sexta-feira, 30 de agosto de 2013

O que fazer no dia em que não tem post do CH3?

Você já deve ter percebido que hoje não teve post no CH3. Sim, aconteceu. A rotina do trabalho impediu que este pobre blog fosse abastecido com porcas linhas sobre qualquer assunto excêntrico? Você já deve estar se perguntando: o que é que eu vou fazer?

Oras, tenha calma. A situação não é tão periclitante assim. A semana tem sete dias e geralmente o CH3 não é abastecido em quatro deles. Você consegue sobreviver normalmente sem sua dose não diária de textos vagabundos.

Aproveite uma imagem antiga do
blog, de maneira aleatória
Tudo bem. Esta foi uma sexta-feira sem post no CH3. Isso não costuma a acontecer. Sinto muito por ter decepcionado vocês. Aposto que já estava programado em sua agenda, encerrar o expediente e ir para casa perder alguns minutos lendo alguma bobagem enquanto tomava um chope e se preparava pra balada. Hoje foi sexta-feira e seus amigos querem morrer porque não teve post. Calma. Há muito o que ser feito em um dia assim.

Em primeiro lugar, você pode respirar. Pesquisas apontam que respirar é muito mais importante do que passar protetor solar. Chupa Pedro Bial. Pesquisas indicam que todas as pessoas que param de respirar morrem, portanto, concentre-se em sua respiração.

Você pode manter relações sexuais com alguma coisa. Com seu conjugue, com seu patrão, com sua mão, com um bastão de beisebol. Pesquisas comprovam que o sexo é importante para a vida e que sociedades formadas por abstinentes acabam se extinguindo em um prazo de 60 anos.

Você podia passar o dia cutucando o toba e aposto que você fez isso.

Você podia tirar a noite para fotografar estrelas. Mas não sei se isso seria possível. Estrelas não são fotografadas impunemente.

Entre no Facebook. Mas não por muito tempo e por favor, não compartilhe imagens com supostos textos de personalidades. Principalmente se for do Arnaldo Jabor, Jô Soares ou Pedro Bial. Pior do que compartilhar imagens com frases no Facebook é compartilhar uma frase do Jabor. Pior ainda, se essa frase for falsa.

Cuide de plantas ornamentais. Não sei para o que elas servem, mas provavelmente você vai impressionar seus amigos. Não tome manga com leite. Todo mundo que tentou essa combinação morreu, mesmo que seja uma morte em longo prazo.

Beba Coca Cola. Não se esqueça da minha Caloi. Se é gripe, benegripe. Just do It.

Há muito a se fazer num dia em que não existe post do CH3.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

TobaCard: a moeda complementar


As tendências do mercado atual mostram que as pequenas organizações precisam diversificar sua atuação. É preciso descobrir novas formas de agregar valor a sua produção, multiplicando as plataformas de trabalho e incluindo novas formas de gerar renda, sem necessariamente sobrecarregar o fluxo da caixa de reserva da corporação. Por essas e outras, o CH3 resolveu lançar sua moeda complementar: o TobaCard.

Funciona da seguinte forma: quem prestar algum serviço para o Blog CH3 ganhará TobaCards em troca. Fez uma propaganda do CH3 em horário nobre da TV? Ganha TobaCards. Mandou o endereço do blog com textos traduzidos para Barak Obama? Ganha suas notas. Abdicou de toda sua vida social e de todos os seus bens para prestar serviços ao CH3? TobaCards garantidos.

Sei que a essa altura você já está muito interessado em se transformar em nosso colaborador, ganhando dinheiro de maneira muito fácil – não é pirâmide. Também deve estar se perguntando sobre o que é que você faz com esses Cards, se eles são aceitos no supermercado do seu bairro. Pois bem, você pode se besuntar com esse dinheiro.

Os TobaCards foram criados a partir de uma técnica milenar do ensaísta e taxidermista colombiano Alfredo Humoyhuessos. As notas de papel são envolvidas em uma saborosa e aromática geleia de morango, produzida artesanalmente. O dinheiro pode ser esfregado no seu corpo, espalhando geleia em sua pele. Vale lembrar que o produto não causa danos ao corpo humano e muito menos ao papel. A única dica é para manter o dinheiro guardado dentro de um pote fechado para impedir uma infestação de formigas.

Se apenas o fato de se besuntar com a mais saborosa das geleias não for suficiente para você, você também poderá utilizar os TobaCards como moeda de troca para uma inúmera gama de serviços prestados pelos membros do CH3. E que serviços são esses? Bem, vamos lá.

Se você quiser saber o seu futuro, você poderá se consultar com o inigualável Pai Jorginho de Ogum em sua cabana de previsões. A fabulosa formação humanística do nosso pai-de-santo também permite que ele seja capaz de montar pequenas peças processuais. Se você quiser trocar os Toba Cards em serviços da casa de diversão noturna Carnicentas, empreendimento de Jorginho, faça isso por sua própria conta e risco.

Em nossas fileiras contamos também com um pedreiro, o Marcão. Ele poderá rebocar, pintar, rejuntar, erguer muros, derrubar muros e ainda fazer um bico de segurança na obra. O único problema é que os preços da construção civil estão inflacionados e talvez você precise juntar muitos cards para pagar tudo.

Hanz, o pansexual, irá prestar serviços sexuais para os portadores de nossa moeda complementar. Os mais perversos, diversos e doentios serviços sexuais que você talvez não tenha sanidade mental para imaginar. Alfredo Chagas será o responsável por workshops sobre manifestações e ideologias política. Mas olha, se eu fosse você, não gastaria nada com isso não.

Estamos encomendando um pequeno estudo técnico para definir qual será o valor pago por cada serviço prestado ao blog e também o valor cobrado por cada membro do blog. O próprio estudo técnico está sendo pago com Toba Cards. Um outro estudo técnico foi encomendado para saber qual é o valor desse primeiro estudo técnico e um terceiro estudo será feito para definir o valor do segundo.

