sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Os Mercenários

Esses dias eu passei em frente a um cinema e vi, de relance, um cartaz. Achei que havia sido uma ilusão e resolvi conferir com mais calma. Lá estavam: Sylvester Stallone, CHUCK NORRIS¹, Bruce Willis, Arnold Schwarzenegger e Jean-Claude van Damme juntos. Fiquei alguns segundos olhando aquilo, pensando se aquilo era verdade.

Se verdade fosse, se trataria da maior união da história. Algo que não encontraria paralelos na história da humanidade. Talvez se Beethoven, Wagner e Mozart tivessem feito uma jam session de flautas em 1826. Nem assim. Seria um encontro de gênios, mas um encontro sem os culhões suficientes. Talvez se Charles Bronson estivesse ali, com seu Desejo de Matar, mas não dá mais.

E era verdade. Tratava-se do cartaz do filme Os Mercenários 2. Um filme que reúne os maiores nomes da história do cinema de ação, sem dar espaço para viadinhos como aquele cara com nome de combustível. Um filme que tem apenas, e somente, os mestres supremos da arte de matar bandidos.  Olhei para o cartaz novamente e meu copo de refrigerante pegou fogo.

Ganso estará em Os Mercenários 3
Os críticos de cinema, sempre eles, irão odiar o filme. Vão dizer que é uma enorme besteira, que o roteiro é pífio, que o elenco é fraco, que a história não convence, que as interpretações são patéticas. Eles que se fodam. Alguém que não consegue compreender a beleza em explosões aleatórias, frases de efeito e uso expansivo de submetralhadoras, não honra o que tem embaixo da cabeça. E não falo aqui do pescoço.


O filme estreia hoje no Brasil. Em várias cidades brasileiras, cidadãos privilegiados já tiveram a oportunidade de assistir esta obra. Se você tiver a oportunidade de ir, vá. Ao comprar o ingresso, você não estará comprando o direito de sentar em uma poltrona confortável e comer um saco de pipoca enquanto coça o saco displicentemente. Será um verdadeiro investimento para a sua vida. O melhor investimento que você jamais fará na sua vida.

Nas cidades em que o filme já está sendo exibido, as taxas de violência praticamente zeraram. Vocês não conhecem o poder de uma foto de CHUCK NORRIS segurando um fuzil.

Conversei com algumas pessoas que já assistiram a película e todos se mostram impressionados. O único porém, é que eles saíram ensanguentados. Aliás, meu teclado começou a jorrar sangue a cada tecla digitada, apenas pelo fato de eu estar falando de Os Mercenários. Bem, não irei mais me prolongar no assunto. Estou indo para o cinema agora.

¹O Novo acordo ortográfico lusófono estabelece que você pode escrever do jeito que você quiser, desde que CHUCK NORRIS seja grafado em letras maiúsculas.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

A Arte da Restauração


Restaurar um quadro, ou uma parede, um carro, um liquidificador ou o que quer que seja não é fácil. Se por um acaso fosse fácil, não teríamos tantos programas sobre restauração na TV Paga. O curioso caso da espanhola Cecília Gímenez trouxe esta arte para as primeiras páginas dos principais jornais do país e do mundo. A senhora de 80 anos resolveu restaurar por conta própria uma pintura de Jesus, de autoria de Elías García Martínez no século XIX e exposta na parede de uma igreja na cidade de Borja.

Cecília afirmou ao padre local que ela possuía experiência na restauração de quadros, o padre acreditou e achou que não haveria problema algum. A senhora acabou por transformar o "Ecce Homo" em um esquimó surreal, com cara de meme do Facebook, com direito ao sorriso mais enigmático que o da Mona Lisa. Mona Lisa aliás, que foi escondida dos porões do Louvre quando uma rádio parisiense anunciou que Cecília estava chegando em Paris.

O CH3 foi atrás da lenda espanhola, para conversar um pouco com ela sobre a arte da restauração. Os segredos, os mistérios, as dificuldades que são enfrentadas durante o difícil processo de restaurar um quadro. Confira os principais pontos.

Técnica
Para restaurar um quadro não basta a habilidade, a capacidade de refazer os desenhos. É necessária toda uma pesquisa sobre os materiais usados originalmente pelo artista. Por vezes, os estudos necessários para encontrar a combinação de cor ideal demora mais do que a pintura em si. Para restaurar o "Ecce Homo", Cecília levou toda a sua paleta de tinta guache e fez diversos testes numa folha de papel. "Para encontrar o tom perfeito para a barba de Jesus, fiz alguns testes com a aquarela da minha bisneta", conta.

Auto-retrato de Picasso
Experiência
Cecília Guarda algumas fotos de seus principais trabalhos. Ela começou restaurando pinturas rupestres em sítios arqueológicos. Em 1954 ela transformou uma caverna cheia de representações de bisões e seres antropomórficos em um grande jogo de forca. "Foi impressionante. Ela reduziu um dos maiores legados da pré-história a um desenho de pré-escola", disse à época o arqueólogo Indiana Jones.

De acordo com Cecília, seus pinceis mágicos também já passaram por outras grandes obras. Ela alega ter sido a responsável pelo aspecto colorido da Marilyn Monroe de Andy Warhol. "Eu também restaurei todos os quadros do Picasso". Todos? "Sim, todos. Eu era vizinha dele e ele me mostrava suas obras. Antes que elas viessem a público, eu resolvi fazer algumas mudanças". A revelação desvenda os segredos por trás da obra de Picasso.

Estilo
Para alguns restauradores, o seu papel deve ser limitado a recuperar as características originais da obra. Cecília vai em uma corrente contrária, que acredita que os restauradores devem acrescentar novos significados para o trabalho. "A percepção que nós temos de uma obra é variada, dependendo da época em que nós vivemos". Por sua lógica, Jesus era o rosto mais conhecido do mundo no século XIX. Hoje, tal papel é ocupado pelo bonequinho do Lol. Cecília é a única restauradora do mundo que defende tal posição.

Gimenez pretende seguir trabalhando na área. Ela se coloca a disposição para restaurar qualquer objeto, se alguém tiver algum interesse. Museus do mundo inteiro estudam uma maneira de criar um dispositivo que alerte quando Cecília se aproximar de alguma obra de arte. Exceção feita ao Guggenheim.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Autocitação Sertaneja

Morreu na contramão atrapalhando...
... O Chico Buarque
Em tempos remotos nenhuma banda minimamente séria colocava o seu próprio nome em uma música. Bem, o artista até poderia estar lá, desde que ele fizesse parte do contexto da letra. Mas, jamais existiu algo como “All You Need is Love… With The Beatles” ou ainda “Eu deixo a onda me bater, no Renato russo, e o vento vai levando tudo embora”. Não, isso não existia.

