segunda-feira, 30 de abril de 2012

Enquete Online

É de comum acordo entre a humanidade que a internet é o mais confiável meio para se aferir os gostos e opiniões da sociedade. Esta certeza ficou ainda mais clara, quando uma recente pesquisa feita por um site de entretenimento japonês, apontou a vitória da internet sobre os meios mais tradicionais e científicos. Perceba que a pesquisa contabilizou 5,4 bilhões de votos, ou seja, ¾ da população mundial deram sua opinião. Muito melhor do que as amostragens abstratas realizadas por institutos de pesquisa.

A enquete online se torna ainda melhor quando nós podemos acompanhar os seus resultados em tempo real. Isso confere um poder de imediatismo ímpar. Devolve ao cidadão o poder de manipular um resultado, traz de volta a possibilidade de mudar os rumos da história. Veja o caso das eleições: com o advento da urna eletrônica, manipular o resultado de uma eleição é um trabalho duro. Antes era mais fácil e divertido. Bons tempos em que se poderia afundar uma urna cheia de votos do adversário no rio. Bons tempos.

Agora, na internet, se você vê que as pessoas preferem o Tchu Tchá Tchá ao invés do último sucesso do Restart, você poderá convocar os fãs da banda para reverter este quadro. É possível sentir o poder de movimentação da massa. Não é sensacional ver que no site do periódico esportivo argentino Olé, Amaral Coveiro é considerado o maior jogador da história, a frente de Maradona e Di Stefano?

Fábio Ferreira, Chocolate ou Copacabana. Qual você prefere?
Ainda mais sensacional pelo fato de ser a pura manifestação popular. Não há como barrar a vontade do povo na internet. Se eles restringem a um voto por IP, você pode mudar seu IP inúmeras vezes. Se pedirem cadastro no e-mail, você pode criar quantos e-mails você quiser e votar quantas vezes quiser. Sim, você faz parte do povo a sua vontade também é a vontade popular. Você pode. Você unido, jamais será vencido.

Foi como parte da nossa reformulação e projeto de dominação mundial, que este blog (CH3) resolveu adotar o sacrossanto método das enquetes online. Atualmente está no ar a nossa terceira enquete. As duas primeiras tiveram resultados interessantíssimos, que não me cabe aqui lembrar. Agora, nossos fiéis leitores, questionados se eram a favor da reforma ortográfica, respondem em sua maioria que prefeririam que o governo investisse na reforma de escolas. O que mostra que nosso público é altamente inteligente e antenado com as causas sociais.

Em breve, outra enquete estará no ar e você poderá votar também. Nossa enquete dá a brilhante opção de mudar o voto, o que pode ser muito interessante para futuras barganhas junto aos setores interessados. Vai lá, deixe sua opinião e contribua com um Brasil melhor.

P.S: Nós nunca colocaremos a opção “Não sei”. Porque sinceramente, se você não sabe/não tem opinião formada, não vota, porra. Ninguém te obriga.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Pioneiros da contravenção

Este blog acredita piamente na existência de pessoas que funcionam como catalisadoras para as grandes manifestações sociais. Toda essa história da Primavera Árabe não teria acontecido se alguém não tivesse gritado “vamos quebrar tudo!” em algum momento. A segunda guerra mundial não teria começado, se por algum acaso alguém resolvesse puxar um coro de “bicha!” para Hitler, em um dos seus discursos.

O caos também pode ser incitado por uma simples pessoa. Já falamos delas, aquelas que têm um apurado senso de “vai dar merda” e acabam provocando o desespero nos outros reles mortais, gritando que o prédio vai desabar, que a cantina vai explodir. Também existem pessoas que tomam atitudes aparentemente banais, porém pouco cordiais ou até mesmo fora da lei e, após seu ato de coragem, são seguidos por muitos.

Depois dele, várias pessoas resolveram
mijar no topo do Everest.
Por volta das 18h, o trânsito em qualquer cidade do Brasil pode ser considerado caótico. Aliás, considero que um lugar só pode ser considerado uma “cidade” se ele possuir trânsito caótico em pelo menos um período do dia. Enfim. No congestionamento, todas as pessoas permanecem esperando o abate bovinamente, esperando que alguma providência divina faça com que aqueles carros todos sumam do caminho.

De fato, não haveria nada para se fazer. Mas, alguém resolve buzinar. A buzina é o start de tudo. Diante daquele cidadão possuído, buzinando como se não houvesse amanhã, todos os outros motoristas percebem “é isso!” e começam a buzinar em uma interminável sinfonia. Buzinar pode ser apenas deselegante, mas o trânsito mostra outras situações em que os pioneiros da contravenção podem agir.

E se, ao invés de buzinar, o motorista resolve passar por cima do canteiro central, pegar a outra pista dirigindo cegamente em busca de uma rota alternativa? Isso acontece muito. E logo atrás dele, outras pessoas resolvem fazer o mesmo. Não sei se o fato de um carro passar por cima do canteiro central provoca aquela sensação de desespero de que “meu deus! A situação tá feia, nunca mais sairemos daqui! Só me resta passar pelo canteiro e fugir”, mas o pioneiro da contravenção logo provoca uma pequena bagunça.

No trânsito, outras ações empreendedoras no ramo de desrespeitar as leis são: passar por cima da calçada, pegar um pequeno trecho na contramão, trafegar no acostamento¹, avançar o sinal vermelho, mesmo com outros carros vindo na direção, parar em lugar proibido. Pode ver. Muitas vezes não há ninguém estacionado no lugar proibido, mas logo depois que um cidadão resolve fazer isso, uma longa fila se forma.

