sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Retrospectiva 2010

Começa agora a tradicional retrospectiva anual do CH3, sobre 2010. Na verdade, ele é um texto que será muito mais divertido daqui a cinco anos. A título de retrato histórico.

Se 2009 foi o ano das mortes – vários artistas e pessoas famosas morreram em seqüência, fazendo com que ninguém conseguisse se recuperar do luto anterior – 2010 não teve isso. Entre os mortos famosos do ano, destacamos apenas o ator Leslie Nielsen e o jornalista Armando Nogueira.

Este ano de 2010 foi sim, o ano das tragédias naturais. Começamos com o Terremoto no Haiti que deixou milhares de mortos. Seguimos por terremotos no Chile e na China. Foram tantos terremotos que não tivemos dúvidas de afirmar que o mundo realmente estava acabando. Principalmente quando um vulcão de nome impronunciável, existente na Islândia, começou a soltar uma nuvem de fumaça que interditou aeroportos por todo hemisfério norte. Para completar a seção de tragédias naturais, ocorreu o maior vazamento de óleo da história. Se o mundo já não estivesse se acabando sozinho, resolvemos dar uma força maior.

Para reforçar a idéia de que o mundo está acabando, tivemos a notícia mais bombástica do ano: a crise financeira de Silvio Santos. Silvio Santos sem dinheiro é algo comparável a deus duvidar de sua fé.

No mesmo Chile atingido por um terremoto, tivemos o maior drama humano do ano. A história dos 33 mineiros que ficaram presos dentro de um buraco em uma mina. Foram três meses isolados debaixo da terra. É provável que muita gente preferisse ter morrido de uma vez, mas os mineiros saíram tão fortes e saudáveis de dentro do buraco, que empresas internacionais já pensam em instalar um SPA no local.

Já aqui, vivemos o drama pessoal do desaparecimento do Menino Fabinho. Que aos 10 anos foi mandado embora de casa por seu pai, que achava que era hora de ele conquistar a independência. Ninguém sabe onde ele está. Recentemente liguei para o seu pai e ele disse “eu tive um filho? Não me lembro”.

Quem poderia querer desaparecer foi o técnico Dunga. Ele foi o comandante de uma fracassada campanha brasileira na Copa de 2010. Xingou o mundo inteiro, arrumou briga com a imprensa e, no final, terminou sozinho. A campeã foi a seleção espanhola, que apesar de ter chamado a atenção por sua posse de bola insana, foi ofuscada pelo verdadeiro herói do torneio: O Polvo Paul. O molusco vidente que acertou todos os resultados do torneio e morreu quatro meses depois no seu aquário na Alemanha. Já existe uma igreja polvopauliana, da qual o CH3 é adepto.

Mas não tem jeito. O grande caso futebolístico do ano aconteceu fora dos gramados. Trata-se do Caso Bruno. O polêmico goleiro do Flamengo que questionava os repórteres sobre quem nunca havia saído no braço com uma mulher. Pois ele foi preso acusado de ser o mandante do assassinato de sua amante, a atriz pornô Eliza Samudio, com quem ele teria um filho. Samudio teria sido estrangulada, esquartejada e seus restos mortais jogados para os cães. No caso, ainda estariam envolvidos o Macarrão, um brutamontes com uma tatuagem de amor eterno a Bruno nas costas, um menor de idade, uma outra amante do goleiro, um ex-policial militar. E vários deles estiveram juntos num motel em certa data, inclusive a criança. Que depois teve sua guarda disputada pelos avôs maternos, sendo que o avô era acusado de ter estuprado a própria filha de 10 anos, fruto de uma relação com a cunhada. Uma história tão sórdida quanto às pulseirinhas do Sexo, que infernizaram a vida dos pais de várias estudantes.

Também no futebol, tivemos a brilhante saga do Cáceres Esporte Clube, o pior time de futebol do mundo que sofreu impiedosas, massacrantes e humilhantes goleadas no poderoso campeonato Mato-Grossense de futebol.

Tivemos a vitoriosa campanha de Dilma Rousseff, que se tornará a primeira mulher a governar o Brasil, depois de uma campanha monopolizada por termos desinteressantes como aborto e privatização. Muito se falou sobre a mulher no poder, sobre como os homens reagiriam a isso e muito se esqueceu de comentar que todas as pesquisas eleitorais mostravam que Dilma sofria uma rejeição maior entre o público feminino.

Depois das eleições tivemos o sucesso do filme Tropa de Elite 2 e o seu rápido sucessor, encenado ao vivo nos morros do Rio de Janeiro. Agora só nos resta esperar que todos os bastidores da operação sejam divulgados pelo Wikileaks. Site que ninguém conhecia e que logo se transformou em inimigo número 1 dos governos mundiais. Chegaram a dizer que o dono do site era o cachorro que comeu Elisa Samudio.

E é claro. Tudo foi comentado pelo Twitter. O site da internet que acabou com a concorrência e trouxe doses cavalares diárias de informações desinteressantes para os seus usuários. O Brasil mesmo invadiu a rede, com seu amor pelo Restart e seu ódio pelo Galvão Bueno. Também tivemos a ascensão do Tumblr essa ferramenta de nome estranho e que espalha imagens indiscriminadamente. É de lá que vem dois dos melhores sites do ano. Mas entender a complexidade do Tumblr é algo próximo a viver numa realidade paralela.

O mundo de ET Bilu. Dono de uma aparição meteórica a instigante na Rede Record. Deixou para a posterioridade uma frase imortal: “Apenas Busquem Conhecimento” (ABC), dita com uma voz fina e metalizada. O maior achado ufólogo do ano, bem a frente da tal bactéria estranha da NASA, encontrada num lago.

E este foi 2010. Um ano marcante, é claro. Vocês nunca viram uma retrospectiva terminar dizendo “um ano terrível para se esquecer. Nada de relevante aconteceu”.

***

Anexo – O ano do CH3

No começo do ano Pai Jorginho de Ogum fez algumas previsões. E nem é preciso dizer que ele errou todas, miseravelmente. Até o clima em Cuiabá ele errou. Fez mais do que 15 dias de frio.

Nos também fizemos nossas resoluções para este 2010. Hora de checá-las.

- Prometemos fazer uma cobertura especial da Copa do Mundo. E conseguimos.
- Projetávamos fazer o Podcast do CH3. E conseguimos realizar 3 edições. Vamos ver se em 2011 conseguimos fazer outras.
- Pretendíamos lançar a camisa CH3. Falhamos. Fica pra 2011.
Também pretendíamos alcançar a marca de 50 mil visitas anuais. Não deu. Faltaram 8 mil. Mas, conseguimos nosso recorde de visitas e tenho que admitir que era uma meta audaciosa. Ano passado tivemos 32 mil. Mas, acho que ano que vem conseguimos.
- Pretendíamos nosso primeiro acesso vindo do Acre. E conseguimos. Foi motivo de júbilo e glória para nosotros
- Queríamos ser, ao final deste ano, milionários aventureiros bon-vivants que gastam dinheiro e passeiam de Iate no Mediterrâneo. Nenhum deles.
- Queríamos mandar o primeiro ser humano para Marte. Vocês não têm como provar que não conseguimos!
- Pretendíamos organizar os marcadores do blog. Está tudo marcado.
- Pretendíamos não lançar nenhum candidato a cargo eletivo e cobrir as eleições se elas merecessem. Cumprimos os dois e acho que fizemos uma boa cobertura.

Ainda neste ano, São Paulo superou Cuiabá como nosso lugar com mais visitas. Logo iremos nos mudar para lá e começar a escrever sobre a garoa paulistana, ao invés do calor cuiabano. Também aparecemos no jornal A Gazeta, em matéria do nosso amigo Dyolen. Para quem dedicamos os sorrisos deste ano.

Para finalizar quero deixar dois agradecimentos. Claro, agradeceria a todos os nossos visitantes, mas faço estes dois em especial e sem ordem de preferência.

- Para o Adérito Schneider, colega nosso de faculdade, que divulgou bastante o CH3 na sua conta do Twitter e contribuiu para que avançássemos dentro do mercado goiano.
- Para o Luiz Eduardo Doria, amigo meu, que contribuiu, as vezes involuntariamente com idéias para diversos posts desse ano, exercendo uma função de ombudsman particular.

Feliz 2011 para todos.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

As Cores e o Ano Novo

Os fogos explodindo em pontos turísticos ao redor do mundo. Alguém tem viagens sinestésicas sobre o espírito do ano novo e as sensações de renovação. Pessoas de branco se abraçam, derrubando o espumante de qualidade duvidosa na areia. Todos de branco, desejando uma vaga paz. Que tudo se realize no ano que vai nascer. Mas a única coisa que essas pessoas ganham em comum, é uma aparência de Pai de Santo.

Deixamos claro aqui que o CH3 acredita que a cor que você usa no ano novo não interfere nem um pouco na sua vida. Além disso, é uma demência acreditar nisso. Até parece que seria tão fácil. Que pessoas que vem se estrepando ao longo das décadas abrissem os olhos e pensassem “nossa, é só mudar a cor da roupa que eu passo no ano novo”. Tampouco acreditamos no poder das roupas íntimas.

Ditas essas verdades, podemos começar o post. Já versamos certa vez sobre algumas superstições para o ano novo. E as simpatias, tais quais os diamantes, são eternos. Clique aqui e veja esta clássica postagem. Em breve iremos nos aprofundar no colorido mundo da virada de ano. Para isso, consultamos os nossos velhos especialistas de sempre.

Branco: A cor mais popular entre médicos, farmacêuticos e reveillonistas. Da cor branca, espera-se transmitir a imagem da paz. Sim, paz. Crê-se que coreanos não usam branco no réveillon há pelo menos 50 anos. Tem se a imagem da pomba branca voando no céu. A mesma pomba que defeca nas praças públicas e transmite criptococose.

Azul: É outra cor bem popular entre os nossos festeiros. O Azul remete ao mar e suas ondas, por vezes calmas e tranqüilizantes, por vezes devastadoras. Além disso, azul é a cor do nosso país que é feliz e chora. Tudo azul, todo mundo nu. Se você estiver em um país de língua inglesa, o azul pode transmitir a sensação de tristeza.

Amarelo: Ouro, urina. O Amarelo pode significar várias e diversas coisas. Geralmente é uma busca pelo dinheiro. A lenda diz que Silvio Santos e Eike Baptista utilizam amarelo desde o berço. Roupas velhas com tons amarelados não devem ser consideradas e muito menos os seus dentes amarelos.

Verde: Dinheiro. Apenas isso. Por mais que, aqui no Brasil, dinheiro verde não exista há algum tempo. O dólar é verde? Ok. Mas não é um bom momento para investir em dólar. Aproveitando a onda ecológica, a ascensão de Marina Silva, quem utiliza verde pode estar querendo a famosa sustentabilidade.

Vermelho: Se você ver uma pessoa de vermelho saiba que ela já quer. Quem se veste de vermelho quer sexo. Fácil, farto e a qualquer hora. Inclusive o Papai Noel.

Laranja: Não existem registros de pessoas que utilizam roupas laranjas no ano novo.

Rosa: O rosa nada mais é além de um vermelho esbranquiçado. Sexo pacifico.

Preto: Significa que você é o anticristo em pessoa. Os tons de cinza irão dar o tom entre o seu pacifismo e seu demonismo.

Marrom: O que te vem a cabeça quando se fala de marrom? Chocolate, ok. Quem se veste de marrom pode esperar uma vida doce. Ou uma vida de merda. Fora o fato de que é uma cor estranha.

Existem ainda as combinações listradas horizontalmente, verticalmente ou diagonalmente. Ou ainda com bolinhas, risca de giz. Basta juntar os valores. Exemplos:

Verde e Vermelho: Sexo por dinheiro. Prostituição.
Marrom e Branco: Se juntar com um brinquedo, vira um Kinder Ovo.
Azul e Amarelo: Torcedor do Araçatuba ou do Pelotas.

Há claro a possibilidade de se passar o Réveillon nu, tal qual a humanidade sempre fez até o advento da invenção das roupas em um século distante. A nudez significa o desprendimento dos valores mundanos e a busca pela pureza. Ou então, que a roupa vermelha deu resultado antes do esperado.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Termos

Você baixa um software na internet. Um programinha pra escutar música, editar fotos ou o que seja. Download concluído, você clica em avançar, clica que aceita os termos propostos, avança, avança novamente, espera e conclui. Pronto o programa está instalado no seu computador. Agora você pode utilizá-lo livremente.

A pergunta: quem lê os termos de licença de uso? Ou qual quer que seja o nome dado para o termo que você tem que aceitar? Muitas vezes ele está em uma língua estrangeira que você tem dificuldades em ler. Mas você o aceita normalmente, naturalmente. Sem peso na consciência.

