sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Isso aqui é um dos números acima de tudo bem com a gente se fala

Os modernos smartphones querem fazer com que cada vez menos você tenha que se preocupar com a vida. Ele resolve tudo por você, comandando seus horários, te avisando das coisas e, enfim, chegará o dia em que viveremos como o Joaquim Phoenix no filme "Ela", nos casando com sistemas operacionais que nos colocam chifres quando nós menos percebemos.

Nestes aparelhos modernos, existe uma função que jé é amplamente conhecida, divulgada e ridicularizada. Falamos do auto-correct. Sua função é corrigir os erros de digitação, sempre frequentes nesses teclados minúsculos e apertados da telinha do celular. Só que, muitas vezes, ele corrige o erro de digitação para algo completamente diferente, ou não reconhece uma palavra que você utilizou e a troca por algo que irá te trazer sofrimento, humilhação e morte.

No entanto, existe outra função nesses aparelhos de celular que é a função de sugerir a próxima palavra que você irá utilizar. Sim, compre um novo celular e digite "Dilma" que o seu celular vai apontar que a próxima palavra deve ser "Rousseff". Muitas vezes essa sugestão é assustadora, porque ele é capaz de escrever uma frase inteira que você ia escrever, como se o smartphone estivesse lendo a sua mente.

Não sei como é que eles fazem isso, mas deve ser um logaritmo. Baseado em um banco de dados pré-existente, talvez ganhando novos updates e também se adaptando a forma como o seu usuário escreve. Em pouco tempo, seu celular começa a escrever palavras que você usa frequentemente e de certa forma você fica escravo do seu próprio estilo.

Mas bem, nem tudo é perfeito. Para mostrar isso, resolvi compor as frases a seguir no meu celular e transformá-las num post do CH3. Começamos com uma palavra e aí vamos ver no que dá. Vamos ver no que dá?

O CH3 despreza aqueles que se eu não for possível de ser um pouco mais de um amigo meu que tem que ser levada a sério o que eu queria saber se o senhor apóia a gente se fala em casa e a gente publica que foi a primeira vez que eu não sei se é possível fazer uma pergunta sobre a minha parte do meu pai e a outra pessoa e o cara que eu possa me dar um pulo lá na casa de um amigo meu que tem que ser levada em conta no Twitter.

Esse aqui é o fist. Agora, se você quiser
saber sobre o fucking, faça a busca no google
por sua própria conta e risco
Eu não sou como você está pensando em fazer um comentário da primeira parcela do seguro do carro e o que eu queria saber se o senhor apóia o fist fucking de um amigo meu que tem que ser levada em conta no Twitter.

Você pode ser que eu não sei se é que eu curto que tem que ser levada em conta no Twitter.

Eu chamaria de desocupado mesmo que eu não sei se é que eu curto que tem que ser levada em conta no Twitter.

Eu tenho raiva de mim e para o meu e o que eu queria saber se o senhor apóia o fist fucking de um amigo meu que tem que ser levada em conta no Twitter e Facebook.

Eu tenho que fazer para o dia inteiro e a sua conta e o cara que eu não iria se o cara é muito mais que eu possa me dar um pulo lá no site do evento é gratuito para o dia inteiro e a sua conta e o cara que eu não iria se o cara é muito mais que o senhor me lembro de ter um bom dia para o meu e o que eu queria saber se a gente se fala em casa e a gente publica que foi a primeira vez que a senhora vai ficar com ele para o meu nome é uma mensagem para o meu e o que eu queria saber do que o ebola de um amigo meu que tem que ser levada em conta no Twitter.

Pai Jorginho de Ogum é pé frio demais para ser enviada com o pessoal do site da empresa e o que eu queria saber se o senhor apóia o fist fucking de um amigo meu que tem que ser levada em conta no Twitter.

Cão Leproso lamentou a derrota do que eu esperava que o senhor me lembro de ter um bom dia para o meu e o que eu queria saber se o senhor apóia o fist fucking de um amigo meu que tem que ser levada em conta no Twitter.

Dilma Rousseff e o que eu queria saber se o senhor apóia o terrorismo.

Aécio bater na porta do quarto e sala de aula e a gente publica que foi a primeira vez que eu não sei se é que eu curto que tem que ser levada em conta no Twitter.
Marina Silva Sanches de um amigo meu que tem que ser levada em conta no Twitter.

Veja que, em pouco tempo, se você deixar, o celular toma o controle das ações e entra numa conversa repetitiva que só quer saber do fist fucking alheio e sobre a reputação das pessoas no Twitter. Ou será que sou eu que quer saber disso? Assustador, não é mesmo?

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Stand Up Divinity

Os parcos e esparsos frequentadores da Casa de Diversão Noturna Carnicentas poderão contar com mais uma atração para agregar valor ao entretenimento adulto do local. Além dos programas sexuais de baixo custo, ambiente agradável, música de bom gosto, bons drinques e bom papo, os carniceiros poderão agora assistir um espetáculo de humor ao vivo, estrelado pelo próprio Pai Jorginho de Ogum, proprietário da casa.

Segundo o pai-de-santo mais amado do Brasil, os shows serão realizados toda quarta-feira na Carnicentas. A razão é simples. Quarta-feira é dia de futebol, portanto, o espectador poderá assistir uma boa partida de futebol, dar umazinha, beber um goró e ainda rir muito com piadas imperdíveis. “O que mais um homem pode querer?”, questionou Jorginho de Ogum.

O seu espetáculo se chama “Stand Up Divinity” e se assemelha muito ao formato já consagrado das comédias em pé, mas com uma pequena diferença. O espetáculo é dividido em blocos e o último deles é realmente surpreendente.
Pai Jorginho, agora, pensa em aproveitar o cenário montado para o espetáculo para fazer seu próprio show de Bossa Nova

Primeiro, Jorginho conta causos de sua vida. Relembra passagens suas como jogador de futebol, babalorixá e cafetão. Depois, ele faz uma reflexão sobre o cotidiano, com piadas clássicas do Stand Up e suas reflexões sobre filas, mulheres gordas, telemarketing, viagens de avião e muito preconceito travestido do selo de “politicamente incorreto”.

Então começa a surpresa. Jorginho dedica um tempo para, em pé, contar piadas clássicas, anedotas de salão sobre loiras, papagaios, portugueses e aleijados. Há um momento mais infantil, quando Jorginho faz uma passagem pelas piadas de pontinhos. Na plateia, Cão Leproso comanda as palmas da galera.

Agora, você não pode perder o último bloco. Jorginho faz uma pausa e as cortinas se fecham. As luzes abaixam e quando Jorginho volta ao palco, ele está diante de uma mesa com uma garrafa de caninha 21 e uma bola de cristal. Jorginho bebe a cachaça, pronuncia palavras inteligíveis, treme, baba e finalmente chega lá: ele incorpora grandes humoristas da história que já nos deixaram.

