sexta-feira, 30 de abril de 2010

História da Copa do Mundo, parte 4

As copas de 1974, 1978 e 1982

Seria tudo novo na Alemanha Ocidental, em 1974. Um novo troféu em disputa (A Taça FIFA). Um novo formato de disputa (haveria um quadrangular semifinal, ao invés do simples mata-mata). E também um novo futebol, bem mais violento. Quem acompanha jogos dessa e da copa seguinte, sabem que o jogo era uma carnificina. E o engraçado é que os árbitros da época, são hoje comentaristas que se revoltam com qualquer esbarrão.

Logo na primeira fase, um confronto interessante. Alemanha Ocidental x Alemanha Oriental. Duelo de doutrinas, sistemas políticos, sociais e econômicos. E os comunistas venceram.

O Brasil fez uma campanha pífia. Comandada por Zagallo, o time conseguiu ficar sem marcar gols em 4 dos 7 jogos que disputou. E ainda conseguiu terminar na quarta posição. Dunga costuma a citar essa equipe como a melhor seleção brasileira que ele já viu jogar.

Mas, é impossível falar dessa copa sem falar da Holanda. A Laranja Mecânica inventou um novo estilo de jogo, em que atacantes defendiam, zagueiros atacavam e o goleiro jogava com a camisa 8. Inventaram coisas como a marcação por pressão, a linha de impedimento e a correria tresloucada. Foram conseguindo vitórias expressivas na competição, incluindo um 4x0 sobre a Argentina.

Brasil e Holanda decidiriam a vaga na final. Zagallo disse que a Holanda tinha que ter medo do Brasil. Torcedores diziam que a Holanda era um bando de peladeiros. Na então ainda jovem arrogância futebolística brasileira (tendência que os brasileiros tem de achar que só nós sabemos jogar futebol) não deve ter faltado gente que fez a piadinha “vamo espremê a laranja! Hehe”. E foi um massacre. Cruyff, Neeskens, Kroll, Rep, Rensenbrink, os holandeses apareciam de todos os cantos e o 2x0 foi pouco no fim. Podia ter sido 5.

Na final, Holanda e Alemanha (a capitalista). Os holandeses tocaram a bola por um minuto até sofrer um pênalti. Fizeram 1x0. E todos imaginavam que seria mais um massacre. Mas os alemães não se desesperam com qualquer coisa. Viraram o jogo ainda no primeiro tempo e conseguiram seu segundo título. E pela segunda vez em cima da seleção sensação da copa. Surgia um ditado “Nunca duvide da Alemanha”.

1978
Dessa vez a copa seria na Argentina. O astro da Copa anterior, Cruyff resolveu não disputar, porque, diz a lenda, ele não jogaria num país comandado por um ditador sanguinário.

Foi uma copa sem muito brilho individual. O Brasil tinha uma seleção ainda mais chata que a anterior, a Holanda tinha um time instável e a Argentina avançava a base da raça e da ajuda da arbitragem.

Tudo de interessante aconteceu nos quadrangulares semifinais. A Holanda cresceu e conseguiu uma vaga na final. Na outra chave, Brasil e Argentina fizeram a chamada “Batalha de Rosário”. O jogo mais violento da história do futebol. É um milagre que não tenha acontecido nenhuma morte. E seria milagre ter acontecido algum gol. O jogo foi 0x0.

Na última rodada a Argentina enfrentava o Peru precisando vencer por 4 gols de diferença para se classificar para a final e eliminar o Brasil. Os Argentinos sofreram e só conseguiram fazer 1x0 com 20 minutos de jogo. O 2x0 foi suado no finzinho do primeiro tempo. Parecia que seria dramático. Mas na volta do vestiários, os peruanos apenas andavam em campo. Em 5 minutos o 4x0 já estava feito. E o placar final foi de 6x0. Hoje é praticamente comprovado que os argentinos, aqueles porcos sujos e desgraçados, compraram o jogo.

Coube ao Brasil ganhar da Itália e terminar na terceira posição. Argentina e Holanda fizeram a final. Em outro jogo no qual a porrada comeu solta, os Argentinos conseguiram a vitória na prorrogação. Mas o grande lance do jogo foi a bola na trave de Rensenbrink no último minuto do tempo normal. Se aquela bola entrasse, a Holanda seria campeã em Buenos Aires. Foi o maior trancamento de toba coletivo da história.

1982
A copa da Espanha será eternamente conhecida como a tragédia brasileira. O time deu show, encantou os brasileiros, mas aí pegou a Itália e perdeu com 3 gols de Paolo Rossi. Sempre que se fala dessa copa, um clima de depressão é criado. Por isso, vamos evitar falar do Brasil e postar em tópicos, pra você que já leu esse texto gigante.

* O carrasco Paolo Rossi estava suspenso, até pouco antes de o torneio começar. Ele havia sido suspenso num escândalo de manipulação dos resultados. Na primeira fase, a Itália não ganhou nenhum jogo e ele não fez nenhum gol. Também não marcou nenhum na vitória contra a Argentina. Depois marcou 3 no Brasil, 2 na Polônia e o primeiro na final contra a Alemanha Ocidental. Foi o artilheiro e craque da Copa.

* A formula da disputa mudou. Escolheu-se um número de 24 times, que obrigou a uma série de triangulares quadrifinais. Uma confusão só. Foi nessa fase em que o Brasil sofreu a fatídica derrota no Sarriá... tá bom.

* A Hungria promoveu a maior goleada da história das copas ao derrotar El Salvador por 10x1. O primeiro tempo terminou com modestos 3x0. Ramírez Zapata diminuiu o placar, no momento para 5x1 e comemorou como um título mundial (foi o único gol do país na história das copas). Talvez provocados pela comemoração os húngaros marcaram quatro gols em cinco minutos. Incluindo 2 gols com menos de um minuto de diferença.

* Na vitória da França sobre o Kuwait por 4x1 o juiz validou um gol para a França que gerou protestos nos Kuaitianos. Neste momento o sheik Fahid Al-Ahmad Al-Sabah invadiu o campo vestido a caráter. Conversou com o juiz, que achou por bem anular o gol. Ele disse algo como "أنا آكل الجمل a tradução não é precisa. Pode tanto ser "vou lhe presentear com camelos" ou "vou lhe castrar como um camelo".

quinta-feira, 29 de abril de 2010

O fim da maldição

Ou, como finalmente pagaram a lavadeira.

A história é conhecida e contada sempre que o nome do União de Rondonópolis é mencionado em matérias jornalísticas. O time foi fundado em 1973. Conseguiu um vice-campeonato em 1975 e foi tri campeão do Torneio Incentivo. Um torneio que tem um nome esquisito e que não devia valer muita coisa.

No ano de 1979 uma reviravolta na história da equipe. Havia uma lavadeira dentro do clube. Sua função era, adivinhem, lavar os uniformes dos jogadores. Seu salário atrasou um mês. Depois atrasou o segundo. Chegou até o quarto atraso seguido e ela foi à diretoria. Eles deram alguma desculpa trivial do tipo “estamos passando por um período de readequação da nossa folha salarial e em breve teremos um resultado positivo”.

Como é duro viver com quatro meses de salário atrasado, a lavadeira resolveu ir embora. Mas não foi embora calada. Ergueu os dedos e disse “Enquanto vocês não me pagarem, vocês jamais serão campeões de nada!”. Raios caíram do céu e uma risada maligna foi escutada ao fundo. Os dirigentes devem ter se arrepiado, mas não ligaram muito.

No ano seguinte, 1980, o União foi novamente vice-campeão. Algum dirigente deve ter dito “gente, é melhor pagar a mulher”. Desconfiados, eles foram procurar a lavadeira, para descobrir que ela havia morrido. Devem ter pensado “bem, a culpa não é minha”.

Seguiram-se vice-campeonatos em mais sete oportunidades (1984, 1991, 1995, 1997, 2001, 2004 e 2008). Houve ainda mais um vice na Copa Governador. Tudo ficou ainda pior quando o grande rival Vila Aurora conseguiu o inédito título matogrossense para a cidade.

Desesperados os dirigentes pensaram que era preciso acabar com a maldição da lavadeira. Levaram cheques até o túmulo. Mandaram dinheiro através de parentes mortos. Mas uma coisa resolveu o problema e o CH3 revela nesse momento. O responsável pelo título foi um homem: Pai Jorginho de Ogum.

