sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Leitura Labial

O mês de junho de 2006 foi realmente marcante para a história da humanidade. Além do nascimento de blog CH3, a realização da Copa do Mundo marcou o advento da popularização dos serviços de leitura labial. Naquela copa, pudemos saber tudo o que Ronaldo, Zagallo, Parreira, Adriano, Zé Roberto, Robinho, Ronaldinho, Kaká, Ricardinho o massagista Rubão e companhia conversavam durante o jogo.



O feito só foi possibilitado porque o Fantástico (aka, o Show da Vida), contratou uma equipe de surdos-mudos para decifrar as conversas. De uma hora para a outra, os segredos até então guardados dentro de quatro linhas foram expostas para o mundo. De uma hora para outra, a paz dos jogadores acabou, afinal, a equipe de surdos-mudos era implacável e pegava todas as frases.

- Fudeu heim. Com esse gol fudeu.
- e agora, não sei o que eu faço. Será que eu boto o Robinho?
- Sua putona, vou te chupar todinha no final do jogo.
- Pode fazer o gol, estamos comprados. Mete o gol sem dó.
- E aí, tá vendendo aquele apartamento ainda? Pô to interessado, opa, a bola tá chegando.
- J'aime poupées doués et ont un fétiche pour les gars dans le chemisier rayé et gémissant comme un zèbre méchant.

Os árbitros então, foram os mais visados. Suas decisões, suas dúvidas, suas sacanagens ficaram expostas para os telespectadores brasileiros. E foram eles, os árbitros, os responsáveis por começar a burlar a equipe especial do Fantástico. Adotaram a milenar técnica, muito usada em cassinos, de conversar com a mão na frente da boca para coibir a leitura labial. Além disso, também ajuda a disfarçar o bafo.

A moda se espalhou rapidamente e em pouco tempo os jogadores dos principais campeonatos seguiram a técnica consagrada dos cassinos e passaram a conversar com a mão em frente ao rosto. Graças a sedenta busca dos meios de comunicação de massa por imagens disponíveis para leitura labial, até os jogadores da Série B começaram a se precaver. Mesmo o futebol amador hoje é dominado por jogadores com mão na frente da boca. Mas sempre tem um Júlio Baptista para esquecer isso e provocar uma onda de teorias conspiratórias.

A leitura labial tem sido adotada pelas grandes potências mundiais para espionar ações suspeitas. Há uma grande oferta de vagas para a profissão, mas poucas pessoas dispostas a se profissionalizar. A tendência, daqui para frente, é que até mesmo nas ruas as pessoas passem a andar com as mãos em frente a boca para impedir que os surdos-mudos do Obama leiam suas conversas.

Revisão histórica
Cresce entre os pensadores contemporâneos uma tese de que todo nosso passado é uma farsa. Leitores labiais analisaram vídeos antigos de Hitler e descobriram que o tempo todo ele estava apenas recitando um poema visceral de Goethe. Aliás, uma interpretação muito emocionante, depois dublado por um discurso de ódio racial. Outra equipe está se debruçando sobre os discursos de Martin Luther King para avaliar a hipótese de que ele ensinava receitas de culinária e apenas sonhava com um leitão a pururuca perfeito. A Polícia Federal estuda se a Ku Klux Klan é a responsável por esses trabalhos.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Lulu da Pomerânia

Eu estava na 6ª série. Aquele período terrível na vida de qualquer menino. A adolescência começa a mostrar seu lado maligno, deixando todo mundo com o rosto desproporcional, com a pele oleosa, hormônios acelerados, excitados por qualquer pedaço de canela à mostra. Só que você não pega ninguém. Aliás, nenhum dos seus colegas pega, porque as meninas – sempre mais desenvolvidas, ficam com os caras da 8ª série¹. Só que você não sabe disso e acha que é o último virgem da sala.

Pois bem, naquela manhã a professora havia reservado a sua aula para a exibição de um filme, provavelmente bem ruim. A exibição de filmes era sempre uma boa oportunidade para tirar aquele cochilo, mas eu reparei que as meninas da sala estavam repassando um papel. Ele chegava na mão de uma, que rabiscava alguma coisa, passava para outra, retornava para a primeira, chegava na mão de uma terceira. No meio delas estava o viadinho da sala², que parecia avalizar o conteúdo todo.

Em determinado momento, o papel chegou até a menina mais bonita da sala³, que estava sentada na minha frente. Reparei que as meninas estavam ardilosamente elaborando uma lista dos meninos mais bonitos da sala. Procurei meu nome e me encontrei na 14ª posição entre os 16 alunos da sala. Vi o exato momento em que ela me trocou de posição, me colocando no penúltimo lugar, na frente apenas de um cara que pesava 100 quilos e ficava gritando “é o bug do milênio” nos corredores do colégio, dando origem a lista final que provavelmente foi ratificada em uma convenção secreta.

Este exemplo de devastação da autoestima púbere serve apenas para mostrar que mulheres avaliam homens desde que o mundo é mundo. Acredito que o inverso também seja verdade, por mais que eu nunca tenha participado da elaboração de nenhuma lista escrita, mas deve ser porque eu era um fracassado. Mas, é bem possível que Gutenberg tenha utilizado sua prensa móvel para listar as mulheres mais bonitas de Mainz.

Pois, a Grande Polêmica dessa semana é o aplicativo “lulu”. Ele copia o perfil dos usuários do facebook e permite que as mulheres avaliem anonimamente o desempenho sexual dos homens, deixando essa nota exposta para as outras mulheres. Ainda permite que as mulheres definam o que é o melhor e o que é o pior com comentários jocosos. Repete um comportamento do mundo real, só que hiperdimensionado pela internet, como quase tudo hoje em dia. Pintos pequenos estão sendo revelados ao mundo.

Como sempre acontece no Facebook, o aplicativo causou alvoroço e permitiu a existência de dois grupos bem distintos. De um lado as pessoas que louvam o aplicativo e o seu viés feminista, do outro aqueles que se sentem ofendidos com a objetificação masculina e perguntam como seria se um programa desse fosse feito para avaliar as mulheres, sendo prontamente respondidos por quem considera essa comparação um absurdo porque as mulheres já sofrem com essa objetificação nas ruas e logo aparece o Roberto Carlos defendendo o direito a privacidade e os grupos de direitos humanos e enfim. Uma das desvantagens do Facebook em relação a guerra civil, é que pelo menos na guerra civil o lado perdedor é morto. No facebook não, todos sobrevivem e todos continuarão participando de discussões ridículas na semana que vem.

Na verdade, o fato mais interessante do lulu, é que ele é um aplicativo sobre sexo para pessoas que não estão fazendo sexo, estão só avaliando a possibilidade e curtindo a fama. Vão se foder.

