quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Tenham um bom dia!

O jornal de hoje se encerra por aqui. Essas foram as principais notícias do dia:
- Motorista erra o ponto de ônibus, para na esquina e é linchado até a morte por integrantes de uma torcida organizada em São Paulo.
- Criança é estuprada por padrasto no Maranhão.
- Homem mata a mulher, esquarteja os restos mortais e esconde ossada na máquina de lavar roupa no interior da Bahia.
- Carro arrasta bebê por 25 quilômetros no Rio de Janeiro.
- Homem que segurava a bolsa da mulher é confundido com homossexual e é espancado na Avenida Paulista.
- Em Minas Gerais, acidente envolvendo duas carretas, um ônibus e cinco veículos deixa 20 mortos e congestionamento de 50 quilômetros.
- Pessoas morrem na fila de espera por atendimento médico em pronto-socorro.
- Maníacos psicopatas fogem de presídio e espalham o terror no interior de São Paulo.
- Maior chuva dos últimos 120 anos deixa 1 milhão de desabrigados em Santa Catarina. Em apenas uma hora, choveu o esperado até a Copa de 2014.
- Terremoto destrói cidades inteiras na Turquia.
- Furacão deixa vinte estados sem energia nos Estados Unidos.
- Novo vírus mutante avança pela Europa. Número de mortos já supera a casa de 10 milhões. Especialistas avaliam que o vírus chegará ao Brasil no próximo final de semana.
- Conflito entre Israelenses e Palestinos aumenta. Hoje, já morreram 100 pessoas.
- Crise sem precedentes leva a onda de suicídios na Grécia.
- Polícia prende austríaco que realizava experiências genéticas envolvendo animais e seus filhos em um porão.
- Organizadores anunciam as atrações do Rock in Rio 2013: Ivete Sangalo, Jonas Brothers, Ricky Martin e Guns N’ Roses.
- Torcedores do Corinthians preparam o grito de “é campeão”.

Tenham todos um ótimo dia! Fiquem agora com um programa de culinária.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

(In)correções

A divisão do mundo entre os politicamente corretos e os politicamente incorretos é uma realidade. As classes se dividem como se fossem o preto e o branco, a noite e o dia, o Yin e o Yang, o Rick e o Renner. Não é possível dizer quando esta segregação começou, mas ela existe. Uma divisão que só não levará até uma guerra civil porque um dos dois lados seria contrário a este ato.

Talvez a culpa seja do Lula. Afinal, foi em seu governo que a Cartilha do Politicamente Correto foi lançada. Um livrinho que nos orientava a extinguir os anões, comunistas, pernetas e macumbeiros de nosso vocabulário. Deveríamos preferir cidadãos prejudicados verticalmente, seguidores de Karl Marx entre outros. Mas, o governo lançou a tendência ou apenas atendeu os pedidos da população?

O fato é que estamos prestes a entrar em uma ditadura do politicamente correto. Ou, em um estado de exceção, afinal, ditadura é uma palavra forte. Leis são criadas proibindo as pessoas de falar palavrão em estádios de futebol, de apontar o dedo e rir de pessoas estranhas e... bem. Existe uma polícia formada por leitores de Gabriel Chalita que usam camisa pólo e gel no cabelo, para fiscalizar nossos atos.

Por outro lado, temos os politicamente incorretos. No geral as pessoas que se auto-intitulam desta maneira não passam de babacas, integrantes de bancadas de programas humorísticos, que se acham engraçadas e fazem piadas em todas e qualquer situação. Até no velório da própria mãe.

O politicamente correto dificulta muito a descrição física de uma pessoa, como mostra o seguinte diálogo fictício.
- Cara, quem é Paula?
- Bem a Paula... ela é... ahn... ela é... tem uma altura é... mediana e é... ahn, meio que, ah... digamos... é... forte.
- Ah é uma baixinha gorda?
- Não, não, não é.
- É essa daqui da foto?
- Sim.
- Então, é ela mesmo. Cara ela tem uns 180 kg!
- Ahn..
- Uma baleia! Muito gorda!
- Bem... é...

Encontramos um exemplar de cada espécie e colocamos uma câmera para flagrar suas atitudes, como se fosse um documentário do Discovery Channel.

Situação 1: uma velhinha espera para atravessar uma rua movimentada.
PC: Em primeiro lugar, não se trata de uma velhinha. Este termo é muito pejorativo. Falamos sim de uma senhora que está em sua melhor idade. Alguém que muito viveu e que sem dúvida terá muito a ensinar para mim, para você e para todos nós.
PI: Com certeza essa velha já viveu muito e não vai ter problema de esperar mais um pouco para atravessar a rua. Agora imagina se eu roubo a bengala dela! Hahaha, ela vai demorar um ano para atravessar. Capaz de ser atropelada e ainda sujar o carro.

Situação 2: A televisão exibe um programa com anões de circo.
PC: Olha a situação dos portadores de nanismo é complicada. Mas, eles são cidadões como todos nós e não tem mais problema do que eu e do que você. Não há motivo para humilhá-los. Estas atrações circenses são um absurdo.
PI: Hahahahahahahaha! Cara! Olha lá um anão! Hahahaha! Olha o jeito que ele anda! Hahahahah! Olha o tamanho dele, velho, hahahahahahahahahahahahaha.

Situação 3: Um cidadão que é comunista e macumbeiro pede emprego a você.
PC: Nosso Estado garante a liberdade religiosa e também a liberdade política para mim, para você e para todos nós. Não há motivo para discriminação sobre estes assuntos.
PI: Macumbeiro e comunista! Deviam queimar vivo esse cara!