Através de buscas na internet, os dirigentes do União conheceram a figura de Pai Jorginho, um babalorixá que já foi centroavante do Flamengo. Era o que eles queriam.

Terça-feira a tarde eu fui até a casa de Pai Jorginho. Cheguei lá e vi vários homens de terno na porta. Achei a cena estranha. Encontrei o Senhor das Almas em seu quarto, arrumando uma pequena trouxa com roupas que durariam no máximo dois dias. Ele havia deixado um bilhete para sua mulher. Uma vez que sua mulher é analfabeta, achei que o bilhete não teria muita função.

Pedi para que ele se acalmasse e ele me contou a história. Dirigentes do União de Rondonópolis foram o procurar para que ele incorporasse o espírito da lavadeira, para acertar as contas. Após comer algumas jujubas e alguns goles de caninha 21, ele estava incorporado. Ocorreu uma negociação tensa. A lavadeira exigia 10 mil reais. Os dirigentes acharam um valor exagerado. Cálculos sobre juros foram feitos. No final o acordo foi fechado em 8 mil reais.

Depois do valor ser pago na mão de Jorginho, que seria o responsável por fazer a entrega do valor, um dirigente avisou “É bom que o time seja campeão. Caso o contrário, você fará a entrega pessoalmente a ela”. O Mestre do Mistério suou frio, engoliu em seco e sentiu um frio no saco. Para garantir que ele não fosse sumir, foi levado junto.

Pai Jorginho assistiu ao jogo logo atrás do ex-governador Blairo Maggi. O União fez 3x0 no primeiro tempo. Podem pensar que ele respirou aliviado, mas não. Ele sabe que jogos do campeonato local são cheios de reviravoltas. Não estava nada garantido. E assim foi, o Operário conseguiu dois gols. Faltavam ainda 20 minutos para o fim do jogo e Jorginho já previa o pior.

Como suas previsões sempre dão errado, o Placar final foi de 3x2. Se Pedro Bial estivesse escrevendo esse texto, ele escreveria algo como “Usem protetor solar...” digo, “e todos dormiram felizes. O União, bravo União que conseguiu seu primeiro título. Dorme feliz também o pai-de-santo aliviado em se manter vivo. Aos derrotados, sobra a honra do jogo digno. E dorme finalmente em paz a lavadeira”. E foram todos felizes para sempre.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Editora CH3: Coleção “livros para não gostar de ler”

Convenhamos. Ler não é tão importante assim. Veja algum dos rostos mais importantes da nação. Olhe para os políticos, olhe para os milionários jogadores de futebol. Veja o Neymar, que graças a uma frescurinha no olho, mobilizou centenas de jornalistas até a porta do hospital. Veja a entrevista dele para o Estadão e pense “pra que eu gastei anos da minha vida com estudo, livros”. A solução está em não ler. A melhor coisa é odiar ler. E foi pensando nisso que a Editora CH3 está lançando essa bela coleção de livros para não gostar de ler.

A vida sexual das esponjas, de Richard Dawkins
Escrito pelo biólogo albanês Richard Dawkins Fujic descreve passo a passo o emocionante processo de reprodução sexual das esponjas. Esse sedutor e misterioso animal que exerce tanto fascínio na mente das pessoas. São tediosas, digo, emocionantes 489 páginas.
Trecho selecionado: “O processo pode durar vários meses. O macho se aproxima lentamente da fêmea. Qualquer corrente marítima pode retardar o processo em alguns anos”.

Parada Cabulosa, de Victor Hugo
Um belo romance ficcional do traficante Victor Hugo Barbosa. A vida no morro é retratada de maneira cruel. Sonhos e aspirações. A vontade de se ter uma Ferrari contrasta com a necessidade de se matar o sorveteiro, que não tem sorvete de limão.
Trecho selecionado: “Encostei a arma na cabeça do maluco que tava embaçando a parada. O viadinho começou a chorar!”.

Minha Vida: A autobiografia do Imperador Adriano
O centroavante do Flamengo relembra as grandes passagens de sua vida. Da infância pobre até o estrelato e o brilho total nos churrascos da laje. O livro não sofreu nenhuma espécie de revisão, para deixar o relato ainda mais intenso.
Trecho selecionado:Foi um fim desemana dificiu. A gente se machucamo no joelho e viramo duvida pro jogo. Mas eu falei pro professor que a gente ia se esforçar ao máximo para que pudesse dar o meu contributo para a equipe”.

As melhores frases dos autores de Best Sellers.
Saiba as melhores frases já ditas por Paulo Coelho, Gabriel Chalita, Spencer Johnson, Dan Brown, Xuxa Meneghel e outros.
Trecho selecionado: “Quem tentar possuir uma flor, verá sua beleza murchando. Mas quem apenas olhar uma flor no campo, permanecerá para sempre com ela. Você nunca será minha e por isso terei você para sempre” – Paulo Coelho sobre sexo, traições e ciúmes num relacionamento com vegetais.

As Regras do Cricket
Todas as regras do jogo mais emocionante, jamais inventado, são detalhadas aqui. De maneira clara e precisa para que você jamais tenha uma dúvida durante as partidas com os seus amigos.
Trecho selecionado: “Capítulo 17: Sobre a espessura das meias na altura dos tornozelos”.

domingo, 25 de abril de 2010

Presentes e controvérsias

*Por Alfredo Chagas

Dar um presente a alguém é sempre uma coisa complicada. Primeiro porque existem pessoas que são difíceis. Você olha para ela e imagina que ela já tem tudo. Ou olha pra ela e imagina que não há nada que ela vá gostar. O pior, é que essas pessoas geralmente são até fáceis e aceitam qualquer coisa.

Mas a maior dificuldade está na simbologia do presente. Talvez não muitas pessoas pensem nisso, mas um presente pode ter vários significados e esses significados podem destruir amizades. Ou não, quem sabe eu só esteja exagerando.

O exemplo mais claro é um livro de auto-ajuda. É bem lógico compreender que presentear alguém com um livro desses é uma baita sacanagem. Porque implicitamente está embutido o sentido de que “você precisa se ajudar”. E se a pessoa precisa se ajudar, é porque a vida dessa pessoa é uma merda.

Um kit de maquiagem. Mulheres adoram ganhar. Mas será que ao dar um kit de maquiagem a alguém não se está querendo dizer “você se maquia mal”. Ou então que a pessoa utiliza materiais de má qualidade?

Um relógio não pode significar que a pessoa precisa se ater mais aos seus horários? “Olha, to te dando esse relógio pra ver se você para de chegar atrasado”. Uma pessoa que ganha várias camisas de aniversário. Será que a mensagem é que a pessoa se veste mal e de maneira repetitiva? Um mp3 player é um aviso para que a pessoa comece a escutar suas músicas no fone de ouvido sem incomodar ninguém?

E um carro novo? Sabe o que isso significa? É que...

(Infelizmente esse post foi interrompido bruscamente. O autor foi capturado e levado a um hospício, onde foi diagnosticado com síndrome de perseguição. Seu sacrifício será marcado em breve).

sexta-feira, 23 de abril de 2010

História da Copa do Mundo, parte 3

As copas de 1962, 1966 e 1970

Dessa vez o Brasil estava confiante. A base do time campeão em 1958 iria disputar a copa de 62, no Chile. Com Pelé e Garrincha no elenco o título estava garantido.

E a estréia foi animadora, 2x0 no México do lendário goleiro Carbajal, que detém ao lado do alemão Lothar Matthaus o recorde de cinco participações em Copa do Mundo, nas quais ele conseguiu ganhar apenas um único jogo. Os gols foram marcados por Zagallo e Pelé. Os problemas começaram no segundo jogo. Empate em 0x0 com a Tchecoslováquia e Pelé com uma lesão muscular fora da copa. Ele foi substituído por Amarildo, que marcou os 2 gols na vitória sobre a Espanha. Vitória polêmica aliás a Espanha teve um pênalti não marcado a seu favor e um gol legítimo de bicicleta do agora espanhol Puskas foi anulado.

Enquanto isso, a Argentina era eliminada na primeira fase, o Chile avançava a base da porrada e o colombiano Marcos Coll marcava um incrível gol olímpico contra a União Soviética.

Após eliminar a Inglaterra nas quartas de final, o Brasil enfrentou os chilenos na semifinal. A essa altura Garrincha já vinha carregando o Brasil nas costas. Num jogo tenso o homem de Pau Grande (distrito de Magé) fez mais dois gols e o Brasil ganhou por 4x2. Na outra semifinal a Tchecoslováquia derrotou a Iugoslávia num duelo de países que não existem mais.

