domingo, 28 de fevereiro de 2010

Vizinhos que escutam música ruim

Não sei precisar a data exata em que notei a existência de vizinhos que escutam música ruim. Ás vezes tenho a impressão de que eles entraram na minha vida no momento em que eu nasci. Aposto que meu vizinho de incubadora escutava música ruim. Mas o problema não é nem o fato de eles escutarem a música. E sim que eles a escutam alto. Muito alto.

Sempre me pergunto por que alguém tem que escutar música nesse volume. No momento eu estou escutando Bad Blood do Black Rebel Motorcycle Club, que muita gente poderia considerar ruim. Está num volume em que eu posso escutar os detalhes da música e se quisesse dançar, eu poderia dançar com uma música nesse volume. E ninguém na cozinha poderia escutar.

Mas os vizinhos que escutam música ruim não entendem assim. Talvez a música tão alta seja a única maneira de aturá-la. Talvez só seja possível escutar música eletrônica se ela estiver tão alta, de tal maneira que você tenha seus sentidos perturbados e perca a noção completa de tudo o que esteja a sua volta. Ou talvez eles imaginem que todos os vizinhos estejam interessados em escutar a bela música que ele escuta.

Antigamente era só musica sertaneja. Manhãs de sábado e tardes de domingo recheadas com clássicos do gênero. Liga pra mim, o amor mexe com a minha cabeça, fio de cabelo preso no nosso suor.

Quando esse vizinho misteriosamente desapareceu, surgiu um vizinho que não escutava música. Mas, tentava fazer música. Eram horas e horas seguidas na qual o aprendiz de guitarrista tentava em vão acertar o riff de Come As You Are do Nirvana. Depois um vizinho que tentava tocar violino apareceu. Escutar o som de um violino mal tocado é uma experiência inenarrável.

Foi então que chegaram os vizinhos evangélicos que escutavam country gospel. E o Funk Gospel também. “Pra ir pro céu tem que muita oração. Pra ir pro céu tem que ter é santidade. Céééééééu Céééééu Céu céucéucéucéucécécécécccccccc”. Felizmente o som parou. Não sei se eles criaram juízo, viraram ateus, ou morreram. Seja lá o que tenha sido, foi bom.

Foram alguns meses de paz. Até que se mudaram vizinhos novos para um kitnet. Não bastasse que eles fossem porcos imundos que deixam lixo espalhado pelas calçadas, não bastasse isso... sim. Eles são vizinhos que escutam música ruim num volume alto.

Acordo hoje de manhã ao som de uma versão remixada daquela sertaneja, Paga Pau. Não dá. Isso foi o limite. Misturar sertanejo com eletrônico. É como salada de pequi com chuchu. É como uma fusão de Flamengo com Corinthians. É muita coisa ruim junta.

Cansei de esperar que as autoridades conseguissem meios legais de acabar com esse mal. Resolvi então fazer justiça com as próprias mãos. É preciso pegar em armas. Que os justos se juntem a mim nessa cruzada. É hora de acabar com esse problema. Varrer esse mal da face da terra. Mandar os vizinhos que escutam música ruim para o inferno!

Uma campanha CH3, pelo fim dos vizinhos que escutam músicas ruins. Porque vizinho bom é vizinho morto.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Grandes dúvidas que não têm explicação (10)

Porque o material escolar desaparece?

Esses dias eu abri meu armário e encontrei, largada em um canto, uma antiga borracha. Me lembro que em 1998 minha mãe comprou três dessas borrachas que estavam em promoção em uma loja Casa & Vídeo em Petrópolis. Borrachas brancas, 6 cm de comprimento, escritas “German Style” na parte de cima. Ter encontrado essa borracha foi um verdadeiro milagre. É difícil que uma borracha dure 11 anos.

Ao longo de sua vida você terá várias borrachas. As clássicas branquinhas da Mercur, ou a tradicional metade laranja, metade azul. Sabe se lá porque foi criada a lenda urbana de que o lado vermelho servia para apagar caneta. Várias pessoas rasgaram folhas de papel nessa tentativa. Haviam também aquelas verdes claras que esfarelavam muito. Ou ainda as que vinham com uma capa verde, perigosa capa verde, que servia para ocultar desenhos pornográficos feitos pelos seus amigos. Sim, você ia à mesa do professor e ao voltar, havia um pênis desenhado na sua borracha.

Apesar de diferentes em sua composição, textura, formato, cor, cheiro e gosto, essas borrachas tem algo em comum. Todas desapareceram misteriosamente algum dia, sem deixar pistas. Podem ter sido roubadas, picotadas e atiradas por um colega psicopata, caído no chão ou... ou não sei.

O curioso é que, apesar de isso ser mais freqüente com borrachas, o material escolar sempre esteve sujeito a desaparecimentos. Puxe pela memória. Seu lápis amarelo Faber Castel. Você ia apontando ele, apontando ele até que... você não se lembra de um dia em que ele tenha ficado tão pequeno que ele fosse impossível de apontar. Ele ainda tinha um bom tamanho no dia em que ele desapareceu.

Os próprios apontadores. Sumiam misteriosamente. Era difícil arrumar um apontador realmente bom e não valia a pena se esforçar. Ele ia desaparecer logo. E o lápis de cor? Todo ano o colégio pedia para que você comprasse uma caixa nova. Você mal usava aquilo ao longo do ano, mas no ano seguinte era preciso comprar outros. E assim por toda a eternidade. Os lápis desapareciam. Até o dia em que você saia do colégio e encontrava uma caixa com centenas de lápis coloridos.

