sexta-feira, 31 de maio de 2013

A farsa das mãos suavemente secas com duas folhas de papel

Um banheiro público não é exatamente o local mais agradável do mundo. Estes locais geralmente possuem um forte odor de urina e um talento para aparições surpresas de toletes gigantes que flutuam nas privadas. As descargas tendem a não funcionar, os mictórios são lotados de chicletes (eis uma grande dúvida para mim: porque as pessoas cospem o chiclete no mictório, se todos os banheiros invariavelmente têm lixeiras?), as torneiras contém vazamentos e sabonete para lavar as mãos é um artigo de luxo.

Para finalizar, há o ato de secar as mãos. Um ato de fundamental importância, porque sair do banheiro com as mãos molhadas pode ser um tanto quanto desagradável. As pessoas poderão pensar que você mijou nas próprias mãos, ou que enfiou a mão dentro da privada.

Ao longo dos anos, enxugar as mãos em banheiros públicos tem proporcionado enormes dilemas para a humanidade. Em tempos remotos, eram disponibilizadas toalhas que em poucos minutos estariam ensopadas e fedendo. Em tempos recentes, os shopping centers tem investido naquela máquina de ar quente, que é um tanto quando inútil. Por isso mesmo, a preferência nacional é pelas toalhinhas de papel.

O problema é que a toalhinha de papel não chega a ser totalmente eficiente na tarefa a que ela se propõe. Digamos é a forma menos ruim de se enxugar as mãos. Fora que ainda há o dilema ambiental, porque são gastas milhares de folhas, suficientes para reflorestar a mata atlântica. Tudo para poder cumprimentar as pessoas de cabeça erguida, olhar nos olhos do seu inimigo e dizer “eu posso apertar sua mão, porque minhas mãos não estão úmidas”. E sem precisar molhar a camisa.

Mais eis que os publicitários, imagino que essa ideia tenha partido de um desses malditos, resolveu divulgar que existem folhas tecnológicas que permitem que as mãos fiquem suavemente secas com apenas duas folhas de papel. Isso é uma farsa.

Você entra no banheiro e dá de cara com o puxador de papel. E lá está escrito que essas folhas foram desenvolvidas com tecnologia da NASA, que este papel possui microfibras que permitem uma alta absorção da água e que bastam apenas duas reles folhas para que você fique com as mãos suavemente secas. Diante de tais informações, você sorri e fica aliviado com o pensamento de suas mãos áridas.

Mas, isso não acontece. Suas mãos continuam molhadas, ou, suavemente secas. Você pode dizer que era exatamente isso que era prometido. Acontece que suas mãos ficam suavemente secas com duas folhas de qualquer papel, mesmo papel sulfite. Portanto, não haveria razão para anunciar isso como um feito.

É uma tentativa de transformar o normal em extraordinário. Como o político que se vangloria de pagar salário em dia. Uma invenção de publicitários. A farsa das mãos suavemente secas com duas folhas de papel.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

CH3 Comenta: O Bode Assassino

Na cidade de Londrina do Paraná aparece ele: o filho do demônio, o bode assassino. Ele ataca pessoas, motos. Ele é um verdadeiro tanque de guerra. Ele é um perigo para a humanidade. Ele explica porque os satânicos sacrificam um bode em seus rituais. O Rambo do mundo animal. Ele só é detido no momento em que o escritor Paulo Coelho aparece. Porque ninguém resiste a Paulo Coelho, para o bem ou para o mal.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Profissão dos sonhos: Amigo de Jogador de Futebol

Garçom, aqui nesta página de blog, você já cansou de ler, dezenas de profissões desgraçantes. Saiba que a partir de agora iremos mudar, daremos espaço para o outro lado, as melhores profissões do mundo.

O SporTV costumava a exibir um programa um tanto quanto chato sobre a vida dos atletas brasileiros que moram no exterior. O foco estava voltado, é claro, para os jogadores de futebol, mas vez por outra ainda aparecia algum cara da NBA ou medalhista olímpico. Era mais ou menos como uma revista Caras, só que com esportistas. Eles mostravam suas casas, suas salas, seus quartos, seus armários. Abriam seu coraçãozinho e falavam sobre as dificuldades, rotinas e experiências. Até choravam.

Um dos programas que eu vi foi sobre o jogador Nenê, que atuava no Paris Saint-Germain. Ele era um dos destaques da equipe na era pré-investidores multi biliardários do mundo árabe. No Brasil, Nenê teve passagens razoáveis por dezenas de clubes, como Santos e Palmeiras. É, sem dúvida, um bom jogador, mas seria capaz de passar anônimo pelas ruas de muitas cidades brasileiras. Se fosse convocado para a seleção nacional, muito provavelmente o povo iria às ruas pedir a cabeça do Felipão.

Imagine então que Nenê teria boa vida, digna de um profissional bem remunerado, mas sem os brilhos e luxos das grandes celebridades, certo? Errado. Nenê vai treinar de Ferrari e mora em uma luxuosa mansão em um condomínio de alto padrão da capital francesa. Ou melhor, morava, porque recentemente ele se transferiu para um clube do misterioso mundo árabe.

O que mais me chamou a atenção na emocionante rotina de Nenê é que sua casa é ocupada por um monte de pessoas. São os seus amigos, representantes de uma das mais agradáveis profissões deste planeta: amigo de jogador de futebol.
Galera, aproveita que hoje ele está na Polônia
Os amigos de jogador de futebol são aqueles caras que conhecem o atleta desde que ele era uma criança catarrenta. Passaram a infância juntos, disputando peladas na rua e praticando pequenas contravenções. Logo, o jogador vira um atleta profissional. Assina seu primeiro contrato, se destaca e passa a ganhar um salário muito acima do que ele imaginava, acima do padrão de todos os seus amigos.

Em um gesto, digamos, nobre o jogador não coloca óculos gigantes e passa a se vestir de maneira extravagante. Ou melhor, ele até faz isso, mas não se esquece dos seus antigos amigos. Só que essa lembrança não significa um convite para churrasco com piscina, dar uns presentes bacanas e tal. Na prática, esses amigos se transformam em verdadeiros parasitas.

