segunda-feira, 31 de março de 2014

Nove Capas Pavorosas

Bem que esse texto poderia ser sobre as capas da Revista Veja, mas aí, eu não teria o menor trabalho, uma vez que todas são pavorosas. Falo de alguns discos que tem capas realmente bizarras. Escolhi de algumas bandas que eu gosto, porque assim, qualquer capa do Zezé de Camargo e Luciano será horrível apenas pela presença deles ali.

Weezer – Hurley

O oitavo e até agora último disco da banda de Rivers Cuomo resolveu homenagear em seu nome em sua capa o personagem Hurley da série Lost. O problema é que a foto escolhida parece ter sido recolhida de um obituário de site de fofoca norte-americano. Para piorar ainda mais, esse disco é horrível.

Paul McCartney – Ram

Primeiro bom disco da carreira solo de Paul McCartney, Ram foi ilustrado bizarramente por uma imagem de Paul McCartney segurando uma cabra pelos chifres. Paul mantém seu corpo meio afastado, mostrando que está claramente desconfortável e com medo de sofrer uma perfuração no abdômen.

Eric Clapton – Clapton

Eric Clapton retorna a sua velha forma e resolve estampar uma foto sua no melhor estilo “beiçola”. Que cabelo é esse, porra.

Badfinger – Ass

Já causa uma certa estranheza o fato de o disco do “dedo ruim” se chamar “cu”. Mas o que falar dessa imagem em que uma mão gigante (seria a mão de Deus, mamãe?) segurando uma cenoura gigante em um céu nublado enquanto um burro com fones de ouvido olha para o horizonte?

Led Zeppelin – In Through the Outdoor

Esse disco que marca o começo da decadência ledzeppeliana tem essa capa bizarra, com esse cara que é uma mistura de Malandro de musical de Chico Buarque com o Sidney Magal e, de certa forma, parece uma assombração.

Beady Eye – Different Gear, Still Speeding

O primeiro disco da banda de Liam Gallagher após o fim do Oasis, foi ilustrado por uma menininha fantasma montando um jacaré em tom sépia. O problema, convenhamos, está nesses balões de diálogo que conferem um ar ridículo.

Al Kooper – I Stand Alone

Al Kooper tem uma longa carreira como músico de estúdio, multi-instrumentista que é. É o responsável pelo órgão em Like a Rolling Stone do Bob Dylan, tocou com The Who, Lynyrd Skynyrd e Jimi Hendrix. Tem uma longa, desconhecida e boa carreira solo. Mas para ilustrar seus discos ele não é muito bom. No seu primeiro disco ele escolheu uma montagem gay, com seu rosto na cara da estátua da liberdade.

Al Kooper – White Chocolate

Novamente o Al. No seu último disco ele usou uma foto dele tirada em uma TecPix e pediu pro sobrinho que manja de computador colocar umas letras no Paint.

Queen – Queen II

Parece que o corpo do Fredy Mercurie está sendo velado em um ambiente mal iluminado.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Yes, nós temos subcelebridades

Não há morador em Cuiabá que não tenha tomado conhecimento do fato. No último sábado, durante um festival de música sertaneja, uma garota desconhecida e aparentemente muito louca resolveu tirar a roupa em público. O dia já raiava quando a nudez foi praticada e os muitos vídeos produzidos circularam rapidamente no Whatsapp e em poucas horas estava no Facebook, sem tarjas.

A opinião pública foi unânime em taxar a menina como prostituta. Discutiram o fato de que ela foi para o show sem calcinha, um claro sinal de que ela já queria, estava procurando. Dias depois, começaram a circular as imagens da garota dentro do camarim do cantor Ggussttavvo Llimma, nua, em poses que costumavam a ser publicadas na revista Sexy em tempos remotos e poéticos.

Foi o suficiente para que boa parte da sociedade defendesse que ela era uma piranha e que seria justo, e até necessário, que ela fosse estuprada por 47 homens e dois cavalos ao mesmo tempo, para que aprendesse a largar de ser besta. Não assusta, aliás, que uma pesquisa divulgada ontem revele que a maior parte de nossa população acha que o estupro é culpa da mulher e que elas merecem ser assediadas se não se portarem de maneira adequada.

Mas, enfim, esse texto não é sobre machismo e sim sobre subcelebridades. O único crime que a garota cometeu foi atentado ao pudor, uma vez que a legislação ainda não especificou o crime de “estar querendo dar”.

A melhor definição para uma subcelebridade é aquela pessoa que sempre é notícia e nós não entendemos por que ela virou uma notícia. Panicats, mulheres frutas, Nana Gouvêa. Ninguém sabe de onde elas surgiram, como elas vivem, como se sustentam, mas sabemos que elas caminham na praia, mostram mais do que deveriam em lugares públicos, postam fotos ousadas em redes sociais. Elas sobrevivem de serem notícias, mesmo sem terem proporcionado nenhuma notícia.

O exemplo mais bem acabado de todos é a “Peladona de Congonhas”. Uma mulher que trocou de roupa dentro do carro no aeroporto de Congonhas e desde então se mantém na mídia, forjando atropelamentos, queimando sutiãs em protesto por não conseguir trabalhar e, caramba, até que ponto nós chegamos?

Todos os exemplos de subcelebridades que nós citamos até agora tem uma coisa comum: elas atuam no eixo Rio-São Paulo, com visitas esporádicas a Paris ou alguma cidade brega dos Estados Unidos, onde elas conseguem ser notícia sem fazer nada de interessante também. A produção de subcelebridades é uma coisa exclusiva dos grandes centros do país.

A Despidona do Festival de Música Sertaneja quebra esse paradigma. A maneira como os fatos se seguiram depois de sua nudez, transformam-na na primeira subcelebridade genuinamente mato-grossense. Coloca Mato Grosso no rol de estados capazes de possuir este subgênero da subsociedade sub-brasileira.

Na primeira segunda-feira após o dia em que ela apareceu pelada, ela foi entrevistada por um site de notícias local. A matéria chamou tanta atenção, que o site quase saiu do ar pelo excesso de visitas. A notícia foi replicada ao infinito no Facebook e logo as pessoas começaram uma caçada em busca de suas fotos, suas origens e tudo mais. Durante a entrevista, ela teve que desmentir os boatos de que havia cometido suicídio, sido espancada pelo pai ou fugido de casa e ainda se comparou a Maria Madalena.

Alegou que tomou uísque e que acha que foi drogada. Uma hipótese bem possível, uma vez que ela passou mais de dez horas consecutiva escutando música sertaneja. Certa vez, eu fiquei uma noite internado depois de escutar música sertaneja por oito horas durante uma viagem, imagine ela que ainda misturou a música com álcool? Uma bomba.

