sexta-feira, 24 de julho de 2015

Mais alguma coisa, senhor?

- Então, eu vou querer levar essas duas bermudas e a camiseta.
- Mais alguma coisa, senhor?
- Não, obrigado, só isso mesmo.
- Não quer levar uma outra coisa, uma calça, talvez?
- Não, não, só preciso da bermuda mesmo.
- Uma camisa social, temos uma coleção nova que está sensacional.
- Obrigado.
- Um cinto, quem sabe, uma meia, um sapato?
- Não, não.
- Prefere tênis? Temos modelos novos da Nike, da Adidas.
- Obrigado, só a bermuda e a camiseta mesmo.
- É casado, tem namorada?
- Vou me casar esse ano.
- Não quer levar uma presente pra ela?
- Não, hoje não.
- É sempre bom fazer uma surpresinha né?
- Com certeza.
- Nosso departamento feminino está com peças sensacionais.
- Acredito.
- Olha só essa blusinha. Que número ela usa.
- Não sei... Acho que 36.
- Que cor ela prefere?
- Não sei se ela tem exatamente uma preferência...
- Gosta de amarelo.
- Gosto.
- Não você, ela.
- Acho que gosta.
- Então, leva essa daqui pra ela.
- Não sei.
- Aproveita leve esse sapato, combina muito.
- Não, não.
- Só a blusa, então?
- Não, não, só vou levar a minha parte.
- Tem certeza? Se eu fosse ela, eu iria adorar.
- Mas, hoje não.
- Quer namorar comigo?
- Oi?
- Digo, aceita uma água?
- Não, obrigado.
- Um cafézinho?
- Não bebo café.
- Prefere chá?
- Não gosto de bebidas quentes.
- Uma massagem?
- Ahn?
- Se você soubesse o que minhas mãos e minha boca conseguem fazer.
- Olha, eu só queria levar a camiseta e as bermudas, nada mais.
- Tudo bem senhor. Qual é a forma de pagamento?
- Cartão.
- Débito ou crédito?
- Débito.
- Já tem o cartão da nossa loja?
- Não.
- Não gostaria de fazer?
- Não.
- Tem certeza?
- Tenho.
- Como o nosso cartão, você consegue desconto na compra dos nossos produtos e também nos produtos dos nossos parceiros. Temos convênios com padarias, supermercados, restaurantes, lojas de de auto-peças, produtos de ginástica e eletrodomésticos. Na compra de qualquer produto com o nosso cartão, você também acumula milhas para trocar por passagens de avião de qualquer companhia com destino a qualquer lugar do país.
- Não, obrigado, eu só quero pagar mesmo.
- Mas, senhor, o nosso cartão tem anuidade grátis e ainda garante meia entrada para cinemas e peças de teatro, além de parques de diversão e concertos musicais. Você ainda concorre a duas entradas para grandes eventos, como o Carnaval do Rio de Janeiro, as Olimpíadas do Rio de Janeiro e os Jogos Pan-Americanos de Lima, em 2019.
- Olha, eu só queria pagar e ir embora.
- Senhor, você estará perdendo uma grande oportunidade...
- Foda-se, eu vou embora e não vou levar porra nenhuma.

Ele saiu pela porta da loja e ela sorriu. Era uma vendedora muito apegada ao seu estoque.


quarta-feira, 22 de julho de 2015

Palavras que se fazem necessárias

De onde surgem as palavras? Eis uma pergunta difícil de responder, tanto que nós temos uma multidão de filólogos espalhados pelo mundo tentando desvendar esse mistério. São tantos que, vez por outra, um deles acaba em uma capital no centro-oeste brasileiro cometendo atentado violento ao pudor, ao exibir suas genitálias no corredor de uma instituição de ensino particular.

Geralmente, quando falamos de uma palavra, a explicação mais simples é que ela se origina de um idioma antigo, como o tupi, ou o latim, ou do grego. Ok, mas qual é a origem dessa palavra do latim?

Vejam o exemplo da palavra trabalho, citado no último post deste estimado blog. Ela vem do latim tripalium, que era um instrumento de tortura. Neste caso, tri signifca três e palium significa paus, porque o instrumento de tortura era feito com três paus. Legal, não? Mas da onde vem a palavra palium? Provavelmente se originou de alguma expressão de uma língua ainda mais antiga. Ok, mas uma hora esse ciclo precisa terminar. Existe, provavelmente, alguém que um dia apontou para um pedaço de pau e deu um nome para ele. Pode ser que esse nome tenha sido Opomebaniopanomungo, não por outra razão que não a de que o cidadão tivesse um senso de humor surrealístico, mesmo que a palavra surreal ainda não existisse. E que Opomebaniopanomungo tenha se reduzido para Opomionugo e um dia milagrosamente se transformou em palium e no futuro pau e quando a língua portuguesa for extinta, alguém dirá que a palavra Uxtrapilio se origina do português extinto, trabalho. Uxtrapilio, no caso, significa coito interrompido e o mundo terá dado muitas voltas para que isso finalmente ocorresse.

A situação é complexa, não é mesmo?

Pois bem. Desde que o selfie se popularizou, nós ficamos sabendo que existe um dicionário chamado Oxford e que esse dicionário elege anualmente uma palavra. Curiosamente, isso não significa que a palavra tenha sido inventada naquele ano, e isso não significa que a palavra irá se popularizar. A maior parte delas permanece profundamente esquecida e só por obra do demônio é que o selfie se popularizou.

Mas, a popularização da selfie significa que novas palavras ainda podem surgir. Tal qual Guimarães Rosa, ainda podemos inventar palavras. Não existiu um corte na linha do tempo que representou o fim do período de criações de palavras. Não é que depois da Cisma do Ocidente não pode mais inventar palavra. Ainda temos essa liberdade.

