quarta-feira, 29 de abril de 2015

Velozes e Furiosos: isso precisa acabar

Se você parar para pensar, o mundo mudou muito de 2001 para cá. Olhe o tanto de coisas que fazem parte do seu cotidiano e que pareciam uma realidade distante, ou apenas um sonho 14 anos atrás. Smartphones, internet banda larga, o Blog CH3. Muita coisa mudou nesse tempo, mas uma coisa continua igual: lançamentos de Velozes e Furiosos.

Dois mil e um foi um ano marcante para o mundo, graças aqueles dois grandes aviões que se chocaram contra duas torres em Nova York, no atentado terrorista mais midiático de todos os tempos. Os dias seguintes, enquanto escombros e mortos eram removidos, uma guerra era declarada e Osama Bin Laden começava a ser caçado, acabaram por ofuscar o lançamento do primeiro filme da série. Quem diria que em 2015 chegaríamos ao sétimo filme da franquia.

Isso mesmo, sete. S-E-T-E. Se um é pouco, dois é bom, três é demais, sete já é uma tremenda sacanagem. Temos pouquíssimos filmes na história que chegaram a sete sequências. Imagine então um filme ruim. Um filme que não tem nenhuma história, que se baseia em carros potentes, perseguições, explosões e mulheres gostosas. Imagine sete filmes assim.

Os roteiristas se desdobraram, levando as filmagens para Paris, Tóquio, Pequim, Rio de Janeiro, Marrakesh, para tentar dar algum gás para franquia, mas isso jamais seria possível. Uma merda, sempre será uma merda em qualquer cidade do mundo. Eis uma verdade universal.

Vejam que o ator principal do filme até já morreu, curiosamente em um acidente de carro. O Vin Diesel piora a cada ano, mas isso não impede que sequência e mais sequências saiam do forno. A morte do Paul Walker não deve impedir nada, já que algumas sobras de filmagens e até mesmo cenas de filmes anteriores repetidas seriam suficientes para lançar mais uns 18 filmes.

Mas isso precisa parar, isso tem de parar. O público pode até gostar do filme e se você for em qualquer lugar que tenha gurizada reunida eles devem estar discutindo o V&F7. “Aí o Paul Walker ligou o carro, ai ele saiu atrás dos japoneses, ai ele matou os japoneses tudo”. E porra, é foda.

O mundo não precisa de um Velozes e Furiosos 8. Não precisava do 7, pra dizer a verdade. Vamos além, não precisada nem do primeiro. Isso precisa parar. Por um mundo melhor.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Entrevista fracassada

A cena se repete com alguma frequência sempre que um jogo importante de futebol está para ser realizado. Os programas esportivos cortam suas discussões nos estúdios para ir até o Maracanã, onde a delegação do Botafogo acaba de chegar para disputar a final do Campeonato Carioca.

As imagens mostram aquele ônibus enorme e coberto pelo reflexo de flashes, enquanto o repórter passa algumas informações sobre o confronto. O ônibus estaciona, alguns seguranças deixam a viatura e então os jogadores e comissão técnica começam a descer e os repórteres tentam entrevistá-los. Em vão.

“Começam a descer os jogadores, tá ali o Garrincha, GARRINCHA, ele que era dúvida para o jogo, Garrincha, uma palavrinha aqui para a TV Tupi, o Garrincha passou reto sem falar com a imprensa, vem aí o Didi. Didi uma falinha aqui, estamos ao vivo, Dido seguiu direto para os vestiários sem falar com a imprensa. Vamos tentar o Zagallo, ZAGALLO, só um palavrinha, Zagallo foi embora, está com fones de ouvido escutando o walkman dele. Vem aí o Nilton santos, o capitão do time, Nilton! Passou sem falar” e assim por diante com todos os 18 jogadores que estavam dentro do ônibus, mais o técnico, massagista e um monte de pessoas que ninguém nunca viu antes.

Em 119 anos de futebol no Brasil, já vimos diversos ônibus estacionando para partidas decisivas e nunca um repórter conseguiu obter alguma informação nesse momento. Geralmente, o máximo que consegue é uma palavrinha mesmo, do tipo:
- Confiante pro jogo, Tostão.
- Confiante.
- Tá aí, o Tostão está confiante.

E convenhamos, que essa informação não fará a menor diferença para a vida de ninguém. O mínimo que se espera de um jogador é que ele esteja confiante para qualquer coisa. Surpresa seria se o Tostão respondesse.
- Ah, estou com um mau presságio hoje. Acho que vamos levar uma goleada histórica.

Os jornalistas esportivos, mais do que nenhum outro, estão acostumados a conduzir péssimas entrevistas. Apesar de serem rotineiras, nada pode ser mais frustrante para um jornalista do que uma entrevista ruim.

Acontece quando a fonte não é gabaritada, ou trava diante do microfone.
- Então, a senhora é moradora aqui de Chapada?
- Sim.
- Vocês tem muito problema com o abastecimento de água?
- Sim.
- Há quanto tempo?
- Muito tempo.
- Você acha que essa obra vai melhorar a situação?
- Sim.

Acontece quando o entrevistado se confunde com o retorno no fone de ouvido.

Acontece diariamente nas ruas dos mais diversos países para a frustração dessa categoria tão sofrida.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Bolha Imobiliária


Imagino a cena de dois velhinhos que dividem um apartamento alugado em alguma capital brasileira. Apesar da idade avançada, eles discutem a possibilidade de comprar um imóvel em definitivo. Essa possibilidade existe e é real, eles só estão esperando uma coisa: o estouro da bolha imobiliária. “Estamos esperando ela estourar desde 1937. Mas agora, é certeza de que vai acontecer”.

Comprar um imóvel é uma das maiores dificuldades pela qual um ser humano pode passar em toda sua vida. Há a questão do local, do trânsito que você irá enfrentar até o trabalho, a proximidade com locais de interesse e centros comerciais. Há a questão da construtora, que pode ser boa ou ruim e fazer uma obra de boa ou má qualidade. O prazo de entrega. E há, é claro, o preço.

De um tempo para cá, o preço dos imóveis cresceu em progressão geométrica enquanto o salário do brasileiro cresceu em progressão aritmética. Nem vou escrever nada mais nesse parágrafo, porque essa frase ficou muito foda. Admirem-na e imaginem-na sendo usada em debates de alto nível por grandes intelectuais.

Um apartamento de 48 m², que antes era um quarto e sala na periferia, hoje já é considerado um latifúndio em área central e vendido por vários seis dígitos. Temos apartamentos de mais de um milhão de reais até aqui em Cuiabá. Nas maiores cidades, se o apartamento tem banheiro já é o suficiente para custar mais do que o prêmio do Big Brother.

