segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Os Desafios do Casamento


Casar não é algo exatamente fácil. Não, não falo aqui sobre a vida a dois e os valores que precisam ser exercitados diariamente para evitar as severas punições da Lei Maria da Penha. Estes são os desafios impostos sempre que um ser humano precisa conviver com outro. O difícil mesmo do casamento é o processo. Realizar uma festa, senhoras e senhores, qualquer festa, é uma das mais árduas tarefas que um adulto pode ter em sua vida. No caso do casamento, essa dificuldade potencializada, afinal, como todos dizem, está é uma comemoração única¹ e nada pode dar errado nesse dia.

Há a parte legal do processo, que corre em um cartório. Um processo assustador e conduzido de tal forma que você sente uma ponta de medo. Você irá abrir mão da sua certidão de nascimento, vai assinar papeis que provavelmente tem o objetivo de te fazer pensar muito bem se é isso que você quer para sua vida. A sensação é que você abre mão da sua vida para começar uma nova, apagando seu passado. De certa forma, dá para entender os casados que tem perfil conjunto no Facebook. Mentira, não dá não.

O processo vai correr durante uns bons três meses, prazo em que seu casamento será anunciado no jornal e caso alguém tenha uma informação contrária ao casório, deverá se manifestar dentro da lei. Certo que o anúncio é feito numa página de classificados com letras pequenas que ninguém vai ler, mas a sensação é de que a qualquer momento alguém vai invadir a sala dizendo que o casamento não pode acontecer e fatos tenebrosos sobre o seu passado serão revelados.

Mas a festa mesmo é que é o complicado.

Pela internet afora existem milhares, quiçá milhões de páginas com dicas para noivas e casamentos. Todas elaboram minuciosos guias sobre a organização da festa, com cronogramas lógicos e simples de serem seguidos. Mas é claro que as coisas não são assim. Elas acontecem de maneira simultânea e é preciso trabalhar em várias frentes de trabalho ao mesmo tempo.

O primeiro passo é definir como será a celebração. Você pode definir por uma cerimônia religiosa apenas, pela cerimônia religiosa seguida de uma festa/recepção em outro lugar, fazer uma cerimônia/festa em um único lugar, ou apenas uma festa. Também é possível não fazer nada, mas você irá quebrar o coração de muitas pessoas.

Cada opção tem suas vantagens e desvantagens. Cerimônia e festa em dois lugares diferentes significa que você terá o dobro de trabalho com a procura de espaço e com a decoração, além de provocar um deslocamento em massa entre as duas festas. No entanto, a única vantagem é que ninguém vai te considerar um anticristo por não se casar na igreja. Resumindo, casar é um jogo de arrependimento em que uma hora você vai tomar uma decisão pela qual você irá se arrepender. E nunca vai conseguir agradar a todos.

Definir o espaço da festa e o Buffet é um dos primeiros e mais difíceis passos. Para isso, você já precisa ter uma prévia da sua lista de convidados – o mais complexo dos assuntos – para ter noção do número de pessoas que irão a sua festa e trabalhar com os valores.

Existem muitos buffets por aí, com as mais variadas ofertas de serviços e tudo mais. Você vai consumir uma boa grana com eles, porque eles cobram, por pessoa, preços dignos dos melhores restaurantes da cidade. Alguns ainda cobram o preço individual, mais a locação do espaço e quando você for ver, já está pegando um empréstimo no banco.

Definido o espaço é preciso arrumar a decoração. Ah, a decoração. Nos meus melhores sonhos eu imagino um barco de decoradores pegando fogo no fundo do mar, desafiando as leis da física, mas garantindo uma morte espetacular até para os padrões do estado islâmico.

Decoradores são ávidos por explorar o bolso dos organizadores da festa e se você não podá-los, eles poderão armar uma decoração de seis dígitos na sua festa, utilizando flores importadas da Noruega, Cisnes Vivos e uma réplica em tamanho real das cataratas do Niágara. Serão milhares de flores e itens que se autodestruirão em poucas horas e pelos quais você gastará todas as suas finanças.

Ainda faltam muitos passos para a festa: a roupa, a preocupação com a cerimônia em si, a lista de presentes, a lista de convidados. Para não tornar este texto uma versão reduzida do Antigo Testamento, em breve uma segunda parte será publicada. Ou não.

¹Eu mesmo acho controversa essa afirmação de que o casamento é um momento único na vida. Estão aí o Fábio Júnior, a Gretchen e uma antiga professora minha de psicologia para provar que é possível se casar mais de cinco vezes na vida, por mais que acredito que ninguém case pensando que esta não será a última vez que o processo se repete, mesmo que já seja a oitava vez. Ademais, existem outras coisas que também são únicas na vida, mas que nem sempre resultam em uma atenção tão grande. Vejam o caso do velório: esse daí é certeza que você nunca mais vai ter um na vida, mas quase ninguém perde tempo planejando essa data nos mínimos detalhes e os erros protocolares que acontecem no dia são sempre relevados, inclusive porque o principal interessado não se importa muito mais com o assunto.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

O vácuo da existência

Buracos negros são estruturas complexas e difíceis de entender. Peça para um astrofísico lhe explicar o assunto e você escutará diversas teorias sobre mundos paralelos, buracos de minhoca, antimatéria e saíra da conversa sem entender nada e com a sensação de que seu cérebro se metamorfoseou em manteiga Aviação. Numa definição simples da fonte universal de conhecimento, Wikipédia, o buraco-negro é uma área do universo em que nada, absolutamente nada, consegue escapar. Uma distorção do espaço-tempo em que o tempo para e o espaço deixa de existir. Complexo, não?

O que podemos concluir é que o Buraco Negro é uma área em que as coisas entram e nunca mais saem. Um espaço, ou uma ausência de espaço em que as coisas desaparecem. Em suma, podemos dizer que o buraco negro é a mesma coisa que a parte embaixo do banco do seu carro.

Essa área, aparentemente pequena dentro do espaço total do carro, é responsável por alguns dos mais misteriosos desaparecimentos já registrados pela humanidade. Este compartimento é uma pequena filial do Triângulo das Bermudas. Se alguma coisa cai por lá, é melhor você esquecer. O objeto nunca será encontrado, Óculos, moedas, cartões, canetas, celulares. Não importa o que seja. 
Mesmo nos carros esportivos, em que o banco é quase no chão, há espaço para o desaparecimento

Se um dia a ciência descobrisse uma maneira de resgatar esses objetos, imagino que as reservas financeiras do mundo seriam restabelecidas e não haveria mais crise mundial. Um achado histórico, já que os carros mais antigos teriam moedas de várias épocas, algumas raras. Existem carros com papelarias inteiras de tantas canetas adormecidas embaixo do banco. Aliás, o espaço mais perigoso de todos é aquele vão na lateral do banco, próximo ao freio de mão.

O caso mais curioso é o dos celulares. Geralmente não ligamos para as moedas e canetas porque elas têm baixo valor, ao contrário dos celulares, cada vez mais caros. Quando o aparelho entra neste vácuo de existência, nossa tendência é pegar outro telefone e acioná-lo, em busca de sermos guiado nas trevas pelo seu toque, vibração ou iluminação. De fato, nós ouvimos o toque, mas não conseguimos encontrá-los. Em alguns casos, alguém chega até a atender o seu celular, o que significa que a parte embaixo do banco é uma espécie de portal para o mundo paralelo. Acredito que o Bruno e o Macarrão esconderam o corpo da Eliza Samúdio justamente ali.