Jorginho ainda estuda se irá esperar a morte
de Danilo Gentili para incorporá-lo
Chico Anysio, Ronald Golias e Ary Toledo, entre outros, sobem ao palco, incorporados por Jorginho, para contar piadas e fazer o seu próprio show. Não estamos bem certos se o Ary Toledo já morreu ou não, mas isso não impede a manifestação artística de Jorginho.

O espetáculo fez sua pré-estreia no último sábado e arrancou gargalhadas e lágrimas de medo do público presente. Jorginho explica que a ideia surgiu a algum tempo e que ele testou vários formatos antes de chegar naquele que ele considera ideal.

A entrada é franca e o cliente só precisa pagar a taxa de consumação, que já inclui o programa. O show deve começar por volta das 23h, logo após a final da Copa do Brasil. Programa imperdível, em vários sentidos, que você só encontra na Casa de Diversão Noturna Carnicentas.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Seminário sobre a Tortura



No último final de semana, a cidade de Volgogrado foi o palco do 1º Seminário Internacional sobre a Tortura. Como não poderia deixar de ser, a tortura foi o principal tema abordado por seminarista que vieram do mundo inteiro. Eram especialistas em diversas áreas, inclusive alguns futuros padres que entenderam errado o sentido do "Seminário" e acabaram se chocando com o tema discutido.

A programação foi torturante para os seus participantes, que tiveram que discutir o assunto por mais de 36 horas consecutivas, recebendo choques toda vez em que alguém deixasse a cabeça cair pelo sono. Para piorar, a maionese servida durante o breakfast apresentou uma qualidade terrível, o que provocou longas filas nos banheiros e um mau-cheiro tremendo no ambiente.

O eterno pesquisador Alfredo Humoyhuessos foi o responsável pela abertura do seminário. Ao longo de seis horas, ele discorreu sobre os primeiros registros de tortura e os seus números nos últimos anos. Humoyhuessos projetou a quantidade de pessoas torturadas em cada país do mundo em cada um dos últimos 15 anos. Um dado extremamente detalhado e jamais demonstrado antes. Ficamos todos sabendo que três pessoas foram torturadas com elásticos de cabelo na Eslováquia em janeiro de 2008. Impressionante.

Após a palestra, todos puderam a assistir o clássico Laranja Mecânica de Stanley Kubrick, com os comentários do especialista em segurança da Rede Globo de Televisão e ex-comandante do Bope carioca, Rodrigo Pimentel.

O evento começou a esquentar com a primeira palestra, do sargento Pimentel, da Polícia Militar de São Paulo. O sargento falou sobre os rumos da tortura neste mundo globalizado e midiático. Ele lembrou que a tortura precisa estar bastante institucionalizada e pacificada no imaginário popular para que ela seja  posta em prática no dia-a-dia. Lembrou que há 20 anos atrás era tranquilo dar umas surras em uns vagabundos, aplicar correntes elétricas no ânus e o popular pau-de-arara, que não acontecia nada. Hoje em dia, ele pondera, há um grande risco de que alguém filme o evento e o distribua pelo maldito whatsapp, causando um grande prejuízo para a corporação. "Tortura boa, é aquela que todo mundo sabe que existe, mas que ninguém vê", afirmou.

Os organizadores do seminário montaram então uma demonstração real dos mais variados métodos de tortura. Praticantes do bondage fizeram uma demonstração ao longo de uma hora, se utilizando de alicates, velas, fios desencapados, cassetetes, ratos, cobras, insetos e um curioso filhote de jacaré. Algumas horas e unhas arrancadas depois, a apresentação foi encerrada e o cheiro de vômito pairava no ar.

Os seminaristas chegaram a conclusão de que realmente a tortura física não era a mais eficiente, uma vez que as marcas deixadas nos corpos dos torturados causam um enorme prejuízo de imagem. Iniciou-se então uma mesa redonda em que discutiram métodos de tortura física que não deixem marcas nos participantes. Falou-se muito sobre o uso de papelão e do gelo, mas não se chegou a uma conclusão. Foi acordado que os participantes buscarão, junto as suas organizações, fundos para bancar pesquisas sobre a tortura física que não deixa marcas. "Hoje em dia não dá nem mais para marcar uns árabes e uns comunistas que os bunda-moles dos direitos humanos já reclamam", afirmou um ex-funcionário de Guantánamo. Aliás, a primeira pausa para o café contou com o grupo Los Mariachi, cantando a clássica "Guajira Guantanamera", em homenagem a cidade.

Uma vez que a tortura física claramente tem seus problemas, o restante do seminário se centrou na questão da discussão sobre a tortura psicológica. Claramente mais eficiente, ela não deixa cicatrizes visíveis, coloca o cidadão em uma situação mental muito mais frágil e instável e pode ser facilmente explicável. "O indivíduo desaparece por uns dias e nós os devolvemos a sociedade com alguns tiques nervosos e espasmos. Sempre podemos falar que ele estava usando crack", afirmou o sargento Pimentel.

O professor eslovaco Zvilaj Dosek fez uma longa abordagem sobre as mais eficientes formas de se torturar alguém psicologicamente. Ele falou dos tradicionais métodos, como: deixar a pessoa num quarto escuro, amarrada, com uma gota caindo na testa, ou pendurar a pessoa de cabeça para baixo e pingar água no seu nariz, simulando um afogamento. No entanto, o momento que mais chamou a atenção foi quando Dosek falou sobre o uso da tecnologia moderna associada a tortura psicológica.

Os smartphones, esses aparelhos sensacionais, são ótimas ferramentas. Dosek demonstrou como, deixar a vítima amarrada, com o seu celular a vista apitando mensagens do whatsapp é uma ótima forma de tortura. "Melhor ainda se você puder ficar contando que, olha só, você está com 308 mensagens não lidas e 48 são da sua namorada. É batata, ele logo vai abrir o bico". Segundo o professor, ninguém resiste a situação quando o nível da bateria caí para menos de 15% e a chance de ficar sem ler as mensagens é clara.

Outro método, é submeter a pessoa a assistir os vídeos do canal parafernalha em sequência, assim como vídeos de gatinhos cantando e ler todos os Tweets do Lobão. Em casos mais extremos, vale ameaçar fazer check-in em uma boate gay, curtir páginas suspeitas do Facebook e compartilhar imagens do TV Revolta.