A autocitação nas canções devem ter surgido com a Axé Music, sempre ela. O Chiclete com Banana coloca pelo menos uma referência ao chiclete, ou a banana, ou ambos em todas as suas canções. Havia também É o Tchan. Mas o Tchan transcende toda e qualquer classificação de nossa vã filosofia. Ah, e ainda tinha o Charlie Brown Jr, mas, no caso deles, aquilo me parecia um tique nervoso.

Por outro lado, nós temos que reconhecer que o ser humano sempre teve um fascínio pelo seu próprio nome. Escutar o seu nome em algum lugar público causa um prazer extremo e em alguns casos, o cidadão chega até a se masturbar. Psicólogos também citam que as pessoas se fascinam pelas suas próprias fezes, a sua obra prima. Pois, merda e nome se encontram na música sertaneja contemporânea.

Reação de Freud a 2 Girls 1 Cup
João Lucas e Marcelo querem tchu e querem tcha. Gustavo Lima vai rolar no tchetcherere com você. Outros dois viadinhos querem o baraberê. Já o Israel Novais arrebenta na Dodge Ram. Um terceiro joga as gatas no fundo da Fiorino e o Nissim gosta de Friends e Big Beng. Atualmente, toda e qualquer pessoa que se denomina artista sertanejo, coloca o seu nome aleatoriamente em suas canções.

Veja aquelas duplas antigas que descreviam o seu trabalho no campo, suas atividades rotineiras e o amor não compreendido por uma mulher que se casou com outro e teve três filhos, deixando o caipira perdido na cidade grande. Eles não citam seus nomes nas músicas. Assim como Chitãozinho não acusava o fio de cabelo comprido de estar preso no suor do paletó do Xororó. Porque os cantores atuais quebram a tradição do anonimato sertanejo?

Porque? Porque?
A qualidade da produção musical interpretada por Michel Teló e companhia beira o zero. A música destinada às massas acéfalas está tão ruim que, tocadas em sequência, elas se assemelham a uma grande massa compactada de bosta. As fórmulas, melodias e trejeitos são tão semelhantes, que você não saberia dizer quem está cantando cada coisa. Assim sendo, colocar o nome no meio da bosta e a única forma de torná-la identificável para o grande público.

Há também, de se prestar atenção no fato de que música sertaneja, tal qual a Axé Music, funciona numa espécie de Creative Commons em que todo mundo canta a música de todo mundo. Nessa verdadeira suruba escatológica, é preciso colocar o seu nome ali para que a pessoa busque exatamente você e não outro cantor que tenha feito uma versão igualzinha a sua.
A baleia e você tchetcheretechetechrehtchethrehcherhtcsh

Por último, o CH3 volta a lembrar que as autoridades responsáveis precisam fazer algo para impedir que o sertanejo universitário continue avançando. Percebemos que a ciência não tem trabalhado para a criação de agentes que inibam o crescimento da praga e tampouco as forças de segurança tem atuado para aniquilar esse mal-estar da civilização.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Desculpinhas

Faz mais ou menos uns 200 anos que a humanidade deixou de acreditar na geração espontânea. Até então, os grandes cientistas seguiam a tese defendida por Aristóteles de que as coisas simplesmente surgiam do nada. Coloque um pedaço de pão em um porão, que um rato vai surgir. De fato, as coisas seriam muito mais fáceis se fossem assim. Coisas simplesmente aparecem e desaparecem, não seria tão complicado entender de onde viemos, para onde vamos.

Ou talvez não. Desde ontem, a hipótese aristotélica da geração espontânea deverá ser reconsiderada pelos grandes pensadores. Tudo por conta da experiência vivida pelo jornalista Carlos Nascimento em São Paulo, quando ele teria sofrido uma tentativa de assalto por um grupo de travestis.

Nascimento conta que trafegava com seu carro pela rua Lineu de Paula Machado, na Zona Oeste de São Paulo. Ele parou para esperar o tráfego, quando em suas palavras “de repente, quando eu olho do lado, tem um travesti sentado no lado do passageiro, dizendo que queria fazer um programa”.

Se nem bactérias surgem do nada, não sei porque isso aconteceria com travestis. Provável que este tenha sido um caso raro de geração espontânea. Desde então, tenho andado com medo, pois temo que a qualquer momento um travesti possa surgir do meu lado, em casa, no shopping, no trabalho, dizendo que quer fazer um programa comigo.

O jornalista percebeu que a situação era séria a partir do momento em que ele começou a pedir em vão para que o travesti saísse do seu carro. Até então, ele achava que “era uma brincadeira”. Há de se admirar o senso de humor de Nascimento. Nenhuma pessoa com quem eu conversei, imaginou que acharia graça em encontrar um travesti querendo fazer programa com você dentro de uma zona perigosa da cidade. Invadir carros alheios oferecendo favores sexuais em troca de dinheiro não é uma “brincadeira” aceitável.

Quando finalmente a ficha caiu e ele viu que aquilo era uma cilada, ele acelerou o carro. O travesti já estava lá dentro, isso não ia ajudar muito, mas tudo bem, relevemos o momento de nervosismo. O espontâneo, armado com um punhal, entrou em confronto corporal com o jornalista. Nascimento não se deu por vencido e atingiu seu oponente com um soco. As outras portas se abriram e mais dois travestis entraram no carro, levando sua bolsa. Não ficou bem claro se o carro ainda estava em movimento, mas isso não seria um empecilho maior para os travestis ninjas.

Nosso Rambo da informação ainda conseguiu sair do carro e retomou sua bolsa. Sabe-se lá como. Os travestis correram atrás de um carro, mas não fugiram dele. Ele voltou para seu carro, acelerou e o primeiro travesti caiu, dando fim a toda a sua saga. Nascimento ainda comemorou que nada de mais grave aconteceu, imaginando qual seria a repercussão caso ele fosse até a delegacia com três travestis.

Nós aqui do CH3 não temos nada contra o cara. Se ele resolveu dar um pega em três travestis, essa é uma questão muy pessoal, que deve ser respeitada. Nem afirmamos aqui que ele tenha feito isso. Não somos ninguém para afirmar que nada chegou a acontecer algum dia. Mas o que fode toda a situação é a desculpinha. É a história mal contada.

Oras, essa história tem uma série de itens mal explicados que apenas confundem a situação. O travesti que surge do nada, a fuga mal concebida, o roubo da bolsa, a recuperação da mesma e a queda final do travesti. Isso parece o cachorro que comeu sua lição de casa, o disquete que não abriu, o pneu furado na rua ao lado da Parada Gay. Iria elaborar agora uma série de desculpinhas, mas, infelizmente, tenho que sair agora para levar minha tia-avó na missa.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Razões para não discutir com Galvão Bueno

Renato Maurício Prado é funcionário das Organizações Globo há uns quarenta anos. Assina colunas nos jornais da Globo, já comentou jogos de futebol pela emissora, participa dos programas em rádios da Organização, do canal pago da Globo. Funcionário de carteirinha, histórico, daqueles que entregou a tesoura para Roberto Marinho cortar a fita de inauguração da primeira rotativa.