Outro espaço do carro que também distorce o espaço tempo é o vão que separa o banco de trás do porta-malas. O cinto de segurança vive escapando para essa parte e vez por outra algum pequeno objeto escorrega para lá e nunca mais será encontrado. Enfiamos a mão pelo pequeno espaço, tentamos agarrar alguma coisa e por vezes até tateamos o objeto, antes de ele escorregar por outro vão que provavelmente dá acesso a parte mecânica do automóvel ou que o transforma em poeira cósmica.

Os vãos são extremamente perigosos. Veja os vãos dos sofás. Existem alguns sofás em que o vão dá acesso a uma espécie de fundo falso, em que se um objeto se perde por ali você precisaria abrir o sofá com uma faca, motosserra ou outro objeto cortante em busca dele. Dinheiro, cartas, bilhetes premiados da Mega-Sena. Os sofás já engoliram muitos sonhos.

Ainda mais estranho é o fato de que por vezes, esses objetos que desaparecem nesses locais, acabam por reaparecer em outro local totalmente misterioso: o bolso de uma jaqueta guardada no armário. Quantas vezes você não foi até seu armário para pegar uma jaqueta para se proteger do frio e ao pegá-la encontrou cinquenta reais, um facão de grama ou aquele par de óculos que você perdeu em 1992, você se lembra bem do dia em que ele escorregou entre seus dedos e foi parar embaixo do banco do carro.

Há alguma ligação misteriosa entre os espaços, que faz com que objetos tenham a incrível capacidade de se teletransportar. Será que esses objetos sempre estiveram por ali? Eles coexistiram em dois locais diferentes ao mesmo tempo durante algum tempo? O que aconteceu com eles durante esses anos em que eles estiveram desaparecidos? Eles ficaram vagando no limbo durante algum tempo, até reencontrar o caminho de volta para casa?

Acredito que o espaço embaixo do banco seja ainda mais metafísico e que por lá muitas outras coisas fiquem guardadas. As boas ideias, as soluções dos problemas, as respostas para todas as perguntas. Todas se perdem lá. Quem sabe seja possível encontrá-las no bolso de alguma calça de moletom.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Carnicentas Bristô

A Casa de Diversão Noturna Carnicentas está ampliando os serviços oferecidos aos seus usuários. Além do entretenimento adulto de baixo custo e a danceteria que funcionam no período, adivinhem, da noite, o local recentemente passou a abrigar uma pamonharia gourmet. Agora, a Carnicentas passará a funcionar no horário do almoço, com o nome “Carnicentas Bristô”.
Esta imagem não necessariamente corresponde a realidade

Segundo Pai Jorginho de Ogum, pai de santo que administra o estabelecimento, a ideia é oferecer pratos executivos por um preço inflacionado, aproveitando-se da tendência mundial de pagar caro por coisas que vendem “experiências” e “sensações”. “Hoje em dia é só você colocar um adjetivo no cardápio e inventar uma descrição bonita para o prato que ele vende mais”, diz Jorginho.

O empresário explica que todos os tomates no cardápio são adjetivados como “fresco” e palavras como “suculento” e “saboroso” são abundantes. No total, são quatro opções de pratos, mais duas de sobremesa. As bebidas são servidas aleatoriamente, garantindo ao frequentador uma sensação de incerteza e adicionando emoção a experiência.

De acordo com o sociólogo e pesquisador cubano Alfredo Humoyhuessos, esse é o simbolo da geração hashtag. “As comidas são acompanhadas por tags e o que importa, mais do que o sabor, é a impressão que você passa ao comer essas comidas. O que importa é que você paga caro por isso e mostra para todo mundo que tem capacidade de pagar caro”, disse, em uma afirmação que talvez não seja muito importante para o conteúdo geral dessa matéria.

Confira o cardápio

Foto meramente ilustrativa
Bifinho da vovó com ragu de ovo e molho especial: Suculento bife de alcatra assado na chapa, coberto com um ovo frito em manteiga especial. Acompanha arroz, toasted potatoes e salada verde.

Frango da Fazenda: Pequenos e saborosos pedaços de frango fritos em óleo fervente, temperados com sal e pimenta. Acompanha arroz soltinho e guardanapos aveludados.

Macarronada VIP: Delicioso macarrão cozido em panelas especiais e temperado com molho de tomates frescos e rodelas de carnes defumadas e comprimidas.

Roucheteu de Carne: Pedaços circulares de carne moída comprimida, cobertos com queijo derretido e bacon. Acompanha arroz com cenoura, tomates suculentos e frescos.

Flam Delícia: Sobremesa deliciosa a base de leite condensado e coberto com deliciosa calda caramelizada.

Gelatto Premium: Sorvete caseiro de três sabores, servido em taças de cristal e acompanhado de biscoito crocante e calda suculenta.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Currículo

Colocar ou não colocar foto no CV? Eis uma
dúvida que nenhum especialista, desses que
são entrevistados no Fantástico jamais irão
conseguir responder
Alguma vez na sua vida você já passou por essa situação. Surgiu uma vaga de emprego por aí, alguém te indicou e você precisa entregar seu currículo. O que você faz? Corre para a internet para saber como é se faz um currículo, um pomposo Curriculum Vitae.

Teoricamente, todos nós deveríamos ter nossos CV prontos e atualizados periodicamente, salvos em uma pasta específica de nossos computadores. Mas é claro que isso não acontece. Não estamos preparados para essa situação e em toda vez precisamos nos virar. Entre outras coisas, pelo fato de que nunca sabemos se nosso currículo está bom ou não.

Em um mundo ideal, existiria um modelo básico de currículos, referendado pela ONU, pela OTAN ou pela FIFA e aceito por toda e qualquer empresa do mundo. Quem sabe nós aprenderíamos a montar nossos currículos em uma aula da quarta série. Mas não é assim, claro que não é assim. Não há uma única forma de se montar um CV e a internet nos fornece dicas confusas e inconsistentes sobre os processos.

Justamente pela ausência de um modelo básico, não existe um especialista doutor em Curriculum Vitae para mostrar como é que se faz. Não existe um professor de Universidade sobre o assunto. O que existe são dezenas de profissionais, caras que utilizam ternos bacanas e que atendem pela alcunha de “executivos” que possuem anos de experiência na área e vão te ensinar o que colocar e o que não colocar no seu Currículo. Infelizmente, cada um tem um ponto de vista diferente.

Cada Currículo é uma peça de insegurança única. É ruim para quem faz e é ruim para quem recebe, porque é possível perceber as dúvidas que permearam a concepção de cada linha de cada um desses documentos. Começa logo na apresentação. Nome completo, e-mail, telefone, endereço. Um e-mail hotmail pode significar uma reprovação? O bairro em que você mora pode ajudar a montar a concepção que o seu futuro empregador, assim esperamos, vai ter sobre você?

Há o campo da Formação Profissional. No mundo dos coachings de benchmarking, eles sugerem que você coloque apenas as últimas atualizações, afinal, eles esperam que todo mundo faça pelo menos três especializações por ano e chega a soar arrogante que você divulgue um CV com 48 pós-especializações e seis MBA em todas as áreas de administração, marketing e relações humanas.
Formação profissional: fazer figuração na praia. Habilidades extras: jogar futvôlei e comédia Stand Up 

Mas esse não é o mundo real. No mundo real as pessoas tem, com sorte, uma formação em nível superior e batalharam por alguns cursinhos bestas de especialização em que não aprenderam nada, apenas ganharam o direito de pleitear um salário um pouco maior e parecer entender muito desses assuntos. Você tem só o curso superior e a sensação de que vai concorrer com esse bando de MBA maníacos e nunca será escolhido.

