quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Um Pequeno Conto Brasiliense

Alex conheceu Rosana no Chat do UOL. Ele entrou na sala de bate papo por idades com o Nick Cr@zy Boy e logo puxou papo com ela, a Pimentinha. Conversa vai, conversa vem, os dois foram se entendendo, descobrindo afinidades. Adicionaram-se no MSN e trocaram fotos. Estavam apaixonados. Entram no Facebook e trocaram e-mails, ficavam madrugada adentro trocando juras apaixonadas.

Havia apenas um detalhe: Rosana era de Brasília, Alex morava em Juscimeira.

Após seis meses de um louco e intenso amor virtual, os dois resolveram se conhecer. Alex decidiu que iria até Brasília para encontrar a sua amada. Pegou um ônibus, pegou um avião, chegou no Distrito Federal e ligou para Rosana. Rosana passou o seu endereço, morava no 705 da Asa Norte.

Alex pegou um taxi, mas o distraído garoto do interior passou o endereço errado para o taxista, falando que queria ir para o 605 da Asa Norte. O taxista lhe deixou lá e Alex estranhou estar na porta de um Hospital. Pensou, por um momento, se Rosana trabalhava no hospital, mas logo lembrou que ela era estudante de direito. Pegou o telefone e telefonou novamente. Foi informado de que o endereço era o 705. Perguntou se era perto dali e Rosana informou que não, que ficava do outro lado.

Alex pegou novamente o taxi, com o último dinheiro que ele tinha em sua carteira e falou para o taxista:
- Tenho que ir para a 705 lá do outro lado.
- Do outro lado qual? Da S2? Da Em?

Como não obteve resposta o taxista o levou até a 705 da asa sul. Mas, no endereço combinado não havia nenhuma Rosana, apenas uma pousada administrada por uma mulher chamada Nice.
- Rosana, eu estou aqui na Asa Sul.
- Não Alex, é na Asa Norte. Onde é que você está? Eu vou ai te buscar.
A ligação caiu, os créditos do seu celular acabaram, consumidos pelo roaming.

Sem dinheiro, sem celular, Alex se viu perdido, mas só lhe restava tentar achar o mítico endereço na 705 da asa norte.  Pediu informações numa padaria e lhe falaram o que devia fazer. Pega a W3, depois a N2, a W5 e a W4. Na 705 você vai na Schgn ou na Scrn?

Alex seguiu. Após meia hora de caminhada percebeu que ainda estava no mesmo lugar. Com aquela sensação de que estava girando pelo mesmo caminho, voltou a ver a mesma padaria na qual havia pedido informações. Entrou lá e percebeu que a cor da parede era diferente e que os funcionários eram todos diferentes. Não era a mesma padaria. Seguiu andando por quadras iguais e ruas com nome de código genético. Nunca mais foi visto.

Rosana chegou ao 705 da asa sul e não encontrou Alex. Para a sorte de Alex. Rosana na verdade era um homem chamado Nélson que pretendia estuprar Alex e depois vender seus órgãos para a Europa.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Profusão de Duplas Sertanejas

- Agora eu fiquei doce, doce, doce.
- Quem que canta essa música? Leandro & Leonardo?
- Não, não sei. Acho que é João Bosco & Vinícius.
- Não sabe? Será que não é Cesar Menotti & Fabiano?
- Acho que é Munhoz & Mariano.
- João Paulo & Daniel? Tonico & Tinoco? Zezé di Camargo & Luciano? Milionário & José Rico? Chitãozinho & Xororó?
- Não, é dessas mais modernas. Bruno & Marrone, talvez Rick & Renner.
- Fernando & Sorocaba? Dener & Douglas? Vinícius & Rodrigo? Júlio César & Adriano? Rogério & Rodolfo? Luis & Gustavo?
- Cara eu não sei mesmo.
- Pedro Paulo & Zé Henrique? Adalberto & Adriano? Guilherme & Mateus? Alex & Sandro? Alan & Alex? Rodrigo & Rodrigo?
- Cara, como você sabe o nome de tantas bandas sertanejas?
- Evandro & Alex? Anselmo & Rafael? Fabrício & Serginho? Victor & Léo? Canhoto & Ricardo? Marcos & Marcelo? Henrique & Gabriel? Tião Carreiro & Pardinho?
- Essas bandas existem mesmo?
- Teodoro & Sampaio? Pedro & Thiago? Marlon & Maicon? Camargo & Mariano? Alisson & Emanuel? Pedro & Harley? Jorge & Mateus? João Lucas & Marcelo? Henrique & Humberto? Humberto & Frederico? Claudinho & Buchecha?
- Você está de sacanagem né.
- Gian & Giovanni? Washington & Assis? Bebeto & Romário? Amuneke & Amokachi? Batman & Robin? Edson & Hudson? Machado & Assis? Cristian & Ralf? Cleiton & Camargo? Cleiton & Cledir?
- Cara, pode parar, já entendi.
- Sampaio & Correa? Vanderlei & Roberto? Eramos & Roberto? Romilson & Romildo? Oscar & Leonardo? Zé Antônio & Paulo Nunes? Lennon & McCartney? Pelé & Pepe? Peixoto & Azevedo? Roberval & Tostão? Jorginho & Marcão? O Gordo & O Magro? Dom Quixote & Sancho Pança? Romeu & Julieta? Juliana & Larissa? Federer & Nadal? Jordan & Pippen? Lula & Brizola? Bussunda & Hubert? Cascão & Cebolinha? Newman & Redford? Rafinha Bastos & Danilo Gentili? Caralho &

ATENÇÃO: O MINISTÉRIO DA SAÚDE ADVERTE! O USO CONTÍNUO DE MÚSICA SERTANEJA PODE PROVOCAR DANOS CEREBRAIS IRREVERSÍVEIS.