Existem muitas razões para a expansão desses preços. Primeiro, o Governo do PT concedeu facilidades no crédito para fazer o capital circular e aquecer a economia. Com mais gente tendo acesso ao dinheiro, mais pessoas resolvem fazer investimentos altos, mais pessoas procuram apartamentos e aí entra a velha lei da oferta e da procura. Os preços disparam.

Seu, por apenas 800 mil reais.
Também há a especulação imobiliária. Empresários começam a anunciar que um local irá receber um grande empreendimento e tudo isso valoriza a região e passa a ser possível cobrar mais caro pelo metro quadrado. “Aqui do lado vai ter o maior shopping Center arborizado da América do Sul, todo mundo vai querer vir pra cá”. As pessoas são convencidas de que devem ir pra lá e a oferta e procura volta a agir.

E há a bolha imobiliária. Na economia, o preço das coisas tende a crescer, crescer, crescer até chegar a um patamar insustentável e aí a bolha estoura. Volta lá para baixo. Aconteceu com as empresas de tecnologia no final da década de 90, aconteceu com metade do mundo em 1929, aconteceu com as tulipas holandesas em um século distante, aconteceu com os imóveis nos Estados Unidos em 2008.

A proximidade com a bolha imobiliária norte-americana acaba por criar essa expectativa sobre o consumidor. É melhor não comprar agora, porque essa porra vai explodir e seu negócio vai ser uma merda. E de fato é. Quem compra alguma coisa um pouco antes da explosão da bolha se ferra brutalmente. Pense que você compra um apartamento de 450 mil reais. Dá uma entrada de 80 mil reais, crédito facilitado e financia inacreditáveis 370 mil. Um ano depois você pagou 20 mil e restam 350 mil e aí a bolha explode. Seu apartamento passa a valer 250 mil. Você ainda tem que pagar 350 mil. Se você resolve se desfazer do imóvel, ele já vale menos do que a sua dívida. Caralho, você se fudeu muito.

A dúvida da bolha sempre bate na cabeça de quem vai comprar o imóvel. Apocalípticos e integrados se digladiam nesse embate. De um lado, aqueles que afirmam que a bolha é inevitável e citam as notícias de que a procura por imóveis caiu em quase 50% no ano passado. Do outro, aqueles que dizem que imóveis jamais irão perder valor. E você fica ali no meio, sem saber se compra agora ou daqui a seis meses, quando o apartamento pode estar pela metade ou pelo dobro do preço. Você jamais saberá. Ninguém jamais saberá.

E, durante esse processo, você sempre estará acompanhado por uma figura especial: o corretor imobiliário. Um corretor imobiliário é como uma doença venérea. Você dificilmente irá conseguir se livrar dele(a). Saiba disso quando você for buscar o serviço de um deles.
- Oi, eu vi um anúncio aqui sobre o condomínio Village das Trufas Marítimas.
- Então, esse aí eu não estou mais tendo, mas eu tenho similares, quer que eu passe uma lista para você?
- Pode ser.
- Te encontro nesse número mesmo?
- Sim.

E você nunca mais irá ter um dia de sossego. Como essa é uma vida poligâmica, você irá entrar em contato com mais de um corretor e aí sim sua vida será um inferno.

Corretores são insistentes como vendedores de shopping, com a diferença de que são muito mais enfáticos e não medirão esforços a te convencer de que aquele imóvel é o melhor jamais lançado sobre a face da terra. “Os imóveis da Homeland Incorporadora tem 99% de sua planta aproveitável, melhor qualidade, enquanto, francamente, a Santo Antônio é uma merda flutuante, metade dos empreendimentos deles desabam logo no segundo mês”.

Eles tentarão te convencer de que o sol não bate naquela janela durante a tarde inteira porque geralmente há uma nuvem fixa no quadrilátero 87 que faz sombra no seu quarto, transformando o no melhor investimento da região. O condomínio é o único que já vem com todos os espaços em comum equipados e aparelhados. Sim, todos os condomínios são os únicos. Não tem nenhuma vaga de garagem, mas a região é segura, em 2019 será instalada uma base da PM e os nossos porteiros são todos treinados em jiu-jitsu.

E a bolha jamais vai explodir. Eles garantem.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Geração Espontânea

Por muito tempo a humanidade acreditou na hipótese da geração espontânea. Essa teoria predominou durante toda a Idade Média e, segundo ela, as coisas simplesmente surgem sem nenhuma explicação mais elaborada. Elas aparecem e ponto. Se você colocar um pacote de bolachas na sua mesa e em pouco tempo as formigas SIMPLESMENTE vão surgir.

Com o tempo, essa teoria foi abandonada e não é de se espantar que ela tenha predominado em uma época em que as ruas eram infestadas de ratos e baratas, em que quase toda a população era analfabeta e vivia rastejando no esgoto entre uma e outra cerimônia de queimação pública de mulheres consideradas bruxas. Bons tempos.

Mesmo absurda, a hipótese da geração espontânea não deixa de ser fascinante. Ela tem esse charme determinista, que indica que as coisas vão acontecer pelo simples fato de que elas têm que acontecer. As formigas vão aparecer na sua mesa porque era isso, era o destino. As coisas seriam muito mais fáceis se a geração espontânea fosse verdade.

Me vejam aqui, tendo enormes dificuldades para arrumar um post para ser publicado hoje no CH3. Se a geração espontânea fosse verdadeira, eu poderia simplesmente abrir a página do Word e esperar. Se o texto tivesse que ser criado, ele iria aparecer espontaneamente. Se ele não aparecesse, é porque não era para ser.

Quantos relatórios chatos das mais diversas repartições públicas não poderiam simplesmente surgir assim. Dinheiro na conta. Gols. O repórter perguntando “Mazinho, qual é a estratégia para o segundo tempo?” e o jogador respondendo “vamos tocar a bola, esperando que o gol possa surgir espontaneamente”.

Seria um mundo em que a meritocracia seria apenas uma teoria abstrata, já que ninguém controla seu destino. Seria um mundo em que a palavra “surgir” teria um conceito muito diferente. “Amor, surgiu alguém em minha vida”. Surgiu, sim, surgiu e ninguém poderia ter feito nada contra isso porque as coisas simplesmente são assim.

Sim, seria um mundo sem a necessidade de explicações plausíveis. Seria um mundo dogmático. Seria a volta da Idade Média.

O seu chefe não ira te pagar seu salário porque o dinheiro simplesmente não surgiu. Um dia, do nada, uma criança ia aparecer na sua sala e quem foi que colocou ela ali? O destino. O seu destino de ter que cuidar dela.

