terça-feira, 29 de setembro de 2009

Os piores momentos da humanidade

Ou: quando a humanidade falhou

Existem alguns momentos em que você perceber que a humanidade falhou. Miseravelmente. Ou que a humanidade está constrangida. Não falarei aqui sobre política, sobre a guerra, sobre a fome, a miséria, caos. Sim de alguns momentos aparentemente mais simples, mas que não escondem essa falha ou esse constrangimento.

Cindy Lauper cantando Another Brick in the wall. Era uma celebração pela queda do muro de Berlin. Tudo para ser uma grande festa. Mas esse momento aconteceu para lembrar a todos que nada é perfeito. Impossível não se sentir constrangido ao ver Cindy Lauper usando Dread Locks gemendo os versos de Another Brick in the Wall (quase os aparelhos ideológicos musicados) e se esfregando pelo palco.

Quando usamos formas de gelo. Quase nunca nos lembramos desse utensílio doméstico. E quando usamos, nos damos conta de que a humanidade falhou. Milhares de anos de história e até hoje não fomos capazes de criar uma forma de gelo eficiente. Mandamos o homem a lua, podemos conversar com uma pessoa no Japão em tempo real. Mas não conseguimos tirar o gelo da forma com facilidade.

(Existem pessoas que dizem que suas formas funcionam. Mas é mentira. Para conseguir tirar o gelo você precisa torcer até quase quebrar a forma. Arremessá-la contra a parede ou fazer uso de água, que quase desmancha o gelo e o derruba na pia)

Pizza Califórnia. Porque? Porque afinal alguém teve uma idéia de fazer uma pizza com abacaxi, uva e outras frutas. Quem teve essa idéia de fazer uma pizza de salada de frutas? E quem resolve comer isso? Porque? Porque?

Reuniões do movimento estudantil. Falácias, revoluções, sistema, cerceamento, poder, Estado. Toda semana, toda semana essa história. É quando a humanidade estaciona e empaca em um lugar.

Quando vemos filmes idiotas no youtube. O que dizer do cara que tentou se equilibrar de cabeça na traseira do carro e quebrou o vidro? Ou da criança que vai se jogar na piscina e cai de cara no chão a um metro da borda? Ou todos esses outros vídeos idiotas. Como é que essas pessoas, que tem uma base genética quase idêntica a sua são capazes dessas proezas? E o que falar de você que perde seu tempo vendo esses vídeos?

Quando você precisar retirar um CD, DVD, Revista de sua embalagem plástica. É até tranqüilo no momento em que você tem uma tesoura. Caso o contrário, você jamais irá conseguir fazer uso do seu novo produto. Poderá apenas imaginar o quão bom seria assistir esse filme que você tanto queria. Como a revista deve ter boas matérias. Porque não podia ser mais fácil?

Acompanhar notícias sobre a Suzana Vieira. Não sei o que é pior. A Suzana Vieira, as notícias sobre ela, ou acompanhar as notícias sobre ela.

domingo, 27 de setembro de 2009

O caso Belchior

Passado algum tempo da polêmica, o CH3 traz aqui sua análise minuciosa, ponderada e absolutamente correta sobre o polêmico caso Belchior.

* A verdade é que Belchior estava sumido há mais de 20 anos. Suas únicas aparições eram nos horários nostálgicos da rádio quando tocavam “foi com medo de avião” ou a música do rapaz latino-americano.

* Belchior criou dívidas em sua vida. Qualquer um está sujeito a isso. Pode acontecer com você, ou com aquele outro. Comigo não. Eu não estou sujeito a isso.

* Uma vez estando com dívidas você tem duas opções que são: pagar ou não pagar. Se você não pagar você pode criar vários problemas em sua vida. Cobranças violentas, morte, etc. Se você não quiser pagar uma das melhores coisas a se fazer é sumir.

* Se eu tivesse que fugir com dinheiro eu iria para as Bahamas, que é a escolha mais lógica. Agora, sumir sem dinheiro... talvez eu fosse só pro interior de Minas Gerais. Belchior escolheu ir para o interior do Uruguai, rapaz latino-americano que ele é.

* Ok. Belchior sumiu sem dar notícias pra ninguém e foi morar numa cabana no interior do Uruguai. Quem em sã consciência vai morar numa cabana no interior do Uruguai? Não está bem claro que ele resolveu sumir pra não ter que pagar as dívidas?

* Se você for sumir porque está sem dinheiro, você vai avisar alguém? Vai dar um comunicado a imprensa de que “oi pessoal, to falido vou fugir pro Uruguai. Se quiserem me encontrar eu to lá numa cabana”? Eu pelo menos iria sumir sem avisar ninguém. No máximo um familiar ou outro, algum amigo.

* Os cobradores foram procurar Belchior um dia e ele não tava. Noutro ele não tava. Não tava nunca. Pensaram “o filha da puta sumiu”. Deram um jeito de descobrir que o carro dele tava abandonado no aeroporto e resolveram mandar o caso pra Globo, pra ver se eles eram mais espertos em achar o Belchior.

* A Globo vai para os familiares e amigos do Belchior e pergunta: “sabe onde é que ele tá?”. Se você fosse amigo ou parente de um cara que fugiu pra não pagar dívidas você diria onde ele está? Falaria “olha ele ta escondido lá no interior do Uruguai”. Eu pelo menos diria “Belchior? Não sei. Ta sumido ele não? Faz tempo que não vejo ele”.

* A matéria vai ao ar. Cria aquela comoção nacional de que o Belchior tá sumido. E então entram os desavisados na história.

* O Belchior não estava completamente sumido. Ninguém mais se lembrava dele e esse fator tornou o sumiço mais fácil. Tirando os cobradores, ninguém poderia imaginar que ele estava sumido.

* Então imagine você. Várias pessoas viram o Belchior nesse tempo. No supermercado, na farmácia, num aniversário. Até deviam comentar “sumido ele, não?”. Vem a matéria no Fantástico dizendo que ele sumiu. Um monte de gente pensou “sumido faz dois anos? Como assim? Vi ele na padaria mês passado!”. E nisso há quem more no Uruguai que tenha visto ele. Os uruguaios que pensam: “Belchior sumido? Que passa? No es verdad!”.

* As informações chegaram e a Globo “achou” o Belchior. No que pode ser considerada uma barriga gigante da Globo. Compraram como grande reportagem um caso besta de sumiço do mapa proposital pra fugir das dividas. Pra disfarças eles até estão tentando achar o Biafra, aquele do “voar voar, subir subir”.

O resto da história vocês sabem. Belchior deu uma entrevista com cara de “puta que pariu esses filhos da puta me acharam. Vou ter que sumir em outro país latino-americano”.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Janela Errada

Antigamente ninguém devia falar que foi na janela errada. Talvez alguém que tenha quebrado uma vidraça e dito “desculpa, acertei a janela errada”. Ou algum assaltante justificando que aquilo não era um assalto, mas um simples equívoco, afinal ele achou que estava pulando a janela da própria casa.