Nem entramos no mérito dos cantores solos

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Louquinho de Bairro

O louquinho de bairro é uma figura muito comentada neste blog e uma das personalidades mais fascinantes de nossa sociedade. Há muito tempo que o CH3 menciona o assunto levemente e creio que esta é a hora de fazer uma abordagem mais profunda sobre o assunto.

Eu me dei conta da existência dos louquinhos de bairro há não muito tempo atrás. O ano era 2009 e eu estava na sala/redação de um jornal no bairro Boa Esperança, que ficava atrás de um bar. Era um mês de inverno, apesar de não estar fazendo frio em Cuiabá, para variar. No entanto, um senhor no bar garantia que o frio estava chegando. Dizia ele: “amanhã vai fazer 8 graus em Cuiabá. Escutem o que eu estou dizendo. Vocês não levam minhas previsões a sério, mas eu nunca erro”.

Sua frase continha um ar ameaçador, porém inofensivo. Ele não fala aquilo como se fosse uma previsão baseada em informações que pesquisou, um palpite. Sua fala era simplesmente a verdade, ele simplesmente sabia que o frio estava chegando. Ele era um apocalíptico que não causava medo. Um tipo de louquinho de bairro.

O Jovem Coringuinha
O louquinho de bairro se difere de outros loucos, por conta deste sentimento de proximidade que o transforma em um patrimônio local. Ele não é um louco de cidade turística, um louco de praia que mais parece um charlatão querendo o dinheiro dos turistas que se impressionam com qualquer coisa. Não é um ameaçador louco de centro de cidade.

Ele é um ingênuo, o nosso louquinho. Há uma autenticidade no que ele faz. Ele é do bairro e todos o conhecem. Se o louquinho do Boa fosse fazer suas previsões em um bar do Baú, ele certamente levaria porrada. Sua existência não é exclusividade de nenhum lugar. Todo bairro que queira existir como tal, deve ter um.

Certa vez eu estava no bairro da Saúde em São Paulo e passei por uma mulher em uma violenta discussão verbal com o ar. Ninguém parecia se importar, ninguém parecia estranhar. Se alguém mexesse com ela, é provável que os comerciantes do bairro se revoltassem. Não mexa com os louquinhos dos outros.

Já escutei relatos de louquinhos nos mais diversos municípios, com as mais diversas especialidades. Eles contam canudos, fazem desenhos na parede e conhecem a vida de seus bairros. Os louquinhos de bairro tem uma importância fundamental na história da humanidade. Eles perpetuam mitos, eles fazem arte. Quem você acha que inventou a história do Curupira? O que vocês acham que Salvador Dali era em sua juventude?

Nos tempos modernos, o louquinho de bairro tem sua existência ameaçada. Nesta sociedade violenta, as pessoas sentem medo de qualquer cidadão com comportamento fora do padrão. Os pais falam para seus filhos: não cheguem perto daquela casa, porque o homem que mora lá é louco. As crianças, vocês sabem, sentem atração pelo proibido e vão até perto da casa. Como sabem que quem mora lá é um louco, elas provocam. Pulam o muro, mijam na parede, gritam palavras de ordem. Um dia o louquinho perde o controle e acaba matando as crianças. Ele então é tratado como um monstro e nas melhor das hipóteses vai parar em um manicômio recebendo eletrochoques. Na pior, é estuprado e morto em alguma cadeia.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Papo de Vó

Avós sempre tem o poder colocar você em uma situação constrangedora. Em qualquer época da sua vida elas poderão te fazer perguntas para as quais você não terá resposta.

- E as namoradas?
Em alguns casos, algumas avós são ainda mais específicas e chegam a perguntar sobre a quantidade de namoradas que você tem. A resposta obviamente é que não, você não tem nenhuma namorada, o que é mais do que normal uma vez que você tem apenas 9 anos e no seu mundo a ideia de ser visto conversando com uma menina seria algo próximo ao apocalipse. Quantas namoradas seriam razoáveis para um pré-adolescente disposto a montar seu próprio harém? Oito?

- E os coleguinhas, tem jogado muita bola?
É difícil você dizer para sua avó que você só mantém algo próximo a uma conversa com o César, um gordo caolho que provavelmente vai reprovar de ano na quarta série. E no futebol? Você é o último a ser escolhido e certa vez um time preferiu jogar com um a menos do que te escolher, sendo que o César estava no outro time. Mas, é preciso dizer que está tudo ótimo, caso contrário você irá fazer sua avó sofrer no restante de sua vida.

- Como você está bonito!
É isso que sua avó te diz ao te ver pesando aproximadamente 200 kg. Um triste caso de obesidade mórbida infantil, mas que para as avós, tias-avós e afins, é sintoma de felicidade e de estar saudável. Se você aparecer diante de uma avó com um peso normal ela perguntará se você está doente, dirá que você está tão magrinho e que precisa se alimentar mais. Nos próximos dias ela irá te preparar uma dieta calórica digna de um lutador de boxe. Nesse mundo, não ter jantado é um absurdo.
- Oi vó.
- Oi meu neto, onde você estava?
- Cheirando cola.
- Ah bom. São nove horas você já jantou?
- Não.
- Como você não jantou ainda???

- E o que você vai fazer?
Pergunta que te persegue desde que você tinha seis anos e se via obrigado a escolher uma carreira profissional na primeira série. A medida em que os anos passam a pergunta começa a ter um ar torturante, como se você já tivesse que ter escolhido e já tivesse que estar se preparando para atuar na área que você deseja. Será que o Niemeyer já era estagiário de uma empreiteira com 13 anos?

E então quando você está no Ensino Médio, você se faz esta pergunta todo dia. Vestibular para o que? Sua avó lhe pergunta novamente sobre isso e você não pode responder que você também gostaria de saber. Infelizmente, você ainda não escolheu se fará medicina, direito ou engenharia.

