quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Profetas

Não é fácil ser um profeta. Não, não, esse começo não está bom. Vamos tentar de novo.

Abro espaço para a Wikipédia. “Profecia é um relato, muitas vezes com conotação religiosa, no qual se prevê acontecimentos futuros”. O ser humano adora previsões. Basta ver que todo dia, em qualquer jornal, temos a previsão do tempo. Mas é uma previsão, não uma profecia. Baseada numa ciência, no vento, nas nuvens, imagens de satélite. Se fosse uma “Profecia do tempo”, escutaríamos um daqueles velhos que dizem “hoje estou com azia, vai chover”.

A profecia é geralmente baseada em algum sonho. E a questão é que qualquer pessoa pode fazer uma profecia, e pode acertar. Quantas vezes você não viu alguém dizer “vai sair o gol” numa bola que está no meio do campo. E o gol saiu. E essa pessoa acerta essa previsão diversas vezes.

Qualquer louquinho de bairro pode ser um profeta. Daqueles, que com os olhos bem abertos e os punhos em riste diz com voz tremula “Essa noite vai fazer 10 graus. Vocês não acreditam nas minhas previsões, mas fará. E será o começo do fim”. Ai está outra característica das profecias, elas nunca são positivas.

Sim, você jamais verá alguém fazer uma profecia do tipo “No dia 16 de março, uma luz virá do céu e será o salvador. A partir de então, a humanidade passará a conviver pacificamente e as coisas vão melhorar”. Não, não. Uma profecia tradicional contém informações do tipo “Às Dezessete horas do dia Vinte e Seis de outubro do ano de Dois Mil e Quatorze descerá dos céus o anticristo. Se seguirá um período de duzentos anos de peste, praga e devastação”. Note que os profetas odeiam usar o sistema numeral.

O mais estranho é que esses papos de profeta sempre ganham espaço na mídia. Sempre vai ter algum problema discutindo as verdades e mentiras por trás da profecia. Depende do profeta da moda.

Durante uma época, foi Nostradamus. O mundo acabaria em agosto de 1999. Mas, estranho, ele acabaria só do hemisfério norte para cima. Como o mundo acabaria só em um hemisfério? O planeta ficaria igual a Câmara dos Deputados? Não sei. Mas Nostradamus disse isso. E ele previu todas as guerras mundiais, o nascimento de Hitler. Como? Sempre nesse papo de luz, peste, praga, o ano de Mil Novecentos e Noventa e Nove. E sim, como você deve ter percebido o mundo não acabou em nenhum hemisfério.

Agora, são os Maias. O mundo vai acabar em 2012. Eles fizeram sete profecias, nas quais falam principalmente do aquecimento global. Seria Al Gore um Maia? Não sei, mas, me diga. Se eles são tão bons, porque eles acabaram? E bem antes de 2012? Respondam, vagabundos!

Todo começo de ano tínhamos a Mãe Dinah fazendo previsões para o ano, e errando a maioria esmagadora. E enquanto isso, temos Pai Jorginho de Ogum aí, dando sopa.

Ele já acertou previsões de que Zagallo não iria morrer, de que um time brasileiro ganharia a Copa do Brasil, e que o Brasil seria campeão do mundo, caso o título não ficasse com Itália, Alemanha ou Espanha. E ninguém da bola para ele. Pedi para ele uma profecia maldita para encerrar o post. E ele a fez.

“As Vinte e Duas horas e Dez minutos do dia Três de outubro de Dois Mil e Dez, àqueles que carregam as chaves da democracia, abrirão a Caixa de Pandora. De dentro dela, sairão todos os sentimentos que governarão o povo que habita a grande porção de terra em forma de coração, situada debaixo da Linha do Equador, onde não existe pecado”.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Como resolver o problema da seca e da fumaça em Cuiabá

Não dá mais. A situação está insustentável. A tríade demoníaca formada pelo calor/seca/fumaça está tirando a felicidade dos cuiabanos. O que mais vejo por aí, são pessoas cabisbaixas. Ok, talvez elas não estejam tristes, mas é que de qualquer forma, não adianta olhar pra frente, porque você vê apenas fumaça.

Nós já mostramos como é possível acabar com o calor da cidade. Agora, seguimos nossa saga. Como verdadeiros justiceiros, paladinos, mártires. Mostraremos como acabar com a seca e a fumaça, dois problemas de uma só vez. Dois pássaros voando, numa só cajadada.

1) Condenar os responsáveis pelas queimadas a morte na fogueira: Sim, uma tradicional e bela morte na fogueira. Entre todas as penas de morte, provavelmente é aquela que proporciona o melhor espetáculo para a família. Essa solução, entre outras coisas, acaba com o problema da falta de lazer.

Um dilema pode ser criado. A fumaça produzida pela carbonização dos corpos ajudaria a poluir ainda mais o meio ambiente? Em um primeiro momento sim, mas levando em conta que o cidadão punido jamais voltará a cometer tal ato, em longo prazo o resultado é positivo. Pode se estudar também, que o sangue dos acusados seja derramado no chão, para diminuir o problema da seca.

2) Criar um imã de água: Roubaríamos a água dos outros estados, quiçá dos outros países. Um imã gigante no céu de Cuiabá, atraindo a água. É claro, há um problema de que imãs não atraem água. Em todo caso, basta criar uma forma de se magnetizar a água. Vocês que são cientistas que se virem.

3) Apelar para a fé: Diz a lenda nordestina, que cada vez que um santo é roubado, chove. Estou indo hoje mesmo a tarde na casa de Pai Jorginho de Ogum para roubar uma estátua de São Jorge.

A Dança da Chuva é outra solução forte e tradicional. Consistem em passos ritmados e sincronizados que alegrariam o deus da chuva. No caso de Cuiabá, essa dança acordaria o filho da puta que se esqueceu que aqui tem que chover também. Fazer chover sobre o Oceano é fácil e inútil, ô vagabundo.

