sexta-feira, 30 de setembro de 2016

7 perfis de candidatos

Candidato Jovem

Cidadão que geralmente já não é tão jovem assim – talvez o tenha sido um dia, mas tenta manter uma aparência de jovialidade com o uso de sapatênis, camisas Dudalina, e uma eventual barba por fazer. Seu mandato será baseado na criação de oportunidades para os jovens, mesmo que ele não se pareça em nada com um jovem que busca por oportunidades. A maior semelhança é com algum jovem que porventura sofra de sérias limitações intelectuais.

Candidato da Família

Muito provavelmente ligado a alguma instituição religiosa, defende os abstratos interesses de uma imaginária família, muito provavelmente, a família do candidato, uma família temente a deus, pai todo poderoso, única família possível longe da aberração homossexual defendida pelos esquerdopatas. Se eleito, ele irá lutar contra todos os agressores da família brasileira, exceto aqueles que agridem fisicamente os integrantes da família brasileira.

A Força da Mulher

Candidata que tem como principal atributo o fato de ter nascido com um cromossomo XX e assim, ter toda a experiência possível de ser filha, mãe, irmã, avó, tia, enfim, mulher, guerreira. Geralmente entrou pelo sistema de cotas, ou é filha, mãe, irmã, avó, tia de algum político que infelizmente está impedido de concorrer ao cargo eletivo em questões por problemas de ordem judicial.

Saúde, Segurança e Educação

Espécie de mantra, santíssima trindade do discurso político, afinal, ninguém vai negar a importância, da saúde, da segurança e da educação. Mesmo quem é atendido apenas em um Sírio Libanês da vida e nem sabe o endereço de uma policlínica, dirá que a saúde está caótica e é preciso fazer mais por ela. Muitos candidatos a vereador levantam esse tripé como sua principal bandeira e, infelizmente, eles não podem fazer nada por isso.

O Novo

Não precisa exatamente ser jovem, ser uma figura desconhecida que nunca antes se aventurou na política. Ao novo importa apenas a imagem, o discurso e o desejo de mudança, seja lá exatamente que mudança for essa.

Trabalho Comprovado

Contraponto perfeito ao novo. Político experiente, que em 40 anos de vida pública já construiu viadutos, avenidas, aeroportos, escolas, creches, hospitais, piscinões, patrimônio particular incompatível com a renda e, enfim, ele conta com a sua ajuda para fazer ainda mais.

Pela Comunidade

Candidato que vai trabalhar muito forte pela sua comunidade, garantindo melhorias na vida de todos os moradores do bairro. Líder comunitário, advindo de um bairro carente – você nunca verá ninguém trabalhando pela comunidade de Higienópolis, de Ipanema, aliás, esses bairros não são chamados de comunidades – ele irá eventualmente se anunciar como a força da renovação, mas também pode ter trabalho comprovado. O que ele vai buscar? Saúde, segurança e educação para o povo do Jardim Arapuã.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Game Go

Fruto de uma polêmica recente, o jogo para celulares Pokemon Go não irá merecer nenhuma linha deste célebre blog. Não iremos discutir se esse jogo que tem como objetivo capturar personagens de um antigo desenho animado japonês, se esse jogo é uma alienação maçante proposta para nerds fracassados que não tem perspectiva de vida e consequentemente vão morrer pela própria desgraça intelectual, ou se ele é um jogo que estimular a exploração urbana e o contato com novas pessoas que podem eventualmente morrer porque a vida é assim, um dia ela termina.

Neste post temos apenas um objetivo que é citar outros jogos que poderiam ganhar suas versões em realidade aumentada.

Super Mario Go
De olho no celular, o jogador percorreria o reino do cogumelo, povoados de seres que dão choques e de tartarugas. Após cumprir uma série de objetivos iniciais, o jogador poderia partir em busca do objetivo final que é resgatar uma princesa, indicada pelo mapa. No fim das contas é preciso achar um machado que derruba uma ponte. Pode eventualmente provocar prisões por invasão de propriedade privada e depredação do patrimônio público.


Mário Kart Go
Spin-off do jogo acima, esse é para jogar exclusivamente quando você estiver dirigindo, contribuindo para o trânsito seguro na cidade. Coloque o celular no volante e comece a dirigir ziguezagueando por aí em busca de prêmios virtuais especiais. Também seria possível competir com outras pessoas, em uma modalidade já popularmente conhecida no Brasil como “racha”.

