terça-feira, 30 de março de 2010

Pequenas Teorias Sobre a Vida

Ao longo de nossas vidas, criamos pequenas teorias empíricas sobre a vida e tudo que a permeia. Eis algumas que eu elaborei.

Animais escrotos: Não faz muito sentido dividir o reino animal em tantos filos, classes, ordens, famílias, gêneros e espécies. Seria muito mais fácil dividir a classificação em “animais escrotos” e “animais normais”. Você bate o olho num pepino do mar e diz “escroto”, olha uma bolacha do mar e diz “escrota”, olha um participante do Big Brother e “escroto”. Em compensação vê um cachorro, gato ou borboleta e diz “normal”. A vida seria muito mais fácil.

Genética é uma merda: Pode reparar. Você herdou todas as coisas ruins da sua família. Se você tem calvície, diabetes, problemas cardíacos, respiratórios ou alérgicos, pode ter certeza – você herdou isso do seu pai, mãe, tio, tia, avó ou até mesmo de algum primo. Você nunca chegará no médico e ele te dirá “que sorte! Seu sistema circulatório é perfeito, tal qual o do seu pai”. E ah, tenha certeza que você também irá sofrer com genes recessivos combinados. A genética está aí apenas para te sacanear.

Tem pai que sacaneia: Existem pais que sacaneiam. Não falo de espancamentos ou coisas parecidas. E sim sobre dar nomes. Gilvaneisson, Acleysson, Junamartina, Greicyanne Cristina. Um pai tem que ter muita maldade dentro do seu coração para escolher um nome assim. Tem que ser muito sacana.

O problema do Brasil é o Flamengo: Não preciso explicar mais.


Matemática é doentia: Todo mundo que gosta muito de matemática vive em um mundo paralelo. Convive com sistemas, logaritimos, numeros imaginários. Quer algo mais autista do que um número imaginário?

Creio que vocês também criaram ao longo das suas vidas, as suas próprias teorias. Compartilhem-nas conosco. Quem sabe não lançamos nossa própria enciclopédia, ou quiçá um segundo post sobre o assunto.

domingo, 28 de março de 2010

Dia mundial do vem vamos embora

Acho que a culpa é da internet e da integração mundial que ela promove. Se há 20 anos você quisesse combinar alguma coisa com uma pessoa do Japão, do tipo, passar um dia comendo apenas arroz, seria uma dificuldade. Você teria que ligar para a pessoa, combinar horários e... reunir um grande número de pessoas dispostas a realizar essa tarefa seria um problema. Você teria que ir atrás das pessoas.

Era difícil ter essa simultaneidade. Hoje com a internet e as comunidades de relacionamento virtual, as coisas são mais fáceis. Você pode lançar uma coisa na internet, divulgar aleatoriamente e as pessoas poderão ficar sabendo, sem que você saiba que elas sabem. Existem aqueles casos do flash mob. Consiste em um bando de desocupados que marcam, por exemplo, ir as 15h45 no semáforo do shopping e enquanto atravessam a rua gritar “Urra!”. Eles vêm do nada, fazem o ato e somem do nada. Quem observar aquilo vai entrar em estado de “que porra é essa?”.

Esses eram, claro, atos bizarros e que não traziam nada de útil para a sociedade. Você pode até dizer que o objetivo era intervir no espaço urbano. Mas, isso não tem tanta importância assim.

As pessoas começaram então, a usar a internet para fazer outros atos do tipo, só que bem maiores. Teve o histórico caso das pessoas que iriam pular simultaneamente em tal hora do dia, para mudar o eixo da terra é com isso diminuir o aquecimento global. Tivemos ontem a hora do planeta, hora na qual todos deveriam desligar suas luzes para refletir sobre o aquecimento global, também.

É capaz de que várias pessoas tenham se sentido arrepiadas ao olhar a janela do vizinho e ver que ele estava com a luz apagada. Os barulhos dos interruptores sendo desligados foram o eco da nação imaginada. Certo que ninguém se emociona ao ver que a cidade está escura porque a luz acabou. Mas, enfim.

Esses são exemplos mais simpáticos. O que me motivou a esse post, o que me suscita as mais variadas dúvidas são os “dias mundiais sem...”. Você já deve ter visto, essas coisas vivem aparecendo nos TTs do Twitter. Primeiro foi o Dia Mundial sem carro. Dia no qual as pessoas deveriam assumir seu lado masoquista e ir trabalhar em ônibus ainda mais lotados, ou talvez a pé, num treinamento para maratonista. Ou, quem sabe, de bicicleta. Aqueles que sobrevivessem ou que não passassem mal com o esforço ganhariam estátuas.

Veio então o Dia Mundial Sem Carne. Ai eu parei. O que mudaria na vida de alguém, ser vegetariano por um dia? Vi uma frase no Twitter que é a que melhor resume essas manifestações. Em uma livre adaptação era algo como “Esses dias estão para a consciência ambiental, tal qual a Copa do Mundo está para o patriotismo”.

Mas bem que poderiam existir outros dias assim. O Dia Mundial Sem Sexo, que renderia muitas piadas de pessoas que já costumam a viver assim. O Dia Mundial Sem Futebol, que já é conhecido como “segunda-feira” ou até mesmo o Dia Mundial Sem Música Sertaneja, que para mim seria conhecido como “o dia mais feliz do ano”.


E você, tem alguma sugestão de “Dia Mundial sem alguma coisa”? Quem sabe nós não o colocamos nos TTs.

sexta-feira, 26 de março de 2010

CH3 e a Copa

Vá para os primórdios do blog. Não, espere aí, vá apenas daqui a pouco, termine de ler o texto antes. Se você for até lá, vai perceber que 11 das primeiras 18 postagens do CH3 tiveram como assunto a Copa do Mundo. Você pode também observar que nós tínhamos uma abordagem bem diferente.

Pois é, o tempo passa, o tempo voa e a poupança Bamerindus não está mais numa boa porque o banco acabou. O CH3 é um blog mais maduro, nós temos uma temática diversificada e faltam pouco mais de 70 dias para que África do Sul e México dêem o pontapé inicial da competição.

