sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Retrospectiva 2010

Começa agora a tradicional retrospectiva anual do CH3, sobre 2010. Na verdade, ele é um texto que será muito mais divertido daqui a cinco anos. A título de retrato histórico.

Se 2009 foi o ano das mortes – vários artistas e pessoas famosas morreram em seqüência, fazendo com que ninguém conseguisse se recuperar do luto anterior – 2010 não teve isso. Entre os mortos famosos do ano, destacamos apenas o ator Leslie Nielsen e o jornalista Armando Nogueira.

Este ano de 2010 foi sim, o ano das tragédias naturais. Começamos com o Terremoto no Haiti que deixou milhares de mortos. Seguimos por terremotos no Chile e na China. Foram tantos terremotos que não tivemos dúvidas de afirmar que o mundo realmente estava acabando. Principalmente quando um vulcão de nome impronunciável, existente na Islândia, começou a soltar uma nuvem de fumaça que interditou aeroportos por todo hemisfério norte. Para completar a seção de tragédias naturais, ocorreu o maior vazamento de óleo da história. Se o mundo já não estivesse se acabando sozinho, resolvemos dar uma força maior.

Para reforçar a idéia de que o mundo está acabando, tivemos a notícia mais bombástica do ano: a crise financeira de Silvio Santos. Silvio Santos sem dinheiro é algo comparável a deus duvidar de sua fé.

No mesmo Chile atingido por um terremoto, tivemos o maior drama humano do ano. A história dos 33 mineiros que ficaram presos dentro de um buraco em uma mina. Foram três meses isolados debaixo da terra. É provável que muita gente preferisse ter morrido de uma vez, mas os mineiros saíram tão fortes e saudáveis de dentro do buraco, que empresas internacionais já pensam em instalar um SPA no local.

Já aqui, vivemos o drama pessoal do desaparecimento do Menino Fabinho. Que aos 10 anos foi mandado embora de casa por seu pai, que achava que era hora de ele conquistar a independência. Ninguém sabe onde ele está. Recentemente liguei para o seu pai e ele disse “eu tive um filho? Não me lembro”.

Quem poderia querer desaparecer foi o técnico Dunga. Ele foi o comandante de uma fracassada campanha brasileira na Copa de 2010. Xingou o mundo inteiro, arrumou briga com a imprensa e, no final, terminou sozinho. A campeã foi a seleção espanhola, que apesar de ter chamado a atenção por sua posse de bola insana, foi ofuscada pelo verdadeiro herói do torneio: O Polvo Paul. O molusco vidente que acertou todos os resultados do torneio e morreu quatro meses depois no seu aquário na Alemanha. Já existe uma igreja polvopauliana, da qual o CH3 é adepto.

Mas não tem jeito. O grande caso futebolístico do ano aconteceu fora dos gramados. Trata-se do Caso Bruno. O polêmico goleiro do Flamengo que questionava os repórteres sobre quem nunca havia saído no braço com uma mulher. Pois ele foi preso acusado de ser o mandante do assassinato de sua amante, a atriz pornô Eliza Samudio, com quem ele teria um filho. Samudio teria sido estrangulada, esquartejada e seus restos mortais jogados para os cães. No caso, ainda estariam envolvidos o Macarrão, um brutamontes com uma tatuagem de amor eterno a Bruno nas costas, um menor de idade, uma outra amante do goleiro, um ex-policial militar. E vários deles estiveram juntos num motel em certa data, inclusive a criança. Que depois teve sua guarda disputada pelos avôs maternos, sendo que o avô era acusado de ter estuprado a própria filha de 10 anos, fruto de uma relação com a cunhada. Uma história tão sórdida quanto às pulseirinhas do Sexo, que infernizaram a vida dos pais de várias estudantes.

Também no futebol, tivemos a brilhante saga do Cáceres Esporte Clube, o pior time de futebol do mundo que sofreu impiedosas, massacrantes e humilhantes goleadas no poderoso campeonato Mato-Grossense de futebol.

Tivemos a vitoriosa campanha de Dilma Rousseff, que se tornará a primeira mulher a governar o Brasil, depois de uma campanha monopolizada por termos desinteressantes como aborto e privatização. Muito se falou sobre a mulher no poder, sobre como os homens reagiriam a isso e muito se esqueceu de comentar que todas as pesquisas eleitorais mostravam que Dilma sofria uma rejeição maior entre o público feminino.

Depois das eleições tivemos o sucesso do filme Tropa de Elite 2 e o seu rápido sucessor, encenado ao vivo nos morros do Rio de Janeiro. Agora só nos resta esperar que todos os bastidores da operação sejam divulgados pelo Wikileaks. Site que ninguém conhecia e que logo se transformou em inimigo número 1 dos governos mundiais. Chegaram a dizer que o dono do site era o cachorro que comeu Elisa Samudio.

E é claro. Tudo foi comentado pelo Twitter. O site da internet que acabou com a concorrência e trouxe doses cavalares diárias de informações desinteressantes para os seus usuários. O Brasil mesmo invadiu a rede, com seu amor pelo Restart e seu ódio pelo Galvão Bueno. Também tivemos a ascensão do Tumblr essa ferramenta de nome estranho e que espalha imagens indiscriminadamente. É de lá que vem dois dos melhores sites do ano. Mas entender a complexidade do Tumblr é algo próximo a viver numa realidade paralela.

O mundo de ET Bilu. Dono de uma aparição meteórica a instigante na Rede Record. Deixou para a posterioridade uma frase imortal: “Apenas Busquem Conhecimento” (ABC), dita com uma voz fina e metalizada. O maior achado ufólogo do ano, bem a frente da tal bactéria estranha da NASA, encontrada num lago.

E este foi 2010. Um ano marcante, é claro. Vocês nunca viram uma retrospectiva terminar dizendo “um ano terrível para se esquecer. Nada de relevante aconteceu”.

***

Anexo – O ano do CH3

No começo do ano Pai Jorginho de Ogum fez algumas previsões. E nem é preciso dizer que ele errou todas, miseravelmente. Até o clima em Cuiabá ele errou. Fez mais do que 15 dias de frio.

Nos também fizemos nossas resoluções para este 2010. Hora de checá-las.

- Prometemos fazer uma cobertura especial da Copa do Mundo. E conseguimos.
- Projetávamos fazer o Podcast do CH3. E conseguimos realizar 3 edições. Vamos ver se em 2011 conseguimos fazer outras.
- Pretendíamos lançar a camisa CH3. Falhamos. Fica pra 2011.
Também pretendíamos alcançar a marca de 50 mil visitas anuais. Não deu. Faltaram 8 mil. Mas, conseguimos nosso recorde de visitas e tenho que admitir que era uma meta audaciosa. Ano passado tivemos 32 mil. Mas, acho que ano que vem conseguimos.
- Pretendíamos nosso primeiro acesso vindo do Acre. E conseguimos. Foi motivo de júbilo e glória para nosotros
- Queríamos ser, ao final deste ano, milionários aventureiros bon-vivants que gastam dinheiro e passeiam de Iate no Mediterrâneo. Nenhum deles.
- Queríamos mandar o primeiro ser humano para Marte. Vocês não têm como provar que não conseguimos!
- Pretendíamos organizar os marcadores do blog. Está tudo marcado.
- Pretendíamos não lançar nenhum candidato a cargo eletivo e cobrir as eleições se elas merecessem. Cumprimos os dois e acho que fizemos uma boa cobertura.

Ainda neste ano, São Paulo superou Cuiabá como nosso lugar com mais visitas. Logo iremos nos mudar para lá e começar a escrever sobre a garoa paulistana, ao invés do calor cuiabano. Também aparecemos no jornal A Gazeta, em matéria do nosso amigo Dyolen. Para quem dedicamos os sorrisos deste ano.

Para finalizar quero deixar dois agradecimentos. Claro, agradeceria a todos os nossos visitantes, mas faço estes dois em especial e sem ordem de preferência.

