sábado, 30 de abril de 2011

O Lado Chato De Ser Rei

E finalmente se casaram. O príncipe William e a plebéia Katie Middleton, que agora é Duquesa de Cambridge, Condessa de Strathearn e Baronesa de Carrickfergus. Imaginamos que ela tenha passado por um curso para decorar todos os seus títulos e se tornar uma ex-plebéia. Visto que dizer que uma pessoa é plebéia é uma das melhores maneiras de ofender alguém discretamente. Você compara a cidadã a uma barata aleijada, mas disfarçadamente, sob uma suposta verdade inconveniente.

Se formos formular uma lista com as expressões mais utilizadas pela mídia internacional no período pré-nupcial, ela será liderada, sem dúvidas, por “o casamento do século”. O que é algo um tanto quanto precipitado, uma vez que o século está apenas começando.

Logo depois temos o “conto de fadas”. Na minha infância, os contos de fadas sempre envolviam príncipes que eram sapos ou monstros, bruxas, anões, animais ou criaturas inanimadas falantes, além de é claro, madrastas perversas. Ao que eu saiba, William não era um sapo, o príncipe Charles pode até parecer, mas não é um ser inanimado e Camilla Parker Bowles pode até parecer ter um visual de bruxa de desenho.

E aí entra a indagação. As pessoas glamourizam a vida de um rei, acham que é tudo uma maravilha, que é o tal conto de fadas. Mas, a vida de um rei deve ser um saco. A não ser que você seja um monarca alternativo, mas o rei mesmo, deve ter um porre de vida.

Primeiro, porque todos olharão para e por você em todos os momentos. Desde o momento em que sua mãe estiver grávida. Todos olharão suas fotos. Acompanharão sua infância e opinarão se o rei é gordo, se o rei é magro ou se ele tem orelhas de abano. Você sofrerá uma espécie de bullying invisível, anônimo e constante.

Quando o rei sair à rua, será olhado por todos. Será notícia por cada soluço dado. Ok, celebridades passam por isso. Jogadores de futebol são apontados no shopping e atores de novela têm tropeços noticiados. Mas isso é fruto de uma escolha pela vida pública, derivada de um talento qualquer. O rei não tem nenhum talento específico, apenas a coincidência de ter nascido ali, de um espermatozóide real, gerado dentro de um ventre majestoso.

Você não poderá nem sair pra tomar uma cerveja. Porque todos irão apontar para você e aquele monte de babacas ficará te chamando de vossa majestade. Além é claro, dos que acharão um absurdo que o rei se misture com sua plebe.

E aí entra toda a parte da cerimônia. Já imaginou o quão chato é ser chamado de vossa majestade o tempo todo?
- Vossa majestade aceita cerveja?
- Vossa majestade tem cinqüenta centavos pra facilitar o troco?
- Vossa majestade quer bem ou mal passado?
- Vossa majestade prefere de ladinho?

Você terá que aprender um monte de coisas chatas, freqüentará tediosas cerimônias. Mesmo que você talvez estivesse apenas querendo jogar bola e tomar picolé de chocolate.

Até na hora de morrer. Sua doença estará estampada nos jornais e todos pedirão para que deus salve você. E na hora em que você finalmente vier a óbito, todos irão beijar a mão do seu sucessor e esquecerão o defunto caído.

E você pode desistir? Até pode. Mas virará um motivo de piada, entrará para história com um apelido desonroso, algo como “Filipe, o Cagão” e pode até gerar uma guerra. Ser rei está mais para um filme dos Irmãos Coen do que um conto de fadas.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

O Insustentável

Meu nome é Marcos André. Mas você pode me chamar de Marquinhos. Você pode me chamar de o Insustentável, porque esse é o apelido que eu carrego com orgulho. Gosto de ser reconhecido assim, gosto de ser assim. Trabalho arduamente para honrar esse apelido que tão bravamente adquiri.

O negócio é o seguinte: hoje em dia todo mundo fala sobre essa história de ser sustentável. Salvar o planeta em que vivemos, preservar os nossos recursos, pensar nas próximas gerações. Tudo uma balela. Quem se importa com os ursos polares? Eu quero é viver a minha vida e quero o agora. Todos esses ideais de sustentabilidade só pregam que você tenha uma vida insuportável. Uma vida cheia de preocupações e desconforto.

E é por isso que eu sou um insustentável. As pessoas trabalham para preservar? Eu quero é destruir. Eu espero que o que eu faça compense todo o cuidado dessa meia dúzia de babacas naturebas.

De manhã eu acordo e logo vou escovar os dentes. E eu escovo com a torneira aberta o tempo todo. E enquanto eu escovo, já deixo o chuveiro ligado para esquentar a água. Também faço a barba com o chuveiro ligado. Sinto um prazer em ver aquela água limpa escorrendo pelo ralo. Em pensar que aquela água conseguiria sustentar uma família sudanesa durante um ano.

Quando eu passo no supermercado, faço minhas compras priorizando os produtos que venham do mais longe possível. Que tenham consumido mais combustível fóssil para chegar até ali. E claro, coloco um produto em cada sacola. Se eu comprei três pacotes de halls, é uma pra cada sacola. Sacolas, é claro, nas quais eu futuramente colocarei lixo e queimarei no meu quintal.

Agora estão com esse modismo hipócrita de acabar com sacola plástica. Dizem que elas demoram um século para se desmanchar no solo. E daí? E nossa herança para as futuras gerações? Não achamos lindo quando encontramos talheres soterrados de três séculos atrás? Temos vergonha da história que estamos construindo? O meu sonho é ser entrevistado numa dessas matérias que tentam humilhar quem usa sacola plástica, só pra dizer umas verdades.

Na minha rotina não existe papel de rascunho. Se eu preciso fazer uma soma simples de matemática, pego uma folha A4 branquinha. E depois da conta, eu a jogo fora. Todos sabem que é horrível escrever em versos. Eu não tenho esse desprazer. Os recursos estão aí para nos ajudar, não é mesmo?

E é claro, eu queimo o papel. Para não existir a possibilidade de que ele seja reciclado um dia. Também coleciono latinhas de alumínio. Sabe aquele 10% das latas que não recicladas? Então.

Se eu tenho que ir até a esquina comprar um litro de leite, eu vou de carro. E é claro, eu deixo ele ligado aquecendo, aperto bastante o acelerador. E não é qualquer carro. Quando o comprei, me certifiquei que ele consome bastante combustível. Meu sonho é retirar o seu catalisador, para que ele possa soltar toneladas de monóxido de carbono na atmosfera. Se fode ai, protocolo de Kyoto.