A experiência profissional é outro problema. Você estará, com quase toda a certeza, se sentindo humilhado, buscando aqueles frilas que você fez, para dar corpo e volume ao seu Currículo. Por outro lado, se você colocar ali que trabalhou em dez lugares diferentes e, porra, tem só 28 anos, isso deve significa que há alguma razão pela qual você não consegue se manter nos empregos e essa razão deve ser terrível. Certamente o responsável por te entrevistar vai te perguntar porque é que você saiu de todos esses empregos e isso vai criar uma situação constrangedora.

Sem dizer que há casos em que sua experiência profissional é completamente diferente do cargo que você pretende ocupar a partir de agora. Você foi atendente de uma videolocadora, vendedor de roupas numa loja de shopping, mas agora surgiu aquela oportunidade de trabalhar na área em que você se formou e sua experiência profissional é praticamente zero diante do que você precisa. É melhor deixar esse campo em branco e fazer o empregador acreditar que você é um vagabundo que por alguma razão incrível, alguma contravenção em vista, provavelmente, resolveu trabalhar? Ou é melhor colocar esses empregos anteriores e convencer o cara da empresa que você devia procurar emprego em um dos 48 subways da cidade ao invés de encher o saco dele?

Por fim, existem as informações adicionais, ou habilidades extras. Em um desses campos, nunca sei qual, você diz se fala inglês, espanhol, italiano ou a língua dos anjos. Geralmente todo mundo enrola para aquele “inglês intermediário”, o que significa que você talvez fale bem, mas tem vergonha, ou de que você fala como uma comissária de bordo, mas não quer dar o braço a torcer porque o Max Gehringer sempre aparece na TV falando que inglês é essencial.
Grupo tenta decidir como é que se elabora um Currículo perfeito

Um espaço em que as pessoas sempre dizem que dominam pacote office, como se no mundo atual fosse algum grande mistério abrir o Word. Alguns dizem que fizeram curso de digitação, edição de vídeo. Alguns talvez digam que sabem fazer massagem com os pés, talvez seja um plus a mais que chame a atenção do seu futuro empregador. Experiências em redes sociais é outra habilidade comum, por mais que isso deva significar que o cara perde muito tempo no Facebook.

Alguns chegam a colocar que tem disponibilidade para trabalhar por um salário mínimo, por um prato de comida, que podem mudar de cidade ou prestar serviços sexuais aos outros empregados da firma. Os tempos não são fáceis.

Que tortura é montar um currículo e que tortura é ter que lê-lo.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Uma babá quase perfeita

A notícia caiu como uma bomba no meio das celebridades: Ben Affleck e Jennifer Garner se separaram. Por um segundo, o mundo parou e pensou “meu deus, eram um casal tão bonito” e no segundo seguinte retornaram as suas atividades cotidianas no escritório, nas planilhas de Excel ou nos necrotérios da vida. Enfim, um ator, diretor, roteirista e galã bem remunerado de Hollywood se divorciava de uma atriz que era etc, etc e etc de Hollywood.

Ela já é misteriosamente chamada de "a baba do Ben
Affleck". Eu acho muito estranho que um cara da idade
dele precise de uma babá para, sei lá, colocá-lo para
dormir ou levá-lo para brincar no parquinho
O motivo da separação foi uma traição por parte do cara que protagonizou o pior filme de super-herói de todos os tempos (O Demolidor), com a babá dos filhos dos casal. Uma traição bem comum e presente no imaginário popular: o patrão e uma empregada doméstica. No caso, a babá se chamava Christine Ouzounian.

Muitos tentam culpar a babá, ou a esposa traída que provavelmente não leu a revista feminina do mês e não descobriu como enlouquecer o seu macho na cama, mas o CH3 tem uma opinião bem clara sobre o assunto: o filho da puta é quem traí, não importa se o homem ou a mulher. Vivemos em um mundo moderno em que você pode interromper uma relação a qualquer momento imediatamente interior ao em que você irá desgraçar uma vida construída a dois. Parem com isso.

Uma semana depois, outra notícia deixou estupefatos os seguidores de notícias sobre o mundo das celebridades. Tom Brady e Gisele Bundchen teriam se divorciados. Por um segundo, o mundo parou se chocou com a notícia de que a maior top model do mundo (pelo menos uma das quarenta top models que misteriosamente recebem esta alcunha) e o melhor quarterback da NFL (um dos doze jogadores que recebem essa alcunha) se divorciaram. Era um casal tão bonito, filhos lindos e etc, etc, etc. Um segundo depois, é claro, todos voltaram a fazer seus relatórios, a lixar unhas ou desossar corpos humanos em terrenos baldios.

O motivo da separação teria sido uma suposta traição por parte do único cara que pensa dentro de um jogo de futebol americano, com uma babá. Uma traição, nós já falamos, bem comum e presente no imaginário popular. No caso, a babá se chamava Christine Ouzounian.

Sim, não há nenhuma confusão nesse texto. Uma babá, com esse nome meio grego, teria sido a responsável pela separação de dois casais norte-americanos. Teria, porque ao que tudo indica, Bundchen e Brady continuam juntos, mesmo após o surgimento de uma foto em que Christine utiliza todos os anéis do Super Bowl que Brady ganhou.

A constatação sobre todo esse caso, mais do que sentenciar a imprestabilidade dos homens, a lascividade de babás ou tudo mais, é que o mundo é um ovo. Uma grande esfera azul com percentuais definidos dos mais diversos elementos químicos, mas que é um ovo.

Somos sete bilhões de pessoas espalhados em 200 países e vivemos separados por quilômetros de distância, ruas, avenidas, muros e mares. Seremos amigos de algumas dezenas, conviviremos com centenas, conheceremos milhares e esbarremos na rua, com algum exagero, em milhões. Mas a grande maioria dos seres humanos deste planeta passará completamente longe de nós, seremos em nossa quase toda unidade, completos desconhecidos.

Dentro deste universo de pessoas, é surpreendente que uma única babá seja a pivô por duas crises conjugais de celebridades mundiais. Existem diversos motivos que podem levar um casal a se separar: toalhas em cima da cama, tubos de pasta de dente espremidos no meio, lascas de unha cortada no carpete e bilhões de pessoas que podem surgir na vida de alguém. Que uma única mulher seja a responsável por estes acontecimentos em um tão curto espaço de tempo é uma coincidência absurda.
O demolidor não viu nada demais nesse caso

Nesta semana, outra notícia chocou o mundo das celebridades. Joelma e Chimbinha se separaram. O casal mágico que embalou muitos romances ao som da banda Calypso anunciou um fim no relacionamento de 18 anos. Por menos de um segundo o mundo prendeu a respiração, para logo no segundo seguinte dizer “foda-se”.

O motivo da separação entre o casal mais popular do Brasil teria sido uma traição imposta pelo guitar hero com a babá dos filhos do casal. No caso, a babá se chamava Christine Ouzounian.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Quem é que assume?

O impeachment está na boca do povo. Todo dia alguém aparece defendendo o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Senadores, prefeitos, governadores, louquinhos de bairros, todo dia um deles está na manchete exigindo renúncia, impedimento ou degola.

Não parece ser tão simples assim. São necessários fatos concretos ou armas potentes para tirar alguém do poder pelo motivo que seja. Mas, e se acontecer? Se a Dilma cair, quem é que assume o comando do país? Parece uma questão simples, mas os juristas tentam apontar várias alternativas e nesse post o CH3 vai se aprofundar no tema.

Você conseguiria ser feliz caso você se chamasse
Michel Miguel?
Michel Temer
Michel Miguel Elias Temer Lulia. Esse é o nome do vice-presidente do Brasil e aquele que legalmente assume o país caso o titular da presidência tenha que se ausentar do país, não possa assumir por problemas físicos, renuncie ao cargo ou seja assassinado, esquartejado e enterrado em vala comum. Michel Miguel seria o nome óbvio para assumir o poder, mas o Brasil não é um país tão óbvio, é um país em que um cara pode se chamar Michel Miguel.