Situação 4: Um cidadão bêbado avança o sinal vermelho e bate no seu carro.
PC: Este cidadão em estado etílico cometeu uma grave infração de trânsito e terá que arcar com os custos de sua ação inconseqüente, igual aconteceria comigo ou com você.
PI: Filha da puta! Chifrudo! Chupa meu pau, seu engolidor de piroca! Não viu o semáforo fechado, cachaceiro veado! Vai se foder!

Situação 5: Seu time perde o campeonato graças a um gol marcado aos 54 minutos do segundo tempo. Detalhe, o jogador adversário estava impedido, dominou a bola com a mão, empurrou o goleiro no chão e chutou a bola para fora. Mesmo assim, o juiz validou o gol e expulsou 7 jogadores do seu time.
PC: Este é o futebol, um esporte emocionante onde nem sempre a justiça acontece. Mas o que podemos fazer?
PI: Juiz filho da puta! Tomar no cu seu ladrão do caralho! Porra! Porra! Como assim! Porra! O cara tava impedido! Dominou com a mão! Porra e essa falta! E o cara chutou pra fora! Caralho! Ahhhhhh! Eu vou quebrar tudo! Ahhhhh, vamos quebrar tudo porra! Ahhhh!

Veja com qual perfil você se identifica mais e ai... ai, sei lá, faz o que você quiser pô.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Quem será o campeão brasileiro de 2011?

O Campeonato Brasileiro de Futebol termina no outro final de semana. Sim, sem ser nesse de agora, no outro. Uma competição marcada pela emoção, pelas incríveis derrotas dos favoritos e por momentos em que nenhum time parecia disposto a esquecer seu rosto. Digo, a conquistar o campeonato.

Os líderes se alternavam na disputa para conquistar a mais vexatória derrota, a mais vexatória seqüência negativa do campeonato. Perder pro América-MG? Que tal perder de goleada! E logo depois empatar com o Avaí, tomar sufoco do Ceará. Muitos dizem que é a prova da superioridade do campeonato brasileiro, tudo pode acontecer, tudo pode acontecer, não há favoritos, não há limites, mal existem regras.

De fato, tudo podia acontecer. Agora não. Estamos a duas rodadas do final do campeonato. Os times já têm seus futuros parcialmente definidos. A glória total, a glória parcial, o fracasso miserável, a mais pura lama o total esquecimento. Já sabemos que Corinthians e Fluminense estarão na próxima Copa Libertadores. Que América-MG e Avaí estarão rebaixados. E o resto?

A grande questão é saber quem será o campeão brasileiro deste ano. Para ter esta resposta sobre o futuro imponderável, consultamos ele: o Dínamo das Ponderações, o Major do Futuro, Pai Jorginho de Ogum.

Me dirigi até sua casa, local sagrado. Pedi licença para seus fãs que faziam vigília em frente a sua porta. Alguém me disse que eram apenas bêbados, mas eu me recuso a acreditar. Não bati na porta para entrar e encontrei-lo passando margarina em um pão. Olhei para ele com cara de desprezo e ele afirmou que sua manteiga havia acabado naquela manhã. Não acreditei na história e, quase chorando, Jorginho disse que realmente estava comendo pão com margarina.

Ele me perguntou o que eu faria ali. Eu respondi que era eu quem devia fazer as perguntas. Um silêncio se estabeleceu no local. Falei então do meu objetivo. Ele começou a palpitar que o Flamengo tinha um bom time. Interrompi-o, dizendo que não estava disposto a ouvir seus palpites. Queria suas previsões apenas. Além disso, o Flamengo não tinha mais chances de títulos.

Ouvi um copo se quebrando na sala. Marcão apareceu com lágrimas nos olhos. Disse que não era possível isso. Que o Flamengo era o melhor e que seria campeão. Mostrei a ele a tabela do campeonato. Tentei mostrar para ele que a matemática mostra que é impossível. Ele não entendeu. Desisti. Ele me disse que deixaram o Flamengo chegar e que na reta final o Mengão cresce. Que no final do campeonato nós conversaríamos, ele com a faixa no peito.

Jorginho de Ogum esfregou os dedos engordurados em sua túnica, também conhecida como roupa de viado velho. Com farelos de pão na boca, me levou até a sua cabine de previsões. Dissolveu uma colher de margarina num copo de canina 21 e mandou aquele líquido para dentro. Fechou os olhos, repetiu algumas palavras em sânscrito e começou a prever, digo, definir o futuro.

Começou a falar sobre o título. Em um vaticínio preciso ele disse: “Corinthians, Vasco ou Fluminense lutarão pelo título”, com as chances nessa exata ordem. Falou que o Corinthians até poderá ser campeão nessa rodada, mas que para isso, precisará lutar pela vitória.

Na disputa pela Libertadores, ele afirmou que Figueirense, Internacional, Flamengo e São Paulo disputarão as últimas duas vagas. Mas, não descarta a hipótese de que Coritiba e Botafogo podem ficar na briga. Ele disse que a disputa será acirrada e que os astros mostram que muita coisa poderá acontecer.

Quanto ao rebaixamento, Jorginho foi enfático: América-MG e Avaí disputarão a série B em 2011. Falei que todo mundo já sabia disso. Ele não pestanejou. Previu que o Atlético-PR irá acompanhá-los na disputa, assim como o Ceará, muito provavelmente. Mas, ele não descartou que o Cruzeiro possa estar lá, tal qual o Bahia e o Atlético-MG.

