segunda-feira, 29 de junho de 2015

Spoilers de Game of Thrones

Não chega a ser exatamente fácil definir o que é um spoiler. Em tese, ele ocorre toda vez que alguém conta uma informação fundamental para o desfecho de uma obra de ficção (se for uma obra de não-ficção, nós chamamos de informação privilegiada ou mediunidade). Mas aí é que está a polêmica. É spoiler falar que o Jack Morre congelado no final de Titanic? E que o barco afunda? E que o pai do Simba morre logo no começo? Quando o spoiler é sobre um filme que já foi lançado anteriormente no formato de livro, a discussão fica ainda mais complexa.

O termo Spoiler era praticamente desconhecido da humanidade (exceção feita aos admiradores de carros tunados – antes mesmo de eles serem conhecidos como carros tunados – uma vez que há um acessório utilizado nesses automóveis que é conhecido como spoiler) até o advento do download de séries na internet. Antes disso, todo mundo assistia aos episódios de Arquivo X juntos, no horário em que ele passava no SBT. Com o advento do download e do streaming na internet, cada um assiste ao episódio na hora em que quer e isso complica muito o fluxo de informação.

Os spoilers se popularizaram na época do infame seriado Lost e voltaram com tudo com o épico Game of Thrones, que é baseado em um livro que muito gente já leu e fica por aí contando como serão os próximos episódios.

E é isso o que o CH3 vai fazer agora. Conversamos com o autor¹ da série original que nos contou tudo o que irá acontecer. Um verdadeiro furo de reportagem.

Tyrion Lannister: Na próxima temporada, o anão mais querido de Westeros irá se submeter a uma mal-sucedida cirurgia de mudança de sexo, que o deixará com um pênis de 43 cm, aproximadamente a sua altura. Eduardo Cunha irá aprovar uma lei que impedirá anões pauzudos de assumir o poder de qualquer organização civil ou militar. Desiludido, ele seguirá a carreira de ator pornô em filmes de zoofilia.

Jaime Lannister: Com a oportunidade de assumir o comando da porra toda, Jaime irá morrer de overdose após uma noite embalada em cocaína e discos do Bon Jovi. Os laudos do IML comprovaram que ninguém conseguiria sobreviver após escutar aquela quantidade de Bon Jovi.

Cumpadi Washington: Diante do caos provocado pelas overdoses e mudanças de sexo toda a terra média irá sofrer com as incertezas sobre o futuro. Eis que chegará até o Reino o Cumpadi Washington. Seu primeiro ato será restaurar a autoestima local dizendo “cheguei, estou no paraíso”. Washington irá mostrar para eles a dança do bumbum que chegou de uma vez e introduzir o rebolado sensual da baiana na casa dos Lannisters, sendo alçado ao posto de líder máximo da nação.

Daenerys Targaryen: Após a morte por overdose daquele outro cara, a Polícia Militar de Westeros irá aumentar a repressão contra as drogas. Essa jovem de nome inteligível que vê dragões e não toma banho será rapidamente identificada como uma usuária de crack e levada para uma casa de repouso em Barbacena, onde se tornará evangélica.

Jon Snow: Descobrirá que na verdade ele é filho de Beto Jamaica, provocando uma diáspora em todo o reino. Começa uma guerra civil entre Jamaica e Washington, que leva a extinção de todo o reino. As ruínas do local são compradas por um consórcio de empreiteiras investigadas na Operação Lava Jato que constroem um Shopping Center e um memorial ao PMDB no local.

¹George RR Martin J.R.R. Tolkien JK Rowling esses autores tem nomes cheios de Iniciais – o que pode ser indício de um nome ridículo.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Dilma, a Oradora

Quando a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, nasceu, Deus disse: “vai lá e confunde o pessoal, menina” e assim ela fez. Se Dilma tem uma habilidade inegável, esta é a de falar coisas que no geral não fazem o menor sentido. Sua linha de raciocínio não segue padrões lógicos e seus improvisos tendem ao absurdo. Para piorar, sua dicção não é das melhores e a expressão corporal dela também não a ajuda.

Dito isso, umas das melhores páginas brasileiras de humor brasileiras na atualidade é o portal do Palácio do Planalto. Não por outro motivo que não seja o de que eles divulgam as entrevistas e discursos da Dilma transcritos na íntegra, sem nenhuma alteração para dar mais lógica ou sentido ao emaranhado de palavras. O banco de discursos presidenciáveis é um convite a diversão e boas risadas na companhia de pessoas agradáveis.

O discurso que Dilma proferiu durante o lançamento dos Jogos Mundiais Indígenas já é um clássico. Sua fala sobre a mandioca (“Então, aqui, hoje, eu estou saudando a mandioca. Acho uma das maiores conquistas do Brasil”) já é um clássico. Mas o discurso reserva outros momentos marcantes, como sua fala sobre a mulher sapiens (pior trocadilho da história) e um misterioso tratado filosófico sobre a bola, que espantosamente quica e representa uma atividade lúdica, cujo fim é ela própria.

Meu momento preferido, no entanto, é o que ela fala sobre o governador do Piauí, Wellington Dias: “que nós carinhosamente chamamos 'o índio', e que se caracteriza pelo fato de que todos nós sabemos que se ele pular uma janela é bom a gente pular atrás, porque ele descobriu alguma coisa absolutamente fantástica”. Que tipo de governador é esse que resolve pular janelas e que ainda leva outras pessoas a o seguirem atrás de coisas fantásticas? Que frase mais sem sentido.

Bem, o discurso da mandioca já se eternizou no imaginário popular. Mas não é preciso procurar muito para encontrar outras pérolas do humor nonsense. Cliquei para ver um discurso que Dilma fez nesse mesmo dia, um pouco mais cedo, em uma solenidade de comemoração do Dia Olímpico.

“Esse é o tempo que falta para que o Rio de Janeiro se transforme no centro esportivo do mundo, se transforme no local onde milhares e milhões... milhares de atletas, milhões de pessoas virão aqui assistir aquele que é o evento que comemora, sobretudo, a paz entre os povos, mas também a grandeza e a expressão maior da humanidade que é essa capacidade de julgar, de concorrer, de se esforçar, de se superar”, diz a presidente.

Essa bela confusão entre milhares e milhões e a constatação de que as olimpíadas comemoram a maior expressão da humanidade que é a capacidade de julgar. Nunca tinha enxergado as Olimpíadas como um grande Supremo Tribunal Mundial, mas é interessante essa visão de que o que vale nos jogos olímpicos são aqueles jurados da ginástica e dos saltos ornamentais.

A parte das entrevistas não deixa de ser menos deliciosa. Destaco e encerro esse post sugerindo a leitura dessa brilhante entrevista a um jornalista mexicano, que tem trechos brilhantes, como esse:

Jornalista: Maia.
Presidenta: A Maia é mais embaixo, é ali na península do Yucatán, não é?
Jornalista: Isso.
Presidenta: Mas a do centro do México, ali, ali na...
Jornalista: Essa é Asteca.
Presidenta: Essa é Asteca? Não é Tolteca, não é... Porque...
Jornalista: Não, Tolteca é mais...
Presidenta: Não, me diz o seguinte: as duas pirâmides não são astecas?
Jornalista: Não, totalmente, não. Mas eu também não sou expert em...
Presidenta: São... Segundo... Por exemplo, eu fiquei estarrecida, então corri atrás para saber. Segundo se sabe, é de uma civilização anterior.
Jornalista: Anterior, claro.
Presidenta: Anterior.
Jornalista: Que os Astecas dominaram pela sua vez.
Presidenta: Que os Astecas dominaram.
Jornalista: Exatamente.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

9 Escolhas dos Leitores

Éééééééééé amigos, a Semana CH3 acaba hoje. Para encerrar este período tão marcante da história da humanidade,vamos encerrar com nove textos escolhidos pelos nossos leitores e a história por trás deles.

1 As 10 Pragas do Egito
O texto mais citado pelos nossos leitores é este aqui, ainda deste ano. Um texto polêmico e herege. A inspiração para este post surgiu de uma matéria da Super Interessante sobre o Êxodo. Fiz uma breve pesquisa sobre as 10 pragas do Egito e cheguei a conclusão de que elas eram hilárias. Porra, além de transformar o maior rio do mundo em sangue, Deus ainda matou animais e primogênitos, tudo isso para liberar um punhado de escravos judeus. Sacanagem.

2 Barata da Vizinha
Nessa época eu trabalhava no jornal Diário de Cuiabá e entre uma e outra pauta, chegou-se misteriosamente ao tema "Pagode dos Anos 90" e a clássica música da barata da vizinha - aquela que está em cima da minha cama toda vez que eu chego em casa. O post elenca alguns dos méritos da canção: estimula o raciocínio rápido, integra a sociedade, ensina a conjugação verbal, trabalho em equipe, enfim. A Barata da Vizinha deveria ser ensinada nos colégios.

3 Guia CH3 de Turismo
Há muito tempo, digo que pelo menos uns três anos, eu tenho para mim o pensamento de criar uma série de guias de turismo. Esbarrei em um sentimento que tenho de que ainda não estou preparado para o assunto, que com a minha inspiração e movimentação atual, não irei conseguir produzir um bom texto. Até que no aniversário de Cuiabá eu consegui formular um Guia sobre a cidade natal do CH3 - ficou bom - e espero que ainda neste ano eu consiga fazer outros.

