quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Breve voltaremos

"Sinto que a vida é dividida em horrível e miserável. São essas duas categorias. O horrível é, não sei, casos terminais, pessoas cegas, com deficiência. Não sei como eles conseguem viver. É incrível para mim. O miserável é todo o resto. Então você deveria ser grato por ser miserável, pois você tem muita, muita sorte de ser miserável". Woody Allen.

Desde que esse blog surgiu em 21 de junho de 2006, ele foi atualizado pelo menos duas vezes por mês sempre - exceção feita ao maldito mês de fevereiro de 2007, quando provavelmente a situação no planeta terra era tão desgraçante que apenas um post veio a luz e não aleatoriamente ele era sobre alienígenas.

Por pouco, por muito pouco mesmo, que este mês de novembro de 2016 não repetiu esta sinistra marca. Estamos a poucas horas do fim do mês e até agora a pouco jazia aqui no CH3 apenas um post, breve post, sobre a eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos da América.

Os tempos são difíceis, não? Muita desgraça o tempo todo, total falta de fé na humanidade pelas mais diversas razões, avião da Chapecoense, pessoas morrendo, destruição, políticos em Brasília, enfim, o horrível.

Em tempos assim, tem sido difícil arrumar inspiração para escrever. Para piorar, passo por talvez a pior crise criativa de minha vida e tem sido deveras difícil escrever qualquer coisa. Vocês não tem ideia da hora em que eu comecei a escrever três parágrafos acima. É, tá foda.

Mas, esse post é para avisar que em breve voltaremos. Novembro passou, a vida não vai melhorar - é verdade, criamos expectativas demais que as coisas vão melhorar, mas a lógica e a experiência nos mostram que, ao contrário, tudo sempre tende a piorar - mas estou organizando umas ideias e, passado esse luto pelo trágico acidente da Chapecoense, o CH3 vai voltar com aquela velha ladainha de sempre. Aguardem.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Trumps Modernos


Em nossas vidas nós iremos viver diversas tragédias, grandes ou pequenas. Danos físicos ou materiais, problemas emocionais, eventuais mortes de pessoas próximas. Eventos traumáticos que teremos dificuldade em superar.

No entanto, com o tempo aprendemos que mais difícil do que o exato momento em que a tragédia acontece, ou quando sabemos que ela aconteceu, o dia seguinte é o mais difícil de todos. Na hora dos acontecimentos a adrenalina sobe, tudo se embaralha e de certa forma seu cérebro é programado para que você se preserve e não se lembre em detalhes como é que tudo ocorreu.

No dia seguinte não. Depois de colocarmos a cabeça no travesseiro e passarmos uma noite em claro, rememorando tudo o que aconteceu, tentando achar explicações e culpados, eventualmente pegarmos no sono até a hora em que acordamos. Um momento confuso. Fixamos o teto, escutamos o silêncio e todos os barulhos possíveis. Atentos a todos os detalhes, talvez como uma prova de que ainda estamos vivos. Levantar da cama é o momento mais difícil. Para não ter que encarar que sua mulher te deixou, que seu cachorro morreu, seu time perdeu a final do campeonato ou que seu carro explodiu e você não tinha seguro. Poderíamos ficar na cama para sempre e esperar que o mundo se esquecesse da nossa existência. Não saberíamos de mais nada do mundo e nem ele de nós. Sem mais problemas.

The Day After é um desses muitos filmes situados em futuros distópicos, frutos da guerra fria. Lançado em 1983, a película narra o dia seguinte a deflagração do conflito nuclear entre EUA e URSS. O dia seguinte ao apocalipse, um tema perturbador para a população de então retratado em um filme cheio de explosões e efeitos especiais. Fez muito sucesso.

Estamos em 2016 e o mundo, ao que tudo indica, está longe de um conflito nuclear, com potência mundiais investindo cada vez mais na diplomacia. Há a ameaça do terrorismo, ditadores malucos espalhados em pequenos países, mas tudo parece estar na mais perfeita tranquilidade.

Ou não. Estamos no dia 09 de novembro de 2016, o dia seguinte a eleição de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos da América. O dia seguinte àquele em que foi confirmado que um cidadão com sérios distúrbios patológicos irá comandar a maior potência econômica e militar do mundo. Estamos naquele dia em que não queremos sair da cama, em que nosso cérebro se ocupa o tempo todo em tentar achar as causas e os culpados. Isso não devia ter acontecido, isso não podia acontecer. Mas aconteceu. Estamos naquele dia que cansamos de assistir nos filmes da ficção.

