sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

O carnaval em MT promete

Caros CHnautas, o carnaval está chegando novamente. Vocês sabem, ele sempre chega. Não existem relatos de pessoas pesarosas se lembrando do maldito verão de 1982, quando o carnaval chegou. Ninguém sabe direito porque o feriado muda de data todo ano, mas o fato é que ele esta aí.

Você provavelmente já se preparou para essa data tão especial, esse feriado pagão em que a putaria corre solta, não é mesmo? Já separou seu abadá, decorou o novo axé da moda e está bochechando o sepacol, que eu sei. Ou você tinha se esquecido e agora se vê diante de uma folia de cinco dias sem saber como proceder?

Aqui em Mato Grosso nós temos várias opções para quem quiser tocar o terror e avançar de maneira definitiva no mundo das doenças venéreas.
Por incrível que pareça, não existe nenhum axé ou funk inspirado na mandioca, renegando o potencial de duplo sentido que o vegetal oferece. A razão para esse limbo da mandioca, provavelmente provêm dos ranços linguísticos provincianos desse nosso Brasil. O Rio de Janeiro se refere a ela como "aipim", enquanto que no nordeste ela é apenas "macaxeira", de tal forma que uma "Dança da Macaxeira", não iria empolgar o resto do país. 

Em Cuiabá, a principal opção é o carnaval da Praça da Mandioca. Uma pequena localidade no centro da cidade que até pouco tempo atrás as pessoas nem sabiam que era uma praça. Nenhuma mandioca é vendida, mas a nata da cuiabania se reúne lá. A poucos metros dali, na Avenida Mato Grosso, temos o desfile das escolas de samba cuiabanas. Poderíamos contar como ele é, mas até hoje não conhecemos nenhuma pessoa que já tenha presenciado um.

Em Chapada dos Guimarães há o desfile do Bode do Caruá, um bloco que absorveu todos os órfãos do saudoso mingau. Os participantes deste bloco se autorreconhecem pelo fato de que apenas eles falam bodeeee. No entanto, enquanto o Mingau era cercado de uma fama detestável, ainda hoje o Bode mantém uma aura Cult.

Para quem quiser uma coisa mais tradicional, o lendário município de Guiratinga oferece o desfile das pessoas mascaradas. Há um século que essas pessoas descem em uma ladeira da cidade utilizando máscaras, numa tradição passada de pais para filhos. Sempre rende uma imagem de 23 segundos no jornal do dia seguinte.

Por alguma razão, esse é o primeiro resultado para
"Carnaval em Nossa Senhora do Livramento" no Google
Já para os adeptos da putaria desenfreada, a grande oportunidade está no carnaval das pequenas cidades. Com seus nomes peculiares, que misturam o nome do município com a palavra Carnaval. Arenápolis está aí, assim como Santo Antônio do Leverger e seus blocos com nome de duplo sentido. Mas, a grande pedida mesmo é em Nossa Senhora do Livramento. Livramento, para quem não sabe, é a Las Vegas mato-grossense e o que acontece lá, termina lá. Exceção feita, é claro, às já citadas doenças venéreas, que irão lhe acompanhar pelo resto de sua vida, exigindo tratamentos de saúde milionários.

Também há um carnaval e eu disse UM carnaval, que é verdadeiramente inesquecível. Um telão movimenta o centro da cidade com videoclipes estrangeiros, enquanto que a Escola de Samba Unidos do Sapo Louco leva a multidão ao delírio. Infelizmente, não podemos falar o nome dessa cidade por aqui, uma vez que a insistência deste blog em denegrir a imagem de tal cidade já nos proporcionou diversos problemas judiciais.

Aqui no CH3 a nossa única certeza é que não iremos no reunir no Carnicentas ao lado de um Papai Noel pervertido.

E claro, sempre há a oportunidade de rolar um show dos Benga Boys. Mas, vocês sabem, shows do Benga Boys não são marcados, eles simplesmente acontecem. Geração espontânea de hardcore.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Justiceiros

Alguns ficaram chocados com a imagem, enquanto que outros sorriram, imaginando o cheiro do sangue em suas narinas. Raquel Sherazade fazia parte do segundo grupo. Ao ver um jovem crioulinho amarrado pelo pescoço em um poste, a apresentadora de um telejornal vibrou e não conseguiu conter o sorriso e a baba que escapava pelo canto da boca. Finalmente os cidadãos de bem haviam se unido para dar um fim aos pequenos marginais que afligem o nosso cotidiano.

O bandidinho amarrado no poste não era o primeiro e nem seria o último. Grupos de justiceiros já atuavam espalhados pelo Brasil a algum tempo, organizando julgamentos sumários de supostos delinquentes. Eles andavam juntos em grupos de motocicletas e atuavam às sombras do poder público inoperante.

Apesar das críticas de alguns burgueses da esquerda caviar, boa parte da sociedade gostou. Viram nessas surras públicas a oportunidade de construir uma nação mais livre e justa. A cena do neguinho amarrado no poste também remetia ao passado do Brasil e um país de futuro tem que olhar para a sua história. O pelourinho estava de volta.

Os grupos de justiceiros começaram a crescer. Andavam pelas ruas apontando os ladrões de corrente, os batedores de carteira e os drogados. Aplicavam uma boa surra nos infratores e depois faziam questão de exibir o prêmio. Alguns eram amarrados em postes, outros colocados na caçamba de picapes e alguns mais azarados eram pendurados nos postes. Mortos, claro. A morte era uma consequência da vida errática.

Em pouco tempo os justiceiros começaram a adotar codinomes e a se vestir com fantasias coloridas, máscaras e capas. Se julgavam super-heróis e assim eram tratados pela sociedade. Crianças de todo o país os imitavam e alguns morreram ao se jogar do alto dos prédios, imaginando que poderiam voar. Começou a circular na internet um texto de Umberto Eco falando que estes heróis eram verdadeiros mitos. Era um fake, claro, mas ninguém percebeu isso no Facebook.

Com a liberdade que eles foram ganhando, as ações foram ficando mais violentas. Empalar os criminosos foi a solução óbvia. Os corpos dos pretinhos espetados pelo ânus com lanças que atravessam o seu corpo e saíam pela boca viraram atração turística. Europeus e norte-americanos se divertiam tirando fotos na frente dos corpos empalados na orla do Leblon.