Na final, o maior jogador tcheco da história, Masopust abriu o placar. Mas, com gols de Amarildo, Zito e Vavá o Brasil virou o placar e garantiu o bicampeonato mundial. Euforia nacional.

1966
Agora o Brasil estava mais do que confiante. Convocou 44 jogadores, porque haviam jogadores bons demais aqui. Mas no fim acabou por levar a base bicampeã do mundo, com jogadores bem, mas bem experientes (pra não dizer "velho"). Garrincha a essa altura já era um jogador decadente, alcoólatra e com os joelhos estourados.

O Brasil até estreou bem nos campos ingleses com uma vitória contra a Bulgária. Mas, depois, duas derrotas contra Hungria e Portugal eliminaram o Brasil da competição. Pela primeira vez, o atual campeão caia logo na primeira fase. Os húngaros inclusive, tiraram Pelé do torneio a base de porrada.

E os portugueses foram a sensação do torneio. Com um time cheio de moçambiquenhos no time, os portugueses foram ganhando todos os seus jogos, inclusive uma virada sensacional contra a Coréia do Norte (que havia eliminado a Itália na primeira fase. Os italianos voltaram para casa sobre uma chuva de tomates) que havia saído na frente por 3x0. Eusébio marcou 4 gols e o jogo terminou 5x3. Mas os portugueses foram eliminados pela dona da casa.

A Inglaterra enfrentou a Alemanha na final. Helmut Haller abriu o placar, os ingleses viraram, mas no último minuto Wolfang Weber voltou a empatar o jogo e levou o cotejo a prorrogação. Geoff Hurst marcou o terceiro gol inglês numa bola que não entrou e no último minuto do jogo, Hurst marcou o quarto gol que selou o primeiro, único e polêmico título inglês. Curiosidade: até então, em todas as finais de Copa do Mundo, o time que marcou o primeiro gol perdeu o jogo.

1970
Os brasileiros não estavam confiantes, mas a seleção nacional havia montado uma grande equipe para disputar a copa do México. Gérson, Jairzinho, Pelé, Rivelino e Tostão faziam o quinteto ofensivo da equipe. E o Brasil conseguiu um feito, foi a primeira seleção a ser campeã ganhando todos os seus seis jogos disputados.

Tchecoslováquia, Inglaterra e Romênia foram batidas na primeira fase. O Peru caiu nas quartas de final e na semifinal foi o jogo contra o Uruguai.

Brasil, Uruguai, Itália e Alemanha foram os quatro finalistas. Três seleções bicampeãs na disputa, eram grandes as chances de haver uma tricampeã, que levasse em definitivo a posse da taça Jules Rimet.

O Uruguai saiu na frente do Brasil, renascendo a uruguaifobia que o Brasil mantinha desde 1950. Mas no final do primeiro tempo Clodoaldo marcou seu único gol com a camisa da seleção e levou o empate para o vestiário. O jogo seguiu tenso até o final, Pelé quase marcou dois gols antológicos. Mas aos 31 do segundo tempo Jairzinho virou a partida e no final Rivellino garantiu a vitória.

A outra semifinal entre Alemanha e Itália é conhecida como a maior partida da história do futebol. Os italianos venceram por 4x3 na prorrogação, num jogo cheio de viradas e que imortalizou Beckembauer, o Rambo dos gramados. Ele atuou boa parte da partida com uma clavícula deslocada.

O fato de o Brasil ter aberto o Placar na final, era um mau sinal pela história das copas. E pra piorar a Itália empatou numa falha grotesca de toda a defesa brasileira. No entanto, os italianos morreram no segundo tempo e o Brasil passeou, vencendo por 4x1 e conquistando a taça Jules Rimet em definitivo.

Taça Jules Rimet que depois foi roubada e transformada em pulseirinha. Não do sexo, porque seria difícil quebrar uma pulseirinha de ouro.

Funcionário do mês

“Um símbolo frustrado do capitalismo. Demonstra a vitória da meritocracia sobre as relações humanas, além de estimular apenas resultados com a competição interna”Estudante de Ciências Sociais.

“Eu acho engraçado”Amigo meu que vocês não conhecem, sobre a foto do funcionário do mês.

Essas são as duas correntes de pensamento mais populares sobre esta imagem que é o símbolo de uma era. Que era? Não sei. A primeira é a corrente comunista babaca que acha que o capital está dominando tudo. Pessoas que pensam assim, sem dúvida, não conseguem ver a beleza das pequenas coisas da vida e costumam a tecer comentários ferozes sobre os posts do blog.

Já a segunda corrente é aquela da qual o blog faz parte. Eu acho fotos de funcionário do mês super divertidas. Você vai lá no Bobs comprar um sorvete e vê, afixada na parede lateral uma foto da Joana, boné, camisa listrada com as inscrições “Funcionário do Mês”.

A foto já é suficientemente divertida. É possível perceber todo o constrangimento na face do funcionário do mês. Ele não sabe se sorri ou se faz cara séria. Essa aliás, é a dúvida que permeia a mente de todas as pessoas na hora de tirar uma foto 3x4. Mas, felizmente, sua foto 3x4 fica apenas em documentos pessoais. Imagine se a sua foto de identidade (e todo mundo tem foto de identidade esquisita) fosse exposta na parede do lugar em que você trabalha?

Outra questão interessante é: o que faz alguém para merecer tal acunha? Ela faz um Milk-Shake com mais espuma? Empacota produtos com uma rapidez impressionante? Convence seus clientes a gastarem fortunas dentro do estabelecimento? Não sei. Só sei que a foto de funcionário do mês é uma peça de humor isolada no cotidiano. Que você certamente já viu, mesmo que não queira admitir. Ela está lá na hora que você espera por um Ovomaltine, está lá na hora que você vai devolver um queijo estragado no supermercado. E está aqui nesse post também.

Paulo Pokemon, Funcionário do Mês.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

O fim está próximo

Os Maias falharam miseravelmente. Essa é a única coisa que eu posso dizer. Eles falaram que o mundo acabaria em dezembro de 2012. Não vai. O mundo vai acabar muito antes. Dois anos e meio é muito tempo, pelo que vem acontecendo. É mais fácil que o mundo acabe amanhã.

O primeiro aviso foi o terremoto do Haiti. Centenas de milhares de mortos e desabrigados. Pouco tempo depois vem outro terremoto, ainda mais forte, no Chile. E não demorou muito para um outro terremoto no México. E ainda outro na China. Quatro terremotos em um curto espaço de tempo. Os especialistas falam que isso é normal. Geralmente ocorrem três terremotos assim durante um ano. Ainda está na média.

Mas o problema é que nós estamos em Abril ainda. A meta anual de terremotos do planeta Terra foi cumprida em um terço do ano. Seguindo a média, teremos ainda mais oito tragédias desse porte. Isso não é normal.

Temos também as enchentes. Quantas vezes nesse ano você não viu os jornais dizendo “choveu em uma hora o esperado para o mês todo” ou “só nessa madrugada choveu o esperado para o próximo século”. Talvez os meteorologistas subestimem a chuva, é verdade. Mas ta demais. Teve enchente em tudo quanto é lugar. Menos na Amazônia que estava em seca.

Essa é uma característica do aquecimento global mesmo, o clima extremado. Temos recordes de frio, recordes de calor, de chuva, seca, neve, canivetes.

Mas eis então, que na semana passada os moradores da Califórnia se assustaram ao perceber uma bola de fogo no céu. Seria um OVNI? O super-homem? Não, a NASA tranqüilizou os moradores dizendo que era apenas uma chuva de meteoros atingindo a Terra. Entendeu, tudo tranqüilo, são apenas meteoros. Uma chuva, dezenas deles caindo na terra. E se um pega na sua cabeça?

Depois o vulcão islandês Eyjafjallajokull (do islandês “nome foda”) entrou em erupção depois de 200 anos. E com isso ele soltou toneladas de gases na atmosfera. E a fumaça que ele soltou cobriu a Europa toda. Vôos cancelados, chuva de cinzas até no Canadá.

Para mim, essa é a cena do apocalipse. Um vulcão da exótica Islândia (cuja capital é Reykjavík) com um nome impossível de ser pronunciado, solta aquele monte de fumaça.