Amigos, o futuro distópico chegou.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Oktober Fest

A Oktober Fest é um dos eventos culturais mais tradicionais e populares da região de Munique, na Alemanha. Diz a lenda, que a festa foi criada pelo rei Ludwig I da Baviera em 1810, com o objetivo de celebrar o seu casamento. A festa fez tanto sucesso, que resolveram repeti-la novamente no ano seguinte e no outro ano e no outro, e assim vem sendo desde então. Durante duas semanas ou mais, a população bávara mergulha em uma espiral alcoólica, consumindo intermináveis jarras de chope e cerveja até chegar ao estado de falência emocional.

Por uma dessas razões que nos fazem duvidar de Deus, a Oktober Fest, cuja tradução literal é - vocês vão se surpreender - Festa de Outubro, não acontece no mês de outubro na Alemanha, mas sim em Setembro. Geralmente ela se estende por alguns poucos dias de outubro, o que faz com que esse nome seja uma enorme ironia.

Como a premissa da festa é um tanto quanto agradável - beber cerveja indiscriminadamente, ficar muito louco, cometer atrocidades morais e fazer tudo isso dentro da lei e junto com várias outras pessoas também amparadas pela lei, a Oktober Fest se espalhou pelo mundo e hoje diversas cidades em dezenas de países realizam suas próprias edições da festa. Ao contrário da festa original, as suas variações costumam a ocorrer em outubro mesmo, porque seria muito difícil vender esse produto mercadológico e convencer as populações que não convivem com essa tradição esquizofrênica do mês errado a participar da festa.

O Brasil não poderia fizer de fora dessa tendência e desde 1978 a colônia alemã em Santa Catarina realiza sua Oktober Fest, essa sim em outubro mesmo. A cidade que recebe a celebração é Blumenau, cidade com aproximadamente 350 mil habitantes no norte de SC. A festa dura duas semanas e é a mais tradicional Oktober Fest do Brasil, uma vez que hoje me dia temos OFs particulares até em quintais de pessoas mais abastadas financeiramente.


Um dos grandes momentos da festa é o desfile realizado no centro da cidade no sábado, o dia que mais atraí visitantes interessados em vivenciar essa experiência. A avenida XV de Novembro é tomada pelos participantes dos desfiles, enquanto as calçadas ficam lotada com moradores, amigos, familiares, curiosos e os tradicionais vendedores ambulantes.

O clima é de cultura alemã, ou de simulacro dela. Para cima e para baixo, pessoas desfilam em trajes considerados típicos, que consistem em: calça, bermuda, suspensórios, chapéu, sapatos e meias até os joelhos para os homens; um vestido com um decote abastado para as mulheres e eventuais tranças no cabelo, ou coroa de flores na cabeça.

As lojas vendem produtos relacionados à celebração, como as próprias tiaras decoradas com flores, camisetas e canecas de metal com o símbolo da festa em diferentes tamanhos: desde as pequenas até as enormes, para as quais seriam necessárias algumas garrafas de chope para que fiquem cheias.

Uma loja em específico tocava músicas que tentavam ser alemãs e outras que nada mais eram do que cidadãos falando com um sotaque alemão cantando músicas em mais diversos ritmos. Havia até um pagode chamado “dança do caneco”. Sempre com muitas referências aos Fritz e às Fridas imaginários. Pude observar também uma enorme quantidade de músicas que utilizavam uma base eletrônica que podemos classificar como brega, e um hino informal cujo refrão dizia “zig zag, zig zag, oi oi oi”. Sim, era um pouco deprimente.



O desfile começou em algum horário próximo às 16h, com a presença de um Papai Noel em um jipe militar. Atrás dele, pessoas fantasiadas de renas, ursos polares e outros animais que vivem em regiões frias, faziam uma coreografia ritmada com a música do Papai Noel do jipe militar. Haviam também meninas que interpretavam os duendes ajudantes do bom velhinho. Não dava para negar que era um começo promissor pela carga de surrealismo.

Depois começam a chegar os vários grupos participantes do desfile que de certa forma se assemelham a blocos de carnaval. O desfile da Oktober Fest no fundo é isso, uma grande micareta em que quem desfila provavelmente se diverte muito mais do que quem apenas assiste. Saem os abadás, entram os trajes típicos.