Apesar dos inúmeros serviços prestados pelos justiceiros e os milhares de delinquentes mortos mensalmente, os crimes não deixavam de acontecer. Chegaram a conclusão de que deveriam ser mais firmes nos seus propósitos e abranger o rol de criminosos a serem justiçados. Bichas passaram a ser espancadas, mas o grande momento aconteceu quando um deputado acusado de corrupção foi enforcado em seu próprio intestino. Os justiceiros começaram a cobrar mensalidades dos cidadãos que eram protegidos pelo grupo e logo levaram as punições até todos os membros da família do criminoso. Afinal, era preciso cortar o mal pela raiz.

Pessoas que jogavam um papel no chão tinham as mãos amputadas. O motorista que avançou um sinal era apedrejado. Cada vez mais duro, cada vez mais apertado. Em pouco tempo, nossas ruas estavam limpas e pacificadas. A paz voltou a reinar em nosso território.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

O Novo WhatsApp – A Era Zuckerberg

A princípio, Mark Zuckerberg parece ser um cidadão inofensivo com sua cara de adolescente nerd que dizia que a Lara Croft era sua namorada. No entanto, o criador do Facebook tem se mostrado um homem arrojado nos negócios, um verdadeiro Lobo do Vale do Silício. Sua voracidade foi confirmada na semana passada, quando Zuka comprou o WhatsApp pela bagatela de US$ 16 bilhões.

O negócio pareceu estranho para muita gente. Certo que o WhatsApp é desses fenômenos da modernidade, um aplicativo que até dois anos atrás ninguém usava e que hoje é essencial para o funcionamento da sociedade. Hoje em dia alguém dirá que não te avisou que um compromisso foi cancelado porque o Whats estava fora do ar, como se não houvesse nenhuma outra forma possível de contato entre dois seres humanos.

Só que, mesmo estando tão presente em nosso cotidiano, teoricamente a única forma de lucro do WhatsApp é uma anuidade de um dólar anual e ainda não existem 16 bilhões de pessoas no mundo usando celulares para que esse investimento seja recuperado. E mesmo essa cobrança anual ainda não é algo que as pessoas estejam certas de que realmente aconteça. Então, porque Zuckerberg investiu essa porralhada de dinheiro na compra do aplicativo?

A lógica é simples: ele quer ter mais controle sobre sua vida. Vamos lembrar que o Facebook também é gratuito e que mesmo assim o Zucão se transformou em um milionário. Como ele fez isso? Vendendo anúncios. Basicamente, o Livro das Faces sabe tudo o que você faz na internet, conhece todos os seus cookies e com isso ele te vende coisas. O Facebook ganha dinheiro conhecendo sua vida.

Tanto que a negociação bilionária deixou a internet efervescendo. Muitas pessoas já começaram a pensar em abandonar o aplicativo de mensagens gratuitas com um medo georgeorwelliano do Zuckerberg. “Já imaginaram o Facebook com meu número de celular?”, dizem. Eu digo que é besteira. O número do seu celular ele já tem faz tempo. E se você tem um smartphone que suporta o WhatsApp, provavelmente tem o aplicativo do Facebook e provavelmente nunca leu a lista de permissões que ele solicita na hora da instalação.

Ele quer controlar o seu GPS, controlar as suas ligações, alterar o sistema do celular e uma série de coisas que, caso você lesse, provavelmente pensaria em quebrar, tacar fogo, concretar e enterrar seu celular no fundo do mar. O Facebook só falta pedir permissão para usar seu cartão de crédito e marcar visitas esporádicas de representantes comerciais das empresas que anunciam na rede social para que elas possam lhe mostrar as últimas tecnologias em emagrecimento.

Zuckerberg pode ter acesso as suas conversas? Acho que sim. Mas ele já deveria estar fazendo isso com seu Facebook e os antigos donos do WhatsApp também já deviam saber todas as putarias que você falava. Lembremos que depois do Obama a privacidade virtual de ninguém é resguardada, ninguém está a salvo, nem mesmo os chefes de Estado.

A princípio, acho que o principal medo que as pessoas devem ter é de que receber alertas promocionais, de sem querer compartilhar as fotos do Whats no Face e receber sugestões para adicionar pessoas que você não conhece ou que gostaria de não ter conhecido.

Outra boa sugestão é sair do WhatsApp e impedir que esse aplicativo demoníaco continue mobilizando sua vida. Veja que no sábado o serviço ficou fora do ar, gerando teorias conspiratórias, memes do Zuckerberg e colapso mundial nas relações humanas que ficaram sem saber como convidar alguém para ir ao cinema.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Parque de Diversões


A velha máxima de que o dinheiro não compra a felicidade é uma mentira. Quando eu era criança, a felicidade poderia ser comprada por cinco reais. Esse era o valor do passaporte Ita Center Park, um parque de diversões itinerante que se instalava aqui em Cuiabá todo mês de janeiro. Ele chegava, anunciava na TV e os jovens de toda a cidade partiam em sua direção, numa espécie de peregrinação.

Um passaporte do Ita garantia o direito de passar o dia inteiro andando naqueles brinquedos giratórios intermináveis, ou talvez o dia inteiro na fila do carrinho bate-bate. Alguns amigos meus iam lá apenas para andar no bate-bate e enfrentavam sua longa fila diversas vezes. Nunca entendi isso.

O valor de cinco reais, talvez em algum momento tenha chegado a vinte, parece ridículo, eu diria que é irrisório. Mas, lembrem-se que nós vivíamos outro momento da nossa economia. Nessa época você poderia comprar um salgado e uma zebrinha na cantina da escola por um real e um mísero real era o valor de um baguncinha, sanduíche que continha calorias suficientes para lhe manter vivo durante uns dois anos.

Pois bem, no começo deste ano o Ita Center voltou a se instalar aqui em Cuiabá. Não mais no local em que ele sempre ficou, porque neste lugar foi construído um ginásio poliesportivo. Mas, todo dia eu passo em frente a ele no trajeto entre minha casa e meu trabalho. Vi quando ele estava sendo montado e não tive dúvida que era o Ita. Quando eu vi o Kami Kaze, um brinquedo suicida, tive a leve sensação de que era o mesmo de quinze anos atrás. Só o preço que não é mais o mesmo. Agora, o passaporte custa R$ 70. A felicidade ficou mais cara, maldita inflação.
Passaporte para o medo

Todo dia enquanto eu estou em um pequeno congestionamento na frente do parque, fico olhando as pessoas no barco viking, indo para lá e para cá. Observo o Kami Kaze com a mesma apreensão que eu tinha quando era criança. Esse brinquedo é formado por dois pêndulos paralelos balançando em direções opostas. Na medida em que eles vão pegando embalo, eles vão subindo mais alto e mais alto, até que eles ficam parados de cabeça pra baixo lá em cima. E então eles caem. E depois fazem uma volta completa. E essa verdadeira sessão de tortura deve durar uns três minutos, tempo no qual eu fico no meu carro esperando por um jato de vômito caindo lá de cima.