Meu vestuário é baseado em peças de jeans – uma vez que elas consomem um Amazonas inteiro de água para serem fabricadas. Não sei como, mas isso é legal. Também gosto de peças de couro. Principalmente de animais em extinção.

Uma grande dúvida na minha rotina é quanto à louça. Não sei o que é melhor. Lavar a louça com a torneira ligada para gastar mais água, ou usar apenas copos e pratos descartáveis. Decidi por usar copos de plástico e lavá-los antes de queimá-los. Não podia perder a oportunidade de jogar o óleo da fritura pia abaixo. Imaginar aquele negócio entupindo e estourando encanamentos.

Vocês já devem ter imaginado que eu também desperdiço comida, não é mesmo? Para um prato de arroz, cozinho um saco inteiro.

No momento, procuro uma alternativa para os produtos de madeira feitos a partir de reflorestamento. Eu quero um lápis de madeira virgem, extraída ilegalmente e se possível, de dentro de uma reserva ecológica! Tenho medo dessa onda de alimentos orgânicos. Por mais que, me dizem, eles ocupam mais terra para produzir menos alimento, o que talvez seja interessante. Também tenho medo de que acabem com as lâmpadas incandescentes. Aquele brilho amarelo e consumista é muito mais bonito do que a opacidade florescente.

Falam que do jeito que a humanidade está, em 50 anos o mundo não se sustentará. Quer saber? Azar de quem estiver vivo. Quem veio primeiro sempre tem vantagem. Uma lei universal e atemporal.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Dons Especiais

Um conhecido deste blog costuma a contar a história de um tio seu. Este nosso amigo já deve ter comentado aqui um par de vezes, mas não vamos revelar seu nome, porque, sei lá se ele quer ser identificado. Se quiser, basta ele levantar a mão. Pois, este tio seu tem um dom especial. Ele consegue colocar um pote de sorvete de dois litros em um copo de requeijão. Ele vai, colherada a colherada, compactando o sorvete dentro do copo.

Este mesmo conhecido, também diz ter o seu próprio dom especial. Ele consegue sempre, e ele diz que sempre, adivinhar a pessoa que esta telefonando para ele. Faz isso sem consultar o identificar de chamadas. Basta o telefone tocar para que ele saiba “é fulano!”. E é, assim diz ele.

Todo mundo costuma a ter um dom especial. E esse dom nada diz com acertar os números da Mega-Sena ou pegar a bola no meio de campo, driblar meio time adversário e marcar o gol de calcanhar. São coisas simples, coisas bobas, que jamais poderão fazer com que você ganhe dinheiro ou com que você seja reconhecido. Ao chegar numa roda, ninguém irá lhe apontar e te admirar como o cara que coloca dois litros de sorvete num copo de geléia.

Sim, você jamais poderá colocar tal fato num currículo. Pessoas dificilmente te contratarão por conta disso. Mas sempre que você se olhar diante de um espelho, você sentirá aquele orgulho íntimo, se sentira um vencedor por conta do seu pequeno dom.

Eu mesmo, tenho o dom de sempre cumprir meus objetivos no período de carência de estacionamentos pagos. Ontem mesmo, eu fui pagar uma conta no DETRAN e consegui fazer isso no período de 20 minutos que o shopping lhe dá antes de cobrar expansivos três reais. O que talvez contrarie minha tese de que os dons especiais não lhe dão dinheiro. Nesse caso, eu economizo dinheiro.

Pense, qual é a chance de conseguir fazer qualquer coisa no DETRAN em um período inferior a 20 minutos? Contando o tempo de sair do carro e atravessar a rua? As chances são mínimas, mas eu consegui isso em exatos 19 minutos. Se tenho que trocar uma camisa, comprar um desodorante, passar na banca de jornal e sacar dinheiro, consigo fazer isso em 20 minutos. A reação de todas as pessoas para quem eu conto isso é a da negação. Dizem que é impossível. Mas eu posso. É como se o tempo parasse no período em que realizo minhas atividades, por mais complexas que elas sejam.

Tal qual o sorvete se compacta e o copo se alarga para o tio. Tal qual meu pai sempre sabe o time que fez o gol quando a bolinha pisca na tela da Globo.

Todo mundo tem um dom especial. Pare um pouco e descubra o seu. E então, nos conte. Vamos descobrir do que somos capazes.

domingo, 24 de abril de 2011

Guia CH3: Como ser demitido do seu emprego

Feriadão prolongado, você percebe: trabalhar é um saco. Não podia ser diferente, afinal, a origem da palavra trabalho deriva do latim Tripalium que era um instrumento de tortura. Ou seja, trabalhar está intimamente ligado com a tortura. (note que se trata de um momento histórico: pela primeira vez, o CH3 dá uma informação verdadeira sobre a origem de uma palavra). Ainda que talvez, o trabalhador seja, originalmente, aquele que tortura.

Ai, atolado em ovos – ou talvez em corações – de chocolate, você decide que não quer mais trabalhar. O que você fará depois pouco importa, o que importa é o agora. O caminho mais fácil é pedir demissão, pura e simplesmente. O que é uma saída insossa que irá passar a idéia de que você é um fraco. Por outro lado ser demitido como fruto de uma política de corte de gastos e renovação de quadro é humilhante. Os bons são demitidos por justa causa.

Há diversas maneiras de ser demitido por justa causa. As mais comuns são relacionadas a jogar Paciência Spider enquanto você deveria estar trabalhando, ou provocar acidentes fatais. Não sejamos tão óbvios. Sua demissão por justa causa será o começo de uma era de prazer. Você começara uma nova vida divertindo se demitindo. Mostramos agora, os passos para que você consiga uma demissão em cinco dias. Uma demissão que você poderá contar para os seus amigos com orgulho.

1º Dia
Mande este vídeo para os seus colegas, desejando um Feliz Natal para todos. Se for perto do Natal, ótimo. Se não for, melhor ainda. As pessoas irão te achar um completo lunático. É provável que você não seja demitido por isso, mas será um prazer ver o pavor nos olhos dos seus futuros ex-colegas.


Você pode aproveitar a vibração criada pelo momento e passar os próximos dias contando piadas de humor negro para seus colegas. Sabem aquela do bebê que já nasceu morto? Então.