Digo tudo isso para dizer que existem palavras que ainda precisam ser criadas. Sim, muitas situações do nosso dia-a-dia não podem ser expressas em letras logicamente ordenadas. Essa é uma grande dificuldade pela qual passamos.

Sabe aquele momento em que você perceber que postou uma mensagem errada em uma rede social, porque o autocorretor te sacaneou? Há toda uma situação para que isso ocorra e você precisa dizer “Desculpa, mas o autocorretor me sacaneou. Eu estava querendo te chamar para chupar minha piroca, ao invés de chupar minha pipoca”. Seria muito mais fácil se você simplesmente pudesse falar “Foi mal, deu autong" (mistura de autocorrect com wrong).

Há aqueles dois segundos em que você pensa em que enviou uma mensagem para uma pessoa errada até se certificar que não fez nada de errado. Ou quando você realmente erra e precisa se explicar e não existem palavras para essa explicação. Alguém precisa solucionar esses problemas.

Existem situações fora da internet também - sim, existe vida fora da internet, como o momento em que você encontra uma pessoa e não sabe se ela está rindo ou chorando, sabe? A pessoa faz barulhos estranhos, caretas, lágrimas escorrem do seu rosto e ela fica vermelha, mas não é possível definir se é uma risada ou um pranto sofrido. Você não sabe se ri junto e acaba de vez com a pessoa que está chorando, ou se tenta consolá-la, mas ela apenas acabou de ler uma piada do Ary Toledo. Bem, nesse caso é preciso consolá-la mesmo, mas é uma situação diferente e este estado precisaria ser descrito com uma palavra que ainda não existe.

O CH3, se dinheiro tivesse, financiaria uma ONG especializada em criar palavras que se fazem necessárias. Nós não temos dinheiro, mas deixamos essa sugestão para um mecenas qualquer.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Guia CH3: Como se Divertir no Trabalho

“Encontre um trabalho que você ama e você nunca mais trabalhará um dia sequer em sua vida”. Essa frase, ou versões bem próximas a ela, é muito popular entre palestrantes nos cursos de coaching e nos slides motivacionais nossos de todo dia na internet. A frase pode ser simbólica, com o objetivo de incitar o trabalhador a buscar seus sonho, sua felicidade, encontrar um lugar no mundo.

No entanto, a frase exprime uma dialética, dividida entre os polos “encontre um trabalho” e “não trabalhe nunca mais”. Diria que aproximadamente 100% da população se encontra em uma dessas duas situações isoladamente, sem jamais ter encontrado o significado da frase em sua plenitude. Mesmo entre aqueles que são felizes no trabalho. Pergunte se eles trabalham e eles dirão que sim, que trabalham muito.

(Para dizer a verdade, podemos ter algumas pessoas da Geração X que vivam a frase. São esses hipsters que vivem em containers e trabalham criando apps e acessórios para gadgets sentados em sofás coloridos. A discussão aí é se isso pode ser considerado um trabalho).

Nos últimos anos, se tornou popular a versão de que a palavra trabalho se origina de um instrumento de tortura medieval. Se a interpretação é correta nós não sabemos, mas a combinação de trabalho e tortura, é perfeita e irresistível, não é mesmo? Mas não precisa ser assim. Nesse Guia CH3 nós iremos mostrar como é possível se divertir no trabalho, encontrar um trabalho que você ama, para que você nunca mais trabalhe um dia na sua vida.

1) Aproveite um horário em que sua sala/repartição esteja vazia para trocar de lugar as cadeiras utilizadas pelos seus colegas. Cada um deles mantém suas poltronas ajustadas milimetricamente em relação a altura, grau de inclinação e encosto dos braços. Você é capaz de reconhecer sua cadeira apenas pelo que sente quando senta nela. Na volta do almoço, todos ficarão a tarde inteira sentido um desconforto sem saber o que é. Ria da situação, internamente é claro, para não dar bandeira.

2) Primeiro observe se todos os seus colegas de trabalho tem telefones em suas mesas. Caso a resposta seja positiva, realize um trabalho de investigação para descobrir os respectivos números. Passe a tarde inteira ligando, discretamente, para esses ramais e vendo a frustração e o ódio na cara das pessoas diante do telefone mudo.

3) Descubra a senha do computador de um colega seu. Utilize-se de técnicas militares e tenha paciência para lograr êxito. Quando finalmente descobrir a senha, aproveite o horário de almoço do colega, quando ninguém estiver na sala além de você, e coloque a foto de uma piroca jorrando como imagem do plano de fundo dele. Faça questão de estar próximo a ele no momento em que ele religar o computador. Faça cara de espanto e, é claro, conte o fato para toda a repartição pública. Ria das desculpas dele, algo do tipo “tem um vírus no meu computador”.

4) Quando um colega seu fizer aniversário, não hesite: contrate um serviço de mensagem de som para animar e constranger a pessoa em seu habitat de trabalho. Peça um bolo, puxe o coro de parabéns, incluindo “com quem será?” e hinos religiosos. Enfie a cara do aniversariante do bolo e incite todos a começar uma guerra de comida. No final diga “ai, ai, que divertido” e vá embora.

5) Consiga se infiltrar na cozinha da corporação e tenha acesso a matéria prima utilizada para preparar o café da turma, que provavelmente é o próprio café. Já repararam que você precisa utilizar café para preparar um café? Pois bem, adicione terra, espermatozoides, amônia, laxante e outras substâncias ao pó preto e morra de rir da cara de nojo dos seus colegas ao provarem café e a subsequente dor de barriga que irá te deixar sozinho no ambiente de trabalho, possibilitando, quem sabe, que você consiga concretizar as atividades citadas anteriormente nesse texto o que faz com este item, talvez, precisasse ser o primeiro, mas agora já é tarde demais.

6) Jogue uma camisinha usada debaixo da mesa de um colega de trabalho, de preferência do mesmo colega que teve uma foto de piroca jorrando exposta em sua área de trabalho. Claro, conte para todo mundo a sua descoberta. Junte pessoas para rir e apontar o dedo para o cidadão humilhado e certifique-se que ele não sofre de nenhum distúrbio psicótico que pode levar a um assassinato coletivo.

