quinta-feira, 31 de março de 2011

Sorte e Azar

“Não acredito em sorte. Cientificamente, o que chamamos de sorte é só um conjunto de felizes coincidências. Mas em azar eu acredito.” Gressana, Vinícius.

Essa frase foi dita pelo nosso companheiro Vinícius no Twitter. Como não encontrei nenhuma outra referência a ela no Google, credito-a ao nosso Poeta e agora genial Frasista. And so, for Vinícius Gressana from Cuiabá, Opportunity Knocks.

Eu não sei se a sorte existe, mas o azar realmente deve existir. Existem pessoas que indiscutivelmente sofrem mais do que pessoas que tem as mesmas oportunidades. E não foi uma questão de despreparo, estupidez. Foi simplesmente azar mesmo.

Vejo esse vídeo. Essas pessoas estão em uma livraria e cartas são sorteadas. Aquele que retirar a carta com uma caveira paga uma prenda (bons tempos das gincanas infantis).



Observe que um dos indivíduos tem, claramente, muito mais azar do que os outros. São apenas cartas, todas iguais. Cada indivíduo tem 16,66% de chances de pegar a carta marcada. Mas ele a pega em três oportunidades, aumentando suas chances para 50%, com terríveis conseqüências.

Vinícius, lá do começo do post, tem motivos para acreditar que o azar existe. Certa vez, na faculdade, eu, Vinícius e mais uma amiga nossa – que não sei se quer ter seu nome revelado, fizemos uma versão desse jogo. Em aproximadamente 10 rodadas, Vinícius pegou a carta marcada em 8 oportunidades. Sim, em 80% das vezes. Para sua sorte, não havia rolos de wasabi, ou velhinhos de dentadura no local.



A partir disso, você pode argumentar que “viu, ele teve sorte porque o jogo não era para valer”. Mas, não há dúvidas de que ele sofreria novamente se fosse para valer. Circulam por aí, lendas de que ele já deu descarga no próprio relógio e que já foi atingido pelas fezes de dois pombos simultaneamente. Fora o fato de ele ter o recorde mundial de pneus de ônibus furados diante da sua presença. Ele próprio poderia contar o que é verdade e o que é mentira.

E o que dizer sobre a pessoa que é atingida por uma bala perdida. Não é azar? Você pode dizer que o problema é o lugar onde a pessoa mora. Mas e o cara que morre ao ser atingido por uma suicida que havia se jogado do 12º andar? O cara estava caminhando em um lugar qualquer, quando uma mulher caiu sobre ele. É ou não é azar demais?

Certa vez em um jogo no Congo (Mazembe-be-be) um raio caiu no gramado e matou 11 jogadores. Os 11 jogadores de um time. O outro time permaneceu em pé. O time que morreu era miseravelmente azarado. Qual era a chance de isso acontecer? Pessoas argumentam que o time que morreu usava chuteiras com travas de alumínio, enquanto o time que sobreviveu usava travas de borracha. E daí? Foi muito azar o time inteiro estar com travas de alumínio no dia.

Sim, o azar existe.

terça-feira, 29 de março de 2011

Sucesso de Impopularidade

Se eu não estiver enganado e ao que tudo indica, hoje é a final do Big Brother. Motivos que poderiam fazer com que tal afirmação não se concretize podem ser elencados e, entre outros, são:
1) Eu estar enganado.
2) O Big Brother não acabar hoje.
3) A Rede Globo de Televisão acabar hoje.
4) O Mundo acabar hoje.

Mas, qualquer que seja o motivo, sei que ninguém está se importando com isso. Afinal, o Big Brother é o programa mais impopular da história da televisão brasileira, quiçá mundial. Ninguém o assiste, ninguém gosta. Imagino que seja um lapso os milhões de pessoas que sua audiência registra. Ou alguma armação da Rede Globo de Televisão para justificar investimento milionário e uma possível lavagem de dinheiro. Ou então, são apenas pessoas que assistem ao programa por obrigação. Como jornalistas de sites de fofocas, anunciantes e alguns parentes.

Ande na rua. Você não encontrará ninguém que assiste ao programa. Aquele cara bizarro que faz perguntas sobre o BBB na rua, coitado, imagino que ele fique horas buscando três miseráveis que saibam tudo sobre o programa. Ou então, ele faz ponto em frente à redação de revistas de sub-celebridades e/ou familiares dos participantes.

Ok, convenhamos que existam pessoas que assistam. Algumas poucas. Pequenos grãos de areia no mar. Nenhuma delas gosta. Nunca na história, eu vi uma pessoa falando bem do BBB. Creio que isso nunca aconteceu. Alguém que defendesse a existência do programa, que argumentasse sobre o seu lado positivo. Nunca. Jamais. Algo mais raro seria alguém que vota nos paredões. Imagino que ganhe o programa quem tiver a maior família. Ninguém jamais confessará que possa um dia, ter eventualmente votado em um paredão.

O Big Brother é um típico exemplo de como coisas impopulares podem fazer sucesso. Pessoas, situações que ninguém gosta. Mas, que por um incrível mistério se mantém na mídia gerando repercussão na internet e ganhando dinheiro com isso.

Quer outro exemplo? O lendário Galvão Bueno. Não sei como ele consegue um emprego. Sinceramente. Jamais houve na história uma pessoa que falasse “caralho, o Galvão Bueno narra demais”. Que elogiasse sua atuação, sua voz, seus comentários, sua emoção. Se eu fosse patrão de Galvão Bueno, eu o demitiria assim que tomasse conta do que as pessoas acham dele. Mas, por um mistério da humanidade, mesmo sendo sempre xingado, Galvão tem um contrato milionário. Ele e toda a sua equipe de comentaristas, que também são fracos.

E o Zorra Total? Nunca em nenhuma situação uma pessoa mencionou esboçar um sorriso com qualquer quadro do programa. Ao redor de todo o planeta, pessoas preferem ser torturadas ao ter que assistir ao programa por alguns míseros segundos. Mesmo assim, já faz 10 anos que ele se mantém intacto na programação da Rede Globo de Televisão, enriquecendo seus participantes. Deve ter algo ilícito nisso aí.

Aliás, a Rede Globo de Televisão já é um mistério. Sempre citada dessa forma quando querem criticá-la, ela é um fracasso total. O mundo a odeia. Manipuladora, falsa, mentirosa, suja, asquerosa. Como ela faz sucesso? Ela deve pagar para o IBOPE mudar os seus dados e com isso ganhar dinheiro dos anunciantes. Dinheiro que ela repassa para o IBOPE. Tá explicado, é isso.

A televisão de uma maneira geral. Não sei porque as pessoas compram televisão. Você já viu algum programa bom de televisão na sua vida? Não, sem dúvida não. Talvez na TV Cultura. Outro mistério, uma vez que ela é genial e ninguém a assiste. Eu não vejo a TV Cultura faz uns 8 anos, mas sei que ela é a melhor TV do Brasil. Aliás, você já viu uma revista boa? Jornal Bom? Não existe. Mas até aí todo normal, afinal, ninguém lê jornal mesmo. Exceção feita a professores de cursinho, entrevistadores de emprego e o Max Gehringer.

Pra dizer a verdade, a humanidade. Como podem dizer que a humanidade triunfou uma vez que ela nunca fez nada de bom? Descobrem a cura da AIDS. Foi uma fraude. Foram feitas manipulações anti-éticas no laboratório para obter esse resultado. Um vídeo engraçado é fake. Tudo o que está sendo feito, está sendo errado. No entanto, as pessoas continuam aí, fazendo filhos para que a humanidade prossiga, cometendo erros.