4 Coisas legais para se fazer no Big Brother
Esse daqui poderia estar na lista de textos clássicos, mas reservei a ele um espaço especial por um único fato: é o texto preferido do Vinícius Gressana. Não é a toa. Todas as coisas legais citadas ao longo do texto foram inspiradas neste ilustre ex-participante do BBB CH3. Sim, talvez vocês, criançada, que acompanhem o Café do Feliz hoje não consigam imaginar ele se besuntando em feijão e simulando sexo com todos os objetos da casa. Mas isso seria possível naquela época.

5 Conhecendo o Decorado
Tempos atrás, começaram a construir um condomínio de prédios no terreno onde antigamente funcionava um clube esportivo do meu bairro. A Central de Vendas foi instalada na esquina da rua ao lado da minha e todo vez que eu saía de casa me deparava com a frase "Conheça o Decorado". Materializei o Decorado como se fosse uma pessoa. Aliás, imagino ele como o Eric Idle interpretando o Willy Wonka da fábrica de chocolates original.

6 A Era do Celular
A partir do momento em que eu cheguei no meu emprego atual e comecei a cobrir os bastidores do poder, eu percebi a importância do celular na vida dos políticos e poderosos. O Celular confere um ar de importância, de determinação, além de ser ótimo para evitar questionamentos e interrupções abruptas de estranhos. Acho que essa é a maior revolução que o celular nos proporcionou: parecer importante. Basta andar na rua falando nele, de preferência usando terno e gravata.

7 Você no Movimento Estudantil
Na época da faculdade os integrantes do CH3 tiveram uma relação conflituosa com o movimento estudantil. Principalmente eu, que quase fui linchado por membros raivosos da UNE que tiveram acesso a uma panfleto feito por mil e intitulado "POPROSTAS COMUNISTAS PARA A VIDA". Esse teste, um dos alguns já publicados por aqui, é reflexo destes tempos loucos.

8 Parabéns para você uma análise histórica
Se eu tenho uma qualidade na vida é a de conseguir pegar toda observação besta sobre a vida e transformá-la em um grande debate existencialista, com uma contextualização histórica barata. Esse texto é exatamente isso, baseado provavelmente no fato de o Facebook não fazer aquele estardalhaço todo que o Orkut fazia quando era o aniversário de alguém. E nunca é fácil lembrar quando é aniversário de alguém.

9 Poemas de Vinícius
Vocês da nova geração não devem se lembrar, mas existiu uma época em que o e-mail era a principal forma de interação virtual entre seres humanos. Todos os dias você abria a sua caixa de mensagem e com certeza lá você encontraria um texto do Arnaldo Jabor ou do Veríssimo, mensagens positivas em Power Point e Poemas de Vinícius®. Pois, o nosso Vinícius Gressana resolveu produzir os seus próprios Poemas de Vinícius® e o resultado é sensacional. Mestre Gressana caminha por várias escolas: realismo, sonetos, poesia concreta. O resultado foi tão bom que ele publicou uma segunda edição ainda melhor. Sério vejam o poema parnasiano e o da fase romântica.

Então é isso pessoal. A Semana CH3 volta no ano que vem, quando esse blog - muito provavelmente - irá completar 10 anos. Vamos desde já preparando a programação, porque precisa ser algo muito foda.

Para terminar: essa é a primeira foto que aparece no histórico do blog.

terça-feira, 23 de junho de 2015

9 Séries Clássicas

A Semana CH3 está terminando, mas antes de chegar lá vamos lembrar algumas séries clássicas desses nove anos. Alguns assuntos, ou ideias, são tão bons que merecem ser desenvolvidos por toda a eternidade.

1 Pessoas Constrangedoras
Eu esperava por um telefonema, sentado em um banco da Galeria Itália em Cuiabá quando vi uma mulher na fila do caixa eletrônico puxando conversa com uma desconhecida. Ele explicava a conversa que teve com outra pessoa e a desconhecida estava claramente incomodada com a situação. Na hora já veio na minha cabeça o título “Pessoas Constrangedoras, volume 1”. Desde então são 13 volumes com piadistas sexuais, pessoas que andam na mesma velocidade que você, que querem que você se lembre de algo que você não se lembra e pessoas que supervalorizam experiências pessoais. Tenho orgulho dessa série.

2 Grandes dúvidas que não têm explicação
A série mais longeva do CH3 já tem 23 edições. Não vou ter memória para me lembrar como é que o título me veio, mas sei que a inspiração foi uma propaganda de barbear: como é que se faz para ficar com a barba tão bem feita como nas propagandas, essa era a dúvida? Nessa série já abordamos os assuntos mais diversos e fomos atrás das respostas para o desaparecimento do material escolar, razões que levam as pessoas a gritarem quando a luz acaba, alfaces decorativas, as roupas do Faustão e Eri Johnson. Curiosidade: algumas vezes eu dei uma explicação para a dúvida e em outras não.

3 Redação Enem Nota 10
Foram apenas quatro textos, mas que tiveram uma repercussão enorme. A ideia veio com aquele cidadão que colocou uma receita de miojo na sua prova do Enem. As redações Nota 10 do CH3 tem contos eróticos, música sertaneja, É o Tchan e palavreado chulo, e atraem estudantes incautos que vêm do Google. Nem percebem a grande ironia antes de nos xingar: as redações do Enem valem mil pontos, logo, uma redação nota 10 é uma porcaria.

4 Por Onde Anda e Grandes Nomes da História
“Por Onde Anda” foi criada pelo Tackleberry, olha ele aí, provavelmente influenciado por um quadro do Video Show, ou do Faustão, ou do Luciano Huck. No começo, ele resgatava a história de clássicos dos anos 80 como MacGyver e Ferris. A série ficou um bom tempo esquecida até que eu a renasci para falar justamente do Tackleberry, para vocês verem como a vida é irônica. Depois, Tonho da Lua, Mister M, o clipe do Word e Nostradamus também foram relembrados. Todos eles andam meio sumidos, não é mesmo?

Já a série “Grandes Nomes da História” é basicamente a mesma coisa do Por Onde Anda, só que com pessoas que não necessariamente estão esquecidas. Isaac Newton, Neil Armstrong (astronauta e saxofonista), Houston e uma tartaruga gigante já foram personagens dessa série que tem 12 capítulos, acho. (Ela não é tão bem organizada assim).
O polvo paul também já esteve nessa série

5 Profissões Desgraçantes
Eu estava viajando pelo Brasil quando passei por uma estrada em manutenção. Fiquei comovido com a situação dos responsáveis por pintar as faixas das estradas. Que trabalho maçante, desgraçante. Fiz um post sobre isso e surgia uma nova série. Roteiristas de filmes pornôs, Ex-BBBs, Câmera Mans, testador de aviões, mascotes fantasiados, ajudantes de papai noel, dublês, presidentes dos EUA, figurantes assassinados e motorista do papamóvel são algumas das piores profissões do mundo.

6 Sintomas do Fim do Mundo
Os Maias afirmaram lá em um tempo bastante remoto que o mundo acabaria no fim de 2012. Nunca demos muita atenção para isso, pelo menos até o momento que o ano de 2012 chegou. A chance de que a previsão fosse furada era de quase 100%, mas o CH3 é apocalíptico e precisava buscar indícios de que o mundo iria acabar. A Crise do Sílvio Santos, bueiros explodindo aleatoriamente no Rio de Janeiro, Chuck Norris pedindo ajuda, o surto de memes e Michel Teló conquistando a Europa (tal qual um Napoleão Bonaparte) mostravam que o mundo poderia acabar mesmo. Mas não acabou. Infelizmente.

7 Debate Filosófico
Um dia perdido em pensamentos enquanto tomava banho eu pensei: “será que o voto de silêncio se aplica a publicações em redes sociais?”. Foi a partida para uma série de debates filosóficos, que sempre reúnem personalidades polêmicas discutindo temas polêmicos. O pontificado brasileiro, o pau de selfie, o futebol entre casados e solteiros já receberam o tratamento enfático destes textos.

8 Grandes Letras Clássicas da Música Brasileira
Uma série lúdica que tenta desvendar a poesia e as mensagens escondidas nas grandes composições nacionais. A distorção espaço/tempo de Tico Santa Cruz, as sutis metáforas sexuais do funk, a estética Broadwayana do Erre Som, o fluxo de pensamento Jamesjoyciano de É o Tchan no Havaí, a metafísica do Só Pra Contrariar, homofobia das marchinhas de carnaval. Muitos temas já foram discutidos.

9 Guia CH3
Para terminar a nossa série mais importante. Não sei quantos Guias CH3 já foram escritos porque é impossível contabilizar a arte. O Guia CH3 representa o blog em sua essência, na maneira de ver o mundo e encarar a vida ou vice-versa. Desde o remoto começo “Como Apartar uma briga de anões” o Guia já abordou diversos temas - Como se vestir bem, etiqueta, vida saudável, educação infantil, sexo tântrico, comportamento, extermínio de mosquitos da dengue, sucesso no youtube, dicas de viagem, enfim, tudo. Um agradecimento para o nosso querido Elemento X. Foi ele que viu uma briga de anões, enquanto estava dentro de um ônibus, e acabou originando essa série grandiosa.

Bônus:
Previsões, Perdas e Danos.
Começo de 2014 e eu resolvi inovar. Que tal fazer uma série diferente, relatando uma noite louca de Reveillon com os membros do CH3? Sim, com todos os personagens que foram até mesmo remotamente citados nesse blog. Confesso que quando eu comecei a escrever eu não sabia o final nem como a história se desenvolveria, escrevi e decidi os rumos exatamente na hora de cada post - foram sete mais o epílogo – e só decidi o nome da série na hora de clicar no botão de publicar. Mas acho que ficou bem legal e amarrado.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

9 Influências Anônimas

Depois de citar os livros que influenciaram o CH3 é hora de lembrar as pessoas anônimas para a multidão que também são marcantes para o desenvolvimento do blog ao longo desses nove anos.