4) Mudar o nome da cidade: Sim, se o nome da cidade fosse mudado para algo como “São Roque da Galiléia” ou “Baconzinho”, sem dúvida não teríamos mais o problema do calor em Cuiabá, porque Cuiabá não mais existiria.

Esse post não tem a intenção de fazer com que as pessoas tentem roubar santos em igrejas.

domingo, 26 de setembro de 2010

Corto cabelo e pinto

Voltemos ao mundo infantil, ao colégio, até a sua turma de terceira série. Veja seus colegas em volta, veja o terrível Ivan fazendo alguma merda. Vai sobrar pra você. Pois bem, na sua infância no colégio, existiram vários momentos terríveis. A possibilidade de falar com alguma menina, a prova oral de português na qual você teria que conjugar o verbo haver no pretérito-mais-que-perfeito, na frente de todo mundo. Aparecer com um tênis novo.

E aparecer com o cabelo cortado. Difícil entender porque o cabelo exerce tanto fascínio no ser humano. Mas era assim, você cortava o cabelo no sábado, e segunda-feira tinha medo de ir na aula.Você chegava e a primeira coisa que acontecia era alguém apontar e dizer “Ahhhhhhhhhhhhhhh, cortou o cabelo, ahhhhhhhhhh”. Isso não significava que o corte tinha ficado uma merda, ou que tinha ficado sensacional. Significava apenas que um corte havia ocorrido. Os gritos de “ahhhh alguma coisa” não tinha um significado lógico, que não o da humilhação “ahhhhhhhhhh, borracha nova” ou “ahhhhhh, chupando pinto”.

A situação era ainda mais complicada quando alguém raspava a cabeça. Difícil saber se era algum surto infantil, piolho ou obrigação do pai militar, não sei o que levava uma criança a raspar a cabeça, mesmo que fosse na máquina 4. Fazer isso era como ser judeu e ir num campo de concentração. Ser um camelo e entrar nos reino dos céus. Um rico e passar no buraco da agulha. Sem chance. A humilhação seria suprema. Você receberia os mais diversos apelidos.

Quando crescemos, supostamente evoluímos e paramos com essas palhaçadas. Ou não. Um cara aparecendo careca sempre será motivo de piada, principalmente se ele aparecer numa aula de fotografia com uma camisa de prevenção a AIDS. Mas, mal reparamos em cortes de cabelo. As mulheres sabem disso.

Do outro lado temos os cabeleireiros. Entre outras coisas, está é uma das palavras mais horríveis da língua portuguesa. Me dá gastura falá-la e até escrevê-la. Cabeleireiros, cabeleireiros, tem Ei (eymael!) demais para pouca palavra.

Mas os profissionais da área (me recuso a escrever a palavra de novo) são pequenos artistas. Pelo menos se sentem assim. Tem opinião para todo e qualquer assunto do planeta, só os taxistas tem mais opiniões.

Existem aqueles que cortam o cabelo como se estivessem esculpindo a Vênus de Milo (estátua preferida do Cão Leproso). Olham de todos os ângulos, admiram, provavelmente gostariam de expor seu cabelo em alguma bienal. Existem os que tratam o ato como uma ciência exata. Pedem para que você posicione seu pescoço em determinado grau e colocam seu olho milimétrico para acertar as pontas. Existem também os generais, que travam verdadeiras batalhas em campos capilares, utilizam a tesoura como uma arma para derrota o adversário – no caso, seu cabelo. E existem os pombos, aqueles que cagam (o Word sugere um simpático defecam) na sua cabeça.

Há uma questão de fidelidade no corte. Existem homens (e também mulheres) que trocam de parceiro, trocam até de time de futebol, mas não trocam o cabeleireiahh, que palavra horrível. Eu mesmo, sempre ia ao Noel, simpático filho de ucranianos no CPA. Até que um dia ele desapareceu e foi para o interior do Paraná. Nunca mais voltou. Mentira, ele voltou sim, mas esse tempo na relação não foi bom. As coisas nunca mais foram às mesmas.

Desde então tenho uma relação poligâmica. Corto o cabelo cada vez com uma pessoa diferente e experimento as sensações de surpresa e decepção. A cada vez uma nova aventura.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Masoquismo Democrático

Responda rapidamente: você prefere morrer ou ser mesário? Isso mesmo. A morte na fogueira ou trabalhar como mesário nas próximas eleições? Sabemos que, mesmo com dificuldade, você provavelmente escolheria o trabalho de mesário, porque, afinal, não podemos ser tão drásticos assim. Mas você provavelmente não fez essa opção com um sorriso no rosto. É provável que você tenha relido as opções pra ver se não tinha um “viagem as Bahamas”. Trabalhar como mesário não é uma redenção. É apenas um “fazer o que?”. É claro, desde que você não seja masoquista.

Sim. Se você for destes que gosta de algemas, cera quente e roupas de couro, é provável que você goste da oportunidade de ser um mesário. Claro, não haverá chicotes e velas derretidas, mas você passará o dia todo sentado, apertando botões, destacando comprovantes e escutando um barulho irritante a cada minuto. Mesmo se você sentisse algum prazer em ficar sentado, destacando papéis, seria impossível gostar daquele barulho da urna eletrônica.

Temos vários relatos de pessoas que trabalharam como mesários em zonas superlotadas e tem pesadelos até hoje com o barulhinho de voto confirmado. Tiveram que fazer terapia durante anos.

Para piorar, você será o primeiro chegar e o último a sair. E não vai ganhar nada. Ou melhor, ganha um pão com queijo e uma sensacional folga de dois dias no seu trabalho. Era mais fácil, e mais prazeroso ter pego uma virose qualquer.

Receber uma carta dizendo que você trabalhará como mesário, é quase como receber uma sentença postal de morte. Um ser humano normal, arrumaria qualquer justificativa¹ possível para não ser mesário. Mas, pasmem. Existem pessoas que se declaram voluntárias para exercer tal função.

Essas pessoas não devem realizar exames para atestar a sua sanidade mental, porque é claro que o resultado seria negativo. Não existem motivos para que alguém queira fazer isso. Acompanhar o processo democrático? Que seja. Um processo incompleto que não tem a dignidade que o CH3 tem em avisar que é sujo e tem mentiras.