Começo a me lembrar dos brinquedos que existiam dentro do parque e chego a conclusão de que quase todos eles são assustadores. Não entraria nessas máquinas hoje e muito menos quando eu era criança. Começo a pensar no que me restava fazer nesses parques quando eu era menor e então entendo porque tantos colegas ficavam horas no carrinho bate-bate. Só me lembro que eu gostava do barco vinking, dava umas voltas na roda gigante e ia na montanha russo a contragosto. Acho que deveriam existir alguns brinquedos mais lúdicos, com carrinhos andando em círculos e o carrossel.

Só que pelo o que eu observo hoje, o público alvo dos Parques de Diversões não são mais as crianças, mas sim os adolescentes e os jovens. E o que esses empreendimentos oferecem a nossa juventude? A sensação mais próxima o possível de morrer, simulando efeitos desagradáveis ao extremo. Algo como sofrer um acidente de avião.

Veja que nós temos brinquedos que te levam até um lugar incrivelmente alto e então começam a girar e a cabine onde as pessoas estão sofrem toda a força centrífuga possível, dando a impressão de que a qualquer momento o cabo de aço irá se romper e a cabine será arremessada longe. Aliás, isso eventualmente acontece e ganha destaque no Jornal Nacional. Sem sobreviventes.

Existe outro “brinquedo” que sobe alto pra caralho e então desaba como se fosse um elevador despencando do último andar do Empire States e você sente que o seu fêmur irá entrar pela bacia e atravessar todo o seu sistema digestivo, respiratório e sair pelos ombros na hora em que tudo terminar. O corpo deve reagir da mesma maneira que reagiria quando percebe que a morte é imediata, mas no final tudo dá certo (exceto as já citadas aparições no Jornal Nacional, sem sobreviventes) e por alguma razão, algumas pessoas ficam extasiadas com essa sensação que no máximo deveria provocar falta de ar e pesadelos recorrentes.

E as montanhas russas? Já eram terrivelmente assustadores quando elas tinham apenas umas três descidas e um looping já era motivo de calafrios. Agora, os parques investem em trilhas com dezessete loopings, quedas de 40 metros, 200 km/h, provocando desacelerações súbitas e cinco vezes a Força G no seu pescoço.

Enfim, nada contra os praticantes de esportes radicais, apesar de eu não me encaixar nesse perfil. As pessoas que escalam montanhas íngremes, mergulham em cachoeiras amarradas a botes infláveis, pulam de aviões com uma mochila inflável nas costas ou se arremessam de uma ponte amarradas por uma corda. Mas o Parque de Diversões moderno foi feito para eles. Um X-Games da vida real.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Discografia Comentada: Benga Boys

Catalogar a discografia dos Benga Boys não é algo fácil, não é algo que você encontra na internet, nem mesmo na Deep Web. Tive que entrar em contato com os fãs mais fieis da banda, os poucos que ainda sobreviveram, paraplégicos e mutilados. Sofri ameaças de morte ao perguntar sobre os discos da fase negra da banda. Mas sobrevivi. Isso sim é um trabalho de fôlego.

Em 24 anos de carreira, os Benga Boys lançaram 18 discos. Pode não parecer muito, mas é, contanto que além de tocar e manter o hardcore vivo, os seus membros precisam ganhar a vida lavando pratos, carpindo terrenos e atuando em filmes pornôs bizarros. Fora isso, eles ficaram muito tempo parados, tocando projetos paralelos. Mas enfim, eis abaixo a discografia dos Benga Boys e os comentários sobre os discos.

Drinking in Devil’s Ass (1991): O primeiro CD da banda foi gravado em um dia na garagem do baixista Pedro Tolete. A garagem não era fechada o que faz com que o som pareça distante e que você tenha a sensação de que carros estão passando na sua rua o tempo todo. O som é violento, lancinante e você termina os 10 minutos de audição pronto para se tornar um Black Block. Espero que eles não ouçam isso.
Tracklist: 1) Fuckin’ With Dead Women; 2) Pussy Vomit; 3) Drinking in Devil’s Ass; 4) I Love Your Mother’s Ass; 5) Fuck the President!; 6) I Want to Kill My Family; 7) Rubber Penis. 8) Pain in the Ass; 9) Signs of Hate; 10) I ate my parrot today; 11) Right Now Motherfucker.

Naked Dick (1993): O sucesso de crítica do grupo os levou até palcos maiores e a perda dos fãs mais fundamentalistas. Em busca de mais públicos, eles assinaram com uma gravadora independente e entraram na onda do Pop Punk que explodiria nos Estados Unidos no ano seguinte. Este segundo disco é incrivelmente ruim, mas poderia tocar no Disk MTV, tranquilamente.
Tracklist: 1) In Love With a Cat; 2) Naked Dick; 3) Crazy Girl; 4) Sing Together; 5) Sunny Days; 6) Punk Crocodile; 7) Stormy Days; 8) C’mon with me; 9) I Love Myself; 10) Turn me on; 11) Cracking Up; 12) Be Mine

Balada do Coração Solitário (1995): Em busca de mais sucesso, eles assinam com um produtor renomado e passam a cantar em português. Se apresentaram no Domingão do Faustão e tudo mais. Este terceiro disco nos faz acreditar que o Jota Quest não é assim tão ruim. Zé Coveiro insiste em cantar num falsete sofrível e a guitarra de João Cavalo foi substituída por um teclado irritante. O arranjo de cordas lembra o pior de Phil Collins.
Tracklist: 1) Balada do Coração Solitário; 2) Me Sinto Como Romeu; 3) Só quero ver a chuva; 4) Romance Proibido; 5) Eu quero você; 6) Preciso te encontrar; 7) Sonhe Comigo; 8) Eu estarei lá; 9) Eu morreria por você; 10) Tão triste Assim; 11) Por onde andarei.

Ao vivo no teatro universitário (1996): Para capitalizar o sucesso, o grupo lança este disco ao vivo, que tem cara de ter sido gravado em estúdio e posteriormente incorporado algumas palmas. O repertório é o mesmo do terceiro disco e a música soa ainda mais brega.