Há grupos com nomes excêntricos e que tentam repassar um pouco das tradições germânicas, como o carro “cultura dos cristais” – com direito a cidadãos moldando cristais ao vivo, ou ainda o “maquinários agrícolas” e outros relacionados a culinária. No entanto, a enorme maioria é formada por participantes de grupos, dos clubes de caça e tiro, de lanchonetes, restaurantes, lojas. Todos fantasiados de Fritz e Fridas, segurando enormes copos de cerveja em suas mãos que eram abastecidos ao longo de todo o percurso. Os que desfilam gritam, dançam, falam coisas sem sentido e riem, o que, convenhamos, é uma característica normal de quem está bêbado.

O consumo de cerveja chega a ser opressor - um consumo realmente paquidérmico. Certa hora fui a uma lanchonete e pedi uma água e senti que poderia apanhar por não estar bebendo cerveja. É possível observar ainda uma enorme tendência ao alcoolismo juvenil, com a presença de adolescentes, crianças e bebês nessa cachaçada fenomenal. Flagrei inclusive um pai mergulhando a ponta da chupeta na cerveja, quase em um gesto fraternal de perpetuação das tradições.

Quando o desfile finalmente acaba e as pessoas já estão suficientemente bêbadas, elas partem em direção a vila germânica, o local em que a festa realmente se desenvolve. Adquirindo ingressos com preços módicos, é possível entrar dentro do pavilhão e... beber ainda mais cerveja, escutar mais música com sotaque alemão e ver pessoas em trajes típicos bebendo cerveja, rir disso tudo, começar a falar coisas sem sentido, dançar, beber mais, eventualmente praticar o nudismo em público, perder levemente os sentidos, ver as coisas meio turvas, desfalecer lentamente, ser levado para um pronto atendimento e receber soro na veia, acordar com uma dor de cabeça terrível e vomitar tudo durante o dia inteiro seguinte.

(Pequena curiosidade. Uma dos blocos desfilantes era dedicado a arte de tomar chope por metro, em enormes e impressionantes canecas com um metro de comprimento de aspecto afunilado. Pois toda essa frescura era para tomar Schinchariol, a patrocinadora oficial da festa).

De acordo com os dados dos organizadores, mais de 700 mil pessoas estiveram dispostas a participar disso tudo nas duas semanas do evento. Elas chegam em enormes carreatas, em ônibus animados nos quais as pessoas gritam sem parar. E o que mais me surpreendeu na hora de ir embora, é que não presenciei uma única blitz da lei seca.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Moda Pastoral

(Eu iria começar esse texto chamando o cidadão de “Pastor Valdemiro”, mas as buscas no Google me mostraram que ele, na verdade, é conhecido como “Apóstolo Valdemiro”, o que me parece de uma presunção sem fim).

O Apóstolo Valdemiro é mais uma dessas celebridades do mundo gospel, que, assim como vários outros popstars desse mundo contemporâneo, é muito importante para uma quantidade enorme de pessoas e totalmente desconhecido para inúmeras outras. Seu nome apenas repercutiu entre os outros mortais quando ele aparece envolvido em uma polêmica, do tipo, sonegação de imposto e compra de fazenda milionária no interior de Mato Grosso, ou em uma dessas brigas do Game of Thrones Pentecostal.

Quando Valdemiro apareceu pela primeira vez às massas que não estão engajadas no meio evangélico, na polêmica da fazenda, todos os sites reproduziram variações de uma fotografia sua, pregando para uma multidão em um lugar aberto, utilizando um chapéu de caubói. Ainda hoje, essa é provavelmente a sua fotografia mais popular, como mostra uma busca no Google.

Segui, felizmente, sem ter notícias do cara. No entanto, de um tempo para cá eu comecei a vê-lo algumas vezes, quando ligo a TV por assinatura e passo por um dos 1.823 canais que mostram cultos conduzidos por esses religiosos-celebridades. E o que mais me chamou a atenção foram as roupas que o Senhor Valdemiro usa em um tempo recente de sua vida.

Nada de terno claro, camisa azul e gravata vermelha, visual tão comum para esse segmento do mercado. Valdemiro utiliza cada vez mais roupas espalhafatosas, provavelmente adquiridas no setor hipster de uma loja de departamento, o que muito provavelmente o transforma em uma espécie de Augustinho Carrara do mundo religioso.
Vejo até alguma semelhança dele com o Mr. Catra nessa foto


Também é possível afirmar que em muitas ocasiões o nosso Valdemiro se assemelha em muito a um sambista carioca. Posso até vê-lo puxar um “Alô comunidade de Nilópolis! A hora é essa”, nessa foto.


Assim como posso imaginá-lo cantando um pagodinho romântico, algo do Pixote, olhando nos olhos de uma fiel seguidora comprometida que foi colocada em um complexo dilema moral diante da situação. Não se meta Valdirene.