As próprias canetas. Geralmente elas não resistem até o momento em que a tinta acaba. Provavelmente porque o medo de que a tinta da caneta acabe é tamanho, que ninguém quer correr esse risco.


E em casa? Você nunca encontra uma fita durex quando precisa. Apesar de saber que você tem em casa. Cola, tesoura. Tudo desaparece. Porque isso acontece? Porque? Porque?

Bem. Para nós do CH3 a explicação é fácil. Existe em todos os colégios um buraco negro que suga o material escolar para um mundo paralelo. Nesse mundo paralelo, borrachas, lápis e apontadores vivem tranquilamente. Sem serem desgastados e sem terem pênis desenhados em seu corpo. Vivem felizes para sempre.

Esse buraco negro foi criado por cientistas ligados à máfia das empresas de papelaria, para que você tenha que sempre comprar mais material escolar. Normalmente todos os que denunciam essa máfia acabam sendo assass

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Homens e mulheres

Ultimamente eu tenho recebido uma centena de e-mails por semana com piadas de mulheres sobre homens e piadas de homens sobre mulheres. Toda semana vejo também em vários blogs listas de coisas que homens odeiam, coisas que mulheres odeiam, coisas que todo homem deve saber sobre mulheres, coisas que não devem ser ditas para uma mulher, enfim. O que elas tem em comum é que são provocativas. Se foram feitas por homens, provocam as mulheres e vice versa. Outra coisa, é que são idiotas e generalizadas, a maioria é feita por amadores que se baseiam em opiniões pessoais.

Por exemplo, hoje eu li que homem prefere tomar chuva e pegar pneumonia a usar guarda-chuva. Nunca ouvi falar disso. Deixem essa tarefa de fazer listas para profissionais. Aqui vamos fazer algumas listas coerentes e verdadeiras. Começamos com:

Coisas que nenhum homem gosta de ouvir de uma mulher:

-Estourei o limite do seu cartão.
-Vamos tentar coprofagia? Você começa.
-Você não tem mais idade pra jogar video game.
-Atropelei seu cachorro, mas foi sem querer.
-Atropelei seu cachorro e foi de propósito.
-Você fede a gente morta.
-Você está demitido (se for sua chefe).
-Isso é uma verruga ou é seu pênis?
-Quero sua mãe fora da nossa casa em uma hora.
-Odeio você, queria que estivesse morto.
-Você é um merda e não tem futuro na vida.
-Publicitário? Tô fora.
-Olha, você é um cara legal, mas...
-Coloquei veneno na sua bebida.

Bom... Existem mais coisas, mas até aí, acho que são essas coisas que um homem REALMENTE não gostaria de ouvir de uma mulher.
Prosseguindo, para equilibrar a balança, uma lista de gostos e preferências femininas:

-Toda mulher gosta do CH3 (ao menos não ouvimos reclamações de nenhuma).
-Algumas mulheres gostam de chocolate. A maioria, na verdade. Algumas não.
-A maioria prefere chocolate a um salgado. Mas existem exceções.
-Muitas mulheres gostam de perfumes fortes. Muitas gostam de perfumes suaves. Algumas não gostam de perfume.
-Mulheres adoram dançar, no geral. Algumas preferem não dançar.
-Existem as mulheres que gostam mais do twitter, enquanto existem as que gostam mais do orkut.
-Mulheres gostam de homens inteligentes, mas os burros quase nunca estão sozinhos.
-Muitas mulheres dizem que homem é tudo igual, mas escolhem a dedo.
-Nenhuma mulher gosta de perder o emprego.
-Toda mulher gosta de música.
-Mulheres gostam de ficar bonitas.
-Elas preferem deixar os cabelos compridos, mas algumas preferem deixar os cabelos curtos.
-Mulheres gostam de cinema.
-Algumas preferem comédias românticas, outras preferem drama, existem as que preferem ficção científica...
-Geralmente mulheres não gostam de pickles. Algumas gostam, mas pickles não é uma coisa agradável.

Bom, creio que essas duas listas estejam mais de acordo com a realidade do que as que vemos por aí. Envie-as para seus amigos ad-exaustum, quem sabe eles param de te encher o saco com listinhas infames.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Por onde andam: os ganhadores do BBB

Este foi o post mais difícil da história do CH3. Só o trabalho de lembrar o nome dos ganhadores do Big Brother já é demasiadamente complicado. Saber o que eles estão fazendo da vida é ainda mais complicado. E desinteressante. Ou talvez interessante, dependendo das suas áreas de interesse.

Kléber Bambam – O homem que emocionou o Brasil ao ter uma crise de choro por conta de uma boneca feita com uma vassoura. Ao sair do programa ele virou coadjuvante do programa da turma do Didi. Como miséria pouca não é bobagem ele virou garoto propaganda do Guaraná Dolly. Recentemente se separou da boneca Maria Eugênia e passou a viver foragido. E procurado pela Interpol, acusado de terrorismo e de ser co-autor do crime da propaganda do Dollynho. Foi visto recentemente em uma boate de Ibiza.

Rodrigo Caubói – O homem que emocionou o Brasil por usar chapéu de caubói. Ao sair do programa virou empreendedor e perdeu todo o seu dinheiro. Atualmente participa de filmes pornôs e é microempresário do ramo agropecuário. Já foi preso por estelionato.