Sem dúvida, todos saíram impressionados com a palestra do professor eslovaco e com muitas ideias para se aplicar na prática. O 1º Seminário Internacional sobre a tortura cumpriu o seu objetivo de discutir este assunto polêmico e marginalizado, de forma aberta e direta. Sua segunda edição foi marcada para março de 2016 na República Tcheca e até lá novos métodos de tortura devem ser desenvolvidos, inclusive com novidades em relação ao uso do Instagram.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Perguntas Decisivas


Você talvez nem perceba, mas nós passamos boa parte das nossas vidas respondendo perguntas decisivas. São perguntas aparentemente simples, mas que por trás delas escondem todo um futuro a ser concretizado. Perguntas que quando são feitas paralisam a sua respiração e deixam seu coração palpitando. Você tem que responder e tem que ser uma boa resposta, porque sua vida será definida com aquelas palavras.

Começamos a responder perguntas decisivas logo que começamos a falar. Não falo aqui daquela clássica sobre suas namoradas ou, pior ainda, se você gosta mais do seu pai e da sua mãe. Não deixa de ser uma pergunta decisiva, porque você estará ali, em um segundo, definindo sua relação familiar por toda a eternidade e quebrando o coração de um dos dois responsáveis por você ser quem você é. Pessoas que fazem essas perguntas para crianças de seis anos deveriam ser presas.

A primeira pergunta decisiva de nossas vidas é: “o que você vai ser quando crescer”. Veja que você é uma criança de poucos anos, não conhece mais do que meia dúzia de profissões, que provavelmente são a do seu pai, médico e jogador de futebol. Você não vai ter muita alternativa naquele momento e logo dirá que quer ser médico, ou igual ao seu pai e vai criar aquela expectativa na família. Mais tarde, quando você se tornar jornalista, todos lembrarão com pesar que quando criança você queria ser médico, mas alguma coisa deu errado. Mas, veja bem. Ninguém diria que quer ser engenheiro agrimensor com seis anos.

Você vai crescendo e passando pelas perguntas sobre namoradas, se gosta do colégio, até que o vestibular se aproxima. Agora é sério. Você tem que escolher uma profissão. É sempre um temor, porque geralmente você não tem muita certeza sobre o que fazer e teme que será contrariado ao informar sua opção preliminar. Que tentarão te demover de qualquer jeito, quem sabe você não faz logo Direito.

A vida passa na faculdade e você passa a ter que responder o que vai fazer da vida, que é provavelmente a pergunta mais difícil de todas. Você arruma um emprego – ou não, como é o caso de aproximadamente 5% da população, mas as perguntas não terminam nunca. Você gosta do seu emprego, é isso o que você quer fazer da vida? As pessoas não param de te perguntar.

Mas é claro que o campo profissional não é o único alvo de perguntas decisivas e repetitivas. O campo pessoal também. Se antes te perguntavam das namoradas, um dia você arruma uma - talvez arrume outras, mas acho que isso deve  dar um trabalho danado - e logo o questionamento passa a ser sobre quando é que você vai casar. As perguntas começam logo ali, quando você completa uns três meses de relacionamento e só terminam no dia do casamento. Ou no fim do relacionamento. Ou com a morte prematura de uma parte do casal.

Ainda não cheguei lá, mas tenho certeza que após o casamento as perguntas decisivas não acabam. Você começará a ser questionado sobre os filhos. Sim, o primeiro filho, depois o segundo. Talvez quando você complete um time de basquete de filhos, o assunto mude e passe a ser a educação das crianças, como elas vão, o que elas serão quando crescer, se elas gostam mais de você ou da mãe. A vida, afinal, é um ciclo. Não acredito que exista uma data, um momento em que as pessoas parem de te fazer perguntas decisivas. Barack Obama, Fidel Castro, todos devem receber perguntas repetitivas o tempo inteiro, nem que seja sobre a saúde, a aposentadoria. Você só deixará de ser questionado quando morrer, mas mesmo assim algumas pessoas te perguntarão porquê.

Espero que um dia, daqui a muitos anos, eu volte a escrever por aqui sobre as perguntas decisivas. Contarei para os fiéis leitores de sempre e para as próximas gerações, quais são os questionamentos que acompanham o cidadão até o fim do seu próprio tempo, porque, até agora, eu ainda estou na pergunta do casamento. Quer dizer, agora não mais, tudo bem, Ana Rosa?

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

A Magia do Terno Branco

Com certeza você assistiu ao vídeo em que José Sarney, de adesivo da Dilma Rousseff no peito, vota em Aécio Neves para presidente. Você viu ele deslizando marotamente o dedo sobre o número 1 e logo abaixando para o número 4 e o número 5. Quando o vídeo veio a tona, Sarney denunciou uma clara montagem, mas mais tarde admitiu o voto aécista como uma homenagem ao seu avô e parceiro de chapa Tancredo Neves.

No meio dessa polêmica toda, poucas pessoas perceberam o figurino trajado pelo líder do clã Sarney. Ele estava com um portentoso terno branco, símbolo da virilidade, da crueldade, da dureza. Um homem de terno branco e bigode é um homem automaticamente respeitado, que ninguém ousará afrontar. Veja essa foto.

Veja como ele é a encarnação do mal. Veja que se você dizer qualquer coisa sobre ele, ele irá mandar seus capangas te perseguirem, arrancarem sua pele e te mergulharem em sal grosso. Veja que você não tem esse mesmo sentimento em relação ao Sarney trajado com ternos escuros.

Olhe então, como fica o Ribamar na bancada do Senado, com vários companheiros de terno branco. Quem é que teria coragem de chegar para eles e falar “rapazes, queiram por favor se retirar daqui”? Ninguém.

Perceba que muitos senadores de cunho coronelista se transformam na encarnação do mal com o terno branco adornando seus bigodes. No caso do lendário ACM, o terno nem precisava ser branco, apenas claro.

E o que vocês diriam do Collor, heim? Até passou a acreditar nas denúncias satânicas feitas pela sua ex-mulher.

Nem precisa ser necessariamente político. Veja esse povo simpático.

Ou seja. Se você quiser botar moral em alguém, não se esqueça: ponha seu terno branco e conquiste seus objetivos.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

10 boas canções que já ficaram ruins por conta do clichê

O que faz uma pessoa gostar de uma música é um absoluto mistério. Sim, é difícil entender como tantas músicas desprezíveis do sertanejo universitário acabam fazendo sucesso e torrando nossa paciência após exaustivas repetições em rádios e lugares públicos.

Pois, não são apenas as músicas ruins que enchem o saco. Boas músicas também adquirem essa atribuição após repetições intermináveis. Uma melodia simples e bonita, uma letra minimamente inteligente e positiva e pronto: a música será trilha sonora de Power Point com slides de natureza, suas letras serão utilizadas no Facebook. Poderiam muito bem servirem de base para a construção de um personagem interpretado pelo Morgan Freeman ou de ponto de partida para uma crônica do Pedro Bial.