Ao final ele pediu licença para ir ao banheiro, onde provavelmente deve ter gorfado a cachaça com margarina. Me disse para que eu cobrasse suas previsões no dia 5 de dezembro. Falei que faria aquilo, deixando claro que é claro que eu não faria. Ele disse que era sério. Marcão disse para não esquecer da conversa, que no mesmo dia ele mandaria todo mundo chupar.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

A Pátria do UFC

Júnior Cigano, Rodrigo Minotauro, Maurício Shogun. Há pouco tempo atrás você perguntariam se eles eram personagens de algum filme nacional. Hoje eles são seus ídolos. São ídolos nacionais. Seus pôsteres enfeitam os quartos de meninos e meninas de nosso país. E Anderson Silva? Elevado a condição de ícone, semideus é pouco para descrevê-lo. Peregrinos veneram suas estátuas espalhadas por nossas ruas. Sua voz fina monopoliza os reclames do horário nobre televisivo.

Em épocas remotas, o cidadão médio ficava acordado de madrugada para ver lutas de boxe. Principalmente se esta luta envolvia o Mike Tyson. O evento começava tarde, era disputado em um grande cassino de Las Vegas onde senhores engravatados assistiam o sangrento espetáculo.

Haviam as lutas preliminares que demoravam uma eternidade. Até chegar ao confronto principal, quando dois homens de 100 kg se socariam na cara. Ou melhor: quando um ser humano seria socado na cara por Mike Tyson em uma luta que não durava sequer dez minutos.

Sempre existiram as pessoas que consideravam o esporte violento. E, de fato era, não há dúvida que quando um cidadão bate na cara do outro até que o outro caía no chão quase desmaiado é algo bem violento.

Mas o boxe ficou para trás. Hoje, as pessoas se juntam em bares, se enrolam em bandeiras do Brasil e ficam acordadas até de madrugada para ver o UFC, uma competição de MMA. Se havia quem achava que o boxe era violento pelo simples fato de que pessoas trocavam socos com luvas acolchoadas, o que dizer quando além de socos na cara, esses dois cidadãos podem trocar chutes, joelhadas, cotoveladas, cabeçadas. Se um deles cair no chão, as cotoveladas podem continuar. Os dois ficarão rolando de sunga em um ato homoerótico.

Mesmo sendo quase uma competição de balé próximo ao UFC, o boxe tinha uma vantagem. Ele permitia grandes histórias. Veja o caso de Rocky, o Lutador. O maior filme de todos os tempos. Este grande épico sobre a existência humana seria possível se Rocky fosse um lutador de MMA? Não. Ninguém agüentaria ver Rocky e Ivan Drago se agarrando de sunga no chão, em uma final simbólica da guerra fria.

Mas a luta livre dominou nossa sociedade, junto com a comédia Stand Up. Vejam nossas ruas. Ao invés de campinhos de futebol, vemos octógonozinhos. Ao invés de chutar bolas, as crianças chutam a cara uma das outras. Os pais vibram e estimulam a violência. Um traumatismo craniano é comemorado com a fúria de um gol marcado no último segundo da final da Copa do Mundo.

E o símbolo da consagração do UFC é a narração de Galvão Bueno. Neste mundo globalizado, nós só sabemos da importância de um evento se Galvão estiver lá. O que seria a final da Copa do Mundo se Galvão não estivesse lá? Ninguém se irritaria com aquilo, pensando “meu deus, cale a boca, cale a boca seu corno!”. E ninguém pararia para pensar “opa, ai tem algo”.

Galvão dizendo Júnior, Júnior, Júnior Ciiiigano! A vinhetinha de Brasil-il-il-il e tudo o mais que está envolvido mostram a vitória do UFC. Somos a pátria de coquilhas.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Em segurança

O programa Bem Estar tem mudado a vida de muitas pessoas. Ele tem mostrado como a morte está ao nosso lado o tempo todo. Como podemos morrer bebendo água, cortando as unhas, digitando um texto para o CH3. Podemos morrer em consequência dos atos mais banais do nosso cotidiano. Aliás, é um milagre que você não tenha morrido até hoje. Você não sabe lavar as mãos! Não sabe mastigar um chiclete! Em suma, você é uma anta que sobrevive por sorte. Mas, um dia, a sorte pode acabar.

Os impactos do programa em nossa sociedade são visíveis. As filas no banheiro são cada vez mais longas. O Governo Federal pensa em sancionar uma lei que transforme em crime hediondo o ato de limpar a bunda com papel higiênico. A sociedade organizada terá que mudar seus modos para conviver nesta nova realidade de medo, de terror, de angústia. Estamos em guerra, em guerra contra algo que não sabemos o que é. A morte pode vir pela nossa posição de dormir.

O CH3 não ficaria imune a isso. É claro, ninguém está imune! Ninguém! Recebemos centenas e eu diria milhares de correspondências em nossa caixa postal pedindo dicas para ter maior segurança em nosso cotidiano. Pediam ajuda a nossa equipe, aos nossos especialistas de sempre. Porque todos querem viver mais, querem ter mais qualidade de vida. Vamos a esses questionamentos.

Blog CH3, por favor, eu queria saber qual é a melhor maneira de beber água – Olivia Albuquerque, Carazinho-RS.
Olivia, consultamos vários especialistas e a resposta foi unânime. A melhor maneira de se beber água continua sendo com a boca. Métodos disseminados pela internet como a ingestão de água pelos olhos ou pelo ânus, não tem a sua eficácia comprovada. É preciso tomar alguns cuidados, como: não beber água de esgoto, não beber a água se ela estiver com uma coloração estranha – se a água estiver amarela, é provável que na verdade seja urina. Também evite beber água dentro de sapatos ou penicos.

Se você estiver numa situação extrema, como, perdido no deserto do Saara e encontre milagrosamente um oásis, tenha certeza que a água é de boa providência, se ela tem o certificado da Sabesp. Caso o contrário, prefira a morte por desidratação.