Talvez seja um vício. Existem reuniões de Mesários Anônimos em que eles contam suas experiências. “Comecei como mesário na eleição de líder de turma. Depois de presidente de bairro. Até chegar as eleições nacionais. Hoje eu perdi minha família, amigos. Trabalho como mesário até em eleições de rainha do rodeio”. Talvez seja um distúrbio genético. Uma falha no gene H9AJ0.

Mas o CH3 aposta no masoquismo. Ser mesário é uma das poucas oportunidades que esses excluídos da sociedade tem de curtir seu prazer em público. A outra oportunidade é ir pagar contas no DETRAM todo dia.

¹No mundo das eleições, não existem desculpas. Apenas justificativas.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Grandes Letras Clássicas da Música Brasileira

O CH3 abre este espaço para fazer uma análise, uma reflexão sobre algumas das principais letras da música popular brasileira, nos último 20 anos.

Vem Nha Nha, do Boquinha da Garrafa
Vem nha nha devagarinho
Vem nha nha, vem de mansinho
Vem nha nha, bem gostosinho
E vem comigo, vem nha nha


Um exemplo do aproveitamento da cultura Pop na música. Nha nha, era expressão utilizada pela mulher do prefeito na novela “A Indomada”. Novela que marcou época, principalmente por conta do lendário personagem “O Cadeirudo”. Nha nha, no caso é uma metáfora sutil para o sexo.

O pinto, do Raça Pura
O pinto do meu pai. Fugiu com a galinha da vizinha. Já procurei dia noite, já procurei noite e dia. Esse pinto não é mole. Esse pinto é safado. Não consegue dormir, sem ter uma galinha ao lado. E pra dormir, tem que coçar a cabecinha.

Grupo empresariado pelo jogador Vampeta, fez enorme sucesso com essa obra prima. Percebam toda a sutileza envolvida no uso do pinto e da galinha. Pode ser uma fábula infantil sobre um pinto que deixou o seu lar para tentar a sorte com outra galinha. Mas, é mais provável que seja uma metáfora para o sexo. O pinto, no caso, seria o pênis do pai do interprete. Assim sendo, o fato de o pênis não ser mole, sugere a conotação sexual da canção.

Pimpolho, do Art Popular
Pimpolho é um cara bem legal. Pena que não pode ver mulher. Na dança ele já pede pra baixar. Já pede pra baixar. Ela quer parar e ele não quer. Ela tá dançando e o pimpolho tá de olho. Cuidado com a cabeça do pimpolho.

Possivelmente, é outra metáfora para o sexo. O Pimpolho, seria o pênis, novamente.

Depois do prazer, do Só pra Contrariar
To fazendo amor com outra pessoa. Mas meu coração, vai ser sempre seu. O que o corpo faz, a alma perdoa. Tanta solidão, quase me enlouqueceu.

Um sincero pedido de desculpa? Ou uma tremenda cara de pau. De norte a sul, de leste a oeste, mulheres do Brasil se dividiram entre essas opiniões. O cantor Alexandre Pires assume a sua relação extraconjugal, mas informa a sua conjugue chifruda, que seu coração continuaria sendo dela. Ele propõe uma separação entre “corpo” e “alma”. Uma discussão de cunho metafísico.

Fio de cabelo, de Chitãozinho e Xororó
E hoje. O que encontrei me deixou mais triste. Um pedacinho dela que existe. Um fio de cabelo no meu paletó! Lembrei de tudo entre nós, do amor vivido. Aquele fio de cabelo cumprido já esteve grudado em nosso suor!

Um misto de saudade e nojo e invade a alma (aproveitando o gancho deixado por Pires, Alexandre in Depois do Prazer) do ouvinte nessa canção. Pode ser percebido todo o amor do interlocutor, que se emociona com a menor lembrança de sua amada. No entanto, a lembrança de que o fio de cabelo já esteve grudado em vossos suores, cria um asco. Não há o que negar. Sendo a música cantada por uma dupla (no caso, Chitãozinho e Xororó) e estando o fio de cabelo preso no suor deles e da amada, não se pode descartar a hipótese de um ménage a trois incestual.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Quero vê-la chorar

Proponho um desafio a você, leitor do CH3. Tente fazer a pessoa mais próxima de você chorar. Pode ser seu colega de trabalho sentado aí do lado, seu pai na sala. Seu vizinho. Se você estiver sozinho em um maldito iglu no Pólo Norte, vá até a base militar mais próxima e tente fazer alguém chorar, não tem desculpa. Vá, faça isso e depois volte aqui para contar o que aconteceu. Enquanto isso, eu vou tomar um copo de Coca.

Provavelmente foi difícil. Você pode até ter tentado o susto de uns posts atrás. O susto besta ou o susto assassino. Fez a pessoa chorar de medo, ou chorar de dor. Você pode ter feito a pessoa ter assistido a um filme emotivo com cachorros. Ter tocado a discografia do Joy Division. Existem inúmeras maneiras de fazer uma pessoa chorar, mas nenhuma dela é exatamente fácil. Pode demorar dias e você pode fracassar na missão.

Mas, é claro que pode ser mais fácil em alguns casos. Se o seu colega de trabalho, vizinho ou vigia da base militar, for um ator/atriz da Globo. Sim, em todo nosso planeta Terra com seus 12mil km de circunferência e seus quase 7 bilhões de habitantes, não há ninguém que chore mais fácil do que ator da Globo.

Esses dias eu estava assistindo o Videoshow (Ok, aceito ser martirizado por isso, e sei que não há desculpa válida para o caso. Mas a culpa é do horário eleitoral que mudou a programação da TV na hora do almoço). Era o aniversário da digníssima atriz Carolina Dieckmann. E o seu amigo, o super-divertido Bruno de Luca, resolveu fazer uma conecção supeeer iraaada meixmo. Não sei quem eram, mas era um grupo que se vestia de Xuxa e tocava músicas da macia apresentadora.