Provavelmente as cinzas irão cobrir o planeta e impedir os raios solares de chegarem ao solo. Será o começo de uma nova era glacial. Os terremotos provocarão avalanches de gelo. Os pingüins dominarão o planeta com o seu andar sensual e divertido. Teremos maremotos, furacões, tufões, tornados. Toda e qualquer espécie de catástrofe natural irá acontecer. Até chegar o meteoro que acabe com tudo. E o mundo realmente vai acabar.

Ok, o mundo vai acabar, o que eu faço?

Já que o mundo vai acabar, nós damos aqueles conselhos de sempre. Faça tudo o que você sempre quis fazer, indiscriminadamente. Só esteja atento com o tempo. Se você quiser andar seminu, só de meias, no centro da cidade, faça isso quando estiver para acabar mesmo. Não hoje, porque se o mundo acabar daqui a seis meses, você vai passar um tempo na prisão.

Faça viagens malucas, pratique sexo loucamente sem se preocupar com doenças venéreas, compre uma TV Full HD 3D. Suba rampas pelo vão, adote uma vida louca e inconseqüente.

Ok, e se eu fizer isso e o mundo não acabar, o que eu faço?

Bem, aí é complicado. Tente fugir para outro país, se refugie no porão da casa de alguém. Em qualquer caso, o suicídio é sempre uma última hipótese.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Mulher do padre

Era uma provocação só. O último que chegasse do outro lado do campo era mulher do padre. E aí, era uma correria só e o último que chegava era humilhado “ah, mulher do padre!” e a mulher do padre se revoltava. Era humilhante ser a mulher do padre. Não sei se a gente pensava no significado da expressão, ou se a revolta estava em ser considerado mulher. Não sei se as meninas faziam tal brincadeira, porque na infância meninos e meninas ocupam mundos paralelos.

Também não sei qual é a origem da expressão. Aposto que é algo de tempos inquisitórios, em que a religião era a coisa mais importante na vida. Ser chamado de excomungado era motivo de briga e não havia nada pior do que mandar alguém para o inferno. Ser a mulher do padre significava ser àquela pecaminosa que tira a pureza do representante de Deus na terra.

Mas, se na infância era humilhante ser a mulher do padre, talvez não seja o caso nos tempos atuais. Vivemos uma era de erotização dos padres. A cada dia aparece um novo padre cantor com roupas de grife, que arrebata corações com sua música e com a sua aparência.

No geral é uma erotização do sacro. Na época da Páscoa em vários lugares são encenados peças sobre a Paixão de Cristo. E, para interpretar Jesus sempre é escolhido um galã de novela, com o corpo musculoso. Algumas mulheres vão assistir a encenação e chamam Jesus de gostoso.

Mas enfim, qual é o resultado prático da erotização dos padres?

Talvez agências de modelo comecem a percorrer seminários do Brasil em busca de um rostinho bonito que possa estampar pôsteres e capas de discos. Talvez haja uma revista com ensaios sensuais de padres. Será que existe algum fetiche por padres?

Os gêneros musicais poderão ser mais explorados. Quem sabe não aparece um padre rapper? Ele dirá que suas armas são Jesus. E fará o sermão todo rimado. “Jesus nos ensinou / uma lição de amor / e também nos salvou / com sua dor”. As rimas são péssimas, mas o forte do padre rapper não será o talento. Poderemos ter padres que praticam esportes radicais. O padre centroavante do Flamengo. O padre ator da malhação. O padre filho do Fábio Júnior.

Teremos também o padre sambista. O padre caubói, o padre índio, o padre policial e... bem, ai é um Village Priests. Concursos na televisão irão escolher o Próximo Padre Brasileiro. Teremos reality shows apenas com padres trancafiados em uma Igreja. E o Padre rapper irá enfrentar o padre do forró em um duelo musical. Duelo de repente entre padres. Até chegar o momento em que teremos filmes pornôs com padres e com passagens biblícas. Enfim, é um mercado a ser explorado.

Escolha o seu tipo de padre preferido.



*Agradecimento ao Luiz Eduardo Doria, pela idéia geral.

sábado, 17 de abril de 2010

Pulseirinhas do Sexo

Foram dias e dias preso a uma cama com febre, dor de garganta e outros sintomas variados provocados por uma virose sortida que me atacou. Dias nos quais minha única atividade, além de ingerir quilos de dipirona sódica, era me esforçar para postar no CH3. Produzi alguns textos medíocres, causados pelo cansaço e pela febre. Pedi para que Vinícius saísse de sua meditação para ajudar. E ele o fez brilhantemente. Peço aqui uma série de aplausos para Gressana.

Para me ajudar na guerra imunológica, ele teve a idéia de lançar pulseiras para arrecadar dinheiro. Graças a problemas burocráticos, eu acabei me recuperando antes. Mas a idéia para um post estava nas pulseiras. Não na campanha, mas nas famosas e polêmicas pulseirinhas do sexo.

Ingleses adoram inventar moda. Desde os Beatles, Sex Pistols, Futebol, dirigir na direita... bem, isso não é uma moda. Mas eles lançaram pulseirinhas coloridas com significados sexuais. É assim: as meninas usam umas pulseirinhas coloridas e os meninos ficam atrás tentando arrebentar essas pulseiras. Se eles conseguirem, recebem uma recompensa, de acordo com a cor rompida. Cada cor tem o significado a seguir:

Amarela – Abraço.
Laranja – Mordiscadinhas.
Roxa – Beijo de língua.
Verde – Chupão no pescoço.
Cor-de-rosa – Pagar peitinho.
Vermelha – Dança Erótica.
Azul – Boquete.
Dourada – Meia-nove.
Preta – Sexo.
Listrada– Sexo na posição “frango assado”.
Grená – Sexo anal sem lubrificante ou cuspe.
Transparente – Incesto.
Marrom – Coprofagia.

Não demorou muito e a moda chegou no Brasil. Colégios públicos e privados começaram a sofrer com os rompimentos. É bem fácil entender o que isso significa. Significa que as novas gerações estão perdidas e que falta pulso a muitos pais nos tempos atuais. A pulseirinha do sexo só atingiu a fama graças a um ambiente de liberdade extrema.

Dirigi-me então a casa de Pai Jorginho de Ogum para saber como tal assunto estava repercutindo. Sempre que preciso de uma fonte para discutir o assunto que seja, é para lá que eu vou. Logo encontrei o Cão Leproso. Perguntei a ele o que ele achava das pulseiras. Ele me disse que as achava bonitas e uma lágrima escorreu do seu olho.

Logo vi Marcão. Ele me disse que estava puto com isso porque uma filha sua usava essas pulseiras. Preocupei-me pensando que era a sua filha de 7 anos. Mas na verdade, era a filha de 22 anos do Marcão. Falei para ele que nesse caso a pulseirinha não fazia muita diferença. Também vi Hanz o Pansexual com o corpo coberto de pulseiras e tentando se esfregar nas pessoas para que elas quebrassem. Mantive-me distante.

Finalmente encontrei Pai Jorginho de Ogum, o mestre do sobrenatural estava sentado na sala lendo uma edição antiga da revista Caras. Ele escondeu a revista, como se estivesse constrangido e me perguntou o que eu fazia ali. Expus rapidamente o tema e ele fez um sinal de positivo.

Fui com ele até um quarto no fundo de seu quintal. O cheiro era de mijo de cachorro. Ele puxou uma caixa e me mostrou o seu conteúdo. Dezenas de pulseiras coloridas. Não demorou três minutos e uma adolescente bateu no local e comprou dois conjuntos completos de pulseiras. Estava claro que Jorginho de Ogum estava vendendo os objetos. Perguntei se ele não achava errado vender tais acessórios. Ele me disse reticente “Olha”. Logo lembrei que ele é dono de um prostíbulo no qual sua mulher, sua mãe e sua filha trabalham. Era claro que estava diante de um homem sem escrúpulos. Logo outra adolescente chegou ao local e pediu um conjunto de pulseirinhas, daquelas que arrebentam mais fácil. Ele as vendeu.

“Eu não obrigo ninguém a dar nada a ninguém se a pulseira arrebentar”, concluiu. De certa forma, fazia sentido. Não há nada na constituição brasileira, nem existem contratos lavrados em cartório que obriguem ninguém a guiar sua vida por pulseirinhas. As pulseiras são apenas um símbolo de uma geração perdida que troca o próprio corpo por qualquer coisa.