Uma vez que: 1) esta é uma competição importante; 2) tem importância na história do blog; 3) temas esportivos rendem visitas do Google, nós não poderíamos deixar a competição passar despercebida.

Sabemos também que a repetição de assunto pode ser maçante. Nossa cobertura das Olimpíadas estava ficando muito cansativa no final. Sabemos também que entre os nossos leitores há um segmento de intelectuais que consideram o futebol uma babaquice. Eles acham que o futebol apenas aliena o povo do que deveriam ser as suas reais preocupações.

Depois de muito pensar, chegamos a um meio termo. Uma maneira de cobrir um evento sem cansar os nossos leitores.

É simples, os posts sobre a Copa do Mundo serão extras a programação normal do blog. A partir da semana que vem, todas as sextas-feiras nós teremos um post sobre a Copa do Mundo. Serão 10 postagens pré copa, explicando a história da competição e as perspectivas para o torneio que vai começar. Se por um acaso essa postagem coincidir com o dia de postagem normal do blog, teremos dois posts no mesmo dia. Sim, você que não gosta de futebol, acalme-se, você terá outras coisas para ler.

Durante o torneio teremos postagens sobre os jogos também. Ainda não tenho certeza de como elas serão. Mas eu posso garantir a você que será bem feito. Será a melhor cobertura sobre a Copa do Mundo que você jamais viu, esse é o nosso objetivo. Destruir nossos concorrentes (Globo, Record, Folha de São Paulo, A Gazeta, Jornal do Bairro, o vizinho de 12 anos com um blog de futebol). Continue visitando o blog. De uma maneira ou de outra, ele pode te agradar.

CH3, um blog democrático.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Prova Teórica do DETRAN

É um assunto que já apareceu muitas vezes por aqui. E mesmo assim, muitas pessoas aparecem por aqui procurando por simulados para a prova teórica do DETRAN. É por isso que o CH3 criou essas 10 questões. Algumas são baseadas em questões existentes e todas tentam manter o nível da prova. Boa sorte!

1) Durante uma forte chuva o seu carro começa a aquaplanar. O que você faz?a) Tira o pé do acelerador e espera o carro voltar a tocar ao asfalto.
b) Pisa no acelerador. Deslizando você chega mais rápido.
c) Abre a porta do carro e se joga para fora.
d) Pede proteção divina.

2) Qual dessas peças não é necessária para fazer o carro se locomover?
a) Embreagem.
b) Acelerador.
c) Motor
d) Calotas Cromadas.


3) A placa acima significa:
a) Vento no litoral.
b) Área de travessia de coqueiros.
c) Vento lateral.
d) Cuidado com o coco.

4) Durante uma blitz o policial dá dois silvos breves para você. Isso significa que:

a) você deve parar.
b) você deve fugir.
c) você deve sair do carro com as mãos para cima. Qualquer coisa dita pode ser usada contra você no tribunal.
d) o policial gostou de você quer o seu telefone.

5) Você tem uma festa para ir a noite. No entanto, o seu carro está sem o farol. O que fazer?
a) Sair assim mesmo com o carro desligado.
b) Passar apenas por ruas bem iluminadas.
c) colocar uma lanterna amarrada na frente do carro.
d) Arrumar outra maneira de ir para a festa e levar o seu carro para um oficina no dia seguinte.

6) Você percebe que uma vítima de um acidente de trânsito está com uma fratura exposta. Você:a) Chacoalha o local para ver se a região está mesmo fraturada.
b) Imobiliza o lugar da fratura e aciona o Socorro.
c) Fica ao lado da pessoa dizendo palavras motivacionais.
d) Pratica a extrema-unção e dá um tiro de misericórdia na vítima.

7) Qual é a função do câmbio no automóvel?a) Marcar o exato centro do automóvel.
b) Servir de consolo sexual.
c) Realizar a troca de marchas.
d) Aumentar o preço do carro.

8) O que deve ser observado durante uma ultrapassagem em estrada?a) Se há tempo e espaço suficiente para realizar a ultrapassagem pela faixa da esquerda.
b) Se o acostamento oferece espaço para realizar a ultrapassagem.
c) O melhor a fazer é evitar ultrapassagens.
d) Nada. Ultrapasse de qualquer jeito. Se morrer, morreu.

9) Uma vítima de acidente de trânsito está presa nas ferragens. O que deve ser feito?
a) Ficar observando friamente o sofrimento alheio.
b) Ir embora, já que você não pode fazer nada.
c) Tentar serrar as ferragens com os próprios dentes.
d) Chamar o socorro.

10) Estacionar o carro ao lado da rampa de deficientes e defecar sobre ela é considerado:
a) Infração grave de trânsito.
b) Uma atitude desrespeitosa.
c) uma puta sacanagem.
d) Uma coisa nojenta.

Confira o gabarito nos comentários.

segunda-feira, 22 de março de 2010

O Pior Time do Mundo

Nem o CH3 Futebol Clube, muito menos o Flamengo de Jorginho de Ogum ou até o Íbis, lendário clube pernambucano que ostentou durante os anos 80 a fama de “O Pior Time do Mundo”. Também não é o midiático Naviraiense que perdeu de 10x0 para o Santos. O Pior time do mundo é aqui de Mato Grosso e vem de Cáceres.

Sim, Cáceres a cidade de 80 mil habitantes e ruas planas cheias de bicicletas, onde se come um bom filé de jacaré e onde as pessoas vão fantasiadas a praça na Páscoa. É lá, na última cidade antes da Bolívia que reside o Cáceres Esporte Clube.

Fundado em 10 de janeiro de 1977 é o clube mais antigo da cidade, irmão mais velho da Cacerense. Manda seus jogos no estádio Luiz Geraldo da Silva, o popular Geraldão. Logo no seu primeiro campeonato em 1977, foi rebaixado. Oscilou bons e maus momentos e o auge da equipe aconteceu em 1995 e 1997, anos em que a equipe conseguiu ficar entre as 4 primeiras do campeonato.

Vieram anos de inatividade e o surgimento da Cacerense que logo em seu segundo ano de existência foi campeã estadual. Talvez motivados pela vergonha, o Cáceres Esporte Clube voltou a disputar o campeonato estadual nesse ano.