Ok. Ainda bem que a Geração Espontânea não existe mais.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Vida e Obra de Tiradentes

Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, é um dos maiores símbolos nacionais de todos os tempos. Mesmo estando presente em moedas de cinco centavos, ele não deixa de ser uma figura misteriosa. Afinal, como é que um dentista rudimentar conseguiu se transformar em um mártir? Como ele conseguiu provocar a ira de um dos impérios mais poderosos do mundo? E mais, como é que ele conseguiu se transformar em um feriado nacional, que anualmente proporciona enorme felicidade para o povo brasileiro, especialmente em anos como este, em que temos um glorioso feriado prolongado. Nesse post vamos abordar alguns aspectos da vida deste ícone. Viva Tiradentes!

O Menino Joaquim nasceu na Fazenda do Pombal em 12 de novembro de 1746. Ao que tudo indica, seu parto não ocorreu em nenhum manjedoura, nem teve estrelas guias do céu, muito menos reis de lugar nenhum trazendo presentes sem graça para o bebê. Tudo o que se sabe é que essa fazenda não existe mais e seu território sagrado fica localizado em Minas Gerais. Pelo menos três municípios brigam pelo direito de ter Tiradentes como seu mais ilustre contemporâneo, mas os historiadores acreditam que a fazenda ficava na hoje portentosa cidade de Ritápolis.
Ritápolis, o berço da revolução

Filho de portugueses, Tiradentes teve uma infância aparentemente normal para uma criança da época. Claro que o normal daquela época seria o mesmo de uma infância de merda nos tempos atuais, sem videogame, sem futebol, sem chocolate e acredito que até sem tomar banho, cagando em latrinas coletivas que fediam como o inferno.

Joquinha tinha oito irmãos (cinco mais novos) e ficou órfão de mãe aos nove anos e de pai aos 11 anos. Uma tragédia infantil, mas que também devia ser normal naqueles tempos. Sem ter onde morar, ele foi criado por seu padrinho, que era dentista e com quem aprendeu as técnicas que fariam o seu nome.

O que poucas pessoas sabem, é que Tiradentes ainda era minerador – um destino natural para o homem da época, afinal a economia do país girava ao redor do ouro, tropeiro – um tipo de feijão muito apreciado, comerciante, militar e alferes. Não me pergunte o que é que um alferes faz, mas na época eles deviam ser importantes e existiam aos borbotões. Aposto que ele também era poeta, porque é um charme dizer que uma personalidade histórica escrevia poesias em suas horas vagas.

Tiradentes cresceu perambulando pelas cidades que hoje são consideradas históricas e formam um dos mais famosos passeios de guias turísticos do Brasil. Ouro Preto, Tiradentes, São João Del Rey e etc. Conspirou na terra em que Aleijadinho faria esculturas clássicas e em que dezenas de universitários promoveriam cachaçadas homéricas com muito coma alcóolico nos tempos atuais.

Apesar de ser dentista, muito pouco se sabe sobre os dentes que ele extraiu ou obturou. Falam que ele demarcava terras, que exercia alguma função no exército, mas nada sobre nem uma limpeza de canal. A hipótese é que ele escolheu o nome artístico “Tiradentes” por soar muito mais imponente do que “Mineiro”, por exemplo. Se o cara tira dentes, pouco importa se ele utiliza seus punhos ou alicates. O cara é mau.

Xavier acabou se envolvendo de alguma forma com a Inconfidência Mineira, uma espécie de Movimento Cansei do Brasil Colônia. A elite local, cansada com a crise econômica e com os aumentos dos impostos definidos pelos portugueses resolveu se rebelar. Curioso é que o imposto português era conhecido como “Quinto”, uma vez que retirava 20% das riquezas produzidas. Os revoltosos da época nem imaginavam que anos depois o Imposto de Renda iria abocanhar 27% do salário de muita gente.

Certo que mais do que os impostos, o que irritava a população da época era o método de cobrança. A Coroa Portuguesa instituiu a “Derrama”, que autorizava a cobrança violenta dos impostos. Imagine que todo mês os auditores da Receita Federal batessem na sua porta para pegar o IR e ainda lhe dessem tapas no rosto, cuspissem na sua cara e chutassem seu corpo caído no chão e cheio de escoriações. Seria difícil aguentar calado.

Ao que tudo indica, Tiradentes era apenas mais um no meio da multidão da Inconfidência. Aliás, ao que tudo indica, a Inconfidência nem foi tão forte assim, foi um movimento que rapidamente se desarticulou e nem chegou a promover alguma atitude mais drástica. Mesmo assim, os portugueses resolveram reagir com violência para demonstrar poder.

Tiradentes e outros conspiradores foram presos. Tiradentes que era o único pobre resolveu assumir que ele era o responsável por todo o movimento e acabou condenado a morte. Outros membros também receberam a pena capital, mas acabaram absolvidos pela Rainha. Tiradentes que era o único pobre do grupo foi o único a não ser perdoado pelo crime de “lesa-majestade”. Sim, a monarquia era um negócio tão gay que condenava a morte por um crime boyola desses.

A morte de Tiradentes foi um espetáculo grandioso. No dia 21 de abril de 1792, antes de completar 46 anos, Joaquim José da Silva Xavier desfilou pelas ruas do Rio de Janeiro entre a cadeia pública e o local em que seria enforcado. Sua sentença foi lida durante 18 horas consecutivas, sucedida por apresentações artísticas em louvor de vossa majestade. Após o enforcamento, seu corpo foi esquartejado e seu sangue utilizado para escrever sua certidão de morte – não havia canetas BIC na época.

As partes de seu corpo foram espalhadas pelo caminho entre o Rio e Minas, sua cabeça pendurada em um poste em Ouro Preto. Sua casa foi destruída e jogaram sal grosso sobre o terreno, para que nada mais ali crescesse. Seus descendentes foram declarados infames. Ao que tudo indica, Tiradentes teve apenas uma filha e nunca foi casado (seria ele um mártir gay?) e teve uma porção de netos, bisnetos e etc, que recebem pensão do Governo Federal até hoje.

Esta morte dramática preservou a memória de Tiradentes entre a população. Se a Coroa Portuguesa resolvesse apenas ter metido um balaço na sua cabeça e o enterrado em vala comum, provável que ninguém mais se lembrasse dele.

"Pai, porque me abandonaste?"
Uma curiosidade sobre Tiradentes é que provavelmente ele nunca usou barba em sua vida, preferindo o rosto limpo ou no máximo um bigodinho maroto. Lembremos que o cara era militar, área que tem uma verdadeira neura pela depilação, além de ser dentista e desde que o mundo é mundo, um dentista barbudo não seria bem aceito. No entanto, suas reproduções históricas sempre o mostram com uma barba mesopotâmica. Por que? Porque sua morte violenta o fez ser comparado a Jesus Cristo, histórico barbudo. Existem até pessoas que acreditam que Tiradentes foi crucificado, após ser traído por um dos outros 12 membros da Inconfidência Mineira e que três dias após sua execução, as partes esquartejadas do corpo de Tiradentes se uniram e ele voltou a andar sobre a terra durante mais ou menos dois meses e meio até ascender aos céus repentinamente. (Também vamos pensar que é mais legal retratar um revolucionário barbudo do que um revolucionário imberbe).