Os dias passaram e a nudez da Fulana do Show Sertanejo não foi esquecida. Vieram suas fotos eróticas no camarim, ela disse que vai processar quem divulgou a foto e ela não para de gerar notícias. Dependendo de como ela planejar sua carreira, em breve saberemos que ela foi malhar de shortinho, que passeou no parque com decote chamativo e então poderemos dizer que sim, Mato Grosso tem sua subcelebridade.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Mesa Redonda CH3

Guilherme: Boa tarde, boa noite CHnautas, começamos aqui nossa primeira mesa redonda, onde nós vamos discutir vários assuntos polêmicos que marcaram a semana no Brasil, no mundo e também em Cuiabá. Estão aqui ao meu lado o pai de santo Jorginho de Ogum, o pedreiro Marcão, o Cão Leproso, o pansexual Hanz, uma caricatura do Vinícius para aumentar a audiência e o Alfredo Chagas. Uma boa noite a todos.

Pai Jorginho de Ogum: Queria dizer que é uma honra para minha senhoria estar presente aqui.

Guilherme: Que é isso Jorginho, a honra é nossa. Bem, o primeiro assunto que nós vamos discutir é o Marco Civil da Internet. Projeto que provocou polêmica no Congresso e que foi aprovado ontem. Questões confusas, como neutralidade na rede, enfim, o que você acha desse Marco, heim Marcão?

Marcão: Deve ser gente boa.

Guilherme: É... você concorda Alfredo?

Alfredo: Discordo hoje e hei de discordar sempre, enquanto qualquer gota de suor escorrer por minhas veias. Esse Marco Civil da Internet é mais um embuste das elites proletárias tentando criar embasamentos nevrálgicos dentro das classes mais abastadas. A armação da neutralidade da rede é uma patifaria ideológica para bovinizar os espectadores da grande rede mundial dos computadores. Satã meu guia horizontal não irá permitir que eu siga esse caminho enrustido. Conclamo ao povo que lute e que marche pelo vigor nas indústrias farmacêuticas.

Guilherme: Fiquem tranquilos espectadores, já cortamos o seu microfone e já chamamos os paramédicos para lobotomizarem Alfredo. Agora, outra questão, essa mais popular, é o Neymar. Ele não está jogando bem no Barcelona, terminou com a Bruna Marquezine, está envolvido em um escândalo financeiro, enfim. Você acha que isso tudo está atrapalhando ele, Cão Leproso?

Cão Leprososo: ...

Guilherme: É, sem dúvida. Pai Jorginho de Ogum, você acha que o Neymar vai dar certo no Barcelona?

Pai Jorginho de Ogum: A conjuntura astral do Neymar não anda favorecendo o trabalho em equipe e muito menos a competitividade dele. Vejo que a situação poderá mudar depois de uma chuva de prata estrelar. No entanto é preciso analisar que o todo sem a parte não é o todo e a parte sem o todo não é a parte. Prevejo que ele irá continuar sendo muito importante, se não para o seu time, para as pessoas que vivem em sua volta e, principalmente para ele, Neymar. O que importa afinal, é estar de bem consigo próprio.

Marcão: Precisa ter orgulho! Ter honra dessa camisa que é a sua vida! O Flamengo ainda vai ganhar essa Libertadores!

Guilherme: Ok, Marcão. Pra ficar em um assunto que você entende, o que você achou da Peladona do Villa Mix?

Marcão: Eu comia.

Guilherme: Bem, isso não chega a ser uma novidade. Opa, produção, tira o Hanz do enquadramento que ele tirou a roupa. Espero que os médicos com os dardos tranquilizantes cheguem rapidamente.

Pai Jorginho de Ogum: Acho que as pessoas estão sendo muito duras com a menina. Ela tirou a roupa, mas cada um tem o direito de fazer o que quiser, respondendo perante as leis se ela tiver se equivocado. Tem muita gente que defeca em público e não ganha tanta repercussão.

Marcão: Mas eu comia, mesmo assim.

Guilherme: Opa, opa. O clima esquentou. Vamos tratar de um assunto mais ameno para encerrar essa mesa redonda. Cão Leproso, a palavra é sua para falar do que você está gostando na atual edição do Big Brother Brasil.

Cão Leproso: ...

Pai Jorginho de Ogum: Concordo.

Guilherme: Opa, é com esse consenso que nós encerramos aqui o programa. Voltaremos novamente, ou nunca mais, quando uma crise de criatividade atacar este blog. Na nossa próxima mesa-redonda contaremos com a presença de convidados e mulheres seminuas dançando embaixo de um chuveiro. Um abraço.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Ditadura Marchando com a Família

No último sábado as ruas do Brasil deveriam ter sido tomadas por uma série de manifestantes democratas que marchariam contra a corrupção e pela família, contra o comunismo. Este mal tão próximo de invadir o nosso país, desde que aqueles jovens cubanos da Sierra Maestra tiraram o democrata Fulgencio Batista do poder na ilha caribenha.

Para saber o que esses marchadores pensam e o que querem, a reportagem do CH3 entrevistou Carlos Wilson Batista, o popular Tabuada, organizador do movimento em uma cidade do médio norte mato-grossense.

Como 22 anos e natural de Chopinzinho, no interior do Paraná, Tabuada é filho de militares e produtor rural. Acredita que o problema do Brasil é que aqui pobre tem direito demais. Ele concedeu essa entrevista segurando uma bandeira do Brasil na mão esquerda e uma bíblia, verde e dourada, na mão direita.
Essa família é muito unida e também muito ouriçada. Brigam por qualquer razão, mas acabam pedindo perdão.

Quais são as razões dessa marcha pela família?
Nós estamos cansados de tanta corrupção! O governo não investe o dinheiro nas áreas prioritárias para o nosso povo e por isso resolvemos sair às ruas para mostrar que o gigante acordou. Fora isso, o atual governo está querendo transformar o Brasil em uma nova Cuba e nós não vamos deixar que isso aconteça! Há 50 anos, nossos avós saíram às ruas para impedir que o império vermelho dominasse o Brasil e essa é uma boa data para comemorar a revolução que barrou a invasão soviética no país e mostrar a nossa força.

Você propõe então um novo Golpe Militar?
Com certeza. Golpe não, mas Revolução, como em 1964. Os militares foram os responsáveis pelo enorme crescimento do país, mas infelizmente os comunistas que substituíram eles no poder acabaram com todo o seu legado. Nos últimos anos, a mídia revanchista tem tentado acabar com a imagem dos militares, mas nós não vamos deixar.

