segunda-feira, 30 de julho de 2012

O Arremessador de Pratos

Dia desses eu estive freqüentando um popular restaurante especializado em comida de um país latino-americano. O ambiente era marcado pela apresentação de música ao vivo em espanhol, sempre as mesmas. Eu tenho a impressão que em toda a história não foram compostas mais do que vinte músicas em espanhol e o Gypsi Kings já cantou todas.

Pois então, em determinado momento, enquanto o público estava empolgado durante um desses clássicos castelhanos, um estrondo aconteceu no estabelecimento. Pessoas se assustaram, algumas correram para debaixo da mesa imaginando que um tiroteio havia começado. Mas não, era apenas um prato que havia caído no chão. Desses pratos bandeja, de metal, utilizados para servir bem os convidados.

Imaginei que havia sido um acidente. No cotidiano de um restaurante, acidentes como esses devem acontecer freqüentemente. O tempo todo esses pratos são levados de um lado para o outro. Mas eis, que pouco mais a frente, enquanto as pessoas cantavam parabéns para um aniversariante – aliás, este restaurante é famoso porque aniversariantes estão presentes em todas as mesas – outro prato caiu ao chão.

Percebi então que não era um acidente, havia uma pessoa, talvez um garçom, especializado em arremessar o prato de metal no chão durante os momentos de êxtase. Responsável por provocar o pavor na alma das pessoas. O prato ainda voltaria a cair no chão algumas outras vezes durante a noite, provavelmente durante a execução da Macarena.

Fui então conversar com este cidadão que arremessa pratos contra o chão. Fui saber um pouco sobre essa prática, suas técnicas, sua história de vida. Queria compreender como é que vivia uma figura assim.

Ele me contou que sua profissão não é fácil. Algumas pessoas se assustam quando o prato é arremessado ao chão e por isso ele já foi ameaçado de morte algumas vezes. Já precisou correr para dentro da cozinha para escapar da agressão dos familiares de um cardíaco que havia passado mal. Em outras vezes, ele precisa tomar cuidado para não transformar o ambiente em uma catarse coletiva. Certa vez, um grupo de gregos estava jantando no restaurante e ao escutar o barulho, eles se descontrolaram e começaram a quebrar pratos contra a parede.

Arremessar um prato também não é uma tarefa fácil. É preciso da técnica precisa para que o prato caía reto no chão e com força suficiente para fazer o barulho necessário. Um arremesso impreciso pode fazer com que o prato caía de lado e também pode estragar todo o momento. Para provocar uma queda perfeita, o garçom me disse que estudou na Rússia durante seis meses.
São anos até conseguir a excelência

Mas, além de tudo, há a questão do feeling. Ele me explicou que todo o trabalho não seria possível se ele não tivesse o dom. “Foi algo que nasceu comigo, eu não sei explicar. Acho que é algo divino”. É preciso saber o momento exato de arremessar o prato, para que tudo funcione perfeitamente. “Leva pelo menos dez anos para formar um atirador de pratos excepcional. Os melhores currículos são disputados no mercado e podem ganhar até R$ 20 mil por mês”.

Em dezembro, os atiradores de prato mundo se encontrarão em Tegucigalpa para o segundo congresso mundial da categoria. O principal objetivo da categoria é juntar forças para incluir o arremesso de pratos no cronograma olímpico a partir de 2020. O garçom com quem conversei diz que esta é uma reivindicação antiga da categoria. Enquanto ela não se concretiza, ele diz que segue trabalhando.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Futurologia Cult

Odair José já foi uma das figuras mais ridicularizadas do Brasil. O cantor das empregadas domésticas, que relatava o seu amor por prostitutas e o desejo para que a amante parasse de tomar a pílula para que, enfim, o amor entre os dois se consumasse na forma de um filho. Outros tempos. Odair José foi tirado deste lugar e se tornou Cult.

Creio que seja um grande círculo que move o mundo. Tudo o que um dia foi brega, ridículo, tosco, trash, no futuro acaba por se tornar Cult. O Cult acaba por reciclar todo o lixo do passado. Continua sendo um lixo, mas agora é um lixo retro que te faz parecer alguém com a cabeça aberta.

O objetivo desse post é fazer um exercício de futurologia. Tentaremos descobrir quais elementos culturais dos últimos 15, 20 anos, tratados como um lixo completo, escória da humanidade, poderão se transformar no Cult da próxima geração. O que os jovens intelectuais irão curtir daqui a 20 anos.

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É o Tchan: Esta é uma certeza absoluta, porque É o Tchan já está se consolidando como um fenômeno Cult nos tempos atuais. As letras místicas de Beto Jamaica e a interpretação visceral de Cumpadi Washington balançarão as novas gerações. As hipsters do futuro acharão super legal se vestir de Loira do Tchan na balada Cult homoerótica.

Latino: Nos últimos anos ele se transformou em uma das figuras mais bizarras do Brasil. Mas, não tenha dúvidas que toda a tosqueira de Festa no Apê será cultuada em um futuro nem tão distante. O povo se divertirá com a letra de Renata Ingrata. Os mais dedicados mergulharão em sua discografia e descobrirão perolas como “Jogou seu charme em mim”. Seu estilo de dança será imitado pelos mais descolados.

Funk: Começou no morro, foi parar na alta sociedade. Logo será esquecido, mas um dia, os bailes funk serão diversão pura para o público intelectual que se diverte. As mulheres verão em Tati Quebra-Barraco um símbolo da defesa pelo feminismo e do prazer sexual das mulheres. Expressões como “martela o martelão” e “vou aparar pela rabiola” serão estudados nas Faculdades de Linguagens.

Power Rangers: Power Rangers tem tudo para se transformar em uma espécie de Zé do Caixão do futuro. Incrivelmente tosco, mas as pessoas assistem e morrem de rir. Power Rangers será o futuro seriado do Batman com Adam West.

Fotolog: Em um mundo dominado por celulares que tiram fotos em alta resolução, uma máquina digital será um item de raridade que garantirá boas noites de sexo para os seus donos. E nesse mundo, ter um fotolog será super divertido. Não é emocionante poder compartilhar fotos da sua vida em uma resolução de 370x246. Ou uma nova rede social que simula o efeito sépia de uma Cyber-shot.

Faustão: Sim, esse dia chegará. Observem os programas do Chacrinha. Era uma apelação danada com mulheres seminuas, piadas infames. E hoje o Chacrinha é visto como um exímio comunicador, símbolo máximo da televisão brasileira. Porque isso não aconteceria com Faustão? Compilações das videocassetadas serão vendidas pelos vendedores de blue-ray pirata.