Pois, tantos anos de história não resistiram a uma briga com Galvão Bueno. Durante as Olimpíadas de Londres, Bueno e Prado protagonizaram um dos momentos mais constrangedores da história da televisão brasileira. Quiçá, da história da humanidade.



Veja, pode até ser que o Renato tenha os mais sérios desvios de caráter que alguém possa ter, mas, não podemos negar que ele foi a vítima nessa história. Fez uma brincadeira inocente, que foi transformada pelo narrador-mor em uma ofensa mortal. Galvão critica o colega por não saber separar o público do privado e acabou por transformar uma briga privada em pública. Ironias dessa vida.

O desfecho da história é que RMP foi demitido. Não, ele ainda continua atuando nos jornais, rádios, mídias sociais das OG. Mas, devido a briga com GB ele está fora do canal de televisão pago especializados em esporte. Uma situação humilhante, mas, que serve como um aviso: nunca brigue com Galvão Bueno.

Ao longo da história, diversas situações mostram que não se deve, nunca, em hipótese nenhuma, brigar com Galvão Bueno. Exemplos que deveriam ter sido aprendidos pelas futuras gerações.

Em 1945, Galvão intermediou uma conversa entre o imperador Hirohito e o presidente norte-americano Harry Truman. Sempre brincalhão, Hirohito tentou descontrair o ambiente.
- Vai lá Galvão, diz agora que o Hitler só tá perdendo a segunda guerra por conta da participação da Rússia.
- N-n-não Hirohito, não fala isso, que você está sendo muito deselegante. Eu jamais falei isso! Você não pode falar isso na frente do presidente dos Estados Unidos!

O resultado é conhecido por todos.

Na véspera da final da Copa do Mundo de 2006, Galvão jantou com Zidane e Materazzi. Galvão não gostou da brincadeira de Materazzi que disse “quero ver agora Galvão, se você fala pro Zidane que a irmã dele é feia”. O italiano ganhou o troféu e duas costelas fraturadas.

No lendário ano de 33 d.C, Jesus brincou com Galvão Bueno, desafiando ele a falar para o imperador Pôncio Pilatos o que ele tinha dita antes, de que os romanos não tinham cultura e apenas copiavam os gregos. Dias depois, uma multidão escolheu o nome de Barrabás aos gritos.

Outra passagem histórica ocorreu em 1962. Durante uma pausa no ensaio nos estúdios Decca, Pete Best fez um desafio para Galvão Bueno.
- Heim Galvão, quer dizer que você acha que as letras do Paul e do John são inocentes?
- Não! Não diga isso! Você não pode falar isso assim! Você está me desrespeitando!
- Mas, Galvão! A gente faz um monte de brincadeiras, eu faço outra e você faz esse drama todo!
- Mas é um drama mesmo!
No dia seguinte, Ringo Starr assumiu as baquetas dos Beatles. Eles se tornaram a banda mais famosa da história. Pete Best virou padeiro.

Entre outras pessoas que já discutiram com Galvão Bueno, podemos listar:
- José Serra.
- Nissim.
- Todos os acusados do mensalão.
- Cão Leproso.
- Nietzsche.

Assim, vocês podem ver crianças, que discutir com Galvão Bueno não é o melhor caminho para vida. Nunca discuta com ele, não fale que ele falou alguma coisa, não pise na grama, não alimenta os animais e nunca se percam na montanha.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Cadeia Instantânea

Algumas situações da vida são tão ruins, que só podem acontecer devido a uma conjunção de fatores. E nem falo da queda de um avião, de um atropelamento, um título do Flamengo ou outra tragédia de grandes proporções. Falo de pequenas situações do cotidiano que só aconteceram porque várias coisas deram errado. Porque várias pessoas falharam em suas tarefas. Não viram que uma situação aparentemente insignificante poderia se transformar em uma cadeia de erros. É o caso deste vídeo.



O Bar Mitzvá é uma celebração judaica, que, mal comparando, se equivale a nossa festa de debutantes. Quando o adolescente completa 13 anos, ele passa a ser legalmente responsável pelos seus atos, de acordo com a lei judia. Felizes com a situação, os pais resolvem celebrar.

Os pais de Nissim Ourfali resolveram fazer um vídeo para o seu Bar Mitzvá. Ao que se saiba, ele não é o inventor do macarrão instantâneo. Mas, bem que poderia ser. Depois de protagonizar esse vídeo, o jovem Nissim seria merecedor de qualquer glória possível, qualquer coisa que pudesse amenizar o seu sofrimento perante a humanidade. Sofrimento, que surgiu da tal cadeia de erros citada no começo do texto.

Primeiro, alguém teve essa idéia. Imagino que foram os pais. Talvez tenha sido o próprio garoto, mas não acredito que alguém faria isso contra si próprio. O refrão que diz “e os meus pais são demais” reforça essa teoria, até porque, o patriarca parece ser o mais empolgado com a situação. Colocar seu filho numa vibe boy band de menininha te parece legal? Para eles, pareceu.

O próprio garoto poderia ter se recusado a participar do vídeo? Poderia. Mas, creio que seja difícil para um garoto de 13 anos tomar essa decisão. Os pais devem ter argumentado que não seria nada demais e que eles ficariam muito felizes se o filho participasse. Era um momento importante para eles, nós pagamos sua mesada e tudo mais.

Depois vem o lado da produtora. Imaginem o quão desgraçante é você ganhar dinheiro com isso. Imaginem o que é escrever uma letra como essa. Eu, se tivesse um trabalho desse, já teria pensado em meter uma bala na cabeça algumas vezes. “Bem, hoje eu vou fazer uma letra sobre uma festa de debutantes em cima da melodia de Fugidinha. Cadê o revólver?”. O lado positivo é que depois você pode mandar seu currículo para o Casseta & Planeta, para tentar uma vaga de compositor de paródias.

Tarantino e Nissim em: Willy, a baleia assassina
Um trabalho tão estressante não poderia gerar material de boa qualidade. Durante séculos, os filósofos discutirão o que é ir para a baleia. Os tecnólogos discutirão porque colocaram o jovem Nissim sobre uma baleia durante essa parte da música. Enfim, Paul McCartney e Quentin Tarantino não fariam um trabalho melhor.