Ah sim, você talvez esteja pensando que nós nos esquecemos do Cão Leproso. Não nos esquecemos. Ele ira trocar os Toba Cards por abraços.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

A Arte de Escolher um Hotel

Qual é o sentido da vida? Eis uma questão difícil de ser respondida. Ao longo dos últimos séculos, cientistas, filósofos, biólogos, sociólogos, antropólogos, antropomórficos e alcoólatras em geral têm tentado descobrir qual é a razão de tudo isso aí que nós chamamos de vida. Não há uma resposta unânime para o assunto e todo mundo pode ter a sua. A minha, é que nós vivemos para poder tirar férias.
Hotel Rústico, ambiente aconchegante, vizinhança agradável

Planejar as férias é uma atividade trabalhosa que requer horas de pesquisa. Geralmente, você não sabe nada sobre uma cidade quando pensa em viajar até ela. Não tem a menor ideia de onde ficam as atrações turísticas e os seus endereços não significam nada. A Avenida Getúlio Vargas de Porto Alegre é bem localizada? O centro de João Pessoa é legal ou é uma cracolândia?

Felizmente, a internet minimiza esses problemas. Ajuda inclusive na parte mais difícil do processo: escolher um hotel. Difícil e importante. Imagine ir para a Noruega e descobrir in loco que há uma convenção sobre o aquecimento global e que todos os leitos locais estão ocupados. Não sei como é que as pessoas conseguiam viajar antes da internet.

O Booking é o meu site favorito para pesquisar os hotéis. É possível ver a localização no mapa, cotar os preços e ainda ver uma grande quantidade de análises populares sobre os hotéis¹.

No meu método de pesquisa, eu determino a região em que quero ficar, vejo quais hotéis estão dentro do meu poder aquisitivo e então passo a ler os comentários. Isso ajuda a evitar que você fique em um hotel maravilhoso no meio de um campo minado, ou que seu hotel de frente pra praia sofra de uma crônica infestação de zumbis que comem os restos de comida acumulados ao longo dos últimos 10 anos.

Além de tudo, os comentários são sensacionais. Uma peça de humor involuntário. Normalmente eu opto por ler apenas os comentários negativos, porque eles podem trazer alguma verdade por trás das fotos profissionais. Os comentários positivos são extremamente bovinos, de pessoas passivamente deslumbradas que exageram nas exclamações.

Existem basicamente dois tipos de comentários negativos: 1) feitos por pessoas que reclamam por reclamar; 2) feitos por cavaleiros do apocalipse.
Decoração cafona. Demoraram seis minutos para me trazer um miojo!

Os cavaleiros do apocalipse são responsáveis por falas enormes no meio de vários comentários positivos e breves. Um relato destoante, que descreve um ambiente dominado por sujeira, baratas, ratos, privadas entupidas com merda até a tampa, esperma espalhada na mesa de cabeceira, frutas podres no café e funcionários psicopatas prontos para te esfaquear assim que você virar as costas. Essas pessoas presenciaram estupros nos corredores e um carregador de malas que espancou uma velhinha com o controle do ar-condicionado.

Já entre os comentários das pessoas que reclamam por reclamar, as questões mais normais são:
- Decoração do quarto: Eis o tipo de comentário mais inútil que pode ser feito. Pessoas reclamam que os quadros na parede não são de bom gosto e que os móveis de madeira são antiquados. Penso se a pessoa vai dormir no lugar ou se ele vai praticar algum distúrbio onanista relacionado ao mobiliário.
- Toalhas ásperas: Se repete em quase todos hotéis do mundo. Creio que exista uma seita de pessoas em busca da toalha perfeita que se frustram durante suas viagens.
- Café da manhã: Há de tudo. Desde quem reclame da qualidade, até quem reclame que no café tinha muito doce e ele não gosta de doce. Quem reclame que todo dia eram as mesmas coisas. Em um curioso caso de um hotel de Paraty, a pessoa dizia que a disposição dos alimentos era um pouco confusa. Eu fiquei nesse hotel e não entendi a confusão.
- Loucuras Diversas²: Em Buenos Aires, o recepcionista do hotel falava espanhol. A porta do banheiro encosta no vaso sanitário quando abre.

Há ainda a questão do preço pago. Quanto mais caro, mais propenso a hóspedes frescos e reclamadores³. Não que não haja lógica nisso. Se você procurar por hotéis no Rio de Janeiro, verá que um hostel no meio da favela é mais bem avaliado do que o lendário Copacabana Palace. Na página do hostel, sua perfeição é unânime. Na do CP, pessoas reclamam que o secador faz barulho, que a recepção demorou 15 minutos para entregar um prendedor de roupa e esse prendedor era de madeira, que o almoço no restaurante do hotel era caro (o cara paga mil reais no hotel e acha que o restaurante vai cobrar barato?).

Como é que as pessoas tiram férias depois da invenção da internet?

¹De forma alguma eu fui remunerado pelo Booking para fazer essa citação.
²A falta de critério também é um problema. Vi em um comentário, um cidadão reclamando que o chuveiro sofria muitas oscilações de temperatura e que ele acabou se queimando. Sua nota para o hotel era 9,2. Poxa, se eu me queimo tomando banho em um hotel, acho que eu daria nota 0 para ele.
³Deixando claro que o hotel em Paraty era um dos mais baratos da cidade. Motivo que torna o comentário sobre a disposição dos alimentos do café da manhã ainda mais interessante.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Os Mistérios de Leoni e o Kid Abelha

Por vezes, me parece estranha a admiração que a geração nascida nos 70 tem pelo Kid Abelha. Os dois primeiros discos do grupo são tratados com reverência, como pérolas pop, coleção de hits. Mas para alguém que, como eu, nasceu no final dos anos 80, o Kid Abelha é apenas a banda da Paula Toller acompanhada por um saxofonista tiozão que pensa que tem 20 anos.
Como um bom vinho, que fica melhor a cada dia. Não me refiro a sua voz.

Muita gente pode não se lembrar, mas Leoni foi fundador do Kid Abelha. Aliás, o grupo surgiu por que na época ele namorava a Paula Toller. Ele também é tratado com certa reverência por essa geração e por pessoas mais velhas que ele, que é nascido em 1961. Leoni é visto como um poeta moderno, compositor sensível, popular sem perder a classe, sensual sem ser vulgar, mito do karaokê. Talvez ele ocupe a brecha que Cazuza deixou quando morreu. Leoni participou apenas e justamente dos dois primeiros e reverenciados discos do Kid Abelha.

Não discuto que Leoni tenha apelo com a massa, mas eu acho suas composições pavorosas, um "brega de bom gosto". Para mim, ele é uma espécie de Odair José da classe média, que estudou em bons colégios e fez faculdade. Um cara que leu livros, mas tem alma de pedreiro.