Mas, o que você tem a dizer sobre os escândalos de corrupção na época da ditadura?
Jamais houve uma ditadura no Brasil, o senhor está equivocado. O que houve foi uma intervenção pacífica visando solucionar um mal maior.

Intervenção que demorou 21 anos...
A culpa é dos comunistas que perturbaram a paz, promovendo atentados, atacando o patrimônio público e privado e espalhando o terror na família brasileira. Esses marginais terroristas sem Deus no coração provocaram dezenas de baixas entre os militares, que não faziam nada além de defender a pátria.

A ditadura matou muita gente.
Uma falácia revanchista. Não é possível afirmar isso. A imprensa da época nunca publicou nada sobre o assunto, assim como nunca publicou nada sobre corrupção, voltando a uma pergunta anterior.

Mas a imprensa era censurada...
Mais uma mentira revanchista. Coisa de jornalista comunista que não tinha coragem pra falar o que acreditava.

O Departamento de Imprensa realmente foi criado, a história conta isso.
A história é contada por comunistas recalcados.

Alguns foram presos e torturados.
Tiveram o que mereceram. E não me venha falar em Vladimir Herzog, todos nós sabemos que ele se suicidou porque era um bundão.

E os desaparecidos, como Marcelo Rubens Paiva?
Pessoas desaparecem, não desaparecem? Quantos não vem no botijão de gás? Esse avião da Malásia não desapareceu há duas semanas e ninguém sabe onde está. Você há de convir que um avião é muito mais fácil de achar do que uma pessoa, então, pra que a pressa?

O que você acha de outros movimentos, com a luta pela volta da Monarquia Absolutista?
Acho que esse é um modelo ultrapassado e pouco democrático.

Qual é a última mensagem para essa enorme multidão que não veio aqui hoje?
Peço para quem deixemos o acomodamento de lado e que lutemos por um Brasil melhor. Fora comunistas! Fora veados, bundeiros! Pela soberania nacional. Sobe o hino, porra!

sexta-feira, 21 de março de 2014

Filmes que o Facebook Estragaria

A internet diminui a distância entre as pessoas, hoje em dia estamos todos conectados, divulgando o que fazemos e acompanhando as notícias em tempo real e blábláblá. Vamos direto ao assunto. Listamos alguns filmes que seriam estragados pelo Facebook, caso ele e demais redes sociais já existissem na época em que esses filmes foram lançados.

Antes do amanhecer/Antes do pôr do sol

Dois estranhos se encontram no vagão de um trem na Europa. Ele está indo para Viena, onde pegará um avião para os Estados Unidos, ela está voltando para Paris. Resolvem descer em Viena e juntos passam uma noite inesquecível. Tomam a decisão de se separarem, para que aquele momento mágico não se desfizesse com possíveis decepções futuras. Combinam apenas de se encontrar seis meses depois, naquela mesma estação na Áustria.

Esse encontro nunca acontece e nove anos depois Jesse escreve um livro sobre aquela noite e encontra Celine em Paris, durante o lançamento do livro. Ele está casado, com um filho e infeliz. Discutem a frustração de como aqueles nove anos foram terríveis e todas as decepções que sofreram e como a vida poderia ter sido melhor se eles não tivessem se separado naquela noite em Viena. Por quê? Por que eles fizeram isso? Ninguém consegue entender, mas a vida deu uma nova chance para eles serem felizes.

Se o Facebook já existisse em meados da década de 90, a primeira coisa que Jesse e Celine fariam quando chegassem a suas casas seria procurar um ao outro na rede social. Não se adicionariam e ficariam se stalkeando mutuamente e se decepcionando a cada curtida em página reacionária, mensagens de bichinhos dando bom dia e novos namorados. Acabariam frustrados com aquilo, perceberiam que fizeram o certo ao se despedir em Viena e o segundo filme jamais sairia do papel.

Curtindo a Vida Adoidado
Tcheique na beibe.

Ferris Bueller fez aquilo que todos nós gostaríamos de ter feito um dia. Matou aula dizendo que estava gripado, enganou o inspetor chato, almoçou num restaurante chique se passando pelo magnata da salsicha, barbarizou a bordo de uma Ferrari e ainda animou a plateia de um desfile cívico, cantando Twist and Shout. O melhor de tudo, é que ninguém ficou sabendo disso, apenas a sua irmã.

Nos tempos atuais, seria impossível que Ferris e seus amigos não fizessem um check in no Facebook ou no Instagram. Qual é o sentido de ir num restaurante metido a besta se não for para braguear os amigos? Como os pais também estão na rede social, a aventura logo seria descoberta, o anti-herói inspetor Rooney se vingaria e Ferris tomaria uma suspensão no colégio.

Ok, eles poderiam ter se controlado. Mas seria impossível que a foto do Ferris no trio elétrico não fosse parar na timeline de algum conhecido, vazando a informação.

O Sexto Sentido

Bruce Willis é um psicólogo infantil que certo dia é alvejado na barriga por um dos seus ex-pacientes malucos. Seu casamento entra em crise e ele passa a tratar outro garoto, que diz que vê pessoas mortas. Após uma longa história, descobrimos que Bruce Willis, na verdade, está morto e é visto apenas pelo garotinho.

Por que o Facebook estragaria essa história? Por que em algum momento, Willis entraria na sua página e veria as mensagens dizendo “saudades eternas”, “dor que não cabe no meu coração” e similares. A ficha logo ira cair e o filme perderia o impacto.

A Rede Social

O filme é sobre a criação do Facebook, então, se o Facebook já existisse durante a época em que a história se passa, ele não seria criado duas vezes e seria uma confusão danada. Os mais maldosos podem dizer que o Facebook estraga o filme porque é um filme ruim.

Devem existir outros exemplos, não?

quarta-feira, 19 de março de 2014

A arte da enrolação profissional

O computador é um elemento relativamente novo em nosso cotidiano. Por mais que os primeiros dispositivos tenham surgido na década de 60, foi apenas em meados da década de 90 e, principalmente, no novo século que eles se popularizaram em nossas casas, nos nossos trabalhos em nossas vidas. Assim sendo, o funcionamento do computador com seus códigos de programação e sistemas binários é um pequeno mistério para todos nós.
Sabe o que é isso aqui? Essa porra é o Google.

Quando, de vez em quando, acontece do computador não funcionar nós precisamos contactar¹ um técnico de informática. Claro que antes nós esgotamos o nosso repertório de ações para solucionar a não conexão do computador com a internet, desligamos e religamos o modem, soltamos todos os cabos e reconectamos, desinstalamos e reinstalamos alguma coisa e então, quando nada disso deu certo, você liga para o Técnico de Informática.