7) Leia o CH3.

E nunca mais trabalhe na sua vida.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Os piores momentos do Pan

Por si só os Jogos Pan-Americanos não são uma competição atraente. Ali não estão os melhores atletas de seus países, buscando superar os limites humanos em busca de recordes inatingíveis. Os jogos pan-americanos, no geral, reúnem os atletas medianos de seus países em busca da glória pessoal que eles jamais alcançariam em uma competição forte.

Mesmo assim, neste mar de mediocridade seletiva, existem algumas competições que conseguem ser ainda piores do que as outras. No geral, porque os esportes são insuportáveis.

Boliche: O boliche é uma das atividades recreativas mais interessantes que o ser humano pode praticar em grupo, junto com o sexo grupal e a ingestão de maconha. Mas, é justamente uma atividade recreativa e não um esporte. Eu nunca parei para assistir uma partida de boliche no Pan e acredito que ninguém, exceção feita aos atletas, treinadores e juízes, já o fizeram. Mas imagino que eles fiquem sentados por lá, esperando sua vez, enquanto um garçom serve refrigerante e alguns petiscos baratos. Imagino tiozões piadistas que no final precisam pagar sua comanda no caixa, antes de receber as medalhas.

Adestramento: O hipismo, vocês sabem, é um esporte disputado com cavalos de nomes ridículos montados por pessoas com nomes ridículos. Há a prova dos saltos, mais midiática, e há a prova do adestramento, que é, sinceramente, o pior esporte jamais inventado pelo ser humano em todos os tempos. Nesta modalidade, os juízes julgam aqueles que, justamente, melhor adestraram seu cavalo. Quem faz o cavalo dar pulinhos no mesmo lugar, trotar, andar em ziguezague, fazer o moonwalk, cagar em bolinhas perfeitas enquanto anda. Isso devia fazer parte só de alguma feira fetichista qualquer, jamais de qualquer competição esportiva.

Esgrima: O juiz apita e então dois cidadãos utilizando escafandros modernos começam a trocar golpes simbólicos de espadas. Os sabres - ou espadas, ou floretes - parecem se movimentar na velocidade da luz e quando menos se espera alguém marca um ponto, geralmente alguém que não é brasileiro. Ora, a única graça de uma luta de espadas é a possibilidade de perfurar o seu oponente, seja uma perfuração abdominal, ou mesmo facial, pelo menos na perna. Se não há a oportunidade de ver seu adversário sangrar até a morte, vazado por uma espada, não há sentido em sua realização.

Levantamento de Peso: Acredito que o levantamento de peso é uma modalidade bem desafiadora para quem a pratica - não deve ser fácil levantar aquela caralhada de peso sobre os próprios ombros, mas não é nem um pouco interessante para quem assiste. Quando você vai a uma academia de ginástica é provável que você encontre uma série de colegas de malhação que levantam grandes quantidades de peso no supino e você não fica nem um pouco impressionado com isso, não pagaria dinheiro para assisti-lo e muito menos desperdiçaria seu tempo com ele.

Luta Greco-Romana: Duas pessoas utilizando macacões ridículos se engalfinham no chão e repentinamente pontos surgem na tela. Os pontos podem surgir quando o lutador está por cima, por baixo, cavalgando, de quatro, de ladinho, coçando os olhos de boa, sentado no chão ou olhando para o alto em busca de um ser imaginário. Ninguém entende quando alguém pontua nessa luta que se estende por vários minutos e sempre que parece que vai melhorar, o juiz interrompe.

Squash: O Squash consiste em dois caras dando raquetadas em uma bola contra uma parede. Parece mais um aquecimento para outra prática esportiva mais séria do que um esporte propriamente dito que valha medalhas, glória internacional e sexo fácil proporcionado pela fama.

Badminton: A peteca é um elemento lúdico presente na infância de muitas pessoas. A maneira como ela se deslocava de maneira surpreendente e como suas penas se despedaçavam facilmente com o cruel exercício do tempo. O Badminton nada mais é do que quatro caras jogando petecas com raquetes gays - homem que é homem jogaria peteca com as mãos, separados por uma rede. Senhoras e senhores, o Badminton é uma espécie de peteca gourmet.

Pentatlo Moderno: Se há uma coisa irritante no Pentatlo Moderno é que ele é completamente aleatório. A categoria une corrida, hipismo, esgrima, natação e tiro. Não há nenhuma explicação lógica para que estes cinco esportes tenham sido unidos em apenas um. Se o criador dessa porcaria tivesse resolvido trocar a esgrima por bola ao cesto e o tiro por masturbação compulsória, não faria nenhuma diferença porque a única coisa que dá liga ao pentatlo é a mente doentia de quem o criou.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Entendendo: A Crise na Grécia

Nos últimos dias a Grécia tem permanecido no noticiário internacional como jamais esteve em toda sua história. Também, pudera: os dias de glória do país mediterrâneo foram em tempos muito distantes, tão distantes que não existia a imprensa, tampouco o conceito de noticiário e os fatos eram propagados em formas de fábulas pouco verídicas que envolvem cavalos ocos de madeira, homens escapando de sereias e derrotando cachorros com múltiplas cabeças responsáveis pela guarda do inferno.

Pois bem, se a Grécia está no noticiário agora não é por conta de alguma lenda urbana, ou de algum mestre da filosofia que propôs alguma brilhante ideia para a existência humana, muito menos pela pederastia destes filósofos. O que coloca a Grécia no centro das discussões humanas é a crise econômica que o país enfrenta. O país deve algo em torno de 300 bilhões de euros. É tanto dinheiro, que você precisaria juntar uma porção de integrantes daquela lista que a Forbes divulga com os homens mais ricos do mundo para agregar esse valor.

