segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Retrospectiva 2012

“Mais um ano se passou… estou ficando velho e acabado”.
Todo ano é marcado por alguma coisa. Mesmo que não seja um único fato, um ataque terrorista em Nova York, sempre há aquela sensação coletiva sobre o ano. “Neste ano muitos famosos morreram” ou que “grandes desastres naturais se sucederam”, o clima de ebulição popular em alguma região do planeta. Pois, 2012 não foi assim. Este ano termina com uma sensação de vazio, marcado apenas como ano em que o mundo não terminou.

Sim, o ano em que os Maias prometeram que o mundo iria acabar. E muitas pessoas acreditaram nisso, torceram por isso. Falharam miseravelmente, mas não foram os primeiros. A quantos fins do mundo já não sobrevivemos? Quantos apocalipses frustrado não presenciaremos?
Niemeyer
É claro que em 2012 nós tivemos os famosos mortos. Oscar Niemeyer, que acabou com uma das piadas mais famosas da história, tal qual o título do Corinthians na Libertadores. O álbum de figurinhas ainda é composto por Hebe Camargo, Chico Anysio, Wando, Neil Armstrong, Dicró, Trololó Guy, Joelmir Beting e outros. Mas, aposto que você nem se lembrava que eles morreram neste ano. Talvez nem soubesse que alguns deles ainda estivessem vivos. Talvez nem soubesse que sequer haviam nascido.

As tragédias ocorreram? Sim, sempre um terremoto aqui, um vulcão ali, um naufrágio acolá. Claro que algum maluco iriam metralhar alguma escola nos Estados Unidos. Líderes mundiais foram despostos? Sim, se você considerar que o presidente do Paraguai era um. As eleições não trouxeram nenhuma novidade, uma vez que até os fatos novos já eram velhos conhecidos. Corrupção na política? É claro. Mas, você se lembra qual foi o fato desse ano? Aquela sucessão de CPIs que fazem você acreditar que Demóstene Torres participou do Mensalão, aquele esquema de nepotismo cruzado. Barack Obama foi reeleito, a crise na Europa continuou, uma novela fez sucesso, but what matters?

Talvez 2012 tenha sido o ano dos memes. E, de fato, os memes ganharam o mundo, saíram da internet e foram para a televisão, para os jornais, ganharam espaço inclusive nas retrospectivas oficiais. Quem não se lembra da Luíza que nunca esteve no Canadá, da restauração de Cecília Gimenez, de Nissim Ourfali? Sim, eu gostaria que o ano de 2012 fosse reconhecido pelas futuras gerações como o ano de Nissim Ourfali. Que o Ecce Homo de Borja estivesse em todos os livros de história da arte. Mas isso jamais acontecerá. Porque os memes vão da mesma maneira como vêm. Em uma semana já são pré-históricos, no dia seguinte já são superados.

Tivemos as notícias sórdidas, claro. A mulher que esquartejou o marido, uma mulher que utilizou enchimentos na barriga para falar que estava grávida de quadrigêmos, grávida de um homem castrado. Ou a gangue de canibais de Garanhuns, que além de devorar as suas vítimas, ainda faziam salgadinhos com os restos mortais e os vendiam para os pobres transeuntes da cidade nordestina.

Este poderia ser o ano de Bóson de Higgs? Poderia. Mas quem é que entendeu o que era isso fora da comunidade científica? Poderia ser o ano dos 50 tons de cinza? Talvez. O maior fenômeno literário dos últimos anos colocou o sadomasoquismo nas rodas de bar e nas mesas da família brasileira. Mas, alguém lerá 50 tons daqui a cinco anos? Alguém vai escutar a música do Psy em seis meses?

A culpa talvez seja da nossa geração, do mundo em que vivemos. Convivemos com tantas informações que os grandes fatos e os menos importantes são confundidos e logo esquecidos pelo assunto do dia seguinte. Vivemos cada dia como se fosse o começo de uma nova história. O novo dia parece grandioso, enquanto que o dia anterior é embaralhado numa grande massa de informações difusas, em que nada faz sentido. Uma atriz famosa apareceu pelada no vaso sanitário, mas outras também já, outros ainda irão. Ocorreu a Rio+20, mas e daí, em 2022 haverá a Rio+30, aonde nada será resolvido novamente. A história começa de novo a cada dia.

Abstração representada pela música sertaneja. A cada ano a música sertaneja avança em mais fatias do mercado consumidor, com músicas que tem prazo de validade de dois meses e que são compostas em uma linha de montagem. Sílabas organizadas aleatoriamente, temas difusos, onomatopeias, nada que faça sentido. Nada que ficará para a história, nada que jamais tenha sido feito. Vivemos em um eterno dia da marmota.

Cabe a cada um escolher qual foi o seu fato marcante do ano. O título do Corinthians, do Fluminense ou a vitória do Brasil sobre a Rússia nas Olímpiadas. O julgamento do Mensalão, a eleição de um candidato do PSOL. Escolha o seu fato, nenhum deles irá marcar o ano. (Ok, talvez os títulos do Corinthians marquem esse ano, como o ano da desgraça).

Por essas e outras que 2012 é apenas o ano em que o mundo não terminou. Ele não foi o primeiro e nem será o último.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

O Mundo Antes e Depois de Sílvio Santos

Todos conhecem Silvio Santos. Sua figura marcante é reconhecida por pessoas de todos os sexos, de todos os credos, cores, opções sexuais e idades. Do Oiapoque ao Chuí, Silvio Santos é uma das primeiras palavras que qualquer cidadão aprende a falar. Vou além e chego a crer que a imagem de Senor Abravanel é reconhecida em todo o mundo. Uma espécie de líder mundial dos povos, um mago midiático, um Midas Moderno.


Sua trajetória é famosa. Sílvio era um camelô que se transformou em locutor de balsa, que passou a ser apresentador de shows, apresentador de televisão, dono de um império bilionário, que passou a ser a única unanimidade viva do nosso país. Uma trajetória impressionante, que só não virou filme porque é impossível contar a história de Sílvio Santos em um formato comercial. Quem teria coragem para escrever uma nova bíblia?