Aécio Neves
Segundo colocado no campeonato brasileiro do ano passado, Aécio Neves pode assumir o poder caso a eleição de Dilma seja impugnada por motivos de compra de voto ou escalação de um jogador irregular. Caso todos os votos de Dilma fossem considerados nulos na última eleição, Aécio seria o ganhador e poderia ser conduzido ao Palácio do Planalto, apenas pelo tempo necessário para que ele transfira a capital nacional novamente para o Rio de Janeiro.

Eduardo Cunha
O presidente da Câmara é o segundo nome da linha sucessória do país e poderia assumir caso Dilma fosse embora para a Bulgária e Michel Temer morresse por alguma razão absurda, tipo prisão de ventre fatal. Mesmo no caso de a eleição ser anulada, Eduardo poderia assumir a presidência durante um breve período de transição, tempo suficiente para ele outorgar uma nova constituição nacional e se definir como monarca absoluto.

Renan Calheiros
Voltando: Dilma vai para a Bulgária, Michel Miguel morre de prisão de ventre e Eduardo Cunha recebe o chamado definitivo de deus se transformando em um espírito de luz na praça dos três poderes. Neste cenário apoteótico, o interminável Renan Calheiros assumiria o poder e aí então é que vocês veriam o que é um presidente envolvido em escândalos.

Ricardo Lewandowski
Se depois de todos os fatos absurdos citados anteriormente (fuga, morte exótica e transfiguração da matéria), até Renan Calheiros tivesse um problema e resolvesse cometer suicídio engolindo os próprios testículos, seria a vez de Ricardo Lewandowski, o presidente do Supremo Tribunal Federal, assumir o poder. Ele já estaria um tanto quanto transtornado com toda essa situação e faria um governo mais travado do que reunião do STF.

Luís Gastão de Orleans e Bragança
Com o Brasil nessa situação de caos, porque não voltar para a charmosa e histórica monarquia. O agora conhecido Dom Luís I assumiria o poder, daria festas extravagantes e mergulharia o Brasil em uma guerra civil. Há uma bizarra disputa pelo poder entre os descendentes da família real brasileira, envolvendo o Ramo de Vassoura de Dom Luís e o Ramo de Petrópolis. Uma disputa inútil, mas com muita tensão e xingamentos no último século. Imagina o que aconteceria se a disputa realmente valesse o poder de usar perucas bizarras e andar de carruagem? Guerra civil entre os simpatizantes e muita gente sendo atravessada por espadas.

Eduardo Dias da Costa Villas Bôas
Esse cara com esse nome que você nunca escutou é o atual comandante do exército brasileiro. Caso o desejo de uma parte da população seja atendido e os militares resolvam intervir na situação, Eduardo é que assume o poder em uma nova Ditadura Militar.

Papa Francisco
Figura simpática, carismática, com um discurso que agrada os setores mais liberais, mas ainda assim um símbolo para os conservadores. Papa Francisco é o nome ideal para assumir o Brasil em um momento de crise institucional. Não vejo razões para que Chico I assuma o poder, quem sabe uma emenda de Eduardo Cunha.

Ganhador do BBB
Muita gente fala que está em andamento um golpe orquestrado pela mídia golpista. Caso isso seja verdade e caso Dilma seja derrubada pela mídia, nada mais justo do que a mídia escolhendo o novo comandante nacional. É assim que funciona na guerra e nos golpes: os ganhadores impõem sua vontade sobre os derrotados, que são estuprados e violentados. Assim sendo, os clãs Marinho, Frias e Civita poderiam comandar um triunvirato. Ou poderiam colocar o Sílvio Santos de primeiro ministro. Ou então, poderiam instituir o vencedor do BBB como presidente do Brasil. Mandatos de um ano, escolha popular facilmente manipulável… seria perfeito.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

A onipresença do Subway

Não sei dizer ao certo quando é que a franquia mundial de sanduíches Subway foi lançada e muito menos quando é que ela chegou ao Brasil. Vocês devem saber que este não é um blog muito afeito a confirmação de informações e a checagem dos fatos. Mas lembro-me muito bem da primeira vez em que fui a um deles aqui em Cuiabá. Não, não me lembro da data, mas me lembro da ocasião e que na época ainda parecia um ato solene, o Subway exalava novidade.

Cinco ou seis anos depois desse dia é muito interessante perceber que o Subway é a franquia mais popular da cidade. Não falo apenas das lanchonetes, mas de qualquer loja possível. Hoje em Cuiabá nós temos mais Subways do que farmácias, papelarias, lojas de roupa. Há mais subways do que bocas de fumo na cidade.

Recentemente eu fui surpreendido por um Subway na entrada do meu bairro. Juro que eu passo por ali todos os dias e não havia percebido sua existência. Até que um dia minha mãe me avisou e no dia seguinte eu vi uma loja por lá. Tenho absoluta certeza de que ela foi construída durante a noite. Em Cuiabá, nós somos surpreendidos pelo surgimento espontâneo de lojas do Subway. De vez em quando paramos em um semáforo, olhamos para o lado e vemos uma dessas lanchonetes.

Muita coisa mudou desde que ele chegou até a cidade e me falta conhecimento para saber se esse fenômeno se repete em outras cidades do Brasil. Se lá atrás nós comparávamos o Subway ao McDonalds ou qualquer outra rede mundial de fast food, nos tempos atuais, a única comparação possível da rede é com... os pontos de ônibus. Talvez ainda haja mais pontos de ônibus do que Subways em Cuiabá.

O Subway soube se posicionar no mercado, seja fisicamente, seja no imaginário popular. A marca soube se vender como uma opção de lanche rápido, saudável e com preço mais acessível do que os concorrentes. Você come um sanduíche de 15 centímetros com recheio, algum queijo e molho sem a impressão de que suas artérias irão entupirar e sem precisar pegar um financiamento no banco para pagar.

Eles investem em propaganda e muitas das lojas funcionam 24 horas por dia. Seu posicionamento estratégico em todas as avenidas da cidade faz com que o Subway seja um forte concorrente não do McDonalds, mas sim dos tradicionais carrinhos de cachorro quente e outros lanches que funcionam por aí desde muito antes de versões similares, frescas e caras ganharem a alcunha detestável de food truck.

No Subway você encontra pessoas indo para a balada, voltando da balada, indo ou voltando do culto, saíndo do trabalho, indo para o trabalho. O atendimento não é tão demorado, exceção às vezes em que um retardado está na sua frente na fila e demora 89 segundos para escolher cada uma das opções. Bem, como isso sempre acontece, diria que o atendimento não é tão rápido assim, retiro o que eu disse.

O fato é que você encontra de tudo no Subway e sempre encontra um Subway. Deve haver algum programa do Governo Federal do tipo, meu Subway, minha vida, porque não é possível. Qualquer dia você vai chegar em casa e encontrar uma franquia da loja na sua sacada. Vai encontrar Subways dentro de outras lojas. Talvez você comece a trabalhar num Subway, porque o seu trabalho se transformou em uma franquia.
Gostou da nova decoração do meu quarto?

Isso não deixa de ser preocupante. É preciso que haja demanda para que as lojas continuem existindo e pelo jeito isso ainda acontece. Mas, nesse ritmo, em breve vai ter que ser baixado algum decreto obrigando as pessoas a se alimentarem apenas no Subway para manter o mercado e não provocar uma crise de desemprego.