2º Dia
Você já é considerado um lunático. A partir de agora, apele para as piadas escatológicas. Leve chocolate para seus colegas e, depois, diga que eles foram feitos a partir das fezes do seu cachorro. Bem, é fato que você não deve ser demitido por isso, mas as pessoas te acharão um babaca. Pelo menos, você vai acumulando carga negativa.

3º Dia
Escute o podcast sobre fetiches do CH3 em volume alto. Ao final dele, pegue um pote de maionese e besunte-se, é claro. Esteja seminu, apenas com meias.

4º Dia
Dia de tentar manter relações sexuais com a mulher do chefe. É uma das maneiras mais eficazes de ser demitido, em todos os tempos. Tente fazer isso na frente ele, inclusive. Certifique-se apenas, de que seu chefe não é daqueles que andam armados. Pode resultar num constrangedor relacionamento a três ou numa expulsão sumária.

5º Dia
Se você ainda não tiver sido demitido, é hora de apelar. Tranque colegas seus dentro do banheiro, faça com que as pessoas joguem passou-levou involuntariamente. Comporte-se como se você estivesse na sexta-série. Se nada disso der certo, apele para o Paciência Spider.

Ao final desses cinco dias você estará demitido gloriosamente. Caso contrário, você terá descoberto que tem o melhor emprego do mundo.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

As partes do e-mail

A humanidade falha. Nós conseguimos enviar o ser humano para a lua (apesar de alguns duvidarem), mas não conseguimos construir uma fôrma de gelo eficiente, que solte os cubos sem pancadas. O ser humano, enquanto indivíduo, também é frágil e falho. Temos mentes que criam robôs, remédios e rimas. Mas ninguém, repito, ninguém, jamais saberá como escrever um e-mail perfeitamente.

É um problema digno da modernidade. Na época das cartas essa complicação inexistia. Mas, isso não significa que tenhamos involuído. Cartas eram mais simples. Elas representavam uma abordagem distante, esporádica, pessoal. A carta era escrita para alguém que estava longe, para falar sobre a vida. Tal qual pessoas que não se vêem há muito tempo, a carta começa com um cumprimento e termina com uma despedida. Existia uma formalidade e um padrão em sua construção, que era ensinada nos colégios.

O e-mail é diferente. Mandamos e-mails para pessoas que encontraremos logo mais, que não encontraremos nunca, que queremos encontrar. E-mails para amigos, colegas, desconhecidos. Pessoas que conhecemos bem ou que nunca vimos antes. E essas correspondências podem ser lidas no mesmo momento em que você a enviou.

Quando o destinatário é bem conhecido, a questão é mais fácil. Tem a informalidade do dia-a-dia. Mas, quando mandamos o e-mail para um desconhecido, ou uma pessoa com quem mantemos certa distância, tudo se torna mais complicado.

O e-mail transita num perigoso meio termo entre o formal e o coloquial. Não sabemos que modo usar, mas sabemos que o e-mail é comprometedor. Mostre-me seus e-mails que direi quem és. Tudo o que você escrever na aproximação eletrônica irá ajudar o destinatário a traçar o seu perfil e te estereotipar. Irá fazer ele definir se deve ou não atender o objetivo da comunicação. Um e-mail pode acabar com sua vida.

O primeiro e difícil passo é o título. Na era das cartas, a humanidade não sofria com esse dilema. Mas, no e-mail você precisa fazer isso. Um e-mail sem assunto poderá ser tratado como um spam ou como desleixo. Poderá passar em branco na caixa de entrada alheia.

E como escrever esse título? Você precisa resumir suas intenções sem ser monossilábico, muito menos deveras prolixo. Uma palavra apenas pode restringir demais o assunto e demonstrar insegurança. Já um amontoado de palavras pode simbolizar confusão mental. Utilizar “sobre” não ajuda, porque é uma redundância. O título perfeito é um mistério indissolúvel como as águas do Mar Vermelho.

Depois, temos a abordagem inicial. Devemos começar com um Olá? Com algum cumprimento? Devemos perguntar se a pessoa está bem? Colocar um “Caro Fulano” preparando a alma da pessoa para a embromação a seguir? Ou devemos ir direto ao assunto? Como se já tivéssemos mantido contato diversas vezes antes.

Mas, como tudo na vida, o pior fica para o final. O fim do e-mail. A última linha antes de clicar em enviar. É uma situação tão difícil que nem MacGyver com acesso a uma loja de materiais de construção conseguiria resolver. Você deve mandar abraços? Beijos? Tapas no ombro e acenos consentidos com a cabeça? Deverá se dizer grato? Grato porque? Agradecer a atenção previamente? Não sei, ninguém jamais saberá. A humanidade não estará preparada para esta dúvida, jamais.

Grato, Guilherme.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Grandes dúvidas que não têm explicação (16)

A balança corintiana

Ronaldo, o Fenômeno, foi um dos maiores jogadores de futebol dos últimos 20 anos. Forte e veloz, dominava bolas no meio de campo e arrancava para dentro do gol adversário, levando junto qualquer um que tentasse passar pela sua frente. Porém, depois de muitas lesões e de um certo comodismo, os últimos anos de sua carreira foram marcados pela gordura.

Ronaldo era um atleta gordo. Um raro jogador de futebol obeso. No seu último ano como profissional bastava olhá-lo em campo para notar a mobilidade que faltava e o peso que sobrava. Seus defensores diziam que aquilo era puro músculo, numa demonstração cega de amor. E o próprio Ronaldo dizia que estava fora de forma, cinco ou seis quilos acima do peso. Os médicos do clube também trabalhavam dentro dessa margem de erro.

Com a recente aposentadoria de Ronaldo, o Corinthians tratou de fazer outra contratação de peso – como exige o trocadilho fácil. Falamos do Imperador Adriano. Outro jogador marcado pela força física e também por uma coleção de problemas extra-campo. Ao se apresentar em seu novo clube, Adriano exibiu uma portentosa barriga imperial. E o que diz o departamento médico corintiano? Que Adriano está seis quilos acima do peso.

Para quem tem um peso normal de aproximadamente 90 kg, seis quilos a mais não são nada. Não são nem 6% da massa corporal. Se você engordar seis quilos, você perceberá roupas um pouco mais justas e talvez tenha que usar uma calça dois números maior. Claro, se você pesar menos de 40 kg, os seis quilos a mais farão uma baita diferença.