Mas agora vem o pior. O vídeo seria reproduzido apenas durante a celebração. Seria um momento íntimo de familiares e amigos, que um dia ainda iriam rir muito disso tudo. Seria um segredo entre eles, que obrigaria o Nissim a ser amigo de todo mundo, sob o risco de que isso vazasse um dia. Mas, alguém resolveu colocar no Youtube. E aí começa a desgraça.

Porque colocaram esse vídeo no Youtube? Ninguém pensou na merda que isso poderia resultar? Logo a brincadeira do Bar Mitzvá se transformou em uma bomba de proporções inimagináveis. Um constrangimento público irreversível. E a responsabilidade caíra toda sobre o Nissim. Porque, afinal, ele fez 13 anos.

Imaginem como será a vida deste rapaz de agora em diante? Como foi o seu primeiro dia no colégio. O primeiro Day After. Como está sendo acordar de manhã com aquela sensação de que um novo dia, uma nova guerra começa. Não vai adiantar mudar ele de colégio. Nem de cidade, quiçá de país. Acho que quando ele tiver 20 anos e for tentar seu primeiro emprego, o patrão irá olhar: “Nissim Ourfali? E aí, como que vai a baleia?”.

Uma triste história, uma tragédia que poderia ser evitada em várias etapas. Mas, não foi. E agora o que resta é chorar.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

A difícil vida de uma celebridade

Fiuk, também conhecido com o filho do Fábio Jr, estava dirigindo seu carro por uma das tantas estradas do Brasil. Infelizmente, seu pneu furou. Chato, mas acontece. Quem nunca teve um pneu furado? Fiuk tomou uma atitude e resolveu que ia trocar a parte danificada. Mas, ele falhou. O macaco não suportou o peso de seu carro blindado. Inconformado com a situação, ele perguntou aos seus fãs de quem era culpa. Porque, essa é uma situação em que é difícil saber de quem é a culpa.

Celebridades têm uma vida muito complicada. Uma vida em que elas têm que tomar muitas decisões complicadas e passam por muitas situações difíceis. Você sabe o que é não conseguir trocar o pneu do seu carro blindado? Provavelmente não.

Veja o caso de Neymar. Após jogar uma partida na Suécia pela seleção brasileira, ele teve que fretar um avião para voltar até o Brasil e defender o Santos contra o Figueirense no campeonato Brasileiro. Cansado, Neymar teve que dormir dentro do avião. Vocês não sabem o que é a dificuldade, o que é ter que dormir em um avião fretado. Vejam, o avião nem era dele. Tanto trabalho e nem tem seu avião próprio, vida madrasta.
Ao fundo, Neymar Sr. quebra um paradigma

E a Deborah Secco? Hoje ela foi fotografada na praia. Ela estava na Barra da Tijuca. Imaginem o quanto essa decisão não foi difícil. Tantas praias no Rio de Janeiro e ela poderia estar em apenas uma. E, infelizmente, essa praia não era no quintal da sua casa. Ainda não realizou o sonho da praia própria.

Já Giovanna Ewbanck foi vista caminhando feliz em Gramado. Superou a traição, coitada. Chifres acontecem em qualquer meio social. Todos os dias os sites divulgam muitas notícias de celebridades que foram vistas caminhando. Caminhando em calçadões, calçadas, ciclovias, centros de cidade. Triste. Isso significa que elas não têm alguém que possa fazer todo o trabalho por elas. Menos mal, que isso significa que pelo menos elas andam.

Restaurantes japoneses no Leblon, visitas a shoppings, flagras na ponte aérea Uma rotina estafante. É preciso ser muito forte para agüentar.

Aposto que todas essas celebridades, se elas encontrassem um gênio da lâmpada, elas pediriam para serem pobres durante um dia. Porque vida de pobre que é fácil. Afinal, você nunca vê pobre caminhando na praia, trocando o pneu do Land Rover blindado (talvez da Fiorino), tendo que dormir em um jatinho fretado. Isso que é vida! Nunca tiveram que lavar uma Ferrari.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Debates Filosóficos: O voto de silêncio e a internet

Com o intuito de contribuir para o crescimento intelectual da raça humana, este blog, o CH3, tomou a iniciativa de promover uma série de debates sobre questões existenciais ligadas a vida contemporânea. Para isso, no último final de semana, reunimos uma série de pensadores, celebridades e afins, na sede do nosso blog em Cuiabá, para a discussão do primeiro tema: o voto de silêncio e a internet.

Nosso pai-de-santo Pai Jorginho de Ogum fez as vezes de Mestre de Cerimônias e introduziu o tema a todos os presentes. Na mesa de honra, figuras como Dalai Lama, Pierre Lévy, Danilo Gentilli, Andressa Soares (Mulher Melancia), o monge Zhen Wijiang e Lobão estavam prontos para debater. Na platéia, teatrólogos, advogados e enfermeiros se faziam presentes – a lista de interessados em fazer apartes passou de 200. Chefes de Estado estavam presentes por videoconferência, ou mandaram seus representantes. Pai Jorginho de Ogum prometia incorporar qualquer entidade interessada em se manifestar.

Dalai Lama se irritou com o tema
A grande questão levantada era: em tempos de modernidade, em que os cidadãos têm amplo acesso a internet e as mais diversas redes sociais, se um monge adepto do voto de silêncio resolve postar um comentário sobre algum fato cotidiano, ele estaria quebrando seu voto? Uma fala no Twitter pode ser considerada uma manifestação expressa? O voto de silêncio faz referência apenas as ondas mecânicas produzidas pelas cordas vocais, ou se referem a toda e qualquer manifestação intelectual?

O sempre polêmico Lobão começou o debate falando que ele não acreditava em votos de silêncio. Ele questionou como é que alguém poderia provar que um monge nunca havia falado em sua vida. “Quem garante que, num momento de intimidade, durante o banho por exemplo, o monge não fale? Que ele não cante no chuveiro”. Burburinho na platéia.

Dalai Lama respondeu que de fato, ninguém poderia provar que o cidadão passou a sua vida inteira em silêncio. Mas falou que é preciso confiar no que a pessoa diz. Neste momento Danilo Gentili disse que é impossível confiar nas pessoas e fez uma piada. Algumas pessoas riram, outras não.

Um cidadão levantou exaltado na platéia, tratava-se do comentarista de futebol Neto. Ele questionou que realmente não é possível saber se alguém fala ou não durante o banho, exceção feita aos casos em que o banheiro esteja sendo filmado. Jorginho precisou intervir para que uma discussão sobre a invasão de privacidade não começasse e devolveu a palavra a Neto. Ele retomou seu pensamento, afirmando que jamais seria possível saber se alguém introduz o sabonete na bunda durante o banho, mas que nem por isso, devemos duvidar de alguém que diga que jamais tenha feito aquilo.

