segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Crime e Castigo

Atenção, se você procura por “Crime e Castigo” obra do escritor russo Dostoievski, procure melhor no Google.

O ser humano comete erros o tempo todo. Seja os erros mais simples como discar o número errado no telefone, até os mais complexos como ir a um bar, beber todas, discutir com o garçom e matar ele com um caco de vidro, roubar um carro da polícia, dirigir bêbado até o aeroporto causando acidentes e atropelando pessoas, seqüestrar um avião e cair com ele em cima de um hospital.

Quando o ser humano erra, ele é castigado. Se você entra na rua errada, demora mais tempo até chegar ao lugar que queria. Se colocar uma televisão na tomada errada, você estraga a televisão. E se rouba um pirulito de uma criança e utiliza ele para sodomizar uma freira, você... será linchado.

A história do sistema penal é algo muito complexo e eu demoraria pelo menos 40 páginas para resumir. Mas basicamente, as penas evoluíram muito desde o tempo do olho por olho, dente por dente, pâncreas por pâncreas. E existem as mais variadas escolas penais. Há quem defenda morte para todos os erros, e há quem imagine que qualquer erro deva ser perdoado, porque a vida, e deus, irão se encarregar de castigar o criminoso, nem que seja no dia do juízo final.

Mas, a escola penal menos conhecida do mundo é a Escola das Penas Alternativas Nonsense EPANtrovski (note que o trovski no final é apenas para reforçar o caráter nonsense da escola). Uma escola tão underground, que só mesmo o lendário Alfredo Humoyhuessos poderia me explicar como ela funciona.

Telefonei para o lendário filosofo, pensador e técnico em informática colombiano. E eis um resumo do que ele me explicou.

A origem da escola vem da Noruega. Um grupo de jovens escandinavos tomou um porre de vodca e comeu latas de Arenque Podre e bolou a base do código penal da EPANtrovski. Este código evoluiu desde então, ganhou versões de seus defensores em cada país. Infelizmente ele só foi usado duas vezes como sistema penal oficial de um país. No Sri Lanka em 1977 e no Brasil em março de 1931. Em ambos os casos por erro de digitação.

É bem difícil explicar como funciona o código. Não existe uma aplicação simples como: Matou tem que assobiar e comer farofa ao mesmo tempo. É um código muito interpretativo. Vamos citar algumas penas possíveis.

- Assistir propagandas ruins: Propagandas com crianças de voz irritantes (meu pai é um gigante), o comercial do Ronaldo falando das laminas de barbear Bozzano ou o comercial do Listerining Whitening. Em casos mais graves a propaganda do guaraná Dolly ou o Da Da Da da Pepsi podem ser utilizados.
- Carregar cartões de ônibus do MTU de crianças carentes. Uma de cada vez, indo ao fim da fila ao final de cada recarga.
- Corrigir erros de português no Orkut. Konpkliikado de+.
-Ser proibido de comprar coisas que você gosta. Tal qual sua mãe fazia quando você era pequeno.
- Ter que se comunicar na língua do P em repartições públicas.

Se os criminosos não cumprirem essas penas eles serão mortos. E as penas também serão diferentes.

As penas de morte previstas no código são:
- Morte por cutucão no toba.
- Morte por golpes aplicados com o pênis.
- Morte por engolir objetos cortantes.
- Sufocar-se no próprio tênis.
- Ser atropelado por um mamute em uma passeata gay.
- E a tradicional morte ao ser atingido por pianos, bigornas, botijões de gás enquanto se caminha pela calçada.

sábado, 28 de novembro de 2009

Coisas que saíram de moda

Durante uma época todo mundo teve. Hoje são itens apagados da memória.

Agenda Eletrônica: Dar uma agenda eletrônica de presente, era o sinal da modernidade. Você estava incluindo o presenteado em um novo mundo. Mundo em que agendas de papel eram itens ultrapassados e que você poderia levar milhares de números em uma pequena maquininha que ainda fazia cálculo. Bem, uma vez que o celular hoje em dia faz tudo isso e ainda telefona para outros lugares e toca música, para que alguém iria querer ter uma agenda eletrônica hoje?

Pochete: Hoje a pochete é um assessório de moda extremamente condenado por qualquer criança de 4 anos. Mas houve uma época em que ela era um sinônimo de liberdade. O homem poderia levar tudo o que quisesse dentro de uma pequena bolsa pendurada na cintura. Bem, de fato não fazia sentido mesmo.

Capa de Celular: Parecia que não fazia sentido ter um celular, se você não tivesse uma capa de celular. Logo que alguém ganhava um celular, a primeira coisa que fazia era ir em uma loja escolher uma capa. Podia ser daquelas boas, que dava pra encaixar na cintura. Modelos com estampa de oncinha, cor-de-rosa ou de couro legitimo foram aparecendo. Com o tempo, não sei explicar o porque, mas, felizmente, as pessoas pararam de dar importância para isso.

Tamagochi: Isso é dos tempos de criança, nos idos de 1997. Todo mundo, menos eu, tinha um tamagochi. Um brinquedinho que reproduzia um dinossauro, que as crianças tinham que ficar alimentando, brincando, colocando pra dormir, limpando a merda. O bicho apitava quando estava insatisfeito. Enfim, era um instrumento para escravizar crianças. Um ano depois eles desapareceram, e todo mundo que teve um deve sentir vergonha e negar o fato.

CDs: Os discos compactos surgiram como uma alternativa prática para os vinis, aqueles bolachões inúteis que ocupavam espaço. Com o surgimento da internet, do mp3, da banda larga e dos sites de compartilhamento, os CDs foram mortos. Hoje quem compra um CD corre o risco de ser humilhado e também de apanhar por contribuir com a maldita indústria fonográfica. E ah, quem compra vinil e cool.

Escafandros: Existiu uma época em que os homens saiam a rua utilizando os mais variados modelos de escafandro, fabricados nos mais diferentes materiais e... Ok. Esse tempo jamais existiu, mas teria sido muito legal.

Futuramente, quem sabe, eu me lembro de outros. É difícil lembrar de coisas que foram esquecidas.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Caneta Espiã

A caneta espiã dominou o mundo. Sim. Se eu já cheguei a falar sobre a era do fake e a era do fail, a verdade é que vivemos sobre a égide da caneta espiã. Você entra em portais sérios da Internet e lá esta a propaganda da caneta espiã, com desconto. Metade dos Spams que recebemos por e-mail se referem a oportunidades de adquirir uma caneta espiã. A caneta espiã é o novo aumente seu pênis.

