segunda-feira, 25 de julho de 2016

Terroristas do Whatsapp

A Polícia Federal deflagrou na semana passada uma operação que prendeu uma dezena de terroristas que atuavam em solo brasileiro planejando atentados durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Segundo as investigações, esse grupo difuso espalhado pelos mais diversos cantos do Brasil, planejavam suas atividades nos meios virtuais, utilizando principalmente o Whatsapp.

Em um esforço jornalístico, o CH3 teve acesso ao relatório que monitora essas atividades e conversou com algumas das vítimas da quadrilha pretensamente islâmica. As investigações comprovam que o grupo era realmente perigoso e estava disposto a inaugurar uma era de terror no território brasileiro.

O relatório aponta que no dia 17 de março de 2016, o líder do grupo, Jardel El Haddad Castro criou um grupo chamado “Vigília Brasil”. Ele adicionou outros integrantes da organização, como o perigoso Robert El Kadri Arruda, Fernando Bin Tariq Oliveira e Carlos Al-Owairan Nogueira. Logo, Jardel El Haddad repassou imagens do crepúsculo acompanhadas de mensagens motivacionais. Jardel ordenou “repassem a todos os seus contatos”.

Robert El Kadri respondeu logo depois afirmando que havia cumprido a missão. Fernando Bin Tariq questionou se o grupo da família deveria ser poupado e Robert respondeu que não. “É justamente no grupo da família que nós temos que começar, que nós precisamos massificar essa questão”, disse friamente.´
Os terroristas cuspiam nas pessoas e depois afirmavam que tinham caxumba
O grupo rapidamente diversificou suas ações. Em pouco tempo eles começaram a mandar áudios de 11 megas para os seus contatos. “Insista com seus contatos até eles ouvirem”, dizia Jardel El Haddad. Os áudios continham vozes de crianças contanto piadas repletas de trocadilhos. Mais uma vez, Robert El Kadrid se mostrou o mais violento de todos. “Se for o caso, compartilhe por e-mail”, também, mostrando que os terroristas muitas vezes utilizavam técnicas rudimentares.

No entanto, eles se mostravam atentos as movimentações do mundo moderno. Nem mesmo os recentes bloqueios contra o Whatsapp promovidos pela justiça brasileira interromperam as ações dos terroristas.

Joelton Lima de Andrade, amigo de infância de Robert El Kadri, colaborou de maneira anônima com as investigações. Ele topou falar com a nossa reportagem sem se identificar e contando com a confidência de que nós não informássemos que atualmente ele mora na Rua Amazonas 43, no município de Comodoro e dirige um veículo Fiesta placa OIQ-1291, uma vez que os terroristas são violentos e já fizeram ameaças contra a vida dele.

“Na última vez em que o Whatsapp caiu eu fiz como todo mundo e fui para o Telegram. E vinte minutos depois que eu baixei o aplicativo o Robert já estava lá me mandando passagens bíblicas ilustradas por fotos de pássaros. Eles eram muito rápidos”. As breves passagens do grupo pelo Telegram se mostraram ainda mais violentas. De acordo com Joelton, certa vez ele foi inserido no grupo do condomínio em que ele mora. “Eu ouvi dizer que eles invadiam grupos, se tornavam administrados e passavam a adicionar pessoas indiscriminadamente. Quando você ia perceber, já estava em 38 grupos diferentes”. O objetivo, afirma Joelton era recrutar pessoas para a causa islâmica. “Uma vez lá dentro, a única maneira de escapar era partido para o lado deles. Era uma espécie de sequestro-intelectual-virtual do qual não havia escapatória. Ou o crime, ou o isolamento virtual”.

O relatório aponta possibilidades sobre as ações que os terroristas planejavam para as Olimpíadas. O nosso colaborador anônimo Joelton acredita que o grupo não tem limites. “Provavelmente eles vão criar grupos e adicionar pessoas dentro deles e vão compartilhas várias memes com piadas sobre o salto com vara e outros esportes que possam ter algum trocadilho relacionado a objetos que podem ser introduzidos no ânus. Certamente eles vão encher tanto o saco do mundo que um dia o Estado Islâmico em pessoa vai resolver explodir isso aqui”.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Jornada de Trabalho

Na última semana, o presidente da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), um cidadão chamado Robson Braga de Andrade, chamou a atenção com uma proposta para que o Brasil supere o momento de crise econômica: flexibilizar as leis trabalhistas e ampliar a jornada de trabalho dos brasileiros para até 80 horas semanais. A jornada máxima de trabalho diário seria de 12 horas.

