domingo, 31 de agosto de 2008

A busca por Pai Jorginho de Ogum – Parte IV

O demônio e o café.

Na divisa entre Minas Gerais e o Espírito Santo. Ao lado do Parque Nacional do Caparaó. Parque no qual fica o Pico da Bandeira, terceiro ponto mais alto do Brasil. Menos de 5 mil habitantes. Essas eram as informações sobre a cidade do Alto Caparaó. Não deveria ser muito difícil achar Jorginho de Ogum lá. Mas, se ele não estivesse lá, eu desistiria. Não seria tão difícil substituí-lo. O mundo deve estar cheio de pais-de-santo, advogados, videntes, cafetões e ex-centroavantes do Flamengo. Bem, na verdade seria muito difícil.

“Esse Pai Jorginho é foda” comentei com o Cão Leproso, enquanto eu dirigia o carro. Fiquei esperando por um resposta positiva. Mas não ouvi nada. Prossegui: “Acho que ele mereceria uma surra, quando nós o encontrássemos”. Olhei para o Cão, na expectativa de que ele concordasse, ou fizesse que sim com a cabeça. Mas, ele olhou para mim com a mesma cara de sempre e não disse nada. É, era melhor continuar apenas dirigindo.

Pensei na situação em que eu estava. Dentro de um Gurgel, ao lado de um cachorro sem braços e procurando um pai-de-santo desaparecido. Vi uma placa anunciando um candidato a vereador “Jorginho do BANERJ”. Passei por um bar chamado “Bar do Jorginho”. Os Jorginhos estavam dominando o mundo. Ou pelo menos aquela região. Será que Jorginho de Ogum foi participar da revolução dos Jorginhos? E o pior, é que tanto o Jorginho candidato, quanto o Jorginho dono de bar, tinham traços físicos parecidos com o Jorginho de Ogum. Talvez, todos os Jorginhos do mundo tivessem um gene que os faziam ser semelhantes. Talvez fosse uma dinastia, uma sociedade secreta. Não sei.

Depois de algumas horas de viagem, chegamos ao município de Além Paraíba. Uma cidade esquisita. Oficialmente ela fica em Minas Gerais, mas, do outro lado do rio que a divide, no Rio de Janeiro, tudo tem o endereço de Além Paraíba. Uma cidade bi estadual.

Parei para ir ao banheiro. Estava lavando as mãos quando escutei a porta do sanitário abrindo e alguém falando “seu porco renascentista”. “Puta merda” pensei. Era Alfredo Chagas novamente. Que inferno, que encosto. Como esse filho da puta foi parar em Além Paraíba em um banheiro de posto de gasolina naquele exato momento? Ele não me respondeu. E nem era preciso, eu já sabia que as horas de terror estavam de volta.

O inferno estava novamente estabelecido dentro do carro. Estatísticas provavelmente diriam que 1/3 dos acidentes do Brasil são causadas por Alfredo Chagas. A pista tinha um buraco gigante. Aliás, não era um buraco. A pista tinha simplesmente desmanchado até a metade. Um pouco mais a frente uma placa continha a pichação “Fora Sarney”. Percebi que fazia um bom tempo que as placas não eram trocadas.

Leopoldina, Muriaé, Miradouro, Fervedouro, Carangola, Espera Feliz. Parecia que nós nunca chegaríamos até Alto Caparaó. Existia uma barreira de cidades pequenas, infestadas de carros cheios de adesivos eleitorais. Um exército de cabos eleitorais do Tião do Posto Oito, da Maria da Padaria, do seu Joca da Pipoca.

Já nem sabia mais que dia era, quando chegamos a um lugar, que era uma plantação de café gigante. Todas as montanhas estavam entulhadas de pés de cafés. O difícil era imaginar o trabalho para conseguir plantar e colher café no topo da montanha. Este lugar inundado de cafeína era o Alto Caparaó.

A cidade em si, é uma ladeira. Sim, UMA ladeira. Cheia de mercearias e Igrejas. Tínhamos a quarta igreja presbiteriana de Alto Caparaó, a igreja universal, do sétimo dia, e a Batista, que era um grande complexo. Praticamente um Shopping Center da fé. Três prédios ligados por passarelas e tudo mais.

Fora isso, um carro fazia propaganda do Zezinho, e de sua vice, Delvira da saúde. Sem brincadeira. O Pior Jingle político que eu já escutei em minha vida. Uma mistura de música de macumba com Bruno & Marrone. A música era horrível, mas não para Alfredo Chagas. Ele gostou da canção, tanto que colocou a cabeça para fora do carro e começou a gritar palavras de ordem.

Tinha duas coisas a fazer. Achar um hotel e depois achar Pai Jorginho de Ogum.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Festa do... pijama???

Pois é. Aqui no CH3 costumamos falar bastante sobre as divertidas e irreverentes festas do cabide. Porém adimitimos que, infelizmente, são poucas as pessoas que estão dispostas a participar de uma. Experimenta organizar uma pra você ver como é difícil.Como alternativa, o tema de festas mais descontraídas têm sido as festas do pijama. A idéia por trás de uma festa do pijama é basicamente a mesma idéia da festa do cabide. Só que em vez das pessoas ficarem nuas, elas usam pijamas. Diferente das do cabide, as do pijama não terminam em suruba com tanta freqüência, normalmente a festa do pijama é mais restrita e a finalidade é que as pessoas durmam quando a festa acaba.

Porém festas do pijama tendem a ser infames. Primeiro por razões óbvias. Quem aqui usa pijama pra dormir? Digo, as mulheres até costumam usar camisola. Mas que homem veste pijama para dormir? Francamente, isso chega a ser patético. Normalmente dormimos com roupas velhas, samba-canção, só de cuecas ou completamente nus.

E também, festas do pijama como já dizemos, costumam ser mais privadas. E geralmente quem organiza são só mulheres e convidam só mulheres. O que elas fazem? Bom, como nós do blog somos homens nunca fomos em uma. Eu uma vez até tentei invadir uma festa do pijama, mas foi uma tentativa frustrada. Então só podemos presumir. Acreditamos que as mulheres se reunam para comer brigadeiro de panela e fofocar. Principalmente fofocar. O brigadeiro é item indispensável em qualquer reunião feminina. Eu sei disso porque tenho uma irmã, e é impressionante a quantidade de toddy que ela usava.
Sobre fofocar, bem... Que mulher não é fofoqueira? É nessas horas que são ditas todas as maldades possíveis contra as colegas, as inimigas ("aquela mocréia"), os ficantes, peguetes, parceiros sexuais, etc. Pode ter certeza que alguma garota já falou sobre você em uma festa do pijama. Bem ou mal, só você pode imaginar.


Dessa forma até entendemos porque se usa pijama nesse tipo de encontro: é tão chato que dá vontade de dormir. Sinceramente não entendemos o propósito. Por isso somos a favor das animadíssimas festas do cabide. Nessas sim as pessoas são mais desinibidas e tendem a cometer putarias. Então, se você for optar por fazer uma festa descontraída, descarte imediatamente a idéia da festa do pijama. Mesmo que seja mais difícil organizar uma do cabide, o esforço pode valer a pena. Se você seguir as dicas que nós já indicamos (confira aqui), a festa será um grande sucesso.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Balanço das Olimpíadas 2008


A série “CH3 Olímpico” já havia terminado. Sim, havia. Mas, estava faltando algo para fechar esse ciclo Olímpico. Depois de toda a preparação para os jogos, era preciso falar um pouco sobre a competição. Até porque, nós não sabemos mais como as pessoas vão cair aqui no blog, agora que elas não vão mais procurar por “O Brasil nas Olimpíadas” no Google.

Pois bem, esta edição extracurricular da série irá comentar todos os esportes das Olimpíadas, de acordo com a classificação feita nesse blog.

Foram jogos grandiosos. A cerimônia de abertura megalômana. Os 49 recordes mundiais quebrados. E as besteiras faladas pelos comentaristas. Sim, na Bandeirantes tinha um tarado que ficava comentando as pernas da técnica australiana. Além do ufanismo é claro. A brasileira está em quadragésimo sétimo e o narrador fica gritando “acho que dá pro Brasil, acho que dá pro Brasil!”.

E é aquela história. O atleta brasileiro ganha de um do Bahamas no Pan-Americano e a TV fica vendendo a idéia de que nas Olimpíadas os Brasileiros vão ganhar de todo mundo. Então o brasileiro perde para um atleta do Azerbaijão (sim, o atleta do Azerbaijão também é um ser humano, que trabalha) e cria-se a catástrofe nacional. E aí, a culpa é sempre do psicológico. Sim, o atleta não tem dinheiro pra nada, tem que ser pedreiro além de corredor, e a culpa da derrota dele é o psicológico.

Enfim, os esportes.

Futebol: O torneio de futebol masculino foi vencido pela Argentina. Mas isso pouco importa. Porque o futebol nas Olimpíadas não tem graça. A seleção do Dunga ficou em terceiro lugar – o que é fantástico, pro Dunga. No feminino, o Brasil ficou com a prata, perdendo pras americanas no final.