A estréia não foi fácil, derrota por 2x1 para o Cuiabá. Na seqüência, nova derrota: 3x0 para o Luverdense. As derrotas foram se sucedendo até a equipe chegar a impressionante marca de 9 derrotas em 9 jogos. A campanha já era suficientemente ruim. Mas foi ai que a equipe resolveu entrar para a história.

Foi as 17h no horário de Mato Grosso, que a equipe entrou no estádio Félix Belém da demoníaca cidade de Campo Verde para enfrentar o Cuiabá. A equipe alviceleste entrou em campo com: Murilo; Wagner, Élcio, Thiago e Weberton; Diego, Emerson, Roberson e Ronarion; Renan e João Batista.

A equipe cuiabana marcou um gol atrás do outro. Ao final do primeiro tempo o placar já apontava 4x0. Aos 20 do segundo tempo 7x0. Logo depois o capitão Ronarion marcou um gol e deu esperanças a torcida do Cáceres. Ou não, porque o Placar final foi de 11x1. Sim, 11. Foram tantos gols que a súmula da partida teve que ter gols anotados fora do lugar padrão. Só o camisa 6 do Cuiabá, Giovani marcou 4.

Foi uma derrota humilhante para a equipe dirigida pelo técnico João Marcos Santos. Quatro dias depois o Cáceres voltaria ao gramado do Félix Belém para enfrentar o CRAC, o time de Campo Verde. As expectativas de um resultado melhor se mostraram verdadeiras: a derrota foi apenas por 9x1.

Depois de tão humilhantes derrotas, o Cáceres entraria em campo ontem para enfrentar o Sorriso, time de melhor campanha do campeonato estadual. A tragédia era anunciada. E um público de menos de 100 pessoas viu ela acontecer. No estádio Geraldão o placar apontou 14x0 para o sorridente adversário. Catorze gols.

Com isso a equipe chegou a impressionante marca de 34 gols sofridos em 3 jogos. Nenhuma outra equipe do campeonato sofreu essa quantidade de gols no campeonato inteiro. A segunda pior defesa, no caso a Cacerense (veja o quão desgraçada anda a vida do futebol em Cáceres) sofreu 29 em 12.

As expectativas agora são para a próxima quarta-feira as 20h10m quando o Cáceres receberá o Operário no estádio do Geraldão. A favor do Cáceres... bem, difícil que tenha algo a favor. Talvez o fato de que dificilmente uma derrota ainda pior possa acontecer. E o Operário pode entrar pressionado com a obrigação de fazer pelo menos 10 gols.

Tentei hoje ligar para o telefone da equipe disponibilizado no site da Federação Matogrossense de futebol. Mas não foi possível completar a ligação. Queria perguntar para alguém o que é que acontece com a equipe do Cáceres. O que eles pretendem fazer até o fim do campeonato. E, não sei, se eles querem desabafar com alguém.

O CH3 irá seguir acompanhando os passos do Cáceres Esporte Clube. A pior equipe de futebol do mundo. Faltam apenas dois jogos para o fim da participação da equipe. Eles já estão rebaixados e faltam apenas 42 gols para a incrível marca de 100 gols sofridos. Se alguém do Cáceres estiver lendo isso fica a minha dica: o que vale nessas horas é entrar para a história, mesmo que por linhas tortas.

sábado, 20 de março de 2010

A Morte

Acontece com todos nós. Chegará um dia em que qualquer um de nós morrerá. Por um lado, é uma tragédia pessoal e familiar. Por outro é uma solução para o mundo. Se as pessoas não morressem, aposto que o planeta Terra seria um lugar bem pior de se habitar. Cada vez mais bocas com fome, mais pessoas no trânsito, mais pessoas querendo o poder.

A morte é a única certeza da vida. Aprendemos logo na primeira série, na primeira aula de ciências que “o ser humano nasce, cresce, estuda pra passar em concurso, se reproduz e morre”. Ok, a parte de estudar para passar em concurso foi invenção minha. Mas o fato é que você pode ser estéril e não se reproduzir. Você pode ser anão e não crescer. Ou, pior. Você pode morrer antes de se reproduzir, ou de crescer. Ou pior ainda, você pode morrer antes mesmo de nascer.

A morte é inevitável.
São tantas as coisas que podem te matar a qualquer momento, desde o segundo em que você foi concebido, que nós deveríamos ser orgulhos em ainda estarmos vivos. Mas, você vai morrer. Não há nada que você possa fazer para evitar que um dia isso finalmente aconteça.

É claro. Você pode tentar evitar uma morte prematura.
Ou uma morte constrangedora. Os piores tipos de morte são aqueles que: 1) Provocam funeral com caixão fechado (Ex: queimado); 2) Dão a noção de que podiam ter sido evitadas (Ex: O paraquedas não abriu. Porque você se meteu a fazer isso?); 3) Constrangem a família (Ex: Caiu do trio elétrico na parada gay); 4) Fazem as pessoas dizer “nossa, que azar” (Ex: Um vaso de plantas caiu na sua cabeça); 5) Todos os itens anteriores (Ex: Atingido por um raio em um motel).

Pessoas morrem o tempo todo. E nossa sorte é que nós não as vemos, o tempo todo. Pessoas morrem no jornal, pessoas morrem na novela, pessoas morrem na internet, pessoas morrem e nós nem sabemos. Uma morte pode virar espetáculo midiático, como a menina Isabella. Também pode ser banal, como os 20 mortos em tiroteio na favela. Pode provocar comoção nacional, igual Ayrton Senna. A morte de um político pode ser desejada. E a morte pode chocar também, igual ao caso da criancinha africana prestes a ser comida por um abutre. E em vários casos, a morte vira uma estatística. Nos acidentes de trânsito, nas vítimas do cigarro, da AIDS e da fome.

Existe um aspecto absolutamente estarrecedor, que é o reconhecimento do corpo. Dia desses assisti um filme em que o pai iria reconhecer o corpo de sua filha. Detalhe é que ele havia presenciado o assassinato dela. Sempre achei que o reconhecimento era necessário apenas em casos de desfiguração.

“Você reconhece essa pessoa?” dizia o médico. A resposta era óbvia. O cadáver não estava maquiado, pintado ou mascarado para que o suspense fosse necessário.

