quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Retrospectiva 2009

Quando eu percebi, já não teria mais escapatória. Normalmente o Tackleberry era o responsável pelas retrospectivas. Trabalho que ele fazia muito bem, uma vez que ele conseguia juntar informação relevante com bizarrices que ninguém mais se lembrava e/ou deu atenção. Mas, como Tackle está desaparecido nas Bahamas, coube a eu desempenhar essa função.

Eu não tenho essa capacidade. Lembro-me de muitos fatos bizarros que colecionei nas páginas de notícias do Terra. Pensei muito em como fazer com que a retrospectiva soasse interessante sem parecer monótona e repetitiva. Cheguei à conclusão de que eu dificilmente conseguiria fazer isso. Retrospectivas foram feitas para serem retratos históricos. Este é, portanto, um texto para se ler daqui a uns quatro anos. Mas você pode ler agora também. Ou não ler. Nada te impede.

O ano de 2009 foi o ano das mortes. Muita gente famosa morreu de maneira inesperada e em um curto período de tempo. Vamos a algumas delas.

Leila Lopes: Eterna professorinha do Rei do Gado que sofreu uma experiência marcante de quase-morte. O dia em que ela girou e girou e pediu para a Berenice segurar. Depois de nada mais se lembrar, entrou para o mundo do cinema pornô, com a intenção de revolucionar as produções do gênero. Contracenou com Carlos Bazuca, escolhido pelo seu potencial de interpretação. Foi encontrada morta em seu apartamento. Não queria envelhecer e dizia já ter feito de tudo na vida. Tomou veneno de rato para encontrar o seu deus.

Luis Lombardi: Uma das três vozes mais marcantes do planeta terra. Fez a alegria de muitas pessoas abrindo as portas da esperança e anunciando milhares de prêmios.

David Carradine: Depois de anos distribuindo golpes e batendo em oponentes, Carradine resolveu bater outra coisa, utilizando os métodos do sufocamento erótico. Morreu, constrangendo amigos e familiares, com uma corda no pescoço e o pênis na mão.

João Augusto Gurgel: Dono da fábrica de carros brasileira, Gurgel. Meu pobre Gurgel ficou órfão depois da morte.

Clodovil Hernandes: Era difícil saber qual a profissão de origem de Clodovil. Diziam que ele era estilista, mas eu nunca vi uma roupa dele. Diziam que era apresentador de televisão, mas seus programas não duravam mais do que um mês. Morreu sendo deputado, mesmo que ninguém jamais tenha ouvido falar de algum projeto seu.

Gertrude Baines: A mulher mais velha do mundo morreu aos 115 anos, surpreendendo a família.

John Hughes: O maior diretor de cinema de todos os tempos. Dirigiu, entre outros, o clássico “Curtindo a vida Adoidado”. Sem ele, o mundo do cinema de entretenimento com conteúdo jamais será o mesmo.

É claro que ocorreram outras mortes, como: Michael Jackson, Patrick Swayze, Mara Manzan. Mas não vamos falar só de mortes.

Este foi o ano em que aconteceu mais um apagão. Ocorreu um acidente aéreo. A política brasileira foi um caos, com o caso Sarney. A violência no Rio de Janeiro. Os anos são todos iguais, afinal. Mesmo assim, o CH3 resolveu eleger as três personalidades do ano e também os três fatos mais importantes no mundo no ano.

Pessoas
1 Barack Obama – Presidente dos EUA e Messias: Obama foi sem dúvida o grande nome do ano. E do ano passado. E do ano que vem também. Eleito desde a sua primeira aparição pública ao mundo como o legítimo sucessor de Cristo tudo o que Obama toca vira ouro. Ganhou todos os prêmios Nobéis do ano. Ganhou o torneio de golfe que disputou. E viajou o mundo inteiro. Se for preciso, Obama pega um avião, vai até a Nova Zelândia comprar um remédio e volta pra casa antes da nota fiscal ser impressa. É claro que agora alguns mal-comidos estão começando a criticar a postura de vossa santidade. Mas sabemos que logo essa onda passará.

2 Eduardo Suplicy – Político e Comediante: No Brasil, Suplicy foi o grande nome do ano. Quem mais andaria de cueca sobre a calça no congresso? Que um mês depois do auge da crise política do Sarney, faria um discurso inflamado no congresso mostrando um cartão vermelho?

3 Zequias – Mito e lenda: Sempre será a personalidade do ano em Cuiabá, não importe o que ele faça ou deixe de fazer.

Fatos1 Rio de Janeiro escolhido como sede das Olimpíadas
É aquela história. A privada da sua casa está entupida. Você tem dinheiro pra concertar a privada, mas não se importa com aquilo. A merda vai ficando entulhada na privada, mas você não liga. De repente descobre que uma visita vem a sua casa. E então, por conta da vergonha da situação da sua privada, contrata alguém pra desentupir. A visita vem a sua casa e a privada funciona perfeitamente. Você até toma um champanhe e solta foguetes pra comemorar a privada desentupida. A visita vai embora e você sabe que a privada vai voltar a ficar entupida. Mas não se importa.

2 A história de Frank Maus
Assunto já abordado no CH3. O caso mais sórdido e nefasto que ocorreu no planeta terra desse ano. O marido estéril contrata o vizinho pai de dois filhos, por 2 mil euros, para manter relações sexuais com sua mulher. Após seis meses (!!!) de tentativas frustradas um exame é realizado, e é descoberto que o vizinho pai de dois filhos é estéril. Ou melhor, o vizinho que não é pai de ninguém. Sua mulher o traia e teve dois filhos com outro fulano qualquer.

3 Não consigo me lembrar
De fato, não consigo me lembrar de nenhum outro fato marcante no ano.

E assim, o ano de 2009 termina para o CH3. Ano em que tivemos (com esse) 188 posts, um a mais do que no ano passado. Também tivemos 32865 visitas, 1600 a mais do que o ano passado, e sem um grande hit, como o Brasil nas Olimpíadas.

O CH3 agradece a todos os seus visitantes e amigos, que mesmo sem saber, ajudaram o blog a superar suas dificuldades estruturais no ano. E que 2010 seja um ano melhor, mas, aí já é questão para o post de amanhã.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

E o mundo, vai realmente acabar?

Nos últimos dias tivemos o COP15 na Dinamarca, uma conferência mundial sobre o clima planetário que contou com a presença de diversos líderes de Estado e com apenas um objetivo: discutir se o mundo vai realmente acabar.

Afinal, estamos nós, seres humanos, destruindo o planeta? O fato de recordes de frio, calor, neve, chuva e seca e as mudanças climáticas em diversas áreas do planeta é apenas um coincidência?

De fato parece óbvio. O mundo esta realmente acabando e a humanidade terá uma morte lenta e dolorosa, pagando todos os pecados pelos anos de abuso. Mas por trás de toda obviedade aparente, existe alguma verdade a ser desmascarada. Opiniões divergentes. Diferentes pontos de vista.

E o CH3 irá aqui dar espaço a toda essa fauna¹ de opiniões. Todos os líderes mundiais que discursaram em Copenhagen repetiram o mesmo discurso “Chegou a hora de parar de falar e agir”. O que é contraditório em um discurso e não faz o menor sentido. Eles estavam ali justamente para discursar! Se fossem pra agir, estariam fazendo carreatas, queimando pneus ou coisa parecida, para chamar a atenção sobre a questão do aquecimento global. O CH3 não pretende agir nem discursar. Pretendemos qualquer coisa.

Pai Jorginho de Ogum – O mundo realmente vai acabar. Quinze anos atrás eu fiz uma previsão de que o mundo iria acabar em 2012. Registrei em cartório inclusive. Depois vieram com aquele papo de previsão dos Maias. Não tinha nem cartório pra registrar o que eles diziam! Isso é invenção. Mas de fato o mundo vai acabar. E é por isso que estou vivendo sem compromisso. Não pago mais minhas contas e faço sexo livre. Espero que meus credores não saibam disso.

Cléber Machado – O mundo vai acabar? Pode ser que sim, pode ser que não. É uma questão pontual. Os Maias podem achar que sim, o Obama que não, e quem tem razão? Não tenha dúvida apenas de que o mundo mudou e realmente mudou. Antigamente a árvore derrubada na Noruega podia matar apenas o lenhador. Hoje, pode matar o mundo inteiro. E o lenhador Norueguês é melhor que o brasileiro apenas por isso? Quem sabe?

TVCA – O mais importante sobre o fim do mundo é que nós temos que abrir os olhos para a questão da dengue. O avanço do aquecimento global proporciona uma oportunidade para o desenvolvimento de um velho conhecido, você sabe: o mosquito Aedes aegypti. E caso o apocalipse aconteça a situação pode piorar. E questões importantes ficam: porque o fumacê não é utilizado? O biólogo Landal Lopez que inventou a Mosquitérica, já inventou um novo aparato para capturar o apocalipse e o aquecimento global utilizando uma garrafa pet e um punhado de arroz.

Presidente Lula - O aquecimento global é como uma partida de futebol. Você já jogou a partida inteira de maneira errada. No limite. Até que toma um gol no final. Você tem poucos minutos para reagir. É possível, mas é difícil. E existem pessoas que ficam dizendo “ai, o mundo tá quente, tá calor”. Esse calor não atinge o Brasil.

Galvão Bueno - É amigo. Prepare o seu coração que está chegando. O apocalipse final.
Versão otimista: E com esse apocalipse final... tá ficando bom pro Brasil! E tá ficando bom pro Rubinho! Que está colocando um nó na cabeça dos adversários. E quero ver você lotar as arquibancadas no domingo que vem pra apoiar o esporte brasileiro! Vamos fazer história!
Versão pessimista: Tá difícil. A situação tá complicada. O mundo vai acabar. Não quero parecer pessimista, porque ainda falta muito tempo, mas tá complicado. Mas valeu. Valeu o esforço. O Brasil te ama.

Evaristo Costa e Sandrinha Annemberg:
- É Sandra, fim de ano chegando e a nova moda é o fim do mundo. E você quer estar na moda para esse evento?
- Quem não quer estar na moda né Evaristo.
- É Sandra (risos engasgados).
- E nós vamos ver também como fazer para terminar os nossos dias sem a celulite.
- Desse assunto você conhece né Sandra?
- Porque essa pergunta para mim? Agora falando sério, toda mulher tem, não adiantar mentir.
- Até você Sandra?
- Agora chega Evaristo.
E num momento as coisas saem do controle.
- Chega o caralho sua vadia! Não agüento mais suas piadinhas infames!
E Evaristo saí do armário. Veste-se de ursinho de pelúcia e sai correndo pelos corredores da redação gritando, louco.

Por fim o Apocalipse é entrevistado no programa do Jô
- Então Apocalipse como será o fim dos tempos?
- Bem, provavelmente vai começar perto do teatro Nova Odessa...
- Grande Teatro Nova Odessa, uma das melhores acústicas do Brasil, sem dúvida. E quem está planejando o espetáculo?
- Bem, é uma profecia...
- O profeta? Grande pessoa. Trabalhei com ele na minha peça “Ricardo III” e ele também era meu parceiro no futebol... (risos da platéia), é não sei se vocês sabem, mas eu joguei futebol e joguei muito bem. (Bira começa a rir). Joguei melhor que o Derico. Mas diga, como é que vai começar.
- Bem vai começar derrubando...
- Falando em derrubar, uma vez eu e o Jaime Neto, grande amigo meu, tricolor doente, fizemos uma letra de música que se encaixa em qualquer melodia. Quer ver, vou tocar aqui com a banda.

- Não mas....
- Vamos lá. Um, dois...
- Chega! Chega!
- Falando em chega, vou mostrar uns vídeos que eu vi nas minhas férias nos EUA, no hotel 5 estrelas em que eu estava em Miami... ou será que vamos passar as fotos da sua infância?
- Eu vou acabar com tudo!
- Não fale assim. Olha, nosso tempo esgotou (platéia faz ahhhhhh, Jô segura na mão do apocalipse) eu também adorei. Um beijo do gordo, voltamos depois dos comerciais.

E o mundo assim, acabou antes dos comerciais voltarem.