Chitãozinho e Xororó: Galooooooooooooooopeeeeeeeeeeeiiiiiiraaaaaaaaaaaaaaaaaaa. Isso é tão ruim, que sem dúvida, vai fazer muito sucesso. Fio de Cabelo será cantada em plenos pulmões pelos cults do futuro.

Óculos de Surfista: Feios, utilizados por playboys. Creio que antigamente óculos modelo caçador, de aro grosso, ou que ocupam metade do seu rosto tenham sido igualmente ridicularizados. Sem dúvida, o povo descolado utilizará óculos de surfista no futuro.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Coisas que as mulheres odeiam

Pergunte-me como?
Mesmo Chico César que já foi mulher, eu sei, diria que é extremamente difícil saber o que fazer para agradar uma mulher. Para conquistar o coração de uma representante do sexo feminino, existem várias variáveis e não dá para apontar qual daria certo em cada caso. No entanto, é fácil saber o que não fazer. Uma série de atos que se feitos, batata, irão te afastar de qualquer mulher.

Portanto, se você quer ser um cara quente com a mulherada, veja as nossas dicas abaixo. Aceite que os comportamentos listados são um mergulho para a abstinência sexual. Evite praticá-los, não vai dar certo. Engula o choro e não conteste.

1 Usar Roupas Velhas: Não tem jeito. As mulheres não gostam que homens utilizam roupas velhas. Você não precisa usar cuecas de 200 reais, mas, não chegue ao primeiro encontro com a menina utilizando aquela camiseta do seu vereador de 1996. Pode ter certeza que vai dar errado. Roupas alternativas, feitas de papelão e isopor também são repelentes de garotas. Nenhuma gosta de sair com um cosplay de mendigo.

2 Mau Hálito: Se o seu chefe tiver mau hálito, você ficará incomodado com ele e evitará qualquer conversa. Agora imagine a reação que isso pode provocar em uma pretendente. Cheiro ruim na boca é certeza de que você vai ficar na mão, solitário com seu cheiro de carniça na boca. Se o cheiro for de fezes, a situação ficará ainda pior pois o hálito irá revelar seus hábitos alimentares ortodoxos.

3 Faltar em encontros: Se você assumiu um compromisso, você tem que cumpri-lo. Nada é mais desagradável para uma mulher do que se produzir durante quatro horas, experimentar dezessete vestidos e depois passar a noite sentada no sofá esperando um telefonema ou um toque da campainha. Certeza que ela nunca mais irá querer te ver, assim como, irá desejar que você tenha uma morte lenta e dolorosa. Se ela descobrir que você estava jogando sinuca com os amigos, pior ainda.

4 Homens esquecidos: Faltar encontros é um sinal de que você é um homem esquecido. Se você esquecer, por exemplo, de ir ao aniversário dela, no qual você seria apresentado para a toda família… isso realmente é uma falha grave. Sua fama de relapso irá se espalhar e você nunca vai pegar ninguém.

5 Surpresas desagradáveis: Não adianta tentar se redimir com sua pretendente, bolando uma surpresa. Principalmente se essa surpresa for algo do tipo, invadir o quarto dela com uma máscara de Jason e uma motosserra ou colocar uma atum dentro da privada, ou aparecer com os amigos para uma partida de sinuca. Não vai dar certo. Isso não irá apimentar a relação.

6 Relações extraconjugais: Você pode até gostar, mas não adianta: mulheres não gostam de homens que mantém relações extraconjugais. E aí, nós incluímos as relações com outros homens, cabras, cavalos, samambaias e canos de escapamento. Você pode dizer que está tentando abrir a sua mente, mas não vai colar. Há uma boa chance que ela se vingue de você, tentando decepar o seu pênis. Portanto, para evitar que seu órgão sexual vire ração de peixe, não mantenha relações extraconjugais.

7 Agressões: Algumas mulheres dizem que gostam de um tapinha e outras podem ter desejos sado masoquistas. Mas, no geral não é assim. O goleiro Bruno pode perguntar quem é que nunca saiu na mão com uma mulher, que isso é normal. Mas, não é. Mulheres entrevistadas por este blog foram unânimes em afirmar que levar socos no nariz, chutes na canela, cotoveladas na nuca, joelhadas na orelha são um caminho para perder o coração de uma mulher. As agressões verbais são igualmente eficientes nesse sentido. Portanto, evite chamá-la de filhote de satanás antes de atingi-la com um roundhouse kick.

8 Lamber Objetos Inanimados em público: Se você gosta de chegar em um restaurante e lamber os talheres, o prato, o copo, o encosto da cadeira, o pé da mesa, o vaso de decoração, a sola do sapato do garçom... esqueça. Mulheres não acham esse gesto sensual. Segundo a fisiologista Sarah Kubitschek, lamber o nó da gravata borboleta do Maître “é da ordem do horror”.

9 Realizar Rituais Satânicos: Nem pense em realizar rituais satânicos dentro da sua casa. A imagem de um bode sendo degolado vivo irá afastar sua amada para sempre. Rituais que provocam isolamento durante três ou mais dias, podem ser um convite para que ela saia de casa. E nunca, em situação nenhuma, realize um ritual satânico na cama do casal. Nenhuma mulher perdoaria isso, ver seus lençóis sujos.

10 Coçar a bunda: Não tem jeito. Mulheres odeiam homens que coçam a bunda. Principalmente se o ato for seguido pelo gesto de levar o dedo em direção ao nariz e cheirar. Colocar os dedos na boca então, nem pensar. Lembre-se bem desse, pois de nada adianta ser o Brad Pitt se você coça a bunda e cheira.

Agora, vá conquistar as gatinhas.

Ele seguiu nossos conselhos

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Previsões para as Olimpíadas 2012 – Final

Em primeira mão, os nossos velhos especialistas de sempre antecipam a Verdade sobre os esportes restantes.

O CH3 pode ser visualizado em qualquer lugar
Polo Aquático: “Imagino que os jogos serão disputados em uma piscina e esta piscina estará cheia de água”, disse o cantor Paul McCartney, profundo conhecedor de Londres. Pai Jorginho de Ogum vai adiante e afirma que atletas estarão dentro dessas piscinas, arremessando bolas. Os favoritos são os países do Leste Europeu, além de Espanha e Itália.

Remo: Os anfitriões britânicos possuem enorme tradição neste esporte e deverão conquistar todas as medalhas possíveis e imagináveis. Os principais rivais dos ingleses serão os franceses, sempre eles, além dos australianos. A torcida do Reino Unido prometeu um derramamento de sangue se as derrotas acontecerem.