- Para o Adérito Schneider, colega nosso de faculdade, que divulgou bastante o CH3 na sua conta do Twitter e contribuiu para que avançássemos dentro do mercado goiano.
- Para o Luiz Eduardo Doria, amigo meu, que contribuiu, as vezes involuntariamente com idéias para diversos posts desse ano, exercendo uma função de ombudsman particular.

Feliz 2011 para todos.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

As Cores e o Ano Novo

Os fogos explodindo em pontos turísticos ao redor do mundo. Alguém tem viagens sinestésicas sobre o espírito do ano novo e as sensações de renovação. Pessoas de branco se abraçam, derrubando o espumante de qualidade duvidosa na areia. Todos de branco, desejando uma vaga paz. Que tudo se realize no ano que vai nascer. Mas a única coisa que essas pessoas ganham em comum, é uma aparência de Pai de Santo.

Deixamos claro aqui que o CH3 acredita que a cor que você usa no ano novo não interfere nem um pouco na sua vida. Além disso, é uma demência acreditar nisso. Até parece que seria tão fácil. Que pessoas que vem se estrepando ao longo das décadas abrissem os olhos e pensassem “nossa, é só mudar a cor da roupa que eu passo no ano novo”. Tampouco acreditamos no poder das roupas íntimas.

Ditas essas verdades, podemos começar o post. Já versamos certa vez sobre algumas superstições para o ano novo. E as simpatias, tais quais os diamantes, são eternos. Clique aqui e veja esta clássica postagem. Em breve iremos nos aprofundar no colorido mundo da virada de ano. Para isso, consultamos os nossos velhos especialistas de sempre.

Branco: A cor mais popular entre médicos, farmacêuticos e reveillonistas. Da cor branca, espera-se transmitir a imagem da paz. Sim, paz. Crê-se que coreanos não usam branco no réveillon há pelo menos 50 anos. Tem se a imagem da pomba branca voando no céu. A mesma pomba que defeca nas praças públicas e transmite criptococose.

Azul: É outra cor bem popular entre os nossos festeiros. O Azul remete ao mar e suas ondas, por vezes calmas e tranqüilizantes, por vezes devastadoras. Além disso, azul é a cor do nosso país que é feliz e chora. Tudo azul, todo mundo nu. Se você estiver em um país de língua inglesa, o azul pode transmitir a sensação de tristeza.

Amarelo: Ouro, urina. O Amarelo pode significar várias e diversas coisas. Geralmente é uma busca pelo dinheiro. A lenda diz que Silvio Santos e Eike Baptista utilizam amarelo desde o berço. Roupas velhas com tons amarelados não devem ser consideradas e muito menos os seus dentes amarelos.

Verde: Dinheiro. Apenas isso. Por mais que, aqui no Brasil, dinheiro verde não exista há algum tempo. O dólar é verde? Ok. Mas não é um bom momento para investir em dólar. Aproveitando a onda ecológica, a ascensão de Marina Silva, quem utiliza verde pode estar querendo a famosa sustentabilidade.

Vermelho: Se você ver uma pessoa de vermelho saiba que ela já quer. Quem se veste de vermelho quer sexo. Fácil, farto e a qualquer hora. Inclusive o Papai Noel.

Laranja: Não existem registros de pessoas que utilizam roupas laranjas no ano novo.

Rosa: O rosa nada mais é além de um vermelho esbranquiçado. Sexo pacifico.

Preto: Significa que você é o anticristo em pessoa. Os tons de cinza irão dar o tom entre o seu pacifismo e seu demonismo.

Marrom: O que te vem a cabeça quando se fala de marrom? Chocolate, ok. Quem se veste de marrom pode esperar uma vida doce. Ou uma vida de merda. Fora o fato de que é uma cor estranha.

Existem ainda as combinações listradas horizontalmente, verticalmente ou diagonalmente. Ou ainda com bolinhas, risca de giz. Basta juntar os valores. Exemplos:

Verde e Vermelho: Sexo por dinheiro. Prostituição.
Marrom e Branco: Se juntar com um brinquedo, vira um Kinder Ovo.
Azul e Amarelo: Torcedor do Araçatuba ou do Pelotas.

Há claro a possibilidade de se passar o Réveillon nu, tal qual a humanidade sempre fez até o advento da invenção das roupas em um século distante. A nudez significa o desprendimento dos valores mundanos e a busca pela pureza. Ou então, que a roupa vermelha deu resultado antes do esperado.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Termos

Você baixa um software na internet. Um programinha pra escutar música, editar fotos ou o que seja. Download concluído, você clica em avançar, clica que aceita os termos propostos, avança, avança novamente, espera e conclui. Pronto o programa está instalado no seu computador. Agora você pode utilizá-lo livremente.

A pergunta: quem lê os termos de licença de uso? Ou qual quer que seja o nome dado para o termo que você tem que aceitar? Muitas vezes ele está em uma língua estrangeira que você tem dificuldades em ler. Mas você o aceita normalmente, naturalmente. Sem peso na consciência.

Poderia ser que estivesse lá, escrito “Durch die Annahme dieser Wahlperiode, akzeptieren Sie, dass Ihr Nachbar einen Sellerie geben in deinen Arsch Zeit und so oft er will”. E você estará editando fotos livremente até que seu vizinho alemão pansexual bata em sua porta com um sorriso malicioso no rosto.

São letras pequenas que deixam a barra de rolagem pequenina. Ou então, letras miúdas que ocupam uma página inteira. Da preguiça de ler, dor de cabeça. E geralmente não dizem nada de muito importante além de “Caso você utilize essa geladeira para matar alguém, a fábrica não poderá ser responsabilizada” ou “incendiar e apagar com urina o seu aparelho celular, não te dá direito de trocá-lo por um novo, alegando falha na fabricação”.

E geralmente é isso mesmo. Avisos tão óbvios quanto “é proibido fazer o vestibular nu e/ou armado”. “Proibido entrar com gorilas no supermercado”. Ou cara-de-pau como “este blog possuí links de música, mas não obtém lucro com eles. Recomendamos que você faça o Download e apague os arquivos logo em seguida”. Mas, a fabricante poderia te sacanear casos eles quisessem.

Afinal. Eles colocam em letras maiores um aviso de que você deve ler aquele negócio antes de aceitar e assinar o contrato. Colocam quase um sinal de “CUIDADO! LEIA”.

Lá eles poderiam colocar que, ao comprar o seu celular, você vende sua alma para o demônio. Que ao adquirir sua nova batedeira, você dá o direito para que o presidente da empresa fabricante coma bolo na sua casa a hora que ele quiser. Que ao sair da loja com o seu carro, você se compromete a usar a cueca por sobre a calça pelo resto da sua vida, sob a pena de ser mirado e atingido por ovos de avestruz arremessados por transeuntes.

Os termos de contrato são, em menor grau, igual ao garoto que pede dinheiro no semáforo. Geralmente ele fala um “me dá um trocado tio” seguido por um “estou morrendo de fome” dramático. Mas você, geralmente com o vidro fechado diz, “não tenho nada”. Mas ele poderia muito bem estar querendo discutir Aristóteles com você. Ou então, avisar que o seu pneu está furado. Você diria “não tenho moleque” e seguiria alguns metros até parar com o pneu furado. E é provável que pense “moleque filho da puta, furou meu pneu!”.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Pensadores

Pense bem, o que fazia Oscar Wilde? É provável que ele jamais tenha tido um emprego. Imagino que ele jamais tenha escrito um livro. Nem banho ele devia tomar. Sua vida era criar frases de efeito. Diziam que ele era gay, fumava maconha. Não importa. Ele estava ai para frasear. E o que ele ganhou com isso? A imortalidade. Se ele não está vivo até hoje, suas frases ainda estão.

