terça-feira, 28 de agosto de 2007

O Verdadeiro Abadía

No ano passado, em entrevista exclusiva concedida durante uma reunião de amigos, em algum lugar da América do Sul, Marcão, um de nossos mais antigos e fiéis colaboradores revelou-se detentor de uma segunda identidade. Um nome de guerra, que para espanto e pânico de todos presentes naquela sauna de reunião se tratava de Juan Carlos Ramírez Abadía, um dos homens mais procurados do mundo (depois de Bin Laden e Wally). Marcão acabou por se revelar um gênio, uma mente programada para o crime, extremamente inteligente, exatamente por isso foi por um bom tempo o nome forte no PT para ocupar a Presidência da República. Em seguida a curta entrevista feita com Marcão antes da chegada de uma equipe de garotas responsáveis pelo entretenimento na reunião.


Ch3: Juan?

Juan: Juan?

CH3: Marcão?

Juan: Marcão?

CH3: Juan ou Marcão?

Juan/Marcão: Ahhhh, Marcão, pode me chamar de Marcão.

CH3: E Juan é um pseudônimo?

Marcão: Pseudoquê?

CH3: É um nome falso?

Marcão: Não não, é meu nome na Colômbia.

CH3: Então Marcão é um pseudômino?

Marcão: Pseudoquê?

CH3: Marcão é um nome falso?

Marcão: Não não, é meu nome no Brasil.

CH3: Mas qual nome veio primeiro?

Marcão: Veio de onde?

CH3: Qual foi seu primerio nome?

Marcão: Juan, é o mesmo nome do meu pai.

CH3: Seu pai era traficante?

Marcão: Não, era padre.

CH3: Padre? E teve um filho?

Marcão: Nove, tenho oito irmãos, mas só eu sou filho da minha mãe, Madre Paula, os outros têm outras mães.

CH3: Sua mãe é freira? E seu pai padre? Como pode?

Marcão: Pois é, meu pai dizia que minha mãe engravidou de propósito, quis dar golpe da barriga porque sabia que ele ainda ia ser bispo.

CH3: E ele foi bispo?

Marcão: Não, morreu antes.

CH3: Mudando para um assunto mais alegre, como você descobriu a vocação para trabalhar com drogas?

Marcão: Graças à Igreja sabe, quando eu tinha uns 13 anos. Eu achava a óstia sem graça, resolvi cozinhar um estoque do meu pai com uns cogumelos que meu tio usava pra fazer chá, foi um sucesso na paróquia.

CH3: Como assim?

Marcão: Depois da comunhão o povo via Deus, via o céu, via até o inferno, era uma confusão só, mas o povo adorava, vinha gente de outras vilas ver a missa, só que o bispo mandou investigar o que acontecia, madaram padre Quevedo.

CH3: E o que aconteceu?

Marcão: Ele provou uma óstia.

CH3: E então?

Marcão: Todos os dedos das mãos e dos pés deles ficaram duros, como pedra, por dois dias, então ele chorou, chorava compulsivamente.

CH3: Por causa dos dedos?

Marcão: Não.

CH3: Por que então?

Marcão: Por que a óstia não deixou duro o pau dele, a única parte que ele precisava que ficasse dura.

CH3: E como continou sua carreira?

Marcão: Aí eu vim pro Brasil, e me deram um nome novo e idade nova pra jogar no Flamengo.

CH3: E sua carreira como traficante?

Marcão: Traficante? Eu nunca fui traficante.

CH3: Não? Mas você não é Juan Carlos Ramírez Abadía?

Marcão: Sou.

CH3: Traficante?

Marcão: Não, o traficante é meu primo de 6º grau. Ele tem o mesmo nome que eu. Na minha família na Colômbia tem 18 Juan Carlos Ramírez Abadía.

CH3: Então você é primo do traficante Abadía?

Marcão: Sou.

CH3: E você tinha contato com ele?

Marcão: Só quando nós eramos moleques, eu lembro que ele apanhou muito uma vez do pai dele, no dia do próprio aniversário, fio uma surra terrível.

CH3: Porque?

Marcão: Porque ele era fã do Queen, dizia que queria ser Freddie Mercury e apareceu na hora do parabéns de bota e shortinho cor de rosa. Usar shorts cor de rosa com botas são considerados uma grande heresia e desonra na Colômbia.


Assim encerramos nossa entrevista com Juan Carlos Ramírez Abadía, lembrando que não transmitios os erros de pronúncia de Juan, que chamou Queen de Cuín.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

O ponto de empalação

Em uma masmorra medieval, um homem adentra o local utilizando um capuz negro e segurando em sua mão esquerda um pedaço de madeira pontiagudo. Ele se vira para sua vítima, provavelmente um herege e diz “empalar-te-ei”. A vítima fica horrorizada, tenta convencer seu algoz a mudar de idéia. Mas não tem jeito, o carrasco cumpre o que havia prometido.