Esse elemento consistido de três partes (uma ponta que escreve, uma ponta que filma e a metade que encaixa na porta USB) traz uma série de dúvidas.

A primeira é: porque você iria querer uma caneta espiã. Pense. Você pode até pensar “nossa que legal, com isso vou poder filmar várias coisas, vou poder me exibir para os meus amigos”.

Mas, ter uma caneta espiã, ou qualquer coisa que filme secretamente, só faz sentido se ninguém souber que você tem uma. Senão sempre que você entrar em algum lugar todo mundo ira te olhar desconfiado. Qual é a graça de ter um negócio desse e não poder contar pra ninguém? Não poder fazer uma reles piadinha? “Opa, vou te filmar aqui, hehe”.

E uma vez que essas canetas são tão noticiadas na internet todos saberão da sua existência. Todo mundo olhará desconfiado para o cidadão concentrado com uma caneta na mão.

E depois, em quantas oportunidades da sua vida você parou e pensou: nossa, seria diferente se eu tivesse uma caneta espiã. Em umas três talvez. Quando você foi reprovado injustamente na prova do DETRAN, quando seu chefe tentou te assediar sexualmente. Fora isso?

Há ainda um outro problema que é, como você vai fazer para filmar? Infelizmente filmagens só ficam boas se você tiver um bom ponto de apoio e uma boa capacidade de mostrar o que é que você quer filmar.

Imaginem a cena numa reunião do escritório e lá está o sujeito com sua caneta discretamente na frente do rosto, apontando para quem ele quer filmar.

“É simples, coloque ela no bolso da camisa!” dirá você revoltado com minha burrice. Mas, são todas as camisas que tem bolso? Você sempre estará preparado com uma camisa com bolso para as situações em que você precise de uma caneta espiã? E também será super estranho ver aquele filme que só filma o busto das pessoas.

Enfim, do ponto de vista prático, uma vez que já existem celulares com filmadora, a caneta espiã é um artigo desinteressante. É preferível que você compre aquela caneta que tem choque, para pregar uma peça nos amigos.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Perdidos!

Não, esta não é uma versão brasileira Herbert Richards* para o seriado lost.

No seriado as pessoas estão perdidas numa ilha. E lá elas viagem no tempo entram em túneis siderais, fumam maconha e praticam o amor livre. Bem, não, na verdade o festival de Woodstock não aconteceu na ilha de lost. Ou não que eu saiba. Esse seriado é uma coisa muito complexa para mim.

Mas a questão mesmo é... estar perdido. É uma sensação deveras desagradável. A sensação de não se ter a menor idéia da onde é que você está. Todo mundo já esteve perdido alguma vez na vida. Alguns acabaram se perdendo por toda a eternidade.

Recentemente, por exemplo, eu fui a um chá de panelas de um amigo não identificado que irá se casar. O evento aconteceria em Várzea Grande. Para chegar até o local, o noivo mandou informações. Entra a esquerda na padaria, passa uma ponte e depois do segundo quebra-molas entra a esquerda.

Tudo OK. Aquela sensação de que felizmente você está no lugar certo. Passei o segundo quebra-mola e pronto! Entrei à esquerda. E dei de cara com um rancho, o cavalo alegre, que fica no fim da pista do aeroporto. Perguntei para o rancheiro se ele conhecia o lugar onde eu deveria ir. Ele disse que não. Perguntei para um pastor na rua e ele me informou que era na próxima à esquerda.

Voltei para a rua principal esperando a próxima a esquerda. Mas não existia próxima entrada a esquerda. Logo após aquela rua começava uma estrada, que mais tarde descobrir ser a Estrada do Engordador. Completamente escura, cercada de mato e sem acostamento. Não havia hipótese para que eu retornasse. Só me restava a alternativa de seguir em frente. Até achar um lugar para voltar. Se ele lugar não existisse eu acabaria parando na ponte Sérgio Motta depois de contornar todo o Rio Cuiabá.

Mas eu não sabia disso. Segui em frente até achar uma pequena comunidade com uma pequena rua. Notei que não havia pastéis e logo concluí que essa comunidade não era Jangada. E como não havia putaria, logo não era Livramento e também não era carnaval. Pela falta de maconha e sexo livre não era Woodstock. Na verdade tratava-se do bairro Costa Verde.

Fiz o retorno voltei ao lugar do segundo quebra-mola até descobrir que o problema na verdade é que eu devia ter entrado à DIREITA. Sim, direita. Todas as pessoas confundiram os lados. Se eu tivesse entrado à direita, logo teria encontrado o lugar.

Também me lembro de ter ficado perdido no interior de São Paulo em busca de um sítio. Sei de pessoas que ficaram perdidas na avenida dos Trabalhadores. Ficar perdido é uma sensação estranha. De que você irá ficar eternamente ali e morrer de velhice em um lugar desconhecido. Ou então se submeter a humilhação de ligar para alguém e falar “estou perdido, não sei aonde estou”.

E você, quando esteve perdido?

*Fica assim também a homenagem do CH3 a este grande homem que ninguém sabia que existia de verdade, mas que morreu deixando um profundo vazio em nossas vidas. E nossas condolências a Carlos Álamo e John Marshmellow, os sobreviventes do mundo dos dubladores.

domingo, 22 de novembro de 2009

Concurso Público, ou, o Caos

O ser humano nasce, cresce, estuda para passar em concursos públicos, para então decidir se vai se reproduzir, e morre.

Era assim que eu começaria o meu texto de hoje, que iria abordar os vários aspectos referentes ao concurso público. A indústria formada ao redor desse evento, que envolve desde os cursinhos até os fiscais de prova. Citaria os trechos de uma matéria que eu escrevi durante o sétimo semestre do curso de Jornalismo, para a aula de Jornalismo em Revista, da professora Keka Werneck.

“O clima na sala durante uma prova de concurso é sempre parecido. Pessoas nervosas comendo bombons e barras de cereal. Garrafas de água aos montes. Folhas sendo escritas e cartões de resposta sendo preenchidos. Preocupação com o horário final para se entregar a prova. E no final as pessoas estão ainda mais nervosas. Algumas já lamentam a não reprovação, enquanto algumas procuram logo o gabarito.”

Essa era muito mais uma definição de provas de vestibular. Mas no texto de hoje eu iria abordar inclusive as semelhanças e diferenças entre uma prova de vestibular e uma prova de concurso público.