Não sei identificar exatamente o que é que me irrita em suas letras. Leoni é um compositor romântico, mas de romances adolescentes. Tipo aquele colega de classe que era metido a compor poesia e o resultado era trágico. Suas músicas são sobre paranoias românticas, amores não correspondidos, experiências sexuais relatadas em metáforas e a sensação de ficar na friendzone.

Vamos exemplificar. Em “Seu Espião”, a estreia do Kid Abelha, o maior sucesso era “Como eu Quero”, hit da mulher possessiva que quer transformar seu parceiro em um fantoche, tirando-lhe toda a sua personalidade¹. Ela não quer que ele use bermudas e diz que ele fica horrível sem ela. A música tenta criar um clima de sensualidade, típico de uma mulher fatal, mas passa longe. Parece coisa de menina mimada. E o verso dos solos de guitarra sempre me pareceu constrangedor.

Outro grande sucesso do disco é “Porque não eu?”, sobre um cara que não entende porque a mulher não cede aos seus apelos sexuais e mofa na friendzone, fantasiando. “Quando ela cai no sofá, so far away, vinho a beça na cabeça, eu sei”. O uso de inglês tenta passar uma ideia de requinte, mas soa como embromação.
Para entender

“Fixação” é outro retrato de uma mulher perturbada que mantém um amor platônico com um galã do momento. O clima de sedução não engata novamente e a mulher não define se quer chamar a atenção do cara ou se ele é um fantasma no seu quarto. Essa ambiguidade não me parece filosófica, soa mais com um recurso qualquer para completar a melodia. “Seu Espião” ainda tem “Pintura Íntima”, aquela misteriosa canção sobre sexo anal com um monte de rimas desconexas.

O segundo disco do Kid Abelha se chama “Educação Sentimental” e é tratado como uma evolução musical do grupo. Para mim, continua sendo sobre um cara que fica na friendzone tendo fantasias adolescentes e se sentindo deprimido por isso.

“Lágrimas e Chuva” abre o disco. Uma curiosa canção que parece ser sobre uma ocultação de cadáver mal sucedida ou sobre ser pego batendo punheta de madrugada. O clima é de melancolia. “Lágrimas e Chuva molham o vidro da janela, mas ninguém me vê. O mundo é muito injusto” Ah, tadinho. Ninguém olha ele esguichando lágrimas na janela de madrugada, puta mundo injusto meu. Vai a merda cara. Você já tem 24 anos.

Leoni ainda compôs “Os Outros”, sobre uma menina bem rodada, mas que não esquece sua melhor foda. “Eu tenho mil amigos, mas você foi o meu melhor namorado”. As pessoas podem pensar “ain, que fofo, que romântico”, mas a frase não tem nexo, não tem adversidade, há não ser que a menina tenha dado para os mil amigos. Um verso que resume bem a técnica de Leoni é “são tantas noites em restaurantes, amores sem ciúmes, eu sei bem mais que antes, sobre mãos, bocas e perfumes”. Versos ao vento, elementos aleatórios que tentam construir um clima de sensualidade pra não falar abertamente sobre o sexo. Quer saber mais sobre perfumes? Faça um curso.

Depois desse disco, Leoni tomou um pé na bunda da Paula Toller e saiu do Kid Abelha. Seguiu em uma carreira solo cantando sobre suas paranoias, reflexões melancólicas sobre a friendzone, relacionamentos fracassados e sexo malfeito. Odair José diplomado.
Porra cara, que foto é essa?
Na carreira solo, Leoni compôs Garotos², síntese de sua vida e uma das piores músicas da história. Trata de um garoto que fica fantasiando com sua melhor amiga, seus peitos, poses e apelos, boca e cabelo, milhares de tentação. Até que um dia ele finalmente chega aos finalmentes. Ela agarra pelas pernas, faz um boquete selvagem (seus dentes e seus sorrisos mastigam meu corpo) e então são mãos e braços, beijos e abraços, pele barriga e seus laços. E ele broxa. Perto de uma mulher, continua sendo apenas um garoto.

¹Leoni parece ser daqueles homens capazes de compor com seu eu feminino. Geralmente, esses eus femininos de compositores masculinos são extremamente lascivos.
²Garotos II é uma resposta a Garotos, música da época do Kid Abelha sobre uma menina que acha garotos estúpidos (Garotos II é um menino confirmando a impressão da menina). A original rima proteção, estação, paixão e emoção em sequência. Para desespero de uma professora de português. O mais estranho, é que Leoni compôs as duas. Seu eu masculino respondeu seu eu feminino.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

A maldição da foto 3x4


Pergunte a pessoa mais próxima de você se você pode ver a identidade dela. Ela ficará assustada com a possibilidade e irá negar a visualização até a última instância. Não se trata de algum medo de assalto, medo de estelionato ou de que você seja alguma espécie de psicopata que irá rasgar o RG. A pessoa não quer mostrar a sua carteira de identidade porque é uma quase certeza que essa pessoa estará ridícula na foto identificatória.

Pergunte as pessoas em sua volta se elas estão bem na foto 3x4 do RG, ou na foto do passaporte (é 5x7, eu sei), na foto da habilitação, da carteira de trabalho, da carteirinha do sindicato, do crachá da firma. Aliás, pergunto se você está bem em alguma dessas fotos. Sei que a resposta será negativa. Nem os satélites da NASA conseguiram detectar a presença de pessoas bonitas em fotos 3x4.

Mesmo os homens mais bonitos e as mulheres mais bonitas do mundo tem uma aparência pavorosa nessas fotos. Ficam vesgos, absolutamente desproporcionais, com o cabelo bagunçado e cara de quem passou a noite em claro prestando depoimento na delegacia.

Há todo o ritual para tirar a foto que contribuí com isso. Nos áureos tempos você tinha que se deslocar até alguma loja de fotografia no centro da cidade e no caso de Cuiabá isso contribuía ainda mais para a situação de degradação humana do fotografado. Você chegava suado e desidratado para o abate.

A foto é tirada em uma cabine com ar decadente. O fundo branco já está meio amarelado, o banquinho que está lá desde a fundação da loja em 1963, aquela cortina preta felpuda e cheia de poeira. Ofereciam-lhe um pente sujo de tantos outros cabelos e um espelho para que você saísse o mais pasteurizado o possível na foto.