1 John Lennon – Imagine
John Lennon compôs e gravou está canção em 1971. O piano simples, a melodia bonita e a mensagem pacifista a massificaram e desde então ela é tocada sempre que alguém quer falar de paz. O pior é que todo mundo já escutou Imagine, mas muitas pessoas ainda falam de sua letra como se fosse um pensamento inédito e profundo. Nem percebem que ela é praticamente um hino comunista, imaginando um mundo sem possessões, sem religiões, todos iguais e partilhando o mundo.

2 Titãs – Epitáfio
Epitáfio é provavelmente o único sucesso dos Titãs neste século. A letra é uma espécie de carta de intenções não realizadas por individuo próximo a morte. Ele queria ter amado mais, se preocupado menos, com problemas pequenos e ter visto o sol se por. Virou um hino sobre viver a vida intensamente e uma grande mensagem diária de reflexão. O mais curioso é que o refrão “o acaso vai me proteger enquanto eu andar distraído” não tem muita relação com o resto da letra.

3 Almir Sater – Tocando em frente
“Ando devagar porque já tive pressa e levo esse sorriso porque já chorei demais”, foram os versos escritos por Almir Sater e Renato Teixeira após um jantar. A letra é sobre uma pessoa experiente, que já viveu de tudo nessa vida, ótima para homenagear pessoas que estão passando por algum período de mudança em suas trajetórias. Detalhe especial para o verso “o sabor das massas e das maçãs”, que é cantado com ênfase pelas pessoas do tipo “presta atenção na sagacidade desse verso”.

4 Legião Urbana – Pais e Filhos
Pais e Filhos é mais uma música do Renato Russo sobre o mal estar de sua geração. A letra inteira é uma confusão de meninas que se mataram e gente que quer fugir de casa, mas em determinado ponto entra o refrão (cantem junto) “é preciso amaaaaaaaaaaa-aaaar as pessoas como se não houvesse amanhã” e aí é certeza que você já escutou essa música como mensagem do dia, porque com certeza é preciso amar as pessoas de qualquer jeito, mas porra, quem ainda aguenta o Renato Russo.

5 Milton Nascimento – Canção da América
Não negue, o imortal verso “amigo é coisa pra se guardar no lado esquerdo do peito” é bem bonito. Mas ele já tocou tanto em matéria de televisão, em cena de novela e até em um surreal comercial de iogurte, que já não dá para gostar publicamente dessa música. Para piorar, a canção que Milton ouviu na América era a preferida do santo Ayrton Senna do Brasil. Assim sendo, sempre que formos nos lembrar do nosso herói nacional e de sua trágica morte, iremos escutar “qualquer dia amigo eu volto a te encontrar”.

6 Queen – We Are the Champions
Sempre que alguém ganha alguma coisa em algum momento da vida, seja um título mundial ou um canudo vazio de formatura, a eterna música de Freddie Mercury irá tocar. Os versos, originalmente uma epopeica superação de problemas, se transformaram num culto hedonista ao ego e você, mais uma vez, só poderá curtir essa música sozinho e com fones de ouvido. Caso contrário, alguém que curte Cindy Lauper ainda poderá cantar junto com você.

7 Toquinho – Aquarela
Numa folha qualquer o Toquinho desenhava um sol amarelo e com cinco ou seis retas era fácil fazer um castelo. Convenhamos que essa é uma mentira tremenda, com cinco ou seis retas você desenha no máximo uma torre do castelo e bem porcamente, façam o teste. O fato é que o eterno hino da Faber Castel virou uma poesia universal sobre a infância e as asas da imaginação, sem que ninguém perceba que ela é muito depressiva e afirma que no final todos nós vamos morrer, descolorindo a aquarela.
Desenha essa porra com cinco ou seis retas que eu quero ver

8 Elton John – Candle in the Wind
Elton John escreveu esta música originalmente para homenagear Marilyn Monroe em 1973 e fez um sucesso danado. Mais de 20 anos depois, suas perucas permaneciam intactas quando a Princesa Diana morreu em um acidente de carro, e ele a cantou em seu funeral. Desde então, sempre que alguém se lembra da mãe dos pobres e futura santa Diana, as reportagens lembrarão-se do seu velório com Elton John se despedindo dela, a flor da Inglaterra.

9 Louis Armstrong – What a Wonderful World
Louis Armstrong e seu sorriso marcante viam árvores verdes, um céu azul e um arco-íris colorido, contemplativo. A orquestração e o trompete marcam presença sempre que alguém quer falar das belezas do mundo e tal. Mas, o que eu queria dizer, é que o Stevie Wonder já participou da gravação de uma versão dessa música. Sim! Sobre ver árvores verdes, o céu e a porra toda! Que foda!

10 Eu sou brasileiro com muito orgulho e com muito amor 
Ok, pode ser bonito dizer que você tem orgulho do seu país. Mas caramba, essa música afundou a seleção brasileira e é insuportável se você gosta ou já cantou ela, merece a forca.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Debate Filosófico: Juízes e Deuses

Na última quinta-feira, 13 de novembro, o CH3 voltou a abrir as portas de seu auditório para receber uma multidão disposta a debater o sentido da vida. Cientistas, políticos e interessados em geral participaram do primeiro debate filosófico de 2014 e provavelmente o último, já que o ano está acabando.

Nosso anfiteatro ficou lotado com a presença da bancada parlamentar do PMDB, historiadores, bibliotecários, arqueólogos e taxidermistas. A mesa de honra foi composta por Rodrigo Constantino, Aécio Neves, Stanley Burburinho, Joaquim Barbosa, Michel Bastos, Vinícius Gressana, Sandra de Sá, Steve Jobs, a Mulher Maçã e o carnavalesco Joãozinho Trinta.

Coube a Vinícius Gressana fazer as honras da casa e introduzir o tema. Explicou que os debates estiveram suspensos ao longo do ano em respeito ao calendário eleitoral. Agradeceu a presença de todos que se fizeram presentes, abrindo espaços em suas concorridas agências e lamentou a ausência de Padre Quevedo, que perdeu seu voo em algum ponto entre Maringá e Londrina.

Vinícius introduziu brevemente o assunto. Lembrou o polêmico caso trazido a tona nesta semana, quando uma fiscal de trânsito foi condenada a indenizar um juiz que dirigia sem habilitação e em um carro sem placas, por afirmar que ele poderia ser juiz, mas não era deus. Afinal, falar que um juiz não é deus é uma ofensa? Juízes são deuses? O que podemos falar sobre esse assunto.

O biólogo ateísta, Richard Dawkins logo pediu a palavra e disse que deus não existe, portanto, ninguém pode ser deus. Foi o suficiente para que o Pastor Marcos Feliciano invadisse o auditório com uma milícia evangélica e levasse Dawkins para fora, junto com o humorista Marcelo Adnet que estava traindo sua mulher. Quando descobriu que um dos organizadores do evento era dono de um prostíbulo, Feliciano entrou em combustão espontânea e suas chamas se dissiparam no ar.