Os pioneiros da contravenção são aquelas pessoas que desrespeitam o aviso para não pisar na grama – criando aquela trilha no meio gramado, aquele que sobe as rampas do IL pelo vão, os que sentam no assento destinado aos portadores de necessidades, jogam a primeira sacola em um futuro lixão clandestino.

Não sei o que move o pioneiro da contravenção. Talvez seja apenas o seu instinto de sobrevivência, falando mais alto. Ou, talvez, ele realmente tenha o objetivo de levar outras pessoas para o lado negro da força. Mais do que um simples incentivador do banditismo, ele age no intuito de formar uma grande quadrilha anônima. Talvez, pensando “se todo mundo fizer isso, nada ocorrerá contra mim”.

¹Não confunda com “traficar no acostamento”.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Trocando de Lugar

Imagino que os programas que promoviam trocas de papel já saíram de moda. Aqueles programas em que a mãe de uma família de cristãos conservadores era trocada pela mãe de um grupo de metaleiros satanistas. Um gari e um apresentador de telejornal. No final, todos aprendiam as mesmas lições: serem mais tolerantes, respeitarem as diferenças e perceber que existe gente numa situação muito pior do que a sua.

Enfim, creio que esses programas já tenham saído de moda, mas, como o CH3 sempre foi um blog fora de moda, vamos falar desse assunto. Sugerindo uma troca de papéis dentro da televisão. Seria interessante, para ver se alguns comportamentos são culpa do cidadão ou do meio.

Equipe esportiva realizando matérias policiais
Seria muito interessante ver o Tino Marcos reportando o assassinato brutal de um jovem. Com alguma música clássica de segunda categoria ao fundo.
E foi nesse local em que sua cabeça foi arrancada
“Noite de lua cheia. O jovem Luis Eduardo saí de casa com um sonho: conquistar o coração da jovem Renata. O local? Uma festa no bairro de Ipanema. Luis encontra os amigos na entrada da casa onde a festa seria realizada. Mas o sonho é interrompido. O jovem é sequestrado, torturado e esquartejado pelo ex-namorado de Renata”.

Também seria muito bom ver o Tiago Leifert nas notas de falecimento. Não, não sugiro que ele seja o morto. Mas seria interessante ver ele fazendo trocadilhos com os defuntos, sugerindo que um deles se parecia com o Odair José. Levando uma foto ao velório e perguntando aos parentes se eles concordavam. Ainda poderíamos ter o Galvão Bueno narrando perseguições policiais. “Olha a troca de tiros...! Haja coração!”.

A cobertura esportiva, por sua vez, poderia ser feita pela bancada do jornal hoje.
- Olha Sandra, que belos uniformes.
- Sem dúvida Evaristo, calção acima do joelho está super na moda.
- Você gosta de mamão.
- Enfia no cu, Evaristo.

Ao invés de mandarem o coitado do Cleiton Conservani para fazer aquelas matérias, em que ele se fode nos lugares mais extremos do planeta, como o Ártico, Antártico, Himalaia, Andes e Saara, poderíamos mandar o Pedro Bial para lá. Seria muito interessante ver Bial fazendo uma crônica sobre as sensações de correr 40 km no meio do deserto.
“A vida, amigos, não é brincadeira. Quarenta quilômetros no deserto. Se eu pudesse lhe dar apenas um conselho, este conselho seria use protetor solar”.

Já que a equipe do Jornal Hoje está transmitindo o jogo de futebol, nós poderíamos colocar Jô Soares e Faustão para apresentar o jornal.
- O loco meu! Os caras fizeram coxinha de gente viva.
- Você sabe que eu já provei carne humana na Guatemala em 1953. Estávamos eu e Carlinhos Gomes, e a gente comeu carne humana.

Claro que essa seria uma situação hipotética. Pesquisadores já comprovaram que, quando os dois se encontram, um buraco negro engole o Planeta Terra.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Realismo de verdade

No mundo moderno, as pessoas costumam a dar um grande valor para o realismo e a intensidade de suas experiências. Sim, você pode me perguntar se um mundo em que as pessoas ainda compartilham frases do Chorão e fotos de cupcakes no Facebook pode ser moderno. É difícil de aceitar, mas, as convenções são assim. Não podemos falar que estamos na era paleozoica.

É por isso que nós compramos aparelhos capazes de reproduzir filmes em alta definição, que nem nossos olhos conseguem ver. É por isso que as pessoas pagam mais caro para assistir filmes em três dimensões. É por isso que elas, não eu, assistem reality shows e todos esses programas com simulacros da realidade. Elas querem se sentir dentro daquilo, sentir que fazem parte daquilo.


Pessoas pagam para brigar, lutar com leões, viajar até uma estação espacial, pagam por tudo o que o dinheiro pode comprar (para todas as outras, não existe cartão). É uma busca incessante por sentimentos extremos. Deve ser isso que leva alguém a se masturbar com uma corda em volta do pescoço, mordendo um limão.

Ontem, morreu em Itapeva o ator Tiago Klimeck, de 27 anos. Ele sofreu um enforcamento involuntário enquanto interpretava o papel de Judas Iscariotes na Paixão de Cristo. Depois de sofrer o acidente, Tiago ficou aproximadamente quatro minutos desacordado, foi o tempo que levou para alguém perceber o que se estava passando.

Nós já falamos aqui que um dos piores momentos para se morrer é quando você está assistindo a uma peça de teatro contemporâneo.As pessoas vão pensar que o seu mal súbito faz parte do espetáculo e é capaz de que algum ator vomite e simule sexo com o seu cadáver. Mas, ao que se saiba, a vida de Jesus tem interpretações mais tradicionais, até porque, crucificar alguém de verdade seria chocante demais.