¹No entanto, quando você na 8ª série, as meninas ficam com os caras do terceiro ano. Quando você chega no terceiro ano, elas ficam com os caras que estão na faculdade e quando você finalmente chega na faculdade, elas estão com os professores. Eis o ciclo da vida
²Note que o termo “viadinho” não se refere a condição sexual do referido. O “viadinho da sala” era aquele cara que puxava o saco da professora e lembrava que ela tinha passado tarefa.
³invariavelmente, você encontra a menina mais bonita da sala anos depois e descobre que o tempo foi cruel com ela.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

A morte no elevador



Roberto acordou na segunda-feira para mais um dia normal de trabalho. Tomou banho, escovou os dentes, fez o café e comeu uma torrada. Vestiu sua roupa, amarrou o cadarço e ajeitou a gola. Pegou sua mochila, seus documentos, o telefone e a chave do carro. Saiu de casa, pegou o elevador e chegou até a sua garagem. Apertou o alarme do carro, destravou as portas e se sentou no banco do motorista. Estava prestes a ligar o carro quando a dúvida chegou. “Fechei a porta?”, ele pensou.

Puxou pela memória e não conseguia lembrar se a porta estava realmente fechada. Imaginou nos ladrões abrindo a porta e fazendo uma limpa no seu apartamento. As câmeras de segurança registrariam tudo, mas nada seria recuperado. Pensou que o apartamento era seguro e ninguém jamais iria invadir sua casa. Ligou o carro, mas o medo de ter seu notebook roubado foi mais forte. Decidiu voltar.

Entrou no elevador, já preocupado com a hora. Apertou o botão do quinto andar e começou a subir. No meio do caminho lhe veio o pensamento. Achou que tinha deixado o carro com as janelas abertas. Pensou que nada iria acontecer neste meio tempo, mas logo se lembrou daquele vizinho pouco confiável. Decidiu voltar para conferir.

Desceu e chegou novamente a garagem. O carro estava com as janelas fechadas. Será que ele tinha apertado o alarme? Não se lembrava. Apertou o botão do alarme e não escutou nada. Achou estranho. Destravou o carro e o travou novamente. Não satisfeito, pressionou a maçaneta para verificar que o carro realmente estava fechado. Pegou o elevador novamente para conferir a porta da casa.

Chegou e colocou a chave na fechadura. Sim, a porta estava trancada. Abriu e fechou para se certificar. Fez isso duas vezes. Poderia ir para o seu trabalho normalmente. Entrou no elevador e conferiu se as coisas estavam no bolso. Chave, celular, carteira e documentos do carro. Voltou para a garagem, entrou no carro, deu partida e resolveu conferir se tudo o que ele precisava estava dentro da mochila.

Material de trabalho, roupa da academia, escova de dente, tudo certo. E o café. Ah, o café, será que ele desligou o gás depois de ferver a água. Sim, desligou. Ou não? Sua cabeça foi tomada por imagens do prédio explodindo no momento em que alguém acendesse a luz do corredor inocentemente. Olhou no relógio e viu que começava a se atrasar. Mas ele não tinha alternativa. Trancou o carro e voltou ao elevador.

No meio do caminho seu chefe lhe telefonou pedindo o número de processo. O processo estava na sua mochila, que estava no carro. Posso passar daqui a pouco? Não o cliente está comigo agora. Voltou a garagem, entrou no carro, abriu a mochila e achou o processo. Passou o número para o chefe e disse que chegava logo mais. Estava entrando no elevador quando se lembrou do alarme. Voltou até o carro, destravou, travou, conferiu a maçaneta. E voltou para o elevador.

Chegou ao quinto andar, pegou a chave, abriu a porta. Foi direto até a cozinha e o gás estava desligado, a louça do domingo para lavar. Saiu de caso, entrou no elevador, voltou até a garagem. Abriu o carro, deu a partida, colocou o cinto, engatou a ré. Olhou pelo retrovisor e viu um vizinho descendo com o lixo. O lixo. Segunda-feira é dia de recolher o lixo. O final de semana teve peixe e se o lixo não for embora hoje a casa vai ficar fedendo até a quinta-feira. Será que eu desci o lixo?

Desligou o carro, soltou o cinto, abriu a porta e fechou o carro, conferindo na hora se a porta estava travada. Entrou no elevador, chegou até a porta do seu apartamento e viu que havia esquecido as chaves de casa dentro do carro.

Na manhã seguinte, um vizinho encontrou o corpo de Roberto dentro do elevador.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Editora CH3: Biografias

A Editora CH3 havia preparado uma grande surpresa para seus leitores neste final de ano: iríamos lançar uma série de biografias imperdíveis sobre personalidades da política, da cultura, do esporte, das ruas. No entanto, a recente polêmica protagonizada por um grupo que é contra a publicação de biografias não autorizadas, derrubou nossos planos. Restou-nos apenas uma meia dúzia de títulos, lançados abaixo. Uma boa opção de presente para os amigos ocultos deste final de ano.

Pai Jorginho de Ogum – A Autobiografia não autorizada
Pai Jorginho de Ogum, o pai de santo camarada, incorporou o espírito de vários escritores famosos como Machado de Assis, Shakespeare, Oscar Wilde, Vargas Llosa, Scott Fitzgerald e Paulo Coelho, para escrever a sua autobiografia. Grandes lances da sua vida, como o dia em que queimou um mendigo no Morro do Vidigal, ou seu único gol marcado pelo Flamengo em um amistoso do time sub-15 são lembrados hora de maneira realista, hora de maneira poética e às vezes por meio de aforismos. No entanto, Jorginho de Ogum não gostou do resultado final da obra e não autorizou a publicação do livro. O caso foi parar no STF e os 11 ministros estão batendo cabeça para decidir de quem é a autoria da publicação.

“Foi a cotovia, arauto da manhã, e não o rouxinol quem me inspirou. Olha, aquele gol, as riscas invejosas que tecem um rendado nas redes adversárias que vão partindo para debaixo das traves. O grito das arquibancadas consumiram-se, e o dia, bem-disposto, põe-se nas pontas dos meus pés sobre os cimos nevoentos dos vestiários. Se navegar é preciso, marcar um gol não é preciso”.

Rubens Galaxe, uma vida nos gramados
A trajetória do zagueiro Rubens Galaxe, que defendeu o Fluminense por 12 anos e depois que parou de jogar futebol, ninguém nunca mais ouviu falar. Muito menos o autor da obra, que preferiu não abordar sua vida depois da aposentadoria.

Benga Boys – Do inferno ao caos
O jornalista Guilherme Blatt realizou um trabalho de fôlego, recontando a incrível saga da banda Benga Boys, surgida em Cuiabá no começo dos anos 90 e que foi responsável por agitar a cena ultrahardcore xiita da época. No entanto, a família do falecido João Cavalo entrou com um processo na justiça e vários trechos da obra tiveram que ser omitidos, como a mudança de sexo do vocalista Zé Coveiro, os discos de axé e dance que o grupo lançou e o abuso de drogas por parte dos integrantes. Irá decepcionar os seus fãs (mesmo que sejam poucos).

Hitler – A biografia autorizada
Na história contada por familiares e pessoas próximas, Adolf Hitler ganha uma versão diferente da oficial. Ele é mostrado como alguém que adorava sua família, seus cachorros e a música clássica. O livro abre aspas para explicar algumas polêmicas da vida deste grande líder, como aquilo que alguns chamam de holocausto. “Hitler achava que os judeus eram muito mais felizes juntos e previu a criação de pequenas cidades, onde eles poderiam finalmente ter sua própria terra para trabalhar. No entanto, a vida de uma cidade nova é complicada e eles enfrentaram alguns problemas com o sistema de encanamento”. Contém fotos do estadista sorridente em momentos de lazer.