Eu queria saber como cortar as unhas em segurança – Hugo Bartolomeu, Penápolis-SP.
Prefira cortadores de unha ou tesouras próprias para esse fim. Evite cortar suas unhas com motosserra, machados e laminas de barbear. Também evite cortar unhas com raio laser, caso você não saiba manusear um aparelho de raio laser. Se você for cortar a sua unha, lembre, corte apenas a unha. Evite cortar seus próprios dedos, seus membros inferiores ou seus órgãos genitais. Caso algum acidente aconteça, não espalhe fezes por sobre os machucados.

CH3, obrigado pelo espaço, eu queria saber como fazer para participar de um duelo estilo faroeste sem risco de morte por contaminação com bactérias – Joaquim Jéssejaimes Nabuco, Colniza-MT.
É preciso tomar cuidado. Balas de revólver são um risco em potencial para infecção bacterianas. Faça um trato com o seu oponente e certifique-se que todas as balas estarão esterilizadas. Carregue antissépticos para casos extremos. Tiros de AK-47 no coração podem provocar uma série infecção, levando ao óbito, se as capsulas não estiverem higienizadas.

Olá, gostaria de saber a melhor maneira de andar – Roberta Santana, Jaboatão dos Guararapes-PE.
Andar é uma complicação. Nos tempos atuais, com tantas bactérias nos cercando, nós temos que ter as vestimentas adequadas. Em hipótese nenhuma, repito, JAMAIS ande descalço. Esteja pelo menos com um chinelo, mas o mínimo ideal é que você esteja de sapatos e meias, esterilizadas. Prefira um escafandro, claro que esterilizado, ou uma roupa de astronauta para esportes que exigem leveza nos movimentos. Fora isso, lembre-se do básico: um pé de cada vez. Tentar movimentar os dois pés ao mesmo tempo pode levar você a uma queda num chão cheio de microorganismos.

Agradecemos aos nossos fieis leitores pelos seus questionamentos, sempre pertinentes. Continuem enviando suas dúvidas, que nós estamos sempre prontos para vos atender.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Um dia sem tecnologia

Por algum motivo, não sei dizer que motivo é esse – estou desinformado, vários meios de comunicações reproduziram matérias sobre o vício na internet. Os produtores encontraram diversos personagens, aquelas pessoas que faltam no aniversário da mãe para participar de um chat, que rejeitam experiências sexuais com panicats para administrar sua fazenda virtual, que deixam de se alimentar para catalogar o redtube.

Estas pessoas foram desafiadas. As televisões retiraram suas luvas e deram um tapa na cara deles. “Você consegue ficar 24 horas sem ter acesso a tecnologia?”, perguntaram. Várias pessoas aceitaram a proposta com um ar de desdém. Depois, seus relatos mencionam ataques epiléticos, momentos de contorção com falta do Twitter. Vários se jogaram contra as paredes em busca de um mínimo contato visual com um celular.

Nós aqui do CH3 também resolvemos passar por essa experiência. Tudo em nome do bom jornalismo e do compromisso com os nossos leitores. Só que nosso desafio é mais extremo, porque facilidade é coisa de viadinho. Pegamos um conceito mais abrangente de tecnologia. Levantamos um referencial teórico sobre o assunto. Lemos Marx, Habermas, Focault, Guattari, Deleuze e José Sarney, montamos um projeto, protocolamo-lo em um RH aleatório, junto com cinco tampas de margarina e uma resposta boa para uma pergunta aparentemente simples.

O desafio começou a meia noite. Horário no qual eu já estava dormindo. Pensei que poderia ser difícil acordar de manhã cedo, pela ausência de um despertador. Engano meu. Acordei às quatro da manhã, com calor e sendo devorado pelos mosquitos. Sim, a luz elétrica não deixava de ser uma tecnologia.

Sai para ir ao trabalho. Eu não poderia pegar meu carro nem nenhuma forma de transporte motorizado. Para piorar, tive que pular o muro da minha casa, porque não poderia utilizar uma chave. Em três horas eu consegui chegar até o meu trabalho. Isso porque consegui montar um cavalo durante um quilômetro. Nunca mais reclamo da meia hora que levo usualmente.

Cheguei no trabalho quase na hora do almoço. Ou, no meu ex-trabalho. Afinal, eu havia sido demitido. Tentei argumentar que este era um desafio ao qual eu estava me propondo. Qualquer justificativa caiu por terra quando ele me perguntou porque eu estava nu. Foi só aí que eu percebi isso. E só aí que eu entendi porque pessoas gritavam quando me viam, porque tentaram me linchar algumas vezes e porque eu precisei fugir da polícia.

Era hora de almoçar. Precisava arrumar alguma coisa para comer. Procurei algum bosque onde eu poderia caçar algum animal com minhas próprias mãos. E digo “mãos” mesmo. Nada de lanças, flechas, redes ou similares. Claro, não consegui nada. Claro, morri de fome. Ou não, só consegui comer algumas mangas caídas pelo chão.

Foi então que eu desisti dessa merda. Assumi o meu fracasso e mandei todo mundo se foder. Roubei a roupa de um mendigo que pegava carona, peguei um taxi e liguei o computador. Vejo por aí, um monte de pessoas cheias de fezes na bunda falando que suas experiências foram reveladoras e transcendentais. “Ai, fiquei 24 horas sem usar a internet”. Grandes Coisas!