No festival de Woodstock em 1969, hippies, homens e mulheres corriam nus pelos campos da fazenda, fazendo usos de todas as substancias ilícitas das quais se tem conhecimento, sendo estas injetáveis ou não. Nos palcos, guitarristas virtuosos, músicos epiléticos e cantores fanhos cantavam a paz e o amor. Naqueles tempos uma banda que pedisse por uma roda punk não teria escapatória. Seriam impiedosamente empalados com seus instrumentos musicais. E ainda escutariam comentários como “Nossa. Coitado do cara que toca guitarra de dois braços”.

E em uma última cena, durante a gravação de um filme pornográfico, um ator, que chamaremos de Kid Muleta, tira suas vestes para a atriz, que chamaremos de Suzy Tigrona. A atriz olha assustada e pede para que a cena seja interrompida. O diretor, que, creio, tem cara de Adalberto, manda que o produtor, que no caso chamaremos de Manfredo, pegue o contrato da atriz. A cláusula é clara. A atriz tem que fazer a cena caso não queira pagar a multa rescisória. Dessa maneira então, o ator comete uma empalação, meio que por vias tortas.

A empalação é um ato simples. Para realizá-la são necessários apenas um toba e um objeto pontiagudo. Consiste no ato de uma pessoa espetar outra pessoa pelo ânus. A intensidade dessas espetadas pode variar. Pode ser quase terapêutica como uma acupuntura ou pode atravessar a pessoa até o outro lado, tal qual faria um desses caras de Esparta. Sua origem é antiga. Na pré-história era normal que os homo sapiens atingissem os homens de Neandertal de maneira empalativa.

O império romano se notabilizou pela empalação. Nero, Calígula e outros dementes promoviam grandes festas em seus palácios onde as pessoas se empalavam loucamente. Inclusive em uma dessas orgias Nero se empolgou tanto que até incendiou a cidade depois. Aliás, não é a toa que o mais famoso programa para se gravar arquivos em CD se chame Nero. Basta ver o CD e observar seu furo, um claro e, diria eu, provocativo lembrete para os Empaladores.

Durante a Idade Média a Inquisição realizou várias sessões para empalar bruxas, duendes e outras coisas que aparecem em filmes da Xuxa, incluindo-se aí garotos de 12 anos que se envolviam com mulheres usando fantasias de ursinho. Esse ritual era o preferido pelos poucos padres abstinentes da época, que viam uma oportunidade de satisfazer seus mais sujos e perversos desejos sexuais. No entanto outra prática se tornou muito comum nessa época. Os indivíduos que haviam praticado alguma heresia eram pendurados sem calça, com a cabeça para baixo. Introduzia-se então um funil, ou objeto parecido, no ânus do rapaz (nota-se: há discussões entre as autoridades da área, se isso já não seria uma empalação). Então alguns seres, normalmente deformados e depravados, traziam um balde com gordura quente. A vítima até respirava aliviada pensando que se trataria apenas de uma besuntação (outro ato proibido à época). Mas não. O líquido era totalmente derramado através do funil e assim o individuo sofria um processo de cozimento interno, que a literatura médica descreve como bem doloroso. A Igreja recentemente rebateu as críticas recebidas e declarou que o ato em muito contribuiu com a culinária moderna.

A empalação se tornou muito comum novamente durante os governos autoritários do século XX. Fidel Castro em muito o fez com seus prisioneiros, que fugiam para estudar filologia na Rússia. A ditadura militar brasileira muito a praticou em seus porões. Foi até criado o slogan “Brasil: ame-o ou empale-o”.

Nos tempos atuais (frase retirada de uma redação reprovada no último vestibular da UFSL), os modernos estudiosos dividem a empalação em dois atos. Ativo e Passivo. O estado brasileiro onde mais se pratica a empalação passiva é notoriamente o Rio Grande do Sul. Enquanto que o ato ativo é praticado por pequenos clãs que gostam de se divertir assim. Garotos de classe média no Rio de Janeiro empalam mendigos e garotas de programa apenas por diversão. Mas ninguém é punido. Uma vez que a empalação, e isso é fato notório, é muito comum entre senadores, deputados e membros do judiciário. Aliás, diz-se que eles empalam cidadãos brasileiros diariamente.

A empalação pode ser um vício, difícil de livrar, tal qual o alcoolismo ou o gosto por rabanetes. Não existem remédios ou atenuantes. Mas em compensação as pessoas podem procurar ajuda nos Empaladores Anônimos. A entrada é bem difícil. Normalmente os portões são daqueles com lanças nas pontas.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

CH3 News, nova edição

Para quem visita o site e não sabe, o CH3 tem sua versão impressa. Um jornal sério. Uma publicação revolucionária. E nessa semana estamos lançando uma nova edição, a de número 8, publicada em nova cascatinha. E vamos as manchetes principais.

Mulher é carimbada no rego: A polêmica violação em uma festa do calouro.
Flamengo perde para time de cotocos: Cobertura completa do jogo do ano.
Castores atacam comunistas: Um grupo de roedores que fez justiça com os próprios dentes.
Surdo não escuta buzina e morre atropelado: Heim?
Nasce filho de mulher com tomate: E ninguém quer assumir a paternidade.
Nordestino bebe água pela primeira vez: fato histórico na cidade de Picos, no Piauí.

E Mais: Horóscopo, editorial de Alfredo Chagas, Striptoons, entrevista com Gressana, e Duro de Matar 4.0.