O profissional de TI é uma figura bem nova na nossa sociedade. Ele carrega consigo aquela carga de conhecimento diferenciado, do cidadão que domina uma coisa totalmente diferente.  Dogmático, ele chega, observa seu computador e o ambiente ao redor e profere as palavras mágicas “mas também!”. É o código para te subjugar. A culpa por aquilo ali estar acontecendo é toda sua.
Mas também... você é a doença e eu sou a cura.
- Mas também, você está com o cabo da rede conectado e o wi-fi ligado. Assim a internet não funciona.
- Mas... sempre foi assim e a internet funcionou por dois anos, até ontem a tarde.
- Mas não era.
Notem que este profissional acredita que um computador só funciona nas CNTP (Condições Naturais de Toda a Porra).

É claro que sua culpa poderia ser explicada por outros motivos.
- Mas também, o monitor está virado para o sol.
- Mas também, o Acrobat está desindexado do protocolo.
- Mas também, você é bicha. Como você quer que seu computador funcione sabendo que você dá o rabo pra qualquer um!
- Mas também, você é judeu e foi responsável por entregar Cristo aos romanos.

Nos próximos minutos, ele irá desligar e religar o modem, mexer em todas conexões, desativar e ativar a placa, mudar a máscara de rede,abrir o prompt e digitar qualquer coisa, fazer cara de “descobri o problema”, ao analisar um número, mudar aquilo, não adiantar, mexer no computador sem usar o mouse para mostrar o seu conhecimento superior, até o momento em que a internet volta a funcionar e ele diz que a razão era que a rede e o wi-fi estavam ligados. No dia seguinte, você deixa tudo como estava antes e a internet nunca mais dá problema. O técnico volta ao seu trabalho, com o objetivo de bloquear qualquer função que desvie o funcionário do seu foco de trabalho.

Na linha evolutiva da sociedade, os técnicos de informática são os sucessores dos mecânicos, na suprema arte da enrolação profissional. Vocês sabem, de tanto que os mecânicos se especializaram em enrolar os clientes, foi criada a figura da rebimboca da parafuseta, o problema máximo dos carros. Os mecânicos levam pelo menos uma vantagem em relação aos técnicos de informática: eles têm pôsteres de mulher pelada no local de trabalho, enquanto que o TI no máximo tem um do Darth Vader.

Hoje em dia os carros são mais duráveis, não tem tantos problemas e os mecânicos perderam um pouco do seu poder de barganha. Mas mesmo assim, se seu carro não der a partida de manhã e você não conseguir resolver o problema com as soluções que estão ao seu alcance – dar a partida cinco minutos depois, levantar a tampa do motor, mexer nas conexões da bateria, olhar praquilo com um ar preocupado – você liga pro mecânico, ele vem ao seu encontro, dá uma olhada no motor e faz sua cara “mas também”. Ele começa a mexer no seu carro com um ar de reprovação que você passa a acreditar em um milagre, porque era para o seu carro já ter explodido.

Outro profissional que domina a arte da enrolação são os gestores, personificados na figura dos CEOs, sigla afrescalhada para a expressão afrescalhada “Chief Executive Officer”. A enrolação deles é baseada no domínio do vocabulário e das expressões vazias que não fazem nenhum sentido para você, mas que ele fala com tanta propriedade que você não tem como contrariá-lo, para não parecer um idiota.

Se a empresa faliu, demitiu 500 funcionários ou fechou um escritório, tudo é um “reposicionamento da marca”. Logo depois ele usará expressões como benchmarking, trending topic e brainstorming, que mesmo com o presidente da empresa preso por escravidão infantil, você vai achar que está tudo certo.

Isso porque aqui eu não vou entrar nos advogados, mestres da retórica e do domínio de expressões herméticas. Aliás, acho que já fiz um texto falando que o problema do mundo é que nós temos advogados demais participando de discussões idiotas na internet. Se não fiz, um dia irei fazer.

No fundo, a verdade é que o histórico livro “O Manual do Cara de Pau” é uma verdade absoluta. Irei montar uma Igreja que o considera como o texto sagrado que contém todo o conhecimento tangível para a humanidade.

¹Nota: este blog considera que “contactar” é muito mais legal do que “contatar”.

segunda-feira, 17 de março de 2014

3 Propostas de Filmes de Terror

Eu não vejo muito sentido em filmes de terror. O objetivo deste gênero, basicamente, é lhe assustar. Não entendo a razão em ver alguma coisa que provoca medo, uma das sensações mais desagradáveis que o ser humano pode ter, junto com um chute nos testículos. Fora isso, os filmes se constroem por meio de sustos esporádicos e a música indica que um fantasma vai aparecer na janela. E existem os filmes de zumbi. Podem me apedrejar, mas nada é mais sem graça do que um filme com zumbis. Só a patinação artística, talvez.

Por isso, o CH3 sugere a seguir três roteiros de um filme de terror realmente assustador que irá abalar o seu psicológico. Nada de mortos-vivos comedores de cérebros, espíritos vingativos ou seres de lama que soltam faísca. São situações que poderiam acontecer com você. Ou não.

1 O Cruzeiro Maldito
Marcelo resolveu aproveitar o verão de uma maneira diferente. Juntou dinheiro e resolveu embarcar em um cruzeiro pelo litoral brasileiro. Preparou-se para descansar em seis dias de sol, praias e coquetéis olhando paisagens paradisíacas. Entrou no barco e achou estranho que o som ambiente só tocasse músicas de Roberto Carlos arranjadas por Ray Conniff. Aquele som não parava nunca e Marcelo agradeceu ao fato de ter trazido fones de ouvido. Até que alguém bateu na porta do seu quarto e ele foi ver quem era, imaginando que seria uma camareira.

Foi então que a ficha caiu. Inexperiente no assunto, Marcelo acabou comprando o pacote de viagens para um cruzeiro com shows do Roberto Carlos. O Rei lhe entregou a programação dos seus shows que incluíam quatro apresentações com a banda, seis apresentações intimistas voz e violão e outras duas, em que o rei cantaria a capella. Para garantir que seus fãs não perdessem um momento sequer, bicho, o sistema de som repetiria os shows 24 horas por dia e os quartos possuíam altos falantes, tudo pela sua comodidade. Marcelo tentou fugir mas até dentro do banheiro ecoava a voz de RC cantando Detalhes. No terceiro dia, quando as caixas começaram a tocar o rap “Seres Humanos”, Marcelo não viu outra alternativa e se jogou no mar e foi devorado por tubarões, sorrindo.