Carmageddon Go
Parecido com o Mário Kart, exceção feita ao fato que o objetivo é atropelar pedestres virtuais e para isso você tem que subir na calçada, no canteiro central e eventualmente invadir lojas e, acidentalmente, acabar atropelando pedestres que realmente estavam na calçada inocentemente sem saber do risco a que estavam sendo submetidos.

Sonic Go
Jogo que estimula o atletismo de velocidade, em que você irá percorrer ruas e avenidas buscando anéis dourados e caixas mágicas que lhe fazem somar mais pontos e correr ainda mais rápido (esteroides anabolizantes). O jogo apresenta uma novidade que é a utilização da câmara frontal do celular, onde é possível ver que enquanto você está jogando você é stalkeado por uma raposa voadora e melancólica – uma metáfora para a NSA. Depois de concluído o longo percurso, o jogador chegará à fase final em que é preciso acertar oito pulos na cabeça de uma figura de bigodes popularmente conhecida como chefão. Será um tanto ridículo para quem estiver olhando aquilo aleatoriamente e pode provocar algumas fraturas e mortes. Mas enfim, é isso que nós chamamos de realidade aumentada.

Counter Strike Go
Apenas uma palavra para esse jogo: tenso. Assim como o Call of Duty Go.


Mortal Kombat Go
Jogo que será lançado em breve, quando a evolução dos softwares de realidade aumentada faça com que os celulares sejam capazes de proporcionar novas experiências, como a sensação de ser congelado, ter a sua pele corroída por ácido, ser atingido por raios ou mesmo fatiado em pedaços por um açougueiro sem muita ética e com traços de psicopatia.

GTA Go
Também conhecido como um dia normal na vida da Polícia Militar do Rio de Janeiro.

Minecraft Go
Esse jogo já é praticado diariamente por centenas de pessoas das mais variadas qualificações profissionais e é popularmente conhecido como “Construção Civil”. A diferença do game é que você teria que erguer paredes e a porra toda olhando pela tela do celular o que é certamente bem mais difícil.


Confira em breve os novos “Tetris Go”, “Paciência Spider Go” e “Jogo da Cobrinha dos Antigos Celulares Nokia Go”.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Jardinagem Política

Não sei se vocês já tiveram a oportunidade de morar em uma casa que tenha um quintal com uma faixa de terra coberta por grama. Não importa muito o tamanho, se é um gramado de poucos metros quadrados ou um campo de futebol. Se você não for um cidadão abastado o suficiente para contratar um profissional responsável por cuidar da grama – um jardineiro que não chega a mexer com jardins, será um grameiro? – você acaba cuidando do gramado.

Em termos gerais, a grama não dá muito trabalho. Ela cresce, às vezes cresce muito e precisa ser cortada. No período da seca, você precisa regar o gramado com alguma frequência para evitar uma inanição vegetal. Por outro lado, uma semana de chuva é o suficiente para que a grama volte a crescer verde e cheia de vitalidade.

Portanto, a grama não dá muito trabalho. Chato mesmo é o mato.

Quando pensamos em mato, automaticamente pensamos naqueles que crescem em terrenos baldios até atingir alturas estratosféricas. No entanto, existem diversas espécies diferentes de matos, ervas daninhas, ou como quer que eles se chamem.

Alguns se parecem com a grama, principalmente quando as folhagens ainda são pequenas. Só quando crescem você consegue perceber a armadilha que aquele mato é e vai sofrer bastante para conseguir retirá-lo da terra. Por vezes é preciso utilizar outros artefatos.

Existem folhagens rasteiras, fáceis de serem retirados se você não deixar elas cresceram muito, fincando raízes profundas. Há outras, que só dá pra tirar a parte de cima, mas a raiz permanece e ela volta a nascer. Alguns matos mesmo quando você acha que os removeu completamente, deixam uma parte da raiz oculta na terra e renascem.

Tem mato que chega a ser bonito, que chega a se parecer com alguma flor e em um momento de compaixão você corre o risco de se deixar enganar e pensar que aquilo ali não é apenas um organismo que utiliza o mínimo de energia para crescer e sugar as forças dos que estão ao seu redor.

Sobram ainda umas pequenas e incontáveis folhagens que crescem aos montes. Sempre muito próximas. Você pode passar horas retirando-as do chão e nunca chegam ao fim. Parece que quando você tira um, surgem outros dois.