Alguns aplausos tímidos surgiram. O assunto levantado por Neto levou a palavra até a Mulher Melancia, que considerou aquela uma grande oportunidade de mostrar o seu trabalho. Questionada sobre o que é feito no banho, a dançarina levantou e começou a dançar sensualmente.

Oscar acha que os monges devem
arriscar chutes de 3 pontos
Pai Jorginho precisou intervir para que a conversa não se perdesse. Aproveitando a deixa da Mulher Melancia, ele questionou se, por algum acaso um monge adepto do silêncio estivesse assistindo a performance da fruta, se ele teria o direito de se manifestar em sua timeline no Facebook.

Lobão voltou a desdenhar da situação, afirmando que um monge de verdade jamais poderia ver uma cena dessa. Dalai Lama retrucou, falando que todos podem ver o que quiserem, uma vez que a vida reserva surpresas e nem sempre podemos escolher o nosso destino. Questionado sobre o assunto, Zhen Wijiang se reservou ao direito de permanecer calado. Um deputado federal se irritou com a situação e só foi contido, quando avisado que aquela não era uma sessão de CPI. Constrangido, se retirou do local.

Pierre Lévy, que até então permanecia calado ergueu a mão. Manifestou seu descontentamento com a demora para que seu copo de água fosse reposto. A organização pediu desculpas e, desculpas aceitas, o filósofo discorreu sobre o tema do debate. Em um tom irônico, ele perguntou “O que é o virtual” e vendeu cinco livros. “Creio que em uma sociedade moderna, pós-contemporânea e pós-apocalíptica, o seu eu é fragmentado e multifacetado. No entanto, não dá para haver uma separação entre o ‘eu’ que está falando aqui e o ‘eu’ que faz comentários sobre Breaking Bad no Twitter. Você é cada um deles, mas é ambos. O que está no seu facebook não pode ser dissociado do que você realmente é”.

Bastante ponderado, Pai Jorginho de Ogum provocou os debatedores questionando se, afinal, a voz é apenas uma reprodução de ondas mecânicas ou se é a reprodução do seu pensamento. Ter uma voz, significa ter opinião ou significa não ser um mudo?

Lévy prefere a gema mole
Galvão Bueno pediu a palavra e lembrou o quanto ele foi abençoado em ter uma voz prodigiosa. Dando um show de virtuose, Galvão lembrou as grandes passagens da sua carreira e terminou sua fala demonstrando ter plena confiança de que Rubinho Barrichello reagirá e conquistará o título da Fórmula 1 neste ano. Olhando para Cão Leproso, o narrador enfatizou que faz questão de que sua fala seja inserida entre as notas taquigráficas do encontro. O monge Zhen seguiu sem se pronunciar sobre qualquer assunto.

As discussões prosseguiram durante mais algumas horas, até que Pai Jorginho de Ogum resolveu terminar o debate, no momento em que Lobão e Pierre Lévy passaram a discutir sobre a melhor maneira de fritar um ovo. Observador autônomo do debate, o escritor e flautista mágico colombiano Alfredo Humoyhuessos encerrou o encontro. Em suas palavras, “Este debate representa um grande avanço para a humanidade. A partir de agora, passamos a entender melhor este assunto complexo e vital para o desenvolvimento de nossa sociedade. As próximas gerações continuarão discutindo esse assunto. O debate também mostra que sim, que nós temos a capacidade de chegar a grandes conclusões. Convido a todos aqui, para o próximo encontro que tentará entender como é que funciona o processo de pagamento por serviços ambientais”.

 Ao final, todos se dirigiram até a Casa de Diversão Noturna Carnicentas para se confraternizar.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Balanço das Olimpíadas 2012


O CH3 faz aqui um balanço da participação brasileira nos Jogos Olímpicos de Londres. Lembramos que estamos fortemente influenciados pelas manchetes da imprensa e também pelo comportamento do público nas redes sociais. Isso talvez nos deixe um pouco mais rigorosos.

Vôlei: A seleção masculina não confirmou seu amplo favoritismo e falhou miseravelmente conquistando a medalha de prata, atrás dos limitados russos. Já a seleção feminina, falhou no objetivo de conquistar o bicampeonato invicto. A medalha de ouro sobre o fraco time norte-americano serviu como prêmio de consolação. Na praia, as superiores duplas brasileiras voltaram fora do lugar mais alto do pódio, sendo superadas por duplas de países que nem praia tem. Miseráveis!

Judô: Com apenas uma medalha de ouro em 14 categorias possíveis, o Judô brasileiro deu provas de como o dinheiro público pode ser mal investido. Sarah Menezes foi a responsável pela solitária conquista brasileira, que infelizmente, não foi por ippon. Outros judocas brasileiros ainda voltaram com medalha de bronze, para minimizar um pouco o fracasso.

Zanetti: Podia ser melhor
Ginástica: Apesar de uma prova classificatória irregular, Arthur Zanetti conseguiu a medalha de ouro, claramente favorecido pela arbitragem. O restante da equipe sujou o nome brasileiro, sem conseguir nenhuma medalha.

Natação: Esperança brasileira, César Cielo demonstrou ser um perdedor e voltou para o Brasil com uma mísera medalha de bronze. Thiago Pereira decepcionou um pouco menos, com uma prata.

Boxe: Os irmãos Falcão, provando que o fracasso está na genética, decepcionaram seus familiares e o povo brasileiro, não conseguindo o ouro olímpico. Esquiva esteve quase lá, mas fraquejou na hora H e perdeu para um japonês. O que só pode ser brincadeira, levar porrada de japonês.

Futebol: A milionária equipe brasileira fracassou novamente na busca por uma medalha de ouro. Decepcionaram o sonho de tantas criancinhas, que almejavam essa conquista como única possibilidade de ter uma felicidade na vida. Já a equipe feminina passou pelo vexame de não chegar nem nas quartas-de-final.

Vela: Robert Scheidt desonrou a bandeira brasileira e voltou com apenas uma medalha de bronze. O resultado foi uma continuidade dos fracassos do velejador, que conquistou apenas duas medalhas de ouro em cinco participações olímpicas.

Pentatlo Moderno: Yane Marques não honrou a enorme tradição brasileira na categoria e volta ao Brasil com uma mísera medalha de bronze, o que, convenhamos, é um pouco melhor do que lixo.

Taekwendo: Diogo Silva fracassou nos momentos decisivos e incapaz de ganhar uma luta, ficou sem nem ao menos uma medalha de bronze. Natália Falavigna ficou de fora da competição por conta de um pé quebrado, mostrando sua falta de vontade em defender as cores do nosso país.