Por outro lado, veja o CH3. Geralmente temos uma popularidade boa, as críticas positivas são superiores as negativas – e geralmente não conseguimos entender o que as negativas estão querendo dizer. Apesar disso, ninguém entra, ninguém lê, ninguém comenta. Acho que a solução é fazer um blog bem ruim. Colocarmos fotos de vasos entupidos, piadas sobre pontinhos brancos. Quem sabe, alcemos rumo ao sucesso de impopularidade.

Afinal, o que é um ponto preto na salada?
R: Coliforme fecal.

Curte aí, pô.

domingo, 27 de março de 2011

Mitos e verdades sobre o mosquito da dengue

Muito se fala sobre o mosquito da dengue. Não, eu não estou brincando. Realmente se fala muito sobre o cidadão. Por vezes se fala sem conhecimento de causa, muitas vezes o mosquito é vítima do senso comum. O CH3 apresenta aqui um texto final, que responderá quaisquer dúvidas que possam existir a respeito desse ser.

O Mosquito da Dengue só age em baixas alturas?
De fato, o mosquito não consegue alçar vôos altos. Em tese ele não conseguiria subir além do primeiro andar naturalmente. Mas, ele pode pegar o elevador e atacar o prédio inteiro. Ele também poderia subir pela escada, mas todo mundo sabe que subir pela escada cansa muito mais. Voar, voar, subir, subir. Já dizia o Sonho de Ícaro.

Qual é o raio de ação do mosquito?
Normalmente o mosquito não voa além de 3km por conta própria. Mas o mosquito pode pegar carona em ônibus, carros e até mesmo, porque não, em aviões e espaçonaves. Indo, conseqüentemente, para qualquer lugar do país, do mundo e da galáxia – desde é claro, que os seres humanos proporcionem essa chance ao mosquito.

E isso pode gerar problemas diplomáticos?
Sem dúvida sim. Se você fosse presidente de um país e descobrisse que mosquitos da dengue têm entrado ilegalmente no seu território, como você reagiria? Provável que seja criada alguma burocracia diplomática para resolver esse problema. Mosquitos não costumam a ter passaportes.

Qual é o signo do mosquito?
Bem, qualquer um. Eles nascem todos os dias, em todos os meses. E eles não acreditam nessa bobagem.

Ele pica de noite?
Pica sim, mas apenas a senhora dona mosquita, esposa dele. É uma intimidade do casal que deve ser respeitada, como toda pica de noite.

E o mosquito é bom de cama?
Existem mais mosquitos do que seres humanos no mundo. Pense nisso.

Ele torce para algum time de futebol?
Por conta das listras em preto e branco o mosquito tende a torcer pelo Atlético-MG ou para o Botafogo. Como eles vivem apenas 40 dias, eles estão acostumados a não ver seus times serem campeões. Mas isso não implica em preferências futebolísticas na hora de escolher suas vítimas. Flamenguistas são as vítimas preferenciais, mas é apenas uma questão estatística.

Comer alho espanta o mosquito?
Depende. Se você comer um dente inteiro de alho você espanta o mosquito sim. E também o seu cachorro e toda a sua família. É muito provável que você tenha que, inclusive, jogar a sua escova de dente fora.

O Tipo Sanguíneo influencia?
Não. Assim como já foi dito que o mosquito é um profissional, ele também é total flex. Tipos negativos costumam a gerar problemas digestivos, mas nada que um engov ou um Activia não resolva.

O mosquito mata?
Não. O mosquito só faz o furo, quem tira a vida é deus. Não é nenhum caso na história de alguma pessoa que tenha sido morta por picada de mosquito. Como mosquitos não têm porte de arma, eles não têm outra forma de ataque. Portanto isso é uma lenda.

Ar Condicionado mata o mosquito?
Sim. Se por algum acaso o aparelho cair da parede em cima do mosquito, o mosquito morrerá. Você também teria boas chances de morrer, caso isso acontecesse com você. Em qualquer caso, consulte esse post do CH3 para saber como acabar com o problema.

O mosquito só se desenvolve na água limpa?
Bem, se você perguntar pro mosquito se ele quer água limpa ou suja, é claro que ele vai responder que prefere a água limpa. Você também preferiria. Mas, é preciso sobreviver de algum jeito. Portanto, se só tiver água suja no lugar, ele vai usá-la. Logo, não acredite no seu cunhado que disse que não deu descarga pra se prevenir contra o mosquito da dengue.

Se você tem mais alguma dúvida, pergunte para nós. E que nós, bem, nós responderemos.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Do you speak CH3?

Nos últimos meses tenho percebido que cada vez mais pessoas entram no CH3 pela tradução do Google. O que isso significa? Uma evolução nas traduções da internet gerando uma comunicação global? Ou é apenas um exagero meu afirmar que cada vez mais pessoas entram assim no CH3, só porque agora temos uma visita desse tipo por mês, enquanto antigamente não tínhamos nenhuma?

Pouco me importa. O que me importa é que cada vez mais o CH3 começa a dominar o mundo. No ritmo em que estamos, meu bisneto deverá ser eleito líder de sala como prova de nossa influência mundial. Estamos incomodando cada vez mais pessoas de outros países. Imagine um americano traduzindo a prática do jornalismo para sua monografia:

“The journalist does not live. He is here only to determine materials and interviewing people. All the time. The journalist does not eat, and do not have sex. Unless it is to get the cover of newspaper, magazine. The journalist also never sleeps. This time is dedicated to thinking about staves. The dreams of a journalist has lead and sub-lead and are in an inverted pyramid.”

Problemas podem acontecer, caso o estrangeiro resolva traduzir os comentários anônimos, para ter noção da repercussão do post.

“min dech never lead to a matter as represented their gosada, + ja coma so he was naked, Resovia ACAV not with the mosquito, but finish reading at all since we spent so much time, so why not read + a bit, and finish reading its istoria. Danilo”

Logo uma verdade universal poderia ser traduzida para… o italiano, porque não?

“Come?!
Lavoro critico non è uno scherzo, né alcuna funzione che si basa su vecchi cliché e le abitudini pigre. All'inizio fino a quando non bene, ma in seguito trasformato il testo in un brutto scherzo e non le dimensioni. Si potrebbe essere divertente, ma non sanno nulla di essere un critico cinematografico, amico mio.”

Perceba como o CH3 ficou ainda melhor em italiano.

“FUNGHI: Questi funghi. Tutti sono commestibili. Ma alcuni sono commestibili solo una volta, un'esperienza fantastica. Indimenticabile per lo spirito e che credono nella reincarnazione, se mi capisci. I funghi per il tè sono facili da trovare. Cercateli in un campo, per evitare che questo campo è di calcio o rugby. Salutarli, e loro rispondono, sono buoni. Evitare di utilizzare il fungo stroganoff Sadia. Negli ultimi dieci anni, i funghi aveva scosso la sua immagine a causa della presenza di un esemplare in gioco omosessuale Mario. Sapete cosa.”

Infelizmente, o CH3 não funciona bem em espanhol. Uma língua naturalmente engraçada. Mas nada é perfeito.

“La gente habla siempre y cuando aprendió a hablar. La gente habla ahora en Indonesia, las Bahamas y se pierde, incluso los monjes que hacen voto de silencio está hablando ahora ocultos. Nadie puede denunciarlo en el riesgo de infligir también su voto. Nunca se sabe lo que la gente esté hablando. Incluso si son tus amigos, familiares. Usted no recordará cualquiera de sus conversaciones. En general, van y vienen como las olas (cantar).”