Os ideólogos positivistas que formaram a República da Ordem e do Progresso enxergaram em Tiradentes um símbolo ideal para contrapor a finada Monarquia dos Orleans e Bragança e o transformaram em mártir, criando um feriado em sua homenagem. E é isso que importa. Amanhã é feriado. Viva Tiradentes!

sexta-feira, 17 de abril de 2015

A arte de ser ofensivo

Ser ofensivo não é fácil. A vida toda nós somos domesticados para atuarmos em grupo. Para sermos educados, prestativos e agradáveis. Bem, o fato de sermos todos educados talvez faça com que a tarefa de ofender alguém se torne mais fácil. No mundo atual, as pessoas se ofendem por qualquer coisa.
- Cara, eu odeio milho.
- Como é que você tem coragem de falar isso? Os milhos são extremamente importantes para a alimentação do ser humano e de diversos outros animais. Seja o milho em seu estado puro, seja o milho cozido, o milho que se transforma na pipoca que nós comemos no cinema. Além disso, a exportação do milho é muito importante para a economia nacional e gera emprego e renda.
- Cara, eu apenas não gosta de milho.
- Eu não acredito que você está falando isso. Eu tenho nojo de você.
Cara, qual é o sentido desse monte de pedra empilhada? Tinha que derrubar essa porra e plantar soja no lugar, construir um prédio, usar essas pedras pra fazer pia ou cascalho. Antepassados? Porra nenhuma, tão tudo morto já, não vão mover uma pedra por essa palhaçada

Bem, ofender as pessoas pode ser fácil. Ser ofensivo é uma coisa completamente diferente. Pessoas realmente ofensivas fazem isso o tempo inteiro. São capazes de provocar repulsa com suas aleivosias, como se fossem um espécie de Garotinho do Sexto Sentido que, ao invés de ver pessoas mortas o tempo todo, ofende tudo ao tempo todo. Que péssima comparação.

A maneira mais fácil de ser ofensivo é andar nu. Melhor ainda se você estiver 60 quilos acima do peso. Poucas coisas podem ser mais ofensivas do que um gordo. Nada é mais ofensivo do que um gordo pelado.

É possível ser ofensivo com um palavreado chulo.
- Como você está cara?
- To aí, mais esfolado do que couro de piça, só indo e vindo.
- Hehe, o que está acontecendo?
- Ah, o arrombado do meu chefe está se sentido o pica grossa e tá arregaçando as pregas do cu todo mundo.
- Ah, muito trabalho.
- Porra, trabalho demais. To trabalhando mais do que puta no Cais de Santos fazendo plantão dobrado.

Também é possível ser ofensivo utilizando-se de expressões maldosas, tendendo ao humor negro.
- Cara, foi horrível. Desde o acidente do meu filho estou me sentindo despedaçado.
- Ah, mas aposto que seu filho está ainda mais despedaçado.

E por final, é possível ser ofensivo utilizando um palavreado chulo, com expressões pesadas e estando nu. Afinal, o legal é ser ofensivo para ofender as pessoas.

- Você é mais arrombado do que uma porca de fazenda, que todo dia é currada por adolescentes cheio de espinhas na cara, incapazes de encarar uma buceta de frente, porque passam o dia inteiro recolhendo merda de cavalo em campos esburacados como seu cu e essa merda escorre pelo corpo deles, entrando por dentro da cabeça do pau, que fica cheio de infecções purulentas e atraí moscas que colocam ovos que logo ficam maiores do que os seus testículos de bicha e no campo a única maneira de resolver isso é cerrando essas bolhas com o próprio dente, deixando o sangue escorrer pelos joelhos e manchando as cuecas que depois vão ser lavadas por empregadas com peitos enormes e caídos de tanto serem apertados pelos peões estupradores que se utilizam da força para comer o cu de meninas virgens que ainda não saíram de suas casas que fedem a sovaco não lavado e acredito que essas pessoas só existam em filmes mesmo.

Adendo: a suprema arte da humilhação infantil
Mas, no entanto, porém, contudo, todavia, se você quiser saber o que realmente é humilhar, mas humilhar mesmo, basta ver uma criança em ação. Crianças não tem limite, não tem escrúpulos, elas irão humilhar a pessoa da maneira mais cruel o possível. Irão bater aonde dói mesmo, aonde o calo aperta.
- Olha mãe, um anão!
- Nossa, mas como você é feio.
- Porque você não tem uma perna?
- Não Carlinhos, eu não chamei você pro meu aniversário porque você é gordo.
- Quem quer brincar põe o dedo aqui... não Paulinho, você é vesgo.
- Tia, o Marcelo fede.

Malditas crianças. Elas são o futuro do país.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Presidente na fila do banco

Todo mundo fatalmente está condenado a perder alguns dias da sua vida realizando coisas que não gostaria de estar fazendo. Bem, em alguns casos as pessoas são condenadas a passar todos os dias de sua vida nessa situação, principalmente quando você não gosta do seu trabalho. Ok, diria que 97% das pessoas odeiam o seu trabalho, mas o que podemos fazer se essa é a base do sistema capitalista que rege a sociedade atual?

Vamos ser mais diretos: todo mundo, um dia, tem que ir no cartório. Todo mundo, um dia, é obrigado a encarar a fila do banco por algum motivo. Um dia na vida de qualquer um você vai ter que ir até uma repartição pública e pegar senha para imprimir um boleto, reclamar que sua conta de água veio no valor de 8 milhões de reais, ou que sua luz foi cortada indevidamente, ou para pegar a sua nova carteira de habilitação, ou para fazer a revisão do seu carro.

Quando esse dia chega e ele malditamente sempre chega, é um transtorno danado. Não dá para simplesmente afirmar par o seu chefe que você não vai vir trabalhar porque tem que ir ao banco. Como assim, não ir trabalhar para ir ao banco? Não soa natural.

Geralmente nós trabalhamos com a hipótese de utilizar o horário de almoço. Aquelas duas horas abençoadas, talvez você fique sem comer e morra de inanição no meio da tarde, ou então para para (maldita reforma ortográfica) comer qualquer coisa ali, dez minutos de atraso são compreensíveis. Mas esse sonho é só uma utopia mesmo.

Todos nós sabemos: é impossível ir no banco, no cartório, na concessionária de água ou no Detran e ficar menos de quatorze horas por lá. Sabemos como é ser atendido por um funcionário que fará de tudo para que você fracasse em suas intenções. Em alguns casos você irá ao banco em dias seguidos e em cada dia o funcionário descobrirá um novo problema. Se você reclamar, ele irá te atender ainda pior e poderá te dar voz de prisão porque a lei permite isso. É o inferno.

