguns. A prorrogação desses minutos dependerá exclusivamente da sua capacidade autopromoção, além de um pouco de sorte. Veja quantas pessoas não apareceram por aí em situações bizarras, que são entrevistas pelo Jô Soares e hoje vivem novamente no vácuo do anonimato? Heim?

Veja o caso do nosso saudoso Vinícius Gressana. Depois de estrelar um vídeo na internet, ele poderia ter vivido uma vida de esbórnia, curtição. Ter colecionado mulheres, carros, dinheiro, fama. Mas não conseguiu. Porque ele não conseguiu manter o seu marketing pessoal. E isso porque ele é publicitário.



Agora, vejam o caso de Geisy Arruda. Vocês se lembram quando foi que ela surgiu? Digo-vos que foi em outubro de 2009, ocasião na qual ela utilizou um vestido que causou a revolta de seus clérigos companheiros de faculdade na grande São Paulo. Desde então, e lá se vão mais do que dois anos, ela permanece por aqui. Aparecendo em festas, pré-estréias, revistas que revelam a idade e tudo mais. E o que ela tem feito?

E Luciana Gimenez? Uma ilustre desconhecida até o momento em que engravidou de Mick Jagger. Este filho já deve sair pra beber cerveja e mesmo assim ela continua nos seus 15 milhões de minutos de fama. Lá está ela, comandando um programa de televisão no qual a sua função é a de cometer gafes e fazer comentários óbvios.

Mas ninguém irá superar Adriane Galisteu. Ninguém. Jamais. Voltem no tempo e percebam sua trajetória. Ela era a namorada de Ayrton Senna e está aqui até hoje. Seus programas de televisão não duram mais do que poucos meses até o fracasso. Seus relacionamentos, com outros famosos, duram ainda menos. Mas até hoje ela está por aí, com suas aparições esporádicas e freqüentes.

Por estarão as panicats em 2020? Onde estão a Feiticeira, a Tiazinha? As dançarinas do axé? O cara que deu uns pegas na Madonna? Maldito Andy Warhol.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Cinco Coisas que Enchem o Saco no Facebook

Vez por outra surge alguém reclamando da orkutização do Facebook, do Twitter, do Badoo, do Gazzag ou de qualquer outra rede social que seria teoricamente elitizada. Pessoas que reclamam, sem perceber que a própria vida é orkutizada e que elas é que sustentam essa porra. Existem coisas muito chatas no mundo do Facebook. Este novo e amplo mundo cujas portas vêm aos poucos se abrindo para nossa sociedade.

1) Imagens com setas e dizendo “esta pessoa”.
Não sei dizer quando foi que isso começou. Deve ter sido em alguma campanha do tipo “esta pessoa é contra qualquer forma de preconceito”. Mas, logo, as setas começaram a se disseminar para formas mais bizarras como “esta pessoa quer se abraçada”, “esta pessoa sabe que uma foto no facebook não vai mudar o mundo, mas ela tem bom humor e acha que a intenção é boa”, “esta pessoa comeu picolé de melão”, “esta pessoa estava chupando um pirulito”. Que esta pessoa vá a merda!

2 Letras esdrúxulas de funk ao lado de letras mela-cueca de bandas de metal.
Numa prova de tentar mostrar toda a sua superioridade intelectual, fãs de bandas pesadas fazem montagens. De um lado, uma foto do MC Catra com uma letra do tipo “esfrega o pau, esfrega o pau na cara da vagaba!”. Do outro lado, uma letra do Slipknot assim “ó meu amor, te carregarei em meus braços por lindos e verdejantes campos cantando uma canção especial”. Que o Belo é um presidiário, enquanto que o Bruce Dickinson pilota avião. Porra, grande merda.

3) Textos de pensadores em defesa das mulheres gordas.
Como se estivéssemos de volta à época das correntes, Luis Fernando Veríssimo e Arnaldo Jabor voltam a falar sobre os mais estranhos temas. E agora, eles resolvem falar sobre a beleza das mulheres gordas. Sim, eu já estou cansado de ver fotos de gordinhas ao lado de justificativas como “achou ela feia? Olha bem, ela tem um rosto bonito. E uma mulher vai muito além da aparência, blá, blá, blá”. Junto com isso, vem a reclamação de algumas encalhadas. No geral, 80% dessas mulheres nem são legais. Sim, não adianta reclamar que os homens não ficam com as meninas legais, porque você também não é legal. Você não está solteira porque você é gorda. Você é solteira porque é chata pra cacete. Nenhuma mulher legal reclama publicamente que está encalhada.

4) Catequistas de plantão.
Pastores frustrados invadem nossas timelines postando fotos típicas do Jesus Manero, lembrando porque o pai, o filho, o espírito, o santo e o amém são importantes em nossas vidas. Lamento informar, mas, recentes pesquisas de renomados institutos apontam que até hoje nenhuma pessoa resolveu mudar de religião por conta de montagens feitas no paint.

5) Xingamentos futebolísticos.
A principal vantagem do Orkut é que os xingamentos e as acaloradas discussões sobre futebol ficavam restritas as comunidades, como se estivessem em quarentena. Você poderia escapar. No Facebook não, elas vêem até você, elas ficam no alcance da sua visão. Então, não adianta fugir. Você verá pessoas de todas as idades mandando os outros chuparem.

E o pior de tudo, é que são todos seus amigos.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

A importância de coisas pouco importantes

Quem apresenta o Jornal Nacional? Sim, você sabe que é o casal formado por William Bonner e Fátima Bernardes. Mas, você sabe disso o tempo todo? Digo, isso é algo que fica na sua cabeça? Quando você vai dormir, você fica acordado, pensando "que jornal, que jornal!", esperando a adrenalina baixar?

E mais: você fica esperando o jornal começar? Se debate todo, deixa marcas no seu corpo, arrependido? Provável que não. É provável que no fundo, você não se importe muito com o Jornal Nacional. Se você ficasse perdido numa ilha deserta, dificilmente colocaria uma fita com os melhores momentos do telejornal em uma lista de coisas indispensáveis.

Então, porque a saída de Fátima Bernardes da atração global te deixa tão chocado? Porque esse assunto vai para o topo da lista mundial de comentários? Porque pessoas parecem chorar arrependidas, como se não tivessem aproveitado cada boa noite dado? Cada desastre natural noticiado, cada matéria sobre filas em shoppings na época do natal?

Eis uma boa pergunta. Uma pergunta para a qual provavelmente não há resposta. A mudança no comando do jornal é daquelas típicas coisas que não tem a menor importância em nossa vida, mas que mechem conosco.