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Experiências de quase morte

A notícia correu o mundo na semana passada. Um inglês, nascido na Inglaterra, que era jogador de rúgbi sofreu um Acidente Vascular Cerebral. Ao acordar, ele descobriu ser gay. Antes ele era um praticante de um esporte viril, bebia cerveja com os amigos e fazia comentários libidinosos sobre mulheres. Quebrou o pescoço, teve o AVC e passou a observar os braços do médico que o atendia. E virou cabeleireiro.

Segundo o cidadão, conhecido como Chris Birch, foi tudo automático. Ele diz que na hora em que acordou no hospital, percebeu que era definitivamente gay. Algo estranho. Será que na hora que ele acordou ele disse: (trecho censurado pela polícia politicamente correta).

Em toda a Grã-Bretanha, em todo o Brasil e em todo o mundo as reações foram unanimes. Pessoas riam de Birch. Olhavam para seu caso e diziam “bichona enrustida! Que desculpinha que arrumou pra dar a bunda!” ou ainda “ah, achou que ia morrer e resolveu se revelar para não ficar com peso na consciência! Baitola!”. No entanto, casos como o do ex-jogador de rúgbi não são inéditos.

Experiências de quase morte intrigam a ciência há tempos. Existem diversos relatos de pessoas que sofreram paradas cardíacas, ou que estavam em coma, e que dizem se lembrar de sair do corpo. De flutuar e ver os médicos ao seu lado, a família chorando do lado de fora, o taxista dormindo no ponto de táxi da esquina, o vendedor de picolé do outro lado da rua saindo do banheiro sem lavar a mão.

Tais relatos, é claro, também despertam a ira dos céticos de plantão. Que começam a quebrar mesas e bradar palavras de ordem. Mas enfim, a verdade é que existem diversos relatos de pessoas que mudaram seu comportamento incrivelmente após ter essa experiência de quase morte. Seria o choque traumático da experiência? Alguma alteração física? Ou uma desculpa de viado? A resposta, no próximo Globo Repórter.

Consultamos ele, Alfredo Humoyhuessos, o cientista e flautista mágico colombiano. A enciclopédia viva. Perguntei a ele como é que se escreve o seu sobrenome, porque eu sempre confundo e escrevo de qualquer jeito. Ele me respondeu, mas eu já esqueci.

Ele começou a citar vários casos presentes na literatura médica e na literatura maldita. Contou de um cidadão que costumava a espancar mendigos, sofreu um AVC, passou sete dias em coma e na volta a vida descobriu que era gay. Citou de um pedreiro que tinha dezenove filhos, um tijolo caiu na sua cabeça e ele sofreu um AVC. Após vários dias em coma ele descobriu ser gay.

Perguntei qual era a relação entre sofrer um AVC e virar gay. Ele me respondeu com duas palavras em um sotaque castelhano que jamais havia percebido “imprensa inglesa”. De fato fazia sentido. Creio que 80% das notícias bizarras do mundo foram noticiadas pioneiramente pela imprensa sensacionalista britânica. Casais que se vestem de cachorro, homens que engolem baratas vivas. Sempre no Daily Mail.

Será que a Inglaterra é um país mais propício as bizarrices? Será que os jornalistas que pedem para que deus salve a rainha tem um faro melhor para esse tipo de notícia? A resposta no próximo Globo Repórter.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

O Agente Puxador de Palmas

Dom Pedro I se virou ao público e disse “se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, diga ao povo que eu fico”. Foi aplaudido calorosamente. Testemunhas contam que em alguns lugares chegou a se escutar o coro de “Olê, olê, olê, olê, Pedro, Pedro”. Daí em diante, foi um passo para que o Brasil conquistasse a sua independência e para que o homem chegasse a lua.

E o momento chave desta grande história não foi a histórica frase de Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon. Até foi. Mas, uma frase não seria uma grande frase se não fossem as palmas. As palmas é que comovem, as palmas é que criam o clima para o momento histórico.

Imagine se este momento fosse seguido por um absurdo silêncio. Se as pessoas que andavam na rua apenas olhassem para aquele homem de barba excêntrica e seguissem o seu caminhar com desprezo. Imaginem. Até hoje seriamos uma colônia portuguesa, escutaríamos fado, torceríamos por Cristiano Ronaldo e a cura da AIDS não teria sido descoberta.

Pense então na importância do sujeito que puxou as palmas para Dom Pedro. Sim, porque as palmas não começam espontaneamente. Há um cidadão que começa primeiro. E assim que ele começa, a multidão o segue. Este cidadão tem a coragem de se manifestar e leva em sua esteira ensurdecedores aplausos anônimos.

Há casos simples. Em uma simples palma já acende a fagulha ovacional. Mas existem os casos difíceis. Aqueles em que o cidadão começa a aplaudir e pode ficar por minutos assim sem ser acompanhado. Até que as pessoas se convençam de que os aplausos eram merecidos e assim a revolução poderá começar.

Mas é claro. Existem situações complicadas. Aquelas nas quais você começa a bater palmas e ninguém o acompanha. Ninguém. Você fica pateticamente batendo palmas como se fosse um ser execrável. Algumas pessoas passam por isso várias vezes em suas vidas.

E não digo aqui que sejam as pessoas que tem o sonho de puxar aplausos. Elas existem e vivem suas vidas em busca desse ideal de decepções e glorias. Mas, existem os puxadores de aplauso profissionais. Ou, como queira o Jamelão, os interpretes de aplauso.

São pessoas que ganham dinheiro para isso. Sim, essa profissão existe. Você pode pensar “porra, mas que forma fácil de ganhar dinheiro”. Mas não é. Um bom puxador de aplausos precisa ter um feeling imenso. Uma energia espontânea. Precisa ser um quase Messias. Alguém que comova o público e veja legitimidade em seu ato.

