sábado, 30 de outubro de 2010

Grandes dúvidas que não têm explicação (14)

O que fazer com as mãos?

O último debate envolvendo os presidenciáveis Dilma Rousseff e José Serra, transmitido ontem pela TV Globo, trouxe a tona um dos maiores problemas enfrentados pelo povo brasileiro, quiçá pelos povos da Terra. Não, não falo do saneamento básico, da violência, da educação, da saúde, da habitação, da segurança, do aborto ou da transposição do Rio São Francisco. A questão é: o que fazer com as mãos.

Sim, as mãos. Esta parte do teu corpo, disposta na extremidade dos braços, que contém dedos que contém unhas. Também contém um polegar opositor – você deve saber, isso te diferencia do resto dos mamíferos.

Cabem as mãos, realizar tarefas básicas do cotidiano. Dar fim as suas necessidades criativas. Manusear objetos. Escrever. Se alguém te diz “pode pegar a caneta” é com as mãos que você vai fazer. Sim, você não vai tentar pegar com os pés, com a boca ou com as orelhas. Sem as mãos você teria muita dificuldade em comer. Sem as mãos, você teria dificuldade em viver (calma Cão Leproso) e não é a toa, que em tempos primitivos, uma das punições mais graves era justamente cortar as mãos do infrator.

A questão é justamente essa. Existem tantos atos que você pode realizar com suas mãos, que, no momento em que você não deve fazer nada com elas, você fica perdido. As mãos simplesmente não foram feitas para ficarem paradas. Ou, até podem, mas depende da situação.

Você pode colocar a mão na cabeça, apoiar no queixo, se apoiar em algum lugar. Mas isso não acontece quando você está num debate pelo mais alto posto da nação, transmitido pela maior rede de televisão do país. Você não pode coçar qualquer parte do corpo. Quando você está num debate tradicional, com uma bancada, você pode rabiscar uma folha de papel para passar o tempo, ler um livro do Garcia Marquez... enfim. Agora, em um debate como o de ontem, disputado em uma espécie de ringue moderno, sem bancadas. Os dois, em pé, circulando de um lado para o outro. Quando você está falando, tudo bem, você usa as mãos para gesticular. E agora, o que fazer quando você é o ouvinte?

Colocar as mãos cruzadas em frente ao corpo demonstra medo, como se você quisesse se esconder. Braços cruzados é impaciência. Mão no bolso é insegurança. Mão na cintura é cansaço. Coceira é falta de banho. A única solução é ficar com as mãos para trás, numa pose reflexiva, mas claramente nervosa. Pior ainda, era quando um candidato ficava falando com o público e a câmera pegava o oponente lá no fundo, pensando “o que é que eu faço?”. Sem uma caneta, sem um livro, sem um mp3 player.

E então, o que fazer com as mãos? Eu não sei. Creio que a humanidade jamais estará preparada para este momento.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

A Arte de Visualizar Metáforas

Todo o Carnaval tem o seu fim, música de abertura do segundo disco dos Los Hermanos, Bloco do Eu Sozinho, de 2001 tem o seguinte verso:
“Toda folha elege um alguém que mora logo ao lado. E pinta o estandarte de azul. E põe as suas estrelas no azul. Pra que mudar?”.
Se você for uma pessoa normal poderá pensar “porra, Los é Hermanos é chato” ou gostar da música, achar alguma graça nos versos e não se ligar no que eles podem querer dizer. Talvez faça uma busca no Google pra tentar descobrir o que isso significa. Mas tanto faz. Muitas letras tem pouco sentido.

Agora, se você for um visualizador de metáforas, logo criará a sua versão. Veja bem. “Toda folha”. Só pode falar de jornais. A Folha de São Paulo, a Folha do Estado, a Folha da Manhã. Pois bem, os jornais elegem alguém que mora logo ao lado. Elegem um parceiro. Alguém que coloca dinheiro no jornal. E eles pintam o estandarte de azul. Azul, é a cor do PSDB. Ou seja, o PSDB coloca dinheiro nos jornais. Pões as suas estrelas no azul? As estrelas são o símbolo do PT. Ou seja, o jornal troca o PT pelo PSDB. Pra que mudar?

Veja bem, aposto que você pensou “nossa, até que faz sentido! Que impressionante!”. Todo visualizador de metáforas é convincente. Eu inventei isso nesse momento, mas há quem dedique semanas em busca da interpretação perfeita.

As preferidas são as chamadas “metáforas para a vida”. O que é uma metáfora para a vida? O que é a vida? Existem os que adoram dizer que o futebol é uma metáfora para a vida em 90 minutos. Por quê? Drama, felicidade, conquista, tristeza, o sucesso o fracasso. Tudo o que acontece na vida está reduzido em 90 minutos.

É possível dizer que o rúgbi é uma metáfora para a vida. Você trabalha para os outros e quando a bola está com você, é pancada por todo lado. Todos querem te derrubar. O rodízio de pizzas é uma metáfora para a vida. Diferentes opções são ofertadas para você, tradicionais, inovadoras. Você tenta várias, mas no final se sente mal e perde dinheiro.

As metáforas sexuais também fazem sucesso. Existem aqueles, discípulos de Freud, que enxergam metáforas sexuais para tudo. Andam pelas ruas esperando a oportunidade de apontar e dizer “olha lá uma”. Quando a porta do elevador abre e a menina pergunta para a o rapaz “sobe?” e ele responde “ahãm”. Apontar o lápis pode ser uma dessas metáforas. Estourar o champanhe é uma metáfora para a ejaculação. “Aparar pela rabiola” – metáfora para sexo anal. Ok, essa é óbvia, mas todo visualizador de metáforas diz suas interpretações com ar de descoberta do miojo sabor pólvora.

A política também. Em época de eleição, toda e qualquer manchete traz uma mensagem subliminar que indica a opção política do jornal. Lembram-se da novela “Desejos de Mulher”? Em 2002, havia um professor meu que dizia que aquela era uma forma de mostrar que a TV Globo queria eleger Roseana Sarney à presidência. Se essa novela fosse repetida agora no Vale a Pena Ver de Novo...

