segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Game Go

Fruto de uma polêmica recente, o jogo para celulares Pokemon Go não irá merecer nenhuma linha deste célebre blog. Não iremos discutir se esse jogo que tem como objetivo capturar personagens de um antigo desenho animado japonês, se esse jogo é uma alienação maçante proposta para nerds fracassados que não tem perspectiva de vida e consequentemente vão morrer pela própria desgraça intelectual, ou se ele é um jogo que estimular a exploração urbana e o contato com novas pessoas que podem eventualmente morrer porque a vida é assim, um dia ela termina.

Neste post temos apenas um objetivo que é citar outros jogos que poderiam ganhar suas versões em realidade aumentada.

Super Mario Go
De olho no celular, o jogador percorreria o reino do cogumelo, povoados de seres que dão choques e de tartarugas. Após cumprir uma série de objetivos iniciais, o jogador poderia partir em busca do objetivo final que é resgatar uma princesa, indicada pelo mapa. No fim das contas é preciso achar um machado que derruba uma ponte. Pode eventualmente provocar prisões por invasão de propriedade privada e depredação do patrimônio público.


Mário Kart Go
Spin-off do jogo acima, esse é para jogar exclusivamente quando você estiver dirigindo, contribuindo para o trânsito seguro na cidade. Coloque o celular no volante e comece a dirigir ziguezagueando por aí em busca de prêmios virtuais especiais. Também seria possível competir com outras pessoas, em uma modalidade já popularmente conhecida no Brasil como “racha”.

Carmageddon Go
Parecido com o Mário Kart, exceção feita ao fato que o objetivo é atropelar pedestres virtuais e para isso você tem que subir na calçada, no canteiro central e eventualmente invadir lojas e, acidentalmente, acabar atropelando pedestres que realmente estavam na calçada inocentemente sem saber do risco a que estavam sendo submetidos.

Sonic Go
Jogo que estimula o atletismo de velocidade, em que você irá percorrer ruas e avenidas buscando anéis dourados e caixas mágicas que lhe fazem somar mais pontos e correr ainda mais rápido (esteroides anabolizantes). O jogo apresenta uma novidade que é a utilização da câmara frontal do celular, onde é possível ver que enquanto você está jogando você é stalkeado por uma raposa voadora e melancólica – uma metáfora para a NSA. Depois de concluído o longo percurso, o jogador chegará à fase final em que é preciso acertar oito pulos na cabeça de uma figura de bigodes popularmente conhecida como chefão. Será um tanto ridículo para quem estiver olhando aquilo aleatoriamente e pode provocar algumas fraturas e mortes. Mas enfim, é isso que nós chamamos de realidade aumentada.

Counter Strike Go
Apenas uma palavra para esse jogo: tenso. Assim como o Call of Duty Go.


Mortal Kombat Go
Jogo que será lançado em breve, quando a evolução dos softwares de realidade aumentada faça com que os celulares sejam capazes de proporcionar novas experiências, como a sensação de ser congelado, ter a sua pele corroída por ácido, ser atingido por raios ou mesmo fatiado em pedaços por um açougueiro sem muita ética e com traços de psicopatia.

GTA Go
Também conhecido como um dia normal na vida da Polícia Militar do Rio de Janeiro.

Minecraft Go
Esse jogo já é praticado diariamente por centenas de pessoas das mais variadas qualificações profissionais e é popularmente conhecido como “Construção Civil”. A diferença do game é que você teria que erguer paredes e a porra toda olhando pela tela do celular o que é certamente bem mais difícil.


Confira em breve os novos “Tetris Go”, “Paciência Spider Go” e “Jogo da Cobrinha dos Antigos Celulares Nokia Go”.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Jardinagem Política

Não sei se vocês já tiveram a oportunidade de morar em uma casa que tenha um quintal com uma faixa de terra coberta por grama. Não importa muito o tamanho, se é um gramado de poucos metros quadrados ou um campo de futebol. Se você não for um cidadão abastado o suficiente para contratar um profissional responsável por cuidar da grama – um jardineiro que não chega a mexer com jardins, será um grameiro? – você acaba cuidando do gramado.

Em termos gerais, a grama não dá muito trabalho. Ela cresce, às vezes cresce muito e precisa ser cortada. No período da seca, você precisa regar o gramado com alguma frequência para evitar uma inanição vegetal. Por outro lado, uma semana de chuva é o suficiente para que a grama volte a crescer verde e cheia de vitalidade.

Portanto, a grama não dá muito trabalho. Chato mesmo é o mato.

Quando pensamos em mato, automaticamente pensamos naqueles que crescem em terrenos baldios até atingir alturas estratosféricas. No entanto, existem diversas espécies diferentes de matos, ervas daninhas, ou como quer que eles se chamem.

Alguns se parecem com a grama, principalmente quando as folhagens ainda são pequenas. Só quando crescem você consegue perceber a armadilha que aquele mato é e vai sofrer bastante para conseguir retirá-lo da terra. Por vezes é preciso utilizar outros artefatos.

Existem folhagens rasteiras, fáceis de serem retirados se você não deixar elas cresceram muito, fincando raízes profundas. Há outras, que só dá pra tirar a parte de cima, mas a raiz permanece e ela volta a nascer. Alguns matos mesmo quando você acha que os removeu completamente, deixam uma parte da raiz oculta na terra e renascem.