Então eu repito. Todo mundo um dia na vida precisou ir no cartório para fazer um procuração, precisou abrir uma conta no banco, teve que pegar uma habilitação nova. Todo mundo. Até o presidente da república?

Será que algum dia alguém já encontrou um presidente, ou mesmo um deputado, na fila do banco porque digitou a senha do cartão errado por três vezes e precisava desbloquear a tarjeta e chegando lá o funcionário disse que precisaria da sua certidão de nascimento? Um governador já teve que ficar seis horas no cartório esperando os passos supersônicos do responsável por registrar firma? Ministros precisam pegar 2ª via do boleto na sede da empresa?

Sim, eu acredito que não. Pessoas com esse poder devem ter um cartorário e um gerente de banco particular. Mas e a habilitação no Detran? Todos nós sabemos dos processos burocráticos para renovar a CNH e dos prazos e valores e sabemos principalmente que só o titular do documento pode ir resgatá-lo. Teoricamente, o presidente precisa ir lá para buscar. Imagino que eles tenham carteira de habilitação, todo mundo tem.

Sim, provavelmente eles fazem o mundo girar para que o documento chegue em suas mãos, não importa como. E eu pergunto, isso não é corrupção? Burlar o sistema para conseguir algo de maneira mais rápida? Utilizar a máquina pública para satisfazer seus interesses pessoais? Acredito que todos os políticos que nunca foram vistos na fila de um Detran mereciam ser cassados. Pense nisso.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Canções infantis trágicas

Músicas infantis geralmente são animadas, trazem alguma mensagem positiva e alegre para divertir as crianças. Bem, nem sempre. Algumas canções infantis são bem trágicas. Vocês já pararam pra pensar em “O Cravo e a Rosa”?

O cravo brigou com a rosa
Debaixo de uma sacada
O cravo saiu ferido
E a rosa despedaçada

Que clima down, não é? Uma briga conjugal de graves proporções. Temos “Escravos de Jó” – uma música que fala sobre escravidão, um tema denso e aquela “Marcha Soldado”?

Marcha Soldado
Cabeça de Papel
Se não marchar direito
Vai preso no quartel
O quartel pegou fogo
A polícia deu sinal

O cidadão vai, obviamente, morrer queimado no quartel. Sem contar que o soldado deve ter sido torturado e humilhado pelo seu erro. E a música da canoa que virou?

A Canoa virou
Quem deixou ela virar?
Foi por causa da Maria
Que não soube remar
Se eu fosse um peixinho
E soubesse nadar
Eu tirava a Maria
Do Fundo do Mar

Percebam que a Maria morreu gente. Não soube remar, a canoa virou e ela parou no fundo do mar. Que triste.

Outras músicas infantis são mais alegres. Mas, me baseando no clima dessas primeiras citadas, criei algumas adaptações que servem para mostrar para as crianças que o mundo é triste e cruel e não há espaço para a felicidade. Cantem junto.

Começamos com esse clássico da Xuxa, estragando o seu final feliz.

Cinco patinhos foram passear
Além da montanha, para brincar
A mamãe fez quá quá quá
Mas, nenhum patinho voltou de lá
A mamãe subiu as montanhas para procurar
E encontrou os patinhos mortos por lá
A mamãe chorou quá quá quá
E foi denunciada no conselho tutelar

Triste não?

A dona aranha subiu pela parede
Veio a chuva forte e a matou
Já passou a chuva e o sol já vai saindo
E seu corpo já se decompõe

O recado é: crianças, não lutem contra a natureza.

Um, dois, três indiozinhos
Quatro cinco, seis indiozinhos
Sete oito nove indiozinhos
Dez na pequena cova
Vinham vindo estrada adentro
Quando um fazendeiro se aproximou
E os indiozinhos ele matou

Precisamos deixar de lado a visão romântica dos índios e lembrar que eles se envolvem em constantes conflitos rurais.

O Velho McDonald tinha uma fazenda
Ia ia ô
Nessa fazenda tinha gasolina
Ia ia ô
Era fósforo riscado pra lá
Era explosão para cá
Era gente pegando fogo pra todo lado
Ia Ia ô

Pobre seu Lobato. Para terminar, uma música divertida e que convoca todos para cantar.

Um elefante incomoda muita gente
Dois elefantes matam, eles matam muito mais
Dois elefantes matam muita gente
Três elefantes já fazem, já fazem, já fazem, um estrago do caralho
Três elefantes fazem um estrago do caralho
Quatro elefantes eles podem, eles podem, eles podem, eles podem te destroçar
Quatro elefantes destroçam muita gente
Cinco elefantes você precisa, você precisa, você precisa, você precisa, você precisa se armar
Para matá-los com tiros de fuzil
E o seu marfim revender no mercado negro

sexta-feira, 10 de abril de 2015

A Destruição da Família Brasileira®

A Família Brasileira®, essa milenar instituição, tem sofrido constantes ataques nos últimos anos. Homossexuais se beijando nas novelas, direitos iguais para mulheres e negros, a existência da palavra aborto, o Eduardo Jorge falando de maconha em qualquer lugar. Enfim. Não tem sido dias fáceis para a Família Brasileira®.

Por isso, nossos heróis nacionais e ferrenhos defensores da Instituição, pessoas como Silas Malafaia, Marcos Feliciano e Eduardo Cunha, não tem tido tempo para protestar contra mais uma ameaça a Família Brasileira® que é exibida diariamente nas televisões. A propaganda a seguir.

Cuidado! O vídeo pode ser ofensivo para a tradicional Família Brasileira®.



Podemos ver o esfacelamento da Família Brasileira® logo no começo do vídeo, quando um carro potente estaciona na porta de uma fazenda e uma menina avisa aos pais que logo mais ela voltará. Que pai é esse? QUE PAI É ESSE? Eu pergunto. Quem é o pai que ao ver um desconhecido estacionando na porta da sua casa para levar sua filha para qualquer lugar não toma nenhuma atitude? O mínimo que esse pai deveria ter feito é chamado o sujeito para dentro de casa para ter uma conversa a três: O cara, o pai e o seu 38. Mas esse pai é o típico bundão que nem arma em casa deve ter.
Olha a cara do pai. OLHA A CARA DESSE VAGABUNDO! Ao invés de se preocupar com sua filha, ele está aí. Com certeza, esse PORCO NOJENTO ESTÁ MIRANDO A PIROCA DO RAPAZ, BAITOLA VELHA

Como ele deixa a filha sair assim, sozinha com o desconhecido? Para que servem os irmãos mais novos, que não para acompanhar as irmãs mais velhas nesses encontros, impedindo que algo de mais grave ocorra?