Veja o caso do supracitado Nenê. Logo que ele chegava em casa, a câmera do programa mostrava uns quatro amigos sentados na beira da piscina aproveitando o dia de sol. Veja, não era aqui em São Paulo, era em Paris. O cara leva um monte de amigos para morar com ele em Paris.

Em suma, o amigo de jogador de futebol vive em palacetes, participa de orgias sexuais com garotas de programa de luxo, come bem, dorme bem e passa o dia inteiro vagabundeando na beira da piscina ou jogando videogame. Seu trabalho consiste em levar o carro do jogador para lavar, calibrar o pneu, botar a cerveja no freezer, arrumar umas vagabundas, servir a linguiça pros convidados. Se o jogador fura o pneu do carro, ele dá um jeito de arrumar.

Enfim, enquanto o jogador treina duro todo dia, tem que jogar, marcar gols, aguentar vaia da torcida e pergunta idiota de jornalista para aproveitar uma condição de vida luxuosa, o amigo jogador de futebol tem direito a tudo isso só que sem fazer nada. Ele aproveita o lado bom de ser jogador de futebol, só que sem o lado ruim. Seu único trabalho é divertir o jogador de futebol, como um bobo da corte moderno.

Por ter uma vida confortável sem ter que fazer nada por isso é que eu digo: ser amigo de jogador de futebol é uma das melhores profissões do mundo.

Epílogo: O jogador de futebol se aposenta aos 35 anos e segue tendo que sustentar vários parasitas com o dinheiro que ele guardou durante sua breve carreira. Em pouco tempo, suas economias são gastas com bebida, putas e pensão alimentícia. O jogador fica pobre e os amigos vão embora.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Músicas com metáforas sexuais

As metáforas estão presentes em várias letras da música brasileira. Aliás, os mais fanáticos diriam que todas as letras de música são metáforas. Poeticamente falando, é bem pouco interessante descrever as coisas com um significado concreto. É muito mais legal criar figuras abstratas, que dão margem para a interpretação e o exercício intelectual. Serve também para você se defender, dar uma de sonso e dizer que não quis falar aquilo que as pessoas acham que você estava falando.
“Não, não. Eu não quis dizer que pretendo sodomizar a presidente da república na frente dos seus netos. Quando eu cantei ‘adentrar a liderança pela porta dos fundos, aos olhos de uma minoria’, foi apenas uma metáfora para as manobras espúrias que as pessoas fazem pelo poder. Não, não. De maneira alguma quis satirizar o popular canal de vídeos do Youtube”.
Sendo que o sexo e falar de sexo são grandes tabus para a nossa sociedade, as metáforas sexuais estão entre as prediletas dos nossos compositores populares. E nem falo aqui de clássicos como “Cerol na mão” do Bonde do Tigrão, com seu clássico verso “vou aparar pela rabiola” (metáfora para sexo anal) ou ainda um clássico sertanejo de 15 anos atrás, que dizia “tira o carro, põe o carro na garagem da vizinha, que garagem apertadinha”, que dispensa maiores comentários.

Também não pretendo falar de todas as letras do É o Tchan e muito menos de todos esses sertanejos onomatopeicos contemporâneos, em que o tchu, o tcha, o tcheretche, o tãe, o lêlêlê e o bará berê são apenas formas imbecis de se referir ao vuco vuco. Vamos falar de compositores mais respeitados.

Esses dias eu estava na fila do supermercado e a rádio ambiente começou a tocar uma música do Lulu Santos, um desses tantos sucessos do compositor sexagenário. Empacotava o pão enquanto ouvia “ela me faz tão bem, ela me faz tão bem, que eu também quero fazer isso por ela”. Naquele momento a ficha caiu. Essa não era uma tola canção sobre querer o bem da pessoa querida. É uma música sobre a retribuição do sexo oral. Ela faz tão bem, que ele também quer fazer nela.

Observando a letra mais atentamente, é possível perceber toda a sacanagem implícita. “Ela demonstrou tanto prazer de estar em minha companhia, eu experimentei uma sensação que até então não conhecia”. Diria eu, que Lulu canta sobre sua primeira paixão, a perda da virgindade.

Quando eu tinha uns oito anos, eu passei férias em Ilha Grande. Todos os dias a rádio tocava uma música do Kid Abelha “fazer amor de madrugada, amor de um jeito de virada” e um saxofone irritante. Aquele verso enigmático ficou na minha cabeça infantil. Que história é essa de amor de jeito de virada?

Digo que essa dúvida ficou em minha cabeça durante muito tempo e só recentemente eu percebi que é uma música sobre sexo anal. Seu nome é “Pintura Íntima” e aposto que Leoni e Paula Toller pensaram em chamá-la de “Pintada Íntima”, mas ia pegar mal pra intimidade do casal.
Digamos que ela é o Benjamin Button em pessoa
A letra tem algumas passagens bem selvagens como “eu to seco, eu to molhado” – sobre o uso de lubrificantes – e “não reparou que eu to vermelho”, sobre as assaduras provocadas pela prática do sexo não convencional. No entanto, essa deveria ser a única saída para Toller, já que seu namorado devia ter um pênis bem esquisito, como ela cantava naquela outra canção “tira essa bermuda que eu quero você sério”. Só um cara com um pênis parecido com o Delfim Neto pode parecer sério quando está nu.


quarta-feira, 22 de maio de 2013

O Fato Diante das Consequências

O FATO
No final da tarde de ontem, o motorista Carlos Eduardo de Freitas atropelou o ciclista Marcos Andrade. O motorista estava na pista preferencial e não viu a aproximação do ciclista.

O FATO DIANTE DAS CONSEQUÊNCIAS
Consequência 1: Os dois sobrevivem, sem maiores problemas.
Sua piscina está cheia de fatos. Suas ideias
não correspondem aos ratos. Foi foda achar
uma imagem para ilustrar esse post
No final da tarde, um motorista atropela um ciclista. O motorista estava na pista preferencial e não viu a aproximação do ciclista.