O grande mistério é: o que acontece com as balanças corintianas? A certeza é que você deve se pesar no Corinthians quando estiver se sentindo gordo. Mas, porque as balanças do Parque São Jorge trazem resultados tão diferentes do que o olho humano costuma a observar?

A primeira hipótese é sobre o conceito do peso. O jogador está 6 kg acima do peso, mas de que peso? O peso que decreta obesidade mórbida? Peso de um elefante? Do peso limite para que um jogador de futebol consiga jogar?

Outra tese bem razoável é a de que as balanças corintianas funcionam em um ambiente onde a gravidade é mais fraca, fazendo com que os corpos humanos pesem menos. Coisas de um lugar que leva o nome de São Jorge, aquele que vive na lua sem gravidade tentando empalar dragões.

Também não podemos descartar que no Corinthians as pessoas tenham uma forte influência da estética de Botero.

Talvez as pessoas não saibam ler a balança, talvez o médico tenha um tique nervoso que faça com que ele sempre diga “seisquilosacimadopeso” quando uma pessoa sobe em uma balança. Seis Quilos acima do peso pode ser um jargão médico pra “tá gordo pra caralho” Ou, quem sabe, seja apenas uma balança quebrada. Um problema que demanda muito tempo e trabalho até ser percebido e solucionado.

Chato.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Olhai os ovos do campo

Um ovo é um ovo, nada mais do que um ovo. Tem o seu formato considerado oval. O ovo se chama ovo por ter um formato oval, ou coisas são ovais por se parecerem com um ovo? Eis uma das maiores dúvidas da humanidade.

Na natureza, os ovos têm uma função reprodutiva. Galinhas botam ovos, os patos também, e creio que praticamente todas as aves façam isso. Répteis também colocam ovos, assim como os ornitorrincos, que são mamíferos, mas são estranhos. Fábricas de chocolate igualmente colocam ovos em circulação na época da Páscoa. O desejo das fábricas também é reprodutivo, eles querem ganhar dinheiro para poder sustentar suas famílias.

Os ovos seriam um símbolo de fertilidade, afinal, a vida surge de dentro dos ovos. Por isso, eles seriam entregues por coelhos, que apesar de não botarem ovos, também são um símbolo de fertilidade. Isso porque coelhos são animais pervertidos, que fazem sexo o tempo todo e se reproduzem infinitamente.

E porque é tão importante que na Páscoa as pessoas pensem em fertilidade? Porque foi nessa época em que Jesus ressuscitou. Ou seja, é tempo de vida, renovação e tudo mais.

Ok. Mas porque os ovos são de chocolate? O que o chocolate tem com a vida? Ao que se saiba, tirando os tipos amargos e com muito cacau, todos os outros ajudam a morrer mais cedo. Bem, é que era preciso ganhar dinheiro com alguma coisa. Se os ovos fossem de doce de abóbora, ninguém ia comprar. E todo chocolate, exceção aos tipos amargos e com muito cacau, costumam a ser saborosos. As crianças adoram e pedem para os seus pais que comprem um ovo de chocolate para elas, por favor.

Pois bem, desde que eu era criança, ovos de páscoa sempre tiveram o formato de ovos. O que é uma coisa lógica. Se é um ovo de Páscoa, é porque ele é um ovo e é entregue na páscoa. Tínhamos desde os ovos pequenos, até os modelos maiores. Geralmente das marcas mais famosas como Nestlé, Lacta e Garoto.

O maior de todos era provavelmente o Sonho de Valsa. Um chocolate gorduroso, com gosto de manteiga doce, que sabe-se lá por qual motivo, virou um sonho de consumo, tratado como uma obra de arte esculpida em cacau de 18 quilates.

Mas atualmente tudo mudou. Temos ovos maiores ainda e os apoios dos ovos são ainda maiores. Temos ovos com as mais diferentes motivações – times de futebol, desenhos, filmes – que geralmente são um medonho chocolate ao leite, com uma embalagem diferente. Temos ainda os ovos que, ao invés de virem embrulhados tradicionalmente, vêm dentro de uma caixa, envoltos apenas num papel alumínio colorido. Parece, e é, um produto porco, mas por algum motivo, esses ovos são mais caros do que os outros.

Mas, realmente estranhos são os não-ovos. Sim, existe o Batom que vem no formato de um batom gigante. O Diamante Negro vendido em forma de diamante. Ovos em formato de coração – uma constrangedora prova de amor.

Qual é o sentido de ser dar um ovo de páscoa que não é um ovo? Onde fica a fertilidade, a simbologia e a porra toda? O sentido da Páscoa está nos ovos, e não no chocolate. Ninguém dá barra de chocolate para ninguém, as pessoas dão ovos, geralmente de chocolate, mas em alguns lugares são ovos coloridos.

Qual é o slogan para se dar um tubão de chocolate? “Nessa Páscoa dê um ovo de chocolate em forma de tubo!”. Um ovo em forma de diamante? O que é isso?! Daqui a pouco estarão inventando ovos em forma de caralho.

Voltamos então ao começo do texto. Um ovo é um ovo justamente porque ele é oval, tem o formato de um ovo. Uma obviedade que parece não estar sendo mais respeitada no momento atual. O próximo passo é inventarem Ovos de Chocolate sabor doce de abóbora. Para que na Proclamação da República você dê um ovo de páscoa de chocolate em forma de trapézio, com gosto de abóbora.

sábado, 16 de abril de 2011

Hinos

Você devia ter por volta de seis anos quando resolveram que você deveria aprender a cantar o Hino Nacional Brasileiro. Você então decorou aquelas palavras sem tem a menor idéia do que elas significam. E é provável que até hoje você não saiba o que elas querem dizer. Você já parou para pensar nisso? Não? Tudo Bem.

Pois, observe atentamente a letra do Hino Nacional. Dou-vos poucos segundos para que expliquem, sem consultar um dicionário, o significado de:
- Raios Fúlgidos.
- Terra mais Garrida.
- Fulguras, ó Brasil, florão da América.

Hoje em dia é mais fácil, apesar de a maior parte das pessoas acharem que o Brasil é uma grande flor da América. Mas pense quando você tem sete anos. Quem tem tanto vocabulário assim? Possível que imaginássemos que o Verde-Louro era um papagaio, que por algum motivo estava em uma flâmula.