E sua reação nojenta, vendo o sujeito desconhecido como um “partidão”. E vê sua pobre princesinha indo embora, desamparada nas mãos de um violentador.

Era óbvio que o pior poderia acontecer. E ele aconteceu. A menina foi DEFLORADA antes do casamento e volta para casa grávida, com um milagre de Deus em sua barriga. Mas um milagre fruto do pecado original.

Céus! Pela sua barriga, a garota está com pelo menos seis meses de gravidez. ELA FICOU SEIS MESES FORA DE CASA E OS PAIS NÃO FIZERAM NADA. Se sua filha diz que já volta e não volta em, no máximo duas horas, você liga para ela, não é mesmo? Se ela não atende, no MÁXIMO você dá uma hora de lambuja antes de avisar a polícia. Agora, seis meses? EM SEIS MESES O MÍNIMO QUE O PAI DEVERIA TER FEITO É TER PROMOVIDO UMA CAÇADA HUMANA PARA BUSCAR SUA FILHA, MANDÁ-LA PARA UM CONSERVATÓRIO E CASTRAR NA FACA O VIOLENTADOR.

Mas ele não fez nada. Permaneceu sentado na varando sem tomar nenhuma atitude até que sua filha volta vestindo a mesma roupa de antes e exibindo a gravidez. A mesma roupa! A MESMA ROUPA! ESSES DOIS IMUNDOS PASSARAM SEIS MESES OU MAIS A BASE DE UM SEXO NÔMADO E PERVERTIDO NOS MAIS DIVERSOS LUGARES. O pai deveria ter vomitado! Devia ter sacado sua arma e obrigado o casamento ali e agora. Mas o que é que os dois fazem? NADA!
Este inconsequente, COM CERTEZA, tentou fazer a menina abortar

A mãe ainda faz uma piada sobre a gravidez da filha! Ao invés de louvar a graça divina agora alojada na barriga da sua filha se exime de qualquer responsabilidade! O pai não toma nenhuma reação! Enquanto os CRIMINOSOS mostram indiferença contra aquele fruto sagrado.

Não está fácil amigos. Eles querem acabar com a Família Brasileira®

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Guia CH3 de Turismo: Cuiabá


Conhecida como Cidade Verde e localizada em algo próximo ao que pode ser considerado o centro geodésico da América do Sul, Cuiabá é uma cidade que não é mundialmente famosa por nada. Não há um único apelido, um ponto turístico, um local que faça com que Cuiabá seja referência em outro país. Nem mesmo aquela imortal canção do Skank que afirmava que não sentir calor em Cuiabá é improvável e impossível, assim como te ver e não te querer.

Boa parte da população mundial pensa que a capital mato-grossense é um lugar habitado por índios seminus e com ruas – ou algo parecido com ruas – ocupadas por onças, jacaré e hipopótamos. Bem, na verdade, diria que boa parte da população mundial nunca ouviu falar da cidade, mas os poucos que já ouviram devem pensar que Cuiabá é assim.

No entanto, existem coisas para se ver e se fazer em Hell City. Neste primeiro Guia CH3 de Turismo iremos falar da nossa cidade-sede. Uma forma também de homenagear o aniversário da estimada capital, que hoje completa 296 anos.

Como Chegar
Existem muitas maneiras para chegar em Cuiabá. Tudo vai depender do lugar em que você está e das suas condições financeiras e físicas. Você pode vir a pé, caminhando por acostamentos de estradas, atravessando montanhas e pastos, ou de bicicleta, patinete. Pode vir nadando pelos rios que dão forma a grande bacia do Rio da Plata. Mas, realmente essas são maneiras pouco usuais. O normal é que você venha de carro, de ônibus ou de avião.

Se você vier de carro ou de ônibus, é provável que você pegue a BR-163/364/070, que nos últimos anos ganhou a simpática alcunha de Rodovia da Morte. Além disso, você precisa pensar que a capital mais próxima de Cuiabá é Campo Grande a 800 km de distância. Vocês sabem o que é isso? É quase um nordeste inteiro de distância. É quase circunrodar o Estado do Rio de Janeiro. Por isso vamos ser sinceros: venha de avião. Existem passagens a preços módicos e voos nacionais que chegam ao nosso aeroporto de Brasília e São Paulo, principalmente, Rio de Janeiro, Campo Grande, Porto Velho e Goiânia eventualmente, e até mesmo Foz do Iguaçu, Cacoal, Belo Horizonte, Alta Floresta, Ji-Paraná, Londrina, Maringá, Presidente Prudente, Rondonópolis, São José do Rio Preto, Sinop e Vilhena.

O que fazer?
Assim que você chegar no majestosos aeroporto Marechal Rondon, que na verdade fica localizado no limítrofe município de Várzea Grande – e não há motivos para fazer piada com isso. O aeroporto de Recife fica em Jaboatão dos Guararapes, o de João Pessoa em Bayeux, o de Belo Horizonte em Contagem, o de Natal em São Gonçalo do Amarante, o do Rio de Janeiro na Ilha do Governador e poderíamos ficar o dia inteiro citando outros casos – o turista já irá dar de cara com as obras do VLT, o Veículo Leve sobre Trilhos.

Fruto da ambição de políticos que estiveram no poder, a cidade foi rasgada ao meio para a colocação de trilhos pelos quais passarão vagões a um custo estimado de um bilhão e uma caralhada de reais. Prometido para ser entregue em um ano e três meses, a previsão agora é que tudo esteja terminado em meados de 2018. Curiosamente, dois dos principais articuladores do VLT estão presos, mas não por esse motivo.

O turista poderá ficar horas olhando e vendo que não há a menor chance disso dar certo, pode observar os vagões que misteriosamente foram comprados sem ter por onde rodar e pensar que eles poderiam se transformar em Food Trucks e tentar entender o sentido daquilo tudo. Poderá acompanhar os canteiros de obras instalados em diversos pontos das cidades e os viadutos erguidos e interditados por risco de desabamento. Também poderá conhecer a primeira estação do VLT, um enorme galpão que não tem nenhuma utilidade.

Ao longo dos trilhos do VLT, o turista também poderá conhecer grandes atrações, como: a estátua da Liberdade da Havan – também conhecida com o ponto mais iluminado de Várzea Grande; o trevo do KM 0, zona de baixo meretrício, onde vereadores costumam a ser pegos em violentos atentados ao pudor; o Rio Cuiabá; O Morro da Luz; o Centro Político Administrativo e um shopping center.

Onde ir
Estatísticas mostram que 95% das pessoas que vem a Cuiabá irão embora logo no dia seguinte. Ou irão para o Pantanal conhecer jacarés e capivaras, ou vão para as cachoeiras de Chapada dos Guimarães, ou em casos mais extremos vão para os lagos cristalinos de Nobres. Em Cuiabá, o máximo que esses turistas farão é pedir uma pizza no hotel em que eles estão se pernoitando, enquanto trancam as portas do quarto com medo da invasão de animais selvagens.