E por fim, temos as metáforas religiosas. Como a bíblia é um livro longo, chato e cheio de números que atrapalham a sua leitura, poucas pessoas a leram por inteiro. Tanto que lá dentro existem quatrocentas histórias de morte, traição, ira, perdão, glória e escatologia (nesse ponto, a Bíblia seria uma metáfora para a vida?). A série Lost, por exemplo. Os doentes aficionados que a acompanhavam, tentavam descobrir todas as metáforas bíblicas que lá existiam. E é sempre assim: um irmão mata o outro – Caim e Abel.

Por outro lado, existem aqueles que realmente criam as metáforas. Cineastas malucos, Paul Thomas Anderson da vida, que gostam de torturar seus espectadores com mil referências sutis e situações que remetem a situações históricas. Um gato que passa andando no canto da tela. Uma pessoa com roupa vermelha que diz “olá, me vê um estrogonofe”.

“Volta logo pra São Paulo. Ou eu vou pra Madrid”
- Vê aí. É uma metáfora da situação política do José Serra, que se sente isolado em São Paulo. Queria voltar para a Madrid, fascista de Franco.
- Nada haver.
- Claro que tem. Fernando e Sorocaba são muito politizados. Nunca percebeu “paga-pau”? É uma mensagem do Serra pra Dilma. Fala do teatro dela, de um suposto ódio, mas no fundo ela admira o PSDB.
- ...

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Zzzzzzzzz

Uma das formações geográficas que constituem o nosso Mato Grosso é a Serra do Roncador. Lugar misterioso, onde Percy Fawcet teria supostamente desaparecido em sua busca pelo El Dorado. Lugar misterioso que vai desde a capital do universo, Barra do Garças, até o Pará. Nesta serra, além de civilizações perdidas, existiriam grutas de água cristalina e rochas gigantes de cristal. E quem sabe, na Serra do Roncador seja possível encontrar uma das figuras mais misteriosas do nosso universo: o roncador.

O roncador é aquele indivíduo que sofre de uma obstrução das vias respiratórias superiores durante o sono. Assim sendo, o ar passa apertado por essas vias e vibra. Origina então aquele barulho conhecido. Sua intensidade pode variar de algo como “tá ouvindo esse barulho” até uma motosserra tentando partir uma turbina de avião em funcionamento.

Roncar pode ser perigoso. Pode ser um sinal de que você sofre de apnéia. Ou, uma pequena parada respiratória durante o sono. Geralmente você volta a respirar naturalmente. Mas, caso seja seu dia de azar e a respiração não volte, você morre.

Mas não tem com o que se preocupar. Afinal, você não ronca. Ninguém ronca. Encontrar uma pessoa que seja um roncador declarado, assumido e convicto é impossível. Mais fácil achar alguém que votou no Collor ou que admita que sim, estava sim assistindo um programa constrangedor, e não apenas zapeando pela TV em uma tarde vazia.

Ninguém admite que ronca. Em uma roda de conversa, mais fácil alguém assumir que é gay, que já sodomizou filhotes de gato. Se o tema for “roncar” ninguém terá como dar exemplos próprios. Mais fácil um monge budista quebrar o seu voto de silêncio.

É claro. Poucas pessoas sabem que roncam. Afinal, você está dormindo e, geralmente, dormindo, você não percebe o que acontece se ninguém te contar. Um ermitão irá morrer sem saber se roncava ou não. E dificilmente ele terá essa dúvida, por que ele também teria a certeza de que não sofre do problema.

Mas mesmo que existam testemunhas. Pessoas que tenham visto você roncar. Você dirá que não, que é impressão delas. Ou que é uma sacanagem dessas pessoas. Se as pessoas resolverem provar o fato e gravarem você roncando em alta definição, você não voltará atrás. Não irá assumir. Nem sobre tortura, nem com seus parentes debaixo das armas de milicianos. Você tentará dar desculpas como:
- É que eu bebi muita água antes de dormir.
- É que eu dormi de barriga pra cima.
- É que eu tive pesadelos.
- É que estava muito quente.
- É que eu estou meio gripado.

Não sei porque é tão difícil assumir. Pessoas assumem que tem problemas com o álcool, com a cocaína ou com Twitter mais facilmente. O fato de uma pessoa roncar pode acabar com casamentos, geralmente no dia em que a insone mulher perde a paciência, não com o ronco, mas com o fato do cara não admitir que ronca. Não tomar providências.

Quando, com o ego ferido, o roncador resolve procurar ajuda médica, imagino que ele o faça constrangido. Marcará a consulta dizendo que sofre de insônia. Dirá para os outros presentes na sala que ele está com bruxismo. Talvez diga que sofre de incontinência urinária. Quando o médico perguntar qual é o problema, o paciente olhará para os lados, verificará que não há ninguém e olhando para baixo sussurrará “eu ronco”. Capaz que comece a chorar de vergonha logo depois.

Ora, não há motivo para isso. Eu não ronco, mas não vejo problema nenhum nisso. Roncadores do Brasil, não há porque se esconder. Isso é mais normal do que se imagina. Não é ilegal, não é imoral e nem engorda. Não tenham vergonha em se assumir.

domingo, 24 de outubro de 2010

CH3 News - Para Presidente

É com muito orgulho e extrema satisfação que apresentamos mais esta edição do CH3 News. Uma edição especial que surge para cobrir as eleições. Uma leitura obrigatória para qualquer um que se interesse pela política. Uma leitura que certamente irá te auxiliar a escolher o seu candidato e o futuro do país. Nossa equipe esteve atrás dos presidenciáveis durante anos para produzir este material. Apesar do Twitter, isso não é tão fácil.

O resultado é este. Jornalismo de primeira qualidade. Jornalismo feito com sabedoria, com talento. Jornalismo que corre pelas veias. Leiam. Vocês não irão ver nada sobre política neste blog, tão cedo.


sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Não, é o Super-Homem.

A aparição do ET Bilu levanta algumas questões interessantes. Para onde vamos? De onde viemos? Qual era a intenção da Record em reproduzir essa matéria? Não era dia primeiro de abril. Será que foi uma tentativa fracassada de reproduzir a Guerra dos Mundos de Orson Welles? O que eles pretendiam com uma matéria com um ET falando o mais perfeito português numa voz metalizada? E se chamando Bilu! Bilu é nome de cachorro.