Tem mato que chega a ser bonito, que chega a se parecer com alguma flor e em um momento de compaixão você corre o risco de se deixar enganar e pensar que aquilo ali não é apenas um organismo que utiliza o mínimo de energia para crescer e sugar as forças dos que estão ao seu redor.

Sobram ainda umas pequenas e incontáveis folhagens que crescem aos montes. Sempre muito próximas. Você pode passar horas retirando-as do chão e nunca chegam ao fim. Parece que quando você tira um, surgem outros dois.

Mas, o pior mesmo é que, não adianta o que você faça, o mato sempre vai voltar. Você pode, em um esforço hercúleo, retirar todos do seu gramado. Perder alguns dias fazendo isso até que você olhe cada milímetro de terra e se certifique que não há uma única erva daninha espalhada por ali. Não adianta, o mato vai voltar. Por força de insetos, aves, ou pela simples vontade de deus, ele vai voltar.

Pense no Eduardo Cunha. Políticos como ele são como o mato. Aqueles que parecem bons no início, mas que depois de revelam imprestáveis e é difícil retirá-los. Políticos rasteiros, que precisam ser retirados logo. Aqueles que fincam raízes, os que chegam a parecer até bonitos, mas que são apenas organismos que sugam forças dos que estão ao seu redor. Sem contar aqueles milhares, que se multiplicam. Quando você tira um, surgem dois.

E o pior, é que eles sempre vão voltar. Não há o que você possa fazer para evitar isso. Não há esforço suficiente para evitar que um novo corrupto chegue ao cenário político, pela razão que seja.

Parece que o Eduardo Cunha foi exterminado, mas outros como ele vão aparecer. Não há o que fazer.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Professora Dilma

Durante todo o longo e extenuante processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, o que mais me chamou a atenção foi a seguinte frase, dita por um de seus correligionários.

“Vamos destacar a questão da inabilitação. Caso contrário, a presidente Dilma será impossibilitada de ter um emprego público, será impossibilitada de receber qualquer tipo de recurso de estatal e de exercer o papel de professora universitária, por exemplo, e de ter a possibilidade de disputar outros mandatos”,

Ele se referia a um pequeno desmembramento do processo de impeachment, em que os senadores que formavam a antiga base de sustentação petista pediam que fossem feitas duas votações: uma para definir se Dilma deveria deixar o cargo e outra para decidir se ela deveria ou não perder os seus direitos políticos pelos próximos oito anos. Foi exatamente isso o que aconteceu e Dilma acabou destituída do cargo mas conseguiu manter o direito de ocupar cargos públicos.

Apesar de ter o direito de disputar as próximas eleições, esse não deve ser o objetivo de Dilma, visto que o seu desgaste é tão grande que ele teria dificuldades em se eleger para fazer parte de comissão de formatura de colégio. Conforme revelou o senador amigo da ex-presidente, o sonho de Dilma é dar aulas. Sim, nossa ex-mandatária sonha em ir para o lado quadro negro da força e lecionar alguma disciplina em alguma universidade pública do país.

Dilma é economista por formação e apesar da tragédia financeira de seu governo, acredita-se que ela deve ter uma boa base teórica para repassar aos seus alunos. No entanto, se há algo pelo o qual a ex-nº1 do Brasil é famosa, é por sua total incapacidade de se comunicar de maneira clara e coerente. Os discursos de Dilma Rousseff são mundialmente conhecidos pela confusão mental que ela estabelece, pela confusão sintáxica condensada em uma pílula de treze segundos de duração.

Muitas de suas frases estão no anedotário nacional. A figura oculta do cachorro, a saudação a mandioca, a afirmação de que o senador Wellington Dias costuma a pular por janelas, a constatação de que quem ganhar e quem perder, que todos vão perder. Dilma é uma mestre na arte de se expressar mal e executa essa atribuição de uma forma que poucas pessoas conseguiriam.
Essa bola é uma bola eu fiz o teste e ela quica e isso nos faz sermos homens ou mulheres sapiens

Essas armadilhas intelectuais embutidas em suas frases já provocam extrema confusão quando ela tenta falar de coisas simples como a amizade entre crianças e animais ou sobre a certeza de que todos nós vamos morrer um dia e não há nada que possamos fazer para evitar isso. Agora, imaginem Dilma Vana Rousseff dentro de uma sala de aula lecionando um assunto extremamente complexo, como é o caso da economia. Esse mundo cheio de superávits, déficits, variações cambiais e dezenas de pensadores alemães que fizeram elaboradas constatações sobre o crescimento global.

Imaginem Dilma tentando entregar todas essas informações complexas para uma massa de alunos sedentos por conhecimento. Dilma tentando explicar matemática complexa e raciocinando sobre a matemática para seus discípulos.

Isso não vai dar certo, quem ganhar e quem perder vai perder.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

TV Guga Kuerten

Daqui a alguns anos, quando todos nos lembrarmos dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro de 2016, as principais lembranças não serão as grandes vitórias, os dramas, as medalhas, as disputas nas quadras, tatames e demais arenas de disputa. Em um ano distantemente utópico, a competição carioca será lembrada por um único homem: Gustavo Kuerten.