Consequência 2: O Ciclista morre
Um ciclista foi brutalmente atropelado no final da tarde de ontem. O jovem Marcos Andrade teve sua vida ceifada precocemente por conta da imprudência do motorista Carlos Eduardo de Freitas. Marcos estava na calçada, quando foi atingido pelo Honda Civic de Carlos, que trafegava em alta velocidade e fazendo zig-zag na rua. Testemunhas afirmam que o motorista estava a pelo menos 160 km/h e visivelmente embriagado. Imagens mostram que Carlos Eduardo Freitas havia passado as últimas 24 horas acordado, em uma festa em mansão na zona sul, bebendo uísque e cheirando cocaína. Filho de um promotor de justiça, ele era sustentado pelo pai e nunca havia trabalhado e nem possuía curso superior. Freitas saiu do carro irritado, ameaçando as testemunhas de morte e na sequência fugiu do local sem prestar socorro.

Andrade estava voltando para casa de bicicleta após sua jornada de trabalho. Amigos contam que ele era auxiliar de cozinha em um restaurante no centro da cidade e todo dia percorria um trajeto de 47 km de bicicleta, porque não tinha dinheiro para pagar o ônibus. Filho mais velho entre sete irmãos, começou a trabalhar cedo depois que seus pais morreram quando ele tinha oito anos de idade. Ele era o responsável pelo sustento da casa. Querido por todos, Marcos desenvolvia um trabalho social em seu bairro, ensinando crianças carentes a tocar violão. Professor atencioso, dizia que transmitir conhecimento era seu maior prazer. Seu grande sonho era poder voltar a estudar e entrar na faculdade. Ele queria ser médico, para poder salvar vidas. Vidas com a sua, levada brutalmente em uma esquina do centro da cidade.

Consequência 3: O motorista morre
A imprudência de um ciclista provocou a morte de um motorista, ontem, no centro da cidade. Marcos Andrade estava embriagado quando passou reto por um cruzamento, invadindo a preferencial de Carlos Eduardo Freitas. Testemunhas afirmam que Freitas tentou desviar, mas não conseguiu evitar o choque. Seu Gol prata modelo 1984 ainda acabou atingindo uma árvore. Foi este galho que atravessou o para-brisa e perfurou a traqueia de Carlos Eduardo.

Carlos Eduardo era estudante de Direito na Universidade Federal e era motivo de orgulho para seus pais, vendedores ambulantes, por ser o primeiro membro da família a obter um diploma. Ele estava voltando do seu estágio depois do acidente. Marcos Andrade está desempregado e voltava de um bar. Ele já tem oito passagens pela polícia, por porte de armas, receptação, tráfego de drogas, formação de quadrilha e violência contra a mulher.

Consequência 4: Os dois morrem
Dois jovens perderam a vida em um trágico acidente que aconteceu ontem. O estudante de direito Carlos Eduardo Freitas e o auxiliar de cozinha Marcos de Andrade acabaram morrendo após uma colisão provocada por um motorista de ônibus, visivelmente embriagado, que furou um sinal vermelho.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Neymar deve ir para a Europa?

Uma montagem tosca faz com que
até o fundo da foto pareça falso
Eis o assunto que movimenta as mesas de bar, as rodas de samba, as salas de jantar, os terreiros de macumba, as arquibancadas, ginásios, enfermarias e almoxarifados do Brasil. Neymar deve ir para o futebol europeu? Ele deve se vender ao vil metal que corrompe o homem? Deve se manter fiel ao seu clube formador? Na Europa ele poderá evoluir e ir atrás dos seus sonhos? No Brasil ele já tem tudo o que precisa? O que é mais importante? Felicidade? Sucesso financeiro? Quem foi Odete Roitman e porque alguém gostaria de matá-la? Muitas questões. O CH3 levanta aqui os prós e os contras, os mitos e as lendas, as verdades e as mentiras sobre a ida de Neymar para o Velho Continente.

Desenvolvimento Profissional.
Os grandes clubes europeus tem um patrimônio maior, jogam para um público maior e tem muito mais exposição midiática mundial. Não há como negar que ir para o Barcelona pode equivaler a uma promoção no trabalho. No entanto, pode ser que Neymar tenha mais dificuldades em conquistar títulos na Europa, uma vez que na Espanha, na Itália ou na Inglaterra não existe nenhum campeonato paulista ou similar. Aliás, uma incrível curiosidade é que o campeonato paulista só é disputado em São Paulo. Enfim, se não conquistar títulos, Neymar poderá se desvalorizar profissionalmente.

Desenvolvimento técnico.
Arnaldo Cezar Coelho pode até espernear, mas o fato é que o jogo na Europa é diferente. É mais corrido, sem tantas faltas, mesmo com a marcação mais forte. Isso porque na Alemanha não existe nenhum comentarista que dá chilique na TV, pedindo a excomunhão de um zagueiro que fez uma falta um pouco mais dura e que vibra quando esbarrões se transformam em pênaltis. Neste novo cenário, Neymar terá que aprender a jogar em pé, tocar a bola mais rápido. O próprio Neymar pode não concordar, mas jogar contra o Manchester United é mais desafiador do que enfrentar a União Barbarense.

Relação interpessoal.
Não sei se chega a ser positivo ou negativo, mas, na Europa, Neymar não terá jornalistas o questionando se o jogo foi uma carnificina, se ele se revoltou com as pancadas e outras coisas inerentes ao jogo de futebol. Digamos que Neymar será menos paparicado, não terá um treinador exigindo que ele receba tratamento diferenciado. Ele será apenas mais um craque no meio da multidão.

Qualidade de Vida.
Qualidade de vida está diretamente ligada ao dinheiro e isso o Neymar terá em qualquer lugar. Você pode pensar na oportunidade que ele terá de aprender um novo idioma, visitar museus, conhecer culturas e pessoas diferentes. Mas, eu creio que o Neymar esteja cagando, cagando montão para isso.

Dinheiro.
Atualmente, Neymar já ganha um salário mínimo a cada cinco minutos. Ele poderia  comprar uma calça Jeans na Riachuelo toda hora e ainda lhe sobraria dinheiro para curtir a vida adoidado.