- Que curso você está fazendo mesmo?
Chorão tem um papo reto com a vó
Jornalismo, vó. Ela então pergunta se você vai substituir o William Bonner, talvez o Arnaldo Jabor. Não vó, não é isso que eu vou fazer. Mas podia ser pior, imagine se você tivesse que explicar que você está cursando História, Letras ou Pedagogia. Difícil explicar que você não virou doutor, que não é um engenheiro e muito menos um advogado. As únicas três profissões existentes no mundo das avós.
- Você podia ser médico! Tão bonito ser doutor! Podia virar geriatra para cuidar da sua avó velhinha.

Se a sua avó for um pouco mais sincera ela ainda poderá perguntar.
- Porque, meu Deus, porque é que você foi escolher fazer isso? Você poderia ter uma profissão tão melhor!
Sim vó, eu também me pergunto sobre isso todos os dias da minha vida, mas infelizmente, até hoje eu ainda não consegui chegar a uma resposta.

- E você gosta do seu trabalho?
A mais cruel das perguntas. Você tem um emprego horrível, odeia boa parte dos seus colegas de trabalho, o ato de acordar se torna um ritual de tortura diário e, no fundo, você se considera um vencedor por ainda não ter cometido suicídio. Mas, infelizmente, novamente, você não pode dizer isso para a sua avó. Você tem que falar que sim, que adora o que faz e que não poderia ser mais feliz. Já é ruim demais fazer a profissão errada, o que dirá ser infeliz nela? Se além disso tudo já não bastasse você não ter namoradas na segunda série e ter jantado tarde naquele 18 de fevereiro de 1995. Que decepção meu neto, que decepção.

O papo de vó jamais poderá ser pautado pela sinceridade, pelo bem de todos.

Com a contribuição do inestimável Gressana, que passou por todos esses diálogos.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Os pensamentos do momento em que o telefone toca

O telefone toca, são 5h da manhã. Você estranha o horário, ninguém liga nesta hora. Quem ligou agora é porque está num momento de extrema necessidade, diria que de desespero. É uma tragédia, sem dúvida é uma tragédia. Alguém morreu. Alguém bem próximo a mim. Um familiar, um grande amigo. Quem será que eu conheço que poderia estar em alguma situação de risco? Talvez seja apenas algum acidente. Não sei. O fato é que alguém está desesperado, alguém está sofrendo e esse sofrimento me interessa diretamente.

Pego o telefone e olho que eu não reconheço o número. É um sequestro. Um crime do falso sequestro. Quem é que ligaria para mim para anunciar que foi sequestrado a esta hora da manhã. Penso e atendo o telefone. Era engano, só um bêbado perguntando aonde é que eu estava.

O telefone toca no sábado, no final da tarde. Olho para o visor do meu celular e percebo que é o número do chefe. No sábado à tarde. Com certeza é algum trabalho que eu terei que fazer. Alguma reunião de trabalho. Alguma coisa que eu terei que parir esta noite ainda. Já vou desmarcar todos os meus compromissos esta noite, tenho que avisar os meus amigos que não vai dar, porque eu estarei ocupado diante do computador. Se eu não terminar o que me for demandado hoje, serei demitido.

Demitido, é isso. O chefe está me ligando para me demitir. Eu sabia, sabia que o clima estava pesado nos últimos tempos, que eu estava sendo fritado. E o maldito resolveu me demitir assim, por telefone, em um sábado a noite. Para acabar com meu dia, com o meu final de semana. Para que eu não tenha que sequer voltar a colocar meus pés no escritório segunda-feira. Acho que ele vai incinerar todas as minhas coisas. Acho que eu vou precisar de um engradado para afogar minhas mágoas nesta noite.

Atendo o telefone quase chorando. O chefe só queria saber o nome daquele restaurante na Getúlio Vargas que eu disse que era bom.

O telefone toca na hora do almoço. É telemarketing, eu penso. São eles, malditos. É o pessoal do banco que vai me oferecer uma linha de crédito sensacional igual a que eles me ofereceram na semana passada e já haviam oferecido outras cinco vezes e que eu recusei em todas elas. Ou então vão me oferecer um seguro. Um maldito seguro de vida, seguro para minha residência, seguro para meu carro. Querem me encher de apólices. Ou então vão me oferecer cartões novos.

Não, não é isso. É a Oi que quer me vender um plano de banda larga ainda mais caro. Querem me vender dezenas de pacotes. Ou será que é a Sky? Qual outra empresa poderia querer me ligar neste momento para me oferecer algum maldito benefício que no final das contas só irá me trazer prejuízo, insatisfação, dor de cabeça e uma pena de 12 anos por homicídio doloso, quando há a intenção de matar e o juiz nem sequer entenderá que eu agi em legitima defesa.

O telefone toca. É a Vivo. Filhos da puta.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Guia Reduzido dos Campeonatos Estaduais de 2013

Foi em 1902 que o primeiro campeonato estadual foi disputado no Brasil. No dia 03 de Maio, o Mackenzie derrotou o Germânia por 2x1 na abertura do campeonato paulista que seria conquistado pelo São Paulo Athletic Club. 111 anos depois, nenhum dos times que participou aquele torneio ainda existe e 111 anos depois, centenas de times foram campeões nos milhares de campeonatos das 27 unidades da Federação.

Tanto tempo depois, os campeonatos estaduais perderam muito da sua importância e até mesmo do seu sentido. Hoje em dia, assistimos campeonatos enfadonhos disputados com fórmulas esdrúxulas em gramados bizonhos diante de públicos pífios.

Diante destas circunstâncias, o CH3 montou um Guia dos Campeonatos Estaduais deste anos para que você, ao contrário do Palmeiras, não perca nada este ano.