No momento em que o ex-tenista (ex-número 1 do mundo) foi anunciado para participar da equipe globo de comentaristas, ninguém deu muita bola. Lembrávamos do Guga, aquele atleta que transbordava emoção, que conseguiu vitórias impactantes sempre com sorriso no rosto e lágrimas nos olhos. Mas, somos vacinados com relação ao desempenho patético de ex-jogadores na função de comentaristas.

Mas o Brasil não sabia o quanto amava esse homem. Guga ganhou o carinhoso apelido de labrador humano por sua simpatia sem fim e por encarar a vida de braços abertos. Para melhorar, Kuerten ainda demonstrou ser um ótimo comentarista de tênis, alguém capaz de explicar os contextos humanos que envolvem a partida.

Essas características o levaram a marcar presença na transmissão dos mais variados esportes. Guga estava lá no futebol, no basquete, no vôlei, no tênis de mesa, no badminton, na canoagem, no tiro esportivo. O nosso ídolo sempre seria capaz de transmitir a dimensão humana daquele feito, os desafios psicológicos do atleta, a grandiosidade da representação nacional aplicada a uma disputa em uma cachoeira artificial. Até da porra do pentatlo moderno ele poderia comentar. Até sobre o psicológico do cavalo na prova de adestramento. Sempre com um sorriso imensurável.

Guga é capaz, simplesmente, de comentar todos os assuntos possíveis, com naturalidade, carisma e simpatia. Eu mesmo faço parte de um grupo de pessoas que gostaria de ter uma TV Guga Kuerten, com ele comentando todos os assuntos possíveis. Como sabemos que é muito difícil conseguir uma concessão de televisão, e aproveitando que ele é contratado da Globo, acho que GK poderia estar lá na vênus platinada comentando tudo.

Gostaria muito que ele substituísse Miriam Leitão nos comentários de economia. Ao invés de vermos o pessimismo latente da especialista, dizendo que o Brasil caminha para a recessão que redundantemente resultará no caos monetário seguido pela guerra civil, teríamos alguém capaz de explicar as implicações psicológicas na tomada de decisão dos economistas e como o dólar pode variar de um dia para o outro por mínimos detalhes.

Ele poderia ainda substituir o Alexandre Garcia, e assim não teríamos que ver este cidadão falando que chegamos ao fundo do poço da história da humanidade, que logo seremos devorados por ratos.

Guga poderia comentar o processo de impeachment e todos os duelos entre os parlamentares. Ele poderia substituir Rodrigo Pimentel nas falas sobre operações policiais. Teria um minuto no jornal nacional para uma crônica do dia. Substituiria o Pedro Bial, o Thiago Leifert e essa legião de malas. Teria seu próprio talk show, seu programa de variedades, de culinária, de saúde. Seria o presidente do Brasil.


Isso, é claro, desde que o mundo fosse um lugar ideal.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Balanço das Olimpíadas 2016


Vamos relembrar os grandes momentos dos Jogos Olímpicos com a ajuda dos nossos especialistas de sempre.

Atletismo
Usain Bolt já era uma lenda do esporte mundial e veio ao Brasil para ratificar essa condição, caso alguém ainda duvidasse dele. “Correr lá fora é muito fácil, quero ver é correr aqui no Brasil tendo que competir quarta-e-domingo-quarta-e-domingo”, disse o técnico Muricy Ramalho. Bolt ganhou as três provas que disputou e se tornou triplo tricampeão. Também esbanjou simpatia, magnetizou o público, dominou o Snapchat, passou o rodo e se aposentou.

O grande momento brasileiro na competição aconteceu quando Thiago Braz, um desconhecido para o brasileiro médio, conquistou a medalha de ouro no salto com vara. Thiago foi superando o sarrafo em todas as alturas, até que sobrassem apenas ele e o francês recordista mundial. Em um momento de ousadia e alegria, o atleta brasileiro pediu para que o sarrafo fosse colocado em uma altura inimaginável para ele, mas ele foi lá, pulou, superou e deu início a um quase incidente diplomático com o francês que ficou transtornado com a derrota.

Natação
Depois de se afundar nas drogas e no drama de uma vida sem sentido, Michael Phelps voltou a nadar para sobreviver. Uma vez que a piscina era sua vida, Phelps conseguiu cinco medalhas de ouro e conseguiu parecer ainda mais sobre-humano do que já era.

Já o seu eterno concorrente Ryan Lochte não foi bem nas provas em que nadou e ainda tentou reeditar uma versão vida real de Se Beber Não Case. Aprontou altas confusões na madrugada, depredou um posto de gasolina, brigou com seguranças e ainda disse que foi assaltado. Perdeu patrocínios e ganhou a imagem de babaca.

Ainda nas piscinas, destaque para Katie Ledecky e Katinka Hosszu. Duas nadadoras que quebraram recordes e dominaram amplamente as provas que disputaram. “Hungria e Estados Unidos, Estados Unidos e Hungria. Dois países. Duas mulheres. Duas nacionalidades. Muitas vitórias”, disse Eric Faria.