Com essas credenciais todas, parece até lógico que a passagem de Sílvio Santos por este planeta tenha mudado a forma como a sociedade enxerga uma série de coisas. Que o seu impacto na Terra seja imensurável. Existe uma clara linha que divide o mundo entre o antes e o depois de sua aparição. Citamos abaixo uma série de eventos que tiveram a sua percepção transformada pela existência de Sílvio. Ma oeee.

Andar de elevador e o fim da paz
Andar de elevador é um ato banal do nosso cotidiano. Daquelas coisas que nós nem percebemos que fazemos, exceção feita a possibilidade de você ter medo de elevador. Depois de Sílvio Santos isso mudou. Andar de elevador é um temor social, você nunca sabe se o elevador pode parar subitamente e ser invadido por zumbis, fantasmas ou vendedores de enciclopédia. Aliás, no mundo d.SS os cidadãos perderam sua paz, por temerem que a qualquer momento possam participar involuntariamente de uma câmera escondida.

Barata voa e Brasil sem miséria
Boa parte do processo de dramatização do Barata Voa pode ser atribuído ao Abravanel. Com seu método de distribuição de renda através do arremesso de aviõezinhos de dinheiro, as pessoas passaram a ficar dispostas a matar ou morrer durante a distribuição de qualquer objeto, mesmo que seja uma balinha de cereja. Isso também explica as mortes nas filas de amostra grátis. Por outro lado, Sílvio é o responsável pela cultura da distribuição de benefícios, que influenciou fortemente o Governo Federal na criação de programas sociais.

Filtro na Televisão
Ainda nos distantes anos 60, o programa de Sílvio Santos quebrou um paradigma ao mostrar uma criança falando “cu” ao vivo. Na época, crianças não falavam palavrões, palavrões não eram falados na TV e uma quebra conjunta destes dois tabus é um fato marcante. Ao longo dos anos, com a chegada da idade, Sílvio continuou avançando na falta de filtros na televisão. No seu atual programa dominical é possível vê-lo falando palavrões, insinuando já ter mantido relações sexuais com outras pessoas e discutindo o tamanho do órgão sexual masculino.

Algo estranho na foto?
Está sem microfone.
Microfone de Lapela
Silvio Santos foi o inventor do microfone de lapela, esta tecnologia que auxilia tantos programas de televisão e atores de teatro. Mesmo que seu invento tenha uma forma rudimentar e que ele utilize esta forma rudimentar até hoje.

Revolução Administrativa
A técnica administrativa de Sílvio Santos é amplamente divulgada em todo o mundo e amplamente utilizada. Isso explica boa parte da crise mundial. Enfim, não tenho mais muito por onde me alongar, só criei este post porque o nome parecia ser bom demais para ser desperdiçado.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

O Mago da Cozinha – Culinária Fresca

Felipe Bronze é um dos mais aclamados culinaristas do país. Chefe da cozinha de um suntuoso restaurante no Rio de Janeiro, ele tem 34 anos e estudou três anos em um renomado instituto alimentar de Nova York. Também estagiou em importantes restaurantes e, recentemente, ficou conhecido ao estrelar um quadro do Fantástico intitulado “O mago da cozinha”.

Programas de culinária estão na moda no Brasil e no mundo. Ao ligarmos a televisão poderemos ver o Jamie Oliver, uma ex-miss Brasil, aquele cara do ‘que marrrravilha’, enfim, uma série de pessoas cozinham em frente às câmeras. Fora a Ana Maria Braga e suas versões genéricas

Todos esses programas têm um objetivo em comum: ensinar algum prato para você. Pode parecer algo simples, algo cheio de temperos exóticos, algo diferente, algo para você fazer com o que sobrou na geladeira. Nos mais diversos graus de complexidades, esse programas mostram alguma coisa que você pode tentar fazer e, com alguma prática, é provável que um dia chegue lá.

Ainda existem outros programas de culinária em que o foco é mostrar o cotidiano de uma cozinha de grande restaurante, ou até mesmo, concursos entre cozinheiros. Neste tipo de programa, as receitas não ganham grande destaque. O que importa é estar dentro da cozinha, vendo os dramas da profissão, a correria, as relações pessoais.

O quadro do mago bronzeado se difere destes dois gêneros. Nele, não importam as relações pessoais, tampouco ensinar você a cozinhar. O Mago da Cozinha é um programa que mostra o passo a passo de receitas que você jamais conseguirá fazer. Em suma, um puro exibicionismo do cozinheiro. A começar por alguém se autodenominar ‘mago’.

Na primeira vez em que eu vi o seu quadro, eu estava dentro do avião, o que já reforçou em mim essa confiança de que o programa servia para se exibir. Ninguém dentro de um avião irá conseguir anotar uma receita tão complexa. Depois, basta ver a sua cozinha. Não é uma cozinha. É praticamente um laboratório científico, com utensílios que ninguém nem conhece o nome.

Felipe fez uma releitura do Pato a Tucupi, famoso prato amazônico. Para chegar ao seu resultado final ele passou por processos como:
- Embalar o pato à vácuo e deixar cozinhando num aparelho esquisito por 72horas.
- Criar uma espuma do tucupi em um processo surreal.
- Após tudo isso, servir o prato disposto como se fosse vômito de cachorro.

Buscando pelo seu programa, é possível ver todas as suas receitas e todos os seus pratos. Frescuras inomináveis como “carvão comestível”, “cheiro de churrasco” e... enfim. Todas suas receitas ficam parecendo bolinhas coloridas, igual aquela comida falsa do filme do Peter Pan.

Para piorar a situação, todos os pratos servidos por Felipe são experimentados por alguém especialista no prato original. A opinião é sempre unânime “é bem parecido com o igual”. Porra, você deixa um pato cozinhando por três dias para ficar igual ao que é feito tradicionalmente? É muita frescura.

Em entrevistas pela internet, Felipe crítica àqueles que falam mal do seu estilo de cozinha “molecular”, atribuindo as críticas a ignorância sobre o que é culinária. Também fala que ele cria para aqueles que acham que comida também é diversão. Mas, eu pergunto: como é que alguém pode se divertir cozinhando durante dias inteiros? Ninguém.