São Paulo: Com os seus principais adversários focados na disputa da Copa Libertadores, o Santos tem tudo para passear pelos gramados de Sorocaba, Santa Bárbara e Penápolis. Neymar irá desfilar em seu habitat natural conduzindo o time da baixada ao raro tetracampeonato estadual.

Rio de Janeiro: Depois de uma série de jogos inúteis contra Quissamã e Boavista, os quatro grandes decidem a final do primeiro turno. No segundo turno, a fórmula se repete. Após todo esse processo, finalmente a final é disputada, com um público razoável e o campeonato é considerado um sucesso.

Minas Gerais: O grande destaque do Campeonato Mineiro será a estreia da Tombense, agremiação de aluguel que ficou famosa nos anos 2000 por emprestar jogadores ruins para os clubes da primeira divisão.

Rio Grande do Sul: O Campeonato Gaúcho conserva um certo charme, por ser o único campeonato no qual a ruindade é permitida. Um campeonato em se vai jogar contra times de apelidos imponentes em cidades com Passo Fundo e Bagé. Infelizmente, o Grêmio jogará em um estádio novo, com gramado provavelmente bom, destruindo a magia dos anos da lama.

Paraná: Após 10 anos, Lúcio Flávio, o passageiro da agonia, voltará a disputar o campeonato paranaense com a camisa do Paraná, que por sinal volta da segunda divisão. O novo advento acontecerá neste domingo, às 19h30.

Eric Clapton jogará no Icasa
Santa Catarina: O campeonato catarinense tem uma das fórmulas mais mirabolantes do planeta. Dez times se enfrentam em turno e returno e o campeão de cada turno se garante nas semifinais do torneio com mais dois times aleatórios. Se, por algum acaso, um time ganhar os dois turnos, não adianta nada.

Goiás, Pernambuco, Bahia e Ceará: A mesma coisa do campeonato carioca, mas sem transmissão na televisão.

Rio Grande do Norte, Alagoas, Pará, Distrito Federal, Mato Grosso, Paraíba, Maranhão, Amazonas, Sergipe, Acre, Mato Grosso do Sul, Piauí, Espírito Santo, Tocantins, Amapá, Rondônia, Roraima: Times tradicionais do Estado sofrem com problemas financeiros e acabam engolido por alguma equipe nova bancada pela prefeitura ou por algum empresário local. Em alguns casos, o time tradicional se torna campeão para a alegria da torcida e a imprensa destaca o feito como uma volta aos bons tempos.

*Nos comentários, listaremos os campeões de cada campeonato, de acordo com nossos especialistas e futurólogos.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Ato Falho

Freud quer comer a sua mãe
O ato falho é aquele momento em que você tem uma ereção matinal. Digo,é quando você fala alguma coisa que não deveria ter dito sem ter percebido o que disse. Sigmund Freud descreve o ato falho como uma manifestação do desejo sexual reprimido. Vocês sabem qual é o desejo: comer a própria mãe. Freud, este tarado, não pensava em outra coisa.

Um dos atos falhos mais comuns é chamar uma pessoa pelo nome errado.
- E aí, Roberta.
- Meu nome é Carlos.
- Claro, Bárbara, desculpa.

Um erro chato, mas que pode ser ainda pior, caso você confunda o nome da sua mulher.
- Eu te amo, Bárbara.
- O que você disse?
- Fernanda, eu, eu...

Na cena seguinte, a mulher explica porque ela matou o marido, o esquartejou e distribuiu suas partes em malas espalhadas pelo bairro de Perdizes.

Outro ato falho muito normal, bem não sei se normal seria a palavra, é confessar algo que você não devia.
- Ah, como eu sou gay, eu não me importei muito.
- Você é gay, cara?
- Não, não, não, não é bem isso que eu quis dizer.

Ou ainda.
- Meu filho faz xixi na cama todo dia.
- Ah, normal, eu ainda faço também.
- Sério?
- Ahn... era uma piada!

Mesmo que seja uma distração, um lapso de sua mente vagante, o ato falho é comprometedor e capaz de desgraçar sua vida. Revela suas opiniões contraditórias, o que você não devia falar, o que é contrario ao cartel do politicamente correto. Na melhor das hipóteses, você fica com fama de burro, no caso em que você fala a palavra errada.
- Então seu Alburqueque.
- Albuquerque.
- Alburquerque.
- Al-bu-quer-que.
- Albuqueu.
- Estúpida.
- Albequerque.

Atenção aos sinais. Confundir o nome de pessoas, falar coisas que você não devia e errar a pronuncia das palavras não são sintomas exclusivos do Ato Falho. Você pode simplesmente estar bêbado. Principalmente se estiver babando. Ah, ato falho não se cura com Viagra.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Os Concorrentes ao Oscar 2013

Uma análise sobre os filmes concorrentes ao Oscar 2013.

A Hora Mais Escura: Dirigido por Kathryn Bigelow. Ela assumiu a direção no lugar do seu ex-marido, James Cameron, que preferiu filmar a continuação de um filme sobre alienígenas azuis em um ano distante. A história do filme é basicamente sobre os esforços norte-americanos para matar Osama Bin Laden e a sua consumação em um horário próximo a meia-noite, que deve ser a tal hora mais escura. Representa o segmento de filmes de ação que você sabe que não vão ganhar nada.

Amor: Dirigido pelo alemão Michael Haneke, Amor é um daqueles filmes descritos como visceral e que ninguém jamais admitirá que não gostou dele. Foi o ganhador do festival de Cannes, o que lhe dá zero chance de levar um Oscar. Sua função na disputa é tentar dar um ar de seriedade para Academia, como apreciadores da arte.