Perceba como o mesmo fragmento soa genial em francês. Até poético. Falam que Paulo Coelho soa muito bem em francês. Isso deve explicar muita coisa.

« On parle aussi longtemps qu'ils ont appris à parler. On parle aujourd'hui en Indonésie, aux Bahamas et manque, même les moines qui font vœu de silence parlons maintenant caché. Personne ne peut les dénoncer au risque de leur infliger également vote. Vous ne savez jamais ce que les gens parlent. Même si elles sont vos amis, parents. Vous ne me souviens ni de leurs conversations. En général, ils vont et viennent comme les vagues (chanter). »

E melhor ainda em alemão. Na língua germânica, o CH3 parece um tratado filosófico. Esse trecho traria relevância intelectual para o fetiche por balões

“Schließlich ist die Fetisch für Luftballons. Es ist ein umstrittenes Thema, und umstritten, so dauerte es uns um die Angelegenheit zu besprechen und zu veröffentlichen. Für uns heute kann es seltsam und bizarr Erfahrung scheinen sexuelle Lust, wenn jemand kommt in Kontakt mit Ballons (ja, diese bunte Luftballons Geburtstag). Aber das Merkwürdige ist, dass dieser Fetisch noch im mittleren Alter, wenn die Ballons nicht aus Gummi entdeckt, aber die Blase der Tiere. Zwar war damals viel schlimmer. In unserer modernen Zeit haben wir Latexballons super flexibel und antibakteriell, was die Praxis der Sex mit Luftballons mehr hygienisch, sicher und macht Spaß.„

Experimente a sensação traduzindo de volta para o português.

Oui, ce poste a été la plus profonde gimmickry. Mais avant de me critiquer, essayer de me doubler, salaud!

quarta-feira, 23 de março de 2011

Mundo Paralelo

Quando você é criança, você estuda uma série de matérias bobas. Estudos Sociais, Programa de Saúde, Ciências. Na medida em que você vai crescendo a História e a Geografia entram na sua vida. E então a Biologia, logo depois a Física e a Química. Essas duas últimas transformarão a sua vida em um inferno.

Começará tranquilamente. Você terá que decorar algumas fórmulas sobre velocidade, conversão de medidas, reações entre ácidos e bases. Você escutará falar sobre “condições ideais” e isso nada tem haver com um jantar de massas finas acompanhado por vinho tinto e um CD do Barry White. As três leis de Newton, a eletricidade. Logo sua vida será lotada por assuntos que nunca passaram por sua cabeça, e você depende deles para sobreviver – no sentido em que, se você não souber, você reprova.

A Física é uma coisa doentia. Não é a toa que a parte mais difícil da Química é a físico-química. Físicos são pessoas de mentes pouco sadias. Felizmente os aspectos mais perturbados da Física não são ensinados no colégio. Coisas como a Teoria das Cordas¹. Para entrar nesses aspectos, você assina um termo de compromisso e entra na Faculdade de Física. Um detalhe curioso: não existem exames psicotécnicos para a contratação de físicos.

E dentre todas as teorias a mais bizarra é a que diz sobre os Mundos Paralelos (Ok. Existem os Buracos Negros. Procure e leia sobre isso na internet e o provável resultado é uma lobotomia).

Segundo essa teoria, teríamos nesse exato momento uma Realidade Paralela em outro Mundo, em outro universo. Com as mesmas pessoas realizando as mesmas coisas que você. Já imaginou? Pois é. Melhor não. Ou então, nesse mundo, as coisas seriam completamente diferentes. Seria o mundo do espelho? Por lá:

- Pai Jorginho de Ogum, Marcão e Hanz seriam estudantes de Comunicação, com um Blog, o 3HC, sobre um Cachorro e um boneco de isopor e três humanos sem braços. E esse blog faria sucesso.
- O Filme “A Rede Social” narraria a trajetória de sucesso de Orkut Buyukkokten e como ele revolucionou a arte de fazer Trava Linguas.
- Patrícia Amorim desceria de helicóptero na Casa Branca, sob um forte esquema de segurança e ganharia uma bandeira dos EUA de Obama.
- Muammar El Qadhafi teria um só nome e lideraria uma revolução líbia contra as ditaduras mundiais impostas por Baraque Obbama e Nikholás Sarcqozzy.
- José Serra seria a primeira presidente mulher do Brasil.
- Várzea Grande seria uma cidade sem buracos no asfalto.
- As adolescentes vibrariam com a sensual careca de James Taylor, enquanto Justin Bieber seria o maior sucesso nos bailes da melhor idade.
- As nevascas proporcionariam o primeiro congestionamento da história de Cuiabá.
- Paranatinga seria eleita a sede da ONU.
- Jornalistas ganhariam salários milionários e seus jornais teriam enorme relevância pública.
- Publicitários seriam pobres coitados que vivem na miséria em regime de trabalho escravo. É, algumas coisas nunca mudam.
- Esse post seria bom e teria comentários.

¹Teoria que estuda objetos unidimensionais que evitam problemas relacionados a partículas de dimensão zero. Uma teoria que incluí férmions e geometria algébrica. Eu mesmo, perdia minha capacidade mental despois desse paragafro.

segunda-feira, 21 de março de 2011

O importante é que emoções

O tempo passa rápido. Palavras, expressões, hábitos de uma geração se tornam coisas do passado com uma velocidade cada vez maior. Aquilo que era normal há pouco, hoje parece coisa de outro mundo. Nossos tataravôs vivam a incrível sensação de andar numa carroça. Nossos pais a de mudar o lado do vinil. Pois hoje em dia, experiências de 10, 5 anos, já ficaram para trás.

O disquete vai funcionar? Você salvava a apresentação em Power Point com fundo de mar no disquete. Chegava na aula e o disquete não abria. Salvava em dois disquetes e os dois não funcionavam. Estatísticas apontam que 78% dos disquetes não funcionavam em momentos cruciais. “Grava em CD!” você pensa. Eles custavam pelo menos R$ 2,50. Pen Drives ainda demorariam 3 anos para aparecer, tinham 128MB de espaço e custavam uma fortuna.
A internet vai conectar? Você abria o seu discador. Digitava o nome de usuário e senha. O barulho começava. Um barulho infernal que a casa inteira escutava. E... falhou. Depois de algumas tentativas, você conseguia. Mas logo caia. Era lento e era caro. A internet já foi discada. E, acreditem, só no ano passado 997 pessoas entraram no CH3 assim. Inclusive na Europa.

Assistir o Cine Prive. Sábado à noite você ia para a cama, mas ficava acordado esperando que todo resto da casa fosse dormir. Quando esse momento finalmente chegava, você ligava a TV na Bandeirantes e lá estava: Emmanuelle. Ou outros similares. Filmes bestas, alguns podiam passar até na Sessão da Tarde. Mas seu coração batia forte com medo de ser pego nessa situação. Seus ouvidos atentos como nunca, a TV no mudo e uma dúvida cruel: o que aqueles velhos conversavam no avião?

Assoprar o cartucho. As fabricantes avisavam que aquilo não devia ser feito, porque era ineficaz e podia estragar o produto. Você da era do videogame de CD e Blu-ray nunca vai experimentar isso. O cartucho não estava funfando, você assoprava. E o pior é que, apesar das contra-indicativas, sempre funcionava!