Mas no advento dos comunicadores instantâneos virtuais, janela errada virou algo freqüente. Quem nunca mandou uma mensagem certa para uma pessoa errada? Bem, você talvez não, mas conheço várias pessoas que já fizeram isso.

Sei de uma pessoa que mandou uma mensagem escrita “olá minha deusa” para um outro homem. Ou até de uma pessoa que foi falar mal de alguém e por engano mandou a mensagem para esse certo alguém (que cruzou o seu caminho. É melhor não resistir e se entregar).

Mas o que seriam essas mensagens erradas? Seriam pequenas armadilhas que a vida coloca em nossos caminhos? Burrice? Bem, eu não sei a resposta. Talvez este fosse um tema de uma grande pesquisa psicológica, mas eu... eu não pretendo fazer essa pesquisa.

Pois bem, essas confusões de janelas podem defenestrar vidas e relacionamentos (recentemente o blog imagina que qualquer coisa destrói vidas).

O cara está conversando com um amigo sobre alguma mulher no MSN e resolve fazer um comentário como:
- Eu comia essa Lurdinha passando creme de morango nela.

Ele então percebe que mandou a mensagem para a sua namorada. Situação chata não? Se você fosse ele o que você faria?
a) Diria: “desculpa essa mensagem era pro Carlão, ignore ela”.
b) “é... não é bem isso que você está pensando!”
c) “Relaxa amor. Eu também comeria você passando creme de morango”.
d) “Meu computador tá com um vírus, que fica dizendo uns negócios sobre morango. Não aceita nenhum arquivo que eu por um acaso enviar”.
e) Desligaria o computador imediatamente e negaria tal mensagem pelo resto da sua vida.
f) diria: “sim, é verdade. Se você não puder me amar por conta desse meu simples desejo, melhor que tudo termine”.

Existem outras casos também. Mandar um “esse meu chefe é um filha da puta” para o seu chefe. Dizer “é. Mas eu sou virgem mesmo” para um amigo zoador.

Enfim, como diria Eric Cantona “take care of da windows and play bitiufu ma frrrrrendas!”.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Cena de um mundo politicamente correto

O local é um ônibus. Uma velhinha faz sinal para entrar. Ele entra e vê que todos os lugares estão ocupados. Inclusive os lugares para os portadores necessidades especiais. Ela espera que alguém tenha a educação de ceder o seu lugar. Mas isso não acontece. Até que na próxima parada alguém se levanta e desce. A senhora se arrasta até o assento vazio. Mas antes que isso fosse possível alguma estudante de colégio senta no lugar.

Isso é normal e acontece muito. E é ainda mais freqüente o caso das pessoas que sentam na poltrona do corredor bloqueado a poltrona da janela. No mundo atual o máximo de educação que se presencia é quando alguém diz:
- Senhora, sente- se aqui. Eu já vou descer.
Sim, percebam que a gentileza é fruto apenas do fato de que a descida está próxima. Se a pessoa fosse descer vinte pontos adiante, azar da velha.

Se o mundo fosse um lugar educado e politicamente correto, a cena seria assim:

A senhora entra no ônibus. Ela percebe todos os lugares ocupados. Então alguém prontamente se levanta.
- Sente-se aqui senhora, eu estou para descer já.
As pessoas olham surpresas, ao que outra voz do fundo grita.
- Não senhora, por favor. Sente-se aqui no meu lugar. – e completa – E eu não estou para descer!
A cena é comovente. Escutam-se até alguns aplausos discretos. Ao que o primeiro a oferecer a gentileza diz:
- Pois bem. Descerei só daqui a vinte pontos! Descerei muito longe da minha casa. Caminharei a pé. Ou pegarei outro ônibus. Farei de tudo só para ter o prazer de que a senhora possa se sentar no meu lugar.
O Outro torna a responder.
- Não. Sente-se aqui. Veja, estou com a unha encravada. Sacrificarei-me aqui em pé, tomando topadas na minha unha, apenas para que a senhora possa ter todo o conforto possível.
- Não! Veja. Quebrarei minha perna! Ficarei aqui completamente dolorido, me martirizando, sofrerei as piores dores possíveis, e farei isso com o maior prazer possível, apenas para que a senhora possa ir sentada. Ó deus! Abençoado seja esse momento em que esta pobre senhora pode se sentar confortavelmente neste ônibus lotado.
- O que você quer? Veja, irei retirar o colega do meu lado, até corro o risco de apanhar dele. Irei te oferecer duas poltronas vazias para que a senhora possa ter ainda mais espaço!
- E eu te ofereço água. Dinheiro. O que você quer para sentar aqui?
- Opa, suborno não vale!
- Porque não? Além de conforto oferecerei uma saúde financeira.
- Então – saca uma arma- ninguém desce dessa porra até a senhora sentar na minha poltrona!
- Calma aí amigo.
Apreensiva a velhinha tenta interromper a discussão.
- Calma senhora. Eu sei que você quer se sentar aqui! Lutarei até o fim para que isso aconteça, nem que eu tenha que pagar com a minha vida.
- É...
- Não fale! Poupe suas energias. Você já está em pé.
- É que meu ponto...

O ônibus para e a velhinha desce. O ponto dela já tinha chegado.

- Mas que desfeita.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Indústria da tragédia

Atenção: o post a seguir contem ironia, sarcasmo e faz piada de valores éticos e morais. Se você for um viadinho, não leia.

Tragédias acontecem. O tempo todo no planeta todo. E não falo só das tragédias de grandes proporções. Sim das pequenas tragédias do cotidiano, tragédias familiares, tragédias da vida particular. Pode parecer chato, mas existem várias profissões que necessitam das tragédias para ganhar dinheiro.

Farmacêuticos: A indústria farmacêutica existe para criar remédios para salvar vidas. Bonito não? Mas eles precisam que as pessoas fiquem doentes para poder sobreviver. Eles precisam da sua gripe, da sua cólica, da sua impotência, da sua calvície, da sua prisão de ventre. É capaz até de que eles supliquem por um arranhão na perna pra poder vender anti-sépticos.

Médicos: Imagine se todas as pessoas do mundo se alimentassem bem, sem excesso de gordura, sal e carne vermelha. Que praticassem exercícios físicos regularmente. Que não praticassem atividade de alto risco. Médicos ganhariam muito menos dinheiro.

Advogados: Esperam sempre que alguém mate alguém, que alguém bata em alguém, que alguém seja sacaneado por alguma empresa, que pessoas tenham que se divorciar, processar, roubar.

Jornalistas: Não que eles não sobrevivam sem a tragédia. Mas o avião que caí, a pandemia, o assassinato brutal garantem uma manchete mais fácil e sem preocupações.

Informática: Eles esperam que seu computador quebre, que você perca o seu HD ou que você não consiga configurar a sua rede.

Psicólogos: Esperam que você seja um completo demente que queira esquartejar os vizinhos, que sofra com sua imagem no espelho ou que queira comer sua mãe. Aliás, eles não esperam isso. Eles tem certeza de que você quer comer a sua mãe.