Sim, esse era o meu objetivo. Mas, nós não podemos manter nossos princípios e abandonar os fatos relevantes, ainda mais se esse fato relevante estiver relacionado ao assunto que era previamente pretendido.

Isso por que hoje é domingo, 22 de novembro de 2009, o dia em que Cuiabá conheceu o Caos.

Seria realizado hoje o maior concurso público da história do universo. Mais de 200 mil pessoas no Estado. 180 mil apenas em Cuiabá.

Como era de se esperar o trânsito estava um inferno. Escutei relatos de pessoas que em meia hora não conseguiram andar 1 km de carro. As pessoas começaram a abandonar os seus carros no meio da rua e várias morreram esmagadas contra o muro.

Na UNIC e na Unirondom o clima foi ainda mais quente. Na primeira, provas com lacres rasgados e gabaritos já preenchidos foram entregues aos alunos. E uma confusão fez com que as provas do período da tarde fossem entregues de manhã. Pessoas começaram a tentar vender as provas que os outros não tinham feito. E algumas pessoas ainda foram locadas em salas inexistentes.

Já na Unirondom foi ainda pior. Distribuíram provas do ensino médio para delegados, prova de advogado para crianças da pré-escola. Ainda faltaram provas. Apesar de proibidos, os celulares eram amplamente utilizados. Algumas provas demoraram uma hora e meia para começar. Revoltados, alunos começaram a jogar provas pela janela e a quebrar cadeiras. Logo seqüestraram os fiscais e os esquartejaram.

A revolução partiu para as ruas.

A uma da tarde eu estava voltando para minha casa. Tive que afastar alguns cadáveres da porta do meu carro. Uma mulher gorda dizia “Esse Blairo Maggi quer fazer o maior concurso da história e não consegue! Isso é megalomania! Aposto que ele tem o pinto pequeno!”. Pessoas começaram a gritar que Blairo Maggi era hipodotado.

Todas as ruas estavam engarrafadas. Pessoas passavam com o carro por cima das calçadas atropelando pedestres. Uma cratera se abriu na Prainha, daonde o demônio sugava as vísceras dos transeuntes.

Pessoas com tochas e rastelos caminhavam rumo ao Palácio do Governo querendo a cabeça de Maggi em uma bandeja de prata. O estado de sítio foi decretado e os alienígenas invadiram Cuiabá. Agora a pouco começou uma chuva de grilos e de rãs.

Talvez esse seja o último post do blog.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Guia CH3: Como se livrar dos atendentes de telemarketing

É claro que esse é um assunto que já foi muito explorado em e-mails. Mas o CH3 aqui pretende mostrar uma visão diferenciada dos fatos. É fácil ter uma visão diferenciada? Sim, de fato é. Basta colocar um óculos de grau ou um óculos colorido que automaticamente você passará a ter uma visão diferenciada.

Digamos que é muito mais fácil se livrar dos vendedores de cartão de lojas de departamento. Basta que a cada vez que eles se aproximem, perguntando se você já tem um cartão da loja e se quer fazer um, é só dizer:
- Sim, tenho quatro.
- Sabia! Sabia! Sabia que você ia dizer isso, meu médium me avisou, ahhhh!
- Hoje é sexta-feira. Você não tem vergonha de me oferecer um cartão em uma sexta-feira? Você sabe o azar que isso proporciona? É comprovado com pesquisas cientificas.
- Apenas se eles forem comestíveis.
- E você, passa cartão?

Com o telemarketing é muito mais difícil. Mas, muito mais difícil mesmo. Os e-mails falam de técnicas como:
- imitar Silvio Santos.
- Fingir ser gago.
- Desabafar com a atendente.
- Simular sexo por telefone com a atendente.

São coisas divertidas de se fazer? Sim. Você irá se livrar desse telefonista? Vai, sem dúvida. Mas você irá se livrar de apenas um. E o problema é que não existe apenas um operador de telemarketing no mundo. São vários. O telemarketing é o ramo de mercado que mais emprega pessoas no Brasil. É um verdadeiro exército da destruição. Uma arma de devastação em massa. Se eu fosse um governante de país vizinho já teria declarado guerra ao Brasil por saber desse dado.

Pois bem, pense nisso. Você não conseguirá se livrar deles um por um através do telefone. A revolução não será telefonada. Você não vai mudar o mundo com um botão, a não ser que esse botão seja um botão vermelho.

Você terá duas saídas então.

A primeira é se isolar. Se mudar para uma montanha ou ir para uma ilha deserta, onde você não poderá ser encontrado. Se alimentará de pequenas plantas e eventuais caças. Ou talvez seja mais simples apenas tirar seu telefone da tomada. O que te privará de pedir uma pizza na sexta a noite.

Se você achar que essa solução é um tanto quanto simplória e que resolverá o seu problema, mas não irá resolver o mundo, não irá ajudar as outras pessoas, você pode partir para o ataque.

Não é possível que operadores de telemarketing sejam iguais aos outros seres humanos. É bem provável que essas pessoas tenha um gene em comum, algo que explicaria o porque tantas pessoas aceitam esse trabalho. Um cromossomo torto. Isso explicaria entre outras coisas o comportamento robótico e a incrível insistência dessas pessoas. Nenhum ser humano normal conseguiria ouvir respostas negativas tantas vezes e ainda assim insistir na perspectiva de um sim.

Faça pesquisas genéticas. Colha o sangue, pedaços de tecido. Estude o cérebro dos operadores de telemarketing. E veja o que há de comum. Descobrindo o gene que causa o operadordetelemarketismo. A partir da sua descoberta, estude uma droga, uma bactéria ou o que seja. Essa droga pode servir tanto para curar esses pobres coitados ou... pobres coitados nada. Crie logo uma droga que mate esses bastardos malditos! Aproveite suas falhas. Como essa pesquisa poderá ser demorada, é bom que vocês desligue seu telefone no período. E coma pizza apenas na rua.

Outra boa solução é descobrir onde eles trabalham e matar todos eles. Seja fuzilando, ou seja explodindo a sede onde eles trabalham.

São saídas drásticas? Sim, são. Mas às vezes elas são necessárias. É o que faz o mundo mudar. Mas é claro que não. Você ficará ai sentado em sua cadeira sem fazer nada e reclamando até a morte de que não sabe como resolver esse problema. Correndo pro telefone achando que é seu esquema, mas é o Banco Real te oferecendo seguro de vida.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

A Greve das Prostitutas

2009 foi um ano em que várias greves prejudicaram o povo cuiabano. Tivemos greve nos Correios, nos Bancos, no judiciário e até a polêmica greve dos médicos do Pronto Socorro. Mas nenhuma greve abalou tanto as estruturas da cidade, como a greve das prostitutas.