Essa reflexão fez o olho de Jorginho brilhar. Com ar empreendedor pensou no futuro de seu negócio, mais pessoas estarão dispostas ao trabalho. E quem sabe, ao invés de dinheiro, o pagamento possa ser feito em pulseirinhas.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

História da Copa do Mundo, Parte 2

As copas de 1950, 1954 e 1958.

Hitler morreu, Mussolini morreu, bombas caíram no Japão e a 2ª guerra mundial acabou. Livres desses pequenos aborrecimentos, a humanidade pode finalmente voltar a se preocupar com o que realmente importa: futebol. A Copa do Mundo estaria de volta no ano de 1950, para acabar com as chateações. E o lugar escolhido foi o Brasil. A Europa estava destruída e o torneio cancelado de 1942 também seria por aqui. A escolha lógica.

E o Brasil se preparou para ser campeão pela primeira vez. Construiu o estádio do Maracanã, então o maior do mundo. Fora isso, nós também tínhamos uma equipe talentosa, com Zizinho e Ademir Menezes.

Outra novidade foi a participação da Inglaterra, que pela primeira vez aceitou disputar uma Copa do Mundo. Como inventores do futebol, os ingleses achavam que não precisavam do torneio, porque eles sabiam que eram os melhores. Mas eles tiveram uma participação pífia, caíram logo na primeira fase com apenas uma vitória. E ainda foram humilhados e derrotados pelos americanos, que tinham um time amador.

Pela única vez na história o torneio foi decidido em um quadrangular final, disputado por Brasil, Uruguai, Suécia e Espanha. O Brasil aniquilou os seus adversários, enquanto o Uruguai sofreu com placares apertados. Os brasileiros seriam campeões.

Isso até o dia 16 de julho de 1950. Aproximadamente 200mil pessoas compareceram ao Maracanã para assistir o título brasileiro. O Brasil precisava de apenas um empate. E saiu na frente com um gol de Friaça. Os jornais já tinham suas capas prontas para a comemoração.

Mas os uruguaios viraram nos 25 minutos finais e foram campeões do torneio pela segunda vez, sem contar com bolas uruguaias. O gol de Ghiggia promoveu traumas no Brasil. Os jogadores que perderam a partida foram marginalizados, a seleção aposentou as camisas brancas e um clima de depressão se abateu sobre o país.

1954

A Copa da Suíça entrou para a história como a competição com a maior média de gols da história. Não era uma época em que se jogava futebol, mas um esporte parecido no qual as pessoas atacavam e não se preocupavam nem um pouco em defender. Eram 5 atacantes contra apenas 2 zagueiros, desgraçados pela vida.

E o Grande destaque foi a seleção húngara. Não é possível saber os motivos, mas esta foi a única vez na história em que jogadores de futebol nasceram na Hungria, e vários, e ao mesmo tempo. Seria preciso estudar a água da Hungria na época em que eles foram gerados. Mas o time de Puskás, Kocsis e Czibor marcou incríveis 27 gols em 5 jogos, um recorde.

Entre as vítimas húngaras esteve o Brasil, eliminado nas quartas de final com uma derrota por 4x2, na chamada “Batalha de Berna”. O jogo terminou em pancadaria, briga campal com cadeiradas e garrafadas distribuídas.

Na final, a Hungria enfrentou a Alemanha, que havia sido derrotada na primeira fase por 8x3. A expectativa era de que fosse um massacre. A impressão foi reforçada pelo fato de a Hungria ter feito 2x0 com 8 minutos de jogo. Os húngaros usavam modernas táticas de aquecimento e faziam vários gols no começo do jogo.

Mas os alemães logo viraram e a cinco minutos do fim, Helmut Rahn marcou o gol do primeiro título alemão, no jogo que ficou conhecido como o milagre de Berna. O jogo desgraçou para sempre a Hungria, que nunca mais viu nascer um único jogador de futebol no país.

Outro destaque da competição foi o jogo entre Áustria e Suíça, que terminou com um placar de 7x5. Os 12 gols em um jogo são um recorde de competição. Hoje em dia as duas seleções precisam jogar aproximadamente dois anos para conseguir marcar essa quantidade de gols.

1958

O Brasil saiu sem muita expectativa para disputar a Copa da Suécia. A imprensa tinha certeza que o Brasil iria perder no momento decisivo, que nossos jogadores tinham sangue de barata. Se Galvão Bueno fosse narrador à época, o Brasil seria provavelmente o pior lugar do mundo para se viver.

A certeza do fracasso aumentou quando o Brasil empatou com a Inglaterra, por 0x0 o primeiro jogo sem gols da história da Copa. Mas como num roteiro de filme, o empate promoveu mudanças no Brasil que o guiaram até a vitória. Vavá, Garrincha e Pelé ganharam vaga no time titular. Hoje, parece que o treinador era um retardado por deixar Garrincha e Pelé no banco, mas na época Pelé era uma criança e Garrincha um comedor de mulheres. Garrincha até fez um filho na Suécia.

As mudanças surtiram efeito. Garrincha fez as jogadas dos gols na vitória sobre a União Soviética. Pelé fez o gol da vitória de 1x0 sobre o País de Gales, mais três gols de Pelé contra a França e na final contra os suecos Pelé marcou mais dois e Vavá outros dois. Sim, o Brasil tornou-se campeão do mundo, Nelson Rodrigues disse que o brasileiro deixava de ter o seu complexo de vira-latas e Pelé foi coroado o rei do futebol.

Ao que consta, a Suécia não mudou a cor do seu uniforme por conta da derrota e os jogadores são considerados heróis nacionais, pelo maior desempenho sueco na história.

A copa de 1958 também ficou marcada por Just Fontaine, artilheiro francês que marcou 13 gols na competição, um recorde. Fontaine, que não escrevia fábulas sobre formigas e cigarras, parou de jogar logo depois, por conta de uma perna quebrada.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Grandes dúvidas que não têm explicação (11)

O que é conversado no fim do telejornal?

Todo telejornal é um rizoma. Todos eles começam e terminam da mesma maneira: “Boa Noite”. Isso claro, se o jornal for noturno. Mas, o começo é igual ao fim. A mesma palavra pode ter tantos significados. Pode ser uma saudação, pode ser uma despedida ou pode até ser uma palavra solta de bobeira num momento de fraqueza. Você nunca entenderá o contexto de um “Boa Noite" isolado.

Mas a grande questão, no entanto, é a seguinte: o jornalista se despede, as luzes do estúdio diminuem, a vinheta sobe, os letreiros começam a passar e os apresentadores conversam. E não minta, alguma vez na sua vida você já reparou nisso e se perguntou: “O que será que eles estão conversando”.

O CH3 também teve essa dúvida. Que foi reforçada, dia desses enquanto eu assistia o final do programa “Conta Corrente” do Globonews. Assim que os letreiros começaram, o apresentador ficou muito louco. Gesticulava, falava, contava nos dedos. Para mim, ele estava a um passo de dançar a macarena. Ou não, talvez fosse apenas o jeito dele.

Para resolver essa dúvida, mandamos e-mails para vários apresentadores de telejornais espalhados pelo Brasil, convidando-os a responder a nossa enquete. Telefonamos para aqueles que não nos responderam. Para os que insistiram em se esconder, fomos até o seu lugar de trabalho. Depois até a sua casa, arrombamos sua porta, apontamos uma arma para a sua cabeça e não deixamos outra alternativa.

No total, foram 117 entrevistas realizadas. Jogamos os dados em um supercomputador da NASA, que nos forneceu como resposta a trajetória lunar e de outros corpos celestes durante os próximos 90 anos. Sem dúvida era impressionante, mas não nos interessava. Tivemos então que cruzar os dados manualmente para obter as respostas.

Separamos as respostas em três grupos: o Grupo 1 com aqueles que apresentam os jornais sozinhos; o Grupo 2 formado pelas duplas apresentadoras; e o Grupo 3 com as duplas em que a mulher se chama “Sandra” e o homem se chama “Evaristo”.

Grupo 1

43% dos entrevistados conversam com figuras imaginárias no fim do programa. Principalmente aqueles que apresentam o programa em pé, sem ter um monte de papéis para ficar arrumando no final. É difícil encarar a câmera sozinho e falar sozinho acaba por ser a melhor solução.

26% dos apresentadores começam a contar piadas para o pessoal da produção. Todos se consideram ótimos piadistas.

15% fazem uma oração respeitando a sua religião e agradecendo o jornal provido.