2 O Clube dos Garçons Infernais
Walter e os amigos chegam a um bar para um breve happy hour. Chama o garçom faz uma breve conta e pede:
- Seis cervejas!
- Vinte e seis cervejas?
- Não, não, são seis.
- Ok, sessenta e seis.
Walter acredita que o garçom é brincalhão mas passados dez minutos as cervejas não chegam e ele pede para outro garçom, que suas seis cervejas não chegaram. Logo o primeiro garçom chega trazendo sessenta e seis garrafas de cerveja. Antes que ele pudesse reclamar, o segundo garçom chega trazendo vinte e seis cervejas. Walter grita que eram apenas seis cervejas e eles são soterrados por garrafas de Itaipava e porções de calabresa.

3 Demônio Conectado
Camila sentiu um vento frio pela janela, mas não ligou para isso. Continuou lendo seu livro e comendo rosquinhas mergulhadas no café. Seu celular apitou, mostrando que alguém havia comentado um status dela no Facebook. Achou estranho, por que não havia feito nada nos últimos dias, mas, sabe como é, sempre tem algum atrasado para comentar alguma coisa antiga. Seu telefone então tocou e seu namorado estava do outro lado da linha. Exasperado ele perguntou porque ela estava fazendo aquilo no Facebook. Ela não entendeu e correu para ligar o computador. Chegando lá ela viu que seu perfil estava divulgando fotos de cultos satânicos e convites para “Aniversários”. Pensou que havia sido hackeada e tentou mudar a senha. Não deu certo. Tentou apagar sua conta e não funcionou. Pegou o telefone para ligar para um técnico de informática quando a luz acabou. Incrívelmente, seu computador continuou ligado. Uma mensagem piscou na tela. O Facebook dela foi possuído pelo demônio.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Voltei a ser carnívoro

No começo de 2013, a empresa Friboi enfrentou uma série acusação. A imprensa divulgou que o frigorífico estaria vendendo carne de cavalo, ao invés de carne bovina, em alguns países da Europa. A denúncia provocou uma grave crise de imagem na empresa e também gerou uma das campanhas de marketing mais nonsense de toda a história e, recentemente, um comercial absolutamente ridículo.

Por mais que cavalos sejam apreciados em alguns países europeus e asiáticos, o seu consumo é um tabu alimentar. O animal é visto como um amigo do homem, animal de força, que ajudou o homem a explorar novos destinos e semear o campo. Essa amizade foi eternizada em filmes como “O Corcel Negro”. Tente imaginar que o hambúrguer que você comeu ontem a noite era feito com carne do Corcel Negro. A angústia invadirá sua alma e você nunca mais irá dormir em paz novamente.

Para tentar acalmar a crise, Toni Ramos foi contratado para ser a cara da empresa. Ele estrelou uma série de comerciais excêntricos, nos quais ele interpelava pessoas no supermercado, certificando-se que elas estão consumindo Friboi. A pergunta de Toni se viralizou na internet e, pelo lado positivo, gravou o nome da empresa no imaginário popular. Todo mundo sabe que existe carne da Friboi, tal qual existem bicicletas Caloi.

No entanto, fazer uma propaganda sobre um frigorífico não é algo comum. Neste mundo moderno, as pessoas querem ter uma relação meramente profissional com o seu alimento. Ninguém quer saber qual é a origem da vaca que estará frita em cima da sua mesa. Se a embalagem da maminha viesse com uma foto do animal assassinado para sua refeição, duvido que você comeria a Mimosa.

Além do mais, quem tem que me dizer se a carne é de boa procedência ou não, é a Vigilância Sanitária e demais órgãos fiscalizadores que permitem a sua venda. Não é preciso colocar o Toni Ramos vestido com roupas térmicas dizendo “Aqui nossos bois são mortos com muito carinho. A paulada na cabeça é certeira e eles não ficam gritando de dor e agonizando até desfalecerem. Pode confiar!”.

Como tudo pode piorar, os publicitários da Friboi tiveram a brilhante ideia de contratar Roberto Carlos para estrelar um novo comercial. O rei é um notório vegetariano e defensor da causa. Aliás, Roberto também é famoso por não usar roupas escuras, não falar palavrões e não fazer músicas boas. Muitas pessoas são famosas apenas por, não sei, lamber a própria bunda. Roberto é famoso por muitas.

A propaganda é uma peça única na história universal. Podemos ver um garçom entregando um talharim para Roberto e um bife com pouco acompanhamento para outra pessoa. O Rei contesta a entrega e diz que seu prato é o outro, dando início a um dialogo nem um pouco convincente, no qual o garçom pergunta se ele voltou a comer carne, RC confirma e se certifica de que a carne é Friboi. Ele diz a mágica frase “Friboi, com certeza” e ao fundo sobe o refrão de “O Portão”, aquela que diz “Eu voltei, agora pra ficar, porque aqui, aqui é o meu lugar”.

Podemos destacar vários aspectos no comercial. Roberto Carlos está com uma cara absurdamente artificial, não é possível que ninguém tenha um sorriso igual aquele. Aliás, não é possível que ninguém fala desse jeito. O roteiro é péssimo e não há nem sequer um bordão para se popularizar. Resta apenas o escárnio.

Pessoas ligadas aos bastidores da informação, dizem que o Rei recebeu a módica quantia de R$ 25 milhões para assumir seu gosto por um bifinho Friboi. No entanto, dizem que ele não chegou a tocar na carne e se bobear contracenou com um bife cenográfico (teorias sobre o garçom também ser cenográfico ainda não foram comprovadas) e permanece convictamente vegetariano. Bem, pelo valor recebido, Roberto teria a obrigação de comer o boi inteiro, cru, se fosse necessário. Ou será que o comercial mostrar um Roberto Carlos cenográfico.

Agora, o que podemos dizer de um homem que abre mão de suas convicções por dinheiro? Que faz propaganda para uma empresa que vende aquilo que ele abomina? Que engana a população? Que rei é esse? Essa farsa para a humanidade que a Globo tenta vender todo final de ano. No próximo passo, veremos Roberto ao som de “O Portão” vendendo camisas pretas. Ou defendendo a abolição das chapinhas, ou anunciando que voltou a usar cuecas (não que ela tenha deixado de usar, isso não importa muito para ele).

Fora que uma decisão pessoal e completamente desnecessária como, comer ou não carne, está sendo utilizada desta maneira. Oras, ninguém quer saber disso. Será que essa história vai estar na sua biografia.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Medidas sérias contra o racismo

Semana passada o meio-campista Auroca, do Santos, foi chamado de macaco após uma partida realizada em Mogi-Mirim, cidade localizada a 1.160 km de Guiratinga. Todos nós sabemos que a injuria racial é um crime tipificado no código penal brasileiro e a agressão foi testemunhada por outras pessoas e também por policiais que estavam no estádio Romildo Vitor Gomes Ferreira. Mesmo assim, o injuriador saiu do estádio livremente e deve estar agora em casa, tomando conhaque.
Veja que, vazio, o Romildão não oferece perigo para ninguém

O caso repercutiu, é claro. Não é todo dia que isso acontece. O caso ainda se somou a outra ofensa proferida a um árbitro de futebol no mesmo dia, em Bento Gonçalves, cidade a 1.149 km de Mogi-Mirim. Pouco antes, o brasileiro Tinga também escutou imitações de macacos em um jogo no Peru. O que esses casos tem em comum? Todos os criminosos estão tomando conhaque livremente.