Poderia ser que estivesse lá, escrito “Durch die Annahme dieser Wahlperiode, akzeptieren Sie, dass Ihr Nachbar einen Sellerie geben in deinen Arsch Zeit und so oft er will”. E você estará editando fotos livremente até que seu vizinho alemão pansexual bata em sua porta com um sorriso malicioso no rosto.

São letras pequenas que deixam a barra de rolagem pequenina. Ou então, letras miúdas que ocupam uma página inteira. Da preguiça de ler, dor de cabeça. E geralmente não dizem nada de muito importante além de “Caso você utilize essa geladeira para matar alguém, a fábrica não poderá ser responsabilizada” ou “incendiar e apagar com urina o seu aparelho celular, não te dá direito de trocá-lo por um novo, alegando falha na fabricação”.

E geralmente é isso mesmo. Avisos tão óbvios quanto “é proibido fazer o vestibular nu e/ou armado”. “Proibido entrar com gorilas no supermercado”. Ou cara-de-pau como “este blog possuí links de música, mas não obtém lucro com eles. Recomendamos que você faça o Download e apague os arquivos logo em seguida”. Mas, a fabricante poderia te sacanear casos eles quisessem.

Afinal. Eles colocam em letras maiores um aviso de que você deve ler aquele negócio antes de aceitar e assinar o contrato. Colocam quase um sinal de “CUIDADO! LEIA”.

Lá eles poderiam colocar que, ao comprar o seu celular, você vende sua alma para o demônio. Que ao adquirir sua nova batedeira, você dá o direito para que o presidente da empresa fabricante coma bolo na sua casa a hora que ele quiser. Que ao sair da loja com o seu carro, você se compromete a usar a cueca por sobre a calça pelo resto da sua vida, sob a pena de ser mirado e atingido por ovos de avestruz arremessados por transeuntes.

Os termos de contrato são, em menor grau, igual ao garoto que pede dinheiro no semáforo. Geralmente ele fala um “me dá um trocado tio” seguido por um “estou morrendo de fome” dramático. Mas você, geralmente com o vidro fechado diz, “não tenho nada”. Mas ele poderia muito bem estar querendo discutir Aristóteles com você. Ou então, avisar que o seu pneu está furado. Você diria “não tenho moleque” e seguiria alguns metros até parar com o pneu furado. E é provável que pense “moleque filho da puta, furou meu pneu!”.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Pensadores

Pense bem, o que fazia Oscar Wilde? É provável que ele jamais tenha tido um emprego. Imagino que ele jamais tenha escrito um livro. Nem banho ele devia tomar. Sua vida era criar frases de efeito. Diziam que ele era gay, fumava maconha. Não importa. Ele estava ai para frasear. E o que ele ganhou com isso? A imortalidade. Se ele não está vivo até hoje, suas frases ainda estão.

Sim, lá estão as frases de Oscar Wilde, sempre elas, servindo de epígrafe em trabalhos acadêmicos. Acompanhando mensagens de "boa prova" no segundo grau. Lá estão elas dispostas em toscas apresentações de Power Point com fundos coloridos e uma música New Age sofrível. Maldito Oscar Wilde, que inventou frases para tudo e poluiu o mundo com seus pensamentos sórdidos. Não há um único assunto que ele não tenha pensado. Ele não é Raul Seixas, mas é provável que tenha nascido há 10 mil anos atrás. Que ele tenha sido, que ele é e será.

Se eu quisesse aqui, fazer um post de frases sobre o Natal, certamente teria que citar uma frase dele. Se você argumentasse que isso é um clichê, sem dúvida ele tem alguma frase sobre o clichê. Se você me mandasse ir a merda, Wilde tem alguma frase sobre ir a merda.

Mas, ele não é o único deste seleto grupo de pessoas que pensam o mundo, o tempo todo. Existem os artistas da Globo que também tem opinião para tudo e sempre a expõe em momentos de emoção em algum programa banal. Aquele papo de mudar o mundo, comentar a política nacional. Mas, ninguém liga para eles, afinal, eles são só atores.

Freud. Eis outro ser que resolveu opinar sobre tudo. Ele era apenas um médico que cuidava de doentes mentais, se viciou em cocaína e passou a hipnotizar os histéricos. Ganhou notoriedade por isso, e por suas opiniões de que todo mundo quer comer a mãe e matar o pai. Isso deu a ele, o direito de poder falar o que quiser sobre o que ele quiser.

Também temos Nietzsche, esse maldito ser com um nome super complicado que espalha suas frases pessimistas pelo mundo. Carlos Drummond de Andrade com seus poemas conformados e existencialistas. Hitler e suas frases sobre o amor e a fraternidade. Opa, acho que eu confundi.

Atualmente temos Caio Fernando Abreu, poeta da moda que tem frases sobre tudo. Forrest Gump, que viveu tudo. Nelson Rodrigues com sua visão de mundo doentia. Cunhados que mantem relações sexuais com a sobrinha e enterram a mãe no fundo de casa. Temos Pai Jorginho de Ogum. E temos é claro, Cléber Machado. Maior filosofo da atualidade, que criou sua teoria relativista que abrange ambos os lados e que definir muito bem que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.

Fim.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Doenças Pós-Modernas

A pós-modernidade. Este evento tão discutido na comunidade acadêmica e que no fundo não interessa a ninguém. Que na verdade é um assunto chatíssimo, que ninguém gosta de verdade e só lê sobre o assunto quando você tem que fazer a sua monografia, ou um trabalho acadêmico qualquer. E dá-lhe Stuart Hall. E dá-lhe fragmentações, transmutações e qualquer outra coisa que de a idéia de perca e reorganização de sentidos, idéias, identidades.

Mas, no imaginário normal, não existem essas histórias de fragmentação. Pensamos na pós-modernidade como uma era. Tal qual houve a Antiguidade, a Idade Média, a Idade Moderna, temos a Idade Pós-Moderna, também conhecida como Contemporaneidade. No fundo, ninguém sabe o que a pós-modernidade é, a não ser o fato de ser um termo bonito pra caramba, que te dá ares intelectuais infinitos quando você o pronuncia. Por isso ele foi escolhido para estar lá no começo.

Vamos falar de doenças da atualidade e deixar esse papo pós-moderno de lado. Acontece assim, há 500 anos, muita gente morria de varíola. Houve uma época em que se morria de resfriado. Hoje, talvez não se morra, mas a moda é ter problemas psicológicos.

Fobia Propagandista: Consiste no medo de que situações típicas de comercial ocorram em sua vida. É muito parecida com uma fobia típica dos anos 70, de que você estivesse involuntariamente preso dentro de um musical. Eu pelo menos, sempre tenho medo quando vou comprar alguma coisa com dinheiro, mesmo que seja uma Sete Belo. Tenho medo de que um grupo de cantores mexicanos surja ao meu lado cantando “no tiene visa... que cosa triste”.

Medo de que crianças retardadas queiram defecar em seu banheiro ao apertar um desodorante. Medo de que três carecas pintados de azul comecem a batucar no meio da rua. Medo de que um panda psicopata invada o seu quarto quando você não quiser comer queijo. Medo de que você esteja repentinamente dentro de uma propaganda de cerveja.

Crise de Abstinência do Twitter: Há cinqüenta anos ninguém falava ao telefone. Há 10, internet ainda era uma raridade. E dois anos atrás ninguém usava Twitter. Hoje não. Hoje você precisa estar conectado 24 horas por dia com o seu smartphone. Você precisa. Sua vida precisa estar expostas o tempo todo. Onde você vai, o que você pensa, o que você fez. Céus, alguém deve ter atualizado minha timeline, preciso ir lá correndo saber o que o pessoal almoçou!

Será que? Eu tranquei a porta de casa? Acionei o alarme do carro?

Medo de e-mail: Consiste no medo de ter mandado o e-mail para a pessoa errada. Ter cometido um erro de português grotesco. Ter anexado o documento errado. Imagine se você fala mal de uma pessoa para a pessoa errada? Ao invés de anexar sua apresentação de monografia, anexou um Power Point com fotos de flores e mensagem de bom dia.

Medo de ataque anônimo: Na Idade Média seria difícil sofrer um ataque anônimo. Só se o cara saísse correndo em sua armadura de metal depois de tacar uma pedra no vidro. Depois tivemos os ataques terroristas, quando de repente, um anônimo ia lá e pá, explodia tudo. Hoje é muito mais fácil. Enquanto você lê isso aqui, o seu twitter, o seu blog, o seu Orkut pode estar sofrendo um ataque de anônimos.

Bons eram os tempos em que morríamos apenas de varíola.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

O Mundo segundo Fausto e José

Fausto Corrêa da Silva, o Faustão, nascido na aprazível Porto Ferreira em 2 de Maio de 1950 já foi citado em 18 posts do CH3. Seu programa é freqüentemente citado como um exemplo de mau gosto e como o mais fundo poço a que alguém possa chegar. Apenas um post foi dedicado a grande figura de Fausto, se dedicando a analisar uma grande dúvida. Quem afinal escolhia as bizarras camisas trajadas por ele, ô loco meu.

Afinal, não existe ninguém mais chato do que Faustão. Imaginem as pessoas que trabalham com ele, tendo pesadelos com suas piadas infames. Com ele dizendo o quanto o nariz, a orelha ou a barriga de alguém é grande. Imaginem o Caçulinha! Quantas horas de terapia semanal ele precisa fazer? Para conseguir sobreviver ao Domingão sem auxilio médico, a pessoa precisa ser muito ruim. Descendente direto de Shaka de Virgem.

Há quem aponte um concorrente para Faustão no quesito chatice extrema. Trata-se do carioca José Eugênio Soares, o famoso Jô. Responsável por muitas entrevistas egocêntricas. Seu programa é comumente citado como um exemplo de gosto exótico para escolher seus entrevistados. Figuras desinteressantes que ganham 20 minutos na TV aberta, para servirem de escada para Jô.

Existe uma enorme controvérsia, mas muitas pessoas dizem que os dois já foram engraçados. No caso de Faustão, tal premissa parece impossível. Você não consegue olhar para aquela figura em roupas cintilantes dizendo “olha o tamanho da criança” e imaginar que em algum dia da história, ele já tenha dito alguma piada que tenha feito alguém rir. Mas há quem garanta que seu programa Perdidos na Noite era divertido.

Agora, estou pronto para se apedrejado, mas eu acho que Jô Soares é engraçado. Tem boas piadas, boas sacadas, já teve programas interessantes. O problema é seu egocentrismo. Até se Jesus reencarnasse, ele seria coadjuvante em uma entrevista para o gordo.

Mas, algumas coisas ligam os dois. Não apenas o fato de serem figuras rechonchudas, apresentadores da Globo. Os dois têm um gosto peculiar para escolherem as suas atrações. Apenas em seus programas é que podemos ver garis cantores, padres maratonistas, biólogos artesãos, tenores pagodeiros.

Faustão tem um gosto pós-moderno, por assim dizer. Domingo ele chamou um tenor ao seu palco. Entre tantos números, o cidadão cantou a malemolente Deixa a Vida Me Levar de Zeca Pagodinho com voz de tenor. Não existem palavras no dicionário para descrever a bizarrice que foi assistir isso. Ninguém teria a idéia de “trazer um cantor de ópera para cantar pagode”. Apenas Faustão.

Ele também adora chamar humoristas imitadores. Esses típicos baratos, que você conheceu alguém do tipo no colégio. Faz aquelas imitações triviais de Silvio Santos, Maria Bethania, Roberto Carlos e Galvão Bueno. Mas Faustão não se dá por vencido. Pede para que o imitador faça Ronaldo Fenômeno com Caetano Veloso. Nelson Ned com Pelé. O resultado é uma mistura louca e que não se parece com nada e que a única graça possível é a humilhação do artista.

Já Jô tem um gosto por pessoas desinteressantes. Imagino-o recebendo a sugestão de possíveis entrevistados: “Um carteiro que toca cavaquinho, um garoto de seis anos que é fera no xadrez, Rogério Skylab – já faz mais de dois meses que eu não entrevisto ele? Então tá”. Ainda teremos um cara que se veste de Batman e anda numa bicicleta que faz barulho. O que esse cidadão tem a dizer? Não sei. Serão 20 minutos de embromação e histórias chatas. Fora quando uma figura totalmente desnecessária da televisão brasileira ganha dois blocos de entrevistas. Não Jô, alguém precisa te dizer que o ganhador do BBB deveria participar no máximo dos Se Vira no 30, ele não tem dois blocos de coisas para falar.