Saltos Ornamentais: Desde que os chineses se interessaram por fazer acrobacias durante o percurso entre o salto da plataforma até o mergulho na água, não tem para ninguém. Eles irão humilhar os adversários, com sutilezas que só os juízes percebem. Como os saltos são apreciados pelas mulheres, a televisão ficará longas horas exibindo a modalidade e toda a saga de um brasileiro que se arrastará pela décima sétima colocação. “Uma coisa engraçada, nesses esportes que ninguém entende, é que o comentarista sempre dá a entender que o ganhador não mereceu”, disse o comediante Rafinha Bastos.

Taekwondo: Os asiáticos irão dominar a competição, como sempre, porque eles são especialistas nessas lutas de nomes orientais. No entanto, o sociólogo Friedrich Nietzsche afirmou que, “a convicção é inimigas da verdade, logo, os orientais poderão perder”. Sua opinião foi de pronto rebatida pelo historiado Jackie Chan, para quem, Nietzsche é uma mulherzinha chorona.

Pênis!
Tênis: O tênis é um esporte que está na moda, graças ao desempenho sensacional de Roger Federer, Novak Djokovic e Rafael Nadal que ganharam todos os torneios nos últimos anos, sem dar uma mísera chance para seus adversários. Nadal se machucou e não estará em Londres, o que deixa o caminho da final aberto para os outros dois. O brasileiro Thomaz Bellucci irá perder um jogo que as pessoas dirão que ele até poderia ter vencido.

Tênis de Mesa: Em toda a história do ping-pong nos Jogos Olímpicos, foram distribuídas 24 medalhas de ouro. Dessas, 20 foram conquistadas pelos chineses. Em outras três vezes, um sul-coreano subiu ao topo do pódio. E um mísero sueco conquistou um ouro em 1992. Bem, tudo indica que a China irá ganhar todas as medalhas. Incluindo a prata e o bronze, quando possível.

Tiro: O tiro é um dos esportes mais imprevisíveis a nível de prognóstico futurístico. Ao longo dos quatro anos de preparação para os Jogos, muitos acidentes podem acontecer, ceifando a vida dos principais atletas. “O Tiro é sem dúvida o mais belo esporte olímpico. Se você não sabe qual é a sensação de pegar em uma arma, sentir o cano quente e atirar em uns vagabundos, digo, em uns pratos, você não sabe o que é viver”, disse o octacampeão olímpico Charles Bronson.

Tiro com Arco: A cada competição, a população pode ter a certeza de que Robin Hood será o favorito ao ouro. Maior arqueiro da história, Robin é capaz de cumprir seus objetivos com facilidade. No entanto, seu lado altruísta faz com que ele sempre pense nos menos favorecidos e acabe por abdicar da vitória, em nome da conquista de um atleta mais pobre de talento do que ele.

Triatlo: “O triatlo é fascinante. Todos podem ganhar e todos podem perder”, afirmou o escrito Paulo Coelho. Como a prova envolve trechos distintos de natação, corrida e ciclismo, vários atletas podem se alternar na liderança. O clima agradável do Hyde Park acompanhado da previsão de tempo seco para o final de semana da prova deverá beneficiar os atletas australianos e sua dieta a base de refeições no Outback.

Post?
Vôlei: Eterno favorito a toda e qualquer conquista, o Brasil chega enfraquecido até Londres. Na equipe masculina, Bernardinho parece ter perdido a fórmula mágica que fazia com que suas equipes ganhassem todas as partidas. Polônia e Estados Unidos estão degraus a frente. Entre as mulheres, o desfalque de Mari Paraíba pode prejudicar a relação com os árbitros e com a torcida. Ponto para as norte-americanas que vem vencendo todos os torneios. Já no vôlei de praia, as duplas norte-americanas sempre ganham também.

Agora é só esperar o resultado. Se por algum acaso nossa equipe tiver errado, basta entrar em contato com eles, que eles irão se responsabilizar.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Previsões para as Olimpíadas 2012 – Continuação

A nossa velha equipe de especialistas de sempre, segue dando seus palpites, ou melhor, trazendo spoilers do futuro sobre o evento.

Chana: impenetrável
Handebol: A equipe feminina do Brasil irá perder nas quartas-de-final e chegará a conclusão de que está muito próxima de conquistar uma medalha olímpica. O ouro será conquistado por algum país do leste europeu, ou mesmo da Europa ocidental. “Rússia, França, Suécia, Letônia. Todos podem ganhar, mas todos também podem perder. Esta é a magia do Handball”, avaliar o compositor Beto Barbosa.

Hipismo: “Geralmente, a minha atitude com o Hipismo é a mesma dos cavalos. Eu cago e ando”, disse o antigo presidente de uma confederação desportiva brasileira, que prefere não se identificar por temer as represálias da Ordem Eqüestre Mundial. Um prognóstico sobre o hipismo é complicado, porque existe uma conjunção de fatores que determinam o resultado da competição. Mas, como este blog não se furta de tomar decisões, falamos que um dinamarquês será medalhista.

Hóquei na Grama: A equipe argentina segue sendo a favorita a conquista da medalha. Nossa equipe de especialistas foi unânime em pedir mais um tempo para tentar se informar sobre este esporte, que de fato, ninguém assiste.

Iatismo: O mais tradicional esporte brasileiro é uma certeza de medalhas depositadas no quadro nacional. “O mar, quando quebra na praia é bonito. Mas velejador, quando saí, nunca sabe se volta”, disse o músico Dorival Caymmi. O Brasil é o favorito a conquistar todas as medalhas possíveis, mas, sempre há a possibilidade de quem um vento norte impeça as conquistas brasileiras.

Doce
Judô: Segundo Cléber Machado, “o Judô é decidido nos detalhes. Um koka pode ganhar uma luta? Pode, mas também pode perder. Um ippon ganha? Ganha. Mas quem garante que um ippon irá acontecer? A gente não sabe. Podem vir punições, pode ir tudo para a mão dos juízes. Enfim, tudo pode acontecer”. Nossa assessoria mediúnica nos garantiu que o Brasil irá conquistar quatro medalhas, das mais variadas cores.

Levantamento de Peso: Uma das grandes expectativas para estes jogos Olímpicos é se o bielorrusso Andrei Arranau irá repetir o fenomenal desempenho de Pequim 2008, quando ele ganhou o ouro batendo o recorde mundial. Ele tinha apenas 20 anos e surpreendeu os favoritos russos. Segundo a OAB, Arranau está numa fase fantástica e assistir o seu desempenho nos jogos olímpicos será um verdadeiro presente de Deus.