Dhomini – O homem que emocionou o Brasil por pegar a Sabrina Sato. Fundou o “Fundo de Amparo as Celebridades com Nome Escroto” (FACNE), da qual ele logo foi excluído por não ser uma celebridade. Amargurado e abandonado por Sabrina, seguiu o caminho que um goiano segue: fundou uma dupla sertaneja. Ainda hoje ele é um corno profissional.

Cida – O homem que... digo, a mulher que emocionou o Brasil porque o Brasil se emociona com qualquer coisa. Depois de sair do programa levou a vida sendo espancada pelo marido. Cogitou-se mudar o nome da Lei Maria da Penha para “Lei Cida do BBB”. Separou-se do marido, engravidou dele e voltou a se casar. Enquanto você lê esse post, ela pode estar apanhando.

Jean Willys – O primeiro professor gay a ganhar o programa. Ao sair do programa tentou ser jornalista e escritor. Atualmente ele é professor de publicidade em uma faculdade famosa de São Paulo.

Mara – Uma verdadeira incógnita. Dizem que entrou na faculdade e viveu feliz para sempre. Ganhou recentemente o troféu de ganhadora do BBB mais insignificante da história.

Diego Alemão – O homem que emocionou o Brasil por brigar sem camisa e comer todas as mulheres da casa. Depois de sair da casa se tornou produtor e agente de celebridades. Seja lá o que alguém faz com isso. Arrumou bicos no canal Multishow, que em geral contrata qualquer global fracassado, onde cumpre o papel de entrevistador ruim.

Rafinha – Ganha a vida como vocalista de banda emo e cover do atacante Raúl do Real Madrid. Sempre que saí de casa tem que informar para a mãe o telefone do lugar para onde ele vai.

Max – Depois de sair da casa terminou de se relacionar com mulheres e se assumiu homossexual, mantendo uma sólida relação com o também ex-bbb Flávio. Foi destaque do último Gala Gay e desfilou no último carnaval, a Mangueira entrou logo atrás (há!).

E o futuro?

Pai Jorginho de Ogum nos informou que o campeão da atual edição do BBB será atropelado assim que sair da casa. Ano que vem ele será o ex-bbb mais fácil de se lembrar aonde está. Dentro de um caixão e enterrado a sete palmos.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Efeito Dominó

Japoneses, chineses e outros orientais adoram. Colocar dominós alinhados, por quilômetros e quilômetros. Trilhões de dominós lado a lado. Então, derruba-se o primeiro e o primeiro derruba o segundo, que derruba o terceiro, que derruba o quarto, que derruba o quinto, o sexto, o sétimo, oitavo, nono e ad eternum.

É uma atividade de risco. Em qualquer momento durante o processo de montagem, um simples esbarrão, uma brisa forte pode derrubar um dominó que derrubará todos os subseqüentes. E um trabalho de horas pode cair. Tipo um castelo de cartas. Mas o castelo de cartas é muito mais um trabalho digno de pessoas que tem pacto com o demônio.

Existem os dominós humanos, que consistem em várias pessoas vestidas de dominó. E elas cedo ou tarde serão derrubadas e derrubarão todas as seguintes. Talvez seja divertido participar de um.

Mas falo aqui do efeito dominó na vida das pessoas. Um simples fato que começa a derrubar todos os dominós que constituíram a sua vida.

Tiger Woods é o esportista que mais ganhou dinheiro ao longo da sua vida. Aqui, vale discutir se golfe é um esporte mesmo, mas enfim. Fato é que ele ganhou muito dinheiro. Muito, muito dinheiro. Mais do que você vai ganhar em toda a sua vida. Mais do que você poderia ganhar na mega-sena. Fora isso, ele era um ídolo. Adorado por crianças e idosos, homens e mulheres, ricos e pobres. O negro norte-americano que triunfou. Virou jogo de vídeo-game. Herói nacional. Nada, jamais, houve em sua vida que pudesse acabar com sua imagem.

No dia 26 de novembro de 2009, Woods sofreu um acidente de carro às 3h da manhã. Atingiu um hidrante e um poste. Mas não se machucou muito. O motivo do acidente foi a imprudência e uma leve embriaguez. Porque ele bebeu? Porque estava nervoso. E porque ele estava nervoso? Porque havia brigado com a mulher. E porque ele... bem, ele havia brigada com a mulher porque tinha casos extra-conjugais.

E lá se foi. Na conservadora sociedade norte-americana, um caso extraconjugal já seria o suficiente para arranhar sua imagem pública. Mas depois veio o pior. Surgiram outras amantes. E uma delas disse que Woods era um compulsivo sexual. Que constantemente ele participava de orgias sexuais. Logo surgiram informações que ele mantinha relações sexuais inclusive com homens. Já estava prestes a acontecer o momento em que necrofilia e zoofilia entrariam na pauta de perversões sexuais.

Reconhecido como viciado em sexo, ele se internou em uma clínica de reabilitação. Sim, existe um SPA desse tipo. Com funcionários gordos, fedidos e com mau-hálito para não estimular nada. Os pacientes dormem com as mãos algemadas na cabeceira e os banhos são monitorados.

Entendem? Se ele não tivesse batido o carro naquele dia, era provável que ninguém soubesse que ele estava bêbado por ter brigado com a mulher, por causa de traições e da sua compulsão sexual.

Pode acontecer com grandes empresas. Um acidente com um caminhão da empresa de fast-food revela que lá dentro havia cadáveres e que eles eram utilizados para fazer hambúrguer. Ou o nobre empresário que ao tropicar na rua corta profundamente a mão, é levado para exames que revelam que ele tinha AIDS, graças a relações homossexuais que ele mantinha com o presidente da república, também aidético. Se não houvesse o acidente, o Mcdonalds não encerraria suas atividades, se não houvesse tropeção, o presidente não sofreria o impeachment. E por aí vai.