Por um lado há sim a atração exercida pela televisão. Tudo o que acontece na televisão parece ser de nosso interesse. E as pessoas que ganham a vida sem interpretar papéis na telinha (mode video show) sofrem com isso. Suas brigas, suas gafes, ganham proporções mundiais e são debatidas por vários setores da sociedade organizada.

Por outro lado, nós também só sentimos a falta de algo quando nós perdemos aquela coisa. Sim, quando Fátima Bernardes deixa de apresentar o jornal do horário nobre bate aquela sensação de "ah... gostava dela". É como aquela caixa que você guarda no seu armário, que só serve para atrair cupim. Depois que você a joga fora, descobre que ela tinha uma função incrível. O arrependimento bate.

Ou seja, a vida é uma caixa de papelão que atraí cupins.
(final abrupto para uma postagem corrida, quase esquecida e improvisada).

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Tenham um bom dia!

O jornal de hoje se encerra por aqui. Essas foram as principais notícias do dia:
- Motorista erra o ponto de ônibus, para na esquina e é linchado até a morte por integrantes de uma torcida organizada em São Paulo.
- Criança é estuprada por padrasto no Maranhão.
- Homem mata a mulher, esquarteja os restos mortais e esconde ossada na máquina de lavar roupa no interior da Bahia.
- Carro arrasta bebê por 25 quilômetros no Rio de Janeiro.
- Homem que segurava a bolsa da mulher é confundido com homossexual e é espancado na Avenida Paulista.
- Em Minas Gerais, acidente envolvendo duas carretas, um ônibus e cinco veículos deixa 20 mortos e congestionamento de 50 quilômetros.
- Pessoas morrem na fila de espera por atendimento médico em pronto-socorro.
- Maníacos psicopatas fogem de presídio e espalham o terror no interior de São Paulo.
- Maior chuva dos últimos 120 anos deixa 1 milhão de desabrigados em Santa Catarina. Em apenas uma hora, choveu o esperado até a Copa de 2014.
- Terremoto destrói cidades inteiras na Turquia.
- Furacão deixa vinte estados sem energia nos Estados Unidos.
- Novo vírus mutante avança pela Europa. Número de mortos já supera a casa de 10 milhões. Especialistas avaliam que o vírus chegará ao Brasil no próximo final de semana.
- Conflito entre Israelenses e Palestinos aumenta. Hoje, já morreram 100 pessoas.
- Crise sem precedentes leva a onda de suicídios na Grécia.
- Polícia prende austríaco que realizava experiências genéticas envolvendo animais e seus filhos em um porão.
- Organizadores anunciam as atrações do Rock in Rio 2013: Ivete Sangalo, Jonas Brothers, Ricky Martin e Guns N’ Roses.
- Torcedores do Corinthians preparam o grito de “é campeão”.

Tenham todos um ótimo dia! Fiquem agora com um programa de culinária.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

(In)correções

A divisão do mundo entre os politicamente corretos e os politicamente incorretos é uma realidade. As classes se dividem como se fossem o preto e o branco, a noite e o dia, o Yin e o Yang, o Rick e o Renner. Não é possível dizer quando esta segregação começou, mas ela existe. Uma divisão que só não levará até uma guerra civil porque um dos dois lados seria contrário a este ato.

Talvez a culpa seja do Lula. Afinal, foi em seu governo que a Cartilha do Politicamente Correto foi lançada. Um livrinho que nos orientava a extinguir os anões, comunistas, pernetas e macumbeiros de nosso vocabulário. Deveríamos preferir cidadãos prejudicados verticalmente, seguidores de Karl Marx entre outros. Mas, o governo lançou a tendência ou apenas atendeu os pedidos da população?

O fato é que estamos prestes a entrar em uma ditadura do politicamente correto. Ou, em um estado de exceção, afinal, ditadura é uma palavra forte. Leis são criadas proibindo as pessoas de falar palavrão em estádios de futebol, de apontar o dedo e rir de pessoas estranhas e... bem. Existe uma polícia formada por leitores de Gabriel Chalita que usam camisa pólo e gel no cabelo, para fiscalizar nossos atos.

Por outro lado, temos os politicamente incorretos. No geral as pessoas que se auto-intitulam desta maneira não passam de babacas, integrantes de bancadas de programas humorísticos, que se acham engraçadas e fazem piadas em todas e qualquer situação. Até no velório da própria mãe.

O politicamente correto dificulta muito a descrição física de uma pessoa, como mostra o seguinte diálogo fictício.
- Cara, quem é Paula?
- Bem a Paula... ela é... ahn... ela é... tem uma altura é... mediana e é... ahn, meio que, ah... digamos... é... forte.
- Ah é uma baixinha gorda?
- Não, não, não é.
- É essa daqui da foto?
- Sim.
- Então, é ela mesmo. Cara ela tem uns 180 kg!
- Ahn..
- Uma baleia! Muito gorda!
- Bem... é...

Encontramos um exemplar de cada espécie e colocamos uma câmera para flagrar suas atitudes, como se fosse um documentário do Discovery Channel.

Situação 1: uma velhinha espera para atravessar uma rua movimentada.
PC: Em primeiro lugar, não se trata de uma velhinha. Este termo é muito pejorativo. Falamos sim de uma senhora que está em sua melhor idade. Alguém que muito viveu e que sem dúvida terá muito a ensinar para mim, para você e para todos nós.
PI: Com certeza essa velha já viveu muito e não vai ter problema de esperar mais um pouco para atravessar a rua. Agora imagina se eu roubo a bengala dela! Hahaha, ela vai demorar um ano para atravessar. Capaz de ser atropelada e ainda sujar o carro.

Situação 2: A televisão exibe um programa com anões de circo.
PC: Olha a situação dos portadores de nanismo é complicada. Mas, eles são cidadões como todos nós e não tem mais problema do que eu e do que você. Não há motivo para humilhá-los. Estas atrações circenses são um absurdo.
PI: Hahahahahahahaha! Cara! Olha lá um anão! Hahahaha! Olha o jeito que ele anda! Hahahahah! Olha o tamanho dele, velho, hahahahahahahahahahahahaha.

Situação 3: Um cidadão que é comunista e macumbeiro pede emprego a você.
PC: Nosso Estado garante a liberdade religiosa e também a liberdade política para mim, para você e para todos nós. Não há motivo para discriminação sobre estes assuntos.
PI: Macumbeiro e comunista! Deviam queimar vivo esse cara!