Tudo começou quando prostitutas de Cuiabá se sensibilizaram com o caso Uniban e resolveram reivindicar melhores condições de trabalho. Como não foram atendidas, e algumas até apanharam, resolveram se unir. Montaram o Sindicato das Prostitutas de Cuiabá (SPC) e declararam greve.

Em um primeiro momento a notícia não foi divulgada. E o que se percebeu foram carros vagando em ruas vazias da região do Porto em Cuiabá. E um intenso movimento na avenida da FEB em Várzea Grande. As casas de entretenimento adulto da cidade vizinha ficaram superlotadas. Clientes esperavam no corredor e eram muitas vezes atendidos no chão, ou em camas com lençóis sujos.

A situação ficou completamente insalubre e as prostitutas de Várzea Grande resolveram declarar greve também. Com essa decisão o movimento nos motéis da grande Cuiabá caiu pela metade e muitos começaram a reclamar das dificuldades financeiras. O movimento nas boates aumentou. E também aumentou o movimento nos barzinhos de bairros.

A procura por travestis quadriplicou, e uma vez que vários motéis fecharam, mais cinco vereadores e quatro deputados perderam seus mandatos por quebra de decoro parlamentar.

Com o tempo, pessoas começaram a montar excursões para cidades como Barra dos Bugres, Rosário Oeste, Dom Aquino, Acorizal, Jaciara, Livramento e Jangada (onde eles podiam pedir uma puta e um pastel). Isso aumentou incrivelmente o número dos acidentes nas estradas e dos motoristas sendo presos por dirigirem alcoolizados. Os jornais não entendiam os motivos.

A estrutura dessas pequenas cidades ruiu e foi aí que as prostitutas do estado inteiro declararam greve. A situação ficou perto da calamidade pública. Começou a ficar mais freqüente os casos de rapazes que iam passar um final de semana em Aragarças ou em Piranhas em Goiás (note que não há a menor maldade, visto que essa cidade realmente existe). A ida de tantas pessoas de fora começou a gerar briga de gangues. E as prostitutas do centro-oeste declararam greve. Seguidas por um movimento nacional. As prostitutas dependuraram suas roupas e foram pra casa.

Em atos de desespero homens começaram a ir até San Matias na Bolívia. Apresentavam comportamento violento e a polícia boliviana começou a matar os jovens brasileiros que lá iam. Revoltado, o governo Lula declarou guerra a Bolívia. Que logo se tornou uma guerra contra a Venezuela e o Equador. Os Estados Unidos resolveram intervir. O Irã e a Coréia do Norte aproveitaram o pretexto para criticar a política intervencionista estadunidense e declararam guerra nuclear.

Foi o fim.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Pessoas Constrangedoras, volume 2

Pessoas que estragam fotografias

Por pessoas que estragam fotografias, não falo de algum possível demente que goste de jogar água em fotos, deixar os negativos expostos ao sol ou que tenha uma tara compulsiva por quebrar máquinas digitais. Falo sim, daquelas pessoas que com sua presença estragam uma fotografia.

E o motivo disso não é que elas sejam não queridas na foto. É a forma como elas aparecem nas fotografias.

O caso mais famoso é o das pessoas que aparecem em fundos de fotos em poses constrangedoras. É a tia que sai de biquíni na beira da piscina, o primo de barraca armada dormindo no canto. Mas bem. Aí são casos bizarros e raros e incomuns. A não ser que seja algum extremista que ao ver pessoas se preparando para serem fotografadas, saia correndo para simular uma situação em que ele possa estragar a foto. E apareçam nus no canto. Mas, não é nada disso. Vamos aos exemplos.

Situação 1, pessoas que fazem caretas

Todo mundo conhece uma pessoa assim. Naquela empolgação de “vem, pessoal, vamos tirar uma fotografia” alguém sai fazendo uma careta.

A explicação para esse caso é simples. A tal pessoa se considera feia, e com medo de que ao verem as fotos as pessoas digam “nossa, ele saiu horrível” a pessoa faz uma careta, e assim sendo ela deixa de ser feia. Está apenas fazendo uma careta. Só que quando a pessoa faz isso repetidamente ela se torna uma pessoa constrangedora. Afinal, ninguém gosta de olhar as fotos e ver “hmm, olha aí o Zezinho parecendo que tem paralisia mental”. Na próxima foto “é, de novo”. Mais uma foto e “que ser nefasto! Que paradigmas de iconoclastia ele ousa julgar...’ opa, quer dizer, a pessoa na verdade diria algo como “porra, nunca mais chamo esse filho da puta pra tirar foto”.

Situação 2, pessoas que não interpretam bem

“Vamos lá pessoal, vamos tirar essa foto com cara de medo!”. Na hora que se vê a foto lá está uma pessoa que saiu rindo e estragando a foto. Ou aquele caso dos caras que resolvem tirar foto com cara de mau, colocam óculos escuros e cruzam o braço. Mas na hora que eles vão ver, um cara saiu com cara de viado satisfeito.

E enfim, porque essas pessoas são constrangedoras? Porque estragar fotografias é complicado. Hoje em dia não existe mais o prejuízo financeiro de revelar 10 fotos estragadas por conta de uma pessoa. Mas a foto estragada não vai poder ser colocada no Orkut. Não vai ser mostrada para outras pessoas.

Sempre que a pessoa constrangedora estiver em uma roda de amigos ele vai escutar muito mais:
- Ei, tira uma foto nossa.
Do que:
- Tira uma foto com a gente.


Isso até que a exclusão total bata as portas dessa pessoa.

sábado, 14 de novembro de 2009

A moda é: ser exótico

Dois amigos vão juntos a uma sorveteria. Sentam-se no balcão e olham as opções de sabor. Os dois fazem suas escolhas.
- Me vê uma bola de chocolate.
- Como?
- Uma bola de chocolate.
- Chocolate???
- Sim, ué. Chocolate.
- Que horrível. Como você tem coragem de pedir sorvete de chocolate? Chocolate, tsc. Me vê duas. Uma de tamarindo e outra de fruta do conde.