Puxadores de aplauso consagram políticos, discursadores e charlatões em geral. Puxadores de aplauso constroem momentos históricos. Imagine que tenha sido um desses que consagrou Dom Pedro? Ou que tenha consagrado Martin Luther King? Que um deles tenha gritado “é isso aí!” e comovido a multidão. Onde estará seu deus se tiver sido assim? Heim?

Trabalhemos pela regularização da profissão. Por uma sociedade em que os aplausos sejam mais emotivos. Vale lembrar que com o advento da claque, a profissão caiu em desgraça e vem perdendo espaço.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Guia CH3 da Ressurreição

Para ressuscitar não é preciso morrer. Não no sentido fisiológico da palavra. Morrer, hoje, é diferente da morte nos tempos a.C. Antes, você precisava tomar um tiro, ser esfaqueado, sofrer uma parada cardíaca, engasgar com uma ervilha, ser atropelado por búfalos para morrer. Hoje, a morte pode estar no esquecimento, puro e simples. No chip do seu celular queimando, no limbo da memória coletiva.

Quando você estiver num momento assim, é possível ressurgir. Sem dramas. É um caminho fácil. Volte a viver através da Rede Globo.

1) Ninguém se lembra mais de você. Você é um velho e outras pessoas fazem aquilo que você fazia de maneira melhor. Ou, pelo menos, com mais destaque. Você está morto rapaz. Aceite isso. A aceitação faz parte. Anuncie então que é impossível continuar a frente, que você está tirando o seu time de campo.

2) Vá até o seu quarto e tome uma overdose de uma substância qualquer. Estricnina, toddynho ou tampa de caneta BIC.

3) No dia seguinte, seja internado na UTI de um hospital. Prestes a morrer, você irá virar mártir. Pessoas descobrirão que sentiam sua falta. Assim que for confirmado que você vai sobreviver, este detalhe é fundamental, sorria em alguma entrevista coletiva.

4) Dê uma entrevista no Programa do Jô. Uma entrevista redentora em que as pessoas perceberão as múltiplas facetas de seu talento.

5) Agora é a hora de aparecer no Faustão. Encarar suas camisas multifacetadas e seus bordões clássicos e irritantes.

6) Na segunda-feira é hora de aparecer no programa da Ana Maria Braga. Hora de abrir o seu coração acompanhado por brioches e piadas de um boneco falante. Se por algum acaso, um filme sobre você exista, essa é a hora dele ser apresentado na Tela Quente.

7) Cante o hino nacional em um jogo de futebol.

8) Apareça no programa Bem-Estar onde seu drama servirá de exemplo. Os cuidados que devemos ter com as canetas BIC. Elas podem matar? Como?

9) Seja tema de um Globo Repórter.

10) Seja o convidado especial do Zorra Total.

11) Morra novamente e tente voltar até o primeiro passo.

Qualquer semelhança das situações descritas acima com a vida real é uma mera coincidência.

Este texto, publicado no dia 11/11/11 teria que ser postado as 11:11 mesmo.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Safra Específica

Os especialistas no CH3, acredito que existam muitos, são capazes de reconhecer a época de um texto deste blog facilmente. Logo ao ler as primeiras linhas eles pensam “esse é do Gressana”. E vendo o conteúdo, as expressões, acertam a data. Facilmente notam que estão diante de um Tackleberry safra 2008. Percebem notas claras de surrealismo, influências marcantes de Zorra Total ou resíduos de Shakespeare.

Colocam traços biográficos na análise do texto. Percebem uma profunda depressão a partir do tamanho dos parágrafos escritos por Vinícius e atribuem a essa depressão a sua fase de trabalho em uma agência publicitária. “Nessa época ele trabalhava até as duas horas da manhã e se alimentava apenas com pizza barata”.

Ok, creio que existe a possibilidade que estes especialistas não existam. Pelo menos não em relação ao CH3. Porque em relação a muitas outras coisas, eles estão lá. Há quem classifique um verso de Machado de Assis por uma palavra. Saiba o ano, o local e provavelmente se estava chovendo enquanto ele escreveu.

O caso mais famoso dos especialistas exímios de coisas mínimas é dos apreciadores de vinho. Eles podem ser jogados com os olhos vendados no porta-malas de um carro que irá circular pela cidade até um porão desconhecido na periferia. E lá, com os olhos ainda vendados e escutando os sucessos de Luan Santana, lhe oferecerão um vinho.

Mesmo com toda essa situação adversa, o especialista em vinhos irá saber o nome do vinho, a safra, o ano, o tipo de uva. O lugar em que foi armazenado, se ele foi pisoteado ou esmagado em modernas máquinas esmagadoras. Se essa máquina tinha ferrugem ou se a mulher que pisou tinha joanetes. Se cachorros urinavam nos troncos que sustentavam as parreiras.

Existem pessoas que reconhecem se a carne era de boi ou de vaca. Se esse boi teve uma infância feliz, se corria por verdejantes colinas ou se recebia chutes nos testículos. Pessoas que conseguem enumerar os temperos do molho da macarronada. Um por um e se estavam frescos ou não.

O mesmo ocorre com os sotaques. Há quem ao escutar um nordestino, perceba que não é apenas um nordestino. Que ali está um legitimo sotaque potiguar. E mais, característico de Mossoró. Muito provavelmente, a pronuncia do R nos remete para origens na Rua III, do outro lado da ponte. Provavelmente na casa da Dona Marta.