O restante jura que não fala nada. Que eles ficam apenas fazendo rabiscos autistas com cara de quem está fazendo anotações importantes. Ou então fica alinhando folhas de papel que logo serão jogadas no lixo. Um apresentador disse que encara a câmera visando destruir a mente dos telespectadores.

Grupo 2
25% afirmam que no fim do jornal eles combinam programas para o resto do dia. Seja um lanche no subway ou uma noite no Motel.

25% afirmam que começam a se xingar mutuamente por conta dos erros cometidos durante o jornal.

25% comentam as bobeiras que eles falaram durante o programa e como o programa é ruim. Eles também fazem piadas de humor negro sobre os assuntos do jornal.

25% procuram as folhas de papel para dar fim na cocaína embaixo da bancada.

Grupo 3

Eles conversam carinhosamente. “Muito bom o seu trabalho Sandra, belo esmalte” – “Ah Evaristo, o genro que toda sogra queria ter” – “He he, ai Sandra” – “Agora chega Evaristo”. Mas eles consideram isso normal e chegam até a falar isso durante o jornal.

terça-feira, 13 de abril de 2010

P*##@, CH3!

Coisas da internet: alguém tem uma ideia, surgem mais 50 pessoas usando a mesma ideia em outro contexto.
Começou assim, não há muito tempo atrás, acho que menos de dois meses até, apareceram os flickers, flickres (nunca aprendi a pronunciar isso) com o tema "Porra, __________".

Se não me engano, começou com o "Porra, Felipe". Lembram do Felipe Dylon? Aquele moleque que tocava o dia inteiro na Mtv aquela música que você detestava, mas não conseguia tirar da cabeça: "Ô, menina deixa disso, quero te conhecer, vê se me dá uma chance, tô a fim de você". Pois é, depois de anos sumido, ele voltou às notícias de sites de fofocas. Gordo e com dread locks. Daí um cara, provavelmente um fã, olhou as fotos e falou "Porra, Felipe". E passou a postar na internet fotos bizarras do garoto, com a descrição "porra, Felipe", em um flickr chamado "porra, Felipe".

Virou febre instantânea. De repente, pipocaram "porras" na rede. Virou uma onda de "porra". Um dos mais famosos, e o primeiro que eu conheci, é o "Porra, Maurício", que divulga imagens e textos cheios de duplo sentido nas histórias da Turma da Mônica. Eu achei engraçado no começo, mas depois passei a ficar deprimido. Sério, parece que os roteiristas do Maurício zoam mesmo com piadas de duplo sentido, que até antes do site eu enxergava tudo de forma inocente.

Daí apareceu "Porra, ex-bbb", "Porra, Susana Vieira", "Porra, São Pedro", "Porra, Liefield", "Porra, Amy", "Porra, Capitão Kirk", até os bizarros "Porra, Elmo (da Vila Sésamo)", e "Porra, joguinho", um dos piores que eu já vi.

Fato: Depois dessa onda, calculo que o uso da palavra "porra" na sociedade deve ter aumentado em 320%, aproximadamente. Eu até imagino crianças na mesa de almoço, com toda a família reunida: "Porra, mãe! Buchada de novo, porra? Porra, mãe!". Aí ela apanha de cinta.

Agora tem porra pra tudo. Agora, quando alguém reclamar, existe já uma frase padronizada pra isso. Vão fazer um flickr chamado "Porra, porra", mostrando as cagadas que os sites de porra fazem.
Enfim, a internet é uma coisa engraçada. Um fenômeno vira piada velha em menos de dois meses.
(Não aguento mais ouvir ou digitar essa palavra).

segunda-feira, 12 de abril de 2010

O mangá é dos jovens

ATENÇÃO: Assim como menstruação desregulada, este post do CH3 chegou atrasado e te deu um baita susto, mas veio.
Tivemos uma pequena falha técnica, mas a partir de amanhã voltaremos com a programação normal, restaurando assim o equilíbrio do universo.


Pois bem. Todo mundo aqui leu Turma da Mônica. Todo mundo lê, lia ou pelo menos já leu Turma da Mônica. Se você nunca leu, faça o seguinte: pegue uma arma carregada, aponte-a para sua cabeça e dê dois tiros. Sim, dois, porque um não é o bastante, seu excluído.

Ainda lembro a primeira vez que eu vi a notícia: A Turma da Mônica iria crescer e virar mangá. Mostrei pro Guilherme e nós dois concordamos em um ponto- vai ser uma merda.
Nunca li, nem me interessei. Li umas críticas falando que era uma merda. Com o tempo foram aparecendo algumas informações sobre o que estava sendo publicado, sobre o conteúdo das histórias. Era chocante. Um atentado. Era um estupro das nossas melhores lembranças de infância.

Veja, crescemos aprendendo que a Mônica é gorda, baixinha e dentuça. Mas veja essa imagem:
Bom, tudo bem, as pessoas mudam. Mas além disso, a Magali tem controle sobre sua fome. O Cebolinha fala certo e tem um cabelo punk. E o Cascão toma banho. O Cascão toma banho! O Anjinho virou Céuboy (!). O Louco virou professor da turma. Essa foi uma das coisas mais tristes, porque a gente ficava naquela ansiosa suspeita de que o Louco só existia na cabeça do Cebolinha, na verdade um paranoico esquisofrênico, já que só ele via o Louco. Mas agora essa teoria está arruinada. Arruinada...

Ok, podem dizer que esse gibi não é para nós adultos que crescemos lendo a Turma da Mônica, é para as crianças que sabem quem eles são mas preferem acompanhar uma realidade diferente. Mas NINGUÉM me convence que esse gibi também é para a criançada. Desde que eu bati o olho nessa cena onanista do Cascão:
Bom, sem falar nas outras características de mangá da história. Mangás costumam ser pervertidos e safados, com situações como personagens em posições insinuantes, o rapaz (nesse caso o Cebolinha) volta e meia passando a mão sem querer no peito ou na bunda da garota (da Mônica). Essa situação é batata, quase todo mangá tem! E eles têm o que, 15, 16 anos na história? Bom, dê uma olhada na imagem acima, pra mim parecem ter pelo menos uns 20, 20 e poucos. Da primeira vez que eu vi, e vendo umas outras imagens depois, fiquei constrangido ao pensar: "pô, a Mônica tá gostosa". Daí pra fazerem hentai é dois palito.

E não parou por aí, de jeito nenhum. O próximo passo foi destruir nossas memórias da turma da Lulu e do Bolinha. Sim, eles também ficaram jovens em versão mangá:
Alguma dúvida de que acabaram com as melhores coisas dos gibis? Pois bem, o Bolinha agora é magro, a Aninha não é mais dentuça e desgrenhada... E, cara, olha essa guria aí na frente da capa e diz, sinceramente, se essa aí é a Lulu. Bom, ao menos o Carequinha ainda é careca. Mas o mangá da Lulu ainda tem a desvantagem de ser mal desenhado. E de ter a Pitty na edição de estreia.

A onda de mangatização ainda não acabou. Não muito tempo atrás aconteceu isso:
Mangá do Didi Mocó jovem. Pois é. Onde o mundo vai parar.
Aguarde, pois em breve você vai conferir CH3 Jovem, versão mangá! É sério.

PS: Estamos vendendo pulseiras para arrecadar dinheiro para nossa campanha "Melhora, Guilherme". Colabore.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Mercado Financeiro

O mercado financeiro é um dos elementos mais interessantes do nosso cotidiano. Todos os dias somos confrontados com altas e quedas, crises e euforias. E, apesar de serem habitues em nossas vidas – não duvide que você seria capaz de chamar Dow Jones para tomar um café – nós entendemos muito pouco sobre o assunto.

Pode até ser que o Globo Repórter resolva incluir na sua pauta trimestral pelo menos um programa sobre família que estão investindo na bolsa. Mas, essas famílias são raridades. São pessoas únicas que poderiam até ser isoladas e expostas em zoológicos como exemplos de espécimes raros.

Chamam-se bolsas de valores o nome dos lugares onde as transações do mercado financeiro acontecem. Por conta disso, várias crianças já pensaram no infame imagem de uma bolsa de mãe caindo ao chão durante a manchete “Queda da bolsa”. As sessões diárias de transações são conhecidas como pregões. Sim, esse simpático nome.

Pregões são sensíveis. Hoje mesmo, um abrandamento da classificação da situação da dívida grega fez o mercado operar tranqüilo, em clima otimista. Instabilidades na Tailândia, junção de empresas na Moldávia, casais discutindo no Sudão, venda de TVs na Jamaica. Qualquer fato é suficiente para mexer com o humor do mercado.