Mas, o pior mesmo é que, não adianta o que você faça, o mato sempre vai voltar. Você pode, em um esforço hercúleo, retirar todos do seu gramado. Perder alguns dias fazendo isso até que você olhe cada milímetro de terra e se certifique que não há uma única erva daninha espalhada por ali. Não adianta, o mato vai voltar. Por força de insetos, aves, ou pela simples vontade de deus, ele vai voltar.

Pense no Eduardo Cunha. Políticos como ele são como o mato. Aqueles que parecem bons no início, mas que depois de revelam imprestáveis e é difícil retirá-los. Políticos rasteiros, que precisam ser retirados logo. Aqueles que fincam raízes, os que chegam a parecer até bonitos, mas que são apenas organismos que sugam forças dos que estão ao seu redor. Sem contar aqueles milhares, que se multiplicam. Quando você tira um, surgem dois.

E o pior, é que eles sempre vão voltar. Não há o que você possa fazer para evitar isso. Não há esforço suficiente para evitar que um novo corrupto chegue ao cenário político, pela razão que seja.

Parece que o Eduardo Cunha foi exterminado, mas outros como ele vão aparecer. Não há o que fazer.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Professora Dilma

Durante todo o longo e extenuante processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, o que mais me chamou a atenção foi a seguinte frase, dita por um de seus correligionários.

“Vamos destacar a questão da inabilitação. Caso contrário, a presidente Dilma será impossibilitada de ter um emprego público, será impossibilitada de receber qualquer tipo de recurso de estatal e de exercer o papel de professora universitária, por exemplo, e de ter a possibilidade de disputar outros mandatos”,

Ele se referia a um pequeno desmembramento do processo de impeachment, em que os senadores que formavam a antiga base de sustentação petista pediam que fossem feitas duas votações: uma para definir se Dilma deveria deixar o cargo e outra para decidir se ela deveria ou não perder os seus direitos políticos pelos próximos oito anos. Foi exatamente isso o que aconteceu e Dilma acabou destituída do cargo mas conseguiu manter o direito de ocupar cargos públicos.

Apesar de ter o direito de disputar as próximas eleições, esse não deve ser o objetivo de Dilma, visto que o seu desgaste é tão grande que ele teria dificuldades em se eleger para fazer parte de comissão de formatura de colégio. Conforme revelou o senador amigo da ex-presidente, o sonho de Dilma é dar aulas. Sim, nossa ex-mandatária sonha em ir para o lado quadro negro da força e lecionar alguma disciplina em alguma universidade pública do país.

Dilma é economista por formação e apesar da tragédia financeira de seu governo, acredita-se que ela deve ter uma boa base teórica para repassar aos seus alunos. No entanto, se há algo pelo o qual a ex-nº1 do Brasil é famosa, é por sua total incapacidade de se comunicar de maneira clara e coerente. Os discursos de Dilma Rousseff são mundialmente conhecidos pela confusão mental que ela estabelece, pela confusão sintáxica condensada em uma pílula de treze segundos de duração.

Muitas de suas frases estão no anedotário nacional. A figura oculta do cachorro, a saudação a mandioca, a afirmação de que o senador Wellington Dias costuma a pular por janelas, a constatação de que quem ganhar e quem perder, que todos vão perder. Dilma é uma mestre na arte de se expressar mal e executa essa atribuição de uma forma que poucas pessoas conseguiriam.
Essa bola é uma bola eu fiz o teste e ela quica e isso nos faz sermos homens ou mulheres sapiens

Essas armadilhas intelectuais embutidas em suas frases já provocam extrema confusão quando ela tenta falar de coisas simples como a amizade entre crianças e animais ou sobre a certeza de que todos nós vamos morrer um dia e não há nada que possamos fazer para evitar isso. Agora, imaginem Dilma Vana Rousseff dentro de uma sala de aula lecionando um assunto extremamente complexo, como é o caso da economia. Esse mundo cheio de superávits, déficits, variações cambiais e dezenas de pensadores alemães que fizeram elaboradas constatações sobre o crescimento global.

Imaginem Dilma tentando entregar todas essas informações complexas para uma massa de alunos sedentos por conhecimento. Dilma tentando explicar matemática complexa e raciocinando sobre a matemática para seus discípulos.

Isso não vai dar certo, quem ganhar e quem perder vai perder.