Ver se as fotos ficaram boas. Vai lá na loja de fotos pegar o filme revelado. Uma tensão. Droga, a foto com todo mundo na varanda queimou. Mas a foto do parabéns ficou muito boa. Droga, um dedo na frente e o vovô ainda piscou.

Abrir espaço no e-mail ou no HD. Foi um espaço bem curto na história da humanidade. Lá por 2003, 2004. Muitas pessoas ainda não tinham entrado na internet, só a conheceram a partir da era do espaço ilimitado. E antes, quando o HD tinha espaço de 2GB? Menor que um DVD. E os e-mails tinham limite de 6 megas, mal dava para uma mp3. Isso porque era o Yahoo, maior espaço. Chegava uma hora que o espaço acabava e você tinha que fazer uma limpeza. Os arquivos da lixeira, os arquivos temporários, arquivos da internet. Até uma hora em que assim mesmo, não tinha espaço. E no e-mail? Sempre tinha um sacana que mandava um slide gigante e entupia sua caixa.

Eu vivi, bicho.

***
E o CH3 chegou no Facebook. Sim, já faz algum tempo. Mas você que não sabe, pode clicar AQUI e curtir a gente.

sábado, 19 de março de 2011

A Indústria da Multa

O Brasil é um país curioso. Muito se fala que aqui as regras não são cumpridas, que falta fiscalização, sobra impunidade. Mas, no momento em que se pensa em fiscalizar algo a certeza é de que há algum esquema por trás disso. Nunca fizeram nada, porque vão fazer apenas agora? Poderia se pensar que, afinal, é preciso começar um dia. Mas o pior é que as dúvidas costumam estar certas. Geralmente há um esquema por trás disso.

Não é a toa que aqui é um ótimo país para a propagação de teorias da conspiração. Fulano deixa um cargo e alega cansaço. A certeza geral é de que não estava cansado nada, tem algo por trás disso. O que é eu não sei, mas que tem, tem. O Fulano pode até mostrar exames médicos mostrando que ele estava prestes a ter um colapso cardíaco e mental. Com certeza os exames foram pagos. O sistema é foda parceiro.

E o trânsito é o lugar perfeito para isso. Afinal o trânsito é o lugar onde nos tornamos irracionais. Como já mostrava esse clássico e ainda atual vídeo do Pateta.



Não há ninguém para controlar esses bárbaros. Um único policial para prender àqueles que avançam sobre a faixa de pedestres. Um único fiscal para multar quem para em lugar proibido e congestiona a via expressa. Ninguém para conter esses loucos que correm por nossas avenidas como se estivessem no comando de um Fórmula 1. Isso é claro, até o momento em que você é multado por parar na faixa amarela. Sendo que você foi apenas deixar um papel, um minutinho. Até que se coloquem radares na cidade.

Radares eletrônicos devem ser um dos grandes temas de debate do mundo. Os dois lados do yin-yang. Políticos se orgulham por ter tirado os radares da rua e terem acabado com a Indústria da Multa. Canais de televisão se dizem ao lado da sociedade e cobram a volta dos mesmos. Você nunca terá argumentos suficientes para discutir se radares devem ou não ser utilizados. Descobrir essa solução é a resposta para o dilema universal. É se tornar o homem mais próximo de Shaka de Virgem.

Pois, a Indústria da Multa. Essa empresa sem CNPJ. Alvo de incontáveis matérias em programas de televisão (não necessariamente os que defendem a volta dos radares). Ela realmente existe? Como funciona? Mas é claro que ela existe. E a maneira como ela funciona é que nós iremos mostrar a partir de agora.

Perguntamos a uma fonte nossa, secreta e não identificável e ele nos deu a resposta. Levou-nos até o lugar onde as multas são fabricadas. Apresentou-nos a Beth. A chefe dessa Indústria. Ou não, é apenas uma funcionária que cumpre com suas funções burocráticas. O trabalho de Beth é o seguinte: Todo dia, chegam a ela as notificações das multas aplicadas na cidade. Parados em lugar proibido, desrespeito a sinalização.

Com a placa do veículo, o horário e a infração, ela joga as informações no sistema, gerando a multa. O próximo passo é colocar uma folha de papel A4 na impressora e clicar Ctrl+P (Beth é experiente. Conhece os atalhos). A multa é então impressa. Existe outra máquina que dobra e cola o papel, gerando aquelas linhas pontilhadas que nunca rasgam no lugar certo.

Estávamos diante de um absurdo. Então é dessa forma que essas linhas são feitas? Perguntamos a Beth porque nunca fazem um serviço decente, qual eram as intenções dela e da sua Indústria em fazer com que pessoas rasguem o papel e tenha que juntar os pedacinhos para ler as informações? Pressionamo-la, mas ela chamou o segurança que nos retirou do local, sem as respostas.

Sem dúvida, há muita sujeira por trás da Indústria das Multas.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Ombudsman da Humanidade

Recentemente, se popularizou no Twitter uma declaração do Lobão, segundo a qual, o Brasil passa por um momento chato, extremamente politicamente correto. Segundo ele, está ocorrendo uma lucianohuzckzação da sociedade. A frase logo entrou pro rol das grandes frases da humanidade e capaz de que tenha criado Igrejas, Partidos Políticos e ONGs sobre o tema.

Lobão está em voga por conta da sua recém-lançada autobiografia. Todos os dias aparecem entrevistas suas nos mais variados meios de comunicação. Se você ler o seu livro, você irá descobrir que Lobão é cantor. Sim, é difícil perceber isso, porque a impressão atual é a de que Lobão é apenas um ombudsman da humanidade.

No mundo do jornalismo, o ombudsman é um cara chato que tem um emprego ideal. Sua função é criticar as posturas do jornal. Ele deve destacar todas as mazelas da mídia. Se indispor com os colegas e ainda receber dinheiro para isso. O próprio CH3 tem seus ombudsmen voluntários espalhados pelo país.

O ombudsman da humanidade faz justamente isso. Ele deve criticar todas as mazelas da sociedade, todos seus erros, seus processos miseráveis. Isso não significa que ele deva ter alguma solução para o problema. Ele apenas critica.

E Lobão (que atualmente tem adotado um visual bem estranho) é o principal expoente dessa extirpe que teve origem no Papa. Sim, durante muito tempo o Papa exercia a função de Ombudsman, mas a Igreja perdeu a importância e hoje ninguém liga se ele diz que camisinha é pecado.

Quem atinge esse posto, tem seu passado esquecido. Lobão realmente foi um cantor. Seu maior sucesso é a canção “Me Chama”, que você conhece, tenho certeza. Mas quem se lembra disso? O que vemos agora é apenas sua figura excêntrica retuítada em demasia com declarações polêmicas sobre a política, a cultura, a paçoca.

Arnaldo Jabor já foi durante um tempo o ombudsman mor do Brasil. Era certeza absoluta de que o tema mais importante do dia receberia uma crítica ácida do Jabor. Alguma coisa teatral que terminaria com uma reflexão. Até que ele voltou a ser cineasta (ninguém lembrava que ele já havia sido um), função na qual ele não aceita críticas.

Você pode conhecer alguém assim. Aquele seu amigo chato que tem opiniões sobre os terremotos no Japão, o Mubarak, a Rebecca Black, as tensões étnicas na antiga União Soviética, arte cubista e o documentário sobre o Justin Bieber. Provável que o Jabor e o Lobão tenham começado assim.