Como os gregos chegaram a essa situação?
Pense nos grandes gregos da história. Sócrates, Sófocles, Platão, Aristóteles. Muitos deles foram fundamentais para o desenvolvimento das ciências exatas, mas eles passaram para a eternidade sob a alcunha de “filósofos gregos”. Ou seja, eles são povo de humanas. Essa tradição passou para as futuras gerações e o que nós vemos na Grécia é o que acontece por um país administrado por povo de humanas.

Nos últimos dez anos, os gregos gastaram muito mais do que deveriam e foram se endividando. Acontece com todo mundo, que quer fazer aquela reforma em casa e estoura o cartão de crédito. Só que dentro de um orçamento de um país, o rombo é enorme. Junte-se a isso a questão do Euro. Uma moeda unificada pode ser interessante para os turistas e para a ideia de unidade continental, mas pode ser um grande problema para um país com economia mais fraca. Países com economias fracas costumam a ter moedas fracas, para conseguir competir no mercado internacional. Um país com economia fraca e uma moeda forte toma no cu.

Por que a Grécia chama tanto a atenção dos investidores internacionais?
Porque investidores internacionais não tem muito o quê fazer além de especular no mercado para ter algum lucro com a tragédia de outros. Outros países europeus também estão com dívidas enormes, incluindo as tradicionais Grã Bretanha e Itália. Espanha, Irlanda, Portugal e tantos outros também não passam por uma situação tranquila.

A diferença é que a Grécia não tem nenhuma tradição no futebol. Exceção feita aquele esquisito título na Eurocopa de 2004 - a última vez em que a Grécia apareceu na televisão, os gregos muito pouco tem feito pelo esporte bretão. Entre outras coisas, porque apresentam um estilo de futebol pouco atrativo, privilegiando soldados espartanos no trato com a bola e aquele Karagounis, que não joga nada e ainda é o melhor jogador do time, mesmo com 49 anos.

O que a Grécia pode fazer? Há solução para a crise? O que o povo grego acha disso tudo?
Os países europeus propõe uma série de medidas restritivas para os gregos. Encabeçados pela Alemanha, eles querem que a Grécia corte os gastos com sobremesas, faça pesquisa de preços no supermercado antes de fazer as compras e adotem medidas de economia, que vão desde banhos mais rápidos, utilizar a frente e o verso da camisinha, até descer as ladeiras com o carro desligado.

Há uma grande contradição sobre o que o povo grego acha desse acordo. Qual é o limite da humilhação que os gregos podem sofrer com esse acordo? Para algumas pessoas, o simples fato de a Grécia ter que se submeter ao interesse internacional já é um motivo de humilhação, ainda mais pelo fato de que os atuais governantes gregos são da extrema-esquerda. Outros discordam e acham que humilhação seria abrir mão do título europeu de 2004, ou ceder o patrimônio intelectual de Aristóteles para os alemães, ou alguma contrapartida que exigisse que todos os dias os gregos enfiassem espanadores de sujeira no cu e gritassem “Viva o FMI” e postassem vídeos do ato em seus Facebooks.

Bem, o que interessa é que o parlamento grego aprovou o acordo e todas as suas nuances. E imagino que o Facebook na Grécia deve estar insuportável.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Seis discos horríveis

Dia internacional do rock, dia de lembrar alguns dos piores discos da história. Sim, porque é extremamente fácil fazer uma lista de discos ruins só com as obras de Fernando & Sorocaba, daquele caipira que morreu no acidente de carro, ou daquelas bandas que nós consideramos pavorosas e prontas para um massacre da crítica, como o Jota Quest. Os seis discos abaixo são de bandas com alguma reputação e das quais eu gosto, de uma forma ou de outra, o que mostra toda a minha isenção e credibilidade. e modéstia

1 Pink Floyd - A Momentary Lapse of Reason

As coisas não estavam fáceis para o Pink Floyd nos idos de 1987. O grupo somava então vinte anos desde o lançamento do seu primeiro disco e já havia passeado pelo psicodelismo, viraram sinônimos de rock progressivo e lançaram um punhado de discos conceituais. Mas a banda ficou pequena demais para o ego de seus integrantes e após o sonolento The Final Cut, de 1983, o líder e principal letrista do grupo, Roger Waters, abandonou o barco. Foram anos de disputas judiciais até que os outros remanescentes ganhassem o direito de continuarem utilizando o nome Pink Floyd. Para marcar essa volta dos que não foram, eles lançaram A Momentary Lapse of Reason.

Não há razões no lançamento desse disco que mostra como a mistura de rock progressivo com os anos 80 pode ser terrível. O álbum começa com uma faixa instrumental terrível, seguida por uma balada New Wave até Ok. Ai as coisas começam a ficar ruins. The Dogs of War é uma canção que tenta ser épica, mas é um blues de puteiro tocado por músicos virtuosos. Nada soa boa nela. One Slip é o encontro do Pink Floyd com o Duran Duran e há a lastimável A New Machine em que David Gilmour soa como um pastiche de Roger Waters existencialista, com um vocal cheio de efeitos e uma base sonora terrível. Para piorar, essa música está dividida em duas partes.

Com muito esforço, você consegue salvar três músicas, que pelo menos não te fazem passar vergonha.

2 The Zombies - New World
Os Zombies foram responsáveis por um hit, Time of the Season, no distante ano de 1968. Curiosamente, quando essa música estourou nas rádios inglesas, o grupo já havia se dissolvido, abatidos pela sequência de fracassos comerciais. Poderia ter sido um fim glorioso, esse sucesso póstumo. No entanto, como existem pessoas que não sabem conviver com finais felizes, o grupo resolveu se reunir novamente no final dos anos 80 para estuprar o seu nome. (Na verdade, eles PRECISARAM se reunir. Como o sucesso só veio após o fim da banda, ninguém sabia direito quem eles eram e muitos impostores se apresentavam na Europa como se fossem os verdadeiros Zombies. Os integrantes originais se reuniram para marcar território).