Os grandes segredos, guardados com tanto cuidado, podem não resistir a um simples esbarrão.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

5 anos de Youtube

Oficialmente o Youtube foi registrado em 14 de fevereiro de 2005, apesar de ter sido lançado e popularizado só alguns meses depois.
Mas admita que de lá pra cá, sua vida mudou. A história da internet pode ser divida em dois perídos: antes do Youtube e depois do Youtube.

Porque, você pergunta? Hoje é banal entrar no site e procurar um vídeo, mas experimente lembrar da época anterior à existência dele. Você era obrigado, por exemplo, a assistir a Mtv pra ver clipes musicais. E todo mundo sabe que Mtv é uma desgraça, você tinha que esperar o dia inteiro até passar algum clipe que realmente prestasse. Ou então você tinha que baixar o clipe que você gostava no Kazaa, contrair uma infinidade de vírus e encher seu HD. O Youtube mudou essa realidade e deixou a Mtv sem chão.

O Youtube também permitiu ver trailers de filmes e jogos mais facilmente, o que sem dúvida é útil e bacana. Mas a principal função do site é matar seu tempo. Ficar o dia todo no Youtube já é uma prática comum. O Youtube surgiu para qebrar o tédio em casa, quando você está apenas de bobeira no computador, ou mesmo durante o trabalho, quando você tá de saco cheio. Agradeça aos céus por dádivas como essa.

Junto com o site, descobriu-se também um universo de bizarrices jamais vistos. O mundo tornou-se um lugar mais surreal depois da existência do Youtube. Em que outro lugar você conheceria por exemplo, um castor com um olhar dramático? Ou um grupo de japoneses fazendo pegadinhas numa biblioteca? E a Marli. Meu Deus, a Marli. Nunca mais me recuperei do trauma de ver os clipes dessa mulher, principalmente Linha Direta.
Youtube é palco de memoráveis desconhecidos: Chocolate Rain, Afro Ninja, Erik Hartman, Daler Mehndi, David after dentist, Grindcore baby... Enfim, qualquer um pode fazer sucesso no Youtube (veja como isso é possível no Guia CH3).

Até o CH3 tem seu espaço no Youtube, como você pode ver nos links ao lado. Os memoráveis vídeos de Guilerme e os episódios da CH3 tv estão lá para sempre serem lembrados. Com mais de um bilhão de vídeos assistidos todos os dias, agradeça a Chad Hurley, Steve Chen e Jawed Karim por ter mudado sua vida para sempre.

E pra não deixar de ser, o vídeo mais acessado no Youtube (mais de 160 milhões de visualizações) é uma coisa retardada:

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Vós degustais

Semana passada eu estive em um consultório médico (que já foi tema de um post passado). Como eu estava sem livros e o lugar não tinha televisão, tive que apelar para as revistas durante a infinita espera pela consulta. Fugindo das Caras, caiu em minhas mãos um exemplar de uma revista especializada em vinhos.

Depois de entrevistas sobre uvas Cabernet Sauvignon e matérias sobres adegas refrigeradas, a revista terminava com um guia do consumidor. Sabe como é, os especialistas analisaram vários tipos de vinhos em suas várias safras. E uma análise de vinho vai além do puro e simples sabor.

Pois eu devo dizer que ri. E ri bastante lendo as resenhas viticultoras. Gargalhei e depois rolei no chão rindo. Ok, eu apenas sorri contidamente para manter as aparências enquanto lia sobre aromas amendoados e notas amadeiradas.

(Antes que algum degustador viadinho apareça por aqui dizendo que sua profissão é séria, não é baseada em clichês e costume preguiçosos, e que ela necessita anos de aprendizado, eu deixo claro que respeitamos os enólogos do Brasil e do mundo, mas que no entanto eu faço esse post do ponto de vista de um ser humano normal. E o ser humano normal bebe vinho com Coca-Cola® e não tem o costume de olhar copos contra a luz. Se você quiser aprender como ser um enólogo, favor, prossiga sua busca no Google e não venha culpar sua miserável incompetência em fazer uso da ferramenta de busca, aqui. E ah. Todo mundo adora criticar trabalho de jornalista e publicitário, não sei porque as outras profissões se mordem tanto com piadinhas.)

Mas tive vontade de rir mesmo quando finalmente o clímax chegou. Ao descrever uma certa safra de um certo vinho (“impressionante, é a primeira safra deles e eles já conseguem esse resultado!”) o desgustador teve um orgasmo em palavras. Começou dizendo que o “aroma de frutas escuras é inebriante e sensual”.

Peraí? Sensual? Como assim? Volta e meia nos meus momentos de devaneios, eu me pego pensando em como um vinho pode ser sensual. Como aquela garrafa pode transmitir sensualidade, apesar de ela ser fálica.

O indivíduo entra no quarto e a garrafa espera por ele, nua, sobre a cama. Há uma troca de olhares e o clima acontece. Depois de uma troca de carícias, a garrafa já está toda aberta e esperando para ser consumida. Após horas de gemidos de prazer o indivíduo deita na cama e adormece.

Depois dessa fábula erótica etílica, o texto ainda terminou dizendo que o vinho é muito elegante no momento em que entra na boca. Provavelmente ele pede licença.