Publicitários: Aqui a tragédia está na vida deles. E eles se vingam disso fazendo a propaganda do Guaraná Dollynho.

Ok, ok. O post de hoje foi demasiadamente rápido. Mas o CH3 irá recompensar os nossos nobres CHnautas com a publicação por escrito, do até então oral, “Guia CH3 de definições sacanas das profissões”, ou algo parecido.

sábado, 19 de setembro de 2009

Ditos Populares Frustrados

Há um bom tempo atrás, nos primórdios desse blog, quando ele era preto e tinha uma logo ultrajante, Vinícius, o Gressana, fez uma análise de alguns ditos populares levados ao pé da letra. Chutar o pau da barraca por exemplo. Tal post permanece até os dias de hoje na galeria de posts inesquecíveis do CH3.

Graças a esse post eu tive a idéia, frustrada, de tirar fotos mostrando as situações dos ditos levados ao pé da letra. Eu achava a idéia genial, mas ninguém a levou a sério. A única foto tirada foi uma de Vinícius pagando o mico. A segunda foto que seria dele sendo pego com as calças na mão jamais foi tirada.




E foi até para nossa (minha) surpresa que poucos meses depois eu vejo no programa do Jô, dois caras que lançaram um livro com essa mesma idéia. Sendo que as fotos dele era bem menos engraçadas do que as nossas ficariam, mas enfim.

Para que um ditado seja popular, uma coisa é fundamental: que ele seja popular. Não adianta a frase ser de efeito, se ela não for popular. Se ela não for repetida por toda a eternidade e em qualquer situação, ele não será popular.


Por exemplo, uma vez depois de uma matéria sobre relacionamentos de emprego, o apresentador do jornal local disse “como diria minha avó: cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém”. Sim, a frase não tinha nada haver com o momento, mas ela foi dita por ser um dito popular.

Várias pessoas tentam por vezes criar algum dito popular sem que ele seja um. Certa vez, o já referido Gressana, disse “hmm... nessa canja tem osso”. Todos olharam pra ele com cara de “como assim?”. Ele tentou explicar a situação e disse que esse era um dito popular, muito comum. Ninguém jamais havia escutado ele. E uma rápida pesquisa no Google mostrou que ele não existia. Vinícius até hoje jamais admitiu a farsa.

E existem várias pessoas assim. Aqueles que dizem “ah, esse tá mais fudido que cobra em galinheiro” ou “essa dirige tão mal que deixa o carro morrer na descida”. Ou para tentar abalizar começam as frases utilizando “como diria minha avó” ou meu avô, ou um amigo meu¹. Não ira colar. Frases novas não são aceitas com facilidade, a não ser que você já seja famoso.

Mas a sua fama não garantirá que a frase se torne um dito popular. No máximo que ela apareça na seção de frases da Veja.

Bem, então, como eu faço para criar um dito popular? É simples! ... Bem, não é simples não. Nem fácil. Você terá que criar uma máquina do tempo e ir para o tempo em que os ditos populares são criados. Pensar em uma frase marcante e começar a disseminar ela entre a comunidade. Você terá que pensar em algo que faça sentido a época. Não vá falar com um caboclo de 1716 sobre carros ou computadores.

A maneira mais eficaz de fazer isso, é entrar nos quartos à noite enquanto as pessoas dormem e molestá-las sex... digo, falar nos ouvidos delas a frase desejável. Então todas elas irão acordar com isso na cabeça e no dia seguinte quando pintar uma oportunidade para que a frase seja usada, elas a usarão. E as outras pessoas a acharão familiar. E assim a coisa crescerá até o momento em que ela virará um dito popular. Se possível até force situações em que o dito poderá ser dito.

Você pode até tentar fazer isso hoje em dia, mas poderá encontrar alguns problemas:
1) Ao entrar na casa da pessoa você poderá ser assassinado ou preso facilmente.
2) Irá demorar uns 100 anos para que a frase seja realmente popular.

Bem, enquanto você não entra em uma faculdade de física para começar a entender de que maneira poderá criar um dito popular o melhor a fazer é se contentar com os já existentes. Não tente refletir muito sobre o significado deles e os repita mecanicamente em qualquer situação, para que assim você garanta a popularidade deles e também a sua credibilidade enquanto propagador de Ditos. E, jamais tente fazer com que uma frase irrelevante se passe por um dito popular.

¹Detalhe: é fato que quando uma pessoa fala “como diria um amigo meu” ela está com vergonha de assumir uma frase de autoria própria.
² São Benedito provavelmente é um Dito Popular. Quem sabe um dia ele poderá ser levado ao pé da letra.
³ Nesse post não se encaixa a possibilidade de criar um provérbio chinês. Você teria que aprender chinês e toda a complexa e milenar cultura chinesa.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

As verdadeiras aulas

Por aula, aula mesmo, se entende uma situação na qual há um professor e uma quantidade indefinida de alunos. Este professor se senta de frente para os alunos. A função do professor é ensinar e a função dos alunos é aprender. Claro que isso nem sempre é possível. Seja pelo fato de que os professores não tem a menor capacidade de ensinar, ou pelo fato de que alguns alunos não vêem a menor necessidade de estarem ali aprendendo naquele momento, sendo que ele poderia estar na cantina tomando refrigerante.

Mas eu não falo desse processo tradicional que muitos pedagogos modernos consideram ultrapassado. E sim das verdadeiras aulas. Não entendeu?

Pois bem. Quantas vezes você não escutou alguém falar: “tal filme é uma verdadeira aula sobre a guerra fria”. Muitas vezes a verdadeira aula é também chamada de “a melhor aula” tal qual no seguinte exemplo: “este livro é a melhor aula sobre filosofia moderna que já foi feita”.

Bem, pra mim esse conceito de aula parece um pouco bizarro. Provavelmente porque eu não sou um pedagogo moderno. Aula pra mim ainda envolve o conceito descrito no primeiro parágrafo.

Não é que não se possa aprender com o filme ou com o livro. Mas é que não é uma aula. Aulas não são a única maneira de se aprender alguma coisa. Realmente o filme pode te ensinar mais sobre guerra fria do que o professor de história. Mas isso não significa que o filme seja uma aula. Talvez os pedagogos modernos acreditem que as aulas deveriam seguir este modelo.

Mas para mim, para que essas situações chamadas de verdadeiras aulas, ou da melhor aula sobre tal assunto, só poderiam ser assim chamadas em situações como estas.

Situação 1
O comentarista de futebol diz “esse jogo foi uma verdadeira aula sobre como jogar no contra-ataque”, referindo-se a um jogo em que um time ganhou do outro fazendo sete gols no contra-ataque. Este jogo só seria uma verdadeira aula do seguinte modo: o time rouba a bola. Ao fundo o técnico diz “observe o que iremos fazer”. E começa a descrever as jogadas que serão feitas. Não esquecendo de mencionar a velocidade da bola, a força que deve ser utilizada, a velocidade do vento e a deslocação dos jogadores.