1 Taxista do Rio de Janeiro
No final do ano de 2002 eu passei férias no interior de Minas Gerais e depois passei para ver a família no Rio de Janeiro. Na hora de voltar para casa desembarquei na maravilhosa rodoviária Novo Rio e encontrei o pandemônio. Era o último domingo antes do natal e caravanas de todo o lugar do Brasil desembarcavam por lá. Ônibus chegavam do nordeste e pessoas carregavam caixas na cabeça. Mal era possível andar pelos corredores da rodoviária e encontrar um táxi foi uma pequena batalha.

Quando entramos no Táxi acabamos por encontrar o personagem do Michael Douglas em “Um Dia de Fúria”. O taxista foi gentil conosco, mas ele estava a beira de sofrer um colapso. A rua de saída dos táxis estava trancada por algum motivo desconhecido e demoramos uma eternidade para conseguir sair de lá. Nessa espera estressante, por dezenas de vezes alguma pessoa esbarrava no seu retrovisor que acabava caindo no chão. Na terceira vez ele não aguentou. Levantou do carro e começou a xingar todos que esbarravam no seu carro. Reclamava do tanto de desocupados que estavam na rodoviária sem fazer nada. Apontava para um cidadão bebendo cerveja ao nosso lado e dizia “esse filho da puta aqui, tá bebendo aqui desde às 9h da manhã sem fazer nada. Vai pra casa seu vagabundo filho da puta”. Esse cara não tinha medo do perigo, ele tinha ódio no coração. Muitas vezes, quando busco um post indignado, tento ver o mundo pelos olhos desse taxista.

2 Professor da Auto-escola
Esse eu já citei diversas vezes. Ele era professor teórico da minha autoescola, principalmente do conteúdo de “direção defensiva”. Sua fala era magnética e chamava a atenção a quantidade de tragédias que ele havia presenciado, tragédias que invariavelmente terminavam com miolos de crianças expostos na calçada.

Mas o grande fato marcante desse professor era o seu gosto por reinventar a língua portuguesa, principalmente na parte dos coletivos. Para ele, todo e qualquer coletiva se chamava “multidão”. “Vocês vão enfrentar as ruas com uma multidão de carros”, ou “todos os dias acontecem multidões de acidentes”. Essa sua fala charmosa me chamou a atenção e sempre que posso utilizo o coletivo “multidão”, inclusive já utilizei isso em multidões de textos.

3 Louquinho do Saguão do IL
Éramos estudantes do curso de Comunicação Social da Universidade Federal de Mato Grosso e o saguão do Instituto de Linguagens era o nosso ponto de encontro. Aliás, o ponto de encontro de uma multidão de loucos e estudantes, já que o IL era a porta de entrada da UFMT.

Eis que um dia chegou um cidadão perto de nós, devíamos estar num grupo de 10 pessoas e perguntou “posso me sentar aqui?” e antes que falássemos qualquer coisa ele mesmo respondeu questionando “porque eu não poderia me sentar?” e nunca mais terminou de falar. Contou o caso de um filho que, coitado, morreu e discorreu por horas sobre uma vez em que ele esteve em Teresópolis, sabe com quem? Com Walter Avancini. O louquinho era figurante em uma minissérie que ainda contava com a participação de Vera Fischer. Ele estava no meio daquela multidão de figurantes quando Walter Avancini chegou até ele e disse “você”. Nesse processo, ele contou a biografia de Walter Avancini mas nunca chegou até o que aconteceu depois de ter sido escolhido por ele. O louquinho do Saguão do IL é meu exemplo de eloquência e verborragia sem necessariamente precisar contar alguma coisa.

4 Louquinho do Bar do Alano
Assim que eu me formei, um dos primeiros “empregos” que arrumei foi em um jornal experimental de um professor da faculdade. A redação do jornal ocupava um espaço físico interessante. Nos fundos moravam os donos do imóvel. Na frente ficava o Bar do Alano. O jornal ficava em uma salinha no meio disso tudo. Invariavelmente éramos surpreendidos pelos donos chegando em casa e passávamos a tarde escutando conversas de bar.

Foi em um desses dias que ele chegou. Um cidadão que disse “Amanhã vai fazer 15 graus em Cuiabá. Escutem o que eu estou dizendo. Vocês nunca acreditam nas minhas previsões, mas eu repito: amanhã vai fazer 15 graus em Cuiabá” (detalhe é que a temperatura beirava os 40 graus até então). Naquele momento uma dimensão se abriu em minha mente. Fiquei encantado com a fala apocalíptica do sujeito, a certeza e o desafio em seu tom de voz. Naquele momento compreendi a existência dos louquinhos de bairro e isso mudou a minha visão de mundo para sempre. O pior é que realmente fez 15 graus em Cuiabá no dia seguinte. Mostrando que esse mundo é mesmo surpreendente.

5 Careca da Academia
Costumo a frequentar uma academia de ginástica por volta das 6h da manhã. Um horário em que o ambiente permanece praticamente inabitado, com exceção de uma senhora e de outro senhor calvo. É dele que eu falo. Invariavelmente ele puxa assunto para falar dos problemas do mundo, aliás, do problema do mundo, que é o bolsa-família e consequentemente o PT. Os quatro cavaleiros do apocalipse se juntaram por conta dos programas sociais. Mas não é apenas isso. O cidadão também é a favor da morte dos brasileiros e de uma outra série de agendas que fariam o Eduardo Cunha dizer que ele estava pegando pesado.

Eu sempre digo que vivemos acomodados numa bolha. Fazemos amizades por afinidade e, potencializado pelas redes sociais, acreditamos que ocupamos um pensamento médio da humanidade. O Careca da Acadêmia prova que não. Ele é a vida real. E a vida real destila ódio e quer que todo mundo se foda. Se você quer escrever qualquer coisa que seja é melhor ter contato com a vida real.

6 Maluco do Exército
Este é outro personagem frequente das páginas deste blog. Trata-se do sargento/tenente/coronel/general/capitão-de-corveta que me recebeu no dia em que eu me apresentei ao Exército. Enfurecido como um soldado kubrickiano, o cidadão fez um discurso completamente alienado e deslocado da realidade. Perguntou ao meu grupo - os sortudos pré-dispensados - quem ali estudava Direito. Perguntou a eles se no Brasil havia pena de morte e todos foram unânimes ao responder que não. “Que universidade de merda estamos formando meu Brasil. É claro que existe pena de morte! Se o Brasil entrar em guerra, e isso é muito provável, entra em vigor a constituição de guerra e nela a pena de morte está prevista para um único caso: traição à pátria”.

Ele ainda afirmou que antes de sermos dispensados seríamos obrigados a escrever a palavra “exceção” e quem a escrevesse de forma incorreta seria obrigado a limpar as privadas do quartel. Seu discurso teve outros momentos marcantes, brevemente interrompidos por um simpático burocrata que explicava como seriam os próximos procedimentos. Um sopro de realidade no meio da insensatez. Aprendi com esse sargento/tenente/coronel/general/capitão-de-corveta que não precisamos nos basear na realidade para escrever um grande texto. O mundo de dentro da nossa cabeça é por vezes mais interessante.

7 Bêbado do ônibus
Em uma passagem obscura da minha vida, eu prestei vestibular para a Unesp em Bauru, no interior de São Paulo. O último dia da prova foi realizado em um domingo, que coincidia com a última rodada do então campeonato brasileiro. O Santos de Robinho era o favorito ao título, mas se perdesse, poderia acabar entregando o título ao Atlético-PR. Fiz a prova sem saber os resultados dos jogos e ao sair de lá, descobri que o Santos era o campeão por conta de um casal que passou pela rua buzinando e vibrando intensamente.

Entrei no ônibus para voltar até o local em que eu me hospedava e, passando pelo centro da cidade escutei um cidadão cantando “Agora quem dá a bola é o Santos! SANTOOOOOOOOOOSSSSS, o Santos é o novo campeão”. Imaginei que era algum demente no meio da rua, mas logo voltei a escutar o mesmo grito. Percebi que o cidadão visivelmente alcoolizado havia entrado no mesmo ônibus. Ele seguia cantando. “Agora quem dá a bola é o Santos. SANTOOoOOoOoOOSS!” e todos olharam espantados. Ele começou a encarar os passageiros e o cobrador e a se justificar. “Eu não sou santista. Eu sou corintiano, mas o Santos mereceu porque o Robinho joga muito” e tornou a cantar “Agora quem dá a bola é o Santos! SANTOOOOooooOooOOSSSSSS! O Santos e o Robinho mereceu (sic)”. E logo depois desceu do ônibus. Esse bêbado mostra várias coisas: senso de justiça, desprendimento e que o que importa é dar o seu recado. Inspiração eterna.

8 Comentário Anônimo
Foi no dia 8 de Abril de 2008 que ele entrou em nossas vidas. O Anônimo que postou o seguinte comentário no post sobre Como Se Tornar Um Crítico de Cinema: “Como é?!Trabalho de critico não é brincadeira, tampouco alguma função que se baseie em velhos clichês e costumes preguiçosos. No inicio até se deu bem, mas daí em diante transformou o texto numa piada sem graça e sem tamanho. Você é até bem humorado, mas não entende nada de ser critico de cinema, meu amigo”.