Então, lá veio Carolina, e ao dobrar em uma esquina deu de cara com o grupo cantando “Hoje vai ter uma festa, bolo guaraná, muito doce pra você”. E ela começou a chorar. Chorar de desgosto, pensou você? Não. Chorou de emoção. Se fosse comigo, eu iria rir, me sentir humilhado com a cena, mas ela se emocionou tanto a ponto de chorar.

Existem mais maneiras de fazer uma atriz da globo chorar, do que existem bactérias no sistema solar. Não é a toa que existem programas/quadros na televisão, feitos apenas para fazer esses atores chorarem.

O mais clássico é o Arquivo Confidencial, das épocas em que o Faustão não usava camisas bizarras. Um ator da moda era chamado para o quadro que consistia basicamente em:
- Filmar o ator.
- Dividir a tela, pra mostrar o depoimento de um parente/amigo. No caso o Pedro Augusto, amigo de infância. Dois dias antes eles tomaram uma cerveja juntos.
- Close nos olhos marejados do ator que diz “caraca, muito tempo que não vejo ele”.
- O ator agradece e também fala sobre esse amigo. Uma pessoa muito especial, que nossa, não tem nem o que dizer.
- Faustão diz “Ai está, Carlos Mendes no arquivo confidencial aqui no Domingão!” faz um merchan e uma piada sobre o Caçulinha.

Chegará a hora em que virá o depoimento de Lima Duarte, que o fará soluçar. E quando, finalmente os seus pais falarem de como ele sempre foi um filho querido, ele não conseguirá falar. O close em seus rosto inundado em lágrimas aumentará o Ibope do programa e fará os editores comemorarem e vibrarem. A platéia aplaudirá e Faustão dirá que ainda há mais emoção por vir. Provavelmente um depoimento de Max Gehringer.

Agora com licença, que eu vou fazer uma atriz da Globo chorar ouvindo Sidney Magal. Ou talvez com um depoimento de fantoches.

sábado, 18 de setembro de 2010

Guia CH3: Como educar os seus filhos

“Estamos criando um monstro” sentenciou Renê Simões, sobre o caso Neymar. Um homem de 18 anos que estava sem limites. Xingando a tudo e a todos, se achando o dono do mundo. A frase dita pelo bigodudo técnico já deve ter sido proferida por diversos pais ao redor do mundo. Victor Frankenstein também deve ter chegado a essa conclusão em determinado momento.

O fato é que com o advento das modernas técnicas da pedagogia, e com as modernidades em geral, está cada vez mais complicado criar um filho. Andamos pelas ruas e o que mais vemos são crianças mal educadas, que fazem de tudo com seus pais. Na verdade, o grande mistério está em “como educar os pais” para que eles possam, assim, educar seus filhos.

Existem várias teorias educacionais em nosso planeta. No caso, o nosso planeta é o planeta Terra, mas se você for xintoísta, talvez o conheça como “rakul!”. Foram desenvolvidas ao longo dos anos, com base em estudos, observações e partidas de bilhar, mas, estas foram apenas para relaxar.

Supernanny: Os pais têm que dar o exemplo. E todos os problemas são resolvidos enviando a criança para um cantinho do castigo, onde ela poderá refletir sobre o seu comportamento errôneo.

Cesar Millan: O encantador de cães. Crianças são pequenos animais. Se ela está com um comportamento ruim, leve a para passear. Coloque uma mochila nas costas. Se a situação estiver mais grave, você leva a criança para um reformatório cheio de crianças que irão cheirar a bunda da que se comporta mal.

Padre Quevedo: Crianças no eczistem.

A teoria sobre a qual, as crianças devem receber corretivos, punições físicas severas, foi banida do mundo moderno. Inclusive pode dar cadeia. Portanto, se quiser bater em alguém, se matricule em uma aula de boxe.

Vamos ver as sugestões desses educadores para algumas das más-criações mais recorrentes do mundo infantil.

A criança não fez o dever de casaSN: Os pais têm que dar o exemplo. Sentar com os filhos e estimulá-los a fazer o dever de casa. Mostrar que isso é importante para a criança.
CM: Leve a criança para passear.
PQ: Seis pais-nossos e dez ave-marias.

A criança não quer comer a saladaSN: Fale com a criança, porque a salada é importante.
CM: Coloque uma mochila em suas costas, para que ela se sinta útil e coma a salada.
PQ: Seis pais-nossos e dez ave-marias.

A criança tem o hábito de se jogar no chão e gritar quando os pais dão uma broncaSN: Mostre para a criança que aquilo é errado. Leve ela para o cantinho da reflexão e a deixe ali até que ela se mostre arrependida.
CM: Deite a de barriga para baixo e a imobilize, até que ela se acalme.
PQ: Seis pais-nossos e dez ave-marias.

A criança costuma a xingar em público os pais com palavras como “filho da puta”, “vai tomar no cu” e “seu viado”.
SN: Grave. Mostre para a criança que isso é errado.
CM: Leve ela para um centro reformatório onde dezenas de crianças irão cheirar a sua bunda.
PQ: Dê uma surra nela... ops, seis pais-nossos e dez ave-marias.

O Garoto Fabinho, hoje foragido, diz que foi educado com o método Cesar Millan durante anos. Hoje os pais não devem se lembrar que já tiveram um filho.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Dar Um Susto



“Dar um susto” é um termo que está na moda. Ficou bem exposto no lendário Caso Bruno, em que o menor de idade disse que foi contactado pelo goleiro para dar um susto em Eliza Samudio. Como resultado, ela foi espancada, esquartejada e teve seus restos mortais jogados aos cachorros.

Houve também o caso do Morro da Providência, em que jovens da favela, por um suposto desacato a autoridade, foram dados a uma facção rival para que “tomassem um susto”. E então, eles foram espancados até a morte, seus cadáveres metralhados e os corpos jogados numa caçamba de lixo.