Argo: A história de uma operação norte-americana no Irã em anos remotos. Está aí para cumprir a Lei Universal que obriga que George Clooney concorra a algum prêmio todos os anos e que ele perca todos esse prêmios. Isso elimina as chances do filme de Ben Affleck. Sempre farta argo a mais para George Clooney ganhar.

As Aventuras de Pi: As provações pelas quais o número 3,1415926… teve que passar para convencer a comunidade matemática do século XVII a utilizá-lo em complexos cálculos envolvendo circunferências dos mais variados tamanhos. Numa das principais passagens, Pi, representado por um garoto indiano, fica perdido no meio do Oceano Índico em um barco, acompanhado de um tigre e um ornitorrinco albino. Pi prova sua fé e conduz o povo hebreu pelo deserto, criando uma nova religião.

Django Livre: O novo filme de Quentin Tarantino é um faroeste psicodélico sobre a vingança e ferimentos expostos. Christoph Waltz interpreta o papel de ator desconhecido europeu que humilha os americanos com o seu talento natural para o Cinema. Tarantino deverá ganhar seu 98º Oscar de Melhor Roteiro e apenas isso.

Indomável Sonhadora: A história de uma jovem menina que vive com seu pai doente e que um dia se utiliza de substâncias ilícitas para ter alucinações. O grande mistério é descobrir se a jovem Quvenzhané Wallis terá futuro na profissão. Nossa torcida fica para ela, apenas para vermos todos os apresentadores sofrendo para falar seu nome.

Lincoln: O Grande favorito. Trata-se da cinebiografia do jogador Lincoln, atualmente no Coritiba, dirigida pelo mítico Steven Spielberg. O renomado Daniel Day Lewis, em uma fabulosa interpretação, dá vida ao jogador, recontando sua trajetória de sucesso mundial. O filme também é favorito para ganhar o Oscar de melhores efeitos especiais, porque só assim é possível fazer um gol que Lincoln fez. Consultado pela produção do filme, Lincoln vetou qualquer cena em que ele aparecesse tocando um piano esquisito, voando em uma bicicleta ou correndo de dinossauros em uma ilha no pacífico.

O Lado Bom Da Vida: Talvez, e eu disse talvez, Bradley Cooper leve o Oscar de melhor ator, pelo fato de que a Academia adora aprontar, olhar para a nossa cara e perguntar onde é que está o nosso deus. Cumpre a cota de filme bonitinho do ano, com elenco menosprezado em atuação surpreendente.

Os Miseráveis: Baseado na obra de Victor Hugo, um colega meu no primeiro ano do segundo grau que um dia sumiu no mundo. Trata-se de um musical e o CH3 se recusa a falar muito sobre musicais.
Mesmo com Anne Hathaway

P.S: O Brasil no Oscar.
Felizmente, nenhum filme brasileiro foi indicado, nenhum ator, creio que nenhum brasileiro tenha sequer atuado como faxineiro do camarim de algum filme que concorra ao Oscar. Assim, não somos obrigados a torcer por nenhum filme sob o risco de caso o contrário sermos ridicularizado por uma propaganda de cerveja.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

O Teste na Academia

Tudo começou cinco meses atrás. Meu médico recomendou que eu começasse a fazer exercícios físicos, sinais da idade. No dia seguinte eu procurei uma academia nas proximidades da minha casa. Como sempre acontece em toda experiência nova, eu estava apreensivo. Percebendo minha apreensão o instrutor da academia me fez uma proposta “porque você não faz uma semana para testar, ver se você gosta”.

Aquela frase soou tentadora, irresistível. Ela despertou em mim, naquele momento, toda a alma pão dura que estava adormecida, graças aos anos de terapia e o uso de medicamentos controlados. Nos meus áureos, ou piores tempos, eu cheguei a ficar dois meses sem pagar por comida, me alimentando apenas das amostras grátis que eram distribuídas em supermercados. Quando a maquina de guaraná do Modelo foi retirada, uma lágrima solitária escorreu do meu olho esquerdo. Não por qualquer sentimentalismo, mas porque eu percebi que precisaria começar a gastar para beber. Ou não, virei um grande frequentador de repartições públicas e outros lugares que dispõe de garrafões de água ou bebedouros.

Comecei o teste naquele mesmo momento e enquanto era instruído a realizar supinos, flexões dorsais, roscas e levantamentos, minha cabeça começou a bolar um plano. Meu passado veio a tona e a ideia me pareceu muito boa para que eu não a fizesse. Sorri. Porque a principal graça de ser pão duro é ocupar a sua mente bolando engrenagens mirabolantes para economizar dinheiro. O processo de criação é tão bom quanto a execução do projeto.

No dia seguinte, acordei com o corpo dolorido e preferi ficar em casa, tomando remédios analgésicos para diminuir aquela terrível sensação. Parecia que eu havia passado a noite inteira dentro de um liquidificador. Estava ansioso pelo dia seguinte e essa empolgação diminuiu a minha dor, melhor do que qualquer dorflex que eu havia tomado.

No outro dia fui à academia. Em outra academia. Fiz aquela cara de ansiedade, de medo diante do desconhecido e o instrutor perguntou se eu não queria fazer um teste para ver como era. Perfeito. Deu tudo certo. Voltei a fazer aquela repetição de supinos, flexões, roscas e abdominais, feliz com o sucesso do meu plano.

Acho que me inspirei numa das minhas maiores aventuras, que aliás, surgiu por acaso. Estava voltando para casa de ônibus, quando percebi que havia esquecido minha carteira em algum lugar. Contei o fato para o cobrador que se mostrou irredutível e me fez descer no próximo ponto. Poderia ter ficado desolado, mas, neste momento encontrei forças para seguir em frente. Transformei isso em um truque. Peguei outro ônibus e utilizei os mesmos argumentos e desci no ponto seguinte. Fiz isso nos 27 pontos de ônibus que separavam a universidade da minha casa. Utilizei esta tática algumas vezes, não sempre, para não ficar manjado pelos cobradores. Ninguém nunca desconfiou. Minha capacidade de interpretação é impressionante, não sei como é que eu nunca virei ator.