Se o dia 21 de junho é o nosso Natal, o dia 8 de Abril é a nossa Páscoa, o milagre da vida. Sempre que eu escrevo um texto para o CH3 eu paro e penso: será que alguém poderia fazer um comentário como esse sobre esse texto? Se a resposta for positiva é sinal de que o texto é bom.

9 Professor Cubano
Esse daqui marcou profundamente todos os membros do CH3. Um professor cubano autor de pérolas do pensamento como “ter ou não ter uma vaca é uma questão muy pessoal” e “qualquer coisa, nós partimos para uma discussão física e vemos quem é mais forte”. Corre a lenda que esse professor protagonizou uma cena de atentado violento ao pudor nos corredores de outra universidade e digo que há uma grande possibilidade que esse blog só tenha surgido por conta dele. Depois dele, nós não teríamos medo de mais nada.

domingo, 21 de junho de 2015

9 Posts de Aniversários

21 de junho. Data cabalística que marca o aniversário do CH3. Sim, nós estamos fazendo nove anos e aceitamos todas as congratulações pelo feito heroico e histórico. Hora de relembrar como foram os outros posts de aniversário do blog, essa tarefa sempre árdua.

É isso mesmo, o CH3 agora é a pátria da auto-homenagem, do marketing pessoal coletivo e até mesmo da auto-felação** diriam os críticos. Mas o que podemos fazer se uma série de coincidências do destino nos levou a ter tantas comemorações em tempo recorde. Para completar nossa felicidade, Gisele Bundchen deverá declarar em breve que é nossa fã.

O primeiro aniversário do blog foi comemorado com uma arrogância ímpar, relembrando todos os feitos dos nossos doze primeiros meses. Revelávamos a origem do nome CH3 (até hoje uma pequena parte da humanidade não sabe o significado do CH3, enquanto a maior parte pouco se importa com isso) e anunciávamos uma viagem de nossos representantes ao Maracanã.


Aconteceu. CH3 completa hoje 2 anos de existência. Se nós imaginávamos que um dia chegaríamos a completar dois anos? Não sabemos. Talvez o Pai Jorginho de Ogum soubesse, mas ele tirou uns dias de folga em Paranatinga, e nós não tivemos oportunidade de perguntar para ele.

Se houve um momento em que nós acreditávamos que poderíamos enriquecer com um blog na internet foi nessa época. Éramos uma equipe e postávamos com frequência, conseguíamos alguns comentários, as visitas aumentavam e enfim, o Kibe Loco que se cuidasse. O post foi publicado durante a primeira Semana CH3 da história e no geral nos fazíamos exatamente o que fizemos no primeiro aniversário: lembrar o que fizemos ao longo daquele ano. De bônus um Top 10 com os piores posts do blog até então. Acho que não conseguimos fazer nada pior mesmo.


3 3 Anos de CH3
No dia em que o Tackleberry criou o CH3, eu não tinha a menor idéia do que fazer com isso. Aliás, ninguém sabia direito o que devia ser feito com um blog. Acho que pretendíamos postar as piadas e besteiras que pensávamos no cotidiano. Os pictogramas personalizados para o tira-teima da globo, a sátira sobre as análises táticas, os Chimbinhas Facts, o Zequias World Cup.

Aqui a coisa começa a ficar difícil. No dia anterior Tackleberry fez seu último post por essas bandas e o post do terceiro aniversário do blog foi um retrospectiva geral do que fizemos até então. Resolvi assumir um ar de que estava impressionado com esse aniversário e creio que de fato eu estava. Eu sempre fico.

4 CH3 é 4
Parece até que foi ontem o dia em que Tackleberry, por MSN, avisou que havia criado um blog. Que ele ia ver com a Laís como fazia para adicionar outros membros. Eram tempos parecidos com os de hoje, estávamos no meio de uma Copa do Mundo. Tempos de campanha eleitoral e o noticiário é sempre parecido. Eram tempos diferentes também, era uma época em que o Twitter não existia. Muitas pessoas não devem se lembrar dessa época.

No nosso quarto aniversário outra lembrança sobre o dia em que Tackleberry criou o blog e mais lembranças nostálgicas sobre o mundo. No dia seguinte Vinícius Gressana se despediria do blog para sempre e o texto é quase um desabafo sobre as dificuldades de manter o blog vivo e já demonstrava ali que sabíamos que o sucesso jamais viria. 2010 não foi um ano fácil, pelo menos para mim. Mal sabia eu que eu não havia chegado até a metade do caminho.

5 5 Anos de CH3
Poderia aqui descrever o dia. Citar os horários. Falar que exatamente às 19h35m do dia 21/06/2006 nosso primeiro post foi ao ar. Sim, você pode ver a postagem e argumentar que não era esse o horário. Mas eu te digo que era sim, porque na época nós usávamos o horário de Brasília. Não por outro motivo que não fosse o desconhecimento. Poderia citar o primeiro comentário, feito pela Laís as 11h42m do dia seguinte. E poderia perguntar: porque você matou aula nesse dia Laís? Ah, deve ser porque era aula de português e elas sempre acabavam cedo - quando aconteciam.

Percebam que eu já havia esgotado minhas possibilidades de posts de aniversários. É algo frequente na carreira de jornalista quando você tem que, por exemplo, cobrir uma série de eventos iguais em cidades diferentes. O desafio é aceitar que você já escreveu esse texto, mas que os leitores não o leram. Algo mais difícil de se fazer em um blog. Solitário, desabafo sobre o milagre de que assuntos continuem existindo e digo que esse foi o momento em que o blog esteve mais próximo de seu fim. No final, um convite para comer pizza em comemoração ao aniversário do CH3. Apenas eu e Vinícius fomos.

Uma breve consulta na Wikipedia, fonte universal e inequívoca de conhecimento, revela que o dia 21 de junho é um dia historicamente movimentado. Não apenas pelo nascimento do CH3. Claro que nós consideramos que este é o mais importante evento, tanto que iremos trabalhar para que o Congresso transforme esta data em feriado nacional. Não por outro motivo que não seja o de que nós gostamos de feriados. Aliás, ninguém pode se opor a criação de um  feriado. Jamais. Seria um belo presente neste dia em que completamos seis anos.

Aproveitei o sexto post de aniversário para citar os outros acontecimentos do dia 21 de junho e tenho dizer que estou orgulhoso disso agora. Foi uma bela escapatória para o texto maçante. Talvez seja o único post de aniversário atemporal. Termina com um agradecimento aqueles que não nos abandonaram até então e seguem sem nos abandonar até hoje: os servidores do blogger.

Pesquisando em textos anteriores, percebi que eu já havia me utilizado de todas as maneiras possíveis para começar um texto comemorativo, inclusive esta. Por isso, desta vez resolvi fazer algo diferente. Confiram agora os 7 anos do CH3.

Percebo agora que a ideia desse post já foi utilizada há dois anos atrás, mas que está tarde demais para eu desistir. Bem, na verdade, nem tanto assim. Ali eu analisava os anos como um todo e não os posts de aniversário.


Quem seria capaz de dizer, lá em 2006 quando esse blog foi criado, que oito anos depois ainda estaríamos aqui? Com três post semanais, abordando assuntos variados das mais diversas formas? Acredito que ninguém apostaria nisso, mas isso não significa muita coisa. Duvido que, quando o primeiro ser humano levantou e começou a andar, alguém apostaria que aquilo iria longe. Devem ter dito que seria uma perda de tempo.

Perceberam que esse post é uma adaptação de posts anteriores? Perceberam o inferno? Uma constatação: a crise era braba, esse foi o primeiro post de aniversário do CH3 em que ninguém se dignou a nos parabenizar. Forever alone.

21 de junho. Data cabalística que marca o aniversário do CH3. Sim, nós estamos fazendo nove anos e aceitamos todas as congratulações pelo feito heroico e histórico. Hora de relembrar como foram os outros posts de aniversário do blog, essa tarefa sempre árdua.

Se vocês não perceberam é exatamente deste post que eu estou falando. Nove anos. Muitas histórias, muitos textos, muitas tretas, muitas coisa ruim, alguma coisa boa, algumas amizades, alguns elogios, pessoas que vieram, viram e desapareceram para todo o sempre. Valeu mundo.

sábado, 20 de junho de 2015

9 Livros e Autores que fortemente influenciaram o CH3

Se eu tivesse uma autoestima maior e olhasse os mais de mil textos que publiquei nesse blog em nove anos, poderia me considerar um escritor. Mas, acabo mais por me considerar um desocupado, mesmo. Digo isso para tentar tirar qualquer presunção que esse post possa parecer ter.

Escrever é uma questão de prática e também de leitura. Cada livro que você lê irá te impactar de alguma maneira, para o bem e para o mal. Nesse post citarei nove livros e/ou autores que exerceram forte influência no estilo desse blog ao longo de todos esses anos. Aproveito esse post como uma dica cultura: leia-os. Eles são bons.

1 Luis Fernando Veríssimo
Veríssimo é uma das influências mais óbvias para qualquer pessoa que escreva alguma coisa que se assemelhe minimamente a uma crônica. Para ter acesso a ele você pode procurar vários das compilações de seus textos. Comecei ainda adolescente com “Comédias para se ler na Escola”. Mas o meu favorito de todos é "O Analista de Bagé", não uma reedição recente, mas uma edição lá dos anos 80 que conta com algumas das coisas mais engraçadas que eu já li na minha vida, como “O Manual Sexual” (gosto tanto desse texto que cheguei a digitá-lo para compartilhá-lo na internet) e um sobre os tipos de ressaca. Veríssimo me influenciou no gosto pela observação de pequenas coisas do cotidiano e pela capacidade de ampliar pequenas situações e transformá-las em grandes piadas.
Posts que podem ter sido influenciados: Qualquer um marcado na seção “Questões Existenciais" e muitos dos Guias CH3.