Antes de ser levado por um sentimento nostálgico que nos leve de volta ao tempo em que Gugu Liberato percorria o Brasil, quiçá o mundo, atrás do Chupa Cabra e, não percam, no próximo bloco teremos imagens reveladoras, vamos ao tema principal dessa porra aqui. Os OVNIs. O CH3 já abordou vários assuntos relacionados, sobre alienígenas, comportamento, teoria da conspiração e aparições misteriosas.

Os OVNIs são Objetos Voadores Não Identificados. Ou seja: objetos que voam e não são identificados. A primeira pergunta é: objetos voam? Depende do seu conceito de objeto, mas se formos ver que tudo pode ser um objeto, concluímos que alguns sim. Em termos gerais “Tudo o que voa é um objeto, mas nem todo objeto voa”. Avião é um objeto e voa. Já um barco, sendo também um objeto, não voa. Barata, voa.

E como objetos que voam podem não ser identificados? Temos um conhecimento básico sobre os objetos que voam, não? Mas veja só. Se nesse exato momento, eu passar em sua janela e jogar para o alto uma caneta BIC Preta. Você não vai conseguir identificar se ela era preta, se era uma BIC e talvez nem mesmo se era uma caneta. Canetas voam? Não. Se você deixá-las sozinhas na sua mesa, definitivamente não. Agora, experimente arremessá-la. Isso pode ser considerado um vôo? Afinal, o que é voar?

O primeiro OVNI foi visto, porém não identificado, por Shen Kuo. Chefe da Dinastia Song em 1088. Sua maior incidência mundial é no principado de Liechtenstein. Um lugar bizarro com 34 mil habitantes, que é famoso apenas pelas goleadas que recebe nas competições européias de futebol.

Para os conspiradores, OVNIs existem. E são naves de extraterrestres que a Nova Ordem Mundial não quer que a população descubra. Mas aí fica outra questão: se eles identificam os OVNIs como naves extraterrestres, eles passariam a serem Objetos Voadores Não Identificados que foram Identificados.

Para as fontes oficiais sobre os assuntos. Os OVNIs existem mesmo, só que não há nada de extraterrestre no meio. São objetos banais que confundem as pessoas.

O mais comum são os pássaros. Sim. É um pássaro? É. Oras, existem milhares de espécies de pássaros e você não conhece um terço deles. Nada mais comum que eles não sejam identificados. Você não consegue ver aquilo e dizer “olha só! Um Larus argentatus!

Aviões. Sim. De noite, o capiau vê uma luz piscando no céu e diz “ETs! Extraterrestres!” e tira uma foto com seu celular de resolução ruim. Era apenas um avião. Burro.

Super-Homem. A seqüência lógica. Costuma a ser muito visto por fãs de quadrinhos, que sonham em encontrar o Batman, o Homem-Aranha a Mulher Maravilha. No geral, isso não existe. É apenas o Cão Leproso em seu vôo matinal.

Mas nada supera os Balões Meteorológicos. Se uma notícia de um OVNI for divulgada, não tenha dúvidas de que logo as fontes oficiais da aeronáutica confirmarão “era um balão meteorológico”. Você pode pensar “que escroto”. E realmente é. Mas, por dia, são lançados mais de 3 mil balões desses ao redor do mundo. Eles têm um formato de balão e sobem muito alto. Como você provavelmente nunca viu um pessoalmente, você acharia estranho ver um no céu. E seria ainda mais estranho no momento em que seres gosmentos saíssem lá de dentro.

Mas a vida é assim. A notícia de um balão meteorológico pode ser muito triste para um ufólogo, mas faz a felicidade um Looner.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Grandes Letras Clássicas da Música Brasileira (II)

Edição é o Tchan

É o Tchan do Brasil. O grupo que dividiu a história do Brasil em antes e depois da sua aparição. Antes do surgimento dos clássicos acordes iniciais da Dança do Bumbum o Brasil vivia um clima de euforia. Voltávamos a eleger nossos presidentes, caminhávamos para 10 anos de democracia e parecíamos ter um futuro promissor, sem inflação, sem pobreza, sem fome, sem Axé Music. É o Tchan mudou isso para sempre.

No texto abaixo, faremos uma análise de algumas de suas principais canções.

Segure o Tchan (1995)
“Tudo o que é perfeito a gente pega pelo braço. Joga ela no meio, mete em cima, mete em baixo. Depois de nove meses você vê o resultado. Segure o tchan. Amarre o Tchan. Segure o tchan, tchan, tchan”.

Uma canção que está em uma linha tênue entre o cafajestismo machista e a conscientização sexual. Pode-se perceber que o início é um chamado para o abuso sexual feminino. Pegue ela pelo braço, jogue ela no meio e meta em cima e meta em baixo. O resultado? Uma gravidez. Na seqüência, vem o apelo “Segure o Tchan”. Tchan, no caso, seria uma das 3091 metáforas para o pênis existente na Bahia. Ou seja, proteja o seu pênis com uma camisinha e não engravide a mulher. Abuse com sabedoria.

Dança do Bumbum (1996)
“Bota a mão no joelho e dá uma abaixadinha. Vai mexendo gostoso, balançando a bundinha”.

Uma metáfora para o sexo. E essa música foi dançada inocentemente por diversas crianças de 9, 10 anos. Pois é.

Ralando o Tchan (1997)
“Quem vem de fora, vem chegando agora. Mexe a barriguinha, sem vergonha e entre. Balance o corpo, meu bem não demora. Que chegou a hora da dança do ventre.”

Interessante notar o tom sempre convidativo do grupo baiano. Versos como “vou te ensinar” ou “vou te mostrar” e convites a participação de terceiros na canção. Esta aliás, marcou o surgimento temático do grupo. A mistura do Brasil e Egito, e o Califa tarado de olho no bico do peito das mulheres. A partir de então eles nunca mais pararam.

É o Tchan no Havaí (1998)
“Ula ula de lá, Tchan. Quebra, quebra daqui, Tchan. O Bahia Iaiá. É o tchan no Havaí. Toca esse pandeiro, taca a mão no couro, que esse suingue tá pra lá de ouro. Colar havaiano, abada, pare, saruniê, coqueiral, guitarra havaiana, O Tchan é a mistura tropical”.