¹ Quando eu fazia auto-escola meu professor teórico utilizava “multidões” para se referir a todo e qualquer coletivo. “Multidão de carros”, “multidão de acidentes”. O blog resolveu adotar temporariamente, por tempo indeterminado “fauna” como coletivo comum a qualquer coisa.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Dicas para presentes

É hoje. Dia 26 de dezembro. Quando você percebe que esqueceu de dar um presente pro seu cunhado. Ou pra sua sogra. Ou pro seu irmão. Ou pro seu pai. Ou pra sua mãe. Ou então para a sua família inteira. Chegou à noite viu todo mundo junto jantando e disse “ué pessoal, que união é essa?”.

Se você foi uma pessoa esperta, diminuiu o inevitável constrangimento da falta de presentes com a desculpa “ah pessoal, é que eu comprei tudo pela internet, e sabe como é, os correios, esses incompetentes, ainda não entregaram. Deve só chegar segunda-feira”.

Você então passou o dia 25 inteiro pensando em uma maneira de esses presentes chegarem segunda-feira. Você dificilmente vai conseguir. E sabe-se lá até quando a desculpa dos correios vai funcionar. De qualquer forma, você também tem outra grande dificuldade, que é pensar em tantos presentes assim, de uma vez e rápido. Foi pensando nisso que a loja CH3 bolou uma série de presentes especiais, oferta para te ajudar nesse período complicado.

CDs:Coleção “Tributo a Emmerson Nogueira”: Uma série de artistas fazem covers de músicas famosas no estilo Emmerson Nogueira de ser. O volume 1 é intitulado “Churrascaria” com um enfoque maior no sertanejo. O volume 2 é voltado para músicas de Djavan e Leoni sob o nome de “Praça de Alimentação de Shopping”. Na compra dos dois, você ganha o volume 3, “Barzinho” com repertório baseado em músicas do pop/rock dos anos 70, 80 e 90, num clima decadente.

Benga Boys – Live at Jangada: 20 músicas tocadas em uma pastelaria da cidade. Sete minutos de emoção.

DVDs:
Série “Classic Remakes of Hollywood”. Remakes de filmes como “E o vento Levou”, “Casablanca” e “Contatos Imediatos de Terceiro Grau” filmados apenas com dois atores amadores, um cachorro, um conjunto de panelas e um juicer valita em um parquinho de condomínio. Na compra de dois filmes da coleção, você ganha ainda o curta “O maníaco”, sobre o homem que seqüestrava mulheres e fazia suco delas no Juicer Valita.

Para quem curte o gênero dos filmes de horror, uma boa pedida é o DVD “Elza Soares” com os melhores closes e gritos da cantora.

Livros:Além de todos os clássicos da editora CH3, alguns novos lançamentos:

“O melhor de Dan Brown”: três páginas com os melhores momentos de todos os livros de Dan Brown. Contem várias fotos.

“Foda-se”. Livro de auto-ajuda que irá te ensinar a usar o foda-se para superar todos os problemas que aparecem em suas vidas.

Camisetas:Fantásticas camisetas do CH3 com frases divertidas. Não vamos as revelar quais são para manter o suspense.

Se mesmo com todas essas idéias de presente, você não conseguiu pensar em nenhum, aí o problema é seu. Em todo o caso você pode comprar o Sensacional “Kit Suicida Amador”. Com tudo o que você precisará para dar um fim em sua vida.

Um livro com dicas para cometer suicídio de maneira silenciosa. E mais: um banco, uma corda com laço ajustável ao seu tamanho e um vibrador vermelho. O vibrador não tem nenhuma relação com o produto, mas é porque recebemos uma entrega errada na loja e o produto está em estoque.

Aproveite.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Então é natal

E o que você fez? O ano termina e começa outra vez. (O próximo parágrafo será demasiadamente longo e não traz muitas informações relevantes. Se quiser, pule para o parágrafo seguinte).

O que é de fato uma mentira, uma vez que depois do natal ainda existe mais uma semana até o fim do ano. E por mais que vários segmentos da sociedade passem essa data em um estado de ócio completo, outras tantas trabalham duro para que você possa estar aí em frente ao CH3 lendo esse texto. Os apresentadores de telejornal de televisão paga, por exemplo. O canal Bandnews exibe notícias 24 horas por dia. O apresentador passa a meia-noite dizendo “O caso Sean Goldmen...”. Você acha feliz? Você gostaria de viver assim? Então. O próprio CH3 é um dos poucos blogs que não param para férias, viagens pessoais e tudo mais. E olha que ele não recebe nada para isso. Enquanto seus blogueiros favoritos lá pelo dia 18 de dezembro colocam um post de “feliz natal e ano novo! Este blogueiro vai descansar”, enquanto isso o CH3 continua aqui. Acho que esse é o maior parágrafo já escrito no blog. Vou parar, porque já tá difícil entender o contexto geral dessa maçaroca textual e daqui a pouco vai ficar mais difícil que um parágrafo do Bourdier.

Mas então, o Natal? Natais são todos iguais, não? É sempre a mesma coisa.

Chester: O que é o Chester? Nada mais do que um frangão. E no geral o gosto é de frango mesmo. Ou é um misto entre frango e peru, sendo que a carne do Peru em muito lembra a carne do frango.

Tender: Uma boa alternativa para o Chester é o Tender. Que também não é muito diferente de um presuntão. Só que deve custar o quádruplo do que o presunto custa.

Especiais da Globo: A Globo prepara uma série de programas especiais de fim de ano. Que no geral conseguem ser mais chatos do que os programas normais são durante o ano. Uma vez que eles não conseguem ser engraçados nem com temas livres.

Roberto Carlos: Não há nada mais previsível do que o show de fim de ano do Roberto Carlos. Se o pessoal da Globo colocar por engano o show do ano passado ninguém ira perceber. No máximo vai comentar “olha, acho que são os mesmos convidados do ano passado”.

Filas: O jornal não tem pauta, porque perto do natal a política tá parada e tudo mais e então... vamos mostrar as filas ao redor do país! Genial! Então se mostra o inferno, o formigueiro humano da 25 de março ou dos Shopping Centers. “É, sempre tem quem deixa para a última hora”. Só serve para você agradecer o fato de não estar lá, ou temer o fato de que você ainda vai passar por lá mais tarde.

Rodoviárias: É uma continuação da pauta acima. Só que com o fato de que não há o menor glamour. Pessoas suadas com grandes bagagens se espremendo para pegar o ônibus.

Estradas: Esburacadas, acidentes. Quem sair de casa agora (meio-dia) vai passar o réveillon na estrada!

Corrida de São Silvestre: Uma chatice de fim de ano. Aquele povo correndo fantasiado pra no final um queniano ganhar.
Panetone: Um pão sem graça e superestimado. A massa é azeda e frutas cristalizadas são a pior invenção do homem.
Fogos em Copacabana: A maior chatice. Todo ano é igual. 20 minutos de fogos explodindo, e todos são iguais, coloridos... e todo mundo para pra ver. Porque?
Mas enfim. Dentro dessa obviedade natalina o CH3 não poderia deixar de ser óbvio e desejar um feliz natal a todos os Chnautas. Em anos anteriores o blog publicava até cartões de natal exclusivos para essa época, mas esse ano o Departamento de Ilustrações está desativado.


Feliz Natal!

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Get up, Stand up

Por anos a comédia Stand Up teve sua circulação restringida ao território dos Estados Unidos. Aqui no Brasil nós poderíamos nos referir a esse gênero humorístico como “aquele humor sem graça que os americanos fazem”.

No entanto, a influência do Seinfield e de outros programas que passam na TV paga, propiciou uma invasão Stand Up de um tempo pra cá. Nas ruas, nas fazendas ou nas casinhas de sapê, o Stand Up Comedy dominou o país. Incentivados por vários programas de TV e outros formadores de opinião, formou-se em nosso solo uma geração de pessoas que ficam contando piadas em pé, com direito a pausa para que a platéia ria.

Vários desses humoristas contam piadas que nós costumavamos a escutar nos churrascos que fazemos com os amigos. Algumas são engraçadas, sem dúvida. Mas eles cobram 50 reais em média para contar essas piadas. Pagar 50 reais em um show de Stand Up é algo que beira o absurdo. Não há gasto com produção. Não há cenário, não há figurino, não há sonoplasta. Só se paga pro porteiro abrir as portas do lugar e pra acender as luzes.

Nesse aspecto, a comédia Stand Up demonstra uma clara desvantagem em relação ao churrasco. Que geralmente é pago com uma cota de 10 reais (pode chegar a 15, caso o organizador pretenda se arrumar na vida) e ainda tem carne, cerveja e música, por mais vagabunda que ela possa ser. Existe um retorno ao dinheiro investido. E dura mais do que uma hora e meia.

Ok, veio essa geração toda do CQC fazendo humor em pé. Mas até aí é vida deles. Se eles não fizessem isso, ninguém nem ia se lembrar da existência deles. Só que o sucesso deles fez com que o mundo inteiro passasse a fazer comédia Stand Up.

Sérgio Mallandro, aquele que eternizou versos como “vem meu amor, vem meu chuchu, vem bem pertinho, fazer gluglu, gluglu pra mim, gluglu pra tu” e o bordão “Rá! Pegadinha do Mallandro!”, além de ter revelado toda uma geração de atrizes pornôs. Sim, ele mesmo. Começou a fazer comédia Stand Up. Ontem assisti a um programa na televisão onde o Eri Johnson (por céus!) estava fazendo uma apresentação em estilo Stand Up. Para piorar, depois foi a vez de o presidente Lula fazer uma incursão pelo gênero. O presidente foi contar a platéia presente na entrega do prêmio Brasil Olímpico, a sua saga em Copenhagen durante a escolha do Brasil como sede para as Olimpíadas de 2016.

Lula fez voz de justiça, emendou uma série de piadas em sua fala, brincava com pessoas na platéia e fazia inclusive pausas para que o público risse. Depois desse discurso já é possível vislumbrar a carreira do presidente quando ele se aposentar no final do ano que vem.

O pior do Stand Up, é que a popularização do gênero acaba por transformar qualquer discurso, qualquer declaração, qualquer pronunciamento, mesmo que seja apenas instrutivo, em um pequeno espetáculo. Os sermões dos padres são repletos de piadinhas baseadas no cotidiano. A mulher do cerimonial faz pausas para as risadas durante sua fala. Aposto que professores de cursinho imaginam que estão fazendo um show.

E sabe o que é pior? No fundo nem é tão engraçado assim. Sabemos que em breve Jô Soares, Rogério Skylab, Joel Santana e Gugu Liberato podem estar entrando no ramo. Que em breve os piadistas de churrasco subam em cima de bancos para contarem as suas boas histórias.

Mas não é tão engraçado. A piada era algo muito mais interessante na época em que ela não era ensaiada em frente ao espelho e não tinha movimentos estudados. Quando era contada em um grupo de três pessoas. Quando 500 pessoas não se reuniam para ver um cara contando piadas.

A única coisa que se pode esperar é que em breve a comédia Stand Up volte para o seu lugar de origem. Que é morta e enterrada a sete palmos nos Estados Unidos. Digo, que ela deixe de ser a moda da vez.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Amigo Oculto CH3 2009

Senhoras e senhores, a esta altura já é impossível negar: o amigo oculto CH3 é uma tradição, uma vez que este ano foi realizada a terceira edição do evento. O sorteio foi feito no mesmo dia do sorteio da Copa do Mundo, para desespero da FIFA. E foi feito de maneira computadorizada para evitar papeizinhos quentes.

Dessa vez, a cerimônia de entrega dos presentes foi realizada na casa do Tackleberry, obedecendo o sistema de rodízios, implementado em assembléia. Eu e Vinícius já havíamos recebido a cerimônia, agora era a vez de Tackleberry.

O que foi uma complicação, uma vez que, como todos sabem, Tackleberry fugiu para as Bahamas. Foi um pouco difícil convencer a família dele a nos deixar entrar na casa, mas após algumas negociações a entrada foi permitida. Tackle participou por videoconferência. Ao seu lado estava Belchior.

Dessa vez coube a Pai Jorginho de Ogum discursar sobre o fim do ano e filosofar sobre a vida. Foi muito chato. Para manter a tradição, coube a mim, Guilherme, iniciar a entrega de presentes.