No entanto, eu imagino que o público de Itapeva deveria ser formado majoritariamente por pessoas que compram filmes em Blue-Ray, escutam mp3 em 320kbps e que compraram ingresso para assistir a reestreia de Titanic. Pessoas que saltam de paraquedas do topo de árvores, assistiram Two Girls One Cup sem estranhar.

Quando elas perceberam o ator agonizando no palco, devem ter vibrado. Pensaram “caramba, esse cara é muito bom! Que realismo! Parece que ele realmente está morrendo enforcado. Estou acreditando que ele é o próprio Judas! Uau!”. Aplausos, aplausos. Até que alguém percebeu que a cena estava longa demais.



Bem, isso me lembrou este vídeo, que eu precisava compartilhar. Uma brincadeira joselita de aniversário que acaba se transformando em um homicídio culposo, quando não há a intenção de matar. A assassina ainda mexe com o cadáver, achando que é tudo uma grande brincadeira. Mas, para mim, o detalhe mais sensacional é o garoto de sombrero, comendo o bolo, nem aí para a menina morta. Ele é frio. E vocês não sabem o que ele já não fez por bolo.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

A Arte de Parecer Ocupado


Pessoas que parecem estar ocupadas parecem que são importantes. Ou será que as pessoas importantes é que parecem estar ocupadas? Enfim, as duas coisas andam juntas. Você já olhou para Barak Obama e pensou “eis aí um desocupado”? Provavelmente não. Há algo em seu jeito que faz com que ele pareça estar sempre envolto em alguma atividade. Você olha para ele pensa “esse cara não sabe o que é almoçar com a família há três meses”.

Mas, você não precisa ser o presidente dos Estados Unidos para parecer estar ocupado, para parecer ser uma pessoa importante. Isso porque, parecer ocupado é uma arte. Basta aprender a uma série de trejeitos para que sua importância seja reconhecida por todos. Que você seja admirado pelas pessoas que te veem na rua. “Quem é esse cara? Conheço ele” – “não sei, mas parece que é alguém importante”, dirão.

É sempre importante manter um andar apressado. Não se trata de andar como se você estivesse atrasado, precisando correr para não ser demitido. Mantenha um ar blasé. Você tem presa porque muita coisa precisa ser feita. E essas coisas não poderão ser feitas sem você. Você é essencial para a engrenagem do mundo. Ah, e sempre acione o alarme do seu carro sem olhar para trás. Você não precisa conferir que suas ordens foram obedecidas.

Sempre que você entrar em um lugar, dê uma pausa, uma breve pausa para que as pessoas percebam que você chegou. E faça isso com um celular na orelha. Mostre que você já chegou dando ordens, mostrando ação. Uma pessoa importante não fica mais do que três minutos sem atender um celular. Encerre a conversa dizendo “já estou chegando” e confira o horário no seu relógio de pulso. Confere um ar de importância.

Não fique parado, matando o tempo. Mantenha-se sempre em atividade. Quando você estiver esperando algo, um avião de preferência, esteja sempre lendo o jornal. Um jornal com poucas fotos e que pareça ser difícil de ler, ou quem sabe, um jornal de economia. Resista à tentação e não veja a coluna social. Deixe para fazer isso no banheiro.

Utilize terno em lugares em que seu uso não seja obrigatório. Use também algum bottom na lapela. Mesmo que seja um bottom do estilo “Lembranças de Cabo Frio”, as pessoas imaginarão que você faz parte de uma organização importante e que está pronto para tomar grandes decisões e que pessoas trabalham por você.

Quando estiver no trabalho, realize suas atividades demonstrando um esforço incomum. Esteja sempre com um ar preocupado em frente do computador. Sua tentativa de bater seu recorde em paciência pode ser eventualmente incomodada por uma mensagem no Facebook. Mostre um ar de cansaço ao final. Seu precioso tempo foi gasto com aquilo e você tem muito o que fazer. As pessoas não precisam saber o que, mas precisam pensar que essas coisas existem.

E como diria o saudoso Gressana, não coma merda. Desse jeito, você nunca será importante, por mais que seus hábitos alimentares possam até te ocupar.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Churrasquinho, Salgadinho


Eu cresci escutando a lenda de que existia um pasteleiro no Rio de Janeiro que fazia pasteis com ração de cachorro. Era um pastel delicioso, com um sabor ímpar, cujo gosto especial deveria estar em um elemento X, tal qual a Coca-Cola. Até que um dia a Vigilância Sanitária ou a KGB, não sei, descobriu o segredo: era ração de cachorro. Imagino a reação dos fieis fregueses descobrindo que comiam comida de cachorro.

Assim como existe a lenda urbana, talvez apenas uma piada, sobre o churrasquinho de gato. Churrasquinho de gato já virou um nome genérico para todo espetinho de rua, assim como todo Bombril é esponja de aço. Mas, e se um dia as pessoas descobrirem que elas comeram espetinho de gato de rua, o que elas pensariam? E o que pensariam ao descobrir que comeram um espetinho de gente?

E aqui eu não falo do churrasquinho de mãe, da imortal música de Teixeirinha. Falo de carne de gente de verdade mesmo. E pra ser mais preciso, não era exatamente churrasquinho, mas sim salgadinhos. Salgadinhos feitos à base de carne humana.

Falo da surreal história que aconteceu em Garanhuns na semana passada. Um trio foi acusado de matar mulheres em rituais macabros, beber o sangue das vítimas e se alimentar da carne. Depois, eles utilizavam as carnes, por assim dizer, nobres, para rechear empadas e coxinhas.
Pensa bem, não existiria uma foto de mínimo bom gosto para esse post

Boa parte do crime não deve ser original. Os três atraiam mulheres, oferecendo emprego. As mulheres apareciam e então eram mortas a facadas e esquartejadas. Imagino que vários psicopatas ao redor do mundo já tenham feito algo parecido. Então, era a hora de beber o sangue das vítimas e se alimentar com a carne das mulheres durante quatro dias. Provavelmente, eles mataram oito mulheres assim.