Sim, lá estão as frases de Oscar Wilde, sempre elas, servindo de epígrafe em trabalhos acadêmicos. Acompanhando mensagens de "boa prova" no segundo grau. Lá estão elas dispostas em toscas apresentações de Power Point com fundos coloridos e uma música New Age sofrível. Maldito Oscar Wilde, que inventou frases para tudo e poluiu o mundo com seus pensamentos sórdidos. Não há um único assunto que ele não tenha pensado. Ele não é Raul Seixas, mas é provável que tenha nascido há 10 mil anos atrás. Que ele tenha sido, que ele é e será.

Se eu quisesse aqui, fazer um post de frases sobre o Natal, certamente teria que citar uma frase dele. Se você argumentasse que isso é um clichê, sem dúvida ele tem alguma frase sobre o clichê. Se você me mandasse ir a merda, Wilde tem alguma frase sobre ir a merda.

Mas, ele não é o único deste seleto grupo de pessoas que pensam o mundo, o tempo todo. Existem os artistas da Globo que também tem opinião para tudo e sempre a expõe em momentos de emoção em algum programa banal. Aquele papo de mudar o mundo, comentar a política nacional. Mas, ninguém liga para eles, afinal, eles são só atores.

Freud. Eis outro ser que resolveu opinar sobre tudo. Ele era apenas um médico que cuidava de doentes mentais, se viciou em cocaína e passou a hipnotizar os histéricos. Ganhou notoriedade por isso, e por suas opiniões de que todo mundo quer comer a mãe e matar o pai. Isso deu a ele, o direito de poder falar o que quiser sobre o que ele quiser.

Também temos Nietzsche, esse maldito ser com um nome super complicado que espalha suas frases pessimistas pelo mundo. Carlos Drummond de Andrade com seus poemas conformados e existencialistas. Hitler e suas frases sobre o amor e a fraternidade. Opa, acho que eu confundi.

Atualmente temos Caio Fernando Abreu, poeta da moda que tem frases sobre tudo. Forrest Gump, que viveu tudo. Nelson Rodrigues com sua visão de mundo doentia. Cunhados que mantem relações sexuais com a sobrinha e enterram a mãe no fundo de casa. Temos Pai Jorginho de Ogum. E temos é claro, Cléber Machado. Maior filosofo da atualidade, que criou sua teoria relativista que abrange ambos os lados e que definir muito bem que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.

Fim.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Doenças Pós-Modernas

A pós-modernidade. Este evento tão discutido na comunidade acadêmica e que no fundo não interessa a ninguém. Que na verdade é um assunto chatíssimo, que ninguém gosta de verdade e só lê sobre o assunto quando você tem que fazer a sua monografia, ou um trabalho acadêmico qualquer. E dá-lhe Stuart Hall. E dá-lhe fragmentações, transmutações e qualquer outra coisa que de a idéia de perca e reorganização de sentidos, idéias, identidades.

Mas, no imaginário normal, não existem essas histórias de fragmentação. Pensamos na pós-modernidade como uma era. Tal qual houve a Antiguidade, a Idade Média, a Idade Moderna, temos a Idade Pós-Moderna, também conhecida como Contemporaneidade. No fundo, ninguém sabe o que a pós-modernidade é, a não ser o fato de ser um termo bonito pra caramba, que te dá ares intelectuais infinitos quando você o pronuncia. Por isso ele foi escolhido para estar lá no começo.

Vamos falar de doenças da atualidade e deixar esse papo pós-moderno de lado. Acontece assim, há 500 anos, muita gente morria de varíola. Houve uma época em que se morria de resfriado. Hoje, talvez não se morra, mas a moda é ter problemas psicológicos.

Fobia Propagandista: Consiste no medo de que situações típicas de comercial ocorram em sua vida. É muito parecida com uma fobia típica dos anos 70, de que você estivesse involuntariamente preso dentro de um musical. Eu pelo menos, sempre tenho medo quando vou comprar alguma coisa com dinheiro, mesmo que seja uma Sete Belo. Tenho medo de que um grupo de cantores mexicanos surja ao meu lado cantando “no tiene visa... que cosa triste”.

Medo de que crianças retardadas queiram defecar em seu banheiro ao apertar um desodorante. Medo de que três carecas pintados de azul comecem a batucar no meio da rua. Medo de que um panda psicopata invada o seu quarto quando você não quiser comer queijo. Medo de que você esteja repentinamente dentro de uma propaganda de cerveja.

Crise de Abstinência do Twitter: Há cinqüenta anos ninguém falava ao telefone. Há 10, internet ainda era uma raridade. E dois anos atrás ninguém usava Twitter. Hoje não. Hoje você precisa estar conectado 24 horas por dia com o seu smartphone. Você precisa. Sua vida precisa estar expostas o tempo todo. Onde você vai, o que você pensa, o que você fez. Céus, alguém deve ter atualizado minha timeline, preciso ir lá correndo saber o que o pessoal almoçou!

Será que? Eu tranquei a porta de casa? Acionei o alarme do carro?

Medo de e-mail: Consiste no medo de ter mandado o e-mail para a pessoa errada. Ter cometido um erro de português grotesco. Ter anexado o documento errado. Imagine se você fala mal de uma pessoa para a pessoa errada? Ao invés de anexar sua apresentação de monografia, anexou um Power Point com fotos de flores e mensagem de bom dia.

Medo de ataque anônimo: Na Idade Média seria difícil sofrer um ataque anônimo. Só se o cara saísse correndo em sua armadura de metal depois de tacar uma pedra no vidro. Depois tivemos os ataques terroristas, quando de repente, um anônimo ia lá e pá, explodia tudo. Hoje é muito mais fácil. Enquanto você lê isso aqui, o seu twitter, o seu blog, o seu Orkut pode estar sofrendo um ataque de anônimos.

Bons eram os tempos em que morríamos apenas de varíola.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

O Mundo segundo Fausto e José

Fausto Corrêa da Silva, o Faustão, nascido na aprazível Porto Ferreira em 2 de Maio de 1950 já foi citado em 18 posts do CH3. Seu programa é freqüentemente citado como um exemplo de mau gosto e como o mais fundo poço a que alguém possa chegar. Apenas um post foi dedicado a grande figura de Fausto, se dedicando a analisar uma grande dúvida. Quem afinal escolhia as bizarras camisas trajadas por ele, ô loco meu.

Afinal, não existe ninguém mais chato do que Faustão. Imaginem as pessoas que trabalham com ele, tendo pesadelos com suas piadas infames. Com ele dizendo o quanto o nariz, a orelha ou a barriga de alguém é grande. Imaginem o Caçulinha! Quantas horas de terapia semanal ele precisa fazer? Para conseguir sobreviver ao Domingão sem auxilio médico, a pessoa precisa ser muito ruim. Descendente direto de Shaka de Virgem.

Há quem aponte um concorrente para Faustão no quesito chatice extrema. Trata-se do carioca José Eugênio Soares, o famoso Jô. Responsável por muitas entrevistas egocêntricas. Seu programa é comumente citado como um exemplo de gosto exótico para escolher seus entrevistados. Figuras desinteressantes que ganham 20 minutos na TV aberta, para servirem de escada para Jô.

Existe uma enorme controvérsia, mas muitas pessoas dizem que os dois já foram engraçados. No caso de Faustão, tal premissa parece impossível. Você não consegue olhar para aquela figura em roupas cintilantes dizendo “olha o tamanho da criança” e imaginar que em algum dia da história, ele já tenha dito alguma piada que tenha feito alguém rir. Mas há quem garanta que seu programa Perdidos na Noite era divertido.

Agora, estou pronto para se apedrejado, mas eu acho que Jô Soares é engraçado. Tem boas piadas, boas sacadas, já teve programas interessantes. O problema é seu egocentrismo. Até se Jesus reencarnasse, ele seria coadjuvante em uma entrevista para o gordo.