Alimentação.
Eis um problema sério, porque não há feijão na Europa, pelo menos não um feijão igual ao nosso. A carência de feijão na dieta já provocou o fracasso de inúmeros jogadores brasileiros em solo europeu e Neymar terá que superar isso. O churrasco, outra iguaria apreciada pelos boleiros, também é mais difícil por lá. Os cortes são diferentes e tudo mais.
Na Espanha não tem Guaraná também.

Mulheres.
O recente imbróglio envolvendo Cristiano Ronaldo e uma panicat, ou latinete (bons tempos em que só existiam chacretes) Andressa Urach, mostra que as marias chuteiras estão espalhadas pelo mundo. Se você não vai até elas, elas vêm até você.

O CH3 quer deixar claro aqui que não tem nada contra Neymar, esta promessa do futebol mundial. Também não temos nenhuma queixa contra Odete Roitman, personagem que marcou a história da teledramaturgia nacional. Em momento algum quisemos difamar o campeonato paulista, competição mais antiga do futebol brasileiro. Respeitamos demais o ilustre Arnaldo Cezar Coelho, sempre eficiente em seus comentários e de forma alguma quisemos ofender a União Barbarense e a gloriosa Santa Barbara d’Oeste, terra de um povo honesto e trabalhador. Oferecemos apoio irrestrito ao jornalismo e defendemos a liberdade de imprensa. Pedimos desculpas de por algum acaso a Riachuelo, loja que sustenta tantas famílias em nosso país, se ofendeu com algum comentário. E queremos esclarecer que respeitamos panicats e latinetes, profissões tão dignas como quaisquer outras. Cristiano Ronaldo e Andressa Urach são personagens fictícios.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

O Futebol Brasileiro e o seu Complexo de Pit Bull

A noite do dia 04 de Maio de 2011 deveria ter ficado marcada na história do futebol brasileiro. Naquele dia, quatro equipes brasileiras foram eliminadas simultaneamente da Copa Libertadores da América, eliminadas em confrontos nos quais os times brasileiros eram considerados virtualmente classificados, devido a fragilidade dos seus adversários.

Quando o chaveamento das oitavas de final ficou definido, a opinião pública foi enfática em apontar a supremacia brasileira. O Cruzeiro eliminaria o fraco Once Caldas, o Fluminense passaria pelo Libertad, o Santos ganharia do América do México, enquanto que Grêmio e Internacional se responsabilizariam por patrolar Universidad Católica e Peñarol, para jogarem o gre-nal do século na fase seguinte.

Nas partidas de ida, Santos, Cruzeiro e Fluminense venceram e o Internacional conseguiu um bom empate fora de casa. Apenas o Grêmio desonrou o orgulho nacional ao ser derrotado no Olímpico. Na volta, o Santos jogou terça-feira e garantiu a classificação, reforçando nossa superioridade. Mas ai veio a famosa quarta-feira.

O Internacional jogou primeiro e abriu o placar logo no primeiro minuto da partida, encaminhando a fácil vitória. Todos ficaram surpresos quando o Peñarol virou o jogo em cinco minutos no segundo tempo. Os próprios jogadores do Inter pareceram não acreditar e não tiveram força para reagir. Depois, o Grêmio consolidou sua eliminação no Chile. O gre-nal do século não teria nem Grêmio, nem Internacional.

Ainda restavam Fluminense e Cruzeiro, em situação mais confortável. Mas o mundo ruiu sob seus pés, quando o Libertad conseguiu o gol da classificação aos 40 do segundo tempo e quando o Once Caldas conseguiu a improvável vitória por 2x0, eliminando o Cruzeiro de campanha impecável. O enorme favoritismo brasileiro se transformou na classificação de apenas uma solitária equipe paras as quartas de final.

Somada a derrota do Corinthians para o Tolima ainda na fase preliminar e o incrível Mazembaço do Internacional no ano anterior, a noite do dia 04 de maio de 2011 deveria ser a responsável por enterrar o complexo de Pit Bull do futebol brasileiro.

Nos anos 50, Nélson Rodrigues escrevia que o brasileiro sofria de um complexo de vira-latas. Diante de qualquer adversário de mais pedigree, nós já nos víamos derrotados e humilhados. A derrota contra equipes europeias estava decretada em nossas cabeças mesmo antes do começo da partida. Esse complexo só seria superado com a conquista do o tricampeonato mundial no México, em 1970.

O sucesso do futebol brasileiro a partir dos anos 90, com mais duas Copas do Mundo, títulos internacionais de clubes e inúmeros jogadores premiados como melhores do mundo, fez com que o brasileiro passasse a sofrer desse complexo de Pit Bull. Diante de qualquer adversário mais fraco, o menosprezamos e decretamos nossa vitória.

As derrotas nas Copas de 2006 e 2010 não tiraram a certeza da nossa superioridade. Perdemos por nossa culpa e não pelos méritos adversários. A noite de 04 de maio de 2011 também não ajudou, porque pouco depois o Santos conquistou aquela Libertadores. A equipe santista foi disputar o Mundial contra o Barcelona em clima de festa. “Vamos ver se eles são tão bons!”, “quero ver quem segura o Neymar, o Messi não é de nada”, diziam os entendidos da imprensa ufanista. Final: Barcelona 4x0.

Após o massacre de Yokohama, pela primeira vez os torcedores pararam para pensar no que estava ocorrendo, que humilhação era aquela. Só que logo depois o Corinthians levou a Libertadores e o Mundial de 2012, reacendendo o Pit Bull dentro de nós.

E eis que nesta semana, novamente nas oitavas da Libertadores, três times brasileiros foram eliminados juntos. Já perguntavam se o Palmeiras conseguiria ganhar do Atlético-MG. Pois, perdeu em casa para o Tijuana. Apontavam o fácil caminho do Grêmio até as semifinais. Foram interrompidos pelo colombiano Santa Fé. Afirmavam que o Corinthians deveria liquidar o confronto contra o Boca Jrs em plena Bombonera. Pois é.