José Dirceu – Minha vida, minha luta
O auxiliar administrativo José Dirceu relembra sua vida em detalhes, com destaque para sua paixão pelo boxe. Um capítulo especial é dedicado para a luta da sua vida, o embate entre Mike Tyson e James Buster Douglas em 1990. “Na frente da TV, eu me preparava para uma luta que seria teoricamente rápida, mas que durou muito mais do que o previsto. Eu não sabia o que ia acontecer. Nem imaginava que minha mãe morreria, vítima de um AVC, durante o quinto assalto. Também, quem imaginaria uma luta do Tyson com mais de três rounds?”. Em um capítulo a parte, ele relembra as vezes em que já apanhou na rua e foi ofendido pelo telefone, ao ser confundido com um homônimo famoso.

A Perna
A biografia de um pedaço de alguém que um dia se foi e ninguém nunca mais viu, apenas ouviu falar.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

SACH3 #7

Feriado na quarta-feira é aquela coisa: você gosta, porque é muito melhor estar em casa matando o tempo do que estar sofrendo no trabalho. No entanto, o feriado na quarta-feira cria aquele clima de dia morto, uma vez que você não pode planejar nada grandioso para essa data. Ele não tem aquela aura de descanso sagrado. Portanto, nada melhor do que responder os últimos comentários sobre o blog desde... a última edição do SACH3, feita em fevereiro deste ano. Bem, sabe como é, não somos a Porta dos Fundos, ou o Café do Feliz, que podem ficar uma hora interagindo com seus fãs toda semana. Temos que dar um tempo pra conseguir uns 6 comentários. Vamos lá.

Guilherme Tapparo em: Como fazer um blog de humor de sucesso
Cara, parabens pelo post, parabens pelo blog, mas na moral, eu tenho um blog de humor, e sei muito bem, que não é fazer desse jeito ai, copiar um conteudo e colocar piadinhas no meio, tem que ter qualidade senão, vc pode até ficar mal falado entre outros blogs, oque não é nada bom, pois um blog não cresce sozinho e sim com a ajuda de outros blog, é como se fosse uma teia: se um fala mal de vc, isso se espalhará muito rápido

Não sabia que a blogsfera funcionava como uma espécie de maçonaria. Perdi oito anos da minha vida.

Tarcílio Carvalho em: Ciclo de Festas
Viajei, lembrando de como sempre odiei as festas na infância, de como nunca era convidado para as festas na adolescência, pensando em como não consigo fugir das festas familiares dos sobrinhos e, principalmente, em como festas me fazem desejar a tal última celebração com os amigos. Este realmente é o ciclo da vida, não aquele que o Elton John canta no REI LEÃO...

Cara, você foi fundo na lembrança do Rei Leão. Aliás, digo que não fazia a menor ideia de que ele cantava sobre o ciclo da vida. Bem vindo ao clube dos que nunca foram convidados pra festas de 15 anos.

Dois Comentários sobre o post Caçadores de Relíquias
Primeiro, Jose Goes
Se os caras são Gay, problema deles, se a menina é sapatão (que deve ter o penis maior que o seu se realmente for e que não interessa) o problema é dela. Tù deve ser um tremento recalcado e babacão! Vai se fuder seu merda brasileiro, país de "filho da puta" " viciados"...

Jose (sem acento mesmo?), gostei muito do seu estilo. O “filho da puta” entre aspas, acrescentou toda uma especificidade ao xingamento, que eu penso em xingar todo mundo com aspas a partir de agora. Também adorei os três pontos depois do “viciados”, dando um ar reflexivo para a frase. Ainda mais surpreendente, já que pelo visto você não é brasileiro.

Já o marcelo, comentou.
Gosto desse programa , e me chama muito a atenção como os norteamericanos são materialistas e necrófilos

Rapaz. Onde é que você viu a necrofilia ali? Acho que perdi esse episódio, felizmente.

Celeste em: Teoria da Farsa de Roberto Carlos
Acredito que o compositor contratado pela equipe do Roberto morreu antes da música "Minha Tia". Não é possível imaginar um "cara" como o Roberto Carlos compor músicas com letras revelando tamanha maturidade, falando de relacionamento, com tanta propriedade. Conheci bem suas músicas antigas através de meus irmãos-fãs. Ele é uma FARSA TOTAL.

Cada vez mais pessoas conscientizadas da farsa do Rei. Orgulho.

Os dois lados da moeda sobre o post O Estranho Hábito de Falar de Si Próprio na Terceira Pessoa

Mensagens Abençoadoras explica
Costumo falar de mim mesma na terceira pessoa quando preciso me referir a uma situação difícil de lidar, fk "de fora" então "vejo" melhor. Acho normal.

Já para o Templário
Falar na terceira pessoa é coisa de homossexual enrustido!

Nada a comentar sobre a explicação freudiana do templário, mas tenho que dizer para a Mensagens Abençoadoras que é muito mais fácil falar de si própria na terceira pessoa, uma vez que você é uma mensagem.

A Polêmica tomou conta da Redação Enem Nota 10: sustentabilidade

Henrique Alves Gonçalves opinou:
Uma redação não deve possuir frases feitas como aquelas no segundo parágrafo

Poxa Henrique, eu cito uma letra inteira do É o Tchan e uma receita de Miojo e você reclama das frase feitas do segundo parágrafo? Reprovado no teste psicotécnico.

Já a gracy cornetou
nota 10? tá de SKN?????? cita receita de miojo e musica É O Tchan . preciso rir pra não chorar

É isso mesmo gracy. Vamos rir para não chorar. Mesmo assim, uma dica valiosa é: você deveria ter estudado ao invés de ficar entrando em blogs de humor. O que seus pais vão achar disso?

Ainda temos a desesperarada julia frois
pela amor de deus eu tenho uma prova do vestibular e vou estudar isso receita de Miojo e o Tchan pelo amor de deus né

Anota aí Ju: Av. Brigadeiro Faria Lima, 3477 - 18º andar. São Paulo, CEP: 04538-133, telefone: (11) 2395-8401. Esse é o endereço do Google no Brasil. Escreve pra eles reclamando que eles não mostram o resultado que você queria para sua busca. Quem sabe, eles não melhoram o seu sistema de busca, ou não te enviam um tutorial sobre como usar o Google.

Welerson Oliveira em: Por onde anda o clipe do Word
eu ggosto dele, mas ele poderia voltar pra criaanças aprender, ele ttem q toranar para a fase infantil educativa, readimitem ele ñ para os usuarios sabidos como eu, mas q ensine o.pequeno novo usuario a se interar com esse mundo incrivel de informação. welerson de oliveira no face e g+

É isso aí Welerson, falou tudo. Temos que pensar nas crianças mesmos. Elas são o futuro do país e o Clipe do Word pode ser muito útil neste processo de reconstrução nacional.

RoJi em: The Farsa Voice Brasil
Esqueceu de citar a farsa dos arranjos nas vozes, ou seja, o uso exagerado e enganativo do recurso tecnológico para correção vocal chamado "Auto-tune". Só não chega a ser pior de como usam ele exageradamente em vozes de crianças naqueles concursos do Raul Gil. E a nação acredita no que vê, e no que escuta!