É possível que haja uma rivalidade entre os dois. Já que Jô nunca foi jurado da Dança dos Famosos, nem nunca participou da pizza do Faustão. E Faustão nunca foi entrevistado pelo programa do Jô. Num mundo desses em que o cara que coleciona tampinhas de refrigerante é entrevistado, isso é um mistério. Talvez, mais do que rivalidade, seja uma medida de segurança para que a ONU não invada o país.

- e aí Faustão, me conta como anda o seu programa.
- Ô loco meu, estamos gravando toda semana no estúdio III
- Grande estúdio III. Já fiz muito programas lá. Vamos ver um quadro meu gravado lá.
- Orra meu, olha o tamanho da criança!
(Bira Rindo. Faustão faz uma piada com o Bira. Jô se irrita e diz “faça piadas com o Caçulinha! O Bira é meu”! Começa a terceira guerra mundial).

domingo, 19 de dezembro de 2010

Você vai ler. Não vai gostar.

É um cachorro. Não sei dizer a raça, mas é um cachorro. Ele está sobre um fundo colorido. E diz frases depressivas. Você torce por um time de futebol. Ele perdeu para o Mazembe do Congo. Seu dia foi muito divertido. No computador. Ele é o cão da depressão. Um fenômeno da popularidade no Twitter. Quase 90 mil seguidores. 90 mil pessoas depressivas. Ou não, pessoas que acham graça nas frases depressivas. Pessoas que dão gargalhadas ao escutar Radiohead.

Difícil saber quais serão as conseqüências dessa popularidade em longo prazo. É possível que a exposição diária a doses extremas de melancolia possa levar a um aumento na taxa de suicídios. Quem sabe o Brasil consiga superar o Japão no ranking de suicídios per capita. Se o arroz sem tempero é o que leva o nipônicos a essa posição, o Brasil poderá chegar lá graças ao seu cão da depressão. Depressão tipo exportação. E o próprio cão. O sucesso já matou artistas, talvez o mate. De vez.

O Cão da Depressão é apenas o principal expoente de um fenômeno da internet atual. Animais que representam sentimentos, atitudes. Animais sobre um fundo colorido, quase um arco-íris. Existe o cão ponderado. O cão drogado. O gato da depressão. O Gato da Viadagem. O Lobo da Coragem. E não sei mais quantos animais.

Não dá pra saber de onde eles aparecem. Porque eles entraram na moda. Qual é a linha que separa o sucesso do fracasso. Porque alguns animais têm poucos seguidores e outros chegam aos milhares. Perguntas, perguntas sem interrogação. Tomam de assalto diversas timelines ao redor do mundo. Será que se um Jegue da Empalação fosse criado, ele conseguiria seguidores? E uma Galinha da Prostituição?

Esses animais acabam por se tornar um Internet Meme. Essa palavra horrível, que te faz se sentir um completo retardado caso você a diga mais de três vezes consecutivas. Pode ser na frente do espelho ou não.

Os Memes (argh) acabam por transformar a navegação pela internet em algo muito desagradável. No geral, eles são engraçados na primeira vez em que você vê. Chatos depois de uma semana e insuportáveis com o passar do tempo. Não há nada pior do que entrar em um fórum, site de relacionamento, blog e ver lá uma coruja dizendo “O RLY?”. E que você vá procurar entender o que essa maldita coruja quer dizer.

Minto. Existem coisas piores sim. Ser atropelado por um elefante e sobreviver. Assistir Zorra Total. Sem dúvida existem coisas piores, mas, me deixem ser enfático, oras.

É muito provável que os culpados por isso sejam os membros do 4chan. Para quem não sabe o que é o 4chan, ele sabe o que você é. É um fórum que compartilha imagens e domina o mundo nas horas vagas. É provável que eles sejam os responsáveis pelos desenhos faciais grotescos acompanhado por frases como “Forever Alone” e “Fffuuuuuu”. Foram eles que criaram o PedoBear. Quando uma senhora jogou filhotes de gato no rio, os membros desse fórum descobriram o seu nome, o seu endereço. Poderiam ter matado-a se quisessem. Mas preferiram mandar frases do Cão da Depressão.

É bem provável que eles sejam os responsáveis por esses animais frasistas. Porque afinal, como já diria É o Tchan “Vamos na ponta do pé que nem jacaré”. Ponto de vista contraposto pelos Inimigos do HP, para quem “jacaré que escuta Bob Marley é um Jacarregae”. Pobres animais. Não tem como não se deprimir.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Lanche de avião

Houve uma época em que, além de viajar no avião, você tinha que depená-lo. Sabe-se lá o porquê. Se era por conta da altitude, da diferença de pressão, o frio, o barulho, o medo ou se era só o preço alto. O que é que fazia com que as pessoas achassem que tinham o direito de levar tudo de dentro do avião?

Os talheres de metal – principalmente as colherzinhas, os copinhos de refrigerante. Os paninhos que ficam no encosto da cabeça, os cobertores, as revistas. Sei de pessoas que conseguiram levar o aviso para não fumar e manter os cintos afivelados e até sujeitos que conseguiram levar o assento da poltrona. Sim, o famoso assento que flutua em caso de pouso sobre a água. Não sei como é que eles conseguiram fazer isso. Mas é provável que existam pessoas que tenham levado a poltrona inteira, o manche, as máscaras de ar que caem em caso de despressurização, a calcinha da aeromoça.

O fato é que ninguém fazia isso quando se viajava de ônibus. Não existem sujeitos alucinados querendo levar as cortinas ou o adesivo para não apoiar os pés no vidro.

Com o tempo, a diversão dos saqueadores aéreos foi acabando. Depois do 11 de setembro, os talheres de metal foram abolidos, visto que eles poderiam ser mortíferos. Seus substitutos, os talheres de plástico, tiveram vida curta, uma vez que é uma porcaria tentar cortar qualquer coisa com aquilo. Deu se preferência a coisas que não precisam ser cortadas.

Com o tempo, talvez devido ao governo Lula, as pessoas passaram a viajar mais de avião e ninguém liga mais para encostos de cabeça e copinhos plásticos. E deve-se vigiar melhor, para que ninguém saia como um assento escondido, porque, porra, como é que conseguiram fazer isso? Os cobertores foram cortados junto com os gastos, sobraram apenas às revistas amassadas e de conteúdo desinteressante.

Existem, portanto, poucas coisas para se fazer durante uma viagem. Puxar papo com a pessoa mal encarada sentada ao seu lado, fazer palavras cruzadas, rir do nome bizarro do piloto e, claro, esperar o serviço de bordo.

Assim que Santos Dumont aterrissou o 14 Bis no solo parisiense, a primeira pergunta que lhe fizeram foi “O que você comeu lá em cima?”. Ao responder que nada havia comido nos 10 segundos de vôo, a imprensa se decepcionou e foi atrás dos irmãos americanos que juram ter comido um queijo quente.

É um mistério da humanidade, mas o lanche de avião fascina as pessoas. Quando você viaja de avião, todos te perguntam “viajou bem? Qual foi o lanche?”.

Uma viagem de avião dificilmente demora mais do que duas horas (não falo de viagens internacionais). Você logo irá fazer alguma conexão se a viagem for mais longa que isso. Mas, não sei se pelo preço, as pessoas esperam ter uma refeição de restaurante de luxo nesse período em que se fica na aeronave.

E houve, sim houve, um tempo em que se comia alguma carne vermelha acompanhada de arroz com vegetais e purê de batata. Sanduíches gelados ou quentes, biscoitos doces, bolinhos, que você guardava para entregar para algum familiar. Eram tempos em que para ir de Cuiabá para Porto Alegre, você faria 3 escalas e uma conexão e faria 4 lanches. Sairia do avião entupido de tantos lanchinhos.

Quando a GOL surgiu em 2002, ela surgiu com uma proposta de proporcionar viagens aéreas por um preço menor. Entrou com tudo no mundo da internet, agilizou processos e diminuiu custos. Entre eles, o lanche. Pra que fazer os passageiros comerem tanto durante um vôo que dura uma hora? Ninguém come tanto assim. Bastaria servir uma coisa básica.

Entraram em cena as famosas e impopulares barrinhas de cereais. E depois os amendoins, bolachas de água e sal, biscoitos de coco. A população se revoltou. Nos primeiros anos era normal ver pessoas protestando contra as barrinhas, proclamando que “o foda de viajar de GOL é aturar os lanches”.

Como se muitas vezes você não ficasse mais de uma hora no trânsito para voltar para casa e nesse período você não ficasse sem comer nada. Como se as viagens de ônibus não demorassem 12 vezes mais tempo e te oferecessem paradas em bibocas que servem pão de queijo com mosca e coxinhas fritas em óleo de caminhão.

Criou-se essa cultura de pessoas que quando iam viajar, nem jantavam para comer no avião. Eu acho que o mesmo é só um meio de transporte que agiliza a sua vida e que a cada dois anos protagoniza uma tragédia que assusta todo mundo. Se eles quisessem servir um copo de água e duas jujubas numa ponte aérea, seria mais do que justo.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Apostas

É provável que sua vida tenha começado numa aposta. Você olhou para o espermatozóide ao seu lado e disse: aposto que chego primeiro! Ou é provável que você tenha sido desafiado por um babaquinha qualquer, que se achava o máximo. Você ganhou a aposta e ganhou também a vida (música emotiva, maestro!).

O ser humano adora apostas. Os motivos das apostas mudam com o tempo e a premiação também. Primeiro você aposta com seu colega de sala pra ver quem chega no bebedouro primeiro. Quem ganhar, tem o direito de não ser a mulher do padre. E não ser a mulher do padre é uma glória imensa quando você tem seis anos. Principalmente quando você estuda num colégio de padres, vai que eles resolvem levar o termo a sério?

Depois você começa a apostar dinheiro, por conta do seu time de futebol. E é aí que as coisas mudam. Na antiguidade, antes do dinheiro existir, deveria ser muito mais fácil apostar. Você apostava ali, uma maçã que Moisés ia conseguir abrir o Mar Vermelho. Se você perdesse, era só uma maçã, afinal.

Agora não. É dinheiro. E dinheiro faz o mundo girar. O dinheiro faz os clichês acontecerem. Você irá perder dinheiro alguma vez, porque o seu time, bando de incompetentes, acabou perdendo o jogo. Junto com sua alegria, o dinheiro foi embora. E você percebeu que isso não é legal. E era mais fácil deixar de apostar, do que deixar de ver futebol. Então, você levou uma vida saudável. Pode ter feito algumas apostas na vida, mas elas nunca foram de alto risco e nem envolveram valores exorbitantes.

Mas pode ter acontecido o contrário. Você pode ter gostado da adrenalina, da tensão. De depender dos outros para ganhar ou perder dinheiro. E aí, você pode se tornar um viciado em apostas. Começa com 50 reais num jogo de basquete e logo vira um truco valendo o toba. Em pouco tempo, pode se tornar um “qual a cor do próximo carro valendo a vida”.

As apostas podem ser das mais fáceis, daquelas que dependem apenas de você. Cumprir um objetivo, realizar uma tarefa. Podem depender um pouco da sorte, como nos jogos de azar. Dinheiro por conta de cartas, que podem não vir. Até aquelas apostas que não dependem nem um pouco de você e não exigem nenhum conhecimento sobre o assunto. Oras, você pode apostar num time baseado em sua escalação e no seu desempenho recente. Mas você jamais conseguirá prever a cor da roupa da próxima mulher a atravessar a rua.

Terá um fundo masoquista. No fundo, você gostará de perder dinheiro. Da sensação de ver o seu dinheiro indo para outra pessoa por uma razão totalmente tola. Principalmente se você apostar com Pai Jorginho de Ogum. Ele nunca errou nenhuma de suas apostas e, diz a lenda urbana, começou a construir o seu patrimônio e o seu status de magnata do ramo da exploração sexual, apenas com o dinheiro obtido pelas apostas.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Amigo Oculto CH3 2010

Nada como as velhas tradições. O Amigo Oculto do CH3 chegou este ano a sua quarta edição, cada vez mais emocionante e, pela primeira vez, teve a cobertura in loco de uma emissora de televisão estrangeira. A TV CH3 da Guatemala. A tensão de sempre no ar. Quem será presenteado por Hanz? Qual será o discurso de Alfredo Chagas?

Atendendo ao milenar sistema de rodízio de sedes, o evento foi realizado na casa de Pai Jorginho de Ogum. Eles nos recebeu em sua humilde residência e puxou uns caixotes para que todos pudessem se acomodar sentados. Ele mesmo, resolveu ficar em pé. Deu as boas vindas para todos e abriu espaço para que Marcão discursasse sobre o ano do CH3. Após dois minutos de muitos pigarros e pouca concordância, Alfredo Chagas se irritou e tomou o microfone. Resolveu ele, fazer uma versão para o clássico do karaokê “Era um garoto que assim como eu, amava os Beatles e os Rolling Stones”.