Luta: Nos últimos anos, a tradicional Luta Olímpica tem perdido espaço diante da ascenção do MMA. Para 2016, a organização olímpica pretende mudar o nome dos atletas, em nome do marketing. Outra medida é que os ataques aos juízes e a utilização de mordidas seja liberada. Os atletas da antiga União Soviética deverão dominar o quadro de medalhas, porque na União Soviética é assim.

Nado Sinconizado: “O Nado Sincronizado é aquele típico esporte que apenas as mulheres assistem”, diz o escritor Dan Brown. De fato, enquanto os homens se interessam em assistir qualquer outro esporte, as mulheres se apegam apenas em nado sincronizado e ginástica. As medalhistas devem ser as mesmas de sempre, porque nestes esportes, os juízes avaliam a história e não o desempenho.

Natação: No dia 3 de agosto, os brasileiros devem se colocar na frente da televisão para assistir a final dos 50m livres. César Cielo terá uma das claras chances de medalha dos brasileiros, apesar de ele próprio ter certeza que não conseguirá. Fora isso, australianos e norte-americanos dominarão as medalhas. Thiago Pereira conseguirá o quarto lugar na final dos 200 medley pela octogésima vez em sua carreia. Michael Phelps, por sua vez, não conseguirá repetir os oito ouros das últimas Olimpíadas. Mesmo assim, ganhará mais do que todos os países sul-americanos juntos.

Pentatlo Moderno: Consultamos nossos especialistas de sempre e eles não souberam. Consultamos nas grandes redações do mundo e nem um único profissional acompanhou o resultado do pentlato moderno nos últimos anos. Fomos atrás dos atletas e eles nos revelaram que eles não fazem nenhum treinamento e que apenas são sorteados aleatoriamente para participar do evento. O ET Bilu, após sugerir que nós buscássemos conhecimento, disse que um norte-americano ganhará o Ouro. O pentlato é muito praticado no país natal de Bilu.

Ainda continua.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Previsões para as Olimpíadas 2012

Faltam nove dias para o início dos jogos olímpicos. Aquela contagem regressiva interminável, que começou quando ainda deviam faltar 20 mil dias está próxima do fim. Finalmente os Jogos irão começar. As Olimpíadas têm uma ligação especial com este blog. Foi graças a ela que nós conseguimos a fama mundial, dinheiro e a convivência com a alta sociedade.

Por isso, não poderíamos deixar esta competição tão especial passar em branco. Consultamos nossa lista de especialistas de sempre, para apontar com uma precisão suíça, como serão os resultados dos jogos. A participação dos brasileiros, as vitórias, as derrotas, os heróis, a gonorréia.

Atletismo: O Brasil se resume a duas esperanças no atletismo: Fabiana Murer e Maureen Maggi. Fora isso, teremos uma série de resultados medianos. Para piorar, todos os atletas ficarão aquém das suas melhores marcas e terminarão os jogos lamentando que o dia não estava bom. Usain Bolt ainda deverá ser o grande showman, no entanto, nenhum outro atleta deve ser desprezado. “Não existe mais bobo nos 100 metros”, disse Pai Jorginho de Ogum.
Infelizmente, este não era meu melhor dia

Badminton: A velha rivalidade entre China e Coreia do Sul deve marcar ponto nessas Olimpíadas. Para estes dois países, a vitória no Badminton é uma questão de honra e a derrota pode resultar na execração pública. Por outro lado, a Indonésia também tem tradição no esporte e os dinamarqueses vêm crescendo de produção e buscam derrotar a supremacia asiática. “O Badminton é uma metáfora para a vida”, disse Pedro Bial.

Basquete: As seleções norte-americanas de basquete partem como favoritas absolutas para as medalhas de ouro no masculino e no feminino. Segundo Jorginho de Ogum, a seleção feminina deve ser massacrada impiedosamente logo nas quartas-de-final, enquanto que a equipe masculina tem uma oportunidade de ouro para provar que pode ganhar os jogos difíceis. “Nas Olimpíadas, os jornalistas adoram falar em oportunidade de ouro, além de relacionar as medalhas ao brilho. Malditos”, disse Gilmar Mendes.

Boxe: Os cubanos sempre foram a grande força do boxe olímpico. No entanto, nos últimos anos eles tem se dedicado aos estudos da filologia e deixado a porradaria de lado. Assim, a grande força da competição deve estar entre os países da União Soviética. Todos sabem que os treinamentos dele são os melhores. Os brasileiros tem alguma chance de conseguir uma medalha dispersa.

Canoas são o pênis
Canoagem: Muitos países irão brigar pelo ouro olímpico na canoagem. O Brasil, sem dúvida, não está entre eles. “A canoagem é um esporte sensual. Aqueles remos, os barcos fálicos. Sem dúvida, os canoístas gostariam de manter relações sexuais com suas próprias mães. Quem nunca?”, Sigmund Freud.

Ciclismo: O ciclismo chega a Londres com a sua imagem manchada, graças aos freqüentes escândalos de doping. No entanto, isso não deverá impedir que os velódromos estejam lotados, uma vez que o público europeu adora o esporte. Pedalando em casa, os britânicos têm uma grande chance de fazer com que deus salve a rainha.

Esgrima: A esgrima terá uma participação peculiar nos jogos. Ela sempre aparece nos momentos em que não há um único esporte sendo jogado. Então, descobre-se que um brasileiro vai lutar. As imagens cortam para o local do embate e durante dois minutos todos assistem aquele espetáculo sem saber quem é quem, quem está ganhando, se alguém vai morrer. É noticiado que o brasileiro perde e que nós voltaremos ao atletismo. O brasileiro vai disputar a repescagem e ao longo do dia, somos informados que ele perdeu todas as repescagens possíveis. “Na esgrima, as notícias se repetem como em um eterno dia da marmota”, opina Bill Murray.

Na ginástica, ninguém afoga o Ganso
Futebol: A tradição diz que o futebol brasileiro é constantemente enrabado durante os Jogos Olímpicos. Mas, como neste ano o Corinthians ganhou a Libertadores e o Chelsea a Champions League, é bem provável que o Brasil ganhe o sonhado ouro e eclipse todas as outras medalhas brasileiras. No feminino, o Brasil voltará com uma medalha e a promessa de investimento na categoria.

Ginástica: A equipe brasileira chega a Inglaterra com um ambiente pesado, cheio de traições, cortes, contusões. Só não digo que o clima é de Sodoma e Gomorra, porque eu duvido que eles façam sexo. Mesmo assim, existe uma grande chance de a imprensa depositar suas esperanças em algum atleta que irá escorregar na apresentação final, sendo alçado ao posto de vilão nacional, cuja pena é ter afixada em sua testa uma placa com os dizeres “fracassado”.