O(a) fotografo(a) começa a te guiar. Vira o rosto para a esquerda, isso, não, menos. Levanta o queixo um pouquinho, isso, mais um pouco, aí. Olha pra máquina, não, não pisca. Alguns cliques depois o trabalho estava concluído. No tempo das máquinas analógicas, ainda restaria a espera pelo resultado e a surpresa alguns dias depois, quando você descobriria que está vesgo e desproporcional na foto.

Atualmente, você pode conferir em tempo real a sua desproporcionalidade e se assustar como o seu nariz é estranho, seus olhos não são alinhados e o lado esquerdo da sua cara tem o dobro do tamanho do lado direito. Você pode tentar tirar a foto algumas vezes, mas a única coisa que você conseguirá é irritar o fotografo e entrar em depressão, porque chega a conclusão de que sua feiura persiste por todos os momentos. Só resta aceitar a foto do jeito que ela está e depois usar sua identidade apenas para abrir conta no banco, ou embarcar em um avião.

Fica o desafio para a ciência nos próximos anos: descobrir uma maneira para que as pessoas não saiam pavorosas em suas fotos 3x4.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

As Estranhas Associações dos Fabricantes de Papel Higiênico

O mundo nunca chegou a um consenso sobre o papel higiênico. Seus detratores associam o uso do papel higiênico a uma forma lenta de suicídio. A aspereza do papel seria responsável por ir lentamente ferindo o esfíncter anal, promovendo uma enorme variedade de doenças, todas responsáveis por um sofrimento agonizante e vergonhoso. Além disso, ele não conseguiria limpar perfeitamente todas as dobras de região. Por isso, os detratores alegam que a forma mais saudável de promover a higiene anal é por meio da água, com um bom banho ou com duchas higiênicas.

O inconveniente do uso da água para tais fins, é que nem sempre essa possibilidade existe. Não é sempre que você pode tomar um banho após esvaziar o intestino e uso compartilhado em locais públicos de chuveirinhos de vaso sanitário é algo da ordem de horror. Portanto, o papel higiênico, mesmo com todos os contras, é a maneira mais viável de se manter limpo e apto para o convívio social. É extremamente desagradável conviver com uma pessoa cheia de fezes na bunda.

Acredito que justamente por esse medo do áspero, as marcas de papel higiênico tentam associar sua marca a maciez. Essa tentativa de associação passa pelas marcas dos produtos e pelas suas embalagens, repletas de imagens macias¹. Acontece, que pelo menos para mim, essas associações acabam sendo completamente bizarras.
Fora que já é difícil escolher. Tempos papéis com folha dupla e até mesmo tripla. Papeis coloridos, papéis texturizados, papéis com cheiro, até mesmo com sabor. Para todo tipo de cu, até os gourmets.

Em uma passagem pela gôndola de supermercado, essa minha velha amiga, comecei a anotar os nomes das marcas de papel higiênico e suas embalagens. Tinha para mim que era muito comum ter fotos de bebês nessas embalagens, mas não encontrei nenhuma assim. Será que eu confundia a imagem da gôndola de papel higiênico com a gôndola de fraldas? Não sei. Bem, o fato é que isso não me impediu de notar elementos estranhos.

Sublime: um desses dicionários de aspecto duvidoso da internet informa que sublime pode ser algo de notável perfeição ou o imperativo de sublimar, o ato de passar algo do estado sólido ao gasoso², ou ainda uma banda de punk da Califórnia. Não consigo associar nenhum desses significados ao ato de limpar a bunda.

Charme: parte do mesmo princípio do “sublime”. Você consegue imaginar alguém higienizando o ânus e ver algum charme nisso? Você imagina que o Guilherme Arantes compôs aquela música Cheia de Charme para uma paquera dele que sofria de incontinência fecal? Essa associação é impossível.

Neve: ah, a neve. Aquela coisa macia e branquinha, gostosa, na qual você poderia ficar se esfregando o dia inteiro, certo? Errado. Se há alguma verdade sobre a neve é que ela é absolutamente gelada. Eu nunca passei por essa experiência, mas tenho absoluta certeza de que não deve ser legal passar neve no rêgo.

Scott: com um nome absolutamente nonsense, o Scott apela para a imagem de um simpático filhote de cachorro. Na embalagem, o Scott (seria esse o nome dele?) está com suas patas apoiadas sobre o rolo. Para mim, isso é um tanto quanto arriscado, porque os cachorros geralmente gostam de comer o rolo, independente da virgindade do papel.

Personal: não há nada de errado no nome, porque realmente o papel higiênico é algo pessoal. Duas pessoas não podem usar o mesmo pedaço de papel, exceção feita aos casos de patologia comprovada cientificamente. O que há de estranho nessa marca é a sua embalagem.

Sim, o Papel Higiênico Personal utiliza uma surreal imagem de um coelho, com os dizeres “macio, branquinho e fofinho”. De fato, pode ser que o papel higiênico tenha todos esses atributos (caso você não tenha percebido, eu não realizei um teste de degustação dos papéis) e acredito que os coelhos realmente sejam assim, apesar de eu nunca ter encostado em um. Mas, o que é que tem que ver? Você limparia sua bunda com um coelho? Você já imaginou no pobre coelho coberto de merda? Existem muitas coisas que também são macias, branquinhas e fofinhas, como a própria neve e até mesmo o chantilly, mas você não limparia a bunda com nenhuma delas.

Minha imparcialidade jornalística faz com que eu tenha que mencionar aqui a marca Softy’s, que não me trouxe nenhum questionamento sobre o nome, o slogan ou a embalagem.

Voltamos em breve com mais alguma observação sobre o mundo da higiene pessoal.

¹Me passa pela cabeça agora que seria legal colocar uma imagem da Xuxa vestida de ursinho em uma embalagem de papel higiênico.
² Um imperativo idiota. Como é que você manda alguém sublimar?

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Sonhos e esquecimento

De repente você percebe que esqueceu.
Estava no meio do aviao e esqueceu o celular em casa, estava dando boa noite e esqueceu o aniversário de casamento, estava no meio de uma feira agropecuária e esqueceu de fazer um post pro seu blog. O que você faz?
Desencava um post rascunho antigo.