Atletismo: O atletismo do Brasil passou vergonha em Londres. Maureem Maggi mostrou que o ouro de Pequim foi um acidente e nem medalha pegou. Fabiana Murer resolveu culpar o vento, porque a desculpa do sumiço da vara não iria colar de novo. Na maratona, Marilson dos Santos correu 42 km pra não conseguir nem ganhar a prova.
Verde e amarelo da vergonha: Bolt não quebrou 2 recordes mundiais
Basquete: Ausente 16 anos dos Jogos Olímpicos, a seleção masculina mostrou que era melhor ter continuado de fora. Porque, perder da Argentina não dá. O povo brasileiro deveria receber seus jogadores com pedras na mão, assim como as jogadoras que humilharam o sentimento nacional e foram eliminadas na primeira fase.

Handebol: A seleção feminina conseguiu perder para a morta Noruega, num dos momentos mais baixos da história nacional. Nossas jogadoras ficaram amedrontadas só porque a Noruega é campeã mundial e acabaram entregando um joguinho fácil.

Triatlo: Uma atleta brasileira caiu de bicicleta, compreende isso? Como que uma profissional cai da bicicleta? Será que esqueceram de avisar pra ela que não ia ter rodinhas? #vexameeterno.

Hipismo: A desculpa da vez é que o cavalo do brasileiro perdeu a ferradura. Com todo o apoio que o povo brasileiro dá para este popular esporte que é o hipismo, nossos atletas não ganham nada? É pra acabar.

Levantamento de Peso: Uma brasileira comemorou uma oitava colocação. Comemorar o oitavo lugar? Você comemora quando acorda de dia? A pessoa consegue esta posição vexatória e ainda comemora? Isso mostra como o brasileiro é fraco de espírito. Enquanto isso, o Cazaquistão ganhou dezenas de medalhas. Como que o Brasil perde para um país medíocre como esse?

Remo: A Fabiana Beltrame, campeã mundial, não passou nem da primeira fase. Ah, era porque era uma categoria diferente? Não importa. Quem é bom ganha independentemente da categoria. É tudo igual, é tudo barco, água.

Djokovic fracassou. Bem que dizem
que os sérvios são os brasileiros
da Europa
Tênis: Thomas Bellucci repetiu sua rotina de humilhações e caiu logo na primeira rodada. Também perdeu cedo nas duplas. E tudo isso porque ele foi convidado. Convidado pra passar vergonha? Fica em casa meu amigo!

Canoagem: Os atletas não conseguiram uma mísera medalha, nem na final chegaram. Devem ter dado a desculpa da falta de condições pra treinar. Com tudo isso de rio e água que nós temos aqui, só não treina quem não quer!

Ciclismo: Atletas brasileiros não conseguiram uma medalha na coisa mais fácil que é existe, que é andar de bicicleta.

Saltos Ornamentais: Uma palavra: fracasso.

Tênis de Mesa: Os brasileiros não ganharam nada no ping pong. Coisa que até criança joga. Se eu tivesse lá eu ganhava daqueles coreanos que nem conseguem enxergar a bolinha.

Tiro e Tiro com Arco: Desempenho pífio. Atletas nacionais se mostram incapazes de cumprir as tarefas mais simples, como acertar um balaço no meio do alvo.

Luta Greco-Romana: O Brasil foi mal, mas, tudo bem, porque esse esporte é ridículo.
Que que é isso amigo? Melhor não ganhar nada nesse negócio não

Nado Sincronizado: Anos e anos de árduo trabalho e as atletas brasileiras não conseguem evoluir nem um pouco. No mínimo, vão falar que a água estava molhada demais.

Esgrima: Derrotas, derrotas, derrotas, fracassos. A esgrima foi a síntese da participação brasileira em Londres.

O Brasil não fracassou no Badminton, no Hóquei na Grama e no Pólo Aquático, porque não haviam classificados lá. Pelo menos, tiveram a dignidade de serem eliminados antes, anteciparam o vexame a nível local, para evitarem que o pavilhão nacional fosse pisoteado diante das câmeras do mundo todo.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Terror Eleitoral em Quatro Cenas

Já foram feitos filmes de terror sobre os mais variados assuntos. Terror em festas infantis, terror em dias específicos da semana, em excursões escolares, em banheiros públicos. O terror em suas mais variadas formas. No entanto, o período eleitoral nunca foi utilizado para esses fins. O CH3 deixa aqui uma sugestão de roteiro, para um filme de terror baseado nas eleições municipais.

Cena 1: Comício Hediondo
Sábado, 7h. O cidadão dorme o sono dos justos em uma manhã de sábado. Ele escuta um ruído. Pensa que não é nada e volta a encostar sua cabeça. Ele escuta de novo e fica assustado. O som começa a aumentar. Ele se levanta da cama e o som aumenta cada vez mais. Quando ele se aproxima da janela reconhece o perigo. Um carro de som tocando um jingle político baseado no Tchu Tcha Tcha. O cidadão tenta fechar as janelas, mas é em vão. Um breve silêncio, um respiro aliviado. Mas o jingle volta. Junto chegam as bandeiras e uma multidão. É o começo de um comício eleitoral na sua rua, às 7 da manhã de um sábado. Você não tem para onde fugir.

Cena 2: Rotatória Macabra
Perto da hora do almoço. O cidadão vai atravessar uma rotatória para pegar um ônibus. Percebe então que o caminho está obstruído por um cavalete de um candidato a vereador. Tenta desviar, mas vê que a lateral inteira já foi ocupada por diversos cavaletes. Tenta voltar por onde ele entrou, mas o local já foi ocupado também. Resolve pular por cima de um dos cavaletes, mas não dá. O espaço já foi ocupado por uma placa de dois metros de altura. Ao seu lado surge um totem de outro candidato a vereador. Placas em relevo. Ele começa a correr em círculos procurando uma saída. E então dá de cara com três bonecos infláveis gigantes de um candidato a prefeito. Eles dançam e fazem movimentos estranhos. O sujeito cai no chão. Um caminhão passa ao lado e joga santinhos sobre ele, que acaba soterrado.

Cena 3: O Estacionamento do Pânico
Fim do expediente. Nosso personagem desce até o seu estacionamento e encontra o mesmo vazio. Tem dificuldades em localizar o seu carro. Olha para o lado e vê um vulto. Se assusta. Escuta um barulho estranho distante. Começa a correr, procurando o seu carro. E então ele o encontra. O pânico. Seu carro foi inteiramente adesivado. As portas laterais, o vidro traseiro, todos agora estampam a foto de um candidato a vereador hediondo.