Gilmar Mendes pediu a palavra e afirmou que juízes são deuses sim e que quem negar o contrário, deverá enfrentar a letra fria da lei. Foi então questionado pelo Padre Marcelo Rossi, que disse que Deus é o criador, que entre outras coisas, ele foi o responsável por criar o mundo em seis dias e descansar no sétimo. O papa Francisco disse que não tinha certeza se isso era verdade.

Não satisfeito, Mendes afirmou que ele é, sim, capaz de criar o mundo em seis dias e descansar no sétimo. Todos ficaram olhando para ele, espantados e esperando uma reação. O ministro afirmou que são precisos seis dias, que ele não pode criar o mundo ali naquele auditório e, além do mais, este já poderia ser o sétimo dia e alguém teria que ser capaz de provar que ele não criou o mundo nos seis dias anteriores.

O cantor Wando teve acesso ao microfone e cantou uma bela e suada canção de amor, momento no qual uma gaúcha atirou suas roupas nele e passou a correr pelada pelo auditório e então, porta afora. Segundo o rei das calcinhas, ele também pode dizer que criou o mundo em sete dias e desafiou qualquer um a provar que ele não tivesse realizado esse feito.

Criou-se um impasse nesse momento e Gressana precisou intervir fortemente, disparando dois tiros para o alto, lembrando todos qual era o assunto. O presidente norte-americano, Barack Obama, então, afirmou que achava que juízes não eram deuses e que não havia ofensa nenhuma em alguém trazer essa realidade a tona. Enquanto Obama falava, a Associação de Magistrados de Penedo-AL atirava bolinhas de papel no presidente. Luciano Huck postou uma foto com uma bolinha de papel no Instagram, como retaliação.

Perguntado sobre o tema, Aécio Neves disse que era tudo culpa do PT, que esse é mais um dos setores em que o governo da presidente Dilma falhou, que ela errou em tudo. Questionado diretamente sobre o caso do juiz-deus, Aécio voltou a responder que a culpa era do PT. Descobriu-se então que o senador havia enviado um holograma de si próprio que repetia uma gravação.

Para provar que juízes podem ser deuses, o desembargador Paulo Roberto Pereira Machado, abriu a boca e começou a puxar um lenço colorido entrelaçado de dentro da sua garganta. O ato durou cerca de seis minutos, tempo no qual já havia aproximadamente oito metros de pano babado pelos corredores do nosso auditório. Paulo Roberto recebeu aplausos constrangidos.

Em pouco tempo, Rodrigo Constantino e Stanley Burburinho passaram a discutir a questão da feitiçaria em um sociedade bolivariana, enquanto a Mulher Maça tirava selfies com toda a plateia. Percebendo que o debate não mais iria avançar, apagamos as luzes do auditório e mandamos pessoas fantasiadas de poupançudos da Caixa correr pelo local emitindo barulhos estranhos. A estratégia surtiu efeito e em pouco tempo o auditório estava completamente vazio, pelo menos até o próximo debate filosófico.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Revolução Nudista, parte 2

O telefone apitou mostrando que uma mensagem havia chegado. Olhei e uma fonte me confidenciou “vai por mim, isso tudo está sendo arquitetado a anos e a sede fica em Porto Alegre e filiais em Pelotas”. Minha fonte se referia a onda nudista que tem assolado o país.

Dias atrás pensava em você o CH3 publicou um texto alertando para o silencioso movimento nudista que provavelmente visava um golpe de Estado. Alerta que passou em branco em todos os veículos de comunicação. Desde então, mais duas mulheres andaram nuas em Porto Alegre e um homem nu danificou automóveis no interior de Santa Catarina.
Descendo o morro da vó Salvelina

Os sites ainda tratam isso como uma curiosidade, lembrando apenas dos casos em Porto Alegre. Não percebem que festas nudistas estão sendo organizadas no Rio de Janeiro, que passeatas nudistas são arquitetadas em todo o país. Que os sem roupa estão colocando a cabeça para fora, literalmente.

A revolução nudista começou a ser arquitetada em 2006, depois de uma confusa história que envolvia um parque de diversões. Os golpistas escolheram Porto Alegre como cidade sede por razões geográficas estratégicas. Localizada ao sul do país, a capital gaúcha tem grande população que pode ser mobilizada, mas as ações chamam menos a atenção do que outras cidades centrais. Além disso, os gaúchos são adeptos de revoluções, nutrem um sentimento separatista. Ainda haveria sempre a possibilidade de escapar para o liberal Uruguai, caso as intenções fossem descobertas.

Hoje a organização conta com membros em 27 estados e organiza aparições nudistas temporárias, para manter a causa em evidência. Com a proximidade das eleições e o clima de insatisfação geral, os Nudistas intensificaram as ações. Eles também buscam maneiras de participar mais ativamente da política, investindo na criação de um novo partido liberal.

“A ideia é buscar alternativas. Podemos chegar lá pela via democrática, mas não descartamos o uso da força. Os nudistas estão crescendo e ninguém vai nos segurar”, afirmou um dos altos dirigentes da agremiação, que afirma que ninguém luta com nudistas “por medo de esfregar no nosso pinto”.

Depois de concentrar esforços na sua sede em Porto Alegre, os Nudistas agora devem reforçar as ações em outros estados. Os sem roupa também devem aparecer executando outras ações, além de correr em vias públicas. Visitas em supermercados devem ser programadas e, dependendo do número de adeptos, rolezinhos nudistas podem ser a moda do próximo verão.

Perguntado sobre o que fará quando assumir o poder, o dirigente nudista afirma que vai tornar facultativo o uso de roupas em qualquer lugar do país. “Irei despachar do Palácio do Planalto sem roupa”. O Nudismo também estará na grade de todos os colégios brasileiros substituindo o Ensino Religioso. “Falam que vamos instalar uma ditadura, mas isso não é verdade. Não há como abrigar que pessoas andem peladas aqui em Porto Alegre no inverno. Também ia desaquecer a economia e causar muito transtorno nas partidas de futebol. Como saber que time é cada qual?”, questionou.

A verdade é apenas uma: a revolução nudista está apenas começando, não sabe quando vai acabar, mas sabe onde vai acabar.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

O épico discurso de retorno pra casa

Excelentíssimos, boa noite. Tenho que primeiro dizer que volto a esta casa com muito orgulho. Não com o orgulho ferido, mas enaltecido pelas manifestações de apoio que recebi de norte a sul deste país. Reconheço em mim a força da renovação e revigorado me apresento para lutar durante os próximos quatro anos, nesta casa que tão bem conhece o meu trabalho e a minha disposição.