A Morte é também um personagem. Alguém que usa panos pretos e uma foice na mão. Na turma da Mônica era alguém amigável e cheia de piadas para transformar alguém em fantasma (porra Maurício!). No filme do Monty Python ela (ou ele?) se intitulava como o ceifador sinistro e as pessoas não entendiam porque ele (ou ela?) era tão rude. E ok, o assunto morreu.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Dicas para participar do Concurso Público

Domingo acaba, finalmente, o concurso público em Mato Grosso. Aquele cujos erros na primeira tentativa de realização irritaram até Hitler. Dizem que dessa vez tudo vai dar certo, que as coisas vão seguir o seu andamento normal, afinal, são menos pessoas participando e tudo está mais organizado. Eles aprenderam com os erros anteriores para acertar agora.

Ok, preferimos acreditar que isso seja verdade. Até porque, não ouvi falar de graves problemas nos outros dois novos dias em que as provas foram realizadas. Mas, aqui, nós do CH3 somos precavidos. E como quem é amigo, avisa é... digo, quem avisa, amigo é, e muitos amigos entram por aqui, nós vamos dar dicas para que o seu dia seja mais tranqüilo. Baseamos essas dicas na nossa experiência de vida. Pois os membros desse blog vivenciaram o Caos (com C maiúsculo) que se instalou na cidade de Cuiabá naquele dia 22 de Novembro de 2009.

Pois bem. A primeira coisa que você precisa para fazer a prova é... bem, a primeira coisa é estar vivo. Esperamos então que você faça de tudo para permanecer vivo até o dia. Não faça coisas que possam te matar como, se jogar de pontes, atirar na própria cabeça, explodir bombas amarradas ao próprio corpo.

Estando vivo, a primeira coisa a fazer é chegar ao lugar da prova. E, acredite, isso pode ser difícil. As ruas podem estar tomadas de carros e de pedestres enlouquecidos tentando chegar ao local. A melhor coisa a fazer é ir de helicóptero. Talvez haja alguma complicação no fato de que não existem muitos heliportos em escolas públicas, mas, nada que um salto de pára-quedas não resolva.

Sendo que cadeiras podem estar sendo atiradas de dentro da sala é bom comparecer ao local de prova com escudos.

Talvez a prova possa sofrer um pequeno atraso, coisa de 2 horas. Aí é complicado. Você não poderá levar livros, nem um mp3 para escutar. Aproveite então para ser uma pessoa constrangedora, que conversa com desconhecidos. Aproveite esse momento para destruir mentalmente os seus adversários. Tente talvez se sentar atrás de uma pessoa com muitas tatuagens. Tente interpretá-las. Caso não queira nada disso, treine modernas táticas de meditação.

Se você vai realizar provas de dia e de tarde, leve dinheiro. Talvez apareça uma boa oportunidade de realizar algum negócio no intervalo. Do tipo, arrumar uma prova do período da tarde já gabaritada.

Confira se sua prova é igual a que os seus colegas estão fazendo. E confira se o conteúdo é condizente com sua área de atuação. Se você é biólogo, estranhe questões sobre direito penal, e se você for nutricionista, rejeite questões sobre comunicação de massa. Não é a sua massa.

Se você for um fiscal de prova, recomendamos ir armado para poder inibir eventuais manifestações violentas dos candidatos. Também é bom chegar cedo ao local da prova e estudar bem a topografia do lugar. Ver os principais pontos de fuga e refugio, caso uma rebelião comece.

Na hora de voltar para casa, tenha certeza de que não existem leis. Carros poderão passar por cima da calçada, helicópteros poderão dar rasantes, pedestres poderão organizar arrastões. O caos poderá voltar a reinar. Nessa situação, esteja preparado para matar antes de morrer.

Tomadas essas pequenas precauções, tudo poderá correr bem.


PS: Para a organização, temos algumas dicas também: mantenham as provas lacradas, distribuam-as corretamente e fiscalizem de maneira eficaz.

terça-feira, 16 de março de 2010

Idiotinhas, ou, sobre dirigir um carro velho

Eu tenho um Gurgel. E isso não é algo que me cause vergonha. Em um posto de gasolina eu diria tranquilamente “abasteça meu carro, pois este é um Gurgel, 100% Nacional”. Para quem não sabe, Gurgel é uma marca de carros, tal qual Fiat, Ford, Honda ou BMW. Foi uma empresa nacional que existiu durante 25 anos, até falir em 1994.

O meu Gurgel tem 19 anos de vida. Poderia ser meu irmão quatro anos mais novo. Mas para um carro, ele é considerado velho. E ele tem alguns problemas mecânicos, o cabo da embreagem quebra, o carburador desregula, a bateria perde a carga.

É um carro pequeno, porque o criador da marca acreditava que carros urbanos tinham que ser pequenos. E eu não vejo problema nisso. Para mim ele é um carro simpático. Se meu carro falasse, aposto que ele contaria as piadas mais engraçadas que você jamais ouviu. E se ele falasse, eu ganharia rios de dinheiro com esse fenômeno.

Mas felizmente ele não fala. Odeio filmes em que objetos inanimados ou animais falam. Mas enfim. Ter um carro pequeno e velho traz um enorme problema para a vida. É que as pessoas acham que quem dirige um carro assim é um idiotinha.

Podemos dizer que Idiotinhas são pessoas que aparentam basear suas opiniões em costumes preguiçosos e atitudes clichês. Pessoas lerdas. Pessoas que você olha e diz “que imbecil” ou que você pensa “vou passar na frente dela, porque ela é lerda”.

Jornalistas, por exemplo, são muito bons em fazer as pessoas de idiotinhas. Digo isso na reprodução de falas. A primeira vez que uma fala minha saiu no jornal, foi no jornal do colégio. Me perguntaram que programas de televisão aberta eu gostava de assistir e eu disse “ah, sei lá. Gosto de programas esportivos... não sei, de vez em quando vejo o Globo Repórter, quando tem alguma coisa interessante”. Eis então que minha fala saiu assim “Eu gosto muito de assistir programas esportivos e sou fã do Globo Repórter. Eu acho um programa muito interessante”.