Ovo Frito do Mago.
Pegue um ovo e um pouco de manteiga gastronômica. Embale a manteiga a vácuo e a deixe cozinhando em fogo baixíssimo no termodinamizador. Separe o ovo e a gema. Bata a casca em um retrodifiquador junto com óleo de trufa. Pegue um maçarico e cozinhe o ovo. Unte a frigideira de titânio com a manteiga e leve a fogo ultrabaixo por 1 dia. Então, despeje o creme de casca de ovo. Após dois dias, coloque a gema e o ovo por cima. Jogue um pouco de espuma de orégano e pronto. O resultado é bem semelhante a um ovo frito normal.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

A Magia do Natal

“A Magia do Natal” é uma destas expressões de contornos metafísicos, praticamente uma entidade que acompanha o Espírito Natalino, o Chester e os especiais de fim de ano da Globo. Eu, pelo menos, acho estranha esta idéia¹ de um espírito aparecer nessa época do ano.

Para dar mais sentido a essa expressão vazia, consultamos Ele, Pai Jorginho de Ogum, o mago, o Mestre do Destino. Ele nos ensinou algumas receitas, demonstrações práticas de mágicas natalinas.

1) O Chester do Rei
Cansado de ter o seu fim de ano estragado por aquelas canções enfadonhas do Roberto Carlos? Tudo o que você vai precisar é de um Chester Sadia e de um LP compacto de “Então é Natal” da Simone.

Na noite do dia 24, descongele o Chester e tempere-o à sua preferência, sal a gosto. Leve-o ao forno médio e aguarde. Enquanto isso, separe o LP da Simone e coloque-o na vitrola. No momento em que soar o apito mágico do Chester, coloque a música para tocar. Sinta a magia da voz marcante de Simone, grite palavras de ordem e arremesse um punhado de sal (a gosto) em cima do Roberto Carlos. Ele automaticamente se transformará na Simone. Você descobrirá que os dois são a mesma pessoa e, de posse deste segredo, poderá chantageá-los.

Detalhe: Roberto Carlos precisa estar na sua casa na noite do natal.

2) Presentes do Papai Noel.
Papai Noel não existe? Bobagem. Com seis caixas de Coca Cola, uma filmadora e um Papai Noel de Shopping, você irá ganhar os presentes que sempre quis.
Cuidado com a sua escolha
Vá até um shopping e encontre o Papai Noel do estabelecimento. Convide-o para sair com você. Em caso de resistência, insista no convite, cada vez mais enfático. Se preciso, utilize-se de força moderada. Coloque o Papai Noel no seu carro, amordaçado ou não. Pare em frente a uma loja e diga o que você quer ganhar. Neste momento, aponte a arma para ele. A câmera pode te ajudar a praticar a extorsão. Repita o procedimento quantas vezes forem necessárias.

Ah, as latas de Coca são para despistar os policiais.

McGyver aprovaria
3) Compras tranquilas.
Já é véspera de natal e você ainda tem que comprar o presente para o seu pai, sua mãe, o avô, avó materna e paterna, tia, tio, cunhado, esposa, filho, primo, prima de segundo grau que está de férias na sua casa, afilhado, padrinho, amigo oculto do trabalho. E ainda terá que enfrentar as catastróficas filas de toda e qualquer loja em que você passar. Com uma chave de fenda e um jaleco, você resolve o problema.

Vá até um restaurante no shopping. Apresente-se como um fiscal da prefeitura que precisa conferir o lacre da bomba de chope. Desparafuse-a e diga que está tudo Ok. Em alguns minutos, o cano de gás da máquina irá se soltar, provocando um barulho semelhante ao de uma explosão. Aproveite o tumulto e a fuga das pessoas para fazer suas compras sem filas.

Galetinho de Peru
4) Transformando o Frango em Peru.
No natal, todo mundo só quer peru. Nada de frango, só peru. O problema é que o peru custa muito mais do que um frango, talvez não tanto quanto um faisão.

Para resolver este problema, vá até um mercado e compre um frango bem grande. Vague pelos depósitos e lixos do mercado e da cidade até arrumar uma embalagem de Peru. Faça o transplante dentro do seu carro. Chegue em casa, reúna os familiares e anuncie que você comprou o peru. Receba os aplausos. Sirva o frango como se fosse um peru. Perceba que ninguém perceberá a diferença.

Sinta a magia do natal.

¹O Acordo ortográfico foi postergado. Estamos liberados para escrever idéia, Coréia e Assembléia.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Semana do Apocalipse: O fim em tempo real

Companheiros e companheiras, é com muito orgulho que o CH3 chega enfim ao seu último post. Dentro de alguns instantes, alguns segundos, alguns minutos, horas, no máximo, o mundo vai acabar. Dia 21 de dezembro de 2012, o tão esperado dia, finalmente chegou. Já estamos na expectativa pelos maremotos, terremotos, vulcões e invasões extraterrestres.

Para acompanhar esta data tão especial da melhor maneira possível, o CH3 resolveu fazer uma cobertura em tempo real do evento, trazendo as grandes novidades deste grande dia. A melhor maneira de levar até você os fatos, as personalidades, as declarações que marcam o último dia das nossas vidas. Voltem ao longo do dia, que nós teremos novidades.

07h27: Em sua conta no Twitter o cantor Lobão, principal ombudsman da humanidade, atribuiu o fim do mundo a Perry Farrel, a nova MPB, Luan Santana, Luciano Huck, governo do PT, Chico Buarque, João Gilberto e Os Paralamas do Sucesso. "O mundo é um gueto de jecas e beira a demência", afirmou. Lobão ainda afirmou que existe uma lucianohuckzação do apocalipse.

09h46: Pego no dia do Juízo Final, Luciano Huck afirmou que é amplamente favorável a realização de apocalipses. Huck também disse ser um grande admirador da cultura maia.

10h26: Recebemos uma ligação dos nossos correspondentes na Austrália, onde o dia do fim do mundo já está acabando. Eles nos informaram que está tudo bem. Pedi para ele confirmar se estava tudo bem e ele falou "Tudo bem não, está uma merda como sempre. Mas está tudo normal".