Antes que ele fosse abatido a tiros, o microfone foi cortado – literalmente, com uma faca, e Pai Jorginho de Ogum deu início aos trabalhos. Visivelmente incomodado, ele não tardou em dizer que seu amigo oculto era Alfredo Chagas, que abriu o pacote de maneira visceral. Surpresa, um boné de Che Guevara. Alfredo disse que o presente era um fruto do anti-semitismo neocolonial e agradeceu ao velho Pai de Santo.

Alfredo fez então, um discurso de 40 minutos sobre a globalização dos postos de combustível e anunciou que seu amigo oculto era Guilerme, o original. O presente? Um boneco de posto de combustível. Os dois não se abraçaram, devido a fragilidade do boneco de isopor que parecia muito animado com seu novo companheiro.

Breve, como sempre, Guilerme anunciou que Hanz era seu amigo oculto. O nojento alemão gostou de ganhar um balão meteorológico de látex e queria estrear na frente de todos. Foi detido com dardos tranqüilizantes e logo anunciou seu presenteado. Momento de tensão quebrado quando o nome de Marcão foi pronunciado. Vinícius gritou de felicidade e praticou a dança do robô, afinal, pela primeira vez ele não teve o azar de ser o sorteado por Hanz. O velho desabou, dopado. E Marcão se emocionou com um par de chuteiras, seu presente. Marcão sempre se emociona, esse grande homem.

E eu fui o escolhido por ele. Ganhei um porta-lata do São Paulo, de coração, garantiu o pedreiro. Logo peguei meu presente e disse que queria dar um abraço no meu amigo oculto. Que ele era um cara que sempre dava uma mãozinha para os seus amigos. Cão Leproso começou a chorar quando viu seu presente, um violão. Começou a dedilhar More Than Words e se disse feliz com a perspectiva de pegar um monte de mulher.

O Cão resolveu anunciar seu amigo por mímica. Foi constrangedor, é claro. Mas Vinícius parece não ter se importado muito com isso. O anúncio de seu nome provocou um abraço emocionado entre criador e criatura. O presente era um desenho de Vinícius feito pelo cão. Mostrando que um dia é da caça, o outro é do caçador.

Foi então que Vinícius anunciou que Tackleberry era o seu amigo secreto. Entregou para ele uma série de desenhos, folders, e banners que ele havia feito para o colega que aceitou o trabalho aliviado.

Não restava outro nome. Por uma feliz coincidência, ou talvez, por um milagre da natureza, os ciclos sempre se fecham perfeitamente nos amigos ocultos do CH3. Pai Jorginho de Ogum era o amigo de Tackleberry. O presente era marcante, um conjunto de roupas estampadas, trazido diretamente das Bahamas. Jorginho disse que sabia que ia gostar do presente.

Os Benga Boys começaram então o seu show. Todo o seu repertório de 60 músicas foi tocado em 14 minutos. A festa prosseguiu por mais algumas horas até que uma briga no bar da esquina resultou em um homicídio. Todos voltaram para casa, felizes com seus presentes.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Pobres Coitados

Você é um cidadão normal do dia-a-dia. Já assistiu Titanic. Faz miojo quando tem preguiça de cozinhar. Você saí para trabalhar, assobiando mais uma canção pop que você escutou no dia anterior e ficou presa na sua cabeça. Mais um dia normal na sua vida. Sim, muito provável que seja mais um dia de merda, maçante, cansativo, uma rotina chata. E você, pra variar, fica preso no congestionamento.

Chato. Mas, vai ficar pior. Um policial mostrará um distintivo para você, fará você parar o carro, te jogará no meio da sua rua e arrancará com o seu carro. Como num passe de mágica, ele conseguirá escapar do congestionamento e você ficará no meio da rua, correndo o risco de ser atropelado. O policial irá salvar o dia, detendo um perigoso criminoso, graças ao seu carro. Só que o mesmo ficará destruído. Rodas quebradas, portas amassadas. Você vai ter um gasto de mais de 5 mil reais pra consertar tudo. E quem disse que o Estado irá te ajudar? O seguro não vai querer te ajudar, porque o dano foi feito enquanto o carro era dirigido por um terceiro. Você é um pobre coitado.

O Coitado, é aquele que sofre um coito, o passivo no caso. E é o que acontece com o cidadão desse exemplo, mesmo que não literalmente (aliás, o mau uso do “literalmente” seria assunto para um outro post). Enquanto o policial recebe as glórias de ter parado um maníaco homicida, o coitado estará indo para o serviço de ônibus, recebendo bronca do chefe pelo atraso e correndo o risco de ser demitido.

Esses pobres coitados sempre me chamaram a atenção. Esses cidadãos, honestos, cumpridores dos seus deveres, que tem seus carros interceptados por bandidos em fuga, ou policiais em perseguição. Ou então, o veículo pode ser simplesmente abalroado impunemente por um dos dois. Cidadãos que tem seu comércio destruído em tiroteios. Que tem seus apartamentos destruídos por bonecos de lama gigante que foram atingidos pelo Megazord. Suas calçadas destruídas pelo Godzilla.

Eu pergunto: você prefere que um terrorista perigoso seja preso, ou que o seu carro permaneça inteiro? Não tenho dúvidas de que você prefere o seu carro. Porque o King Kong tinha que se pendurar justamente na janela do meu apartamento? Porque raios os extraterrestres jogaram um raio aniquilador na minha calçada? Porra meteoro! Foi cair no meu jardim de Azaléias!

Claro, seria muito mais fácil caso você não morasse nos Estados Unidos, visto que tragédias naturais, invasões alienígenas e ataques de monstros ensandecidos costumam a acontecer apenas nos States, preferencialmente em Nova Iorque, naquela rua mais movimentada deles, que eu não vou me lembrar o nome. Mas aqui no Brasil, você não está a salvo de traficantes incendiários. Até na Índia, você pode ser vítima de uma vaca, e a seguradora julgaria isso como um ato de Deus, não coberto por Seguro.

É preciso que a sociedade faça algo por esses pobres coitados. É preciso criar um fundo de amparo as vítimas das tragédias sobrenaturais. Para que você não corra o risco de ter o seu carro destruído por conta de uma briga provocada por um Homem de Ferro embriagado.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Arte Fálica

Certa vez, eu estava andando na rua e percebi um pênis desenhado na rua. Instintivamente e sem perceber, desviei para não pisar sobre o desenho fálico. Lembrei-me dos tempos de colégio, em que era normal ter pintos desenhados sobre as cadeiras e sentar sobre uma das pirocas era ma prova irrefutável da sua homossexualidade. Era quase uma relação sexual. Fosse o desenho feito com caneta, estilete ou corretivo.

Parei sobre a calçada e comecei a observar. Percebi então que todos que por ali passavam, desviavam do caralho, ali exposto, esplendido em 40 centímetros de errorex. Todos fingiam que sequer haviam olhado tal arte pornográfica.

Pensei então no porquê os desenhos de picas causam tamanha repulsa. Seriam elas uma espécie de imagem de culto? Uma imagem sacrossanta? Ninguém encosta, todos fingem não terem percebido. É como se o desenho de uma jeba, ali, singelo e parado no cimento, fosses um crime de atentado ao pudor. “Não olhe para o pênis”, poderia ser o aviso de uma placa.

Seria difícil entender porque uma lepa desenhada provoca as reações citadas. Talvez seria uma boa tese de mestrado, quiçá doutorado. Anos de observação, pesquisa, entrevistas e todos os procedimentos chatos que se fazem necessários para realizar um trabalho científico que agrade a academia.

Mas, tal reação explica o fascínio que a rola exerce sobre a humanidade. Explica porque tantos artistas adoram fazer tais desenhos, mesmo que eles não tenham nenhuma função que não seja a de chocar. É provável é claro, que, assim como toda a nossa humanidade, isso já tenha sido explicado por Freud.

É normal na arte contemporânea que lá esteja, num desenho de natureza morte ou num retrato ou numa arte expressionista, lá esteja uma benga desenhada, disfarçada de qualquer coisa. Que o pau esteja numa maçã, refletido nos olhos da Mona Lisa, no céu do Rei Leão, na capa da Pequena Sereia, em todas as páginas do seu caderno de matemática.

Deve ser o caminho mais fácil. Você faz um filme horrível, um desenho retardado, um quadro débil. E então coloca lá o cacete no meio. Logo, deixará de ser um lixo e passará para o campo da polêmica. Existirão aqueles que odiarão e falarão “isso é um rabisco com um Bráulio no meio!” e aqueles que acharão a obra genial, devido a controvérsia, a subversão de se desenhar o órgão genital masculino em algum lugar. Chocar as criancinhas, velhinhas, freqüentadoras da igreja do bairro e tudo mais.

E provavelmente funciona. Aposto que você se corou a cada sinônimo de pênis citado nesse texto. Com ele, batemos o recorde mundial de citações diferentes ao referido em um texto de 2500 caracteres.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Grandes Letras Clássicas da Música Brasileira (IV)

Banda Erre Som

Existe no Orkut uma comunidade denominada “Banda ERRE SOM explosão de MT”. Provavelmente não existe nenhuma maldade no nome, algo que sugira que o Erre Som poderia dinamitar o nosso estado de Mato Grosso. O grupo é definido como o melhor de Mato Grosso e praticante da arte de tocar o verdadeiro lambadão.

O curioso nome da banda vem da inicial dos seus membros Ronny, Ronaldinho e Ronildo. Apenas escutar as músicas da banda pode parecer um ato torturante. E realmente é. Para compreender a verdadeira magia presente no som deste conjunto, é preciso assistir ao seu DVD ao vivo. Sua apresentação teatral tem influências dos musicais da Broadway e dos shows do Iron Maiden. Suas letras mostram influências da cultura Pop e da cultura tradicional matogrossense.

O Fantasma é pânico
Ele tá falando - tudo bem com você? Quer curtir comigo? Quero te conhecer. Eu sou do bem, eu não sou do mal. Quero te levar para o canavial.

Um fantasma desce ao palco para dar vida a historieta presente nos versos. A letra mostra uma demarcação das falas e atos que acontecem. A tendência natural do ser humano é ter um medo do fantasma, medo que ele refuta, afirmando ser do bem. Logo após, uma proposta um tanto quanto curiosa. Levar a menina para o canavial. Fantasmas seriam capaz de crimes sexuais? Uma dúvida a ser respondida pelas próximas gerações.

Batman do Amor
To dependurado, o sol tá quente. Eu não posso voar, eu sou da lua cheia. Noite escura, da solidão do mar. Eu sou eterno meu bem, vem pro meu mundo também. Eu sou da escuridão e você é do dia. Eu não sou seu pai, você também não é minha tia. Se quiser fazer amor, vem de noite e esquece o dia. Porque eu sou o Batman do amor.

Eis que aparece um cidadão utilizando uma roupa de Batman, que faria inveja ao seriado dos anos 60. A letra não parece ter muito sentido. Porque alguém poderia achar ser filha, ou tia de alguém? Seria este um caso de relação extra conjugal? O Erre Som é uma banda que deixa questionamentos para a posteridade.

Colegial
Ela chegou e me deixou doidão, beliscando azulejo correndo atras de avião. Essa quebrou o dentro e foi direto na veia encontrei meu amor com corpinho de sereia. Não tem rabo de peixe mas é fenomenal, ela é linda musa ela é colegial. Colegial, colegial remexendo desse jeito todo homem passa mal. Colegial, colegial se eu te pego do meu jeito vai dar carnaval

Bem provável que o Segredo de Gerson tenha sido motivado por um tema parecido. De certa maneira a pedofilia é aceita na música, desde os tempos em que Chuck Berry cantava sobre uma doce garota de 16 anos. É provável que haja uma piada infame implícita no trecho “se eu te pego do meu jeito, vai dar carnaval”. Ou seja, a mangueira vai entrar?

É Mu
Eta cabra frouxo danado pra chorar. Anda desiludido querendo se matar. O ciúme é o fato e você não quer falar. Desilusões fingidas, uma mulher bandida e tu enchendo a cara. Eu vou ter que te falar, tá todo mundo vendo e você só bebendo. É caso confirmado: O seu problema é Múúúito chifre na cabeça.

A infidelidade conjugal é um tema muito tratado na música popular. Desde Falcão, passando pela música sertaneja e chegando até agora as bandas emo. O Erre Som não poderia ficar atrás. Fica o inteligente jogo de palavras. Normalmente, diz-se do sujeito que é traído, que ele é corno. Que tem chifres na cabeça. Associado ao touro. Tal qual a vaca, a mulher responsável pela traição. A vaca muge. Muuuito genial.