Percebem como minha fala no jornal foi completamente idiotinha? Idiotinhas no geral falam frases que não soam naturais, uma vez que ninguém diria “eu gosto muito de assistir programas esportivos”. Nas frases de idiotinhas, aparecem muitos adjetivos, verbos como “gostar” e “adorar”. Frases idiotinhas também usam “acho” para expressar opiniões. Idiotinhas são dúbios.

Outra vez eu saí na Folha do Estado, me perguntando o que eu achava do fim da exigência do diploma para jornalista. Na minha opinião, eu havia feito afirmações contundentes sobre o assunto. Mas, lá estava eu novamente idiotinha no jornal. Nas minhas falas apareceram frases como “eu acho um absurdo” e outras coisas que eu felizmente não lembro mais.

Você, enquanto jornalista pode transformar qualquer um em idiotinha. Políticos, juízes, filósofos. Se você entrevistasse Nietzsche e ele falasse “as mulheres podem tornar-se facilmente amigas de um homem; mas, para manter essa amizade, torna-se indispensável o concurso de uma pequena antipatia física”. Bastaria transcrever a frase como “As mulheres até podem tornar-se muito amigas de um homem. Mas acho que para manter essa amizade, é preciso muita antipatia física”. Nietzsche virou idiotinha. Frases idiotinhas são facilmente lidas com voz de justiça.

Mas, voltando ao Gurgel. Cada vez que eu saio com ele, é impossível contar às vezes em que as pessoas saem na sua frente. Se você estivesse num carro mais novo, a pessoa não sairia. E elas cortam, entram na sua frente sem dar sinal.

Aposto que elas pensam “ah, esse carro velho, dá pra sair na frente dele” ou “há, desse carro velho eu posso cortar ele que ele nem vai perceber”.

Enfim. Nessas situações eu só penso que eles são a escória da humanidade.

domingo, 14 de março de 2010

Didática escolar

Esse é um post sobre a didática esco... (digam “lar!”).

Começamos esse post com um exemplo da tática universal de pedir para que os alunos completem frases óbvias, método didático muito utilizado em colégios, principalmente até a quarta série. Como vocês podem ver, é algo bem óbvio, simples e irritante. Também é ineficiente demais. Porque as palavras são óbvias. Ninguém precisaria desse sistema para fixar nada.

- O estômago faz parte do sistema diges... (tivo!) Isso!
- Os bebês são trazidos pelas ce... (gonhas) Muito bem!
- Inconstitucionalissímamente é uma palavra lon... (ga!) Que turma aplicada!.

Note que depois que as pessoas conseguem completar a frase, palavras motivacionais se fazem necessárias para compensar o esforço.

O pior de tudo é quando, por mais óbvia que seja a palavra a ser completada, há uma pane mental geral das pessoas que não conseguem completar.

- Dois mais dois é igual a qua... (torze!). Não, não. Dois mais dois é igual a qua... (renta!). Não, não pessoal. Dois mais dois é igual a qua... (trocentos!). Não! Pessoal! Não! Dois mais dois é igual a qua... (resma!). Porra é quatro! Quatro!

Geralmente essa didática é esquecida a medida que as crianças crescem. Mesmo assim, infelizmente ela é utilizada até em auto-escolas.

- Se você bater o carro sem cinto de segurança você mo... (re!).
- Você precisa virar a chave para dar partida no mo... (tor!).

E, pior, até em aulas de pós-graduação.
- A subjetividade é algo inerente ao ser hu... (mano!).

Por mais que o nível das aulas aumente, o nível das palavras óbvias continuará a ser o mesmo. Você jamais verá professores pedindo para que os alunos completem palavras difíceis.

Outra tática bem famosa é a de criar frases para decorar matéria. É bastante utilizada em aulas de química, para gravar tabelas periódicas. A primeira coluna virava algo como “Hoje Li Na Karas Roberto Casou França”. Isso para se gravar Hidrogênio, Lítio, Sódio, Potássio, Rubídio, Césio e Frâncio. Além da frase final parecer ter sido escrita por um disléxico, era completamente desnecessária. Nem é tão importante decorar tabela periódica para passar no vestibular.

Aliás, dessas frases só me lembro de uma ensinada pelo lendário professor Rebelatto “Bico de pato, mosquito teimoso, com o idrico eu não me meto”. Significava que “Carbônico” virava “Carbonato”, “Nitrito” virava “Nitroso”, e “Clorídrico” virava “cloreto”. Em que situação isso acontecia, eu não me lembro. Mas acontece. Ah, assim como me lembro do Reficofage da biologia (Reino, Filo, Classe, Ordem, Família, Gênero, Espécie) – a ordem de alguma coisa.

Mas, pior do que isso eram as músicas. Felizmente eu não vivi essa era. Dizem que nos anos 70 elas dominavam as escolas e cursinhos e dizem que até hoje a tática de criar música para decorar coisas é popular nos cursinhos. Eu sinceramente teria vergonha de decorar uma música dessa e até mesmo de cantá-la mentalmente para me lembrar de algo.

Enfim, o post aca...

sexta-feira, 12 de março de 2010

A falta de luz

Quando eu era criança não dava outra. Chovia aqui, acabava a luz. Uma chuva em Várzea Grande, um vento pouco mais forte no Paraguai ou um espirro de camelo no Marrocos eram motivos para que a luz acabasse. Quantos jogos de futebol eu não vi direito porque a luz acabou. Quantas vezes eu não fiz a tarefa a luz de velas porque não tinha luz elétrica.

Foi então que a Cemat foi privatizada, fizeram a represa de Manso e, coincidência ou não, parou de faltar luz. Foram anos maravilhosos. Anos em que televisões, computadores, ventiladores e geladeiras funcionaram incessantemente. Foram bons tempos. Ah, como foram. Anos sem medo de que o chuveiro queimasse, que a televisão estragasse ou que você perdesse um arquivo no computador.

Mas, esse mundo perfeito acabou. Lembro-me que em 2008 qualquer chuva era motivo para a queda de uma fase de energia. Me lembro de assistir o debate para prefeito, no qual Wilson Santos disse que transformou Cuiabá na cidade mais bem iluminada do país, no exato momento em que a luz acabou.