Existem pessoas que tentam degustar azeite. O que pra mim é algo completamente assustador, uma vez que azeite puro é algo digno de se vomitar. E eu não imagino outra qualidade do azeite que não seja o seu gosto de azeitona.

Existem até pessoas que tentam degustar frescamente uma cerveja. Dizer dos seus aromas, seu forte gosto maltado e etc. “Nova Schin: forte aroma de urina de camelo. Ao entra na boca o sabor é broxante e deselegante”.

Falando nisso, existem pessoas que fazem um trabalho próximo a isso com a urina. Você já fez exame de urina? Pois bem, se fez, sabe que no resultado consta a cor e o cheiro de sua urina. Aparece que sua urina tem odor característico.

Sempre que você estiver triste e desiludido com a vida, pense no cheirador de urina. Em quão desgraçante é essa profissão. Dia após dia, sozinho, pegando dezenas e dezenas de exames de urina, dando uma cheirada pra dizer “opa, essa cheira bem!” ou “hmm, cheiro ruim”.

Pior mesmo, só se o exame apresentasse o gosto da urina.
- Gosto: característico.
Ou pior:
- Gosto: levemente amendoado.
Ou pior se isso acontecesse com os exames de fezes. Para alguém ser feliz nessa profissão, apenas sendo coprófago.

- Olá, o senhor trouxe as fezes e a urina?
- Sim.
- Delícia!
- Como?
- Não, eu que como... digo, tudo bem, aguarde um pouco que logo o chamamos.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

É Carnaval

Eu acho o carnaval um saco. Sim, eu realmente acho. Para mim está é uma data nefasta, vil, fétida, pútrida e feita apenas para a diversão de vermes e parasitas acéfalos das mais diversas espécies.

Mentira, exagerei. Eu realmente acho a época de carnaval chata e repetitiva e já abordei isso no ano passado. Ok, não digo explicitamente isso, mas muito provavelmente os inteligentes perceberam meu enfadamento com a data.

Pois bem. Eu não gosto de axé, não gosto de abadas, não gosto de dançar, acho o desfile das escolas de samba chatíssimos, iguais e repetitivos. Também não pretendo me adentrar ao mundo das micaretas buscando as mais sortidas variedades de doenças venéreas. De qualquer forma eu gosto de feriados. Feriados prolongados então poderiam ser a prova mais convincente que alguém pode ter de que deus existe.

Assim sendo, o carnaval poderia ser uma data legal se você conseguisse sobreviver a ela sem o Axé Music e tudo o mais que torna a data insuportável. O Vinícius já deu sugestões de programas alternativos para o carnaval. Mas não adianta. Porque se você não vai até o Carnaval, o Carnaval vem até você. Ele te perseguirá, baterá a sua porta, tentará entrar por entre as frestas de suas janelas e escorrer pela sua torneira.

Ele estará lá quando você abrir sua Home Page. Lá estará Nana Gouvêa mostrando sua calcinha, lá estarão as musas do tapa sexo e lá estará Ivete Sangalo. Na época do carnaval Ivete Sangalo tem o poder de fazer com que qualquer frase sua seja transformada em manchete. Se ela falar “Alguém peidou aqui?” saíra na capa dos principais portais da internet.

E cada vez que você ligar a televisão a mais desgraçada das lembranças estará lá. Ou, as mais desgraçadas. As propagandas de carnaval. São nos grandes feriados como Carnaval, Páscoa e Natal que os publicitários revelam toda a maldade intrínseca ao seu ser.

Se depender de propagandas, como a dos ovos cantores, o Carnaval será uma data coberta por sangue, morte, devastação e terror.

Você ainda poderia tentar fugir para uma cidade pequena e isolada. Mas não adianta. Nas cidades pequenas e isoladas é que o carnaval é ainda mais quente, despudorado, devasso e etc. É lá em Livramento. Ou Arenapolis.

E o pior será quando o carnaval acabar. Todos os seus amigos irão te perguntar o que você fez no carnaval. E quando você responder que teve uma data tranqüila, eles se decepcionarão.

Parece até que na constituição brasileira está disposto que todo cidadão brasileiro tem a obrigação moral e o dever cívico de despirocar geral no carnaval. Beber litros de álcool, pegar loiras, morenas, ruivas, sapinho, mononucleose, hepatite, gonorréia, herpes, cancro mole, varíola, rubéola, caxumba e rotavírus. Que ele tenha que freqüentar os lugares mais remotos e inóspitos.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

#trendingtopics

Cite 4 palavras ditas após o sexo:

"Olha, eu tenho AIDS"
"Há, pegadinha do Mallandro!"
"Preciso tuitar isso agora"
"Cinco real pra caridade"
"Você gosta de batata?"

Enfim. Essa ideia surgiu no twitter alguns dias atrás. De repente fiz login no twitter e vi um monte de pessoas que eu seguia tuitando frases de 4 palavras ditas depois do sexo, acompanhadas pela hashtag #4palavrasdepoisdosexo.

São coisas muito esquisitas. De onde vem essas ideias? Digo, quem começa toda essa onda? Por que de repente você vê milhões de pessoas tuitando sobre as mesmas coisas?
E geralmente são coisas muito bizarras. Por exemplo, durante o natal, estava nos trending topics da página inicial: "if santa was black", quer dizer "se o papai noel fosse negro". Clicando nele você viria um monte de tweets como:
-Se o papai noel fosse negro, seu presente já viria aberto.
-Se o papai noel fosse negro, ele não ia tomar leite com biscoito, ia tomar pinga.
-Se o papai noel fosse negro, o trenó dele seria tunado.
-Se o papai noel fosse negro, ele invadiria sua casa e estupraria sua mãe.
Pois é.