A solução para o caso parece simples. Prender, ou pelo menos processar criminalmente o sujeito que chama o outro pejorativamente de macaco, em qualquer lugar do mundo. Mas, no caso da cidade no interior paulista, preferiram interditar o estádio. Afinal, as autoridades devem ter pensado que o estádio continha algum defeito que faz com que ele seja vulnerável a gritos de macaco. Uma reforma irá corrigir essa falha de segurança.

Mas sabe, eu acho que pode dar certo. Enquanto o Romildão permanecer interditado, nenhuma ofensa racial será proferida nele. Sim, tenha certeza de que nenhum jogador será chamado de macaco por nenhuma alma presente na arquibancada.

Essa medida deveria ser levada até outros lugares também. Alguém foi chamado de crioulo sujo na fila do supermercado? Interditem o supermercado. Ninguém irá ofender ninguém lá dentro. Um estabelecimento na Avenida Paulista afixa um cartaz dizendo que proíbe a entrada de negros lá dentro, interditem a Avenida Paulista. Decretem Estado de Sítio e proíbam a livre circulação nas ruas. O problema acaba. Se Arouca tivesse ficado em casa, jamais seria chamado de Macaco.

Curiosamente, estádios de futebol constituem uma espécie de paraíso fiscal para a impunidade.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Pena de morte através dos séculos

Iniciar uma discussão sobre a pena de morte é um convite para um conflito de opiniões extremadas e balizadas nos mais diversos pensadores da história. Geralmente o debate envereda para as liberdades individuais, a maioridade penal, o casamento gay e a fase eletrônica do Radiohead, último passo antes da Guerra Civil.

Em muitos países, a execução sumária de criminosos faz parte do cotidiano da sociedade, enquanto que em outros ela já foi abolida há tempos. Muitas constituições concordam que o único crime passível de morte é à traição a pátria, enquanto que outros a adotam até para o ladrão de galinhas. O fato, é que nos últimos séculos os assassinatos legalizados perderam muito do glamour de outros tempos. Este post irá analisar as formas mais populares e excêntricas de se matar alguém.

Forca: Ao longo dos anos, a forca tem se mantido como a forma mais popular de matar alguém acusado de algum crime e é fácil entender as razões. O investimento é relativamente simples, não exigindo muito das autoridades penais. Basta um poste, uma corda e um apoio. Proporciona sofrimento ao delinquente, mas não chega a ser agonizante, o que permite que o evento receba classificação etária livre. Além disso, o cadáver exposto não fica desfigurado, novamente garantindo apelo às massas.

Fogueira: Execução show. Consiste em um belo espetáculo pirotécnico. Durante a Idade Média, foi o método preferido pela Inquisição que via na fogueira uma boa maneira de chamar a atenção para a sua causa. Outro ponto a favor: o corpo da vítima acabava se transformando em cinzas, evitando eventuais dificuldades para desaparecer com o cadáver. No entanto, as crescentes preocupações ambientais descontinuaram o processo, uma vez que queimar uma bruxa acarreta em sérios problemas para a camada de ozônio.

Apedrejamento: Forma rudimentar de execução, o apedrejamento é popular desde antes do nascimento de Cristo. A explicação é simples: não exige nenhum aparato e as armas necessárias são encontradas no chão. Além disso, diferente de outras execuções, o apedrejamento não envolve a figura de um carrasco, permitindo a participação popular no ato e fazendo crescer o sentimento de comunidade entre a sociedade. A pena de morte mais democrática, no entanto, não é muito legal para o executado. Com sorte, ele morreria na primeira pedrada. Com azar, ele seria quebrado aos poucos até morrer.
Ai você se pergunta: "porque o cara não foge?". Porque eles está enterrado até a cintura no chão.

Choques: Nos últimos anos é a forma mais popular, amplamente divulgada pelo cinema. O criminoso é amarrado em uma cadeira e recebe descargas elétricas que encerram seus sinais vitais. Símbolo da desumanização do assassinato e fim da era da execução-espetáculo.

Câmara de Gás: Método popularizado por Hitler tem como principal vantagem o fato de permitir várias execuções ao mesmo tempo. A técnica avançou e hoje é possível morrer desta forma sem nenhum sofrimento.

Injeção Letal: Outra forma moderna bunda-mole de dar cabo à vida de um criminoso. Ele é deitado em uma maca e recebe uma injeção que ira acabar com sua vida em alguns segundos. Não há nenhum momento dramático, podemos até imaginar a enfermeira passando o álcool e dizendo “fica tranquilo que é só uma picadinha, não vai doer”.

Guilhotina: O método da guilhotina foi popularizado durante a revolução francesa, quando um rei afeminado foi executado desta forma. Provavelmente é a execução mais glamourosa e motivos não faltam: além da imagem da cabeça rolando e da possível ameaça de que “cabeças vão rolar!”, ela era reservada apenas para as elites. Os mais pobres eram executados com o “garrote”, um enforcamento em uma cadeira. Também é possível decapitar alguém com uma espada, mas de maneira menos eficiente.

Fuzilamento: Execução preferida pelos quartéis e grupos paramilitares. Um método rápido para situações em que uma execução rápida é necessária. Preparar, apontar, fogo! Próximo. Importante observar a necessidade de um muro atrás do executado, para evitar que as balas atingissem o pessoal da cozinha lá atrás.

Desmembramento: Técnica medieval. Uma corda era amarrada em cada um dos membros do criminoso. A outra extremidade das cordas era amarrada em cavalos. Com um sinal, os animais partiam em disparada, arrancando os braços e pernas do cidadão e um pouco mais, dependendo da força dos bichos. Imagino que os carrascos deveriam fazer uma disputa similar àquela da asinha de frango, pra ver quem ficava com o pedaço maior. Caiu em desuso por conta da diminuição das populações rurais e porque depois dava o maior trabalho limpar aquilo tudo.

Esquartejamento: Similar ao desmembramento, mas sem o uso de cavalos. Neste método, o artista, digo, o carrasco, tinha mais liberdade para separar o corpo do criminoso da maneira que lhe parecesse mais agradável. Fazia a maior sujeira.