No entanto, há lugares para se visitar em Cuiabá. Não vou mentir para vocês, dizendo que você vão ver praias, montanhas sensacionais, atrações culturais esplendorosas. Mas, há o que fazer.

O Sesc Arsenal é um antigo prédio de guerra que hoje sobrevive como um centro multicultural, no qual você poderá ver exposições, filmes exóticos e peças de teatro subversivas. Também poderá comer no restaurante do local. Peça o sanduíche Atarracado.

O centro da cidade é extremamente malcuidado, mas carrega o seu charme. A cidade foi fundada em 1719 e boa parte das casas da região datam desta época e do período da febre do ouro. A região hoje abriga boa parte do comércio local, com calçadões e lojas de roupas e eletrodomésticos e realmente você deveria visitar a região durante o dia. Durante a noite, não é possível garantir a sua integridade física.

Na região central existem alguns museus, como o Museu Histórico, o Museu de Arte, o Museu de Artes Sacras. Consulte a programação para saber se há algo que valha a pena.

Você também pode conhecer os parques da cidade, existem um punhado deles, mas convenhamos que visitar parque é uma sem graceira danada, só faça isso caso você não tenha nada mais para fazer. Também existem as igrejas. Há a Catedral meio sem graça, uma réplica da Igreja de Notre Dama, a tradicional e charmosa igreja de São Benedito, e um punhado de igrejinhas na região central, algumas fechadas. Também há um zoológico, localizado na Universidade Federal de Mato Grosso, que conta animais nativos. Temos o Rio Cuiabá e o Rio Coxipó, mas, sinceramente, você não vai querer tomar banho lá.

Onde ficar
Com a expectativa para a Copa do Mundo, Cuiabá ganhou diversos novos hotéis, das mais diversas categorias. Não sei o que eles fazem atualmente e como estão suas condições, porque geralmente não temos o costume de dormir em hotéis nas nossas próprias cidades. No entanto, recomendo que você procure ficar na região central da cidade. As avenidas Getúlio Vargas e Isaac Povóas são bons pontos de referência. A Avenida Rubens de Mendonça, ou Avenida do CPA é outra boa opção. Caso você queira uma vivência mais radical, há o Hotel Fazenda Mato Grosso, na região do Coxipó. Em outros tempos, o local abrigava um pequeno zoológico.

O que comer
A expectativa dos turistas locais é comer peixe. Existem diversas peixarias na cidade, onde você poderá comer o tradicional pacu, a peraputanga, o espetacular pintado, ou a Matrinchã por preços extorsivos. Existem inclusive os rodízios de peixe, espetaculares e caros. Recomendo a peixaria Okada.

Peixes fora, em Cuiabá também existem outros pratos saborosos – destaco a Farofa de Banana, que pode ser encontrada em vários lugares e vale toda a existência da humanidade. Você pode ir no Fundo de Quintal para comer alguns quitutes em meio aos gansos dos proprietários. Você pode ir no tradicional Choppão, que serve vários pratos e o mítico escaldado, uma sopa com ingredientes secretos e inteligíveis.

Também temos as populares sorveterias, sempre lotadas devido ao notório calor cuiabano. A Nevaska é bem popular, devido aos sorvetes de frutas exóticas.

No entanto, se você quiser ter uma experiência realmente true, para conhecer a culinária cuiabana, nada melhor do que o baguncinha. Popular sanduíche vendido em carrinhos na rua e que leva pão, hambúrguer, salsicha, bacon, ovo, frango, linguiça e tudo o que couber na imaginação humana e nos compartimentos do carrinho. Não há um lugar específico, você simplesmente deve encontrar um e ir ao encontro do seu destino.

Dicas importantes
- Certifique-se que o seu hotel tem ar condicionado. Geralmente, todo e qualquer espaço público de Cuiabá possuí esses aparelhos, mas nunca é bom brincar com a sorte.
- Jamais entre no bairro Jardim Califórnia sem um mapa.
- Nunca chame Cuiabá de capital do Mato Grosso do Sul, ou de Mato Grosso do norte. Você corre o risco de ser linchado.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Curiosidades da Páscoa

A Semana Santa é um evento que se repete anualmente pelo menos desde o ano 33 d.C. Todos a esperam com enorme ansiedade, já que a data costuma a proporcionar feriados arrojados. Certo que já tivemos tempos melhores, já chegamos a flertar com a criação de uma quarta-feira santa, mas ultimamente até a folga na quinta vem sendo ceifada.

As datas da Semana Santa tem nomes imponentes. Temos a Sexta-feira da Paixão, o Sábado de Aleluia e o Domingo de Páscoa. (De acordo com a Wikipédia, o Sábado comemora o dia em que Cristo permaneceu na tumba. Eu pelo menos acho que esse é um motivo bem estranho para se comemorar). Uma série de datas marcadas pelo simbolismo e pelos dogmas da Igreja. Já pararam pra pensar nas coisas estranhas que acontece nesses dias?

Coelho da Páscoa que entrega ovos de chocolate: Peçam para um roteirista de esquete de internet, para um escritor de best-sellers, um repentista ou para um aluno que se prepara para o Enem. Peçam para que eles arrumem um argumento para encaixar coelhos, morte e ressurreição de Cristo, ovos e chocolate na mesma história. Duvido que alguém conseguisse pensar em algo.

Se não vejamos: coelhos não colocam ovos e provavelmente desconhecem a existência de uma massa de açúcar e cacau conhecida como chocolate, além de também não terem nenhuma participação na história de Jesus. Ovos e chocolates só se encontram na lista de restrições alimentares que sua nutricionista elaborou para você e Jesus nem sequer conhecia o chocolate, já que ele é uma invenção da América Central.

Sabe se lá como alguém chegou nessa história de dizer que ovos e coelhos representam fertilidade e felicidade, junto com o chocolate e essa é uma boa maneira de comemorar o fato que Jesus saiu de seu túmulo e voltou a vida. Ganharia um Oscar de Melhor Roteiro? Aposto que não.

Sem Carne Vermelha: Eis uma tradição que abraça as mais diversas famílias das mais diversas religiões. Cada um interpreta essa crença de maneira diferente. Existem os que só não comem o bife na sexta-feira santa, há quem passe a quaresma inteira sem carne vermelha, quem faça isso apenas nas sextas-feiras da quaresma e mesmo quem não coma um boizinho entre o nascer e o por do sol, ou talvez eu esteja confundido isso com o Ramadã.