Para complicar, o hino ainda é todo escrito em ordem aleatória. Nem o Mestre Yoda seria capaz de bagunçar tanto a ordem dos sujeitos, predicados, verbos, substantivos. E os adjetivos? Céu profundo. Berço esplendido. O começo da segunda parte é o mais confuso. Traduzir o hino nacional para um português normal é um trabalho que deve demorar alguns anos.

Ainda há o grande truque de confusão que é aquela parte em que as pessoas sempre cantam:
- Ó PÁTRIA AMADA, IDOLATRADA, SALVE, SALVE! BRASIL de unsonsnainse seja raio vívido! De amor e esperança a terra DESCE!

São anos até que você acerte completamente quando o Brasil é um sonho intenso e quando ele é de amor eterno. E quando você finalmente consegue – se conseguir, afinal muitas pessoas morrem sem conseguir – resolverão te ensinar o Hino da Bandeira. Mais confusão.

Porque, no que raios se consiste um Pendão? Essa palavra que durante séculos serviu apenas para fazer adolescentes bobos rirem enquanto pensavam numa rima de “pintão”. E ainda temos o símbolo augusto e a certeza de que alguma lei nacional proibia que as pessoas utilizassem o método sujeito-verbo. Fora que os letristas adoravam usar a palavra “seio” nos hinos. Seriam os poetas tarados?

Mais raro nos ensinamentos atuais, está o Hino da Independência, que Dom Pedro I compôs inspirado na Marselhesa francesa. É o hino de refrão mais fácil e a primeira estrofe é bem simples. Gerações e mais gerações cantaram “japonês tem quatro filhos” ao invés de “Já podeis da pátria filhos” só por sacanagem mesmo.

Mas na segunda estrofe, Evaristo Veiga – o nome do letrista – escreveu um dos mais cruéis exemplos da língua portuguesa:
“Os grilhões que nos forjava
Da perfídia astuto ardil”
São tantas palavras difíceis e seu significado é tão complicado de entender, que a única hipótese é a de que ele tenha aberto um dicionário aleatoriamente para escrever esses versos.

Ainda há o Hino da Proclamação da República que pouca gente conhece, mas que tem os famosos versos: “Liberdade! Liberdade! Abra as asas sobre nós!”. Famosos porque viraram samba-enredo da Imperatriz.

Os hinos pelo mundo.
Apesar de bem complexos, os hinos brasileiros ainda tem uma temática simples. Vários hinos ao redor do mundo são uma carnificina. Na França, um pescoço é degolado sempre que a Marselhesa é tocada:
“Às Armas cidadãos! Formais vossos batalhões! Marchemos! Marchemos! Nossa terra se saciará de sangue impuro”.
Imaginem ensinar isso para uma criança de sete anos!

Os portugueses também pedem que as pessoas peguem em armas.
“Às armas! Às armas! Sobre a terra e sobre o mar! Às armas! Às armas! Pela pátria lutar! E Sobre os canhões marchar”.
Os lusitanos se empolgam tanto com essa parte, que alguns até terminam com um “marchar, porra!”.

Já os alemães cantam arianamente “Alemanha sobre tudo”. Os italianos que estão prontos para morrer. Os ingleses pedem que deus salve a rainha. E não só isso. Ele também deve fazer com que a rainha seja feliz, gloriosa, poderosa e glamorosa. Deus deve ainda confundir a política dos adversários e, se possível, matar os escoceses. Já os espanhóis não cantam nada. O hino deles não tem letra, para felicidade das crianças de sete anos.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Arrumações

É uma cena que se repete em todo dia de eleição. Você tem a obrigação de ir exercer a sua cidadania. Mas isso só é possível se você tiver o seu título de eleitor. Um pequeno pedaço de 10x5cm de papel, que talvez tenha sido plastificado. Com certeza, você guardou muito bem o seu título, ele está em um lugar estratégico, tão bem guardado que você não tem a menor idéia de onde é que ele está.

Você tinha certeza que ele estava junto com outros documentos no seu armário. Ou será que ele estava numa pasta? Vão se passar horas, anos, até que você consiga encontrá-lo. Os mais prevenidos irão fazer essa busca com pelo menos um dia de antecedência, mas é provável que os mais desleixados acabem perdendo o tempo e demorem tanto tempo na caçada, que o dia acabe e sua cidadania se perca dentro do seu armário.

Mas, no dia em que você o encontrar – se isso realmente acontecer – em um canto isolado do seu armário, você pensará: porque eu guardei isso aqui? E em um processo de regressão de memória (para qual a hipnose poderá ou não ser utilizada) você se lembrará que o guardou ali, justamente para que não o perdesse. No momento em que você fez essa escolha, você utilizou uma lógica qualquer, achando que isso facilitaria o encontro do objeto procurado em um futuro distante.

Mas agora, calmamente, depois de todo esse sufoco, você fará uma promessa mental de que isso não ocorrerá mais. Dessa vez você vai guardar o título num lugar mais fácil, que poderá ser encontrado facilmente daqui a dois anos, ou quando quer que o título se faça necessário. Não é nem preciso dizer que, daqui a dois anos, você passará pelo mesmo problema, porque a lógica atual já terá expirado.

Pessoas tendem a querer organizar tudo. Separar papéis por pastas, objetos por caixas, que serão devidamente colocados em diferentes partes do armário. Pensam em cores diferentes para as caixas, de forma que fique tudo organizado, colorido. Para que sua arrumação possa ser digna de posar para a PlayFile.

Mas é tudo inútil. De qualquer forma, você terá que procurar o objeto desejado, quando ele se fizer necessário. Está dividido por cores? Ok, mas daqui a seis meses você não lembrará o que cada cor quer dizer. As lógicas se perdem com o tempo. Assim como o tempo que você perderá até encontrar. E não adianta. Você não vai encontrar o carregador do celular, o pen drive ou aquela folha que estava tão bem guardada.

Se os objetos estivessem espalhados sobre a mesa, você perderia algum tempo, mas não tanto, porque você teria a exata noção de que eles estavam por ali. Não é bonito esteticamente, as pessoas podem achar que você é um porco, mas é bem mais eficiente. Pode não parecer, mas toda a bagunça tem alguma organização. Os objetos que parecem estar largados estão ali, ao alcance dos olhos, ao alcance da mente.

O problema acontece quando alguém resolve arrumar suas coisas. Aquela caneta que estava sempre ali ao seu lado, agora está em uma gaveta. O bloco de papel está no armário. Você tem que se levantar para pegá-lo. Procurá-lo no desconhecido.