Me ponho aqui, não como o homem que recebeu 51 milhões de votos nas últimas eleições. Me ponho aqui como a entidade antropomórfica de lábios translúcidos que transcende as objeções outrora feitas por aqueles que tentam me desqualificar. Meus feitos ficarão para a história, porque cabe a história julgar os bendizeres amaldiçoados em praça pública. Não represento mais apenas a minha pessoa jurídica, porque eu, dentro de todas as minhas qualidades e defeitos tenha todas as minhas limitações impostas pela lei da natureza e pela lei dos homens. Agora, eu represento a voz de milhares de pessoas que foram as ruas clamar pelas mudanças que precisam ser realizadas em todas as alterações perpassadas por referendos. A voz do povo não erra jamais. A voz do povo, calejada pelo martírio fumegante, com as faces em chamas, foca na realidade incerta. No objetivo inalcançável, mas que é o que, afinal, move os sonhos de quem ousa sonhar. Sonhos que não são incertos, mas que nos fazem viver com os olhos fechados e guiados pela transitoriedade da verborragia incandescente. Oras, o povo está aí, como sempre esteve. O povo apenas é. É toda essa vontade lamuriante que não se pode calar.

Sei reconhecer o papel que me foi destinado e que esse papel é o de ser a oposição. Irei me opor de maneira intransigente e peculiar contra todos os desmandos que ousem pairar sobre a cabeça da população. Contra as nuvens passageiras que acreditam que tem a capacidade de sombrear a sorte que acompanha quem já nasceu com ela, eu aviso que estarei aqui. Não irei me calar diante dos infortúnios plantados por aqueles que querem colher a cizânia e os afagos inerentes da quietude humana. E para suplantar o desejo de todos, será preciso superar primeiro o meu cadáver. Não estarei desarmado. Aviso a todos que eu sou fogo, terra, água, ar e paixão. Carrego aqui uma espada varonil que irá tombar a iconoclastia fulgurante que ruge pelo vácuo do infinito. Os elementos que compõe a minha essência, agora congelam no espaço diante daquilo que fulgura na impaciência da coletividade.

Tenho aqui que agradecer todos os apoios que recebi por todos os lugares onde eu passei. Em cada vila, em cada rua, em cada bairro, em cada casa, em cada vilarejo onde eu passei, e também nos que não passei, recebi apoio de todos os que eu vi, e os que não vi e os que não estavam lá. Prova do apoio incondicional que recebi da nação o que torna inexplicável a minha derrota, que precisa ser melhor explicada pelo tecnicismo que rege as relações interpessoais do homem e da máquina. Sou agora, um pássaro de fogo, ave revigorante que voa pelo céu infinito em busca de uma saudação gloriosa que trará a redenção para quem tanto sofreu nas mãos que maltrataram o oprimido e fortalecem os que não precisam ser fortalecidos porque já tem força suficiente para ajudar na opressão. Digo ao povo que quero ser a mão que tomba aqueles que se afogam em gargalhadas engasgantes, porque não há mais nada para resgatar a estima esquecida em armários de cetim. Pudera a ligação exorbitante feita por uma tormenta de pensamentos que não se basearam no amadorismo científico.

Por fim, gostaria de deixar um abraço fortíssimo e estrondoso para aqueles que sempre estiveram do meu lado. Sem estas pessoas caminhando firmemente, de mãos dadas em busca de um projeto edificante, poderia ter caído em tentação e me afastado dos princípios homéricos que guiaram toda a minha trajetória. Minha exuberante mulher que me afaga nos momentos de tristeza e me afoga numa cascata da mais pura seiva de prazer. Meus filhos, todos maravilhosos e que com certeza irão um dia se olhar no espelho e reconhecer ali as marcas deixadas por um pai vultuoso, que é motivo de orgulho, amor e poder. Meu pai, minha mãe, responsáveis por minha inebriante criação e que sempre me apoiaram em todos os meus desejos e souberam reconhecer meus potenciais e meus defeitos e me ajudaram em todos os momentos para que eu me apropriasse das vaidades alheias em busca de um sentimento maior. É isso o que move. Meu avô, bastião da inquietude que guiou os cegos pelas trevas e atravessou o pântano da lamúria para ressurgir em redenção mortífera. Também, não poderia deixar de esquecer da apresentadora Xuxa, uma musa estadista, com um espírito libertário e libertador que jamais aqueceu o forno da meritocracia, com sua pele macia e o conhecimento dos desejos que se passam na mente humana, das mais jovens até as mais antigas, porém, não menos respeitáveis. Eis um exemplo que deveria ser seguido por todos que tenham pés para pisar no sagrado solo brasileiro.

Encerro então a minha fala e deixo aqui registrado que três senadores pediram a palavra para se cair em elogiosas eglísias sobre a minha pessoa. Democrata que sou e conhecedor dos direitos que pairam sobre esta casa soberana, vos concedo agora a minha palavra e vos dou a minha paz, a minha imagem e a minha semelhança.

- Senador. Vossa excelência deu aqui um exemplo de democracia. Vossa excelência é luz. Vossa excelência é raio, estrela e luar. Uma manhã de sol, meu iaiá meu ioiô. Não poderia deixar de citar o mestre Gilberto Gil e dizer para vossa excelência, que saiba que na refazenda, tu me ensinas a fazer renda, que eu te ensino a namorar. Enquanto o tempo não trouzer seu abacate, amanhecerá tomate e anoitcerá mamão. Vossa excelência, senador, é justamente o significado da palavra temporão.

Muito obrigado senador. Saiba que vossas palavras rebatem em minha alma e ilustram meu ego com uma força motriz que jamais irá se apagar. O verniz que escorre do meu peito é a fonte da minha juventude e do meu trabalho. Jamais irei me esquecer das suas palavras, que serão lapidadas na pedra preciosa da minha vida, com a raridade e atitude que se fazem necessárias. Concedo agora a a palavra para a Senadora do Tocantins.

- Senador, vossa excelência está muito gostoso hoje. Com todo o respeito que vossa excelência merece, diria-te que chuparia-te todinho se assim você quisesse. Vossa excelentíssima piroca é um bastião varonil, uma águia que se ergue contra as mazelas da mente de todas as minhas companheiras. Apenas isso, não quero me prolongar muito, apenas registrar aqui que vossa excelência é um tesão e me jorra pela boca o seu gosto de prazer.

Obrigado senadora, informo que estou em um enlace matrimonial guiado pela divindade que rege o universo e que tudo o que você me diga poderá provocar ciúme alheio, mas para mim, será apenas motivo de sonhos confusos e desejos mortificantes. Agora, para finalizar, concedo a palavra para a o senador de Roraima.