Mas, algumas coisas ligam os dois. Não apenas o fato de serem figuras rechonchudas, apresentadores da Globo. Os dois têm um gosto peculiar para escolherem as suas atrações. Apenas em seus programas é que podemos ver garis cantores, padres maratonistas, biólogos artesãos, tenores pagodeiros.

Faustão tem um gosto pós-moderno, por assim dizer. Domingo ele chamou um tenor ao seu palco. Entre tantos números, o cidadão cantou a malemolente Deixa a Vida Me Levar de Zeca Pagodinho com voz de tenor. Não existem palavras no dicionário para descrever a bizarrice que foi assistir isso. Ninguém teria a idéia de “trazer um cantor de ópera para cantar pagode”. Apenas Faustão.

Ele também adora chamar humoristas imitadores. Esses típicos baratos, que você conheceu alguém do tipo no colégio. Faz aquelas imitações triviais de Silvio Santos, Maria Bethania, Roberto Carlos e Galvão Bueno. Mas Faustão não se dá por vencido. Pede para que o imitador faça Ronaldo Fenômeno com Caetano Veloso. Nelson Ned com Pelé. O resultado é uma mistura louca e que não se parece com nada e que a única graça possível é a humilhação do artista.

Já Jô tem um gosto por pessoas desinteressantes. Imagino-o recebendo a sugestão de possíveis entrevistados: “Um carteiro que toca cavaquinho, um garoto de seis anos que é fera no xadrez, Rogério Skylab – já faz mais de dois meses que eu não entrevisto ele? Então tá”. Ainda teremos um cara que se veste de Batman e anda numa bicicleta que faz barulho. O que esse cidadão tem a dizer? Não sei. Serão 20 minutos de embromação e histórias chatas. Fora quando uma figura totalmente desnecessária da televisão brasileira ganha dois blocos de entrevistas. Não Jô, alguém precisa te dizer que o ganhador do BBB deveria participar no máximo dos Se Vira no 30, ele não tem dois blocos de coisas para falar.

É possível que haja uma rivalidade entre os dois. Já que Jô nunca foi jurado da Dança dos Famosos, nem nunca participou da pizza do Faustão. E Faustão nunca foi entrevistado pelo programa do Jô. Num mundo desses em que o cara que coleciona tampinhas de refrigerante é entrevistado, isso é um mistério. Talvez, mais do que rivalidade, seja uma medida de segurança para que a ONU não invada o país.

- e aí Faustão, me conta como anda o seu programa.
- Ô loco meu, estamos gravando toda semana no estúdio III
- Grande estúdio III. Já fiz muito programas lá. Vamos ver um quadro meu gravado lá.
- Orra meu, olha o tamanho da criança!
(Bira Rindo. Faustão faz uma piada com o Bira. Jô se irrita e diz “faça piadas com o Caçulinha! O Bira é meu”! Começa a terceira guerra mundial).

domingo, 19 de dezembro de 2010

Você vai ler. Não vai gostar.

É um cachorro. Não sei dizer a raça, mas é um cachorro. Ele está sobre um fundo colorido. E diz frases depressivas. Você torce por um time de futebol. Ele perdeu para o Mazembe do Congo. Seu dia foi muito divertido. No computador. Ele é o cão da depressão. Um fenômeno da popularidade no Twitter. Quase 90 mil seguidores. 90 mil pessoas depressivas. Ou não, pessoas que acham graça nas frases depressivas. Pessoas que dão gargalhadas ao escutar Radiohead.

Difícil saber quais serão as conseqüências dessa popularidade em longo prazo. É possível que a exposição diária a doses extremas de melancolia possa levar a um aumento na taxa de suicídios. Quem sabe o Brasil consiga superar o Japão no ranking de suicídios per capita. Se o arroz sem tempero é o que leva o nipônicos a essa posição, o Brasil poderá chegar lá graças ao seu cão da depressão. Depressão tipo exportação. E o próprio cão. O sucesso já matou artistas, talvez o mate. De vez.

O Cão da Depressão é apenas o principal expoente de um fenômeno da internet atual. Animais que representam sentimentos, atitudes. Animais sobre um fundo colorido, quase um arco-íris. Existe o cão ponderado. O cão drogado. O gato da depressão. O Gato da Viadagem. O Lobo da Coragem. E não sei mais quantos animais.

Não dá pra saber de onde eles aparecem. Porque eles entraram na moda. Qual é a linha que separa o sucesso do fracasso. Porque alguns animais têm poucos seguidores e outros chegam aos milhares. Perguntas, perguntas sem interrogação. Tomam de assalto diversas timelines ao redor do mundo. Será que se um Jegue da Empalação fosse criado, ele conseguiria seguidores? E uma Galinha da Prostituição?

Esses animais acabam por se tornar um Internet Meme. Essa palavra horrível, que te faz se sentir um completo retardado caso você a diga mais de três vezes consecutivas. Pode ser na frente do espelho ou não.

Os Memes (argh) acabam por transformar a navegação pela internet em algo muito desagradável. No geral, eles são engraçados na primeira vez em que você vê. Chatos depois de uma semana e insuportáveis com o passar do tempo. Não há nada pior do que entrar em um fórum, site de relacionamento, blog e ver lá uma coruja dizendo “O RLY?”. E que você vá procurar entender o que essa maldita coruja quer dizer.

Minto. Existem coisas piores sim. Ser atropelado por um elefante e sobreviver. Assistir Zorra Total. Sem dúvida existem coisas piores, mas, me deixem ser enfático, oras.

É muito provável que os culpados por isso sejam os membros do 4chan. Para quem não sabe o que é o 4chan, ele sabe o que você é. É um fórum que compartilha imagens e domina o mundo nas horas vagas. É provável que eles sejam os responsáveis pelos desenhos faciais grotescos acompanhado por frases como “Forever Alone” e “Fffuuuuuu”. Foram eles que criaram o PedoBear. Quando uma senhora jogou filhotes de gato no rio, os membros desse fórum descobriram o seu nome, o seu endereço. Poderiam ter matado-a se quisessem. Mas preferiram mandar frases do Cão da Depressão.

É bem provável que eles sejam os responsáveis por esses animais frasistas. Porque afinal, como já diria É o Tchan “Vamos na ponta do pé que nem jacaré”. Ponto de vista contraposto pelos Inimigos do HP, para quem “jacaré que escuta Bob Marley é um Jacarregae”. Pobres animais. Não tem como não se deprimir.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Lanche de avião

Houve uma época em que, além de viajar no avião, você tinha que depená-lo. Sabe-se lá o porquê. Se era por conta da altitude, da diferença de pressão, o frio, o barulho, o medo ou se era só o preço alto. O que é que fazia com que as pessoas achassem que tinham o direito de levar tudo de dentro do avião?

Os talheres de metal – principalmente as colherzinhas, os copinhos de refrigerante. Os paninhos que ficam no encosto da cabeça, os cobertores, as revistas. Sei de pessoas que conseguiram levar o aviso para não fumar e manter os cintos afivelados e até sujeitos que conseguiram levar o assento da poltrona. Sim, o famoso assento que flutua em caso de pouso sobre a água. Não sei como é que eles conseguiram fazer isso. Mas é provável que existam pessoas que tenham levado a poltrona inteira, o manche, as máscaras de ar que caem em caso de despressurização, a calcinha da aeromoça.

O fato é que ninguém fazia isso quando se viajava de ônibus. Não existem sujeitos alucinados querendo levar as cortinas ou o adesivo para não apoiar os pés no vidro.

Com o tempo, a diversão dos saqueadores aéreos foi acabando. Depois do 11 de setembro, os talheres de metal foram abolidos, visto que eles poderiam ser mortíferos. Seus substitutos, os talheres de plástico, tiveram vida curta, uma vez que é uma porcaria tentar cortar qualquer coisa com aquilo. Deu se preferência a coisas que não precisam ser cortadas.