Imagino que exista uma ampla rede de colaboração de ombudsmen pelo Brasil e pelo mundo. Não necessariamente da humanidade, pode haver uma colaboração segmentada. Ombudsman do Futebol, Ombudsman da criação de gado leiteiro. Todos dizendo que nada está certo.

E quem estaria por trás dessa rede mundial? Sem dúvidas, a OAB. Imagino que o verdadeiro significado para a sigla seja Ombudsmen Associados do Brasil. Eles têm opinião para tudo. Rebelião em presídio, exposição midiática do caso Eloá, venda de sentenças, a escalação do Felipe Melo na última copa. É provável que se você ligar para a OAB pedindo opinião sobre um Miojo que você fez, eles irão dizer que estava uma merda e que você não espalhou o tempero direito.

Quando alguém se torna Ombudsman da Humanidade, ele vira uma fonte oficial para jornalistas. Seu editor pediu mais uma fonte para sua matéria? Ligue para um deles. Eles irão embasar seu texto. Se nós ligássemos para a OAB, eles diriam o que acharam desse post. Não vamos fazer isso, mas se você quiser, pode fazer e nos contar como foi.

Sobre o visual estranho

terça-feira, 15 de março de 2011

Sobre música e tragédias

A música brasileira é freqüentemente apontada como uma das mais criativas do mundo. Estrangeiros adoram a ginga da música baiana e dezenas de artistas brasileiros já vieram ao Brasil para gravar com o Olodum ou se inspirar no ritmo daqui. A clássica Sympathy for the Devil dos Rolling Stones foi inspirada, segundo a lenda, por uma passagem de Mick Jagger e Keith Richards pela Bahia.

Nossa miscigenação e nosso clima são os principais fatores. A mistura de raças num clima quente teria criado todo gingado do Brasileiro. Pode até ser verdade. Mas o axé também é marcado por suas letras descontraídas, sem compromisso, para que a pessoa possa apenas dançar com ela. Axé com tema político só combina com jingle de presidente.

E ai entra um fator importante. O Brasil, este país abençoado por deus e bonito por natureza, é desprovido de fenômenos naturais. Não existem vulcões por aqui e nós estamos longe das junções de placas tectônicas, distantes de terremotos e maremotos. Até mesmos os tufões, furacões, tornados e ciclones estão apenas começando a aparecer. Isso faz com que temas que seriam pesados em outros países, se tornem leves por aqui.

Em 2002, no auge do sucesso do Brasil na Copa do Japão e da Coréia, este hit de Ivete Sangalo tocava incessantemente nas rádios e TVs:

“Tem gente de toda a cor. Tem raça de toda a fé. Guitarras de Rock ‘N’ Roll, batuque de candomblé. Vai lá, pra ver a tribo se balançar e o chão da terra tremer. Mãe preta de lá mandou chamar. Avisou que vai rolar a festa”.

Se fosse o Japão fazendo sucesso na Copa do Brasil, a música não existiria. Sim, deve não haver tantas raças, nem candomblé no Japão. Mas a parte que sugere que vá se ver a tribo balançar e o chão da terra tremer, seria considerado meio mórbido pelos japoneses.

Tal qual um sucesso de 10 anos atrás do Tchakabum, Thackabun ou o que for. Aquele que dizia “Onda, onda, olha a onda” acompanhado de palminhas. Se o ilustre vocalista da banda cantasse isso em Sendai era capaz de que a platéia começasse a correr desesperadamente e começasse a escalar os lugares mais altos para escapar da Tsunami.

Isso também aconteceria quando aquela banda que cantava “É bomba, para dançar isso aqui é bomba, taratatata é bomba! Beterabaaba parapa É BOMBA” cantasse nos Estados Unidos, Espanha ou Oriente Médio. Seria um desespero danado e o cantor ainda seria preso, interrogado, torturado e mandado para Guantánamo. Mas, deixemos as questões políticas de lado.

O clássico do Cheiro de Amor “Vai Sacudir, Vai Abalar, quando o meu amor passar” também não seria bem aceito. Assim como uma música do Harmonia do Samba que diz “Levando tudo, quebrando tudo, jogando tudo pra cima”. Ou até mesmo o clássico do Legião Urbana “eu deixo a onda me acertar e o vento vai levando tudo embora”. Uma família que perdeu tudo em um furacão acharia que Renato Russo é um piadista de mau-gosto.

Assim como os dinossauros não achariam graça em ver Luan Santana cantando “você foi raio de saudade, meteoro da paixão”. Eles bradariam “você não sabe o que é um meteoro!”.

Funciona assim. Não temos vulcões e terremotos, mas temos o Luan Santana e a Câmara dos Deputados. Nada é perfeito.

domingo, 13 de março de 2011

Dia-a-dia

Domingo: É provável que graças à desinformação, calendários moderninhos ou observações empíricas, muitas pessoas acreditem que a semana começa na segunda-feira. O que, é claro, está longe de ser verdade. A semana começa no Domingo. E como todo começo, ele é difícil. Apesar de ser dedicado ao ócio, o domingo é um dia de depressão. Porque no domingo, nós sabemos que a paz acabou e sabemos aonde estaremos na manhã seguinte. Um dia recheado de programas fatigantes, Faustão, Milton Neves e outras figuras desanimadoras aparecem na sua frente. Até o momento do Fantástico. O marco simbólico que decreta que sua rotina começou. Termina o sofrimento por antecipação, começa o sofrimento de verdade.

Segunda-Feira: O dia mais odiado da semana. Um ódio amplamente descrito na literatura universal. Depois de dois dias acordando tarde, você volta a acordar cedo. Encara seus afazeres com o mal-humor típico dos insones. E ainda carrega dentro de si o amargor por saber que ainda falta tempo, muito tempo até o próximo fim de semana.

Terça-Feira: A terça-feira é indubitavelmente o dia mais insignificante da semana. Dia que não tem nenhum charme. Nada que possa te fazer amá-la ou odiá-la. É longe do fim de semana? É, mas nem tanto. Você já dormiu um pouco melhor. Não é o dia do futebol ou do que quer que seja. Não existe nada na Terça-Feira. Um dia de Robins e Xavecos.

Quarta-Feira: Costuma a ser dia de promoção no cinema e de futebol a noite na TV. O que faz com que a quarta-feira seja um dia adorado por homens e odiados por mulheres, que deixam de ir no cinema, porque os namorados/maridos estão assistindo a décima terceira rodada do campeonato paranaense.

Quinta-Feira: Um dia próximo ao fim de semana – sinônimo de glória, júbilo e libertação. Um dia de sorrisos escondidos e comemorações contidas, marcados pela ansiedade pela chegada da sexta-feira.

Sexta-Feira: Dia amplamente comemorado por pessoas das mais diversas classes, culturas e religiões. Celebrados pelos mais variados artistas, cantores e poetas do Brasil e do mundo. O dia em que tudo se termina e a pessoa pode se dedicar a perdição do fim de semana. Algumas pessoas nem trabalham direito, de tanto que pensam na sua folga. Principalmente deputados e senadores. Por outro lado, se você tiver o azar de ter aula no sábado na faculdade ou ter jornada de 44 horas semanais, sua sexta-feira será de depressão e celebração aos infortúnios da vida que te colocaram nessa situação.

Sábado: Você tem que justificar toda a empolgação da sexta-feira. E fazer com que esse dia seja um pequeno carnaval semanal em sua rotina. Mas, como já foi dito, se você acordou cedo no sábado, passará a noite com sono e sua vida será uma merda completa.