Situação 2
Seu professor diz “O príncipe é a melhor aula sobre absolutismo”. O livro de Maquiavel no caso. Para ser uma aula, você teria que comprar o livro e ir ao terreiro de Pai Jorginho de Ogum. Ele incorporaria o espírito de Maquiavel e sentaria em uma mesa na frente de um quadro negro que é verde. Você sentaria em uma cadeira de braço, abriria o caderno e começaria a ver a explicação de Maquiavel em pessoa.

Situação 3“O filme Íntimo e pessoal é a melhor aula sobre telejornalismo já feita por Hollywood”, diz o seu professor sobre o filme. Como fazer para que seja uma aula? É... bem, na verdade não há como esse filme ser uma aula. Aliás, é impossível utilizar “melhor” para falar sobre qualquer aspecto de Íntimo e Pessoal.

Por sinal, o jornalismo é um dos que mais sofrem com as verdadeiras aulas. Livros, vídeos, filmes, reportagens. Tudo é a melhor aula sobre jornalismo.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Mordomos: uma questão intrigante

Eu nunca tive um mordomo. Nunca conheci nenhum amigo que tivesse um. Também nunca vi um na rua. Muito menos na internet. Tente procurar por mordomos no Orkut. Não achará nenhuma comunidade que os representem ou as pessoas que os contratam. As únicas comunidades com “mordomo" no nome se referem a igrejas evangélicas ou bandas.

Dito isso, eu até diria que eu duvido que mordomos realmente existam. Para mim eles são apenas uma criação da mídia para achar culpados para os problemas.

Sim. Onde você vê mordomos? Em filmes de suspense americanos, novelas ou em escândalos políticos. E o que os mordomos fazem? Matam alguém, roubam dinheiro, colocam chifres no patrão.

Não dá outra. O culpado é sempre o mordomo. Ele foi o culpado por matar e enterrar o corpo de Odeite Roitman. Ele é que criou o Batman. Bem, queiram ou não o Batman é um assassino que faz com que psicopatas armem planos terríveis para a humanidade, só pra sacanear com o Morcego.

Bem. Porque então alguém contrataria um mordomo. Pergunto a você. Você contrataria um? Contrataria alguém que cedo ou tarde irá matar você, ou alguém da sua família? Alguém que vai comer sua mulher? Eu não contrataria.

Ou melhor, só contrataria se eu fosse o assassino, estelionatário. Porque assim eu poderia matar cruelmente várias pessoas, aplicar o golpe que eu quisesse. Porque quando a polícia aparecesse, eu poderia dizer: “bem, a culpa é do mordomo”.

Os policiais, os juízes e a sociedade olhariam para o mordomo e sua cara de culpa confessa e diriam “verdade. O mordomo realmente é o culpado”.

Talvez a situação pudesse ficar complicada no momento em que o seu sétimo mordomo fosse preso. Ou não. As pessoas acreditariam na culpa dele, porque ele pertence a uma classe maldita que veio ao nosso planeta apenas para praticar a maldade e promover a desunião entre as raças. Eu não confio em mordomos. E não confio nas pessoas que os contratam.

Nota: eu me lembro de um mordomo que não era assassino. No caso, era Santiago, mordomo de Walter Moreira Salles, que tocava piano muito bem, falava cinco idiomas, lia enciclopédias e ainda, dizem, fazia um macarrão a carbonária que era uma delícia. No entanto, o filme sobre ele demorou mais de uma década para finalmente ser lançado. Só depois que ele morreu. Mordomos não nasceram para a liberdade e a felicidade.

domingo, 13 de setembro de 2009

Fenômenos Meteorológicos

Adendo morfológico – A origem das palavras

Fenômenos: Vem de “feno” do latim fenus, aquele bolo que rola enquanto um cantor toca blues no Arizona. E também “Menos” do latim Menus que significa... hã... o contrário de mais.
Meteorológicos: Vem de Meteoro aqueles objetos que vez por outra caem na terra provocando o Juízo final. Meteoro por sua vez vem dos verbos “meter” e “orar”, as duas coisas que restam ao ser humano quando é noticiado que um vai atingir a terra.
Completando a origem, vem também de “lógicos” do latim “Logus” que era um carro da Volkswagen que foi um fracasso de vendas.

Adendo inicial – a meteorologia

É uma ciência bizarra, que tenta acertar se vai chover ou vai fazer sol. É ciência porque mexe com cálculos avançados, satélites, telescópios e cafeteiras de última geração. E é bizarra porque o que define o resultado de tão complexas variáveis é um chute. Sim, o cientista cruza os dados e diante de tais situações pensa “é, acho que vai chover”. No fundo é a mesma coisa do velho com dor de joelho.

Adendo medial – o fenômeno

Ronaldo. Um grande jogador. Superou cirurgias no joelho, sexo com travestis e a obesidade para se manter jogando bola até os 35 anos.

O post, afinal

Os fenômenos meteorológicos estão por aí o tempo todo. Para explicar porque as condições climáticas que já eram ruins ficaram ainda mais extremadas. Os seguintes são os mais famosos.

El Niño: Foi uns 10 anos atrás que pela primeira vez o El Niño apareceu. Era pra explicar as enchentes em algum lugar. Alguns meses depois ele apareceu para explicar o porque não chovia no nordeste. Nevava na Polônia em Julho? A culpa era do El Niño e a mudança de temperatura que ele provoca no oceano. Chegou um momento em que ele era o culpado pela crise econômica dos países asiáticos e a má fase da seleção brasileira.

La Niña: Quando ficou chato dizer que o El Niño era o culpado por tudo, inventaram a La Niña. Era graças a ela que o Leomar foi titular da seleção. Era a mesma coisa do El Niño. Qualquer chuva ou sol estranho era culpa da menina.

Altas da Bolívia: Situação nova que começou a aparecer nas previsões do tempo do jornal. São jogadoras de basquete bolivianas que passam pela fronteira com cocaína escondidas em bolas de basquete. Fazem a população brasileira ficar doidona e imaginar que está nevando no verão em Cariacica.

Zona de convergência do Atlântico Sul: Coisa típica de filmes do FBI. Uma zona secreta no Atlântico Sul onde as coisas são convertidas. ÓVNIS já foram avistados na região, aviões desaparecem e Elvis Presley mora lá. Os poderosos se reúnem pra decidir se vai chover na sua casa.

Considerações Finais – a previsão do jornal
Todos apresentador de previsão do tempo é um sádico. É possível notar em sua face o sorriso em perceber que naquele final de semana irá chover em todas as cidades com praia no Brasil. E que em compensação o nordeste está em seca.

Para você que mora em Cuiabá, irá talvez chover aqui.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Espero-te na fila

Pesquisas apontam que se você viver 80 anos terá passado cerca de oito anos, três meses, quatorze dias, dezessete horas e vinte e um minutos, parado em filas. A fila está inserida na sua vida. Em qualquer lugar da sua vida, de tal forma que você às vezes até esquece, ou não percebe que está no meio de uma. Existem até pessoas que tem mania de fila. Se olharem uma fila, já chegam atrás, porque pensam “bem, se há fila, deve ser para algo bom”.