Com o tempo, talvez devido ao governo Lula, as pessoas passaram a viajar mais de avião e ninguém liga mais para encostos de cabeça e copinhos plásticos. E deve-se vigiar melhor, para que ninguém saia como um assento escondido, porque, porra, como é que conseguiram fazer isso? Os cobertores foram cortados junto com os gastos, sobraram apenas às revistas amassadas e de conteúdo desinteressante.

Existem, portanto, poucas coisas para se fazer durante uma viagem. Puxar papo com a pessoa mal encarada sentada ao seu lado, fazer palavras cruzadas, rir do nome bizarro do piloto e, claro, esperar o serviço de bordo.

Assim que Santos Dumont aterrissou o 14 Bis no solo parisiense, a primeira pergunta que lhe fizeram foi “O que você comeu lá em cima?”. Ao responder que nada havia comido nos 10 segundos de vôo, a imprensa se decepcionou e foi atrás dos irmãos americanos que juram ter comido um queijo quente.

É um mistério da humanidade, mas o lanche de avião fascina as pessoas. Quando você viaja de avião, todos te perguntam “viajou bem? Qual foi o lanche?”.

Uma viagem de avião dificilmente demora mais do que duas horas (não falo de viagens internacionais). Você logo irá fazer alguma conexão se a viagem for mais longa que isso. Mas, não sei se pelo preço, as pessoas esperam ter uma refeição de restaurante de luxo nesse período em que se fica na aeronave.

E houve, sim houve, um tempo em que se comia alguma carne vermelha acompanhada de arroz com vegetais e purê de batata. Sanduíches gelados ou quentes, biscoitos doces, bolinhos, que você guardava para entregar para algum familiar. Eram tempos em que para ir de Cuiabá para Porto Alegre, você faria 3 escalas e uma conexão e faria 4 lanches. Sairia do avião entupido de tantos lanchinhos.

Quando a GOL surgiu em 2002, ela surgiu com uma proposta de proporcionar viagens aéreas por um preço menor. Entrou com tudo no mundo da internet, agilizou processos e diminuiu custos. Entre eles, o lanche. Pra que fazer os passageiros comerem tanto durante um vôo que dura uma hora? Ninguém come tanto assim. Bastaria servir uma coisa básica.

Entraram em cena as famosas e impopulares barrinhas de cereais. E depois os amendoins, bolachas de água e sal, biscoitos de coco. A população se revoltou. Nos primeiros anos era normal ver pessoas protestando contra as barrinhas, proclamando que “o foda de viajar de GOL é aturar os lanches”.

Como se muitas vezes você não ficasse mais de uma hora no trânsito para voltar para casa e nesse período você não ficasse sem comer nada. Como se as viagens de ônibus não demorassem 12 vezes mais tempo e te oferecessem paradas em bibocas que servem pão de queijo com mosca e coxinhas fritas em óleo de caminhão.

Criou-se essa cultura de pessoas que quando iam viajar, nem jantavam para comer no avião. Eu acho que o mesmo é só um meio de transporte que agiliza a sua vida e que a cada dois anos protagoniza uma tragédia que assusta todo mundo. Se eles quisessem servir um copo de água e duas jujubas numa ponte aérea, seria mais do que justo.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Apostas

É provável que sua vida tenha começado numa aposta. Você olhou para o espermatozóide ao seu lado e disse: aposto que chego primeiro! Ou é provável que você tenha sido desafiado por um babaquinha qualquer, que se achava o máximo. Você ganhou a aposta e ganhou também a vida (música emotiva, maestro!).

O ser humano adora apostas. Os motivos das apostas mudam com o tempo e a premiação também. Primeiro você aposta com seu colega de sala pra ver quem chega no bebedouro primeiro. Quem ganhar, tem o direito de não ser a mulher do padre. E não ser a mulher do padre é uma glória imensa quando você tem seis anos. Principalmente quando você estuda num colégio de padres, vai que eles resolvem levar o termo a sério?

Depois você começa a apostar dinheiro, por conta do seu time de futebol. E é aí que as coisas mudam. Na antiguidade, antes do dinheiro existir, deveria ser muito mais fácil apostar. Você apostava ali, uma maçã que Moisés ia conseguir abrir o Mar Vermelho. Se você perdesse, era só uma maçã, afinal.

Agora não. É dinheiro. E dinheiro faz o mundo girar. O dinheiro faz os clichês acontecerem. Você irá perder dinheiro alguma vez, porque o seu time, bando de incompetentes, acabou perdendo o jogo. Junto com sua alegria, o dinheiro foi embora. E você percebeu que isso não é legal. E era mais fácil deixar de apostar, do que deixar de ver futebol. Então, você levou uma vida saudável. Pode ter feito algumas apostas na vida, mas elas nunca foram de alto risco e nem envolveram valores exorbitantes.

Mas pode ter acontecido o contrário. Você pode ter gostado da adrenalina, da tensão. De depender dos outros para ganhar ou perder dinheiro. E aí, você pode se tornar um viciado em apostas. Começa com 50 reais num jogo de basquete e logo vira um truco valendo o toba. Em pouco tempo, pode se tornar um “qual a cor do próximo carro valendo a vida”.

As apostas podem ser das mais fáceis, daquelas que dependem apenas de você. Cumprir um objetivo, realizar uma tarefa. Podem depender um pouco da sorte, como nos jogos de azar. Dinheiro por conta de cartas, que podem não vir. Até aquelas apostas que não dependem nem um pouco de você e não exigem nenhum conhecimento sobre o assunto. Oras, você pode apostar num time baseado em sua escalação e no seu desempenho recente. Mas você jamais conseguirá prever a cor da roupa da próxima mulher a atravessar a rua.

Terá um fundo masoquista. No fundo, você gostará de perder dinheiro. Da sensação de ver o seu dinheiro indo para outra pessoa por uma razão totalmente tola. Principalmente se você apostar com Pai Jorginho de Ogum. Ele nunca errou nenhuma de suas apostas e, diz a lenda urbana, começou a construir o seu patrimônio e o seu status de magnata do ramo da exploração sexual, apenas com o dinheiro obtido pelas apostas.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Amigo Oculto CH3 2010

Nada como as velhas tradições. O Amigo Oculto do CH3 chegou este ano a sua quarta edição, cada vez mais emocionante e, pela primeira vez, teve a cobertura in loco de uma emissora de televisão estrangeira. A TV CH3 da Guatemala. A tensão de sempre no ar. Quem será presenteado por Hanz? Qual será o discurso de Alfredo Chagas?

Atendendo ao milenar sistema de rodízio de sedes, o evento foi realizado na casa de Pai Jorginho de Ogum. Eles nos recebeu em sua humilde residência e puxou uns caixotes para que todos pudessem se acomodar sentados. Ele mesmo, resolveu ficar em pé. Deu as boas vindas para todos e abriu espaço para que Marcão discursasse sobre o ano do CH3. Após dois minutos de muitos pigarros e pouca concordância, Alfredo Chagas se irritou e tomou o microfone. Resolveu ele, fazer uma versão para o clássico do karaokê “Era um garoto que assim como eu, amava os Beatles e os Rolling Stones”.

Antes que ele fosse abatido a tiros, o microfone foi cortado – literalmente, com uma faca, e Pai Jorginho de Ogum deu início aos trabalhos. Visivelmente incomodado, ele não tardou em dizer que seu amigo oculto era Alfredo Chagas, que abriu o pacote de maneira visceral. Surpresa, um boné de Che Guevara. Alfredo disse que o presente era um fruto do anti-semitismo neocolonial e agradeceu ao velho Pai de Santo.

Alfredo fez então, um discurso de 40 minutos sobre a globalização dos postos de combustível e anunciou que seu amigo oculto era Guilerme, o original. O presente? Um boneco de posto de combustível. Os dois não se abraçaram, devido a fragilidade do boneco de isopor que parecia muito animado com seu novo companheiro.