O amigo que pediu o sorvete de chocolate será estigmatizado nos mais diversos segmentos da sociedade pelo fato de ele ter pedido sorvete de chocolate. Sendo que ele podia ter pedido sorvete de papaia, ciriguela, bocaiúva, nêspera, urucum, batata doce, amora, poncã, açaí, graviola, cupuaçu, umbu, cajá-manga, saputi, tâmara, tamarindo, pitonga ou bacuri. Já o que pediu o sorvete de fruta do conde poderá olhar por cima das outras pessoas.

Tudo isso porque? Porque a moda é ser exótico. Não sei se a culpa é da Angelina Jolie, mas o fato é que ao ir comprar alguma coisa, seja comida ou seja lá o que for, pessoas legais de verdade compram a coisa mais exótica disponível. Sorvete de abacate com goiaba, suco de morango com mortadela e menta. Filé de bagre com molho de jabuticaba e pimenta. Costela de bode refogada com leite em pó e guaraná ralado.

E o que é pior? É que essas coisas exóticas ou são ruins ou lembram incrivelmente alguma outra coisa normal. “Hmm, sorvete de tamarindo. Lembra Limão”. Oras, se lembra limão era mais fácil tomar um sorvete de limão. Mas o sorvete de limão... é ali, tão simples e branco. Muito melhor tomar um de tamarindo e parecer que você é descolado para não ficar deslocado.

Existe ainda o caso do frango. Já foram catalogados aproximadamente 392 carnes de animais que se parecem com frango. Avestruz? Parece frango. Jacaré? Parece frango. Cobra? Parece frango. Capivara? Também. Rinoceronte? Adivinha. O frango. O frango é o maior formador de opiniões gustativas da fauna mundial.

Nesse caso, melhor ainda é comer filé de rinoceronte com cobertura de tamarindo. Peito de rã com filé de bacuri. Sorvete de pequi com cobertura de filé de maracujá recheado com cobertura de abacate com gosto de frango.

E é claro, que fazendo tudo isso escutando um músico africano, filho de dinamarqueses que toca jazz com influência de ritmos caribenhos utilizando-se apenas de utensílios medievais. E se você perguntar para quem gosta o porque, ele responderá: “ora, mas é lógico. O cara é um moçambicano filho de um islandês com uma panamenha! E foi criado em Massachussets! E começou a carreira tocando caixa de fósforo numa esquina em Dusseldorf! E ele fazia tudo isso para um velho comerciante italiano de bigode que adorava empadas de rã com molho de frutas silvestres. E sabe o que ele ganhava? Apenas comida. Sorvete de salmão com cobertura de chocolate sabor abobora. Até que ele foi para a Macedônia trabalhar como alferes de uma empresa de jóias que era administrada por um tailandês que um dia o disse: vou lhe contar o segredo do sucesso. Ele é


PS. As tags desse post dão uma conotação de blog de mulherzinha.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Grandes dúvidas que não têm explicação (9)

Porque as pessoas gritam quando acaba a luz?

Terça feira aconteceu um apagão no Brasil. O país ficou envolto em trevas. Famílias perderam o capítulo da novela. Casais tiveram que arrumar alguma coisa pra passar o tempo. Pais entretiveram (curioso que entreter é uma palavra que sempre parece que é mais difícil de ser escrita do que realmente é) seus filhos fazendo sombras contra a parede. Aposto que alguns pais ficaram por horas fazendo cachorros e pombos. E os filhos faziam sombras que não faziam o menor sentido, mas os pais achavam que eram realmente grandes sombras.

Muito divertido. Quer dizer, divertido por uns 10 minutos. Até o momento em que você já fez todas as quatro sombras que você sabe fazer, arriscando até um ousado elefante. Depois perde completamente a graça. E como a luz não volta... bem, pior ainda é se os telefones ficam congestionados e a água acaba. É como voltar à idade média. Sair as ruas e encontrar o seu senhor feudal. Ratos na rua, caos, calamidade. Estado de apocalipse público.

Bem, mas voltemos à questão, que é afinal, a grande dúvida que motiva esse texto. Porque as pessoas gritam quando acaba a luz? Porque a falta de energia provoca essa catarse (senhoras e senhores, durante toda a minha vida eu sonhei em utilizar a palavra catarse em um post)?

Bem, eu lembro, quando a luz acabava no colégio, várias pessoas começavam a gritar. Talvez elas gritassem imaginando que não haveria mais aula pela falta de luz. Uma vez em uma aula de fotografia, a professora desligou a luz para revelar os filmes e no momento em que ficou escuro os gritos vieram. Certo que nessa vez era o mais absoluto escuro e se alguém quisesse ficar nu, ele realmente poderia ficar nu. Poderia passar a mão na bunda de quem quisesse. Poderia cometer os mais pervertidos e pecaminosos atos. De fato, não sei se alguma coisa aconteceu. Porque estava realmente escuro, muito escuro e era realmente impossível saber. Sei que eu não fiz nada.

E quando o apagão aconteceu na terça-feira várias pessoas relataram que escutaram gritos. Desde os simples "iiiihuuu” até os polêmicos “ninguém e de ninguém”, os libidinosos “suruba!” e também gritos de “puta, puta, puta!”, mas esses foram escutados apenas na Uniban. De fato, seria mais compreensível que as pessoas gritassem quando estão em lugares públicos, visto que o ser humano tende a se comportar de maneira estranha quando está em bando. Mas, porque afinal, as pessoas gritam quando a luz acaba, mesmo que estejam sozinhas?

Para responder essa intrigante questão, o CH3 foi a campo. Primeiro fizemos algumas entrevistas na rua. Depois convocamos voluntários para um experimento científico. Trancamos os em uma sala e apagamos a luz. Infelizmente nessa hora o telefone tocou e eu voltei apenas 15 minutos depois. Acendi a luz e dei três minutos para que os voluntários vestissem suas roupas. Menos o Jorge, que morreu. O velório dele é amanhã as 14h30.

Depois fiz mais uma série de perguntas aos voluntários. E pra terminar fiz todos assistirem Ilha das Flores. E voltei a entrevistá-los novamente.

Ao fim do experimento, pudemos chegar à seguinte conclusão:
- 37,89% das pessoas gritam porque sentem medo do escuro.
- 28,29% das pessoas gritam porque acham que uma suruba irá começar.
- 27,29% das pessoas gritam por herança cultural. Passaram a vida toda escutando as pessoas gritarem, e então gritaram.
- 19,39% das pessoas gritam porque vozes na sua cabeça mandam que elas gritem. Essas pessoas, aliás, gritaram quando as luzes foram acessas também. E também gritaram durante a entrevista.
- 18,22% das pessoas não se lembram de terem gritado, mas gritaram.
- 18,21% das pessoas “disseram, ah sei lá, deu vontade”.
- 0,11% das pessoas gritaram porque uma barata caiu em cima dela no momento em que a luz foi apagada. Numa dessas incríveis coincidências que fazem da vida algo fascinante.