Surgem coisas do tipo, sei lá #thingsiwouldsaytomichaeljackson ou #ifiwereapig ou #talklikearetard. Sim, aparecem coisas muito idiotas. E milhões de pessoas seguem o exemplo. Clique numa dessas hashtags, e você vai ver que vai aparecer mais de 100 tweets dois segundos depois.
Dá pra saber das notícias mais recentes pelos trending topics. Se alguém morrer, vai estar na página inicial RIP fulano de tal no mesmo dia e vai ficar durante a semana inteira. Também aparece o nome de celebridades do momento. Atualmente quem mais aparece é Justin Bieber, que eu nunca ouvi falar, mas o nome está lá todo santo dia. Procure o nome no google e você vai ver que é um pirralho. O que ele faz, não tenho ideia.

Agora, sério. É um mistério pra mim. Como uma frase de hashtag surge do nada e de repente se torna uma tendência que dura um dia só? Sim, porque se você for tuitar alguma coisa que era hashtag do dia anterior, você faz papel de idiota.

Existe algum site que diz: "olha, hoje todo mundo vai tuitar sobre #oquevoceusariaprasebesuntar"? Ou é uma única pessoa de influência monstruosa, como aquela magricela do Big Brother que cria essas tendências? Se for esse o caso, se você for um ninguém, não vai inventar de criar um #celebridadesqueeulamberiaaorelha. Deixe que uma pessoa famosa crie que dá certo.


Não sei, a cada dia que passa eu me sinto cada vez mais por fora das coisas que acontecem. Tanto que eu nunca tinha ouvido falar da tal Tessália até o dia que todo mundo tuitou que ela ia estar no Big Brother como uma representante importante do twitter. #Écoisadelouco.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Déjà vu

Foi uma decepção muito grande. Por anos e por anos eu escutei aquela música: “Na madrugada a vitrola rolando um blues, trocando de biquíni sem parar. Sinto por dentro uma força vibrando uma luz, a energia que emana de todo o prazer”.

A sensação do Déjà Vu é algo realmente muito estranho. É a sensação de que você está vendo algo que você já viu antes. Donde vêm esses pensamentos estranhos? Algumas pessoas dizem que é uma reação psicológica para tornar um lugar acolhedor. Funciona mais ou menos assim: se você está na merda, seu cérebro faz você ter a impressão de que você já esteve na merda antes. Assim, estar na merda não vai parecer algo diferente e assustador.


O que é muito estranho, porque a sensação de já ter vivido isso antes é assustador.




E a vitrola trocando de biquíni sem parar? De fato, para mim, o Déjà mais estranho, o mais assustador, é os dos sonhos.

Digo, você de repente não se pegou sonhando com algo normal. Do tipo, você tem uma Ferrari. E no sonho você tem a sensação de que já teve uma Ferrari em outro sonho. Que esse sonho é uma espécie de continuação de outro sonho. Mas você não se lembra de ter tido esse outro sonho. Mas é fato, você já dirigiu uma Ferrari nos seus sonhos.

Sempre que isso me acontece, eu acordo com uma sensação estranha. Esses dias, por exemplo, eu sonhei que estava num baguncinha na rua com os amigos e de repente chegava um homem pedindo dinheiro para tratar de seus problemas. Então ele mostrou que não tinha um olho. Tive a impressão de já ter visto isso antes. Mas de fato, isso nunca me aconteceu.



Pessoas Constrangedoras, volume 29,90

Mas sem dúvida, a pior associação possível com a palavra Déjà Vu é aquela que se refere a banda Djavu. Com o carnaval chegando, as coisas ficam ainda piores.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Pessoas constrangedoras, volume 5

Seguindo com a série sobre pessoas constrangedoras, hoje o CH3 mostra dois tipos que você já deve ter encontrado em alguma parte de sua vida.

Pessoas que mostram "cicatrizes de guerra"

Dizem que garotas gostam de cicatrizes. Elas são sinais de luta, experiência de vida, sobrevivência a adversidades. São sinais de que você passou por uma provação e sobreviveu, portanto, é alvo de admiração entre as pessoas, em geral as do sexo feminino. Mesmo se você
tenha se cortado acidentalmente com uma faca.
Bem, o problema são aquelas pessoas que fazem questão de mostrar não só cicatrizes, mas qualquer coisa que tenha e que seja no geral, nojento.

Imagine você sentado num baguncinha de rua com os amigos, e de repente chega um homem pedindo dinheiro para tratar de seus problemas, e mostra que ele não tem um olho. E aponta para a cavidade que ele tem na cara. Desagradável, não?

Existem ainda as pessoas que guardam o apêndice operado num vidrinho e mostram pra toda visita em casa. Que coisa doente... Quem guarda apêndice? Quem quer ver apêndice? Pior ainda é guardar pedras do rim. Há casos de gente que guarde a fimose. E mostram pra todo mundo. Legal, não?

Digo, não é nenhum problema querer
manter cicatrizes, elas podem significar alguma coisa pra pessoa. Mas bem, não é como se todo mundo quisesse vê-las. Em hora errada, ainda. Na sala de aula, o aluno explica para o professor que esteve ausente durante a semana porque operou dos pulmões e tira a camisa para mostrar. Acontece, acontece...
Em escalas menores, mas não menos constrangedor, aqueles que mostram a unha encravada cheia de pus.