O Erre Som segue em atividade. Espalhando a diversão do seu ritmo animado por todo o Mato Grosso. Espalhando sua poesia contemporânea pelos diversos cantos do nosso berço glorioso e gentil.

domingo, 5 de dezembro de 2010

A Arte de Pechinchar

Me quedou uma dúvida quando comecei a escrever esta postagem. Se eu devia tratar a pechincha como uma arte, ou se eu deveria enquadrar o pechinchador como uma pessoa constrangedora. Por mais que esse tipo de cidadão seja realmente constrangedor, ele não pode ser facilmente dividido em categorias. Por isso, escolhi a arte. Sim, várias artes não agradam as massas.

- E então, rola um desconto?
- 10% a vista.
- Não dá pra parcelar com esse desconto?
- Não.
- E se eu der uma entrada e o resto pra daqui a 30 dias?
- Não senhor.
- Hmm, tá. Mas você pode segurar o cheque até o dia 20?
- Tudo bem.
- E o que eu ganho de brinde pelo preço que eu to pagando? Não rola um abridor de latas, um porta guardanapos?
- Posso ver com meu superior.
- Hmm... preenchi o cheque aqui errado. Coloquei 80 ao invés de 90. Tudo bem?

Existem vários motivos que levam uma pessoa a pechinchar. Pode ser só pela sacanagem. Poder ser uma doença, daquelas incontroláveis que levam a pessoa a cometer atos extremos e precisam ser tratados com remédio. E existem também aqueles que pechinchas apenas pelo prazer, os verdadeiros artistas. Para ele, a poesia está em travar a batalha textual de valores.
- Quanto ta essa cadeira?
- 250.
- Faz por 200?
- Faço.
- Como assim?
- Ué, faço.
- Isso não ta certo. Você devia dizer que fazia por 230, então eu pedia 210. No final a gente se acertava ali por 220.
- Mas eu faço por 200.
- Então não quero.

No fundo, o que todo pechinchador quer é vencer pela insistência. No fundo é uma forma de subjugar o seu oponente. Mostrar que você foi mais forte. Freud já colocaria que há um que de sexualidade nessa subjugação.

Para pechinchar você precisa de muita prática. Destreza na escolha das palavras e valores. Muita insistência. Cara-de-pau para aceitar as negativas e continuar insistindo. Paciência. Paz no coração e não ter medo da morte. Qualquer pessoa normal desistiria depois de uma ou duas negativas. O pechinchador não. Por isso, pechinchar é uma arte.

Digna de livros, palestras com Max Gehringer, workshops. É preciso muito treino para se tornar um pechinchador fluente. E então conquistar o mundo. Afinal, dizem que até Jesus foi vítima de uma pechincha.

- Então, eu vou transformar a água em suco de tâmaras.
- Pô, Jesus! Suco de tâmara! Faz algo melhor aí, um champagne, quem sabe.
- Não. Suco de Laranja!
- Ah Jesus, faz pelo menos um vinhozinho aí!
- Tá bom.
- Po, aproveita ai e multiplica o vinho o pão e o peixe.
- Nem pensar.
- Ah, pelo menos o pão e o peixe, vai!

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Sapato Novo


Pego o meu sapato novo e vou caminhar sozinho¹

Você chegava no colégio. Mas não queria ir em frente. Não, você não era o anticristo procurado pela Inquisição. Você não havia cortado o cabelo. Seu medo de seguir em frente tinha apenas um motivo: você estava com um tênis novo. E um tênis novo é muito mais do que um acessório para proteger os seus pés do chão quente e pontiagudo. Ele é um passaporte para a humilhação.

A distância, você já conseguiria perceber. Seus colegas já estavam olhando para você, apontando e dizendo “ahhhhhh tênis novo!”. E aí que começam os problemas.

1) Seu tênis seria considerado de viado, sem dúvida. Porque ele teria algum detalhe em alguma cor de viado. Também poderia ser considerado tênis de caipira. Mas o fato é que ele seria feio. Uma verdadeira aberração em seus pés. A notícia do tênis novo logo iria percorrer todo o colégio e pessoas de todos os lados iriam ver seu novo calçado e rir.

2) Difícil saber se as crianças são comunistas, mas o fato de um tênis novo causa um ódio mortal no meio. A notícia faria as pessoas tentarem batizar o seu tênis. Consiste em pisar no tênis. Você tentaria se defender dizendo “não é novo, não”. Mas seria tarde demais. Algumas pessoas pisariam com violência. Brigas poderiam acontecer, mortes, cizânias. Era como se houvesse uma patrulha contra os tênis novos. Imagina se isso acontecesse com um “ahhhh, relógio novo”?

De fato, o calçado é o membro mais especial entre o vestuário básico. Cuecas e meias são compradas aleatoriamente. Calças e camisas quando se tem vontade. Comprar um tênis/sapato, não. É um verdadeiro evento. Você chega a conclusão “preciso de um tênis novo”. E então se dirige a loja de calçados.

Lá, você irá experimentar uma série de modelos. Observará o preço, a qualidade, o conforto, a resistência. Caminhará com eles. Se preocupará em saber se ele vai durar. No caso da infância, existia a preocupação de que ele resistisse durante o ano inteiro, pelo menos. Você não compra uma camisa pensando “hmm, ela tem que durar o ano todo”.

Felizmente o hábito de batizar tênis alheios é perdido com o passar dos anos. Porque imaginem a cena.
- Almeida, o chefe está te chamado na sala dele.
Com medo, Almeida se dirige a sala do chefe e o encontra encostado sobre a mesa.
- Almeida... você acha que eu não percebi.
- Er... eu.
- Achou que ia esconder.
- Bem, eu...
- Sapato novo heim Almeida.
- É...
- Batizado, hahha.
- É...
Logo seus companheiros de serviço aparecem rindo. Comentando como o modelo é feio.
- Parece de viado heim Almeida. Batizado.
- E por falar nisso Almeida, você está demitido.

¹Tais versos melancólicos e deprimidos, foram cantados por Marcelo Camelo na insuportável faixa “Sapato Novo” do último disco dos Los Hermanos. Disco esse, que é marcado por ser incrivelmente enfadonho. Sua maior característica, é o péssimo hábito de camelo em fazer rimas chatas com “Morena”.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

O Segredo de Gerson

Durante muito tempo, a humanidade conviveu apenas com a Lei de Gerson. A lei segundo a qual, a única coisa que importa é levar vantagem. A origem dessa lei data de meados dos anos 70, quando o jogador Gerson (Aka: o canhotinha de ouro) protagonizou a propaganda dos cigarros Vila Rica, cigarros esses, que seriam mais baratos. O enunciado de sua lei propunha “Gosto de levar vantagem em tudo, certo?”.

Esta lei reinou absoluta sobre a humanidade durante anos. Mesmo com os seus opositores, que a consideram uma expressão baixa e o pior exemplo do famoso “jeitinho brasileiro”. Coube a outro jogador de futebol derrubar essa lei. Trata-se da Lei de Gil. Com seu enunciado “Só não vale dar o cu”, ele derrubou o preceito de que o que importa é levar vantagem.

Os meios acadêmicos discutem se esta lei é antagônica a Lei de Gerson, ou se uma poderia complementar a outra. A primeira corrente defende que – uma vez que só não vale dar o cu, levar vantagem não importa. Você não poderia levar vantagem dando o cu, de tal maneira que a Lei de Gil seria superior. Já a segunda corrente interpreta que a vantagem deve ser adquira, desde que o cu não seja colocado em debate. Argumentam ainda que duas ou mais leis podem coexistir, juntando-se a elas as leis de Newton.

Pois bem. Anos depois, outro Gerson voltou a monopolizar os debates nacionais. Trata-se de um personagem de novela, interpretado por Marcelo Antony. Piloto de automóveis, ele passava grande parte da novela diante do seu computador, escondido da família. E ninguém poderia ver o que lá estava. Seu computador era uma Esfinge moderna.

Primeiro, pensou-se que ele seria gay. Mas logo ganhou força a tese de que ele era pedófilo. O que fazia sentido. Só que, provavelmente, a opinião pública rejeitou essa hipótese. A moderna sociedade brasileira não está preparada para ter um pedófilo na novela. Eles devem continuar escondidos apenas em cargos públicos eletivos, Brasil afora.

Então depois de até Zoofilia ser especulada, o segredo de Gerson foi revelado. E não podia ser mais banal. O que esse maldito gosta tanto? O que o fazia ficar horas no computador? Que imagens eram essas, que deixaram algumas pessoas tão chocadas a descobrirem o seu conteúdo?

Ele gosta de sexo extremo. Banheiros fedorentos, situações pervertidas. Provavelmente ficava horas em frente ao computador assistindo o vídeo de 2 girls 1 cup. É doentio? É. Mas não foi assim tão chocante. Muitas pessoas devem ter pensado “nossa, não sabia que isso era tão estranho”. Outros devem ter começado a sentir medo de que as pessoas descobrissem que ele também gostava de alguma escatologia.

O Segredo de Gerson foi a coisa mais decepcionante. Pior que a campanha do Brasil na copa. Pior que o time do Palmeiras (até porque, ninguém cria muita expectativa com isso). Mas, a situação ainda pode mudar. O recurso de dizer “há, isso foi uma pegadinha do Mallandro” sempre pode ser utilizado. Ainda dá tempo de Gerson voltar atrás e revelar que essa não é a sua perversão. Que a primeira revelação foi apenas um subterfúgio para esconder sua verdadeira doença. E esta doença poderia ser.

Uso de Pochetes: Gerson poderia revelar que usava pochetes. E que passa horas em frente ao computador se masturbando com fotos de pessoas utilizando. Ele podia ir ainda mais longe e revelar que costuma a ir na Cabofilia em Cabo Frio, onde costuma a seduzir meninas em sua picape. Leva-as para o motel e fica nu, apenas com a pochete no corpo, balançando o seu pênis esquisito. E as meninas são obrigadas a lamber sua pochete.

“I’m A looner”: Está mais do que na hora de a dramaturgia brasileira mostre seu primeiro personagem looner. Qualquer coisa, ele poderia utilizar esse texto, de um comentário feito no blog.

Eu não tenho vergonha de dizer. Eu sempre tive essa atração por balões e infláveis, que eu me lembro eu comecei sentir esse prazeres por objetos infláveis a mais ou menos 7 anos de idade, principalmente por bexiga de tamanho grande. Hoje em dia me excito muito fácil com, isso faz parte do meu cotidiano. Mas a minha atração e excitação é por balões extra grandes e formatos esféricos. Eu uso balões meteorológicos (weather balloon) por ser um látex muito melhor e muito agradável ao toque, e uma flexibilidade excelente, e são muito duráveis, desde que sejam guardados corretamente e usados sem exageros. Eu me masturbo muito fácil com eles, é um prazer muito grande, nem consigo descrever, é muito prazeroso e relaxante. Eu tenho muitos balões, as medidas deles, variam de 40cm a 100cm, (vazios), eles são enormes. Sempre inflo eles com bomba ou compressor de ar, enquanto esta se enchendo fico acariciando abraçando. O maior fetiche meu é quando inflo eles dentro de peças de roupas, e também dentro de roupas no próprio corpo, é só pesquisar no Youtube por(body inflation), (Zentai inflation). Fico horas no meu quarto fazendo isso.
Campo Minado: Ele poderia revelar que passa horas no computador se masturbando para o campinho minado.

Ele ainda podia revelar que fica horas escutando narrações do Galvão Bueno, vendo a Sexy da Geysy Arruda sem photoshop, TV Senado. Ainda há tempo para que a população fique chocada.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Cultura da Moda

Já até imagino. As pessoas pesquisando sobre cultura da moda no Google e caindo aqui no CH3. E se decepcionado. Porque elas queriam ler sobre a história da moda e suas relações culturais. Logo elas verão que o post não é sobre isso. Então, elas vão clicar ali no “não faz sentido” e os mais audaciosos ainda vão comentar que isto aqui é inútil, que nós somos ridículos falidos e que a avó dele escreveria algo melhor. Tudo isso porque? Porque não há uma matéria sobre “como utilizar o Google” nos colégios.

Esse post não é sobre técnicas seculares de cortes de tecidos chineses. Sobre o que as cores trajadas significam nos mais diversos lugares ao redor do mundo. Como se vestir numa festa xintoísta. Cores elegantes na Nova Zelândia. Reitero que não é sobre isso. Apesar de já ter gasto dois parágrafos sobre isso, não é disto que esse texto trata.