Existe até o caso do cara que parou na porta de uma loja pra descansar um pouco. De repente alguém o cutucou perguntando para que era essa fila. Ele disse “que fila” e olhou para trás vendo uma fila que contornava o quarteirão.

Não há certeza se existe um fetiche por fila. Mas se existir, imagino que seria algo parecido com o fetiche por encoxadas.

Fila de Hospital: Não é bem uma fila, já que as pessoas estão sentadas. Mas não deixa de ser uma longa espera, em que pessoas estão na sua frente, portanto, filosoficamente pode ser uma fila. Envolve pessoas quase morrendo e outras que estão gripadas. As conversas são sobre as doenças. Qual foi a fratura? Como ela ocorreu? E esse médico que é muito bom. Mas o médico demora pra atender. No meio da história sempre tem o Luizinho, cuja cara não nega, ela já enfartou. E sempre lembra aos amigos esse fato para recusar a sétima rodada de chope com lingüiça e ir embora sem pagar a conta. E no meio dessa história, fora as revistas Caras, sempre tem alguém que acha que é o único que precisa ser atendido ali.

Fila de banco: Não há duvida. As soluções para os problemas do Brasil, quiçá do mundo, são resolvidas em filas de banco. Pessoas protestam contra a demora. Alguém sempre se lembra que brasileiro é assim mesmo, deixa tudo pra última hora. Sempre dois uniformizados conversam como se fossem amigos de infância. Falam das bundas que passam e fazem piada com tudo. E o pior, falam alto, como se achassem que todo mundo ali está interessado em ouvir a brilhante conversa. E pior ainda, eles não se conhecem, pelo menos não nessa vida. E sempre têm aqueles que gritam “Essa fila não anda”, “vai logo menina!”. Achando, provavelmente, que são as únicas pessoas com pressa ali. Todos os outros provavelmente estão na fila por hobbie.

Fila de boate: Dizem que a fila da boate é mais legal do que a boate em si. Pessoas bem vestidas ficam paradas na frente da boate no clima de azaração, enquanto uma galera bonita passa com seus carros mirando quem está na calçada. Em processo de caça. Sei de pessoas que se reúnem nos fins de semana para ir às filas. “Vamos embora, essa fila não ta legal”.

Fila de colégio: Organizem-na por ordem de tamanho. O Dudu nunca quer reconhecer que é o mais baixo e fica tentando arrumar a postura para ficar mais alto que o Jorginho e não ter a humilhação de ficar na frente. A turma que não se comportar direito fica por mais tempo em pé, de castigo.

Fila de restaurante: Uma fila profissional. Ninguém vai ao VerdeVale fazer piadinhas “essa maionese heim! Comia ela todinha!”. Ninguém protesta achando que é o único que está com fome ali. E ninguém comenta com ninguém se o homem da balança faz um bom serviço.

Fila de supermercado: Não importa. A bobina da máquina será trocada na sua vez. E a pessoa da sua frente vai resolver pagar em cheque preenchido pela máquina. Só que o cheque só pode ser aceito mediante cadastro. E ela não tem cadastro. Mas é um processo rápido, dez minutinhos e pronto. E enquanto o tempo passa, você vai comprando todas as balinhas que estão na sua frente.

Fila de banheiro: Abre! Abre! Abre! Ahhhhhhhhh. Tarde demais.

Fila no Orkut: Só aparece em profiles de meninas inseguras e sem personalidade, que acham que são o último gole da coca-cola. Nesse caso, a fila anda.


Fila Brasileiro: Um cachorro. Apenas isso.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Brasil x Chile - Ao vivo

Senhoras e Senhores CHnautas. São 20 horas e 52 minutos e a partir desse momento o CH3 começa a transmitir ao vivo o jogo entre Brasil e Chile, válido pela 16ª rodada das Eliminatórias Sul-americanas. Direto de Salvador, capital baiana. A partir de agora você pode acompanhar o jogo apertando o F5 aqui na janela do blog, e também pelo Twitter. Só que no Twitter vai ser diferente, oras. Não faria sentido fazer igual.

Faremos os comentários mais interessantes do planeta, eu garanto. Veja as escalações:

Brasil: Júlio César, Maicon, Miranda, Luisão e André Santos; Felipe Melo, Gilberto Silva, Daniel Alves e Júlio Baptista; Nilmar e Adriano. Tec: Dunga o anão terrível
Chile: Bravo, Medel, Jara, Ponce e Vidal; Millar, Carmona e Fernandez; Suazo, Sanchez e Beausejour. Tec: Marcelo El Loco Bielsa.
O árbitro será o uruguaio Jorge Larrionda.

O pré jogo começa prometendo pelo fato de que não colocaram nenhuma cantora pra cantar o hino nacional. Acho que aprenderam com a Vanusa.

1º Tempo
00:00 Começa o jogo! Brasil-il-il.
00:10 O Brasil ainda não passou do meio de campo.
02:56 Ainda esperando algo relevante pra comentar. O Chile continua no ataque.
04:12 Vamos então especular. Será que o Olodum está dentro do estádio pra enviar boas vibrações?
05:07 Julio Baptista atropelou o time inteiro do Chile e sofreu um falta clara na entrada da área. O juiz não deu.
06:29 Saiu um cartão amarelo para um chileno, que se chama Jara.
07:04 Luisão quase faz de cabeça numa bola esquisita.
07:40 Julio Baptista quase faz de cabeça, na sequência uma suruba na área e Adriano quase fez.
08:22 Mais um escanteio para o Brasil.
09:00 Brasil pressiona e para no Adriano.
10:29 Grande jogada do Chile. O jogo não para. E eu acho que vou enlouquecer aqui nas digitações.
11:13 Em breve alguém dirá que é o melhor jogo de futebol dos não sei quantos tempos recentes.
11:48 Adriano atrapalha todas as jogadas por enquanto. Sei que daqui a pouco ele acaba fazendo uns sete gols, calando minha boca e fazendo com que as pessoas me massacrem.
12:40 O baiano Daniel Alvez impulsionado pelo Acarajé da casa voa pela direita.
14:11 Adriano quase faz contra! Deve ter comido um podrão e ter tido uma convulsão.
17:08 Julio Baptista, Felipe Melo, Luizão, Gilberto, Maicon e Adriano. Seria um baita time de rúgby.
18:12 Em jogada que teve a participação de Beausejur o Chile perde um gol que Pai Jorginho de Ogum faria. Ou não.
20:48 Passa a chover pra caralho em Salvador.
21:16 Maicon tenta um chute de primeira. Falhou miseravelmente.
22:13 Jogador do Chile para para amarrar o cardarço antes de cobrar o escanteio.
22:36 Adriano tem a capacidade de parar ambos os ataques. O melhor em campo.
23:39 Miranda está se esforçando para nunca mais ser convocado para lugar nenhum do planeta.
24:47 Jorge Larrionda está com dor de barriga. Essa cara dele não me engana.
25:16 André Santos quis driblar a zaga do Chile inteira até o momento em que ele descobriu que não era o Maradona. Falando em Maradona, a Argentina perdeu.
26:51 Felipe Melo resolve tocar de calcanhar no meio do ataque do Chile. E perde a bola. Pensarei num bom xingamento para ele.
27:47 Adriano mata a bola no pâncreas e perde a jogada.
29:45 Tá faltando o último passe. É o que todos dirão no intervalo.
31:06 Nilmar aproveita o cruzamento de Daniel Alvez e faz o Gol. GOOOOOOOOL, GOOOl ahhh, uhhhh, gol do Brasil. 1x0. Adriano não alcançou a bola antes do toque final.
33:03 Adriano dribla o goleiro e não consegue fazer o gol mesmo assim. Dirão que o zagueiro tirou a bola, mas ela iria pra fora.
34:04 Adriano toca na bola e tira o chute final de Felipe Melo.
34:34 Dunga grita algo como "vamo lá pessoal e isso ae!".
37:37 Gilberto Silva faz um gol de bicicleta. Não acreditam? É, realmente não aconteceu. Segue 1x0.
39:30 Júlio César pratica o chamado milagre e na sequência Suazo perde um gol no rebote.
40:18 Chile resolve fazer um bobinho na zaga brasileira, o Brasil rouba a bola e Júlio Baptista faz o segundo gol. GOOOOOOOOOOOOOOOOL uuuuu ahhh. 2x0.
42:52 Com esses gritos de Olé, o André Santos e o Felipe Melo vão ficar numa máscara danada.
44:35 Grande jogada do Chileno. Se fosse o Robinho os narradores teriam gozado ao vivo. Felipe Melo faz o Penalti.
45:23 Suazo cobra e diminui o placar. 2x1. Gooooooooooooool do Chile! Uaaaauhahaha uhh. Opa.
46:00 Termina o primeiro tempo. Vamos para o intervalo. Vou tomar um Chicabom.