2 Diário de um Adolescente Hipocondríaco, de Ann McPherson e Aidan Mcfarlane
Li esse livro em uma madrugada de insônia quando eu tinha 14 anos e me identifiquei profundamente com o personagem. Não com o fato de ele ser hipocondríaco, mas com seu humor autodepreciativo - que originava sua hipocondria, ou será o contrário?, seu humor negro e a acidez com que enfrentava as dúvidas do mundo. Diria que o livro influenciou meu caráter, minha visão de mundo e meu senso de ironia.
Posts que podem ter sido influenciados: Qualquer um que veja graça em uma tragédia pessoal, como “A Prática do Jornalismo”. Ou algum de humor negro como, “Com Certeza é Câncer”.

3 Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto
O clássico de Lima Barreto foi o primeiro livro de literatura clássica que eu li no colégio e gostei. Gosto da ironia do personagem, do seu idealismo e radicalismo que não o leva a lugar nenhum e do jeito que os fatos se sucedem de maneira natural, até o seu fim trágico. Não é um final feliz, nem esperado (exceto pelo fato de que o título já anunciava que seria um triste fim) e acho que esse livro me influenciou a não querer que o leitor já soubesse onde é que essa história toda ia acabar. No sentimento de frustração, talvez.
Posts que podem ter sido influenciados: nenhum especificamente, que eu me lembre.

4 O Manual do Cara de Pau, de Carlos Queiroz Telles
Descobri esse livro por acaso na estante de livros aqui de casa. Trata-se justamente de um manual que ensina o leitor a parecer um expert em diversas áreas do conhecimento humano. Para isso, o autor disponibiliza tabelas com palavras e jargões dessas áreas. Basta decorá-las e utilizá-las corretamente para parecer um gênio da matemática, da física, da biologia, ou do marketing. Lembro-me de ter levado esse manual para faculdade e acho que poucas vezes rimos tanto em nossas vidas. Lembro-me do Vinícius Gressana se retorcendo em gargalhadas quando víamos a parte da psicologia e o seu “Surto Anal Persecutório” e que todos ríamos da expressão e de Vinícius e que naquele dia eu tive uma crise de riso quando estava no ônibus voltando para casa. Ok, onde está a influência? Em toda e qualquer construção excêntrica de frase, que parece alguma coisa grandiosa, mas que no fundo não significa nada, apenas exerce um impacto pela força e magnetismo oferecido pelo posicionamento das letras.
Posts que podem ter sido influenciados: todos.

5 Hiroshima, de John Hersey
Li Hiroshima na faculdade e vou dizer a vocês que não é um livro nem um pouco engraçado e que é bem estranho dizer que ele influenciou um blog que aparentemente é de humor. Mas a escrita não se influência apenas pelo espírito do texto, mas pelo seu estilo. O que Hiroshima me ofereceu são frases curtas. Frases duras e certeiras. Descrições precisas e breves. Períodos que não precisam se estender para transmitir significados. Hiroshima influenciou meu estilo de escrever profissional e não deixaria de influenciar esse blog.
Posts que podem ter sido influenciados: O trágico “Um Pulo Para Eternidade”, que tem Zé Gotinha como personagem principal.

6 Nelson Rodrigues
Diria que é quase uma heresia afirmar que Nelson Rodrigues me influenciou. Sua obra e extensa e eu conheço apenas a ponta do iceberg. Essa influência pode parecer imperceptível, já que o CH3 não tem o hábito de falar de cunhados canalhas, estudantes sedutoras, paixões carnais e incesto. Mas Nelson Rodrigues tinha suas expressões dantescas, peculiares e sumárias, suas comparações apocalípticas, épicas e definitivas. Esse blog gosta dessas comparações e gosta dessa dramatização, por vezes banal.
Posts que podem ter sido influenciados: Pode estar em qualquer lugar. É em Nelson que eu penso quando escrevo que uma frase é ao mesmo tempo o pior momento da história da língua portuguesa e inglesa.

7 Medo e Delírio em Las Vegas, de Hunther Thompson
Em certo momento da sua vida. Hunther Thompson foi enviado pela revista Rolling Stone para cobrir uma corrida de motos em Las Vegas. Thompson não assistiu a competição e passou o tempo inteiro se drogando na companhia de um advogado mexicano e percorrendo o underground da cidade. Na volta, ele escreveu um relato sobre sua experiência para a revista, que mesmo assim publicou o material. Por quê? Porque é muito bom. Thompson consegue tornar qualquer atitude banal em um momento de vida e morte - mandando o frentista do posto de gasolina calibrar seus pneus com 50 libras, o menino não aceita e suando frio diz que não irá se responsabilizar por isso. Thompson calibra seus pneus e volta para a estrada, sentindo o impacto de cada maldita pedra no asfalto. Qualquer diálogo, mesmo os com vendedores de lanchonete são carregados de tensão. E eu sempre tento recriar esse clima nos posts fictícios que escrevo em primeira pessoa, principalmente quando envolvem Pai Jorginho de Ogum.
Posts que podem ter sido influenciados: A série de cinco posts que relatam a minha busca por Pai Jorginho de Ogum.

8 Ficando Longe do Fato de Já Estar Meio que Longe de Tudo, de David Foster Wallace
Entrei em contato com David Foster Wallace por meio de um texto seu sobre a ética alimentar no consumo de lagostas - originalmente era para ser um relato sobre uma feira gastronômica de lagostas, publicado na revista piaui e logo parti para este seu livro. A maneira como a escrita prolixa do autor me influenciou chega a ser ridícula e é tão aparente que eu me recuso a citar quando eu li o texto para não passar vergonha. Wallace escreve longas frases, com muitas notas de rodapé, para explicar suas neuroses com fatos aparentemente banais e encontrar dúvidas existenciais na presença de faxineiras nos seu quarto em um cruzeiro ou nos chapéus utilizados por vendedores de uma feira agropecuária. Sério, a influência é muito óbvia a partir de determinado momento.
Posts que podem ter sido influenciados: O Curioso Caso das Festas Juninas em Julho, As Fabulosas e Inúmeras Opções do Mundo das Pastas de Dente, A graça do piloto de avião e Parque de Diversões.

9 Jornais Locais
Para aqueles que não sabem, sou jornalista e como todo jornalista - alguns deles, pelo menos, tenho o costume de acompanhar os jornais locais. Muitos deles me influenciaram em seus erros, nos estilos característico de seus repórteres ou colunistas ou em qualquer outra coisa que tenha um humor involuntário. Há um repórter daqui que é capaz de criar construções de frases completamente insólitas, contando a história do universo em apenas um parágrafo sobre reforma política. Existem os jornais do interior como um chamado “O Noroeste” que é impressionante, já que nenhuma frase dele faz sentido. Nenhuma! É inacreditável. Também há o Celso Prudente, colunista de cinema da Gazeta capaz de frases rebuscadas para blockbusters e uma expressão imortal “euro-hétero-macho-autoritário” citado até para filmes com Nicolas Cage. Há uma colunista do Olhar Direto que escreve textos que não tem nenhum sentido. Outro cara que sempre escreve “elite predadora” e muitas outras piadas internas que acho que só eu sei que são piadas internas.
Posts que podem ter sido influenciados: Tantos e tão poucos, em tese.
Uma das pessoas da foto é uma lenda viva e a outra é a Lecy Brandão

sexta-feira, 19 de junho de 2015

9 povos contra o CH3

Nem tudo são flores nessa vida. Em nove anos de posts é claro que o CH3 iria arrumar algumas inimizades mortais. Nesse post vamos relembrar algumas delas e comemorar o fato de nunca termos sido processados.

1 Paranatinga
Tudo começou quando Vinícius Gressana resolveu passar o carnaval de 2006 no município do médio-norte mato-grossense. Voltou de lá com retinas espantadas e contado histórias terríveis sobre sapos malucos, poeira interminável e a maldita alcunha de “Paranabala”. Foi o suficiente para que a cidade passasse a ser alvo de piadas frequentes no blog. Como não existem tantas referências assim para Paranatinga no Google, os moradores começaram a cair no CH3 e é claro que eles não ficaram felizes com o tratamento que nós dispensamos a cidade. Diz a lenda que no dia em um e nós nos dirigirmos até a cidade, seremos recebidos por populares furiosos com rastelos e tochas na mão.

2 Alto Caparaó
Corria o ano de 2008, quando eu saí de férias e aproveitei para escrever a primeira minissérie da história do blog. A trama girava em torno do desaparecimento de Pai Jorginho de Ogum e minha busca por ele, ambientada nas cidades pelas quais eu passei – vários personagens e situações são reais, excetos aquelas que eu inventei. O clímax da saga ocorre na cidade de Alto Caparaó, na divisa entre Minas Gerais e Espírito Santo, próximo ao Pico da Bandeira. A população não ficou muito satisfeita com os relatos sobre o carro de som que percorria a única rua da cidade e sobre o sinistro único restaurante que funcionava no local, o Estância Gourmet. Sério, eles ficaram realmente chateados.