Sem o seu principal compositor, o pianista Rod Argent, os Zombies lançaram New World em 1991. Você dificilmente irá escutar uma coisa tão ruim quanto esta em sua vida. Os músicos claramente não tinha inspiração nenhuma e, para piorar, tentavam soar moderninhos, utilizando elementos típicos dos anos 80. Não há nada que seja minimamente audível nesta porcaria, mas destaco os piores momentos: Alone in Paradise, Love Conquers All e Monday Morning Dance, composta por um pianista chileno que o grupo arrumou e que soa como uma mistura de mambo com o som do inferno.

Para finalizar, eles regravaram Time of the Season, em uma versão de artista cover de bar decadente. Sério, é tão ruim que você chega a ter pena desses caras.

3 The Clash - Cut the Crap
O Clash pode ser considerado a melhor banda punk de todos os tempos, por mais que a carreira deles não se resuma apenas ao punk. Em algum momento após 1979, eles se enveredaram por mistura rítmica e viraram muito mais uma banda de reggae, ou de dub, ou de ska. Foram tantas mudanças que em 1985 o líder do grupo, Joe Strummer, resolveu voltar as raízes. Da pior maneira possível.

Para começar, ele dispensou o parceiro Mick Jones, seu contraponto musical. Também mandou embora o baterista e juntou mais um par de músicos desconhecidos para lançar o último e pavoroso disco do Clash. Se a tentativa era voltar ao punk, Strummer falhou, porque Cut the Crap é muito mais um disco de new wave, com sintetizadores e coros avacalhando as músicas que já eram ruins por natureza. Não há uma única música que se salve.

4 Jet - Shaka Rock
Quando surgiu no começo dos anos 2000, o Jet parecia ser uma novidade boa no mundo do rock. Os bons riffs, as belas baladas, eles pareciam herdeiros da tradição australiana do AC/DC e do Britpop. Lançaram um bom disco de estreia, um segundo disco mediano e Shaka Rock, um disco pavoroso.

Certo que a inspiração muitas vezes nos abandona, mas precisamos ter bom senso de saber a hora em que é melhor não fazer nada, para não se expor ao ridículo. Shaka Rock é uma coleção de músicas sem inspirações, gritos clichês e uma tendência anormal aos refrões ruins.

5 Elvis Costello & Burt Bacharach - Painted from memory
Elvis Costello: Artista influente, que conseguiu misturar algum sucesso de público e crítica. Herói nerd, autor de clássicos como Alison - uma das mais tristes canções sobre a friendzone da história.

Burt Bacharach: Pianista e compositor, autor de grandes melodias da história da música pop, como Raindrops Keep Falling on My Head.

Em 1998 os dois se juntaram para lançar esse disco de música de restaurante metido a besta.

6 Os Paralamas do Sucesso - Cinema Mudo
O disco é tão ruim quanto esse filme
Os Paralamas do Sucesso são uma das maiores bandas nacionais da história e é impossível não respeitar a história e as músicas que esses caras fizeram a partir de 1984. Sim, porque em 1983 eles lançaram o seu disco de estreia, Cinema Mudo, que é simplesmente terrível. Tão ruim que até os integrantes da banda sabem disso e tem uma certa vergonha de escutá-lo.

Vamos lá, tem algumas coisas boas no trabalho, como a faixa título e a clássica Vital e Sua Moto, que ficou muito melhor em uma regravação dos anos 90. Fora isso, quase tudo é constrangedoramente ruim. Onde estava Herbert Vianna com a cabeça quando ele escreveu "Qual é seu guarda, que papo careta, só tô tirando chinfra com a minha lambreta" da envergonhante Patrulha Noturna? E Volúpia? Cara, essa é daquelas músicas que você até abaixa o volume quando começa a tocar, com medo de que alguém te veja escutando uma porcaria dessas.

Poderia citar ainda outros discos, mas esse post ia ficar grande pra caramba. Mais chato e arrastado do que um disco do Guns And Roses.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Cinco Grupos de Tortura do Whatsapp

Os piores grupos dos quais você pode participar no Whatsapp.

Grupo de Trabalho
A dica é: se for utilizar, não fique só
na tela inicial do aplicativo
Esse é um dos mais comuns é a probabilidade que você estar nele na vida adulta é de 80%. O Grupo do Trabalho reúne uma massa heterogênea de servidores de todos os setores da repartição. Um grupo propício para o envio de mensagens de Bom Dia e vídeos engraçados. Não há muita putaria, porque é, enfim, o chefe está lá. Você tem que manter os bons modos e aplicar as regras da boa vizinhança para sobreviver. Imagine, você não tolera a convivência diária com seus colegas de trabalho, o que dirá uma convivência 24h por dia com eles, já que é isso que o Whatsapp nos proporciona.

O inferno do Grupo de Trabalho é que, com a força marcante da modernidade em nosso cotidiano, ele já se transformou em um veículo oficial de comunicação. Se esta no Whatsapp, você tem a obrigação de ter visto que haverá uma reunião às 7h da manhã de sábado na sede campestre da empresa.

Grupo de Colégio
Se você ainda está na idade escolar, provável que esse seja o grupo mais divertido do qual você faz parte, o bullyng e a zoera correm soltos e livres. No entanto, se você já saiu do colégio há mais de dez anos, esse grupo não vai ser legal.