Breve, como sempre, Guilerme anunciou que Hanz era seu amigo oculto. O nojento alemão gostou de ganhar um balão meteorológico de látex e queria estrear na frente de todos. Foi detido com dardos tranqüilizantes e logo anunciou seu presenteado. Momento de tensão quebrado quando o nome de Marcão foi pronunciado. Vinícius gritou de felicidade e praticou a dança do robô, afinal, pela primeira vez ele não teve o azar de ser o sorteado por Hanz. O velho desabou, dopado. E Marcão se emocionou com um par de chuteiras, seu presente. Marcão sempre se emociona, esse grande homem.

E eu fui o escolhido por ele. Ganhei um porta-lata do São Paulo, de coração, garantiu o pedreiro. Logo peguei meu presente e disse que queria dar um abraço no meu amigo oculto. Que ele era um cara que sempre dava uma mãozinha para os seus amigos. Cão Leproso começou a chorar quando viu seu presente, um violão. Começou a dedilhar More Than Words e se disse feliz com a perspectiva de pegar um monte de mulher.

O Cão resolveu anunciar seu amigo por mímica. Foi constrangedor, é claro. Mas Vinícius parece não ter se importado muito com isso. O anúncio de seu nome provocou um abraço emocionado entre criador e criatura. O presente era um desenho de Vinícius feito pelo cão. Mostrando que um dia é da caça, o outro é do caçador.

Foi então que Vinícius anunciou que Tackleberry era o seu amigo secreto. Entregou para ele uma série de desenhos, folders, e banners que ele havia feito para o colega que aceitou o trabalho aliviado.

Não restava outro nome. Por uma feliz coincidência, ou talvez, por um milagre da natureza, os ciclos sempre se fecham perfeitamente nos amigos ocultos do CH3. Pai Jorginho de Ogum era o amigo de Tackleberry. O presente era marcante, um conjunto de roupas estampadas, trazido diretamente das Bahamas. Jorginho disse que sabia que ia gostar do presente.

Os Benga Boys começaram então o seu show. Todo o seu repertório de 60 músicas foi tocado em 14 minutos. A festa prosseguiu por mais algumas horas até que uma briga no bar da esquina resultou em um homicídio. Todos voltaram para casa, felizes com seus presentes.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Pobres Coitados

Você é um cidadão normal do dia-a-dia. Já assistiu Titanic. Faz miojo quando tem preguiça de cozinhar. Você saí para trabalhar, assobiando mais uma canção pop que você escutou no dia anterior e ficou presa na sua cabeça. Mais um dia normal na sua vida. Sim, muito provável que seja mais um dia de merda, maçante, cansativo, uma rotina chata. E você, pra variar, fica preso no congestionamento.

Chato. Mas, vai ficar pior. Um policial mostrará um distintivo para você, fará você parar o carro, te jogará no meio da sua rua e arrancará com o seu carro. Como num passe de mágica, ele conseguirá escapar do congestionamento e você ficará no meio da rua, correndo o risco de ser atropelado. O policial irá salvar o dia, detendo um perigoso criminoso, graças ao seu carro. Só que o mesmo ficará destruído. Rodas quebradas, portas amassadas. Você vai ter um gasto de mais de 5 mil reais pra consertar tudo. E quem disse que o Estado irá te ajudar? O seguro não vai querer te ajudar, porque o dano foi feito enquanto o carro era dirigido por um terceiro. Você é um pobre coitado.

O Coitado, é aquele que sofre um coito, o passivo no caso. E é o que acontece com o cidadão desse exemplo, mesmo que não literalmente (aliás, o mau uso do “literalmente” seria assunto para um outro post). Enquanto o policial recebe as glórias de ter parado um maníaco homicida, o coitado estará indo para o serviço de ônibus, recebendo bronca do chefe pelo atraso e correndo o risco de ser demitido.

Esses pobres coitados sempre me chamaram a atenção. Esses cidadãos, honestos, cumpridores dos seus deveres, que tem seus carros interceptados por bandidos em fuga, ou policiais em perseguição. Ou então, o veículo pode ser simplesmente abalroado impunemente por um dos dois. Cidadãos que tem seu comércio destruído em tiroteios. Que tem seus apartamentos destruídos por bonecos de lama gigante que foram atingidos pelo Megazord. Suas calçadas destruídas pelo Godzilla.

Eu pergunto: você prefere que um terrorista perigoso seja preso, ou que o seu carro permaneça inteiro? Não tenho dúvidas de que você prefere o seu carro. Porque o King Kong tinha que se pendurar justamente na janela do meu apartamento? Porque raios os extraterrestres jogaram um raio aniquilador na minha calçada? Porra meteoro! Foi cair no meu jardim de Azaléias!

Claro, seria muito mais fácil caso você não morasse nos Estados Unidos, visto que tragédias naturais, invasões alienígenas e ataques de monstros ensandecidos costumam a acontecer apenas nos States, preferencialmente em Nova Iorque, naquela rua mais movimentada deles, que eu não vou me lembrar o nome. Mas aqui no Brasil, você não está a salvo de traficantes incendiários. Até na Índia, você pode ser vítima de uma vaca, e a seguradora julgaria isso como um ato de Deus, não coberto por Seguro.

É preciso que a sociedade faça algo por esses pobres coitados. É preciso criar um fundo de amparo as vítimas das tragédias sobrenaturais. Para que você não corra o risco de ter o seu carro destruído por conta de uma briga provocada por um Homem de Ferro embriagado.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Arte Fálica

Certa vez, eu estava andando na rua e percebi um pênis desenhado na rua. Instintivamente e sem perceber, desviei para não pisar sobre o desenho fálico. Lembrei-me dos tempos de colégio, em que era normal ter pintos desenhados sobre as cadeiras e sentar sobre uma das pirocas era ma prova irrefutável da sua homossexualidade. Era quase uma relação sexual. Fosse o desenho feito com caneta, estilete ou corretivo.

Parei sobre a calçada e comecei a observar. Percebi então que todos que por ali passavam, desviavam do caralho, ali exposto, esplendido em 40 centímetros de errorex. Todos fingiam que sequer haviam olhado tal arte pornográfica.

Pensei então no porquê os desenhos de picas causam tamanha repulsa. Seriam elas uma espécie de imagem de culto? Uma imagem sacrossanta? Ninguém encosta, todos fingem não terem percebido. É como se o desenho de uma jeba, ali, singelo e parado no cimento, fosses um crime de atentado ao pudor. “Não olhe para o pênis”, poderia ser o aviso de uma placa.

Seria difícil entender porque uma lepa desenhada provoca as reações citadas. Talvez seria uma boa tese de mestrado, quiçá doutorado. Anos de observação, pesquisa, entrevistas e todos os procedimentos chatos que se fazem necessários para realizar um trabalho científico que agrade a academia.

Mas, tal reação explica o fascínio que a rola exerce sobre a humanidade. Explica porque tantos artistas adoram fazer tais desenhos, mesmo que eles não tenham nenhuma função que não seja a de chocar. É provável é claro, que, assim como toda a nossa humanidade, isso já tenha sido explicado por Freud.

É normal na arte contemporânea que lá esteja, num desenho de natureza morte ou num retrato ou numa arte expressionista, lá esteja uma benga desenhada, disfarçada de qualquer coisa. Que o pau esteja numa maçã, refletido nos olhos da Mona Lisa, no céu do Rei Leão, na capa da Pequena Sereia, em todas as páginas do seu caderno de matemática.

Deve ser o caminho mais fácil. Você faz um filme horrível, um desenho retardado, um quadro débil. E então coloca lá o cacete no meio. Logo, deixará de ser um lixo e passará para o campo da polêmica. Existirão aqueles que odiarão e falarão “isso é um rabisco com um Bráulio no meio!” e aqueles que acharão a obra genial, devido a controvérsia, a subversão de se desenhar o órgão genital masculino em algum lugar. Chocar as criancinhas, velhinhas, freqüentadoras da igreja do bairro e tudo mais.