Ginástica
Simone Biles tem apenas 1,40m de altura, mas isso não impede que ela quase alcance a estratosfera durante suas apresentações. Elástica, acrobática e veloz, Simone supera a capacidade de percepção do olhar humano e faz com que suas adversárias pareçam amadoras que não mereciam estar na competição.

O Brasil teve sua melhor participação na história, com três medalhas na categoria. Destaque para Diego Hypólito, que após conhecer o inferno nas últimas duas olimpíadas, superou as adversidades e conseguiu uma medalha que parecia que nunca seria sua.

Tiro
Ninguém esperava que o Brasil conseguiria uma medalha no tiro, ainda mais a sua primeira medalha na competição. Repentinamente a televisão informou que Felipe Wu Almeida estava conseguindo uma medalha e todos nos vimos lá assistindo aqueles homens com caras de psicopatas atirando em alvos não humanos. Wu conseguiu a medalha e ninguém disse que esperava que ele servisse de exemplo para que os jovens praticassem esportes.

Luta
O Brasil conseguiu medalha no judô, no boxe e no tae-kwon-do, mostrando que somos um país bom de briga. Mas, talvez não tão bom quanto o Azerbaijão que conseguiu uma porrada de medalhas apenas nos esportes em que é preciso ser monstro pra vencer.
Work, work, work, work. Work, work, You See me I be work, work, work. Work, work.



A torcida brasileira nas modalidades que envolvem combate físico não-letal foi um dos grandes destaques. Lutadores eram recebidos com gritos de “uh, vai morrer”, eram incentivados a cometer o homicídio. O publicou torceu para o juiz. Puxou em coro uma música dos Mamonas Assassinas para incentivar o boxeador Mina. Inesquecível.

Futebol
A tão falada medalha de ouro no futebol enfim chegou, após uma disputa de pênaltis que consagrou o goleiro Weverton ao improvável posto de herói nacional. O título não veio, é claro, sem um começo pífio e um turning point após uma bronca pública de Galvão Bueno, que se transformou em motivação para que os atletas fossem em busca da vitória. No futebol feminino, infelizmente não deu.

Vôlei
Após uma primeira fase tensa que resultou em uma quase eliminação precipitada, o Brasil se recuperou e conseguiu o título que parecia improvável. Na competição feminina, a China seguiu o mesmo roteiro, mostrando que às vezes é importante sofrer derrotas educadoras na fase inicial do torneio, para crescer na dor e conseguir o êxito final. “Umas boas palmadas, um pouco de fustigação e penitência são bem prazerosas”, opinou Hanz, o pansexual.

Outros Esportes
Muitas vitórias de Chineses, de britânicos, de americanos, um brasileiro na canoagem, decepção no handebol, e que se foda o golfe.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Observações Olímpicas Aleatórias

Os comentaristas

No sábado passado, um brasileiro enfrentava um norte-americano nas quartas-de-final de uma dessas tantas categorias do boxe olímpico. A partir dessas Olimpíadas, o esporte mudou e ao invés de o vencedor ser definido pela quantidade de golpes certos, ele é escolhido por juízes que decidem quem venceu cada round e ao final das três etapas da luta uma conta complexa define o vencedor.

Esse post certamente vai fazer sucesso, disse Popó
Pois bem, depois de um primeiro round até equilibrado, o brasileiro foi espancado duramente pelo norte-americano na segunda etapa do combate. Em certos momentos, parecia até que eu assistia a luta entre Apollo Creed e Ivan Drago. A dinâmica se manteve até o fim da luta e naquele momento que precede a decisão final dos juízes, o mundo inteiro sabia que o norte-americano havia ganho, exceção feita a uma pessoa: Acelino Popó Freitas, o brasileiro campeão mundial de boxe e ex-deputado federal. Para Popó, comentarista do Sportv, tudo poderia acontecer na decisão dos juízes e era isso aí, o Brasil estava forte. Obviamente, o americano venceu por unanimidade.

Grande parte dos esportes olímpicos permanece inteligível para grande parte dos seres humanos. Para nos familiarizarmos com eles, os canais de TV contratam comentaristas especializados, pessoas que vivenciaram intensamente aquele esporte, alguém que poderá explicar o que está acontecendo por trás de todos aqueles movimentos específicos do esporte. Assim sendo, nada seria melhor do que chamar um ex-atleta dessa categoria, não é mesmo?

O problema é que assim como Popó, muitos desses ex-atletas comentaristas não trazem nenhuma nuance específica do esporte. São apenas cidadãos embebidos em nacionalismo, torcendo pelo Brasil de maneira completamente irracional, criando uma barreira que os impede de enxergar a realidade. Todos se perdem na paranoia ufanista de Galvão Bueno que tenta nos fazer acreditar que vai dar Brasil, mesmo quando o barco brasileiro está afundado no fundo do mar.

Cito também o exemplo de Dayane dos Santos, campeã mundial de ginástica. Nesta semana ela era a única pessoa que realmente acreditava que Arthur Zanetti conquistaria medalha de ouro na prova das argolas, enquanto que o mundo inteiro reverenciava uma apresentação impecável de um grego com um nome obviamente difícil.