10h45: Enquanto as pessoas retomam suas atividades normais após o alarme falso de apocalipse, Vinícius Gressana parece não ligar muito. Populares acabam de avistá-lo correndo seminu, só de meias, no centro de Cuiabá.

11h05: Populares revoltados com o cancelamento do fim do mundo começam a fazer manifestações no centro da cidade, exigindo explicações dos Maias. A entidade Maia afirmou que ainda não há nada oficial sobre o cancelamento e pediu para que as pessoas mantenham-se em seus postos. Procurado pela reportagem, Nuno Leal Maia não quis se pronunciar sobre o assunto.



11h11: "É um absurdo! Dei calote nos meus credores acreditando que o mundo ia acabar! E agora, o que eu faço?" questiona um senhor de bigodes. "Peguei AIDS e contaminei pelo menos vinte mulheres, por saber que não teria maiores consequências", afirma outro. As pessoas que viveram a vida loucamente estão desesperadas. Vinícius Gressana continua correndo nu nas ruas de Cuiabá.

11h47: Empresas que compraram o direito de transmissão do fim do mundo ameaçam processar os maias. Os maias, por sua vez, garantem que nunca negociaram dinheiro nenhum. Informações preliminares dão conta de que o emissário maia que negociou os direitos já fugiu para as Bahamas.

14h15: Fizemos uma pausa para o almoço. O mundo ainda não acabou.

14h56: Informações extra-oficiais de bastidores, dão conta de que o STF poderá interromper o seu recesso a qualquer momento, para julgar todas as questões referentes ao apocalipse maia, em um juízo final paralelo. Algumas revistas de circulação nacional informam que durante o julgamento, Ricardo Lewandoski irá se revelar como o próprio satanás. Os denunciadores da mídia golpista afirmam que tal papel já vem sendo desenvolvido por Joaquim Barbosa.

15h22: Nesse momento, começa a chover em Cuiabá. É, o fim do mundo está chegando, os maias estavam certos, o céu está ficando escuro, é o começo do fim.

16h08: A chuva, intensa e apocalíptica já terminou, com sobreviventes. Nas ruas, as pessoas ainda parecem estar na dúvida se o mundo vai acabar ou não.

16h56: Parece que o mundo não vai acabar mesmo. Hora de começar a lembrar de outras previsões fracassadas que já foram feitas.

18h25: Em 1999, dezenas de pessoas entraram em pânico devido ao fim do mundo previsto por Nostradamus e o mundo não acabou. O fim do mundo já foi previsto por muita gente, incluindo Jesus. Mas nenhum fim do mundo se compara ao que foi previsto por Pai Jorginho de Ogum. Enfim, era uma longa e intrincada história, mas o mundo não acabou. O que podemos concluir é que esse pessoal que faz previsões chuta pra caramba. E no geral o Mundo já está ganhando de 98x0 das previsões.

20h: A cúpula do CH3 acaba de se reunir para deliberar sobre assuntos diversos. Chegamos a conclusão de que o mundo não vai acabar, interrompendo assim, a nossa cobertura. Voltamos segunda-feira com um post novo. Malditos maias, não tinha planejado nenhum post para os próximos dias. Obrigado pela audiência.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Semana do Apocalipse: Porque?

Sempre que nós deparamos com a possibilidade de um fim, passamos a nos perguntar porque? Porque o mundo vai acabar? Porque os alienígenas irão explodir o nosso planeta? Porque o pai do Simba tinha que morrer? O CH3 levanta algumas hipóteses para o assunto apocalíptico. De quem é a culpa, afinal?

E eça de Queiroz escreveu os
 maias. A raiz do problema?
1) Os Maias escreveram e isso basta.
Os maias seriam uma espécie de grandes guiadores do universo, capazes de determinar o destino da humanidade. Se eles escrevessem que em 21 de dezembro de 2012 borboletas gelatinosas iriam sair das orelhas de todos os seres humanos, isso aconteceria e todos nós estaríamos comprando cotonetes agora. Mas, eles preferiram que o mundo fosse acabar. Porque? Eles simplesmente querem.

Curioso que, o mundo realmente já acabou para os maias, há pelo menos mil anos. E ninguém sabe porque.

2) A culpa é dos programas esportivos.
Se você ligar a televisão na Bandeirantes na hora do almoço, você irá assistir um programa esportivo que tem o Neto como principal comentarista. Todos os dias do ano. Não há como aguentar isso. Inclusive os extraterrestres que recebem o sinal da tv brasileira via satélite. Apostamos inclusive, que o fim do mundo ocorrerá durante o horário de exibição do Jogo Aberto.

3) O consumo de literatura de péssima qualidade.
Primeiro foram os livros de Dan Brown. Depois vieram os de Augusto Cury. Aquela série de livros com frases feitas de padres. Centenas de livros de autoajuda que trazem a mesma mensagem sob títulos diferentes. Finalmente chegamos até a atual moda da literatura pornô soft. O mundo tinha que acabar mesmo, antes que os livros de autoajuda erótica comecem a fazer sucesso.

4) A Culpa é do CH3.
A culpa é da enorme quantidade de textos publicados neste blog. Nossa falta de informação, nossa falta de noção e incrível capacidade de falar besteira, aliada ao fato de que eu nunca serei um formador de opinião. O CH3 é o mordomo do apocalipse.

Todas boas hipóteses, acredito. Possibilidades que encontrarão defensores nos mais variados setores da humanidade. A maçonaria pode acreditar em alguma coisa, os illuminati em outra. Ainda encontraremos diferentes opiniões entre os físicos, químicos, biólogos e vendedores de cremosinho.

Mas, acho que hoje o motivo do fim do mundo está claro. Roberto Carlos, o rei, cantará “Ai, se eu te pego”, o clássico de Michel Teló, em seu tradicional especial de fim de ano. O fato de um dos piores e mais superestimados cantores da história, cantar uma das mais irritantes canções jamais escritas, no mais enfadonho programa de televisão de todos os tempos na noite de Natal justifica o apocalipse. É para acabar, literalmente.