E recentemente é o inferno. Acabou a luz umas dez vezes esse ano. Em um dia, acabou por três vezes. Eu estava no computador, escrevendo um texto para o CH3. A luz acabou. Não tinha salvo o texto. A luz voltou, liguei o computador e voltei a reescrever. A luz acabou novamente. Veio aquele medo danado de que o computador não resistisse. A luz voltou e pela terceira vez voltei a tentar escrever o texto. A luz acabou novamente. Desisti e fui dormir. Hoje só tenho duas palavras escritas em um caderno “Nomes músicas” – e não consigo me lembrar o que é que eu queria escrever sobre isso.

Aliás, o problema é ir dormir. Cuiabá é uma cidade na qual é impossível viver sem energia elétrica. Não ter ao menos um ventilador em Cuiabá é tortura. É comparável a ter um alfinete enfiado debaixo da unha. Receber eletrochoques no ânus. Tá, talvez não seja tão terrível assim. Mas é um problema danado.

Esses dias a luz acabou aqui em casa às 7h da manhã. E voltou só 1h da tarde. Foram 6 horas sem energia elétrica. Seis horas derretendo no calor infernal de Cuiabá. Sendo devorado pelas mais variadas espécies de mosquitos que aproveitam o clima úmido dessa época.

E sabe qual foi a justificativa da Cemat para isso? Estava trocando um poste. Demoraram seis horas trocando um poste! Acho que se eu, o Vinícius e o Tackleberry, que nunca trocamos um poste na rua, se nós fossemos trocar um poste nós demoraríamos seis horas. Mas, eles?

Hoje a luz acabou novamente. Por duas horas, porque eles estavam trocando um relógio. E o pior, é que a conta de luz vem alta sempre. Não existem mais sombras de animais na parede, ou... seja lá o que for. A solução talvez seja pegar em armas contra a Cemat. Sim, o CH3 anda numa fase bélica.

*****
Pois bem, o CH3 lamenta aqui a morte do cartunista Glauco. Provavelmente, jamais teremos outro personagem de pau duro em um jornal.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Reaja Hitler

Virou uma febre no último ano. Uma cena de um filme alemão que mostra Hitler enfurecido. O alemão é uma língua complicada, vocês sabem. Ninguém sabe o que deixou Hitler tão enfurecido. Por isso surgiram adaptações. Procure por Hitler’s Reaction no youtube e veja as várias possibilidades.

É relativamente fácil fazer um vídeo desses. Você escolhe um tema e passa a dissecá-lo, mostrando porque Hitler ficou tão nervoso. Pode ser um tema comum, como: o concurso público frustrado em MT.


(Como os vídeos estão em Wide Screen, sugerirmos que você clique para assistir ele em uma nova janela)



O mais difícil é conseguir uma sincronia entre os tempos da fala e as legendas. As coisas podem ficar mais surreais. No próximo vídeo, Hitler é um pansexual que tem uma suruba frustrada.



Depois as coisas podem ficar ainda mais surreais. Outros vídeos podem invadir o bunker do Adolf.



Depois disso tudo, só restaria a Hitler reagir ao seu próprio vídeo.



E, pois bem. Hoje é o aniversário de 70 anos do mito Chuck Norris. Alguém poderia sugerir “Porque não um Hitler reage a Chuck Norris”. Melhor nem pensar nessa possibilidade. Ninguém reage a Chuck Norris.

segunda-feira, 8 de março de 2010

A mulher através dos tempos

Hoje é o dia internacional da mulher, como você já bem percebeu, caso tenha saído à rua ou ligado a TV. Foi pensando nessa data, que para alguns pode ser especial e para outros pode não fazer sentido, que o CH3 preparou este artigo não-científico. Para falar do papel da mulher através dos tempos, recorremos a especialistas. Nosso objetivo é trazer duas visões sobre o assunto: uma visão machista e uma visão feminista. Façam bom uso.

Visão machista

Como vocês bem devem saber, deus criou a mulher através da costela do homem, sendo que o homem no caso era Adão. Além de mostrar que a mulher sempre se aproveita do homem, essa fábula tem um outro sentido. Qual era o objetivo de deus em criar a mulher por uma costela, se ele poderia ter usado tantas outras partes do corpo?

Pois bem. Se deus quisesse que a mulher pensasse, teria a feito a partir do fio de cabelo. Temos muito cabelo, não? Ali, pertinho da cabeça. Mas deus não queria que a origem da mulher fosse perto da cabeça, para que ela não pensasse. Por isso, fez a mulher da costela. Perto do coração. Para que ela saiba perdoar o seu marido. Uma vez que a mulher não pensava, ela agiu com seus instintos e pegou a maçã. Por conta disso a humanidade foi expulsa do paraíso.

Por anos e anos a humanidade viveu tranquilamente com a mulher fazendo aquilo que lhe era cabível: tomar conta de casa. Cozinhar, lavar roupa. Infelizmente, apesar de a sociedade se modernizar, surgiu o movimento feminista. Desde então temos mulheres estudando e querendo vagas no mercado de trabalho. Temos mulheres que querem se casar e não querem lavar as cuecas do marido.

Tudo isso foi culpa, provavelmente, de um bando de desocupadas que há 40 anos resolveram queimar sutiãs em praça pública. Serviu pra que? Pra ter que comprar sutiãs novos (pra esconder os peitos caídos) e pra transformar a vida do homem moderno nesse inferno.

O símbolo do dia internacional da mulher pode ser o goleiro Bruno do Flamengo. Tudo por conta de sua brilhante frase “quem nunca saiu na mão com uma mulher?”. Infelizmente poucos. Nessa sociedade mesquinha isso é considerado politicamente incorreto. Aqueles que aplicarem um inocente corretivo em sua mulher podem se complicar com a tal da lei Maria da Penha. Como assim? Pegaram uma costela nossa e agora querem liberdade?

Para terminar, duas piadas legais.
“Uma mulher foi ao supermercado e comprou pão integral, sabonete, refrigerante light e queijo minas. Ao passar no caixa, o atendente perguntou:
- A senhora é feminista?
- Sim! Como você sabe? Foi por causa das minhas compras?
- Não. É que a senhora é feia.”