- Vossa excelência, quero aqui afirmar e certificar, registrar em rede nacional a excrescência que está sendo proferida por vossa senhoria. Vossa excelência é um babaca! Um patife, que vossa excelência vá tomar no meio do seu redondíssimo e excelentíssimo cu! Filho de uma excelentíssima puta, hipócrita do caralho! Pretendo que vossa excelência lave vossa excelentíssima boca antes de proferir qualquer palavra que ouse profanar a excelentíssima imagem da presidenta de nossa excelentíssima república. Chupe, vossa excelência e que continue o chupando.

Quero aqui dizer que vossa excelência está lamuriando o discurso daqueles que são derrotadas mesmo quando vencem. Vossa excelência está em total descontrole com o descaminho que desgoverna o desconforto do desgostoso povo brasileiro. É preciso inquietude para inclinar os resultados inesperados da impotência demonstrada pela insatisfação. Demonstro aqui minha renovação pelo desejo de reformar a retaliação retraída pelos requerimentos que refazem a revolução. Que te cales e consiga cometer a sacristia que cria a crise que se acaricia no começo da construção consumada em costumes comedidos. Boa noite.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

A Chapa 03 dentro de cada um

Quem acompanha a história do CH3, sabe que seus membros fundadores desenvolveram profunda militância política durante o seu período universitário. Eles foram os fundadores e articuladores da Chapa 03, movimento que conquistou corações e seguidores, enquanto disputava o DCE, o Centro Acadêmico e se bobear até a reitoria. Nos manifestamos sobre protestos estudantis e sociais. Estávamos sempre lá.

Eram outros tempos. Quando você é universitário, tem acesso a uma ampla rede de máquinas de Xerox e podia reproduzir seus manifestos em incontáveis folhas que custavam dez centavos. Assim sendo, depois que nos formamos – e eis uma diferença da Chapa 03 para os membros das outras chapas, nós nos formamos - a Chapa 03 acabou. Entre outras coisas, porque a terceira via se popularizou em toda e qualquer disputa eletiva e, hoje em dia, a Chapa 03 provavelmente se transformaria em Chapa 04, criando uma crise existencial.
Isso aqui, caso você não saiba, é uma máquina de xerox.

Hoje podemos dizer que a Chapa 03 era quase uma manifestação artística, uma intervenção urbana. Nossa intenção era chamar a atenção para todo o ridículo do processo, contra duas chapas – situação e oposição – que se enfrentavam em uma disputa enfadonha, com propostas anacrônicas e vivendo em uma realidade defasada. No fundo, aquilo ali era uma disputa pelo poder que interessava muito mais quem estava na disputa, do que quem votava.

Pois, esses dias eu estava chegando no meu trabalho e notei que um carro continha um adesivo da Chapa 01. A eleição agora é para um sindicato qualquer, não sei qual, o serviço público tem inúmeros sindicatos para suas inúmeras carreiras administrativas. Logo vi uma faixa pedindo voto para a Chapa 02. Senti a provocação e um sentimento cresceu dentro de mim.

Estava novamente diante de uma disputa que interessa mais para os candidatos do que para quem irá elegê-los. Se na época do DCE, o pessoal queria controlar as atividades universitárias, ganhar espaço em manifestações populares e depois concorrer a algum cargo eletivo pelo PCdoB, agora os sindicalistas querem poder de barganha para futuras conquistas políticas. E uma vez que a Chapa 03 está dentro de você, ela jamais te abandona. O desejo de avacalhar todo e qualquer processo democrático enfadonho é incontrolável.

Logo comecei a arquitetar o plano sindical da Chapa 03. Nosso principal projeto seria destruir o prédio da Secretaria de Ciência e Tecnologia para construir um enorme parque aquático. Quem precisa de bolsas científicas quando podemos ter as bolas frias em tobogãs enormes e deslizantes?

Claro que para conquistar o poder iríamos afagar o funcionalismo público, prometendo a redução da jornada de trabalho para 40 horas mensais, dobrando o salário e garantindo auxílio alimentação equivalente ao dos ministros do Supremo. Também pensamos na construção de um heliporto no lugar de uma dessas secretárias, além de oferecer cursos de especialização gratuitos em Miami e Dubai.

Nosso poder de barganha seria a boa e velha greve. Montaríamos barricadas com os ofícios e relatórios da repartição e só voltaríamos ao trabalho quando fossemos atendidos. Talvez, optássemos por ficar apenas em casa mesmo.

Acho que a Chapa 03 teria muitas chances de conquistar a eleição, mas, no entanto, o projeto não foi pra frente. Os tempos são outros e nós poderíamos conseguir muitos problemas na justiça, buscas e apreensões e acabar na cadeia.

Vamos tentar conseguir o poder primeiro dominando as eleições para síndicos de condomínios. Mas sei que vai ser difícil. Parece que o PMDB já domina essas eleições.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Dicas para o Enem

No próximo sábado, milhares de estudantes vão às ruas para decidir o seu próprio futuro. Eles vão prestar a prova do Exame Nacional do Ensino Médio, que de um tempo para cá adquiriu ares de um vestibular unificado nacional. Um bom desempenho na prova pode abrir as portas dos melhores cursos, das melhores universidades do país. Um mau desempenho pode te guiar para uma péssima instituição, para mais um ano de cursinho, ou para um campo de trabalhos forçados.

O caminho para um bom resultado é um mistério da ciência. Por mais que os jornais e os professores tentem ensinar um guia prático para a aprovação no ITA/Medicina, cada um precisa encontrar o seu próprio método. Agora, existem muitas coisas que podem te levar a ruína. Não estudar, utilizar ou portar substâncias ilícitas no local da prova, comer comida estragada, não utilizar o despertador e acreditar que deus vai te acordar.

Não podemos garantir que você vai se sair bem na prova. Mas, podemos trabalhar para evitar que você caia em tentação e cometa erros amadores que não irão te classificar sequer para o curso de Filosofia da Universidade de Cangas. Por isso, fiquem atentos para as dicas a seguir.

Fique atento para o conteúdo da prova. Não adianta você ficar horas estudando as escalações do Flamengo nos anos 60, os golpes dos cavaleiros do Zodíaco ou o comportamento dos átomos de hélio na garganta de adultos, se isso não foi cair na prova.

Estranhe, caso sua prova esteja
marcada para este lugar
Conheça com antecedência o local da prova. Saiba pelo menos o local. Se você mora em uma cidade muito grande, existe a possibilidade de que você seja colocado em uma sala bem distante, daquelas que você vai levar três horas de ônibus e mais 18 km de caminhada para chegar lá. Pelo menos consulte o local e faça uma busca no Google Maps.