Bem ou mal, estava repetindo este mesmo processo, agora na academia. Com a diferença de que o dinheiro em jogo era muito maior. Uma passagem de ônibus custava apenas R$ 1,85 na época (sim, os maiores prazeres residem nas menores coisas) e a mensalidade da academia era de R$ 80. Ninguém me achava estranho, porque eu deveria ser uma figura normal naquele ambiente. O cidadão sedentário que desiste da academia após o primeiro dia, derrotado pelas dores musculares.

Dois depois apareci em uma terceira academia, para outro teste. E assim eu tenho feito desde então, em dias alternados. Em pouco mais de duas semanas já tinha ido a todas as academias que ficavam perto da minha casa. Depois, todas as academias da região já haviam sido testadas por mim. Comecei a percorrer ruas diversas da capital, atrás de novos estabelecimentos. Frequentei academias das mais diversas qualidades, desde as mais vagabundas, daquelas que você corre o risco de pegar tétano durante os exercícios, até as academias mais sofisticadas de Cuiabá.

E agora vem o problema. Cinco meses e 69 academias depois do início da minha jornada, acho que minhas possibilidades estão se encerrando. Já comecei até a andar por Várzea Grande em busca de novas lugares e não descarto a possibilidade de ir até Santo Antônio do Leverger. Quem sabe Livramento, Poconé, Chapada, Jangada e, porque não, Campo Verde e Barão do Melgaço não entram no meu roteiro também? Se existir uma academia em Acorizal, lá estarei. Acho que em breve comecei a repetir algumas academias, as primeiras em que fui. Acho que cinco meses depois não se lembrarão mais de mim.

Você pode até questionar se eu não acabo gastando mais dinheiro indo malhar em Rosário Oeste um dia. Talvez sim, mas que graça teria se eu pagasse oitentão para malhar perto de casa todo dia? Vocês nunca entenderão.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Debate Filosófico: Casados x Solteiros

Dando continuidade a série de grandes debates filosóficos, iniciada em agosto do ano passado, o CH3 voltou a receber em sua suntuosa sede alguns dos mais ilustres pensadores contemporâneos e extemporâneos do planeta. Mais uma vez, nosso auditório ficou lotado, com a presença de físicos, químicos, biólogos, professores de Ensino Religioso e apresentadores do Video Show, com a exceção do Miguel Falabella que estava cumprindo agenda no Rio de Janeiro.

A mediação do debate foi feita pelo Dalai Lima, este sujeito sempre enfático. Coube a ele a tarefa de explicar o assunto que seria discutido pelos ali presentes. “Pensemos em um cidadão que mora com a sua namorada há alguns anos, em uma relação estável mas, que no entanto, jamais se casou com ela civilmente ou religiosamente. Pensemos que este cidadão foi convidado para jogar futebol com alguns amigos e que esses amigos resolvam dividir o time entre casados e solteiros. Em qual time o nosso personagem deve jogar?”.

Carla lamentou a piada no instagram
Comentários espantados se fizeram na plateia. Carla Perez pediu para que lhe repetissem o assunto do debate porque ela não havia entendido. O Papa João XXIII se retirou do lugar falando que o tema era absurdo “onde já se viu, morar junto sem estar casado”. Indignado, bradou “se bobear, ainda vão querer discutir a situação dos divorciados”. Antes de bater a porta, ainda resmungou que a Igreja não reconheceria a validade do debate.

Marta Hari foi a primeira a pegar o microfone. Ela se mostrou revoltada com o tema levantado, acusou os organizadores de serem machistas e disse que é óbvio que o indivíduo, se tiver um mínimo de honra, jogará no time dos casados. Ela disse que este é um momento crucial para saber a seriedade do compromisso assumido pelo “namorado”. Marta Hari ainda afirmou que o casamento é uma instituição fracassada e que o que vale nos tempos atuais são justamente esses compromissos verbais.

Um advogado do Palmeiras questionou a fala de Mata Hari e disse que não há qualquer papel que confirme o que ela disse. Segundo o advogado, se um jogador legitimamente solteiro estiver em campo pelo time dos casados, isso caracterizará a ilegalidade da partida e o Palmeiras irá recorrer da derrota no STJD. O presidente do STJD disse que vai analisar o pedido.

Karl Marx se mostrou contrário a posição adotada pelos juristas. Segundo ele, há anos que a elite vem tentando cercear a liberdade do futebol, querendo dizer o que é certo e o que errado numa das mais legítimas manifestações populares. “Não cabe aos engravatados de plantão querer mandar no futebol. Quem manda no futebol é o povo e cabe ao povo escolher o que quer”. Representantes estudantis se empolgaram e ameaçaram se masturbar em público.

Sempre enfático
O microfone foi dirigido até Beethoven que emitiu uma opinião polêmica. Segundo ele, tudo depende da presença ou não da namorada durante a partida. Se ela estiver lá, faz-se uma média e joga-se no time dos casados. O advogado do Palmeiras reclamou da ilegalidade de um jogador atuar por dois times na mesma competição e um grupo de feministas lideradas por Virginia Woolf se revoltou com a afirmação do compositor e ameaçou tocar fogo no local.

Marta Hari disse que a fala de Beethoven era ridícula, uma vez que nenhuma mulher jamais acompanhou seu conjugue em uma partida de futebol e que, assim sendo, o compositor estaria defendendo claramente a atuação pelo time dos solteiros e, seguindo a linha de pensamento, as relações extraconjugais. Beethoven fez que não ouviu. João XXIII voltou a sala para dizer que seus ouvidos estavam sangrando por conta da discussão e voltou a se retirar.