Não vai ser legal no dia em que uma pessoa que você não encontra há mais de seis anos - sendo que esse encontro foi na fila do cinema do shopping - te adiciona num grupo com aquelas tantas pessoas, umas que você até sente saudade, outras que você queria ter esquecido, outras ainda que você não lembra de sua existência e acha que há um grande equívoco, que você jamais estudou com elas e todas essas pessoas resolvem matar a saudade coletiva disparando 238 mensagens por minutos, relembrando casos do passado dos quais você não se lembra direito ou que não significam muito para você porque de fato você era um excluído dos grupos mais populares do colégio. Chegará o momento em que começam a resgatar fotos antigas e você não está em nenhuma delas e você se lembra de que jamais foi convidado para um aniversário na época do colégio. Triste.
Veja que sua turma era muito provavelmente igual a essa. A menina mais bonita da turma, o nerd e você, que não está na foto

Grupo de Família
Não tem jeito. Um dia a modernidade chega até todos os seus familiares e um deles resolve criar um grupo juntando tios, sobrinhas, primos e até avós e tios-avôs. Você será acordado todo dia às 5h30 da manhã - já que o fuso-horário não é igual para todos - com mensagens de gatinhos bocejando, bons dias sobre céus azuis, mensagens religiosas, além de toda sorte de áudio sem graça que é compartilhado indiscriminadamente no aplicativo.

Além disso, o Grupo de Família é um lugar propício para propagação da boa e velha intriga familiar. Essa instituição secular, que consiste em tios achando que sobrinhos estão indo pelo caminho errado, educação do filho dos outros sendo contestada e constatações rancorosas de que um mais velho está sendo solenemente ignorado por um mais novo, enfim, uma noite de natal vivida 365 dias por ano. Tende a terminar com pessoas saindo do grupo, rachas familiares e pessoas deserdadas.

Grupo do Condomínio
Esse daqui é pesado. A vida em um condomínio não é uma escolha, é muito mais uma imposição da vida moderna e todos os aspectos que incidem sobre ela. A reunião de condomínio é outra tradição brasileira que costuma a resultar em nada, a não ser diásporas e arranhões na lataria do carro do vizinho. Imagine transportar esse clima para a palma da sua mão.

O Grupo de Condomínio é um lugar em que todos os problemas do dia-a-dia e da convivência humana são remoídos e ruminados ininterruptamente, com o sumiço de brinquedos de crianças, carros mal estacionados, ambientes sem conservação, vazamento, vizinhos que fazem barulho, elevadores quebrados e tudo aquilo que você não queria se lembrar durante o seu dia.
33 novas mensagens no grupo "Condomínio Village das Montanhas"

Grupo de Pais de Alunos
Esse daqui já chega a ser sacanagem. Pais se reunindo em grupos para discutir o que os seus filhos estão fazendo no dia-a-dia, falando mal de professores e comentando o conteúdo disciplinar das aulas, trabalhos que precisam ser realizados, que inferno. Pobres crianças modernas que não conseguem nem cabular uma aula em paz ou dar um perdido na tarefa da escola. Esse grupo é tão repugnante que eu me sinto mal só de pensar nele.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

O interminável 7x1

Há um ano o povo brasileiro acordava para um grande dia. Brasil e Alemanha disputariam a semifinal da Copa do Mundo e nós, os brasileiros, poderíamos avançar para a grande decisão em casa. Todos nós sabemos como aquele dia terminou.

Olhando para os fatos, um ano depois, podermos perceber que a tragédia era clara e evidente. Estávamos sem nosso melhor jogador, nosso capitão – liderança técnica, apesar de chorar em cima da bola – estava suspenso, a seleção brasileira chegou a Belo Horizonte em um avião com a inscrição “É Tóis”, o Parreira dava entrevistas autoconfiantes, jogamos mal em todas as partidas da Copa e Felipão parecia empolgado com o clima de “contra tudo e contra todos”.

Do outro lado, a seleção alemã havia batido sem dó em Portugal, tinha se acertado na Copa e apresentava um meio de campo muito sólido, com ótimos jogadores em um trabalho consistente de pelo menos cinco anos. Cara. Era certeza qe ia dar merda, mas nós não conseguíamos ver isso. Continuávamos presos a velha devoção de que o futebol brasileiro é o melhor do mundo e que a camisa amarela venceria jogos sozinha.
Oito minutos de jogo. Estava 0x0, mas observem a liberdade dos alemães em frente a área brasileira. Veja o jogo e quantas vezes isso ocorreu antes do massacre começar.

Felipão escalando Bernard porque o menino tinha “alegria nas pernas”, a seleção utilizando bonés com a inscrição #ForçaNeymar, o hino nacional a plenos pulmões, com David Luiz transfigurando segurando a camisa do Neymar. A empolgação do Galvão Bueno, o André Rizek falando que o meio-de-campo da Alemanha era fraco na marcação, fatos que surgem em retrospectiva, até notarmos que o Brasil estava deixando um espaço enorme no meio-de-campo, que aos 11 minutos o Thomas Müller fez um gol livre na marca do pênalti, o Brasil continuava deixando espaços e aos 22 minutos o Klose fez dois a zero.

O que vimos depois foram os sete minutos mais surreais da história do futebol.

Os alemães tocavam a bola de maneira hipnótica, como se um campo magnético afastasse os brasileiros e mantivesse a pelota grudada em seus pés. Eles tocavam por toda a eternidade até entrar com a bola dentro do gol, enquanto o Dante corria de um lado para o outro como se fosse um ser de lama que solta faíscas nos Power Rangers e logo o placar estava em 5x0. Os alemães passaram o resto do jogo simulando um aquecimento intenso e constrangidos fizeram mais dois gols, para chegar ao 7x1.

7x1.

Um placar humilhante. A maior derrota do futebol brasileiro, tão humilhante que não sei se dá para chamar de tragédia. Mesmo a Arábia Saudita se sentiria humilhada com um placar desse. Nem uma bomba atômica é capaz de abalar tão profundamente a moral de um povo.

Um resultado cabalístico que é o sinônimo de todos os fracassos da vida. Todos nós nos sentimos assim de vez em quando, como se fossemos Dante e David Luiz atordoados diante do magnetismo alemão. O 7x1 é a vida que nos bate diariamente.
Você é um desses caras de amarelo diante dos problemas da vida

Um ano já se passou desde essa data histórica e o que mudou? Continuamos apanhando nosso 7x1 diário. O Brasil não é um país entregue a redenção, apesar de ficarmos esperando por esse momento.