A série continua nos próximos dias.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Uma mensagem para Pedro Bial

Todos na vida precisam de um amigo. Alguém que possa te apoiar tanto nos maus, quanto nos bons momentos. Pessoas que nos ajudem a tomar decisões, que nos incentivem nos momentos necessários, mas que saibam a hora de nos sugerir uma pausa, uma mudança de caminho. Por essas e outras que eu acho que você, Pedro Bial, não tem amigos.

Compreender o que acontece com a sua vida seria uma boa tese de mestrado para psicólogos, astrólogos, sociólogos e afins. Não falo aqui de uma possível ruína financeira, não sei se você é hoje mais rico, ou mais feliz. Eu falo do papel que se representa para a sociedade. Tento entender o que é que aconteceu com você.

Hoje é até difícil lembrar que você, Bial, já foi um jornalista respeitado. Aliás, é difícil lembrar que você foi jornalista. Correspondente internacional, teve o privilégio de cobrir a queda do Muro de Berlin, ver com os próprios olhos o maior acontecimento do final do século XX. Você também acompanhou a Guerra do Golfo e tantos outros importantes acontecimentos mundiais. Esteve no comando do Fantástico, que, queiram ou não, é um dos grandes programas jornalísticos do Brasil.

Estava bom, não estava? Mas eu me lembro do ano de 1998, quando o Brasil sofreu aquela fatídica derrota para a França na final da Copa do Mundo. Zidane meteu dois gols, um pra cada parte do hino nacional, e você escreveu uma crônica. Creio que se inspirou em Nelson Rodrigues, deu luzes poéticas a derrota, misturou o futebol e a vida, questionou o sentido daquilo tudo. E as pessoas gostaram, não sei se pela fragilidade psicológica provocada pela humilhante derrota. Nascia ali o Bial poeta, ou você deixava de esconder este seu lado artístico.

Em 2002, quando o mundo ainda se recuperava da queda das torres gêmeas, você começou a apresentar o Big Brother Brasil, ao lado da Marisa Orth. E você se destacou, não? Enquanto a Magda logo foi evaporada pelas mancadas dela, você reinou absoluto no programa. Manteve ali a sua verve poética, que aumentou ao longo dos anos. É precisa muita inspiração para criar figuras como "A Grande Nave" e coisas assim. Ali, nascia o Bial showman.

No ano seguinte, no final do ano creio eu, você atingiu seu apogeu. Uma interpretação de um texto sobre o filtro solar, que utilizava de várias metáforas em um texto de linguagem poética motivacional. O texto rodou o mundo em slides de Power Point e você foi para os braços do povo. Creio que neste momento, você misturou seu lado showman, poeta, se transformou em um frasista e criou sua própria marca. Todo texto reflexivo sobre aspectos medíocres da vida ganhavam sua assinatura.

A Copa do Mundo se transformou em um evento irritante pelas crônicas que você insiste em fazer após cada partida. Tomar dois gols de cabeça do Sneijder é foda, mas, tomar dois gols de cabeça do Sneijder e ainda te ver refletindo sobre a vida, a derrota em uma linguagem de auto-ajuda é pior ainda.

Mas teve mais. Você levou sua prosa para o final de cada Big Brother. Suas palavras transformaram o ridículo evento do paredão em um embate de ideologias, uma figura de linguagem que representa a vida, uma questão existencial. E o povo adora. Pedro Bial deixou de ser uma testemunha ocular da história para se transformar em um Ícone da Geração Big Brother. Essa geração que tinha oito anos quando o programa estreou, que cresceu com o sonho de participar da casa, essa geração de vontades efêmeras, que coloca qualquer música com onomatopeias no topo das paradas, com a desculpa de que o ritmo é gostoso pra dançar. Você é o grande guru, o mestre dessa geração. Eles te veem como um Gandhi, um Martin Luther King.

E você se assumiu nesse posto. E o que é pior, passou a acreditar que faz parte dessa Geração. Quando o seu novo programa foi anunciado, estava claro que ele não seria bom. O nome ridículo, o Jota Quest como trilha sonora. Porque você escolheu esse nome? Porque teoricamente era uma expressão utilizada pelos jovens. Como você foi vestido no Programa do Jô para falar sobre o programa? Com uma calça rosa. Oras, ninguém com mais de 18 anos tem o direito de usar uma calça cor de rosa, exceção feita aqueles que interpretam algum personagem excêntrico.

Pois este é o problema com você, Bial. Você virou um personagem. Além do showman frasista, agora você virou o tiozão que quer se enturmar. Aquele cara que vai de bermuda florida no aniversário de 15 anos do filho e fala com a galera sobre as gatinhas. Você acha que está arrasando, mas seu filho está pensando em fugir de casa. Bial, você está se transformando na personificação do Tio da Sukita. E isso é triste.

Por isso, eu acho que você, que tanto deu conselhos aos outros, jamais recebeu um. Mesmo que fosse para usar filtro solar. Por isso que eu te digo: terno roxo não dá Bial. É preciso parar.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Grandes Letras Clássicas da Música Brasileira (VII)

Rock, bebê.

É provável que o rock seja o mais curioso dos estilos musicais. Quase toda merda pode ser classificada como rock, ao mesmo tempo em que os puristas não reconhecem nada como rock de verdade. No Brasil, essa diferença é ainda mais crusel. Mas, que se fodam as diferenças, porque hoje é o dia do rock! Vamos nos vestir de atitude e roupas pretas para analisar as grandes letras deste gênero em língua portuguesa, motherfuckers!

Capital Inicial – Quatro vezes você
“Carolina pinta as unhas roídas de vermelho, em vez de estudar fica fazendo poses nua no espelho. Parece estranho mas podia ser. O que você faz quando ninguém te vê fazendo? O que você queria fazer se ninguém pudesse te ver?”

O Capital Inicial é uma banda que surgiu nos anos 80 e ninguém tem certeza de eles faziam sucesso naquela época. Estavam devidamente esquecidos até serem resgatados por um acústico MTV. Desde então, eles estão por aí, aporrinhando as pessoas com músicas cada vez mais medíocres. “Quatro Vezes Você” é um hit de 2002 que se destaca por uma letra peculiar, em que cada verso não tem relação com o anterior. Podia ser o que?, cara pálida. O assunto da letra são os masturbadores compulsivos. É a única explicação para o título, uma alusão ao quatro contra um (no caso do Lula).