Companheiro RoJi, muito bom ter você do nosso lado nessa luta. Acho que chegou a hora de pegarmos em armas e derrubarmos o estandarte desta farsa televisionada. Quando finalmente derrubarmos o The Voice, chegará a hora de partirmos para a derrubada do concurso do Raul Gil. Vamos Juntos.

Para terminar, alguns comentários sobre o Bode Assassino, no Youtube

LegaliZeJaH00 disse: panico.
LegaliZeJaH00 disse, novamente: chorei de ri mano.

Sem sacanagem cara. Pega leve na maconha.

Lindo Santos disse: ou guilherme nao e bode e carneiro o bode e o outro de chifres ironico o video gostei

Valeu pela dica, Lindo. Eu realmente não saberia diferenciar um bode de um carneiro, por conta dos chifres irônicos. Mas, mesmo assim, acho que preferiria chamar o carneiro de bode porque “Bode” é muito mais engraçado.

Até a próxima.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Guia CH3: Como Se Vestir Bem

Sempre que você tem que comparecer em algum compromisso social, bate aquela dúvida: com que roupa eu vou? Uma dúvida que costuma a atingir as mulheres, porque elas possuem uma quantidade enorme de roupas e escolher apenas uma é igual a revisar um dicionário, elas não sabem nem por onde começar. Já para os homens, a dúvida é outra: nós não temos a menor ideia do que significa “esporte fino” (golf?), social completo, passeio completo e etc.

Não há nada de gravata neste texto,
mas é interessante notar como exis-
tem ilustrações complicadas para este
assunto.
Pois, é para você, homem que infelizmente tem que prestigiar um ou outro evento social ao invés de ficar em casa dormindo, que escrevemos este guia sobre como se vestir.

Na hora de se vestir, o primeiro passo é colocar uma cueca. Existem aquelas pessoas que deixam as cuecas por último, mas geralmente eles são apenas personagens de histórias em quadrinho com uma infância terrível e poderes sobrenaturais. Há quem coloque a cueca na cabeça, mas geralmente essa pessoa apenas esqueceu de tomar seus remédios. A cueca deve ser colocada sobre as partes íntimas, para evitar que os pingos de urina te deixem com um cheiro que impossibilite o convívio social.

Para vestir uma cueca, segure-a na sua frente, com as mãos. Introduza o pé direito no buraco direito da cueca e o pé esquerdo no buraco esquerdo. Suba-a até a altura adequada e pronto. Caso você não tenha o equilíbrio necessário para realizar a tarefa, tente sentado. Lembre-se que é preciso estar em pé para ajustar a altura.

Depois, hora de colocar uma calça ou uma bermuda. Verifique se o lugar que você vai permite bermudas, porque geralmente seu uso é proibido e punido com a morte.

Repita os passos utilizados para vestir a cueca, colocando o pé esquerdo no buraco esquerdo, o pé direito no buraco direito. Certifique-se que a calça esteja do lado certo, verificando o lado do zíper, que corresponde a parte da frente. Até por isso é importante usar uma cueca, para não decepar seu pênis no zíper.

Note que para vestir a calça, você precisará de mais equilíbrio do que o utilizado para vestir a cueca. Portanto, se você for um principiante, tente fazer isso sentado, para não cair no chão. Ao final, levante-se para fechar a calça, introduzindo o botão no buraco correspondente e levantando o zíper. Caso você perceba que a calça esteja folgada, utilize um cinto (utensílio de um metro de comprimento, dotado de fivela e alguns buracos), para impedir que suas calças caiam durante o evento, provocando constrangimento diante de sua cueca velha.

A lógica se aplica inclusive para as pessoas
com doenças de pele estranhas
A parte da camisa talvez seja mais complicada. Se você escolher uma camiseta (lembre-se, a camisa é aquela que tem os botões), deverá observar o lado onde está o selo. Geralmente, ele fica na nuca, ou seja, na parte de trás da peça. Ultimamente, confecções modernas têm abolido o selo na nuca, dificultando e muito a identificação dos lados.

Posicione a camiseta a sua frente e então introduza a mão esquerda no buraco esquerdo da camiseta e depois a mão direita no buraco direito. Tome cuidado para não deixar a peça cair no chão durante o processo. Por fim, utilize as mãos já corretamente introduzidas para encaixar a gola sobre sua cabeça, passando-a pelo buraco. Puxe a camiseta até a linha da cintura e pronto.

(Certa vez eu vi um filme, “Entre Lençóis – pavoroso, por sinal – em que o protagonista Reynaldo Gianecchini colocava primeiro a cabeça e depois os braços. Tal gesto beira a demência mental, uma vez que o procedimento diminuí o espaço para a manobra dos braços, podendo provocar travamento da coluna e esgarçamento da camisa. Acredito que o gesto foi bolado pelo roteirista para atordoar os espectadores do péssimo filme).

Se você escolher uma camisa (lembre-se dos botões), certifique-se que ela está desabotoada e lembre-se que os botões ficam na parte da frente. Segure-a com uma das mãos e coloque a outra mão no buraco correspondente. Pode parecer difícil em um primeiro momento, mas com o tempo você pega a prática. Depois, coloque o outro braço na outra manga. Por fim, abotoe a camisa. Se você não for um cidadão de bigode e medalha no peito, feche todos os botões. Esta etapa pode demorar um pouco no começo.

Hora então de vestir as meias. Tarefa aparentemente simples, mas traiçoeira. O ato é realmente simples, consistindo basicamente em encaixar a meia no seu pé, facilitado pelo fato de que não há uma meia específica para cada pé. No entanto, se você não tomar cuidado, poderá acabar deixando a parte reservada para o calcanhar virada para cima, provocando inúmeros incômodos durante o período em que você a estiver utilizando, além de assaduras.

No final, hora dos sapatos. Apesar de simples, atente-se para os riscos físicos. Pessoas menos habilitadas costumam a sofrer acidentes, espremendo o dedo entre o calcanhar e o sapato, principalmente naqueles que são mais apertados. Se o sapato tiver cadarços, amarre-os. Estique-os e leve os ao encontro um do outro. Passe um dos lados por debaixo do outro e depois dê um laço. Saiba que muitas pessoas morrem sem saber como fazer isso.

A partir deste momento, você já estará vestido. Se no convite para o evento tiver uma daquelas especificações frescas citadas no começo do texto “esporte fino” e etc, busque no Google o que ele significa. Homem que é homem não sabe de cor essas coisas.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Microcosmo Taxista #1 O fanático pela Semana do Bebê de Canela

Geralmente os taxistas gostam de conversar, mesmo aqueles psicopatas que depois recebem intepretações clássicas de Robert de Niro no cinema. A política é um assunto dominado pelos motoristas e geralmente eles têm soluções para todos os problemas da cidade. Essa solução se chama “Paulo Maluf”. Certo, nem tanto. Taxistas adoram propor viadutos, políticas econômicas e afirmar que o problema é que ninguém vai pra cadeia.

A cidade em que vivem é um tema recorrente. Taxistas de cidades grandes geralmente reclamam de sua rotina e externam sua vontade de ir embora o mais rápido possível e se isso não for possível, não descartam a hipótese de um tiro na cabeça. Já aqueles que vivem em cidades menores, principalmente nas turísticas, elogiam barbaramente sua terra e suas palmeiras, se oferecendo para mostrar essas vantagens pessoalmente.