Pessoas que causam vergonha alheia

Outro tipo de pessoas constrangedoras
são aquelas que causam vergonha alheia. Se você não sabe bem o que é isso, são aquelas pessoas que por alguma atitude diante de todos, fazem você meter seu rosto na palma da sua mão e falar "tsc, tsc, tsc..."
Talvez a pessoa de vergonha alheia mais notória que se tem notícia é o Chorão, do Charlie Brown Jr. Cada palavra que ele diz, cada coisa que ele faz, cada música que ele escreve, faz você sentir um desconforto gigantesco por dentro. Como se você se recusasse a acreditar que pertencem à mesma espécie.
Pessoas causam vergonha alheia de diversas maneiras. Não precisa ser necessariamente uma pessoa pública. É também aquela pessoa que faz piadinha em momento inapropriado, é aquele tio que fala alto no restaurante com a família, que fala merda na frente de todo mundo e acha que é dona da razão, é aquele cara esquisito que usa roupas espalhafatosas cheias de brilhos e lantejoulas, é aquela senhora que vai no programa da Márcia pra quebrar pau com o marido porque ele pulou a cerca, enfim.

A lista se estende por kilômetros. O maior problema das pessoas que causam vergonha alheia é que elas acham que estão fazendo muito sucesso. Acham que todo mundo está vendo e está adorando. Por isso elas sempre vão existir e proporcionar constrangimento a todos nós.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Consultório médico

Você recebeu uma proposta de emprego e terá uma entrevista marcada para segunda-feira as 16h. Tente aparecer para a entrevista por volta das 16h30, meia horinha de atraso. Ou então compareça para uma reunião com o seu chefe uma hora depois do horário estipulado. Tente também se atrasar em 1h20 para um encontro com a namorada ou então chegar 5 minutos depois do horário do início do vestibular. Você certamente irá se complicar na vida. Perderá amigos, amores e oportunidades.

Agora, imagine que você seja um médico. Marca uma consulta para as 15h. E por que motivo seja, atende o seu paciente as 19h20. O que acontece? Nada. Você ainda ganha dinheiro.

Sabe-se lá porque na atrasada sociedade brasileira, os atrasos médicos são tão satisfatórios. Sim, é normal pessoas chegarem meia hora atrasados para uma sessão de cinema, ou aparecer às 11 da noite para o jantar que começou as 10. Mas com os médicos, uma hora de atraso é comemorada. “Que bom! Só cinqüenta minutos de atraso! Que Sorte! Hip! Hip! Hurra!”.

No entanto, pior do que o atraso é o que fazer nessa hora de atraso. O ambiente de um consultório é sempre tenso. Se for um consultório de dentista a sala de espera se parece com a ante-sala da câmera de gás de Auschwitz.

Você pode ter um tocador de mp3, cd player ou até mesmo um walkman para te ajudar a passar o tempo. Você também pode levar um livro de casa, um bem grosso. Um amigo meu já leu Ulisses de James Joyce esperando um otorrinolaringologista.

Se você não se precaver, terá que sobreviver o tempo com o que o consultório lhe coloca a disposição. Lembre-se que são dois os grandes dilemas da humanidade: 1) fazer o tempo passar enquanto se espera por algo e; 2) saber o que fazer com as mãos enquanto conversa com alguém.

Televisão
Algumas salas de espera de consultórios têm televisão. Se a consulta for de manhã, você poderá assistir desenhos animados. Se for a tarde, poderá assistir aos filmes da Sessão da Tarde e ainda o novo episódio de Malhação. Outras alternativas que os consultórios oferecem são os programas de culinária e os programas familiares¹ da tarde.

Revistas
Estatísticas apontam que 80% das vendas da revista Caras são destinadas a consultórios médicos. Ninguém em sã consciência compra uma Caras, e sabe-se lá porque os responsáveis pela sala de espera imaginam que as pessoas se interessem por ela. Em aproximadamente 7 minutos você terá lido todas as 16 Caras disponibilizadas no consultório.

Para fazer com que essa leitura dure mais, experimente montar tabelas comparativas com as idades dos famosos que a revista sempre informa².

Recentemente pode se notar em Mato Grosso a popularização da revista ÓtimaMT nos consultórios.

Papear
Depois disso tudo você pode puxar um papo com a pessoa do seu lado. Perguntar o motivo da consulta. Se ela está indo colocar um marca-passo, vistoriar uma prótese peniana ou apenas fazer um check-up. Lembre-se que isso é extremamente constrangedor.

Se após cumprir todas essas etapas sua consulta ainda pareça algo distante e, para piorar, o médico teve que sair para amputar um paciente que chegou no pronto-atendimento do hospital que fica do outro lado da cidade, você pode tentar a meditação, ou o artesanato em copinhos plásticos.

¹ Sabe, familiares. “Sou gay e minha mãe não sabe” ou “meu pai está tendo um caso com o meu namorado”.
² Sabe, na Caras os textos sempre são assim “Suzana Vieira (71) e seu namorado Bruno Marrone (16) ao lado do produtor musical Nelson Motta (67) e de sua esposa Magda (55) na comemoração do centenário de Cid Moreira.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Os mortos vivos

Saudações a todos os fiéis leitores do CH3. Hoje quem vos fala é Vinícius, o Gressana, membro do blog que esteve em inatividade por um período longo demais. Sem escrever desde... nem lembro mais. O Guilherme que é bom pra lembrar essas coisas e tem mais paciência pra pesquisar.
Muitos se questionaram se eu estava morto. Pois não apenas desapareci do blog, mas também de círculos de convívio social dos quais eu já raramente fazia parte. A resposta é: bem, pode-se dizer que eu estava sim, morto.