Vôlei: O vôlei é o único esporte brasileiro bem estruturado. E até por isso o Brasil ganhou quatro medalhas. No feminino, o belo time brasileiro ganhou o ouro. No masculino, veio a prata, com a derrota para os EUA na final. No vôlei de praia, prata e bronze no masculino. E no feminino, a dupla americana Walsh/May ganhou. Porque as duas são o demônio jogando vôlei na areia. Chega a ser humilhante para as adversárias.

Quicantes: O Handebol brasileiro conseguiu alguns resultados importantes, mas, acabou eliminado na primeira fase, tanto os homens, quanto as mulheres. A Noruega ganhou no feminino, e a França no masculino. No basquete feminino, o Brasil se desmanchou e caiu na primeira fase. O ouro ficou com as americanas, que massacraram todo mundo. No masculino também. Os jogadores da NBA ganharam todos os jogos. A final, contra a Espanha, foi sensacional.

Disputados na água: Robert Scheidt ganhou sua quarta medalha olímpica, na vela. E duas brasileiras ganharam um bronze. A Canoagem foi dominada por eslovacos, australianos e alemães. No Nado Sincronizado deu Rússia. Os Chineses ganharam tudo nos saltos ornamentais. Ingleses e canadenses no Remo. Holanda e Hungria no pólo aquático. Os brasileiros ficaram em 14º no máximo. Pode parecer ridículo, mas, você já tinha ouvido falar de Anderson Nocetti, Nivalter Santos, Fabiana Beltrame? Pois é. Da Fabiana, talvez você se lembre depois dessa foto.

Já na natação, para se ter uma idéia, existem 16 provas masculinas. O recorde Olímpico caiu em 15. E 11 recordes mundiais foram quebrados. O grande nome foi, é claro, Michael Phelps. O irmão americano do Tevez ganhou oito provas. Quebrou sete recordes mundiais. E nos 100m borboleta, ele obteve sua vitória mais impressionante. Ele perdia para um sérvio até 30 cm antes do final. O sérvio estava com os dedos quase tocando na borda, mas Phelps movimentou seus braços na velocidade da luz e bateu na frente. E os brasileiros? Conseguiram algumas finais surpreendentes. E César Cielo ganhou um bronze e um ouro, nos 50m. Chorou no pódio, e virou ídolo nacional, até a semana que vem, quando todo mundo já vai ter se esquecido dele.

Disputados na Terra: No ciclismo o domínio foi dos britânicos. Enfim, não vi nada. Já no atletismo, o grande destaque foi Usain Bolt. O jamaicano ganhou três provas e bateu o recorde mundial nas três. E deu a impressão de que ganharia correndo de costas. E os jamaicanos ainda dominaram todas as provas de velocidade. Dando indícios de que maconha e reggae melhoram o desempenho atlético. Os brasileiros não foram bem nas provas de corrida. Correr, só da polícia. No salto com vara, a russa Isinbayeva ganhou com sobras. E nessa prova, os chineses sumiram com a vara da Fabiana Murer. Comprovando o quão cagados são os atletas brasileiros em Olimpíadas. E a Maureen Maggi conseguiu uma medalha de ouro no salto em distância. Heroína nacional, até amanhã.

Lutas: Na luta Greco-romana, e na luta livre os russos ganharam tudo. Na esgrima só deu italiano. No Tiro, só coreano. Um brasileiro conseguiu um 13º lugar, mas você nem sabia disso. No Boxe, os cubanos não ganharam medalhas de ouro. E um cubano maluco encheu o juiz de porrada no Taekwondo. No judô, o Japão dividiu medalhas com a Mongólia, Azerbaijão e enfim. O Brasil conseguiu três bronzes no judô e um no taekwondo.

Com animais: Os chineses, aproveitando os anos de trabalho forçado, ganharam tudo no halterofilismo. E um monstro alemão quebrou o recorde mundial levantando quase 500 kg. No Hipismo, a Alemanha dominou. “O Hipismo brasileiro ficou sem medalha” disse o Jornal Nacional. Falando assim, até parece que existe um hipismo brasileiro. Que os brasileiros vão em grupos torcer no Jóquei Clube.

Escrotos: Os chineses dominaram o badminton. Os asiáticos ganharam o beisebol e o softball. E os europeus o Hóquei sobre grama. Felizmente os brasileiros não participaram disso.

Outros: Na Ginástica o Brasil se decepcionou com o Diego Hypólito. E todas, ou quase todas, as medalhas ficaram com os chineses. Se um chinês caia no chão e ficava rolando, ganhava 10. Se um russo fizesse seis piruetas mortais flutuando no ar ficava com 9,1. No tênis, Rafael Nadal destruiu a mente de todos os seus adversários e venceu facilmente. No tênis de mesa os chineses descobriram a maneira de jogar na velocidade do som. É impossível acompanhar o jogo. No triatlo, um ouro pra Alemanha e outro para a Austrália. E dois lituanos ganharam medalhas no pentatlo. Sendo que o país ganhou cinco medalhas no total. A Lituânia é o país do pentatlo.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Coisas irritantes

Hoje o CH3 faz uma lista de algumas das coisas mais irritantes que acontecem em nossas vidas. Coisas pequenas, mas que tem o potencial de estragar seu dia. Listamos aqui alguns exemplos de situações detestáveis e frustrantes, em ordem crescente. Começando pelo quase tolerável até o insuportável.

Spam no scrapbook do orkut: Parece pouca coisa. Mas é muito chato. No fim do dia você abre seu orkut, vê que tem um scrap novo, vai lá todo empolgado pra saber o que é, e quando vê é um maldito spam falando sobre uma maldita festa, com uma maldita imagem horrível ocupando a página inteira. Frustrante.

Vontade de coçar o toba na pior oportunidade possível: Essa é clássica e infalível. Você está no meio do saguão da faculdade, ou na fila do restaurante ou conversando com aquela gostosa que finalmente resolveu te dar moral... E de repente acontece. Seu toba começa a coçar. Você procura desesperadamente um banheiro ou um lugar vazio, mas isso é quase impossível, porque seu toba sabe quando é o pior momento pra você e ele faz isso só de zoeira pra te constranger.

Perder o busão: Um saco. E acontece com tanta freqüência que muitos já estão até acostumados e estranham quando conseguem pegar seu ônibus no horário. Você está ainda atravessando aquela avenida movimentada e vê seu ônibus do outro lado da rua indo embora. O próximo só passa em 40 minutos. Você ainda tenta acenar pro motorista ter a misericórdia de parar pra você, mas motoristas de ônibus não são seres humanos, são criaturas malígnas que não se importam com ninguém. E não adianta sair mais cedo no próximo dia, pois o ônibus também vai chegar mais cedo e você vai perdê-lo de novo.

Um game impossível de zerar: Isso é uma coisa que ainda dá raiva em muita gente. Aquele game que você começou a jogar todo empolgado, mas durante a fase aparecem zilhões de inimigos ao mesmo tempo e quando você pensa que matou todos aparecem ainda mais e seu life já está no vermelho. Milagrosamente depois de horas tentando você consegue passar aquela parte então aparece um chefão totalmente overpower que te mata com um único golpe especial. E pra piorar você volta pro começo da fase depois que morre. Experimentem jogar Devil May Cry 3 e Ninja Gaiden. Você vai sentir vontade de jogar o console pela janela e provavelmente a polícia vai aparecer na sua porta de tanto palavrão seu que a vizinhança toda ouviu.

Sair do banho pra atender o telefone: Argh!! Só pensar nisso já dá raiva. Você tá lá numa boa tomando banho e o telefone toca e só tem você em casa. Você pensa “não vou atender. Se for importante, vão ligar depois”. Mas o telefone não pára. Eles ligam de novo, e você finalmente cede, sai do banho, se enxuga rápido e sai com a toalha na cintura pingando todo o chão. Quando atende ouve: “Boa tarde, eu sou da Brasil Telecom, gostaria de oferecer alguns planos...” AAAAAARGH!!!

Trânsito: Na boa. Isso faz qualquer um perder a cabeça. Tudo bem, no trânsito a gente tem que ter paciência, mas sempre tem aquele filho da puta que fica te segurando porque tá andando a 50 km/h na faixa da esquerda, e a direita tá bloqueada por outra tartaruga. O mais engraçado é que quando finalmente o sujeito se toca e vai pra faixa da direita, você dá uma olhada na cara dele e pensa: “putz, esse tem cara de que faz uma coisa dessas!”. Isso sem falar nos filhos da puta que fecham o cruzamento, que entram na sua frente sem sinal... E tem os motoqueiros!!! Nem precisa falar dos motoqueiros, né? Quem dirige sabe que eles são o principal agente causador de todo problema de trânsito.