Dar um susto sempre foi uma brincadeira meio chata e com motivações idiotas. Sempre abalava amizades e podia causar brigas. Ninguém morria, com exceção dos eventuais casos em que o assustado sofria de algum problema cardíaco. Mas a concepção de dar um susto mudou nesse mundo moderno. O susto moleque e imaturo ficou de lado. Estamos na era do susto profissional (pessoas recebem para isso) e doloso, ou seja, com a intenção de matar.

No meu tempo, se eu fosse contratado para dar um susto em Eliza Samudio, eu provavelmente me esconderia no fim de um corredor, tentaria arrumar uma máscara do Pânico e na hora em que ela passasse, eu pularia em sua frente e daria um grito. Talvez fosse até o estúpido grito de “Buu!”. Talvez eu pensasse em acordá-la com um grito. Fazer barulhos estranhos em sua janela de noite, quem sabe. Se eu fosse mais cruel, poderia fingir que era um assassino, apontar uma arma em sua cabeça e na hora de apertar o gatilho eu diria “Há! Pegadinha do Mallandro!”. O próprio Sérgio Mallandro já fez isso algumas vezes. Se eu fosse japonês, pensaria nisso.

Mas não. O mundo hoje é diferente. Aquela brincadeira boba de “Ih, Alá, a Carol tá chegando, vamos dar um susto nela!”, não dá mais. Nada de se esconder atrás da porta e gritar na hora que ela entrar na sala. Hoje, na hora em que ela entrasse na sala, os amigos começariam a chutá-la violentamente, espancar-lhe-iam até a morte e depois pensariam em um fim bem sórdido para o seu corpo. Jogar tudo num Juicer Walita para fazer suco e depois dar descarga no líquido. Jogar o corpo sobre o telhado do vizinho. Um bom susto moderno tem que ter um bom fim.

Vamos fazer uma campanha para que o susto volte a ser apenas uma brincadeira sem graça. Qual vai ser o próximo passo da bandidagem? Transformar o trote em roleta russa?

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Conselheiros

“Se conselho fosse bom, ninguém dava de graça”Anônimo frasista

O filme era aquele dos 300 de Esparta. Um filme de teor duvidoso com a duvidosa participação de Rodrigo Santoro no papel de um travesti gigante. Entre muitas mutilações, fraturas expostas, traições e homens se matando havia uma cena curiosa.

Antes de decidir que iria participar de uma guerra suicida contra outro exército, o rei Leônidas pedia a opinião dos conselheiros de Esparta. Um bando de velhos que ficavam tomando chá alucinógeno e sacaneando os mais novos. O que foi que eles disseram, eu não me lembro. E nem sei se essa cena realmente aconteceu. Eu só estava precisando de uma abertura para o texto e considerei a hipótese de utilizar esse gancho, mesmo que forçado.

Porque eu estou aqui para falar sobre os conselhos. E quer um conselho? Tudo bem, eu não tinha nada pra falar mesmo.

Então, falemos da frase que esta lá em cima. Não, não estou falando de “Compartilhar – Denunciar abuso” e etc. É a frase que abre o texto, em itálico. Pois essa frase é uma mentira porque:
1) Nem tudo que é dado de graça é ruim.
2) Nem tudo que é ruim é dado de graça.
3) Nem tudo que é pago, é bom.
4 Nem tudo que é bom, é pago.

Os conselhos inclusos. Substitua o termo “nem tudo” das frases enumeradas por “nem todo o conselho”. E teremos nossos exemplos concluídos. E, além disso, existem pessoas que ganham a vida vendendo conselhos. O mercado de aconselhamento está crescendo no mundo inteiro. Especialistas de Wall Street considera que a bolha dos conselheiros será a próxima a explodir. Por isso, se quiser um conselho, peça ao seu vizinho, é esse meu conselho.

O conselheiro é alguém que, em tese, irá ajudar você a enxergar melhor os caminhos tortuosos da sua vida. Ira te ensinar a se desviar das pedras que hão de existir no meio do caminho. Das pedras que no meio do caminho hão de existir. Das pedras que do caminho, o meio, de existir hão.

É um mercado complicado e com diversas especialidades. Expliquemos algumas delas.

Conselheiro Espiritual: Sem dúvida é o mais legal de todos. Porque dá uma áurea de sobrenatural, de algo divino. Uma coisa do fundo da alma, aquele que tem a sabedoria universal. Conhecerá você por dentro, tal qual um tubo de endoscopia.

Conselheiro Vocacional: Você não sabe o que fazer da vida? O conselheiro vocacional fará um teste com você e te dirá que você deve ser um:
- Engenheiro.
- Pedreiro.
- Limpador de vaso sanitário.
- Fazer test-drive de vibradores tamanho GG.
Se ele não chegar a nenhuma conclusão, dirá que você tem que fazer Administração.

Conselheiro Sentimental: Ele te dirá se você tem, ou não, que pegar a pessoa que você imagina. Se ele for bom, saberá uns três sonetos de Vinícius. Cão Leproso é um ótimo conselheiro sentimental. Ele sempre diz: “vai lá e agarra ela”. Pode fazer as vezes de um Kama Sutra ambulante.

Conselho Regional de Medicina: Eles decidem se tal médico é um filho da puta que tem que ser banido da profissão e escorraçado do planeta.

Ombudsman: Não é bem um conselheiro, mas é como se fosse um para o mundo dos jornalistas. Ele diz publicamente todas as merdas que o jornal anda fazendo. Se você tivesse um ombudsman em sua vida ele te diria.
- Que camisa horrível!
- Você tá gordo!
- Pegue menos comida!
- Corta o cabelo que nem homem!

O CH3 está inaugurando um serviço de aconselhamento para vida, agora. Mande suas dúvidas para chtres@gmail.com e mude sua vida, para melhor.

domingo, 12 de setembro de 2010

Diferentes espécies de vegetais furiosos

Foi em 2005. Uma mulher andava pela calçada e então ela foi miseravelmente morta por uma jaca. Não, a jaca não a atingiu a golpes de facão, ou algo parecido. Ela apenas caiu do pé onde estava¹ diretamente na cabeça da pobre mulher que morreu na hora. Foi um tremendo azar e uma morte da qual ela não pode se jactar.