3 Críticos de Cinema
O clássico texto publicado neste blog sobre os Críticos de Cinema acabou por divertir muita gente, exceção feita aos críticos de cinema. Fomos acusados de nos basearmos em clichês preguiçosos, de sentirmos muita inveja dos inteligentes críticos de cinema e nos mandaram tomar no cu. A ABRACI (Associação Brasileira dos Críticos de Internet) emitiu uma nota de repúdio e sempre temos que ver ao lado de quem nós nos sentamos quando vamos aos cinema.

4 Estudantes de Ensino Médio
Tudo começou quando a série de textos que o CH3 publicou sobre as Olimpíadas lá em 2008 virou um hit. Estudantes de todo o Brasil misteriosamente caíam nessa página e desde então esse inferno nunca mais parou. Pior ainda foi quando publicamos a série de “Redações Enem Nota 10” (na verdade eu fiz essa série mais por falta de tempo de fazer algo melhor), que também estourou no Google e atraiu dezenas de estudantes loucos pela fórmula mágica do saber. Muitos ficaram furiosos, mostrando que utilização correta do Google e interpretação de texto devem ser mais aprofundados nos colégios.

5 Antônio Roberto da Ditadura Gay
Nas palavras do próprio Antônio Roberto. “Eu nunca li algo tão ridículo e tão absurdo como esse. Como alguém pode ser tão doentio a ponto de imaginar todas essas babozeiras. O mundo não é nem jamais será isso que o autor deste texto disse, não existe comportamento heterofóbico, o mundo sempre foi e continua sendo machista e preconceituoso, agora querer se passar por vítima escrevendo algo como isso é o cúmulo da insensatez, se sentir ameçado pelos homossexuais o medo de um domínio doentio dos homossexuais achando que os homossexuais seria capaz de uma represália diante de comportamentos desumanos de uma maioria de héteros mal resolvidos, que sentem sua masculinidade ameaçada é muita viadice pro meu gosto. Que perda de tempo em ter lido isso”. Esse cara é muito furioso. Pena que ele não entendeu nada.

6 Fãs dos Caçadores de Relíquias
Fazia tempo que eu achava graça no programa “Caçadores de Relíquia”, que mostra dois rapazes promovendo caçadas arqueológicas em estradas viscinais dos Estados Unidos. Fiz um texto repleto de piadas bobas sobre a mania deles de pedirem descontos em todas as peças e sobre como as coisas nos Estados Unidos são baratas. Não imaginei que o programa tivesse tantos fãs irados, que me xingariam das coisas mais pesadas, dizendo que eu era viado e que nunca serei um formador de opinião.

7 Adventistas
Certa vez eu fui ao Parque Mãe Bonifácia em um sábado e fui abordado por representantes da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Achei o nome muito engraçado e a cartilha que eles entregavam com frases místicas sobre a religiosidade eram uma verdadeira peça de humor involuntário. Claro que eu transformei o assunto em um post que irritou os fiéis e pavimentou o meu caminho para o mármore do inferno.

8 Um professor
Certa vez eu fiz um post sobre os viadinhos da turma, aqueles caras que eram os puxa-sacos dos professores. Repetindo a vida real, um professor, veio defender os viadinhos nos comentários. Acredito que os professores, no geral, não tem gostado de receber trabalhos pesquisados no CH3.

9 O curioso caso do Cantor Geubert Nunes
Termino com um caso que não é de ódio contra nós, mas que é no mínimo curioso. Atentem-se a cronologia dos fatos: Em 22 de maio de 2009 nós publicamos um texto sobre como se tornar um comentarista de futebol. Comentários foram surgindo, até que no dia 21 de fevereiro de 2011 o Cantor Geubert Nunes surgiu por lá, polêmico, dizendo que homem que não gosta de futebol é viado. O Tiago Oliveira não gostou desta afirmação e cinco meses depois, no dia 7 de julho, afirmou que não gostava de futebol, mas que passava o rodo na mulherada, principalmente naquelas carentes por que o macho está assistindo futebol. Então, no dia 17 de dezembro de 2012, mais de um ano depois, Geubert Nunes voltou das trevas para uma tréplica sinistra, afirmando que o Tiago era cabaço. Cantor Geubert Nunes é um cara atento para a sua reputação na web, parabéns.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

9 Textos Clássicos

Caros amigos CHnautas, ela chegou. Não, não é a varíola, a peste, a fome ou a gravidez prematura. Quem chegou é a Semana CH3 2015, este evento grandiloquente que está aí para marcar este período do ano em que nós fazemos aniversário. E no ano da graça de dois mil e quinze o blog cê agá três completa inacreditáveis nove anos.

Para começar, elegemos nove textos clássicos do CH3 publicados ao longo destes nove anos de existência. Uma oportunidade para você, fã que nos conheceu em algum período destes nove anos terem uma visita guiada aos textos que moldaram nosso caráter. Oportunidade também para você que acompanhou nosso início e depois nos abandonou... não, acho que você não está lendo isso aqui.

O processo de seleção dos textos aqui presentes foi elaborado. Primeiro, montamos uma comissão eleitoral, composta por uma pessoa. A comissão bateu o olho sobre os títulos dos posts, realizou uma busca mental dos textos e decretou: estes daqui são os clássicos.

1 Três Formas de Se Fazer Justiça
Um texto publicado logo no começo da nossa jornada e que mostra a gênese do estilo CH3: humor absurdo, alternativas nonsense para as situações corriqueiras do cotidiano. “Três Formas” surgiu a partir de uma aula de Ética na Comunicação, no quarto semestre do curso de jornalismo. O lendário Professor Tenquini ensinou quais eram essas três formas e praticamente me deu o texto de graça. Como não fazer piada com isso?
Trecho Marcante: “Vá até o supermercado portando um canivete, ou uma espingarda, faça o gerente comer o pão estragado, atire em todos os enlatados e leve quantos pães quiser para sua casa”.

2 A Dieta do Chá de Cogumelo
Pela primeira vez na minha até então curta carreira de blog, eu senti que estava escrevendo algo muito bom. O texto foi rascunhado em uma aula de Redação Jornalística II (a sala de aula, sempre ela), no meu lendário caderno, antes de ser transcrito no computador. Nada nesse texto faz muito sentido: explicações técnicas sobre o uso de canecas, a aparição de um misterioso lobisomem e notas de rodapé atribuídas ao Barney dos Flintstones. Gostaria que esse texto fosse declamado no meu velório.
Trecho Marcante: “CANECAS: Em outra vida foi um frei. Seu pai Canecão, é uma famosa casa de shows. Seu filho Canequinha toca teclado no Faustão. Ou eu estaria confundindo com Caçulinha?”

3 A Prática do Jornalismo
Ainda na faculdade eu percebia a merda na qual eu estava me enfiando: o jornalismo. O texto gerou comoção e identificação imediata com meus colegas de sala, com colegas de profissão e foi parar em diversos blogs (incluindo o do Sindicato dos Jornalistas) e em perfis do Orkut. Até hoje meus amigos de curso se lembram de mim por esse texto, baseado no drama dos alunos de jornalismo do quinto e do sexto semestre. O pior foi perceber que a faculdade é apenas a realidade reduzida da vida real no mercado de trabalho.
Trecho Marcante: “O jornalista também não dorme. Esse tempo é dedicado para pensar em pautas. Os sonhos de um jornalista tem lead e sub-lead e estão em pirâmide invertida”.

4 Como se tornar crítico de cinema
O texto mais comentado da história do CH3, para o bem e para o mal, tem sua origem indefinida. Realmente não consigo me lembram como é que a ideia me veio, mas tenho certeza que eu li alguma crítica bem intelectual sobre um filme pop e resolvi tirar um sarro. Outro texto marcante, mas que só se transformou no que é por conta de um comentário anônimo.
Trecho marcante: “Como é?! Trabalho de critico não é brincadeira, tampouco alguma função que se baseie em velhos clichês e costumes preguiçosos”.

5 O Carnaval de Paranatinga
Muitos são os motivos que podem transformar um texto em um clássico. O principal deles é ter feito Vinícius Gressana se cagar de rir, literalmente. “O Carnaval em Paranatinga” é uma dramatização dos eventos vivenciados por Gressana no ano anterior, nesta mesma cidade. Bem, na verdade ele só relatou um dos acontecimentos do post (o telão mostrando Crazy Frog – lembram dele – pela eternidade), mas seu relato descrevia um carnaval de merda, tal qual ocorre no texto que me gerou o ódio de uma cidade e duas ameaças de morte.
Trecho Marcante: “Existem três escolas de samba na cidade. A Caralho Pulsante, Boceta Nervosa e Cuzinho Apertado”.

6 A Máfia das Bermudas Caqui
Esse é um texto praticamente perdido no blog, mas eu o resgato por marcar o estilo inconfundível do Tackleberry. Nosso fundador costumava a se interessar aleatoriamente por assuntos excêntricos e se aprofundava em um processo de pesquisa que resultava em um texto ofensivo e cheio de informações que nunca saberemos se são verdadeiras ou não. Para melhorar, esse texto sobre escoteiros gerou a revolta de um cidadão que nos xingou muito no Gmail. Anos depois, conheci o desempenho profissional dele (horrível) e me divirto toda vez que lembre que um texto nosso o deixou furioso.
Trecho Marcante: “Hoje estima-se que existam cerca de 28 milhões de escoteiros espalhados pelo mundo, todos avidos consumidores de bermudas caqui e portadores de hábitos bem peculiares, como só cumprimentar com a mão esquerda e fazer uma saudação com os dedos médio, indicador e anular estendidos unidos, além de uma estranha paixão por animais”.