Acordar cedo à toa: Universitários (principalmente os que fazem Comunicação Social) sabem muito bem como é essa sensação. Você acorda 6:30 da manhã com muito custo, toma seu banho, toma seu café, pega o busão lotado, ou um trânsito infernal... Quando chega na faculdade, o professor não foi. E você saiu da cama à toa. Poderia ainda estar dormindo, sonhando, confortável... Mas não. Você já teve todo o trabalho de levantar, se arrumar e se deslocar pra lá. Era a única aula do dia. E não teve. (Suspiro).

Cu doce: O pior de todos. Não existe coisa pior, que mais irrita, que mais tira sua paciência do que alguém fazendo cu doce. Todo mundo já passou por isso, ou já fez. Sabe como é. PORRA! Se você quer alguma coisa, não fica fingindo que não quer! Daí fica com aquele nhé-nhé-nhé, mimimi, não quero, não vou, num faço. Bah! Pro inferno então!

Bem... Claro que a lista de coisas irritantes ainda tem muitos e muitos itens. Por exemplo, não colocamos aqui “receber aquele monte de emails do CH3 avisando quando tem post novo”, mas é que esse post já está ficando extenso. Deixem sugestões nos comentários de mais coisas que te irritam.

sábado, 23 de agosto de 2008

A busca por Pai Jorginho de Ogum – Parte III

Contatos telepáticos e sorvete de chuchu

Cada cidade do Mato Grosso do Sul fica a centenas de quilômetro da mais próxima. A estrada é uma reta interminável no meio do nada. Parece que a divisa com São Paulo não vai chegar nunca. Quando finalmente chegamos a fronteira, Alfredo Chagas colocou a cabeça para fora do carro e começou a gritar contra a mudança de fuso horário. Desconcentrou os funcionários da usina de Jupiá, quase provocando uma tragédia.

Em São Paulo as retas continuam, mas a vida é mais fácil com as pistas duplas. E as cidades são mais próximas. Andradina, Lavínia, Mirandópolis, Murutinga. Até se pode abstrair um pouco. Finalmente chegamos à cidade de Bauru. Foi então que tive uma brilhante idéia. Dessas que eu irei me orgulhar por muito tempo. Estava reabastecendo o carro. Alfredo Chagas foi comprar biscoitos e começou a discutir com a caixa da loja de conveniência. Aproveitei e arranquei com o carro deixando Chagas para trás. Acelerei o máximo que eu pude. Num Gurgel, isso não significa muita coisa.

Ele já não poderia nos alcançar. Mas, volta e meia eu pensava que ele seria capaz de unir caminhoneiros e trancar as rodovias até que ele pudesse nos encontrar. Fui o mais longe que eu poderia ir, até parar de novo. Pensei que eu poderia ter um daqueles narizes com óculos e sobrancelhas para me disfarçar de uma possível aparição de Alfredo Chagas. Mas, seria difícil não ser reconhecido ao lado de um cachorro que não tem os braços.

O Cão Leproso, aliás, é um bom companheiro de viagem. Ele não fica falando besteiras, ele não muda a faixa do CD, não fecha a janela que você quer que fique aberta. Só fica parado, olhando para o horizonte. Sabe-se lá o que ele olha.


Quase chegando a Paraty, passei por uma cidade chamada São Luis do Paraitinga. Oswaldo Cruz nasceu nessa cidade. A cidade devia ser limpa, pelo fato de ele ter nascido lá. Ou então poderia ser imunda, para ter despertado em Oswaldo a vontade de ser sanitarista. Não sei. Já estávamos em Ubatuba e me lembrei de uma infame piada de infância. Não, eu não vou contar.

Mas, todos esses pensamentos não eram capazes de me desviar do foco principal. Afinal, o que será esse tal de Borboleta. Finalmente cheguei a Paraty, quase tonto de tanto fazer as sinuosas curvas da estrada.

Paraty é uma cidade que tem um mangue no meio e é cheia de cachorros na rua. Inclusive, acho que o Cão Leproso vai ser pai, pois ele se envolveu com algumas cadelas na praia do Jabaquara. Mas, a grande fama da cidade está nas suas casas antigas, todas pintadas de branco. O centro histórico com o chão de pedras desniveladas. Também acontece uma grande feira de livros. Mas, o evento aconteceu antes da minha chegada.

Passei três dias tentando descobrir o que era o tal do borboleta. Você pode até pensar que é muito tempo. E realmente é, mas, oras, eu estava em Paraty, não ia ficar só procurando um maldito maluco amigo de um pai-de-santo charlatão.

As ruas da cidade são quase todas iguais. E em cada canto que você passa, encontra uma igreja. Tive a impressão de passar pela mesma rua várias vezes. Passei por hippies, maconheiros, índios que vendem artesanato. O Cão Leproso então me disse que queria um sorvete de chuchu. Eu falei para ele que isso não existia. Ele me disse que existia sim. Perguntei a ele se ele queria apostar e levei minha mão ao encontro da dele. Percebi que não se aposta com o Cão Leproso.

Fomos então procurar uma sorveteria. E acreditem, o sorvete de chuchu realmente existia. Isso era um sinal do fim dos tempos. Eis então que uma dúvida se passou pela minha cabeça. Esse sorvete de chuchu seria apenas uma demência daquela sorveteria em questão, ou outros estabelecimentos comerciais alimentícios também estariam praticando este crime contra humanidade? Fui à outra sorveteria.

Chegando a porta da sorveteria, avistei um velho com uma barba branca que ia até a altura do peito e com uma roupa amarela de cetim. Elogiava a camiseta laranja de uma moça, e dizia que no dia anterior ele usava essa cor. Vendia um monte de coisas coloridas e esquisitas. E falava coisas sem sentido o tempo todo. Sim, esse maluco devia ser o borboleta.

Cheguei ao lado dele, e ele começou a latir para o Cão Leproso. Pensei se isso valeria à pena, ele parecia ser meio perigoso. Mas, criei coragem e perguntei se ele era o borboleta. Ele me olhou com uma cara esquisita, como se tivesse descoberto um segredo. Disse “Estranho, ninguém me chama assim há anos”. Logo ele explicou que é porque ninguém o chama, nunca, ele não tem amigos. A exceção de uma pessoa. “Pai Jorginho” perguntei. Ele me olhou ainda mais estranhamente, como se eu estivesse lendo sua mente.

Ele fez um sinal positivo com a cabeça e me contou uma longa história. Cheia de misticismos. Duendes, anões, fadas. Em certo momento ele disse que o Dunga era um bom treinador de futebol. Mas, algumas coisas me pareciam verdade. Borboleta foi o maqueiro da equipe do Flamengo em que Pai Jorginho foi centroavante. Os dois desenvolveram uma sólida amizade, e no período de convivência, borboleta começou a ensinar a Jorginho, a arte da mediunidade.

Veio então a fatídica derrota por 7x0 para o time reserva das crianças cotocas da Botsuana e a ira da torcida. Borboleta, junto com Pai Jorginho e Marcão foram viver um tempo em Itaipava. Até que foram descobertos, e cada um foi para seu canto. Borboleta foi para Paraty e os dois membros do CH3, foram parar em Cuiabá. Perguntei o porquê dessas escolhas. Ele me disse que foi para Paraty, porque a cidade é cheia de malucos nas ruas. E Pai Jorginho foi para Cuiabá, porque lá as pessoas aceitam qualquer coisa. “Como assim?” perguntei. Ele respondeu “Oras, em Cuiabá, existem pessoas que pensam seriamente em votar no Walter Rabelo. Lá elas aceitam qualquer coisa”. Este argumento foi convincente.

Borboleta então me disse que durante 20 anos manteve contatos apenas telepáticos com Pai Jorginho. Isso me causou um estranhamento. Pai Jorginho realmente entendia de telepatia. Ele sempre me pareceu um charlatão. Mas, na semana anterior Pai Jorginho veio se encontrar com ele. Perguntei e “onde é que ele está agora?” já pensando que finalmente a jornada teria fim. “Ele já não está mais aqui", respondeu. “Filha da puta” pensei. E onde afinal ele foi parar?

No Alto Caparaó. Foi a resposta do Borboleta. Nunca tinha ouvido falar desse lugar. Perguntei se ele sabia o motivo dessa jornada do pai-de-santo. “Ele está atrás do direito intocável do ser humano”. Perguntei se ele tinha tirado essa frase de dentro de um biscoito da sorte chinês. Ele não me respondeu. Agradeci a ajuda do velho maluco e fui ao Google procurar onde é que ficava esse tal do Alto Caparaó. Ficasse onde for, eu iria lá para buscar o Pai Jorginho. Quer dizer, se ficasse no Togo, eu não ia não.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

A busca por pai Jorginho de Ogum – Parte II

Os porcos e as plantações

Eram 11 horas da manhã. Estava em um posto de gasolina pronto para encher o tanque do Gurgel. O frentista veio perguntar se era álcool ou gasolina. Senti um calafrio ao reconhecer a voz, a mesma do bar no dia anterior. Era Alfredo Chagas. Como isso poderia ter acontecido? Era muito azar.