Não sei direito qual são as chances de ser atingida por uma jaca e que esse golpe resulte em morte. Talvez seja parecida com a chance de ser atingido por um raio. Mas acho que é bom avisar. Jacas matam. Sim, cuidado com elas. Elas são perigosas.

JACAS MATAM

Hoje em dia a notícia de que Jaca mata mulher, chamaria muito mais a atenção, porque centenas, talvez milhares, de pessoas, imaginariam que se tratava de um crime provocado pela mulher jaca. Vivemos nessa terrível época de frutação das mulheres. O caso da mulher Jaca é ainda mais bizarro, porque a Jaca é uma fruta que não é nem um pouco sexy. Aliás, talvez seja a fruta menos sexy do planeta. Por fora e por dentro. É provável que a pobre mulher jacada tenha ficado em situação ainda pior, porque jacas costumam a se arrebentar quando caem. Pra ficar claro, ela ficou com um visual gorfado.

Outros vegetais perigosos

Existem muitos outros vegetais que podem provocar riscos ao ser humano.

Vegetais que matam: São os bandidos do mundo clorofilado. Fora as tradicionais plantas carnívoras - plantas perigosas que atacam suas vítimas em busca de um pedaço de carne - temos as mangas, a melancias, os cocos, e em menor grau os melões. Mamões podem ser perigosos, mas com menos freqüência. Você pode ser morto facilmente por qualquer um deles. Chuck Norris acabaria com o crime organizado nas favelas do Rio de Janeiro, apenas a golpes de coco. A grande sorte da humanidade é o fato de que melancias não nascem em árvores. É provável que nós já tivéssemos sido extintos se o mundo fosse assim.

Vegetais de duplo sentido: Todos os vegetais cujas formas lembrem vagamente, ou claramente um pênis, vulga piroca. São os vegetais fálicos. Cenouras, pepinos, nabos, berinjelas, bananas e mandiocas. É famoso o caso recente de um homem em Alta Floresta que esculpiu um pênis em uma mandioca, a introduziu no ânus com fins sexuais e a mandioca acabou quebrando durante o ato. Ele teve que ser operado.

É um caso extremo. Desde o trabalho artístico. Ele poderia ter feito uma réplica da Pietá na mandioca, mas escolheu um pênis. Escolheu justamente uma rígida mandioca. Poderia apenas ter feito piadas com os amigos, mas preferiu enfiar ela no cu. E toda a rigidez da mandioca fez com que ela quebrasse. Além dos riscos a saúde, ele virou uma piada nacional. Mais uma vez, alertamos aqui para os perigos dos vegetais.

Vegetais frescos: Aipo, alcachofras, frutas do conde, nêsperas, cerejas silvestres. Vegetais frescos e que, caso você seja visto na companhia de um deles, será taxado de homossexual.

VEGETAIS MATAM.
Terminamos esse post com um vídeo do Monty Phyton, que ensinará vocês a escapar de um ataque de vegetais.



¹No caso, uma jaqueira.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Profissão: Modelo

Modelo, manequim, atriz, apresentadora e jornalista. Ex-BBB, casada com um empresário, já teve casos com um jogador de futebol. Posou na playboy e participou da Banheira do Gugu. Já foi dançarina do Faustão, entrevistada pela Luciana Gimenez, convidada para fazer filme pornô, mas recusou. Tem outros projetos no momento.

É muito fácil traçar a biografia de uma modelo. Todas têm histórias parecidas. Mais difícil seria traçar um perfil delas, uma vez que são todas muito magras. Mas aqui, eu não me refiro aos muitos cabides ambulantes que depois ampliam os seus tentáculos de atuação. Nem falo sobre a popular rede de supermercados de Mato Grosso.

Falo sobre os cidadãos modelos. Aqueles, que você nunca conheceu pessoalmente, mas vive ouvindo suas histórias em matérias de telejornal ou em informes publicitários. Minha teoria é que o governo os mantém para que eles sirvam de exemplo ao restante da população. Vamos a alguns dele.

Japonês CDF: Todo final de ano você escuta falar sobre ele. Ele está no informe publicitário de um cursinho, ou escola qualquer. O jovem Misaki Nakata que aos 8 passou no vestibular de medicina da USP. Aos 13 anos foi indicado ao prêmio Nobel da física. O colégio quer dar a entender que isso não ocorre porque ele é uma aberração, um ser que praticamente não vive. É tudo por conta do colégio em que estuda. A formula do seu sucesso? Estuda 10 horas por dia, faz todos os exercícios, faz aula particular e seu maior lazer é tomar banho, uma vez por semana.

Na verdade, é tudo uma farsa. É sempre o mesmo japonês da foto, eles mudam apenas o nome. Ano que vem será Danilo Yanazawa e depois Roberto Okubo. Consta que a popular foto é de Keiji Takahara, um agricultor japonês que foi enterrado como indigente em 1983.

Velhinho Maratonista: Não tem jeito. Com o passar dos anos você pode ficar mais ou menos doente. Jamais completamente saudável. Dor nas costas, artrose, pressão alta, colesterol. Você vai ter algum problema. Há não ser que você seja um velhinho maratonista.

Popular figura de reportagens do Esporte Espetacular, é o senhor de idade que corre 15km todo dia, levanta peso e tem uma saúde invejável. Personagem criado apenas para fazer com que você jovem se sinta um fracassado, diante do seu sedentarismo. Ele também tem a sua fórmula, que consiste em não comer carne vermelha, não beber, não comer gordura, açúcar, pão branco e tomar muita água. Ou seja, se for pra viver assim, não vale a pena viver mais de 80 anos.

Ex-Drogado: Aos 12 anos ele começou a fumar e beber. Aos poucos começou a usar maconha. Logo foi para cocaína, crack. Perdeu sua família e chegou ao fundo do poço. Até que entrou para alguma Igreja e saiu dessa. Hoje, ele reconstrói sua vida dando aulas de futebol para crianças de uma comunidade carente.