Empalação: Uma estaca é introduzida no ânus do criminoso. No começo pode parecer um fetiche estranho, mas a situação muda de figura a partir do momento em que a estaca atravessa todos os órgãos internos e saí pela boca. Era muito popular no leste europeu e também durante as cruzadas. A Inquisição utilizava um método similar e, em nome de Deus, despejava óleo fervendo pelo ânus do pagão, que era frito por dentro.

Esmagamento por elefantes: Esta pena era muito utilizada na Ásia em séculos passados e consiste exatamente nisto que vocês estão pensando. Um cidadão era amarrado e um elefante passava por cima dele e seu corpo era reduzido a uma pasta sanguinolenta. Sua principal vantagem estava no potencial da execução enquanto atração turística, mas devia dar um trabalho danado organizar uma morte assim.

Morte por mil cortes: Método originário do Japão, que conduz a execução de alguém à categoria da arte. O carrasco utilizava uma faca afiada e entrava em um combate com o oponente, realizando exatos mil cortes na carne adversária. Uma espécie de tourada humana, aplicada aos traidores da pátria. Cada corte ia destruindo lentamente os músculos e sangrando o executado, que morria lentamente. Só os japoneses para inventar isso.

Roda: Técnica medieval. O sujeito era amarrado em uma grande roda, que ia girando enquanto o carrasco lentamente martelava os seus ossos. O carrasco tinha que tomar cuidado para não matar seu objeto, criando apenas uma dor intensa. Os melhores eram aqueles que não provocavam fraturas expostas, já que a multidão que acompanhava o espetáculo não queria ver sangue. Um golpe preciso era aplaudido. Quando os ossos do condenado já tivessem virado farinha, sua pele era enrolada na roda e o objeto era erguido num lugar alto, onde o saco humano esperaria pela morte.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Samba-Enredo Campeão

Na última quarta-feira o Grêmio Recreativo Escola de Samba Unidos da Tijuca se sagrou campeão do carnaval carioca com o enredo “Acelera, Tijuca”. Trata-se de uma suposta homenagem ao piloto e ídolo nacional Ayrton Senna, representado na Marquês de Sapucaí por um bailarino meio afetado.
Felipe Massa, não entrou

A Unidos da Tijuca ficou famosa nos últimos anos pelo seu carnavalesco, Paulo de Barros, que inovou no carnaval ao enfiar sósias de Michael Jackson, alas coreografadas e mais um monte de frescuras. Como sua fama precede a qualidade, a Unidos da Tijuca foi campeã com um samba mequetrefe, com rimas bem pobres e um desfile que misturou Papa Léguas, Ligeirinho, Usain Bolt e picolés de chocolate ao tema “Ayrton Senna”.

Logo no começo temos:
“Vai começar / Libere a pista para a emoção / Foi dada a partida, prepare o seu coração”

Uma rima de emoção e coração logo no começo. Mesmo a minha professora de sexta série, Sandra Regina, que queria instituir uma linha de produção de poesias em sala de aula, iria desaprovar e dizer que essa é uma rima pobre. Na sequência, o letrista apela para o nonsense e desconhecimento geral sobre a vida, como um todo.

“Dos animais, agilidade / A inspirar velocidade / Impressionante a ousadia / A internet ultrapassou a energia / A equipe anunciou, no pit stop o piloto parou”

Dos animais agilidade a inspirar a velocidade. Novamente minha professora Sandra Regina faria um sinal negativo com a cabeça. Porque a ousadia é impressionante? O que a internet tem a ver com essa história, caralho? E o Pit Stop é o ato em si, o único Pit Stop em que alguém pode parar é em uma lanchonete do interior com esse nome.

“E lá vão eles na pura cadência do samba / Numa corrida maluca repleta de bambas / Tentando trapacear, deu mole, rodou na pista / Ficou pra trás o vigarista”.

Subitamente o tema do samba-enredo muda para Corrida Maluca. Aliás, acredito que até o presente momento o compositor trabalhava com a hipótese de que o enredo realmente era “Corrida Maluca” e só depois que alguém avisou “mudamos pra Senna!”, e aí o cara teve que se virar pra mudar o assunto bruscamente, na última volta. Confiram:

“Rompendo barreiras, superam limites / Atletas buscando o primeiro lugar / Quando de repente pisando no breque / Vi no calhambeque alguém acenar / Na última volta do meu carnaval / Desponta um gênio talento imortal / Trazendo nas mãos a bandeira do nosso país / Na reta, a consagração / O tema a emocionar / Lá vem o campeão / Voando baixo pra vitória alcançar / Acelera Tijuca, eu vou com você / Nosso lema é vencer / Guiando o futuro que um sonho construiu / Ayrton Senna do Brasil”.

Se eu fosse jurado, teria lascado um 0 em samba-enredo e condenado a escola ao rebaixamento. Ou não, porque eu provavelmente meteria zero me pelo menos metade das escolas que desfilam letras pavorosas e que tentam abraçar o mundo carnavalesco (Egito, Escravos, Bambas Imortais, Pequenos Produtores Rurais) associados aos mais diversos ganchos, variações do mesmo tema sem sair do tom.

Ainda poderíamos argumento que algum lapso, um vírus maligno que infestou a capacidade intelectual dos analistas e eles não perceberam que estavam diante de uma besteira sem tamanho. Não é verdade. Ao longo dos anos, o carnaval carioca tem premiado temas bem bizarros.

Acredito que tudo começou em 1993, quando a Imperatriz Leopoldinense foi campeã como “Catarina de Médicis na corte dos Tupinambôs e dos Tabajéres”. Fascinados com a capacidade que alguém tinha de contar essa história, os jurados premiaram a Escola com o título e influenciaram as concorrentes. Na virada do século, a Imperatriz conseguiu o tricampeonato, divulgando temas como “Brasil, mostra a tua cara em 'Theatrum Rerum Naturalium Brasiliae'” e, o meu preferido, “Cana caiana, cana roxa, cana fita, cana preta, amarela, Pernambuco, quero vê descê o suco na pancada do ganzá”. Nem Caetano Veloso conseguiu decifrar.

A tradição foi repassada para a Beija-Flor que conseguiu centenas de títulos no começo dos anos 2000, com temas como “Macapabá: Equinócio Solar, Viagens Fantásticas no Meio do Mundo”, “O vento corta as terras dos Pampas. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Guarani. Sete povos na fé e na dor... Sete missões de amor” e “Manôa, Manaus, Amazônia, Terra Santa... Que alimenta o corpo, equilibra a alma e transmite a paz”.