Qual é o problema disso? Quem assistiu os comentários de Dayane deve ter criado a vã expectativa de uma medalha de ouro e ao constatar que o mesmo não ocorreu deve ter pensado que o Brasil foi roubado. Ou que o nosso atleta é um fraco. Enfim, gerou desinformação.
Realmente Galvão, a roupa dela está muito bonita

É claro que nem todos são assim. Me surpreendi ao ver o Ricardo, do vôlei de praia, comentando o esporte. Claro, torcendo pelo Brasil, mas tentando explicar o que é que se passava dentro da quadra, as estratégias que poderiam ser utilizadas. Porque, afinal, se for apenas para torcer, eu mesmo torço em casa. Se for pra ficar falando que “é isso aí, é manter a cabeça no lugar, jogar sério que o Brasil vai conseguir a vitória”, é melhor se matar.

Há também o caso Guga. Que comentou os jogos de tênis muito bem, praticamente levando o espectador para dentro da quadra, interpretando os sentimentos do atleta, mas que além disso é o rei do carisma e acreditamos que ele poderia dominar a televisão brasileira. Acho que farei um post sobre isso em um próximo dia.

A Casa dos Atletas

Se por algum acaso um dia eu tivesse um filho que se tornasse atleta e chegasse a competir em uma Olimpíada, a última coisa que eu permitiria é que uma equipe de TV viesse acompanhar a minha reação na minha casa. Isso dá um azar danado.

Pode perceber: se a TV foi até a casa de uma atleta brasileira que “tá na briga pela medalha de ouro”, certamente ela não irá ganhar o que esperava. Vai passar longe do pódio. Vai ter um mal súbito, que a impedirá de prosseguir na luta pelo “tão sonhado ouro”.

"Estamos aqui na casa do Ryan Lochte e parece que ele está
muito louco"
Seriamente, acredito que mais do que o azar dos repórteres de TV, esses “fracassos” são provocados pelo desconhecimento da cobertura esportiva. O brasileiro tem muita dificuldade em aceitar a mudança e acredita que as coisas serão como sempre foram. Em 2012, ninguém estava enchendo o saco da família do Zanetti que era um desconhecido com boas chances de medalhas. Ele foi lá e ganhou. Quatro anos depois, ele vira o “ouro certo”. Todos vão lá captar as lágrimas do ouro certo e ele não vem, porque quatro anos é tempo demais e bicampeonatos olímpicos são bem raros. Aconteceu com o César Cielo, com a Maureen Maggi.

De maneira geral, o perfil do atleta brasileiro medalhista de ouro em modalidades individuais é a do cara que tem boas marcas no cenário mundial, mas que não ganhou nada em competições anteriores e entra sem pressão nas Olimpíadas. Sem ninguém enchendo o saco ele vai lá e ganha.

Atletas eternos

Boa parte dessa nossa dificuldade em aceitar as mudanças do esporte se passa também pelo fato de que muitos dos nossos atletas são eternos. Tem uma brasileira no Salto Sincronizado, avisa a TV. Sim, claro que é ela, a Juliana Veloso, que disputou os jogos de Sidney. Olha a Daniele Hypólito que praticamente fundou a ginástica artística no Brasil. Hugo Hoyama jogou tênis de mesa até ser interditado por familiares próximos. Álvaro Miranda, o Doda, tá aí perdendo competições de Hipismo desde 2004 pelo menos. Vez por outra eu me surpreendo ao saber que Vicente Lenílson não nos representa mais no revezamento do atletismo. E quando foi que o Sebastian Cuattrin parou de remar? Tenho certeza que nos jogos de Dubai, em 2028, Yane Marques ainda será nossa representante no pentatlo moderno e escutaremos a história de Serginho, o líbero brasileiro que será avô durante a competição.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Phelpslândia


A cada vez que Michael Phelps caia na piscina e conquista mais uma medalha, os veículos especializados na cobertura esportiva não encontravam palavras para contextualizar os tamanhos do seu feito. Se não mudar de ideia, Phelps encerrará sua carreira olímpica com 23 medalhas de ouro e esse número é muito superior a qualquer outro atleta olímpico em todos os tempos. Não dá para simplesmente comparar com ninguém e assim ele foi elevado a condição de unidade nacional: se Michael Phelps fosse um país, ele seria o 38º maior medalhista de todos os tempos.

Mas, a vida de Phelps não seria fácil caso ele resolvesse se transformar em um país. Ele precisaria montar todo um aparato burocrático para sustentar a Phelpslândia, além de definir fronteiras, estratégias de segurança nacional. Um enorme gasto de energia que dificultaria em muito sua tarefa primordial de nadar e ganhar medalhas.

Talvez Phelps conseguisse juntar um grupo de amigos e fazer com que eles se transformassem na sua guarda nacional, responsável por impedir que ele sofresse ataques e garantissem sua integridade nacional. Definir um idioma seria fácil, era só colocar o inglês. Mas não tão simples seria estabelecer uma moeda, instituir uma casa da moeda e uma instituição financeira para gerir a sua economia. Qual seria a taxa de juros da Phelpslândia?

Phelps ainda perderia muito tempo percorrendo órgãos diplomáticos internacionais para se reconhecer enquanto país, participaria de muitas reuniões intermináveis e inúteis e não conseguiria treinar o suficiente para ganhar todas as medalhas que ele ganhou.