***
E o CH3 chegou no Facebook. Sim, chegamos em mais uma mídia social. Um termo bonito para descrever essas nossas besteiras cotidianas que ocupam nosso tempo na internet. Você pode clicar AQUI e curtir a gente.

Eu sei, é esquisito falar que você curte a gente, pode deixar que não iremos imaginar que vocês estão nos dando mole, caso vocês façam isso. Já temos as expressivas marcas de 38 membros na comunidade do Orkut, 51 seguidores no Twitter e 19 seguidores no Blogger. Queremos chegar a 25 no Facebook para poder dar um nome para a página.

E você, o que você ganha se nos curtir por lá? Nada, talvez. As nossas atualizações aparecerão diretamente para você. Teremos a oportunidade de atormentar-vos em mais um lugar. Com nossos posts, vídeos e o que mais o tal do Facebook permitir. Na verdade, estamos lá por pressão social, já que hoje, para existir, você precisa ter um.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Morte Anunciada

Os perfis sobre a vida de José Alencar já estão prontos há algum tempo. Sua vida, seus feitos, sua obra. Não, não falo do escritor, autor de clássicos da literatura como O Guarani, Iracema, a Viuvinha. Ele também tem dezenas de estudos relacionados sobre sua pessoa e provável que um par de livros com sua biografia. Falo mesmo do ex-vice-presidente do Brasil, que ainda está vivo enquanto esse post é publicado.

Os seus problemas de saúde são conhecidos. Dezenas de cirurgias, anos convivendo com um câncer e incontáveis internações no hospital Sírio-Libanês de São Paulo. Tantas internações que, caso entrar no hospital contasse milhagens, Alencar já poderia ter dado a volta ao mundo quatro vezes.

Já até deixou de ser notícia o fato de que Alencar é internado no hospital, ainda mais agora que ele se transformou em ex-vice-presidente. Mas o fato é que o seu perfil, sua nota fúnebre já está pronta há alguns meses, quiçá anos. Dizendo o que ele fez de bom, sua trajetória e sua luta contra a doença. Só falta completar com a data e o local. Jornalista nenhum negará isso. É provável que no final do ano passado, algumas revistas tenham sido diagramadas com a nota, depois que os médicos chegaram a preparar as pessoas para a notícia.

É um caso curioso quando alguém tem uma morte anunciada. Que está claramente num estágio irreversível de sua doença e que logo morrerá. Jornalistas fazem plantão na porta do hospital para trazer as notícias, fazer entradas ao vivo nos telejornais. E o mórbido da situação é que a notícia esperada é a morte. Talvez seja um exagero dizer isso, mas se espera que o cidadão morra para poder dar a notícia.

Ninguém vai para um hospital onde um doente terminal está internado, para noticiar que ele se recuperou. A expectativa é que a pessoa morra, para furar os colegas, captar o choro e a comoção dos familiares. Mas não dá para marcar hora com a morte.

Enquanto o Papa João Paulo II agonizava em 2005, William Bonner foi até o Vaticano para cobrir a morte. Aquela situação chata, o papa aparecia cada vez menos e suas aparições pareciam mecanizadas. Mas ele não morria. Bonner deve ter ficado umas duas semanas apresentando o jornal da Praça São Pedro. Fez matérias sobre as pessoas, sobre as ruas. Sobre a Itália inteira, porque o papa não morria.

Em certo momento, ele chegou a falar algo como “a expectativa é de que o papa morra nessa madrugada”. Uma expectativa difícil de ser mensurada. Nas transmissões de Fórmula 1, Galvão Bueno dizia “a expectativa sobre a saúde do Santo Papa, João Paulo II, que pode falecer a qualquer momento”. Só faltou instalarem câmeras dentro do santo quarto.

É uma situação estranha. Quando a morte de alguém é anunciada, ninguém consegue tirar do canal. Mesmo que as imagens mostrem apenas cenas da janela do hospital onde o paciente estava internado. Que o apresentador não fale nada, apenas coisas como “Taí. O falecimento de Alfredo. Ator, poeta, escritor. Nossos sentimentos aos familiares” com uma voz grave.

Melhor (Melhor?) ainda se o fato que proporcionou a morte puder ser transmitido. Em 2009, o piloto Felipe Massa foi atingido por uma mola na cabeça (uma prova de que aqueles que ficam atrás de Rubens Barrichello são punidos). Um helicóptero o levou ao hospital, enquanto Galvão Bueno dizia algo como “vai helicóptero que leva o nosso Felipe. Esperamos que logo você o traga de volta”. Os jornais davam entradas a cada 10 minutos mostrando o hospital. Os médicos diziam “olha, boletim médico daqui a 2 horas, mas já avisamos que só poderemos falar sobre seqüelas e danos daqui a 24 horas”. Mesmo assim, as entradas não paravam. Sempre falando a mesma coisa. Ninguém quer perder a oportunidade de anunciar a morte de alguém em primeira mão.

Algo muito mais difícil nos tempos do Twitter.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Apuração

O CH3 não é um blog que gosta de carnaval. Mas, isso não significa que nós o odiemos. A vida não é uma comunidade do Orkut, na qual se ama ou se odeia. Para nós, tanto faz se é carnaval ou não.

Você então nos pergunta: “então, porque vocês fazem tantos posts sobre o carnaval?”. É uma questão de logística. Na época do carnaval, as pessoas estão mais preocupadas em contrair doenças venéreas e entrar em coma alcoólico. Então, nossos fiéis visitantes, cada vez mais escassos, nos abandonam. Para tentar manter pelo menos 100 visitas diárias, escrevemos sobre o carnaval para atrair visitantes do Google, mesmo que eles não fiquem muito tempo por aqui e amaldiçoem nossas gerações.

Mas agora, o carnaval está terminando. Só falta um punhado de apurações aqui e ali para que a vida volte para a sua normalidade. É um evento fascinante. Dezenas de quesitos de difícil compreensão, julgados por pessoas de capacidade técnica duvidosa. Temos o quesito bateria. Para analisá-los, teremos músicos, ritmistas? Não necessariamente. Teremos atores pornôs, dentistas. Pessoas que se repetem todos os anos. Imagino que ser julgador de carnaval é igual a ser mesário. Se você for escolhido uma vez, jamais poderá escapar.

Um evento tenso que atrai os olhares da mídia. Para antecipar o seu resultado, fui conversar com Pai Jorginho de Ogum. Uma figura histórica do carnaval de Paranatinga. Já foi mestre-sala da Unidos do Sapo Louco e durante anos foi jurado dos desfiles de tal cidade. Até o momento em que todos os membros do CH3 foram declarados personas non gratas por lá. Tal fato faz com que Jorginho até hoje guarde uma mágoa por mim.

Dirigi-me até a casa de Pai Jorginho com um pensamento e apenas um pensamento na minha cabeça. Chegando lá, encontrei sua casa com as portas abertas. Cão Leproso dormia estirado sob a sombra de um cajueiro, ao lado de Marcão. O Pansexual estava desaparecido desde sexta. Já Alfredo Chagas estava vasculhando o Facebook de alguns correligionários. Foi então que vi Pai Jorginho de Ogum, com suas tradicionais roupas de viado velho e cara de ressaca.

Foi neste momento em que tudo se esclareceu em minha cabeça. Perguntei a Jorginho se ele era parente do Qhadaffi. Jorginho desconversou e perguntou o motivo de minha nobre visita. Disse que queria saber o resultado do carnaval carioca. Ele me disse “mas você nem gosta de carnaval”. Não neguei. Perguntei se ele também não gostava. Ao que ele me respondeu “se você soubesse o que eu já fiz por conta de carnaval”.