Ricardo Lewandovski pôs-se a defender a legalidade da opinião manifestada pelo compositor alemão. Joaquim Barbosa se levantou da cadeira e o clima esquentou novamente. Os ânimos só foram apaziguados por Mike Tyson, que nocauteou os dois. O boxeador aproveitou para fazer outro questionamento, acerca da situação dos viúvos. “Eles sempre foram prejudicados nessa divisão futebolística, segmentária e excludente”.

Para Valeska Popozuda, o víuvo deve jogar no time dos casados, como prova de seu amor que nem a morte foi capaz de separar. Valeska foi aplaudida pela ala feminina do MST que estava no fundo do auditório.

O jornalista gaúcho Wianey Carlet levantou outro aspecto sobre a discussão. Ele perguntou que se Messi e Taison estiverem em times diferentes, qual equipe se sagraria vencedora. Para ele, só o tempo trará a resposta.

Depois do questionamento feito por Wianey, a Polícia Federal deflagrou uma operação na sede do CH3, encerrando o debate.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

O estranho caso de pessoas que repentinamente perderam a graça

A única função do palhaço é fazer rir. Diante de uma plateia enfurecida, ele e o seu rosto pintado de branco têm que provocar gargalhadas. Um trabalho difícil, porque o humor é algo bastante subjetivo, algo que deve ser estudado pelos especialistas das mais diversas áreas. Se as pessoas não rirem do palhaço, ele está perdido e sem função. Claro que ele ainda poderia roubar bancos, sequestrar aviões, promover revoluções no Oriente Médio e atuar em filmes de mafiosos, mas, esta não é a sua função.

Porque as pessoas riem do palhaço? Porque aquele cidadão enrugado, fantasiado e com uma vida tão sofrida faz as pessoas rirem? Creio que seja uma espécie de encanto, uma magia que não pode ser perdida. Se alguma maldição quebrar este encanto, as pessoas param de rir e o palhaço morre miserável. Isso pode acontecer.

Existem diversas pessoas, palhaços ou não, que um dia perderam a graça. E não falo do Casseta & Planeta, que um dia foi engraçado, no outro nem tanto e depois menos ainda. Não falo de quando a graça é perdida de maneira lenta, gradual e segura mas sim, de um momento específico em que a pessoa deixa de ser engraçada. E nem é preciso que o cidadão se revele um pedófilo nazista ou que ele mantenha relações sexuais com a sua mulher. Simplesmente acontece, como aconteceu com o Marcos Mion.

Creio que as novas gerações não saibam e sequer acreditem que um dia o Marcos Mion já foi engraçado. Sim, eu sei que é difícil acreditar nisso quando você assiste aquele cidadão balzaquiano falando um dialeto cheio de expressões juvenis em um freak show televisivo. Mas, quando ele surgiu apresentando “Os Piores Clipes do Mundo” na MTV, ele era uma figura carismática que fazia todo mundo rir com seus comentários satíricos sobre os clipes lamentáveis de Rodney Di e companhia.

Mas um dia ele perdeu a graça.

(A graça dos “Piores Clipes” pode parecer estranha hoje, mas, entendam que vivíamos em uma civilização pré-youtube e que ninguém tinha este vasto acesso as porcarias produzidas pela humanidade. Pense também que o Mion era um cara de vinte anos, era normal ele falar “papito”).

Mion e sua absoluta falta
de graça
Seu estrondoso sucesso o fez ser disputado pelas grandes televisões do Brasil e em 2002 ele foi parar na Bandeirantes para apresentar o programa “Descontrole”, em horário nobre. A estreia foi aguardada e o primeiro episódio foi um sucesso. No dia seguinte, entre uma dose e outra de uísque, todos discutíamos no bar se Mion era o novo Chacrinha, o novo Costinha, o novo Caçulinha ou o que fosse. Sim, eu tinha apenas 15 anos, mas isso não me impedia de participar de boas discussões.

O programa do dia seguinte foi aguardado com ansiedade, mas, como num passe de mágica, ele havia perdido a graça. Depois de uma semana a perda se mostrou irrecuperável. Mion dormiu engraçado e acordou chato.

Talvez, a culpa recaía sobre o sucesso repentino. Como se fosse um rockstar que pede milhares de toalhas brancas em seu camarim, Mion encheu seu palco de coisas sem sentido. Um anão, um sósia gordo, um cara vestido de corvo, pessoas mascaradas, quadros sem sentido e nenhum roteiro. De repente, todos pulavam no chão. Logo era montinho sobre o corvo, montinho no cameraman, uma hora seguida de montinhos. O programa parecia uma festa de bêbados, algo que pode ser muito divertido apenas quando você está bêbado e está na festa.

Depois de uns seis meses tentaram reformular o programa para salvá-lo do fracasso, mas não deu certo. Marcos voltou para a MTV e desde então roda o Brasil levando junto a sua falta de graça, mostrando o dom de não ser engraçado em nenhuma situação.

Mion não é o único. Temos também o Bruno Mazzeo que tinha um programa divertido na televisão, mas que depois de estrelar o pior filme da história (Cilada.com) se transformou automaticamente em uma espécie de “babaca carioca” (a babaquice regionalizada é um fenômeno a ser analisado em outro post). Dizem que Charles Chaplin também acordou sem graça um dia, mas era porque ele era bipolar.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Via Crucis Jornalística

“Mirem-se no exemplo
Daqueles jornalistas de televisão
Sofrem e apenas sofrem”
Você pode ter diversas opiniões sobre as festas de fim de ano. Você pode gostar ou desgostar, mas não pode negar que é uma época parada. Principalmente naquele período que antecede o réveillon e que se estende até os primeiros dias do ano, talvez até o carnaval. Observe o trânsito calmo, as crianças de férias em casas, as tantas pessoas que deixaram a cidade rumo ao litoral. Bem, se você morar no litoral paulista, essa deve ser a época mais movimentada do ano.