Se Phelps resolvesse que seu país seria uma ditadura, ele teria que criar leis, executá-las e ainda julgar as pessoas, perdendo ainda mais tempo. Se optasse por um sistema democrático, teria que compor um Legislativo, convocar eleições para decidir quem iria administrá-lo. Fazer negociações políticas. Montar um sistema de previdência social, enfim. Não é fácil ser um país.

Por fim, haverá o dia em que Phelps morrerá. Será extremamente estranho que um país passe por uma necropsia, um velório, seja eventualmente cremado e a briga pelo seu espólio será ainda maior do que é de costume. Portanto, podemos concluir que países só podem dar errado.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Guia Básico dos Esportes Olímpicos

O dia chegou, finalmente. Após sete anos de espera, os jogos Olímpicos do Rio de Janeiro começam logo mais com a suntuosa cerimônia de abertura realizada no estádio do Maracanã. Ao longo de intermináveis horas, incontáveis delegações desfilarão pelo gramado, enquanto as mais diversas alegorias inexplicáveis tentam contar uma história de formação nacional.

Caso você esteja com alguma dúvida sobre os esportes disputados, publicamos aqui um guia simplista para que você entenda as modalidades disputadas, mesmo que você seja uma lesma acéfala de seis meses.

Atletismo: Milhares de atletas irão correr em retas, em curvas e estradas, enquanto que outros irão pular, pular de maneira elaborada, arremessar variados objetos a distâncias consideráveis.

Badminton: Pessoas separadas por uma rede utilizam-se de uma raquete para passar uma peteca de um lado para o outro, tentando impedir que ela toque o solo.

Basquete: Grupos de pessoas tentam arremessar uma bola dentro de uma pequena circunferência adornada por uma rede.

Boxe: Dois homens sobem em um espaço quadrado delimitado por cortas e desferem socos um contra o outro, evitando apenas a linha abaixo da cintura.

Canoagem: Pessoas sobem em um barco e fazem movimentos braçais ritmados na tentativa de cruzar o trecho de um lago mais rapidamente possível.

Ciclismo: Atletas montam em cima de bicicletas e tentam superar montanhas, estradas, pistas cheias de rampas ou alcançar, ao lado de outros colegas bicicleteiros, outro grupo que pedala em uma pista oval feita inteiramente de madeira.

Esgrima: Cidadãos trajados em roupas bizarras tentam atingir um oponente, também trajado de forma bizarra, utilizando diferentes tipos de espada, sem poder, infelizmente, transpassar o seu adversário.

Futebol: Grupos de onze homens tentam fazer com que uma bola entre em um espaço retangular de quase 18 metros quadrados sem utilizar as mãos.

Ginástica Artística: Cidadãos fazem piruetas em espaços abertos ou se utilizando dos mais diferentes artefatos aleatórios, tomando o devido cuidado para não cair no chão ou bater a cabeça.

Ginástica Rítmica: Cidadãs fazem piruetas se utilizando de fitas e outros objetos aleatórios.

Golfe: Pessoas se utilizam de um taco para atingir uma bola que deve entrar em um minúsculo buraco localizado em um enorme gramado, aparentemente porque eles não têm nada melhor para fazer.

Handebol: Seres humanos divididas em duas equipes tentam fazer com que uma bola entre em um espaço retangular utilizando apenas as mãos, podendo, eventualmente, colidir com outros seres humanos.

Hipismo: Cavalos são levados a mostrar qual deles é o mais submisso a um ser humano e capaz de realizar tarefas acrobáticas diversas.

Hóquei Sobre Grama: Pessoas que utilizam tacos fazem alguma coisa sobre um gramado, mas ninguém realmente se importa com esse esporte.

Iatismo: Humanos dos mais variados tipos sobem em barcos dos mais variados tipos e enfrentam ondas, correntezas e ventos na busca pela graça de conseguir desviar de boias e completar um percurso sem morrerem afogados.

Judô: Lutadores trajados em quimonos ficam se agarrando de múltiplas formas na busca por uma falha que permita derrubar o adversário de costas no chão.

Levantamento de Peso: Pessoas levantam peso, quem levantar mais ganha.

Luta Olímpica: Cidadãos desgraçados pela vida se utilizando de macacões justos se atracam no chão até que o juiz decida que alguém mereceu vencer.

Nado Sincronizado: Meninas com prendedores de roupa no nariz e roupas estranhas nadam de maneira aparentemente sincronizada dentro de uma piscina, tentando convencer os jurados que elas realmente são boas nisso, mas geralmente os jurados acham que não.

Natação: Atletas pulam na água e nadam de diferentes formas e por diferentes distâncias com o objetivo de serem mais rápidos e não engolirem água em quantidade suficiente para provocar um afogamento.

Pentatlo Moderno: Por razões até hoje inexplicáveis, atletas são obrigados a montar cavalos, nadar, correr, brigar com espadas, correr e atirar com armas de fogo.

Polo Aquático: Cidadãos lutam contra a força da água e contra a força do adversário para introduzir uma bola dentro de um gol flutuante.

Remo: A mesma coisa que acontece na canoagem, mas em barcos diferentes e com quantidades diferentes de pessoas dentro deste barco.