Você está em uma mesa, no quintal da sua casa conversando com alguns amigos sobre o último filme de Pedro Almodóvar. São os seus amigos de faculdade e eles começam a fazer imitações sobre os personagens. Estranhamente você começa a pensar que esses personagens imitados não são de filmes do Almodóvar, mas sim de um filme com o Mel Gibson. Aliás, são personagens diferentes. Não são personagens de filme. Aliás, a discussão não é sobre filmes, mas sim sobre métodos de escalada em relevos de alto nível e seus amigos de faculdade foram substituídos por seus colegas de terceiro ano. Eles foram teletransportados? No meio dos seus amigos aparece uma tia-avó que sabe-se lá porque sabe todos os presidentes eleitos norte-americanos e se eles foram bem votados no Alaska. Quem é aquela pessoa que você não conhece. A mesa já não está mais no seu quintal, mas sim em um bar. E seus amigos da faculdade voltaram, alguns deles, não todos. Não há mesas no bar e vocês estão perto da janela quando você resolve que tem que sair. Desce uma ladeira até algum lugar que você não sabe o que é, quando resolve voltar e dá de cara com uma escadaria, mas há um abismo no meio dessa escadaria e o bar já não é mais um bar, agora é um templo medieval cercado por nuvens. Um interlocutor desconhecido te aborda e vocês começam a caminhar pela Estrada do Moinho, chegam até um condomínio formado por várias casas, entram na casa e a casa está vazia. Saem da casa e a casa está no meio de um grande campo. Você chega a um posto de gasolina e dentro da loja de conveniência deste posto de gasolina está ocorrendo um concurso no qual pessoas nuas imitam vascas imitando outros animais. O prêmio é um lençol branco. Mas as pessoas já estão enroladas nesses lençóis. A pessoa que imita uma vaca imitando um porco ganha. E começa a rir. Você não tem certeza se ocorreram outras imitações e a ganhadora é muito parecida com a mãe de um amigo seu que então começa a conversar com você e vocês estão em um prédio, uma repartição pública com escadarias de mármore. Você entra numa sala e começa a ter uma longa discussão sobre canetas BIC. A câmera começa a se afastar enquanto toca uma música do Lulu Santos, que na verdade não existe. A cada vez que o refrão chega a música fica diferente. “Muitas mulheres, ouro, prata e bronze, é tudo o que eu sempre quis”. A câmera segue se afastando. Primeiro sai da sala, sai do prédio, da cidade, do planeta... e você acorda. A Coreia do Sul está entrando no campo.

Sonhos são doces. Para fazê-los, desmanche o fermento e açúcar no leite. Junte todos os ingredientes, menos a farinha e misture bem juntando a farinha. Sove e deixe descansar por 10 minutos. Procure o resto na internet.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

A Graça do Gordo

Houve uma época em que a gordura fazia parte do padrão estético ideal. Nas pinturas renascentistas, as mulheres sempre mostravam certo grau de adiposidade que é inadmissível nos tempos atuais. Os homens não. Os homens tinham sua musculatura totalmente definida e estavam sempre nus, ou tendo suas vergonhas cobertas por panos maltrapilhos. Tremendas bichonas fetichistas esses pintores renascentistas.
Piquenique animado

Só que esse tempo passou e hoje os gordos são marginalizados em nossa sociedade, principalmente na televisão. A tendência inaugurada nas passarelas se espalhou e hoje nós não temos gordos apresentando jornais, aqueles que eram gordos são forçados a participar de um quadro do programa em que eles têm que emagrecer. Atores gordos são mais raros ainda. Você já viu um formando par romântico principal da novela?

A única coisa que resta para aqueles que estão acima do peso é um papel humorístico. Não é a toa que dois dos gordos mais famosos da televisão brasileira sejam humoristas, ou um deles, porque o outro passou por um processo cirúrgico e hoje utiliza camisetas bizarras e tem mais liberdade para fazer piadas sobre as pessoas gordas que se estrepam nas vídeo-cassetadas.

Agora, todo gordo de novela interpreta um papel cômico canastrão. Nas novelas, os gordos não podem ser médicos, empresários... bem, tudo bem, é difícil definir quais são as profissões dos personagens de novela, porque ninguém trabalha naquela porra, exceção feita às empregas domésticas do Leblon. Aliás, vez por outra aparece uma empregada gorda, que não por acaso, é muito engraçada. No geral os gordos interpretam papeis nos quais eles comem até explodir.

Explicam os psicólogos, ou talvez sejam os psicopedagogos, que os obesos tendem a ser mais engraçados por uma questão de aceitação social. Ainda crianças, no competitivo ambiente do Jardim de Infância, aqueles que são bonitos ou que tem grande aptidão para a prática esportiva começam a se destacar no grupo e para não ser excluído, o gordo tem que contar piadas. Faça rir ou morra.

Haha, ai meu deus, uma gorda
 em traje de banho
De acordo com uma pesquisa do Ministério da Saúde, 48,5% da sociedade brasileira está acima do peso, ou seja, praticamente a metade de nossa população. Entre os jovens, esse número varia entre 30% e 40%. Entro no site da novela das 21h, Amor a Vida, e conto 76 personagens, dos quais 54 parecem ter até 40 anos. Apenas um é gordo, ou seja, nem 2%, muito distante do que encontramos no mundo real. Trata-se da atriz Fabiana Karla, que, adivinhem, é humorista.

Na novela, ela interpreta uma personagem chamada “Perséfone Fortino”. Vocês imaginam a Paolla Oliveira interpretando uma “Perséfone Fortino”? Fabiana é uma gorda fracassada e virgem que quer de alguma forma encontrar o amor. Fabiana Karla poderia interpretar uma mulher que tem um caso com um hippie? Uma mulher que é levada para a Turquia ou uma empregada doméstica vingativa? Jamais.

Aos gordos o que é dos gordos. Eles só podem interpretar papéis de pessoas gordas, nos quais a gordura faz parte do personagem. E são engraçados, claro. Ele nunca será apenas um médico, mas um médico gordo e engraçado. Não será apenas um advogado, mas um advogado gordo. A gordura é intrínseca a sua atuação.

Na novela das sete me parece que não há nenhum gordo. Nem na das seis. Puxo pela memória os atores em sobrepeso e todos me parecem ser comediantes também. André Mattos (meu querido), Leandro Hassun, Cláudia Jimenez, Sérgio Loroza. Todos sempre fazendo uso da melhor piada de gordo que existe. Conhecem uma piada de gordo? Um gordo, hahahaha.