Tomara que os maias realmente estejam certos.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Semana do Apocalipse: o começo do fim

Os leitores deste blog já devem ter percebido que o CH3 tem fortes tendências apocalípticas. E a hora está chegando. Esperamos seja um fim do mundo completo, que não sobre nada. Chato mesmo é aquele apocalipse seletivo em que apenas um grupo de pessoas sobrevive nas ruínas, precisando superar traumas e obstáculos em busca da difícil sobrevivência.

Pela televisão eu vi as imagens de pessoas pulando, se contorcendo no meio das mais movimentadas ruas de São Paulo. Uma multidão de pessoas vestidas de preto marchava pelas ruas. Poderiam ser os cavaleiros do apocalipse, e talvez realmente fossem, mas eram apenas os torcedores do Corinthians comemorando o título mundial. Um sinal.

Senhoras e senhores, como diria a filósofa Marli: não há para onde escapar e não há para onde correr. O mundo vai acabar nesta sexta-feira. O fatídico dia previsto pelos maias mil anos atrás. Pode parecer triste, mas, vendo pelo lado positivo, esta foi a última segunda-feira de nossas vidas. Em breve, não veremos mais montagens de gatinhos sorridentes com a sexta-feira no Facebook.

Há menos de quatro dias do último dia de nossas vidas, não há muito mais o que fazer, além de sentar, tomar um bom drink e apreciar este belo espetáculo. Mas, ok. O mundo vai acabar e algumas perguntas ficam em aberto no melhor estilo lead jornalístico.

O porquê fica para o próximo post, pois a nossa questão aqui é: como o mundo vai acabar? Sim, o mundo vai acabar, todo mundo sabe, mas como? Existirá uma maneira para que ele acabe. As coisas não deixam de existir, simplesmente. Um copo não se quebra sozinho, algo faz com que ele quebre. O mundo é um copo.

Talvez o título corintiano seja o começo do fim. Os adversários reagirão a base da pauladas e o time do Tigre não voltará para o segundo tempo. A crise repercutirá no Japão e em todos outros lugares onde existam corintianos. Logo, chegaremos uma guerra nuclear, tão temida pelos nossos antepassados e pelos editores da Veja. O problema, é que sempre existe a possibilidade de que uma pessoa sobreviva e saía de seu abrigo antinuclear daqui a 40 anos.

Não considero muito a ideia de uma mudança brusca no clima. Em um dia? Não daria tempo. Teria que ser um processo mais longo. Opa, que vento frio é esse agora?

Um meteoro. É a hipótese mais clássica e a mais plausível. Um pedaço de rocha se deslocando rapidamente no espaço atinge a terra, antes que o Bruce Willis pudesse fazer qualquer coisa, antes mesmo que o Aerosmith conseguisse plugar seus instrumentos. Só que, provavelmente a Nasa já teria detectado algum corpo estranho no espaço. Mais fácil seria se fosse o meteoro do Luan Santana.

Terremotos simultâneos em todo o planeta, seguido de maremotos? Talvez. Mas lugares como Cuiabá não sofreriam com os maremotos.

Assim sendo, a hipótese mais possível é que extraterrestres disparem um raio laser gigante e fervam toda a Terra, matando todas as espécies vivas do planeta, exceção feita as baratas. Os alienígenas chegariam ao nosso planeta e encontrariam tudo devastado. Mas, logo que encontrassem as baratas e, diante da impossibilidade de mata-las, eles acabariam desistindo.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Amigo Oculto CH3 2012

Escrevo este post tarde da noite por um motivo nobre. Foi realizada nesta sexta-feira a Edição 2012 do Amigo Oculto do CH3. Devido a desmobilização do blog nos últimos tempos, nossa tradicional confraternização quase não aconteceu. No entanto, resolvemos nos encontrar porque chegamos à conclusão de que talvez não tivéssemos outra oportunidade. Afinal, o mundo acaba semana que vem.

Para variar, Alfredo Chagas tentou tumultuar o processo sugerindo o nefasto método do Amigo Ladrão. Evocamos a Convenção de Genebra¹, uma vez que a jurisprudência já estava ao nosso lado. Mas, sendo que a festa deste ano seria realizada na casa de Alfredo, ele usou como argumento o Protocolo de Kyoto². Levamos o caso até o STF e Joaquim Barbosa deu ganho de causa para a ala genebrista e condenou Alfredo Chagas a assistir Carlinhos Brown no The Voice Brasil por 72 horas consecutivas, pelo crime de causar espécie.

Chegamos hoje a casa de Alfredo Chagas e ele se mostrava abatido. Não nos serviu nem um copo d’água. A sorte é que Pai Jorginho sempre é capaz de transformar a água em vinho. Ou melhor, esse é Jesus. Pai Jorginho apenas tem cachaças de péssima qualidade em sua bolsa.

Com uma hora de atraso, Tackleberry chegou até a casa de Alfredo Chagas em seu helicóptero, acompanhado de dois seguranças e um assessor pessoal. Fez o tradicional discurso de abertura do evento, destacando que neste ano, nossa empresa se consolidou com uma das maiores referências na área da produção de softwares. Acho que ele se confundiu.

Alfredo Chagas pegou o microfone, mas, desta vez nós não poderíamos detê-lo, porque sendo o anfitrião, ele é o responsável pela abertura dos pacotes. Alfredo dedicou a noite a memória de Oscar Niemeyer, seu companheiro de luta pela subversão da ordem concreta. Alfredo ainda discursou sobre a Primavera Árabe, conclamando os povos para a luta pacífica. Após quatro horas, finalmente revelou seu amigo.

Era o Cão Leproso. Alfredo sacaneou o pobre cachorro, entregando-lhe um presente com laço. Era um canivete. “Comprei no camelô”, afirmou Alfredo Chagas

Cão Leproso, para variar, insistiu em fazer mímicas para revelar o seu amigo secreto. Era Vinícius. Em um momento de emoção, criador e criatura se abraçaram. Cão Leproso disse que sentia saudades de Vinícius. Constrangido, Vinícius abriu seu pacote e encontrou um DVD pirata com um show do Metallica em 1988.