7 O Mangá e dos Jovens
Nos idos de maio de 2010 eu já tocava o CH3 sozinho. No entanto, fui abatido por uma misteriosa virose e fiquei impedido de postar. Recorri a Vinícius Gressana e encomendei dois posts ao blog. Um deles é um clássico pós-moderno sobre a tendência de transformar personagens clássicos dos gibis em personagens de mangá, sempre adolescentes. Meses depois, Gressana voltou para seu último post, um versão Mangá dos personagens do CH3, também clássico.
Trecho Marcante: “Mangá do Didi Mocó jovem. Pois é. Onde o mundo vai parar”.

8 Ombudsman da Humanidade
Em meados de 2011 o então cantor Lobão era uma figura polêmica que não havia se transformado em um louco fanático com complexo de perseguição. Um dia, percebi que ele havia desistido da música para se dedicar a dar opiniões sobre o mundo e pensei comigo mesmo “esse cara é um ombudsman da humanidade”. Pesquisei o termo no Google e descobri apenas uma citação ao termo e que ninguém jamais havia discorrido sobre ele. Desde então, me dediquei a divulgar o tema – divulgação não muito bem sucedida, reconheço. Entretanto, entre outras coisas, reconheço nesse texto uma síntese do que o CH3 se transformou depois: menos piadas, menos nonsense, mais comentários pejorativos e questionamentos sobre a vida.
Trecho Marcante: “E quem estaria por trás dessa rede mundial? Sem dúvidas, a OAB”.

9 3 Propostas de Samba-Enredo
Para finalizar, um texto contemporâneo – sim, o blog é dividido em eras não específicas que ninguém sabe quando começam e quando terminam. Escrevi o texto após ver a Mangueira homenageando Cuiabá em um samba completamente sem sentido, enquanto outra escola sambava sobre a história do iogurte. Postei no Facebook que aguardava um enredo sobre o Frango Frito e como ninguém o faria, resolvi eu mesmo fazer. Contei para isso com a colaboração de um amigo de trabalho e na sala de recepção do governador de Mato Grosso chegamos a um total de três sambas. Também sinto orgulho desse texto.
Trecho Marcante: “Eva representada pela mulher maçã, toda nua, apenas com o corpo pintado. Para o papel de Adão, pensei em Rubens Ewald Filho”.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Seria Cristiano Ronaldo satanista?

A cena se repete em arenas desportivas localizadas em todos os pontos do planeta Terra. Sempre que um jogador marca m gol, acerta uma cesta, marca um ponto, cruza a linha de chegada, atinge um touchdown, nocauteia ou finaliza seu adversário, ele olha para cima, ergue suas mãos e diz: “Senhor, é você. É o Senhor que marcou este gol/ponto/cesta/touchdown/finalizou meu adversário e a você devo minha glória”.

Existem muitas maneiras de expressar este louvor. A maneira mais discreta é levantando uma das mãos, com o dedo indicador esticado e balançá-lo enquanto jura a glória eterna. Outra possibilidade é levantar as duas mãos para o céu e citar um salmo qualquer. Ainda há a possibilidade de levantar as duas mãos para o céu, com os indicadores indicados, e ainda de joelhos e fazer isso acompanhado dos seus colegas de time, que juntos puxam um pai nosso. Também é possível ajoelhar e esticar os braços, repetindo que tudo pode Naquele que te fortalece. Tantos fazem o sinal da cruz e terminam beijando os seus dedos.

Kaká, Marcelinho Carioca, o time inteiro do Cruzeiro e do Santos, Neymar, Lionel Messi. Quase todos demonstram a sua fé quando o êxito esportivo é alcançado e mesmo os lutadores de MMA não perdem a oportunidade de agradecerem a Ele por terem conseguido esmurrar seu adversário, acertar socos contra sua cabeça apoiada no chão, arrancando sangue do seu rosto e provocando pequenas concussões cerebrais.

Jogadores muçulmanos louvam a Meca quando alcançam o objetivo esportivo. Os hindus emitem pensamentos positivos para uma vaca e cada religião tem a sua maneira correta de louvar.

No entanto, há um jogador que não demonstra sua fé desta maneira. Bem, na verdade vários não demonstram, mas este que eu cito vai além: Cristiano Ronaldo. O marrento atacante português, quase sempre que marca um gol, corre ferozmente, aponta os dedos para baixo e grita “eu estou aqui”. Um sinal autoafirmativo, mas que demonstra seu gosto pelo obscurantismo. Todos nós sabemos os significados místicos: deus em cima, no céu e o diabo em baixo, sob a terra.

Ou seja, quando Cristiano Ronaldo marca um gol, ele faz questão de apontar para a terra e lembrar onde é que está Satanás. Ele clama pela força de Lúcifer em suas realizações. Quem está ali é o Belzebu em pessoa, possuindo o corpo do português e permitindo que ele atingisse as velocidades que ele atinge e chutasse com a força que só ele consegue. Só o Tinhoso conseguiria fazer essas coisas e ainda descer escadas de cabeça para baixo. Só o Diabo conseguiria ser tão nojento quanto o CR7.

Bem, pode parecer uma loucura minha, mas em uma breve pesquisa na internet vocês irão descobrir que a teoria tem fundamentos. Encontramos fotos de Cristiano Ronaldo fazendo chifrinhos com as mãos e também numa posse que certamente remete a besta.


Porém a maior teoria conspiratória sobre o luso-português é a de que ele seria um Illuminati, seja lá o que quer que essa besteira de Illuminati signifique para essa multidão de leitores de livros do Dan Brown. Fato é que ele gosta de fazer triângulos ao redor dos olhos e ultimamente desfilou com um corte de cabelo que tinha um triângulo desenhado. O símbolo de três pontas seria Illuminati.

Bem, pouco importa. Nós gostamos de semear a polêmica e, de agora em diante, está página será mais uma no meio dos registros históricos da teoria conspiratória.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Radicalismo True

Eu já falei aqui sobre uma figura notável da minha academia, um cidadão que coloca a culpa de todos os problemas do mundo sobre o Bolsa Família. Algum tempo já se passou desde então e ele continua mantendo este hábito intrigante, mesmo quando o assunto da discussão é a corrupção na FIFA.

Mas, nós sabemos que não existem limites para o pensamento humano e este cidadão segue nos surpreendendo diariamente. Nesta semana, enquanto falava das mazelas do povo brasileiro, ele chegou a uma nova e brilhante conclusão. Segundo ele, o que o Brasil precisa é que Hitler ressuscite para exterminar todos os brasileiros. “Ao invés de de matar judeus, ele mataria os brasileiros. É a solução, porque brasileiro não tem jeito não” e prosseguiu falando sobre como o brasileiro é ignorante a alienado.

As pessoas ao seu redor, em sua maioria, manifestavam uma passividade, digamos que uma complacência com aquilo que estava sendo dito. Internamente deviam pensar “é, acho que tem que matar mesmo”. Eu não disse nada, porque eu tento me envolver o menos possível com essas situações. Mas fiquei tentando a entrar na conversa e propor ações mais radicais.

A maior parte das pessoas que propõe soluções radicais para os problemas do mundo acaba se estabelecendo em um nível de radicalismo superficial. Repetem as ideias de morte e extermínio sem refletir nas consequências, sem juntar as palavras às ações. Não estão preparadas para um radicalismo true.

Pensei em dizer ao cidadão que clamava pela volta de Hitler, que eu realmente concordava com ele. Que temos que matar todos os brasileiros. Mas diria que nós precisamos ir além, que matar todos os brasileiros seria um processo longo e complicado, afinal somos quase 200 milhões, e deveríamos focar as ações iniciais cortando o mal pela raiz: matando as crianças e as grávidas.

Pediria que ele imaginasse a cena, aquela enorme fogueira em que crianças de até dois anos fazem o papel da lenha. Não é agradável pensar nisso? As grávidas sendo empurradas de viadutos e seus maridos sendo os responsáveis por recolher os cadáveres. Essa é a solução que nós precisamos. Antes, talvez para facilitar o trabalho do Hitler Zumbi, deveríamos criar um programa de voluntariado, em que os brasileiros que são a favor do extermínio de seus compatriotas se alistariam para a morte. Eu iria bater nos ombros do senhor e olhando nos seus olhos diria ter certeza de que ele seria o primeiro na fila.

Imagino que eles ficariam chocados. Que as pessoas na academia teriam náuseas com a imagem das criancinhas carbonizadas. O próprio senhor voltaria atrás e diria que quando ele fala dos brasileiros, ele fala dos outros brasileiros e enfim.

Uma dose de radicalismo de verdade é um bom remédio para discussões com pessoas que pregam a pena de morte. Quando alguém falar sobre isso, concorde. Mas diga que é preciso ter uma regulamentação muito boa. Morte por apedrejamento para estupradores, latrocínio rende enforcamento, zoofilia o fuzilamento e por aí vai. Infrações menores renderão mutilações. Como? “Quem avançar o sinal vermelho terá uma mão cortada! Nunca mais vai repetir de novo. Furar a fila, perde uma orelha. Completamente educativo”. Defenda firmemente as suas ideias e veja o medo nos olhos de seus infratores.

Furar sinal vermelho não é proibido pela constituição? Portanto, tem que sofrer punições. O furador de sinal de hoje é o estuprador de amanhã. Os dois crimes são ligados pela mesma linha, que é a linha da impunidade e da contravenção.