Eu disse que estaria mentindo se afirmasse que meu escolhido era meu amigo oculto, porque eu não gostava dessa pessoa. Hanz, o Pansexual, e Alfredo Chagas começaram a se ajeitar para receber o presente. O presenteado era Hanz. Dei para ele 2 sacos de balão de látex. Os quais ele quis usar ali, na frente de todo mundo. Felizmente ele foi demovido da idéia antes que os dardos com tranqüilizantes tivessem que ser usados.

Hanz o pansexual preparou-se para entregar o seu presente. É o momento mais tenso do ano, sem dúvida. E, para variar, o azarado escolhido por Hanz foi Vinícius. Ganhou uma boneca inflável da Deborah Secco. Agradeceu, sem graça, e escondeu o presente.

Vinícius se preparou para entregar o seu presente e utilizou a mesma frase que eu havia dito, sobre não gostar do escolhido. Não havia dúvidas então de que era Alfredo Chagas. O presente foi um DVD do filme Laranja Mecânica. O qual Alfredo disse, graciosamente, que usaria para limpar a bunda. Hanz quis atacar o DVD, mas foi controlado.

Com o megafone em mãos Alfredo anunciou em meio a um discurso sobre o capitalismo como ferramenta de distribuição de renda, que o seu presente para Tackleberry era um carro. Tackleberry ficou emocionado do outro lado da... da... teleconferência. Mal sabe ele, coitado, que o carro é uma miniatura de fusca.

Mesmo com a imagem travada, o que deixava a situação engraçada, Tackle anunciou Guilerme como seu amigo oculto. O boneco de isopor foi presenteado com uma caixa de alfinetes novos, para prender seu braço que anda meio caído.

Guilerme estava meio parado. Mas logo anunciou Marcão. O membro mais emotivo do fórum começou a chorar, mesmo sem saber qual era o presente que ganharia. Dois anos atrás ele comoveu a todos ao afirmar que aquela era a primeira vez que recebia um presente na vida. Hoje ele repetiu o discurso, o que deixou todos meio desconfiados. Ah sim, ele ganhou uma camisa escrita “Mengo, Équiça!”. Como ele é analfabeto, não desconfiou de nada.

O momento mais emocionante da noite foi o que veio a seguir. Marcão anunciou que Pai Jorginho de Ogum, seu fiel companheiro de time, bairro e vida, era o seu amigo secreto. Ambos choraram copiosamente, e o abraço dado entre os dois excitou Hanz, que a essa altura foi abatido a dardos com tranqüilizantes. Humilde como só ele, Marcão deu um conjunto de copos de requeijão pintados pela própria filha para pai Jorginho.

Jorginho de Ogum subiu com um frango a mão, que todos pensaram que seria o presente que ele iria entregar, mas na verdade o pai-de-santo queria assar o bicho. Disse que mal esperava a hora de dar um abraço no seu amigo oculto. Era o Cão Leproso, que deu pulos de alegria. Após um cumprimento caloroso, o Cão recebeu o seu relógio de presente. Ele disse que cabe certinho no pescoço. Cão Leproso ficou ainda mais feliz porque era um relógio daqueles, tipo calculadora.

A essa altura estava óbvio que eu era o amigo secreto do Cão Leproso. Ganhei uma camiseta do Batman, lenços de papel e um CD dos Forgotten Boys. Geralmente o Cão Leproso é quem dá os melhores presentes e é uma felicidade ser sorteado por ele. Mesmo ele sendo um cachorro sem braços e que não trabalha, e que assim, nós não saibamos onde é que ele arruma dinheiro.

Revelação acabada, tivemos que ir embora da casa, porque os familiares de Tackleberry estavam constrangidos com a situação. A festa prosseguiu do outro lado da rua, na calçada, onde discutimos assuntos de deveras importância, como a possível implantação do sistema de amigo oculto ladrão no ano que vem. Alguém levantou a hipótese de que talvez pudéssemos realizar um amigo-chocolate, mas, a mesma foi rechaçada porque consideramos que tal evento é de uma obviedade monótona.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

A Arte de falar no diminutivo

Existem muitas pessoinhas que adoram falar coisinhas no diminutivo. Felizmente eu não sou uma delas.

O que as pessoas que falam no diminutivo esperam ao falarem de tal modo? Provavelmente elas imaginam que o falar no diminutivo seja algo tranqüilizante. Diminui todo o sofrimento e trabalho que o momento exige e transforma tudo em algo pequeno e simples.

Médicos adoram falar assim.
- Bem, é um examinho bem simples. Nós vamos colocar um tubinho através da sua boquinha que vai ir até o estomago. Mas nós vamos dar um remedinho e uma injeçãozinha para que você não sinta nenhuma dorzinha.

Se médicos proctologistas falassem assim, seria estranho.
- Bem, você vai ficar agachadinho enquanto eu coloco o meu dedinho no seu ânusinho para dar um toquinho e sentir se você tem um tumorzinho na próstata.

Ou em uma notícia ruim.
- Olha seu paizinho passou por um probleminha durante o procedimentozinho cirúrgico e morreu.

Professores também gostam de falar assim.
- Este é um trabalhinho bem fácinho. Vocês vão pegar o papelzinho e com uma tesourinha vão fazer cortezinhos na forma de animaizinhos. Depois vocês vão pegar as canetinhas e vão deixar coloridinho.

E existem outras pessoas que em situações normais do cotidiano, falam dessa maneira.
- Então você pode me fazer esse favorzinho? Ir lá no mercadinho e comprar algumas coisinhas, docinhos, frutinhas.

Felizmente outros setores da sociedade ignoram essa maneira de se falar. Imaginem se pilotos de avião falassem assim.
- Senhores passageiros. Nós vamos passar por uma turbulenciazinha e talvez o avião balance um pouquinho. Mas vocês podem ficar tranquilinhos.
Ou.
- Senhores passageiros o avião está com um probleminha na asinha dianteira e nós vamos sofrer uma colisãozinha com um impactozinho fortinho.

Ou sei lá, se as coisas fossem assim no subway.
- Vai querer queijinho? Presuntinho? Franguinho? Pãozinho? Molhinho? Baconzinho? Bebidinha?

Me deu dor de cabeça.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Analisando Canções de Natal

É muito provável que seja o pior do natal. Qualquer estabelecimento público em que se vá, estará tocando um CD com essas canções, nas mais diversas versões. De Frank Sinatra a Frank Aguiar. As meninas cantoras de Petrópolis, ou os garotos fanhos de Pernambuco.

De tanto que escutamos essas músicas, paramos de analisar os fatos e o conteúdo transmitido. Mesmo não sendo um blog feito por críticos marxistas, o CH3 irá fazer esse trabalho de análise.

Anoiteceu

A clássica música que diz “eu pensei que todo mundo fosse filho de papai Noel”. É claro que a letra foi escrita por um usuário de drogas alucinógenas. Pois, só alguém que sofresse de algum tipo de degeneração mental poderia imaginar isso. A música começa com “Anoiteceu, o sino gemeu”. Anoitecer, gemer... exatamente. A letra trata de sexo. O Papai Noel seria uma espécie de estuprador que aparece ao anoitecer e faz as mulheres gemerem e terem filhos dele.

White Christmas
Em uma tradução livre do inglês a música significa: “Eu estou sonhando com um natal branco, igual aos que eu conhecia”, em outro trecho “Com cada cartão de natal que eu escrevo, espero que seus dias sejam felizes e claros, e talvez todos os seus natais sejam brancos”. Não preciso dizer que é uma música racista. Os WASP americanos revoltados com o fim do regime de segregação, agora sonham com um natal branco, apenas branco, de novo.

Bate o sino
“o Sino pequenino, sino de Belém”. É uma provocação do povo belenense ao povo manauara, uma vez que a Zona Franca de Manaus ficam em Manaus (veja você, que incrível coincidência) e assim, teoricamente, o sino pequenino, teria que ter sido feito em Manaus.

Noite Feliz

A resposta do povo Manauara a provocação anterior. A letra diz “pobrezinho, nasceu em Belém”.

Jingle BellsUma ode a cavalos e passeios nos campos e sinos batendo. Eu não consigo perceber por que é que as pessoas acham que está é uma canção de natal.

Papai Noel Velho Batuta

Música dos garotos podres que não é bem natalina. Trata-se de uma forma de ganhar dinheiro criticando os porcos capitalistas. Sendo que o porco, coitado, é um animal que come lavagem e nunca descobriu o capitalismo.

O Natal do Carnicentas
Música composta em parceria por Pai Jorginho de Ogum e Marcão. A gravação feita em um computador toca durante todo o mês de dezembro no Carnicentas.
“O natal já chegou / Alegria na cidade
Cão Leproso está latindo / Com muita felicidade
Todos já estão indo / Para onde estou

A casa de diversão noturna / Carnicentas é o melhor lugar
Para esquecer todas as agruras / E todos poderem se amar

Temos descontos variados / Inclusive para o Papai Noel
Raul Gil se não for viado / Pode vir tirar o Chapéu

E os sinos vão bater / Outras Coisas Também / Venha cá meu bem

É hora de fazer / O natal dos sonhos / É difícil rimar com sonhos


******
Está ocorrendo um ataque de um vírus automático nos comentários do blog, por isso os comentários estarão sendo temporariamente moderados.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Grandes nomes da história (6)

Obina

Por muito tempo Obina foi considerado o Messias. Dizem que sua mãe estava na fila da barraquinha de Acarajé quando o Espírito Santo desceu dos céus e colocou a semente que originaria Obina dentro do Acarajé. Seria Obina portanto, um legítimo filho do Acarajé.

Logo em sua infância Obina demonstrou duas grande habilidades. Uma era para adivinhar quem estava ligando para sua casa. O telefone tocava e Obina dizia “é o tio Joaquim, 3313-2901”. Não dava outra. Sua habilidade era tão impressionante que o menino Obina começou a freqüentar programas de auditório na Bahia e logo o recém lançado aparelho identificar de chamadas ficou nacionalmente conhecido como o bina. O pagamento do cachê era feito completamente em acarajés.

E era no Acarajé que estava a segunda habilidade do garoto. Ele deteve, e ainda detém, os recordes mundiais de consumo de acarajé em todas as categorias de idade. O dia em que Obina foi comer o Acarajé 1000 lotou o estádio da Fonte Nova em Salvador.

Seus recordes geraram polêmica. Os grupos queriam estabelecer novas regras para que os recordes fossem superados. Mas Obina sempre resolvia as questões no braço. O menino foi, durante uma época, criado por Maguila. Aliás, foi Obina quem ensinou Maguila a lutar.

Obina começou a jogar futebol. Era um centro-avante de peso bipolar. Ele conseguia segurar os zagueiros adversários com seu corpo. Era capaz de fazer três gols e no mesmo jogo tropeçar na bola. Foi nessa época que ele viajou a Tunísia para participar de um torneio de futebol, e um torneio de comer Camarões. Na ocasião ele perdeu em campo, mas ganhou na gastronomia. Em ambos os casos, seu adversário foi o camaronês Eto’o. Nascia uma rivalidade.

Apesar de desempenhar um papel melhor nos concursos de Acarajé, nas premonições e no Boxe, Obina foi para o futebol, porque era onde o dinheiro estava.

Talvez um dos dez gols mais bonitos da história do futebol, não seja de Obina. Mas com certeza as três jogadas mais bizonhas foram dele. Virou elemento do folclore. Recentemente abandonou o futebol para se dedicar ao boxe. Isso dentro do gramado. Em breve, ele desafiará Eto’o para uma luta no Zaire.

sábado, 12 de dezembro de 2009

O Labirinto do Jardim Califórnia

A primeira vez que eu fui ao Jardim Califórnia, eu fui a pé. Tinha 12 anos e fui fazer um trabalho na casa de um colega em outro bairro. Como o trabalho acabasse cedo, fui com um amigo meu até a casa dele no Jardim Califórnia, Rua Hollywood, a pouco mais de 1 km da casa onde fizemos o trabalho. Joguei bola na rua e depois voltei até o outro lugar para pegar carona com a minha mãe.

Depois a minha formatura de colégio foi neste bairro também.