Por isso que esse blog defende, mais do que isso, desafia as escolas de samba a realizarem um desfile com o tema “Frango Frito”.

quarta-feira, 5 de março de 2014

O Fantástico Mundo do Craque Neto

Faz uns três anos que a afiliada local da Rede Globo resolveu transmitir os jogos do campeonato mato-grossense nas noites de quarta-feira e nas tardes de domingo. Um estímulo para o sofrido futebol local, que acaba por nos proporcionar a oportunidade de assistir peladas estratosféricas, em que a bola é tratada como um aidético nos anos 80. Também nos proporciona a chance de mudar de canal e assistir ao Campeonato Paulista na Bandeirantes, onde brilha soberana a estrela do Craque Neto.

Assistir a um jogo com os comentários do Neto é daquelas experiências transformadoras na vida e um homem. George Orwell formou seu caráter nos dias de pobreza extrema como ajudante de cozinha em Paris e Londres. Há quem não se esqueça da vida nas trincheiras da guerra do Vietnã. Assistir um jogo com o Neto comentando é a mesma coisa. Seus comentários imprimem um desconforto psicológico no telespectador que em pouco tempo podem acarretar um ataque de nervos. Superá-los, é uma prova de força mental.

No mundo do Craque Neto não existem meio termos. Ou a revolução do proletariado ou o Estado de exceção com a supressão dos direitos individuais e extermínio dos inferiores. Por mais que nossos olhos nos digam ao contrário, em campos nós não vemos duas dezenas de jogadores medianos numa partida meia-boca do Campeonato Paulista. Ou o sujeito é um perna-de-pau que deveria ser sacrificado junto com os cachorros raivosos, ou ele é um CRAQUE, um BAITA jogador. Romarinho é craque, fulaninho que joga no Penapolense é um BAITA jogador. Paulo Henrique Ganso deveria receber a injeção letal, aquele lateral direito deveria virar limpador de latrinas medievais.

De tal forma, os jogos nunca chegam a ser equilibrados em sua mediocridade. O que vemos é um claro massacre de um determinado time sobre o outro. De um time que está jogando MUITA bola contra outro que não está jogando nada. Mesmo que o time que não esteja jogando nada tenha tido mais finalizações, oportunidades de gol, escanteios, posse de bola. Mesmo que o time dominante não tenha acertado um passe. Nossos olhos mentem, os do Craque, jamais.

Gols são golaços. Cruzamento vadio na grande área, o centroavante cabeceia todo torto para o fundo do gol. GOLAÇO. Pênalti duvidoso, o camisa dez bate com um peteleco no meio do gol. GOLAÇO. E pra fazer um gol assim, não é qualquer um não, não é qualquer leproso que consegue bater na bola desse jeito. Tem que ser CRAQUE. Quem batia na bola assim era só Rivelino e o próprio Neto. Sim, nosso Messias não sofre de falsa modéstia. Ele sabe que ele é capaz de fazer qualquer jogada.

As cobranças de falta e escanteios são um verdadeiro fetiche para o nosso comentarista. Um escanteio mal cobrado o faz espumar de raiva e acredito que os seguranças da cabine tenham que segurá-lo para que ele não desça até a beira do gramado para ensinar aquele energúmeno como é que se bate na bola. Agora nas faltas. Neto poderia ficar os 90 minutos estipulando sobre como é que uma falta poderia ser cobrada. Que o goleiro armou a barreira errada, e que um canhoto deveria cobrar a falta, batendo de rosca na bola por fora da barreira, passando em cima do terceiro homem, no canto oposto do goleiro, entrando no canto superior direito, em baixo. Sim, não tente entender.

Neto também é adeptos de devaneios. Quando ele vai elogiar um time, o Palmeiras, digamos, ele começa a falar que é um bom time, que tem o Alan Kardec fazendo o pivô, chegando na frente, o Valdívia armando ali atrás, o Leandro, que é CRAQUE, caindo na ponta, batendo na bola, jogando ali com o Márcio Oliveira, e quando você vai ver ele já citou todos os seus jogadores e o que eles fazem em campo, inclusive correr e respirar.

O ápice, no entanto, é quando nosso craque sugere algumas alterações em campo. Coisas como, retirar um lateral, para colocar um atacante, recuando o volante pra zaga, adiantando o goleiro pra ponta, recuando o centroavante pra fazer o pivô abrindo espaço pra esse atacante que entrou na lateral entrar na área a e cavar falta pro camisa 10 bater e promover a paz mundial.

Agora e se ele estiver errado? Se as estatísticas mostrarem que o jogador que ele disse que era o melhor em campo, na verdade teve uma diarreia e não chegou a entrar em campo? Simplesmente mude de ideia. O time que não estava jogando nada pode passar a ser amplamente superior e ter jogado MUITA bola quando faz um gol. Neto não tem amarras com o passado. Ele tem a frieza de um estadista.

segunda-feira, 3 de março de 2014

Roteiro Adaptado


Todo dia ele ia ao encontro dela. Queria escutar sua voz, dizendo sempre as mesmas coisas, da mesma forma. Estava apaixonado, não tinha como negar. Passava a noite sonhando com ela, com o que ela dizia, com os papeis que entregava, com o segundo a mais que ficava frente-a-frente com ela, apenas na tentativa de chamar a atenção.

Sonhava com o dia em que conseguiria se declarar, levaria ela para algum lugar especial e os dois seriam felizes para sempre, longe das pressões mundanas que os sufocavam diariamente. Sim, ele sabia que ela também deveria sofrer. Tinha certeza que ela sentia o mesmo, que de noite, quando não havia ninguém por perto, ela pensava nele.

Nos momentos mais eufóricos, se sentia especial e correspondido. De alguma forma, ela notava que ele estava ali. A cidade se silenciava e ele conseguia escutar sua voz. Nos momentos mais depressivos, pensava de que ela era assim com todos. Vagabunda, pensou. Logo se sentiu culpado e pediu desculpas pelas coisas que ela não ouviu.

Outro dia, outra vez ele estava diante dela. Ela o cumprimentou, ele retribuiu. Ela lhe entregou um papel e ele percebeu que iria embora mais uma vez, outra vez perderia a possibilidade de ser feliz. Tomou uma decisão. Desceu do seu carro e a abraçou, beijou e apertou. Declarou o seu amor e tudo o que sentia, o tempo em que tinha se dedicado a essa paixão, as coisas confusas que passavam por sua cabeça.

Escutou as buzinas do carro atrás dele. Pessoas gritando para que ele saísse da frente e logo um segurança se aproximou e pediu para que ele se retirasse. Olhou sobre os óculos e concordou. Não era dessa vez que seu amor seria correspondido. Seguiu adiante com a garganta apertada, escutando a voz dela dizendo “saída liberada”.

Ele estava apaixonado pela maquininha do estacionamento do supermercado.