segunda-feira, 17 de novembro de 2014

10 boas canções que já ficaram ruins por conta do clichê

O que faz uma pessoa gostar de uma música é um absoluto mistério. Sim, é difícil entender como tantas músicas desprezíveis do sertanejo universitário acabam fazendo sucesso e torrando nossa paciência após exaustivas repetições em rádios e lugares públicos.

Pois, não são apenas as músicas ruins que enchem o saco. Boas músicas também adquirem essa atribuição após repetições intermináveis. Uma melodia simples e bonita, uma letra minimamente inteligente e positiva e pronto: a música será trilha sonora de Power Point com slides de natureza, suas letras serão utilizadas no Facebook. Poderiam muito bem servirem de base para a construção de um personagem interpretado pelo Morgan Freeman ou de ponto de partida para uma crônica do Pedro Bial.

1 John Lennon – Imagine
John Lennon compôs e gravou está canção em 1971. O piano simples, a melodia bonita e a mensagem pacifista a massificaram e desde então ela é tocada sempre que alguém quer falar de paz. O pior é que todo mundo já escutou Imagine, mas muitas pessoas ainda falam de sua letra como se fosse um pensamento inédito e profundo. Nem percebem que ela é praticamente um hino comunista, imaginando um mundo sem possessões, sem religiões, todos iguais e partilhando o mundo.

2 Titãs – Epitáfio
Epitáfio é provavelmente o único sucesso dos Titãs neste século. A letra é uma espécie de carta de intenções não realizadas por individuo próximo a morte. Ele queria ter amado mais, se preocupado menos, com problemas pequenos e ter visto o sol se por. Virou um hino sobre viver a vida intensamente e uma grande mensagem diária de reflexão. O mais curioso é que o refrão “o acaso vai me proteger enquanto eu andar distraído” não tem muita relação com o resto da letra.

3 Almir Sater – Tocando em frente
“Ando devagar porque já tive pressa e levo esse sorriso porque já chorei demais”, foram os versos escritos por Almir Sater e Renato Teixeira após um jantar. A letra é sobre uma pessoa experiente, que já viveu de tudo nessa vida, ótima para homenagear pessoas que estão passando por algum período de mudança em suas trajetórias. Detalhe especial para o verso “o sabor das massas e das maçãs”, que é cantado com ênfase pelas pessoas do tipo “presta atenção na sagacidade desse verso”.

4 Legião Urbana – Pais e Filhos
Pais e Filhos é mais uma música do Renato Russo sobre o mal estar de sua geração. A letra inteira é uma confusão de meninas que se mataram e gente que quer fugir de casa, mas em determinado ponto entra o refrão (cantem junto) “é preciso amaaaaaaaaaaa-aaaar as pessoas como se não houvesse amanhã” e aí é certeza que você já escutou essa música como mensagem do dia, porque com certeza é preciso amar as pessoas de qualquer jeito, mas porra, quem ainda aguenta o Renato Russo.

5 Milton Nascimento – Canção da América
Não negue, o imortal verso “amigo é coisa pra se guardar no lado esquerdo do peito” é bem bonito. Mas ele já tocou tanto em matéria de televisão, em cena de novela e até em um surreal comercial de iogurte, que já não dá para gostar publicamente dessa música. Para piorar, a canção que Milton ouviu na América era a preferida do santo Ayrton Senna do Brasil. Assim sendo, sempre que formos nos lembrar do nosso herói nacional e de sua trágica morte, iremos escutar “qualquer dia amigo eu volto a te encontrar”.

6 Queen – We Are the Champions
Sempre que alguém ganha alguma coisa em algum momento da vida, seja um título mundial ou um canudo vazio de formatura, a eterna música de Freddie Mercury irá tocar. Os versos, originalmente uma epopeica superação de problemas, se transformaram num culto hedonista ao ego e você, mais uma vez, só poderá curtir essa música sozinho e com fones de ouvido. Caso contrário, alguém que curte Cindy Lauper ainda poderá cantar junto com você.

7 Toquinho – Aquarela
Numa folha qualquer o Toquinho desenhava um sol amarelo e com cinco ou seis retas era fácil fazer um castelo. Convenhamos que essa é uma mentira tremenda, com cinco ou seis retas você desenha no máximo uma torre do castelo e bem porcamente, façam o teste. O fato é que o eterno hino da Faber Castel virou uma poesia universal sobre a infância e as asas da imaginação, sem que ninguém perceba que ela é muito depressiva e afirma que no final todos nós vamos morrer, descolorindo a aquarela.
Desenha essa porra com cinco ou seis retas que eu quero ver

8 Elton John – Candle in the Wind
Elton John escreveu esta música originalmente para homenagear Marilyn Monroe em 1973 e fez um sucesso danado. Mais de 20 anos depois, suas perucas permaneciam intactas quando a Princesa Diana morreu em um acidente de carro, e ele a cantou em seu funeral. Desde então, sempre que alguém se lembra da mãe dos pobres e futura santa Diana, as reportagens lembrarão-se do seu velório com Elton John se despedindo dela, a flor da Inglaterra.

9 Louis Armstrong – What a Wonderful World
Louis Armstrong e seu sorriso marcante viam árvores verdes, um céu azul e um arco-íris colorido, contemplativo. A orquestração e o trompete marcam presença sempre que alguém quer falar das belezas do mundo e tal. Mas, o que eu queria dizer, é que o Stevie Wonder já participou da gravação de uma versão dessa música. Sim! Sobre ver árvores verdes, o céu e a porra toda! Que foda!

10 Eu sou brasileiro com muito orgulho e com muito amor 
Ok, pode ser bonito dizer que você tem orgulho do seu país. Mas caramba, essa música afundou a seleção brasileira e é insuportável se você gosta ou já cantou ela, merece a forca.

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