Toca a campainha e a atriz principal abre a porta. Quem é? Um gordo, hahahahahaha, um gordo, que hilário. Eles estão esperando uma visita e para surpresa de todos quem é essa visita? Um gordo. Hahahaha. Aparece um cara para passear com o cachorro e ele é gordo, hahahaha. Não importa se esse gordo é trompetista numa banda de jazz, se ele é tradutor de Dostoievski, se ele fala latim. Na novela, ele será um erudito gordo.

Aquele momento em que a câmera nos tenta passar o riso apenas pela reação ao fato de a pessoa não estar dentro do padrão estético atual, esse momento é das coisas mais constrangedoras que conheço.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Entendendo: O Poder Judiciário

O Poder Judiciário surgiu a partir de uma proposta que Montesquieu fez no século 18. Para o pensador francês, era necessário haver uma divisão dos poderes. Até então, os monarcas absolutos concentravam todo esse poder. Os reis criavam as leis, executavam-nas e ainda podiam decidir que morreria e quem seria sodomizado aquela noite. Esse modelo era muito legal para o rei, mas um tanto quanto chato para o restante da população, principalmente para o sodomita.


Assim, sendo, o Poder Judiciário é uma das bases do Estado Moderno, ao lado do Executivo e do Legislativo. No entanto, o funcionamento do Poder Judiciário é algo bem difícil para o cidadão médio e um prato cheio para os advogados que buscam brechas na lei. Sua estrutura é complexa, com múltiplas ramificações.

Se um cidadão resolve desviar dinheiro público para comprar escravas sexuais, estuprá-las, matá-las, esquartejá-las e revender seus órgãos no mercado negro e se esse cidadão for pego em flagrante, há uma boa oportunidade de que ele seja detido. O bom senso diria que no mínimo ele passaria o resto de sua vida preso, mas ele pode ser facilmente solto se o advogado de defesa alegar um erro processual.

Existem inúmeras Varas de Justiça. Incontáveis e não tenho a menor ideia do porque desse nome. Temos a Vara do Crime Organizado, a Vara dos Crimes contra a infância, a Vara da lavagem do dinheiro, a Vara do cutucão no Toba. Em qual Vara a ação contra o estuprador de dinheiro público deve correr? Bem, o advogado de defesa sempre achará que está na Vara errada e vai conseguir uma liminar exigindo a soltura do seu cliente devido ao erro processual.

Depois de ficar foragido por meses, o suspeito irá se apresentar voluntariamente a Justiça, prestará depoimento, pagará fiança e será solto novamente. O julgamento será marcado e adiado inúmeras vezes pelas mais devidas alegações. O cafezinho não está quente, o trânsito está pela hora da morte, o preço do tomate está um horror. O julgamento só acontecerá três anos depois.

Como existem fotos do cidadão esquartejando as vítimas, ele será considerado culpado. Ele vai preso? Não. Tão logo o réu deixa o tribunal, o advogado entra em outra sala apresentar um habeas corpus para que ele aguarde o segundo julgamento em liberdade. Sim, existe um segundo julgamento, um terceiro julgamento, o quinto, dezoito julgamentos, em intermináveis instâncias.
O time está escalado no 6-3-1-4-1-1

Um dia o caso vai parar em Brasília, após uma longa novela que envolve expedição de mandatos de segurança, embargos, medidas cautelares. A defesa alega irregularidade no sapato do juiz e a anulação do julgamento e apenas esse pedido fica transitando nas inúmeras varas durante um ano. Quatorze anos depois do crime, o caso chega até o Supremo Tribunal Federal e após oito dias de julgamento, o cara é considerado culpado.

A história ainda não termina, porque há a possibilidade de a defesa recorrer ao Tribunal de Haia, porque a situação envolvia o tráfico internacional de órgãos e a Justiça Brasileira não teria competência para julgar o caso. Alegaria que o tráfico internacional de órgãos é o único crime da história, porque o dinheiro desviado para a compra de escravas, seria devolvido pelo reposto da venda dos órgãos. “Meu cliente fez o dinheiro circular”.

Quando tudo termina, o cidadão é liberado, porque o crime prescreveu.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

O Melhor DJ do Mundo

Os outdoors espalhados pela cidade não me deixam não saber. David Guetta irá tocar em Cuiabá em um futuro bem próximo. Se você for até o Shopping Pantanal, poderá observar uma centena de avisos sobre o seu show, espalhados entre carros que serão sorteados e uma bizarra loja em que as pessoas são fotografadas enquanto usam roupas ridículas e escutam músicas eletrônicas. Mas, afinal, quem é David Guetta?
Guetta é um cara que tira fotos em posições escrotas

A princípio, suas fotos me dizem muito pouco. Ele me parece um rosto muito comum, que pode ser associado a dezenas de outras pessoas que você vê na rua ou na televisão. Ele poderia ser um piloto de Fórmula 1, um figurante de seriado, um cara que usa roupas ridículas e é fotografado escutando música eletrônica em uma loja bizarra do Shopping Pantanal. Ou, ele poderia ser DJ.

Aliás, ele é DJ. Segundo a Wikipédia, além de DJ ele é francês e produtor de música house. Isso me trás uma grande dúvida: porque temos tantos DJs na França? O Daft Punk é de lá, não? Assim como o Air. A França é um país em que até as atrizes pornôs e ídolos infantis acabam se transformando em DJs.

David Guetta também é acompanhado da expressão “maior DJ do Mundo”, praticamente uma antonomásia. Juro que não conhecia nada do trabalho de Guetta, mas logo que procurei, descobri que suas músicas sempre tocam na academia que frequento. Aliás, na ordem do CD, conheci até a faixa oito e cheguei a conclusão de que é no momento dessa música que eu costumo a ir embora.

Se você está se perguntando como é que alguém é eleito o melhor DJ do mundo, eu lhe respondo que há uma eleição para esse cargo, feito por uma revista especializada. Não sei te dizer quais são os critérios utilizados para essa eleição, mas acredito que é algo parecido com a apuração de um desfile de escolas de samba. O fato é que Guetta ganhou esse título algumas vezes e pode, ou deveria, se orgulhar disso.

I Gotta Feeling continua sendo um clássico
absoluto das acadêmias. Mas, eu só colo-
quei essa foto para que você se sinta
atraído pelos peitos da Fergie e dê uma
chance ao texto.
Não sei se esse prêmio leva em conta sua atuação enquanto produtor musical, ou como DJ em boates. Aliás, não sei se as duas coisas se diferenciam, porque vocês já devem ter percebido, eu não entendo bulhufas de música eletrônica. Aliás, não só não entendo, como tenho total repúdio por essa série de batidas repetitivas. Assim sendo você já deve estar me perguntando porque é que eu estou falando sobre esse tema?