Na sua viagem musical pelo mundo, o Tchan havia apresentado a sua nova loira. Percebemos uma nova estratégia de composição. As metáforas sexuais, cada vez menos sutis, ficaram apenas para a segunda estrofe. No começo da canção, percebemos um fluxo de idéias James Joyciano, no qual elementos da cultura popular baiana e havaiana são citados aleatoriamente. Há um que de poesia modernista nesses versos. As rimas forçadas dão esse tom. Foi o último momento de sucesso do grupo.

É o Tchan na Selva (1999)
“A galera vai chegar doida pra sambar. Vamos na ponta do pé, que nem jacaré. E Jane vem que nem saci, dançando o tititi. E Tarzan pega cipó e a cobra deu um nó. E o Leão que fez um u virou canguru”.

Ok. Ninguém agüenta fazer tantas canções com referências a sexo. Essa letra aparece completamente surreal, tentando criar imagens da Jane dançando o tititi e Leões virando cangurus. O mundo não estava preparado para o sucesso disso, felizmente.

Na seqüência o grupo se perdeu. Ouve um fracassado disco chamado “Tchan.com.br” uma tentativa de inclusão digital do grupo. Letras que faziam referências a eventos históricos e seres mitológico transformaram o grupo no Iron Maiden do Axé. O grupo tentou se enveredar pelos caminhos do Funk, aproveitando a primeira invasão do Funk¹.


O grupo se desfez aos poucos e agora ensaia um volta. Independente do resultado dessa nova empreitada, o seu impacto na sociedade brasileira jamais será esquecido.

¹ Momento histórico, consolidado no instante em que o Bonde do Tigrão colocou os seus pés no palco do Domingão do Faustão, invandindo assim, a mesa de jantar da família brasileira.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Amigo Meu

Tem um amigo meu, que vocês não sabem o que ele fez. Já deu tapetadas em travestis, prostitutas, crianças, idosos e mulheres grávidas. Já teve atos de perversão sexual com homens, mulheres, animais, vivos ou mortos. Já praticou contravenções das mais diversas. Feriu todos os fundamentos da constituição brasileira. A soberania, a cidadania, a dignidade humana e tudo mais.

Pode perceber. Qualquer assunto que for colocado em uma roda de conversa. Qualquer um mesmo. Não tenha dúvida que pelo menos um dos presentes terá um amigo que já tenha feito aquilo. Andado nu na Avenida do CPA? Tem um amigo. Colocado um avestruz dentro de uma piscina de óleo de macadâmia? Um amigo já fez.

É um evento interessante. O que está acontecendo com as amizades da juventude brasileira? Levantamos algumas hipóteses para tentar explicar esse fenômeno que atinge a mesa da família nacional. Em breve traremos nossas justificativas, e o referencial teórico.

Desculpa para atos individuais: Ninguém teria coragem de admitir que já usou uma cueca de elefantinho. Então o “amigo meu” vira o seu alterego. “Um amigo meu disse que já usou cueca de elefantinho”. E na seqüência começa a contar vários detalhes dessa aventura sexual com o traje. É lógico. Ninguém guardaria tantos detalhes sobre a experiência de um amigo. Quando começarem a aparecer os comentários de que “isto é uma doença”, “se eu fosse mulher eu ia embora”, perceba que o cidadão ficará meio indignado e dirá “isso é normal”. Bem capaz de conclua com um “afinal, quem nunca usou cueca de elefantinho?”. O uso do “quem nunca” é a maior prova incriminadora do planeta Terra.

A figura do “Amigo Meu”, esta entidade, realmente existe: Talvez realmente exista um “Amigo Meu” que faz tudo isso. Talvez ele esteja no mesmo nível do “Mesmo do Elevador”. Puxe na memória. Talvez você se lembre que realmente tenha um.

É tudo mentira: No intuito de se enturmar e fazer as outras pessoas ficarem impressionadas, você inventa. Um amigo meu é como o depoimento do delegado no e-mail, o dossiê da Veja ou Carta Capital, o calhamaço de papel do debate. Uma figura inexistente que serve para embasar uma história mirabolante. E o famoso “um amigo meu, que vocês não conhecem”.

Qualquer coisa vira “amigo meu”: Uma história sua, uma história realmente de um amigo seu, uma notícia que você viu na internet, uma história que um outro amigo contou sobre um terceiro amigo. Qualquer coisa pode ser alcunhada como “amigo meu”. Tomem cuidado, porque sua história será contada pelos outros como “um amigo meu”, ou seja – você. Será você que pratica sexo com esquilos e se besunta na massa do pão de queijo escutando Believe da Cher.

E antes que eu me esqueça, essa idéia de post foi de um amigo meu, que vocês não conhecem não.

sábado, 16 de outubro de 2010

Baladeiros Anônimos

O CH3 recebeu esse emocionante depoimento por e-mail, e repassa para vocês.

“Olá. Meu nome é Carlos. Ou pelo menos, é assim que eu quero ser chamado nesse meu novo recomeço. Porque nos últimos anos, eu não sabia mais quem eu era. Eu era alguém viciado em baladas. Perdi dinheiro, perdi família. Amigos não, esses eu fiz, muitos. Tanto que eu não sei o nome de cinco deles.

Tudo começou quando eu tinha 17 anos. Eu não podia freqüentar boates, mas com a ajuda de um primo de um amigo meu, consegui fazer uma identidade falsa. Era sempre uma adrenalina, a possibilidade de ser barrado. Mas eu nunca era. No começo era assim. Uma vez por mês, quando pintava uma carona. Até que eu fiz 18 anos, consegui tirar minha carteira. E a partir daí minha vida virou um turbilhão.

Todo sábado eu estava em alguma boate. Depois comecei a estender para as noites de sexta-feira. Depois as quintas. As quartas, terças. Descobri até os lugares que ficavam abertos nas segundas. Eu não dormia mais direito, mas isso não importava. Eu achava aquilo tudo legal e natural.

Fiz dezenas, centenas de amigos. Tive que abrir até uma segunda conta no Orkut, quando atingi o limite de mil amigos. Fiquei amigo de todos os garçons. Conseguia drinks de graça, as vezes entrava de graça. Não pegava mais filas. Quando por algum contratempo, uma gripe, eu não podia ir, meu telefone não parava de tocar. E ah, como tocava. De vez em quando era uma confusão, porque quando começava a tocar I Gotta Feeling, podia ser o meu celular ou o de qualquer amigo. Como era divertido. Desenvolvi uma grande capacidade de comunicação corporal e leitura labial. Já que é impossível escutar alguém dentro de uma boate.