Vinícius se disse feliz, este ano, porque pela primeira vez na história do AOC (Amigo Oculto CH3), ele não havia sorteado ou sido sorteado pro Hanz, o pansexual. Seu amigo secreto era Guilerme. O presente era um pedaço de isopor novo para o braço de Guilerme, que está apodrecendo.

Guilerme não disse muito coisa e apenas entregou seu presente para Hans o Pansexual. Tratava-se de uma coleção de selos da antiga União Soviética.

Hans, o pansexual estava com o microfone na mão e aqueles que ainda não haviam sido sorteados ficaram com medo. Pior para Tackleberry, que ganhou uma lagosta de pelúcia. “Eu já a molestei”, afirmou o tarado germânico, antes de usar o microfone com fins sexuais. A cena foi horrível e o barulho também, acreditem.

A partir daí, as coisas ficaram tranquilas. Tackleberry entregou um jogo de talheres Tramontina para Pai Jorginho de Ogum, que presenteou Marcão com um desentupidor de privada “você está precisando”, que me entregou um pôster da menina fantasma do Silvio Santos. Sem mistérios, anunciei que havia sorteado Alfredo Chagas. Entreguei-lhe um banco e pedaço de corda. Ele me chamou de porco midiático subserviente.

Dessa vez, os Benga Boys não tocaram ao final da festa. Dizem que eles morreram em um acidente de carro na estrada de Jangada, mas que continuam fazendo shows assim mesmo. Alfredo Chagas não os convidou porque não quis.

Conversamos sobre o tempo e voltamos para as nossas casas, no silêncio da noite, juntando o antes o agora e depois, sozinhos. Malditas músicas escolhidas por Alfredo Chagas.

¹ Em Dezembro de 2007, antes do primeiro amigo oculto do CH3, a equipe do blog se reuniu na padaria Genebra, próxima a casa de Pai Jorginho de Ogum. Lá, acertamos todo o regulamento do evento, incluindo o rodízio residencial, que contemplaria todos os participantes. A ordem das casas só é conhecida por nós, para evitar atentados terroristas. O pacto tem uma validade de nove anos.

² Para solucionar alguns problemas organizacionais constatados após a primeira edição do evento, as lideranças do blog se encontraram na Boate Kyoto e assinaram um protocolo, estabelecendo que o dono da casa seria o responsável pela organização dos Amigos Ocultos.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Niemeyer: Vida e Obra

Pode parecer meio estranho que este blog faça um post sobre o icônico arquiteto Oscar Niemeyer apenas uma semana depois de sua morte. Quase na missa de sétimo dia (um baita desrespeito para/com um ateu). Mas, este blog não é preocupado com a velocidade. Nossa preocupação é em fazer o melhor post possível no tempo que for necessário. Arrepiei.

Oscar Ribeiro de Almeida Niemeyer Soares Filho nasceu no Rio de Janeiro em ano não identificado. Não existia nenhum órgão competente para fazer o registro. Logo após seu nascimento, Niemeyer criou a luz e viu que era bom. Criou a água e viu que era bom. Criou o ornitorrinco e achou divertido pacas.

Fundou os rios Tigres e Eufrates, trabalhou no Egito antigo projetando a Esfinge e as curiosas Pirâmides. As areias do deserto mostravam seu gosto por espaços amplos. Sempre que falavam que os extraterrestres haviam projetado as pirâmides, Niemeyer ria silenciosamente.

Contemporâneo de Sócrates, Platão, Sófocles, Aristóteles, Niemeyer foi o responsável por projetar obras marcantes da Grécia antiga, apesar de se sentir frustrado com a tecnologia da época, reduzida as colunas dóricas, jônicas e coríntias. Também projetou o cavalo de troia e o navio de Ulisses.

Os arcos romanos lhe deram alguma liberdade de trabalho, mas Oscar brigou com os governantes locais depois que Nero incendiou as suas principais obras. Percebendo o período de fanatismo religioso que se avizinhava, Niemeyer fugiu para o Japão e logo depois descobriu a América. Mostrou para os Astecas o projeto de algumas pirâmides modernas, que chamaram bastante a atenção.
Niemeyer projetou a curiosa logo do Carrefour

Voltou para a Europa no período renascentista, onde ganhou a vida servindo de modelo vivo para grandes artistas. Niemeyer está representado na Mona Lisa e na Pietá, por exemplo.

Quando soube que os países ibéricos estavam colonizando a América Latina, Niemeyer resolveu ir para o Brasil. Projetou cidades como Paraty, Salvador e o centro histórico do Rio de Janeiro.

Visitava a Europa periodicamente, momentos em que projetou a Torre Eiffel e o Big Ben. Em um encontro com dois alemães barbudos, sugeriu que eles escrevessem um livro sobre um novo sistema econômico, mais tardiamente chamado de comunismo.

A partir do século XX, seu trabalho passou a ser reconhecido. Pampulha, Edifício Copan, Museu em Niterói e os anos tendo que explicar que se você tem dificuldades de explicar o seu endereço e de se localizar em Brasília, a culpa não era dele e sim do Lúcio Costa.

Niemeyer decidiu deixar a Terra. Alguns dizem que ele morreu, mas a verdade é que ele resolveu colonizar Marte e criar novos projetos por lá, aproveitando a gravidade diferenciada. Quem sabe, um dia ele vá para Saturno, rever os anéis que ele mesmo projetou.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Pais Cruéis

Criar um filho não deve ser das tarefas mais fáceis, acho eu. Além dos custos financeiros de pagar escola, roupa, tratamentos médicos, curso de inglês, natação ou balé, há o desgaste moral. Você tem que ensinar aquela pequena criaturinha o que é certo é errado. Que é bom dizer obrigado e por favor, mas que, por outro lado, não é bom subir em cima da pia e arremessar todos os objetos no chão, ou nas visitas.

Tudo para não criar um monstro. Uma criança que chama o pai de viado no meio do supermercado. Que maltrata os coleguinhas de colégio, ofende os professores e começa a gritar no meio da sala de recepção do oftalmologista. Uma criança que se tornará um futuro psicopata que disseca os cadáveres que ele matou.