Bem, frequentando uma academia de ginástica, escuto muita música eletrônica. Não sei se os donos de academia de ginástica fazem parte uma seita de adoradores do gênero, se existem pesquisas científicas que comprovam que a atividade física é potencializada com o uso de música eletrônica, ou sei lá por quais provações eles passam na faculdade de Educação Física. O fato é que por lá, só toca música eletrônica.

Já escutei muitos DJs nesse mundo e, apenas sei que são vários, pelo fato de que quase todos citam seus nomes no meio da canção. Quase todos se autointitulam como um dos melhores do Brasil. O último deles foi o DJ Thiaguinho, poliglota, que se dizia the only one, the best, the beast. Acredito que eles utilizam do mesmo recurso dos inúmeros cantores sertanejos atuais que sempre se citam em suas canções. Essa é a única forma de que as pessoas saibam quem é o responsável pela música, porque é tudo muito igual.

Você já imaginou se no meio de uma música do Led Zeppelin entra uma voz falando “Jimmy Page, the only one, the beast, the best!” antes do solo de guitarra? Não, então. Mas, voltemos ao melhor DJ.

O caso do Thiaguinho (não sei se é o cantor de pagode), é ainda pior porque ele apenas remixa músicas feitas por outros cantores. Aliás, ele remixa inclusive músicas eletrônicas. O remix de música eletrônica permanece sendo um mistério para mim, mas enfim. Ele pega outras canções já existentes, adiciona um batidão no meio e anima a galera que está muito louca na pista tomando Ice.

Como é um show de um DJ? Se o DJ fosse substituído por um CD e um holograma dele próprio, alguém perceberia a diferença no som? Alguém vai em uma balada por conta de um DJ se não for amigo dele? Questões, muitas questões.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Grandes dúvidas que não têm explicação (21)

Porque as calças de moletom sempre estão furadas no saco?

Se há um fato concreto sobre o frio, é que ele existe. Você pode até duvidar, mas com certeza já sentiu a sua presença. E, quando o frio chega, a primeira coisa que você precisa fazer é se proteger. A exposição inadequada às baixas temperaturas pode provocar coriza, rinite, sinusite, gripe, AIDS, reumatismo, pneumonia, morte lenta e agonizante. Proteja-se do frio, é o conselho que eu dou.

Com certeza, todas essas calças estão furadas
Quando você vai ficar em casa em um dia frio, procura por aquelas velhas roupas grossas que você só usa nessa época. Hora em que você apela para o bom e velho moletom, esse elemento idolatrado por uns, satanizado por outros e que me faltam palavras para definir o que ele é. O fato é que ele te protege do frio. O fato é que as calças de moletom sempre estão furadas no saco.

A sua composição permite que o moletom seja fabricado nas mais variadas cores e você provavelmente tem meia dúzia delas. O frio chega, você abre o armário e vê calças vermelhas, azuis, pretas, cinzas, marrons. Escolhe uma preta que malditamente está furada, ali, exatamente na junção das costuras. No caso dos homens, furada no saco.

Mesmo que você vá ficar em casa, você não irá usar essa calça. Além de pornográfico, o buraco irá permitir a entrada de uma massa de ar frio em uma região essencial, que precisa ser protegida. O que você faz? Escolhe a calça azul, apenas para descobrir que ela está igualmente furada nessa região, alias, não é apenas um furo, ela está praticamente rasgada e você não a usaria nem para dormir.

Assim, também está a calça vermelha, a calça cinza e a outra calça preta que deve ser da época que você tinha 12 anos. Todas estão furadas no saco, com seu uso impossibilitado. A única opção que sobra é usar a calça jeans que você usou no trabalho ontem.

Quanto aos moletons furados, você tem a opção de guardar todos no guarda-roupa apenas para ser surpreendido novamente no ano que vem. Ou então, pode mandar costurar os buracos e ir dormir com a consciência tranquila, porque agora todas as calças estão próprias para serem usadas. Mero engano.

Independente do que você faça, ano que vem todas as suas calças estarão furadas novamente. É algo totalmente estranho, um fenômeno parapsicológico. Calças jeans jamais rasgam no saco. Nem mesmo as de tectel sofrem com esse problema. Porque somente as calças de moletom têm esse furo?

Talvez, essas calças sejam muito utilizadas. Enquanto você não está em casa, pessoas invadem sua residência e realizam diversas atividades físicas com elas até que elas rasguem em posição constrangedora. Depois, essas pessoas esperam uma frente fria e ficam te observando de longe, rindo da sua cara de fracassado. Talvez, o saco e o moletom sejam incompatíveis e seus testículos estejam querendo escapar daquele ambiente sufocante, provocando furos.

Ou talvez, essas calças sejam vagabundas, apenas.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Escravos da Tomada

Existem muitos requisitos que você pode observar na hora de escolher um hotel. Você pode se preocupar apenas com o preço ou com a localização. Pode escolher de acordo com critérios de conforto ou de acessibilidade. Talvez você tenha um frescura específica relacionada ao tamanho e a qualidade da cama, a marca dos travesseiros, a variedade de frutas do desjejum¹ ou a cor do frigobar.

Assim que você escolhe suas prioridades, você não irá se importar com o fato de o hotel estar localizado numa zona de baixo meretrício e que constantemente serve como locação de programas policiais, com atores envolvidos em tráfico de drogas e assassinatos. Você não se importará com ratos e baratas, ou em transferir todas suas economias para a conta do hotel. Também não se importará com a quantidade de tomadas no quarto. Deveria.