E então todo mundo passará a carregar aquele característico aroma de pão no forno e queijo derretido.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Mostramos 10 hábitos gringos para brasileiros e eles estranharam tudo

Descrevemos 10 hábitos de pessoas de todo o mundo aos integrantes da Redação do CH3 e pedimos que escrevessem a primeira coisa que passasse pela cabeça deles. Este é o resultado.

Participaram cinco pessoas. Vinícius Gressana, Guilherme Blatt, Tackleberry, Pai Jorginho de Ogum e Cão Leproso. Como o Cão Leproso é um cachorro sem braços, ele acabou não escrevendo nada, mas tenho certeza que muita coisa se passou pela sua cabeça.

1 Tomar menos de um banho por dia

Vinícius Gressana: Que povo mais porco, todos devem feder.

Tackleberry: VOCÊS ESTÃO SABENDO DA ALTA NO PREÇO DOS PERFUMES? TOMEM BANHO MAIS VEZES, PESSOAL.

Guilherme: Pode fazer sentido se as pessoas morarem em um lugar que é muito frio. Queria ver ficar sem tomar banho em Cuiabá.

Pai Jorginho de Ogum: Eu raramente passo um dia sem tomar banho. Tomo um geralmente de seis em seis horas.

2 Ficar sem escovar os dentes após o almoço

Gressana: Isso é estranho. Vocês todos devem ter dentes podres.

Tackleberry: Não vejo nada demais, em alguns dias eu também esqueço de levar a escova de dentes pro trabalho.

Guilherme: Bom saber. Quando eu for para fora do Brasil vou ficar sem escovar os dentes para me enturmar.

Jorginho: EU VI UMA PESSOA FAZENDO ISSO EM COCHABAMBA! Mas achei que era só uma pessoa sem educação.

3 Sentar de frente ao parceiro no restaurante

Gressana: Parece normal.

Tackleberry: CASAL QUE SENTA DE FRENTE? Sai fora.

Guilherme: Eu e minha namorada de vez em quando fazemos isso, mas nunca parei para pensar seriamente sobre o assunto.

Jorginho: É mais fácil para esfregar os pés nas partes íntimas por debaixo da mesa.

4 Segurar sanduíche sem guardanapo e comer pizza com as mãos

Gressana: Os estrangeiros são realmente porcos.

Tackleberry: QUANTAS VEZES VOCÊS MORDEM OS PRÓPRIOS DEDOS?

Guilherme: Pensem em quanta gordura fica na mão. Toda aquela gordura que você depois acaba tendo que limpar na própria camisa reduzindo drasticamente a vida útil das peças.

Jorginho: Monstros, todos vocês.

5 Chamar todo mundo pelo segundo nome, inclusive os colegas de trabalho

Gressana: Legal, pode ser útil em algumas situações.

Tackleberry: OBAMA! Parece formal e frio como se todos vocês vivessem em House of Cards.

Guilherme: Interessante, mas o que vocês fazem quando há dois Smiths no escritório? Tipo, Smith 1 e Smith 2?

Jorginho: Isso prova mais uma vez como vocês são um grupo de pessoas babacas e ridículas, que se importam com bobagens como títulos. É por isso que vocês são feios.

6 Jogar todo o lixo do banheiro dentro da privada

Gressana: Peraí, deixa eu entender: vocês não tomam banho, não escovam os dentes, comem a comida com a mão e ainda entopem as privadas de vocês? Como vocês aguentam viver?

Tackleberry: Credo, e se entope? Vocês ficam com uma privada entupida de papel até alguém desentupir?

Guilherme: Que maravilha. Eu não iria querer desentupir essa privada, mas provavelmente é bom para o sistema de reciclagem de lixo de vocês.

Jorginho: Isso é muito comum em países onde os lixeiros tem nojo de papel com merda.

7 Ter 15 dias de folga por ano entre férias e feriados.

Gressana: Hahahahahaha, que merda.

Tackleberry: Tenho 30 dias de férias por ano, chupem babacas.

Guilherme: Bem, eu sou jornalista, então acho que eu consigo mais ou menos por aí.

Jorginho: Se foderam gringos burros.

8 Comer abacate como salgado, inclusive com carne.

Gressana: Sai fora, abacate só deve ser usado para se passar no corpo.

Tackleberry: Triste.

Guilherme: Isso aí é nojento.

Jorginho: Eu sou muito fã de abacate, mas acho que isso aí já é demais.

9 Marcar o horário de uma festa sabendo que as pessoas vão chegar naquele horário.

Gressana: Eu sempre faço isso. Não é assim que funciona no Brasil? Não entendi a questão.

Tackleberry: Então quer dizer que se você marcar 18h no convite as pessoas vão chegar 18h?

Guilherme: Se eu organizasse uma festa e as pessoas chegassem na hora eu ia ficar completamente perdido na arrumação.

Jorginho: Muito chique, puro glamour.

10 Terminar mensagens sem "abraços" ou "beijos"

Gressana: Eu não faço isso.

Tackleberry: Ah, por mim tudo bem.

Guilherme: Não vejo nada de estranho.

Jorginho: Cultura é igual cu. Cada um tem a sua, alguns não tem, mas as dos outros sempre parece uma merda.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Humilha que eu gosto

A terça-feira é o pior dia para se entrar nas redes sociais. Nas noites desse dia a internet é tomada por uma enxurrada de comentários sobre o reality show culinário da Rede Bandeirantes, o Masterchef. São tantos comentários que é praticamente impossível chegar ao fim da timeline, é como tentar subir uma escada rolante pela contramão.
Teu cu arrombado

Acho curioso que muitos dos comentários são feitos por pessoas que, em todo começo de ano, escrevem bíblias explicando porque não aguentam mais ver ninguém falando sobre o Big Brother Brasil. Com um agravante: apesar de ser patético, o BBB ainda pode ser muito mais interessante do que o MC.

Atirem as pedras, mas há muito mais sentido em um reality show que confine pessoas dentro de uma casa espaçosa onde a balada nunca acaba, do que numa competição de cozinheiros wannabes. O BBB ainda pode ser uma experiência antropológica, enquanto que o que move o Masterchef é o puro sadismo do telespectador em assistir a humilhação de outras pessoas.

O reality culinário segue a fórmula de todo e qualquer show de calouros, existente desde a.C. (Antes do Chacrinha): pessoas insignificantes tentam mostrar o seu talento para um corpo de jurados gabaritado. Jurados esses que acabam incorporando personagens, sendo que o mais popular é sempre o carrasco. Até aí não há nada de diferente entre o Masterchef e o The Voice. Ou entre o Masterchef e o programa do Raul Gil. Com a diferença de que o Masterchef consegue ser ainda pior.

Nos shows de calouros tradicionais, os participantes tentam exibir seus talentos e por mais que você não seja nenhum especialista em música, você consegue ter alguma opinião sobre a qualidade do cidadão. Você tem ouvidos e consegue pensar se ele é bom ou ruim na tarefa que ele se propôs a executar. É possível criar empatia com alguém e torcer por esse alguém, o que no fundo é o que move a televisão.

No Masterchef não. Você pode dizer “aim, assisto pra ver quem faz os melhores pratos”, mas isso é uma mentira. Por mais que a apresentação visual dos pratos seja um requisito importante, a principal qualidade, aquilo que marca uma boa comida é o seu sabor e isso nenhum telespectador será capaz de julgar. O Masterchef tampouco ensina alguma receita, como outros programas de culinária tão populares na televisão.

Não há o menor sentido em assistir um reality show em que você não tem como avaliar a real capacidade dos participantes. Os telespectadores criam uma opinião de quem é o melhor a partir da opinião dada pelos jurados do programa, o que pouco significa. Eles podem ser chefs famosos e requintados? Podem. Mas ninguém garante que eles não tenham algum gosto absurdo por sabor de merda e gostem de pratos assim.