No entanto, ainda nestes tantos canais religiosos que a Sky nos proporciona o prazer de pagar para nunca assistir, pude perceber que os pastores/apóstolos de todo o Brasil trilham um caminho único no terreno da moda. Um dia, descobri este cidadão.

Me espantei com sua roupa e pensei que esse fosse algum culto de teatro amador, em que ele representaria, sei lá, o pastor do Obelix, ou que a roupa tivesse alguma ligação com o figurino trash de peças de época sobre a vida de Jesus Cristo que dispunham de baixos recursos orçamentários.

De fato, descobri que o ator amador se chama Agenor Duque e que ele é também um apóstolo, que já trilhou carreira na Igreja Universal e na Igreja Mundial, mas que recentemente aderiu ao empreendedorismo e abriu a sua própria igreja, o que pode ser um grande exemplo para muitas pessoas nesse momento de crise: Agenor Duque resolveu se arriscar e garantir seu futuro e seu sustento pela livre iniciativa.

Esta sua roupa bizarra é propositalmente bizarra e tenta reproduzir as vestes de um mendigo - ainda assim um mendigo de teatro amador, haja vista que nem os piores mendigos utilizam um colete-vestido mal feito e claramente apertado para esse cidadão com barriga portentosa. Mas, a intenção de Agenor Duque ao se vestir de simulacro de mendigo é passar a ideia de humildade.

Ideia desmistificada por algumas reportantes disponíveis na internet que mostram que ele mora em grandes casas, dirige grandes e caros carros importados e fora dos palcos utiliza roupas da Hugo Boss e outras grandes marcas sempre populares na moda pastoral.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

7 perfis de candidatos

Candidato Jovem

Cidadão que geralmente já não é tão jovem assim – talvez o tenha sido um dia, mas tenta manter uma aparência de jovialidade com o uso de sapatênis, camisas Dudalina, e uma eventual barba por fazer. Seu mandato será baseado na criação de oportunidades para os jovens, mesmo que ele não se pareça em nada com um jovem que busca por oportunidades. A maior semelhança é com algum jovem que porventura sofra de sérias limitações intelectuais.

Candidato da Família

Muito provavelmente ligado a alguma instituição religiosa, defende os abstratos interesses de uma imaginária família, muito provavelmente, a família do candidato, uma família temente a deus, pai todo poderoso, única família possível longe da aberração homossexual defendida pelos esquerdopatas. Se eleito, ele irá lutar contra todos os agressores da família brasileira, exceto aqueles que agridem fisicamente os integrantes da família brasileira.

A Força da Mulher

Candidata que tem como principal atributo o fato de ter nascido com um cromossomo XX e assim, ter toda a experiência possível de ser filha, mãe, irmã, avó, tia, enfim, mulher, guerreira. Geralmente entrou pelo sistema de cotas, ou é filha, mãe, irmã, avó, tia de algum político que infelizmente está impedido de concorrer ao cargo eletivo em questões por problemas de ordem judicial.

Saúde, Segurança e Educação

Espécie de mantra, santíssima trindade do discurso político, afinal, ninguém vai negar a importância, da saúde, da segurança e da educação. Mesmo quem é atendido apenas em um Sírio Libanês da vida e nem sabe o endereço de uma policlínica, dirá que a saúde está caótica e é preciso fazer mais por ela. Muitos candidatos a vereador levantam esse tripé como sua principal bandeira e, infelizmente, eles não podem fazer nada por isso.

O Novo

Não precisa exatamente ser jovem, ser uma figura desconhecida que nunca antes se aventurou na política. Ao novo importa apenas a imagem, o discurso e o desejo de mudança, seja lá exatamente que mudança for essa.

Trabalho Comprovado

Contraponto perfeito ao novo. Político experiente, que em 40 anos de vida pública já construiu viadutos, avenidas, aeroportos, escolas, creches, hospitais, piscinões, patrimônio particular incompatível com a renda e, enfim, ele conta com a sua ajuda para fazer ainda mais.

Pela Comunidade

Candidato que vai trabalhar muito forte pela sua comunidade, garantindo melhorias na vida de todos os moradores do bairro. Líder comunitário, advindo de um bairro carente – você nunca verá ninguém trabalhando pela comunidade de Higienópolis, de Ipanema, aliás, esses bairros não são chamados de comunidades – ele irá eventualmente se anunciar como a força da renovação, mas também pode ter trabalho comprovado. O que ele vai buscar? Saúde, segurança e educação para o povo do Jardim Arapuã.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Game Go

Fruto de uma polêmica recente, o jogo para celulares Pokemon Go não irá merecer nenhuma linha deste célebre blog. Não iremos discutir se esse jogo que tem como objetivo capturar personagens de um antigo desenho animado japonês, se esse jogo é uma alienação maçante proposta para nerds fracassados que não tem perspectiva de vida e consequentemente vão morrer pela própria desgraça intelectual, ou se ele é um jogo que estimular a exploração urbana e o contato com novas pessoas que podem eventualmente morrer porque a vida é assim, um dia ela termina.