Ele logo perguntou o que estávamos fazendo ali. Tentei desconversar, perguntando “o que é que VOCÊ está fazendo aqui?”. Mas as táticas de intimidação não funcionam com Chagas. Além do mais ele disse que sabia que nós estávamos procurando pai Jorginho. Perguntei a ele, como ele sabia disso e ele me disse que Marcão o havia avisado por telefone. “Filha da puta” pensei.

Alfredo então disse que iria junto. Tentei argumentar o contrário e até fugir. Mas o carro não tinha gasolina. Em vão. Então, ele abasteceu o automóvel e me disse que queria dirigir. Falei que “nem fudendo”. Ele acabou por concordar. O Cão Leproso então foi no banco de trás.

A viagem foi longa, mais longa ainda pelo fato de que Alfredo Chagas estava ao meu lado. Como ele falava. O tempo todo. Qualquer mísero inseto que se esmagasse no pára-brisa, era responsável por um discurso, sem qualquer vestígio de concordância. Passei a viagem inteira pensando em uma maneira de conseguir me livrar dele.

A estrada é cheia de buracos. Se as pessoas se espantam com o número de acidentes noticiados nos jornais, elas deviam é se assustar pelo fato de que não aconteçam mais acidentes. É quase um milagre que não haja uma batida a cada curva. E vez por outra ainda temos que nos deparar com placas como “Cuidado, pista defeituosa”. Como se não fosse possível perceber isso.

E os acostamentos estão cobertos de bichos atropelados. Galinhas, cachorros, gatos, emas, macacos. As estradas são um grande cemitério animal. Alfredo Chagas chegou a propor a idéia de montar um restaurante que vendesse carne de bicho atropelado.

A paisagem é entediante. O Mato Grosso é uma grande plantação. Soja, milho, algodão e o que quer mais que a minha falta de conhecimentos agrícolas me impede de citar. E tanta plantação requer bilhares de caminhões para transportar a safra. Os caminhões dominam a estrada, como se surgissem por geração espontânea, do nada. Se amontoam nos postos de gasolina. Quase um filme de terror. Já o Mato Grosso do Sul é um grande pasto de gado. Com placas de bois gigantes na frente das fazendas. Pelo menos as estradas são bem melhores.

No domingo, na hora do almoço conseguimos chegar a São Gabriel do Oeste. Não chovia. A Wikipédia dizia que era uma cidade de hábitos gaúchos. Isso era muito preocupante. Fui para um hotel, porque precisava descansar um pouco. Já Alfredo Chagas disse que a luta não poderia ser interrompida e foi para uma praça pregar contra o neoliberalismo conservador.

Quando chegou a noite resolvi comer alguma coisa. E fui a um restaurante, que servia um frango frito bom. A mandioca também estava bem aprazível. Resolvi então abordar o garçom sobre o caso de Pai Jorginho, afinal, garçons sempre têm informações privilegiadas. Perguntei então se ele sabia algo sobre o cara que foi pra lá por conta dos toletes. Ele me disse para ir para frente da prefeitura, lá nós encontraríamos o que queríamos.

Chegando lá alguns garotos anunciavam a festa do porco no rolete. Maldito garçom surdo. Era tolete, e não rolete. Mas, visto que estava lá, não custava nada tentar. Perguntei se alguém ali já havia estado em Paranatinga. Um silêncio mortal se fez no lugar.

Foi aí então que um rapaz, com cara de gaúcho, usando uma camiseta pólo azul me disse que ele estava lá até mês passado. Perguntei então sobre Pai Jorginho de Ogum, e ele me disse que ele era o responsável por ter levado Jorginho para lá. Contou-me a sua versão.

“Esse cara cagou no canto do meu quarto”. Mas isso eu já sabia, oras. Perguntei o que ele havia feito com o pai-de-santo. Alfredo Chagas arrumou um megafone e começou um discurso contra o fim dos direitos humanos nas plantações de hortifrutigranjeiros. A polícia logo apareceu e ameaçou dar uma surra em Alfredo. Infelizmente isso não aconteceu. Chagas esperou os policias irem embora e disse “malditos porcos”. Por pouco ele não arrumou uma confusão com os organizadores da festa do porco no rolete.

Passada a confusão, o rapaz me disse que Jorginho de Ogum trabalhou cerca de duas semanas na fazenda de sua família, na área de reprodução. Cabia a Jorginho, a tarefa de masturbar os touros e pegar o esperma. Todos na praça fizeram cara de nojo. Menos o Cão Leproso.

No entanto, em menos de três dias ele já havia montado um prostíbulo barato no estábulo da fazenda. Com o dinheiro ganho, ele fugiu, cerca de dez dias antes de nossa passagem pela cidade. Perguntei se ele havia deixado alguma pista sobre o seu novo paradeiro. O rapaz me mostrou um bilhete de despedida, endereçado ao touro Damião, dizendo “Me desculpe-me por ter que te deixar sozinho sem companhia. Fui me encontrar com o borboleta em Paraty”.

A letra horrível e a maneira meio disléxica de escrever, não deixaram dúvida de que realmente era um bilhete do pai-de-santo. Então, ele havia fugido. Perguntei se não tentaram encontrar ele. Me responderam que não. O trabalho não compensaria.

Pensei “será uma longa viagem”. Olhei para meu lado e vi Alfredo Chagas armando uma passeata contra o cerceamento da liberdade de expressão. Sim, a viagem será muito longa. Pelo menos, Paraty devia ser um lugar legal.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

CH3 entrevista Pedro Tolete

Você conhece os Benga Boys? Não? Bem, nada mais natural, afinal eles são uma banda underground, quase ninguém conhece. Mas o CH3 é um grande incentivador de sua música ultra hardcore e já contamos a história deles em nosso blog, aqui e aqui. Eles sempre tocam em nossas festas e eventos, fazendo com que as pessoas quebrem os ossos ao som de sua música.
Hoje o CH3 publica uma entrevista com o baixista Pedro Tolete, na qual ele fala sobre o rock nacional, mulheres e o polêmico festival Calango.


CH3: Pedro, em primeiro lugar, como vai a banda?
Tolete: Numa boa, os shows continuam fodas, ou pelo menos a gente tenta manter o nível que tinha desde o começo.
CH3: Uma curiosidade, como vocês sustentam a banda? Digo, vocês não cobram nada pra tocar. Ou melhor, cobram em cerveja.
T: Bom, a gente tira a grana do bolso mesmo porque faz o que gosta, saca? Ou melhor, quem tira é o (Zé) Coveiro e o (Cláudio) Defunto, que trabalham. O Coveiro trabalha de pedreiro, o Defunto agora tá limpando banheiro, mas tá tentando um trampo de pintor. O (Rodrigo) Furúnculo ainda mora com a mãe, por isso não paga aluguel, não trabalha nem nada. Eu também não, moro na kombi do Coveiro, que é também nosso transporte. Ele deixa eu dormir lá.
CH3: Então, fale um pouco sobre suas influências nacionais. As bandas do Brasil que você gosta.
T: Sepultura, sem dúvida. Ratos de Porão é outra que eu sempre tô ouvindo no toca-fita da kombi... Junto com umas dos Raimundos, da época que eles eram bons, claro. Também gosto dos Forgotten Boys, eles lembram o Iggy Pop.
CH3: O que você acha do rock nacional?
T: Rapaz, a coisa hoje tá feia. Pra você ter uma idéia, a Mtv (um veneno à humanidade) tá pra eleger o Nx Zero como a melhor banda de rock nacional. Só pode ser zoeira, né? Rock? Rock minha pica! Esses molequinhos tão mais é pra um KLB, só que ainda assim fazem pose. E não é só eles. A coisa aqui tá foda mesmo. O que tem por aí? Fresno? Detonautas? Charlie Brown Jr?? Essa é uma das piores de todas! Não bastasse as musiquinhas nojentas e todas iguais, ainda tem a desvantagem de ter o Chorão. Um cara que paga de malandro, adora falar em "magnata", mas não passa de um moleque cheio de merda na cabeça. Se a gente dependesse do "rock" do mainstream, cara, a gente tava fodido!
CH3: E o que você acha que falta nas bandas de rock do Brasil?
T: Bolas. Falta esses caras criarem bolas no meio das pernas. Pode ver, ficam aí pagando de fodão, de marrento, mas chega na hora de encarar uma barra pesada, mijam na calça. Um exemplo de coisa que não se vê mais por aí aconteceu com a gente. Outro dia a gente tava indo tocar num boteco e a bateria do Defunto caiu da kombi e fudeu tudo. A gente já tava na hora de tocar, então ele pegou e fez uma bateria improvisada com lata de lixo. E ficou um som do caralho! Falta isso nas bandas de hoje, saca? O que a gente vê é uns malandrão posando de braço cruzado pra foto, fazendo sinal de chifre, mas quando vai cantar, a letra fala coisa tipo "eu te amo, não consigo te esquecer". Ninguém quebra nenhum osso num show desses, cara! Ae aparece nego querendo pagar de alternativinho, tentando dar uma de intelectual escrevendo letra supostamente "poética" que na verdade não é poesia porra nenhuma e se acha O criativo. Cara, tem banda criativa no rock daqui SIM. Mas é difícil a gente ver uma coisa que presta e que realmente soe sincero.
CH3: Isso foi bem profundo. Falando nisso, como que tá a mulherada?
T: Tô comendo uma mina massa. Esqueci o nome dela, mas o apelido é Doze.
CH3: Doze?
T: É, é porque o nariz dela parece buraco de cano de espingarda doze, saca?
CH3: Ah... saquei. Pra finalizar, porque os Benga Boys não tocaram no Festival Calango?
T: Porque cada banda tem que se apresentar por 40 minutos. Cara, 40 minutos! A gente nem tem tudo isso de música! Normalmente nos shows a gente toca 30 músicas e mal dá 20 minutos. 40 minutos então, sem chance.