O que move a engrenagem do Masterchef é a humilhação. Nestas intermináveis noites de terça-feira, a internet é tomada por imagens dos jurados e suas frases, digamos, polêmicas. Todos gostam da maneira como eles humilham os participantes. Porque eles dizem que o prato que alguém fez parece que foi atropelado por um caminhão. Porque eles dizem para a pessoa que ela jamais será uma cozinheira. Porque eles fazem com as pessoas, coisas que fariam você chorar no banheiro, caso você fosse a vítima. Que faria qualquer um se revoltar, caso acontecesse com um amigo ou parente próximo.
Ouvi falar que sua mãe gosta dessa comida

Há, na televisão, essa glamurização do chefe carrasco que pratica assédio moral contra os seus funcionários. Programas com personagens assim se popularizam facilmente e as pessoas acham o máximo. É ótimo ver uma pessoa ter seus sonhos destruídos por um cara que fala francês e que supostamente é bom no que ele faz. Lembramos do Aprendiz? Outro programa baseado na humilhação alheia.

O que move o Masterchef é o puro sadismo. Seus telespectadores são sádicos que acreditam estar consumindo alguma produção cultural, mas se divertem com o sofrimento alheio. Por isso eu digo que ele deve ser o pior programa da televisão brasileira e as noites de terça-feira são sempre terríveis no Twitter.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Habemus (?) Panelaço

Creio que eu já escrevi neste espaço sobre as reações mais primitivas que a chuva costuma a provocar nas pessoas. Diante da água que cai do céu, as pessoas correm, algumas não vão trabalhar, encontros são desmarcados a vida se transforma em um clipe de November Rain.

Sim, eu considero esse comportamento patético. Mas, compreendo que a chuva é algo absolutamente diferente. Vocês já pararam para pensar que aquilo ali é água caindo do céu? Nós já nos acostumamos, mas, tenho certeza que uma pessoa que nunca viu chuva na vida iria se assustar muito em sua primeira experiência. E realmente existem povos de áreas extremamente áridas que nunca viram chuva na vida e que quando veem saem correndo, acreditando que é o apocalipse. Imagine se um dos outros quatro elementos caísse do céu. Já imaginou gotas de fogo caindo do céu? Assustador, não? E terra? E coração? Nem o Capitão Planeta acharia normal.

Pois bem, a chuva é, sem dúvida, o grande assunto universal que une os homens. Se você não sabe o que conversar com alguém, pode facilmente apelar para questões pluviométricas. Pode ser tanto no futuro (será que chove?), no presente (essa chuva que não passa, heim?), ou no passado (viu a chuva que caiu?). É melhor do que conversar sobre o dólar ou sobre a rodada passada do brasileirão. Todo mundo tem alguma opinião sobre a chuva que em algum momento caí do céu.

Inclusive quando essa chuva não foi vista por todos.

Vamos resumir o fenômeno de maneira bem retardada: a água fica acumulada lá no céu na forma de nuvens. Essas nuvens têm formatos e tamanhos diferentes. Formatos de cachorros, de arcas, de presidentes dos Estados Unidos, de objetos fálicos e podem cobrir um bairro ou um continente. Em algumas oportunidades a chuva cai por todo um país durante horas, mas em outros casos ela pode desabar fatalmente sobre o pedaço de um bairro durante poucos minutos, que pareceram o início do fim do mundo, mas foram poucos minutos. Pode cair de noite. E aí vem aquela conversa.

- Viu a chuva que caiu ontem?
- Chuva? Lá onde eu moro não choveu não.
- Cara, no meu bairro choveu pedra, até, destelhou casas.
- Nem uma gota no meu.
- Nos bairros pelo caminho também vi muita água.
- Nem sinal por onde eu moro.
- Choveu a noite inteira.
- Estava dormindo e não percebi.

Sim, a conversa pode se estender por horas entre o cidadão que viu o princípio do apocalipse com os próprios olhos e aquele incrédulo que não presenciou nada. Conversa essa que pode ser facilmente adaptada da seguinte forma.

- Viu o panelaço de ontem?
- Panelaço? Lá onde eu moro não teve não.
- Cara, no meu bairro foi uma barulheira, em todas as casas.
- Nem um barulho no meu.
- Nos bairros pelo caminho, também ouvi muita bateção.
- Nem sinal por onde eu moro.
- Batucaram a noite inteira.
- Estava dormindo e não percebi.

A última moda, ou nem tão última já tem alguns meses, é pegar em panelas ir para as janelas e batê-las freneticamente durante toda e qualquer aparição da presidente Dilma Rousseff na Globo. Sim, imagino que ninguém faça nada quando ela dá uma entrevista na Rede TV. Pode ser programa político, pronunciamento, entrevista pro Jô Soares.

Bem, quando isso acontece os sites noticiam e as pessoas começam a comentar na internet. Algumas relatam uma versão inox do Olodum e um país unido pelo estalido metálico antipresidencial. Outros perguntam onde é que ocorreu esse tal panelaço porque não escutou nada. Por vezes, vizinhos tem percepções completamente diferentes sobre o que aconteceu. O mundo pode facilmente ser dividido entre aqueles que escutaram e os que não escutaram os panelaços. Não existe um meio termo: quem escutou uma vez, escuta sempre. Outros, jamais escutarão.
Algumas pessoas enxergam o panelaço e ainda conseguem escutar o barulho nessa foto. Outras, enxergam apenas um prédio vazio

É difícil explicar o porquê, se é que há alguma explicação. Talvez seja uma questão de fé e o pessoal de esquerda tende a ser mais incrédulo e a não acreditar em muita coisa. Ou então, há alguma questão genética que faça com que algumas pessoas escutem barulhos que outras não escutem e essa separação influencia diretamente na opinião política das pessoas.

Ou é apenas um reflexo desse mundo radical, de lados opostos e contraditórios, em que um vê o caos onde o outro vê a harmonia e vice-versa.

Tempos modernos, tempos difíceis em que a panela está substituindo a chuva como assunto universal que une os homens. Ou, nesse caso, que separa os homens.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Debate Filosófico: O futuro do futebol brasileiro

Derrota por 7x1 para a Alemanha, doze anos sem ganhar a Copa do Mundo, duas eliminações seguidas para o Paraguai, nos pênaltis, nas quartas-de-final da Copa América, um meio de campo formado por Luiz Gustavo, Fernandinho, Douglas Costa e Fred, a Neymardependência. Motivos não faltam para discutir a situação em que o futebol brasileiro se encontra. Para onde vamos? O que pode ser feito? Será que o Brasil irá vagar eternamente no limbo da mediocridade? Corremos o risco de não nos classificarmos para a próxima Copa do Mundo?

Mano Menezes alegou que não estava
sendo entendido pelos debatedores
Foi pensando nestas e em várias outras questões que o CH3 voltou a promover mais uma edição da série de debates filosóficos. Nosso monumental auditório ficou lotado de jogadores, técnicos, ex-técnicos, ensaístas, imitadores de Charles Chaplin, covers de Elvis Presley, mímicos, ortopedistas, jornalistas, sem-tetos e vencedores do BBB, exceção feita ao Diego Alemão que cumpria agenda em Indaiatuba.

Pai Jorginho de Ogum, sempre ele, comandou a mesa de honra composta ainda por Zagallo, Carlos Alberto Parreira, Sebastião Lazaroni, Telê Santana, Flávio Costa, Tutancâmon, Montezuma e Matusalém. Jorginho fez uma breve explanação sobre o tema, provavelmente com as mesmas palavras utilizadas nos dois primeiros parágrafos deste texto, só que em uma ordem diferente e excêntrica.