Deixei as amenidades de lado e perguntei logo: “afinal, quem será a campeã do carnaval carioca de 2011?”. Sem titubear ele me disse “A Beija-Flor”. Questionei-o se ele aquilo não era um palpite, ao invés de uma previsão. Ele me disse que tanto faz, que para ele, palpites e previsões são a mesma coisa. “Eu vejo o futuro. O tempo todo”, me disse.

Mas, logo ele se deu conta do risco de seu palpite enfático e completou: “mas, coloca aí que Unidos da Tijuca e Mangueira não podem ser descartadas”. Perguntei onde estava sua confiança anterior e ele tergiversou “sabe como é, o futuro pode ser transformado por modificações de uma última hora definitiva”. Aceitei sua proposta e saí sem pagar, como sempre faço nos últimos tempos. Jorginho tem um rendimento forte com sua empresa de entretenimento adulto e atualmente, faz previsões por hobbie.

Prova disso, é que antes de sair ainda vi um iPad sobre a mesa de Jorginho. Pensei então naquela situação. Se ao contrário do que eu penso, eu é que sou o personagem de um blog mantido por Jorginho de Ogum.

Dêem suas notas ao post, julgando os mais variados atributos.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Constituição de Carnaval

Talvez vocês não saibam, mas existe no país uma constituição militar que deve ser aplicada durante os períodos de guerra. Eu descobri isso no mesmo dia em que descobri que aquelas representações caricatas de militares que falam gritando e expelindo perdigotos na tentativa de mostrar sua autoridade não são apenas piadas. É a mais pura verdade.

Eu estava me apresentando para o serviço militar, do qual fui dispensado. Quando um sargento/coronel/tenente/bichavelha apareceu para dizer que antes de sermos dispensados, seríamos obrigados a escrever a palavra exceção. E aqueles que escrevessem essessão seriam forçados a limpar as privadas do quartel e enfiar a mão naquela bosta toda. Explicou que nós estávamos temporariamente dispensados do serviço militar, mas, caso o país entrasse em guerra, poderíamos ser chamados. E, segundo ele, a guerra poderia começar a qualquer momento.

Ele ainda nos perguntou se existia pena de morte no Brasil. Diante da negativa, ele ridicularizou o ensino superior no país e afirmou que lógico que ela existe. Justamente durante a guerra, quando a lei militar impera. A pena de morte pode ser aplicada aquele que trair a pátria. Todo esse discurso tão 1964 foi interrompido para que pudéssemos assinar uma série de papéis. O milico discursador deve ter ido tomar barbitúricos.

Pois, fora a Constituição de Guerra, ainda existe no país a Constituição de Carnaval. Aplicada a partir do momento em que o prefeito dá as chaves da cidade para o Rei Momo. Já existiram cinco tentativas de golpe de estado nesse período e muitos Reis Momos já colocaram cidades dentro do caos administrativos. Só que ninguém percebeu, porque não era muito diferente do que os prefeitos já fazem.

O CH3 representa abaixo os artigos que fazem essa constituição, com as devidas observações sobre os mesmos.

Art. 1º A felicidade se torna obrigatória

No carnaval não se pode ser triste. Você não tem esse direito. Você deverá ser feliz o tempo todo. Deverá passar o tempo pulando, bebendo e cantando. Esconda suas lágrimas por trás de sorrisos.

Art. 2º Leis devem ser desobedecidas

Leis aplicadas durante o resto do ano devem ser desobedecidas. Isso incluí as leis de trânsito – não respeite semáforos, não de setas, ande na contramão, por sobre a calçada e acima da velocidade permitida. Você também pode andar nu em lugares públicos.

Art. 3º Vale tudo

E ao contrário do que diz a Lei de Gil, vale até dar o cu. Sob a desculpa de que no carnaval vale tudo. Você pode andar pelas ruas de madrugada debaixo da chuva, dormir em rotatórias, fazer sexo em canteiros centrais. Ninguém poderá te punir porque é carnaval.

Art. 4º O Trabalho não deverá ser exercido

Blogs não se atualizam, programas de TV não são apresentados ou tem duração mais curta. Os locais ficam fechados. Quem trabalha no carnaval tem direito a o fazer embriagado e tem direito a receber um salário por hora trabalhada. A lei tem suas exceções: garis, policiais e jornalistas.

Art. 5º As cidades pequenas devem promover grandes carnavais

Todas as cidades pequenas, normalmente esquecidas durante o ano e motivos de piada, se tornarão rotas de peregrinação, Mecas modernas, onde as pessoas irão em busca de diversão. O que acontece nessas cidades será lembrado apenas pelas suas ruas.

Art. 6º Quem sai na rua é pra se pegar

Se você está andando na rua, em um lugar onde outras pessoas estão, você dá a essas pessoas o direito para que elas te assediem. Se você está na rua no carnaval, esse é o seu objetivo. Não tente negar.

Art. 7º Curta coisas normalmente ridicularizadas

Durante o ano inteiro você fala mal de axé. No carnaval ele será valorizado como expressão de uma cultura popular, um ritmo marcante que demonstra toda a felicidade do povo baiano. E por aí vai.

O descumprimento desses artigos resulta em pena. Que vai desde a reclusão em abadas até a morte.

sábado, 5 de março de 2011

Botar No Bloco

“Eu quero é botar meu bloco na rua. Gingar para dar e vender”

Sérgio Sampaio foi um cantor e compositor capixaba. De nome, é provável que você não o conheça. E, assim como eu, é bem capaz que você jamais tenha visto uma fotografia do mesmo. No entanto, ele é o autor da música cujo refrão é citado acima. Um hit daquelas rádios especializadas em clássicos dos anos 70/80. Tal música, intitulada “Eu quero é botar o meu bloco na rua”, foi lançada em um álbum homônimo no ano de 1973.

Se Sérgio tinha ou não um bloco e se ele realmente queria o colocar na rua, nós não sabemos. Não sei se ele respondeu tal questão antes da sua morte, em 1994, ou se algum biógrafo, amigo próximo tem a resposta. Não sabemos sequer, se alguém já teve essa fundamental dúvida anteriormente. Como eu vou saber isso? O que eu ganho com isso? Talvez a letra seja apenas uma metáfora sexual (procure no Google, você vai entender¹).

Mas, caso esse bloco realmente existisse, é altamente provável que ele tivesse um nome pornográfico. Não sei o motivo, mas todo bloco de carnaval tem um nome sacana, erótico e até certo ponto, asqueroso. Imagino que exista um Acordo Internacional para a Fundação de Blocos Carnavalescos (AIFBC – e a frustrante arte de não criar siglas engraçadas) exista um artigo que obrigue a isso.

“Art. 7º. Todo Bloco Carnavalesco que for fundado a partir da presente data, deverá ter em seu nome um trocadilho erótico e/ou palavras consideradas de baixo calão, referentes às genitálias”.


Veja só, no caso do simpático e acolhedor município de Santo Antônio de Leverger, vizinho da nossa calorosa Cuiabá. Lá existem os tradicionais “Xana Xerosa”, “Pau Brilhoso” e “Seu que Brilha³”. Por toda região ainda existem os “Urubu Cetões”, o “Socar Alho” e o criativo “Há Jacu No Pau”.