Mesmo com esses reveses, comentaristas continuam apontando o amplo favoritismo brasileiro nas próximas fases. Temos mais elenco, temos mais dinheiro. Sim, se futebol fosse banco imobiliário, dificilmente os brasileiros perderiam os títulos. Mas, futebol é mais do que isso. Uma série de fatores entra em campo tornando qualquer resultado possível. Toda semana nós aprendemos isso.
De repente, seu goleiro comete a falha do século

No entanto, comentaristas do óbvio não irão mudar de opinião. E acabaremos todos sofrendo de um complexo de Pinscher, aquele que acha que é maior do que realmente é e não mete todo o medo que imagina.

Um sonho: ver esse texto sendo narrado por Fernando Vanucci.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

O Fator Glória Perez

Salve Jorge, a novela global que se encerra neste final de semana, é responsável por uma façanha. Ela é uma unanimidade, diria que a primeira unanimidade nacional desde o Plano Cruzado. Pela primeira vez na história, uma novela termina sendo detestada por todos. Nos mais diversificados rincões de nosso país, pessoas das mais diversas classes sociais, sexos, raças e crenças fazem comentários negativos sobre a trama de Glória Perez.

Reclamam de uma vilã que mata outras pessoas com uma seringa, reclamam das igrejas que misteriosamente ficam abertas durante a madrugada, reclamam de pessoas que fogem segurando crianças de colo em meio a tiroteios. Reclamam dos erros de continuidade e daquela música terrível que escolheram para ser o tema da personagem principal.

Salve Jorge não deixa de ser um pouco mais do mesmo que Glória Perez sempre fez. Suas novelas adoram intercâmbios culturais em que as viagens entre dois países distantes se transformam em pontes aéreas. Desta vez é a Turquia, mas já foi a Índia, o Marrocos, o México, lugares em que todo mundo fala português. Ela também já falou de ciganos e em todos os casos a cultura desses povos é resumida a passar horas cantando e dançando em volta de fogueiras.

Paralelamente a intriga internacional, Glória adora levantar questões polêmicas para serem discutidas na mesa de jantar da família brasileira. Agora é o tráfego internacional de mulheres para exploração sexual, mas já foi a imigração ilegal, a sociedade machista que impede mulheres de terem uma vida própria e também os direitos de reprodução. Temas polêmicos, tratados com sensibilidade por uma mestra da teledramaturgia.

Bem, o Video Show quer te convencer disso e esse é o discurso adotado por Glória Perez. A autora inovou ao começar a defender sua obra no Twitter, tal qual uma pessoa que precisa explicar as próprias piadas. Atirou contra seus detratores, apelidando-os de “Bonde do Recalque”, no melhor estilo da Geração Facebook, que coloca a inveja alheia como o motivo de todos os seus fracassos.

Glória Perez atingiu um status de intocável em sua carreira e creio que bons trabalhos anteriores contribuíram para isso. O problema é que ninguém tem coragem de falar para ela que o que ela está fazendo agora é uma porcaria.

Todos nós sabemos da tragédia pessoal que abalou sua vida em 1992. Sua filha, Daniella Perez foi brutalmente assassinada pelo seu par romântico na novela “De Corpo e Alma”, Guilherme de Pádua.

Por conta disso, as pessoas ficam cheias de dedos para chegar nela e falar “Glória, minha amiga, não é recalque. Sua novela é que é uma porcaria que não faz sentido”. Todos acabam pensando na sua história de vida, no seu sofrimento e deixam pra lá, “ela merece, ela sofreu”. Assim sendo, a autora tem essa liberdade artística para encher o saco coletivo.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

A Preguiça

Se fossemos olhar no dicionário, aposto que a palavra preguiça teria uma série de significados. Seria ela um adjetivo, um substantivo, advérbio, predicado? Poderíamos dizer que a preguiça é um desejo, um sentimento ou um defeito? Seria ela um mamífero da ordem Xenartha, com garras e pelos longos, que vive em florestas tropicais da América latina e se locomove lentamente?

Não sei. No dicionário nós teríamos inúmeras respostas e mesmo na internet nós teríamos uma série de resultados. Professores nos dariam explicações, padres ofereceriam conselhos espirituais e pipoqueiros nos ofereceriam a mais saborosa e salgada pipoca. Mas, estou com preguiça de pesquisar.

A preguiça é aquele sentimento de que não vale a pena fazer isso porque vai ser tão trabalhoso… Pintar o teto da capela sistina, fazer a sua monografia, montar um quebra-cabeça, ir até o supermercado comprar comida, cortar as unhas, levantar da cama, abrir os olhos… A preguiça sempre está acompanhada de reticências.

Temos preguiça porque temos certeza de que haverá tempo suficiente para fazer depois o que deveríamos estar fazendo agora. Sabemos que a vida é muito longa e sempre dá tempo de se fazer tudo. No entanto, a vida é curta demais para se perder tempo fazendo coisas que não precisam ser feitas neste exato momento.

A preguiça pode bater a sua porta em qualquer momento. Pode ser ao se deparar com esse texto, ao se deparar com a lista de pessoas que você tem que convidar para uma festa, quando tiver que arrumar seu armário ou ocultar o cadáver da sua amante que engravidou acidentalmente e ameaçou levar o caso a justiça.

Duvido que exista alguém que jamais tenha sentido preguiça. Enquanto pintava a Mona Lisa, em algum momento Leonardo da Vinci deve ter pensado em jogar os pincéis para o alto e dizer “cazzo, non sto ottenendo nulla fuori di esso. Io ascolto un po 'di musica”. Michael Phelps deve ter pensado em apertar o soneca do despertador para dormir mais um pouquinho, em algum dos 363 dias anuais em que ele nadava quilômetros em busca de recordes.

Observe, a preguiça é um direito natural do homem. Todos tem o direito de postergar seus deveres para um pouco mais tarde em troca de alguns minutos de ócio. Se o Phelps teve, você pode ter. Com certeza as atendentes de telemarketing pensam em desistir quando vêm a lista de metas que tem a cumprir. Bem, pensando bem, esse direito não deve ser aplicados a médicos, socorristas e bombeiros porque seria uma puta sacanagem.