Essa parte da história já é suficientemente macabra, mas até aí, o problema era deles. Digo, era a perversão deles, o crime deles e eles devem responder brutalmente por isso. Mas, eis que entra o fator coxinha. E isso é o que é realmente perturbador.

Porque? Porque eles precisavam fazer recheio de salgadinho da carne das vítimas? Não podiam ter simplesmente matado, comido e enterrado? A crueldade já estaria feita, mas a parte de utilizar a carne das nádegas para fazer recheio de empadinha e, ainda por cima, vender o salgadinho na rua é sacanagem. Muita sacanagem. Precisava transformar o defunto em coxinha de rodoviária? Que fim é esse?

E os coitados que comiam o salgadinho na rua? Um hábito normal, o cara achava que estava lá, comendo uma empadinha de carne, numa boa. E então descobre que aquele recheio era feito com a carne da sua vizinha. Não creio que 2012 vá produzir uma história mais perversa do que essa. Aliás, mais do que não crer, espero que isso não aconteça. Talvez Tim Burton consiga pensar em algo mais doentio.

Parafraseando Paulo Maluf, esquarteja mas não faz salgadinho.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Titanic, 100 anos de história

O naufrágio do megalômano navio Titanic completou 100 anos no dia 15 de abril, também conhecido como ontem. Para comemorar esta data tão especial, que marca a vitória da natureza sobre o homem, jornais prepararam especiais, familiares prestaram homenagens. Em uma delas, os descendentes passaram sobre o local do acidente, no mesmo horário em que ele aconteceu.

Não seria irônico se o barco com os familiares das vítimas também afundasse? E vocês sabem, a vida adora ironias. Por isso, achei uma homenagem perigosa. Mas as memórias são merecidas. O naufrágio não deixou sobreviventes.

O Titanic era um projeto ambicioso. Foi construído como o maior transatlântico da história. Eram tempos em que uma viagem entre a Inglaterra e os Estados Unidos podia demorar meses. Para sustentar tanta gente durante tanto tempo, o Titanic dispunha de 20 toneladas de carne, 2 toneladas de sorvete e vários outros suprimentos.
Titanic não resistiu ao peso

E para passar o tempo, o empresário John Titanic resolveu inovar. Ele contratou a cantora canadense Celine Dion para cantar durante o cruzeiro, uma ideia empreendedora que depois foi copiada por Roberto Carlos. Durante as 87 noites de viagem, Celine Dion cantaria no bar do barco.

O problema, todos sabem, é que Celine Dion tem apenas uma canção, a malfadada My Heart Will Go On. Na primeira noite, ele subiu ao palco e cantou esta canção acompanhada de violão, depois de piano, por orquestra e à capela. O ritual se repetiu no dia seguinte. Para economizar o cachê, o muquirana John Titanic resolveu gravar a apresentação e dispensar a cantora. Suas interpretações de My Heart Will Go On passaram a ser repetidas diuturnamente no telão do bar.

Sim, apesar da grande carga de alimentos, o fundo de investimento que administrava o barco esqueceu de carregar um estoque de discos de vinil para entreter os passageiros. Uma grande falha.

As inúmeras repetições do refrão (Near… Far…) foram minando a paciência do experiente capitão Edward J. Smith. E para piorar a situação, havia a sua conturbada relação com um passageiro chamado Jack. Edward nunca foi com a cara de Jack. Assim que olhou para ele pensou “Este é um veado, um bundeiro”. Também achou que Jack tinha uma postura arrogante, de quem se sentia o dono do mundo.

A culpada
E o rapaz ainda engatou um romance com Rose, outra jovem passageira. Edward achou isso um absurdo, visto que Rose era noiva. Quando o capitão encontrou o casal mantendo relações sexuais no banco de trás do seu carro, ele surtou. Saiu gritando “que pouca vergonha é essa no meu navio!”. E concluiu, apocalíptico, “isso não vai ficar assim”.

Subiu as escadarias rumo a sua cabine. O sistema de som continuava tocando Celine Dion. E então, ele viu um gigante iceberg no horizonte. Não pensou duas vezes e tomou a drástica decisão. Iria afundar aquele barco. Concluiu que era um bem pela humanidade. Outros marinheiros tentaram evitar a tragédia, mas o capitão havia feito bem os cálculos. Antes que o navio afundasse, ele subiu em um bote e fugiu para às Bahamas, onde vive até hoje.

Especialistas da atualidade avaliam que mais do que a falta de botes salva-vidas, ou falha humana, a repetição interminável de músicas de Celine Dion provocou o acidente. Uma falha lamentável. A música da canadense ainda seria a responsável por duas guerras mundiais, o que levou a convenção de Genebra a colocar a execução de My Heart Will Go On na lista de crimes contra a humanidade.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

A Saga Rubro-Negra na Libertadores


Uns vibram, outros choram

Foi uma das maiores crueldades de todos os tempos, não tenha dúvidas. A eliminação do Flamengo, ontem na Copa Libertadores, chegou a ser covarde. Poderia ter sido uma experiência leve, uma eliminação indolor. Mas, os deuses do futebol quiseram sacanear os flamenguistas. Quiseram fazê-los sofrer, vos dar a esperança até o final, para oferecer a negação de maneira radical.

As cenas são inesquecíveis para todos àqueles que acompanham futebol. Caso você não saiba, o Flamengo estava em uma situação dramática na Copa Libertadores. Chegou a última rodada precisando derrotar o Lánus da Argentina e precisando torcer para que Olímpia e Emelec empatassem no Paraguai. Apenas o empate. Quem vencesse esse jogo estaria automaticamente classificado.