Claro que alguns erros podem acontecer. As vezes, você pode achar que está diante de um Ojo de Toro 83, colhido por virgens laosianas. Mas, na verdade, tomou só um copo de mijo de vaca.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O Quarteirão do Funk

As imagens são claras. O carro para em algum ponto da Avenida Getúlio Vargas, uma das mais movimentadas de Cuiabá, o ponto de encontro da noite cuiabana, uma das 7 mil avenidas Getúlio Vargas de nosso país. O carro para próximo a algumas meninas. E logo elas começam a dançar funk. E não é uma dança qualquer. É uma dança que faria o autor de “Lambada: a dança proibida” chorar em posição fetal durante um mês.

Em certo momento, uma menina apóia os dois braços no chão e começa uma acrobática posição. O que poderia ser uma apresentação solo de uma pervertida qualquer logo se transforma em um trenzinho exótico. Outra mulher se apóia sobre a primeira. Um homem vem por trás, simulando o coito. Outra mulher por trás do homem. Outro homem por trás desta mulher.



A impressão é que quantos homens e mulheres se aproximassem, todos seriam capazes de se equilibrar neste trenzinho/torre sexual. Uma posição que desafia as leis da física, as leis da constituição e tudo o mais. O vídeo continua, com as mulheres conseguindo esfregar a bunda em todo e qualquer lugar possível, se equilibrando de todas as maneiras possíveis. Algo surpreendente.

É claro que um material deste, com tão farta carga de sacanagem se popularizaria na internet. Comentários se dividiam. Pessoas achavam graças, outras sentiam vergonha de Cuiabá. Filas se formavam nos aeroportos de Cuiabá, de pessoas querendo sair deste lugar, ao mesmo tempo em que filas vinham no sentido oposto. Pessoas loucas que pensavam “isso que é lugar, isso que é lugar”. Em algum lugar, Diogo Mainardi sorria e dizia que pagaria R$ 10 mil para não vir para cá, uma pechincha.

Uma matéria televisava alertou que não é apenas o funk que perturba os moradores da região. O local, conhecido como “Quarteirão do Funk”, é marcado por festas com som alto, drogas e assassinatos. Uma moradora relata que os funkeiros arrancam as árvores da região e tudo o mais. Um terror. Verdadeiros maníacos da motosserra-serra-ra.

O que temos como análise, é que finalmente Cuiabá conseguiu. Entramos no rol das potencias nacionais da putaria. Mostramos que nosso povo é capaz de organizar orgias nababescas ao ar livre. Que somos capazes de ruborizar a sociedade conservadora e causar polêmica nas redes sociais.

É um longo trabalho. Longe estão os tempos em que dividíamos nosso espaço urbano com jacarés, tuiuiús, araras, onças, jibóias, sul-mato-grossenses. Hoje nosso povo pode ter acesso às sacanagens mais modernas, em pontos acessíveis da cidade. Não precisamos nos distanciar para observar orgias. Elas estão ali, pertinho da gente, numa avenida movimentada. O cidadão médio pode participar de um trenzinho erótico-acrobático com facilidade.

Se continuarmos progredindo, chegaremos a níveis ainda mais sofisticados de putaria. Podermos observar coquetéis podolátras no centro da cidade, ao meio-dia. Anões poderão se besuntar em pontos de ônibus. Atrizes e atores pornôs em potencial poderão desfilar em nossa rua com autoridade. Transformaremos-nos na Meca da Sacanagem, deixando municípios como Livramento, Goiânia, Punta Del Este, Ibiza e Las Vegas para trás. Alcançaremos o topo da vadiagem mundial.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

A difícil missão de ser entrevistado por Jô Soares

- Boa noite! Neste programa eu vou entrevistar ele, que é pai-de-santo, estudante de direito, cafetão e ex-centroavante do Flamengo. Pai Jorginho de Ogum, vem pra cá!
(A banda toca. Jô Soares faz um gesto e eles param. E começa a conversa).
- Pai Jorginho, você está promovendo a casa de diversão noturna Carnicentas. Como é que essa história.
- Bem, começou quando eu e o Marcão...
- Grande Marcão. Grande amigo meu, nós já saímos juntos na turnê da minha peça em 1977. Ele tem uma presença de palco, um feeling tão grande, ele é contagiante.
- Pois é... a gente tava no Café Leblon...
- Eu adoro o Café Leblon. Sabe que o Luizinho, o primeiro dono de lá, é super amigo meu. E ele tem uma curiosidade. Ele morre de medo de avião. Uma vez, ele tava voltando de Varsóvia, uma cidade maravilhosa, e foi processado por assédio sexual, porque ficou segurando a mão da mulher do lado. Mas era medo! Imagina a situação, o Luizinho, daquele tamanho, segurando a mão da mulher e ela dizendo “sai daqui seu tarado!”.
(Risos)
- Pois é... enfim, a gente resolveu montar uma casa de diversão noturnas...
- Um puteiro.
- É, um... prostibulo...
- Puteiro (risos). Não sei porque as pessoas tem esse pudor. Parece que é um crime falar, mas é um puteiro. Agora, como é que funciona, vocês só trabalham com mulheres leprosas?
- Não, nem sempre...
- Sabe que eu passei boa parte da minha infância visitando um leprosário em Barbacena. Eu tinha um tio que era médico e eu passava sempre por lá. Sabe o que eu não me esqueço? Da comida de lá. É sério gente. Tinha um arroz com abóbora que era simplesmente sensacional. E, lá na carnicentas, vocês servem comida também. Fora as meninas? (risos).
- Sim, temos alguns pratos...
- Falando nisso, em comida de puteiro, sabe que eu já fiz um quadro sobre isso? No meu programa. Foi uma parceria com o lendário Charles Chaplin. A gente recuperou esse quadro para passar aqui.
(quadro de 1950).
- Sabe o que é mais engraçado? É impossível trabalhar com o Charles. Ele, sempre tão brincalhão, uma pessoa fantástica que interpretava meus textos brilhantemente, sabe o que ele fazia? Colocava areia na minha comida. E eu cai nesse truque várias vezes. Mas, depois eu me vinguei. Mas isso eu não vou contar aqui... (ahhhhhhhh), não, não vou contar gente, não adianta insistir (ahhhhhh), tudo bem. Mas só porque vocês pediram muito. Eu coloquei cola na cueca dele. Ele morreu de rir também, saudoso Carlitos. Mas conta, que história é essa de ser pai-de-santo?
- Bem, eu trabalho como...
- Sabe que eu já fiz um quadro em que eu era um pai-de-santo? Vamos mostrar aqui.
(novo quadro)
- A inspiração para esse quadro foi meu grande amigo Walter Mercado. Mas me diga, você já acertou alguma previsão?
- Sim, algumas.
- Então me diga, porque vocês não acertam o número na mega-sena? Tão mais fácil pra vocês! (Bira ri). Deve ser mais fácil do que jogar no Flamengo, não é mesmo?
- Bem...
- Eu tenho um tio, que foi fundador do Flamengo e depois diretor. Sabem, eu sou Fluminense, mas na família nem tudo é perfeito. E ele me contava muitas histórias da pressão da torcida.
- Pois é...
- Bem, eu conversei aqui com Pai Jorginho de Ogum...
(ahhhh)
- ... eu também adorei. Me dá um beijo aqui. Muito obrigado, Beijo do Gordo e até amanhã!