Situação 4: Um cidadão bêbado avança o sinal vermelho e bate no seu carro.
PC: Este cidadão em estado etílico cometeu uma grave infração de trânsito e terá que arcar com os custos de sua ação inconseqüente, igual aconteceria comigo ou com você.
PI: Filha da puta! Chifrudo! Chupa meu pau, seu engolidor de piroca! Não viu o semáforo fechado, cachaceiro veado! Vai se foder!

Situação 5: Seu time perde o campeonato graças a um gol marcado aos 54 minutos do segundo tempo. Detalhe, o jogador adversário estava impedido, dominou a bola com a mão, empurrou o goleiro no chão e chutou a bola para fora. Mesmo assim, o juiz validou o gol e expulsou 7 jogadores do seu time.
PC: Este é o futebol, um esporte emocionante onde nem sempre a justiça acontece. Mas o que podemos fazer?
PI: Juiz filho da puta! Tomar no cu seu ladrão do caralho! Porra! Porra! Como assim! Porra! O cara tava impedido! Dominou com a mão! Porra e essa falta! E o cara chutou pra fora! Caralho! Ahhhhhh! Eu vou quebrar tudo! Ahhhhh, vamos quebrar tudo porra! Ahhhh!

Veja com qual perfil você se identifica mais e ai... ai, sei lá, faz o que você quiser pô.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Quem será o campeão brasileiro de 2011?

O Campeonato Brasileiro de Futebol termina no outro final de semana. Sim, sem ser nesse de agora, no outro. Uma competição marcada pela emoção, pelas incríveis derrotas dos favoritos e por momentos em que nenhum time parecia disposto a esquecer seu rosto. Digo, a conquistar o campeonato.

Os líderes se alternavam na disputa para conquistar a mais vexatória derrota, a mais vexatória seqüência negativa do campeonato. Perder pro América-MG? Que tal perder de goleada! E logo depois empatar com o Avaí, tomar sufoco do Ceará. Muitos dizem que é a prova da superioridade do campeonato brasileiro, tudo pode acontecer, tudo pode acontecer, não há favoritos, não há limites, mal existem regras.

De fato, tudo podia acontecer. Agora não. Estamos a duas rodadas do final do campeonato. Os times já têm seus futuros parcialmente definidos. A glória total, a glória parcial, o fracasso miserável, a mais pura lama o total esquecimento. Já sabemos que Corinthians e Fluminense estarão na próxima Copa Libertadores. Que América-MG e Avaí estarão rebaixados. E o resto?

A grande questão é saber quem será o campeão brasileiro deste ano. Para ter esta resposta sobre o futuro imponderável, consultamos ele: o Dínamo das Ponderações, o Major do Futuro, Pai Jorginho de Ogum.

Me dirigi até sua casa, local sagrado. Pedi licença para seus fãs que faziam vigília em frente a sua porta. Alguém me disse que eram apenas bêbados, mas eu me recuso a acreditar. Não bati na porta para entrar e encontrei-lo passando margarina em um pão. Olhei para ele com cara de desprezo e ele afirmou que sua manteiga havia acabado naquela manhã. Não acreditei na história e, quase chorando, Jorginho disse que realmente estava comendo pão com margarina.

Ele me perguntou o que eu faria ali. Eu respondi que era eu quem devia fazer as perguntas. Um silêncio se estabeleceu no local. Falei então do meu objetivo. Ele começou a palpitar que o Flamengo tinha um bom time. Interrompi-o, dizendo que não estava disposto a ouvir seus palpites. Queria suas previsões apenas. Além disso, o Flamengo não tinha mais chances de títulos.

Ouvi um copo se quebrando na sala. Marcão apareceu com lágrimas nos olhos. Disse que não era possível isso. Que o Flamengo era o melhor e que seria campeão. Mostrei a ele a tabela do campeonato. Tentei mostrar para ele que a matemática mostra que é impossível. Ele não entendeu. Desisti. Ele me disse que deixaram o Flamengo chegar e que na reta final o Mengão cresce. Que no final do campeonato nós conversaríamos, ele com a faixa no peito.

Jorginho de Ogum esfregou os dedos engordurados em sua túnica, também conhecida como roupa de viado velho. Com farelos de pão na boca, me levou até a sua cabine de previsões. Dissolveu uma colher de margarina num copo de canina 21 e mandou aquele líquido para dentro. Fechou os olhos, repetiu algumas palavras em sânscrito e começou a prever, digo, definir o futuro.

Começou a falar sobre o título. Em um vaticínio preciso ele disse: “Corinthians, Vasco ou Fluminense lutarão pelo título”, com as chances nessa exata ordem. Falou que o Corinthians até poderá ser campeão nessa rodada, mas que para isso, precisará lutar pela vitória.

Na disputa pela Libertadores, ele afirmou que Figueirense, Internacional, Flamengo e São Paulo disputarão as últimas duas vagas. Mas, não descarta a hipótese de que Coritiba e Botafogo podem ficar na briga. Ele disse que a disputa será acirrada e que os astros mostram que muita coisa poderá acontecer.

Quanto ao rebaixamento, Jorginho foi enfático: América-MG e Avaí disputarão a série B em 2011. Falei que todo mundo já sabia disso. Ele não pestanejou. Previu que o Atlético-PR irá acompanhá-los na disputa, assim como o Ceará, muito provavelmente. Mas, ele não descartou que o Cruzeiro possa estar lá, tal qual o Bahia e o Atlético-MG.

Ao final ele pediu licença para ir ao banheiro, onde provavelmente deve ter gorfado a cachaça com margarina. Me disse para que eu cobrasse suas previsões no dia 5 de dezembro. Falei que faria aquilo, deixando claro que é claro que eu não faria. Ele disse que era sério. Marcão disse para não esquecer da conversa, que no mesmo dia ele mandaria todo mundo chupar.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

A Pátria do UFC

Júnior Cigano, Rodrigo Minotauro, Maurício Shogun. Há pouco tempo atrás você perguntariam se eles eram personagens de algum filme nacional. Hoje eles são seus ídolos. São ídolos nacionais. Seus pôsteres enfeitam os quartos de meninos e meninas de nosso país. E Anderson Silva? Elevado a condição de ícone, semideus é pouco para descrevê-lo. Peregrinos veneram suas estátuas espalhadas por nossas ruas. Sua voz fina monopoliza os reclames do horário nobre televisivo.

Em épocas remotas, o cidadão médio ficava acordado de madrugada para ver lutas de boxe. Principalmente se esta luta envolvia o Mike Tyson. O evento começava tarde, era disputado em um grande cassino de Las Vegas onde senhores engravatados assistiam o sangrento espetáculo.