Pior ainda acontece quando você, por pressão da sociedade, resolver arrumar suas coisas. Servirá apenas para perceber como tudo era mais fácil na época em que as coisas estavam fartamente a sua disposição.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Podcast CH3, Número 4

Clique no player abaixo e esteja preparado para 27 minutos que marcam a volta dos podcasts do CH3. Uma volta que não é definitiva e não é periódica. Os podcasts do CH3, de agora em diante, acontecerão sempre que um bom assunto vier à tona.

E este assunto é: fobias. Sim, os medos. O CH3 abordou as mais estranhas fobias que o ser humano tem. Você sabia que existe um medo de andar? Ou um medo de não ter medo? Medo de sentir dor em relações sexuais? Medo de ser observado por patos? Pois é. Todos eles existem e não escaparam de nossas observações. São 26 minutos e 44 segundos com os mais bizarros e exóticos medos.

Um podcast com toda a marca do profissionalismo do CH3. Que não esconde quando o celular toca no meio do programa, nem o barulho dos copos sendo apoiados sobre a mesa. Você não precisa ter medo, não temos muitos momentos constrangedores. Mesmo assim, aconselhamos o uso de fones de ouvido para evitar estranhamento alheio, principalmente se você estiver no trabalho.



Antes que eu esqueça: agradecimentos @DadoDoria, por idéias gerais.

domingo, 10 de abril de 2011

Sintomas do fim do mundo (2)

A Explosão de Bueiros

Semana passada ocorreu um evento estranho, até certo ponto exótico, apesar de trágico. Um bueiro explodiu na Avenida Nossa Senhora de Copacabana. Bueiros são elementos ocultos do nosso cotidiano. Eles ficam lá, no chão. Por vezes pisamos sobre eles e sua presença é mais notada na sua ausência. Quando lá falta a tampa de um bueiro, percebemos o buraco no chão e reclamos por tampas, que os façam desaparecer novamente. Bueiros nos dão a estranha sensação de estarmos andando sobre um chão oco.

Mas, bueiros não foram feitos para explodir. Aliás, para que servem os bueiros? Para dar acesso a rede de esgoto, provavelmente. Para servir de rota de fuga para as tartarugas ninjas, talvez. Poucas pessoas até hoje devem ter entrado em um bueiro por livre e espontânea vontade. Mas seja lá pelo o que for, para explodir é que eles não foram feitos.

E a explosão de Copacabana não foi uma explosão qualquer. A tampa do bueiro, não era dessas, do tamanho de uma pizza. Era uma tampa gigante. Devia pesar uma tonelada. Pois, ela foi arremessada longe pela explosão. Caiu sobre um carro, ferindo os seus quatro ocupantes, que poderiam ter morrido.

Essa notícia além de ser insólita, tinha um quê de inédita. Que evento assustador, um bueiro a explodir. Mas, este espetáculo pirotécnico não estava estreando. No ano passado, uma tampa de bueiro já havia explodido e ferido gravemente dois turistas na capital fluminense. E uma pesquisa no Google mostra que as primeiras notícias sobre o assunto datam de 2006. Existem vídeos de explosão feitos em 2008.

Os responsáveis pela manutenção dos bueiros dizem que nada podem fazer. E, em 2009 eles já não podiam fazer nada. Há anos que bueiros explodem sem que nada possa ser feito pelas autoridades. Até parece que bueiros são como vulcões, imprevisíveis, explosivos, voluntariosos. Seja lá qual for a sua função, bueiros não surgiram com a vocação de ser um fenômeno natural.

Mais um dado de alerta. Segundo as já mencionadas autoridades, existem aproximadamente 600 bueiros que podem explodir a qualquer momento na cidade do Rio de Janeiro. E como já foi dito, nada pode ser feito. Resta aos responsáveis, apenas esperarem inertes que uma tampa os atinja. Como se fosse a piada do português que olha a casca de banana e pensa “oras pá, lá vou eu escorregaire de novo”.

Como é possível ter paz numa cidade dessas? Seus habitantes devem viver esperando o momento em que serão arremessados longe, atingidos duramente por uma tampa gigante de bueiro? Depois da guerra contra o tráfico, chegou a guerra contra os bueiros, imprevisíveis bueiros.

Este é mais um sinal de que o mundo está acabando. Depois de bueiros explodindo, o próximo passo é a chuva de gafanhotos. Deve estar na bíblia.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Mitos, Verdades e Dúvidas sobre Cuiabá

Hoje é aniversário de Cuiabá. Nossa querida cidade, berço do CH3 e da civilização moderna, que completa neste 8 de abril de 2011, exatos 292 anos. Ano passado a cidade completou 291 anos e ano que vem, por sua vez, será a vez das 293 velinhas sobre o bolo. O que mostra como os números são fascinantes, como as coincidências acontecem e como Rebecca Black pode ser incrivelmente filosófica.

Muito se fala sobre Cuiabá. Aliás, pra dizer a verdade não se fala muito. Exceção feita a previsão do tempo e algumas operações da Polícia Federal. Em compensação, muito se fala sobre Cuiabá na própria Cuiabá. Os habitantes daqui devem falar sobre a cidade todos os dias. Mas, muito se fala mesmo sobre possíveis aspectos exóticos da cidade, condições peculiares daqui. Como bons conhecedores do assunto, o CH3 esclarece diversos pontos sobre a cidade.

Cuiabá é quente?
Sim, e não tenha dúvida disso. Já perceberam como na previsão do tempo a mulher faz uma cara de espanto ao falar “máxima de 40 graus em Cuiabá?”. Pois é, é quente mesmo. E pior, faz mais do que esses 40 graus. Mas, quer saber? Dá pra viver. O calor é triste, beira o insuportável, mas nós sobrevivemos. Rimos dos paulistas que acham que 30 graus é calor e dos sulistas que se queixam do sol ao pino. Mas aqui, nós conhecemos e aceitamos nossa condição. De tal modo que até moradores de baixo da ponte tem ar-condicionado. Passamos bem, enquanto que no Sul as pessoas mal têm ventilador.

Jacarés vivem nas ruas de Cuiabá?
Vivem sim. E se alimentam de turistas burros.

Cuiabá tem prédios?
Sim.

Existe Coca-Cola em Cuiabá?
Sim. Existe até uma fábrica por aqui. Antigamente ela ficava em Várzea Grande, tal qual o aeroporto de Cuiabá fica em Várzea Grande. Atualmente, a fábrica continua sendo em Várzea Grande, mas é só atravessar a ponte. Rodovia Mário Andreazza, 1800.