Depois da entrevista pedi a Pedro Tolete para fazer um solo de baixo. Ele disse: "Que merda é essa?"

domingo, 17 de agosto de 2008

A busca por Pai Jorginho de Ogum

Era uma manhã de sexta feira. Eu estava em frente à casa de diversão noturna carnicentas. Iria pegar o Cão Leproso. Chorando, Marcão me entregou uma quantia em dinheiro coletada junto a funcionárias do estabelecimento. Um total de R$ 6,35 em moedas de cinco centavos, além de meia jujuba mastigada. Eu tenho horror a jujubas. O Cão Leproso entrou no carro. E assim, começavam as buscas pelo pai Jorginho de Ogum.

Partimos em um Gurgel branco rumo a Paranatinga, cidade onde pai Jorginho disse que iria tirar uma folga. Durante a viagem, meu único pensamento relevante era o de que o Cão Leproso seria um bom parceiro na busca. Por um motivo especifico. O de que ele não levava bagagens. Porque ele não usa roupas, e também não conseguiria carregar suas malas. Isso poupa um bom espaço.

Paranatinga continua a mesma cidade de sempre. Praticamente a filial do inferno no planeta Terra. É impossível se enxergar qualquer coisa, devido a poeira e a fumaça. Ao descer do carro, perguntei ao Cão Leproso se ele conseguia farejar alguma coisa. “Carne Moída”, ele respondeu. Provavelmente ele estava se auto-farejando. Percebi que as coisas seriam difíceis.

Fomos então apurar os fatos. Sentamos em um bar e o garçom nos ofereceu uma cerveja. Recusei, porque afinal, estamos em tempos de lei seca. O Cão pediu uma lata de água tônica, e teve uma dificuldade tremenda para pegar os canudos. Uma voz que vinha do fundo do bar não me era estranha, mas não a reconheci.

Conversei com alguns moradores, e nenhum deles se lembrava de pai Jorginho de Ogum. Comecei a duvidar de que ele realmente estivesse por lá. Até que o dono de uma farmácia veio falar comigo. Ofereceu-me aspirinas, e disse que atendeu pai Jorginho de Ogum. Segundo ele, o pai foi comprar caninha 21 em sua farmácia. Estranhei que uma farmácia vendesse cachaça. Ele me disse “This is Esparta! Digo, Paranatinga. Aqui não existem leis. Além do mais, a caninha 21 nada mais é, além álcool 70 diluído em água”. Finalmente tudo fazia sentido. O gosto horrível da caninha 21 tinha uma explicação.

Perguntei ao farmacêutico se ele sabia como a vodca balalaica era fabricada. Lágrimas correram pelo seu rosto, e ele se recusou a responder a pergunta sem a presença de seu advogado. Deixei esse assunto de lado e perguntei a ele o que ele sabia a mais sobre o pai Jorginho.

De acordo com ele, pai Jorginho foi seqüestrado por índios paranormais. É claro que eu não acreditei nessa história. Ameacei então atacá-lo com o cão leproso, caso ele não falasse a verdade. Provavelmente com medo de contrair hanseníase, ele resolveu me contar tudo.

O pai-de-santo estava envolvido com a polêmica gangue do tolete. A gangue que costumava defecar nos tanques de combustível de automóveis, e que em Paranatinga é responsável por um crime ainda mais terrível. Os membros da gangue participam de festas onde, drogas, Coca Cola, álcool, e gibis correm soltos. Quando todos estão dormindo, eles invadem os quartos e cagam nos cantos. No dia seguinte ao acordar, o morador da casa é submetido a um misto de terror e espanto, quando encontra toletes em todos os cômodos da residência.

Ele me alertou para que eu não mexesse com essa gangue. Mas eu precisava saber onde pai Jorginho de Ogum estava. Sem ele, o CH3 não tem sentido. Andando pela praça da cidade, descobri que haveria uma festa aquela noite. Fui até lá. A festa foi uma porcaria, é claro. Um telão passou clipes do crazy frog por horas. Às 3 da manhã, o dono da casa já estava em coma alcoólico depois de tomar uma garrafa de Ice. As pessoas dormiam espalhadas pelos cômodos da casa. Fui até o quarto, e então vejo um garoto de 14 anos cagando no canto.

Abordei-o. Ele começou a chorar e disse que não fazia parte da gangue do tolete. Perguntei a ele, porque eu iria imaginar isso, e então ele me confessou, que era o líder da gangue. Por ser o mais velho. Pensei então, que dificilmente pai Jorginho teria corrido algum risco com esses garotos. Perguntei a ele, por onde andava o pai-de-santo. Ele me respondeu logo, sem nem me dar a oportunidade de lhe fazer ameaças.

Pai Jorginho foi a uma festa, onde bêbado, acabou defecando no canto de um quarto. O dono da casa o viu, e chamou uns amigos para dar uma surra em Pai Jorginho. Mas, a surra não foi o suficiente para limpar a honra e o chão. Levaram pai Jorginho desacordado para trabalhar forçadamente na cidade de São Gabriel do Oeste, em Mato Grosso do Sul. Lembrei-me da cidade. Uma longa cidade, com poucos habitantes e muita chuva. Decidi-me então, que assim que o acordasse, seria a hora de continuar a busca pelo pai-de-santo, em outra cidade.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Mensagens Subliminares

Há uns 11 anos atrás, mais precisamente em 1997, eu cursava a fatídica 6ª série. Um dia, nesse ano, a escola trouxe um ex-paquito da Xuxa para dar uma palestra. Ele denunciou várias barbaridades que a Rainha dos Baixinhos tinha cometido, como bater em crianças e cuspir nas paquitas. E também falou que Xuxa tinha pacto com o capeta e que expressava isso nas suas músicas através de mensagens subliminares. Foi a primeira vez que eu ouvi o termo. Ele deu um exemplo daquela música "marquei um x, um x, um x no seu coração", que por mais inocente e ridícula que pareça, carrega um tremendo mal, visto que "xis" é a pronúnica invertida de "six", e o que ela queria dizer na verdade era "marquei um 666 no seu coração. seu coração agora pertence ao Senhor das Trevas". Isso causou medo e intriga em muita gente, mas eu me perguntava mesmo era porque diabos a escola tinha feito a gente ver aquela maldita palestra.

Definição: Na verdade não há consenso algum sobre a definição de mensagem subliminar. Alguns especialistas dizem que são estímulos imperceptíveis pelo consciente, captados pelo inconsciente, que permitem que o cérebro faça associações que induzem à uma determinada ação. Outros também especialistas dizem que qualquer mensagem que permita associações já é considerada subliminar, mesmo sendo percebida pelo consciente, ou seja, mensagens "nas entrelinhas" também são subliminares. Elas seriam usadas nas mídias geralmente para induzir à compra ou difundir uma idéia. Se funciona ou não, ninguém sabe ao certo dizer.

Alguns anos mais tarde eu já tinha ouvido vários comentários sobre o assunto. Você sabe, nas rodinhas de amigos sempre tem um que conta casos escabrosos. Numa dessas conversas um colega meu citou o site da ong Mensagem Subliminar. Curioso, perdi horas nele. Falavam sobre mensagens ocultas em propagandas de cigarro, músicas, filmes da Disney, videogames, gibis, rpgs, e claro, da Xuxa. Infelizmente hoje o site não é mais livre a todos como era antes, hoje precisa ser cadastrado pra ver as partes mais divertidas.