Imagino que a culpa seja daqueles papos de “ah, carnaval, festa popular, alegria do povo, putaria desenfreada”. Os nomes dos blocos tentavam capturar essa aura engraçada, divertida, festiva, desenfreada do carnaval. Daí surgiram nomes como “Concentra, mas não sai”, “Me Beija que eu sou cineasta”, “Envergo mas não quebro” e “Suvaco do Cristo”.

Logo, os nomes foram ficando mais putões como “Vem ni mim que eu to facinha” e “Perereca Imperial”. Daí para a sacanagem explícita foi um passo. Imagino que os foliões (O Ministério da Saúde adverte: o uso do termo “foliões” deveria ser proibido pela convenção de Genebra) devam perder horas pensando em um nome bem sacana. Talvez seja mais fácil se você tiver um criador de nomes de filme pornô na equipe. Alguém que já criou pérolas como “Jorrada nas Estrelas” e “7 ânus no Tibete” deve ter facilidade.

O CH3 até pensou em criar um bloco de carnaval esse ano. Mas, paramos justamente na criação do nome. Não poderia ser um simples “Bloco da Alegria”. Houve a possibilidade de usar “Como umbu ser tão gostoso”, mas, era um nome muito longo e metade das pessoas não entendeu o trocadilho. Cão leproso, frustrado, foi enxugar suas lágrimas com o cancelamento do desfile.

Mentira. A gente não pensou em nada disso não.

¹Sempre que você sugere que uma música pode ter conotação sexual, as pessoas passam a acreditar. Quentin Tarantino demonstra isso em seu filme Reservoir Dogs².
²É altamente cult citar o nome do filme no seu original, para que vocês incultos busquem no Google o resultado.
³Existem polêmicas sobre a grafia do nome deste bloco. Poderia ser “Seu que brilha” sugerindo um trocadilho de Se-u com C.U. Ou mesmo “Seu cu que brilha”, de maneira mais direta.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Se For Comprovado

O sujeito estava enfurecido. Ensandecido. O pastor diria que ele estava possuído pelo demônio. As imagens são claras. O indivíduo acelerou o seu golf azul escuro sobre um grupo de ciclistas. Depois de passar sobre as primeiras vítimas, ele continuou acelerando até atingir um total de 12. Sim, 12. Uma dúzia de atropelamentos acidentais e, além disso, ele estava sendo provocado.

Ok, todos nós sabemos que uma boa vingança deve ser muito mais violenta do que o ato que a motivou. Se os ciclistas o estavam chamando de “gordo panaca” ou algo parecido, a melhor solução realmente seria o atropelamento coletivo. Não se discute isso. Vingança é vingança e ponto final. Acontece que os tempos em que se fazia justiça pelas próprias mãos ficaram para trás.

Pois as imagens eram claras. Qualquer um que veja aquilo percebe que o sujeito estava incontrolável e agiu friamente. Só poderia ter sido um acidente caso ele tivesse morrido ao volante no exato instante anterior ao começo do atropelamento. Não há dúvidas de sua culpa.

Talvez não haja dúvidas para você e para mim. Mas os responsáveis por investigar o caso dizem que ele será indiciado se for comprovada a sua culpa.

Talvez seja a responsabilidade jurídica dos investigadores, mas esses casos que envolvem filmagens são sempre engraçados. Lá está o deputado embolsando mil reais para aprovar um projeto. Lá está o médico vendendo um atestado por duzentos reais e fazendo piada com a situação. Eles serão punidos se as denúncias forem comprovadas.

O que mais é preciso para comprovar uma situação dessas? Foi filmado, gravado. Pessoas testemunharam que aquilo foi uma barbaridade. Como assim, se for comprovado? Como não poderia ser verdade?

Uma das hipóteses é acreditar que aquilo foi uma grande edição de áudio. Ou imagens de computador, quem sabe. Hoje em dia existem programas avançados para isso, ninguém nem percebe que são simulações computadorizadas. Ou, quem sabe, foi uma encenação. O médico vendeu a sentença como simulação para uma aula sobre ética na faculdade. O cara atropelou os ciclistas para a cena de abertura do próximo filme do Bruce Willis. Eram todos atores, dublês profissionais.

E claro. Como há de se garantir que houve culpa? O sujeito pode dizer que não queria fazer aquilo, queria só dar um susto. Infelizmente o freio do carro enguiçou. E o médico? E mesmo que ele admita a culpa, como não saber se ele está mentindo? Que na verdade ele quer viver na prisão e está querendo se complicar numa situação em que é completamente inocente. Como comprovar que na verdade eles não estavam jogando banco imobiliário? Que os 200 reais eram de uma aposta de pôquer antiga? E que ele era muito intimo da paciente e por isso falava em vender o atestado? Complicado demais.

Em tempos. Não está comprovado que esse texto foi postado.

terça-feira, 1 de março de 2011

Tamo Junto

Após uma longa novela, Ronaldinho Gaúcho finalmente assinou com o Flamengo. Em seu discurso de posse, digo, de apresentação, para mais de 20 mil pessoas, o Gaúcho disse algo como:
“É isso aí. Fechei com vocês. Tamo Junto. Agora eu so mengão”.

É claro que ninguém pensava que Ronaldinho fosse capaz de fazer um discurso digno de prêmio Nobel da literatura e muitos se surpreenderam com o fato de que ele conseguia emitir sons com a boca e se comunicar com os outros seres humanos. Mas no mundo do futebol, se esperava que ele fosse capaz de um trivial “Estou muito feliz em vestir essa camisa, espero conquistar títulos e dar o meu contributo para que o grupo possa estar conquistando muitos títulos e dando alegria para essa torcida maravilhosa”.

Já Neymar, ao ser dispensado do exército junto com o seu moicano, deixou uma mensagem de apoio para os soldados brasileiros que não tiveram a mesma sorte. Suas palavras: “tamo junto”.

O atual momento da sociedade brasileira revela que vivemos um processo de tamojuntização. Expressões de apoio, solidariedades, superação e amizade convergem para um singelo “Tamo Junto” que deve ser inovador, ao mesmo tempo em que simboliza toda uma humanidade.

Pressionado por seu pai para voltar para Portugal, e pelos populares brasileiros que queriam que ele continuasse por aqui, Dom Pedro I teria reunido uma multidão a sua volta e dito: “Fala Galera! Tamo Junto! Fico no Brasil!”. E assim, teríamos o histórico dia do Tamo Junto.

Assim como Getúlio Vargas teria deixado em sua nota de suícidio: “Não tamo mais junto pessoal”. Hoje ele seria reconhecido com um suicida malandro e sua imagem não seria explorada por diversos políticos interessados em sua herança política.

Provável que a Alemanha tivesse saído vitoriosa da 2ª Guerra se Winston Churchill tivesse dito aos seus soldados: “Galerinha, Tamo Junto Heim! Quero ver todo mundo animado, vamo lá!”. Não haveria sangue, suor e lágrimas. E como seria a questão racial norte-americana se ao invés de ter tido um sonho, Martin Luther King mandasse “Tamo Junto rapaziada!”. Sem rubras colinas da Geórgia. Sem nada.

Carlos Drummond de Andrade só mandaria um “Tamo Junto” para a pedra que estava em seu caminho. E ao chegar ao paraíso, Beto Jamaica diria que “tamo junto” diante de tanta abundância. E Júlio César teria dito “Tamo Junto” em vão para Brutus. E Jesus obteria apenas o silêncio quando tivesse perguntado para Judas “Tamo Junto?”.