E provavelmente funciona. Aposto que você se corou a cada sinônimo de pênis citado nesse texto. Com ele, batemos o recorde mundial de citações diferentes ao referido em um texto de 2500 caracteres.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Grandes Letras Clássicas da Música Brasileira (IV)

Banda Erre Som

Existe no Orkut uma comunidade denominada “Banda ERRE SOM explosão de MT”. Provavelmente não existe nenhuma maldade no nome, algo que sugira que o Erre Som poderia dinamitar o nosso estado de Mato Grosso. O grupo é definido como o melhor de Mato Grosso e praticante da arte de tocar o verdadeiro lambadão.

O curioso nome da banda vem da inicial dos seus membros Ronny, Ronaldinho e Ronildo. Apenas escutar as músicas da banda pode parecer um ato torturante. E realmente é. Para compreender a verdadeira magia presente no som deste conjunto, é preciso assistir ao seu DVD ao vivo. Sua apresentação teatral tem influências dos musicais da Broadway e dos shows do Iron Maiden. Suas letras mostram influências da cultura Pop e da cultura tradicional matogrossense.

O Fantasma é pânico
Ele tá falando - tudo bem com você? Quer curtir comigo? Quero te conhecer. Eu sou do bem, eu não sou do mal. Quero te levar para o canavial.

Um fantasma desce ao palco para dar vida a historieta presente nos versos. A letra mostra uma demarcação das falas e atos que acontecem. A tendência natural do ser humano é ter um medo do fantasma, medo que ele refuta, afirmando ser do bem. Logo após, uma proposta um tanto quanto curiosa. Levar a menina para o canavial. Fantasmas seriam capaz de crimes sexuais? Uma dúvida a ser respondida pelas próximas gerações.

Batman do Amor
To dependurado, o sol tá quente. Eu não posso voar, eu sou da lua cheia. Noite escura, da solidão do mar. Eu sou eterno meu bem, vem pro meu mundo também. Eu sou da escuridão e você é do dia. Eu não sou seu pai, você também não é minha tia. Se quiser fazer amor, vem de noite e esquece o dia. Porque eu sou o Batman do amor.

Eis que aparece um cidadão utilizando uma roupa de Batman, que faria inveja ao seriado dos anos 60. A letra não parece ter muito sentido. Porque alguém poderia achar ser filha, ou tia de alguém? Seria este um caso de relação extra conjugal? O Erre Som é uma banda que deixa questionamentos para a posteridade.

Colegial
Ela chegou e me deixou doidão, beliscando azulejo correndo atras de avião. Essa quebrou o dentro e foi direto na veia encontrei meu amor com corpinho de sereia. Não tem rabo de peixe mas é fenomenal, ela é linda musa ela é colegial. Colegial, colegial remexendo desse jeito todo homem passa mal. Colegial, colegial se eu te pego do meu jeito vai dar carnaval

Bem provável que o Segredo de Gerson tenha sido motivado por um tema parecido. De certa maneira a pedofilia é aceita na música, desde os tempos em que Chuck Berry cantava sobre uma doce garota de 16 anos. É provável que haja uma piada infame implícita no trecho “se eu te pego do meu jeito, vai dar carnaval”. Ou seja, a mangueira vai entrar?

É Mu
Eta cabra frouxo danado pra chorar. Anda desiludido querendo se matar. O ciúme é o fato e você não quer falar. Desilusões fingidas, uma mulher bandida e tu enchendo a cara. Eu vou ter que te falar, tá todo mundo vendo e você só bebendo. É caso confirmado: O seu problema é Múúúito chifre na cabeça.

A infidelidade conjugal é um tema muito tratado na música popular. Desde Falcão, passando pela música sertaneja e chegando até agora as bandas emo. O Erre Som não poderia ficar atrás. Fica o inteligente jogo de palavras. Normalmente, diz-se do sujeito que é traído, que ele é corno. Que tem chifres na cabeça. Associado ao touro. Tal qual a vaca, a mulher responsável pela traição. A vaca muge. Muuuito genial.

O Erre Som segue em atividade. Espalhando a diversão do seu ritmo animado por todo o Mato Grosso. Espalhando sua poesia contemporânea pelos diversos cantos do nosso berço glorioso e gentil.

domingo, 5 de dezembro de 2010

A Arte de Pechinchar

Me quedou uma dúvida quando comecei a escrever esta postagem. Se eu devia tratar a pechincha como uma arte, ou se eu deveria enquadrar o pechinchador como uma pessoa constrangedora. Por mais que esse tipo de cidadão seja realmente constrangedor, ele não pode ser facilmente dividido em categorias. Por isso, escolhi a arte. Sim, várias artes não agradam as massas.

- E então, rola um desconto?
- 10% a vista.
- Não dá pra parcelar com esse desconto?
- Não.
- E se eu der uma entrada e o resto pra daqui a 30 dias?
- Não senhor.
- Hmm, tá. Mas você pode segurar o cheque até o dia 20?
- Tudo bem.
- E o que eu ganho de brinde pelo preço que eu to pagando? Não rola um abridor de latas, um porta guardanapos?
- Posso ver com meu superior.
- Hmm... preenchi o cheque aqui errado. Coloquei 80 ao invés de 90. Tudo bem?

Existem vários motivos que levam uma pessoa a pechinchar. Pode ser só pela sacanagem. Poder ser uma doença, daquelas incontroláveis que levam a pessoa a cometer atos extremos e precisam ser tratados com remédio. E existem também aqueles que pechinchas apenas pelo prazer, os verdadeiros artistas. Para ele, a poesia está em travar a batalha textual de valores.
- Quanto ta essa cadeira?
- 250.
- Faz por 200?
- Faço.
- Como assim?
- Ué, faço.
- Isso não ta certo. Você devia dizer que fazia por 230, então eu pedia 210. No final a gente se acertava ali por 220.
- Mas eu faço por 200.
- Então não quero.

No fundo, o que todo pechinchador quer é vencer pela insistência. No fundo é uma forma de subjugar o seu oponente. Mostrar que você foi mais forte. Freud já colocaria que há um que de sexualidade nessa subjugação.

Para pechinchar você precisa de muita prática. Destreza na escolha das palavras e valores. Muita insistência. Cara-de-pau para aceitar as negativas e continuar insistindo. Paciência. Paz no coração e não ter medo da morte. Qualquer pessoa normal desistiria depois de uma ou duas negativas. O pechinchador não. Por isso, pechinchar é uma arte.

Digna de livros, palestras com Max Gehringer, workshops. É preciso muito treino para se tornar um pechinchador fluente. E então conquistar o mundo. Afinal, dizem que até Jesus foi vítima de uma pechincha.

- Então, eu vou transformar a água em suco de tâmaras.
- Pô, Jesus! Suco de tâmara! Faz algo melhor aí, um champagne, quem sabe.
- Não. Suco de Laranja!
- Ah Jesus, faz pelo menos um vinhozinho aí!
- Tá bom.
- Po, aproveita ai e multiplica o vinho o pão e o peixe.
- Nem pensar.
- Ah, pelo menos o pão e o peixe, vai!

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Sapato Novo


Pego o meu sapato novo e vou caminhar sozinho¹

Você chegava no colégio. Mas não queria ir em frente. Não, você não era o anticristo procurado pela Inquisição. Você não havia cortado o cabelo. Seu medo de seguir em frente tinha apenas um motivo: você estava com um tênis novo. E um tênis novo é muito mais do que um acessório para proteger os seus pés do chão quente e pontiagudo. Ele é um passaporte para a humilhação.

A distância, você já conseguiria perceber. Seus colegas já estavam olhando para você, apontando e dizendo “ahhhhhh tênis novo!”. E aí que começam os problemas.