Passado e Futuro (1999): Cláudio Defunto e Pedro Tolete abandonam a banda, que incorpora elementos eletrônicos às suas baladas, criando algo próximo ao som do KLB, com passagens longuíssimas de sintetizador. Lamentável.
Tracklist: 1) Saltando no rio; 2) Lua Cheia; 3) Passado e Futuro; 4) Fila de espera; 5) Anjos; 6) Olhos Escuros; 7) Nada a temer; 8) Festa Imediata

(In)Completo (1999): João Cavalo morreu em um acidente de carro e Zé Coveiro resolveu sair da banda, que, pasmem, continuou mesmo assim e gravou um disco ao melhor estilo Boy Band. O som soa como um protótipo de Calypso. Pavoroso.
Tracklist: 1) Te Quero Garota; 2) Todo mundo dançando; 3) Me diga porquê; 4) Incompleto; 5) Eu nunca vou te deixar; 6) Garota, eu quero você; 7) Não brinque comigo; 8) Garota quero você assim; 9) Não me deixe sozinho; 10) Você sabe que eu te quero; 11) More than words.

No Ritmo da Balada (2000): Sem nenhum pudor, eles gravaram esse disco com covers e versões em português de clássicos da Dance Music dos anos 90. De vomitar.
Tracklist: 1) O Ritmo da Noite; 2) Você consegue sentir?; 3) Eu ainda acredito em seus olhos; 4) Barbie Girl; 5) Boom Boom!; 6) Vamos a La playa; 7) Unbreak my heart; 8) Shalalala; 9) Não pare a música; 10) Dancing with an Angel; 11) Sonhos Doces (são feitos disso).

Yo! (2002): Se nada pudesse piorar, eles lançam esse disco de Pop com parceria de rappers. Ninguém sabe quem são os membros nesse momento, nem as músicas. Por uma questão de segurança, a ONU devia isolar todas as cópias desse disco.

Oxe Mainha! (2003): Segundo disco consecutivo com exclamações no título e a prova de que os Benga Boys morreram. Aqui, a nova formação gravou um disco de axé, mas o problema é que o auge da Axé Music foi uns cinco anos antes.
Tracklist: 1) Oxe Mainha!; 2) Dança da Borboletinha; 3) Caindo na Mandioca; 4) Delícia de sambinha; 5) Remexe moreninha; 6) Que loucura morena!; 7) Papai te ensina a dançar; 8) Vem mamar; 9) Rebola Danadinha; 10) Passando o rodo; 11) Dança da Cabrita.

Remexe Popozuda (2004): Eles tentam se acertar publicando um disco de funk. As músicas são exatamente as mesmas do disco anterior, substituindo expressões do axé pelas do funk.

Batidão dos Benga Boys (2004): Segundo disco de funk no mesmo ano, dessa vez coverizando os clássicos do Bonde do Tigrão e da primeira invasão do funk. Felizmente, por respeito ao mito, a banda se desfez depois disso. Não havia nada pior para fazer. Ou não. Por sorte eles acabaram antes de chegar o sertanejo universitário.

I Have Sex With Hot Moms (2008): O glorioso retorno. Os Benga Boys voltam com sua formação original, incluindo a ossada de João Cavalo e o novo guitarrista Rodrigo Furúnculo. A banda exorciza o passado nebuloso num disco violento e selvagem. O material foi todo gravado no banheiro da casa do vocalista, oferecendo um eco selvagem e ruídos intensos de descarga. Fenomenal.
Tracklist: 1) My Dick Itches; 2) Your Ass is mine; 3) Fuck Politicians; 4) Santa Claus Son of Bitch; 5) I Have Sex With Hot Moms; 6) Shit on the corner; 7) Put My Cock On Your Ears; 8) Greek Kiss is Cool; 9) T.O.B.A.; 10) Lick My Balls; 11) Live With Pigs; 12) Toilet Song.

Manure (2009): A volta as estradas e a velha forma acarretou nesse disco, gravado dentro da Kombi da banda, conhecida como Benga Móvel. Cada música foi gravada em uma noite em uma cidade diferente, captando as diferentes influências das coxinhas gordurosas que eles comem na beira da estrada. Raramente a banda toca as canções desse disco ao vivo, porque eles estavam tão chapados durante a gravação que são incapazes de se lembrar de qualquer coisa.
Tracklist: 1) Joe Strummer; 2) Fuck You Fuck Me; 3) Relax Bitch; 4) Motherfucker gonna hell; 5) Salvation is hell; 6) Pornographic Priest; 7) Hell Child; 8) Zombie Husband; 9) Cloud of Shit; 10) God is my ass; 11) Pissing Fire; 12) Rape Ramon; 13) Hardcore Roots.

Live in Jangada (2009): Registro do show da banda no estacionamento de uma pastelaria em Jangada. Apresentação vibrante com detalhe para os gritos da plateia no momento em que uma carreta atropela seis fãs.

Dead Kennedy’s Tribute (2010): O grupo resolveu se reunir para gravar o disco que influenciou a vida de
todos: Fresh Fruit For Rotting Vegetables, dos Dead Kennedys. As 15 músicas do álbum são tocadas de maneira ainda mais rápida e violenta. Cogitou-se usar esse disco para torturar prisioneiros em Guantánamo, mas nem mesmo os guardas conseguiam ouvir.

Live in Paranatinga (2011): A banda abafa o telão do Crazy Frog e quase provoca uma guerra civil na cidade. É isso que esse disco é. O som do apocalipse.

The Ugliest Band in Town (2011): Um susto: o disco começa com aquela musica chatinha de “meu amor, essa é a última oração”. Quinze segundos depois tudo muda e tem início o disco mais violento da história dos Benga Boys. Evite ouvir em lugares públicos, ele costuma a matar os passarinhos que sobrevoam as ondas sonoras.
Tracklist: 1) Bastard Dog; 2) I’m a Animal; 3) Killer; 4) Even If I was Dead I Will Still Be Playing Hardcore; 5) Fat John Sold Out; 6) Fuck the Dancefloor; 7) You Asshole; 8) Two Girls One Cup; 9) Tarantino is a Little Doll; 10) The Ugliest Band in Town; 11) I’m a Terrorist; 12) Do You Wanna Suck My Dick?; 13) Pray for Satan; 14) Osama was my neighbor.


Street Clash (2013): Aproveitando o momento de revolta popular no país, os Benga Boys voltaram de uma temporada de lavagem de pratos para gravar esse torpedo sonoro. O grupo soa político como nunca soou e praticamente conclama o povo a tomar o poder e estabelecer uma ditadura Hardcore.
Tracklist: 1) Obama Get Out My Facebook; 2) Kill The Presidenta; 3) Destroymania; 4) Street Clash; 5) Burn Out Brazil; 6) Fifa Fuck Out; 7) Blood in your eyes.