E como ele funciona? Como você pode ganhar dinheiro lá? Realmente, eu não sei. Acho que existem trezenas de sites mais confiáveis para trazer esse tipo de informação. Mas é uma combinação de sorte, dedicação e esperteza. Mas funciona basicamente assim: você compra ações de alguém. Gasta, sei lá, 10 mil reais. Essas ações vão ganhando valor e um dia você as vende por 392mil reais. Como elas se valorizam tanto assim? Não sei. Pra mim esse mundo financeiro é uma farsa de dinheiro inexistente. Acho que existe menos dinheiro lá do que existe na minha carteira.

Para participar dos pregões, você pode ir diretamente à Bolsa. Usando gravatas e radinhos de comunicação. Você deve gritar bastante. Subir sobre as mesas, dançar sem camisa, fazer helicóptero. Tudo para conseguir chamar a atenção e realizar as melhores compras.

Mas você pode realizar essas compras pela internet. Sentado na sua casa, ou talvez no trabalho enganando o seu chefe. Só que para isso, é melhor enganar bem. Caso ele descubra, ele pode provocar instabilidades nas suas ações.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Entendendo a lógica do comercial

O mundo das propagandas sempre fascinou o CH3, uma vez que 66% de sua redação é composta por publicitários. Neste post iremos analisar a lógica oculta de algumas propagandas da atualidade. Lógicas sutis e nem sempre tão facilmente perceptíveis.



A lógica: O posto de gasolina rejeita o carro que rejeita o homem que rejeita a mulher que rejeita o cachorro. Ou seja, o homem foi rejeitado pelo carro porque rejeitou a mulher, assim como a mulher foi rejeitada pelo homem por ter rejeitado o cachorro. Carma. O cachorro é um coitado e ninguém rejeita um posto Petrobras. E ah, olhares 43 não funcionam mais.




A lógica: Uma conversa sacana sobre trocar o óleo. Quando se vê o Cafu está segurando o óleo. Do nada cinco pessoas em volta do Cafu. Logo são mais de 100. E no final o Cafu está atrás de você segurando um lubrificante e fazendo uma cara de sacana. Eu teria medo. Mas concluí-se que a geração espontânea realmente existe, principalmente de figurantes querendo te enrabar.



Pessoas que se vestem mal brincando em um tela mágica e escutando uma música ruim... Só podem dar origem a um carro feio.



Cagar é o melhor segredo para encarar a vida rindo. Você até saí do banheiro fazendo sinal de “cagada de mão cheia”.



Não, isso não tem a menor lógica.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

O estranho hábito de falar de si próprio na terceira pessoa

Não sei quando foi que o Guilherme pensou em fazer esse post. Creio que a gente estava assistindo uma pessoa utilizando-se desse hábito na TV. Ele, particularmente, acredita que esta é uma arte complicada de se executar. E a qualquer momento você pode se distrair e quando menos perceber, você pode estar falando de si próprio na primeira pessoa. O que é absolutamente normal e perfeitamente aceitável. Aliás, agora o Guilherme pede licença para abandonar esse hábito, que ele não domina.

Falar de si próprio na terceira pessoa é realmente um hábito muito estranho. Muitos jogadores de futebol, ex-bbbs, modelos, empresários emergentes e as mais variadas espécies de subcelebridades curtem falar assim. A qualquer momento da sua vida você pode se deparar com alguém que esteja falando assim.

Sinceramente, é algo muito complicado para mim. Eu poderia treinar por dias e anos, que acho que não conseguiria falar assim. Primeiro porque acho completamente bizarro falar desse jeito e, segundo, porque é realmente muito difícil. Vai contra as leis da natureza.

Mais estranho do que se chamar pelo próprio nome, é falar “nós” ou “a gente”. “Nós estamos firmes nesse novo projeto” ou “A gente segue se recuperando” ao responder sobre como anda uma torção no pé.

Mas, afinal – porque tantas pessoas realizam tão difícil tarefa? Como e porque elas conseguem fazer isso? Temos algumas hipóteses.

Misticismo: Talvez as pessoas falem assim por acharem que falar de si próprio na terceira pessoa traz um certo ar esotérico. Algo como: ao referir-se a si próprio pelo seu nome próprio você está se auto-avaliando de fora de si, de tal forma que você faz o papel de uma terceira pessoa que analisa a sua primeira pessoa em terceira pessoa. Ou, ao se chamar de “nós” você não fala apenas de você, mas de você e sua alma, seu eu interior, seu eu poético. E ao falar “a gente” você se refere a você e ao seu joelho, seu tornozelo. Você não é apenas um, você é vários, composto por várias partes diferentes que não te deixam só.

Arrogância: No mundo moderno, estar sozinho não faz bem. Os solitários são marginalizados e excluídos, tornando-se cada vez mais solitários. Dessa maneira, você nunca está sozinho. Você está com você, que está com seu eu feminino, seu cotovelo.

Falta de arrogância: “Eu” muitas vezes parece arrogante. Parece que excluí várias partes do processo e resume tudo a sua vontade. Ao fazer uso do estranho hábito, você incluí outras partes participantes do projeto, mesmo que você não saiba ao certo quem elas são. O fisioterapeuta está se recuperando o seu ombro e por aí vai.

Esquizofrenias sortidas: Essas pessoas vivem num mundo paralelo criado pelas suas próprias cabeças. De tal forma elas se enxergam de fora do processo. O uso de “nós” também pode se referir a “eu e a voz dentro da minha cabeça”.

Coisas de sociedades secretas: Talvez o uso do estranho hábito de falar de si próprio na terceira pessoa seja uma maneira que membros de alguma sociedade secreta utilizam para se reconhecer. É uma espécie de Daime, União Vegetal, Maçonaria ou Cavaleiros Templários. Quem sabe se o seu carro parar na rua e você gritar “Ajudem o Francisco” outros membros da sociedade secreta não parem para te ajudar. Claro, isso desde que você se chame Francisco. Se você se chamar Otaviano, grite “Ajudem o Otaviano”.

Postas as teorias, a única certeza é que este é um hábito bizarro. Portanto, não estranharemos caso as pessoas se unam para criar grupos de extermínio. Resolver o mal pelas próprias raízes... ou algo parecido.

sábado, 3 de abril de 2010

Profissões desgraçantes – dublê

Pode até ser que o dublê seja um cara bem legal. Não sei se ele não pode ver mulher, se ele já pede pra baixa e se ela quer parar e ele não quer. O fato é que a profissão de dublê é uma profissão desgraçante. Existem pelo menos dois grandes motivos para isso: o risco e a falta de reconhecimento.

Claro, a profissão de dublê existe justamente para correr riscos. A essência da existência desta profissão está justamente em realizar tarefas que uma pessoa normal não faria. Cabe ao dublê dirigir velozmente carros em chamas, pular de helicópteros, saltar sobre trens em movimentos, rastejar por corredores infestados por insetos repugnantes. Fazer aquilo que um ator famoso não faria, sob o risco de ganhar uma cicatriz. O ator não pode morrer, o dublê, tanto faz.

Convenhamos que não é a profissão dos sonhos de ninguém. Muito provavalmente, você preferiria estar tomando água de coco em Jericoacoara, andando de gôndolas em Veneza ou até mesmo discutindo filosofia em um café parisiense esfumaçado.

Existem também os dublês de corpo. Aqueles que aparecem apenas nas cenas de nudez ou, como no caso do filme Tróia, substituindo as pernas do Brad Pitt. Funciona mais ou menos assim: as pessoas pensam “que corpaço da Flávia Alessandra!” e na verdade era a dublê. E a dublê, coitada, ninguém teria sonhos com ela.

Começamos ai a entrar no segundo fator desgraçante da profissão. A falta de reconhecimento pode vir nas ruas. Ninguém irá correr para pedir um autografo de um dublê “olha, aquele cara é o dublê daquela cena em que oito caminhões explodem e um cara passa com uma moto entre as chamas!”. E falta o reconhecimento monetário.

Numa cena de novela, o galã Reynaldo Gianecchini acorda assustado com um barulho na parte de baixo da sua casa. Atordoado, ele tropeça e rola escada abaixo. Ferido quase mortalmente ele é socorrido por Juliana Paes em trajes de banho. Os dois se beijam longamente.