Por que não comer carne vermelha? Porque de alguma forma isso lembra o Corpo de Cristo. Os mais dogmáticos afirmam que quem come carne vermelha na sexta-feira santa irá sangrar pelos poros e verá as chagas de Cristo se abrindo em seu corpo, mas ainda não existe uma comprovação científica para o fato. Acho o costume estranho, já que a lembrança da Cruz seria suficiente para não comer carne nunca mais. Ou talvez pelas lembranças do corpo da vaca sangrando até a morte.

Malhação do Judas: No Sábado de Aleluia - um nome sensacional, convenhamos - pessoas do mundo inteiro se reúnem para malhar o Judas. Judas Iscariotes, para quem não se lembra, foi o homem que traiu Jesus por um punhado de moedas e foi condenado por toda a história.

A malhação do Judas é um evento curioso, porque ao contrário do que a palavra pode nos sugerir, Iscariotes não irá para a academia levantar supinos e remadas. Também não irá participar de uma série teen interminável em um colégio. Judas será surrado, seu boneco será despedaçado.

Nunca vi uma única malhação de Judas pessoalmente e digo que chego a duvidar que esses eventos ocorram de verdade, acredito que eles são produzidos apenas para serem exibidos nos jornais da Globo. Filmado no Projac e utilizando figurantes do Linha Direta, desempregados desde o fim do programa policialesco.

Para deixar a história ainda mais divertida, as pessoas colocam caras nos bonecos. Esse ano parece que aquele caolho da Petrobrás está na moda, mas o presidente, o vilão da novela, Sérgio Hondajsdkof, o Cabeção, e outros personagem sempre são populares. É como um linchamento simbólico, mas sem o sangue. Um linchamento sem graça.

Filmes Biblícos: Se você se propor a autoflagelação de assistir televisão durante 365 dias - quem sabe um trabalho de doutorado - vai perceber que em 364 dias do ano não irá passar nenhum filme sobre a vida de Jesus. Esses filmes são exibidos apenas na sexta-feira santa. E são sempre horríveis.

Há de se entender porque os filmes passam nessa data e não no Natal, por exemplo. O natal marca o nascimento de Jesus, mas sua infância é uma peça desconhecida da história. O clímax de sua vida está mesmo nesse período em que ele morre e nasce de novo, o toque de realismo fantástico.

Mas, voltando aos filmes, eles são sempre ruins. Jesus é sempre interpretado por um ator horrível, acredito que nenhum ator bom se disponha a interpretá-lo, sempre um loiro de olhos azuis, que nossa, o cara nunca deveria ter sido ator na vida dele. Os filmes são sempre antigos e o resto do elenco é péssimo e todo mundo sabe como a história acaba. É praticamente um Jesus Manero audiovisual.

Até penso quando é que esses filmes foram feitos, porque nem novela da Record é tão ruim. Penso em como é que esses atores vivem suas vidas e como eles se escondem para não correrem o risco de serem reconhecidos na rua. Deve ser terrível ser visto e apontado “Olha aquele cara que interpretou pavorosamente Pôncio Pilatos naquele filme horrível que passa toda sexta-feira santa na Rede TV”.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Quem ainda mente (só) no dia da mentira?

Pinóquio e seu nariz que lembra uma piroca
Quando você acorda no Dia da Mentira, você já está psicologicamente preparado para a série de pegadinhas que as pessoas vão te fazer durante o dia. Mentira. Na verdade, você não se lembra que está nesse maldito 1º de Abril até o momento em que alguém te conta com convicção alguma coisa aparentemente absurda e você entra em um leve estado de desespero, até ser avisado que estamos no dia em que estamos. Mentira.

Vamos ser sinceros. Eu, pelo menos, nunca peguei ninguém em um primeiro de abril, nem jamais fui pego. Nos meus anos de existência, posso contar nos dedos das mãos às vezes em que vi alguém fazer uma pegadinha bem feita nessa data, que tivesse provocado espanto nas pessoas. Existem vários motivos para isso. As que duraram mais do que seis segundos, duvido que existam.

No mundo atual, nós somos diariamente expostos a enormes cargas de absurdo. Uma mulher que decide se casar com uma árvore, pessoas correndo nuas pelas ruas das cidades, ladrões de vibradores, a existência de Panicats. Quer alguma coisa mais bizarra do que a existência da Nana Gouveia? Em outros tempos, muito provavelmente nossos antepassados iriam duvidar que existe uma mulher que tira fotos sensuais na frente de árvores derrubadas por um furacão. Nos tempos atuais, isso é a rotina. Isso é a realidade.

Não é fácil fazer com que alguém se surpreenda com qualquer coisa e não é um mérito fazer uma pessoa acreditar em sua mentira. Você afirma que encontrou uma lêmure em seu sapato de manhã. Por que não? Eu não duvidaria. Eu não duvidaria que seus travesseiros pegaram fogo, que sua vizinha come formigas, que você dirigiu de madrugada até Jangada para comer um pastel de queijo quando você tinha 16 anos. Nada é impossível, já diria a propaganda de uma dessas fornecedoras de material esportivo.

Para que alguém realmente consiga pegar alguém no 1º de Abril, ele precisaria ser um grande ator e precisaria armar uma grande estratégia. No mundo moderno, é muito fácil desmascarar qualquer pessoa a qualquer momento. E você precisaria cria uma história, uma grande história.

Você precisaria dizer que está em um estágio terminal de câncer no estomago. Precisaria chegar abatido no serviço. Precisaria chorar. Mostrar seus exames. Fazer ligações desesperançado. Chorar mais. Não almoçar e se mostrar arrasado. Seu chefe viria te abraçar, seus colegas, preparariam uma homenagem para você. E no final do dia, na hora de deixar o expediente, é que você revelaria a pegadinha. Ye-yé, glu-glu. E seria demitido, é claro. Mas, talvez valesse a pena apenas para ver a cara das pessoas.

As consequências para a piada poderiam ser trágicas demais. No mundo atual, a balança da opinião pública atualmente tende para a criminalização das pessoas que dizem que qualquer coisa foi fruto do primeiro de abril. A pessoa tende a ser marginalizada e perder amigos, família e ser renegado até mesmo pelo seu cachorro de estimação.

O único lugar em que as piadas de primeiro de abril sobrevivem é na internet. Porque na internet qualquer coisa sobrevive, você não precisa de muito esforço para anunciar uma coisa e fazer as pessoas clicarem no link do pudim.com.br.

Mas qual é a graça? Teoricamente, a única graça do 1º de Abril é ver a reação das pessoas, não segurar as risadas enquanto desvia das cadeiradas e esquiva dos golpes das pessoas furiosas de raiva. Na internet, você não verá o rosto de ninguém e será xingado anonimamente.

Por último, precisamos dizer, atualmente, todo dia é o dia da mentira. Assistimos TV todos os dias, temos acesso as falas dos mais variados políticos, somos enganados por eles diariamente. Todo dia é o dia da mentira. A vida é uma mentira.