No momento o grupo está fazendo shows no interior da Bolívia, sem previsão para um novo registro. Mas, não faz diferença. Quando eles querem gravar um disco, eles fazem isso em meia hora.

(PS: Não existem imagens disponíveis das capas dos discos. Digitamos o nome do disco no Google e salvamos a primeira imagem existente).

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

As Horas Malditas

Acordo e vejo no meu celular que são 10h30 da manhã do domingo. Tudo bem, esse é um bom horário para se acordar em um domingo. Acontece, que este não é um domingo qualquer. Estou no primeiro dia após o final do horário de verão e eu não sei se o meu celular está marcando o horário correto. É o meu primeiro horário de verão com este aparelho e não sei como é o seu modus operandis, se ele se atualiza automaticamente ou não. Meu antigo celular me perguntava, esse aqui eu não sei.

Vou até o banheiro e na volta o meu celular toca. Estranho o fato de alguém estar me ligando na manhã de domingo, ou melhor, em qualquer horário, já que eu recebo poucas ligações. O número que me liga não está na minha agenda e penso que é engano, mas do outro lado da linha está uma amiga minha, que me pergunta se eu posso entrar em contato com o Vinícius. Ela me explica as razões, aparentemente um fato nebuloso.

Olho no relógio da cozinha e são 10h52. Sinal de que meu celular está certo. Ou não. Meu pai acertou o relógio da cozinha? Olho no celular do meu pai e são 10h53, sinal de que todos estão certos ou todos estão errados. Olho o horário da Sky e ele bate com todos os outros. Mas a Sky está certa? Como vou saber se o cara responsável por ajustar o relógio fez a mudança correta. A pior coisa do horário de verão é você não ter certeza se os relógios estão certos ou não no dia em que ele começa e no dia em que ele acaba.

Ligo para o Vinícius e ele não me atende. Preocupante. O fato é que na noite anterior, Gressana esteve em um bar e uma garota estava junto com ele. Essa garota não voltou para casa, seu carro estava abandonado no meio da rua e ela não atendia o celular. Logo, ela estava desaparecida. O fato de que o Vinícius não estava atendendo minhas ligações também o colocava na lista de pessoas desaparecidas. Comecei a imaginar sua fotografia estampada nos botijões de gás.

Tudo bem, você pode dizer que as horas são apenas uma convenção e se quiser pode até alegar que é uma invenção do sistema capitalista para explorar sua mais valia em empregos maçantes e desumanos e que num passado remoto as horas passavam mais devagar e que isso a Globo não fala. Mas essa sensação é horrível. E se meu pai tivesse acertado o relógio e depois minha mãe também. Ninguém sabe que horas são. Meu relógio marcava 11h e Vinícius Gressana continuava desaparecido.

Naquela hora, tudo estava nebuloso ainda. Aliás, algumas coisas ainda estão. Eu só pensava que eu estava ferrado, que eu teria que ir até o Carnicentas e depois partiria em uma busca cega pelo Vinícius, ao lado de um Papai Noel narcotraficante, ou de um cachorro sem braços, enfim, ferrado. Recebo uma mensagem no Whatsapp da minha namorada, ela me pergunta se o Vinícius já foi encontrado. Ferrado.

Pelo jeito, a situação era grava. Pensei que o Vinícius poderia ter sequestrado a garota, cortado-a em cubos rigorosamente semelhantes e guardado tudo na geladeira. Pensei que os dois poderiam ter sido sequestrados e picotados simetricamente. Ou fugido para as Bahamas, ou quem sabe para um acampamento hippie em Jaú. Vinícius já não era mais aquele garoto sorridente e cheio de sonhos que conhecemos na faculdade.

Penso em abrir os sites de notícias e conferir se a foto dele já estava estampada nas principais manchetes. “Jovem desaparecida. Amigo é principal suspeito”. Pensei se o CH3 seria citado em sua biografia e se assim este blog teria repercussão pela primeira vez, apareceríamos até no Jornal Nacional. Entrei no Facebook e Vinícius não estava online e nem havia feito nenhuma atualização na sua página nas últimas horas. Recebo nova mensagem de minha namorada explicando que duas pessoas entraram em contato com ela pedindo meu telefone para ter mais informações sobre o Vinícius.

Começo a pensar em uma nota pública de esclarecimento sobre o caso e como seria seu obituário. Antes, resolvo ver o Whatsapp e vejo que ele estava online quinze minutos antes e me tranquilizo. Ele ainda está vivo, ou os sequestradores estão batendo papo na internet dele. Mando uma mensagem para o Vinícius e em três minutos ele me responde. Logo descubro que ele está bem e que a menina já estava na casa dela.

O fato é que os dois saíram na noite anterior e a menina ficou sem condições de dirigir. Vinícius deu uma carona para ela até sua casa, onde ela apagou, junto com a bateria do seu celular. Domingo de manhã a situação foi resolvida, mas o caos foi criado. Ele me manifestou sua surpresa pelo fato de as pessoas saberem que ela esteve com ele na noite anterior.

Esse ainda é um grande mistério, amplificado no momento em que soubemos o estabelecimento onde os dois estavam. Não, não era o Carnicentas, mas chegava perto. Ao que tudo indica, a mãe da menina acordou no domingo de manhã e não viu a filha em casa, ligou para ela que não atendeu e então encontrou seu carro abandonado na rua. Como ela encontrou esse carro? Cuiabá não é uma cidade tão pequena assim para se encontrar o carro de alguém abandonado na rua. A mãe então entrou em contato com uma amiga da sua filha que misteriosamente sabia que ela esteve com Gressana, o suspeito.

A amiga então entrou em contato com a Maíra, que me ligou no começo do texto, perguntando se ela tinha o telefone do Vinícius. Ela não tinha e ninguém sabe por que ela escolheu falar com a Maíra, uma vez que as duas não são amigas no Facebook. Maíra ligou para outro amigo, perguntando se tinha meu contato, ele não tinha e ligou para minha namorada, que repassou o meu telefone para ele, que repassou para a Maíra, que ligou para mim, que liguei para o Vinícius, para ligar para a Maíra, que avisaria a amiga, que avisaria a mãe da menina: Marcelo Freixo é o culpado.