Haviam as lutas preliminares que demoravam uma eternidade. Até chegar ao confronto principal, quando dois homens de 100 kg se socariam na cara. Ou melhor: quando um ser humano seria socado na cara por Mike Tyson em uma luta que não durava sequer dez minutos.

Sempre existiram as pessoas que consideravam o esporte violento. E, de fato era, não há dúvida que quando um cidadão bate na cara do outro até que o outro caía no chão quase desmaiado é algo bem violento.

Mas o boxe ficou para trás. Hoje, as pessoas se juntam em bares, se enrolam em bandeiras do Brasil e ficam acordadas até de madrugada para ver o UFC, uma competição de MMA. Se havia quem achava que o boxe era violento pelo simples fato de que pessoas trocavam socos com luvas acolchoadas, o que dizer quando além de socos na cara, esses dois cidadãos podem trocar chutes, joelhadas, cotoveladas, cabeçadas. Se um deles cair no chão, as cotoveladas podem continuar. Os dois ficarão rolando de sunga em um ato homoerótico.

Mesmo sendo quase uma competição de balé próximo ao UFC, o boxe tinha uma vantagem. Ele permitia grandes histórias. Veja o caso de Rocky, o Lutador. O maior filme de todos os tempos. Este grande épico sobre a existência humana seria possível se Rocky fosse um lutador de MMA? Não. Ninguém agüentaria ver Rocky e Ivan Drago se agarrando de sunga no chão, em uma final simbólica da guerra fria.

Mas a luta livre dominou nossa sociedade, junto com a comédia Stand Up. Vejam nossas ruas. Ao invés de campinhos de futebol, vemos octógonozinhos. Ao invés de chutar bolas, as crianças chutam a cara uma das outras. Os pais vibram e estimulam a violência. Um traumatismo craniano é comemorado com a fúria de um gol marcado no último segundo da final da Copa do Mundo.

E o símbolo da consagração do UFC é a narração de Galvão Bueno. Neste mundo globalizado, nós só sabemos da importância de um evento se Galvão estiver lá. O que seria a final da Copa do Mundo se Galvão não estivesse lá? Ninguém se irritaria com aquilo, pensando “meu deus, cale a boca, cale a boca seu corno!”. E ninguém pararia para pensar “opa, ai tem algo”.

Galvão dizendo Júnior, Júnior, Júnior Ciiiigano! A vinhetinha de Brasil-il-il-il e tudo o mais que está envolvido mostram a vitória do UFC. Somos a pátria de coquilhas.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Em segurança

O programa Bem Estar tem mudado a vida de muitas pessoas. Ele tem mostrado como a morte está ao nosso lado o tempo todo. Como podemos morrer bebendo água, cortando as unhas, digitando um texto para o CH3. Podemos morrer em consequência dos atos mais banais do nosso cotidiano. Aliás, é um milagre que você não tenha morrido até hoje. Você não sabe lavar as mãos! Não sabe mastigar um chiclete! Em suma, você é uma anta que sobrevive por sorte. Mas, um dia, a sorte pode acabar.

Os impactos do programa em nossa sociedade são visíveis. As filas no banheiro são cada vez mais longas. O Governo Federal pensa em sancionar uma lei que transforme em crime hediondo o ato de limpar a bunda com papel higiênico. A sociedade organizada terá que mudar seus modos para conviver nesta nova realidade de medo, de terror, de angústia. Estamos em guerra, em guerra contra algo que não sabemos o que é. A morte pode vir pela nossa posição de dormir.

O CH3 não ficaria imune a isso. É claro, ninguém está imune! Ninguém! Recebemos centenas e eu diria milhares de correspondências em nossa caixa postal pedindo dicas para ter maior segurança em nosso cotidiano. Pediam ajuda a nossa equipe, aos nossos especialistas de sempre. Porque todos querem viver mais, querem ter mais qualidade de vida. Vamos a esses questionamentos.

Blog CH3, por favor, eu queria saber qual é a melhor maneira de beber água – Olivia Albuquerque, Carazinho-RS.
Olivia, consultamos vários especialistas e a resposta foi unânime. A melhor maneira de se beber água continua sendo com a boca. Métodos disseminados pela internet como a ingestão de água pelos olhos ou pelo ânus, não tem a sua eficácia comprovada. É preciso tomar alguns cuidados, como: não beber água de esgoto, não beber a água se ela estiver com uma coloração estranha – se a água estiver amarela, é provável que na verdade seja urina. Também evite beber água dentro de sapatos ou penicos.

Se você estiver numa situação extrema, como, perdido no deserto do Saara e encontre milagrosamente um oásis, tenha certeza que a água é de boa providência, se ela tem o certificado da Sabesp. Caso o contrário, prefira a morte por desidratação.


Eu queria saber como cortar as unhas em segurança – Hugo Bartolomeu, Penápolis-SP.
Prefira cortadores de unha ou tesouras próprias para esse fim. Evite cortar suas unhas com motosserra, machados e laminas de barbear. Também evite cortar unhas com raio laser, caso você não saiba manusear um aparelho de raio laser. Se você for cortar a sua unha, lembre, corte apenas a unha. Evite cortar seus próprios dedos, seus membros inferiores ou seus órgãos genitais. Caso algum acidente aconteça, não espalhe fezes por sobre os machucados.

CH3, obrigado pelo espaço, eu queria saber como fazer para participar de um duelo estilo faroeste sem risco de morte por contaminação com bactérias – Joaquim Jéssejaimes Nabuco, Colniza-MT.
É preciso tomar cuidado. Balas de revólver são um risco em potencial para infecção bacterianas. Faça um trato com o seu oponente e certifique-se que todas as balas estarão esterilizadas. Carregue antissépticos para casos extremos. Tiros de AK-47 no coração podem provocar uma série infecção, levando ao óbito, se as capsulas não estiverem higienizadas.

Olá, gostaria de saber a melhor maneira de andar – Roberta Santana, Jaboatão dos Guararapes-PE.
Andar é uma complicação. Nos tempos atuais, com tantas bactérias nos cercando, nós temos que ter as vestimentas adequadas. Em hipótese nenhuma, repito, JAMAIS ande descalço. Esteja pelo menos com um chinelo, mas o mínimo ideal é que você esteja de sapatos e meias, esterilizadas. Prefira um escafandro, claro que esterilizado, ou uma roupa de astronauta para esportes que exigem leveza nos movimentos. Fora isso, lembre-se do básico: um pé de cada vez. Tentar movimentar os dois pés ao mesmo tempo pode levar você a uma queda num chão cheio de microorganismos.