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Atalhos

Se há alguma coisa da qual um ser humano se orgulha, esta coisa é conhecer atalhos. E aqui não falo sobre as melhores maneiras para se burlar a lei. Bem, até reconheço que as pessoas também se orgulham disso, mas não é sobre isso que eu falo. Falo mesmo dos atalhos físicos, dos melhores caminhos para se chegar ao lugar x, partindo do lugar Y, onde você está.

(parentese dejavú. Tenho a impressão de que já comecei pelo menos uns 30 textos do CH3 desta maneira "se há algo, este algo é isso. E não aquilo, mas isto. Sim, pode ser aquilo, mas é isto. E isto é isto")

Pessoas são capazes de discutir horas e horas sobre os melhores caminhos, os mais rápidos, os menos convencionais. Falam com propriedade sobre vielas, becos, trilhas e ruas sem carros. De tal maneira que quem é adepto de um caminho simples, uma linha reta, congestionada, mas reta, acaba por se sentir um loser. Um fracasso da humanidade.

Esses dias, por exemplo, eu estava na rua do Córrego do Barbado e precisava ir até o shopping. Só há um caminho para fazer isso. Aliás, existem 700 mil caminhos, incluindo um no qual você vai Ushuaia e volta, mas apenas um caminho lógico. Segue a rua até o final, passa por dois semáforos, faz o contorno, entra na rua do shopping. Sim, é congestionado. Você até imagina que se um atalhista te vê ali, ele te julgará um retardado.
- Não cara, pegar a rua do Córrego é furada. Você devia vir por trás.
- Mas eu estava numa loja lá.
- Pô, então você devia ter vindo por dentro do Jardim Tropical, parava o carro na rua de trás e ia a pé. Poupava um tempão na volta.

Quando dois atalhistas se juntam em uma discussão sobre melhor caminho, eles podem partir até para a discussão física.
- Então, ai ao invés de pegar pela Avenida do CPA, eu vou pela Morada do Ouro.
- Ah, mas chega lá, você pega aquele congestionamento naquela rotatória. Sabe o que você faz? Pega aquela entrada de terra antes, tem o espaço certinho pra passar o carro entre o arame farpado. Você segue reto, é uns 10 quilômetros de terra. Você já saí lá na frente no Jardim Itália.
- É, mas ali, vez por outra, na hora de descer o barranquinho pra voltar pra pista, você encontra um carro na contramão. Ai você faz sabe o que? Segue mais um pouco a esquerda, cruza um riacho, agora tá seco, dá pra passar tranquilo, você saí lá na estrada de Acorizal já. E aí é tranquilo.
- Mas as vezes, você acaba pegando uma moto no caminho... e sabe como moto é foda né. Ai, ao invés de vir reto, você vê se aquela casa tá com o portão aberto. Ai você corta caminho por dentro da casa do cara. É só passar com cuidado pra não arrancar a roupa do varal dele.
- Quando eu to de moto, eu passo por dentro da cozinha. Uma vez quase atropelei o cachorro dele. Ai, se você aproveitar, você já passa pela cerca e vai no vizinho. Você corta um puta caminho, já saí lá em Brejinho.
- Pô, mas aí ao invês de vir pela estrada, corta pra dentro, e vem por cima do mato. Cuidado só pra não atropelar as capivaras.
- Ah, isso aí é burrice cara. Compensa muito mais vir pela estrada e pegar aquele desvio em Porto de Fora.
- Nada, no meu caminho é bem mais rápido. Nesse seu, uma vez eu já vi uma bicicleta na estrada. Perdi muito tempo. No meu caminho eu demoro só 4 horas só pra chegar em casa.
- Então, no meu nem chega a isso. Saio daqui 6 e pouquinho... antes das 10 eu to em casa.
- É. Mas, de qualquer forma é melhor do que pegar esse trânsito absurdo. Esses dias meu filho veio me pegar, pegou o caminho aqui da Miguel Sutil. Demorou 50 minutos, nesse monte de carro... Não dá... Falei pra ele "você tem que aprender a sair desses congestionamentos pra ir mais rápido".