Restaram muitas dúvidas, mas ninguém morreu. Antes de encerrar a conversa no WhatsApp, Vinícius me perguntou “O horário de verão acabou, que horas são agora?”. Respondi que eram 13h14.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Flappy Cão Leproso

Nessa semana o mundo foi tomado de ataque pelo jogo “Flappy Bird”. Não é nada além de um desses jogos simples, porém viciantes, que acabam com a sua produtividade no trabalho. Feito para Smartphones, você tem que ficar clicando na tela para controlar a altura do voo de um pássaro que desvia de canos. Qualquer erro e você morre. Dizem que o jogo tem muitas fases, porém, ninguém consegue avançá-las.

Flappy Bird logo foi retirado do ar, segundo o seu criador, porque ele estava viciado naquele negócio e resolveu cortar o mal pela raiz. Outras teorias conspiratórias foram criadas, envolvendo os illuminati, os maçons e NSA que poderia estar, quem sabe, monitorando seu smartphone por meio desse joguinho besta e consequentemente vistoriando sua vida secreta enquanto você perde tempo clicando no pássaro.

A febre pelo jogo foi tão grande, que chegaram a oferecer mais de 10 mil dólares em um celular com o Flappy Bird já instalado. Prova de que o criador e retirador do joguinho estava certo, isso aqui ainda vai provocar um conflito mundial. Traduzindo, vai dar merda nisso aqui.

No entanto, como um bom blog apocalíptico, o CH3 apoia o caos. Surgiu na internet a possibilidade de criar a própria versão do jogo. Criamos a nossa.

No Flappy Dog CH3, você tem que controlar a altura em que o Cão Leproso voa e tem que fazer com que ele desvie dos enormes Hanzs, os pansexuais que aparecem no meio do caminho.

Qualquer erro e você permitirá que o pobre cãozinho deficiente pare nas mãos deste terrível monstro pansexual, que irá fazer muitas maldades com o nosso mascote. Não queira imaginar.

Clique aqui e jogue.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Medicina Alternativa

- Cara, o que aconteceu no seu braço?
- Ah, nada não. Foi só um corte.
- Mas, mas... você já foi no médico?
- Não, to passando óleo de carapicuía, já está melhorando. É um cicatrizante natural, feito de uma semente lá do sítio da minha avó.
- Mas, cara! O seu braço está azul!
- Normal, no começo é assim mesmo, já já passa.
- E essas moscas? Faz quanto tempo que você tá passando isso?
- Seis meses.
- Cara, vai no médico!
- Besteira, o óleo de carapicuía resolve.

Você provavelmente conhece algum integrante do seu círculo social que é adepto da medicina alternativa. Alguém que passa um bom tempo consultando algum raizeiro na praça central, vendo as últimas novidades para enxaqueca, bicho de pé e verruga na virilha. Aquela erva daninha que nasce lá na beirada da estrada da Guia, então, você pega ela é amassa e passa na virilha, todo dia de manhã, mas não pode tomar banho. Em pouco tempo a verruga seca.

- Cara, eu dei uma olhada nessa tal de carapicuía na internet, parece que ela é cancerígena até.
- Besteira, você ainda acredita na internet? Minha avó sempre usou isso aqui.
- Mas lá descreve os sintomas igual o que você tem, primeiro o braço fica azul depois as unhas... cara cadê suas unhas na mão?
- Caíram, mas não dá nada não, faz parte do tratamento, a pele em volta do braço está renascendo pra ficar mais forte. Já comecei a passar extrato de lichia também, pra ajudar no crescimento da unha.

Os adeptos da medicina alternativa são fortes em seus princípios e não dão o braço a torcer quando seus produtos são questionados. Eles sabem tudo o que é preciso para tratar as mais diversas enfermidades, com ênfase nos problemas de pele. “Sabe o que é bom pra frieira no pé? Urina. Aquela primeira mijada do dia, coloca ela numa bacia e coloca o pé lá dentro. Cura num instantinho”. Micose, fungos e até mesmo queimaduras podem ser curadas na base da urina.

- Falei com um primo meu que é médico e essa caripicuia é cancerígena mesmo.
- Médico não entende nada, isso é lobby da indústria farmacêutica para empurrar esses remédios dela, que são caros e não resolvem nada.
- Cara, tem uma bola debaixo da sua orelha esquerda!
- Relaxa, um extrato de girambola já tá resolvendo isso aqui.

Há um curioso ramo dentro da medicina alternativa, que é a medicina alternativa industrializada. Sabe como é, aquelas capsulas que você tem que tomar três todo dia, sempre em jejum e vai resolver sua vida. Quem não se lembra do cogumelo do sol? Que hidrata a alma, cura câncer, impotência, calvície e ejaculação precoces. Previne diabetes e ainda é rica em fosfato. Em certos momentos, a medicina alternativa se confunde com um livro de simpatias. Não duvido que pra curar sinusite você tem que escrever seu nome numa folha de alface e guardá-la dentro da bíblia, na página do salmo 13.

- Cara! Seu braço, o que aconteceu!
- Ah, caiu.
- Caiu como?
- Acordei, ele estava na cama. Mas, tudo bem, ele já andava dormente faz umas três semanas.
- Cara, eu falei que aquela raiz que você tava tomando fazia mal.
- Não tem nada haver, foi um acidente. Já estou passando creme de abatatidura pra prevenir a queda de cabelo.
- Seus dentes cara! Seus dentes estão pretos.
- Estou escovando o dente com pasta de romarana, uma fruta que nasce lá no acesso pra Marzagão. Essas pastas de dente não servem pra nada.

E morreu.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Alienígenas do Passado

A televisão paga está sempre inventando novos programas bizarros para atrair a curiosidade dos telespectadores, alavancar a audiência e faturar um trocado com os anunciantes. O dia a dia de dois playboys que reformam carros, um cara que é largado pelado no meio de uma floresta tropical, enfim. Se você olhar a grade de programação dos canais pagos irá se surpreender com a quantidade de bizarrices e irá até sentir uma pequena dor no estomago imaginando qual é a razão disso tudo.

No entanto, nada, eu disse nada neste momento é mais bizarro do que um programa chamado “Alienígenas do Passado”. Basicamente, esse programa defende a tese de que em um passado muito distante, mas muito distante mesmo, seres extraterrestres passaram pela Terra, fumaram um cachimbo da paz com as antigas civilizações e deixaram um enorme legado no nosso planeta.
Alienígenas do passado são aqueles que chegam e dizem "no meu tempo isso aqui era só mato".

Seriam os aliens os responsáveis pelas pirâmides do Egito e também pelas pirâmides dos Astecas. Provável que eles é que tenham ensinado as noções básicas de matemática aos povos mesopotâmicos e quem sabe, até mesmo a roda e o domínio do fogo. Basicamente, sem os nossos amigos extraterrestres, até hoje a humanidade ainda viveria em bandos nômades caçando bisões e fazendo desenhos retardados em cavernas.