Agradecemos aos nossos fieis leitores pelos seus questionamentos, sempre pertinentes. Continuem enviando suas dúvidas, que nós estamos sempre prontos para vos atender.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Um dia sem tecnologia

Por algum motivo, não sei dizer que motivo é esse – estou desinformado, vários meios de comunicações reproduziram matérias sobre o vício na internet. Os produtores encontraram diversos personagens, aquelas pessoas que faltam no aniversário da mãe para participar de um chat, que rejeitam experiências sexuais com panicats para administrar sua fazenda virtual, que deixam de se alimentar para catalogar o redtube.

Estas pessoas foram desafiadas. As televisões retiraram suas luvas e deram um tapa na cara deles. “Você consegue ficar 24 horas sem ter acesso a tecnologia?”, perguntaram. Várias pessoas aceitaram a proposta com um ar de desdém. Depois, seus relatos mencionam ataques epiléticos, momentos de contorção com falta do Twitter. Vários se jogaram contra as paredes em busca de um mínimo contato visual com um celular.

Nós aqui do CH3 também resolvemos passar por essa experiência. Tudo em nome do bom jornalismo e do compromisso com os nossos leitores. Só que nosso desafio é mais extremo, porque facilidade é coisa de viadinho. Pegamos um conceito mais abrangente de tecnologia. Levantamos um referencial teórico sobre o assunto. Lemos Marx, Habermas, Focault, Guattari, Deleuze e José Sarney, montamos um projeto, protocolamo-lo em um RH aleatório, junto com cinco tampas de margarina e uma resposta boa para uma pergunta aparentemente simples.

O desafio começou a meia noite. Horário no qual eu já estava dormindo. Pensei que poderia ser difícil acordar de manhã cedo, pela ausência de um despertador. Engano meu. Acordei às quatro da manhã, com calor e sendo devorado pelos mosquitos. Sim, a luz elétrica não deixava de ser uma tecnologia.

Sai para ir ao trabalho. Eu não poderia pegar meu carro nem nenhuma forma de transporte motorizado. Para piorar, tive que pular o muro da minha casa, porque não poderia utilizar uma chave. Em três horas eu consegui chegar até o meu trabalho. Isso porque consegui montar um cavalo durante um quilômetro. Nunca mais reclamo da meia hora que levo usualmente.

Cheguei no trabalho quase na hora do almoço. Ou, no meu ex-trabalho. Afinal, eu havia sido demitido. Tentei argumentar que este era um desafio ao qual eu estava me propondo. Qualquer justificativa caiu por terra quando ele me perguntou porque eu estava nu. Foi só aí que eu percebi isso. E só aí que eu entendi porque pessoas gritavam quando me viam, porque tentaram me linchar algumas vezes e porque eu precisei fugir da polícia.

Era hora de almoçar. Precisava arrumar alguma coisa para comer. Procurei algum bosque onde eu poderia caçar algum animal com minhas próprias mãos. E digo “mãos” mesmo. Nada de lanças, flechas, redes ou similares. Claro, não consegui nada. Claro, morri de fome. Ou não, só consegui comer algumas mangas caídas pelo chão.

Foi então que eu desisti dessa merda. Assumi o meu fracasso e mandei todo mundo se foder. Roubei a roupa de um mendigo que pegava carona, peguei um taxi e liguei o computador. Vejo por aí, um monte de pessoas cheias de fezes na bunda falando que suas experiências foram reveladoras e transcendentais. “Ai, fiquei 24 horas sem usar a internet”. Grandes Coisas!

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Experiências de quase morte

A notícia correu o mundo na semana passada. Um inglês, nascido na Inglaterra, que era jogador de rúgbi sofreu um Acidente Vascular Cerebral. Ao acordar, ele descobriu ser gay. Antes ele era um praticante de um esporte viril, bebia cerveja com os amigos e fazia comentários libidinosos sobre mulheres. Quebrou o pescoço, teve o AVC e passou a observar os braços do médico que o atendia. E virou cabeleireiro.

Segundo o cidadão, conhecido como Chris Birch, foi tudo automático. Ele diz que na hora em que acordou no hospital, percebeu que era definitivamente gay. Algo estranho. Será que na hora que ele acordou ele disse: (trecho censurado pela polícia politicamente correta).

Em toda a Grã-Bretanha, em todo o Brasil e em todo o mundo as reações foram unanimes. Pessoas riam de Birch. Olhavam para seu caso e diziam “bichona enrustida! Que desculpinha que arrumou pra dar a bunda!” ou ainda “ah, achou que ia morrer e resolveu se revelar para não ficar com peso na consciência! Baitola!”. No entanto, casos como o do ex-jogador de rúgbi não são inéditos.

Experiências de quase morte intrigam a ciência há tempos. Existem diversos relatos de pessoas que sofreram paradas cardíacas, ou que estavam em coma, e que dizem se lembrar de sair do corpo. De flutuar e ver os médicos ao seu lado, a família chorando do lado de fora, o taxista dormindo no ponto de táxi da esquina, o vendedor de picolé do outro lado da rua saindo do banheiro sem lavar a mão.

Tais relatos, é claro, também despertam a ira dos céticos de plantão. Que começam a quebrar mesas e bradar palavras de ordem. Mas enfim, a verdade é que existem diversos relatos de pessoas que mudaram seu comportamento incrivelmente após ter essa experiência de quase morte. Seria o choque traumático da experiência? Alguma alteração física? Ou uma desculpa de viado? A resposta, no próximo Globo Repórter.

Consultamos ele, Alfredo Humoyhuessos, o cientista e flautista mágico colombiano. A enciclopédia viva. Perguntei a ele como é que se escreve o seu sobrenome, porque eu sempre confundo e escrevo de qualquer jeito. Ele me respondeu, mas eu já esqueci.

Ele começou a citar vários casos presentes na literatura médica e na literatura maldita. Contou de um cidadão que costumava a espancar mendigos, sofreu um AVC, passou sete dias em coma e na volta a vida descobriu que era gay. Citou de um pedreiro que tinha dezenove filhos, um tijolo caiu na sua cabeça e ele sofreu um AVC. Após vários dias em coma ele descobriu ser gay.

Perguntei qual era a relação entre sofrer um AVC e virar gay. Ele me respondeu com duas palavras em um sotaque castelhano que jamais havia percebido “imprensa inglesa”. De fato fazia sentido. Creio que 80% das notícias bizarras do mundo foram noticiadas pioneiramente pela imprensa sensacionalista britânica. Casais que se vestem de cachorro, homens que engolem baratas vivas. Sempre no Daily Mail.