Rúgby: Um objeto oval é solto e as pessoas correm com elas na mão, caem no chão, se batem, pulam um em cima do outro e quem conseguir chegar do outro lado mais vezes ganha.

Saltos Ornamentais: Pessoas pulam na água tentando fazer com que este ato tenha alguma beleza artística e tomando cuidado para não bater a cabeça na borda da piscina.

Tawkwondo: Lutadores ficam pulando em círculos esperando que o milagre da fé conceda a eles um ponto.

Tênis: cidadãos separados por uma rede utilizam-se de raquetes para bater uma minúscula bola amarela de um lado para o outro, até que a bola se torne inalcançável para o oponente.

Tênis de Mesa: dois chineses ficam em lados opostos de uma mesa e ao que tudo indica há uma bola pingando entre eles.

Tiro com arco: Uma flecha é colocada em um arco e alguma espécie de força física a projeta em direção a um alvo, que oferece diferentes quantidades de pontos.

Tiro Esportivo: Criminosos se utilizam de diferentes tipos de pistola para acertar diferentes tipos de objetos. Completamente desnecessário.

Triatlo: Pessoas pulam no mar e nadam, saem do mar, sobem em bicicletas, pedalam, deixam as bicicletas de lado e passam a correr no que poderia ser uma fuga desesperada mas é apenas um esporte.

Vôlei: Pessoas são divididas por uma rede e devem em até três toques fazer com que uma bola caia em um espaço delimitado preenchido parcialmente pelos jogadores do time adversário.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Grandes dúvidas que não tem explicação (24)

Por que o cabo de vassoura é pior do que cenoura? Por que é preciso ter cuidado para não se dar mal?

No ano de 1997 o Brasil foi invadido por uma febre musical incontrolável que colocou pessoas de todas as idades para dançar. O Grupo Molejo, que até então fazia sucesso restritos nos círculos ligados ao movimento pagodeiro com hits como “Paparico”, “Cilada” e “Samba Diferente” estourou em todo Brasil com “Brincadeira de Criança”, canção lúdica que lembrava o universo da putaria infanto-juvenil de maneira nostálgica¹, com seu forma pergunta-resposta em que o vocalista de dentes excêntricos insistia que que seu interlocutor ainda não havia acertado qual era a brincadeira que ele mais gostava.
- Andrezão! Sabe qual é a brincadeira que eu mais gosto?

Ao final o grupo resumia: bom é ser feliz com o Molejão e foi isso que o Brasil fez. Fomos todos sermos felizes com o molejão e mal havíamos superado esse impacto inicial quando o grupo carioca ressurgiu com a Dança da Vassoura².

A letra aparentemente não faz muito sentido, poderia ser alguma fábula romântica de dois garis, um pretexto aleatório para o livre rebolado. Mas eis que em um determinado momento vinha o imortal verso. “Piti pi piti pi piti pau. Piti pi piti pi piti pau. Mas tome cuidado com o cabo da vassoura, é pior do que cenoura e você pode se dar mal”.

Depois de uma série de onomatopeias desconexas, provável herança das raízes africanas da música brasileira, a canção entoava um alerta relacionado a cabos de vassouras, que no caso, seriam piores do que cenouras, o que poderia gerar terríveis consequências para os desavisados sobre este perigo. Ai está a dúvida: por que o cabo de vassoura é pior do que uma cenoura?

Cabos de vassoura são objetos cilíndricos, construídos em madeira, alumínio ou plástico e servem justamente para dar um suporte a parte da vassoura que exerce a atividade fim: varrer. Já a cenoura é uma raiz de cor alaranjada, comumente servida como salada ou ralada no meio do arroz, às vezes no recheio de um bife à rolê, enfim, tem fins culinários. A única semelhança entre uma cenoura e um cabo de vassoura é em seu formato, uma é cilíndrica e a outra é cônica.

Não precisamos fazer nenhum esforço mental para saber que a literatura humorística brasileira traça diversos paralelos entre estes tipos de objetos e a possibilidade de introduzi-los de maneira prazerosa, ou não, no seu próprio ânus ou no ânus de outra pessoa. Então, poderíamos concluir que é pior enfiar um cabo de vassoura no próprio cu do que fazer isso com uma cenoura?


Perguntamos a alguns especialistas no assunto e quase todos foram unânimes em afirmar que a cenoura é pior para esses fins, uma vez que ela costuma a ser mais grossa, com um formato irregular – o que pode proporcionar lesões, além de ser mais suscetível a quebras durante o ato, fazendo com que você acabe internado em um hospital com pedaços de cenoura presos dentro da bunda.

Contra o cabo de vassoura, pesa a possibilidade de que ele solte farpas durante o movimento, provocando uma dor imensurável. Ele também é mais comprido, mas os especialistas afirmam que nesse momento a espessura é muito mais importante do que o comprimento. Em todo caso, os especialistas sugerem que preservativos sejam utilizados para evitar acidentes mais graves, doenças e gravidez indesejada.

De toda forma, mesmo que Andrezão e a rapaziada por experiência própria saibam que é pior enfiar um cabo de vassoura no bunda, ao invés de enfiar uma cenoura, há outra questão aparentemente inexplicável que é o tom de advertência do período. “Cuidado com o cabo de vassoura”. Por que é preciso ter cuidado com ele? As chances de sofrer um acidente doméstico que termine com um pedaço de madeira enfiado até a metade dentro da sua bunda são mínimas. Muito provavelmente, pessoas que acabaram empaladas por cabo de vassouras o fizeram por livre e espontânea vontade ou durante algum ato de submissão sexual e assim sendo não há razões para se ter cuidado com esse assunto.