Qual é a origem do sotaque cuiabano?
Não sei. Me explica a origem do sotaque genovês?

Cuiabá é o pior lugar do mundo para se viver?
Sem dúvida não. Até porque, existe Campo Grande.

Existe lazer em Cuiabá?
Claro que depende do seu ponto de vista, mas existem algumas opções. Bares, boates, putas atravessando a ponte para Várzea Grande. Existe uma cena local de música alternativa que hoje em dia dominou o Brasil e a América Latina. Existem times de futebol que jogam no simpático estádio do Dutrinha, uma vez que o Verdão foi demolido. Teatro é mais raro.

Porque Diogo Mainardi pagaria 10 mil reais para não vir a Cuiabá?
Bem ele usou esse argumento para falar de pessoas que dão palestras ao redor do Brasil. Se um outro jornalista recebe 10 mil reais para dar uma palestra em Cuiabá, ele pagaria 10 mil para não vir para cá e não dar a palestra. Tal assuntou gerou o começo de uma guerra civil e nunca é bom se lembrar dele.

Quais as piores coisas de Cuiabá?
O calor, o trânsito, a época da seca.

E quais são as melhores?
Tudo o que não envolva o calor, o trânsito e a época da seca.

Parabéns, Cuiabá – Solta o Rasqueado aí.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Turma da Mônica Adulta

A Turma da Mônica é um fenômeno. Há aproximadamente 40 anos eles têm seis anos, permanecendo para sempre na infância de muitas gerações. Apenas recentemente eles ganharam patéticas versões adolescentes em mangá, um mundo sinistro com super-poderes, olhos esbugalhados e corpos curvilíneos. Também recentemente, sites como o “Porra Maurício” ajudaram a mostrar como a Turma da Mônica vivia em um ambiente viciado e como fomos enganados em nossa fase mais inocente. Baseado em tudo isso, o CH3 faz aqui um estudo que mostra como seria a vida adulta dos personagens.

Cebolinha: Com a chegada da adolescência e a explosão dos hormônios, os traços psicóticos de Cebolinha se tornaram mais reais. Cada vez mais, tinha alucinações com o seu alterego, o Louco. Percebeu que a rua não era nada, e resolveu bolar planos mirabolantes para conquistar o Mundo. Fez parte da União do Vegetal e foi internado em um hospício aos 27 anos. Sua irmã, Maria Cebolinha, virou uma Panicat.

Cascão: Seguiu a vida sem tomar banho, fato que o afastou da sociedade. Exceção feita à Maria Cascuda – agora conhecida como Maria, a louca – com quem teve um filho aos 15 anos. Foi trabalhar como cobrador de ônibus para sustentar a família e o alcoolismo. Tentou a sorte como jogador de futebol, mas, depois de uma lesão, morreu em conseqüência de uma infecção generalizada. Deixou seis filhos.

Magali: Aos 15 anos, Magali descobriu sofrer de hipertireoidismo. Começou um tratamento hormonal que a fez ganhar peso subitamente. Entrou em depressão e se viciou em remédios. Morreu nova, com problemas cardíacos. Seu antigo namorado, Quinzinho, se transformou em um mega-empresário do ramo alimentício.

Mônica: Graças ao sobrepeso e a falta de verticalidade, se tornou uma adolescente complexada. Entrou para o movimento feminista e cursou Ciências Sociais. Filiou-se ao PSOL e até hoje tenta uma vaga como senadora. Diz-se solteirona convicta.

Franjinha: Aos 15 anos, ficou muito abalado com a morte do cachorro Bidu. Se trancou nos estudos e passou no ITA. Foi emo e estagiário da NASA.

Jeremias: Virou ator pornô.

Titi: Primeiro se assumiu como metrossexual. Hoje contracena com Jeremias.

Humberto: Trabalha como carteiro.

Dudu: O garoto mimado foi internado no hospital com anemia. Ganhou um carro aos 18 anos e cursava direito em uma faculdade de péssimo nível, quando foi preso por queimar o índio Cafuné – amigo de Papa-Capim.

Xaveco: Virou contrabaixista de uma banda que toca em formaturas.

Zé Luis: Se tornou escritor de livros de auto-ajuda e secretário de educação do estado de São Paulo.

Ainda existem diversos outros personagens que fizeram parte deste estudo. Caso haja interesse, o resultado poderá ser divulgado futuramente. A Turma da Mônica adulta poderia virar uma história de quadrinhos desenhada por Guido Crepax. Mas não vai, porque Crepax já morreu.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Os Piores Momentos Para Morrer

Morrer não é uma coisa legal. Claro, você pode ser um suicida e achar que esta é a solução. No entanto, existem momentos que são ainda piores para morrer, uma morte fulminante. Momentos em que você não poderá ser ajudado. Em que as pessoas irão demorar em te levar ao hospital, onde você passaria por intervenções cirúrgicas, receberia pontes de safena ou o que quer que seja que possa te manter vivo.

O Primeiro de Abril é, sem dúvida, o pior dia do ano para se morrer. Principalmente se você for um cara de fama marota e brincalhona. Se você começar a sentir dores no corpo e pedir ajuda para um colega, ele logo responderá com:
- Hahahaha, tá bom cara, não vou cair nessa.
- Eu estou morrendo.
- Ah tá bom. Pode deixar que eu já vou chamar a ambulância.

Você vai cair duro no chão e as pessoas pensarão “caramba, que cara chato. Que brincadeira escrota”. Apenas depois de alguns minutos é que alguém iria se dignar a notar a sua situação e perceber a ausência de batimentos cardíacos. Não haveria mais nada para ser feito.

Perceba: se você passasse mal no dia 26 de outubro, você poderia estar salvo. Mas não no primeiro de abril. Tente evitar ter uma morte súbita no dia da mentira. Tal qual, prefira sofrer um ataque cardíaco jogando bozó, mas não brincando de mímica.

As pessoas ficarão lá tentando adivinhar o nome do filme, enquanto você se contorce com a mão no peito, baba e engole a língua. “Um ataque cardíaco! Um ataque de nervos! Uma... uma... ahn... passando mal... que difícil”. Se você começar a falar, as pessoas ainda irão desclassificar. Dizer que não vale, que é proibido falar na brincadeira. Você morreria desclassificado.