O caso da Disney é interessante. Falam que Walt Disney era um sujeito pervertido e satânico, e que colegas do estúdio já encontraram velas e pentagramas em seu quarto. Por isso seus filmes supostamente viriam cheios de mensagens ocultas. E no site eles citam principalmente A Pequena Sereia, Bambi e o Rei Leão. O caso da Pequena Sereia é que ele foi considerado pelo site um pornô infantil, principalmente pelos inúmeros pintos presentes na caixa da fita de vídeo. Veja:
Mas é engraçado eles citarem Bambi e dizerem que apesar da inocência, na verdade é um filme violento e com tendências homossexuais. Bem, queria o que de um filme cujo protagonista é um viado e tem um amigo gambá chamado Flor? Sobre ser violento ele fala que é porque a mãe do Bambi morre no final. Caramba. Alguém avisa esse cara que os seres vivos eventualmente morrem e isso é um ciclo natural na vida? Porque pra ele isso parece um absurdo. Sobre o Rei Leão, além da trama sobre traição e interesse, que ele acha que levaria as crianças a comportamentos violentos, há o caso das cenas em que a palavra "sex" está escondida. Como nessa em que o Simba deita num campo florido e o pólem forma a palavra:De novo. Alguém por favor fala pra esse tapado que as pessoas TRANSAM?? Tá escrito Sexo. E daí? O cara fala como se fosse a coisa mais cabulosa do mundo. Ele também cita alguns quadros dos gibis dos X-Men em que apareciam escondidas a palavra "SEXO". Bem, o dono do site deve ser a pessoa mais puritana do mundo.

Agora, quer ver caso escabroso mesmo é nas músicas. O site disponibiliza trechos de várias canções de vários artistas, entre eles os Beatles, o Nirvana, os Engenheiros do Havaí, a Legião Urbana, o Cazuza e principalmente bandas de metal. E claro, a Xuxa. Junto com os trechos vêm a mesma parte tocada de trás pra frente. Aí que estaria o pulo do gato, porque nesse processo foram supostamente descobertas mensagens assustadoras de origens satânicas. Isso é o que eu acho mais esquisito. Minha nossa, será que um artista teria tanto trabalho pra escrever uma letra que tocando de trás pra frente viria com mensagem subliminar? Com que objetivo? Até porque, ouvindo os trechos invertidos, você tinha que fazer um esforço colossal pra perceber alguma coisa mais ou menos quase parecida com o que eles diziam que estava sendo dito.

Mas o mais engraçado do site é que eles acham besteira em qualquer coisa. Até na logo do Windows 98 eles acharam um 666 (as colunas pontilhadas pretas têm 6 pontos cada).
E eles vêem pinto em qualquer coisa. Anúncios de cerveja têm pintos escondidos, propagandas de cigarro têm pintos, capa de cd tem pinto, embalagem de hambúrguer tem pinto, gibi tem pinto, tudo tem pinto!! Das duas uma: ou é incrível a quandidade de pintos que os designers colocam nos produtos, ou cada um vê aquilo que tem mais na cabeça. Eu aposto na segunda.


Enfim, podemos chegar às seguintes conclusões: Primeiro, que o dono desse site é um viadinho. Segundo, que se a Xuxa fez ou não pacto com o capeta, isso não importa, ela ainda assim fez um filme pornô em que quase dá pra um garotinho. Santa ela não é. Terceiro, se mensagem subliminar funciona mesmo a gente não sabe, mas é engraçado ver toda essa teoria da conspiração.


PS1: Escondemos três mensagens subliminares nesse post. Quem as encontrar deverá mandar um email para nós identificando-as, para ganhar de presente o livro "A Próprio Punho", a auto-biografia do Cão Leproso, publicado recentemente pela editora CH3.
PS2: Informamos que o Guilherme finalmente está voltando da sua missão de encontrar Jorginho de Ogum!! Ainda não sabemos se ele conseguiu trazer o pai de santo do blog, mas saberemos em breve, não perca o próximo post.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

This summer...

Antes de ler o post, assista a este trailer de Hellboy II, que em breve estará nos cinemas:



Infelizmente este post não é um jabá para o filme, CH3 ainda não tem um contrato milionário com um grande estúdio de Hollywood, na verdade procuramos por patrocinadores desesperadamente. Só colocamos um trailer aqui porque o post de hoje vai falar sobre os locutores de trailers.

Como profissão, a locução de trailers deriva da narração de histórias, eventos importantes e peças de teatro, como acontecia em Roma e na Grécia. O ato de narrar em si é a segunda atividade mais antiga do mundo, só perdendo para a prostituição. Quando surgiu a primeira prostituta, a irmã dela foi correndo narrar o fato para os pais das duas.

A narração de desenvolveu com o tempo e se desmembrou em atividades mais específicas, assim surgiu a locução para Rádio e TV, a locução de eventos esportivos, sexuais e matrimoniais, aniversários, formaturas e até mesmo velórios e enterros. A locução saiu das feiras de hortifrutigranjeiros para ganhar os camelôs, as lojas de roupas e cosméticos no centro de Cuiabá, e finalmente atingiu seu ápice, chegando à indústria do cinema e ao Discovery Channel.

Os locutores de trailers, anônimos para o cidadão comum, são celebridades em seu meio profissional. Existe inclusive a revista Caras Loc, só disponível para locutores, sempre trazendo na capa as celebridades da locução de trailers.

CH3 conversou com Valair, o ex-locutor famoso por destruir a carreira do renomado apresentador Erik Hartman, (veja aqui) e descobriu que os locutores de trailer começam a ser treinados com 7 anos de idade, assim antes da puberdade as cordas vocais atingem o timbre a ser desenvolvido nas locuções. Veja um trecho da entrevista:

CH3: É verdade que você já foi considerado uma promessa entre os locutores de trailers de cinema?
Valair: Sim, eu era um ótimo locutor, considerado o Pelé da locução em Hollywood.

CH3: Mas os locutores não são treinados para ter todos a mesma voz?
Valair: Realmente, existe um cartel entre os locutores de cinema, por isso todos os trailers parecem ter a mesma voz, mas eu consegui desenvolver um semitom que me permitia passar mensagens subliminares nas locuções.

CH3: Daí então vinha o seu sucesso com as mulheres?
Valair: Exato, elas não resistiam quando eu dizia This summer e And now no ouvido delas.

CH3: E os boatos de que você teve as cordas vocais danificadas por um marido ciumento?
Valair: É, eu tinha um caso com a mulher de um médico, ela não resistia ao charme da minha voz.

CH3: Você pode nos dar mais detalhes desse caso?
Valair: Bem, geralmente a gente se encontrava durante a tarde, em motéis pouco movimentados. Eu gostava de besuntar ela com geléia de morango enquanto ia narrando tudo.

CH3: Na verdade queremos saber detalhes sobre o atentado.
Valair: Ahhh sim, bem, eu tive que fazer uma cirurgia das amígdalas, e o marido dela deu um jeito de se infiltrar na sala de cirurgia e danificar as minhas pregas.

CH3: Então ele mexeu nas suas pregas?
Valair: Mexeu, eu estava sedado, só percebi quando acordei.

Pode soar estranho, mas as cordas vocais também podem ser chamadas de pregas vocais, nesse caso não sabemos a que pregas Valarir se referia. A entrevista na íntegra você confere no CH3 News.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Charadas

Há algum tempo atrás, lá por 89 ou 90, os salgadinhos Elma Chips tinham uma promoção, que dentro de cada pacote vinha uma figurinha com uma charada do tipo "o que é, o que é". Quem achasse uma figurinha premiada poderia ganhar uma miniatura de cachorro de plástico vestido de detetive. Pois bem, eu queria ganhar o tal cachorro, então comia inúmeros salgadinhos, mas nunca achei a bosta da figurinha premiada. Em compensação aprendi um bocado de adivinhações. Então hoje o CH3 dá uma de revista de passatempos e propõe algumas charadas pra você. As respostas estão um pouco mais abaixo, mas por motivos óbvios, não estão de cabeça pra baixo. É isso aí, divirta-se:

1) O que é, o que é, cai de pé e corre deitado?
2) O que é um pontinho colorido no céu?
3) Qual a diferença entre o cachorro e o carro?
4) O que é, o que é, que quando deita abre as pernas?
5) O que é, o que é, entra duro e sai mole e pingando?
6) O que é que tem boca mas não come, tem cabeça mas não pensa?
7) O que é verde, vermelho e cheio de neguinho?
8) Qual é o cúmulo do absurdo?







Respostas:
1) Meu primo Carlos.
2) O Padre Antonio de Carli.
3) O carro é um veículo e o cachorro é um animal.
4) Vivi Fernandes.
5) Meu pau.
6) Lindsay Lohan.
7) A torcida do fluminense.
8) Fazer engenharia elétrica.

sábado, 9 de agosto de 2008

Profissões desgraçantes

Nas minhas andanças buscando Pai Jorginho, prestei atenção em uma profissão desgraçada. E não falo de gari, limpador de fossa ou jornalista. Estou falando do pessoal que sinaliza as estradas. Sim, vocês já pararam pra pensar que existem pessoas que tem que ficar pintando faixas e colocando placas nas rodovias?

Sim, imaginem, ter que pintar faixas durante quilômetros. As faixas do acostamento são mais simples, linhas contínuas apenas. Mas, as faixas do meio são muito mais complicadas. Na hora que pode ultrapassar as faixas são separadas, enquanto que no pedaço em que a ultrapassagem é proibida, a linha é contínua. Não se pode errar um centímetro e além de tudo tem que intepretar se as condições são ou não favoravéis para a ultrapassagem.