O Pagode dos anos 90, vocês podem perceber, guardam muitos mistérios.

¹Um aspecto importante do Brasil nos anos 90 é que as crianças eram expostas as mais diversas putarias na televisão brasileira. As bandas de axé falavam de temas extremamente pornográficos com um linguajar abusivamente infantil e colocavam as crianças para fazer danças sensuais disfarçadas de inocência. Não é a toa que essa geração cresceu e virou esse grupo de pessoas deprimidas e desconectadas da realidade.

²Os compositores dos anos 90 gostavam de criar danças para os mais variados assuntos. Tivemos danças coreografadas para carrinhos de mão, para caçambas, para pranchas, para tsunamis, para garrafas, pirulitos, enfim. Tudo com uma imagem pornográfica lúdica.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Terroristas do Whatsapp

A Polícia Federal deflagrou na semana passada uma operação que prendeu uma dezena de terroristas que atuavam em solo brasileiro planejando atentados durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Segundo as investigações, esse grupo difuso espalhado pelos mais diversos cantos do Brasil, planejavam suas atividades nos meios virtuais, utilizando principalmente o Whatsapp.

Em um esforço jornalístico, o CH3 teve acesso ao relatório que monitora essas atividades e conversou com algumas das vítimas da quadrilha pretensamente islâmica. As investigações comprovam que o grupo era realmente perigoso e estava disposto a inaugurar uma era de terror no território brasileiro.

O relatório aponta que no dia 17 de março de 2016, o líder do grupo, Jardel El Haddad Castro criou um grupo chamado “Vigília Brasil”. Ele adicionou outros integrantes da organização, como o perigoso Robert El Kadri Arruda, Fernando Bin Tariq Oliveira e Carlos Al-Owairan Nogueira. Logo, Jardel El Haddad repassou imagens do crepúsculo acompanhadas de mensagens motivacionais. Jardel ordenou “repassem a todos os seus contatos”.

Robert El Kadri respondeu logo depois afirmando que havia cumprido a missão. Fernando Bin Tariq questionou se o grupo da família deveria ser poupado e Robert respondeu que não. “É justamente no grupo da família que nós temos que começar, que nós precisamos massificar essa questão”, disse friamente.´
Os terroristas cuspiam nas pessoas e depois afirmavam que tinham caxumba
O grupo rapidamente diversificou suas ações. Em pouco tempo eles começaram a mandar áudios de 11 megas para os seus contatos. “Insista com seus contatos até eles ouvirem”, dizia Jardel El Haddad. Os áudios continham vozes de crianças contanto piadas repletas de trocadilhos. Mais uma vez, Robert El Kadrid se mostrou o mais violento de todos. “Se for o caso, compartilhe por e-mail”, também, mostrando que os terroristas muitas vezes utilizavam técnicas rudimentares.

No entanto, eles se mostravam atentos as movimentações do mundo moderno. Nem mesmo os recentes bloqueios contra o Whatsapp promovidos pela justiça brasileira interromperam as ações dos terroristas.

Joelton Lima de Andrade, amigo de infância de Robert El Kadri, colaborou de maneira anônima com as investigações. Ele topou falar com a nossa reportagem sem se identificar e contando com a confidência de que nós não informássemos que atualmente ele mora na Rua Amazonas 43, no município de Comodoro e dirige um veículo Fiesta placa OIQ-1291, uma vez que os terroristas são violentos e já fizeram ameaças contra a vida dele.

“Na última vez em que o Whatsapp caiu eu fiz como todo mundo e fui para o Telegram. E vinte minutos depois que eu baixei o aplicativo o Robert já estava lá me mandando passagens bíblicas ilustradas por fotos de pássaros. Eles eram muito rápidos”. As breves passagens do grupo pelo Telegram se mostraram ainda mais violentas. De acordo com Joelton, certa vez ele foi inserido no grupo do condomínio em que ele mora. “Eu ouvi dizer que eles invadiam grupos, se tornavam administrados e passavam a adicionar pessoas indiscriminadamente. Quando você ia perceber, já estava em 38 grupos diferentes”. O objetivo, afirma Joelton era recrutar pessoas para a causa islâmica. “Uma vez lá dentro, a única maneira de escapar era partido para o lado deles. Era uma espécie de sequestro-intelectual-virtual do qual não havia escapatória. Ou o crime, ou o isolamento virtual”.

O relatório aponta possibilidades sobre as ações que os terroristas planejavam para as Olimpíadas. O nosso colaborador anônimo Joelton acredita que o grupo não tem limites. “Provavelmente eles vão criar grupos e adicionar pessoas dentro deles e vão compartilhas várias memes com piadas sobre o salto com vara e outros esportes que possam ter algum trocadilho relacionado a objetos que podem ser introduzidos no ânus. Certamente eles vão encher tanto o saco do mundo que um dia o Estado Islâmico em pessoa vai resolver explodir isso aqui”.