Três pessoas não gritaram. Sendo que uma era o Jorge, que não gritou porque morreu. Outra que não gritou era muda. A outra pessoa que não gritou, disse que não gritou porque não achava que era necessário.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Guia CH3: Como escrever uma música do Rogério Skylab

Esses dias, Rogério Skylab esteve no programa do Jô. Provavelmente foi a sua quadragésima nona aparição em tal programa. O que pode revelar talvez, um possível romance entre os dois. Mas, o fato é que pelo menos para mim, Skylab é uma das três pessoas menos engraçadas que eu conheço. Sendo que as outras duas são um cara que estudou comigo e vocês não conhecem e a outra é esse cara aí.


Sinceramente, esse cara aí deve ser incapaz de contar uma única piada engraçada.

Mas, voltando ao Skylab. Já devo ter visto algumas dessas suas milhares entrevistas. Aliás, o programa do Jô é o único lugar no qual ele aparece. Imagino até que ele não exista de verdade e apenas se materializa de vez em quando pra aparecer por lá. E ele nunca foi capaz de me fazer rir. Nem um leve sorriso. Mas, de qualquer forma posso ensinar a fazer músicas como ele faz. O ritmo é um misto de bossa nova com heavy metal. E para as letras, você tem as seguintes opções.

1) Cite uma variedade de coisas. E depois um refrão que envolva algo escatológico. Como:
Tem azul, tem vermelho, amarelo e marrom.
Tem de preto, de branco, verde e laranja.
Vou de roxo, cinza ou furta cor.
Pode ser de bege a cor do seu caixão.
Porque eu pinto defunto.
Eu pinto defunto.
Meu pinto no defunto.
Necrofilia!


2) Outra opção é citar um palavrão com uma palavra escatológica dentro de um contexto insignificante. Como:
Fui comer uma mulher
E ela tinha boceta fedida
Boceta fedida!
Boceta Fedida!
Fui comer a mulher e ela tinha boceta fedida!


3) Repita palavrões em uma ordem qualquer.
Piroca, cu, buceta e merda.
Bosta, caralho, xoxota e cu.
Buceta, caralho, cu e merda.
Piroca, xoxota, bosta e cu.


4) Misture palavrões, escatologia, doenças e perversões sexuais, aleatoriamente.

Vou chupar meu pau
Porque eu tenho gonorréia
Caguei na minha boca
E chupei o seu cu


Talvez essas músicas até já tenham sido feitas por ele. Caso o contrário, siga esses passos e vá conhecer a fama mundial no programa do Jô.

domingo, 8 de novembro de 2009

Pessoas Constrangedoras, volume 1

Pessoas que conversam com outras pessoas desconhecidas

Pessoas constrangedoras estão espalhadas em nossa sociedade. Elas podem estar em qualquer lugar. No supermercado, na mercearia, na quitanda, na quermesse, na funerária ou ao seu lado. Ou, essa pessoa pode ser você. Nessa nova série do CH3, iremos abordar, ou melhor, discorrer sobre essas pessoas. Porque abordar por si só já pode constranger.

Pois bem, o que são as pessoas que conversam com outras pessoas desconhecidas? O nome já não foi o suficiente para explicar? São pessoas que conversam com outras pessoas, que elas não conhecem. Existem algumas situações freqüentes que explicam bem por que esse tipo de pessoa é constrangedora.

Situação 1: no ônibus, no avião
A pessoa, que chamaremos de pessoa desconhecida está já sentada no banco, com um lugar vago ao lado. A pessoa constrangedora chega.
- Oi, posso me sentar aqui.
- Pode.
- Que bom, meus pés estão me matando.
- ...
- Você é aqui de Cuiabá.
- Sim.
- Hmm, e tá indo pra onde.
- Pra casa.
- Hmm sim. Cheio não?
- É.
- O ônibus, cheio, não?
- Sim.
- Você não gosta de conversar?
- Bem... não é isso.
- Ah sim, porque se eu estiver te incomodando é só falar que eu paro.
- Não, não.
- Ah sim. É casado?
- Olha, meu ponto chegou. Tchau.
- Tchau, foi um prazer.

Situação 2: em uma fila
A pessoa desconhecida está na fila do banco, com outras 10 pessoas a sua frente. É quando a pessoa constrangedora chega.
- Essa é a fila do caixa?
- Sim.
- Tem que pegar senha?
- Não.
- Fila grande, não?
- Pois é.
- Ai, pena que eu tenho que pagar hoje.
- Pois é né.
- Bom que pra passar o tempo a gente conversa né, hehe.
- É, he.
- Veio fazer o que aqui?
Notem que nessa situação não há a escapatória do ponto ter chegado. Para a pessoa desconhecida existem dois caminhos. A primeira é continuar no monólogo. Respondendo no máximo três palavras por vez e torcer para que a fila ande rápido. Ou então, partir para o ataque. Isso poder ser feito
Dando uma resposta cruel.
- Pagar a conta do caixão do meu pai, da minha mãe e dos meus três irmãos que morreram.
- Nossa, do que?
- A polícia acredita que foi um acidente. Mas eu matei eles. Com minhas próprias mãos. E não senti nenhum remorso. Eu poderia fazer isso com QUALQUER pessoa.
Dando uma resposta nonsense.
- Lavar minhas cuecas.
- Mas aqui não é uma lavanderia.
- Pena. Mas vou lavar assim mesmo.
Sendo uma pessoa constrangedora também.
- Pagar telefone e você?
- Pagar a conta de luz.
- E você gosta disso?
- Do que?
- De pagar conta de luz, ela é alta?
- Bem...
- Deixe me ver. (tire a conta de luz da mão da pessoa). Sim, é alta. Deixando muito a luz ligada de noite?
- É... não.
- O que você está fazendo para gastar essa luz toda, heim?