E o pessoal que coloca as placas? Já pararam pra pensar naquelas plaquinhas que indicam a quilometragem? Primeiro é preciso andar a estrada toda pra saber quantos quilômetros ela tem. Depois, pegar um monte de plaquinhas e a cada quilometro, parar, descer do carro, pegar a placa certa e prensar ela no chão. Isso por quilometros interminaveis.

E ainda tem as plaquinhas colocando as distancias entre as cidades, as plaquinhas de sinalização.

Ainda mais, porque muitas estradas passam no meio do nada. Entre plantações, pastagens, desertos ou florestas. Então, não há nada no meio do caminho. Você tem que ficar lá no meio do nada, colocando placas. Se tiver sede, se tiver um atraso, não há como ir até uma cidade próxima. Porque, não existem cidades próximas!

Pensem nisso, quando estiverem em estradas, mafrendas.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Os anos 90

(Bem, o post de hoje está um pouco extenso, mas vale perder uns minutos nele.)

Notamos que os CHnautas que visitam nosso blog com freqüência, têm algo em comum. A maioria está na faixa dos 20-25 anos de idade. Alguns um pouco mais, alguns um pouco menos, mas no geral nasceram em meados dos anos 80. Até porque nós membros do CH3 também estamos dentro dessa faixa etária, então, naturalmente o nosso público não difere muito.
Portanto, esse tópico vai falar sobre a década de 90. Porque foi nessa década que nós definimos nossas vidas. Nascidos nos anos 80, vivemos apenas parte de nossa infância nessa década. Por isso não vivemos os tempos sombrios em que usar mullet, rosa choque, short curto e ouvir B-52, ou seja, ser ridículo, não só era aceitável mas como também era super bacana! Os anos 90 foram os que definiram nossas vidas, porque foram os anos do nosso ensino fundamental, e como todos sabem, é uma fase crucial na vida de cada um. Principalmente a 6ª série, quando as meninas fazem lista dos meninos mais bonitos na classe e você não está nela. É quando você descobre a masturbação. É quando as meninas começam a ficar com os caras do terceiro ano. E enquanto isso sua cara vai se enchendo de espinhas. Todos passamos por isso nos anos 90.
Enfim, vamos primeiro a uma visão geral dessa década. Quando falamos em anos 90, a primeira imagem que deve vir à sua cabeça é a de um bebê nu mergulhando atrás de uma nota de um dólar. E apesar desse álbum do Nirvana ter sido lançado ainda em 1991 é uma imagem que a resume bem a década que começa bem otimista, com o fim do comunismo. Temos a formação da União Européia e o fim do Apartheid na África do Sul. Mesmo assim ainda apareceram efeitos da Guerra Fria com o aumento do terrorismo em países menores e a Guerra do Golfo. Aqui no Brasil tivemos a criação do plano Real e o confisco das poupanças do Presidente Collor, que foi deposto através de impeachment. Nessa década a tecnologia avançava a passos largos. Vimos nascer a famosa ovelha Dolly, que infelizmente hoje virou guaraná com um mascote absurdamente ridículo. Vimos também os pcs invadindo as casas e mais tarde a internet, que mesmo lenta e mesmo com aquele barulho engraçado na hora de conectar, nós já perdíamos horas em sites pornôs. Só que com a lerdeza, nos contentávamos com apenas fotos. Mas provavelmente mais marcante que isso foram os videogames. Quando vimos pela primeira vez o Mega Drive e o Super Nintendo, mal nos contínhamos de euforia. Mais tarde a tecnologia 3d começava a despontar com o Nintendo 64 e o PlayStation, mas nunca esqueceremos os bons e velhos 16 bits. Poderíamos até dizer que Mario e Sonic foram outros grandes ícones dessa década, ao lado do bebê nu na água.

A cultura pop

A música tomou um rumo bem diferente da década anterior em geral. Antes uma coisa comum na música, tanto no pop quanto no rock, era a bateria com eco. E o visual estapafúrdio. Foram abandonados não muito gradativamente no final da década. No rock, tivemos muitos destaques. Bandas como o Red Hot Chili Peppers, Jane's Addiction e Rage Against the Machine começaram a ganhar força. O Guns'n'Roses aproveitava seus últimos momentos de glória. Mas um grande destaque mesmo, como falamos, foi o lançamento de Nevermind do Nirvana, que deu cara a muitas bandas de rock que surgiram por aí. Apesar de haver outras bandas que tocavam no mesmo estilo grunge, como Alice in Chains e Pearl Jam, quem levou o maior crédito foi o Nirvana. Um pouco mais tarde foi a vez do retorno do punk rock, em 1994, com o lançamento de "Dookie" pelo Green Day, que vendeu 15 milhões de cópias pelo mundo e "Smash" do Offspring, que vendeu 11 milhões. Também quem ganhou destaque foi o Sonic Youth, que apesar de ter surgido no começo dos anos 80, foi na década de 90 que eles passaram a assinar com gravadoras maiores viraram ícones da música alternativa. Fizeram um grande sucesso, o que é incrível, porque eles são um lixo inaudível. Mas como diz o ditado, gosto é igual braço, tem gente que não tem.
Mas o que mais marca a década de 90 não é o rock, e sim o dance. Não, não estou falando de psy, trance, pancadão e etc. Mas sim de Dance. Com certeza você lembra de Gala e Sandstorm. Quer ver? "I still believe in your eyes...". Pronto. Essa é a cara da música dos anos 90. O dance estava presente em qualquer festa. Na nossa época, eram ainda festas no terraço de algum amigo, em que haviam fileiras de bancos dos dois lados do salão. Em um lado ficavam sentados os meninos, tremendo pra conseguir chamar alguma menina do outro lado do salão para dançar. Você passou por isso que eu sei!

Filmes que marcaram a década: Jurassic Park. Nem precisa dizer mais nada. Pessoalmente, foi o primeiro filme que eu aluguei quando compramos um vídeo cassete em casa. Uma pena que só o primeiro filme prestou. Foi também o momento de Esqueceram de Mim, quando Macaulay Culkin ainda não era uma decadência ambulante. O Rei Leão também marcou uma época, seguido depois por Toy Story, que iniciaria a onda dos filmes de animação 3d. Saindo da linha infantil, temos Strip Tease e Instinto Selvagem, que marcaram mais porque eram filmes que nós assistíamos como se fosse um pornô. Tivemos também Forrest Gump, que é muito bom. Mais pra frente tivemos Independence Day, Armagedom e Blade. Esse daria nova cara às adaptações de quadrinhos. Quase no final tivemos X-Men, Clube da Luta e Matrix. Enfim, vários filmes que tiveram um papel relevante em nosso crescimento.

Infelizmente essa foi uma década deplorável para os gibis. Não que vendessem pouco, mas a qualidade era horrível, tanto dos roteiros quanto dos desenhos. Especialmente os gibis de super-heróis. Salvo raríssimas exceções como "O Longo Dia das Bruxas" do Batman, a maioria dos heróis dos anos 90 eram uma pilha de músculos, usavam cabelos compridos e tinham aquela atitude "bad-ass". Precisava disso e somente disso para se escrever um roteiro na época. Se o herói usasse uma arma do tamanho do próprio corpo também, ótimo. O Superman usava mullet, o Justiceiro usava rabo de cavalo e até o Ciclope ganhou cabelos compridos. Lamentável. Enquanto isso, ganhavam força os quadrinhos independentes com Sin City, Preacher, Hellblazer e alguns outros títulos da Vertigo. Mais tarde apareceu o Authority também, e juntando tudo isso, até que valeu a pena. Se não fosse por isso, essa década poderia muito bem ser riscada da história dos gibis. Claro, a Turma da Mônica e a Disney ainda eram boas opções. Foi lançada A Saga do Tio Patinhas, por Don Rosa, uma obra muito legal, uma boa homenagem ao universo do pato mais rico do mundo.

Se os gibis estavam um lixo, nos anos 90 os desenhos animados eram um colírio para nossos olhos. Começando logo de cara com Os Simpsons, que além de contribuir posteriormente para o desenvolvimento de desenhos adultos ainda garantia um bom entretenimento para as crianças que éramos na época. Tiny Toons também foi de grande importância, porque seguia um pouco o humor adulto dos Simpsons, mas ainda com aquele toque escrachado característico de desenhos como Tom e Jerry e os próprios Looney Tunes. Tivemos desenhos de heróis bem bacanas também, como o do Batman, dos X-Men e do Homem-Aranha (que até então era o melhor, até ser superado pelo recente Spectacular Sipder-Man). O desenho do Garfield também era interessante, assim como os do Astérix. A Disney nos presenteou com o ótimo Duck Tales logo no começo e mais tarde vieram A Turma do Pateta e Timão e Pumba. Infelizmente a Disney começou a fazer desenhos ridículos e infames, como Sardinha e Filé, Super-Gambá e Tex Texano. Foi o começo do fim para os desenhos animados, que você sabe como estão hoje em dia. Também não poderia deixar de citar aqui os Cavaleiros do Zodíaco e Dragon Ball, responsáveis pela invasão do animê. Acompanhar Dragon Ball era uma experiência quase mística, apesar da enrolação, valia a pena ver os combates magníficos e o mundo à beira de uma hecatombe.