O Flamengo tratou de despachar logo o Lánus. Fez 3x0 com facilidade, administrou a partida e ficou na torcida. Emelec e Olimpia empatavam o placar em 1x1 até o final do jogo, quando o milagre parecia possível. Flamenguistas, sempre otimistas, já preparavam o grito de campeão. Mas, aos 42 do segundo tempo, o Emelec vira o placar e ruma a classificação.

Silêncio. Torcida para que o Olímpia busque o empate. E ele vem. No minuto final do jogo os paraguaios buscam o empate. A torcida do Flamengo vai ao delírio com o resultado. Jogadores vibram no gramado. Comoção, júbilo, glória. O narrador não consegue esconder a emoção, comemora que o final da partida esta próximo. Mas havia um escanteio antes. E desse escanteio surge o gol do Emelec aos 47 do segundo tempo. Os pulos se transformam em choro. Os gritos em silêncio.
Praticamente um ritual

Percebam. O Emelec poderia ter feito 5x0 no adversário. Poderia ter decidido o jogo com muito de antecipação. Ou poderia, até mesmo, ter ganho com um gol no final. Mas, os deuses do futebol quiseram pior. Quiseram que o Flamengo tivesse a sensação da perda no final e do milagre subsequente. E que esse milagre se transformasse na maior das decepções. Os deuses do futebol sacanearam.

Apêndice histórico.
Deivid não é o único culpado
O Flamengo conquistou seu título na Copa Libertadores em 1981, ano da sua primeira participação no torneio sul-americano. Com Zico, Júnior e Andrade, os flamenguistas tinham o seu melhor time na história. Um começo que sugeria uma trajetória de sucesso internacional. Mero engano. Os anos seguintes registraram vexames imensuráveis.

As participações nos anos 80 e 90 foram discretas, com eliminações em jogos disputados. Os fracassos se acentuaram para valer nos anos 2000. Ainda em 2002, o Flamengo foi eliminado na primeira fase, em último lugar, com apenas uma vitória. Em 2007, uma boa campanha na fase inicial não resistiu ao medíocre Defensor do Uruguai. Derrota por 3x0 em Montevidéu. Mas, todos esses fracassos não se comparam ao que ocorreu no dia 7 de Maio de 2008.

Imagem que provoca calafrios
É preciso entender o contexto. Os rubro-negros estavam mal no Campeonato Brasileiro de 2007, quando Joel Santana assumiu o comando técnico da equipe. Joel era considerado um ex-técnico em atividade, mas comandou uma arrancada que levou a equipe até o terceiro lugar, com vaga na Libertadores de 2008.

Com o estádio lotado, o flamengo conquistou a Taça Guanabara em 2008 e depois o campeonato carioca, com uma vitória marcante sobre o Botafogo. Joel Santana anunciou que deixaria a equipe, para ensinar inglês e futebol na África do Sul. Se despediria depois do jogo de volta contra o América do México, pelas oitavas de final da Libertadores.

O jogo era uma festa. O Flamengo havia ganho o primeiro jogo por 4x2 e só seria eliminado com uma derrota por 3x0. Joel entrou em campo aplaudido a torcida fazia a festa. Uma despedida em alto estilo. O gordito Salvador Cabañas comandou a vitória por exatos 3x0. E o goleiro matador Bruno deixou o gramado chorando e dizendo “não tem explicação”.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

A vitória póstuma de Herbert Richers

Assim que os trailers acabaram e o leão já deu sua tradicional rugida, você já comeu metade do pacote de pipoca. O filme começa com suas tradicionais cenas aéreas, que ao pouco se aproximam de algum personagem específico. Ele diz: “Olá, Bom Dia senhor Jones”. Você se engasga com a pipoca. Está para surgir uma sensação pior do que a perceber que você está assistindo um filme dublado por engano.

Estava lá no bilhete, que o filme era dublado. Estava lá no aviso do cartaz, que a película exibida estava em sua versão brasileira Herbert Richers. Mas você não percebeu, não é culpa sua. O público médio acostumado a frequentar cinema não está acostumado com os filmes dublados. A dublagem era uma rara opção para filmes infantis, jamais para filmes considerados sérios.

Hoje não é mais assim. Os filmes dublados dominaram a grade da programação dos cinemas. Se você for até o Cine Pantanal, verá que todas as opções oferecidas são dubladas. Todas. Se você quiser apreciar um filme com seu áudio original, desista. Espere que ele saía em DVD. Ou compre um pirata. Não adiantará esperar que ele passe na TV.

Lembro que tempos atrás, eu ri quando um canal de TV por assinatura veiculou uma propaganda em que o mote era “Os maiores sucessos do cinema mundial em versões DUBLADAS”, com uma ênfase forte em “Dubladas”. A princípio, eu não entendi o sentido da propaganda. Aquilo para mim soava como “uma equipe formada por anticristos” ou ainda “servimos fezes da melhor qualidade no almoço”.

Mas, logo eu entendi. Cada vez mais canais começaram a passar os filmes dublados. Não se tratava de um suicídio comercial, mas sim de uma estratégia. Surpreenda-se você, mas hoje a classe C é quem mais assiste filmes. E 95% desta parcela da população prefere filmes dublados. Sim, este número é chocante e quando eu o vi, tive certeza de que o mundo vai mesmo acabar. Mais do que isso, o mundo merece acabar.

Quem prefere o filme dublado, prefere porque tem dificuldades em ler as legendas. E daí você pensa, para que existem campanhas de incentivo a leitura de livros, se as pessoas não conseguem ler duas linhas de letras amarelas? Não conseguem prestar atenção na cena porque tem que ler as letras amarelas.