Falemos de Dostoievski. Escritor russo que viveu uns 200 anos atrás. Um escritor como tantos outros por aí. Escrevia palavras e lançava livros com elas, em russo. Ninguém nunca tinha ouvido falar dele, mas de um tempo pra cá, ele virou ídolo nacional. Livros de Dostoievski eram vendidos como água nas livrarias. Irmãos Karamazov foi parar em vários Orkuts Brasil afora. A Dostoievskimania. Ele virou a cultura da moda.

Difícil entender como isso acontece. Mas durante uma época, que pode durar meses, anos, décadas, um certo artista que sempre foi um mero desconhecido, passa a ocupar um papel de destaque no cenário cultural nacional. Dostoievski trouxe com ele, muitos outros autores russos, como Tolstoi (cuja grafia do nome é um pequeno mistério da humanidade). Já aconteceu com Garcia Márquez, José Saramago, Milan Kundera. E quem sabe o próximo? Qualquer um pode assumir o posto de escritor da moda.

Isso acontece no meio acadêmico também. No começo da faculdade, tudo era Focault. Citado por professores, ator principal das piadas acadêmicas. Parecia que todos os alunos estavam lá motivados por Focault. Mas logo veio a moda de Deleuze e seu rizoma. Existiu a era de Stuart Hall.

Na música ocorre um fenômeno similar. Ciclicamente, um músico que já teve dias de sucesso num passado remoto, passa a ser admirado pelas novas gerações. Caetano Veloso lançou um disco com versões acústicas de várias canções contemporâneas. Uma mistura excêntrica, que foi taxada de porcaria por todo mundo. Mas Caetano chegou até os jovens cantando Come As You Are. E essa nova geração passou a escutar seu trabalho, seus novos lançamentos, foram aos seus shows, agora lotados de pessoas de camisa xadrez e óculos de aro grosso.

De repente vem, sabe-se lá da onde, a nova diretriz: Erasmo Carlos é legal! E então todo mundo começa a escutar o Tremendão e achar graça nas suas músicas. A gostar das canções que nem os seus pais agüentam mais ouvir. Nesses tempos recentes, até Reginaldo Rossi – o atual rei do brega – virou cult. Imaginamos daqui a 30 anos, os jovens escutando Banda Calypso e pirando no solo de Cavalo Manco.

sábado, 27 de novembro de 2010

Vingança

A vingança é um prato que se come frio

Percebe-se que o autor dessa frase realmente vivia em outros tempos. A interpretação mais comum é de que, para ser melhor saboreada, a vingança devia esperar. Sem atitudes intempestivas. Acalme-se, espere. Planeje friamente. E então se vingue. Espero o prato esfriar. Vingança não pode ser churrasco, porque é impossível que alguém goste da carne assim que ela esfria e fica toda ensebada.

Mas é uma frase de outros tempos. Hoje, na era da comida congelada, comer um prato frio pode ser o efeito contrário. O prato já está ali, frio no seu congelador. Não sabemos se a vingança é vendida pré-cozida em supermercados aleatórios. Caso seja, é melhor não comê-la enquanto ainda está fria. Quebra os dentes.

A vingança é um dos desejos mais estranhos do ser humano. Um misto de vontade de reparar a injustiça promovida por alguém, afinal, nosso sistema judiciário é falho, burocrático e demorado. Junto a um desejo de ver o sangue impuro correndo pelo fétido solo pátrio. Já dizia o código de Hamurabi “olho por olho, dente por dente”.

Há quem ache que a vingança é algo necessário para manter um equilíbrio na sociedade. Há quem ache que não, muito pelo contrário, é uma atitude pouco racional que deveria ter sido deixada para trás pelos seres humanos mais evoluídos. E há é claro, os viadinhos de sempre que dizem “não gente, isso é errado”.

O mais estranho sobre a vingança, é que ninguém nunca quer apenas que o olho seja igualado pelo olho. Que o dente seja vingado com outro dente. Pâncreas por pâncreas, costela flutuante por costela flutuante. Uma boa vingança, além de bem planejada e friamente executada, deve ser muito mais violenta do que o ato que a motivou.

Exemplo? Seu vizinho passa com o carro por cima da sua calçada e destrói uma parte do seu jardim. Você vai lá e mija no jardim dele, corta as plantas? Não, muito pelo contrário. Se você fizer isso, você não se sentirá vingado plenamente. Você deve esperar alguns dias e na calada da noite, arranhar o carro todo do cidadão, além de quebrar todas as janelas e cuspir no volante. E claro, logo na seqüência você deve fugir para as Bahamas. Porque ele também vai querer vingança e muito provavelmente vai atear fogo na sua casa. O que vai te levar a metralhar os seus filhos. E fazer com que ele mate você. Por isso, seria de bom tom matá-lo logo no começo. E toda a sua família. Para que não sobre ninguém querendo vingar a morte do patriarca.

Além de ser uma vingança plena, que alimenta a alma, ainda servirá de exemplo. Seus vizinhos todos perceberão que ninguém deverá mexer com você, senão morrerá. Será o primeiro passo para montar uma rede de influências no bairro e cobrar taxas dos amedrontados vizinhos, para que eles permaneçam vivos.

No futebol também é assim. Se um adversário está com um comportamento estranho, entradas duras e provocações, a melhor vingança é... quebrar-lhe a perna. Sim. Uma fratura exposta, que talvez o impossibilite de voltar a jogar futebol. Nos filmes é assim. Rambo acabou com a ditadura na Birmânia, para vingar o seqüestro de um grupo de missionários. Charles Bronson já acabou com o crime organizado, desorganizado, gangues, milícias, guerrilhas e o que tivesse pela frente, para vingar a morte da sua filha.

A vingança é a forma de se fazer justiça com as próprias mãos. Toda ação gera uma reação. Se seu professor te deu uma nota errada, nada melhor do que incendiar a sua casa. Se o garçom colocou um copo de chope a mais na sua conta – e não admitiu o erro – nada melhor do que colocar um copo de chope a mais em sua garganta, ou no seu ânus. Afinal, a vingança é um prato extra-grande.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Amostra Grátis

Quando eu era criança, sempre que ia ao Supermercado, parar na maquininha que servia xarope de Guaraná era uma obrigação. Eu sempre ia. Sempre. Dependendo do dia, eu pedia dois copos e, como eu era criança, a mulher aceitava. Era uma decepção muito grande nos dias em que a maquininha não estava funcionando. Era como se não tivesse valido a pena ter ido no supermercado.

No meu mundo ideal, seria possível sobreviver alguns meses (ou pelo menos algumas semanas), apenas com as amostras grátis oferecidas no supermercado. Começaria com aquele cafezinho, cortesia do estabelecimento para/com os clientes, seguiria com umas torradinhas ali, uma passada para beliscar uns queijinhos com salame, o tradicional Guaraná. Um desses novos sucos em pó e quem sabe, com sorte, um pedaço de hambúrguer e – glória – uma bola de sorvete, novidade no mercado.

Existiram prósperos tempos em que isso foi possível. Você ia ao supermercado e poderia se considerar frustrado, caso não encontrasse pelo menos três opções para degustação. Você podia economizar o dinheiro do jantar, facilmente. Mas, não sei se foi o Governo Lula, a queda das torres gêmeas, a crise do sistema imobiliário norte-americano, a moda emo, mas o fato é que esses dias ficaram para trás.

Nós, amostristas, andamos desolados. Não conseguimos mais encontrar essa fartura de outrora. Aqueles que tinham como lema de vida o ditado “de graça, até injeção na testa” – com exceção a injeção e a testa – estão perdidos. Quando raramente há uma amostragem no supermercado, é de algo tão bizarro – sorvete de jiló, suco de jenipapo – que você acaba desistindo. Não há a perspectiva de ser recompensado com uma amostra que realmente valha à pena.

E tem mais, é numa quantidade tão pequena, que mal dá pra sentir o gosto. E sem direito a repetição. Mesmo uma criança de quatro anos não conseguiria convencer a tia do suco a dar mais um dedinho do refresco. A única amostra que rola solta hoje em dia? Revista velha. E você ainda vai levar uma assinatura de uma revista ruim junto.

Mas, como tudo na pós-modernidade, este processo de obter coisas gratuitamente, está se virtualizando. Sim, nossas relações pessoais, nossos sentimentos. Afinal, o que é o Virtual? Perguntaria e responderia Pierre Lévy ao longo de centenas de páginas tediosas, as quais eu não conseguiria resumir aqui.

As amostras grátis saíram dos supermercados e foram parar na internet. Sim, você pode se cadastrar em sites como esse e esse outro. E então, receberá novidades sobre todas as amostras grátis que você pode solicitar para empresas ao redor do mundo. Adesivos, CDs de meditação, guias turísticos, pulseiras, sorvetes e, quem sabe, injeções na testa.

Nosso amigo, o pedreiro Marcão fez o teste e cadastrou nos sites na lan-house perto da casa dele. Ele descreve esse período da sua vida como maravilhoso e responsável por ele finalmente ter conseguido se sobressair à linha da pobreza.

Nota do Editor: Esse tema nos apareceu via Twitter, por sugestão de @dias_carla, que atendeu a um pedido de sugestões de pauta do blog. Não há aí nenhuma tentativa de merchandising e tampouco o blog recebeu dinheiro para citar estes sites, não insistam seus malditos comunistas. Apenas o tema “Amostras Grátis” e sua migração do campo real para o virtual, é um assunto digno da linha do blog.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

O Inesgotável aniversário de Pai Jorginho

Não nos importamos com Natal, Ano Novo, Carnaval, Páscoa. Não damos a mínima para o 7 de setembro, o 15 de novembro, o 21 de Abril. Aqui no CH3 a única data que comemoramos como um feriado é o dia 22 de novembro. O dia em que ele faz o aniversário. O inesgotável Pai Jorginho de Ogum. Sim, ontem o nosso pai-de-santo, cafetão, ex-centroavante do Flamengo e quase formado advogado da UNIC, completou 59 anos.

Sim, 59 anos, quase seis décadas. Não vou mentir. Foram vários anos de poucas glórias, muitos fracassos, muitas dívidas contraídas e uma certa estabilidade financeira conquistada apenas quando nós do CH3 começamos a divulgar seu trabalho. Foi quando ele criou a Casa de Diversão Noturna Carnicentas, onde ele obtém um lucro fenomenal, apesar dos processos trabalhistas, dos quais ele é alvo mensalmente. Geralmente ele é acusado de maus-tratos, de não pagar salário e de oferecer péssimas condições de trabalho. Mas ele consegue se livrar de tudo, criando uma rede de corrupção e tráfico de influências. Acreditamos que logo ele será eleito deputado estadual.

Pai Jorginho já nos deu muito trabalho e já nos salvou algumas vezes. É nosso personagem principal para várias histórias. Nossa fonte preferencial. Provavelmente, Gilmar Mendes o chamaria de fonte viciada, mas nós não interferimos nos hábitos pessoais de nossos entrevistados. A Pulseirinha do Sexo, Sonhos, Esportes Olímpicos. Sempre que se precisar de um assunto para preencher um post, basta pegar o telefone e ligar para Pai Jorginho de Ogum, que o post está salvo.

O mesmo ocorre quando não há assunto para um post. Este verdadeiro multi-homem sempre terá uma pauta relevante para o blog. Pai Jorginho de Ogum também nos apresentou aos seus amigos folclóricos como Marcão, Alfredo Chagas e Hanz. Além de ser um dono bem cuidadoso do Cão Leproso.

É por isso que sempre falamos do seu aniversário. Sem Pai Jorginho, o CH3 talvez não tivesse chegado até aqui. Vários leitores já nos confessaram que, caso um dia Pai Jorginho crie um blog para ele, eles passarão a ler o blog do pai-de-santo e nos abandonarão. Por isso, temos que bajulá-lo, para que consigamos manter nossa média de 150 visitas diárias.

E assim sendo, estávamos todos ontem no controverso estabelecimento comercial de Jorginho, para participar de sua festa. Ele nos recebeu com um atraso e disse “eu sei. Vocês me compraram um vinho”. Pra variar, ele errou, ele sempre erra. Era uma camisa.

Encontramos aquela fauna de seres exóticos de sempre. Marcão muito emocionado preparava as bebidas. Hanz, o pansexual, muito excitado tentava encoxar vários dos visitantes. Alfredo Chagas, chato como sempre, incitava as massas a lutar contra o neoconservadorismo das sub-classes da Nova Ordem Mundial. Cão leproso, muito emocionado, não conseguia conter as lágrimas que escorriam dos seus olhos. Mais tarde ele confirmou que era apenas uma conjuntivite.