Acompanhei o nascimento e a morte de todas as casas noturnas da cidade. Digo até que uma solitária lágrima escorreu do meu olho esquerdo quando o Café Cancun fechou. Mas sabia que a vida não terminava aí.

Mas, começaram os problemas. Eu gastava muito dinheiro. Tanto dinheiro, que o meu salário começou a ser depositado direto na conta de uma boate, para cobrir meus gastos. Fiquei sem dinheiro e fui expulso de casa. Passei a dormir na casa dos meus amigos. Eram tantos, que ao longo de um ano, não dormi na mesma casa duas vezes.

Começaram a vir os problemas de saúde. Desde os meus 18 anos, a batida eletrônica não saia da minha cabeça em nenhum momento. Só percebia que a música tocava do lado de fora por conta da vibração do subwoofer. Percebi então que estava só dentro da minha cabeça, porque eu fiquei surdo. Foi o resultado de Anos de exposição a tsunamis sonoras. Como eu era acostumado a me comunicar por sinais, não fez tanta diferença.

Um dia alguém me mostrou uma animação em stop motion. Não percebi qual era a graça daquilo. Descobri que os anos enxergando lugares sob os efeitos de um estroboscópio alteraram minha visão. Não me lembro de como é a vida em que uma luz não fica piscando intermitentemente. Nem sinto mais como é ser esbarrado por alguém. De tanto me locomover esbarrando nas pessoas, um dia levei uma facada nas costas e não percebi.

Mas meu mundo começou a cair. Não tinha mais dinheiro, os novos garçons não eram meus amigos, e comecei a perder meus amigos antigos, porque eles não gostavam de pessoas decadentes. Perdi seguidores no Twitter. Aceitei trabalhar de graça numa boate, como segurança. Fui demitido. Estava trabalhando como flanelinha na porta da boate. Via aqueles que foram meus amigos virando o rosto para não me olhar. Mas mesmo assim eu gosto da minha vida, gosto de ver aquela fila, de escutar a música... digo, a música já está dentro de mim mesmo.

E é por isso que, foi difícil admitir, eu preciso da ajuda de vocês. Fui recolhido para uma casa de indigentes. E quero voltar para as boates. Nem que seja para limpar as privadas. Eu preciso estar lá dentro. Preciso dessa chance de retomar minha vida. Repasse para todos os seus contatos”
.

Que fique o exemplo.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Arquétipos Risonhos

Diga-me como ris que te direi quem és.

A maneira como você ri irá determinar o seu futuro. Te fará perder empregos, terminar relacionamentos, se afastar dos seus amigos. A maneira como você ri te trará desgraça, peste, guerra, fome e morte. Por outro lado, suas risadas poderão te trazer fortuna, mulheres, admiração, liderança e sucesso. Vejam o caso do Bira, ex-baixista que hoje ganha a vida rindo em programas de auditório.

Mas não, não falo das suas risadas verdadeiras. Tirando o caso do Bira, ou de uma outra pessoa que ganhe a vida gravando risadas, seus risos só te trarão humilhação. Acontece, se você tiver risos agudos, finos. Ria que nem uma mulherzinha. Ninguém mais irá te respeitar. Só que as risadas que realmente podem mudar sua vida, são aquelas que você dá na internet.

Não existem muitas maneiras de se rir na vida real. Na internet sim. De acordo com dados da ONU, ao redor do mundo são utilizadas pelo menos 478 combinações diferentes de uma, duas, ou três vogais ou consoantes. Esse estudo foi conduzido por Alfredo Humoyhuessos, que é claro, conhece todos os 478 e os utiliza com freqüência, dependendo da situação política, econômica, cultural e social do momento. O que algumas delas significam.

Temos o tradicional “hahahaha”. É o mais popular, difundido e politicamente correto. Os “hahahaha” transmitem a idéia de que a pessoa realmente achou aquilo engraçado. É uma herança que vem dos quadrinhos. Suas principal variação é o “hauhaushauhsauhauhaushauahsaush” que significa que a pessoa está passando mal de rir, a tal ponto que não consegue nem ter precisão motora para digitar os “h” e “a”. Existe ainda o “HAHAHAHA” que diz que a pessoa riu alto. E o “HAsuhasuhsuHSUAHSUHAsuhsSha” que de tanta falta de controle, é sinônimo de um “reprovado no exame psicotécnico”.

Pessoas de origem hispânica tem o estranho hábito de falar “jajajaja”. Isso acontece porque o “j” tem um som próximo ao do “r” tal qual o “h” em nossa língua. Na verdade, 60% das consoantes tem som de “r” em alguns países, principalmente no Uruguai. Já o “rararara” apesar de ser um possível equivalente do “hahahaha” tem suas dificuldades. Uma questão de localização no teclado e também, na nossa cultura, as risadas com “r” dão um ar meio sonso as risadas.

Muito próximo, o “hehehehe” transmite uma sensação de “hehe, tá bom, não foi engraçado, vamos mudar de assunto”. Nenhuma pessoa que digita “hehe” realmente riu. Tanto que não há uma variação do tipo “ehwhewhewhewhe”. Já o “hihihihi”, o “hohohoho” e o “huhuhuhu” sugerem algum problema mental.

Vindo da tradição entre parênteses das revistas semanais, a expressão “risos” é de uma falsidade ímpar. Parece que você está escrevendo “risos” de maneira debochada. Ninguém que realmente estivesse rindo diria “risos”. Faça o teste. Sua abreviação “rs”, é mais recomendada para mulheres. Apenas um “rs” terá o mesmo sentido de “risos”. Além de poder dar uma tradicional conflito geográfico.
- Esse seu sotaque, você é carioca?
- Não, sou de Belo Horizonte, rs.
- Mas, é mineiro, ou gaúcho?

O uso em continuidade, “rsrsrsrs” trará uma sensação entre a risada pura e a risada maldosa. Toda uma dubiedade que poderá ser útil em alguns momentos.

Temos o uso freqüentes de “k” em um “kkkkkkkkkkkk”. É uma risada meio abobada, de uso popular. O uso de “kkkkkkkkkkk” é atribuído as classes mais baixas e menos instruídas. Pode ser sinônimo de humildade, ou de ignorância. Saiba usá-la. A Vanusa deve rir assim.