Menino de rua que virou milionário: Ele era um menino de rua. Praticava pequenos furtos, cheirava cola. Até que arrumou um trabalho e hoje atende pelo nome de Eike Batista. Sério, não existe nenhum milionário cuja história é “Ele nasceu rico, cresceu rico e hoje é mais rico ainda”?.

Provavelmente existem muitos outros casos, mas eu não to com saco de lembrar. Se esforcem aí. Quem contribuir vai ganhar uma camiseta do CH3 no dia em que, por milagre, eles ficarem prontas.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Ditadura 2.0

Há mais de um ano atrás, foi publicado aqui neste espaço¹, um texto sobre o Twitter. Então, uma ferramenta nova, que ninguém sabia para o que serviria. As pessoas estavam entrando no Twitter para não perder a nova onda. Presenciar um momento histórico e tudo mais. O texto falava sobre as bizarrices das pessoas que postavam suas vidas naquele lugar.

Terminávamos o texto dizendo que chegaria um dia, o apocalíptico dia em que você deixaria de ser alguém para ser /algumacoisa. Pois esse dia já chegou.

O Twitter tem muitas utilidades, de fato. Você pode acompanhar notícias sobre pessoas, diretamente a partir delas, sem depender das notícias mal escritas do G1, ou das manchetes sensacionalistas do Terra. Você fica por dentro de inúmeras besteiras da internet. Se você for um seqüestrador, ou praticar qualquer outro tipo de contravenção, sua vida será facilitada pelo site. Você saberá todos os passos do seu possível seqüestrado, na medida em que ele diz aonde vai, como vai e com o que vai.

Mas, hoje em dia, você não precisa entrar lá com seus nobres ideais, ou com seus interesses criminais. Você entrará apenas porque é necessário entrar. Entrar no Twitter virou uma exigência do mercado, uma exigência da sociedade. É a ditadura da internet.

Sempre foi assim. Existiu a época em que todo mundo tinha que ter um blog pessoal. Tivemos a onda do Orkut. A invasão do fotolog. Quantas pessoas não ficaram acordadas até a meia noite, mudaram seu IP para as Bahamas, apenas para conseguir cadastrar sua página? Tal e-mail é melhor, então todo mundo vai para ele. O MSN é coisa do passado, a moda agora é entrar no Skype pelado. Participar de uma rede social é como ter um tênis da moda. Existem pessoas que não saem de casa para acompanhar os Tweets das pessoas que ele segue.

Todo mundo está lá. Tirando o presidente Lula, porque ele não precisa. O Twitter ajuda a explicar porque José Serra não será eleito presidente.

E também, que Geraldo Alckmin é a pessoa mais efusiva da história.

Mas em breve, as coisas mudarão. Pessoas dirão que o Twitter perdeu a sua função inicial e se transformou em um antro de idiotas. Essas pessoas cometerão seu Twittercídio e irão dormir com seu orgulho intelectual².

Por falar nisso, nos siga no twitter @blogchtres. Logo vamos começar a sortear liquidificadores por lá.

¹É muito, muito legal falar em "este espaço".
²Em breve o CH3 falará sobre orgulho intelectual.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Analistas de sua vida

Uma caixa de supermercado. E aqui não me refiro aquelas caixas de papelão da Pinho Sol, que os empacotadores usam, por vezes, para empacotar¹ os produtos que você comprou. Falo sim das mulheres, geralmente são mulheres, que trabalham no caixa. Não, não dentro da caixa. O caixa financeiro. Sentada numa cadeira, em frente a um computador, passando os produtos, mexendo com o dinheiro.

Ela mesma (raramente é um homem). Pode parecer uma profissão normal, como tantas outras que vemos em nosso cotidiano. Mas, não é. Uma caixa de supermercado tem o poder de analisar a sua vida, se ela tiver capacidade para isso.


Eu por exemplo, já vi um casal comprando 4 embalagens de desodorante, de marcas diferentes. Eles gastaram uns 70 reais só em desodorante. O que eu pensei? Que a situação tava complicada. Que um dos lados deu um ultimato. Tava duro de agüentar o fedor e eles enquanto um casal maduro, estavam tentando resolver o problema juntos.

Também já vi um cara comprando 12 potes de Activia, Mamão e Aveia. Percebi que era um cara desesperado. Também já vi um cara comprando duas embalagens de carvão, carne e seis fardos de papel higiênico, ou seja: aquele churrasco prometia.

Ou seja, se apavore. Se as caixas de supermercado realmente pensarem assim, sua vida será analisada toda vez que você estaciona o carrinho por lá. Isso me lembra uma velha piada:
“A mulher passou suas compras no caixa. Refrigerante light, iogurte, suco de morango, pão integral e escova de dente. O homem que estava no caixa perguntou para a mulher:
- A senhora é feminista?
- Sim, eu sou! Como percebeu isso, foi através das minhas compras?
- Não, não. É que a senhora é muito feia mesmo”.

Essa possibilidade faz com que fazer compras seja um pequeno terror. Você pensará a partir de agora “o que será que ela está pensando das minhas compras”. Pensará meticulosamente a sua lista de compras, para que não deixe margens para interpretações maldosas. Sim, o CH3 quer que você sinta medo. Queremos ver o pavor sem vossos olhos.

Mas existem as situações excepcionais. Se por um acaso, você tiver que comprar uma camisinha de madrugada, sentirá um terror de fazer isso. O que a caixa pensará? “Hmm, camisinha, esse aí? Até parece. Deve ser pra fazer balão”. Você tentará disfarçar e comprará um pão e uma coca junto. Em vão, a mulher pensará “hmm, que cara de pau. Vai dar pão com coca pra menina, pra depois comer ela”. Mas, não importa o que aconteça, não compre um preservativo junto com vaselina. Muito menos bananas e outros vegetais de duplos sentidos.

Facas e curativos, uma corda e um banco, laranja e desinfetante. Existem várias combinações que podem ser potencialmente perigosas para as interpretações de uma Caixa.

De qualquer jeito, não seria mais constrangedor do que alugar filme pornô.