Voltei ao Jardim Califórnia apenas quando estava na faculdade, para jogar videogame. Foi no dia que ficou mundialmente conhecido como “O Dia em que Vinícius Gressana perdeu o gol mais feito da história do Winning Eleven”. A casa em que eu fui jogar videogame ficava na mesma Rua Hollywood, mas foi nesse dia que descobri que o Jardim Califórnia é um labirinto. A mesma rua pode ter quilômetros de extensão. Pode fazer curvas, pode se bifurcar, se dividir em três, em quatro, e as mesmas quatro se juntarem em apenas uma.

Uma das grandes dúvidas que tenho é que foi o gênio que projetou as ruas do bairro. Imagino que talvez estivesse na época o conceito de bairros em forma de teia de aranha. De tal forma que todas as ruas possibilitassem o acesso a todas, sendo dessa forma, interligadas, unidas e separadas ao mesmo tempo. Ou talvez quem projetou o bairro não enxergasse beleza  ruas retas e bem distribuídas.

Observem na imagem como as ruas fazem curvas, são cortadas, se juntam, começam, terminam, dão voltas. Quadras looooongas e curtas.

Eu sempre me perco no Jardim Califórnia. Ando quilômetros pelo local e sempre tenho a impressão de que estou andando em círculos. Sempre passo por uma placa de “vende-se este terreno". As ruas parecem que são todas iguais e tenho a real impressão de que irei me perder para sempre naquelas ruas vazias. Até achar uma placa apontando “Buffet”.

Sei de várias pessoas que não resistiram a pressão. Diante de tal sentimento de estarem perdidas, cometem suicídio. Estacionam seus carros no acostamento e se enforcam com seus cintos de segurança.

E ah o que é mais estranho no Jardim Califórnia: não existem pontos de referências. Existem vezes em que eu entro na rua da Agrovita e logo encontro a placa que eu preciso. Você tem certeza de que está no lugar certo, mas o lugar em que você precisava ir não está mais. E que aquele caminho que você fez agora, você não havia feito da última vez.

Minha teoria é que o Jardim Califórnia ocupa um espaço de relatividade espacial e temporal, em que as coisas mudam de lugar. É normal que um Buffet se mude para três esquinas ao lado, e o lugar que ele anteriormente ocupava seja agora ocupado por uma casa com piscina e campo de futebol.

E quem mora lá? Bem, quem mora lá se acostuma. Acha normal chegar em casa e ver que ela deixou de ser amarela, ou que sua piscina foi parar na casa do vizinho. Ele sabe que no dia seguinte é provável que a piscina maior do cara de duas esquinas depois pare dentro da sua sala. E que talvez sua dispensa apareça cheia.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Fale agora ou case-se para sempre

Pessoas casam? Algumas sim, outras não. Elas são felizes? Não sabemos. Mas enfim, o casamento é um momento único na vida de algumas pessoas. A não ser que você seja jogador de futebol, ator da Globo ou a Gretchen, porque essas pessoas se casam umas 14 vezes ao longo de suas vidas. Eu tinha uma professora de psicologia que havia se casado quatro vezes.

Algumas coisas precisam ser observadas no casamento, quanto ao seu comportamento.

Roupas
Caso você seja uma mulher, evite vestidos pretos. E caso vá com um vestido preto, não sente na primeira fila, de óculos escuros enxugando lágrimas. Também não vá usando vestido branco. Muito menos se esse vestido for longo e com véu e grinalda. E caso você vá vestida assim, evite entrar na frente da noiva e ir beijar o noivo.

Os homens também devem evitar ir usando vestidos brancos ou pretos. Aliás, os homens devem evitar o uso de vestidos, saias ou coisas parecidas. Fora isso, basicamente não vá nu. Se quiser combinar terno laranja com gravata rosa e camisa roxa, você pode usar a desculpa de que é descolado.

Não revele segredos do passado obscuro do casal

Não seja aquele amigo constrangedor do noivo que diz “eee garotão tá casando heim!? Acabou a farra! Tinha que ver esse cara aqui, saia na noite e agarrava todas. Comia todas as menininhas. Agora você é homem sério rapá!”.

Se esses segredos forem de um passado bem recente, recente digo, desde que o noivo está junto com a noiva é pior ainda. “Tinha que ver! Mês passado nós fomos em Livramento, ele pegou umas sete!”. Depois imagine a dificuldade do noivo em convencer a noiva de que ele realmente havia ido apenas visitar uma tia avó em Jangada.

Sobre o bolo
Se por um acaso houver um bolo na festa, tome cuidados. Não digo cuidado no sentido de imaginar que ele seja uma bomba disfarçada e que por conta disso você saia correndo com o bolo para algum lugar.

Mas, não cante "com quem será" ao ver o bolo. E se cantar, não invente de mudar o nome da pessoa com que o noivo vai se casar.

Caso existam bonequinhos dos noivos em cima do bolo, não coloque um boneco por cima do outro, de tal forma que pareça que eles estão interpretando posições do Kama Sutra.

Caso nada disso exista, desconsidere essa parte. Aliás, caso o casamento não exista, desconsidere o texto.

Discurso do padre
Se o casamento for religioso, o padre irá fazer aquele longo discurso. Não é de bom tom que você dê risadas quando o padre falar “promete amá-la...” e essas coisas.

E claro, há o momento épico de todos os casamentos. A hora em que o padre diz “fale agora ou cale-se para sempre”. O óbvio é que você se cale e não diga nada. O que não significa que você tenha que se calar para sempre. Uns três minutos depois você já pode começar a falar. Mas, enfim, será mais interessante se você resolver falar alguma coisa.
- Peça a palavra para recitar uma letra de funk.
- Diga que você fez sexo com a noiva, ou com o noivo, ou com os dois, na noite anterior. Dentro da Igreja.
- Apareça com uma criança e diga “esse aqui é filho do noivo!”.
- Peça a palavra e pergunte as horas para o padre. Apenas por curiosidade. Depois volte a se sentar.

Este post é dedicado ao elemento X. Ombudsman, conselheiro espiritual, homem mais próximo do CH3 e segurança do blog.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Guia CH3: Como escrever um texto do CH3

Você entra aqui lê um texto do blog e pensa “queria fazer um texto do CH3. Como será possível?”. Este guia irá te ensinar a ter resultados eficientes.

1) A primeira coisa que você precisa ter é uma idéia. Para ter uma idéia você precisa pensar. Para você pensar você precisa ter um cérebro. Para ter um cérebro... bem, aí eu não sei. Eu conversava nessa parte da aula de biologia. A questão é que você pode ter todos esses pré-requisitos, mas mesmo assim morrer sem jamais ter tido uma idéia. O processo do surgimento de uma idéia pode ser considerado um milagre. Ou não. Você pode ter ela a qualquer momento do seu dia. Mas, para se ter uma idéia... bem... preste atenção em tudo.

2) Depois você precisa desenvolver essa idéia e como é que você a faz? Sim, escrevendo. Para isso, é de bom tom que você seja alfabetizado. Geralmente funciona melhor se você escrever no computador. Mas você pode até escrever a mão. Uns dois textos do CH3 foram escritos a mão antes de serem digitados. Não me lembro quais eram. Mas aí é mais cansativo e você pode acabar desistindo da idéia se ler ela muito.

3) Pense em uma abertura. Essa abertura pode ser simplesmente explicativa sobre o texto. Ou pode não ter nada haver com o texto. Aliás, se você quiser, vários parágrafos do texto poderiam ser sobre um assunto diferente. Eu poderia agora revelar que na verdade esse texto é uma análise sobre a obra de Machado de Assis.

4) Capitu. O que ela fez? Ela deu pra todo mundo? Seus olhos de ressaca significam que ela era alcoólatra?

5) A medida que o texto for desenvolvido, surgirão várias opções de trocadilhos. Por exemplo, o caso da ressaca. O trocadilho mais simples era o com a ressaca alcoólica. Mas você poderia ir no sentido original da ressaca do mar. E a partir disso criar algo muito maior. Esses trocadilhos também podem não ter nenhuma lógica.

6) Sempre que você quiser citar um dado, não se preocupe com a veracidade dele. Chute um número qualquer, de forma que ele seja o mais interessante possível. Eu poderia aqui dizer que 23% dos textos do CH3 contém informações desse tipo. Este não é um blog jornalístico na essência da palavra. A credibilidade não importa. Ou talvez, justamente pela credibilidade não importar, esse seja um blog jornalístico na essência da palavra.

7) Confunda o leitor com as suas dúvidas. Ainda não me lembro qual era o texto que eu escrevi a mão antes de digitar.

8) Certa vez um anônimo comentou o seguinte no blog, sobre o texto de como se tornar um crítico de cinema: “Como é?! Trabalho de critico não é brincadeira, tampouco alguma função que se baseie em velhos clichês e costumes preguiçosos. No inicio até se deu bem, mas daí em diante transformou o texto numa piada sem graça e sem tamanho. Você é até bem humorado, mas não entende nada de ser critico de cinema, meu amigo.”

9) Sempre que você terminar o seu texto pense se um anônimo viadinho poderia dizer essas palavras para ele. Para esse texto no caso: “Como é?! Escrever para o CH3 não é brincadeira, tampouco alguma função que se baseie em velhos clichês e costumes preguiçosos”. Se isso for possível, o seu texto está muito bom.


10) Ah sim, o texto no caso era a festa do cabide da teoria à prática. E também a dieta do chá de cogumelo.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Peças de humor involuntário

Ontem eu estava no parque Mãe Bonifácia. Ao descer do meu carro, fui abordado por um homem que me ofereceu um livro. Aceitei o livro sem imaginar o que era. Vi que várias pessoas estavam ganhando esse livro. Olhei então o título do livro “tempo de esperança – 24 horas para você renovar suas energias”. Imaginei que se tratasse de algum livro de auto-ajuda de cunho religioso.

Não abri o livro, porque afinal, eu estava andando. E ler e andar ao mesmo tempo é um convite para o tropeço. Logo sentei e dei uma folheada no livro. Era da Igreja Adventista do Sétimo Dia. O livro era uma adoração ao sábado, já que essa igreja adora o sábado. Não li o livro, é claro, mas olhei algumas frases em destaque.

Morri de rir. Eis algumas das frases mais engraçadas do livro:
“Ao longo dos séculos, a falsa adoração com freqüência foi fundamentada no culto ao Sol”.
“O primeiro dia completo que Adão e Eva passaram juntos foi um sábado”.
“O sábado nos convida a entrar no descanso celestial de Deus e desfrutar um gostinho do Céu hoje mesmo”.

Você provavelmente pode não ter achado a menor graça nisso. Mas eu achei bastante. Provavelmente o Mark Finley, autor do livro, e que está envolvido no ministério cristão há mais de 40 anos, não tinha a menor intenção de escrever um livro tão engraçado assim. Mas pense, observe o enorme humor presente na frase sobre Adão e Eva. E como não é engraçado escrever um livro para defender o ócio total ao sábado?

É um humor involuntário. E para mim, o humor involuntário é o mais engraçado. Pessoas que são engraçadas, mas não sabem que são engraçadas. É o caso de um lendário colega meu de faculdade, cujo nome começa com Z. Tudo o que ele fazia era incrivelmente engraçado. Mesmo que fossem frases simples. Ele dizia “cara, perdi meu ônibus hoje”. Era o suficiente para rir.

Você conhece outras pessoas assim. Alguém que diz “mas eu to com uma fome!” e todo mundo ri da afirmação.

Um dos maiores programas de humor involuntário da televisão brasileira é o jornal do meio-dia de uma televisão local. Todo dia quando eles começam falando “a escalada da dengue no estado” eu já começo a rir.

Então eles começam a falar dos meios exóticos para se matar o mosquito da dengue. Da mosquitéria. Invenção de um professor que fala estranho. E dá um baita trabalho, pra prender o mosquito. Teoricamente era mais fácil só manter o quintal limpo, sem água parada e etc. Mas a TV fica mostrando meios bizarros de se capturar um mosquito.