Enfim, isso tudo é uma boa parte do que nós vivemos na década de 90, não muito tempo atrás. Você gostando ou não, tudo isso diz muito sobre quem você é hoje.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

A Máfia das Bermudas Caquis

Sempre ouço dizer que escoteiros são um bando de crianças vestidas de idiotas, lideradas por um idiota vestido de criança. Uma frase idota, que subestima o poder de ação da temida Máfia das Bermudas Caquis, a real entidade por trás dos escoteiros, além do Michael Jackson, que está sempre atrás de escoteiros.

Tudo começou em 1905, quando Lorde Robert Stephenson Smyth Baden-Powell herdou a fábrica de bermudas caquis da família já a beira da falência, em uma cidadezinha no sul da Inglaterra. Por dois anos ele tentou reerguer a empresa sem sucesso, ninguém queria comprar bermudas caquis, nem na Inglaterra nem em qualquer outro país do mundo. A última tentativa de salvar a empresa foi realizar uma festa do cabide, em uma ilha no Canal da Mancha, com garotas de programa na faixa. A única condição para entrar na festa era estar trajando bermuda caqui.

A festa foi um tremendo sucesso, mas não atingiu o público esperado por Baden-Powell, pois para os ingleses adultos, usar bermudas era uma completa humilhação, o que não acontecia com os garotos, que compareceram em massa na festa. Surgiu então a Máfia das Bermudas Caqui, também conhecida como Fraternidade Escoteira Mundial.

Hoje estima-se que existam cerca de 28 milhões de escoteiros espalhados pelo mundo, todos avidos consumidores de bermudas caqui e portadores de hábitos bem peculiares, como só cumprimentar com a mão esquerda e fazer uma saudação com os dedos médio, indicador e anular estendidos unidos (antes que alguém pergunte, o Lula não é membro dos escoteiros), além de uma estranha paixão por animais. O Cão Leproso já passou uma semana em um acampamento escoteiro, o que aconteceu lá até hoje é um mistério.

Por fim, quem pensa que a Máfia das Bermudas controla só a terra se engana, eles também tem a modalidade aquática, que domina o comércio de escafandros e a modalidade aérea, que por incrível que pareça foi inventada no Brasil, com adeptos famosos, como o padre Adelir Antônio de Carli.

domingo, 3 de agosto de 2008

Tocando o puteiro

Em vários filmes, há uma mensagem inspiradora. Esqueça seus problemas. Fuja daquilo que te oprime. Não viva sob os grilhões de uma sociedade mesquinha. Estravasa.
No orkut, vemos essa mensagem ser divulga através de comunidades. Principalmente aquela "ligue o foda-se e seja feliz". Bem, essa filosofia é seguida por pelo menos 150 mil orkuteiros. Ela prega desligar-se por uns momentos do stress das nossas obrigações e fazer o que quiser.

Bem. Isso nem sempre é uma boa idéia. No caso da faculdade, se você estiver de saco cheio, pode tirar uma semana de folga e ir viajar, que não vai perder muita coisa. Na pior das hipóteses você perde algum trabalho ou alguma prova e perde um semestre, mas isso não é grave. Mas há alguns casos em que "ligar o foda-se" vai te dar um alívio imediato, poderá arruinar o resto da sua vida. Veja:


Caso: As coisas estão horríveis no seu trabalho, você não dá conta de todo serviço acumulado, mal tem tempo pra descansar e o chefe fica cobrando resultados imediatos e não reconhece seu esforço. O stress acaba com você, que mal tem tempo pra descansar.
Foda-se: Você resolve tirar uma semana de folga e viaja pra praia.
Conseqüência: Acumulou trabalho pros seus colegas que não deram conta nem da metade. Além deles te odiarem agora, você será demitido.

Caso: Crise no casamento. Já é seu segundo filho que nasce, o moleque não pára de chorar, e ainda está doente. A patroa fica buzinando no seu ouvido o dia inteiro depois de você ter tido um dia daqueles, seu filho mais velho fez merda na escola e seu cachorro cagou o jardim inteiro.
Foda-se: Sexta-feira você vai no puteiro e passa o final de semana na fazenda de um amigo que resolveu fazer uma festa e contratou várias garotas de programa.
Conseqüência: Seu filho mais novo morreu doente e sua mulher não só pediu o divórcio como quer ver você morto. Que é o que vai acontecer, porque você pegou AIDS e cancro mole na fazenda.

Caso: Você é um adolescente revoltado que acha que seus pais te odeiam porque não deixam você ir na balada todo dia.
Foda-se: Você manda seus velhos se foderem e foge de casa.
Conseqüência: Das duas uma- ou você consegue viver nas ruas e começa a vender drogas pra ganhar dinheiro e morre num confronto de traficantes ou você não agüenta um dia fora de casa, volta e passa a maior vergonha possível e ainda fica de castigo pelo resto do ano.

Caso: A sociedade te oprime com tantas normas e códigos sociais a serem seguidos.
Foda-se: Você simplesmente sai pra rua totalmente nu e começa balançar o membro (se você tiver) pra todos que você vir, dizendo "bom dia é o caralho!"
Conseqüência: Se você for mulher, nem precisa dizer. Se for homem, vai ser preso por atentado ao pudor e ser violentado sexualmente inúmeras vezes na delegacia.

Enfim... tome cuidado quando resolver tocar o puteiro. Você pode se arrepender pelo resto da vida.


sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Outros esportes olímpicos

Bom, na verdade esse texto é de autoria do Guilherme, mas eu estou postando no lugar dele porque ele pode estar sendo observado, ainda procurando Jorginho de Ogum com o Cão Leproso. Dizem que ele está em uma parte do país que ainda não foi descoberta. O fato é que algum tempo antes ele mandou esse texto pra mim por email, dizendo: "Caso eu não retorne, poste esse texto. Pode ser meu último suspiro." Vamos lá.

Já falamos de todos os esportes. Falamos do futebol, do vôlei, do basquete, handebol. Esportes na terra, na água, esportes escrotos. Da história das olimpíadas, e do Brasil nas olimpíadas. Falamos de tudo. Bem, quase de tudo. Na verdade, existem alguns poucos esportes que ainda não foram abordados aqui no ch3. Por falta de outra categoria, resolvemos juntar todos eles por aqui. Então, preparem seus lenços e contenham as lágrimas. Esta A última postagem da fabulosa série CH3 Olímpico.

Para começar, falemos da ginástica. A ginástica, vocês bem deve saber, é um esporte praticado por anões. Sim, é preciso ter menos de um metro e meio para praticar. São dois tipos: artística e a rítmica.

A rítmica é a preferida das mulheres, que gostam de ver as fitas balançando e todas aquelas coreografias. Já a artística tem várias categorias. Têm o salto sobre o cavalo (porque aquele pedaço de pano e chamado de cavalo é uma outra questão), as argolas, as traves, as barras, e o solo. Todo mundo que nunca viu ginástica na vida vai apostar em medalhas para o Brasil, só para depois reclamar que atleta brasileiro amarela.

Outro esporte é o tênis. Consiste em arremessar um par de tênis de um lado para o outro numa quadra. Digo, na verdade é só uma bola. E uma raquete é utilizada para isso. O tênis já foi popular, por conta do Guga. Hoje, ele é sumariamente desprezado pela população.

O tênis de mesa é o que o nome diz. Só que as bolas e as raquetes são menores. A rede também. Provavelmente é o esporte mais legal de se jogar que já foi inventado, só que é muito difícil de assistir. Você mal vê a bola. E os chineses sempre ganham.

O triatlo é uma loucura. O louco, digo, atleta nada 5 km, pedala 20 e corre 10. Mas, nada que se compare ao Chuck Norris triatlom. Nessa competição, o cara pula no mar em Nova York, sai dele em Lisboa. Pedala da capital portuguesa até o estreito de bering. No final, ele atravessa o EUA correndo.

E por final temos o pentatlo. Uma mistura louca de hipismo, natação, corrida, esgrima e mais alguma coisa que eu esqueci. E chamado de moderno. O pentatlo antigo consistia em lutar com minotauros, subir montanhas, enfrentar ciclopes e outras tarefas. Já o pentatlo pós moderno têm: Perseguição ao queijo, truco valendo o toba, sopro de toletes. Marcão, o pedreiro, é o maior praticante do mundo.

E assim termina nossa série. Responsável por 80% das visitas do CH3. Aproveite o espaço abaixo e deixe sua crítica, dúvida ou sugestão. Esperamos que vocês tenham gostado.