Nós, cidadãos modernos, somos cada vez mais dependentes de aparelhos eletrônicos. Temos nossos celulares, tablets, netbooks, notebooks, ultrabooks, máquinas fotográficas, mp3 players e minimáquinas de café. O que todos esses aparelhos têm em comum? Eles gastam muita bateria. Você tem que carregar o seu smartphone todo dia, a bateria do seu notebook dura risíveis três horas²…

Na sua casa, você deve possuir algumas tomadas e sabe onde todas estão localizadas, inclusive aquela camuflada atrás do sofá. Elas podem parece invisíveis, mas são suficientes para alimentar todos os seus eletrônicos. Em um hotel é diferente. Hotéis não gostam muito de investir em tomadas. Não tive tempo de ir à Todimo para pesquisar o preço dos materiais elétricos, mas acredito que o problema é que os hoteleiros acham que com muitas tomadas, nós iremos conectar soldas mecânicas na tomada e iremos dar um prejuízo enorme.
Como se já não bastasse, ainda há o maldito padrão novo

Quando você chega ao hotel, logo saí procurando a tomada para carregar seu celular que está no último traço. Invariavelmente, as tomadas disponíveis já foram ocupadas pelo frigobar, pela televisão e pelo ar condicionado. Alguns hotéis são tão muquiranas, que até os abajures são ligados por interruptores. A última opção acaba sendo aquela curiosa tomada localizada no banheiro. É difícil entender porque eles escolhem o banheiro como único local para disponibilizar uma tomada. Talvez seja para facilitar os eletrochoques na banheira.

Você tem que optar então, se irá carregar o celular, o tablet ou a minimáquina de café. É quase um dilema ético entre salvar um senhor de idade ou um adolescente. Matar três pessoas para salvar 46? No fim você escolher o celular, porque ele acaba fazendo tudo, até o café.

¹Se você se importa com isso, você é a típica pessoa que chama café da manhã de desjejum.

² Eis um ponto de involução da humanidade. Quando os primeiros celulares foram lançados no mercado, eles tinham o tamanho de uma barra de sabão de coco e suas baterias resistiam poucas horas. Os primeiros modelos vinham inclusive com uma bateria reserva, porque, além de tudo, você precisava soltar a bateria do celular para poder carregá-las. Havia uma bateria mais grossa, para oito horas, e outra mais fina para seis horas. Não é a toa que as pessoas usavam pochetes. Com o avanço da tecnologia, os celulares ficaram menores e suas baterias passaram a durar semanas. Hoje, os celulares novamente têm o tamanho de uma barra de sabão de coco (bem gasta, é verdade) e você precisa carregá-los diariamente.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

As Esperas da Sala de Espera

A sala de espera é uma pequena representação do purgatório. Não importa se você está esperando para ser atendido por alguma autoridade, ou por um médico (no caso dos médicos, eles não devem estar entendendo essa distinção e pensando “ué, médico não é uma autoridade”), ou para uma entrevista de emprego. A sala de espera é um instrumento de humilhação, que te mostra que você tem que ficar ali esperando até receber a benção de ser atendido.
Sala de espera clássica, as cadeiras de cor berrante são um diferencial. Observe a solitária planta decorativa no canto esquerdo, que tem a função de humanizar o ambiente.

A sala de espera é um ambiente espaçoso, frio e cheios de poltronas, às vezes um sofá que te faz ficar encostando constrangedoramente nas pessoas. A parede tem quadros de natureza morta e, com sorte, uma televisão ligada em um programa completamente desinteressante. Há uma mesinha com várias revistas, dessas que só existem em salas de espera. Caras, uma Istoé de dois anos atrás, revista de avião e de conselhos profissionais. Revistas que você não se preocupará em abandonar a leitura na metade.

Há muitas maneiras de se esperar em uma sala de espera. Digo isso em relação a quantidade de pessoas.

Quando você está sozinho, a sensação é de agonia. Você começa a olhar todas as paredes e cortinas. Começa a pensar se há uma câmera escondida em algum lugar, se a sala de espera por algum acaso é uma sala de controle. A sensação de que você pode estar sendo observado ali dentro é terrível. A televisão está mostrando o Mais Você, será que você pode mudar? Ou quando você colocar a mão no controle vai aparecer alguém e te repreender. Coçar o nariz, coçar o saco. Você pode?
Sala de espera moderna e pouco funcional. As poltronas futuristas são claramente desconfortáveis. Prateleiras inúteis que deixam pouco espaço para as pessoas sentarem. A posição da televisão prioriza apenas a recepcionista.

Se mais uma pessoa estiver com você, vocês acabam por realizar um duelo involuntário. Você olha disfarçadamente para a pessoa, ela faz a mesma coisa. Em determinado momento os dois se olham e disfarçam. Você flagra a pessoa tirando uma salsinha do dente e resolve pegar aquela Caras com a Ana Maria Braga na capa, sem se importar em ser julgado. No fim, tudo o que você torce é para que ele não puxe assunto com você, sobre a popularidade do papa, sobre a calamitosa situação do São Paulo ou o casamento da Daniela Mercury.

A partir do momento em que três pessoas estão na sala de espera o duelo continua, mas desta vez é ao estilo do final de Três Homens em Conflito. O medo é de que alguém se sinta numa mesa de bar e comece a puxar assunto sobre o Telexfree. A torcida é que para a pessoa constrangedora que puxa conversa com estranhos acabe conversando com a outra pessoa. Te deixando livre para fingir ler a Caras com Ana Maria Braga na capa enquanto escuta a conversa.
Sala de espera chique, com uma cadeira totalmente retardada. As poltronas intimidam e os quadros abstratos confundem. A mesa de centro é muito esnobe para apoiar meia dúzia de Caras.

Considero que cinco pessoas seja um bom número para uma sala de espera. Um número que dá certo conforto para que as pessoas não precisem ficar vigiando umas as outras ou temendo uma conversa coletiva sobre a preparação do Brasil para a Copa do Mundo. O número ideal mesmo é aquele em que todas as poltronas estejam ocupadas, com apenas duas vazias. Para que ninguém fique receoso com a possibilidade de que chegue mais alguém e que esse alguém tenha que ficar em pé e que você não possa nem levantar para trocar a Caras da Ana Maria Braga pela Caras da Juliana Paes correndo o risco de perder o lugar.

Porque quando a sala está lotada, o clima é de apreensão. Aquelas pessoas que ficam em pé próximas a porta observando a movimentação, esperando um momento para se apossar de um sofá quente. Sentar em um sofá quente é uma sensação horrível. Há sempre a possibilidade de que o cidadão que checava e-mails ao seu lado levante para tomar uma água e tenha sua poltrona ocupada por um cidadão de calça tectel. Pode haver um conflito bélico e você talvez tenha que se esquivar de um golpe, ou de uma bala perdida.

Há muito para se esperar em uma sala de espera.
Essa sala cria um pequeno dilema: o sofá embaixo do ar condicionado deve ser extremamente frio e muitas pessoas irão preferir ficar em pé. A presença de duas árvores de plástico não ajudam. Os quadros com sorrisos são no mínimo intrigantes.