2º Tempo
00:00 Começa o segundo tempo. O chile faz uma alteração. Mas não importa muito.
00:56 Adriano volta com tudo! ! !
03:45 Felipe Melo está expulso. Vamos começar a malhar ele publicamente! Pedir para ele ser banido do futebol!
04:20 O replay mostrou que Felipe Melo acertou um chute no saco do chileno. Doeu em mim.
05:43 Felipe Melo saiu do campo falando que futebol é pra homem. Homem que é homem acerta o saco dos outros.
07:11 Suazo marca um golaço. Sensacional. 2x2.
07:58 Felipe Melo fez um penalti e foi expulso. Acho que devíamos criar campanhas pra tirar ele da seleção.
09:11 Pai Jorginho de Ogum me telefonou dizendo que o Chile vai virar. Ele nunca acerta previsões.
12:13 Corre o risco do Chile virar mesmo.
13:04 Se eu fosse o Dunga eu... eu... bem eu não queria ser ele.
13:26 Se eu fosse o técnico da seleção brasileira eu tirava o Adriano e colocava... alguém ali no meio de campo.
14:53 Daniel Alvez não comeu acarajé no intervalo.
17:55 Torcida sacana pede Obina e velocidade para Adriano. Esse por sua vez perde mais uma jogada.
19:56 A qualquer momento Valdívia vai entrar em campo. Palmeirenses vão gozar.
21:47 Faz cerca de 10 minutos que os dois jogadores do Chile estão esperando pra entrar mas a bola não sai.
24:22 Duas substituições no Chile entra o Isla no lugar de Suazo (que estava meio ilhado) e o Valdivia entra no lugar de Millar (pra acumular milhagem). O Brasil também faz duas substituições: finalmente saí o Adriano e também o Julio Baptista. Entram Tardelli (antes tarde do que nunca) e o Sandro que não tem piadinha.
25:19 Sai André Santos para entrar Elano.
27:00 Agora eu diria que parece que os dois times estão felizes com o empate e não deve acontecer mais porra nenhuma nesse jogo.
28:48 Nilmar! GOOOOOL. Quando eu esperava que não ia dar mais porra nenhuma ele faz o terceiro gol. 3x2.
30:43 Grande jogada do Brasil. Maicon quase fez um golaço e depois Nilmar aproveitou o rebote para fazer o seu terceiro gol! 4x2. O time melhorou sem Adriano.
34:00 Dunga chamou alguém de filha da puta na arquibancada.
37:51 Agora imagino que é só esperar o jogo acabar mesmo.
39:42 Maicon se empolga e tenta fazer um golaço. Falhou miseravelmente.
41:48 É impressionante, a cara de qualquer jogador dói na hora em que qualquer outra parte do corpo é atingida.
44:47 Marcelo Bielsa tem cara de que vai pular em cima dos jogadores chilenos e arrancar as visceras deles com as próprias mãos. E depois comê-las.
46:00 O antidoping mostrará que Nilmar estava com o capeta no corpo.
46:55 Encerrado o jogo. O Brasil ganha por 4x2.

Encerrada a transmissão. Agradecemos a você, sim você, que esteve aqui acompanhando essa experiência. Repetiremos-a em breve, em outros jogos de futebol, de handebol, entrega do Oscar e de prêmio de Miss Universo.

Boa tarde, eu sou um coadjuvante

O relógio marca duas horas da tarde. Asdrúbal ajusta a temperatura do ar condicionado e arruma alguns papeis na mesa. Escuta a porta abrindo para a entrada de Antônio. Acenam um para o outro com a cabeça e Antônio senta-se a mesa. Irá começar uma entrevista de emprego.