Neste post temos apenas um objetivo que é citar outros jogos que poderiam ganhar suas versões em realidade aumentada.

Super Mario Go
De olho no celular, o jogador percorreria o reino do cogumelo, povoados de seres que dão choques e de tartarugas. Após cumprir uma série de objetivos iniciais, o jogador poderia partir em busca do objetivo final que é resgatar uma princesa, indicada pelo mapa. No fim das contas é preciso achar um machado que derruba uma ponte. Pode eventualmente provocar prisões por invasão de propriedade privada e depredação do patrimônio público.


Mário Kart Go
Spin-off do jogo acima, esse é para jogar exclusivamente quando você estiver dirigindo, contribuindo para o trânsito seguro na cidade. Coloque o celular no volante e comece a dirigir ziguezagueando por aí em busca de prêmios virtuais especiais. Também seria possível competir com outras pessoas, em uma modalidade já popularmente conhecida no Brasil como “racha”.

Carmageddon Go
Parecido com o Mário Kart, exceção feita ao fato que o objetivo é atropelar pedestres virtuais e para isso você tem que subir na calçada, no canteiro central e eventualmente invadir lojas e, acidentalmente, acabar atropelando pedestres que realmente estavam na calçada inocentemente sem saber do risco a que estavam sendo submetidos.

Sonic Go
Jogo que estimula o atletismo de velocidade, em que você irá percorrer ruas e avenidas buscando anéis dourados e caixas mágicas que lhe fazem somar mais pontos e correr ainda mais rápido (esteroides anabolizantes). O jogo apresenta uma novidade que é a utilização da câmara frontal do celular, onde é possível ver que enquanto você está jogando você é stalkeado por uma raposa voadora e melancólica – uma metáfora para a NSA. Depois de concluído o longo percurso, o jogador chegará à fase final em que é preciso acertar oito pulos na cabeça de uma figura de bigodes popularmente conhecida como chefão. Será um tanto ridículo para quem estiver olhando aquilo aleatoriamente e pode provocar algumas fraturas e mortes. Mas enfim, é isso que nós chamamos de realidade aumentada.

Counter Strike Go
Apenas uma palavra para esse jogo: tenso. Assim como o Call of Duty Go.


Mortal Kombat Go
Jogo que será lançado em breve, quando a evolução dos softwares de realidade aumentada faça com que os celulares sejam capazes de proporcionar novas experiências, como a sensação de ser congelado, ter a sua pele corroída por ácido, ser atingido por raios ou mesmo fatiado em pedaços por um açougueiro sem muita ética e com traços de psicopatia.

GTA Go
Também conhecido como um dia normal na vida da Polícia Militar do Rio de Janeiro.

Minecraft Go
Esse jogo já é praticado diariamente por centenas de pessoas das mais variadas qualificações profissionais e é popularmente conhecido como “Construção Civil”. A diferença do game é que você teria que erguer paredes e a porra toda olhando pela tela do celular o que é certamente bem mais difícil.


Confira em breve os novos “Tetris Go”, “Paciência Spider Go” e “Jogo da Cobrinha dos Antigos Celulares Nokia Go”.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Jardinagem Política

Não sei se vocês já tiveram a oportunidade de morar em uma casa que tenha um quintal com uma faixa de terra coberta por grama. Não importa muito o tamanho, se é um gramado de poucos metros quadrados ou um campo de futebol. Se você não for um cidadão abastado o suficiente para contratar um profissional responsável por cuidar da grama – um jardineiro que não chega a mexer com jardins, será um grameiro? – você acaba cuidando do gramado.

Em termos gerais, a grama não dá muito trabalho. Ela cresce, às vezes cresce muito e precisa ser cortada. No período da seca, você precisa regar o gramado com alguma frequência para evitar uma inanição vegetal. Por outro lado, uma semana de chuva é o suficiente para que a grama volte a crescer verde e cheia de vitalidade.

Portanto, a grama não dá muito trabalho. Chato mesmo é o mato.

Quando pensamos em mato, automaticamente pensamos naqueles que crescem em terrenos baldios até atingir alturas estratosféricas. No entanto, existem diversas espécies diferentes de matos, ervas daninhas, ou como quer que eles se chamem.