Há varias metodologias para criar um filho. Desde os mais radicais e criminosos que não dispensam uma chinelada, uma cintada, golpes de bambu quando uma criança faz uma malcriação, até os mais modernos que acham que a criança tem que ficar sentada em uma almofada refletindo o que fez de errado.

E existem os pais cruéis. Não, não vamos falar de pais que coloquem seus filhos em rituais de magia negra que resultam na criança com 137 agulhas dentro do corpo. Falamos de pais que se utilizam de palavras duras para convencer os seus filhos do que é certo e errado. Patriarcas que não poupam a força da palavra.

Por exemplo, quando uma criança deixa muita comida no prato, ele não tenta realizar aviõezinhos ou proibir a sobremesa. Ele simplesmente fala:
- Essa comida que você está deixando no prato alimentaria uma criança africana. O fato de você não estar comendo essa comida está matando uma centena de crianças famintas. A culpa da fome na África é sua.
O filho raspa o prato e pensa até em comer a ração do cachorro.


A criança deixa um vaso cair no chão
- Meu deus! Esse vaso que veio com nossos antepassados da Itália em 1748. Que passou de geração em geração até mim. Agora ele está quebrado por sua causa. Seu desastrado. Você destruiu toda a história de uma família. Agora nós estamos arruinados.

O filho tira uma nota baixa no colégio.
- Céus, a mensalidade caríssima da escola que eu pago todo mês, com muito suor, me sacrificando, está sendo desperdiçada. Acho melhor você desistir de estudar, porque não tem futuro amanhã. Amanhã mesmo vamos procurar um emprego para você. Não reclame. Sete anos é uma boa idade para o trabalho.

A criança quer passar o dia inteiro no videogame.
- Dá essa porcaria aqui.
E joga o videogame pela janela do décimo sétimo andar.
- Vai fazer alguma coisa de útil agora.

Claro, existem aqueles pais que são ainda mais cruéis e que mandam os filhos para Gaúcha do Norte quando eles completam oito anos e que fazem o filho desfilar vestido de mamífero da Parmalat quando ele come com os cotovelos sobre a mesa. Mas, estes são os pais do menino Fabinho.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

E se a vida fosse como um filme pornô?


*Texto em homenagem ao nosso colaborador Roberval.

Muitas pessoas imaginariam que viver em um filme pornô seria uma espécie de sonho. Uma espécie de parque de diversão para adultos, em que ao invés de se andar de montanha russa e roda-gigante, você faria sexo o tempo inteiro com mulheres esculturais e insaciáveis. Uma Disney sem Mickeys gigantes. Mas, nem tudo seria tão perfeito assim.

Em um filme pornô, as pessoas fazem sexo o tempo inteiro, sem qualquer pretexto. Não precisa ter pintado um clima, uma vontade. As coisas simplesmente acontecem. Um homem e uma mulher sozinhos já é o suficiente. Ou duas mulheres e um homem, dois homens e uma mulher, três homens, uma mulher, um anão e um cachorro. Enfim, numa vida assim, você viveria algumas situações chatas.

Você chegaria em casa e, invariavelmente, encontraria sua mulher na cama com outro cara, provavelmente um negão superdotado que foi cortar a grama. E ao invés de ficar revoltado com a situação, dividido entre a vontade de pegar uma arma, dar um tiro na mulher, outro no amante e mais um em você, ou, chamar seu irmão para uma dupla sertaneja, você simplesmente tiraria a roupa iria para o bacanal. Isso aconteceria com uma frequência enorme. Se você tivesse o azar de estar num dia de filme bissexual, o negão bem dotado iria te comer e você ainda ia gostar.
Nesse caso, ia ocorrer um bacanal

Uma simples consulta no médico seria um problema, porque terminaria com sexo. A consulta poderia não ser de toda ruim, mas o tempo de espera seria alarmante. Também seria desagradável ser atendido por uma dentista, sem ter certeza de onde estava a sua mão poucos minutos antes. Onde aqueles objetos todos passaram.

Com certeza seria mais difícil cumprir seus horários. Pois você estaria ocupado fazendo sexo com a sua empregada, com a menina que você encontrou na academia, que você encontrou no ponto de ônibus. E nada de apenas mulheres esculturais. O mercado pornô atende a uma grande diversidade de fetiches.

Para as mulheres, a situação também não seria fácil. Creio que não seria legal viver em um mundo no qual você está sempre sem calcinha e que todos, eu disse, todos os homens irão te comer. O limpador de piscina, o entregador de pizza, o motoboy da farmácia, o vizinho, o mecânico, um de cada vez ou ao mesmo tempo. Um mundo em que passar na frente de dois caras sentados num banco é um convite para o gangbang.

O mundo dos filmes pornôs seria também um mundo mais inseguro. Um mundo de ruas vazias, locais vazios. Você vai deixar os documentos em uma repartição pública e no lugar existe apenas uma secretária sem calcinha. A mulher vai ao bar onde está apenas um garçom tarado. Um mundo em que poderia ocorrer uma explosão da violência. E, para piorar, seu cadáver ainda seria estuprado, esquartejado e estuprado novamente. Eu falei que o mercado pornô atende a uma grande diversidade de fetiches.

O mundo dos filmes pornôs seria um mundo em que todo programa termina em sexo. Um cineminha, uma sinuquinha, uma caminhada no parque, uma passada na drogaria para comprar os remédios de hemorroida da sua avó, o comercial do Activia. Um mundo cheio de doenças venéreas. Seria antes de qualquer coisa, um mundo no qual nós precisaríamos olhar bem para o lugar em que nos sentamos.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

A Repórter da Pasta de Dente

A cena é comum e costuma a invadir nossas casas diariamente durante os intervalos comerciais dos mais variados programas televisivos. Um cidadão está no aconchego do seu banheiro se utilizando de algum produto de higiene pessoal, escovando os dentes, fazendo a barba, passando um desodorante. Abruptamente uma equipe de reportagem invade o seu banheiro.