Além das matérias sobre esgoto e prisão de ventre, ali, na hora do almoço. Ou as entrevistas ao vivo. A pergunta para o psicólogo se acordar de mau humor e dormir feliz é sintoma de distúrbio bipolar. Pense, só um programa de humor teria a idéia de fazer essa pergunta seriamente para um psicólogo. É o CQC cuiabano. E a apresentadora super maquiada? As imagens especiais do céu, feitas ali no topo do prédio da emissora, exaltadas como se fossem dignas de Oscar. E nas entrevistas ao vivo, o entrevistado é sempre interrompido bruscamente. É quase um Monty Python.

Existem muitas outros exemplos de pessoas e programas assim. Mesmo sem saber, eles são bem mais engraçados do que qualquer outro um que force piadinhas.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Profissões desgraçantes – Ajudante de Papai Noel

O trabalho de Papai Noel de shopping é sacal. A não ser que você goste de passar o dia inteiro com crianças sentadas no seu colo, puxando sua barba e seus cabelos para ver se são verdadeiros. Que você também goste de escutar os pedidos das crianças e dizer que irá cumpri-los, mesmo sabendo que não poderá fazer nada e que caso os pais da criança sejam irresponsáveis, você será o culpado pelo trauma da criança que poderá se tornar um psicopata, assassino de Papais Noéis, transformando sua vida em uma desgraça. Se você conseguir dormir com essa culpa e com esse medo, você talvez possa ser feliz nessa profissão.

O trabalho de coadjuvante também é bem chato. Estar sempre às sombras de alguém que lhe ofusca e te transforma em um apêndice esquecível.

Ser coadjuvante de um trabalho sacal então é pior ainda. Ser ajudante de Papai Noel de Shopping Center. Noeletes, sei lá como elas podem ser chamadas.

Há claro o lado positivo de que você não terá todo esse peso na hora de dormir. Você será no máximo a cúmplice do crime de frustrar sonhos. No dia em que a criança que pediu uma bicicleta e ganhou uma camisa pólo de 20 reais, crescer e virar um adulto psicopata, no dia em que ela fizer um atentado terrorista para matar o Papai Noel do shopping, a ajudante irá morrer por tabela. Virará nota de rodapé das notícias dos jornais.

Fora isso, você também tem que gostar de crianças. E uma vez que o Papai Noel pode ser um velho e gordo, ele não poderá ficar correndo atrás das criancinhas empolgadas que torram a paciência do infeliz. Sobrará para você, mera ajudante que ganha menos e nem é convidada para aparecer em fotografias, caberá a você correr agachada tentando segurar as crianças e mantê-las sobre controle. E tudo isso com um sorriso no rosto, o sorriso de satisfação.

É claro, você pode achar esse texto sem coração, que o trabalho de Papai Noel é lindo e exuberante, que traz alegria e fantasia, realça a imaginação infantil. E que bom seria se Papai Noel existisse o ano inteiro. Bem, de fato. São os dois lados da moeda. Sempre sonhei em terminar um texto com uma expressão banal.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Pessoas Constrangedoras, volume 3

Pessoas que fazem piadinhas sexuais

Sem dúvida você conhece alguém assim, ou esse alguém pode ser você. Pessoas que fazem piadinhas sexuais acham que esta é a melhor maneira de se descontrair um ambiente, aliviar a tensão de uma situação, ou simplesmente contar vantagem sobre a sua vida.

Para esse tipo de pessoa não existem limites.

Situação 1, descontraindo o ambiente.
- Opa, e ai pessoa.
- Oi.
- Porque essas caras sérias? A camisinha estourou a noite? Heher. (note que essa é a risada sacana tarada. No fundo de suas lembranças, você conseguirá imaginar ela).
- Não, é que nosso tio morreu.
- Nossa, como?
- Dormindo.
- Hehe, deve ter trepado muito e pregou, heim?

Situação 2, Aliviando a tensão de uma situação.
(Ao telefone)
- Opa e ai cara, o que me conta?
- Ah cara, sofri um acidente.
- É? Cortou o pinto?
- Não, não. Cai do telhado.
- Ah rapaz, fazendo o que lá? Espiando a vizinha?
- Não, trocando a antena.
- Ah, pra sintonizar o canal pornô né, safado. E o que aconteceu?
- Bem, fiquei tetraplégico.
- Nossa, que foda.
- É, eu não consigo fazer nada. Minha mulher tem até que me dar banho.
- Opa, e ali no banho não rola um clima?? Hehe.
- Não cara...
- Po, aquela água caindo ela te esfregando...
- Eu estou tetraplégico!!!

Situação 2.1
(pessoalmente)
- Cara o que aconteceu com seu braço?!
- Ele teve que ser amputado.
- O que foi, tocou muita punheta?

Situação 3, Contando vantagem
(esse exemplo se aplica as pessoas que falam de sexo o tempo todo)
- E ai cara, como foi o carnaval?
- Ah, foi bom. E o seu?
- Foi muito bom. Fui pra Livramento.
- E o que teve lá?
- Ah, comi a mulherada rapaz. Umas menininhas novinhas, loucas pra dar.
- Ah Sim.
- Tinha que ver rapaz, uma delas gemia como uma cabrita. Peguei ela em todas as posições.
- Ah sim.
- Ela era tarada rapaz. Queria me chupar no meio da praça.
- Ah sim.
- Mas eu comi uma dentro da farmácia, loucura.
- Ah sim.

As pessoas que contam piadinhas sexuais o tempo todo acabam sendo isoladas por certo setor da sociedade. Mas elas sempre encontram apoio quando conversam com uma outra pessoa que conta piadinhas sexuais, o tempo todo.

- Cara, meu pai morreu.
- Morreu, mas fudeu bastante, heim.
- O, lógico. Até quando ele ficou paraplégico ele comia as enfermeiras que cuidavam dele.
- Hahaha, lembro da vez que comi uma enfermeira em Livramento.
- Cara, que massa. Pegou ela de quatro?
- De quatro, cinco qualquer número. Cachorra!
- Vadia!
- Vamo pro puteiro!

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Crime e Castigo

Atenção, se você procura por “Crime e Castigo” obra do escritor russo Dostoievski, procure melhor no Google.

O ser humano comete erros o tempo todo. Seja os erros mais simples como discar o número errado no telefone, até os mais complexos como ir a um bar, beber todas, discutir com o garçom e matar ele com um caco de vidro, roubar um carro da polícia, dirigir bêbado até o aeroporto causando acidentes e atropelando pessoas, seqüestrar um avião e cair com ele em cima de um hospital.

Quando o ser humano erra, ele é castigado. Se você entra na rua errada, demora mais tempo até chegar ao lugar que queria. Se colocar uma televisão na tomada errada, você estraga a televisão. E se rouba um pirulito de uma criança e utiliza ele para sodomizar uma freira, você... será linchado.

A história do sistema penal é algo muito complexo e eu demoraria pelo menos 40 páginas para resumir. Mas basicamente, as penas evoluíram muito desde o tempo do olho por olho, dente por dente, pâncreas por pâncreas. E existem as mais variadas escolas penais. Há quem defenda morte para todos os erros, e há quem imagine que qualquer erro deva ser perdoado, porque a vida, e deus, irão se encarregar de castigar o criminoso, nem que seja no dia do juízo final.

Mas, a escola penal menos conhecida do mundo é a Escola das Penas Alternativas Nonsense EPANtrovski (note que o trovski no final é apenas para reforçar o caráter nonsense da escola). Uma escola tão underground, que só mesmo o lendário Alfredo Humoyhuessos poderia me explicar como ela funciona.

Telefonei para o lendário filosofo, pensador e técnico em informática colombiano. E eis um resumo do que ele me explicou.

A origem da escola vem da Noruega. Um grupo de jovens escandinavos tomou um porre de vodca e comeu latas de Arenque Podre e bolou a base do código penal da EPANtrovski. Este código evoluiu desde então, ganhou versões de seus defensores em cada país. Infelizmente ele só foi usado duas vezes como sistema penal oficial de um país. No Sri Lanka em 1977 e no Brasil em março de 1931. Em ambos os casos por erro de digitação.

É bem difícil explicar como funciona o código. Não existe uma aplicação simples como: Matou tem que assobiar e comer farofa ao mesmo tempo. É um código muito interpretativo. Vamos citar algumas penas possíveis.

- Assistir propagandas ruins: Propagandas com crianças de voz irritantes (meu pai é um gigante), o comercial do Ronaldo falando das laminas de barbear Bozzano ou o comercial do Listerining Whitening. Em casos mais graves a propaganda do guaraná Dolly ou o Da Da Da da Pepsi podem ser utilizados.
- Carregar cartões de ônibus do MTU de crianças carentes. Uma de cada vez, indo ao fim da fila ao final de cada recarga.
- Corrigir erros de português no Orkut. Konpkliikado de+.
-Ser proibido de comprar coisas que você gosta. Tal qual sua mãe fazia quando você era pequeno.
- Ter que se comunicar na língua do P em repartições públicas.

Se os criminosos não cumprirem essas penas eles serão mortos. E as penas também serão diferentes.

As penas de morte previstas no código são:
- Morte por cutucão no toba.
- Morte por golpes aplicados com o pênis.
- Morte por engolir objetos cortantes.
- Sufocar-se no próprio tênis.
- Ser atropelado por um mamute em uma passeata gay.
- E a tradicional morte ao ser atingido por pianos, bigornas, botijões de gás enquanto se caminha pela calçada.

sábado, 28 de novembro de 2009

Coisas que saíram de moda

Durante uma época todo mundo teve. Hoje são itens apagados da memória.

Agenda Eletrônica: Dar uma agenda eletrônica de presente, era o sinal da modernidade. Você estava incluindo o presenteado em um novo mundo. Mundo em que agendas de papel eram itens ultrapassados e que você poderia levar milhares de números em uma pequena maquininha que ainda fazia cálculo. Bem, uma vez que o celular hoje em dia faz tudo isso e ainda telefona para outros lugares e toca música, para que alguém iria querer ter uma agenda eletrônica hoje?

Pochete: Hoje a pochete é um assessório de moda extremamente condenado por qualquer criança de 4 anos. Mas houve uma época em que ela era um sinônimo de liberdade. O homem poderia levar tudo o que quisesse dentro de uma pequena bolsa pendurada na cintura. Bem, de fato não fazia sentido mesmo.

Capa de Celular: Parecia que não fazia sentido ter um celular, se você não tivesse uma capa de celular. Logo que alguém ganhava um celular, a primeira coisa que fazia era ir em uma loja escolher uma capa. Podia ser daquelas boas, que dava pra encaixar na cintura. Modelos com estampa de oncinha, cor-de-rosa ou de couro legitimo foram aparecendo. Com o tempo, não sei explicar o porque, mas, felizmente, as pessoas pararam de dar importância para isso.

Tamagochi: Isso é dos tempos de criança, nos idos de 1997. Todo mundo, menos eu, tinha um tamagochi. Um brinquedinho que reproduzia um dinossauro, que as crianças tinham que ficar alimentando, brincando, colocando pra dormir, limpando a merda. O bicho apitava quando estava insatisfeito. Enfim, era um instrumento para escravizar crianças. Um ano depois eles desapareceram, e todo mundo que teve um deve sentir vergonha e negar o fato.

CDs: Os discos compactos surgiram como uma alternativa prática para os vinis, aqueles bolachões inúteis que ocupavam espaço. Com o surgimento da internet, do mp3, da banda larga e dos sites de compartilhamento, os CDs foram mortos. Hoje quem compra um CD corre o risco de ser humilhado e também de apanhar por contribuir com a maldita indústria fonográfica. E ah, quem compra vinil e cool.

Escafandros: Existiu uma época em que os homens saiam a rua utilizando os mais variados modelos de escafandro, fabricados nos mais diferentes materiais e... Ok. Esse tempo jamais existiu, mas teria sido muito legal.

Futuramente, quem sabe, eu me lembro de outros. É difícil lembrar de coisas que foram esquecidas.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Caneta Espiã

A caneta espiã dominou o mundo. Sim. Se eu já cheguei a falar sobre a era do fake e a era do fail, a verdade é que vivemos sobre a égide da caneta espiã. Você entra em portais sérios da Internet e lá esta a propaganda da caneta espiã, com desconto. Metade dos Spams que recebemos por e-mail se referem a oportunidades de adquirir uma caneta espiã. A caneta espiã é o novo aumente seu pênis.