“Quantas mulheres são necessárias para trocar uma lâmpada?
Uma. Pra ficar (escolha o ato) enquanto eu troco, hehe”.

Visão feminista
O texto acima e todas suas visões equivocadas tem um claro culpado: a sociedade paternalista. Provavelmente o autor do texto foi um menino mimado pela mãe. Enquanto sua irmã já fazia o almoço com cinco anos, ele com 10 nem arrumava sua própria cama.

Porque é assim. A mulher que quer ser livre é tratada de puta. A mulher que tem mais de um parceiro é puta, e homem que tem mais de uma parceira é orgulho da sociedade. E suas duas parceiras são as putas. O homem quando se casa vai para uma despedida de solteiros e a mulher para o chá de panelas. Porque? Porque ele vai para o inferno e ela vai cozinhar! Até o Dia Internacional da Mulher é uma prova dessa sociedade.

A sociedade paternalista é percebida até aqui. Enquanto o texto machista contou com mais de 2mil caracteres, este texto feminista teve menos de 825. Injustiça!

Conclusão
Opiniões existem. Cada pessoa tem a sua. Opiniões podem ser iguais, parecidas ou divergentes. Algumas podem estar corretas e outras podem estar equivocadas. Mas, são opiniões. Ou não.

Fim.

sábado, 6 de março de 2010

Cuiabá e a dengue

Eu estava preparando para o CH3 um post sobre a vida dura do trabalhador braçal. O CH3, afinal, é um blog cidadão, tanto que temos um marcador de "serviço" ali do lado. Para o post, tinha preparado uma entrevista com Marcão, pedreiro assumido e de papel passado. Mas eu não tive notícias dele por três semanas. Só havia um lugar que Marcão poderia estar, pensei. Quando Marcão quer pular a cerca, ele corre para a casa de diversão noturna mais próxima. Mas como ele não tem dinheiro, é sempre enxotado da casa de diversão noturna mais próxima e vai direto para o Carnicentas, que não é muito próxima, mas como Jorginho de Ogum é o dono, ele facilmente consegue serviço de graça. Não que o serviço lá valha mais do que isso, claro.

Enfim, sob um sol escaldante na metade do caminho e sob uma chuva torrencial na outra metade, me dirigi ao Carnicentas. Como sempre, lá estavam seus visitantes mais frequentes. O Cão Leproso, que bebericava uma cerveja quente e comia torresmos, e o nefasto Hanz, o Panssexual, que disse que estava ali apenas porque o cheiro do local o deixava inspirado. Preferi não dar ouvidos a isso, mas duvido que isso saia da minha memória. Olhei para Jorginho, que estava ao fundo do local, sentado em uma poltrona com estampa de padrão de zebra, sendo abanado com leques de pena de pavão por duas cortesãs muito feias. Jorginho se levantou, ergueu as mãos com as palmas para cima e disse "entre, por favor". Eu disse que já estava do lado de dentro, e ele disse "tem razão".

Eu queria ir direto ao assunto para sair de lá o mais rápido possível. Perguntei onde estava o Marcão, Jorginho respondeu que ele não estava lá. Completou dizendo que achava isso muito estranho, pois já fazia mais de duas semanas que Marcão não vinha para pular a cerca e isso só poderia significar que ele estava morto. Perguntei se Jorginho já tinha passado na casa dele para ver se a informação procedia. Jorginho negou. Eu mereço, pensei. Perguntei ao Cão Leproso se ele sabia por onde andava Marcão, mas ele deu de ombros. Ao Hanz não perguntei nada. Resolvi ir direto à casa do pedreiro. 

Chegando lá, bati palmas, espantando as galinhas. A esposa de Marcão apareceu ao portão de madeira, convidando para entrar. Antes de entrar, perguntei se o esposo estava, ela confirmou. Entrei para encontrar um Marcão quase moribundo, deitado no sofá rasgado da sala, babando e falando coisas sem sentido. Perguntei o que havia acontecido. A esposa respondeu: "Ah, eu acho qui é pomba gira qui desceu no disgraçado. Já tá assim tem duas semana." Fiquei espantado e perguntei: "E a senhora não fez nada?". Ela repondeu que sim, havia chamado três pais-de-santo, menos o Jorginho, porque segundo ela, Jorginho ficava levando seu esposo para o mau caminho com o Carnicentas. Eu falei: "Mas esse homem está doente, mulher!". Na ocasião, estava passando MTTV Primeira Edição, uma matéria sobre a dengue. Eu falei "mas tá explicado, o Marcão deve estar com dengue". A mulher insistiu que era pomba gira, mas insisti que o pedreiro devia ser levado pro hospital imediatamente. Pô, duas semanas doente. Não sei como não morreu.

Levei Marcão ao hospital, sob protestos da mulher, que não queria gastar dinheiro com internação. Marcão foi mais um a ser atingido pela dengue em Cuiabá, apesar de repetirem praticamente toda hora na tv os modos de prevenção, apesar de todo dia no MTTV falarem sobre as vítimas da doença, sobre o número alarmante de casos. Apesar de Nico e Lau terem feito música sobre a dengue. Apesar de toda hora falarem para não deixar acumular água parada, não deixar os quintais sujos de lixo, de tomar providências quanto a terrenos baldios mal cuidados. Simplesmente não adianta. Eu não sei onde Marcão pegou a doença, se foi na casa dele que é cheia de pneus e garrafas com água parada, ou se foi no Carnicentas, um ambiente propício para praticamente todas as doenças existentes. Só sei que boa parte da epidemia é culpa nossa. O CH3 denuncia.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Datas que não pegam

Você por um acaso sabe qual é o dia da avó? Antes que você procure no Google, eu já dou a resposta: é no dia 26 de julho. Talvez você nem soubesse que essa data existe e talvez saiba menos ainda que na verdade este é o “dia dos avôs e das avós”. Os avôs acabaram sendo prejudicados na visão comercial das lojas. É provável até que essa data seja desmembrada e que o dia do avô vá para outro dia. Afinal, pesa no bolso ter que dar dois presentes de uma vez.