Alguns se parecem com a grama, principalmente quando as folhagens ainda são pequenas. Só quando crescem você consegue perceber a armadilha que aquele mato é e vai sofrer bastante para conseguir retirá-lo da terra. Por vezes é preciso utilizar outros artefatos.

Existem folhagens rasteiras, fáceis de serem retirados se você não deixar elas cresceram muito, fincando raízes profundas. Há outras, que só dá pra tirar a parte de cima, mas a raiz permanece e ela volta a nascer. Alguns matos mesmo quando você acha que os removeu completamente, deixam uma parte da raiz oculta na terra e renascem.

Tem mato que chega a ser bonito, que chega a se parecer com alguma flor e em um momento de compaixão você corre o risco de se deixar enganar e pensar que aquilo ali não é apenas um organismo que utiliza o mínimo de energia para crescer e sugar as forças dos que estão ao seu redor.

Sobram ainda umas pequenas e incontáveis folhagens que crescem aos montes. Sempre muito próximas. Você pode passar horas retirando-as do chão e nunca chegam ao fim. Parece que quando você tira um, surgem outros dois.

Mas, o pior mesmo é que, não adianta o que você faça, o mato sempre vai voltar. Você pode, em um esforço hercúleo, retirar todos do seu gramado. Perder alguns dias fazendo isso até que você olhe cada milímetro de terra e se certifique que não há uma única erva daninha espalhada por ali. Não adianta, o mato vai voltar. Por força de insetos, aves, ou pela simples vontade de deus, ele vai voltar.

Pense no Eduardo Cunha. Políticos como ele são como o mato. Aqueles que parecem bons no início, mas que depois de revelam imprestáveis e é difícil retirá-los. Políticos rasteiros, que precisam ser retirados logo. Aqueles que fincam raízes, os que chegam a parecer até bonitos, mas que são apenas organismos que sugam forças dos que estão ao seu redor. Sem contar aqueles milhares, que se multiplicam. Quando você tira um, surgem dois.

E o pior, é que eles sempre vão voltar. Não há o que você possa fazer para evitar isso. Não há esforço suficiente para evitar que um novo corrupto chegue ao cenário político, pela razão que seja.

Parece que o Eduardo Cunha foi exterminado, mas outros como ele vão aparecer. Não há o que fazer.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Professora Dilma

Durante todo o longo e extenuante processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, o que mais me chamou a atenção foi a seguinte frase, dita por um de seus correligionários.

“Vamos destacar a questão da inabilitação. Caso contrário, a presidente Dilma será impossibilitada de ter um emprego público, será impossibilitada de receber qualquer tipo de recurso de estatal e de exercer o papel de professora universitária, por exemplo, e de ter a possibilidade de disputar outros mandatos”,

Ele se referia a um pequeno desmembramento do processo de impeachment, em que os senadores que formavam a antiga base de sustentação petista pediam que fossem feitas duas votações: uma para definir se Dilma deveria deixar o cargo e outra para decidir se ela deveria ou não perder os seus direitos políticos pelos próximos oito anos. Foi exatamente isso o que aconteceu e Dilma acabou destituída do cargo mas conseguiu manter o direito de ocupar cargos públicos.

Apesar de ter o direito de disputar as próximas eleições, esse não deve ser o objetivo de Dilma, visto que o seu desgaste é tão grande que ele teria dificuldades em se eleger para fazer parte de comissão de formatura de colégio. Conforme revelou o senador amigo da ex-presidente, o sonho de Dilma é dar aulas. Sim, nossa ex-mandatária sonha em ir para o lado quadro negro da força e lecionar alguma disciplina em alguma universidade pública do país.

Dilma é economista por formação e apesar da tragédia financeira de seu governo, acredita-se que ela deve ter uma boa base teórica para repassar aos seus alunos. No entanto, se há algo pelo o qual a ex-nº1 do Brasil é famosa, é por sua total incapacidade de se comunicar de maneira clara e coerente. Os discursos de Dilma Rousseff são mundialmente conhecidos pela confusão mental que ela estabelece, pela confusão sintáxica condensada em uma pílula de treze segundos de duração.