Esse elemento consistido de três partes (uma ponta que escreve, uma ponta que filma e a metade que encaixa na porta USB) traz uma série de dúvidas.

A primeira é: porque você iria querer uma caneta espiã. Pense. Você pode até pensar “nossa que legal, com isso vou poder filmar várias coisas, vou poder me exibir para os meus amigos”.

Mas, ter uma caneta espiã, ou qualquer coisa que filme secretamente, só faz sentido se ninguém souber que você tem uma. Senão sempre que você entrar em algum lugar todo mundo ira te olhar desconfiado. Qual é a graça de ter um negócio desse e não poder contar pra ninguém? Não poder fazer uma reles piadinha? “Opa, vou te filmar aqui, hehe”.

E uma vez que essas canetas são tão noticiadas na internet todos saberão da sua existência. Todo mundo olhará desconfiado para o cidadão concentrado com uma caneta na mão.

E depois, em quantas oportunidades da sua vida você parou e pensou: nossa, seria diferente se eu tivesse uma caneta espiã. Em umas três talvez. Quando você foi reprovado injustamente na prova do DETRAN, quando seu chefe tentou te assediar sexualmente. Fora isso?

Há ainda um outro problema que é, como você vai fazer para filmar? Infelizmente filmagens só ficam boas se você tiver um bom ponto de apoio e uma boa capacidade de mostrar o que é que você quer filmar.

Imaginem a cena numa reunião do escritório e lá está o sujeito com sua caneta discretamente na frente do rosto, apontando para quem ele quer filmar.

“É simples, coloque ela no bolso da camisa!” dirá você revoltado com minha burrice. Mas, são todas as camisas que tem bolso? Você sempre estará preparado com uma camisa com bolso para as situações em que você precise de uma caneta espiã? E também será super estranho ver aquele filme que só filma o busto das pessoas.

Enfim, do ponto de vista prático, uma vez que já existem celulares com filmadora, a caneta espiã é um artigo desinteressante. É preferível que você compre aquela caneta que tem choque, para pregar uma peça nos amigos.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Perdidos!

Não, esta não é uma versão brasileira Herbert Richards* para o seriado lost.

No seriado as pessoas estão perdidas numa ilha. E lá elas viagem no tempo entram em túneis siderais, fumam maconha e praticam o amor livre. Bem, não, na verdade o festival de Woodstock não aconteceu na ilha de lost. Ou não que eu saiba. Esse seriado é uma coisa muito complexa para mim.

Mas a questão mesmo é... estar perdido. É uma sensação deveras desagradável. A sensação de não se ter a menor idéia da onde é que você está. Todo mundo já esteve perdido alguma vez na vida. Alguns acabaram se perdendo por toda a eternidade.

Recentemente, por exemplo, eu fui a um chá de panelas de um amigo não identificado que irá se casar. O evento aconteceria em Várzea Grande. Para chegar até o local, o noivo mandou informações. Entra a esquerda na padaria, passa uma ponte e depois do segundo quebra-molas entra a esquerda.

Tudo OK. Aquela sensação de que felizmente você está no lugar certo. Passei o segundo quebra-mola e pronto! Entrei à esquerda. E dei de cara com um rancho, o cavalo alegre, que fica no fim da pista do aeroporto. Perguntei para o rancheiro se ele conhecia o lugar onde eu deveria ir. Ele disse que não. Perguntei para um pastor na rua e ele me informou que era na próxima à esquerda.

Voltei para a rua principal esperando a próxima a esquerda. Mas não existia próxima entrada a esquerda. Logo após aquela rua começava uma estrada, que mais tarde descobrir ser a Estrada do Engordador. Completamente escura, cercada de mato e sem acostamento. Não havia hipótese para que eu retornasse. Só me restava a alternativa de seguir em frente. Até achar um lugar para voltar. Se ele lugar não existisse eu acabaria parando na ponte Sérgio Motta depois de contornar todo o Rio Cuiabá.

Mas eu não sabia disso. Segui em frente até achar uma pequena comunidade com uma pequena rua. Notei que não havia pastéis e logo concluí que essa comunidade não era Jangada. E como não havia putaria, logo não era Livramento e também não era carnaval. Pela falta de maconha e sexo livre não era Woodstock. Na verdade tratava-se do bairro Costa Verde.

Fiz o retorno voltei ao lugar do segundo quebra-mola até descobrir que o problema na verdade é que eu devia ter entrado à DIREITA. Sim, direita. Todas as pessoas confundiram os lados. Se eu tivesse entrado à direita, logo teria encontrado o lugar.

Também me lembro de ter ficado perdido no interior de São Paulo em busca de um sítio. Sei de pessoas que ficaram perdidas na avenida dos Trabalhadores. Ficar perdido é uma sensação estranha. De que você irá ficar eternamente ali e morrer de velhice em um lugar desconhecido. Ou então se submeter a humilhação de ligar para alguém e falar “estou perdido, não sei aonde estou”.

E você, quando esteve perdido?

*Fica assim também a homenagem do CH3 a este grande homem que ninguém sabia que existia de verdade, mas que morreu deixando um profundo vazio em nossas vidas. E nossas condolências a Carlos Álamo e John Marshmellow, os sobreviventes do mundo dos dubladores.

domingo, 22 de novembro de 2009

Concurso Público, ou, o Caos

O ser humano nasce, cresce, estuda para passar em concursos públicos, para então decidir se vai se reproduzir, e morre.

Era assim que eu começaria o meu texto de hoje, que iria abordar os vários aspectos referentes ao concurso público. A indústria formada ao redor desse evento, que envolve desde os cursinhos até os fiscais de prova. Citaria os trechos de uma matéria que eu escrevi durante o sétimo semestre do curso de Jornalismo, para a aula de Jornalismo em Revista, da professora Keka Werneck.

“O clima na sala durante uma prova de concurso é sempre parecido. Pessoas nervosas comendo bombons e barras de cereal. Garrafas de água aos montes. Folhas sendo escritas e cartões de resposta sendo preenchidos. Preocupação com o horário final para se entregar a prova. E no final as pessoas estão ainda mais nervosas. Algumas já lamentam a não reprovação, enquanto algumas procuram logo o gabarito.”

Essa era muito mais uma definição de provas de vestibular. Mas no texto de hoje eu iria abordar inclusive as semelhanças e diferenças entre uma prova de vestibular e uma prova de concurso público.

Sim, esse era o meu objetivo. Mas, nós não podemos manter nossos princípios e abandonar os fatos relevantes, ainda mais se esse fato relevante estiver relacionado ao assunto que era previamente pretendido.

Isso por que hoje é domingo, 22 de novembro de 2009, o dia em que Cuiabá conheceu o Caos.

Seria realizado hoje o maior concurso público da história do universo. Mais de 200 mil pessoas no Estado. 180 mil apenas em Cuiabá.

Como era de se esperar o trânsito estava um inferno. Escutei relatos de pessoas que em meia hora não conseguiram andar 1 km de carro. As pessoas começaram a abandonar os seus carros no meio da rua e várias morreram esmagadas contra o muro.

Na UNIC e na Unirondom o clima foi ainda mais quente. Na primeira, provas com lacres rasgados e gabaritos já preenchidos foram entregues aos alunos. E uma confusão fez com que as provas do período da tarde fossem entregues de manhã. Pessoas começaram a tentar vender as provas que os outros não tinham feito. E algumas pessoas ainda foram locadas em salas inexistentes.

Já na Unirondom foi ainda pior. Distribuíram provas do ensino médio para delegados, prova de advogado para crianças da pré-escola. Ainda faltaram provas. Apesar de proibidos, os celulares eram amplamente utilizados. Algumas provas demoraram uma hora e meia para começar. Revoltados, alunos começaram a jogar provas pela janela e a quebrar cadeiras. Logo seqüestraram os fiscais e os esquartejaram.

A revolução partiu para as ruas.

A uma da tarde eu estava voltando para minha casa. Tive que afastar alguns cadáveres da porta do meu carro. Uma mulher gorda dizia “Esse Blairo Maggi quer fazer o maior concurso da história e não consegue! Isso é megalomania! Aposto que ele tem o pinto pequeno!”. Pessoas começaram a gritar que Blairo Maggi era hipodotado.

Todas as ruas estavam engarrafadas. Pessoas passavam com o carro por cima das calçadas atropelando pedestres. Uma cratera se abriu na Prainha, daonde o demônio sugava as vísceras dos transeuntes.

Pessoas com tochas e rastelos caminhavam rumo ao Palácio do Governo querendo a cabeça de Maggi em uma bandeja de prata. O estado de sítio foi decretado e os alienígenas invadiram Cuiabá. Agora a pouco começou uma chuva de grilos e de rãs.

Talvez esse seja o último post do blog.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Guia CH3: Como se livrar dos atendentes de telemarketing

É claro que esse é um assunto que já foi muito explorado em e-mails. Mas o CH3 aqui pretende mostrar uma visão diferenciada dos fatos. É fácil ter uma visão diferenciada? Sim, de fato é. Basta colocar um óculos de grau ou um óculos colorido que automaticamente você passará a ter uma visão diferenciada.

Digamos que é muito mais fácil se livrar dos vendedores de cartão de lojas de departamento. Basta que a cada vez que eles se aproximem, perguntando se você já tem um cartão da loja e se quer fazer um, é só dizer:
- Sim, tenho quatro.
- Sabia! Sabia! Sabia que você ia dizer isso, meu médium me avisou, ahhhh!
- Hoje é sexta-feira. Você não tem vergonha de me oferecer um cartão em uma sexta-feira? Você sabe o azar que isso proporciona? É comprovado com pesquisas cientificas.
- Apenas se eles forem comestíveis.
- E você, passa cartão?

Com o telemarketing é muito mais difícil. Mas, muito mais difícil mesmo. Os e-mails falam de técnicas como:
- imitar Silvio Santos.
- Fingir ser gago.
- Desabafar com a atendente.
- Simular sexo por telefone com a atendente.

São coisas divertidas de se fazer? Sim. Você irá se livrar desse telefonista? Vai, sem dúvida. Mas você irá se livrar de apenas um. E o problema é que não existe apenas um operador de telemarketing no mundo. São vários. O telemarketing é o ramo de mercado que mais emprega pessoas no Brasil. É um verdadeiro exército da destruição. Uma arma de devastação em massa. Se eu fosse um governante de país vizinho já teria declarado guerra ao Brasil por saber desse dado.

Pois bem, pense nisso. Você não conseguirá se livrar deles um por um através do telefone. A revolução não será telefonada. Você não vai mudar o mundo com um botão, a não ser que esse botão seja um botão vermelho.

Você terá duas saídas então.

A primeira é se isolar. Se mudar para uma montanha ou ir para uma ilha deserta, onde você não poderá ser encontrado. Se alimentará de pequenas plantas e eventuais caças. Ou talvez seja mais simples apenas tirar seu telefone da tomada. O que te privará de pedir uma pizza na sexta a noite.

Se você achar que essa solução é um tanto quanto simplória e que resolverá o seu problema, mas não irá resolver o mundo, não irá ajudar as outras pessoas, você pode partir para o ataque.

Não é possível que operadores de telemarketing sejam iguais aos outros seres humanos. É bem provável que essas pessoas tenha um gene em comum, algo que explicaria o porque tantas pessoas aceitam esse trabalho. Um cromossomo torto. Isso explicaria entre outras coisas o comportamento robótico e a incrível insistência dessas pessoas. Nenhum ser humano normal conseguiria ouvir respostas negativas tantas vezes e ainda assim insistir na perspectiva de um sim.

Faça pesquisas genéticas. Colha o sangue, pedaços de tecido. Estude o cérebro dos operadores de telemarketing. E veja o que há de comum. Descobrindo o gene que causa o operadordetelemarketismo. A partir da sua descoberta, estude uma droga, uma bactéria ou o que seja. Essa droga pode servir tanto para curar esses pobres coitados ou... pobres coitados nada. Crie logo uma droga que mate esses bastardos malditos! Aproveite suas falhas. Como essa pesquisa poderá ser demorada, é bom que vocês desligue seu telefone no período. E coma pizza apenas na rua.