1) Seu tênis seria considerado de viado, sem dúvida. Porque ele teria algum detalhe em alguma cor de viado. Também poderia ser considerado tênis de caipira. Mas o fato é que ele seria feio. Uma verdadeira aberração em seus pés. A notícia do tênis novo logo iria percorrer todo o colégio e pessoas de todos os lados iriam ver seu novo calçado e rir.

2) Difícil saber se as crianças são comunistas, mas o fato de um tênis novo causa um ódio mortal no meio. A notícia faria as pessoas tentarem batizar o seu tênis. Consiste em pisar no tênis. Você tentaria se defender dizendo “não é novo, não”. Mas seria tarde demais. Algumas pessoas pisariam com violência. Brigas poderiam acontecer, mortes, cizânias. Era como se houvesse uma patrulha contra os tênis novos. Imagina se isso acontecesse com um “ahhhh, relógio novo”?

De fato, o calçado é o membro mais especial entre o vestuário básico. Cuecas e meias são compradas aleatoriamente. Calças e camisas quando se tem vontade. Comprar um tênis/sapato, não. É um verdadeiro evento. Você chega a conclusão “preciso de um tênis novo”. E então se dirige a loja de calçados.

Lá, você irá experimentar uma série de modelos. Observará o preço, a qualidade, o conforto, a resistência. Caminhará com eles. Se preocupará em saber se ele vai durar. No caso da infância, existia a preocupação de que ele resistisse durante o ano inteiro, pelo menos. Você não compra uma camisa pensando “hmm, ela tem que durar o ano todo”.

Felizmente o hábito de batizar tênis alheios é perdido com o passar dos anos. Porque imaginem a cena.
- Almeida, o chefe está te chamado na sala dele.
Com medo, Almeida se dirige a sala do chefe e o encontra encostado sobre a mesa.
- Almeida... você acha que eu não percebi.
- Er... eu.
- Achou que ia esconder.
- Bem, eu...
- Sapato novo heim Almeida.
- É...
- Batizado, hahha.
- É...
Logo seus companheiros de serviço aparecem rindo. Comentando como o modelo é feio.
- Parece de viado heim Almeida. Batizado.
- E por falar nisso Almeida, você está demitido.

¹Tais versos melancólicos e deprimidos, foram cantados por Marcelo Camelo na insuportável faixa “Sapato Novo” do último disco dos Los Hermanos. Disco esse, que é marcado por ser incrivelmente enfadonho. Sua maior característica, é o péssimo hábito de camelo em fazer rimas chatas com “Morena”.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

O Segredo de Gerson

Durante muito tempo, a humanidade conviveu apenas com a Lei de Gerson. A lei segundo a qual, a única coisa que importa é levar vantagem. A origem dessa lei data de meados dos anos 70, quando o jogador Gerson (Aka: o canhotinha de ouro) protagonizou a propaganda dos cigarros Vila Rica, cigarros esses, que seriam mais baratos. O enunciado de sua lei propunha “Gosto de levar vantagem em tudo, certo?”.

Esta lei reinou absoluta sobre a humanidade durante anos. Mesmo com os seus opositores, que a consideram uma expressão baixa e o pior exemplo do famoso “jeitinho brasileiro”. Coube a outro jogador de futebol derrubar essa lei. Trata-se da Lei de Gil. Com seu enunciado “Só não vale dar o cu”, ele derrubou o preceito de que o que importa é levar vantagem.

Os meios acadêmicos discutem se esta lei é antagônica a Lei de Gerson, ou se uma poderia complementar a outra. A primeira corrente defende que – uma vez que só não vale dar o cu, levar vantagem não importa. Você não poderia levar vantagem dando o cu, de tal maneira que a Lei de Gil seria superior. Já a segunda corrente interpreta que a vantagem deve ser adquira, desde que o cu não seja colocado em debate. Argumentam ainda que duas ou mais leis podem coexistir, juntando-se a elas as leis de Newton.

Pois bem. Anos depois, outro Gerson voltou a monopolizar os debates nacionais. Trata-se de um personagem de novela, interpretado por Marcelo Antony. Piloto de automóveis, ele passava grande parte da novela diante do seu computador, escondido da família. E ninguém poderia ver o que lá estava. Seu computador era uma Esfinge moderna.

Primeiro, pensou-se que ele seria gay. Mas logo ganhou força a tese de que ele era pedófilo. O que fazia sentido. Só que, provavelmente, a opinião pública rejeitou essa hipótese. A moderna sociedade brasileira não está preparada para ter um pedófilo na novela. Eles devem continuar escondidos apenas em cargos públicos eletivos, Brasil afora.

Então depois de até Zoofilia ser especulada, o segredo de Gerson foi revelado. E não podia ser mais banal. O que esse maldito gosta tanto? O que o fazia ficar horas no computador? Que imagens eram essas, que deixaram algumas pessoas tão chocadas a descobrirem o seu conteúdo?

Ele gosta de sexo extremo. Banheiros fedorentos, situações pervertidas. Provavelmente ficava horas em frente ao computador assistindo o vídeo de 2 girls 1 cup. É doentio? É. Mas não foi assim tão chocante. Muitas pessoas devem ter pensado “nossa, não sabia que isso era tão estranho”. Outros devem ter começado a sentir medo de que as pessoas descobrissem que ele também gostava de alguma escatologia.

O Segredo de Gerson foi a coisa mais decepcionante. Pior que a campanha do Brasil na copa. Pior que o time do Palmeiras (até porque, ninguém cria muita expectativa com isso). Mas, a situação ainda pode mudar. O recurso de dizer “há, isso foi uma pegadinha do Mallandro” sempre pode ser utilizado. Ainda dá tempo de Gerson voltar atrás e revelar que essa não é a sua perversão. Que a primeira revelação foi apenas um subterfúgio para esconder sua verdadeira doença. E esta doença poderia ser.

Uso de Pochetes: Gerson poderia revelar que usava pochetes. E que passa horas em frente ao computador se masturbando com fotos de pessoas utilizando. Ele podia ir ainda mais longe e revelar que costuma a ir na Cabofilia em Cabo Frio, onde costuma a seduzir meninas em sua picape. Leva-as para o motel e fica nu, apenas com a pochete no corpo, balançando o seu pênis esquisito. E as meninas são obrigadas a lamber sua pochete.

“I’m A looner”: Está mais do que na hora de a dramaturgia brasileira mostre seu primeiro personagem looner. Qualquer coisa, ele poderia utilizar esse texto, de um comentário feito no blog.

Eu não tenho vergonha de dizer. Eu sempre tive essa atração por balões e infláveis, que eu me lembro eu comecei sentir esse prazeres por objetos infláveis a mais ou menos 7 anos de idade, principalmente por bexiga de tamanho grande. Hoje em dia me excito muito fácil com, isso faz parte do meu cotidiano. Mas a minha atração e excitação é por balões extra grandes e formatos esféricos. Eu uso balões meteorológicos (weather balloon) por ser um látex muito melhor e muito agradável ao toque, e uma flexibilidade excelente, e são muito duráveis, desde que sejam guardados corretamente e usados sem exageros. Eu me masturbo muito fácil com eles, é um prazer muito grande, nem consigo descrever, é muito prazeroso e relaxante. Eu tenho muitos balões, as medidas deles, variam de 40cm a 100cm, (vazios), eles são enormes. Sempre inflo eles com bomba ou compressor de ar, enquanto esta se enchendo fico acariciando abraçando. O maior fetiche meu é quando inflo eles dentro de peças de roupas, e também dentro de roupas no próprio corpo, é só pesquisar no Youtube por(body inflation), (Zentai inflation). Fico horas no meu quarto fazendo isso.
Campo Minado: Ele poderia revelar que passa horas no computador se masturbando para o campinho minado.

Ele ainda podia revelar que fica horas escutando narrações do Galvão Bueno, vendo a Sexy da Geysy Arruda sem photoshop, TV Senado. Ainda há tempo para que a população fique chocada.