É uma época em que há menos serviço nas cidades. E até aí, não teria nada de errado em não ter muito trabalho. Você poderia muito bem ficar no seu emprego, sentado em uma cadeira confortável tentando quebrar o recorde mundial de Campo Minado. Mas, se você for jornalista, não.

Márcio Canuto resolve
Isso porque o jornalismo não atende uma demanda simplesmente. As pessoas não procuram um jornalista para criar uma notícia tal qual procuram o médico para entender que pontada é aquela no peito que se estende para o braço esquerdo. Se ninguém sofrer um infarto, o médico pode dormir. Se ninguém quiser comprar uma casa, o corretor de imóveis senta e assiste televisão. Agora, se nada acontecer, o jornalista não pode ficar tomando um café. Porque o jornal tem que circular.

O repórter do jornal impresso sofre menos. As pautas desaparecem, mas, pelo menos ele tem a possibilidade do editor cortar algumas páginas, dos anunciantes chegarem em peso. O jornalista da internet pode diminuir o fluxo de notícias. Mas, e os jornalistas de televisão? Ele tem meia hora da programação para ocupar, não importa o que esteja acontecendo. Não importa se foi decretado um toque de recolher e eles estejam confinados dentro da redação. O jornal tem que ir ao ar.

E o que fazer? Dá-lhe matéria de seis minutos sobre a Mega da Virada. Especiais sobre os cuidados que você precisa ter no verão. Os tipos de protetor solar, como arrumar a sua mala, o que fazer com os seus filhos. Matérias iguais a do ano passado e que, acreditem, provavelmente surgiram de um momento de desespero. E os jornalistas políticos então? Chegam a ter ataques catatônicos diante do recesso coletivo em todos os poderes públicos existentes.

Dá-lhe enquetes com dezenas de populares comentando um assunto irrelevante. Dá-lhe entrevistas ao vivo, longuíssimas, com algum especialista em uma área sórdida. Dá-lhe exibição de receitas simples, mostradas em seus mínimos detalhes, dá-lhe aquela vontade de sentar, chorar e falar que não dá mais, que hoje o jornal vai ser substituído por uma leitura dramática de trechos de Os Lusíadas.

Pensem nos jornalistas no fim de ano. Eles não têm gosto ou vontade, nem defeito nem qualidade. Tem medo apenas.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

As Previsões Para 2013

Peguei o telefone e liguei para Pai Jorginho de Ogum. Lembrei-lhe que estávamos no primeiro dia do ano e que era a hora das suas adoráveis previsões do tempo. Sim, do Tempo que virá pela frente. Jorginho não se mostrou surpreso com isso e falou “porque você não simplesmente apareceu aqui na minha casa, como você faz todos os anos, ou como fez em todo sempre? As portas nunca estão fechadas”.

A pergunta de Jorginho foi diretamente ao ponto. Estava com vergonha de admitir, mas eu estava com preguiça de sair até a sua casa. Sabe como é, começo de ano, aquela ressaca quase moral. Inventei uma desculpa qualquer sobre a dificuldade de se locomover em Cuiabá por conta das obras de mobilidade urbana e se, diante desse cenário, ele não poderia passar as informações por telefone, quem sabe e-mail.

Jorginho de se negou e disse “o futuro não chega a ninguém por cabos de fibra ótica”. Ele ainda lembrou que um dos desvios utilizados passa em frente a sua casa e, portanto, nunca fora tão fácil chegar até a sua humilde residência.

Sem desculpas guardadas, resolvi ir até a sua casa. Estacionei meu carro no mesmo lugar de sempre e encontrei Pai Jorginho de Ogum posto em sua porta, já com seu livro de previsões certeiras para o ano que está começando. Falei para ele que não queria saber que famosos iriam morrer, desastres naturais iriam acontecer. Queria detalhes mais específicos.

Ele me falou que isso não seria possível, porque eu não havia chegado de surpresa. E a adrenalina da surpresa é que traz as melhores previsões. Virei-me então para Marcão que assistia o Encontro com Fátima Bernardes. Falei para ele que eu queria saber quais eram as suas previsões para o ano novo. Jorginho olhou assustado para mim e eu disse que queria inovar neste ano.

Marcão ajeitou seu boné e já estava falando que iria consertar sua problemática privada, quando Jorginho interveio. O Mestre do Universo parecia possuído. E começou a falar uma série de profecias assombrosas e detalhistas.
- Zagallo irá morrer no dia 13/03/2013. Observe que a soma dos números é 13.
- Uma grande tragédia abalará o carnaval carioca. Nana Gouvêa estará presente em um dos desfiles, isso é um sinal.
- Os palavrões chegarão até a novela das 9h.
- O ganhador do Oscar será um filme bem meia boca.
- O sucesso do ano será de uma dupla sertaneja que ninguém jamais escutou até hoje. Seu refrão contará com sílabas inexistentes no vocabulário brasileiro.
- Um prefeito de uma capital brasileira sofrerá um atentado, mas irá sobreviver.
- Os impostos irão aumentar.
- O Brasil perderá a Copa das Confederações de maneira humilhante.
- Uma panicat se envolverá em uma confusão com uma mulher-fruta em uma disputa sexual por um cantor ou jogador de futebol.
- A BR-101 terá 40 km de lentidão em Santa Catarina amanhã

Agradeci a Pai Jorginho de Ogum e olhei para Marcão que concluía seu complexo pensamento, afirmando que iria pintar o portão da sua casa lá por outubro ou novembro. Me despedi dos dois e passei pelo Cão Leproso que dormia sossegadamente no gramado, como se nada pudesse acontecer. Lhe ofereci um pedaço de tender, que ele aceitou sem cerimônias.