Outra boa solução é descobrir onde eles trabalham e matar todos eles. Seja fuzilando, ou seja explodindo a sede onde eles trabalham.

São saídas drásticas? Sim, são. Mas às vezes elas são necessárias. É o que faz o mundo mudar. Mas é claro que não. Você ficará ai sentado em sua cadeira sem fazer nada e reclamando até a morte de que não sabe como resolver esse problema. Correndo pro telefone achando que é seu esquema, mas é o Banco Real te oferecendo seguro de vida.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

A Greve das Prostitutas

2009 foi um ano em que várias greves prejudicaram o povo cuiabano. Tivemos greve nos Correios, nos Bancos, no judiciário e até a polêmica greve dos médicos do Pronto Socorro. Mas nenhuma greve abalou tanto as estruturas da cidade, como a greve das prostitutas.

Tudo começou quando prostitutas de Cuiabá se sensibilizaram com o caso Uniban e resolveram reivindicar melhores condições de trabalho. Como não foram atendidas, e algumas até apanharam, resolveram se unir. Montaram o Sindicato das Prostitutas de Cuiabá (SPC) e declararam greve.

Em um primeiro momento a notícia não foi divulgada. E o que se percebeu foram carros vagando em ruas vazias da região do Porto em Cuiabá. E um intenso movimento na avenida da FEB em Várzea Grande. As casas de entretenimento adulto da cidade vizinha ficaram superlotadas. Clientes esperavam no corredor e eram muitas vezes atendidos no chão, ou em camas com lençóis sujos.

A situação ficou completamente insalubre e as prostitutas de Várzea Grande resolveram declarar greve também. Com essa decisão o movimento nos motéis da grande Cuiabá caiu pela metade e muitos começaram a reclamar das dificuldades financeiras. O movimento nas boates aumentou. E também aumentou o movimento nos barzinhos de bairros.

A procura por travestis quadriplicou, e uma vez que vários motéis fecharam, mais cinco vereadores e quatro deputados perderam seus mandatos por quebra de decoro parlamentar.

Com o tempo, pessoas começaram a montar excursões para cidades como Barra dos Bugres, Rosário Oeste, Dom Aquino, Acorizal, Jaciara, Livramento e Jangada (onde eles podiam pedir uma puta e um pastel). Isso aumentou incrivelmente o número dos acidentes nas estradas e dos motoristas sendo presos por dirigirem alcoolizados. Os jornais não entendiam os motivos.

A estrutura dessas pequenas cidades ruiu e foi aí que as prostitutas do estado inteiro declararam greve. A situação ficou perto da calamidade pública. Começou a ficar mais freqüente os casos de rapazes que iam passar um final de semana em Aragarças ou em Piranhas em Goiás (note que não há a menor maldade, visto que essa cidade realmente existe). A ida de tantas pessoas de fora começou a gerar briga de gangues. E as prostitutas do centro-oeste declararam greve. Seguidas por um movimento nacional. As prostitutas dependuraram suas roupas e foram pra casa.

Em atos de desespero homens começaram a ir até San Matias na Bolívia. Apresentavam comportamento violento e a polícia boliviana começou a matar os jovens brasileiros que lá iam. Revoltado, o governo Lula declarou guerra a Bolívia. Que logo se tornou uma guerra contra a Venezuela e o Equador. Os Estados Unidos resolveram intervir. O Irã e a Coréia do Norte aproveitaram o pretexto para criticar a política intervencionista estadunidense e declararam guerra nuclear.

Foi o fim.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Pessoas Constrangedoras, volume 2

Pessoas que estragam fotografias

Por pessoas que estragam fotografias, não falo de algum possível demente que goste de jogar água em fotos, deixar os negativos expostos ao sol ou que tenha uma tara compulsiva por quebrar máquinas digitais. Falo sim, daquelas pessoas que com sua presença estragam uma fotografia.

E o motivo disso não é que elas sejam não queridas na foto. É a forma como elas aparecem nas fotografias.

O caso mais famoso é o das pessoas que aparecem em fundos de fotos em poses constrangedoras. É a tia que sai de biquíni na beira da piscina, o primo de barraca armada dormindo no canto. Mas bem. Aí são casos bizarros e raros e incomuns. A não ser que seja algum extremista que ao ver pessoas se preparando para serem fotografadas, saia correndo para simular uma situação em que ele possa estragar a foto. E apareçam nus no canto. Mas, não é nada disso. Vamos aos exemplos.

Situação 1, pessoas que fazem caretas

Todo mundo conhece uma pessoa assim. Naquela empolgação de “vem, pessoal, vamos tirar uma fotografia” alguém sai fazendo uma careta.

A explicação para esse caso é simples. A tal pessoa se considera feia, e com medo de que ao verem as fotos as pessoas digam “nossa, ele saiu horrível” a pessoa faz uma careta, e assim sendo ela deixa de ser feia. Está apenas fazendo uma careta. Só que quando a pessoa faz isso repetidamente ela se torna uma pessoa constrangedora. Afinal, ninguém gosta de olhar as fotos e ver “hmm, olha aí o Zezinho parecendo que tem paralisia mental”. Na próxima foto “é, de novo”. Mais uma foto e “que ser nefasto! Que paradigmas de iconoclastia ele ousa julgar...’ opa, quer dizer, a pessoa na verdade diria algo como “porra, nunca mais chamo esse filho da puta pra tirar foto”.

Situação 2, pessoas que não interpretam bem

“Vamos lá pessoal, vamos tirar essa foto com cara de medo!”. Na hora que se vê a foto lá está uma pessoa que saiu rindo e estragando a foto. Ou aquele caso dos caras que resolvem tirar foto com cara de mau, colocam óculos escuros e cruzam o braço. Mas na hora que eles vão ver, um cara saiu com cara de viado satisfeito.

E enfim, porque essas pessoas são constrangedoras? Porque estragar fotografias é complicado. Hoje em dia não existe mais o prejuízo financeiro de revelar 10 fotos estragadas por conta de uma pessoa. Mas a foto estragada não vai poder ser colocada no Orkut. Não vai ser mostrada para outras pessoas.

Sempre que a pessoa constrangedora estiver em uma roda de amigos ele vai escutar muito mais:
- Ei, tira uma foto nossa.
Do que:
- Tira uma foto com a gente.


Isso até que a exclusão total bata as portas dessa pessoa.

sábado, 14 de novembro de 2009

A moda é: ser exótico

Dois amigos vão juntos a uma sorveteria. Sentam-se no balcão e olham as opções de sabor. Os dois fazem suas escolhas.
- Me vê uma bola de chocolate.
- Como?
- Uma bola de chocolate.
- Chocolate???
- Sim, ué. Chocolate.
- Que horrível. Como você tem coragem de pedir sorvete de chocolate? Chocolate, tsc. Me vê duas. Uma de tamarindo e outra de fruta do conde.

O amigo que pediu o sorvete de chocolate será estigmatizado nos mais diversos segmentos da sociedade pelo fato de ele ter pedido sorvete de chocolate. Sendo que ele podia ter pedido sorvete de papaia, ciriguela, bocaiúva, nêspera, urucum, batata doce, amora, poncã, açaí, graviola, cupuaçu, umbu, cajá-manga, saputi, tâmara, tamarindo, pitonga ou bacuri. Já o que pediu o sorvete de fruta do conde poderá olhar por cima das outras pessoas.

Tudo isso porque? Porque a moda é ser exótico. Não sei se a culpa é da Angelina Jolie, mas o fato é que ao ir comprar alguma coisa, seja comida ou seja lá o que for, pessoas legais de verdade compram a coisa mais exótica disponível. Sorvete de abacate com goiaba, suco de morango com mortadela e menta. Filé de bagre com molho de jabuticaba e pimenta. Costela de bode refogada com leite em pó e guaraná ralado.

E o que é pior? É que essas coisas exóticas ou são ruins ou lembram incrivelmente alguma outra coisa normal. “Hmm, sorvete de tamarindo. Lembra Limão”. Oras, se lembra limão era mais fácil tomar um sorvete de limão. Mas o sorvete de limão... é ali, tão simples e branco. Muito melhor tomar um de tamarindo e parecer que você é descolado para não ficar deslocado.

Existe ainda o caso do frango. Já foram catalogados aproximadamente 392 carnes de animais que se parecem com frango. Avestruz? Parece frango. Jacaré? Parece frango. Cobra? Parece frango. Capivara? Também. Rinoceronte? Adivinha. O frango. O frango é o maior formador de opiniões gustativas da fauna mundial.

Nesse caso, melhor ainda é comer filé de rinoceronte com cobertura de tamarindo. Peito de rã com filé de bacuri. Sorvete de pequi com cobertura de filé de maracujá recheado com cobertura de abacate com gosto de frango.

E é claro, que fazendo tudo isso escutando um músico africano, filho de dinamarqueses que toca jazz com influência de ritmos caribenhos utilizando-se apenas de utensílios medievais. E se você perguntar para quem gosta o porque, ele responderá: “ora, mas é lógico. O cara é um moçambicano filho de um islandês com uma panamenha! E foi criado em Massachussets! E começou a carreira tocando caixa de fósforo numa esquina em Dusseldorf! E ele fazia tudo isso para um velho comerciante italiano de bigode que adorava empadas de rã com molho de frutas silvestres. E sabe o que ele ganhava? Apenas comida. Sorvete de salmão com cobertura de chocolate sabor abobora. Até que ele foi para a Macedônia trabalhar como alferes de uma empresa de jóias que era administrada por um tailandês que um dia o disse: vou lhe contar o segredo do sucesso. Ele é


PS. As tags desse post dão uma conotação de blog de mulherzinha.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Grandes dúvidas que não têm explicação (9)

Porque as pessoas gritam quando acaba a luz?

Terça feira aconteceu um apagão no Brasil. O país ficou envolto em trevas. Famílias perderam o capítulo da novela. Casais tiveram que arrumar alguma coisa pra passar o tempo. Pais entretiveram (curioso que entreter é uma palavra que sempre parece que é mais difícil de ser escrita do que realmente é) seus filhos fazendo sombras contra a parede. Aposto que alguns pais ficaram por horas fazendo cachorros e pombos. E os filhos faziam sombras que não faziam o menor sentido, mas os pais achavam que eram realmente grandes sombras.

Muito divertido. Quer dizer, divertido por uns 10 minutos. Até o momento em que você já fez todas as quatro sombras que você sabe fazer, arriscando até um ousado elefante. Depois perde completamente a graça. E como a luz não volta... bem, pior ainda é se os telefones ficam congestionados e a água acaba. É como voltar à idade média. Sair as ruas e encontrar o seu senhor feudal. Ratos na rua, caos, calamidade. Estado de apocalipse público.

Bem, mas voltemos à questão, que é afinal, a grande dúvida que motiva esse texto. Porque as pessoas gritam quando acaba a luz? Porque a falta de energia provoca essa catarse (senhoras e senhores, durante toda a minha vida eu sonhei em utilizar a palavra catarse em um post)?

Bem, eu lembro, quando a luz acabava no colégio, várias pessoas começavam a gritar. Talvez elas gritassem imaginando que não haveria mais aula pela falta de luz. Uma vez em uma aula de fotografia, a professora desligou a luz para revelar os filmes e no momento em que ficou escuro os gritos vieram. Certo que nessa vez era o mais absoluto escuro e se alguém quisesse ficar nu, ele realmente poderia ficar nu. Poderia passar a mão na bunda de quem quisesse. Poderia cometer os mais pervertidos e pecaminosos atos. De fato, não sei se alguma coisa aconteceu. Porque estava realmente escuro, muito escuro e era realmente impossível saber. Sei que eu não fiz nada.

E quando o apagão aconteceu na terça-feira várias pessoas relataram que escutaram gritos. Desde os simples "iiiihuuu” até os polêmicos “ninguém e de ninguém”, os libidinosos “suruba!” e também gritos de “puta, puta, puta!”, mas esses foram escutados apenas na Uniban. De fato, seria mais compreensível que as pessoas gritassem quando estão em lugares públicos, visto que o ser humano tende a se comportar de maneira estranha quando está em bando. Mas, porque afinal, as pessoas gritam quando a luz acaba, mesmo que estejam sozinhas?