Recentemente eu estava com minha namorada no município de Canela, no Rio Grande do Sul. Desejávamos retornar para um determinado ponto no meio da estrada até Gramado e resolvemos pegar um táxi. Logicamente o taxista nos reconheceu enquanto turistas, até porque apenas turistas devem pegar táxis por lá.

Durante o trajeto, que não durou nem dez minutos, pudemos saber de todas as maravilhas da cidade. Perguntou se já havíamos visitado o Parque do Caracol. Eu disse que já conhecia de outra viagem, minha namorada não, mas que não pretendíamos visita-lo dessa vez. Como se tentasse nos convencer, ele trouxe uma informação importante: O Parque do Caracol é o segundo parque mais visitado do Brasil. Mais a frente, ele nos mostrou a sua entrada, para onde também era possível conhecer o Parque da Ferradura e o Parque do Pinheiro grosso. Deve ter sido uma decepção o fato de que eu não quis combinar o preço com ele logo ali.

O diálogo/monólogo seguiu com mais elogios a cidade e uma informação imprescindível: Canela tem a segunda melhor água do Rio Grande do Sul. Ele estava tão empolgado, que eu nem consegui perguntar como é que esse ranking era elaborado. Logo ele informou que há em Canela um lugar em que se pode entrar num bote e fazer um rafting até Três Coroas. Em outro lugar, há um aeroporto com decolagens e aviões que fazem voos panorâmicos sobre a cidade.

E o Natal?
- Ah, o Natal é fantástico. A cidade fica toda decorada. O Papai Noel desce do topo da igreja de rapel.
Pareceu algo sensacional e eu mal consegui mentalizar a imagem do bom velhinho radical, quando o taxista trouxe a informação que mudaria minha vida para sempre.
- Vocês têm que conhecer a Semana do Bebê.
- Semana do que? – interrompeu minha namorada.
- A Semana do Bebê. Acontece todo mês de maio, é imperdível. Durante essa semana, a cegonha fica com um bebê pendurado no bico.
Como assim? Aonde essa cegonha fica pendurada, que bebê é esse? É um boneco, o filho de alguém que não teme o Conselho Tutelar?
- E o que acontece nessa semana do bebê?
- Ah, muita coisa. Vocês tem que ver a programação.

Durante o restante do trajeto, ele mencionou várias vezes a Semana do Bebê, com um foco muito grande na imagem da cegonha com o bebê pendurado. Sua empolgação era tamanha, que ele não passava de 50 km/h na rodovia. Diante do nosso espanto, resolveu explicar a lenda da cegonha, como se fosse uma novidade. Do seu lábio pendia a baba espessa e bovina dos impressionados.

Ao fim do trajeto, mal conseguimos nos concentrar no que devíamos fazer. A vontade era apenas voltar até o hotel e procurar do que se tratava essa semana magnânima. Quem era o bebê no bico da cegonha? O que mais acontece? Quanto será que está a passagem Cuiabá-Canela em maio? Conseguiremos reservar um hotel?

Descobri que a Semana do Bebê é um espécie de encontro nacional para discutir assuntos relacionados a infância. Palestras sobre cuidados, prevenções de doenças, educação, atividades, oficinas endereçadas a educadores. Basicamente, um grande workshop para profissionais da área e outras pessoas que queiram entrar nesse negócio de ser mãe ou pai. Imaginei que o taxista só ficava tão feliz com esta Semana, porque deve aumentar sua clientela. Não havia motivo para que alguém, lá de Maceió saísse de sua casa impunemente para ir até Canela ver o evento.

Ou melhor, existe. Procurei fotos da cegonha com o bebê pendurado e o que achei foi algo muito mais melhor. Durante a Semana do Bebê, a cidade fica decorada com este boneco de bebê demoníaco.

E melhor, todo ano temos o mesmo bebê em uma pose diferente.

Com seus amiguinhos.

Tem susto para todo mundo.

Sim, o taxista tinha razão. Deve ser imperdível ver isso ao vivo. Chupa Chuck.

Fiquei tão empolgado, que resolvi retirar este projeto de série, engavetado a mais de um ano, apenas para contar a história da Semana do Bebê.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Microcosmo Taxista

Uma das figuras mais tradicionais de São Paulo é o taxista malufista. Aquele que durante uma corrida do aeroporto para qualquer lugar (e olhar que qualquer lugar é longe do aeroporto), defende todos os feitos de Paulo Maluf em suas gestões no Governo e na Prefeitura, sabendo de cor todos os minhocões, tuneis, viadutos e piscinões que foram construídos pelo hoje deputado federal.
Fileira branca de defensores do Maluf

É difícil arrumar uma explicação lógica sobre o porquê do Maluf ser um ícone no meio taxista. Suas obras facilitaram a vida da categoria? Ele beneficiou taxistas em sua gestão? Acho que não. O taxista malufista é um recorte regional de uma característica comum aos taxistas do Brasil inteiro, talvez do mundo inteiro. Eles são conservadores por natureza e por algum motivo, tendem a gostar de políticos polêmicos.

Sei que em seu Estado, com certeza existe um antigo governante que tem uma péssima reputação e que faz os mais velhos cuspirem no chão ao pronunciarem seu nome. Não para o taxista. Ele o considera um incompreendido, a frente do seu tempo. Ninguém nunca fez o que Maluf fez. “Vou te falar uma coisa”. É assim que o taxista começa sua explicação. Não a toa, a única pessoa que eu conheci que defendia o ex-presidente Collor era um taxista. Aliás, também conheci um dono de sorveteria na mesma condição, mas acho que nas minhas memórias confusas de infância os dois eram a mesma pessoa.

Os taxistas de certa forma, vivem em um mundo paralelo. Enquanto a maioria das pessoas enfrenta o trânsito para chegar ao trabalho e depois voltar para casa, o taxista trabalha no trânsito. Para ele, aquele congestionamento atípico na Getúlio Vargas não é o pior dos mundos, faz parte da sua rotina, e além do mais, estamos na bandeira dois.
Modelo Poa, laranjinha
Taxistas também adoram atalhos, principalmente os duvidosos. Ele sempre perguntará qual caminho você deseja seguir para chegar a um destino, mesmo que ele tenha te pego no hotel e notado que você claramente é um turista e que não tem a menor ideia sobre qual é o melhor caminho. Em São Paulo, o taxista irá sugerir um caminho mais rápido que demora meia hora. Você começará a pensar que ele está te enrolando e fazendo esse trajeto apenas para mostrar o legado do Maluf, mas logo se lembrará que qualquer deslocamento na capital paulista demora pelo menos meia hora.