Fingindo que foi atacado por uma doença repentina, que o deixou mudo e surdo.
(não existe dialogo para essa situação)

Situação 3: Uma situação boba qualquer
A pessoa desconhecida está no supermercado observando alguns biscoitos amanteigados. Ao seu lado duas amigas conversam. A pessoa desconhecida olha para o lado, fitando o nada, para ver quem está conversando, sem nenhuma maldade no coração. Mal sabia ela que essa é uma pessoa que conversa com pessoas desconhecidas. E quando a amiga vai embora é que tudo começa.
- Era uma amiga minha.
- Oi?
- Ela era uma amiga minha, faz tempo que eu não via ela.
- Ahn...
- E eu gosto muito dela, mesmo. Mas fazia tempo que eu não via ela.
- Ah sim.
- E nossa, foi muita sorte ter encontrado ela hoje, justo hoje.
- É...
- Nossa, impressionante as coisas que acontecem na vida, não é.
- É.
Nesse caso o que a pessoa queria mesmo, era ser sincera.
- Olha, eu não estou nem um pouco interessado em saber sobre a sua vida infame e desinteressante. Eu só estou olhando a porra duns biscoitos amanteigados e se você puder me deixar fazer isso em paz, eu agradeceria ok?

É claro que existem outros tipos de pessoas constrangedoras. Mas nós iremos falar sobre elas apenas em posts futuros.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Linchem-na! Queimem-na!

O boletim de ocorrências da delegacia de São Bernardo do Campo do último dia 22 de novembro relatava algo como: “As 21 horas uma viatura foi chamada até a Uniban para que pudesse retirar em segurança uma mulher de 20 anos que estava sendo hostilizada por outros indivíduos”.

Esse é o caso da estudante de turismo da Uniban, Geysi Arruda, que ao ir a faculdade utilizando um vestido rosa provocou uma rebelião entre seus colegas. Segue o relatório “muitos indivíduos se direcionaram até a sala onde a estudante estava para gritar palavras ofensivas”.

Não há dúvida de que o vestido utilizado por Geysi era curto, provocante e quiçá inapropriado para se freqüentar uma universidade. Ela poderia ter ido de calças jeans? Poderia.

Mas é fato também que no mundo em que eu conheço, eu jamais vi algo parecido. Se na faculdade onde eu estudei alguma garota fosse vestida assim, o máximo que aconteceria seria olhares indiscretos. Talvez alguém se excedesse no olhar e chegasse a fazer um comentário como “shhhh ah lá em casa!”. Mas provavelmente o autor do comentário seria mais recriminado do que a que o provocou. Conversando as pessoas ainda poderiam comentar "que roupa de puta".

Imagino que se Geysi passasse em frente a uma construção cheia de pedreiros abstêmios, ela receberia comentários maldosos e seria estuprada com os olhos. Mas não imagino que os pedreiros puxassem um coro de “puta, puta, puta”. Aliás, não imagino uma cena do cotidiano em que isso possa acontecer.

Já vi no colégio, e já participei assim como todos os homens de hoje em dia, dos coros de “bicha, bicha, bicha”. Já vi no jornal notícias de pessoas que cercaram bandidos. Já li notícias de mulheres linchadas na Arábia Saudita por terem olhado para um homem casado. Mas nunca vi nada relacionado a brados de puta na nossa sociedade democrática. É até meio difícil imaginar isso em uma faculdade, lugar de uma minoria.

As prostitutas estão em todos os lugares. E pode parecer que não, mas várias tem uma vida normal. Elas fazem compras, algumas estudam. Não imagino um grupo de clientes chamando uma menina de short curto de puta. Nem imagino pessoas se organizando para ir as zonas de meretrício para hostilizar prostitutas verbalmente. Mas, imagino até que muitos dos homens participantes dessa manifestação já fizeram uso dos serviços de garotas de programa.

Mas a cena é realmente surreal. As imagens mostram a menina entrando na sala já sobre os gritos de puta. E na seqüência uns... trezentos, talvez, alunos correm em direção a sala, abrem janelas. Tudo para o que? Para chamar Geysi de puta. É irreal imaginar que a vontade de chamar alguém de puta fosse tão grande assim.

Não sei se a Uniban é a Esparta brasileira. “Minissaia? Isso é a Uniban! Voadora no peito”. Ou se eles são uma espécie de Inquisição Espanhola. Casal andando de mãos dadas são agredidos verbalmente. Casais que se beijam são obrigados a se casar. Um ambiente de constante vigília e punição.

E então trezentas pessoas filmam uma cena patética e agressiva. Onde entre outras coisas dá pra escutar “ih, ali, ela tá chorando! Dane-se! Puta! Puta!”. Colocam isso no youtube, talvez orgulhosos. As pessoas assistem a cena e pensam “que bizarro, isso não faz sentido”. E os alunos se revoltam com a repercussão do caso. Queriam que seus atos Inquisidores passassem desapercebidos. Então, era mais fácil não filmar e não colocar no youtube.

Depois os alunos voltaram as aulas, com nariz de palhaço. E muitos ainda diziam “ela mereceu mesmo!”. É quase como aquela história “ela sabe porque foi estuprada”.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Sobreviventes

*ou, um post motivacional.

Pela primeira vez na história o CH3 faz um post para te motivar. Porque? Porque a verdade é que nós somos sobreviventes. Pode parecer que não, mas nesse nosso caminho, desde que éramos um simples espermatozóide, até hoje, poderiam ter fracassado em vários momentos.

Pense que o ambiente em um testículo é um tanto quanto competitivo. Milhões de espermatozóides, um do lado do outro, sabendo que apenas um, ou talvez dois, teriam futuro. Você poderia ter sido desperdiçado em várias oportunidades preliminares. E no momento em que você teve a chance, você conseguiu! Sim, você foi o mais rápido. Ninguém te superou. Você foi o Usain Bolt dos espermatozóides.

Enquanto você estava no útero materno, você teve várias chances de morrer. O óvulo não poderia se fixar. Sua mãe poderia ter tomado alguma substância abortiva, sem saber que já estava grávida. Ela poderia ter tido uma dor de dente, e o raio-x seria fatal para você. Nas aulas de biologia você aprende o tanto de coisas que poderiam te matar durante a gestação e são tantas coisas, que é surpreendente que isso não tenha acontecido com você.

E você é composto por milhares de genes. E nós sabemos que genética é uma merda. Se apenas um deles tivesse falhado, você teria problemas. E na genética, nós só herdamos coisas ruins. Pressão alta, colesterol, pedra no rim, diabetes, tendência a calvície. E outros problemas que poderiam te matar.

Você nasceu. E era um organismo frágil. Você poderia ter morrido sufocado quando regurgitou. Dormindo de barriga pra baixo. Qualquer coisa poderia te atingir acidentalmente e você não conseguiria fugir. Você cresceu em um mundo cheio de bactérias, vírus e fungos. E por uma sorte incrível, nenhuma delas te matou.