¹Perceba que coisa fantástica. Os empacotadores empacotam as suas compras!

sábado, 4 de setembro de 2010

Luta Armada


É sempre assim. Dia após dia nos irritamos com o mundo. São tantas coisas que parecem que foram criadas apenas para nos aborrecer. O telemarketing te importunando na hora do almoço, a burocracia dos serviços que você precisa. Sua internet fora do ar e os atendentes te enrolando. Para piorar, ainda vemos notícias sobre o caos, tragédias, política e Flamengo na TV.

Chega um momento em que nós, pessoas de bem, precisamos agir. Chega de ficarmos aqui, pávidos diante da criminalidade que nos tira a tranqüilidade. Chega de ficarmos resolutos diante dos desmandos daqueles que tem o poder! Precisamos protestar! Precisamos ir armados aos protestos! Precisamos partir para a luta armada.
Alfredo Chagas
A internet da sua casa está um problema. Você liga para a empresa responsável e eles dizem que não há problema nenhum. Você cansa de esperar. Ou então, você tem que cancelar alguma conta em banco, uma conta de celular. Você será humilhado, submetido a longas esperas e vã tentativas de te convencer do contrário. Você perderá a paciência e irá dormir com o rancor acumulado em seu peito. Pensando o que poderia ter feito de melhor, para se sentir mais calmo.

Nesse caso, você deveria ter ido armado a sede da empresa que te causa aborrecimento. Chegue ao prédio da operadora de telefone, de preferência dentro do seu próprio carro. Não pega bem andar armado dentro do ônibus. Respire fundo e se concentre, para que nada de errado.

Desça e caminhe até a atendente com as mãos no bolso. Demonstre tranqüilidade. Peça a palavra para a moça e diga:
- Estou armado, hehe.
A reação dela poderá ser de calma, acreditando que você está brincando, ou de pavor. É possível que ela comece a gritar pelos seguranças que te matariam em poucos segundos, principalmente se você estiver nos EUA. Mas, se você mantiver a calma, é mais provável que ela ria de você pensando “que cara sem graça”. Hora de agir.

Fale “Não estou brincando não”, tire as mãos do bolso, abaixe as calças e grite para que todos escutem “Estou Armado!!!”. Os seguranças ficarão sem saber o que fazer, e nesse tempo você poderá fazer um helicóptero. Sem dúvida, você vai dormir mais tranqüilo à noite, mesmo que seja em uma delegacia. Você vai dormir com a sensação do dever cumprido.

Você também poderá protestar armado contra a política mundial em passeatas. Poderá ir armado a comícios. Estar armado nas reuniões do DCE em seu saguão da faculdade. Armado na praia, para protestar contra o aquecimento global e os arrastões.

A forma mais antiga de Luta Armada, da qual se tem conhecimento, é a banheira do Gugu. Diversos astros do pagode, sertanejo e até mesmo o Tiririca, lutaram armados contra mulheres como Nana Gouvêa, Luiza Ambiel e tantas outras que eu não vou me lembrar o nome.




E é por isso que eu digo: Paz é o caralho, Lute Armado contra o que incomoda!

O Ministério do CH3 adverte, lutar armado pode ser considerado atentado grave ao pudor.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Pesquisa eleitoral

E lá estava a informação. Silval Barbosa caí um ponto e abre oito pontos sobre Wilson Santos, com quem estava empatado. Sim, isso mesmo. Mesmo caindo um ponto percentual na pesquisa, ele abriu vantagem. Tudo porque Wilson Santos caiu 8 pontos. Sinal de que um terceiro colocado estava avançando? Não. O terceiro colocado também perdeu uns dois pontos. E o quarto colocado continuava inexpressivo.

Para quem foram esses votos? Para ninguém. Os indecisos dispararam. Num período de dois meses os indecisos passaram de 20% para 32% e passaram a liderar a disputa, para a felicidade Cléber Machado. Parece no mínimo um contra-senso e é. A tendência natural é que com o passar dos dias as pessoas se decidam em quem votar e não ao contrário.

Se quatro meses antes das eleições, 20% da população não sabia em quem votar a tendência é que dois meses depois, uma parcela desses indecisos tenham se decidido. Se votam em A, B ou C ou se anulam o voto, ou até mesmo se ainda não se decidiram. Difícil é que aqueles que pensavam em votar em alguém tenham desistido e não saibam mais em quem votar. E que isso tenha acontecido com 12% da população.

O que poderia ter acontecido? O cara vê o horário eleitoral, vê as propagandas e pensa “hmm, é nesse cara que eu achava que eu ia votar? Então não sei mais”. Estranho. Mais fácil acreditar que há alguma coisa de podre no reino das pesquisas eleitorais.

Numa recente pesquisa DataFolha para o governo de Minas Gerais o candidato Hélio Costa tem 14 pontos de vantagem sobre Anastasia (que é um homem). Já a pesquisa do Ibope divulgada no mesmo dia mostra Anastasia a frente, por dois pontos.

Uma das duas pesquisas está absurdamente errada. Ou talvez, as duas estejam. Ou o mundo é que esteja errado. O que há de tão errado a ponto de tirar a credibilidade dessas pesquisas? Corrupção? A pesquisa seria realizada por aqueles seres de lama dos Power Rangers? Um erro de planilha? Quem matou Odete Roitman? A culpada é a tal da amostragem. E as metodologias de pesquisa. E é isso que faz com que muitas pessoas não acreditem nelas.

Então, o CH3 desenvolveu sua própria metodologia e chegou a alguns resultados:
- Dilma Rousseff será eleita no primeiro turno, mas há chances de que José Serra vá para o segundo turno.
- Silval Barbosa tem algumas chances de ser eleito no primeiro turno, mas a hipótese de que ele vá para o segundo turno com Wilson Santos, ou até mesmo Mauro Mendes, não pode ser descartada.

Para chegar a esse resultado, Pai Jorginho de Ogum incorporou a alma de 100 mil pessoas e anotou os seus votos. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para cima, para baixo, para um lado ou para o outro.