Agora mesmo, antes de postar o próximo parágrafo, eu irei ver um vídeo no Youtube. E não sei se irei voltar.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Paul McCartney: seu passado lhe condena

Uma das coisas mais esquisitas da sociedade atual é o superdimensionamento que a carreira de Paul McCartney ganhou. Em um curto espaço de tempo, Paul se transformou em uma espécie de unanimidade das multidões. Ok, ele escreveu inúmeras canções excelentes nos tempos de Beatles (e aqui fala um cara que tem todos os CDs dos Beatles em sua estante), assim como escreveu outra ótimas músicas em sua carreira solo. Acredito sim, que Paul McCartney deva ser reverenciado por onde passe. O que me incomoda é esse fato recente de Paul ter se transformado em um herói para todos.

Veja que sua carreira solo é absolutamente mediana. Falo com convicção que nenhum dos discos que Paul lançou desde 1970 chega perto de alcançar um disco dos Beatles, mesmo que seja apenas o Let it Be. Antes que me perguntem, já digo que entre as carreiras solo das forças criativas dos Beatles, minha preferida é a do George Harrison. Não que seja absolutamente brilhante, mas a carreira de Harrison é constantemente agradável. Credito isto ao fato de que George nunca enfiou sua mulher nos discos e, para mim, esse é o problema que abateu a dupla Lennon/McCartney.

Vejamos: John Lennon lançou dois discos bons, um disco mediano e então passou a enfiar Yoko Ono em seus trabalhos. Seu último disco, Double Fantasy, é dividido meio a meio com a japonesa. A metade de Lennon é muito boa, enquanto que a metade da Yoko é insuportável. Você sente medo de que alguém tenha visto você escutando aquilo. Para não ficar para trás, Paul resolveu intrometer Linda McCartney nas suas músicas. O problema é que Linda não tinha talento nenhum e só ficava enchendo o saco com backing vocals inúteis. A vantagem de George, é que logo no começo ele foi chifrado pelo Eric Clapton e largou a mulher de lado, se dedicando apenas a fazer sua guitarra chorar gentilmente.

Voltamos ao Paul e o meu espantamento sobre a sua unanimidade. Vejam, que os shows de Paul McCartney se transformou em um evento social, um acontecimento, praticamente um happening. Não é apenas um show de rock. Em sua plateia estão fãs absolutos e também todas as duplas sertanejas possíveis, apresentadores de TV, jogadores de futebol, subcelebridades. Todos pelo holofote. Everybody Loves Paul. Mesmo que só saibam cantar o na na na na de Hey Jude.

Vamos analisar sua carreira solo. Depois de lançar clássicos como Yesterday, Here There and Everywhere, Penny Lane, Hello Goodbye, Hey Jude, Get Back, Let It Be, Oh! Darling, Paul anunciou o fim dos Beatles e também que lançaria seu primeiro disco solo chamado simplesmente de McCartney.

McCartney é um disco agradável, coma algumas músicas excelentes (Maybe I'm Amazed, Every Night), mas no geral se parece com um trabalho gravado entre o café da manhã e o almoço, no banheiro da casa dele. Alguns números parecem até que foram gravados no dia de lançar o álbum, só pra preencher o espaço.

Aliás, Paul sempre pareceu precisar encher linguiça nos seus discos. Mesmo nos melhores, como Ram. Nos anos 70, Paul ainda encasquetou em lançar álbuns meio conceituais, cheio de vinhetas e processos de gravação demorados que envolviam viagens a Nigéria. Montou o Wings, um negócio familiar em que outros membros inúteis tocavam instrumentos para as músicas dele e seu único disco que parece não ser encheção de linguiça é justamente Band on the Run, o melhor de todos.

Depois de Band on the Run, Paul McCartney entrou numa fase de não lançar nada de importante. Veja os últimos discos dos Wings e perceba que não há nada de interessante.

Aí então chegamos aos anos 80 e vemos o passado que condena Paul McCartney. Paul lançou um insuportável disco eletrônico chamado burocraticamente de McCartney II. Gravou duetos com Stevie Wonder e, pior, com Michael Jackson. Say, Say, Say de 1983 é um dos momentos mais constrangedores de Paul. Só não é o maior por causa disso:



No More Lonely Nights mostra Paul batalhando duramente pelo mercado das rádios easy listening em um clipe brega, com uma constrangedora cena de fogos estourando atrás dele na noite escura. Ok, o clipe nem é tão ruim assim, o problema é a música. A partir de então, Paul passou a ser visto praticamente como um necrófilo que vivia do passado, chato para cacete com um discurso ambientalista mala e que gravava músicas de elevador.

Paul ainda lançou outros discos pavorosos nos anos 80 até que em 1997 gravou Flaming Pie. O documentário do Anthology dos Beatles fez suas músicas antigas serem redescobertas e McCartney começou seu caminho rumo a unanimidade com discos agradáveis, no máximo.

Colabora para sua unanimidade, o fato de que ele é um cara muito simpático e que, realmente, não há nenhum ser vivo mais importante para o Rock do que ele. Como resistir ao que ele fez nos anos 60? O que me é estranho é o fato de as pessoas comemorarem tudo o que ele tenha feito, inclusive suas muitas músicas medíocres pós-70.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Figuras Estranhas do Cotidiano

Ontem eu dei uma passada em um Shopping Center de Cuiabá. Logo na entrada, passei por um desses quiosques de TV a Cabo que quase nunca tem ninguém. Dessa vez, não havia uma viva alma em um raio de três metros do local. Você pode argumentar que é pelo fato de que as pessoas temem chegar perto com medo de que assinem alguma coisa sem nem perceber. Mas, para mim, a culpa era do vendedor.

O vendedor estava lá, solitário, encostado sobre a bancada. Barba por fazer e óculos de psicopata. Sua visão era assustadora e parecia que ele poderia matar qualquer um que passasse no seu caminho.