Será que a Inglaterra é um país mais propício as bizarrices? Será que os jornalistas que pedem para que deus salve a rainha tem um faro melhor para esse tipo de notícia? A resposta no próximo Globo Repórter.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

O Agente Puxador de Palmas

Dom Pedro I se virou ao público e disse “se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, diga ao povo que eu fico”. Foi aplaudido calorosamente. Testemunhas contam que em alguns lugares chegou a se escutar o coro de “Olê, olê, olê, olê, Pedro, Pedro”. Daí em diante, foi um passo para que o Brasil conquistasse a sua independência e para que o homem chegasse a lua.

E o momento chave desta grande história não foi a histórica frase de Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon. Até foi. Mas, uma frase não seria uma grande frase se não fossem as palmas. As palmas é que comovem, as palmas é que criam o clima para o momento histórico.

Imagine se este momento fosse seguido por um absurdo silêncio. Se as pessoas que andavam na rua apenas olhassem para aquele homem de barba excêntrica e seguissem o seu caminhar com desprezo. Imaginem. Até hoje seriamos uma colônia portuguesa, escutaríamos fado, torceríamos por Cristiano Ronaldo e a cura da AIDS não teria sido descoberta.

Pense então na importância do sujeito que puxou as palmas para Dom Pedro. Sim, porque as palmas não começam espontaneamente. Há um cidadão que começa primeiro. E assim que ele começa, a multidão o segue. Este cidadão tem a coragem de se manifestar e leva em sua esteira ensurdecedores aplausos anônimos.

Há casos simples. Em uma simples palma já acende a fagulha ovacional. Mas existem os casos difíceis. Aqueles em que o cidadão começa a aplaudir e pode ficar por minutos assim sem ser acompanhado. Até que as pessoas se convençam de que os aplausos eram merecidos e assim a revolução poderá começar.

Mas é claro. Existem situações complicadas. Aquelas nas quais você começa a bater palmas e ninguém o acompanha. Ninguém. Você fica pateticamente batendo palmas como se fosse um ser execrável. Algumas pessoas passam por isso várias vezes em suas vidas.

E não digo aqui que sejam as pessoas que tem o sonho de puxar aplausos. Elas existem e vivem suas vidas em busca desse ideal de decepções e glorias. Mas, existem os puxadores de aplauso profissionais. Ou, como queira o Jamelão, os interpretes de aplauso.

São pessoas que ganham dinheiro para isso. Sim, essa profissão existe. Você pode pensar “porra, mas que forma fácil de ganhar dinheiro”. Mas não é. Um bom puxador de aplausos precisa ter um feeling imenso. Uma energia espontânea. Precisa ser um quase Messias. Alguém que comova o público e veja legitimidade em seu ato.

Puxadores de aplauso consagram políticos, discursadores e charlatões em geral. Puxadores de aplauso constroem momentos históricos. Imagine que tenha sido um desses que consagrou Dom Pedro? Ou que tenha consagrado Martin Luther King? Que um deles tenha gritado “é isso aí!” e comovido a multidão. Onde estará seu deus se tiver sido assim? Heim?

Trabalhemos pela regularização da profissão. Por uma sociedade em que os aplausos sejam mais emotivos. Vale lembrar que com o advento da claque, a profissão caiu em desgraça e vem perdendo espaço.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Guia CH3 da Ressurreição

Para ressuscitar não é preciso morrer. Não no sentido fisiológico da palavra. Morrer, hoje, é diferente da morte nos tempos a.C. Antes, você precisava tomar um tiro, ser esfaqueado, sofrer uma parada cardíaca, engasgar com uma ervilha, ser atropelado por búfalos para morrer. Hoje, a morte pode estar no esquecimento, puro e simples. No chip do seu celular queimando, no limbo da memória coletiva.

Quando você estiver num momento assim, é possível ressurgir. Sem dramas. É um caminho fácil. Volte a viver através da Rede Globo.

1) Ninguém se lembra mais de você. Você é um velho e outras pessoas fazem aquilo que você fazia de maneira melhor. Ou, pelo menos, com mais destaque. Você está morto rapaz. Aceite isso. A aceitação faz parte. Anuncie então que é impossível continuar a frente, que você está tirando o seu time de campo.

2) Vá até o seu quarto e tome uma overdose de uma substância qualquer. Estricnina, toddynho ou tampa de caneta BIC.

3) No dia seguinte, seja internado na UTI de um hospital. Prestes a morrer, você irá virar mártir. Pessoas descobrirão que sentiam sua falta. Assim que for confirmado que você vai sobreviver, este detalhe é fundamental, sorria em alguma entrevista coletiva.

4) Dê uma entrevista no Programa do Jô. Uma entrevista redentora em que as pessoas perceberão as múltiplas facetas de seu talento.

5) Agora é a hora de aparecer no Faustão. Encarar suas camisas multifacetadas e seus bordões clássicos e irritantes.

6) Na segunda-feira é hora de aparecer no programa da Ana Maria Braga. Hora de abrir o seu coração acompanhado por brioches e piadas de um boneco falante. Se por algum acaso, um filme sobre você exista, essa é a hora dele ser apresentado na Tela Quente.

7) Cante o hino nacional em um jogo de futebol.

8) Apareça no programa Bem-Estar onde seu drama servirá de exemplo. Os cuidados que devemos ter com as canetas BIC. Elas podem matar? Como?

9) Seja tema de um Globo Repórter.

10) Seja o convidado especial do Zorra Total.

11) Morra novamente e tente voltar até o primeiro passo.

Qualquer semelhança das situações descritas acima com a vida real é uma mera coincidência.

Este texto, publicado no dia 11/11/11 teria que ser postado as 11:11 mesmo.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Safra Específica

Os especialistas no CH3, acredito que existam muitos, são capazes de reconhecer a época de um texto deste blog facilmente. Logo ao ler as primeiras linhas eles pensam “esse é do Gressana”. E vendo o conteúdo, as expressões, acertam a data. Facilmente notam que estão diante de um Tackleberry safra 2008. Percebem notas claras de surrealismo, influências marcantes de Zorra Total ou resíduos de Shakespeare.

Colocam traços biográficos na análise do texto. Percebem uma profunda depressão a partir do tamanho dos parágrafos escritos por Vinícius e atribuem a essa depressão a sua fase de trabalho em uma agência publicitária. “Nessa época ele trabalhava até as duas horas da manhã e se alimentava apenas com pizza barata”.