Seja extremo
Não há um único argumento plausível para os filmes dublados. Eles acabam com o áudio do filme. Matam a interpretação dos atores. Colocam palavras como “tira”, “goma de mascar”, “filha da mãe” e “eu dormi com sua mulher”. Do que adianta Robert de Niro se transformar no touro indomável, se na hora H ele diz "filha da mãe"? E porque eles insistem em colocar uma voz ridícula no Woody Allen?

Fora que as dublagens são sempre paulistas. Porque não fazem dublagens regionais, de uma vez, para agradar os públicos locais? Al Pacino falando “oxente”, Meryl Streep interpretando Margaret Thatcher com um sotaque mineiro. Porque não? E porque os fãs de dublagens não começam a exigir músicas dubladas na rádio, para entender o conteúdo? Que tal a Adele cantando “alguém como vocêêêêêê”? Heim?

Sei que é provável que no vai e vem da reputação, daqui a alguns anos as dublagens dominem de vez o mundo. Que quem prefira os filmes legendados seja chamado de reacionário, fascista, estrangeiróide. Que alguma lei proíba a circulação de filmes legendados no país. Sorte nossa que o mundo tem tudo para acabar até o fim do ano.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

A importância dos feriados

Todos sabem que os feriados são essenciais para a existência da humanidade. O que seria de todos nós, se não fossem essa benditas datas, principalmente quando elas caem em terças ou quintas e podem ser sagradamente emendadas com o final de semana? Em algumas raras oportunidades as folgas podem chegar a até seis dias consecutivos, o que só pode ser encarado como uma benção divina.

Feliz Páscoa? Só se for para você.
Eu estou de plantão.
É claro que existem os chatos de plantão, que diante de um feriado prolongado, ao invés de se ajoelhar, esquecer o passado de militância agnóstica e dar graças aos céus, eles preferem questionar a existências desses dias. Levantam questionamentos sobre o impacto que um feriado prolongado pode provocar na economia, na educação, no preço do pequi.

Claro, que esses questionamentos são feitos por jornalistas. Cidadãos amaldiçoados que miseravelmente desconhecem a existência de feriados, quanto mais os feriados prolongados. Eles, que mal conhecem finais de semana livres, e até mesmo o horário de almoço, querem descontar sua raiva no restante da população. Imagine se motoristas de ônibus, caixas de supermercado ou enfermeiras resolvessem fazer o mesmo? Quantas mortes não seriam proporcionadas? Quantas tragédias!

Enfim, os feriados são essenciais para a condição humana pelo prazer inigualável que eles oferecem. Mas, eles podem exercer outras funções para a sociedade, partindo de uma visão funcionalista. Isso não significa que nós somos comunistas que acreditam que você é manipulado o tempo todo pelas grandes corporações midiáticas. Aliás, você até pode ser, eu não.

Brasil sem carnaval.
Carnaval: Data conhecida pela promiscuidade desenfreada, o carnaval exerce enorme importância na perpetuação da raça humana. Um levantamento feito junto aos cartórios do Brasil, mostra que 1/5 da população brasileira nasceu no mês de novembro, exatos nove meses após a festa pagã. Sem o carnaval, é provável que o Brasil sofresse hoje com a falta de mão de obra oriunda do déficit populacional. A indústria de produtos para recém-nascidos também sofreria um impacto danado, provocando demissões e recessão na economia. A abolição do carnaval foi uma das primeiras medidas que os chineses tomaram para se prevenir a explosão populacional.

Páscoa: Claro que a Páscoa é um sinônimo de chocolate e não queiram convencer ninguém que vocês se lembram do sofrimento de Cristo na cruz quando abrem aquele Sonho de Valsa tamanho 24. Sem a Páscoa, a indústria do chocolate teria que investir maciçamente em publicidade, para tentar recuperar os ganhos dessa época ao longo do ano, o que poderia levar a um consumo desenfreado da iguaria. Por um lado, isso poderia ser bom para os médicos cardiologistas, a indústria farmacêutica e a indústria de papel higiênico. Mas seria péssimo para a indústria responsável por montar aqueles arcos nos quais os ovos são pendurados. Do que viveriam os montadores desses arcos sem a Páscoa?

Independência: A independência tem o papel fundamental de lembrar ao povo brasileiro de que nós temos um Exército e que eles sabem desfilar. Os vendedores de bandeira do Brasil podem vender seus estoques de bandeiras empoeiradas desde a última Copa do Mundo. Para o próprio Exército.

Dia da Mulher: Não é um feriado, mas até que poderia ser. Neste dia, todos nós fingimos que nos importamos com as mulheres e com suas causas, presenteando-as com rosas vermelhas, devidamente embaladas em filmes plásticos. A data proporciona um aquecimento no mercado da floricultura e gera dezenas de empregos no campo. O Dia dos Namorados também faz isso.

Réveillon: Convenhamos que ninguém utiliza roupas brancas no dia-a-dia, exceção feita a médicos, babalorixás e jogadores do Santos. Exceção feita também a uma massa composta de atores globais, famosos em geral e até mesmo cidadãos comuns, durante a festa do ano novo. Muito melhores que as roupas coloridas, que utilizam grandes quantidades de corantes industrializados, nocivos a natureza. O Réveillon aumenta a produção de roupas brancas – em detrimento as roupas coloridas. Sem dúvida, isso ajuda a preservar o meio ambiente e a humanidade. Ok, o feriado mesmo é no dia 1º de janeiro. Mas este é apenas o Dia Mundial da Ressaca.

Podemos concluir que, sem feriados, todos nós viveríamos em um planeta pré-apocalíptico. Não pelos danos a natureza ou a recessão econômica provocada pela sua escassez. Mas sim, pelo caos que o excesso de trabalho provocaria à saúde das pessoas. Todos viveriam amargurados, igual os jornalistas.