Bem, tudo bem, é uma teoria, como tantas outras teorias que a ciência estuda, algumas são mais esquisitas do que as outras, mas não deixam de ser teorias. Não há como negar que essa teoria mereça um programa especial, quem sabe um documentário estilo Globo Repórter. Agora, um programa semanal? Como isso funciona? Toda semana tem uma nova coisa que os alienígenas inventaram? Na semana que vem vocês verão que foram os aliens que trouxeram o futebol para o Brasil, e não Charles Miller.

Essa foto foi tirada por aliens
E ainda há a figura de Giorgio Tsoukalos, a estrela do programa e o principal defensor desta tese do mito fundacional¹ alienígena. Sua figura é a cereja no bolo da excentricidade do programa. Utilizando roupas tão exóticas como as de um babaorixá, Giorgio é um suíço de origem grega e utiliza um cabelo milimetricamente desajeitado, para lhe conferir um autêntico ar de louco. Tsoukalos parece tanto ser um charlatão, que eu sonho com o dia em que ele irá integrar a equipe CH3.

Os comerciais do programa se resumem a levantar um tema polêmico e mostrar a resposta de Tsoulakos.
- Churrasco.
- Foram os aliens.
- Coprofagia.
- Foram os aliens.

E de certa forma faz sentido. Só os extraterrestres seriam capazes de publicar um vídeo como 2 girls 1 cup. Os próprios alienígenas devem ser os responsáveis por esse programa e não me surpreenderia que Giorgio Tsoukalos fosse um deles. Só assim para tudo fazer sentido.

¹O correto, em português, seria “mito fundador”. Mas falar o fundacional, igual é no espanhol, me parece muito mais divertido.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Ditadura Gay

Tudo começou no último dia de janeiro de 2014. Era o último capítulo de uma novela e a população criou uma enorme expectativa sobre o possível beijo entre os dois personagens gays da novela. Seria o primeiro beijo entre dois homens na televisão brasileira e uma parte da sociedade criou um temor de que aquele fosse o começo de uma ditadura gay. Os dois se beijaram e os tementes estavam certos. Ninguém imaginaria que a vida iria mudar a partir daquele momento.

O beijo de dois galalaus no horário nobre encorajou dezenas de gays a saírem do armário e nos dias seguintes a cena urbana de nossas cidades foi modificada. Em qualquer calçada, semáforo, nós víamos homens de mãos dadas, casais homoafetivos se agarrando e fazendo selfies na frente de pontos turísticos.

Todas as novelas a partir de então passaram a contar com personagens homossexuais e a questão da sexualidade se tornou um tema central na disputa eleitoral daquele ano. Chegou-se a cogitar o primeiro beijo gay da história dos debates, ou do horário eleitoral gratuito, mas isso não chegou a acontecer. Nos anos seguintes outros tabus foram quebrados. O primeiro beijo gay no Congresso, no Jornal Nacional e etc.

Claro que a situação não foi aceita por todo mundo. Alguns resistentes saíam a noite para justiçar cidadãos afeminados e o ódio foi aumentando. Encabeçados por um deputado, um grupo conseguiu aprovar leis que restringiam os direitos homossexuais. Ninguém imaginava que o contragolpe seria ainda mais forte.

No dia seguinte, uma manhã de 2017, os tanques cor de rosa tomaram as ruas do país. Forçaram a renúncia da presidente e assumiram o poder. Um deputado, um ex-bbb, um cantor sertanejo e um apresentador de televisão formaram a junta responsável por comandar o país, alegando que “de quatro era mais gostoso”. Decretaram que “cu não tem dono” e passaram a ditar as regras.

Em um primeiro momento, o que se viu foram os gays ganhando espaço no mercado de trabalho, com salários maiores. Depois, casais heterossexuais foram proibidos de demonstração de afeto em lugares públicos e a bandeira do Brasil ganhou um acabamento em purpurina.

O Brasil influenciou seus vizinhos e logo outros países da América do Sul foram se transformando em Ditaduras Gays. A Holanda seguiu o caminho na Europa e antes que o presidente norte-americano pudesse fazer qualquer intervenção, a Casa Branca já havia se transformado na Casa Rosa.

A tensão aumentou no momento em que grupos de gays passaram a se juntar para espancar heterossexuais em plena Avenida Paulista. Nessa hora, os heteros que ainda resistiam passaram a andar nas ruas com guirlandas florescentes escondidas para qualquer eventualidade. O governo patrocinou uma reforma linguística e a grafia da maior parte das palavras foi modificada. Luxo, por exemplo, passou a se escrever “loosho”. Assim como o verbo ahazar e o substantivo cazamiga.

O último bastião da moralidade caiu em 2022, quando o novo papa assumiu o poder beijando todos os cardeais que participaram do conclave. A Igreja logo voltou a organizar as cruzadas, em que soldados gays iam até os lugares mais extremistas do mundo muçulmano para conquistar aquelas terras. O nome “cruzadas”, dessa vez, tinha uma conotação mais sexual. Em 2029, a Rússia cedeu e foi o último país a ser dominado pelos gays.

Hoje a vida é muito mais difícil. Os colégios deixaram de ensinar a reprodução humana, aliás, os próprios colégios estão deixando de existir porque poucas crianças nascem no planeta e as poucas mulheres que aparecem grávidas têm que se apresentar até uma junta médica e tentar explicar como é que isso aconteceu. O pai costuma a ser punido com uma currada pública. O lado positivo é que ninguém mais passa fome.

Os autores de novelas a tempos tentam emplacar temas ligados a heterossexualidade reprimida e um deles, chegou a sugerir o primeiro beijo hetero depois de 40 anos. Foi currado também.

Os poucos heterossexuais que resistem precisam se reunir nos porões, diante da bandeira do pastor mártir e, por vezes, quando são flagrados pela Polícia Gay, precisam fingir que na verdade aquilo é uma suruba gay. Os policiais sempre participam.

Não é fácil ser um heterossexual em 2064.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Vozes na Cabeça

Durante um pequeno seminário de “Ciências” na sétima série, o meu grupo ficou encarregado de falar sobre o Sistema Nervoso. Para isso, elaboramos uma espécie de boneco feito com garrafas pets e fios de eletricidade que de alguma forma representariam o que nós queríamos. O boneco ficou extremamente estranho e nós o apelidamos de “Esquizofrênico”. 