E para terminar, temos o “lol”. O “lol” contém toda a maldade do “(risos)”, com um problema ainda maior – o estrangeirismo. Sua origem poderia ser da expressão “Lots Of Laughs” (Muitas Risadas, mr) ou “Laughing out loud” (rindo bem alto, rba – ou ainda rindo alto pra caralho, rapc). Só que ninguém, após escutar a piada sobre se perder nas montanhas, dirá “mr”. Em resumo, além de parecer um babaca, o lol te fará parecer um filho da pátria com a camisa dos Estados Unidos.

Ria como eu rio.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

A Arte de escrever e-mails falsos

Você já recebeu um. Provavelmente ele acabou com sua vida. Você parou de freqüentar boates, porque temia acordar em uma banheira cheia de gelo – e sem o rim. Medo de ir a estacionamentos, porque alguém poderia oferecer um perfume para você cheirar e na verdade seria Éter. Você seria estuprado e assaltado. E sabe o que é pior? Isso já aconteceu com um amigo do remetente.

Você já havia até parado de tomar Guaraná Kuat, com medo de ter câncer no toba, quando alguém te avisou “é mentira, isso não existe”. Você retrucou “como assim? Havia um alerta do delegado! Um parente do remetente havia sido estuprado em uma banheira de gelo!”. Seu amigo mostrou para você “não, não. Quer ver, joga no Google. O delegado não existe”.

O CH3 já polemizou sobre o caso Activia. O fato de que ele seria feito a base de fezes humanas e etc. Tal post resultou em um e-mail da Assessoria de imprensa do produto, mostrando todos os equívocos do famoso e-mail. Isso mostra que: o CH3 tem poder. Mas enfim, e-mails falsos formam a opinião de muitas pessoas.

Não adianta negar. Você tem um conhecido que te manda esses e-mails. Tem outros conhecidos que citam um e-mail recebido como fonte inegável de que um fato bizarro é verdadeiro. E nas época de eleições é pior ainda. Lá está o seu e-mail, lotado de informações sobre Dilma Rousseff e José Serra. Textos de importantes cientistas políticos, do Arnaldo Jabor, do Veríssimo.



Dilma Rousseff financiava bandas de Axé. Segundo matéria da edição 1187 da Revista Veja de Abril de 1997, a agora candidata petista ao planalto era apontada como uma das principais financiadoras do grupo Gerasamba, percussores do movimento, que ficaram conhecidos como É o Tchan. Confira um trecho da matéria:
“O grupo tem apoio de Dilma Rousseff, empresária da região”.
Dilma teria fornecido instrumentos musicais e gravadores para a célula
terrorista que ali se implementava. Quando a revista diz empresária, queria dizer na verdade “cafetina”. É de conhecimento de todos os moradores da região de Itapetininga que ela exercia essa função. Ela mesma era responsável pelos abortos de suas “funcionárias”, o que mostra que ela é a favorável do aborto.
Para escrever um e-mail falso, você precisa recorrer ao Guia CH3 de citar fontes inexistentes. Cite uma revista, e até a edição da revista para que as pessoas acreditem. Pouquíssimas pessoas vão pesquisar para saber se é verdade. E esses pouquíssimos não importam. Se a revista for importante, traz relevância, pela grandeza do veículo. Se for uma revista desconhecida, ganha relevância pela grandeza da descoberta.

Cite vídeos no youtube. Material espalhado pela internet, folhetos apócrifos (uma palavra que só existe na época das eleições). Até montagens valem. Não se preocupe se o e-mail tem lógica, utilize ganchos forçados. Assuma um tom aparentemente imparcial, mas que mostre sua militância enrustida. Mesmo que elas sejam malfeitas. Conte com uma equipe pronta a espalhar isso pela internet. Tenha certeza de que o seu e-mail chegará até aquele seu amigo que adora espalhar isso.

José Serra é um extraterrestre. Imagens comprometedoras divulgadas no Jornal New York Times, sobre o lendário acidente de Roosevelt, mostram que José Serra estava entre os corpos resgatados e levados para a Área 51. Ele foi um dos únicos sobreviventes, e só foi liberado para o Brasil desde que chegasse ao nosso país com a intenção de servir aos interesses ianques.
Serra é então, um ferrenho defensor da privatização para empresas dos Estados Unidos. Em entrevista a revista “Política” em 2002, Serra defendia a privatização dos Correios, da Petrobrás, da Eletrobrás e de todos os estádios de futebol do país. A entrevista foi gravada e está no youtube! O candidato a tentou tirar o vídeo do ar! O que será que ele tanto teme? Por que tanto medo?

domingo, 10 de outubro de 2010

Hipertenso

Diz-se hipertenso, aquele que tem hipertensão arterial. É uma doença cardíaca marcada pela alta pressão nas artérias. Alta pressão, alta tensão, hipertensão. Nas Artérias = Arterial. Entenderam? É um problema que mata muita gente, todos os anos, todos os dias. Enquanto você lia esse primeiro parágrafo, não tenha dúvidas de que alguém morreu por isso. Talvez, tenha sido você.

Mas, no geral, as pessoas adoram a expressão hipertensão. Usam-na para descrever situações, extremas, radicais, cheias de adrenalina, em que as pessoas ficam cheias de sangue nas veias. Não a toa, “hipertensão” foi o nome escolhido para um programa novo da TV Globo. É mais um daqueles programas nojentos, que mostram pessoas em situações ultrajantes, buscando ganhar 500 mil reais.

E ai vem a pergunta. Aquela, manhosa, que não quer calar. O que você faria por 500 mil reais? Você talvez matasse. Talvez morresse. Prestasse favores sexuais a desconhecidos. Talvez comesse fetos de rato, insetos vivos, entrasse num baú cheio de ratos, cobras, baratas e diversos outros animais repugnantes. Colocasse sua cabeça dentro de um caixa cheia de escorpiões. E aceitasse ficar girando de cabeça pra baixo, com sua cabeça dentro dessa caixa.