Ok, creio que existe a possibilidade que estes especialistas não existam. Pelo menos não em relação ao CH3. Porque em relação a muitas outras coisas, eles estão lá. Há quem classifique um verso de Machado de Assis por uma palavra. Saiba o ano, o local e provavelmente se estava chovendo enquanto ele escreveu.

O caso mais famoso dos especialistas exímios de coisas mínimas é dos apreciadores de vinho. Eles podem ser jogados com os olhos vendados no porta-malas de um carro que irá circular pela cidade até um porão desconhecido na periferia. E lá, com os olhos ainda vendados e escutando os sucessos de Luan Santana, lhe oferecerão um vinho.

Mesmo com toda essa situação adversa, o especialista em vinhos irá saber o nome do vinho, a safra, o ano, o tipo de uva. O lugar em que foi armazenado, se ele foi pisoteado ou esmagado em modernas máquinas esmagadoras. Se essa máquina tinha ferrugem ou se a mulher que pisou tinha joanetes. Se cachorros urinavam nos troncos que sustentavam as parreiras.

Existem pessoas que reconhecem se a carne era de boi ou de vaca. Se esse boi teve uma infância feliz, se corria por verdejantes colinas ou se recebia chutes nos testículos. Pessoas que conseguem enumerar os temperos do molho da macarronada. Um por um e se estavam frescos ou não.

O mesmo ocorre com os sotaques. Há quem ao escutar um nordestino, perceba que não é apenas um nordestino. Que ali está um legitimo sotaque potiguar. E mais, característico de Mossoró. Muito provavelmente, a pronuncia do R nos remete para origens na Rua III, do outro lado da ponte. Provavelmente na casa da Dona Marta.

Claro que alguns erros podem acontecer. As vezes, você pode achar que está diante de um Ojo de Toro 83, colhido por virgens laosianas. Mas, na verdade, tomou só um copo de mijo de vaca.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O Quarteirão do Funk

As imagens são claras. O carro para em algum ponto da Avenida Getúlio Vargas, uma das mais movimentadas de Cuiabá, o ponto de encontro da noite cuiabana, uma das 7 mil avenidas Getúlio Vargas de nosso país. O carro para próximo a algumas meninas. E logo elas começam a dançar funk. E não é uma dança qualquer. É uma dança que faria o autor de “Lambada: a dança proibida” chorar em posição fetal durante um mês.

Em certo momento, uma menina apóia os dois braços no chão e começa uma acrobática posição. O que poderia ser uma apresentação solo de uma pervertida qualquer logo se transforma em um trenzinho exótico. Outra mulher se apóia sobre a primeira. Um homem vem por trás, simulando o coito. Outra mulher por trás do homem. Outro homem por trás desta mulher.



A impressão é que quantos homens e mulheres se aproximassem, todos seriam capazes de se equilibrar neste trenzinho/torre sexual. Uma posição que desafia as leis da física, as leis da constituição e tudo o mais. O vídeo continua, com as mulheres conseguindo esfregar a bunda em todo e qualquer lugar possível, se equilibrando de todas as maneiras possíveis. Algo surpreendente.

É claro que um material deste, com tão farta carga de sacanagem se popularizaria na internet. Comentários se dividiam. Pessoas achavam graças, outras sentiam vergonha de Cuiabá. Filas se formavam nos aeroportos de Cuiabá, de pessoas querendo sair deste lugar, ao mesmo tempo em que filas vinham no sentido oposto. Pessoas loucas que pensavam “isso que é lugar, isso que é lugar”. Em algum lugar, Diogo Mainardi sorria e dizia que pagaria R$ 10 mil para não vir para cá, uma pechincha.

Uma matéria televisava alertou que não é apenas o funk que perturba os moradores da região. O local, conhecido como “Quarteirão do Funk”, é marcado por festas com som alto, drogas e assassinatos. Uma moradora relata que os funkeiros arrancam as árvores da região e tudo o mais. Um terror. Verdadeiros maníacos da motosserra-serra-ra.

O que temos como análise, é que finalmente Cuiabá conseguiu. Entramos no rol das potencias nacionais da putaria. Mostramos que nosso povo é capaz de organizar orgias nababescas ao ar livre. Que somos capazes de ruborizar a sociedade conservadora e causar polêmica nas redes sociais.

É um longo trabalho. Longe estão os tempos em que dividíamos nosso espaço urbano com jacarés, tuiuiús, araras, onças, jibóias, sul-mato-grossenses. Hoje nosso povo pode ter acesso às sacanagens mais modernas, em pontos acessíveis da cidade. Não precisamos nos distanciar para observar orgias. Elas estão ali, pertinho da gente, numa avenida movimentada. O cidadão médio pode participar de um trenzinho erótico-acrobático com facilidade.

Se continuarmos progredindo, chegaremos a níveis ainda mais sofisticados de putaria. Podermos observar coquetéis podolátras no centro da cidade, ao meio-dia. Anões poderão se besuntar em pontos de ônibus. Atrizes e atores pornôs em potencial poderão desfilar em nossa rua com autoridade. Transformaremos-nos na Meca da Sacanagem, deixando municípios como Livramento, Goiânia, Punta Del Este, Ibiza e Las Vegas para trás. Alcançaremos o topo da vadiagem mundial.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