Muitas de suas frases estão no anedotário nacional. A figura oculta do cachorro, a saudação a mandioca, a afirmação de que o senador Wellington Dias costuma a pular por janelas, a constatação de que quem ganhar e quem perder, que todos vão perder. Dilma é uma mestre na arte de se expressar mal e executa essa atribuição de uma forma que poucas pessoas conseguiriam.
Essa bola é uma bola eu fiz o teste e ela quica e isso nos faz sermos homens ou mulheres sapiens

Essas armadilhas intelectuais embutidas em suas frases já provocam extrema confusão quando ela tenta falar de coisas simples como a amizade entre crianças e animais ou sobre a certeza de que todos nós vamos morrer um dia e não há nada que possamos fazer para evitar isso. Agora, imaginem Dilma Vana Rousseff dentro de uma sala de aula lecionando um assunto extremamente complexo, como é o caso da economia. Esse mundo cheio de superávits, déficits, variações cambiais e dezenas de pensadores alemães que fizeram elaboradas constatações sobre o crescimento global.

Imaginem Dilma tentando entregar todas essas informações complexas para uma massa de alunos sedentos por conhecimento. Dilma tentando explicar matemática complexa e raciocinando sobre a matemática para seus discípulos.

Isso não vai dar certo, quem ganhar e quem perder vai perder.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

TV Guga Kuerten

Daqui a alguns anos, quando todos nos lembrarmos dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro de 2016, as principais lembranças não serão as grandes vitórias, os dramas, as medalhas, as disputas nas quadras, tatames e demais arenas de disputa. Em um ano distantemente utópico, a competição carioca será lembrada por um único homem: Gustavo Kuerten.

No momento em que o ex-tenista (ex-número 1 do mundo) foi anunciado para participar da equipe globo de comentaristas, ninguém deu muita bola. Lembrávamos do Guga, aquele atleta que transbordava emoção, que conseguiu vitórias impactantes sempre com sorriso no rosto e lágrimas nos olhos. Mas, somos vacinados com relação ao desempenho patético de ex-jogadores na função de comentaristas.

Mas o Brasil não sabia o quanto amava esse homem. Guga ganhou o carinhoso apelido de labrador humano por sua simpatia sem fim e por encarar a vida de braços abertos. Para melhorar, Kuerten ainda demonstrou ser um ótimo comentarista de tênis, alguém capaz de explicar os contextos humanos que envolvem a partida.

Essas características o levaram a marcar presença na transmissão dos mais variados esportes. Guga estava lá no futebol, no basquete, no vôlei, no tênis de mesa, no badminton, na canoagem, no tiro esportivo. O nosso ídolo sempre seria capaz de transmitir a dimensão humana daquele feito, os desafios psicológicos do atleta, a grandiosidade da representação nacional aplicada a uma disputa em uma cachoeira artificial. Até da porra do pentatlo moderno ele poderia comentar. Até sobre o psicológico do cavalo na prova de adestramento. Sempre com um sorriso imensurável.

Guga é capaz, simplesmente, de comentar todos os assuntos possíveis, com naturalidade, carisma e simpatia. Eu mesmo faço parte de um grupo de pessoas que gostaria de ter uma TV Guga Kuerten, com ele comentando todos os assuntos possíveis. Como sabemos que é muito difícil conseguir uma concessão de televisão, e aproveitando que ele é contratado da Globo, acho que GK poderia estar lá na vênus platinada comentando tudo.

Gostaria muito que ele substituísse Miriam Leitão nos comentários de economia. Ao invés de vermos o pessimismo latente da especialista, dizendo que o Brasil caminha para a recessão que redundantemente resultará no caos monetário seguido pela guerra civil, teríamos alguém capaz de explicar as implicações psicológicas na tomada de decisão dos economistas e como o dólar pode variar de um dia para o outro por mínimos detalhes.

Ele poderia ainda substituir o Alexandre Garcia, e assim não teríamos que ver este cidadão falando que chegamos ao fundo do poço da história da humanidade, que logo seremos devorados por ratos.

Guga poderia comentar o processo de impeachment e todos os duelos entre os parlamentares. Ele poderia substituir Rodrigo Pimentel nas falas sobre operações policiais. Teria um minuto no jornal nacional para uma crônica do dia. Substituiria o Pedro Bial, o Thiago Leifert e essa legião de malas. Teria seu próprio talk show, seu programa de variedades, de culinária, de saúde. Seria o presidente do Brasil.


Isso, é claro, desde que o mundo fosse um lugar ideal.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Balanço das Olimpíadas 2016


Vamos relembrar os grandes momentos dos Jogos Olímpicos com a ajuda dos nossos especialistas de sempre.