Ok, você talvez não aceitasse isso. Mas existem alguns participantes que aceitam. E o que é pior, sem a certeza de que os 500 mi vão vir. Você pode lá, mergulhar numa piscina cheia de vermes e na semana seguinte ser eliminado. Você pode ir lá, comer fetos de rato recém-abortados, e cair fora porque não agüentou gargarejar sêmen de tamanduá.

Respondam. Vale a pena se arriscar a tudo isso, por míseros 500 mil reais? É um bom dinheiro, eu sei. Mas não é um dinheiro que vai salvar sua vida. Você não vai conseguir comprar uma puta casa, um baita carro e ainda se divertir sem se preocupar com o trabalho. No máximo, em dois anos, você vai precisar voltar a trabalhar. E você acha que vai ser fácil arrumar um emprego? Quem contrataria um cara que mastiga baratas? Você terá um tormento na sua vida pessoal, já que ninguém vai querer namorar a pessoa que abocanha minhocas. E o trauma psicológico? Durante anos, todas as noites, antes de você dormir, passará em sua mente o filme dos ratos caminhando em sua cabeça, com seus pelos coçando o seu nariz. Se você roubasse 500 mil reais e fosse preso por isso, sairia da cadeia antes que o trauma passasse.

Ah, você pode dizer: “mas tem a experiência, o desafio de conhecer seus limites, testar suas capacidade de superação ao máximo”. E eu replico: “Grande merda”. Vai lá escalar o Himalaia, limpar a bunda do Cão Leproso, fabricar salsicha que dá na mesma.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Coisas Inúteis

O ser humano e a sua eterna vontade de inventar e descobrir coisas. Quando entrei na universidade, este era o tema da minha redação. Sendo que ainda seria preciso relacionar esse tema com uma colagem de fotos que mostrava, entre outros, o Darth Vader, o Frodo, o Maracanã e as Caravelas de Cabral. O resultado foi desastroso, minha nota foi pífia. Ainda bem que eu fui bem no resto da prova. Traço a partir daí, um paralelo para o tema do post: coisas inúteis.

A discagem por voz dos celulares. Quer coisa mais inútil? Você aciona a discagem e diz “Roberto”. O telefone dirá “você quis dizer Roberto?” e você confirmará “sim”. Só que são grandes as chances de que o telefone de pergunte “você quis dizer Epaminondas?”. E que você precise de três tentativas para confirmar as suas intenções.

Seria muito mais fácil que você buscasse na sua agenda. E muito mais rápido se você digitasse o 9189-1290 do Roberto. A função de discagem de voz serve basicamente para duas coisas: 1) Fazer você perder horas tentando configurar a função, quando compra o celular e; 2) Ter a vã tentativa de se exibir para os seus amigos com o seu celular moderno.

Temos também as canetas que dão choque. Que se juntam as canetas espiãs, as canetas que soltam tinta, as canetas-isqueiro e toda e qualquer caneta que não se disponha a principal função de uma caneta: escrever. Canetas não foram feitas para dar choque nas pessoas, para acender cigarros.

Essas canetas só servem para você sacanear seus amigos. Emprestar a caneta pra pessoa e a pessoa tomar um choque. Alguém falar “precisava de um isqueiro” e a você mostra lá a sua caneta. Pra piorar, você vai usá-la por pouco tempo. A tinta é pouca, o gás é pouco. Tudo é pouco.

E as chaves canivetes? Até hoje eu não entendi o que é uma maldita chave-canivete. Mas sempre tem os dois engraçadões de uma propaganda da Volkswagen que oferecem a chave-canivete como um dos mais fantásticos itens de série do carro, ao lado de rodas de liga leve, ar-condicionado, direção hidráulica, sensor de estacionamento, heliporto embutido.

E o Emmerson Nogueira? Ele ganha a vida fazendo música de praça de alimentação de shopping. E pior! Ele faz shows assim para duas mil pessoas. Seria muito melhor você ir ali num shopping qualquer, pagar 12 reais num Big Mac e escutar a apresentação. Sendo que a maioria das pessoas pagaria para não escutar.

E para terminar essa breve lista de quase tudo que é inútil, cito o Clube Atlético Mineiro. Imaginem um time que ganhou o primeiro campeonato brasileiro – e só. Que enfrenta seu maior rival na final do campeonato estadual e perde por 5x0. No ano seguinte, tem a possibilidade da revanche e perde novamente por 5x0. Sim, inútil.

Levy Fidélix, Xaveco... Listem as inutilidades.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Guia CH3: Como ser eleito

No Brasil, não é tão difícil assim ser eleito para um cargo eletivo. Ser eleito para um cargo não eletivo é bem mais complicado, entre outras coisas, porque não se é eleito para tal cargo. Mas se o cargo for eletivo, você pode ser eleito. Siga alguns passos.

Tenha Dinheiro: O Dinheiro é a chave de tudo. Dizem que o dinheiro não compra a felicidade – o que gera a infeliz retórica de “então me dê seu dinheiro e seja feliz” – mas, se não compra a felicidade, o dinheiro compra uma eleição. Você precisará de dinheiro para contratar uma equipe, para preparar material para sua campanha (não confundir com campainha), para fazer propaganda (que, dizem, é a alma do negócio). Em alguns casos, o dinheiro pode servir para comprar o eleitor. Algo que é ilegal, imoral e engorda, mas não dá cadeia. Estranho que candidatos gastem R$1 milhão em campanhas, sendo que eles não receberão isso de salário nos quatro anos em que estarão lá, não? Compre também jornais. Compre pistoleiros que ameaçarão seus opositores de morte. Compre o mundo! HAHAHAHA.

Seja um estereotipo: Se você era uma pessoa famosa, invista na sua fama. Ainda melhor se você for um desses famosos que as pessoas não sabem porque são famosos, mas sabem que são. E que você seja considerado bizarro por isso. Você pode virar um voto de protesto, um voto de bom humor, mas um voto. Se apresente fantasiado de jibóia no horário eleitoral, seja um notório viado, maconheiro ou flamenguista.

Tenha um bom Slogan: Ou melhor, seja você o Slogan. A força da juventude! Mesmo no alto dos seus 35 anos. Rouba mas faz! De braços dados com o povo (tal qual o Cão Leproso)! Utilize também duas palavras aleatórias que definam bem a sua proposta. Escolha entre Ética, Moral, Cidadania, Competência, Trabalho, Responsabilidade, Respeito, Orgulho, Calabresa. Ética & Cidadania. Competência & Responsabilidade. Defina uma prioridade e bata sempre nessa mesma tecla. Saúde, Educação, Segurança e Habitação.