Na volta, quando eu fui sair do shopping, passei novamente em frente do quiosque. O vendedor continuava imóvel. Aposto que no tempo em que eu passei dentro do estabelecimento comercial, ele permaneceu sem mexer nenhum músculo, movendo apenas os seus olhos em busca de sua próxima presa. Acredito que o shopping tenha fechado com ele ainda lá dentro. Nenhum segurança teria coragem de pedir que ele fosse embora.

Todos os dias nós passamos por uma série de figuras estranhas no nosso cotidiano. Pessoas que parecem ter caído de uma espaçonave, escapado de um hospício ou sofrido algum dano cerebral irreversível ainda na infância. Aquele cara de bigodes longos e chapéu que bebe uma cerveja em um posto na beira da estrada em General Carneiro. O motoqueiro tatuado, o Falcão, o Tiririca e tantos outros entrevistados no programa do Jô.

Algumas vezes eu já vi no meu bairro um cara que pesa uns 200 kg. Tá certo que não são muitas as pessoas que pesam 200 kg, mas o que realmente chamava a atenção nele é que ele anda sem camisa e com uma bermuda que deixa metade da bunda a mostra.

Certo dia, eu estava indo para a academia de manhã e o vi saindo de casa. Bem, imagino que seja a sua casa. Não acredito que ele estivesse lá promovendo alguma maldade, tipo, engolindo os seus moradores. Logo que ele passou pelo portão, senti um forte cheiro de merda. Por um momento, pensei “a fossa estourou” e segui o meu caminho. Nunca mais senti cheiro de merda naquele lugar. Consertaram a fossa, talvez.

No entanto, outro dia, passei por esse cidadão em outro ponto no bairro. Ele carregava uma sacola de supermercado em suas mãos, com pães e ovos, talvez. Quando passei por ele senti um forte odor de fezes e logo cheguei a conclusão de que não havia fossa estourada, nunca houve. O cheiro de merda provinha dele. Era ele quem o tempo todo estava cheirando a merda.

Logo imaginei ele cheirando a merda no supermercado, pedindo um pão e um pouco de queijo. Imaginei ele entrando no ônibus e as pessoas pensando que alguém tinha cagado na roleta. Pensei no estranhamento que aquele ser exótico sem camisa fazia em todos os lugares em que ele passava. No estranhamento que essas figuras exóticas provocam no nosso cotidiano. Mas, não limpar a bunda é sacanagem.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Piores momentos de 'Rio' do Duran Duran, ou: A Maldição dos anos 80

Desde que o retrô voltou a ser moda, falar mal dos anos 80 ficou proibido. Montou-se uma espécie de Comitê da Verdade informal que absolveu os anos 80, transformando-os nos anos dourados. Eis uma mentira. Quando falamos mal desta época, não é apenas por maldade. É por conta de coisas como o clipe de “Rio” do Duran Duran. Um perfeito retrato desta época, que será dissecado de agora em diante.



00:00 Pensei em terminar o post aqui. Que abertura impactante! E o que é aquele espelho despedaçado que se junta novamente?

00:16 Um Voyeur observa uma mulher deitada em um píer. Por um momento, chegamos a pensar que se trata de um cadáver. Mas, logo ela começa a andar e revela toda a magia da depilação dos anos 80 por trás de sua calcinha transparente.

00:21 Um cara de óculos rosa surge do fundo do mar e encara a mulher peluda. O diretor dá um close em sua cara e seus óculos viram espelhos. Repare a qualidade do efeito. Eles não tinham tecnologia na época? Então, que não fizessem.

00:35 Depois de uma série de imagens aleatórias envolvendo água batendo nas pessoas, reflexos e bolinhas quicando, a banda finalmente aparece cantando, atrás de uma mulher cheia de tesão em uma árvore.

00:43 Alguém, talvez um elefante, ejacula nas costas de uma mulher com maiô rosa.

00:53 Um cara vai passar um xaveco em uma mulher na praia, mas um caranguejo morde o pé dele. Insatisfeita, a mulher aplica um Roundhouse Kick no infeliz.

01:05 O grupo aparece cantando o refrão em um barco. A cena é entrecortada por imagens de, novamente, pessoas molhadas, espelhos e mulheres pintadas.

01:37 Uma misteriosa mão submersa aparece carregando um telefone cor de rosa. Este telefone é entregue para uma solitária mulher em uma jangada. Ao mesmo tempo, o vocalista recebe um telefone azul no seu barco. Ele tenta jogar um papo pra cima dela dizendo “te vi na TV e tal”. Puta com o papinho besta, ela puxa o fio do telefone e ele cai no mar. Peraí! O que ele estava fazendo de terno, gravata e pé de pato?

02:08 Um dos integrantes da banda lê uma revistinha e sonha com a época em que ele esteve no Vietnã. O que ele viu por lá? Uma mulher deitada enquanto um homem ejaculava dentro de um copo no umbigo dela. E aquela porra toda respingava nele.

02:16 Um compasso aleatório, alguém nadando em câmera lenta e, opa! Temos o vocalista de sunga fio dental, para orgulho do Gabeira. Um efeito constrangedor de uma bola gigante o derruba no mar e na sequência ele é capturado em uma rede. Por fim, ele bebe um drinque cor de rosa dentro d’água.

02:45 Uma mulher colorida invade o barco onde o bichinha da banda está sozinho e infeliz. Ele pensa “que porra é essa” e levanta da cama.  Mas, fica tudo por isso mesmo.

03:02 Aparece um cara tocando saxofone em uma jangada e o céu atrás dele está roxo. Você nunca viu nada tão brega.

03:19 Ai então fomos surpreendidos novamente! Agora o saxofonista aparece de chapéu no alto de uma montanha. Observe o gingado dos seus ombros! Para fechar com chave de ouro, a tela é dividida com as duas cenas. Meus olhos sangram.

03:41 Quando finalmente o saxofonista desaparece, o vocalista reaparece apontando o caminho. Logo depois, um cara com mal de Parkinson não consegue servir o champanhe dentro do copo.

03:59 Aparece um cara em cima de um cavalo na praia e uma mulher passando creme de barbear pelo corpo, dentro do mar. Eles já estão apelando.

04:06 hahahahahahahahaha, o cara de sunga fio dental dá um mortal pra trás dentro da água. Faltam-me palavras.