No geral, não compensa andar de táxi em nenhuma cidade do mundo. A única exceção é o Rio de Janeiro, onde você encontra táxis amontoados e rachar um táxi para atravessar a cidade saí mais barato do que pegar um ônibus, mesmo na temida bandeira 2. Aliás, se você observar nos semáforos, enxergará uma onda amarela no trânsito da cidade maravilhosa. O lado negativo de tanta competição, é que sempre há a chance de pegar um taxista malandro que vai te levar de Copacabana a Botafogo pela Lagoa Rodrigo de Freitas.
Típico Táxi Carioca, amarelinho

Fidelização. Este termo tão em voga no mundo corporativo contemporâneo já é um mantra entre os taxistas. Logo que eles te conhecem, eles não perdem a oportunidade de perguntar sobre sua agenda, vislumbrando negócios futuros. “Veio aqui para o show da Madonna?”, “vai embora de avião? Quando? Em qual aeroporto? Faço um preço bom”, “já foi pro litoral sul? Praias lindas, pertinho daqui”, “tá indo pra Manaus? Me liga a gente combina um preço, é aqui perto de Belém”.

Taxistas também gostam de conversar. Existem aqueles psicopatas que não falam nada e mal olham na sua cara na hora do pagamento, mas eles são uma exceção. Com a mão no volante, o taxista não vê a hora de ter uma brecha para poder falar bem do Maluf. Mas no geral, eles também adoram falar sobre a cidade em que vivem.

(Continua no próximo post, com histórias de taxistas)

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

It’s The Arts

Sobrevivendo na Bienal de Arte em meio a latas de lixo, chicletes e a sensação de que aquilo tudo é uma grande piada

São Paulo é uma cidade enorme. Doze milhões de habitantes, quase oito habitantes por metro quadrado, que compartilham duzentos quilômetros de congestionamentos diários e incontáveis filas para tomar o pão na chapa com pingado, ou comer uma coxinha num bar famoso, ou para qualquer outra coisa. São Paulo poderia ser a capital mundial da fila. Filas que também se formam nas diversas atrações culturais expostas em São Paulo, proporcionais ao seu tamanho gigantesco.

Milhares de salas de cinema, salas de teatro e espaços com exposições. A lista da agenda cultural de São Paulo é maior que um jornal inteiro de Cuiabá. Sempre haverá uma mostra sobre arquitetura, sobre um pintor norueguês, um artista armênio. Você pode estar apenas indo sacar dinheiro no seu banco e ser surpreendido por uma exposição muito interessante, e melhor, de graça.

Entre essas exposições, uma das mais tradicionais é a Bienal de Arte. Realizada, pasmem, a cada dois anos no, pasmem novamente, Pavilhão da Bienal, um prédio suntuosamente quadrado localizado no Parque do Ibirapuera. A mostra reúne o melhor do que as cabeças pensantes do mundo da arte estão realizando. O seu foco está na arte moderna, polêmica arte moderna, que aos olhos de um leigo como eu, por vezes parece uma desculpa para chamar qualquer coisa de arte.

Infelizmente, a Bienal não está entre os fatos que acontecem no sacrossanto ano da graça de 2013, porque desde 1994, a Bienal sempre é realizada nos anos pares. Até 1991, ela acontecia nos anos ímpares, mas por algum motivo, houve uma falha em 1993. Deve ter sido um choque na época.

Vinte anos depois, os curadores da exposição resolveram organizar uma compilação, um Best Of, um Greatest Hits com o creme de la creme das 30 edições já realizadas da bienal. Não por acaso, a mostra se chama “30 x Bienal”. Esse “x” no lugar de “vezes” deve dar um ar moderno ao título.

Logo que subi as escadas rolantes e cheguei ao primeiro andar da exposição, me dei de cara com um pequeno espaço vazio onde um segurança estava sentado, olhando entediado para o chão. Pensei comigo “veja só, esse segurança representa toda a monotonia da sociedade moderna diante do trabalho maçante”. Não, não era verdade. O guarda não participava de uma instalação, mas, acreditem, se algum casca grossa do mundo artístico resolvesse dizer que ele participava, as pessoas acreditariam e os entendidos do assunto iriam discutir isso, elogiando ou criticando a instalação.

Veja bem. Dentro do pavilhão você poderá ver uma curiosa obra em que uma tábua cheia de perucas presas, um rabiscado verde e um tapete, daquele tipo “welcome”, estão presos lado a lado na parede. As perucas são grotescas, mas ainda tem algum impacto. Agora, o tapete é apenas um tapete. A vontade é de chegar para alguém e falar “pessoal, para de brincadeira porra, isso aqui não é arte, é só um tapete”. Eu seria linchado.

O tapete parece uma grande tirada de sarro com os apreciadores da arte moderna e o que me parece é que as pessoas deste meio gostam de ser gozadas. O magnetismo que essas obras exercem sobre seus apreciadores é justamente essa tiração de sarro. É como a capacidade de aguentar alguém dando tapas na sua cara e falando “engole esse tapete, isso é arte”. Os fãs de arte moderna são uma espécie de recrutas do Bope.

Entre outros grandes momentos da exposição, estão uma cadeira colocada de cabeça para baixo em uma parede, uma caixa do tamanho de um caderno pendurada numa parede com outras caixas menores dentro, uma parede cheia de caixinhas de ‘chiclets’ (o original), pintadas de branco em frente a outra, com caixinhas de ‘chiclets’ sem estarem pintadas, uma série de fios de náilon presos no teto e um saco cheio de pães.

O grande momento, no entanto, é uma instalação que consiste em um grande latão azul com papel celofane embolado na sua boca. O latão estava exposto bem no meio do salão, porque se ele estivesse em um canto, às pessoas achariam que era uma lata de lixo mesmo e acabariam cuspindo um chiclete ali, transformando o chiclete mastigado em arte.
Para melhorar, isso aqui se chama "Ondas Paradas Probabilidade"

Aliás, em determinado momento você sabe que um extintor de incêndio não é uma instalação apenas pelo fato de que não há uma plaquinha explicando quem é o autor e o ano da obra. Mesmo assim, acho que um incêndio mataria todo mundo dentro do museu, ninguém saberia se pode mexer ou não no extintor. Assim como acho que todo mundo se sente meio receoso na hora de usar o mictório em uma exposição dessas e aqueles lixeiros coloridos de reciclagem ganharam algum prêmio.

Na hora de ir embora, o último ato é uma enorme bolha amarela que se parece uma espécie de puf gigante. Somos informados que aquele não é um dispositivo de segurança contra prováveis suicidas depressivos após passar pelo latão de lixo, trata-se de uma bolha que se enche e se esvazia ao longo de intervalos programados. Uma grande tiração de sarro com a cara de todo mundo.

Provocação #1: Pelo menos é de graça.
Provocação #2: Se estes são os melhores momentos de 30 anos de Bienal, imaginem os piores momentos.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Justin Bieber, o Rei da Putaria

O mundo já convive com o cantor canadense Justin Bieber há três anos. Ele alcançou o estrelato teen com um hit meloso, marcado por sua voz de menina e pela participação de um rapper aleatório. Sua aparência também fez sucesso, ao combinar trejeitos homoeróticos que enlouquecem as menininhas com aquela imagem de menino educado que pede licença para ir ao toalete, praticamente o namorado que toda mãe gostaria que sua filha tivesse.
Isso tinha que virar um funk
No entanto, aos poucos Justin Bieber está mudando sua imagem e se transformando em uma espécie de Macaulay Culkin da nova geração, com a vantagem de que o Michael Jackson já morreu. Durante sua passagem pelo Brasil, Bieber aprontou altas confusões e chocou menininhas apaixonadas, mães desamparadas e gerentes de hotel que pretendiam manter a ordem nos seus estabelecimentos. Confiram a seguir, tudo o que Justin e sua turminha do barulho fizeram em nossas terras. Os 10 mandamentos do rei da putaria.