Você foi ao colégio. E lá sobreviveu a qualquer trauma psicológico. Você, garoto, sobreviveu a sexta série! Você praticou esportes e nenhum deles foi capaz de te matar. Você teve brinquedos perigosos, pontiagudos. Você não se engasgou com tampas de caneta, não sufocou com balas soft, não engoliu peças pequenas. Não caiu do telhado, ou da árvore. Não bateu a cabeça no fundo da piscina.

Depois, você começou a sair de casa e ir a festas. Você sobreviveu primeiro ao papo de peru. Você sobreviveu ao barata voa. Sobreviveu a demência de qualquer bêbado, que poderia fazer alguma coisa. Sobreviveu ao álcool.

Você começou a dirigir. E sobreviveu ao trânsito! Isso é formidável. Seu carro nunca quebrou nenhuma de suas milhares de peças, que se quebradas poderiam te arremessar contra um poste. Você jamais foi atingido pelo tanto de pessoas que dirigem muito mal e estão a solta no meio da nossa sociedade. E se isso aconteceu, o cinto de segurança, ou seja lá o que for, te salvou.

Você sobreviveu a possibilidade de contrair doenças venéreas. Você nunca esteve em um lugar onde um maníaco homicida surtou. E ele poderia estar no banco, na farmácia ou até mesmo dentro da sua própria casa. Você passou imune aos acidentes domésticos. Um asteróide jamais caiu na sua cabeça. Você não se engasgou com um caroço de azeitona. Nenhum animal resolveu te atacar de maneira fatal. Um raio não caiu na sua cabeça. Você não foi atropelado. O seu ventilador não desgrudou do teto e te atingiu enquanto você dormia. O prédio onde você estava não desabou. Nenhum erro médico te atingiu. Você não foi mal interpretado por um psicopata. Você não foi vestido de bermuda e chinelo no shopping Goiabeiras. Uma bigorna não caiu na sua cabeça.Você não foi atingido por uma bala perdida. Seu microondas não causou estranhas reações em um mosquito. Você não foi confundido com um boneco de Judas.

São tantas, inúmeras e variada situações que poderiam ter te matado desde que você começou a existir, que é até surpreendente que você esteja vivo. Por isso, você pode se orgulhar. Você sobreviveu a viver.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Guia CH3: Como citar obras inexistentes

Existem muitas maneiras de ganhar uma discussão com alguém. Como: trazer vários amigos seus para que eles apoiem cada fala sua em detrimento do adversário, estudar as mais modernas táticas psicológicas para destruir a alma do seu oponente com apenas um olhar, ou ainda, simplesmente partir pra porrada pura e simples desde que você seja mais forte e ágil.

Mas existe uma maneira que é muito mais eficiente. É uma tática que pode ter sua origem, ou talvez, um exemplo bem claro, nos debates políticos. Trata-se de citar obras inexistentes. Vá dizer que nos debates políticos, não é (ou, não era) um grande momento quando um dos candidatos pegava um calhamaço de papel debaixo de sua mesa e dizia “tenho aqui provas irrefutáveis de que vossa excelência excedeu os gastos!”. A tensão era criada no ambiente e o candidato do calhamaço seria o claro vencedor do debate.

Mas, vocês por algum acaso já viram o conteúdo desse calhamaço se tornar público? Ou que a acusação feita pelo oponente repercutisse na imprensa nos dias seguintes? Não. O calhamaço estava ali apenas como uma figura simbólica de uma grave acusação.

A verdade é: suas palavras e seus argumentos se tornam muito mais fortes se você se embasar em obras de terceiros, ou em figuras que demonstrem o que você quer dizer. Mas é muito difícil que você tenha um calhamaço de papel durante uma discussão sobre a existência de vidas em outros planetas. E você também corre o risco de que seu debatedor diga “me deixa ver isso”. E que ele encontre seu trabalho de psicologia da comunicação no meio daquela papelada.

Então, nesse caso, o mais fácil a se fazer é citar obras de terceiros. Porque seu oponente jamais terá a coragem de negar o que foi dito por uma pessoa que teve o trabalho de escrever um livro sobre o assunto. E ele jamais terá como provar ali na hora que o autor não existe. Você ganhará a discussão e ainda poupará seus punhos.

Uma maneira bem fácil é citar um documentário. Quer algo mais vago do que um documentário? Hoje em dia trocentos documentários são lançados por dia. E devem existir sobre os mais variados assuntos. Imigração Búlgara da década de 40, o sexo dos castores. Você pode ter visto esse documentário na internet, ter baixado ele de uma única fonte no Soulseek, ou ainda, ter visto de madrugada no Discovery. “Mas, uma vez eu vi um documentário que dizia que existem fungos que se adaptaram a sobreviver na beira de vulcões. Em uma condição inóspita. Poderia existir alguma forma de vida que se adaptasse em condições consideradas adversas para nós, em outros planetas”.

Citar um livro também é bom. Diga que você leu o livro de um escritor francês, faz muito tempo, que você não se lembra direito o nome dele, mas que era algo como Pierre Lovèrdam e que ele dizia exatamente isso que você está falando. Que a fragmentação da pós modernidade é resultado dos acontecimentos do pós guerra na Polônia.

Um vídeo no youtube também é uma boa fonte. “Mas, to te dizendo. Tem no youtube o discurso do Obama falando que ele irá roubar a Amazônia dos brasileiros. E ele diz também que seu filme favorito é o Pequeno Príncipe”. A pessoa irá procurar no youtube, e não irá achar. Mas ele pensará que a culpa é dele, por não ter capacidade de procurar direito.

Uma entrevista em uma revista também. “O Fernando Henrique disse em uma entrevista para a revista Balacobaco, que a melhor coisa em ser presidente, é poder se besuntar na Granja Comary”.

Existem, porém, citações que não devem ser feitas. Se você as fizer, elas poderão te fazer perder a credibilidade. Falar que você recebeu por e-mail, informações de um homem que perdeu os dois rins e acordou em uma banheira de gelo. Não, não dá certo. Tente também evitar dizer que você leu isso em um blog, porque em blogs qualquer lunático pode escrever qualquer besteira que vem na cabeça dele. Geralmente as mentiras são facilmente identificadas, mas infelizmente existem pessoas que tem dificuldade em interpretar. E existem lunáticos que escrever coisas absurdas, mesmo.