Não obedeça a lógica: Você pensa: “para ser eleito, eu preciso apresentar propostas, mostrar minha responsabilidade...” Nada. Num mundo civilizado, o normal seria que candidatos que emporcalham a rua com papéis e cartazes, fossem esculhambados pela opinião pública. Muito pelo contrário. Quanto mais vocês sujar a rua, entupir bueiros, dificultar a visibilidade em rotatórias, maior a sua chance de ser eleito.

Propostas: Diga qualquer coisa: que a situação do transporte no município é caótica, que se eu for eleito, darei um basta na máfia do transporte. Se vire, porque o tempo é curto quando você é um candidato a deputado. Caso você seja candidato ao Senado, você terá que falar mais. E ai amigo, terá que ter muito mais dinheiro. E o seu estereotipo será apenas um: homem de terno que fala bem. Reserve um espaço da sua campanha para falar mal dos rivais. Mostre que eles são favoráveis ao aborto, que não escovam o dente, que tem prisão de ventre, que lambem o próprio toba.

Debates: Caso você seja candidato a prefeitura, governo do estado ou presidência da república, você terá que participar de debates. Também terá que ter ainda mais dinheiro. Participar de debates é simples. Fale bem, fale sobre o que você quiser, tente desmoralizar os seus rivais e se declare confiante na vitória.

Esteja então, pronto para ser carregado nos ombros por pessoas que você nem conhece.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Escala de sucesso no Twitter

Galgue a trilha do sucesso na rede social do momento.

0) Nenhum seguidor. Exatamente. Você escreve seis tweets por dia e ninguém te segue.
1) Você tem mais seguidores do que seguidos. Sendo que você segue várias pessoas na tentativa de ter alguns followers.
2) Você começa a ter uma resposta ou uma menção de alguém. A cada duas semanas, alguém te menciona ou responde a um Tweet seu.
3) Você começa a ser retuitado quase todos os dias. Não importa que seja pela sua mãe.
4) Você começa a ser retuitado, por mais de uma pessoa, e pessoas que nem conhece. Todo dia você tem que olhar a sua lista de retweets.
5) Você é retuitado pelo Luciano Huck. Passa a ser reconhecido na rua.
6) Todo e qualquer Tweet seu é retuitado e gera respostas. Você dá bom dia para as pessoas e as pessoas te respondem e retuitam o seu bom dia.
7) Até seus tweets sobre café da manhã recebem mais de 100 RT. Sua vida vira um livro aberto.
8) Pessoas começam a te xingar gratuitamente. É o preço que se paga. Muitos seguidores, várias pessoas não vão te entender.
9) Barack Obama passa a te seguir e retuitar. E você começa a influenciar na economia norte-americana.
10) RTs, mentions, blocks. Mais de uma centena de cada um a cada Tweet. O Twitter passa a te escravizar. As pessoas não param de querer falar com você.
11) Você posa para a playboy. Depois de participar do Big Brother.

sábado, 2 de outubro de 2010

Dicas para a eleição

Como vocês sabem, amanhã, dia 3 de outubro, acontecem às eleições para os cargos de Presidente, Governador, Senador (dois lugares), Deputado Federal e Deputado Estadual. Não sabia? Pois então, essa é a nossa primeira dica.

Votar é importante, porque você define quem irá enriquecer de maneira ilícita nos próximos quatro anos (oito, no caso dos senadores). Portanto, vote no novo. Dê a chance para quem nunca esteve lá, e ajude no processo de redistribuição de renda no país.

Votar também é importante, porque se você não votar, sua vida vira um inferno. Se você não estiver quite com suas obrigações eleitorais, você não pode prestar concurso público, não pode ser contratado por empresas públicas, não pode entrar em estabelecimentos públicos. Você não pode comprar nem uma aspirina, se não tiver quite. Terá que se manter em abstinência sexual e alcoólica, inclusive.

Para votar, você deverá comparecer a sua Zona Eleitoral. No caso, a Zona não é nenhum puteiro. E vamos fugir da piadinha “não são as putas, são os filhos dela, hehehe”. Dentro da Zona, você terá que encontrar a sua Seção. Em alguns casos, pode ser bastante complicado, você pode demorar dias e talvez nunca mais será encontrado. Portanto, vá votar acompanhado, ou esteja junto do seu Cão Guia.

Você precisará estar apenas com um documento com foto. Cartão de ônibus, carteirinha da biblioteca, carteira de associado no Clube de Críquete não valem. Leve sua identidade ou carteira de motorista, com foto. Ou então, leve seu título eleitoral. Aquele documento que no fundo não serve pra nada, apenas para te fazer buscá-lo loucamente no fundo do armário, no dia das eleições.

Cumprimente o mesário. Seja educado. Apenas um aceno com a cabeça. Se ele for um conhecido seu, um relutante aperto de mãos poderá ser dado. Beijinho no rosto pega mal e um efusivo abraço poderá provocar uma reação violenta da Justiça Eleitoral. Eles poderão te fuzilar, ou pior, te levar até o Supremo onde os ministros ficarão de sacanagem, empatando as votações.

Uma vez que você estiver na Urna, você terá que apertar os botões. Que não são os botões da sua calça. No total, você terá que decorar 19 números na ordem certa, caso você não resolva anular seu voto (votar 666 e 171 pro Senado). Pode parecer difícil, mas você não deve levar cola. Primeiro, porque homens de verdade votam de cabeça. E é bem provável que você esteja num colégio, se for pego com cola, vai ser mandado pra diretoria e seus pais serão chamados.

Pronto, você acabou de votar. Não há nada a fazer. Ou melhor, se você for um candidato político, faça sinal da vitória para as câmeras que te cercam. Depois de declarações de que você está confiante num segundo turno, mesmo que as pesquisas digam que é mais fácil Jesus descer na terra vestido de baiana.

Volte para casa, não beba cerveja e espere a apuração. Veja aqueles programas que trazem atualizações a cada 15 minutos. Veja os especialistas dizendo “ainda não abriram as urnas da Zona Leste. Quando abrirem, a situação vai mudar”. Depois, durma. E volte a sua vida normal.