Como somos pessoas responsáveis, fomos embora antes que as sessões de strip-tease começassem. Entre outras coisas, porque este é o espetáculo mais grotesco da face da terra. Comparável talvez, apenas a uma luta de anões usando coquilhas. Mas é capaz de que a festa continue até agora.

Ficam aqui, nossos sinceros agradecimentos e parabéns ao homem, ao mito, à lenda, ao filho da puta, Pai Jorginho de Ogum.

domingo, 21 de novembro de 2010

Sintomas do fim do mundo

O CH3 já abordou a questão do apocalipse, do fim do mundo, ninguém vai escapar! Ninguém! Algumas vezes. Para não ficar repetitivo nas teorias Maias, Nostradamus e o caralho, resolvemos começar essa nova série que aborda alguns sintomas de que o mundo realmente está acabado. Corram para os seus abrigos.

A crise de Silvio Santos

“É não tá fácil pra ninguém. Nem pro Silvio Santos”. Foi com essa resposta a um apelo do blog no Twitter, que nossa querida @andrezaspereira nos abriu os olhos para um sintoma de que o mundo está acabando. Silvio Santos está com problemas financeiros.

Silvio Santos é facilmente o brasileiro mais importante da história. Uma espécie de Rei Midas da televisão brasileira, transformou várias idéias bobas em pérolas da produção artística humana. Como não admirar a genialidade da Câmera Escondida? E suas gincanas, com pessoas descendo tobogãs com copos de groselha no copo? Silvio Santos é a prova viva de que é possível se divertir trabalhando, já que era possível ver, ninguém era mais feliz do que ele apresentando seus programas.

Topa Tudo Por Dinheiro, Show do Milhão, Porta da Esperança... quantos sucessos o homem não contabilizou? E com um detalhe. Silvio Santos é rico, muito rico. Diria que ele é homem mais rico que já pisou na face desse planeta. Poucos sabem, mas Eike Baptista começou sua fortuna assim que recebeu um gorjeta de Silvio. Um homem que faz aviõezinhos de dinheiro e saí distribuindo por aí. Pergunta para pessoas aleatórias, quem quer dinheiro. Bondade, talento, fortuna. Para descrever Silvio Santos seria preciso abrir um dicionário de adjetivos.

Pois eis então que surge a notícia. O homem está sem dinheiro. Sim, sem dinheiro. O seu banco Panamericano, a entidade que um dia controlou a economia mundial estava falido. Essa é uma notícia tão estranha, que nos faz acreditar piamente que o mundo realmente vai acabar (meu bem, o que você faria?).

Como isso é possível? Como pode Silvio Santos estar sem dinheiro. Existem algumas hipóteses.

1) Muitos aviõezinhos: Silvio distribuiu muitos aviõezinhos de papel por aí e sem querer gastou todo seu dinheiro. É uma hipótese pouco provável, já que ele teria aviõezinhos suficientes para construir e derrubar novamente o World Trade Center.

2 Idade: Queira ou não, ela chega. E Silvio anda tendo um comportamento estranho ultimamente, cada vez mais sem noção. Ele já encoxou mulheres ao vivo em seu programa. Já humilhou a cantora Stephany do CrossFox. Recentemente, perguntado se poderia vender o SBT a Eike Baptista ele rebateu “quem é esse Elque? É americano?”. Silvio pode ter confundido as bolas, colocado dinheiro na fogueira e lenha no cofre.

3 Conspiração da menina Maísa: A diabólica garotinha poderia ter aprontado altas confusões para sacanear o senhor Abravanel.

Mas o fato é que a vida não está fácil para ele. O homem que inventou o Natal para poder dar um nome para a tele-sena de dezembro. O homem que joga banco imobiliário com dinheiro de verdade. Ele está com problemas financeiros. Eis mais um sintoma do fim do mundo.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

O Post da Besta

A palavra “diabo” já foi citada algumas vezes nesse blog. Mas, quase nunca como referência a pessoa do Diabo em si, e sim, a alguma expressão. Outras de suas alcunhas também são citadas, como “capeta” e “demônio”. Percebe-se que o capeta é um uso preferencial do Vinícius, enquanto eu prefiro o demônio. Sim, essa frase ficou estranha, mas, percebam que eu falo apenas das palavras. Não cabe aqui qualquer interpretação que faça com que as pessoas comecem a nos perseguir, com tochas e rastelos.

Ainda existem referências ao engraçado termo “tinhoso”, uma única para Belzebu e uma outra para “Satã”, feita pelo Tackleberry. Nunca antes na história deste blog a palavra “Lúcifer” foi citada.

Já falamos que o diabo era o pai do rock e que o jornalista quando morre vai para o inferno virar assessor de imprensa do tinhoso. Mas hoje, o CH3 chega o seu post de número 666. Sim, o número da besta. Não vamos negar o clichê de falar do assunto, nessa única oportunidade que teremos.

Pois bem, o diabo, essa figura controversa. Sempre presente nos filmes, possuindo pessoas e mandando que abacaxis sejam introduzidos no ânus de Adolf Hitler. Ele, sempre ali, estrelando horários menos nobres da televisão brasileira, entortando a cabeça das pessoas, falando grosso e babando. Há quem jure que é ele, como Ércio Quaresma – o advogado do caso Bruno. Ele, que veste Prada, ele que está ao lado de Deus na Terra do Sol.

A besta é uma figura bíblica. Dizia-se que quem estava com ela, estava abestado. Ou seja, votava no Tiririca. Uma das características mais marcantes da besta é o riso constante. Daí surgiu a expressão “rindo que nem bestas”. Sim, elas eram más. Além de emergir do inferno trazendo o caos, elas ainda riam.

O diabo seria um anjo sem asas que caiu para o inferno. Lá ele ficou boladão e virou um propagador do mal. Você já viu essa história no cinema. O irmão ofuscado, que parte para o lado negro da força e fica malvado. É uma história normal no cinema e na literatura. O renegado que vira obscuro e espalha o mal. O fracassado que vira um psicopata. Não é todo mundo que tem os pais assassinados e vira o Batman.

Grandes pensadores da história, provavelmente já versaram sobre ele. Oscar Wilde dizia “o diabo é muito otimista se pensa que pode piorar os homens”. Enquanto Freud explicava, o diabo ficava dando uns toques. Nietzsche com certeza também falou sobre o Belzebu. Stanislaw Ponte Preta, Millôr Fernandes e tantas outras pessoas que opinavam sobre qualquer assunto, também já falaram do diabo.

Enfim, que diabos, o mundo já falou do diabo. O CH3 não podia perder essa oportunidade. Principalmente porque daqui a três dias é aniversário de Pai Jorginho de Ogum. Ele, que entre outras tantas qualidade, é um exorcista de primeira. Esse post foi friamente pensado e planejado apenas para dar essa informação. Compareçam na festa de Jorginho, dia 22, na Casa de Diversão Noturna Carnicentas, portanto um par de sapatos e uma sugestão de pauta e, garanto, o demônio será expulso de seu corpo.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Pessoas constrangedoras, volume 8

Pessoas que tergiversam


Uma pequena nota de esclarecimento. Esse post não se baseou na candidata Dilma Rousseff. Seu rascunho estava pronto muito tempo antes da eleição e da popularização da palavra. Oras, ela não tem os royaltys dessa palavra!

Você provavelmente teve um colega assim no colégio ou na faculdade. Existem muitas chances que você já tenha atendido uma pessoa assim em seu trabalho. Por “tergiversar” entende-se “mudar do assunto principal, para outro totalmente aleatório e que não faz o menor sentido”. São pessoas especialistas em pegar ganchos forçados. E como toda e qualquer pessoa constrangedora, te deixa sem reação.

1 Tergiversador inocente

- Legal esse livro que você tá lendo.
- Ah, comecei ontem. Vi uma indicação na Bravo.
- Aquela que tem o Chico Buarque na capa?
- Isso. Estou gostando bastante, principalmente da narrativa.

- Falando nisso, viu uma matéria no Jornal ontem?
- Qual?
- Falava sobre isso. Pessoas que tem uma doença rara, não lembro o nome.
- Sei...
- Então, achei bem descrita a matéria.
- É, legal.

2 Tergiversador politizado

- Pois bem, então é isso que Althusser quis dizer sobre os aparelhos ideológicos do Estado.
- Falando nisso, professora, você viu a matéria da Caros Amigos do mês passado?
- Não.
- Falava exatamente disso. De como o governo FHC sucateou o ensino público do Brasil.
- Hmm, legal.
- Também nessa revista, tem uma coluna do José Arbex Jr, excelente, sobre o espetáculo midiático no caso Isabella Nardoni.
- Legal.
- Aliás, eu estou aqui com a revista. Recomendo a leitura, se alguém quiser emprestado.
- Ok. Voltando ao assunto...
- Aliás, aproveito para mostrar essa charge, muito bem bolada, olhem só.
- Bom, bom.

3 Tergiversador compulsivo (aquele que busca anônimos para tergiversar)

- Oi. Me vê seis pãezinhos.
- Seis?
- Isso. Tão quentinhos?
- Saíram faz 10 minutos, senhora.
- Ok. Adoro pão quente.
- ...
- Me lembra minha infância, meu pai era padeiro.
- ...
- Ele sempre trazia pão quente pra casa. Me lembro como se fosse ontem. Sempre tinha pão quente e manteiga fresca.
- Aqui senhora.
- Ele sempre contava como tinha sido o dia do trabalho. Se sentava na cabeceira. Minha mãe de frente pra ele, sempre com um avental.
- Próximo.
- Me lembro que no natal de 1962 eu dei um avental lindo pra minha mãe. Todo bordado. Comprei numa loja na rua XV. Um senhor muito simpático era o atendente. Depois eu me casei com o filho dele.

4 Tergiversador surtado (um completo maluco)

- Oi.
- É... oi.
- Você tava vendo as camisas?
- É, não.
- Ah sim. Eu tenho uma camisa assim, muito boa.
- Ah sim.
- Feito de linho... sabe como é a fabricação do linho?
- Não.
- É um processo bem simples assim. Tão simples quanto andar de bicicleta.
- Hehe.
- Eu mesmo, aprendi com 6 anos e até hoje nunca esqueci. Tenho boa memória. Você se lembra o que comeu no almoço ontem?
- Hmm, não.
- Eu lembro. Lembro o que comi na ceia do Natal do ano passado.
- Legal, he.

Nesse caso você só tem duas opções. A primeira é sair correndo, claro. A segunda, é torcer para que não seja um tergiversador psicótico. Aquele que pergunta.
- Você não está gostando da minha conversa?
- Não, imagina.
- Você não gosta de mim?
- Que é isso.
- O que é que eu fiz pra você não gostar de mim?
- É...
- É o meu cheiro? Minha roupa? Já sei. Você tem outra!
- É... bem.
- Cachorro, maldito!

Para essas pessoas, o mundo gira ao seu redor. Todos assistem o que ela assiste, todos vão gostar do que ela gosta, todos querem conversar com elas. São pessoas constrangedoras. Não perca em breve, a Enciclopédia CH3 de pessoas constrangedoras.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Toc, Toc DJ. Toc toc toc on the heaven’s door.

Rob Gordon, personagem interpretado por John Cusack no filme Alta Fidelidade, é o dono de uma loja de discos. Sua vida é meio frustrada e seria ainda mais nos dias de hoje (o filme é de 2000), porque ninguém mais compra discos. Seu maior passatempo é ficar fazendo listas, top 5 sobre músicas, com os seus amigos estranhos que trabalham na loja. Do nada surge a idéia “Top 5 faixas de abertura!”. Puxando pela mente ele começa a citar “Janie Jones do The Clash, disco homônimo de 1977...” e não vou me lembrar todas.

Pode parecer uma figura esquizofrênica do cinema, desses que só existem em filmes. Ledo engano. Na vida real existem vários Rob Gordons espalhados por aí. Pessoas viciadas em fazer listas. Pessoas compulsivas por listagens. Fazer listas é um TOC.

É preciso entender que uma boa listagem tem que ter uma ordem de classificação. Não basta citar seus cinco livros prediletos. É preciso citá-los por preferência. Melhor ainda se você falar o nome do livro, o nome do autor e o ano em que ele foi lançado.

Mas não é apenas isso. Pessoas portadoras desse grave distúrbio não se prendem aos triviais “bandas favoritas, livros favoritos, filmes prediletos”. São os seis melhores livros de autores tchecos. Top 7 músicas com a palavra “até” no nome. Os nove melhores filmes sobre a guerra do Vietnã. Até que a situação fica completamente incontrolável e o cidadão começa a criar listas que só fazem sentido dentro de sua cabeça.