1) Justin Bieber não foi em um puteiro em João Pessoa, preferindo um estabelecimento do Rio de Janeiro, onde dizem, cada programa saí por R$ 600. Acontece que o garoto quis tirar as prostitutas do seu local de trabalho (nada menos do que oito!) e a conta ficaria muito cara. Ele tentou pechinchar e acabou concordando em levar apenas duas. Informações dizem que ele teria feito sexo com as garotas e as desafiado no Angry Birds. Com isso, descobriu-se que ele não é mais virgem e que já tem 19 anos.

2) Ao chegar em seu hotel com as garotas, Bieber foi barrado, porque as normas do estabelecimento não permitiriam a entrada delas. O cantor armou um escândalo, mas não deu em nada e ele precisou alugar uma casa para organizar a suruba. Como vingança, Bieber não deixou barato e deu uma nota bem ruim para o hotel no Booking e deixou as toalhas emboladas no chão. Malvado!

3) Para não ser reconhecido na saída do puteiro, Bieber se enrolou em um lençol bege, abrindo uma nova tendência para celebridades que não querem ser flagradas em momentos íntimos. O que poucos sabem, é que antes de sair da Casa, Justin entrou em vários quartos, interrompendo vários coitos e dizendo que era o Gasparzinho. Sapeca!

4) Durante uma madrugada no Rio de Janeiro, o cantor parou perto de um muro podre e fez dezenas de pichações referentes aos seus desenhos animados prediletos. Bieber ainda mostrou o dedo médio para um fotografo. Garoto mau!

5) Bieber também se deixou ser filmado pela prostituta com a qual ele fornicou. Pelo vídeo, dá para ver que ele utiliza camisas regatas e dorme de boca aberta. Contraventor! Mas, na verdade, a melhor coisa sobre isso foi ver os comentários de fãs desesperadas. Serio, vejam. Seu dia vai ficar melhor.

6) No almoço do dia do show, Justin recusou toda a sua salada. Sua mãe informou que ele devia comer as hortaliças para crescer forte e Bieber afastou o prato e saiu gritando e batendo a porta. Ele acabou ficando sem sobremesa. Perverso!

7) Justin também dormiu sem escovar os dentes.

8) Ainda no banheiro, ele mijou na tampa da privada, não deu descarga e depois cagou sem limpar a bunda.

9) No seu show em São Paulo, Justin Bieber levou uma garrafada na cara, imitando o histórico gesto de Carlinhos Brown. Extremamente irritado, Bieber falou um palavrão e saiu do palco enrolado em um lençol bege! Depois, obrigou uma garota de programa a lamber seu traseiro sujo. Pervertido!

10) Ao decolar do Brasil rumo a Argentina, Bieber não manteve seu assento na posição vertical, não travou a mesinha e ainda manteve seus aparelhos eletrônicos ligados. Um homem bomba!

No entanto, as coisas não ficarão assim. Os diretores do seu colégio já chamaram seus pais para uma reunião, sua mãe avisou que ele vai ficar sem mesada neste mês e mandou ele se confessar na Igreja. A Polícia ainda avalia se houve algum excesso durante a pichação dos muros.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Rei do Camarote Carnicentas

Nos últimos meses, o megaempresário do ramo do entretenimento adulto umbandista, Pai Jorginho de Ogum, resolveu agregar valor ao seu negócio. A Casa de Diversão Noturna Carnicentas agora conta com modernos camarotes dispostos a arrecadar muito dinheiro com os milionários excêntricos que gastam uma fortuna na noite cuiabana.

Para saber como é que vivem essas figuras que despertam muita inveja por onde passam, nós fomos falar com o pedreiro Marcão, o Rei do Camarote Carnicentas. Veja a seguir, quais são os 10 mandamentos do Rei do Camarote. (Nota: talvez algumas anotações tenham sido traduzidas de maneira errada, porque não é lá muito fácil entender o idioma falado por Marcão).

1 Roupas
No Camarote Carnicentas, as roupas não importam muito, explica Marcão. “É um puteiro, não importa o que você veste, você vai acabar sem roupa mesmo. Você está pagando para isso”, diz. Perguntado se ele usava roupas da Gucci, Pierre Cardin, Prada, Marcão respondeu que geralmente faz o macarrão com almondegas mesmo.

2 Carro
Marcão nunca foi de carro até o Carnicentas, até porque ele mora ao lado do estabelecimento. No entanto, mesmo se ele morasse longe, seu uso seria desconsiderado. “Entrar de carro, ali, de noite, é pedir para ser assaltado”, informou o pedreiro. Vale lembrar a Casa está em uma zona de baixo meretrício e que é dominada por traficantes que adorariam te sequestrar. O ideal é ir a pé, ou talvez de bicicleta para poder escapar mais rapidamente das balas perdidas.

3 Camarote
Por ser amigo íntimo do proprietário do Carnicentas, Marcão não costuma a gastar um único centavo. A vantagem de estar no camarote, explica, é ter direito a um travesseiro e um vidro de repelente para se livrar dos mosquitos e de outros insetos. Entre os outros usuários, que não são amigos de Pai Jorginho, a conta costuma a circular entre 80 reais, podendo ir até o infinito. Infelizmente, o infinito ainda não foi definido.

4 Serviço Exclusivo
Essa é a grande vantagem do Camarote Carnicentas. “Se você entrar lá normalmente, tem cinco minutos para o coito e não dá tempo nem de limpar a porra do cara que foi antes de você. No Camarote você consegue ter uma mulher a noite toda e com uma sorte ela tem até um ou dois dentes na boca”, afirma Marcão.

5 Seguranças
São necessários apenas para circular nas imediações do estabelecimento. “Lá dentro ninguém tem coragem de arrumar briga não”, diz o pedreiro. Ele também informa que sempre usa camisinha. “Não tenho frescura não, mas ali dentro tem umas coisas que são até sacanagem”, falou sem explicar direito do que se tratava.

6 Champanhe
“Sendo sincero, eu prefiro beber cachaça. Mas lá dentro, a Cidra é uma questão de status”, disse Marcão, que afirmou desconhecer o significado da palavra “champanhe”. Segundo ele, a Cidra sempre vem pegando fogo e chama a atenção das outras pessoas, que fogem com medo.

7 Famosos
Seja lá onde eles estiverem, eles não estão dentro do Carnicentas. De qualquer forma, sempre é bom pagar um drink para o Cão Leproso. Próximo item.

8 Mulheres
Não sei se vocês já perceberam, mas a Casa de Diversão Noturna Carnicentas é justamente uma casa de meretrício de baixo custo. Assim sendo, mulheres não são exatamente o problema lá dentro. O problema de verdade está em outras coisas. “Já fiz um negócio pesado lá dentro, não sei se dá pra falar”, disse envergonhado. “Eu já caguei no Carnicentas”, prosseguiu. “No Banheiro”, completou. Quem conhece o banheiro do local sabe que este é um ato de coragem.