Robsou citou como exemplo a França, cuja queda na produção industrial levou o país pelo mesmo caminho das 80 horas semanais¹. Se você fizer as contas, perceberá que trabalhando 12 horas por dia, conseguiria completar 72 horas de segunda a sábado e ainda sobraria oito horinhas para arrematar no domingo. Realmente um projeto brilhante, que contará com o apoio de toda a classe trabalhadora.

Difícil entender o que Robson pretende provocando essa discussão. Talvez, ele queira que os trabalhadores empregados valorizem a sua sorte em um momento em que o desemprego aumenta. Fique lá no seu trabalho, trabalhando em dobro para compensar o seu benéfico patrão que lhe concede essa oportunidade de trabalhar.

Voltando novamente as contas das 80 horas, até um tempo recente trabalhar de segunda a domingo com jornadas de 12 horas tinha outro nome: trabalho escravo. Não me surpreenderei se nos próximos dias alguém sugerir a volta dos castigos físicos como forma de estimular o trabalhador e aumentar a produção brasileira, fazendo a economia se reerguer.

Sendo que uma semana tem 168 horas, trabalhando 80 horas semanais e dormindo outras 56, o trabalhador ainda teria 32 horas semanais para aproveitar. Contando que ele gaste uma hora por dia com refeições e outra hora diária com necessidades fisiológicas, restariam 16 horas, das quais nas grandes cidades, 14 seriam gastas com deslocamentos no caótico trânsito brasileiro. Sobram pouco mais de 15 minutos diários para realizar tarefas domésticas, ou fazer compras e movimentar o mercado.

No final, as pessoas comprariam cada vez menos coisas por ter pouco tempo para isso e enfim, seria o início da recessão.

O que fazer nessa situação? Para superar a crise as empresas passariam a ter que distribuir sua produção e em breve todos trabalhariam de graça, num sistema conhecido como comunismo. Ou então, poderiam voltar a praticar o bom e velho escambo, que funcionou muito bem na época da idade média.

Sempre soube que esses caras da indústria eram comunistas.

¹Mais tarde, Robson negou ter defendido a mudança na legislação. Ele afirmou que na verdade o que ele disse é que o Brasil precisa abrir sua mente para as mudanças e citou o exemplo francês² de maneira completamente aleatória, sem defender essa ideia.
²Não menos tarde, jornalistas atentos perceberam que Robson citou o exemplo francês de maneira equivocada. Na verdade, o país do Zidane apenas autorizou que as jornadas pudessem alcançar 60 horas, não 80 horas, em casos específicos e previamente autorizados pelo Ministério do Trabalho.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Operação Meme

Esse é o tipo de informação que parece falsa e que as pessoas terão muita dificuldade em acreditar, mas realmente existe um departamento dentro da Polícia Federal responsável por nomear as operações desencadeadas pelo órgão de segurança. Espertos como apenas eles, os PFs sabem que nos tempos atuais o sucesso do combate ao crime depende diretamente do impacto midiático do seu nome.

A operação Lava Jato, muito provavelmente não teria alcançado a sua 37ª etapa e descoberto crimes que remetem ao império romano se ela não tivesse um nome marcante.

No entanto, a Lava Jato é uma pequena exceção no mundo das nomenclaturas federais. As altas cabeças da instituição adoram exibir seu vasto repertório cultural e fazem referências que remetem ao império romano, passagens bíblicas, literatura clássica ocidental. Em que mundo nós teríamos informações sobre o que foram as Catilinárias?

Chegará um momento em que todas essas referências clássicas se esgotarão e precisarão ser substituídas por novos acontecimentos. Provavelmente baseados na produção cultural dos tempos atuais. E o que a humanidade melhor produz nos tempos de hoje? Memes. Chegará um dia em que as operações da Polícia Federal e demais órgãos de investigação serão nomeadas de acordo com memes da internet.

Logo no começo nós teríamos a Operação Comeu e Não Pagou, para investigar o tráfico internacional de mulheres para prostituição. A Operação Sanduíche-íche investigaria o contrato superfaturado com uma empresa fornecedora de alimentos para a Câmara Federal, como uma maneira de lavar dinheiro de propinas utilizadas para financiamento de campanhas eleitorais.

Teríamos a Operação Mamilos, para investigar um assunto polêmico. A Operação ET Bilu buscaria conhecer a verdade por trás de contratos de empresas estatais. A Operação Jesus Manero revelaria fraudes na prestação de contas de candidatos da bancada evangélica. A Operação Cecilia Gimenez investigaria fraudes em reformas mal executadas pelo poder público. A Operação Para Nossa Alegria revelaria alguma coisa, aí, que eu não estou bem certo agora.

Operação No Céu Tem Pão. Operação Rei do Camarote. Operação Eita Giovana. Operação 7x1 Eterno. Operação Nada Acontece Feijoada. Operação Taca-le Pau. Operação Dinofauro. Operação Já Acabou Jéssica (essa seria uma forma de dizer que determinado crime não ocorreria novamente). Operação Foda-se. Foda-se, foda-se, foda-se.