Jota Quest – Amor Maior
“Eu quero ficar só, mas comigo só eu não consigo. Eu quero ficar junto, mas sozinho só não é possível. Quero um amor maior yeah, amor maior que eu”.

Até hoje os juristas não conseguiram chegar a um consenso. Rogério Flausino quer ou não ficar sozinho? Um enigma que ficará para as próximas gerações. A única certeza é que a letra é novamente sobre a masturbação, o amor solitário. Bem, outra certeza é que sim, o Jota Quest é a pior banda da história.


Charlie Brown Jr – Papo Reto
“Otário, eu vou te avisar, o teu intelecto é de mosca de bar. Você deixou ela de lado para falar com seus amigos sobre suas coisas chatas. Ela deu brecha e eu me aproximei, porque eu me fortaleço é na sua falha. Ela estava ali sozinha querendo atenção e alguém pra conversar. Você deixou ela de lado, vai pagar pela mancada, pode acreditar. Então já era, eu vou fazer de um jeito que ela não vai esquecer. Vou te avisar: intelecto de cu é rola”.

Eis um trabalho hercúleo: fazer um compacto das melhores frases desta canção. O poeta contemporâneo Chorão faz uma mistura entre sua prosa de malandro, associada às frases de auto-ajuda de quinta categoria e palavrões aleatórios. O resultado é um clássico absoluto do rock nacional e um dos pontos mais baixos da história da humanidade.


Detonautas – Outro Lugar
“Ainda vou te levar para outro lugar além do sol do mar, onde eu possa te ter, te amar, o tempo vai ser maior”.

Existe algum lugar além do sol? Além do horizonte? Um lugar em que ocorra uma distorção do espaço/tempo? É provável que Tico Santa Cruz esteja cantando sobre dilemas físicos/existências para leigos. E o mais incrível é que o autor dessa merda, hoje anda por aí como se fosse um cara intelectual do rock.

Moral da história: quando quer, o rock consegue ser pior do que os outros gêneros. Porque qualquer banda se leva a sério demais.

E não perca em breve, a grande edição com Letras Clássicas do Legião Urbana, para sepultar de vez a pouca credibilidade deste blog.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

O tamanho das coisas

Esses dias eu estava conversando com uma pessoa que me disse que queria comprar um novo aparelho celular. Ela citou um determinado aparelho e disse que o mesmo era muito bom, pelo fato de ser grande. Eis um sinal involuntário da mudança dos tempos.

Quando os celulares surgiram, os mesmos eram trambolhos gigantes, apelidados carinhosamente como tijolões. Arremessar o mesmo na cabeça de uma pessoa poderia provocar morte. Um homicídio doloso, porque você saberia que a pessoa ia morrer.

Símbolo do poder
Com o tempo, os celulares foram diminuindo. Lembro do histórico modelo Startac, que era o cúmulo da pequeneza. Símbolo de status, de poder. Sinônimo de riqueza, nobreza. Ter um, significaria que muitas portas seriam abertas. Logo, tantos outros modelos surgiram, logo se imaginou o dia em que o celular seria do tamanho de um dedo. Ou menor.

Mas, isso não ocorreu. Com o avanço dos tempos, os celulares agregaram funções e hoje são capazes de unir o mundo e até de fazer café. Cresceram de tamanho. Hoje, um celular grande significa que ele é melhor para a exibição de vídeos e de tudo o mais. Hoje o bom é o celular grande.

Imagino que sempre tenha sido assim com o objeto mais importante para o homem. Com o cavalo? O desejo por um cavalo pequeno deve ter originado o pônei. Carros pequenos entram na moda e logo são substituídos por caminhões bitrem. O mundo dá voltas.

Este pequeno texto foi friamente planejado, e não significa de maneira alguma, que ele seja improvisado, fruto da falta de dedicação do blog. Abraços.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

"Eu Vou Fazer O Meu Trabalho"

O Brasil, como todos já sabem, é a pátria do UFC. A ascensão da Luta Livre a esporte nacional foi rápida e furiosa. Quando as pessoas comuns perceberam, já não podiam mais escapar de um mundo em que o público vibra ao ver dois homens de sunga abraçados no chão em posição papai-mamãe.

Pois, foi neste mundo em que um duelo entre o semideus Anderson Silva e um americano de nome estranho ganhou ares de luta do século. Um embate entre o terceiro e o primeiro mundo, entre o imperialismo estadunidense e os oprimidos latinos-americanos. Foi quase um duelo entre Ivan Drago e Rocky Balboa. Silva virou um Simon Bolívar pós-moderno.

Como sempre, o duelo foi cercado de provocações. Faz parte do espetáculo que os dois lutadores fiquem se encarando antes da luta, que façam provocações das mais variadas. Tudo na chamada guerra psicológica, numa tentativa de desestabilizar a mente do adversário. Mas, na verdade é só marketing, para que o público espectador acredite que, nossa, de fato os oponentes se odeiam, eles irão lutar até a morte se for preciso, porque eles não tolerariam ver o outro vitorioso.

Foi nesse contexto, que o ícone Anderson Silva disse que iria bater em seu adversário. A frase foi destacada por todos os portais da internet, se popularizou no Twitter. Creio que "eu vou bater nele" substituiu a eterna "amar é jamais ter que pedir perdão" nas camisetas que nós vemos na rua.

Oras, bater no adversário é o grande, senão o único, objetivo de uma luta livre. Por mais que, para alcançar este objetivo, os lutadores fiquem de sunga na posição do frango assado, acreditamos que eles só querem se bater. Se eles quisessem outras coisas, seria mais fácil passar um telefonema no final da luta. Afirmar que vai bater no adversário não é nada de mais. É só o que se espera dele, nada mais do que isso.

Shun odeia a violência
Queriam que ele falasse o que? Que "iria apanhar muito do seu adversário" ou que iria tentar fugir ao máximo da luta, porque ele odeia violência. Estranho seria se o A. Silva falasse que iria estuprar o adversário. Ou que iria meter dois gols nele. Ou que iria cruzar a linha de chegada primeiro. Ou que iria convidá-lo para um jantar mexicano a luz de velas, ensiná-lo a dançar um bom bolero e terminarem a noite entregues ao desejo carnal.

Na era do politicamente correto, as pessoas não podem mais falar que pretendem cumprir seus objetivos. Se um jogador de futebol fala que vai meter um gol no adversário, seus oponentes se sentem ofendidos. Dizem que foram desrespeitados, que o futebol é dentro de campo e que iriam dar a resposta dentro do gramado. Se um jogador de basquete fala que irá fazer uma cesta de três pontos, a torcida adversária já irá preparar as vaias e as pedras para o falastrão.

Preparamos frases polêmicas ditas durantes a história.