A difícil missão de ser entrevistado por Jô Soares

- Boa noite! Neste programa eu vou entrevistar ele, que é pai-de-santo, estudante de direito, cafetão e ex-centroavante do Flamengo. Pai Jorginho de Ogum, vem pra cá!
(A banda toca. Jô Soares faz um gesto e eles param. E começa a conversa).
- Pai Jorginho, você está promovendo a casa de diversão noturna Carnicentas. Como é que essa história.
- Bem, começou quando eu e o Marcão...
- Grande Marcão. Grande amigo meu, nós já saímos juntos na turnê da minha peça em 1977. Ele tem uma presença de palco, um feeling tão grande, ele é contagiante.
- Pois é... a gente tava no Café Leblon...
- Eu adoro o Café Leblon. Sabe que o Luizinho, o primeiro dono de lá, é super amigo meu. E ele tem uma curiosidade. Ele morre de medo de avião. Uma vez, ele tava voltando de Varsóvia, uma cidade maravilhosa, e foi processado por assédio sexual, porque ficou segurando a mão da mulher do lado. Mas era medo! Imagina a situação, o Luizinho, daquele tamanho, segurando a mão da mulher e ela dizendo “sai daqui seu tarado!”.
(Risos)
- Pois é... enfim, a gente resolveu montar uma casa de diversão noturnas...
- Um puteiro.
- É, um... prostibulo...
- Puteiro (risos). Não sei porque as pessoas tem esse pudor. Parece que é um crime falar, mas é um puteiro. Agora, como é que funciona, vocês só trabalham com mulheres leprosas?
- Não, nem sempre...
- Sabe que eu passei boa parte da minha infância visitando um leprosário em Barbacena. Eu tinha um tio que era médico e eu passava sempre por lá. Sabe o que eu não me esqueço? Da comida de lá. É sério gente. Tinha um arroz com abóbora que era simplesmente sensacional. E, lá na carnicentas, vocês servem comida também. Fora as meninas? (risos).
- Sim, temos alguns pratos...
- Falando nisso, em comida de puteiro, sabe que eu já fiz um quadro sobre isso? No meu programa. Foi uma parceria com o lendário Charles Chaplin. A gente recuperou esse quadro para passar aqui.
(quadro de 1950).
- Sabe o que é mais engraçado? É impossível trabalhar com o Charles. Ele, sempre tão brincalhão, uma pessoa fantástica que interpretava meus textos brilhantemente, sabe o que ele fazia? Colocava areia na minha comida. E eu cai nesse truque várias vezes. Mas, depois eu me vinguei. Mas isso eu não vou contar aqui... (ahhhhhhhh), não, não vou contar gente, não adianta insistir (ahhhhhh), tudo bem. Mas só porque vocês pediram muito. Eu coloquei cola na cueca dele. Ele morreu de rir também, saudoso Carlitos. Mas conta, que história é essa de ser pai-de-santo?
- Bem, eu trabalho como...
- Sabe que eu já fiz um quadro em que eu era um pai-de-santo? Vamos mostrar aqui.
(novo quadro)
- A inspiração para esse quadro foi meu grande amigo Walter Mercado. Mas me diga, você já acertou alguma previsão?
- Sim, algumas.
- Então me diga, porque vocês não acertam o número na mega-sena? Tão mais fácil pra vocês! (Bira ri). Deve ser mais fácil do que jogar no Flamengo, não é mesmo?
- Bem...
- Eu tenho um tio, que foi fundador do Flamengo e depois diretor. Sabem, eu sou Fluminense, mas na família nem tudo é perfeito. E ele me contava muitas histórias da pressão da torcida.
- Pois é...
- Bem, eu conversei aqui com Pai Jorginho de Ogum...
(ahhhh)
- ... eu também adorei. Me dá um beijo aqui. Muito obrigado, Beijo do Gordo e até amanhã!

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Atalhos

Se há alguma coisa da qual um ser humano se orgulha, esta coisa é conhecer atalhos. E aqui não falo sobre as melhores maneiras para se burlar a lei. Bem, até reconheço que as pessoas também se orgulham disso, mas não é sobre isso que eu falo. Falo mesmo dos atalhos físicos, dos melhores caminhos para se chegar ao lugar x, partindo do lugar Y, onde você está.

(parentese dejavú. Tenho a impressão de que já comecei pelo menos uns 30 textos do CH3 desta maneira "se há algo, este algo é isso. E não aquilo, mas isto. Sim, pode ser aquilo, mas é isto. E isto é isto")

Pessoas são capazes de discutir horas e horas sobre os melhores caminhos, os mais rápidos, os menos convencionais. Falam com propriedade sobre vielas, becos, trilhas e ruas sem carros. De tal maneira que quem é adepto de um caminho simples, uma linha reta, congestionada, mas reta, acaba por se sentir um loser. Um fracasso da humanidade.

Esses dias, por exemplo, eu estava na rua do Córrego do Barbado e precisava ir até o shopping. Só há um caminho para fazer isso. Aliás, existem 700 mil caminhos, incluindo um no qual você vai Ushuaia e volta, mas apenas um caminho lógico. Segue a rua até o final, passa por dois semáforos, faz o contorno, entra na rua do shopping. Sim, é congestionado. Você até imagina que se um atalhista te vê ali, ele te julgará um retardado.
- Não cara, pegar a rua do Córrego é furada. Você devia vir por trás.
- Mas eu estava numa loja lá.
- Pô, então você devia ter vindo por dentro do Jardim Tropical, parava o carro na rua de trás e ia a pé. Poupava um tempão na volta.

Quando dois atalhistas se juntam em uma discussão sobre melhor caminho, eles podem partir até para a discussão física.
- Então, ai ao invés de pegar pela Avenida do CPA, eu vou pela Morada do Ouro.
- Ah, mas chega lá, você pega aquele congestionamento naquela rotatória. Sabe o que você faz? Pega aquela entrada de terra antes, tem o espaço certinho pra passar o carro entre o arame farpado. Você segue reto, é uns 10 quilômetros de terra. Você já saí lá na frente no Jardim Itália.
- É, mas ali, vez por outra, na hora de descer o barranquinho pra voltar pra pista, você encontra um carro na contramão. Ai você faz sabe o que? Segue mais um pouco a esquerda, cruza um riacho, agora tá seco, dá pra passar tranquilo, você saí lá na estrada de Acorizal já. E aí é tranquilo.
- Mas as vezes, você acaba pegando uma moto no caminho... e sabe como moto é foda né. Ai, ao invés de vir reto, você vê se aquela casa tá com o portão aberto. Ai você corta caminho por dentro da casa do cara. É só passar com cuidado pra não arrancar a roupa do varal dele.
- Quando eu to de moto, eu passo por dentro da cozinha. Uma vez quase atropelei o cachorro dele. Ai, se você aproveitar, você já passa pela cerca e vai no vizinho. Você corta um puta caminho, já saí lá em Brejinho.
- Pô, mas aí ao invês de vir pela estrada, corta pra dentro, e vem por cima do mato. Cuidado só pra não atropelar as capivaras.
- Ah, isso aí é burrice cara. Compensa muito mais vir pela estrada e pegar aquele desvio em Porto de Fora.
- Nada, no meu caminho é bem mais rápido. Nesse seu, uma vez eu já vi uma bicicleta na estrada. Perdi muito tempo. No meu caminho eu demoro só 4 horas só pra chegar em casa.
- Então, no meu nem chega a isso. Saio daqui 6 e pouquinho... antes das 10 eu to em casa.
- É. Mas, de qualquer forma é melhor do que pegar esse trânsito absurdo. Esses dias meu filho veio me pegar, pegou o caminho aqui da Miguel Sutil. Demorou 50 minutos, nesse monte de carro... Não dá... Falei pra ele "você tem que aprender a sair desses congestionamentos pra ir mais rápido".