04:21 Outra mulher aleatória dá uma piscadinha para a câmera. Nada mais me surpreende.

04:39 A partir deste momento, a banda segue naquele clima de “somos caras felizes em uma grande aventura no mar”. Os integrantes fazem uma dancinha escrota e, como numa boa festa de bêbado, começa a putaria de jogar as pessoas dentro da água. E assim o clipe acaba.

Lançada em 1982, Rio foi Top 10 no Reino Unido e esteve presente em um disco multiplatinado nos Estados Unidos. O vídeo foi gravado no caribe pelo diretor Russel Mulcahy, autor de outras pérolas do mal gosto visual dos anos 80 como “Total Eclipse of the Heart”. Ele também é o diretor da trilogia de Highlander e Escorpião Rei.

Clique aqui para ver outro clássico do Duran Duran. Se divirta com os integrantes da banda gargalhando em cima de elefantes cuspidores de água.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Vinho Tinto e Exposição Pública na Internet

Por volta das 23h uma aluna resolve dar em cima de um professor. Ele retribui essa investida de maneira positiva, convidando-a para tomar um vinho em sua casa. Então, ocorreu a conjunção carnal entre os corpos docente e discente. Acontece que a aluna tinha um namorado, desconfiado. Ele acabou descobrindo tudo e, tomado de fúria e com sua honra manchada, deu publicidade ao caso.

Uma história aparentemente normal de sedução e traição que deve acontecer todos os dias em vários lugares do mundo. Aposto que neste exato momento, em algum canto da América Latina, um professor está servindo vinho tinto para uma aluna. O objetivo? Não sei. Talvez seja para passar de ano, talvez seja amor, apenas desejo.

O anormal no caso citado é que tudo aconteceu no Facebook e se está no Facebook, está diante dos olhos do mundo. Em poucos segundos, até mesmo Barack Obama já sabia dos sórdidos detalhes da história. O flerte, as cutucadas não respondidas, o convite para um vinho tinto suave Sinuelo, a oferta de uma carona em um Ranger Prata cabine simples. Que o ato seria possivelmente confirmado em uma casa bagunçada.

Sabemos o telefone e o endereço dos envolvidos. Sabemos que ele escreve “celolar” e que é ruim de papo. Todos nós nos irritamos a cada repetição sua de que o “o mundo é dos loucos rsrs”. Sabemos que a menina fez um doce danado, durante mais de uma hora, ponderando se deveria ir ou não. Sabemos que ela tem um gato e mora com sua tia inquisitiva. Só não sabemos se ela foi aprovada ou não na autoescola no dia seguinte.

Em outros tempos, esta seria a tragédia solitária na vida de um homem. O homem traído que busca consolo na bebida e na música sertaneja, ou que poderia multiplicar essa tragédia com um duplo homicídio seguido de suicídio. Em outros tempos, ele poderia no máximo pregar cartazes dizendo que sua namorada era uma vagabunda, mas o fato ficaria isolado e ridicularizado em sua comunidade. Mas ele divulgou o caso via Facebook, no próprio perfil da namorada e ganhou o mundo.

O Gazzag ajudava você a orga-
nizar sua vida social. O proble-
ma é que, ao que saiba, nin-
guém jamais usou o Gazzag.
Isso revela que no mundo atual é impossível viver uma tragédia de maneira isolada. Sempre haverá alguém com uma câmera para filmar você brigando na porta da boate. Alguém gravará você bêbado no ônibus e logo você estará no Youtube, no Facebook, Twitter, Orkut, MySpace e Gazzag. Você será transformado em memê e o G1 vai fazer uma matéria sobre você. Você será reconhecido na rua e não terá mais paz. Você pensará “puta que o pariu, eu não queria que nada disso estivesse acontecendo”.

No advento da lei Carolina Dieckmann, os responsáveis por te expor na internet podem sofrer com as graves consequências legais. Funciona bem no caso de roubo de suas fotos pelada numa privada. Não sei se funciona se alguém pegar uma conversa sua no Facebook e publicar.

No caso da história do professor enólogo, da aluna cutucadora e do corno divulgador, eu sou contra qualquer punição ao namorado. Ninguém pode ter cerceado o seu legítimo direito a vingança.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

O Fim está Próximo

Tá certo que um feriado em quarta-feira não é o melhor dos mundos. Todos nós preferimos quando os feriados caem nas sextas-feiras, ou melhor ainda, nas quintas e terças-feiras, quando o feriado se prolonga por intermináveis dias, permitindo horas extras de sono e altas confusões com uma turminha do barulho.
Mesmo assim, não podemos desprezar esta quarta-feira de descanso.

Ainda mais, porque se olharmos para o calendário, perceberemos que teremos apenas mais um feriado em dia útil neste ano. Falamos do Corpus Christi que irá cair em uma quinta-feira, proporcionando o abençoado feriado prolongado. Depois disso, apenas trevas. O ano de feriados praticamente acabará.

O dia da Independência do Brasil caíra em um sábado. Desgraçadamente, o 12 de Outubro e o Dia de Finados também serão em sábados, para alegria dos tecnocratas que adoram fazer cálculos sobre o quanto o país perde de dinheiro com os dias de folga. No segundo semestre, apenas a Proclamação da República cairá numa sexta-feira.

Como desgraça pouca sempre é bobagem, o ano da graça de 2014 será ainda mais madrasto com os feriados. Independência, Aparecida e Finados cairão em um morto domingo e a Proclamação da República será em um sábado. Prevejo um segundo semestre de 2014 sem nenhum descanso, com trabalhadores em prantos e tecnocratas festejando o aumento da produção.

Por isso, o CH3 defende aqui a criação de uma lei para que os feriados que caiam em finais de semana sejam transferidos para o próximo dia útil. Não acabemos com esse bem sagrado do trabalhador que é o seu direito a um dia de descanso! Esqueçamos esse papo de aquecimento da indústria! Já temos carros demais poluindo nossas ruas!

E tenho dito.

(O post de hoje é bem curto. Honramos o dia de folga, como nesse vídeo, clássico).