"Eu vou criar o mundo em seis dias e descansarei no sétimo". Polêmico, Deus afirma que pretender criar um planeta.

"Eu vim, vi e venci". Júlio César, imperador de Roma em um momento egocêntrico.

"Nós vamos vencer a Segunda Guerra Mundial". Wiston Churchill ignorando o poderio nazifacista e cantando vitória antes da hora.

"Eu vou pisar na lua". Neil Armstrong subestima os poderes do espaço, acreditando que chegará a lua.

"Eu vou sempre amar você". Whitney Houston, esquecendo-se que nada é para sempre. Um dia as pessoas morrem.

"Eu vou colocar os meninos para jogar bola e as meninas para jogar vôlei". Professor de Educação Física, ciente de que sua profissão não permite muitas possibilidades. Mas, vá saber?

Talvez, se Anderson Silva tivesse adotado a postura clebermachadiano e tivesse dito "Talves eu bata nele, talvez não. Um de nós pode morrer, assim como os dois poderemos ainda rir muito disso tudo, quem sabe o futuro?", ele não teria parado nos jornais. Mas, o fato é que ela não deveria. É absurdamente idiota dar destaque para uma coisa óbvia.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Sobre torcer e torcer contra

Não sei dizer qual foi o momento exato, mas em certo ponto ficou muito claro que o Corinthians iria ganhar a Libertadores em 2012. Talvez tenha sido no gol de Paulinho, no último lance do jogo contra o Vasco. Depois de Diego Souza ter desperdiçado a única chance de gol em 180 minutos do duelo, aquele gol de Paulinho mostrou que, além de um time bom e focado, jogadores decisivos e tranquilos, torcida participante, mostrou que o time estava ungido. E não se ganha uma Libertadores sem estar iluminado.

Claro que o avanço corintiano rumo a glória provocou reações adversas. Como é de costume, aqueles que não torcem para o time, torcem contra. Essa é a lógica do futebol. Você tem o seu time de futebol e torce para que ele ganhe todos os campeonatos possíveis todos os anos. E, naturalmente, torce contra todos os outros. Para que eles sofram derrotas humilhantes, dia após dia, desgraçando todos seus torcedores. Como isso, infelizmente, não é possível, você opta por uma redução de danos.

Qual era a expectativa sobre o título do Corinthians? Que sua timeline seria infestada de mensagens melosas sobre o orgulho de ser corintiano. Que os jornais do dia seguinte fariam matérias de 30 minutos sobre o título corintiano. Tino Marcos faria um texto comparando algum jogador com um maestro e a torcida com uma orquestra. Seria o apocalipse. Agora, e se o Boca tivesse ganho? Não aconteceria nada. E se fosse o Atlético-MG? Nada. Você torce para aquele que fará menos mal. E sob esse ponto de vista, o Corinthians é sim o time mais odiado do Brasil, ao lado do Flamengo.

Infelizmente, alguns corintianos não entendem assim. Tudo porque o Corinthians é a equipe mais paparicada pela grande imprensa nacional. Os corintianos dirão e Tiago Leifert, argumentará, que é uma questão de mercado. E, de fato, é. O Corinthians tem a maior torcida do principal mercado consumidor do Brasil e é natural que tenha mais jogos transmitidos. Mas, isso não justifica que os canais de televisão contratem ídolos corintianos para comentar futebol, sem falar nada com nada, apenas por serem corintianos.

Além disso, a mídia estimula o "marketing do sofrimento". O Corinthians se orgulha dos seus piores momentos. A maior festa da equipe foi a conquista do Campeonato Paulista em 1977, após 23 anos de jejum. O título da segunda divisão foi mais comemorado que o título brasileiro. Corintianos adoram "redenção", se definir como nação. Todas suas conquistas ganham contornos de drama, mesmo que seja em um jogo frio como a final do Boca.

Geralmente, a transmissão televisiva mostra a torcida vez ou outra. Em jogos do Corinthians, cada lance é pontuado por uma imagem da arquibancada. Alguma imagem de sofrimento, que passa a sensação de que o corintiano é o único que sofre e torce. O único. Corintiano se acha assim. A torcida se convenceu disso e passou a tratar quem seca o Corinthians em jogos decisivos como "antis". Em um surto megalômano, eles acreditam que todos os outros torcedores do planeta vivem apenas para torcer contra a equipe de Parque São Jorge.

Confesso que eu também já teria desistido de ler esse texto

Mas não é assim. No já citado jogo contra o Vasco, vocês acham que os Flamenguistas torceram contra o Corinthians? Torceram contra o Vasco é lógico. Para que o Vasco fosse massacrado. Isso é o futebol. Quando o São Paulo enfrentou o Liverpool em 2005, todo mundo secou o São Paulo. Nos anos em que o time foi tricampeão brasileiro, isso também aconteceu. Porque? Porque para os outros, naquele momentos os danos seriam menores com a conquista de outro time. Eles não teriam que aturar a empáfia da torcida do São Paulo, falando da estrutura que ganha títulos sozinha.

De tão convencidos, os corintianos começaram a falar que conseguiram a proeza de fazer brasileiros torcer pela Argentina. Como se eles próprios não tivessem feito isso em 2000. Falaram que isso demonstrava a falta de caráter. Claro, não é preciso dizer que quem diz isso não deve acompanhar futebol. Só sendo muito alienado para acreditar que um palmeirense torceria para seu principal rival, resumindo quase um século de rivalidade em um ódio fake de Brasil x Argentina. No futebol o clubismo é muito maior do que nacionalismo, oras. Além disso, os pobres argentinos não são maníacos estupradores de criancinhas e mutiladores de velhinhos. Quem torce para um time brasileiro, por ser brasileiro, só pode ser classificado como anormal.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Palavrinhas Mágicas

Ou, Pequenas Coisas Superestimadas da Modernidade

Quando nós éramos crianças, os mais velhos nos ensinavam que existiam algumas palavras consideradas mágicas. Eram palavras como "Obrigado", "Por Favor" ou "Com Licença", que seriam capazes de abrir portas, mover montanhas e abrir o mar vermelho. Mais úteis do que "abracadabra" e similares ensinadas em programas infantis.

Neste mundo moderno, também conhecido como o mundo em que nós vivemos, existem outras palavras mágicas. Não, elas não te possibilitam tirar coelhos da cartola ou caminhar sobre o oceano. Mas, assim que elas são pronunciadas, o mundo parece parar. Pessoas e mais pessoas desistem de continuar a realizar os seus afazeres e entram em um transe coletivo, em êxtase, numa espécie de culto pós-moderno.