- Boa tarde, Antônio.
- Boa tarde.
- Você...
- Eu sou um coadjuvante.
- Como assim?
- Coadjuvante. Aquele que não é estrela. Quer que eu explique a origem da palavra?
- Não, eu sei. Mas digo, o que é, ser um coadjuvante?
- Bem, eu coadjuvo.
- Explique-me, por favor.
- Bem, eu, por exemplo, tive uma banda de rock.
- E daí.
- E daí que eu era o baixista. Baixistas são sempre coadjuvantes. Geralmente eles são relegados a um canto do palco. Ninguém sabe o nome deles e eles nunca dão entrevistas. As pessoas nem sabem que o que eles tocam é um baixo. Acham que é uma guitarra esquisita. E ninguém nem percebe o som do instrumento.
- Hmm sim. E que experiência profissional você tem?
- Nenhuma.
- Nenhuma?
- Sim. Ninguém nunca quis um coadjuvante para ser empregado.
- Mas como você acha que pode contribuir coadjuvando?
- Bem, de várias formas. Eu fico na minha e deixo que os outros brilhem. Sabe, quando eu jogava futebol minha posição era primeiro volante. Aquele que nunca faz um gol. O máximo que eu fazia era ser lateral-esquerdo. Mas eu gostava mesmo era de ser gandula.
- Hmm... mas qual a importância disso?
- Muita. Já pensou no que seria da turma da Mônica sem o Xaveco? Ele é um personagem coadjuvante. E a Denise? As pessoas podem achar que são personagens inúteis e insignificantes. O problema do Xaveco é que além de ser coadjuvante ele não tem personalidade nenhuma. Ele não descobriu sua vocação. No dia em que ele descobrir isso ele poderá melhorar sua condição humana. O brilho das estrelas ficam mais evidentes graças a opacidade dos coadjuvantes. Quer um exemplo? Qual é o seu super-herói favorito?
- O Batman.
- Porque?
- Bem... é... eu gosto do cinto de utilidades... eu é que devia fazer perguntas!
- Mas não é nada disso. É por conta do Robin. O Robin é tão coadjuvante, mas tão coadjuvante, que o Batman parece ainda mais brilhante. Sabe onde eu nasci? No Espírito Santo. Quer estado mais coadjuvante do que o Espírito Santo?
- O Acre, talvez.
- Não. O Acre serve para fazer piadas. O Espírito Santo nem pra isso. O Sudeste só parece ser tão bom, porque existe o Espírito Santo para contrabalancear. No dia em que um meteoro cair lá, a única notícia vai ser sobre como isso atingiu o Rio de Janeiro. Eu nasci no outono. Quer estação mais coadjuvante do que o Outono? Todo mundo fala do verão e suas praias. O inverno, com o frio o chocolate quente, o fondue e o vinho. As flores da primavera. E o outono? A estação das folhas caídas. Quem liga para as folhas caídas?
- É verdade. Mas não existem momentos em que os coadjuvantes brilham?
- Não.
- E quando alguém ganha um Oscar de melhor ator coadjuvante?
- A verdade é que quando alguém ganha um Oscar de ator coadjuvante, ele não foi um bom coadjuvante.

Antônio foi contratado. Depois disso o rendimento dos outros funcionários aumentou aparentemente.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Frases históricas

Foi no dia 7 de setembro de 1822. As margens plácidas do Rio Ipiranga, Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon, que mais tarde seria conhecido como Dom Pedro I, soltou seu brado retumbante “Independência ou morte”. E por conta desse grito que hoje estamos aí, em casa, tranqüilos aproveitando o feriado.

Notem, tudo só aconteceu pela frase dita por Dom Pedro I. É capaz de que ele tenha se reunido com seus assessores durante horas e horas para pensar na melhor frase para o momento. Imaginem se o momento tivesse ficado registrado como “Queremos a independência!” ou “A independência tarda, mas não falha!”. Provável que hoje você estivesse trabalhando, e prestando seus serviços para a coroa portuguesa.

Uma frase certa no momento decisivo é tudo o que os grandes líderes precisam. Todos sabem, a segunda guerra mundial só acabou porque Wiston Churchill disse aos seus soldados “nada temos a oferecer, além de nosso sangue, suor e lágrimas”. Se ele tivesse dito “Vamos ganhar a guerra pessoal” ou “Batalhar é preciso, viver nem tanto”, não poderíamos descartar a hipótese de Hitler no trono até hoje, mesmo que ele já fosse a essa altura um homem centenário.

Sem contar as frases que Jesus disse. “Ó pai, perdoai-lhes pois não sabem o que fazem” e etc. O cristianismo só é possível por conta dessas frases.

Pois bem, há duas coisas a se considerar sobre isso.

Veracidade: Quem garante que essas frases foram ditas? E se foram ditas exatamente assim? Dada a distância das coisas na época, é possível imaginar até um processo de telefone sem fio. Digamos que Dom Pedro disse “Libera ou a gente bota pra fudê!”. E logo virou “Liberdade ou guerra!”. E num momento um louquinho de bairro (nota: de você não conhece os louquinhos de bairro, quem sabe em breve eles não serão um tema de post do CH3), que disse a frase como ela ficou conhecida. E daí ela ganhou popularidade.

Importância: Todo mundo em uma visão cartesiana gosta de lembrar-se de marcos específicos. As frases ditas acima, a queda do muro de Berlim, a bomba de Hiroshima, o goleiro do Palmeiras. Todos se esquecem que eles são apenas uma parte do contexto, e a frase não foi um estalo que fez mágica na calmaria.

Não é que Dom Pedro tava lá tranquilão na dele curtindo um sol de bermuda na praia tomando uma cerveja, levantou-se e disse “se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, diga ao povo que fico”. Ou então que ele tava passeando de cavalo com os amigos, voltando de um piquenique cheio de substâncias lisérgicas, parou o cavalo e disse “Independência ou morte! Porra!”. Ou que os alemães estavam lá andando tranqüilos, e de repente um deles gritou “vamo derruba essa merda!”. E não é só colocar o Marcos no gol que o Palmeiras ganha alguma coisa.

Houve muito sangue, suor e lágrimas na história toda. O clima já estava tenso, idéias foram arquitetadas, pessoas trabalharam até chegar ao momento máximo em que a coisa toda acontece. Mas não, parece que é só falar uma frase marcante que a revolução começa.

Tente ir você até a praça para dizer algo como “Se foi dado ao homem o direito de sonhar, sonhar-ei com um mundo mais justo!” ou simples “Olha o rapa moçada!”. Você só provocará um tumulto, ou ganhará umas moedas ou hematomas. E frases históricas não são ditas em entrevistas coletivas.

Mas mesmo assim, se você quiser tentar começar a revolução da sua cama (afinal, revoluções tem que começar em algum lugar) o CH3 já lançou há muito tempo o seu essencial “Livro das frases certas para os momentos decisivos”. Compre.

sábado, 5 de setembro de 2009

O estranho Microondas

O microondas é um dos mais fabulosos aparatos da modernidade. Imagine, ele é do tamanho de uma caixa de sapatos de jogadores de basquete e faz parte das funções que um fogão (onde caberia um anão) faz. E o que é mágico você apenas vê uma luz acendendo, e então o prato a rodar, rodar e rodar.

O que faria a comida ficar quente? Seria o fato de rodar, rodar e rodar que deixa a comida doente e com febre? Bem, eu não sei direito, mas é algo que envolve radiação. E por algum mistério o feijão não é afetado por essa radiação.

Justamente por mexer com radiação, algo que é associado a Hiroshima, Chernobyl e os Power Rangers, mitos (ou seriam as mais absolutas verdades?) foram criados sobre essa figura presente em nosso cotidiano.

Eu, particularmente, não tenho nada contra eles. Ele nunca me atacou, nunca tentou roubar meu dinheiro e nunca me fez ter que escolher entre três portas, sendo que atrás de uma dessas portas existia um macaco monstruoso. Mas existem pessoas que dizem que o Microondas seria um Uri Geller em série, que entorta metais. Que ele atira água fervendo em cima de você.

Para saber o que é verdade nessa história, procurei o já famoso e lendário intelectual colombiano Alfredo Humoyhuessos. Ele que é um excelentíssimo, magnânimo reitor da Universidade de Cartagena e entre outras coisas desenvolveu uma misteriosa técnica para retirar os dois sapatos do pé ao mesmo tempo. Com apenas um movimento e utilizando apenas os pés.