Para responder essa intrigante questão, o CH3 foi a campo. Primeiro fizemos algumas entrevistas na rua. Depois convocamos voluntários para um experimento científico. Trancamos os em uma sala e apagamos a luz. Infelizmente nessa hora o telefone tocou e eu voltei apenas 15 minutos depois. Acendi a luz e dei três minutos para que os voluntários vestissem suas roupas. Menos o Jorge, que morreu. O velório dele é amanhã as 14h30.

Depois fiz mais uma série de perguntas aos voluntários. E pra terminar fiz todos assistirem Ilha das Flores. E voltei a entrevistá-los novamente.

Ao fim do experimento, pudemos chegar à seguinte conclusão:
- 37,89% das pessoas gritam porque sentem medo do escuro.
- 28,29% das pessoas gritam porque acham que uma suruba irá começar.
- 27,29% das pessoas gritam por herança cultural. Passaram a vida toda escutando as pessoas gritarem, e então gritaram.
- 19,39% das pessoas gritam porque vozes na sua cabeça mandam que elas gritem. Essas pessoas, aliás, gritaram quando as luzes foram acessas também. E também gritaram durante a entrevista.
- 18,22% das pessoas não se lembram de terem gritado, mas gritaram.
- 18,21% das pessoas “disseram, ah sei lá, deu vontade”.
- 0,11% das pessoas gritaram porque uma barata caiu em cima dela no momento em que a luz foi apagada. Numa dessas incríveis coincidências que fazem da vida algo fascinante.

Três pessoas não gritaram. Sendo que uma era o Jorge, que não gritou porque morreu. Outra que não gritou era muda. A outra pessoa que não gritou, disse que não gritou porque não achava que era necessário.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Guia CH3: Como escrever uma música do Rogério Skylab

Esses dias, Rogério Skylab esteve no programa do Jô. Provavelmente foi a sua quadragésima nona aparição em tal programa. O que pode revelar talvez, um possível romance entre os dois. Mas, o fato é que pelo menos para mim, Skylab é uma das três pessoas menos engraçadas que eu conheço. Sendo que as outras duas são um cara que estudou comigo e vocês não conhecem e a outra é esse cara aí.


Sinceramente, esse cara aí deve ser incapaz de contar uma única piada engraçada.

Mas, voltando ao Skylab. Já devo ter visto algumas dessas suas milhares entrevistas. Aliás, o programa do Jô é o único lugar no qual ele aparece. Imagino até que ele não exista de verdade e apenas se materializa de vez em quando pra aparecer por lá. E ele nunca foi capaz de me fazer rir. Nem um leve sorriso. Mas, de qualquer forma posso ensinar a fazer músicas como ele faz. O ritmo é um misto de bossa nova com heavy metal. E para as letras, você tem as seguintes opções.

1) Cite uma variedade de coisas. E depois um refrão que envolva algo escatológico. Como:
Tem azul, tem vermelho, amarelo e marrom.
Tem de preto, de branco, verde e laranja.
Vou de roxo, cinza ou furta cor.
Pode ser de bege a cor do seu caixão.
Porque eu pinto defunto.
Eu pinto defunto.
Meu pinto no defunto.
Necrofilia!


2) Outra opção é citar um palavrão com uma palavra escatológica dentro de um contexto insignificante. Como:
Fui comer uma mulher
E ela tinha boceta fedida
Boceta fedida!
Boceta Fedida!
Fui comer a mulher e ela tinha boceta fedida!


3) Repita palavrões em uma ordem qualquer.
Piroca, cu, buceta e merda.
Bosta, caralho, xoxota e cu.
Buceta, caralho, cu e merda.
Piroca, xoxota, bosta e cu.


4) Misture palavrões, escatologia, doenças e perversões sexuais, aleatoriamente.

Vou chupar meu pau
Porque eu tenho gonorréia
Caguei na minha boca
E chupei o seu cu


Talvez essas músicas até já tenham sido feitas por ele. Caso o contrário, siga esses passos e vá conhecer a fama mundial no programa do Jô.

domingo, 8 de novembro de 2009

Pessoas Constrangedoras, volume 1

Pessoas que conversam com outras pessoas desconhecidas

Pessoas constrangedoras estão espalhadas em nossa sociedade. Elas podem estar em qualquer lugar. No supermercado, na mercearia, na quitanda, na quermesse, na funerária ou ao seu lado. Ou, essa pessoa pode ser você. Nessa nova série do CH3, iremos abordar, ou melhor, discorrer sobre essas pessoas. Porque abordar por si só já pode constranger.

Pois bem, o que são as pessoas que conversam com outras pessoas desconhecidas? O nome já não foi o suficiente para explicar? São pessoas que conversam com outras pessoas, que elas não conhecem. Existem algumas situações freqüentes que explicam bem por que esse tipo de pessoa é constrangedora.

Situação 1: no ônibus, no avião
A pessoa, que chamaremos de pessoa desconhecida está já sentada no banco, com um lugar vago ao lado. A pessoa constrangedora chega.
- Oi, posso me sentar aqui.
- Pode.
- Que bom, meus pés estão me matando.
- ...
- Você é aqui de Cuiabá.
- Sim.
- Hmm, e tá indo pra onde.
- Pra casa.
- Hmm sim. Cheio não?
- É.
- O ônibus, cheio, não?
- Sim.
- Você não gosta de conversar?
- Bem... não é isso.
- Ah sim, porque se eu estiver te incomodando é só falar que eu paro.
- Não, não.
- Ah sim. É casado?
- Olha, meu ponto chegou. Tchau.
- Tchau, foi um prazer.

Situação 2: em uma fila
A pessoa desconhecida está na fila do banco, com outras 10 pessoas a sua frente. É quando a pessoa constrangedora chega.
- Essa é a fila do caixa?
- Sim.
- Tem que pegar senha?
- Não.
- Fila grande, não?
- Pois é.
- Ai, pena que eu tenho que pagar hoje.
- Pois é né.
- Bom que pra passar o tempo a gente conversa né, hehe.
- É, he.
- Veio fazer o que aqui?
Notem que nessa situação não há a escapatória do ponto ter chegado. Para a pessoa desconhecida existem dois caminhos. A primeira é continuar no monólogo. Respondendo no máximo três palavras por vez e torcer para que a fila ande rápido. Ou então, partir para o ataque. Isso poder ser feito
Dando uma resposta cruel.
- Pagar a conta do caixão do meu pai, da minha mãe e dos meus três irmãos que morreram.
- Nossa, do que?
- A polícia acredita que foi um acidente. Mas eu matei eles. Com minhas próprias mãos. E não senti nenhum remorso. Eu poderia fazer isso com QUALQUER pessoa.
Dando uma resposta nonsense.
- Lavar minhas cuecas.
- Mas aqui não é uma lavanderia.
- Pena. Mas vou lavar assim mesmo.
Sendo uma pessoa constrangedora também.
- Pagar telefone e você?
- Pagar a conta de luz.
- E você gosta disso?
- Do que?
- De pagar conta de luz, ela é alta?
- Bem...
- Deixe me ver. (tire a conta de luz da mão da pessoa). Sim, é alta. Deixando muito a luz ligada de noite?
- É... não.
- O que você está fazendo para gastar essa luz toda, heim?

Fingindo que foi atacado por uma doença repentina, que o deixou mudo e surdo.
(não existe dialogo para essa situação)

Situação 3: Uma situação boba qualquer
A pessoa desconhecida está no supermercado observando alguns biscoitos amanteigados. Ao seu lado duas amigas conversam. A pessoa desconhecida olha para o lado, fitando o nada, para ver quem está conversando, sem nenhuma maldade no coração. Mal sabia ela que essa é uma pessoa que conversa com pessoas desconhecidas. E quando a amiga vai embora é que tudo começa.
- Era uma amiga minha.
- Oi?
- Ela era uma amiga minha, faz tempo que eu não via ela.
- Ahn...
- E eu gosto muito dela, mesmo. Mas fazia tempo que eu não via ela.
- Ah sim.
- E nossa, foi muita sorte ter encontrado ela hoje, justo hoje.
- É...
- Nossa, impressionante as coisas que acontecem na vida, não é.
- É.
Nesse caso o que a pessoa queria mesmo, era ser sincera.
- Olha, eu não estou nem um pouco interessado em saber sobre a sua vida infame e desinteressante. Eu só estou olhando a porra duns biscoitos amanteigados e se você puder me deixar fazer isso em paz, eu agradeceria ok?

É claro que existem outros tipos de pessoas constrangedoras. Mas nós iremos falar sobre elas apenas em posts futuros.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Linchem-na! Queimem-na!

O boletim de ocorrências da delegacia de São Bernardo do Campo do último dia 22 de novembro relatava algo como: “As 21 horas uma viatura foi chamada até a Uniban para que pudesse retirar em segurança uma mulher de 20 anos que estava sendo hostilizada por outros indivíduos”.

Esse é o caso da estudante de turismo da Uniban, Geysi Arruda, que ao ir a faculdade utilizando um vestido rosa provocou uma rebelião entre seus colegas. Segue o relatório “muitos indivíduos se direcionaram até a sala onde a estudante estava para gritar palavras ofensivas”.

Não há dúvida de que o vestido utilizado por Geysi era curto, provocante e quiçá inapropriado para se freqüentar uma universidade. Ela poderia ter ido de calças jeans? Poderia.

Mas é fato também que no mundo em que eu conheço, eu jamais vi algo parecido. Se na faculdade onde eu estudei alguma garota fosse vestida assim, o máximo que aconteceria seria olhares indiscretos. Talvez alguém se excedesse no olhar e chegasse a fazer um comentário como “shhhh ah lá em casa!”. Mas provavelmente o autor do comentário seria mais recriminado do que a que o provocou. Conversando as pessoas ainda poderiam comentar "que roupa de puta".

Imagino que se Geysi passasse em frente a uma construção cheia de pedreiros abstêmios, ela receberia comentários maldosos e seria estuprada com os olhos. Mas não imagino que os pedreiros puxassem um coro de “puta, puta, puta”. Aliás, não imagino uma cena do cotidiano em que isso possa acontecer.

Já vi no colégio, e já participei assim como todos os homens de hoje em dia, dos coros de “bicha, bicha, bicha”. Já vi no jornal notícias de pessoas que cercaram bandidos. Já li notícias de mulheres linchadas na Arábia Saudita por terem olhado para um homem casado. Mas nunca vi nada relacionado a brados de puta na nossa sociedade democrática. É até meio difícil imaginar isso em uma faculdade, lugar de uma minoria.

As prostitutas estão em todos os lugares. E pode parecer que não, mas várias tem uma vida normal. Elas fazem compras, algumas estudam. Não imagino um grupo de clientes chamando uma menina de short curto de puta. Nem imagino pessoas se organizando para ir as zonas de meretrício para hostilizar prostitutas verbalmente. Mas, imagino até que muitos dos homens participantes dessa manifestação já fizeram uso dos serviços de garotas de programa.

Mas a cena é realmente surreal. As imagens mostram a menina entrando na sala já sobre os gritos de puta. E na seqüência uns... trezentos, talvez, alunos correm em direção a sala, abrem janelas. Tudo para o que? Para chamar Geysi de puta. É irreal imaginar que a vontade de chamar alguém de puta fosse tão grande assim.

Não sei se a Uniban é a Esparta brasileira. “Minissaia? Isso é a Uniban! Voadora no peito”. Ou se eles são uma espécie de Inquisição Espanhola. Casal andando de mãos dadas são agredidos verbalmente. Casais que se beijam são obrigados a se casar. Um ambiente de constante vigília e punição.

E então trezentas pessoas filmam uma cena patética e agressiva. Onde entre outras coisas dá pra escutar “ih, ali, ela tá chorando! Dane-se! Puta! Puta!”. Colocam isso no youtube, talvez orgulhosos. As pessoas assistem a cena e pensam “que bizarro, isso não faz sentido”. E os alunos se revoltam com a repercussão do caso. Queriam que seus atos Inquisidores passassem desapercebidos. Então, era mais fácil não filmar e não colocar no youtube.

Depois os alunos voltaram as aulas, com nariz de palhaço. E muitos ainda diziam “ela mereceu mesmo!”. É quase como aquela história “ela sabe porque foi estuprada”.