Falamos de uma equipe de reportagem completa. Uma repórter um cinegrafista e um auxiliar que carrega um microfone ambiente, mesmo que a repórter também tenha um microfone. Ele provavelmente que captar todos os sons possíveis dentro do banheiro.
E porque eles usam jalecos brancos?
A repórter, sempre uma mulher, então coloca o microfone próximo do cidadão que estava escovando os dentes e faz alguma pergunta idiota para ele: “Você sabia que apenas o creme dental Colgate Plus protege seus dentes de 28 tipos de males que atacam as bocas das pessoas?”. O cidadão, meio assustado responde que não. Eu também não saberia responder. Acho que gritaria para que essas pessoas se afastem de mim. Porque invadiram minha casa e vieram no meu banheiro? E se eu estivesse quebrando um paradigma? Acho que eu ligaria para a polícia. Ficaria catatônico.

Entra então o VT mostrando a ação da pasta de dente e um especialista, sempre eles, explicando porque ele recomenda aquele creme dental. O cidadão que teve a casa invadida se mostra convencido de que deve usar essa pasta até para fazer a barba e limpar a bunda. A equipe de reportagem deixa o banheiro do cidadão repentinamente, como se nada tivesse acontecido. E o cidadão irá trancar a porta do banheiro durante o resto da sua vida. Mas, não sei se adianta, a equipe de reportagem dá a impressão de que poderia entrar pela janela, ou mesmo pela tubulação, se fosse preciso.

Bem, a situação é patética e o comercial é ridículo. Mas eu penso por outro lado. Pense no lado da repórter, como é que ela vive. O cinegrafista e o auxiliar também sofrem, mas estes profissionais geralmente topam qualquer parada. A repórter, imagino que não.

Imagine ele acordando de manhã. Acordando com a frustração. Ela pensa “mais um dia em que eu invadirei o banheiro de um cidadão comum para flagrá-lo escovando os dentes e fazer uma pergunta idiota”. Ela pensa então nos quatro anos em que cursou jornalismo. Que ela sonhava em substituir a Fátima Bernardes no Jornal Nacional, viajar o mundo, fazer grandes reportagens, ser feliz com sua profissão. Mas não. Ela invade banheiros.

Pense no dilema existencial. Não deve ser fácil invadir o banheiro de alguém. Nenhuma pessoa gostaria de ter o seu banheiro invadido. “E se fosse comigo”. Fora o medo. Vai que o cidadão não gosta da situação é que está armado. Reage matando a equipe de reportagem a tiros. Depois, iria sair no jornal “Repórteres do banheiro são assassinados durante trabalho”. E as pessoas iam achar até que era bom.

Pense na repórter do banheiro. Pense na sua rotina. Como será a relação com o seu chefe. Com os amigos. Como ela explica para a família o que ela faz. Pense na sua situação profissional.

Pensando bem, acho que todos esses questionamentos dos últimos três parágrafos se aplicam a qualquer jornalista. Substituindo apenas a parte do invadir o banheiro pela sua ocupação real como “entrevistando celebridades”, “entrevistando vereadores”, “cobrindo assassinatos” ou “assessorando um jogador de futebol”.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

O ataque à mesa de doces

Tenho reparado algo curioso nos casamentos, formaturas, batizados, bar mitzvah em que tenho ido. Bem, principalmente nos casamentos. No momento em que é liberado o acesso a mesa de doces, com bombons, coisas cremosas e outras esquisitices, como diriam os espanhóis, começa uma correria desenfreada, uma batalha pelas guloseimas.

Analisemos: primeiro há a mesa de entradas, salaminhos, queijinhos, pastas e afins. As pessoas comem, fazem filas, normalmente. Depois, vem o jantar, esperado com ansiedade e longas filas. Mas, até aí, as pessoas se comportam de maneira normal, contidos, civilizados.

Pouco depois do jantar, a mesa de doces que estava ali, sendo namorada pelas crianças desde o começo da festa é finalmente liberada. E aí, é o pandemônio. Crianças se amontoam em volta da mesa, tentando comer a maior quantidade de doces no menor tempo possível. Até aí poderia ser relevado, porque crianças adoram doces e vocês não imaginam o que muitas dessas crianças já fizeram para conseguir um pedaço de bolo.

Mas o pior é situação dos adultos. Vemos cidadãos de gravata folgada voltando para suas mesas com um monte de bombons na mão, tendo que equilibrá-los contra o corpo, chegando a derrubar um ou outro, de tão cheias que estão suas mãos. Alguns levam copos, pratos, chapéus, bolsas, para conseguir a maior quantidade de doces possíveis.

Com tanta gana, tanta volúpia por glicose, a mesa de doces é logo esvaziada. Em menos de cinco minutos não há mais nada e se você queria um simples brigadeiro para adocicar sua boca e sua vida, esqueça. Você teria que ter ido para a batalha mais cedo, correndo o risco de tomar uma cotovelada, um chute, uma joelhada, cair no chão em dores e ser empurrada para baixo da mesa. Teria que brigar com crianças, adultos, tudo em nome de um bombom.

Porque isso ocorre? Porque o ser humano perde o seu controle, seu bom senso, o senso de ridículo diante de uma porção de docinhos empilhados?

Talvez seja porque o ser humano é um animal que sempre corre o risco de perder o controle. É como o trânsito. É como naquele filme “Um Dia de Fúria”. Nesse caso, uma noite de fúria que se repete todas as noites em diversos buffets do nosso país.

Talvez seja porque as pessoas são realmente fanáticas por doce. Esses adultos que hoje se acotovelam por uma mousse de maracujá, foram daquelas crianças que chegaram a dar o cu por conta de bolo e que revelaram esse constrangedor segredo no momento em que suas progenitoras afirmavam que o garoto nem gostava de bolo.

Talvez, as pessoas briguem tanto pelo doce porque querem acumular sobremesa em casa durante a próxima semana. Sobremesa talvez seja o maior símbolo de poder para algumas pessoas.

Ou, ainda talvez, o doce seja o ópio do nosso povo. Um dia, algum país estrangeiro invadirá o país e dominará o nosso povo oferecendo brigadeiros. Farão barbaridades e roubarão todas nossas riquezas enquanto toda a população permanece enlouquecida saboreando alguns docinhos.