segunda-feira, 13 de julho de 2015

Seis discos horríveis

Dia internacional do rock, dia de lembrar alguns dos piores discos da história. Sim, porque é extremamente fácil fazer uma lista de discos ruins só com as obras de Fernando & Sorocaba, daquele caipira que morreu no acidente de carro, ou daquelas bandas que nós consideramos pavorosas e prontas para um massacre da crítica, como o Jota Quest. Os seis discos abaixo são de bandas com alguma reputação e das quais eu gosto, de uma forma ou de outra, o que mostra toda a minha isenção e credibilidade. e modéstia

1 Pink Floyd - A Momentary Lapse of Reason

As coisas não estavam fáceis para o Pink Floyd nos idos de 1987. O grupo somava então vinte anos desde o lançamento do seu primeiro disco e já havia passeado pelo psicodelismo, viraram sinônimos de rock progressivo e lançaram um punhado de discos conceituais. Mas a banda ficou pequena demais para o ego de seus integrantes e após o sonolento The Final Cut, de 1983, o líder e principal letrista do grupo, Roger Waters, abandonou o barco. Foram anos de disputas judiciais até que os outros remanescentes ganhassem o direito de continuarem utilizando o nome Pink Floyd. Para marcar essa volta dos que não foram, eles lançaram A Momentary Lapse of Reason.

Não há razões no lançamento desse disco que mostra como a mistura de rock progressivo com os anos 80 pode ser terrível. O álbum começa com uma faixa instrumental terrível, seguida por uma balada New Wave até Ok. Ai as coisas começam a ficar ruins. The Dogs of War é uma canção que tenta ser épica, mas é um blues de puteiro tocado por músicos virtuosos. Nada soa boa nela. One Slip é o encontro do Pink Floyd com o Duran Duran e há a lastimável A New Machine em que David Gilmour soa como um pastiche de Roger Waters existencialista, com um vocal cheio de efeitos e uma base sonora terrível. Para piorar, essa música está dividida em duas partes.

Com muito esforço, você consegue salvar três músicas, que pelo menos não te fazem passar vergonha.

2 The Zombies - New World
Os Zombies foram responsáveis por um hit, Time of the Season, no distante ano de 1968. Curiosamente, quando essa música estourou nas rádios inglesas, o grupo já havia se dissolvido, abatidos pela sequência de fracassos comerciais. Poderia ter sido um fim glorioso, esse sucesso póstumo. No entanto, como existem pessoas que não sabem conviver com finais felizes, o grupo resolveu se reunir novamente no final dos anos 80 para estuprar o seu nome. (Na verdade, eles PRECISARAM se reunir. Como o sucesso só veio após o fim da banda, ninguém sabia direito quem eles eram e muitos impostores se apresentavam na Europa como se fossem os verdadeiros Zombies. Os integrantes originais se reuniram para marcar território).


Sem o seu principal compositor, o pianista Rod Argent, os Zombies lançaram New World em 1991. Você dificilmente irá escutar uma coisa tão ruim quanto esta em sua vida. Os músicos claramente não tinha inspiração nenhuma e, para piorar, tentavam soar moderninhos, utilizando elementos típicos dos anos 80. Não há nada que seja minimamente audível nesta porcaria, mas destaco os piores momentos: Alone in Paradise, Love Conquers All e Monday Morning Dance, composta por um pianista chileno que o grupo arrumou e que soa como uma mistura de mambo com o som do inferno.

Para finalizar, eles regravaram Time of the Season, em uma versão de artista cover de bar decadente. Sério, é tão ruim que você chega a ter pena desses caras.

3 The Clash - Cut the Crap
O Clash pode ser considerado a melhor banda punk de todos os tempos, por mais que a carreira deles não se resuma apenas ao punk. Em algum momento após 1979, eles se enveredaram por mistura rítmica e viraram muito mais uma banda de reggae, ou de dub, ou de ska. Foram tantas mudanças que em 1985 o líder do grupo, Joe Strummer, resolveu voltar as raízes. Da pior maneira possível.

Para começar, ele dispensou o parceiro Mick Jones, seu contraponto musical. Também mandou embora o baterista e juntou mais um par de músicos desconhecidos para lançar o último e pavoroso disco do Clash. Se a tentativa era voltar ao punk, Strummer falhou, porque Cut the Crap é muito mais um disco de new wave, com sintetizadores e coros avacalhando as músicas que já eram ruins por natureza. Não há uma única música que se salve.

4 Jet - Shaka Rock
Quando surgiu no começo dos anos 2000, o Jet parecia ser uma novidade boa no mundo do rock. Os bons riffs, as belas baladas, eles pareciam herdeiros da tradição australiana do AC/DC e do Britpop. Lançaram um bom disco de estreia, um segundo disco mediano e Shaka Rock, um disco pavoroso.

Certo que a inspiração muitas vezes nos abandona, mas precisamos ter bom senso de saber a hora em que é melhor não fazer nada, para não se expor ao ridículo. Shaka Rock é uma coleção de músicas sem inspirações, gritos clichês e uma tendência anormal aos refrões ruins.

5 Elvis Costello & Burt Bacharach - Painted from memory
Elvis Costello: Artista influente, que conseguiu misturar algum sucesso de público e crítica. Herói nerd, autor de clássicos como Alison - uma das mais tristes canções sobre a friendzone da história.

Burt Bacharach: Pianista e compositor, autor de grandes melodias da história da música pop, como Raindrops Keep Falling on My Head.

Em 1998 os dois se juntaram para lançar esse disco de música de restaurante metido a besta.

6 Os Paralamas do Sucesso - Cinema Mudo
O disco é tão ruim quanto esse filme
Os Paralamas do Sucesso são uma das maiores bandas nacionais da história e é impossível não respeitar a história e as músicas que esses caras fizeram a partir de 1984. Sim, porque em 1983 eles lançaram o seu disco de estreia, Cinema Mudo, que é simplesmente terrível. Tão ruim que até os integrantes da banda sabem disso e tem uma certa vergonha de escutá-lo.

Vamos lá, tem algumas coisas boas no trabalho, como a faixa título e a clássica Vital e Sua Moto, que ficou muito melhor em uma regravação dos anos 90. Fora isso, quase tudo é constrangedoramente ruim. Onde estava Herbert Vianna com a cabeça quando ele escreveu "Qual é seu guarda, que papo careta, só tô tirando chinfra com a minha lambreta" da envergonhante Patrulha Noturna? E Volúpia? Cara, essa é daquelas músicas que você até abaixa o volume quando começa a tocar, com medo de que alguém te veja escutando uma porcaria dessas.

Poderia citar ainda outros discos, mas esse post ia ficar grande pra caramba. Mais chato e arrastado do que um disco do Guns And Roses.

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