Cena 4: O Sangue estampado nas urnas eletrônicas
Dia 7 de outubro. Os tribunais eleitorais divulgam o resultado das eleições. O candidato que superfaturou obras está reeleito. O candidato que empregou parentes também. O que se acha acima da lei. O que utilizou da sua influência política para fins particulares. O que aumentou o próprio salário. Todos eles reeleitos. Mais quatro anos de terror.
"Ele ganhou", disse Munch, ao ser informado do resultado

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Novas Modalidades Olímpicas

Alegres, inesquecíveis, extemporâneos, poliglotas, iconoclastas. Existem muitas definições para os Jogos Olímpicos. Duas semanas em que podemos ver competições com bolas, com espadas, redes, barcos, cavalos e tantos outros objetos que já foram utilizados em produções pornográficas. No entanto, este enorme leque poderia ser abrangido. O CH3 aqui deixa a sua sugestão de novas modalidades que poderiam ser disputadas a partir da edição de 2016 no Rio de Janeiro.

Novo treinador do Phelps
100 metros cachorrinho: Michael Phelps, César Cielo, Popov e tantos outros são anunciados. Sobem no bloco e quando o sinal é dado, caem na piscina. Começa a primeira prova dos 100 metros cachorrinho. Por um momento, os anos de treinamento são deixados de lado e os atletas nadam como se estivessem aprendendo a nadar. Eles chegam aos primeiros 50 metros, partem para a virada final. A última piscina. Quem irá arrancar para a vitória? Eric Moussambani surpreende a todos e mostra que qualquer um pode ser o melhor em alguma coisa.

Hipismo para pobres: Ao invés de Gerhard van Zamberdurg montado no puro-sangue egípcio Gorges Salaban de Rutheford, nós teríamos seu Zé Matreito montado em Alazão. O cavalo Marvado morderia todos os jurados, conseguindo o ouro para o Brasil.

Arremesso de Granadas: Uma modalidade já disputada nos jogos militares. Para deixar a competição ainda mais emocionante, as granadas poderiam ser de verdade. Seria ruim para os garotos que medem a distância arremessada. De qualquer forma, eles poderiam competir depois nas paraolimpíadas.

Truco: Distribuiria medalhas nas categorias truco espanhol, italiano, brasileiro, dominicano, guatemalteco. Galvão Bueno saíra da sua aposentadoria para narrar a final entre Brasil e Alemanha. Seus gritos seriam sufocados pelos gritos dos jogadores.

Dominó: O norte-coreano Il-Jong King, tetracampeão mundial de dominó teria a sua chance de conquistar a máxima glória para o seu país.

Corrida do Saco: Após mais uma derrota para Usain Bolt, o norte-americano Tyson Gay olha nos olhos do jamaicano e diz: duvido que me ganhas em uma corrida no saco. O encontro é marcado para o Rio de Janeiro. Quem vencerá esse duelo?

Caminhadas no Leblon: A equipe brasileira tem uma forte equipe. O Brasil inteiro sempre vê a quantidade de pessoas noticiadas caminhando no Leblon. O ouro olímpico em ajeitada no biquíni e em aparições públicas sem calcinha poderiam transformar Nana Gouvêa no Michael Phelps de 2016.
A depilação pode fazer a diferença nos milésimos

Vão lá seus merdinhas, ajudem o CH3 a mudar o cronograma Olímpico.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Por onde andam: os Memes

Memes que não deram certo
Vocês se lembram da Luíza? Não? Aquela que estava no Canadá? Achei que vocês se lembrariam com mais facilidade. Ela foi tão importante para a vida de vocês, que eu achei que vocês teriam mais consideração. Durante três dias vocês não falaram de outra coisa. E a família que cantavam Para Nossa Alegria? É que faz tanto tempo né? Diria que não mais do que três meses, tempo suficiente para que vocês se esquecessem de suas piadas prediletas.

Um dia idolatrados, hoje esquecidos. O CH3 vasculha agora o grande depósito de inutilidades da internet e conta por onde é que andam os memes que atormentaram as nossas vidas nos últimos anos.

Luíza: O pai de Luíza anunciou que a filha não pode estar em uma propaganda obscura da Paraíba porque ela estava no Canadá. Logo, ela passou a não estar em todos os outros lugares do mundo, justamente por estar em terras canadenses. Luíza voltou, deu entrevista no Jornal Hoje, Ana Maria Braga, Domingão do Faustão e Jornal do Ônibus. Veja só, ela deu até palestras sobre sabe-se lá o que. Sua trajetória foi interrompida antes que ela participasse de A Fazenda ou saísse na Sexy. Hoje, ela não está mais no Canadá, mas, nem por isso, ela está presente naqueles tantos eventos insignificantes que vocês vão.

Para Nossa Alegria: Jéeh, Suuh e Mara não formam mais um trio. Mara deixou o conjunto para se dedicar a limpeza doméstica. Já os irmão continuam até hoje sorrindo e cantando desafinados. O sofá pelo menos é um pouco melhor, comprado com o dinheiro que eles ganharam participando de propagandas. Gravaram um CD, que é claro, ninguém escutou.

Mussum: Essa é fácil. Mussum está no Cemitério Congonhas, em São Paulo, onde foi enterrado em 1994. Sua imagem, no entanto, está aí até hoje, entre nós, nas mais diversas montagens realizadas com filmes.

O Garoto dos Mamilos: Mamilos, aquele assunto muito polêmico. O Garoto Mamilos cresceu, mas não o suficiente para começar a ver alguns mamilos de verdade.

Ruth Lemos: Ruth Lemos era um nutricionista, como outras tantas que se formam todos os anos em diversas universidades brasileiras. Devia ser uma boa profissional, tanto que foi convidada a dar uma entrevistas para um telejornal local. Inexperiente com a moderna tecnologia, ela se confundiu com o ponto eletrônico e gaguejou. A repórter sacana, ao invés de abortar a entrevista, preferiu seguir até o fim, levando Ruth Lemos para uma situação de extremo desconforto. Hoje, a nutricionista sofre com pesadelos em que ela aparece nua na televisão. Ela também chora ao ver um sanduíche e toma antidepressivos.

Ele não segura mais o microfone
Lasier Martins. Imagine levar um choque de uvas. Algo estranho, porque teoricamente uvas não provocam choques. Imagine levar este choque ao vivo na televisão. Essa experiência extrassensorial aconteceu com o repórter televisivo Lasier Martins. Até hoje ele tenta se recuperar do trauma.

Double Rainbow Guy: O rapaz que se espantou com a misteriosa aparição de um arco-íris, gostou do que viu. Hoje, ele ganha a vida andando em uma van pelos Estados Unidos tentando capturar outro momento igual a esse.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

O Estranho hábito de pedir pizzas ruins

Um homem e uma mulher vão até uma pizzaria. Qualquer pizzaria. Pode ser uma dessas metidas a besta, ou daquelas que vendem pizza de supermercado disfarçada. O garçom traz o cardápio e o homem e a mulher começam a analisar qual será a pizza escolhida.

O homem passa o olho pelas opções de sabor. Sua cabeça vai em busca de alguma pizza que tenha bacon, presunto, carne. Afinal, para que é que se vai a uma pizzaria que não seja para isso? O homem também vai automaticamente eliminando uma série de sabores, enquanto passa o olho.