Acredito que os nomes não terminariam jamais, porque nós temos uma incrível capacidades de criar memes, muito superior a capacidade da PF de desencadear operações que coloquem a bandidagem na cadeia. Aguardo esse dia.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Uma ode para o DJ Teco

O DJ Teco surgiu na minha vida há muito tempo, tanto tempo que eu já não sei precisar exatamente quando. Ainda estava na faculdade quando Vinícius Gressana, sempre ele, relatou alguma experiência que ele vivenciou com o referido DJ. Não sei exatamente se Gressana esteve em uma festa que tocava músicas com o DJ Teco, em um carro que tocava essa música, se tinha um CD ou se manteve algum tipo de relação sexual com o animador de baladas. Fato é que Vinícius conhecia o trabalho do artista famoso por seu slogan - podemos chamar isso de slogan? – “DJ Teco: só toca as melhores”.

Eis um slogan simples e imbatível, porque o que geralmente esperamos de um DJ é que ele toque as melhores. Um DJ que só toca as piores seria um extremo fracasso, por mais que saibamos que os conceitos de pior e melhor, quando relacionados à música, são muito complexos.

Fato é que DJ Teco cresceu no nosso imaginário, no entanto, jamais comprovamos sua existência. Nunca saberíamos se Vinícius inventou um personagem, um amigo imaginário ou imaginou ter escutado seu nome e seu trabalho durante uma viagem com ácido nas muitas festas raves que ele frequentou em sua juventude alucinada.

Eis que nessa semana eu estava na academia e enquanto fazia os exercícios a trilha sonora era mais ou menos a mesma de sempre. Umas músicas pop do momento, sempre com batidas eletrônicas que eu não sei julgar se elas são a versão original ou algum remix feito por uma pessoa qualquer. Até que repentinamente no meio de um trecho instrumental soa a mensagem: "D-D-D-DJ Teco".


Aquilo foi como uma mensagem divina, como se Deus tivesse aparecido para mim naqueles autofalantes. Em um primeiro momento não acreditei que fosse verdade, até que ao fim da música o nome do DJ Teco voltou a ser repetido. De fato, ele existia. Vinícius esteve certo o tempo inteiro.

Fiquei um tempão aguardando que seu inestimável bordão, ou estilo de vida talvez, fosse repetido. No entanto, em nenhum momento a Voz afirmou que DJ Teco só tocava as melhores. Fui convidado a entrar no seu Facebook /DJTecoOficial, a anotar o seu número de telefone para eventuais convites para festas, eventos, almoços dançantes, programas casuais. Acima de tudo, conheci o seu novo slogan: "Com DJ Teco, você vai dançar sem parar". Sempre afirmativo esse homem. Que homem.

Vejam bem, é claro que eu entrei no seu Facebook e fiz isso enquanto ainda estava na academia. Descobri que ele está em um relacionamento sério com uma mulher, o que afasta o interesse das pessoas que ficaram interessadas com toda esse testosterona a serviço da dança ininterrupta. O rapaz é comprometido, sobretudo com a sua arte.

Anoitei o seu número, vi que ele tem Whatsapp e agora passo os dias pensando se mantenho algum contato com ele ou se mantenho um distanciamento saudável de fã, apenas um admirador do seu trabalho. Pensei em adicioná-lo em todos os grupos de Whatsapp dos quais eu sou moderador, mas felizmente lembrei que eu não sou moderador de nenhum grupo e que essa é a última coisa que eu desejo para minha vida e espero que enquanto eu seja vivo eu jamais tenho que cumprir essa ingrata missão de adicionar alguém em um grupo de Whatsapp e acabar com a vida da pessoa. Principalmente com a do DJ Teco.

Fiquei muito feliz em saber que DJ Teco realmente existe, o que comprova que durante todos esses anos, por mais que os fatos nos sugerissem exatamente o contrário, Vinícius Gressana mantinha parte da sua consciência mental em pleno funcionamento e ainda tem alguma noção sobre o que é o mundo real e o que é o virtual. Quanta felicidade.

Nos dias seguintes, a música de DJ Teco - que vai fazer você dançar sem parar - continuou tocando na minha academia. Claro que eu não dancei. Ainda não sei distinguir se é mais de um disco, de uma playlist, ou se é a mesma de sempre porque eu não adquiri a capacidade ainda de diferenciar uma música eletrônica da outra. Mas, acredito que a repetição da música na academia seja algum sinal de uma parceria, uma amizade dele com os empreendedores do local. O que indica que DJ Teco pode estar mais perto do que eu imagino.

Vida longa para este homem.