segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Currículo

Colocar ou não colocar foto no CV? Eis uma
dúvida que nenhum especialista, desses que
são entrevistados no Fantástico jamais irão
conseguir responder
Alguma vez na sua vida você já passou por essa situação. Surgiu uma vaga de emprego por aí, alguém te indicou e você precisa entregar seu currículo. O que você faz? Corre para a internet para saber como é se faz um currículo, um pomposo Curriculum Vitae.

Teoricamente, todos nós deveríamos ter nossos CV prontos e atualizados periodicamente, salvos em uma pasta específica de nossos computadores. Mas é claro que isso não acontece. Não estamos preparados para essa situação e em toda vez precisamos nos virar. Entre outras coisas, pelo fato de que nunca sabemos se nosso currículo está bom ou não.

Em um mundo ideal, existiria um modelo básico de currículos, referendado pela ONU, pela OTAN ou pela FIFA e aceito por toda e qualquer empresa do mundo. Quem sabe nós aprenderíamos a montar nossos currículos em uma aula da quarta série. Mas não é assim, claro que não é assim. Não há uma única forma de se montar um CV e a internet nos fornece dicas confusas e inconsistentes sobre os processos.

Justamente pela ausência de um modelo básico, não existe um especialista doutor em Curriculum Vitae para mostrar como é que se faz. Não existe um professor de Universidade sobre o assunto. O que existe são dezenas de profissionais, caras que utilizam ternos bacanas e que atendem pela alcunha de “executivos” que possuem anos de experiência na área e vão te ensinar o que colocar e o que não colocar no seu Currículo. Infelizmente, cada um tem um ponto de vista diferente.

Cada Currículo é uma peça de insegurança única. É ruim para quem faz e é ruim para quem recebe, porque é possível perceber as dúvidas que permearam a concepção de cada linha de cada um desses documentos. Começa logo na apresentação. Nome completo, e-mail, telefone, endereço. Um e-mail hotmail pode significar uma reprovação? O bairro em que você mora pode ajudar a montar a concepção que o seu futuro empregador, assim esperamos, vai ter sobre você?

Há o campo da Formação Profissional. No mundo dos coachings de benchmarking, eles sugerem que você coloque apenas as últimas atualizações, afinal, eles esperam que todo mundo faça pelo menos três especializações por ano e chega a soar arrogante que você divulgue um CV com 48 pós-especializações e seis MBA em todas as áreas de administração, marketing e relações humanas.
Formação profissional: fazer figuração na praia. Habilidades extras: jogar futvôlei e comédia Stand Up 

Mas esse não é o mundo real. No mundo real as pessoas tem, com sorte, uma formação em nível superior e batalharam por alguns cursinhos bestas de especialização em que não aprenderam nada, apenas ganharam o direito de pleitear um salário um pouco maior e parecer entender muito desses assuntos. Você tem só o curso superior e a sensação de que vai concorrer com esse bando de MBA maníacos e nunca será escolhido.

A experiência profissional é outro problema. Você estará, com quase toda a certeza, se sentindo humilhado, buscando aqueles frilas que você fez, para dar corpo e volume ao seu Currículo. Por outro lado, se você colocar ali que trabalhou em dez lugares diferentes e, porra, tem só 28 anos, isso deve significa que há alguma razão pela qual você não consegue se manter nos empregos e essa razão deve ser terrível. Certamente o responsável por te entrevistar vai te perguntar porque é que você saiu de todos esses empregos e isso vai criar uma situação constrangedora.

Sem dizer que há casos em que sua experiência profissional é completamente diferente do cargo que você pretende ocupar a partir de agora. Você foi atendente de uma videolocadora, vendedor de roupas numa loja de shopping, mas agora surgiu aquela oportunidade de trabalhar na área em que você se formou e sua experiência profissional é praticamente zero diante do que você precisa. É melhor deixar esse campo em branco e fazer o empregador acreditar que você é um vagabundo que por alguma razão incrível, alguma contravenção em vista, provavelmente, resolveu trabalhar? Ou é melhor colocar esses empregos anteriores e convencer o cara da empresa que você devia procurar emprego em um dos 48 subways da cidade ao invés de encher o saco dele?

Por fim, existem as informações adicionais, ou habilidades extras. Em um desses campos, nunca sei qual, você diz se fala inglês, espanhol, italiano ou a língua dos anjos. Geralmente todo mundo enrola para aquele “inglês intermediário”, o que significa que você talvez fale bem, mas tem vergonha, ou de que você fala como uma comissária de bordo, mas não quer dar o braço a torcer porque o Max Gehringer sempre aparece na TV falando que inglês é essencial.
Grupo tenta decidir como é que se elabora um Currículo perfeito

Um espaço em que as pessoas sempre dizem que dominam pacote office, como se no mundo atual fosse algum grande mistério abrir o Word. Alguns dizem que fizeram curso de digitação, edição de vídeo. Alguns talvez digam que sabem fazer massagem com os pés, talvez seja um plus a mais que chame a atenção do seu futuro empregador. Experiências em redes sociais é outra habilidade comum, por mais que isso deva significar que o cara perde muito tempo no Facebook.

Alguns chegam a colocar que tem disponibilidade para trabalhar por um salário mínimo, por um prato de comida, que podem mudar de cidade ou prestar serviços sexuais aos outros empregados da firma. Os tempos não são fáceis.

Que tortura é montar um currículo e que tortura é ter que lê-lo.

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