2009 foi o ano em que os membros do CH3 formaram-se e deixaram a zona de conforto que era a faculdade. E nós três escolhemos áreas de atuação ingratas. Guilherme já explicou sobre o calvário do jornalista no clássico texto A Prática do Jornalismo, provavelmente um dos textos mais copiados do blog, tendo ido parar em outros blogs, perfis do orkut e talvez até tenha sido esquartejado pra caber em 140 caracteres e tuitado.
Tackleberry e eu seguimos pelos tortuosos caminhos da publicidade. Tackleberry abriu firma e atuou por conta própria, conta-se que arrecadou uma certa quantidade de dinheiro e fugiu para as Bahamas.
Já eu, segui pelo universo das agências. Entrei em contato com o submundo da propaganda, que na verdade é o mundo, o que é bem assustador. Segunda-feira, dia 01/02, foi o dia do publicitário, e podem apostar, ao invés de comemorar com bolo e refrigerante, os publicitários comemoraram com pizza e café. Ao invés de ouvir "parabéns" do chefe, ouviram "seu incompetente". Ao invés de ficar até tarde da noite farreando, ficaram até tarde da noite trabalhando em campanha, porque o cliente não sabe o que quer e acha que é diretor de arte.

Acho que o mercado publicitário é uma selva sem leis para compensar os quatro anos de morgação que é a faculdade. É uma espécie de punição por ter ousado escolher um curso sem cálculos integrais, sem tomos de leis a serem decorados, sem algorítmos e sem anatomia. Já é difícil você explicar para sua avó o que um publicitário faz, quando você aparece na casa dela careca dizendo que passou no vestibular. Até porque naquele momento, nem você sabe muito bem. Você só sabe que vai fazer propaganda. Daí você explica pra velhinha que vai fazer propaganda, e ela acha que você vai ser igual ao cara das Casas Bahia. Daí você mostra um panfleto pra ela e diz que é isso que você vai fazer. Você já pode imaginar a cara dela.

Hoje retorno ao CH3 depois de meses sem escrever. Espero não ter perdido o jeito, afinal, não trabalhei como redator. Voltei da morte para contribuir novamente com o CH3.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Charlize, que saudade!

Foi uma decepção muito grande. Por anos e por anos eu escutei aquela música: “Na madrugada a vitrola rolando um blues, trocando de biquíni sem parar. Sinto por dentro uma força vibrando uma luz, a energia que emana de todo o prazer”.

A letra tinha um quê de surrealismo. A vitrola tocando blues, trocando de biquíni sem parar. Quem trocava de biquíni? A vitrola? E porque alguém trocaria de biquíni, assim, sem parar? E essa troca toda faria o eu poético sentir a força vibrando uma luz? A música falava sobre sexo, provavelmente. Mesmo sem entender que fetiche exótico é esse que exige trocas constantes de trajes de banho.

Veio então a decepção. Não havia troca de biquíni. Na verdade a letra de Claudio Zoli dizia “na madrugada a vitrola rolando um blues, tocando BB King sem parar”. Apenas isso. A vitrola tocava BB King, o blues que rolava sem parar. Todo o misticismo pornográfico da letra ficava de lado. Era uma frase redundante e inútil. Estava ali apenas para encher lingüiça.

Sei que não fui o único a me decepcionar. Várias pessoas passaram por isso. A miséria interna de se sentir enganado por tantos anos. Até hoje ainda tenho o sonho de ir a um show do Cláudio Zoli apenas para cantar “trocando de biquíni”. Mentira. Não tenho esse sonho e, na verdade, se eu visse Zoli na rua, não reconheceria.

Sei de um amigo que também se decepcionou ao descobrir que Alcione cantava “Você é um negão de tirar o chapéu, não posso dar mole se não você créu, Me ganha na manha e babau leva o meu coração” ao invés de “me ganha mamãe e papai leva o meu coração”.

Para mim, isso foi muito estranho. Primeiro, porque eu jamais imaginei essa letra. E também, porque eu me decepciono toda vez que escuto essa música. Sinto uma certa vergonha da senhora Alcione cantando “É só melanina cheirando a paixão”.

Normalmente essa associação é feita por crianças. Sabe como é, crianças são meio abobadas, confundem um pouco a imaginação com a realidade, e escutam na letra da música o que ela quer. Então essa associação fica presente na cabeça durante anos e anos até o momento da decepção.

E isso é ainda mais normal nas músicas em inglês. Você demora um tempão até perceber que as palavras em inglês são diferentes do português. Por isso tantas pessoas entendiam Joe Strummer cantando “Charlize que saudade!” ao invés de “The sheriff don’t like it”. No refrão de Rock The Casbah.

E há o outro lado. Quando você nunca percebeu a falsa cognata. É um momento de riso empolgado, que substituí toda a frustração do momento do biquíni.

“Feche os olhos ahhh e vai enxugar o peixe”. Procure escutar Eyes Without a Face do Billy Idol. No refrão que mistura francês com inglês (Les yeux sans visage – Eyes without a face), você poderá escutar ele mandando alguém fechar os olhos e enxugar o peixe.

Ou então a melhor de todas. O Metallica, que está no Brasil. Um de seus clássicos, a música The Unforgiven tem os irônicos versos, a lá Mussum, “deitei aqui peladis”. Ok, o correto é “Their dedicated their lives”. Mas o peladis é muito melhor. Compensou toda a minha frustração biquinesca.