No entanto, o detalhe que me faz me lembrar dessa história é outro. No meu grupo estava um cara, que só estudou no colégio naquele ano e que tinha um nome duplo meio canastrão moderno, acho que Victor David. Ele era daqueles meninos que faziam sucessos com as meninas e o pouco que me lembro dele é que ele era absolutamente detestável. Não sei por que eu estava nesse grupo, mas isso só me faz ter ainda menos orgulho desse período da minha vida. Pois, esse cidadão não era capaz de falar esquizofrênico e apresentou o boneco como “Esquilo frênico”. Aliás, ele repetiu o termo várias vezes e ainda perguntava “como é que diz, esquilo frênico?” e não haviam correções suficientes para mudar seu comportamento.

Pois bem, vamos falar de esquizofrenia. É uma palavra até certo ponto popular e nós a usamos para nos referir a qualquer publicitário de suspensórios, cidadãos com pochetes ou que passam o dia inteiro afiando uma faca para cortar um peixe que nunca será pescado. Pessoas que utilizam incorretamente o termo “literalmente” devem até se referir a um cidadão de chapéu florescente como “literalmente esquizofrênico”. Bobagem. Cidadãos literalmente esquizofrênicos escutam vozes, tem alucinações, falam palavras inteligíveis e podem passar o dia inteiro olhando para uma parede.

Dentre todos esses sintomas, o fato de escutar vozes dentro da cabeça é sem dúvida o mais interessante e o mais associado a loucura. Quando essas vozes começam? Qual é o seu timbre? O que elas dizem? Muitas perguntas que não necessariamente serão respondidas neste texto.

Fui encontrar o professor colombiano Alfredo Humoyhuessos atrás de algumas informações sobre o assunto. De imediato, rejeitei qualquer bebida oferecida por ele e ele me citou alguns casos estranhos.

O sueco Sven Bjornsson foi diagnosticado com esquizofrenia em 1967 quando relatou que escutava uma voz falando em espanhol no seu ouvido 24 horas por dia e ele sequer sabia falar espanhol. Sven também dizia enxergar uma mulher de 1,48 m que fazia um omelete péssimo. Depois, descobriram que era a sogra dele e Bjornsson faria de tudo para se livrar dela.

Em 1943 o colombiano Marco Varicella passou a escutar a voz do cantor Chacrinha na sua cabeça, narrando os jogos do campeonato colombiano no ritmo da música Believe da Cher. O fato de Cher não ser sequer nascida na época deixou este caso ainda mais misterioso. Varicella não resistiu e tentou cometer suicídio três meses depois disso, se jogando do alto de uma ponte em Bogotá. A ponte não era muito alta e ele só morreu porque não sabia nadar.

No começo de 2011 o município de Oliveira do Hospital entrou em pânico quando o adolescente Rolando Coimbra passou a gritar no meio da rua dizendo que uma voz demoníaca estava dentro da sua cabeça. O caso só foi solucionado quando a bateria do seu iPod acabou. Seus fones de ouvido eram tão confortáveis que ele havia se esquecido desse fato. E seus cabelos eram tão espessos que os médicos não chegaram a encontrar seus ouvidos.

O americano Robert Hayes assassinou 48 pessoas no município de Kentucky em 1876. Diante do júri, alegou que vozes o mandaram fazer isso. Os jurados acreditaram que era um bom argumento e como os 48 assassinados eram irlandeses, Hayes foi absolvido. Antes do encerramento da sessão, o réu pediu a palavra e disse que na verdade ele não existia e era apenas uma ilusão coletiva. Todo o público presente acabou sendo internado em um manicômio.

Este post também é uma ilusão.

¹Interessante como no começo de nossas vidas escolares, as matérias tem nomes tão genéricos. “Estudos Sociais” é outra que poderia ser incluída nessa categoria. Aliás, o uso do termo “seminário” é uma incorporação de vocabulário posterior. Na época creio que tenha sido impossível que tivéssemos falado nestes termos.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

A farsa da internet 3G


Você está andando por uma estrada no meio do nada e subitamente vê uma arara sobrevoando o caminho. Maravilhado com a cena que passa diante dos seus olhos, você para o seu carro no acostamento e vai até o meio da estrada, de onde tira fotos maravilhosas das araras com o seu smartphone e consegue postá-las no Facebook, acompanhadas de uma mensagem motivacional e uma hashtag frustrante. Você está em um comercial de internet 3G.

Você está novamente em uma estrada no meio do nada. O caminho é esburacado e a sua roda quebra. Você para o carro no acostamento e quase é atropelado por uma carreta desgovernada. Tenta ligar para o seu seguro, mas o celular não consegue captar o mínimo vestígio de sinal. Você tem que esperar uma alma caridosa lhe dar carona e correr o risco de ser molestado sexualmente. Você está na vida real.

Nos comerciais, a Internet 3G é a coisa mais fantástica do Planeta Terra. Ela promove a liberdade de estar sempre conectado ao mundo, preso em seu smartphone, checando instantaneamente todas as atualizações inúteis das redes sociais, sentindo a dopamina correr por suas veias a cada curtida. Liberdade, conectado, infinito. Palavras que resumem o convívio em sociedade atual e que são vendidas junto com o 3G.

Nos comerciais, não importa se você é rico ou se você é pobre. Se você é o Ronaldo em apuros em um motel na Barra da Tijuca, uma japonesa famosa grávida ou um cara todo pintado de azul que batuca instrumentos imaginários. Você pode estar no meio de um pântano, numa casinha no campo, atravessando o deserto do Saara ou escalando um Iceberg que a sua cobertura ilimitada irá lhe permitir curtir uma atualização do Jô Soares Fake no Face.

Mas a vida real não é assim. Na vida real você sofre para abrir o Google no meio da Avenida Paulista e resta apenas a frustração quando você tenta mandar uma simples mensagem em uma cidade de interior. Na vida real você morre atolado no meio do pântano, desidratado no deserto e à deriva no iceberg. Na bucólica casinha do campo só lhe restará a companhia de cinco aranhas.

Não importa seu status ou a cor que você pinta o seu rosto antes de um dia de trabalho. As fotos dos aplicativos demorarão para carregar e você receberá inúmeros avisos de falta de conexão e passará pelo lugar da sua consulta no médico antes do aplicativo do mapa achar o endereço.

Para piorar, as propagandas ainda tem a coragem de falar sobre os planos mais baratos, em que você paga 50 centavos por dia e tem acesso ilimitado as benesses da internet banda larga no seu smartphone. Tal propaganda enganosa deveria ser punida com a forca. Os 50 centavos se esgotam antes de você clicar no navegador. Muito longe de qualquer infinitude.