O futebol continua na mesma. Felipão e Parreira, a dupla que comandava nosso futebol, tentou justificar a derrota quando a única atitude plausível que os cabia era cometer uma forma espetacular de suicídio. Parreira leu a carta da Dona Lúcia, num momento tão humilhante que foi equivalente a um holocausto futebolístico.

Dunga assumiu a seleção brasileira, mostrando que vivemos em um Dia da Marmota e temos uma visão estreita sobre o futuro. O Brasil perde uma Copa América de maneira ridícula e qual é a solução? Formar uma comissão de notáveis, compostas por ex-técnicos da seleção para discutir o futuro do nosso futebol.

A reunião aconteceu na segunda-feira, mas poderia ter sido hoje, para simbolizar o 7x1 que ainda não terminou.

Estavam lá o Zagallo, o cara que dirigia um time do Brasil atropelado pela França em 98. Estava lá o Carlos Alberto Silva, que as pessoas achavam que já havia morrido. Estava o Parreira, sempre ele, o nosso arauto do fracasso. O Candinho, que foi um auxiliar técnico, o Ernesto Paulo que poucas pessoas se lembram que dirigiu o Brasil em um único amistoso em 1991 contra o País de Gales. Estava lá o Falcão e Sebastião Lazaroni, o treinador que dirigiu a única seleção que consegue ser tão mal lembrada quanto a seleção de 2014.
Parreira estava lá quando o Brasil perdeu a Copa de 2006 com uma geração brilhante, Parreira estava lá no
7x1 e agora vai estar lá discutindo o futuro do futebol brasileiro.

É como chamar uma comissão de raposas para discutir a segurança do galinheiro.

É como se a Dilma resolvesse juntar Collor, Sarney, FHC e Lula para discutir os problemas do Brasil.

Como se os Estados Unidos chamassem Bin Laden e seus amigos para discutir o que poderia ser feito pela segurança nos aeroportos.

O 7x1 não terminou e jamais vai terminar. O 7x1 é o nosso Dia da Marmota. Nossa maldição. É nossa vida.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Um post relâmpago

O relógio mostra que já passamos das 19h e até agora eu não escrevi uma única linha para o post dessa segunda-feira. Hora de um post maroto de enrolação.

Vamos as notícias do dia.

Gregos votam contra exigências de credores por empréstimo
Apesar das pressões internacionais para que a Grécia aceitasse a entrada de um cavalo oco de madeira em seu território, os gregos foram para as urnas negar as condições exigidas pelos credores internacionais. O principal medo era que Sócrates, Sófocles e Platão foram naturalizados alemães. Analistas acreditavam que uma vitória do "não" poderia afundar a Grécia em um mar de lodo, isolado de qualquer contato com o ocidente, permitindo uma aproximação com o Estado Islâmico. No entanto, os credores internacionais já sinalizam que não vão abandonar a Grécia, mostrando que eles votaram corretamente. É isso que se espera dos inventores da democracia.

Dilma reúne base aliada para tentar sair do isolamento
Sem dúvida, uma estratégia inteligente. Especialistas das mais diversas áreas são unânimes em afirmar que a melhor maneira de não ficar isolado é encontrando outras pessoas.

Gol vai permitir utilização de celulares no modo avião durante toda a viagem
Notícia super importante. A partir de agora, todas as pessoas poderão ficar jogando 2048 ou Candy Crush durante mais tempo.

Prefeito mexicano se casa com fêmea de crocodilo
Reparem que era fêmea. Silas Malafaia curtiu isso.

Agora: a roupinha de noiva é sacanagem
Jovem levanta voo no Canadá com mais de 100 balões de hélio
Grandes merdas. O padre Adelir já fez isso seis anos atrás e inclusive morreu por conta disso. Triste perceber que as pessoas precisam se esconder no céu para poder curtir o seu fetiche por balões.

Michel Teló substitui Daniel no The Voice Brasil
Foda-se.

Chineses correm de salto alto e carregando as mulheres nas costas para ganhar um anel
Realmente, as pessoas fazem de tudo por um cuzinho.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Eduardo Cunha Facts

Alguns fatos sobre a vida deste notável político.

#1 Deus criou o mundo em seis dias. No sétimo dia ele precisou negociar a aprovação do projeto com Eduardo Cunha.
#2 Deus disse "faça-se a luz". Eduardo Cunha vetou e só aprovou depois que 18 indicações do PMDB ficaram responsáveis pela instalação.
#3 Eduardo Cunha foi o responsável pelo texto final das 10 pragas do Egito. A punição mais grave era a morte dos primogênitos.
#4 Eduardo Cunha escreveu Levítico.
#5 Pedro negou Eduardo cunha apenas uma única vez.
#6 Após Jesus negar a possibilidade de Eduardo Cunha se tornar o 13º apóstolo, Cunha articulou com Judas Iscariotes a delação premiada de Jesus.
#7 Na casa do Eduardo Cunha, o que nós conhecemos como Constituição Federal, ele chama carinhosamente de "Meu Querido Diário".
#8 Eduardo Cunha consegue lamber os próprios testículos.
#9 Nos restaurantes, Eduardo Cunha sempre obriga o garçom a refazer o prato até que esteja do jeito que ele gosta.
#10 Uma vez o filho de Eduardo Cunha saiu de casa sem pedir permissão ao pai. UMA VEZ.
#11 Para Eduardo Cunha a vingança é um prato que se come quente.
#12 Na televisão do Eduardo Cunha, todos os sete gols da Alemanha foram para fora no replay.
#13 Eduardo Cunha nunca perdeu uma melhor de três.
#14 A banda favorita de Eduardo Cunha é o Milli Vanilli.
#15 Eduardo Cunha sempre tirou 10 em todas as suas provas. Sempre em segunda chamada.
#16 Eduardo Cunha consegue bater punheta sem as mãos.
#17 Eduardo Cunha não queria que Tancredo Neves fosse o presidente do Brasil. Pois é.
#18 O esporte preferido de Eduardo Cunha é o basquete, que sempre tem dois lances livres.
#19 O filme "Chatô, o Rei do Brasil", nunca foi lançado porque Eduardo Cunha não gostou do resultado.
#20 Da mesma forma, Cunha conseguiu barrar o lançamento do disco "Chinese Democracy" dos Guns and Roses. Ele só concordou com o nome quando lhe avisaram que comunistas matam criancinhas.
#21 Eduardo Cunha joga xadrez com ele próprio e vence duas vezes.
#22 Os olhos de Eduardo Cunha só conseguem se encontrar na segunda votação.
#23 Eduardo Cunha explicou a tragédia da música dos cinco patinhos que foram passear além das montanhas para uma turma de Jardim Infância.
#24 Todo dia 26 de dezembro, Eduardo Cunha vai até creches e orfanatos para avisar a todos que Papai Noel não existe.
#25 Eduardo Cunha ficou de fora da lista de tripulantes da Apollo 13.
#26 O cabelo de Eduardo Cunha exerce força gravitacional sobre o sol.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Douglas Costa, o patriota