Este blog aliás, faz um último questionamento. Podemos perceber que o mês de Abril, tal qual o mês de novembro possuí uma grande quantidade de feriados. No entanto, Julho e Agosto se mostram completamente desabastecidos destas datas. É mais do que necessários que datas sejam criadas, para que uma melhor proporcionalidade seja garantida a população.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Cinco tipos de comentários chatos

A internet é um meio dominado por justiceiros anônimos que passam os seus dias a encontrar irregularidades nos mais diversos lugares. Geralmente, são cidadãos de baixo nível interpretativo e que buscam apenas promover humilhações aleatórias através de justiçamentos rápidos. Quando você tem um blog, você acaba sendo uma vítima frequente destes comentários. Abaixo, temos os cinco piores.

1) Isso não é verdade.
Você está equivocado
Você comenta que a fórmula secreta do caldo de um famoso restaurante da cidade é o uso adicional de bitucas de cigarro e cutículas. Será que alguém em sã consciência acreditaria nisso? Você pensa que não, mas sempre surge alguém para falar que isso não é verdade. O cidadão se sente um paladino da moral, informando aos pobres desavisados que estão lendo o texto que não, bitucas de cigarro não são um ingrediente da sopa. Se bobear, o sentinela ainda irá escrever um texto para avisar sobre a mentira e publicá-lo na internet. Se juntam a esse grupo, o de pessoas que fazem comentários óbvios como: “Esse texto é irônico”.

2) Você está generalizando.
O texto diz que os críticos de cinema julgam os filmes por critérios mesquinhos, que privilegiam filmes difíceis, antigos e periféricos. Então, o justiceiro da internet vem até você e diz que você está generalizando, que não são todos os críticos de cinema que fazem isso. Porra meu, é claro que eu estou generalizando. Você queria que eu escrevesse o que? Que alguns críticos de cinema julgam os filmes por critérios mesquinhos, que outros são justos e inteligentes e outros ainda podem, eventualmente, se alimentar com merda de cavalo? Oras, se você quiser informação séria sobre um assunto, é melhor ir numa biblioteca.

3) Não sei aonde esse texto quer chegar.
Um clássico. Para falar que não gostou do texto, a pessoa diz que não sabe aonde você quer chegar com ele. Oras, se eu quisesse chegar em algum lugar com ele, eu pedia um táxi até o Centro com ele debaixo do braço. São as pessoas que acham que para tudo na vida é preciso ter um objetivo. É provável que esses cidadãos tivessem um projeto de dominação mundial, começando por uma busca sobre frases para MSN no google.

4) Interpretações sobre o seu passado.
Você escreve que os médicos fazem aula sobre como deixar os pacientes esperando uma consulta. Pronto. Isso é sinal de que você deve ter apanhado para um médico na sua infância, perdido sua mulher para um médico, ou, na opinião de Freud, que você queria manter relações sexuais com a sua mãe. Em muitos casos, tudo é resumido a sua inveja. Sua inveja dos cinegrafistas ou do grupo É o Tchan. Fora aqueles que ainda interpretam que, se você faz um texto sobre É o Tchan, você está querendo dizer que todo o brasileiro gosta de pagode e que, de novo, isso não é verdade.

5) Aqueles que querem te pautar
Você faz um texto sobre a lambada, alertando a população de que a lambada está voltando e que todos devem tomar cuidado. Aparece alguém que pergunta por que você não escreve algo de útil sobre o combate a pedofilia? Ou porque não faço um texto sobre a preservação do planeta. Devo fazer um texto do tipo. “A pedofilia é errado, devemos utilizar a água de maneira correta e sermos amigos de todos”? Porque vocês não ligam na redação do Jornal Nacional, pedem para falar com o William Bonner e não dão essa sugestão para ele? Heim?

Felizmente, devido à política de textos de baixo nível, o CH3 tem conseguido, ao longo dos últimos meses, extirpar esse mal da sociedade, que são os comentários em blog.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Guia CH3: Como sobreviver a uma viagem de avião

Viagens de avião estão se tornando uma constante na vida do homem moderno. A qualquer momento, pode surgir a oportunidade de passar o final de semana entre as escalas e conexões da ponte aérea Macapá-Porto Alegre. Na verdade, viajar de avião é uma guerra. Mas é preciso encarar a situação com naturalidade.

E como sobreviver aos Mullets?
Para começar, você precisa estar vestido de acordo. Eu disse vestido, ok? Nada de ir pelado. Não faça como aquele capiau que vai viajar de avião com a roupa da missa. Mantenha-se a paisana. Cheque o horário do seu voo e chegue com antecedência. Se você mora em São Paulo, é bom sair de casa uns três dias antes.

Assim que você chegar ao aeroporto, deverá se dirigir até o guichê da companhia aérea para realizar o check-in. Tenha seu documento de identificação em mãos – carteira do clube não vale – e a bagagem que será despachada. Não leve animais – vivos ou mortos, vegetais, anões – vivos ou mortos, ou copos de cristal. A tática de tentar entrar junto com a bagagem é ousada, mas pode trazer complicações.

É a hora então de tentar sobreviver aos minutos antes do embarque. Você pode tomar um café caro, observar pousos e decolagens ou comprar um jornal. Evite dormir, ler a bíblia no banheiro ou ir a uma churrascaria. Você corre o risco de ficar no aeroporto enquanto a sua bagagem viaja para Paramaribo.