É o caso do cupcake. Fale para os seus amigos que você tem cupcakes em casa. Isso não te permitirá multiplicar peixes ou puxar um lenço de dentro do seu esôfago, mas te tornará no cara mais popular da roda de amigos. Isso porque o cupcake exerce um fascínio sobre a sociedade contemporânea. Na internet, podemos ver pessoas que dedicam os seus dias e toda a sua vida em adoração ao cupcake.

E o que vem a ser um cupcake? Um bolo. Sim, é um bolo pequeno que caberia em uma xícara. Mas não deixa de ser um bolo. A humanidade gosta de bolo? Creio que sim. Conheço pessoas que já praticaram os mais perversos atos em nome de um pedaço de bolo. Só que ninguém fica parado diante de um bolo, admirando-o em louvação incessante. Ninguém posta no Facebook uma foto filtrada de um bolo de fubá, ou um bolo de cenoura. Ninguém.

Já os cupcakes, gastronomicamente falando, não tem muita graça. O seu charme está em sua decoração. Por isso, os culinaristas responsáveis pelos bolinhos criam os mais diversos enfeites. Cremes verdes, confetes, jujubas, granulados, purpurina, penas de pavão. No final, o gosto pode estar horrível, mas o que importa é a aparência. O cupcake acaba por se tornar o símbolo de uma era de estetização dos padrões. O que importa é apenas a imagem, contrariando a lógica do Sprite. Você pode estar comendo merda, mas se a merda estiver enfeitada, ela é digna de ser postada no Instagram.
Um cachorro defecou em cima de um desses bolinhos. Adivinhe qual.

Enfim, o que eu quis dizer é que cupcake é uma baita frescuragem. Nessa vida você tem duas opções: ou é homem ou gosta de cupcake. Mas, como este blog não é adepto de polemizar as questões dos gostos sexuais, deixamos essa abordagem de lado. Assim como acontece com o Frozen Iogurt.

Outra coisa que fascina a humanidade atual é o Open Bar. Ou seja, que a festa vai ter bebida liberada. Como já diria o filósofo contemporâneo e anticristo em potencial, Michel Teló, tudo o que ele quer escutar é "eu te amo e Open Bar". E nisso não importa se o ingresso para a festa custou R$ 220. A lógica é o "de graça, até injeção na testa". A bebida liberada é a certeza absoluta de que todo investimento é válido para uma sexta-feira. Aliás, a sexta-feira é outra coisa superestimada pelo nosso mundo.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Os filmes de Tim Burton

Tim Burton é um renomado, diria mais, cultuado nome de Hollywood. Nascido na Califórnia há 53 anos, ele tem uma série de sucessos em sua carreira. Foi indicado ao Oscar apenas uma vez, mas isso pouco importa. Sempre que um novo filme de Tim Burton é anunciado, seus fãs ficam arrepiados e reservam espaço em suas agendas, para que eles possam estar acomodados nas confortáveis poltronas das salas de cinema no dia da estréia. Este post irá resgatar a cinematografia desse ícone do cinema.

Seu primeiro filme de sucesso foi "Os Fantasmas se Divertem" de 1988, que conta a história do polêmico fantasma chamado Beetlejuice. Em um ambiente sombrio, o papel principal é estrelado por Michael Keaton, com o rosto esbranquiçado e um cabelo diferente.

Após o sucesso de Beetlejuice, Burton dirigiu dois filmes do Batman, também com Michael Keaton no papel principal. Jack Nicholson, com o rosto esbranquiçado, interpretou o Coringa no primeiro filme. No segundo, Danny deVito, com o rosto esbranquiçado, interpretou o vilão Pinguim.

Em 1990, o californiano lançou aquele que é, provavelmente, o seu filme mais cultuado. Trata-se de "Edward, Mãos de Tesoura". O filme tem uma história surreal e sombria, na qual o jovem Edward tem tesouras em seus dedos, o que o prejudicava nas práticas esportivas e na utilização da Playboy. O papel principal é de Johnny Depp, um jovem de 27 anos que para viver o papel, adotou um visual excêntrico, com um penteado estranho e o rosto esbranquiçado. O filme tem figurino impecável.

"Ed Wood" de 1994, surpreendeu a todos. Johnny Depp assumiu o papel principal, em um filme que se passa em um ambiente surreal. Seu rosto, em alguns momentos parece ser meio esbranquiçado. Logo depois, veio "Marte Ataca!", com elenco estrelar e uma história surreal sobre uma invasão alienígena.

"A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça" promoveu uma mudança na carreira do diretor. O papel principal era de Johnny Depp e seu rosto não estava esbranquiçado, porque o cavaleiro era sem cabeça. Na sequência vieram o remake de "O Planeta dos Macacos" e "Big Fish", um filme mais tradicional, digamos.

O reencontro em grande estilo com Johnny Depp aconteceu no remake de "A Fantástica Fábrica de Chocolate", feito em 2005. O filme tem um ambiente surreal e fantasioso. Depp interpretou Willy Wonka, o papel principal, e para isso passou por uma transformação: um cabelo excêntrico, acompanhado de um rosto esbranquiçado. Os fãs perceberam que o bom e velho Tim Burton estava de volta. No mesmo ano, Burton dirigiu a sombria animação "Noiva Cadáver", com Johnny Depp esbranquiçado no papel principal. Os filmes receberam elogios pelo figurino.

O próximo filme de Tim Burton é "Sweeney Todd - O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet". A surreal obra conta a história de um barbeiro, Sweeney Todd, que é adepto de práticas macabras. Johnny Depp deu vida a Todd, adotando um cabelo diferentão e um rosto esbranquiçado. A crítica fez elogios ao figurino e caracterização.



Seu último filme havia sido a versão para "Alice no País das Maravilhas". Burton materializou o fantasioso mundo de baralhos andantes, coelhos falantes e, claro, o inesquecível chapeleiro louco. Papel interpretado pelo seu velho parceiro Johnny Depp, que adotou um visual de rosto esbranquiçado e cabelo extravagante. O  figurino foi muito elogiado.

O grande retorno de Tim Burton acontece agora. Já está no cinema o seu novo sucesso de crítica. Com figurino impecável, "Sombras da Noite", conta uma história surreal sobre alguma coisa. No papel principal, adivinhem quem? Johnny Depp. Para surpreender o público o ator adotou um visual diferente, com um cabelo bizarro e o rosto esbranquiçado.

Boatos de Hollywood, dizem que Tim Burton já definiu o visual de Johnny Depp para o seu próximo filme. Falam em rostos esbranquiçado e um cabelo excêntrico. A conferir.