Por ser, indubitavelmente o mais velho no auditório, Mário Jorge Lobo Zagallo foi o primeiro a se pronunciar. Jorginho o questionou sobre o que era preciso ser feito para que o Brasil voltasse a ganhar uma Copa do Mundo. Com o rosto quase roxo e a arcada dentária bamba, o velho lobo disse que é preciso respeitar a amarelinha. Um silêncio se fez no auditório e Jorginho questionou se Zagallo poderia se aprofundar mais no assunto. Zagallo repetiu que é preciso respeitar a amarelinha e completou que Brasil Campeão tem treze letras.

Jorginho então questionou os presentes sobre a opinião deles sobre a declaração do velho lobo. Carlos Alberto Parreira disse que concordava com Zagallo, seu velho mestre. Informou, que apesar deste cenário caótico que alguns teóricos do apocalipse tentam pintar, o Brasil continua sendo cinco vezes campeão do mundo, mais do que o time da moda, a Alemanha, que tem apenas quatro.

Parreira foi interrompido por Karl Marx, que disse que não via sentido nas declarações de Zagallo e que era preciso que ele se explicasse melhor. Marx não entendeu quem é que precisava respeitar a amarelinha. Se eram os jogadores brasileiros que estavam desrespeitando o próprio país e necessitavam de mais investimento em educação cívica nos colégios, ou se os jogadores de outros países é que precisavam respeitar a amarelinha e, segundo Marx, esse processo seria muito mais longo e seria difícil estimar a sua eficiência.

Parreira garantiu que a CBF é o Brasil que deu certo. Oscar
Wilde retrucou: imagina o que deu errado
Jair Bolsonaro tomou o microfone e disse que é necessário que os militares voltem ao poder para restaurar a dignidade do povo brasileiro. Com os militares, afirmou, não teríamos comunistas dando palpite sobre o que é preciso fazer com o nosso país. Neste momento, Willian Wallace invadiu o auditório, gritou Liberdade, mas acabou sendo degolado por Felipe Melo.

Enquanto o sangue de WW era retirado do carpete e Felipe Melo era detido por dois helicópteros Tomahawk, Montesquieu tomou a palavra para dizer que não era possível que o Brasil conseguisse interferir na educação de outros países. Mais complicado ainda seria introduzir alguma matéria do tipo “respeito a seleção brasileira de futebol” e fazer com que ela funcione na prática. Se Toni Kross, por exemplo, houvesse aprendido que era preciso respeitar a amarelinha, ele teria chutado as bolas para fora, diante de um gol vazio?

Eduardo Cunha disse que isso seria possível, caso ele estivesse no comando da seleção alemã, apitando o jogo ou com alguma procuração que lhe desse plenos poderes sobre o destino da humanidade, como já acontece atualmente na Câmara dos Deputados.

Jorginho retomou o microfone, mas foi interrompido por Marx. Ao lado de Montesquieu ele chamou Jose Ortega y Gasset, Slavoj Zizek, Eduardo Galeano, György Lukács, José Saramago, Rinus Michels, Zygmunt Bauman, José Borges e Antonio Gramsci. Juntos eles entoaram um grito de “Chupa Brasil”. Então, todos perceberam que ali estavam representados teóricos de todos os países que já derrotaram o Brasil em uma Copa do Mundo, exceção feita a Noruega, país que não tem nenhuma pessoa famosa.

Percebendo que o diálogo estava ficando infrutífero, Jorginho retomou o controle e perguntou aos presentes o que eles achavam do meio de campo da seleção brasileira na última Copa América e se é possível ver futuro em um time com Fernandinho, Luiz Gustavo, Fred, Douglas Costa, Diego Tardelli, Roberto Firmino e Robinho. Jorginho antecipou a opinião dele e disse que não via futuro, mesmo sendo um pai de santo.

Feliz, Zagallo comemorou seus 12.014 anos
O microfone caiu nas mãos de Sebastião Lazaroni que passou a falar sobre a importância do líbero e que para ele Mauro Galvão deveria ser o titular da seleção brasileira. Lazaroni fez um discurso ressaltando a modernidade necessária ao futebol brasileiro, mas foi interrompido por um ríspido Oscar Wilde que discordou da fala do ex-treinador com uma frase irônica de efeito. Lazaroni disse “foda-se” e Oscar Wilde respondeu “foda-se bem, foda-se mal, cai de boca do meu pau”.

Utilizando dos seus poderes de moderação, Jorginho disparou dois tiros, um na cabeça de cada um dos debatedores e começou a encerrar o debate. Percebendo que Zagallo movimentava os lábios, Jorginho chegou próximo a ele e percebeu que o velho dizia “amarelinha, tem que respeitar a amarelinha” em um mantra eterno. Jorginho se assustou e derrubou um copo de água em Zagallo. Seu corpo entrou em curto-circuito e todos perceberam que ele era, na verdade, um robô.

A direção do CH3 aproveitou a fumaça para ligar o alarme anti-incêndio e evacuar o prédio mais rapidamente, sem precisar oferecer um coffee break para os participantes. Como este nosso truque já é conhecido, os participantes continuaram imóveis. Foi preciso que incendiássemos um carpete para que eles finalmente fossem embora, encerrando de maneira digna mais esta retumbante discussão promovida pelo CH3.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Piadas surreais com pontinhos

Você sabe o que é um pontinho vermelho correndo no meio da salada? É o Michael Schumate. E um ponto branco? É um Arrois-Royce. E um pontinho verde? Uma ervilha dançando macarena. Ok, eu não irei prosseguir nessas perguntas sobre pontinhos, porque aposto que sua capacidade mental foi reduzida pela metade durante esse parágrafo.
O que são vários pontinhos coloridos no céu? A porra de uma constelação

Existe um grande mercado de fabricação de piadas de pontinhos. Elas conseguem ser populares entre vários segmentos da sociedade, provavelmente todos eles desprezíveis. Piadas com pontinhos geralmente são amplamente idiotas, totalmente sem graça e fazem sucesso no programa da Ana Maria Braga. Mas há algo que sempre me chamou a atenção na composição destas anedotas: a aleatoriedade de sua fórmula.

Veja bem. Existem aquelas piadas que são surpreendentes, com um final imprevisível e que podem inclusive serem incompreendidas por alguns, chocantes para outros. Existem as piadas de trocadilhos e existe aquela fórmula clássica em que alguém irá fazer uma grande burrice, geralmente um português ou uma loira. Aquela clássica situação em que estavam um americano, um italiano e um português em um avião e por aí vai.

Piadas com pontinhos não. Vejam as que foram citadas no começo do texto: duas delas contem trocadilhos idiotas que exigem alguma compreensão do contexto histórico em que foram concebidas. O lendário piloto alemão Michael Schumacher corria na Ferrari, uma equipe com um carro vermelho igual a um tomate que supostamente estaria correndo no meio de uma salada. Há muita complexidade nesse caso.

Outras piadas envolvem trocadilhos e cores. Sabem o que é um pontinho verde na Antártica? Um pingreen. Puta merda, não? Já um pontinho marrom no Brasil em 1.500 seria Pedro Álvares Cabrown. Por sua vez, um pontinho amarelo na cozinha seria um yellowtrodoméstico, o que é também o trocadilho mais forçado da história e não tem o menor sentido, porque eletrodomésticos tem formas bem definidas e em nada lembram pontinhos. Para piorar, dificilmente eles são amarelos.