Vários Erros
Antes do embarque você ainda passará pelo detector de metais. Mantenha a tranquilidade. Os inimigos buscarão qualquer sinal de insegurança para te levar a uma sala reservada, onde você será submetido a uma revista anal. Principalmente nos EUA. Para evitar maiores constrangimentos, evite utilizar acessórios de metal, como cintos, correntes, escafandros, armaduras medievais ou roupas de submissão sexual. Não transporte canivetes, cortadores de unha, espadas samurais ou submetralhadoras em sua bagagem de mão. Não adianta colocar uma navalha dentro do jornal.

Não fure a fila do embarque. Por mais que os lugares dentro do avião sejam marcados, as pessoas sentem uma necessidade louca de entrar logo na aeronave, como se ela fosse fugir. Sente na cadeira que é destinada a você. Não tente convencer o outro passageiro e a comissária de que sua poltrona é mesmo a 6B e não a 23A, conforme o bilhete. Nada mais chato do que isso.

Não assedie as aeromoças. Não caia no conto do Belchior, achando que a desculpa do medo de avião vai pegar. Não se masturbe, não simule sexo com objetos inanimados e não tente sufocar ninguém com o saco de vômito. Falando em medo, evite gritinhos afeminados durante a decolagem e o pouso. Durante um período de turbulência, levante-se e diga “fiquem calmos, eu vou resolver isso”. Vá até o banheiro e só saia de lá no momento em que a turbulência tiver passado. Isso sim é ser foda.

Na hora do lanche, peça mais um pacote de biscoitinhos, por precaução. Nunca se sabe quando o avião irá fazer um pouso forçado nos Andes. Melhor comer amendoins do que a carne dos seus colegas. Não tente ver se o assento realmente flutua. Não dá pra fazer esse teste na pia.

Quando o avião chegar ao seu destino final, espere que as portas se abram. Não, o piloto não vai descer correndo e deixar você trancado lá dentro. Não precisa ficar em pé olhando para a porta. O horário em que você saí do avião pouco importa, o importante é o momento em que sua bagagem chegará na esteira. É melhor esperar sentado.

Dicas para a comissária: Se você for uma comissária de bordo, não tente entreter os passageiros com atividades do tipo:
- Gincanas para adivinhar a cidade sobrevoada pela aeronave. Quem errar paga uma prenda.
- Correntes de oração para que o piloto consiga conduzir os passageiros ao destino final. Se não der certo, todos pagarão uma prenda.
- Brincadeiras do tipo: escolha o lanche A, B ou C. Quem escolher o A ganha um sanduíche, o B uma pedra e o C, um gorila peludo cantando Mara Maravilha.
- Não tente conduzir um programa de Talk Show expondo as intimidades dos passageiros.
Principalmente se o voo for noturno.

Dicas para o piloto: Nunca em hipótese nenhuma resolva demonstrar suas habilidades no manche. Um looping com um Airbus A380 pode te fazer conquistar muitas garotas, mas irá derrubar o café no colo dos passageiros.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

As Onomatopeias contra-atacam

Sonhos surreais são comuns. Aquele sonho em que você está na sua casa conversando com seu primo Walter sobre canetas BIC, mas então você sai andando pela rua e ao invés do seu primo Walter, agora é o Ney Franco que está ao seu lado e vocês chegam até uma loja de conveniência em um posto de gasolina na Estrada do Moinho, onde você é selecionado para ser o jurado de um concurso em que pessoas imitam vacas imitando outros animais. Sua vizinha imita uma vaca imitando uma ovelha e você dá o prêmio para ela: um lençol branco.

Ou então, você está em uma balada bebendo todas. E eis que na sua frente não surge a menina mais linda, mas sim o Neymar. O Neymar? Exatamente. E ele resolve conversar com você. E ele te ordena: faça o tchu tcha tcha. Você questiona o Neymar dizendo “Neymar, que porra é essa?” e ele te diz: “vou te ensinar”. Antes que você acorde assustado com o pesadelo, você descobre que essa é a música do momento.

No fundo, todo o idioma russo
se parece com uma onomatopeia
As onomatopeias sempre fizeram parte da música brasileira, quiçá mundial. No caso da música baiana, a onomatopeia é praticamente uma entidade, comparável apenas a Caetano Veloso ou, talvez, Bell Marques. A onomatopeia é parte essencial da Axé Music, intrínseca a sua existência, como podemos averiguar em “Aê aê âe aê, ê ê ê ê, ôôôôô” ou em “Arerê, o Love, Love, Love com você” ou mesmo em “Segura o Tchan”.

A função das onomatopeias na música costuma a ser meramente embromativa. Elas ocupam um espaço vago em que o cantor não tinha a menor idéia do que escrever. Ou então, elas servem de metáfora sexual, como era o caso do Créu, ou do próprio Tchan. Ou até no sucesso da semana passada, do Gusttavo Lima e você.

Sim, ao invés de dizer “gata, me liga, vai rolar sexo selvagem até altas horas da madrugada. Irei me lambuzar e saciar meus desejos mais sórdidos no seu corpo nu, até você não ter forças para respirar”, ele prefere cantar “vai rolar o Tche Tche Rere Tche Tche”. O que eu acho disso? Que alguém que se chama Gusttavo merece ser enforcado na cadeira elétrica.

Agora, a metáfora do Tchu Tcha Tcha é a mais enigmática da história. Todo o enredo da canção gira em torno dela. Ao que parece é uma dança, tal qual o Siriri ou o Cururu. É algo que pode ser ensinado pelo Neymar, é algo que as pessoas pedem. Mas o que é exatamente? Porque alguém diz querer Tchu e logo depois querer Tcha? Porque senhor? Porque não acaba logo com esse sofrimento, exterminando a raça humana?

O que vai vir depois? A dança do Tchoim Poroim Poim? O Tuga Buga Ruga? O Tchi Thic Tchak? Enfim. Volta Michel Teló, sentimos falta da sua poesia.