Não se esqueça de acordar para fazer a prova. Ela tem um horário marcado para acontecer e não dá para fazer segunda chamada depois. Não se esqueça de vestir roupas, porque a legislação brasileira ainda não permite o vestibular nudista. Saia de casa com direção ao local e evite quaisquer distrações durante o caminho, como fliperamas, rodas de capoeira e passeatas por uma intervenção militar. Ou você estuda, ou você pede intervenção militar, não tem como conciliar as duas atividades.

Certifique-se que você chegou ao local da sua prova e não a um clube de strip-tease. Certifique-se que há uma mesa disponível para você fazer a prova. Certifique-se que as pessoas ao seu lado não portam caldeirão, espetos, facas e nada que sugira que você esteja próximo de ser o protagonista de um ritual de sacrifício humano.

As normas da prova impedem que você porte alguns objetos no local da prova. Você não pode entrar portando revólveres, ogivas nucleares, araras e outros animais silvestres, tampouco animais domésticos, notebooks, laptops, granadas, vibradores, CDs do Bruno e Marrone. Há uma velha polêmica relacionada ao relógio, mas, em todo caso, evite-o.

Você deve aparecer no seu local de prova munido apenas de uma caneta transparente e com tinta preta. A caneta deve ser transparente para evitar que você coloque cola, cocaína, ou césio 137 no seu interior. A caneta deverá ser utilizada meramente para preencher a folha de respostas da prova. Você não deve utilizar a caneta para furar a jugular ou os olhos dos seus concorrentes, para cavar um túnel de fuga, para coçar o toba ou limpar o ouvido e depois passar a cera no papel.

A folha de resposta, por outro lado, deverá ser preenchida única e exclusivamente com a caneta de tinta preta. Não utilize canetas azuis, canetas vermelhas, canetas verdes, lápis, tinta guache, giz de cera, e muito menos o seu próprio sangue. Uma boa dica, é que na folha de resposta você deve marcar a opção que você julgar correta. Não tente realizar uma obra de arte baseada no pontilhismo por lá.

Há também, a questão da comida. Muitas pessoas sentem fome na hora da prova, outras vomitam ou tem diarreia se comer alguma coisa, especialistas dizem que comer e necessário, outros afirmam que isso irá te levar a morte. Então, a solução aqui é o autoconhecimento. Você é daquelas que às 10h30 da manhã já está de mau humor e esperando o tempo passar para comer? Então, leve alguma coisa.

De toda a forma, pense em algo prático, como uma barra de cereal ou um chocolate. Fruta também é uma boa, mas evite levar frutas grandes, como jacas (vai ser difícil manuseá-las), frutas que fazem sujeira pra caramba, como as mangas e também os vegetais de duplos sentidos, como a banana, para que você não tenha uma recaída súbita que te leve a introduzi-la em seu ânus. De qualquer jeito, não é uma boa ideia levar uma quentinha, assar uma carne ou um leitão no rolete.

Pois bem, evitando as armadilhas do caminho, você já diminui as chances de fazer merda na hora da prova. Mas, de qualquer forma se lembre: menos de 10% dos que vão fazer a prova conseguirão ser aprovados para um curso qualquer. Portanto, estatisticamente, a chance de você tomar no cu é muito maior do que a chance de você obter sucesso. Além do mais, qualquer coisa o Pronatec tai.

Ah, uma última dica: os professores nunca acertam qual é o tema da redação e não existe uma lógica para definir qual será o tema. Então, não liguem para isso.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Transando na balada

Vocês talvez não se lembrem, hereges que são, mas já faz um ano que o Rei do Camarote entrou em nossas vidas. Foi no dia 1º de novembro de 2013 que Alexander Almeida talhou em pedra virtual os seus 10 mandamentos, transformando o canal do Youtube da Veja São Paulo em nosso Monte Sinai.

Os 10 mandamentos de Alexander são uma espécie de guia de vivência no mundo da balada. Graças a Palavra, sabemos que temos que nos vestir com as melhores marcas, que são Burberry, Armani e Prada, que temos que ter carros, carros potentes e que Ferrari é um mito e que celebridades agregam valor ao seu carro, a sua bebida, enfim, a tudo.

O Vídeo também retratava um homem, apesar de tudo, humilde, um abnegado. Ele prefere vodca, mas pede champanhe, porque sabe que champanhe é uma questão de status. Alexander abre mão dos seus prazeres pessoais, em bem da satisfação geral. Creio que ele seria eleito presidente por unanimidade, caso se candidatasse.

No momento mais polêmico, AA RdC assumia um segredo sujo: ele já havia transado com uma garota na balada. No banheiro. Até então, nunca a humanidade havia escutado sobre o caso de alguém que tivesse mantido relações sexuais em uma balada. Sabemos que algumas pessoas, eventualmente, chegam a fazer sexo após a balada, outras antes. Mas, durante a balada, jamais. Imaginávamos que as pessoas saíssem a noite para se divertir, beber champanhe, dançar com a máquina do cartão, jamais para transar.

A grande dúvida era com quem ele havia transado na balada. Se tínhamos notícia de apenas um homem que havia transado na balada com uma garota, isso significava que havia uma garota na história. Mas, ela jamais surgiu, e muitos poderiam imaginar que se tratava de uma garota imaginária. Até que Geisy Arruda apareceu.

Vocês se lembram da Geisy, é claro. Ela é a menina que estudava administração na Uniban e foi pra aula utilizando um microvestido cor de rosa, provocando revolta em todos os universitários, que marcharam em romaria até a sua sala apenas para chamá-la de puta, numa espécie de catarse coletiva.

Muitos concordaram com os inquisidores, outros sentiram pena. Mas o fato é que Geisy soube catalizar o fato para se transformar em uma nova subcelebridade, ofuscando até pessoas que labutam a mais tempo nessa carreira, como Nana Gouvêa. Em pouco tempo ela chegou até a capa de uma dessas revistas masculinas.

Geisy é uma ótima celebridade, porque sempre gera pautas positivas. Após fazer uma cirurgia íntima, ela afirmou que não tinha uma vagina, e sim uma couve-flor. Declaração que provocou uma queda vertiginosa no número de praticantes do sexo oral e também no de comedores de couve-flor.

Pois bem. Arruda está posando nua novamente, o que gera uma grande dúvida: quem é que está tão interessado assim em vê-la sem roupa outra vez? Mas enfim, durante uma entrevista que acompanhou o lançamento do ensaio ela fez a Reveleção: Geisy já transou na balada. Aliás, no camarote de uma balada.

O ciclo agora se fecha. Temos notícia de um homem e de uma mulher que já fizeram sexo na balada, provavelmente os únicos em toda a história. Vocês entenderam o que isso significa. Temos agora um casal extremamente midiático e uma história sensacional. Não sabemos se o ato foi feito na era pré ou pós-couve flor, mas já sabemos que eles foram precavidos e que nenhuma criança nasceu dessa relação.

Aguardemos os desmentidos protocolares.