O estranho hábito de falar de si próprio na terceira pessoa

Não sei quando foi que o Guilherme pensou em fazer esse post. Creio que a gente estava assistindo uma pessoa utilizando-se desse hábito na TV. Ele, particularmente, acredita que esta é uma arte complicada de se executar. E a qualquer momento você pode se distrair e quando menos perceber, você pode estar falando de si próprio na primeira pessoa. O que é absolutamente normal e perfeitamente aceitável. Aliás, agora o Guilherme pede licença para abandonar esse hábito, que ele não domina.

Falar de si próprio na terceira pessoa é realmente um hábito muito estranho. Muitos jogadores de futebol, ex-bbbs, modelos, empresários emergentes e as mais variadas espécies de subcelebridades curtem falar assim. A qualquer momento da sua vida você pode se deparar com alguém que esteja falando assim.

Sinceramente, é algo muito complicado para mim. Eu poderia treinar por dias e anos, que acho que não conseguiria falar assim. Primeiro porque acho completamente bizarro falar desse jeito e, segundo, porque é realmente muito difícil. Vai contra as leis da natureza.

Mais estranho do que se chamar pelo próprio nome, é falar “nós” ou “a gente”. “Nós estamos firmes nesse novo projeto” ou “A gente segue se recuperando” ao responder sobre como anda uma torção no pé.

Mas, afinal – porque tantas pessoas realizam tão difícil tarefa? Como e porque elas conseguem fazer isso? Temos algumas hipóteses.

Misticismo: Talvez as pessoas falem assim por acharem que falar de si próprio na terceira pessoa traz um certo ar esotérico. Algo como: ao referir-se a si próprio pelo seu nome próprio você está se auto-avaliando de fora de si, de tal forma que você faz o papel de uma terceira pessoa que analisa a sua primeira pessoa em terceira pessoa. Ou, ao se chamar de “nós” você não fala apenas de você, mas de você e sua alma, seu eu interior, seu eu poético. E ao falar “a gente” você se refere a você e ao seu joelho, seu tornozelo. Você não é apenas um, você é vários, composto por várias partes diferentes que não te deixam só.

Arrogância: No mundo moderno, estar sozinho não faz bem. Os solitários são marginalizados e excluídos, tornando-se cada vez mais solitários. Dessa maneira, você nunca está sozinho. Você está com você, que está com seu eu feminino, seu cotovelo.

Falta de arrogância: “Eu” muitas vezes parece arrogante. Parece que excluí várias partes do processo e resume tudo a sua vontade. Ao fazer uso do estranho hábito, você incluí outras partes participantes do projeto, mesmo que você não saiba ao certo quem elas são. O fisioterapeuta está se recuperando o seu ombro e por aí vai.

Esquizofrenias sortidas: Essas pessoas vivem num mundo paralelo criado pelas suas próprias cabeças. De tal forma elas se enxergam de fora do processo. O uso de “nós” também pode se referir a “eu e a voz dentro da minha cabeça”.

Coisas de sociedades secretas: Talvez o uso do estranho hábito de falar de si próprio na terceira pessoa seja uma maneira que membros de alguma sociedade secreta utilizam para se reconhecer. É uma espécie de Daime, União Vegetal, Maçonaria ou Cavaleiros Templários. Quem sabe se o seu carro parar na rua e você gritar “Ajudem o Francisco” outros membros da sociedade secreta não parem para te ajudar. Claro, isso desde que você se chame Francisco. Se você se chamar Otaviano, grite “Ajudem o Otaviano”.

Postas as teorias, a única certeza é que este é um hábito bizarro. Portanto, não estranharemos caso as pessoas se unam para criar grupos de extermínio. Resolver o mal pelas próprias raízes... ou algo parecido.

Comentários

Rock Word disse…
Temos esse estranho habito ; Mas não achamos nada estranho . Nosso pai mesmo já brigou variaaas vezes com agente por conta disso , nãao achamos nada estranho ! Sei lá nascemos assim, rsrs.
Fer disse…
Em algumas situaçoes a Fer tb fala assim, não sei em qual nem o pq, não é dificil não, mas meus amigos acham estranho...
Anônimo disse…
Estou super irritada com a Dani rs
Todos reparam e perguntam pq a Dani fala assim da Dani , meuuuu nao sei falo assim a séculos e agora vou saber pq ?? Pq nao me falaram isso antes , acho super normal, cada um fala do jeito que quiser e ponto .
Costumo falar de mim mesma na terceira pessoa quando preciso me referir a uma situação difícil de lidar, fk "de fora" então "vejo" melhor. Acho normal.
Templário disse…
Falar na terceira pessoa é coisa de homossexual enrustido!
Lolita disse…
Cara, a Lolita acha muito legal e fala assim direto!
Guilherme disse…
Lo-li-ta: a ponta da língua descendo em três saltos pelo céu da boca para tropeçar de leve, no terceiro, contra os dentes.

Desculpa, não resisti.
Minha filha tem 06 anos e quando se reporta a respeito de sua pessoa, não utiliza o pronome EU, mas o seu próprio nome. Por exemplo: "A Clarinha vai comprar tal objeto; a Clarinha não viu você indo embora; a Clarinha vai dormir etc. Porque isso ocorre? Será algum transtorno?
Obrigada.
Socorro Cunha Lima
RODRIGO CALDEIRA disse…
Conheço uma garota que só se manifesta na terceira pessoa, é extremamente incômodo e às vezes irritante. Fulana estava dormindo, fulana está com fome, fulana quer ver foto sua etc.. parece aquele monstrinho do Senhor dos Anéis, que vivia falando do "precioso". Aliás, esse distúrbio dissociativo é interpretado como nuances de esquizofrenia, não que a pessoa seja esquizofrênica, mas possa a vir desenvolver-se como tal no futuro, se não se vigiar e se corrigir. Não é se adaptar, pois falar de si na terceira pessoa não é normal.