É claro que Gianecchini não rolou escada baixo, quem fez isso foi o dublê. O trabalho fica dividido mais ou menos assim.
Reynaldo Gianecchini: Fez uma cara de susto pouco convincente e depois interpretou muito mau a cena em que estava ferido. Ganhou um beijo da Juliana Paes e 150 mil reais por mês. Saí nas ruas e provoca histeria coletiva.
Dublê: Rolou escada abaixo de maneira que todos pensassem que era o ator principal rolando. Ganhou 150 reais pela cena e tem que esperar na fila do banco.

Em suma, são os dublês que fazem todo o trabalho duro. Eles estão sempre por trás da criação de tantos mitos e tantos Vin Diesels da vida. São eles que se estrepam para fazer aquela cena espetacular. E o nome deles é capaz de não aparecer nem nos créditos.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

História da Copa do Mundo, parte 1

As Copas de 1930, 1934 e 1938.

“A Copa do Mundo de futebol é um evento esportivo realizado a cada quatro anos, em um país diferente. O torneio surgiu porque a FIFA, Federação Internacional de Futebol, desejava criar uma competição mundial entre países. Esse desejo se transformou em realidade quando o francês Jules Rimet assumiu a presidência da federação na década de 20. O nome da competição escolhido foi Copa do Mundo (World Cup, em inglês), porque as seleções dos países do Reino Unido disputavam anualmente um torneio conhecido como “Cup”, uma vez que o troféu entregue ao vencedor tinha o formato de um copo. A FIFA queria que o torneio fosse um “Cup” envolvendo países do mundo inteiro, o World Cup. (Unzelte, 2002).”

Foi assim que eu comecei a minha monografia de faculdade, defendida no ano passado sobre o tema “A imprensa e a identidade nacional durante a copa do mundo de futebol”.

Realizada no Uruguai, a primeira Copa do Mundo teve desfalques. Como na época não existiam vôos comerciais entre os continentes, os países europeus tiveram que vir ao Uruguai de barco. Era uma viagem que demorava mais de um mês e muitos países temeram morrer na praia, literalmente. E olha que as praias uruguaias não seriam o melhor lugar para se morrer. Assim sendo, apenas França, Iugoslávia, Romênia e Bélgica vieram da Europa.

A primeira partida aconteceu entre França e México e coube ao francês Lucien Laurent marcar o primeiro gol da história da competição. Foi um torneio com formato estranho e cheio de gols. O Brasil caiu logo na primeira fase, eliminado pela Iugoslávia. Os Estados Unidos conseguiram chegar às semifinais e a final foi disputada por Argentina e Uruguai.

Diz a lenda que o primeiro tempo foi disputado com uma bola argentina e o Placar foi de 2x1 para os argentinos. No Segundo tempo, com a bola uruguaia, o Uruguai fez 3 gols e ganhou por 4x2. O que mostra que o Uruguai conhecia melhor suas bolas. O gol do título foi marcado por El Manco Castro, um uruguaio que não tinha uma mão. Sim, para eles manco e quem não tem mão. Aqui ele seria chamado de Maneta.

1934
O torneio então se dirigiu a Europa, na Itália. E o efeito inverso se deu. Apenas Brasil, Argentina e EUA resolveram atravessar o mar e os três foram eliminados logo no primeiro jogo.

Os italianos conseguiram o título em casa, para alegria de Mussolini. Durante a competição eles eliminaram a Espanha de Franco e enfrentaram na final a Tchecoslováquia, que havia eliminado a Alemanha de Hitler.

A vitória italiana na final, veio na prorrogação. Detalhe que os italianos tinham três argentinos naturalizados no seu elenco.

1938
Novamente o torneio foi disputado na Europa, na França. Apenas Brasil e Cuba saíram das Américas. E os cubanos surpreenderam, eliminando a Romênia no jogo extra e depois perdendo para a Suécia por 8x0. O herói cubano foi Hector Socorro, que marcou dois gols no torneio.

O Brasil fez sua melhor campanha até então. Eliminou a Polônia num jogo que terminou 6x5 para o Brasil, com 3 gols de Leônidas da Silva, o diamante negro. Em um desses gols ele estava sem chuteira, o que seria teoricamente ilegal. Depois o Brasil eliminou a Tchecoslováquia em dois jogos e encontrou a Itália na semifinal. E os italianos eliminaram o Brasil. Depois nós conseguimos o terceiro lugar, mas o futebol brasileiro encantou o mundo e foi o melhor time do torneio. Pelo menos, é o que diria Galvão Bueno se ele fosse vivo à época.

Na final a Itália bateu a Hungria por 4x2. Dois gols de Silvio Piola e dois gols de Gino Colaussi.

As duas copas seguintes, 1942 e 1946 não foram disputadas, graças a um pequeno evento mundial conhecido como Segunda Guerra. A Copa de 1938 já reproduzia ecos do conflito. Poucos meses antes do torneio a Alemanha anexou a Áustria. E acreditem, a Áustria tinha um bom time a época.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Pegadinha do Malandro

Imagine a seguinte cena. O químico alemão Hans Schattenhose chama os amigos para beber uma cerveja em sua casa, aproveitando o início do verão europeu. Chegando lá os amigos não se deparam com garrafas ou latinhas. E sim, com vários envelopes. Todos estranham a situação, até se darem conta de que os envelopes contêm Powdered Beer, a cerveja em pó.

Sim, a cerveja em pó é a criação revolucionária do próprio Schattenhose. O modo de preparo é o mesmo já conhecido dos sucos em pó. Despeje o conteúdo do envelope em um copo, adicione água e misture. O resultado é uma cerveja do tipo Lager com teor alcoólico de 5,2% (praticamente igual às cervejas mais populares do Brasil).

Os produtores da cerveja em pó garantem que seu sabor não é diferente das cervejas tradicionais. Que nos testes realizados as cobaias não conseguiram distinguir Powdered Beer das outras cervejas líquidas.

A criação da nova cerveja foi noticiada um ano atrás. Foi recebida com entusiasmo na internet, divulgada em mais de 2mil blogs – dos amadores aos profissionais. As pessoas comemoravam a revolução da liberdade alcoólica, o poder levar um engradado de cerveja no bolso, para tomar em qualquer lugar.

Realmente seria uma maravilha, se não fosse um problema. É tudo mentira. A cerveja em pó foi uma brincadeira de 1º de abril do Firebox, um site americano especializado na venda de produtos curiosos, como bonecos do Barak Obama e portas-latas em forma de cinto de utilidades do Batman.

Como vocês sabem, o primeiro de abril é o dia da mentira. O dia de pregar peças nos seus amigos. Europeus e americanos costumam a levar essa brincadeira mais a sério. Eles publicam notícias falsas em seus jornais. E pode ser qualquer notícia, desde as mais absurdas até as mais sutis.

No caso do Firebox, eles aproveitaram o 1º de Abril para lançar produtos que seriam muito bons, caso existissem. A cerveja em pó apareceu, por exemplo, a uma máquina que grava sonhos.

Seria muito fácil verificar que a notícia era falsa. A cerveja em pó era noticiada como sendo a melhor “invenção do planeta, junto ao vaso sanitário, a televisão e as revistas de mulher pelada”. E era só procurar no Google também, que a mentira apareceria.

O caso mais famoso de pegadinha de primeiro de abril, aconteceu na Revista Veja (vibrem comunistas) que em 27 de Abril de 1983, publicou a notícia do Boimate. Uma mistura de boi com tomate, que renderiam tomates com saber de bife a parmegiana. Sim, era uma notícia bizarra e é impressionante que o pessoal da revista tenha acreditado nisso. Depois eles pediram desculpas, mas você pode conferir a matéria no arquivo da revista.

Com o tempo os jornais e sites daqui vão ficando mais espertos e verificando a falsidade das notícias. Mas vez por outra, uma escapa. Os problemas agora são os blogs. Como vários blogueiros se consideram jornalistas, eles postam os maiores absurdos nos seus blogs, achando que é verdade e os seus leitores acham que é verdade. Até aqui no CH3, nós publicamos vários absurdos e as pessoas acham que é verdade. Mesmo que com o aviso de que o blog é cheio de mentiras.

Enfim, o fato é que até hoje deve estar cheio de gente que acha que cerveja em pó existe, e comenta isso com os amigos. Sendo hoje o primeiro de Abril várias notícias assim estão aparecendo na Inglaterra e em breve estarão aparecendo aqui e ali na internet.