Poucas coisas podem ser piores do que perder uma partida de futebol nos pênaltis. Repentinamente, toda uma epopeia de 90, ou 120 minutos, é resolvida em dez chutes a onze metros de distância do gol. Não haverá uma segunda chance. Um mísero erro será capaz de amaldiçoar um país ou uma torcida para todo o sempre.

Teoricamente, a situação não é tão complicada para o batedor de pênaltis. O gol tem 17,5 m² de área e o único obstáculo que pode te impedir de alcançar a meta é um goleiro, um pálido cidadão de luvas praticamente impotente diante daquele latifúndio de redes. Uma pobre alma, prestes a se tornar herói e carrasco, sem nada a perder além de uma partida e sua honra.
Ninguém culparia André Santos caso ele não conseguisse acertar o cinegrafista em cima da grua

O problema é justamente esse. Nada que é teoricamente fácil, se torna simples na prática. O medo de errar atrapalha. Você não pode errar, o erro seria um fracasso tremendo. Você pode errar um cálculo de matriz, você pode errar uma mosca a 300 metros de você. Mas não pode errar uma bola em um gol localizado a onze metros de distância. Esse é o problema.

O pavor dos pênaltis já afundou craques e bagres. De Roberto Baggio a Elano, chegando até Éverton Ribeiro e Douglas Costa. Sim, no último sábado o Brasil foi eliminado da Copa América pelo Paraguai, graças aos pênaltis perdidos por Éverton Ribeiro e Douglas Costa. Os dois foram culpados pela precoce eliminação brasileira, se transformaram nos novos inimigos da nação.

Três dias depois, um novo fato mudou a visão das jogadas. Ontem a noite, a Argentina enfrentou justamente os paraguaios e eliminou nossos algozes pelo cataclísmico placar de 6x1. Não chegou a ser o inesquecível 7x1, mas foi uma derrota ruim, ridícula. Se o Brasil não tivesse perdido para o Paraguai, nós é que enfrentaríamos os argentinos. Estaríamos sujeitos, porque não, a outra derrota para história. E para nossos rivais locais.

A derrota dos pênaltis é terrível porque ela deixa o amargo sabor da dúvida em nossas mentes. Uma derrota nos pênaltis não significa que o seu adversário foi superior. Significa apenas que ele foi mais frio na hora em que as incertezas do mundo foram colocadas sobre a marca da cal. Você fica remoendo o pênalti perdido e tudo aquilo que poderia ter sido, mas que não ocorreu.

Mesmo desprovido de uma perna,
Douglas Costa é um herói nacional
No entanto, a derrota nos pênaltis ainda é uma derrota com honra. Justamente porque você não foi superado pelo adversário. Perder nos pênaltis não é humilhante. E na vida, nada é pior do que a humilhação. Nada é pior do que ver seus zagueiros correndo desnorteados enquanto os adversários tocam a bola infinitamente até alcançar o fundo da rede. Nada é pior do que levar um 7x1. A humilhação vai além das quatro linhas e passa a atingir todo um país.

Vamos pensar no Douglas Costa, novamente. Quando ele perdeu aquele pênalti, chutando a bola caprichosamente por sobre a meta paraguaia, ele parecia ser o vilão da vez. Mas, o tempo, sempre ele, foi o responsável por mostrar que Douglas Costa foi um herói. Aquele chute para fora foi um gesto de coragem. Evitou que, três dias depois, o Brasil passasse por alguma coisa muito pior do que uma eliminação simbólica nos pênaltis.

Lembre-se da Copa, lembre-se do 7x1. Dois jogos antes daquele histórico dia, o Brasil enfrentou o Chile pelas oitavas de final. O jogo terminou empatado em 1x1 e foi para os pênaltis, onde o Brasil se classificou. Naquele dia, Willian e Hulk desperdiçaram suas cobranças, mas Júlio Cesar os redimiu com duas defesas. No final, o pornográfico Jara bateu na trave e classificou o Brasil, transformando Júlio César em herói. Besteira.

O tempo mostrou que Júlio César odeia o Brasil. Se ele permanecesse parado no meio do gol dando de presente a vaga para o Chile, nós seríamos eliminados ali, ficaríamos tristes, mas a vida seguiria sem sete chagas expostas em nossas vidas. Os atos de Willian e Hulk naquele dia foram incompreendidos.

Agora sim, com a experiência adquirida nos massacres da vida, nós podemos compreender. O pênalti para fora de Douglas Costa foi um ato patriótico. De defesa da honra da pátria.