Atletismo
Usain Bolt já era uma lenda do esporte mundial e veio ao Brasil para ratificar essa condição, caso alguém ainda duvidasse dele. “Correr lá fora é muito fácil, quero ver é correr aqui no Brasil tendo que competir quarta-e-domingo-quarta-e-domingo”, disse o técnico Muricy Ramalho. Bolt ganhou as três provas que disputou e se tornou triplo tricampeão. Também esbanjou simpatia, magnetizou o público, dominou o Snapchat, passou o rodo e se aposentou.

O grande momento brasileiro na competição aconteceu quando Thiago Braz, um desconhecido para o brasileiro médio, conquistou a medalha de ouro no salto com vara. Thiago foi superando o sarrafo em todas as alturas, até que sobrassem apenas ele e o francês recordista mundial. Em um momento de ousadia e alegria, o atleta brasileiro pediu para que o sarrafo fosse colocado em uma altura inimaginável para ele, mas ele foi lá, pulou, superou e deu início a um quase incidente diplomático com o francês que ficou transtornado com a derrota.

Natação
Depois de se afundar nas drogas e no drama de uma vida sem sentido, Michael Phelps voltou a nadar para sobreviver. Uma vez que a piscina era sua vida, Phelps conseguiu cinco medalhas de ouro e conseguiu parecer ainda mais sobre-humano do que já era.

Já o seu eterno concorrente Ryan Lochte não foi bem nas provas em que nadou e ainda tentou reeditar uma versão vida real de Se Beber Não Case. Aprontou altas confusões na madrugada, depredou um posto de gasolina, brigou com seguranças e ainda disse que foi assaltado. Perdeu patrocínios e ganhou a imagem de babaca.

Ainda nas piscinas, destaque para Katie Ledecky e Katinka Hosszu. Duas nadadoras que quebraram recordes e dominaram amplamente as provas que disputaram. “Hungria e Estados Unidos, Estados Unidos e Hungria. Dois países. Duas mulheres. Duas nacionalidades. Muitas vitórias”, disse Eric Faria.

Ginástica
Simone Biles tem apenas 1,40m de altura, mas isso não impede que ela quase alcance a estratosfera durante suas apresentações. Elástica, acrobática e veloz, Simone supera a capacidade de percepção do olhar humano e faz com que suas adversárias pareçam amadoras que não mereciam estar na competição.

O Brasil teve sua melhor participação na história, com três medalhas na categoria. Destaque para Diego Hypólito, que após conhecer o inferno nas últimas duas olimpíadas, superou as adversidades e conseguiu uma medalha que parecia que nunca seria sua.

Tiro
Ninguém esperava que o Brasil conseguiria uma medalha no tiro, ainda mais a sua primeira medalha na competição. Repentinamente a televisão informou que Felipe Wu Almeida estava conseguindo uma medalha e todos nos vimos lá assistindo aqueles homens com caras de psicopatas atirando em alvos não humanos. Wu conseguiu a medalha e ninguém disse que esperava que ele servisse de exemplo para que os jovens praticassem esportes.

Luta
O Brasil conseguiu medalha no judô, no boxe e no tae-kwon-do, mostrando que somos um país bom de briga. Mas, talvez não tão bom quanto o Azerbaijão que conseguiu uma porrada de medalhas apenas nos esportes em que é preciso ser monstro pra vencer.
Work, work, work, work. Work, work, You See me I be work, work, work. Work, work.



A torcida brasileira nas modalidades que envolvem combate físico não-letal foi um dos grandes destaques. Lutadores eram recebidos com gritos de “uh, vai morrer”, eram incentivados a cometer o homicídio. O publicou torceu para o juiz. Puxou em coro uma música dos Mamonas Assassinas para incentivar o boxeador Mina. Inesquecível.

Futebol
A tão falada medalha de ouro no futebol enfim chegou, após uma disputa de pênaltis que consagrou o goleiro Weverton ao improvável posto de herói nacional. O título não veio, é claro, sem um começo pífio e um turning point após uma bronca pública de Galvão Bueno, que se transformou em motivação para que os atletas fossem em busca da vitória. No futebol feminino, infelizmente não deu.

Vôlei
Após uma primeira fase tensa que resultou em uma quase eliminação precipitada, o Brasil se recuperou e conseguiu o título que parecia improvável. Na competição feminina, a China seguiu o mesmo roteiro, mostrando que às vezes é importante sofrer derrotas educadoras na fase inicial do torneio, para crescer na dor e conseguir o êxito final. “Umas boas palmadas, um pouco de fustigação e penitência são bem prazerosas”, opinou Hanz, o pansexual.

Outros Esportes
Muitas vitórias de Chineses, de britânicos, de americanos, um brasileiro na canoagem, decepção no handebol, e que se foda o golfe.