“Top 10 discos, descontando os melhores discos de cada banda”. “Os sete melhores livros que eu tenho em segunda edição”. “Cinco filmes húngaros para se assistir numa tarde chuvosa de outono, enquanto as gotas do orvalho embaçam o vidro da janela”. Em pouco tempo, o fazedor de lista irá se isolar do mundo, para viver apenas nelas.

Irá ao banheiro pensando nas melhores faixas de abertura com trompete. Nos melhores diálogos de Al Pacino nos anos 70. Nos melhores espaguetes à carbonária que já comeu. Os melhores guaraná que já tomou, as poltronas mais confortáveis em que já sentou. Os lugares onde o céu estava mais azul, as dores mais profundas que já sentiu. Sua cabeça estará para sempre perdida em listas mentais. Nessas listas imaginárias que se sobrepõe ao mundo real. Cada ato, cada gesto, cada barulho te trará a cabeça um assunto que merece ser listado. Você será excluído, porque só sabe falar em listas. A solução será o suicídio, não sem antes, é claro, listas as maneiras mais trágicas, mais dolorosas, mais humilhantes de cometer um suicídio.

Se você estiver sofrendo desse problema, está num estágio inicial de sofrimento, ou tem um familiar, amigo, vizinho, colega de trabalho em tal situação, saiba quais são as cinco melhores maneiras de se fazer isso.

1) Evite fazer listas. Encontre uma maneira de interrompê-las ainda no começo

FIM.

sábado, 13 de novembro de 2010

Grandes Letras Clássicas da Música Brasileira (III)

Funk

Foi no verão de 2001. Pela primeira vez o funk ascendeu ao cenário mainstream nacional. O Bonde do Tigrão tocou no palco do Domingão do Faustão. Com suas danças sensuais e letras que deixavam de lado a sutileza/infantilidade do axé. O pênis, o sexo, a submissão feminina, todos estavam mais explicitados nas letras do funk. O CH3 analisa agora algumas das principais letras do movimento que abalou as estruturas do Brasil em 2001. Em termos de marco histórico, o Bonde do Tigrão foi o nosso 11 de setembro.

Bonde do Tigrão – Cerol na Mão
“Quer dançar, quer dançar? O tigrão vai te ensinar. Vou passar cerol na mão, assim. Vou cortar você na mão, vou sim. Vou aparar pela rabiola, assim. Vou trazer você pra mim, vou sim. Eu vou cortar você na mão, vou mostrar que sou tigrão, vou te dar muita pressão, então martela, martela o martelão”.

Neste verdadeiro tormento musicado, o funk mostrava a sua cara. As metáforas para o sexo foram substituídas por uma alusão ao sexo anal. Há uma certa confusão entre o real e o virtual nesta canção. A alusão contida na rabiola, se confunde facilmente com a lúdica brincadeira de empinar pipa, graças a presença do cerol. Há controvérsias sobre uma influência do trecho “te dar pressão e cortar você na mão” no caso Bruno.

(Trad.) – Tapinha
"Dói, um tapinha não dói. Um tapinha não dói. Um tapinha não dói. Só um tapinha".

No funk não existe lógica. Não existem rimas, versos, encaminhamento de idéias. Um tapinha não dói e nada mais. Existem versos para esse refrão, mas ninguém entende e, o que eles dizem não importam nem um pouco. Poderiam ser versos sobre os Direitos Humanos. Todo o sentido é contido apenas no refrão, repetido exaustivamente.

MC Serginho – Éguinha Pocotó
“Vou mandando um beijinho, pra filhinha e pra vovó. Só não posso me esquecer da minha éguinha pocotó. Pocotó. Pocotó. Pocotó. Minha Éguinha Pocotó”.

Foi um segundo momento do funk, quando, depois de um breve esquecimento, ele voltou para ficar. Graças a esse maldito MC Serginho e sua companheira lacraia. A letra bucólica nos lembra de temas parnasianos. A vida no campo, a saudade da Éguinha Pocotó. Éguinha Pocotó está para MC Serginho, tal qual Marília estava para Dirceu.

Chatuba de Mesquita
“Máquina de sexo, eu transo igual um animal. A chatuba de Mesquita, o bonde do sexo anal. Muleque playboy. Funkero sexo anal. A Chatuba de Mesquita come as mina de geral. Andamos de redley, viemos pegar mulher. A chatuba de Mesquita, o bonde do Nike Air. Chatuba come cu e depois come xereca. Ranca cabaço, é o bonde dos careca”.

A popularização do gênero fez com que as pessoas descobrissem a verdadeira origem do funk, uma espécie de folk-funk. E no início o funk era apenas isso: putaria. Como é demonstrado nos versos. Sexo descontrolado e exibição de dinheiro em uma interpretação vocal emocionada e inesquecível. Eles poderiam ser os nossos 50 cent. Se não fosse pelo fato de terem morrido, quando foram baleados.

Gaiola das Popozudas – Quero te dar
Tá difícil de controlar
Há mais de uma semana
Que tento me segurar
Eu quero te Dar. Da-dar
Da-da-da-da-da-dadar

Uma métrica perfeita. De fazer inveja as Lusíadas de Camões.

Bola de Fogo – Atoladinha
“Sou eu, Bola de Fogo e o calor tá de matar. Vai ser na praia da Barra que uma moda eu vou lançar.
- Vai me enterrar na areia?
- Não, não, vou atolar!”

O sexo surge tanto na metáfora de “atolar na areia”, quanto na passagem do mundo infantil para o adulto, quando a brincadeira de enterrar na areia é deixada para trás. A canção mostra um diálogo na forma de um dueto, mostrando toda a expansão artística do morro carioca.

Tati quebra Barraco – Siririca
(Conteúdo censurado pelo nosso editor Alfredo Chagas).

Tudo de mais obsceno que já foi cantado em português.

Com a popularização do funk de raiz, conhecido agora como “Proibidão”, a vertente comercial perdeu seu espaço na mídia tradicional. Fruto da globalização e do avanço da internet e dos downloads, o ouvinte não precisa mais da rádio para escutar a música e, sim, busca ele mesmo o que quer escutar. Longe da grande mídia por questões conservadoras, o funk resiste agora em festas e baladas noturnas. Esperamos que em breve ele resista apenas no CDC de Atlanta.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Sobrevivendo

Você está em um lugar inóspito, desabitado. Uma geleira, um deserto, uma floresta densa, um cânion. Não importa como você chegou lá. O avião caiu, caiu da caçamba do caminhão, o mapa estava de cabeça pra baixo ou foi vítima de uma experiência falha de teletransporte. Mas você está lá.

E o que você vai fazer? Vai caminhar, de um lado para o outro, sem direção. Talvez tente se guiar pelo sol. Tentará comer de algum jeito, mas é difícil que consiga êxito. A noite irá chorar lágrimas solitárias em posição fetal, desamparado. E se ninguém aparecer em no máximo uma semana, você vai morrer. Sim. É bem capaz de que seus restos mortais nunca sejam encontrados.

Foi pensando em ajudar a população – afinal, quem nunca ficou perdido em um lugar inabitado? – que produtores de televisão resolveram criar os programas de sobrevivência. Não, não é nenhum programa social no estilo bolsa família. São séries de televisão que mostram pessoas se fudendo nos lugares mais impróprios para a vida humana. Acredite, é ainda pior que o Hipertensão.

Um deles é o Survivor Man. Não há dúvida de que é uma série mais honesta, em que um pobre coitado “é perdido” em algum lugar difícil e mostra como se faz para sobreviver nesses sete dias até que você seja encontrado. Apenas ele e um monte de câmeras. Ele ficará lá até que a equipe volte e nesse tempo ele come folhas, insetos, mostra formas de obter água. Algumas coisas que você talvez tenha a sorte de conseguir fazer.

O outro programa é “À Prova de Tudo” onde o super-homem Bear Grylls mostra que se você se perder em um desses lugares, você estará morto. Grylls é uma mistura de Rambo e McGyver. Ele escala paredões, anda sobre a lava, constrói barcos com palha e elásticos de meia. Se joga do topo de cachoeiras e se pendura em galhos de árvore. Ou seja, faz um monte de coisas que você jamais conseguirá fazer. E que vão ajudar a te matar mais rapidamente. Afinal, no dia em que você estiver perdido na Ilha do Diabo e pensar “ah, eu vi, o Bear Grylls me ensinou a escalar esse paredão”, você vai tentar, não vai conseguir e ainda vai gastar suas últimas energias. Afinal, o cara é um profissional que já foi do exercito, enquanto que você é um sedentário que estava de férias.

Claro, há outra questão sobre “À Prova de Tudo”. Bear não está sozinho. Ele está com pelo menos dois cinegrafistas. E aí é aquela história, ele vai se jogar do alto da cachoeira e já tem um cinegrafista lá embaixo vendo a cena. Como foi que ele desceu? E como é que o cinegrafista que estava filmando a queda de cima conseguiu logo em seguido filmar ele saindo do rio? Ele dorme em um buraco no chão. Onde os cinegrafistas dormem? Enquanto o pessoal da produção está comendo marshmellow no acampamento, ele fica sozinho no buraco? Como os caras descobrem a hora em que ele ia acordar? Ele vai construir uma jangada para atravessar o mar. E os cinegrafistas? Eles são especialistas em sobrevivência também? O Bear vai construir um monte de jangadas? Seria ele um Henry Ford?

Muitas questões. E o que o CH3 te dá de conselho para uma situação dessa? Bem, além de sentar e chorar você tem que ter em mente algumas outras coisas:
1) Nunca se perca na floresta sem um canivete, uma mochila e um cantil.
2) De preferência, leve biscoitos na sua mochila.
3) Melhor ainda! Não se perca na floresta. E mais ainda, jamais se perca nas montanhas.

Em breve o Cão Leproso irá estrelar uma série na CH3 TV, mostrando como sobreviver nos lugares mais inóspitos do planeta, (vulcões, icebergs, supermercados, 25 de março) sem ter dois braços e sem se prostituir.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Pessoa Errada

Já abordamos neste espaço a questão metafísica, discutida pelo filósofo contemporâneo Alexandre Pires, nos versos da Canção “Depois do Prazer”. Talvez influenciado por essa escola do pensamento, Chrigor do Exaltasamba, discutia temas parecidos – mas com uma ótica diferente. “Eu me apaixonei pela pessoa errada”. E ninguém sabia o quanto ele estava sofrendo.

É um tema complexo. Como pode alguém ter se apaixonado pela pessoa errada? Como pode aquela pessoa, aquele indivíduo ser um sujeito errado? Toda pessoa é uma pessoa e corresponde a apenas uma pessoa. De um ponto de vista lógico, se você é você, logo você não pode ser outra pessoa. E sendo você, você, você é apenas você e conseqüentemente a pessoa certa, quando falamos de você. Se falarmos de ele, você será a pessoa errada nessa linha de correspondência.

A única possibilidade aceitável é que Chrigor tenha se apaixonado por Marcinha, ou Carlos, imaginando que ele(a) fosse a Sheila Mello¹.

Devemos também distinguir “Pessoa Errada” de “Pessoa Errante”. Os errantes são aqueles que gostam de frases prontas sobre a falibilidade humana para justificar seus erros. Sabe, aquela pessoa que diz um óbvio “Se nem Jesus agradou a todos” como se fosse uma novidade. Geralmente essas pessoas tem “errar é humano” como lema, gostam de escutar “Deixa a vida me levar” e tatuam Carpe Diem na nuca.

“Acho que estou falando com a pessoa errada”. Uma frase que pode ser dura, de alento ou menosprezo, dependendo do momento.

Pode ser uma constatação alentadora e salvadora quando se trata de um engano. Tanto no momento em que a pessoa insiste em ligar no seu celular pra falar com a Valérya. Ou quando você está sendo torturado pela polícia, porque acham que você é comunista. O engano é percebido e dizem “desculpa, pessoa errada”. Pode acontecer na rua também, quando algum maluco esquizofrênico resolve jurar que você é o Marcelo que estudou com ele na terceira série. E que vocês jogavam videogame juntos, aprontavam alta confusão. Não adianta você dizer que ele está falando com a pessoa errada. Ele não vai desistir.

Você pode também não ser considerado a pessoa certa para realizar um certo ato. Pode ser bem ruim quando o seu chefe concluí isso e escolhe o safado do Carlos para ganhar uma promoção. Ou quando sua namorada concluí que você é a pessoa errada para ela e resolve te trocar por aquele homem de Neandertal que fazia academia junto com você. Nesses casos, descobrir que você é a pessoa errada pode te levar ao suicídio.

¹Note que essa situação é hipotética. Não existem provas que essas sejam as pessoas certas para esse exemplo.