Bem, isso se alguém der presentes nessa data. O fato é que o dia da avó não pegou. Talvez porque existam menos avós do que mães, pais ou namoradas. Ou porque ainda não virou cultura... Ou porque não haja um bom presente para vender do tipo “Dia das Mães! Presenteie sua mãe com um fogão dez bocas! Escravize-a!” ou “Dia dos Pais! Dê uma camisa pólo para ele!” ou ainda os brinquedos do dia das crianças. Chocolates e coisas fofinhas nos dias dos namorados. Certo que ano passado eu vi um cara comprando uma geladeira para a namorada, acho que é caso de fim de namoro.

O que dar de presente para sua avó? Kits para tricotar? Não sei. Talvez esse seja um dos motivos, mas o fato é que a data realmente não pegou. Assim como as seguintes datas talvez não pegariam também. Ou talvez sim, quem sabe. Eis algumas dicas para a Câmara dos Dirigentes Lojistas.

Dia da sogra: Os mais malvados dirão que essa data é comemorada no dia das bruxas. Mas um dia da sogra seria recheada de propagandas irônicas sobre o amor genro/nora – sogra. O Kibeloco faria montagens com sofás assassinos e veneno. A chance da data pegar é se os filhos das sogras obrigarem seus parceiros a comprar um presente, em nome da boa aparência.

Dia da amante: Há uma coluna do Veríssimo sobre isso. Criaria um problema danado. Na véspera os shoppings estariam lotados de homens constrangidos com a situação, torcendo para não serem flagrados por uma amiga da mulher. Teriam que comprar coisas pela internet e mandar entregar em outro endereço. Esconder faturas de cartão. Seria bem complicado.

Dia do vizinho: Uma data para presentear o seu vizinho. Aquele ser querido que está sempre por aí nos momentos difíceis escutando música alta. Um bom presente seria um par de fones de ouvido. Mas na real, o número de cartas bombas entregues na data iria aumentar muito.

Dia do Pansexual: Dia de lembrar-se daquele seu amigo pansexual. Seria fácil comprar um presente, já que o pansexual poderia gostar de tudo. Seria bom para o comércio, principalmente se existisse um número expressivo de pansexuais assumidos.

Pior ainda seria se os dias de profissionais resultassem em presentes. Do tipo:
- no dia dos jornalistas, os jornalistas ganhariam canetas.
- no dia do advogado, eles ganhariam livros jurídicos.
- no dia da enfermeira, elas ganhariam fantasias de enfermeira de sex shop.
- no dia do médico, eles ganhariam um caderno de caligrafia.
- no dia do historiador, ele ganharia um pacote de giz para quadros negros.
- no dia do publicitário, o publicitário não ganharia porra nenhuma.

E aí entraria a questão de Boris Casoy. E o dia do Gari?

terça-feira, 2 de março de 2010

Quem está faltando no BBB

Quando o Big Brother Brasil começou, já dava pra ver que a produção escolhia para participar do programa sempre os mesmos estereótipos: gostosas e bombados. E toda edição tem cota para negros, que geralmente também são bombados. Também tem aparecido uns gays e já apareceu um gordinho, uma esquisita, uma dona de casa (que até ganhou o programa) e um japonês. Mas isso, isso são só exceções.

Ainda existem muitos tipos de pessoas que nunca colocaram os pés naquela casa. Pessoas que com certeza deixariam o jogo mais interessante. Veja como seria o Big Brother se colocassem na casa um(a):

Neo-nazista
O neo-nazista iria espancar qualquer negro, gay, emo, judeu, cadeirante, gordo, magro, bombado, bípede que estivesse na casa. Ao contrário daqueles que fazem intriga, ele resolveria os problemas no braço (ou na faca). Não iria se dar bem com ninguém (presumivelmente) e seria indicado para eliminação na primeira semana. Mas provavelmente retornaria e duraria um bocado na casa por ser carismático e por render um bom entretenimento.

Suicida
Despertaria preocupações imensas entre os participantes. Imagine cozinhar tendo que esconder as facas, se barbear tendo que esconder as giletes, dormir tendo que esconder o travesseiro. Todos se preocupariam que a qualquer momento o suicida viesse a fazer alguma cagada. Esconderiam as lâminas, trancariam a gaveta e jogariam fora o veneno para baratas. Ficariam alerta toda vez que ele entrasse na piscina. Com tanta preocupação, os concorrentes logo votariam no suicida para ir para o paredão. Ele, além de se sentir enormemente ofendido e rejeitado, não aguentaria tanta pressão da vida e se mataria dentro do confessionário, sendo assim eliminado do programa.

Podólatra
Iria acordar as mulheres da casa lambendo seus pés. Seria colocado no paredão toda semana até ser eliminado.

Criança
Sério, eu sempre quis ver uma criança dentro do Big Brother. Daquelas crianças ranhentas e inconvenientes. Daquelas que ficam incomodando os outros com perguntas indiscretas, que fazem birra o tempo todo e que gritam quando não dão chocolate pra ela. Ela iria chorar quando perdesse uma prova do líder e se fosse eliminada, iria fazer bico e dizer "não vou sair!". Durante as eliminações a criança perguntaria: "tia, você não trabalha?" ou diria "tio, como sua mãe é gorda!"

Esquizofrênico
E que tivesse dupla personalidade. Na noite de votar nas pessoas para o paredão, ele entraria na sala e diria ao Bial que vota no seu alter-ego. O alter-ego então seria eliminado do programa e o original permaneceria, até criar outra personalidade para si mesmo.

Louquinho de bairro
Todo mundo conhece um louquinho de bairro. Aquele que sua mãe mandava não chegar muito perto. Com certeza seria engraçado ter um desses no programa, pois ele iria atrapalhar todo mundo nas provas de comida, anjo, líder etc. Ele seria aquele que derrubaria todo mundo de cima das plataformas escorregadias, jogaria terra na cara daqueles que tinham que ficar mais tempo sem se mexer, etc. Daí ele começaria a rir e a rolar no chão babando e fazendo gestos engraçados. Era capaz até de ganhar o programa.

Hanz, o panssexual
Veja:Agora imagine o Hanz no BBB. Pois é.

Sem dúvida o jogo ficaria muito mais interessante com alguns tipos como esses. Diversidade é divertido.