Mais do que eliminar pizzas simples, que tem apenas queijo e tomate, o homem sente uma espécie de repugnância a algumas das pizzas. Pizza de palmito? Não. Rúcula com tomate seco? Quem é que vai a uma pizzaria para comer salada? Ninguém deve pedir isso. Pizza de abobrinha? Só pode ser sacanagem da pizzaria, colocar um sabor desses no cardápio. Quem come pizza de abobrinha?

O homem e a mulher sabem, que cada um será responsável por pedir metade de cada pizza. O homem faz o seu pedido que é uma metade portuguesa. Aquela combinação de presunto, ovo, cebola, em alguns lugares pimentão. Um pedaço do paraíso, servido ali, em alguns pedaços.

É a vez de a mulher pedir sua pizza. E então, ela escolhe uma pizza de brócolis com palmito. Por alguns segundos, a cabeça do homem para. Ele não acredita naquilo que está acontecendo. Ele pensa que é apenas uma brincadeira, que logo ela irá dizer que tudo não passa de uma pegadinha do malandro, e que na verdade ela quer outro sabor de pizza, um sabor decente.

Mas não é. Ela realmente quer uma pizza de brócolis. Inacreditável.
Você tá brincando, não? Não?

Mulheres têm esse estranho hábito de pedir pizzas ruins na pizzaria. Pizzas com ingredientes abomináveis. Pior ainda é quando um grupo de mulheres está na pizzaria e elas pedem vários desses sabores, pizza até de couve-flor, se bobear. Sua solitária portuguesa fica lá. E o pior de tudo, é que como previsivelmente as outras pizzas serão horríveis, todos comerão sua portuguesa e você terá que se contentar com um simples pedaço.

Creio que os cardápios deveriam especificar todas essas pizzas pavorosas em uma subcategoria: pizza de mulher. Pouparia trabalho aos homens, na hora de escolher o seu pedido. Pouparia o trabalho delas também, oras.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Razões para o fracasso Olímpico

Sempre que as Olimpíadas começam, os brasileiros criam uma enorme expectativa. Finalmente o Brasil se transformará em uma potência olímpica, massacrará os adversários e garantirá a soberania nacional. Uma falsa expectativa, que logo é quebrada quando brasileiros começam a sofrer derrotas para letões, búlgaros, filipinos e laosianos nos mais diversificados esportes. Os atletas viram motivo de chacota nacional e passam a ser perseguidos. Criam-se inúmeras teorias para explicar o fracasso brasileiro.

De fato, há de se reconhecer que o Brasil evoluiu no esporte. A delegação brasileira cresce a cada edição e os atletas ocupam papéis intermediários em esportes antes insignificantes. Agora, para chegar a um nível mundial, vai muito tempo. Alguns esportes caminham para isso, outros, nem tanto, muito pelo contrário. Mas, afinal, porque o Brasil não vai bem nas Olimpíadas?

Tese 1: Brasileiros são fracos mentalmente.
O fracasso brasileiro nos Jogos seria um reflexo do próprio povo brasileiro, que é um fracasso como nação. Antropólogos do começo do século passado diriam que isso é culpa da miscigenação, mas, felizmente essas teses foram deixadas de lado pela maioria. De fato, muitos brasileiros falham na Hora H. Tropeçam, não conseguem repetir seu melhor tempo, sentem as pernas tremerem e saem humilhados. Mas, isso não é exclusividade brasileira. Muitos norte-americanos também falham nos momentos decisivos. A questão é que a falha de um brasileiro significa uma medalha a menos entre as 10 que o Brasil ganharia. A do americano é apenas uma entre 100. Portanto, mal é percebida.

Tese 2: A mídia da azar
A mídia brasileira dá azar, Rubens Barrichello que o diga. A imprensa teria o papel de informar o povo, em sua maioria leigo sobre boa parte dos esportes. Mas, faz isso de péssima maneira. Fabiana Beltrame foi campeã mundial no Remo? Foi. Mas em uma categoria que não faz parte do cronograma olímpico. E assim sendo, ela teria chances mais do que remotas de ter um bom desempenho na sua prova em Londres. A TV aberta falou isso? Não. Além do mais, creio que aqueles gritos de “vai Brasil” só sirvam para arruinar a vida dos atletas. Fora quando resolvem ir na casa da família do judoca. Sempre dá merda. Estrelar propaganda antes das Olimpíadas? Certeza de derrota. Certo que isso não é privilégio dos brasileiros também. Os jornais italianos, por exemplo, chamaram uma nadadora que já foi campeã olímpica de fracassada, pelas derrotas obtidas neste ano.

Tese 3: Brasileiros não tem o devido preparo.
Na China, o tênis de mesa é um esporte ultra-popular, praticado por duzentos milhões de pessoas. Entre esses tantos, pelo menos mil vão ser grandes competidores. Dez estarão entre os melhores do mundo. Um vai ganhar a medalha de ouro nas Olimpíadas, porque treina bem. Quantos mesatenistas o Brasil tem? Hugo Hoyama é o representante nacional desde que eu nasci. E quantos canoístas? Tirando meia dúzia de esportes, o resto vive de um eventual Don Quixote.

Tese 4: Os Juízes prejudicam o Brasil.
Geralmente esta é uma das teses mais difundidas. O Brasil representaria, não sei, uma ameaça para as grandes potencias que resolvem frear o avanço brasileiro com decisões equivocadas. Em todo o mundo, temos uma série de juízes que acordam de manhã e enquanto escovam os dentes pensam “Outro dia, mais um dia para prejudicar o Brasil, que belo dia”.

Tese 5: O povo brasileiro merece o fracasso.
Uma judoca brasileira é eliminada por conta de um golpe ilegal. No Twitter, dezenas de pessoas começam a ofendê-la. Chamada de macaca, considerada uma vergonha para o Brasil, comparada aos políticos corruptos que gastam o dinheiro público em benefício próprio. Durante os quatro anos, alguém se lembrou, ou sabia da existência dessa judoca? Provável que não. Você acha que um povo que tira o dia para ofender gratuitamente uma atleta que sequer conhece, merece ter alguma felicidade na vida, mesmo que essa felicidade seja através da conquista esportiva de outra pessoa? Creio que não.

Sharapova treina muito. 
Tese 6: Infelizmente, os outros adversários também treinaram.
Atletas da Letônia, Mongólia, Bahamas, Bélgica, todos treinam duro e também tem o objetivo de ganhar. Infelizmente, os franceses não entram para perder. O pobre atleta holandês também superou vários problemas para chegar até as Olimpíadas e está disposto a matar ou morrer por uma medalha. Um problema sério.