9 Música
“Os dias mais empolgantes são aqueles em que toca Boate Azul, Odair José, o rei Reginaldo e aquela música da secretária. Nesses dias a gente faz amor gostoso e até chora depois”.

10 Instagram
“Algumas mulheres lá são instagradas mesmo, mas é o que a gente tem pelo dinheiro que ganha na construção”, afirmou Marcão.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Questões Turísticas

Certo tempo atrás, afirmei neste blog que todas as cidades são turísticas. Sempre existirá alguma coisa minimamente interessante em qualquer cidade do mundo. Pode ser um mau turismo é verdade, mas, é turismo. Existem cidades pouco turísticas e aquelas que são ridiculamente turísticas.

Explico; Paraty é uma cidade turística com suas casas de 300 anos meticulosamente cuidadas para atrair turistas. Já Gramado, é uma cidade ridiculamente turística. A atração da cidade gaúcha são suas casas impecavelmente cuidadas em estilo colonial alemão. Porque Paraty é turística e Gramado é ridiculamente turística?  Porque Paraty é desse jeito pelo fato de que um dia as pessoas viveram nessas casas e elas sobreviveram a ação do tempo. Já Gramado surgiu da vontade de alguém criar uma atração turística no meio da serra e ganhar dinheiro com isso. Enfim, o turismo é forte nas duas cidades e logo elas são caras. Mas Gramado, como não poderia deixar de ser, chega a ser ridiculamente cara em alguns momentos.

Uma coisa que toda cidade tem é um centro histórico. Bem, nem toda cidade, principalmente em Mato Grosso onde a imensa maioria delas foi fundada depois do meu nascimento. Mas, qualquer cidade com mais de 50 anos tem um centro histórico, com uma igrejinha, um prédio bonito dos Correios e algumas casinhas que viraram restaurantes (caros).

Todos esses centros históricos tem algo em comum: todos ficam em ladeiras. Sim, percebam isso. Não existe um centro histórico de cidade localizado numa planície. São inúmeras ladeiras que desafiam as canelas dos turistas. Veja todas as cidades mineiras. Mesmos nas cidades localizadas na beira da praia, a fundação da cidade foi em uma região de ladeiras. Veja Salvador, onde as próprias ladeiras são atrações. No caso de São José, em Santa Catarina, a cidade tem apenas meia dúzia de ladeiras. O centro histórico da cidade está justamente entre elas.

Talvez as ladeiras ajudassem a evitar invasões estrangeiras, de índios ou de onças. O mais provável é que, realmente, do alto da ladeira, eles pudessem enxergar os inimigos. Mas, não deixa de ser curioso. Talvez, as ladeiras servissem para que eles pudessem construir igrejas bem altas.

Igrejas, elementos altamente turísticos, também tem outra curiosidade. Onde há uma igreja nesses centros históricos, logo há outra, como se fala sobre baratas. Talvez, desde aquela época já existisse a concorrência pelo mercado. Os Franciscanos, os Beneditinos, os Carmelitas, os Jesuítas precisavam brigar pela sua clientela. Você consegue percorrer todas as igrejas de cidades históricas a pé. Na já citada e minúscula Paraty são quatro. Em João Pessoa, duas igrejas chegam a ficar lado-a-lado.

Quando você anda por uma serra, seja ela no Rio de Janeiro, Pernambuco ou Santa Catarina, você encontra inúmeras nascentes de água que brotam das pedras. Boa para beber, essa água chama turistas e também imagens de santo, principalmente de Nossa Senhora. Onde há uma nascente, há uma imagem da mãe de Deus. Em grutas, é pior ainda. Não há gruta que não tenha uma imagem de santo e algumas flores espalhadas em volta e minha laicidade sobre o assunto me impede de elaborar qualquer teoria.

Toda cidade também tem alguns museus, sendo que aqueles dedicados aos fundadores da cidade são os mais comuns. Geralmente ele fica em uma casa de um antigo colono que desempenhou importante função na história da humanidade. São exibidas inúmeras fotografias e roupas antigas de primeiras comunhões. Alguns itens são tão dispensáveis, que você seria capaz de imaginar se não poderia abrir um museu com as quinquilharias acumuladas pelas antigas gerações da sua família.

Pois esses museus têm uma característica: há uma boa chance de que eles estejam fechados. Museus de cidade pequena tem o péssimo hábito de sempre estarem fechados para reforma, ou por doença do proprietário ou simplesmente porque eles funcionam em horários ridículos, nos quais ninguém tem disponibilidade para turistar. Já os museus de cidades ridiculamente turísticas, costumam a ser bem caros e não ter nada de interessante para mostrar.

Em breve, quem sabe, teremos mais questões turísticas para discutir.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Redação Enem nota 10: Lei Seca

Sim, o Enem já passou, mas ainda dá tempo pra passar raiva depois! Veja aqui tudo o que você deixou de fazer para não levar uma nota 10 na Redação deste ano! O tema, você sabe, foi os impactos da lei seca no Brasil. É sempre assim. Todo mundo pensa em um assunto óbvio, menos os formuladores da prova do Enem.

Nos últimos anos, as autoridades brasileiras tem se mostrado cada vez mais rigorosas na tentativa de coibir o abuso do álcool. As cervejas, por exemplo, tem uma forte carga de impostos, para dificultar o seu consumo. Também nos últimos anos, foi adotada a tolerância zero quanto a ingestão de álcool antes de dirigir, fato deveras anunciado nos telejornais, que sempre mostram aqueles caras que se fuderam porque tomaram um copinho de licor no consultório médico.

No entanto, uma Lei Seca total, proibindo o consumo de bebidas alcoólicas em qualquer situação, é irreal e impossível. Veja bem, existem dezenas de substâncias proibidas pelas autoridades brasileiras, como maconha, cocaína, anfetamina, LSD, ecstasy, heroína, crack, e mesmo assim, quem quiser fumar um baseado vai conseguir, porque as autoridades proíbem, mas não fiscalizam. E se até a cocaína, que precisa passar por um processo químico, é vendida por aqui, o que dizer das bebidas alcoólicas que são bem mais simples de serem fabricadas? Quem quiser tomar seu goró, vai conseguir.

Além disso, beber uma cervejinha já é algo que está na cultura do povo brasileiro. Eu mesmo, preferia estar agora tomando uma, ao invés de estar escrevendo essa redação. E tenho certeza de que você, que está corrigindo a prova, também preferiria tomar umazinha ao invés de corrigir centenas de textos bestas. Você ganha bem, pelo menos?

Vamos ver também que a proibição não ajudaria em nada. Nos Estados Unidos, uns anos atrás, o álcool foi proibido e o que aconteceu? A máfia se fortaleceu, gângster ganharam poder, algo parecido com o que acontece com os traficantes brasileiros, com a diferença de que tem muito mais gente disposta a tomar uma cerveja, um vinho, uma caipirinha, do que gente querendo fumar um baseado.

Além disso, com o tráfico de bebidas alcoólicas, os interessados irão tomar um produto com uma qualidade muito pior. Bebida com resíduos de metais pesados, batizados com solvente, enfim. Vai dar uma ressaca terrível, provocar cirrose e outras formas de morte lentas e dolorosas. E também vai dar cadeia! Ou seja, é o fim do mundo.

#liberadilma