Em outros casos a composição é de uma obviedade enorme e a única graça possível está na frustração daquele que é questionado sobre o significado dos pontinhos. O que são quatro pontinhos pretos no leite? Formigas. Sim, apenas formigas. Já um pontinho preto no canto da sala seria uma formiga de castigo. Formigas aliás, são as grandes estrelas do mundo das piadas de pontinho, justamente ao lado das ervilhas. Um pontinho verde a 200 km/h em uma descida seria uma ervilha sem freio.

Chega o momento então em que as piadas começam a perder qualquer sentido com a realidade e passam a fazer sentido apenas na imaginação de seus inventores. Um pontinho roxo no céu? Uma super uva. Cinco pontinhos coloridos na grama? Os Power Rangers. E nesse ponto você pode criar sua própria piada sem se preocupar com qualquer sentido. O que seria um pontinho laranja no céu? Uma tangerina voadora. O que seria um pontinho verde no canto da sala? Uma ervilha se masturbando.

Em alguns casos a construção da piada é muito complexa e o resultado não faz o menor sentido, interpretar a resposta é tão difícil que poderia travar um daqueles computadores da Nasa. O que é um pontinho amarelo na selva com uma faixa vermelha na cabeça? Cara, olha essa construção. É difícil imaginar o momento em que alguém pensou nela. A resposta, caso você queira saber, o pontinho é um fanrambo. Ótima, heim?

Pesquisando na internet descobri que a piada de pontinho mais popular na internet é um mix de todas as situações expostas. Vamos a ela:
- O que é um pontinho verde indo em direção a um ponto amarelo em cima de uma geladeira?
- Uma Super Ervilha indo salvar um fandango suicida.

Caras, vejam que coisa idiota. Como alguém consegue pensar em um ponto verde e um ponto amarelo no alto de uma geladeira e que isso tudo é uma Super Ervilha e um fandango suicida. Sério, essa piada é tão idiota que ela poderia virar letra de sertanejo universitário.

Para terminar, uma piada de pontinho de humor negro, que por razões óbvias é a única que eu achei graça. O que é um pontinho branco enrugado no fundo do mar?
- O Ulysses Guimarães.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Questões técnicas sobre o reembolso de dinheiro em caso de insatisfação com um determinado produto

Ao longo de sua vida você deve ter perdido a conta do número de vezes em que se deparou com a frase “nós garantimos a sua satisfação ou o seu dinheiro de volta” em alguma propaganda sobre um produto qualquer. A frase é impactante e atrativa. Você tem um problema e esse produto promete resolver esse problema. Se não der certo, você recebe o seu dinheiro de volta. Sensacional.

Mas, há uma série de questões técnicas sobre esse processo que não são explicadas no comercial e que me parecem um tanto quanto complexas.
1) A pessoa precisa ter um problema e comprovar que tem esse problema.
2) A pessoa precisa comprar o produto e comprovar que ela comprou esse produto.
3) A pessoa precisa provar que utilizou o produto corretamente durante o prazo estipulado.
4) A pessoa precisa provar que o produto não surtiu o efeito necessário.

Tenho para mim que a maior parte dos produtos e empresas que oferecem essa devolução de dinheiro em caso de insatisfação são do ramo da higiene. Sabão em pó é o que me vem à cabeça. E aí o processo é tranquilo: você tem uma roupa suja, lava ela com OMO Multiação e a roupa continua suja. Manda o vídeo para a OMO, junto com a nota fiscal do supermercado e recebe seu dinheiro de volta. No caso, uma quantia estimada em quinze reais.

Amiga, qual é o seu segredo?
No entanto, esse desafio já foi utilizado para outros produtos sendo que o caso mais famoso é o do Activia. Todos nós nos lembramos de Dira Paes informando que o segredo para o seu corpo era tomar o iogurte que estimula o trabalho intestinal e estimulava as pessoas que sofriam de prisão de ventre a realizarem o Desafio Activia. Deviam tomar o iogurte durante uns dias e, caso ele não surtisse o efeito desejado (cagar), seriam reembolsados.

Aqui a situação começa a ficar mais complexa. Vamos voltar aos passos esquematizados alguns parágrafos acima.

A pessoa precisa ter um problema e comprovar que tem esse problema. Acredito que já existam exames, ou laudos médicos que comprovem que a pessoa sofre de prisão de ventre e que só senta no vaso sanitário para amarrar o sapato. Vale aqui ressaltar que a incapacidade de cagar é um dos problemas mais constrangedores pelo qual uma pessoa pode passar. É difícil falar abertamente sobre assuntos fecais, mas, no entanto, vamos nos lembrar que cagar é uma necessidade fisiológica do ser humano e é terrível não conseguir cumprir com essa tarefa básica para a nossa sobrevivência.

Pois bem, comprovado o problema fisiológico a pessoa compra o produto e qualquer nota fiscal com CPF consegue comprovar a aquisição. Mas é aí que situação começa a ficar mais complexa. A pessoa precisaria provar que utilizou o produto e que ele não surtiu efeito. Como alguém consegue provar que não cagou ao longo dos últimos dez dias, pelo menos não com a frequência desejada? Existe algum teste que enfie uma sonda no ânus alheio para verificar se há resquícios de merda ali e há algum teste que possa ser feito para calcular a idade dessa merda? Muito complexo. E tudo isso por um iogurte que vale seis reais. Mas enfim, dinheiro é dinheiro.

O desafio da vez é o do Dermacyd. Para quem não sabe, trata-se de um sabonete íntimo para mulheres o mais recomendado pelos ginecologistas. Ele é vendido em quatro sabores e, além de tudo, ajuda a melhorar o equilíbrio do corpo, relaxa a mente e enfim. Quase uma droga.

Bem, esse sabonete regularia o PH Vaginal, manteria a mulher cheirosa em suas partes íntimas por 24 horas e é isso aí. Esse sabonete é bem constrangedor.

O Desafio Dermacyd consiste em estimular as mulheres a comprarem o produto e o utilizarem por 15 dias. Se as mulheres não se sentirem mais protegidas e frescas, o fabricante do sabonete devolve o valor do produto que é de aproximadamente vinte reais.

Voltamos ao esquema: a mulher precisa ter um problema constrangedor - odor vaginal - comprar o sabonete, utilizá-lo durante quinze dias e comprovar que o negócio não funcionou. Ela precisaria gravar uns quinze vídeos dela tomando banho e utilizando Dermacyd o que já transformaria esse concurso em uma filial do XVideos. Ou precisaria de testemunhas registradas em cartório? No final, precisaria comprovar que o sabonete não funcionou. Como? Um representante da marca precisaria ir até a casa da participante do desafio, dar uma fungada nas partes íntimas e falar “realmente, minha senhora”.

Tudo bem, no site a questão é mais simples. Eles trabalham com essa sensação de frescor e proteção, o que também é algo muito complexo. O que é, para uma mulher, se sentir protegida neste mundo moderno cheio de tarados e estupradores de plantão prontos para achar uma brecha que legalize o abuso sexual? Proteção é PH vaginal regulado?

Fora isso, o regulamento prevê que é uma questão muito pessoal, a mulher simplesmente tem que afirmar que está desprotegida e nem um pouco fresca e der fé pública no veredito. Diante disso, a Dermacyd vai te dar os vinte reais. Lembramos que a devolução é aplicável apenas para a compra de um sabonete por CPF.

Você deve estar pensando “vou comprar essa porra, usar e depois pedir meu dinheiro de volta”. É algo possível. Ninguém é capaz de controlar a má-fé alheia. Mas há um ônus. Para pedir o dinheiro de volta é necessário assumir que você constrangedoramente sofre do problema que o sabonete promete resolver e que nem ele foi capaz de solucionar o odor. Não há vinte reais de volta que valham essa humilhação.