Tal qual se você morresse durante o exame cardíaco. Lá estaria você, correndo na esteira, tentando ficar o maior tempo possível e antes de dizer que não agüentava mais, você jaz falecido. Sim, seu coração não estava bom. Você foi reprovado no exame. Seria como morrer enquanto faz a prova de direção. Bater o carro, receber três pontos por não dar seta, dois por deixar o carro morrer e mais uma proposta de propina para aliviar a situação. Mas acho que essa é uma situação rara.

Outro péssimo momento para morrer é votando. Os mesários não podem ajudar quem vota e outras pessoas temeriam quebrar o sigilo. Morra apenas depois de confirmar seu voto. Você ainda corre o risco de verem que você ia votar no Bolsonaro.

Morrer no confessionário do Big Brother. Demorariam anos para conseguir entrar lá dentro, viraria hit no youtube e ainda seria acusado de estar fugindo do paredão. Também é péssimo morrer enquanto você assiste a uma peça de teatro alternativo. A platéia, já chocada com os atores simulando sexo, gorfando e gritando, acharia que você é um ator disfarçado fazendo um número. E os atores mesmo, estariam num estado de transe que os impossibilitariam de te ajudar. Você poderia acabar como um morto muito louco.

Esses piores momentos também estão ligados ao lugar em que você está. É um péssimo momento para se morrer o momento no qual você passa em frente a uma sauna gay. Você poderia apenas estar indo para a farmácia na próxima esquina. Mas ficará eternamente conhecido como o cara que morreu na frente da sauna gay. Como se você estivesse indo ou vindo de lá. Também é um péssimo momento quando você está no motel. Causa constrangimento para você, para o seu par, para os socorristas e seus respectivos familiares. Aliás, nunca é bom morrer no momento em que você está nu. Tente morrer vestido.

E durante a final da Copa do Mundo? Ninguém vai te ajudar. Aliás, morrer durante a Copa do Mundo é uma situação ruim, não só para você, como para as outras pessoas. Até agora falamos apenas do ponto de vista do morto, mas algumas situações complicam a vida das outras pessoas.

A final da Copa é justamente uma delas. Porque justo na final? Porque? Porque você vai atrapalhar a sua família que está lá torcendo pelo Brasil com muito orgulho e muito amor, seu estraga-prazeres? Porque você não agüentou mais uns dois dias? Pior ainda se você for o goleiro do time durante a disputa de pênaltis. Enterrou o sonho da nação.

E tal qual morrer quando você participa de um revezamento 4x100. Atrapalhando a equipe miseravelmente.

E morrer durante o seu casamento? Acabar com a festa. Pior ainda se você morrer logo depois da parte do “até que a morte os separe”. Ficará com fama de frouxo, que não agüentou a pressão. Que no fundo, não queria se casar. Fugiu. Traumatizará para sempre a sua noiva, ou viúva, não sei. Mas, nesse caso é melhor morrer do que passar alguns dias no hospital se recuperando.

Por isso, nos tempos em que o CH3 funcionava como uma engrenagem e os seus membros se revezavam na concepção das postagens, nós tínhamos um acordo: não se deve morrer no seu dia de postar. É muita sacanagem para/com os outros. Bons tempos.

sábado, 2 de abril de 2011

O dia da verdade

Passou-se o primeiro de Abril. Você não conseguiu encaixar nenhuma mentira e foi enganado algumas vezes. Toda notícia que lhe era dada te confundia. Você perdia minutos preciosos avaliando a postura corporal do seu oponente, para ver se ele mentia. E você torcia para não morrer. Se há um péssimo dia para ter uma morte fulminante, esse dia é o primeiro de abril.

Agora, sua vida volta ao normal. A partir de hoje você pode contar mentiras livremente, sem admitir que elas foram fruto do primeiro de abril. As mentiras podem voltar a ser algo natural no seu cotidiano. Pois, bom mesmo, seria se depois do primeiro de abril, viesse o segundo de abril. Aliás, o segundo de abril sempre vem depois. Bom seria se este fosse o dia da verdade.

Um dia em que as pessoas teriam que dizer a verdade. Seria bom não atender telefones, não sair de casa, para não ser obrigado a dizer a verdade. Pois este seria um dia completamente devastador.

1) Devastando as relações amorosas
- Amor, você já me traiu?
- Já.
- Como assim?
- Trai, ué. Com a Carmem lá do escritório. Ela me deu mole, eu fui.
- Que decepção.
- Mas é a verdade. E você, já me traiu?
- Nunca. Mas eu gostaria. Porque você é péssimo de cama.
- Ahn?
- Sim. Você é péssimo.

2) Devastando as relações pessoais.
- Pô cara, você não me atendeu.
- Sim, você é chato pra cacete.
- Eu que sou chato? Já reparou que eu sou a única pessoa que liga para você!
- É...
- Porra, você é insuportável. Eu só falo com você porque você tem dinheiro e me arruma umas caronas.

3) No trabalho¬
- Antônio, o seu relatório está uma merda. Como sempre, para variar.
- Ah, você fala isso como se você não fosse um vagabundo que fica o dia inteiro dando ordens e não faz porra nenhuma para ajudar a empresa.
- Eu sou o chefe. E você está demitido.
- E eu já comi sua mulher. E sua filha também. Ao mesmo tempo.

4) Nas relações profissionais
- Ola senhor, posso te ajudar em alguma coisa?
- Bem, eu queria passar a mão nos seus peitos.
- Tarado! Sai da loja.
Segue-se um linchamento.

5) Na fila do pão
- Quantos pães senhor?
- Seis. Mas vê se pega uns pães bons, porque ultimamente anda uma merda.
- Pode deixar. Que eu vou pegar os piores pães possíveis.
- Vou reclamar com sua chefe.
- E eu vou cuspir na sua cara.

6) Nos Jornais
- Prefeito, porque tantos buracos na rua?
- Bem... é que houve um redimensionamento do orçamento anual e nós estamos passando por um período de adaptação dos nossos recursos e re-planejamento dos horários de trabalho, mas tão logo este período se encerre, estaremos com nossa equipe estudando e fazendo os trabalhos necessários. Ok, é porque eu desviei o dinheiro todo para a minha conta. Fazer o que, se a população é burra e vota em mim?

7) Na vida pública.
- Deputado, porque tanto ódio pelos homossexuais?
- Porque eu queria ser um! Na adolescência eu era apaixonado pelo Robertão, zagueiro do time da escola, mas meu pai me deu uma surra e eu vivo enrustido desde então.

Pois é. Nada seria como está.