Vou fazer isso na próxima vez.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Reunião positiva


Os prefeitos de 37 municípios mato-grossenses estiveram reunidos nesta quarta-feira para discutir estratégias integradas para o desenvolvimento de uma agenda positiva para o desenvolvimento conjunto de políticas de sustentabilidade. A reunião foi realizada no canteiro central da Avenida do CPA e foi avaliada como positiva pela maioria dos presentes.

O prefeito de Guiratinga explicou que a reunião foi importante para traçar estratégias e estabelecer planos que podem colaborar com os objetivos traçados durante a reunião. Para ele o saldo é positivo, porque a partir de agora as ideias deixarão de ficar no papel e começarão a ganhar corpo, trazendo resultados positivos para a população.

A reunião definiu um cronograma de atividades e agendas para serem debatidas em conjunto. Já ficou acertado que na próxima semana será realizada uma nova reunião para definir a data de uma próxima reunião em que será apresentado um estudo preliminar sobre os projetos discutidos na reunião da semana passada.

"O encontro é importante porque podemos estabelecer as datas das próximas reuniões que irão definir as futuras reuniões em que acertaremos os locais das reuniões que definirão a melhor maneira de nos reunirmos para estabelecer um cronograma de reuniões positivas, fortalecendo o trabalho em conjunto deste grupo", avaliou o prefeito de Nova Nazaré.

Já o prefeito de Nova Bandeirantes, avaliou que a série de encontros tem sido produtiva. "Em seis meses de reuniões nós já estabelecemos o cronograma de reuniões para começar a estabelecer o regimento interno e definir as responsabilidades de cada um. Acredito que na próxima reunião iremos avançar ainda mais nesses pontos e a população é que tem a ganhar com isso".

Ainda de acordo com o prefeito, o grupo pretende se reunir com deputados na Assembleia Legislativa para tratar da logística dos projetos discutidos. "Os deputados já sinalizaram positivamente para a realização da reunião e agora resta definir na agenda de cada um quando é que poderemos realizar o encontro. É importante reunir esforços para que essa reunião traga resultados positivos".

Ao final do encontro, os prefeitos se reuniram no restaurante Panela Quente, onde apreciaram um belo filé de pintado acompanhado de arroz e farofa de banana. De acordo com todos, o resultado do almoço foi bastante positivo e eles esperam voltar a se reunir no local após a reunião marcada para a próxima semana.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

As Músicas de Sérgio Mallandro - O mundo já podia ter acabado em 1991

Sempre surge por aí algum profeta do apocalipse para afirmar que o mundo como nós conhecemos está para acabar. Poucas vezes as razões para este fim são embasadas em conhecimentos científicos que envolvam o aumento da temperatura média do planeta, o consequente derretimento das calotas polares e o aumento do nível dos oceanos. Ou nem mesmo um meteoro da paixão que chegará e nos arrebatará e arrebentará

Eis um fato: os fins do mundo são baseados em previsões e superstições. Nostradamus disse que no crepúsculo da segunda era os irmãos se oporão e das chamas do embate nascerá o infinito veraneio. Os Incas só fizeram o calendário até o final de 2012, a Xuxa não desejou boa sorte para a humanidade no ano de 2019, a Bíblia disse.

Boa parte das pessoas que afirmam que o mundo está acabando, o dizem com base na decadências dos costumes e da moral cristã. Mulher beijando mulher, homem chupando saco de homem, mulheres usando minissaia, negros recebendo dinheiro pelo seu trabalho, a existência do sertanejo universitário. Toda e qualquer contrariedade pode ser uma razão para alguém dizer “é o fim do mundo”. Mais do que uma previsão, é uma praga. Ou talvez, um ato de misericórdia. Do jeito que as coisas estão é melhor essa porra explodir de uma vez.

Ledo engano. Quem afirma que a humanidade vive seu pior momento do ponto de vista moral, está completamente equivocado. Quem fala isso está faltando com a verdade. Não se lembra que um dia, remoto dia, Sérgio Mallandro já foi cantor.

As novas gerações, pobres e sortudas, talvez não conheçam essa figura emblemática dos anos 80. Misto de apresentador de TV e ator, Sérgio Mallandro protagonizou alguns momentos marcantes. Como se esquecer da Porta dos Desesperados que faziam criancinhas serem perseguidas por monstros peludos, sendo que tudo o que elas esperavam era um Atari. Ou de seus programas no começo dos anos 2000 com mulheres seminuas e pegadinhas nonsense em que um cidadão chorava achando que tomaria um tiro na cabeça.

Sérgio Mallandro também gravou músicas. No total, ele pôs no mundo cinco discos, cada um pior do que o outro e incrivelmente eles fizeram um tremendo sucesso na época e não aparecia nenhum filho da puta pra dizer que o mundo estava acabando por conta disso.

Seu primeiro trabalho foi lançado em 1983, autointitulado Sérgio Mallandro, e continha o maior sucesso da sua carreira. “Vem fazer glu-glu” continha os enigmáticos versos “vem meu amor, vem meu chuchu, vem bem pertinho fazer glu-glu, glu-glu pra mim, glu-glu pra tu, vem meu amor, I love you”. Uma música que consegue ao mesmo tempo ser o pior momento da história da língua portuguesa e da língua inglesa.

Pois bem, não havia nenhum apocalíptico na época em que alguém rimava glu-glu com chuchu, tu e you.

Para provar que o seu primeiro disco não foi uma aberração isolada, Mallandro voltou a lançar um disco em 1986, também autointitulado Sérgio Mallandro, mostrando que este filha da mãe não tinha a menor criatividade. Além de uma enigmática faixa chamada “Pot-Pourri Glu Glu”, o cantor lançou outro sucesso “O Escândalo”, aquela que diz “Conheci, o capeta em forma de guri”¹.

Como desgraça pouca não é bobagem, o ano de 1989 viu Mallandro lançar dois discos: o curioso Oradukapeta (com a misteriosa Mallandrovsky) e o infantil “Pula, Brinca, Agita”.

Até que em 1991 o caos, o pandemônio, a cólera, a fome, a miséria e os oito cavaleiros do apocalipse se juntaram. Sérgio Mallandro gravou uma música em parceria com o Faustão. Sim. Sérgio Mallandro. Gravou um música. Em parceria com o Faustão. A música fazia parte da trilha sonora de uma comédia nacional® com os dois, para você ver como aqueles eram tempos difíceis.



Assistam essa porra e observem a desgraça com os seus próprios olhos. É um rap! Com o Sérgio Mallandro dançando e fazendo caretas? Um menino gordinho fazendo figuração.

Onde estava o Silas Malafaia nessa época? O Datena? O Movimento Muda Brasil? O Ronaldo Fenômeno? Onde estavam os revoltados online que não foram para as ruas protestar contra esse latrocínio da ordem pública?

Não tinha ninguém para falar para o Sérgio Mallandro que ele, porra, que ele canta pior do que uma avó banguela? E o que é a parte em que o Faustão aparece dizendo “falando em ovo, eu gosto é de Cozido”. Essa letra não faz sentido, nada nesse clipe faz sentido.

O mundo já devia ter acabado em 1991 e se não acabou ali, não acaba nunca mais.

¹Um amigo meu cresceu sua vida inteira entendendo que a letra dizia “Gonocir, o capeta em forma de guri”, o que talvez tenha lhe dado uma interpretação mais surrealística da canção.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Figuras Contemporâneas

Pessoas de um passado, remoto ou não, e com o que elas se pareceriam em tempos mais atuais. Ou não.

Cristóvão Colombo
Navegador italiano que descobriu a América com a ajuda dos espanhóis, Colombo tem cara de ator coadjuvante de comédia nacional. Vou além, ele se parece com um colega de trabalho. Pode ser aquele chefe engraçadinho, ou o companheiro de baia que pede dinheiro emprestado, ou qualquer outra função que sirva de escada para o Bruno Mazzeo.
Honoré Balzac
Escritor francês que eternizou seu nome em mulheres de 30 anos, Balzac poderia ser confundido com um barbeiro excêntrico, ou com um cantor de ópera. Seria um provável sucessor do Pavarotti.
Platão
Filósofo grego que fez o que quer os filósofos fizessem em sua época, nos tempos atuais Platão teria uma carreira de sucesso como zagueiro barbudo de time ruim. Poderia ser no Flamengo, ou em sua própria seleção grega. Ele carregaria a braçadeira de capitão, daria entrevistas bem elaboradas, gritaria com seus companheiros e tomaria dribles humilhantes.
Robespierre
Esqueçam a peruca ridícula de um dos mentores da Revolução Francesa. Em pleno 2015, Robespierre tinha tudo para ser o galã principal de uma novela das 6, fazendo mulheres perderem a cabeça.
Dom João VI
Ele realmente seria aquele ator André Mattos.
Beethoven
Jornalista decadente, percorre órgãos públicos em busca de patrocínios para sua revista chapa branca que ninguém lê.
Nero
Cantor de uma banda alternativa de Pernambuco, dessas que tem um visual ridículo e de vez em quando aparecem no programa da Fátima Bernardes, mas nem por isso chegam a fazer sucesso.
Isaac Newton
Tecladista de uma banda de Rock Progressivo nos anos 70, Isaac Newton não grava um disco desde 1997, mas segue se comportando como se os anos 70 jamais tivessem terminado.
Hirohito
Típico nerd japonês que não fazia o bigodinho ridículo que todos os homens tem na oitava série. Foi virgem até os 28 anos, passou para Engenharia no ITA aos 16 e hoje enche o rabo de dinheiro construindo foguetes.