Perguntei a ele o que ele sabia sobre experimentos com microondas. Ele me disse “bem, porque alguém resolve colocar algo que não seja comida no microondas? E porque raios alguém resolveria fazer experiências com a comida, com tantas pessoas passando fome no mundo?”.

Dei o assunto como encerrado e já estava voltando para casa, quando ele resolveu me dizer tudo o que ele sabia.

Primeiro ele colocou um pão com queijo no microondas. Após um minuto o pão estava quente e o queijo derretido. Após cinco minutos o queijo já havia virado vapor e o pão seria capaz de marcar pele de boi. Concluímos então que não é bom deixar o pão com queijo por muito tempo no microondas.

Depois ele colocou uma Lasanha congelada no forno. Após 12 minutos ela estava pronta.

Depois veio a parte nojenta. Ele colocou uma mosca dentro do forno de microondas. Em poucos segundos a mosca morreu.

Então ele colocou duas baratas no microondas. Após cinco minutos elas continuavam vivas. Após 10 minutos elas ainda continuavam vivas. E após quinze minutos elas não só continuavam vivas, como começaram a se reproduzir de maneira assustadora.

Veio então a parte mais assustadora do experimento. Humoyhuessos foi ao seu porão e pegou um rato. Colocou o rato no microondas. Em poucos minutos ele começou a se deformar. Quando eu já estava quase vomitando escutei uma explosão. Lá de dentro saiu um rato gigante de quimono vermelho. Disse que seu nome era Splinter, desferiu alguns golpes de Karatê, roubou pizzas da geladeira e partiu rumo ao esgoto ao lado de quatro tartarugas que usavam armas marciais.

Terminado o experimento pude chegar a algumas conclusões.
- O microondas não deve ser usado para nada além de esquentar comida.
- Nunca mais comerei nada feito no microondas da casa de Humoyhuessos.
- Panela velha é que faz comida boa, e não me interessa se ela é coroa.

- Em Cuiabá nessa época, o Microondas serve para esfriar as coisas.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

A morte dos lugares

There are places I remember. All my life thought some have changed

Você se lembra daquela boate? É aquela mesma. Um dia ela era o lugar mais procurado da cidade. As filas para entrar eram enormes. Havia tanta gente do lado de fora quanto do lado de dentro para se exibir. Os carros não paravam de chegar e os donos de veículos importados passavam pela porta inúmeras vezes. Então, pois é. Ela fechou.

Assim como a boate do ano de 1999 fechou. A de 2003 também. E não adianta negar. Logo mais a boate mais procurada do ano de 2009 também irá fechar. Irá. Passará por um momento decadente. Uma nova boate será inaugurada e as pessoas irão para lá. Dirão como o ambiente da nova boate é melhor. A velha boate passará a ser freqüentada por prostitutas e travestis. O movimento vai cair. Quem ainda freqüentar o local será ridicularizado. E o fim será inevitável.

Depois a nova boate virará a velha boate e assim será até o fim dos tempos. A sua rápida ascensão o seu breve apogeu e a sua fatal queda.

A mesma coisa acontece com os bares. Um dia a cerveja fica mais barata em outro local, ou um outro bar mais bizarro é aberto. O samba saí de moda e o legal passa ser a ir em um local que só toca rasqueado. O bar dos universitários muda de lugar, o bar dos jornalistas escolhe um novo endereço. Comunistas marcam um novo ponto de encontro.

Poucos lugares conseguem se manter imunes a essas mudanças. Aqueles que viram pontos tradicionais, que oferecem pratos tradicionais e que jamais perderá sua fiel clientela. Mesmo no dia do juízo final será possível encontrar alguém por lá.

E o mesmo acontece com praças, shoppings, regiões da cidade. Todos serão esquecidos. A vida de um lugar só não é tão efêmera quanto à de ex participantes de reality shows.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Um estranho em minha cama

Zileide França dormia o mais profundo dos sonhos. Sonhava alguma coisa abstrata que provavelmente ela não iria se lembrar mais tarde. Foi quando ela sentiu um impacto e desmaiou. De certa forma, desmaiar dormindo é algo completamente surreal. Mas o mais bizarro da história aconteceu quando ela acordou. Se ela acordou do sono ou do desmaio eu não sei. Mas, ela acordou e encontrou um bezerro ao lado de sua cama.

Como o bezerro foi parar ali? Ele caiu do telhado. Como é que um bezerro cai do telhado? Seria um bezerro alienígena que veio em uma cápsula do planeta Krypton? Seria uma nova raça de bezerros mutantes capaz de escalar paredes? Bem, não. Apesar de essas hipóteses serem bem mais interessantes não foi isso o que aconteceu. Simplesmente a casa era construída em um nível mais baixo do que a rua, o bezerro andava na rua foi pra cima do telhado que não agüentou seu peso e quebrou. O bezerro assim foi parar na cama de dona Zileide.

Dona Zileide deve ter se cagado toda com a situação. E o bezerro também. Imagine para um bezerro o quão estranho é estar andando e de repente o chão se abrir e você cair para um lugar onde está outra pessoa. Se bezerros fossem religiosos, provavelmente ele imaginaria que estava no inferno.

Ok, pronto a história é apenas essa. Depois dona Zileide deu algumas entrevistas, ficou famosa na cidade. O telhado foi concertado, a cama também e o bezerro virou churrasco. Ou talvez tenha ido puxar umas carroças.

Post encerrado? Não.

Essa história só mostra como o ser humano é facilmente atingido. Não aconteceu, mas Dona Zileide poderia ter sido morta com esse acidente. Imaginem, você se cuida, toma remédios, tem boa alimentação, prática exercícios com regularidade e se mantém em dia com o fisco, mas a qualquer momento um bezerro pode cair em sua cama e você pode morrer por isso.

A qualquer momento você pode ser chamado para cantar o hino nacional em uma cerimônia pública. Mas por uma questão pessoal você pode resolver usar substâncias alucinógenas antes de cantar o hino. E pode esquecer a letra. E pode virar motivo de constrangimento público por isso. E você pode cantar o hino com a melodia errada.

A qualquer momento você pode resolver ir se declarar para o amor da sua vida. E atravessar 209km para fazer isso. Só que você pode ser cadeirante. E resolver atravessar essa distância em sua cadeira de rodas. E chegando lá você pode tomar um fora do amor da sua vida. E resolver voltar a distância toda dessa maneira. E então sentir fome no meio do caminho. E parar em uma plantação para comer milho. E então ficar com a cadeira de roda presas e ser arremessado para longe e cair no chão. E ter que ligar para a polícia para pedir ajuda.

Sim, a vida pode nos surpreender.

***
Lições aprendidas com o post:
1) Tente sempre fazer com que o telhado da sua casa seja mais alto do que o nível da rua.
2) Prefira sempre uma fita com hino nacional do que uma artista irrelevante cantando o hino nacional em sua cerimônia pública. Desde que você queira chamar a atenção.

Comentário de Hanz o Pansexual sobre o post
“Tudo o que ya mais sonha em essa vida é com o dia em que ya acorrrde com uma linda bezerrrrrinho em meu cama!”